GUSTAVO GAYER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Prezado Editor,

ontem o Cabaré do Berto recebeu o poeta tabirense Francisco de Assis Guedes de Melo, carinhosamente chamado de Có, que recentemente lançou NOS CAMINHOS DO SERTÃO, um livro com poesias que retratam a vida do sertanejo.

Hoje, conversando com ele pelo zap, com o Poeta palmarense Pica-Pau, falei do meu sonho de fazer algo pela APPTA – Associação de Poetas e Prosadores de Tabira e disse: “quero que Tabira guarde muito mais do que meus ossos”.

O poeta me dedicou estas glosas:

Eu sou filho dedicado
Das raízes sou fiel
Antes que vá pro céu
Quero deixar meu legado
Estou mais que empenhado
Fazendo tudo que posso
Também faço o que não posso
Chega o meu corpo arde
Quero que Tabira guarde
Muito mais do que meus ossos

Sinto o cheiro da terra
Do meu querido sertão
trago no meu coração
meu lugar meu pé de serra
a minha voz sempre emperra
capaz de me dar um troço
mas nas lembranças eu posso
e regressar nunca é tarde
quero que Tabira guarde
Muito mais do que meus ossos

Agradeço ao Poeta Pica-Pau e anexo uma imagem do livro do meu querido amigo Có. Que ele faça sucesso Nos Caminhos do Sertão.

Obrigado, ilustre Papa.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AOS OLHOS DELE – Florbela Espanca

Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.

Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!

Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor…
E grito então ao ver esses dois céus:

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m’encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Sr. editor e meus amigos queridos!!!

O Mito passou um apuro danado em Dubai.

A primeira dama ficou uma fera e prometeu uma bronca pesada quando chegassem em casa.

O assédio é no mundo todo, não tem sossego mesmo!!!!

kkkkkkkkkkkkkkk

BERNARDO - DIRETO DO PINGO NOS Is

GUILHERME FIUZA

A ÉTICA NO BANHEIRO

O McDonald’s está preocupado com seus banheiros. Recorreu então a uma inovação: criou o banheiro multigênero, que pode ser usado por clientes de qualquer sexo. Na porta das cabines “inclusivas” estão desenhadas três figurinhas: masculina, feminina e transgênero. O uso é individual. Ou seja: não faz a menor diferença quem está lá dentro. Mas a propaganda politicamente correta faz muita diferença. O mercado está pagando uma baba por demagogia fantasiada de inclusão.

Pare num posto de gasolina na beira da estrada, pergunte onde é o banheiro e se você pode usar. Provavelmente o encarregado te entregará uma chave e não perguntará o seu sexo. Aí você pode se trancar lá dentro e escrever emocionado na sua rede social que está num banheiro multigênero, à beira da estrada. Arremate a sua mensagem ao mundo com um “viva a revolução!”

Uma cliente do McDonald’s na cidade paulista de Bauru encontrou um desses banheiros “inclusivos”, não gostou do que viu e fez um vídeo espalhando a novidade. A prefeitura da cidade foi lá e disse que não pode. Que as regras do código sanitário preveem a distinção entre banheiros masculinos e femininos.

A conclusão inequívoca deste episódio é muito simples: a humanidade está com todos os seus problemas resolvidos. Mergulhou num tédio profundo e está procurando o que fazer para passar o tempo.

Vamos ajudar a humanidade. O tédio é de fato um inimigo poderoso, mas com criatividade é possível vencê-lo. Ou pelo menos enfrentá-lo de igual para igual. A partir do escândalo de Bauru, propomos as seguintes iniciativas, para apimentar a relação do ser humano com seu planeta monótono:

1. CPI do Banheiro Misto. Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues e Kátia Abreu vão demonstrar ao mundo que qualquer maneira de amor vale a pena – e qualquer maneira de ir ao banheiro também. Vão ensinar que um é pouco, dois é bom e três é demais, dependendo da metragem. Se for longa-metragem, recomendarão O Cheiro do Ralo (para clientes cult) e Lula, o Filho do Brasil (para usuários com incontinência monetária);

O trio de senadores Randolfe Rodrigues, Omar Aziz e Renan Calheiros

2. Na CPI, Omar Aziz determinará a quantidade de papel higiênico a que cada cliente terá direito, em nome da diversidade sexual e florestal. Quem for flagrado em qualquer ato discriminatório no banheiro será condenado a usar papel higiênico de segunda mão. Nada de moleza para os preconceituosos;

3. Dress code. Vamos acabar com a zona nos banheiros das lanchonetes. Homem de saia deverá escolher preferencialmente o McDonald’s. Se for escocês pode ir ao Bob’s, desde que esteja com seu passaporte sexual em dia. A clássica pergunta deverá ser feita exclusivamente em linguagem neutra: “Onde é o banheire?” Quem perguntar do modo antigo será indiciado pelo STF por ato antidemocrático;

4. Se a vida continuar um tédio depois de todas essas medidas criativas, iremos propor ao Burger King separação de banheiros pela cor da pele. Esses banheiros de hoje que só se preocupam com o gênero do usuário denotam claramente um preconceito racial velado – passando uma mensagem subliminar contra a diversidade das cores humanas, em postura nitidamente supremacista;

5. Dia Mundial de Luta Contra o Preconceito nos Banheiros. A humanidade evoluiu e hoje todos sabem que os banheiros não são mais lugares apenas para necessidades fisiológicas e higiênicas. Banheiro é lugar de leitura e reflexão. No dia do orgulho sanitário – que será inserido numa sequência de eventos denominada Dezembro Marrom – só será permitido o ingresso em banheiros públicos ao usuário que portar no mínimo um livro de filosofia e um iPhone. Esse iPhone deverá ter acesso a pelo menos uma rede social, na qual o usuário deverá provar que postou mensagens de orgulho sanitário.

As proposições acima visam a reforçar a luta da humanidade contra o tédio e pela encenação de novas éticas que possam servir ao nobre princípio de pentelhar a vida alheia (para usar a norma culta das portas de banheiro). Basta de monotonia.

DEU NO JORNAL

ALEXANDRE GARCIA

REPÚBLICA OU MONARQUIA?

Bandeira do Brasil: país relembrou nesta semana a proclamação da República.

O plebiscito de 1993, previsto cinco anos antes pela Constituição, mostrou que 86,6% dos eleitores preferiam o sistema republicano e 13,4% a monarquia. Na última segunda-feira (15), quando o presidente em exercício Hamilton Mourão postou nas redes um texto comemorativo à Proclamação da República, a reação não veio na mesma proporção do resultado do plebiscito. Talvez metade das manifestações, ou perto disso, culpa a República pelos nossos males e defende que a monarquia teria evitado muitas de nossas mazelas. No plebiscito de 1993, todos os eleitores só haviam vivido numa república e nenhum em regime de monarquia parlamentar; e não havia redes sociais para debater sistemas de governo.

Antes que se alegue que a proclamação da República foi um golpe militar tramado por uma elite intelectual e apoiado por escravistas furiosos com a Abolição; antes que se lembre que Deodoro era amigo e admirador do Imperador e o derrubou depois que Benjamin Constant o fez sair do leito de enfermo com a fofoca que Pedro II chamara Gaspar Silveira Martins para ser chefe do governo – logo ele, Gaspar, de quem Deodoro tinha ciúmes por causa de Maria Adelaide, a “baronesa” do Triunfo; antes que se argumente que a família real amava mais o Brasil que os políticos da República – vamos ponderar se a responsabilidade pelas mazelas deste país não é do sistema de governo, mas dos que operam as instituições do Estado brasileiro.

Quem quer que leia as biografias dos grandes do império – políticos do parlamento e ministérios e das províncias, empresários, senhores de terras, generais, juristas -, vai encontrar muita semelhança com deputados, senadores, ministros, governadores, juízes, empresários que vieram depois de 1889. Antes e depois tivemos leis a serviço de interesses individuais e de grupos, ações de governantes, legisladores e juízes em defesa não do bem comum, mas de setores mais próximos do poder. O Império, a República Velha e a Nova República conservaram os maus hábitos, sempre em defesa dos interesses dos que se apropriam do estado que, por sua vez, defende a sua burocracia administrativa e jurídica, como se fossem mais do que guardiões – verdadeiros donos do governo.

Assim, temos uma cultura que persiste, seja qual for a forma de governo. Essa cultura escreveu, no único parágrafo do primeiro artigo da Constituição, que todo poder emana do povo, que o exercerá diretamente ou por seus representantes eleitos. Essa mesma cultura escreveu na Constituição que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Que não haverá censura, que é livre a manifestação do pensamento, que é livre a locomoção no território nacional, que a casa é o asilo inviolável, que deputados e senadores são invioláveis por quaisquer opiniões, que o Ministério Público é essencial à Justiça. A cultura que escreveu isso é a mesma que mudou de monarquia para república, para o bem do país – e para se manter. São amarras centenárias enraizadas, que resistem e reagem quando sentem a ameaça de mudança real. No Brasil de hoje, cumprir a Constituição já será uma boa mudança.

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BERNARDO - DIRETO DO PINGO NOS Is