ontem o Cabaré do Berto recebeu o poeta tabirense Francisco de Assis Guedes de Melo, carinhosamente chamado de Có, que recentemente lançou NOS CAMINHOS DO SERTÃO, um livro com poesias que retratam a vida do sertanejo.
Hoje, conversando com ele pelo zap, com o Poeta palmarense Pica-Pau, falei do meu sonho de fazer algo pela APPTA – Associação de Poetas e Prosadores de Tabira e disse: “quero que Tabira guarde muito mais do que meus ossos”.
O poeta me dedicou estas glosas:
Eu sou filho dedicado Das raízes sou fiel Antes que vá pro céu Quero deixar meu legado Estou mais que empenhado Fazendo tudo que posso Também faço o que não posso Chega o meu corpo arde Quero que Tabira guarde Muito mais do que meus ossos
Sinto o cheiro da terra Do meu querido sertão trago no meu coração meu lugar meu pé de serra a minha voz sempre emperra capaz de me dar um troço mas nas lembranças eu posso e regressar nunca é tarde quero que Tabira guarde Muito mais do que meus ossos
Agradeço ao Poeta Pica-Pau e anexo uma imagem do livro do meu querido amigo Có. Que ele faça sucesso Nos Caminhos do Sertão.
Determinado a encontrar um lugar onde não prosperasse a caça ao presidente da República patrocinada por grande parte da mídia, da justiça, da intelectualidade, dos políticos brasileiros, me aventurei por grotões nunca dantes palmilhados da minha insanidade. Lá, descobri Ribeirão dos Pradas, pequeno paraíso quase imaculado onde seus moradores, um tanto quanto diferentes, ainda ousam ruborizar-se, têm o analfabetismo encravado no DNA e cuja ingenuidade não os deixa perceber que são roubados há mais de 150 anos pelo clã dos Pradas, desde o Cel. Boanerges, fundador do município, até o Comendador Pedro Mula Prada, atual prefeito.
O episódio que relato abaixo, descreve a indignação da Professora Paula da Mata Barata, uma das habitantes dessa Antares mais recatada, onde o insólito dita as regras. Ainda por esses dias contarei a história de Ribeirão dos Pradas, desde a sua fundação até os dias de hoje, passando pela malta dos Pradas – fundadores da cidade – e pela imprensa, além de suas principais expressões políticas, sociais, religiosas, culturais, folclóricas e esportivas. Este é só um aperitivo do cotidiano de uma sociedade intelectualmente devastada, mas, à sua maneira, muito feliz. Conheçam um tantinho da bucólica Ribeirão dos Pradas.
Desanimado com a vergonhosa cpi da covid, criada pelo senado federal para proteger prefeitos e governadores companheiros envolvidos em denúncias de malversação de dinheiro público destinado ao combate à Pandemia, no feriado de 15 de novembro me tranquei no meu quarto, liguei minha chave de fenda sônica e me mandei para Ribeirão dos Pradas. Mal havia chegado e fui logo recepcionado com uma bateção de palmas infernal no portão. Era Samuca Chorro, um castelhano que entrega as correspondência no município. Sério, me cumprimentou.
– Tarde. U sinhor quié u tar du Mauro Perera?
– Sou eu mesmo. Em que posso servi-lo?
– Bão, pra mim u sinhor num serve pra porcaria ninhuma, mais eu tenho um biête pru sinhor. É da prefessora Paula. Sacou um envelope de dentro de uma mochila e me obrigou a assinar um recibo. Percebi uma indisfarçável hostilidade na sua resposta. Estranhei, mas preferi encerrar o diálogo e devolvi o recibo. Assunto encerrado, retornei à residência e dediquei-me à leitura da missiva da professora.
Eis o texto:
“Reberão dos Pradas, hoji.
Presadu senhor Mauro Perera.
Eu sei que cada veiz que vórta lá pro lugar daondi nunca divia di tê saídu, u sinhor isculacha cos reberão-pradaense falano prus vossus amigu qui nóis semus um povo isquisito i que aqui todu mundu é pingaiada. Gosta de falá, tamém, qui nóis é tudo anarfabeto. U sinhor divia arrespeitá mais as escôia du modivivê das pessoa qui o acoieru tão bem. Nóis semus feliz assim. O sinhor fica com sua gente disinvorvida, nóis ficamus com nossu povu feliz. Adescurpe o desabafu, mais tava intalado na minha guela.
Luiz Antônio Soares de Melo, curador do Memorial do Náutico
Felizes dos clubes do Recife que possuem seu Memorial. O Náutico, o Sport, o Barroso e a AABB têm esse privilégio. Guardam suas relíquias para comprovar a história de suas glórias.
Mas, para mantê-los é necessário que abnegados associados se dediquem diariamente um trabalho de ourives, a fim de ir reunindo peças, pedindo a antigos associados as doações, para ir compondo o acervo e isto não é fácil, porque dependem das administrações dos seus clubes.
Há poucos dias estive na sede social do Náutico, acompanhando o Presidente da AABB-Recife, Euler Araújo de Souza, e o Vice-presidente Cultural, Luiz Carlos Bezerra Cavalcanti – responsável pela reorganização do Memorial AABB-Recife – visitando o Memorial Alvirrubro, onde fomos recebidos pelo Curador Luiz Antônio Soares de Melo, a fim de apreciar as instalações e o acervo.
Dá gosto verificar como a coleção de troféus está cuidadosamente guardada e permite visão histórica do Salão Nobre, porque quase todas as 1.700 peças estão legendadas e facilita-se a visão porque se encontram em vitrinas.
João Santos, neto deste colunista, apreciando a taça do Hexa Campeonato do Náutico. Um luxo!
No piso térreo, no acesso ao Memorial, temos um local de destaque para o futebol, com vários times aparecendo em fotos identificadas e bem emolduradas, em espaço que se salienta, atapetado e iluminado, dando a entender que além do remo – modalidade que motivou a fundação do clube – o futebol é a mola mestra da permanente projeção junto ao público.
Todavia, o acervo de troféus, por se tratar e grande quantidade de peças – está localizado no 1º pavimento, onde a homenagem maior está na entrada do Salão Nobre. Ali está o busto do grande Benemérito, Eládio de Barros Carvalho, de quem fui Diretor durante seis anos.
O Presidente da AABB, Euler, e este colunista ostentando a taça do Hexa
Teve a importante visita o objeto de troca de tecnologias. Vimos que os 100 anos do Náutico estão bem preservados. A coleção de troféus oferece aos visitantes a visão detalhada do acervo, que está guardado em elevado de granito e protegido por vitrinas onde se pode apreciar a trajetória do alvirrubro através de suas vitórias.
Daqui há alguns dias Luiz Antônio visitará a Vice-presidência Cultural da AABB, a fim de trocar informações sobre várias maneiras de guardar documentos e troféus, melhorando assim os métodos e processos dos dois centros de cultura.
Os visitantes fortaleceram os laços entre as duas agremiações e na oportunidade foi rememorada a primeira e única vitória da AABB-Recife, numa competição de remo, em 1948, cujo barco foi cedido pelo Náutico.
Memorial Alvirrubro. O centenário Clube Náutico Capibaribe tem sua sede social tombada pelo IPHAN. Mantém relicário guardando o acervo de glórias