MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

INDICADORES

No início desse mês falei aqui sobre os municípios brasileiros enquadrados em situação de extrema pobreza. Resolvi mostrar um pouco mais desse quadro abordando uma questão relacionada com a qualidade de vida que ser beneficiário de um plano de saúde particular. Com isso, eu pretendo dar uma noção precisa do que esse país deixar de fazer pela sua população.

Na minha de quarta-feira passada usei dados da ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar para discutir o mercado de saúde suplementar no Brasil. Até março de 2020, 24,2% da população brasileira tem plano de saúde privado. Desse total, 41% são residentes nas capitais, 35,7% nas respectivas regiões metropolitanas e 19% são residentes em cidades interioranas. Isso quer dizer que o SUS atende 75% da população brasileira, exceto um pequeno percentual de pessoas que procuram as chamadas clínicas populares que proliferaram por aí e que atendem pessoas que não tem plano de saúde particular e não desejam enfrentar uma fila quilométrica para atendimento no SUS.

As regiões Norte e Nordeste, juntas, possuem 22,7% do total de pessoas com planos de saúde particular, enquanto a região Sudeste, sozinha, tem 35,2% beneficiários. Observe que isso não é fato decorrente da quantidade da população, mas do nível de renda. Comparativamente, por aqui temos uma renda insuficiente para agregar determinados produtos e saúde é um deles. Causa revolta quando a gente olha, particularmente, cada estado do Nordeste. O estado do Maranhão onde a família Sarney reina desde a época do descobrimento, por exemplo, um magnifico estado, comandado pelo grande governador comunista Flávio Dino, potencial candidato a presidente ou vice, segundo Lula, tem, repare bem, 7% de sua população beneficiária de plano de saúde. Vamos dizer de forma diferente: 93% da população do Maranhão é atendida pelo SUS. Desses 7% com plano de saúde, 29% residem em São Luiz e no interior do estado, repare bem, apenas, 3% da população tem plano de saúde. Na região Norte os estados do Acre (5,6%) e de Roraima (6,3%) são os estados com menor participação percentual e depois deles vem o Maranhão com seus 7%.

Fico incomodado com a passividade, que muitas vezes quero chamar de burrice, da população que não dá importância a esse tipo de situação. Nitidamente, o interesse do gestor público é manter as pessoas dependentes dos serviços públicos. Em 2007 e 2008, a cidade de São Luís tinha um salário médio de 3,2 salários mínimos, menores, respectivamente, do que as cidades de São João Batista e Governador Newton Bello. Em 2009, São Luís ficou tinha uma média de 3,4 salários mínimos, mas isso não deve ser comemorado como vitória porque as outras cidades pioraram. O povo maranhense merece mais do que isso.

Outras situações lastimáveis são os estados do Piauí, Ceará e Alagoas cujo interior apresenta 3,2%, 5,8% e 4,0% de pessoas com plano de saúde particular. Bonito é ver ex-governadores desses estados arrotando soluções para o Brasil. Basta ver quem administra esses estados por anos a fio e com um pouco de boa vontade entender que os gestores melhoram a cada ano e a população declina. O mais interessante é o fato de tais gestores atuarem como defensores compulsivos do SUS, mas quando necessitam procuram o hospital Sírio Libanês ou o Albert Einstein para seus tratamentos de saúde. O exemplo mais Renan Calheiros, fotografado sem máscara (a imprensa não comentou isso!) ao lado de Lula no hospital Sírio Libanês. O cara não valorizou sequer os hospitais de sua terra. Preferiu ser tratado em São Paulo. SUS e escola pública são para pobres que através do seu voto colocam no poder um cara que vai defender que o SUS atenda o eleitor e que este tenha uma escola pública para matricular o filho porque o filho do gestor estuda em escola privada e, se precisar, vai para um hospital privado porque tem plano de saúde. Se o caso for grave, bota num avião e leva para São Paulo.

É incrível como as pessoas não atentam para tais detalhes. Lógico que a população tem sua responsabilidade nisso porque quando chega eleição vende o voto ou vota num cara indicado pelo gestor atual sem levar em conta se o cara é competente ou honesto. Além disso, conta com a leniência da justiça. Por exemplo: o STE entendeu que pelo fato de a eleição não ser em outubro, candidatos com ficha suja podem concorrer. Alguém pode explicar isso? Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, foi oficializado como candidato a prefeito de João Pessoa e ele não pode participar de debates por conta de medida cautelar. O cara desviou R$ 134 milhões da saúde e da educação. Suas belas palavras: “Nós não seremos irresponsáveis. Vamos fazer a campanha com responsabilidade, vamos construir para esta bela cidade a ponte tão necessária, em momentos de tanta dificuldade como João Pessoa apresenta”. Um eleitor que dá um voto a um cara desses está sendo cúmplice.

Acho que Arael Costa acredita nas palavras dele. Talvez Goiano, Ceguinho Teimoso, …

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

STF – SEMPRE ELE

A composição atual do STF – Suprema Troca de Favores, uniu o que há de mais deprimente no seio jurídico. Um presidente que foi reprovado duas vezes num concurso de primeira instância e cujo nome consta nas planilhas da Odebrecht como beneficiário de vantagens indevidas; um cara que preside o impeachment de um presidente e que não cassa seus direitos políticos. Os caras se sentem um tribunal especial, cada um deles. E servem a interesses particulares, não coletivos. Recentemente o ministro Dias Toffoli disse que “não viu Bolsonaro violar a Constituição”. As críticas foram inúmeras. Apenas porque o cara disse uma coisa diferente do interesse esquerdopata.

O STF tem se notabilizado por ter tomado decisões que não lhe cabe. O “juiz de merda” comparou o presidente a Hitler, queria periciar seu telefone e tudo mais até que alguém disse “venha buscar” para que ele moderasse o tom. Agora está exigindo um depoimento presencial de Bolsonaro num inquérito que apura a “interferência do presidente na Polícia Federal” e divulgou áudio da famosa reunião com os ministros, enfim: até terminar o mandato dele em novembro próximo o juiz de merda deve jogar no ventilador as merdas que faz. Vai se esforçar para tirar a merda do seu nome.

O STF tem assumido as funções do legislativo e do executivo. A presidência da republica mudou de endereço. Nitidamente, os ministros se colocam contra avanços que poderiam beneficiar a economia para reiterar o atraso. Sob a relatoria de Ricardo Lewandowski, o STF decidiu que estatais só podem ser vendidas com a aprovação do congresso, que criou as estatais para sugar grana e desviar para partidos e políticos. A coisa é bem simples: mesmo a estatal não tendo lucro, se o governo quiser privatizar, precisa pedir autorização ao congresso. Com isso, Lewandoswki limita a proposta de Guedes em reduzir o déficit com a privatização, pois as ações ficarão comprometidas pela lentidão do congresso.

No dia 28 de agosto, o Ministro Marco Aurélio relatou um processo relativo a cobrança de previdência patronal sobre 1/3 das férias. Como se sabe, férias é um direito do trabalhador e esse “um terço”, inserido na constituição, claro, representa um custo adicional para a empresa. Quando um trabalhador entra de férias ele recebe o salário antecipado e este é descontado no mês subsequente, ou seja, o ganho para o trabalhador esse é excedente. Ao impor contribuição patronal, o STF está gerando um custo da ordem de R$ 100 bilhões. Isso mesmo. Essa bela cifra. Os caras esquecem que existem empresas sem fins lucrativos, como fundações que contratam pessoas para executar seus projetos, e pequenas empresas para as quais aumento de custo pode fazer perder a competitividade.

No governo Sarney o, então ministro Bresser Pereira, resolveu mudar a metodologia do cálculo da inflação. Ao invés de calcular a variação de preços entre o dia primeiro de dois meses consecutivos, passou a calcular do dia 15 de um mês para o dia 15 de outro mês. Não tem problema, mudou-se apenas o referencial. Ocorreu que o ministro desprezou 26,01% de inflação observada nos 14 dias do mês. Isso afetou a caderneta de poupança, os saldos do FGTS e contratos diversos que eram indexados pela taxa da inflação. Poupadores foram parar na justiça e o governo precisava cobrir esse rombo, portanto, a forma mais imediata de resolver foi instituindo multa de 10% sobre o saldo de FGTS quando há demissão sem justa causa. Ou seja, a imbecilidade de Bresser foi paga pelas empresas. Em 2019, o governo acabou com isso.

Há de se perguntar: qual o incentivo que um produtor tem em produzir no Brasil? O cara enfrenta um passivo trabalhista em função das inúmeras ações. Deixe de pagar um imposto que você vai ver “com quantos paus de faz uma jangada”. Depois se for um empresário de sucesso, receberá o convite para contribuir para a campanha de A ou de B e com isso perde o controle como Eike Batista ou os irmãos do JBS. Ficam tão próximo do poder que a relação torna-se promíscua. Cria-se uma simbiose onde o lucro passa ser o alimento das bocas famintas.

Em novembro sai o juiz de merda e entra um indicado por Bolsonaro. Esse novo integrante deverá ser alocado na segunda turma, que julga os processos da Lava Jato. No meu entendimento, o STF irá promover ações para não permitir mudanças na configuração dessa turma. A anulação do depoimento de Palocci, a libertação de presos porque o depoimento de delatados foi simultâneo ao de delatores, o julgamento da suspeição de Moro, já considerada no caso BANESPA, são ingredientes para permitir que Lula se candidate novamente.

Assim, o que precisamos fazer é vencer Lula no voto. Para não deixar dúvidas que sua influencia é passado.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM RETRATO DO BRASIL

O Brasil tem 5.570 municípios e 1.575 desses, no ano 2000, eram classificados como municípios em situação de extrema pobreza. Não são municípios apenas pobres, são municípios miseráveis sustentados por transferências governamentais como o FPM – Fundo de Participação Município e recursos de programas sociais como o programa bolsa família. No ano 2001, outros setes municípios (quatro no Rio Grande do Sul, dois no Mato Grosso e um no Piauí) foram “promovidos” a esta situação. Até 2015 tínhamos 1.582 municípios em extrema pobreza, num país com disponibilidade de recursos naturais incrível.

Até 2015 tivemos dois governos petistas e na primeira década desse século o Brasil cresceu 3,74%, em média, e o número de miseráveis cresceu. Reservo ao insensato o direito de dizer que isso se chama concentração de renda. Na verdade, esse retrato é fruto do comportamento dos políticos brasileiros que procuram manter a miséria como forma de manter o poder. É preciso entender que, embora os programas sociais sejam importantes, para garantir uma renda, mínima eles melhoram apenas o consumo, mas não são instrumentos de acumulação de riqueza individual. Tem uma piada que diz que um mendigo dizia “oh! Deus mantenha a minha fome!” e o outro perguntou porquê ele dizia isso. O cara respondeu: “porque se ele aumentar, eu morro”. O programa social dá o peixe, não ensina a pescar.

Obviamente, que as regiões Norte e Nordeste são lideres da miséria, dessa classificação infame. O estado do Ceará tem 184 municípios, dos quais 148 são de extrema pobreza. Do ano 2000 até agora o estado foi governado por Tasso Jereissati, Beni Veras, Lúcio Alcântara, Cid Gomes (todos do PSDB) e Camilo Santana (PT). O que fizeram ou deixaram de fazer tais governantes para que, em 20 anos, nenhum município tenha sido excluído da lista de extrema pobreza? Note o seguinte: 80,43% dos municípios do estado são de extrema pobreza. Em relação ao total de municípios assim classificados, o Ceará tem 9,36%, segundo maior percentual do país, perdendo apenas para a Bahia.

No caso dos baianos, temos 417 municípios com 251 de extrema pobreza, ou seja, 60,19% dos municípios do estado são de extrema pobreza e isso equivale a 15,87% do total de 1.582 municípios. Nesse período a Bahia foi administrada por César Borges, Otto Alencar e Paulo Souto (todos do PFL) e por Jacques Wagner (dois mandatos) e Rui Costa, ambos do PT. Cabe lembrar o caso, já referido aqui por Carlos Brirckmann (clique aqui para ler) e complementado por Goiano, sobre a sabotagem feita por um membro do PDT, com apoio de petistas, para espalhar “vassoura de bruxa” na plantação de cacau. Tudo isso para tirar o PFL do poder e observem que eles conseguiram porque o PFL dominou a Bahia largamente com a presença de Antônio Carlos Magalhães. Para se te uma ideia da dimensão dessa canalhice, olhe nessa tabela:

Somando os percentuais das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste não atinge o percentual da Região Nordeste. No entanto, importante lembrar que o Nordeste deu a Haddad, 46% dos seus votos em 2018.

Volto a enfatizar: ao longo de quinze anos de miséria, tivemos oito anos do governo Lula, seis anos do desgoverno de Dilma e tivemos uma década com crescimento econômico que não se reverteu em grandes benefícios para a população. Mais ainda, estes municípios miseráveis são frutos da ganância política porque muitos deles não possuem a menor condição de arrecadação própria e o interesse em criar municípios sempre foi recheado de interesses particulares.

Daí, a importância da proposta do Ministro Paulo Guedes com o Pacto Federativo que acabaria com municípios cuja população é inferior a cinco mil habitantes. Tais municípios terão até 30.06.2023 para comprovar sua sustentabilidade financeira, mostrando que, no mínimo 10% de sua receita total é receita própria.

Obviamente, há histórias, lembranças, vidas ligadas a tais municípios, mas eu seria um pouco mais radical do que Guedes: primeiro, colocaria o prazo em 31.12.2020 e segundo, ao invés de comprovar 10% como receita própria, eu colocaria a capacidade de sustentar os três poderes com receita própria. Se tiver fica se não incorpora. Junta tudo numa única região, mais forte, com um representante e uma câmara com menos canalhas. É fácil ver quanto seria economizado. Preciso dizer que a União Europeia é o maior exemplo de agregação de países integrados? Deu certo?

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ORGÃOS DE CONTROLE

No Brasil, de forma direta, temos a CGU – Controladoria Geral da União e o TCU – Tribunal de Contas da União como órgãos fiscalizadores dos gastos públicos enquanto os estados possuem seus tribunais de contas, sem contar as tais controladorias. O que esse pessoal faz para atrapalhar a vida de quem trabalha sério, de quem é honesto, não é brincadeira. Abrem uma SA – Solicitação de Auditória pelos motivos mais babacas possíveis. Lembro-me de um caso de um parecer de um auditor questionando o fato de um determinado curso da universidade ter mais formandos na pós graduação do que na graduação. Tivemos que dizer a ele que a pós começou uns 10 anos antes da graduação. Pura Babaquice.

O que me incomoda é que estes órgãos não viram o que aconteceu no mensalão e nem tampouco na Petrobras. Roubaram tubos de dinheiro e nem a CGU nem o TCU foram capazes de se posicionar. Se os casos chegaram ao conhecimento do público se deve ao trabalho da Polícia Federal. O pior é que, além de tudo isso, a Petrobras, por exemplo, é auditada e seus balanços publicados nos grandes jornais de circulação nacional, com as devidas notas explicativas e o parecer de auditores independentes.

Nos TCE’s existe uma patologia idêntica ao STF e a outros órgãos da justiça: os caras são indicados pelo chefe do executivo, ou seja, o governador indica para um cargo de conselheiro do TCE um cara que vai julgar as contas do governo. A consequência disso são contas aprovadas com ressalvas ridículas que não afetam um centímetro a vida do político. Ademais, tais conselheiros são, na maioria, políticos não eleitos e correligionários do governo. Qual a chance desse negócio ter isenção?

A burocracia do serviço público beira a imbecilidade. É inconcebível que numa época na qual a tecnologia é fator dominante que se demore dois, três ou quatro anos para se julgar as contas de um governo. O Siconv – Sistema de Convênios, por exemplo, tem todas as rubricas de qualquer projeto, então o relatório dos gastos é imediato. Daí os caras começam a analisar procedimentos de contratação, que é onde está o problema. Tomemos como exemplo o covidão: a Polícia Federal trabalhou duro para frear a sanha imoral dos gestores e eu, salvo engano, li que um processo contra a Prefeitura de Condado-PE, tinha sido arquivado pelo TCE. Apenas para refletir: a prefeitura gastou R$ 184 mil na compra de livros didáticos sobre a Covid-19, mas o material pode ser obtido gratuitamente do Ministério da Saúde.

Esse movimento em favor da impunidade é fruto de conselheiros ou ministros indicados. É a mesma coisa no STF. O trabalho nos últimos dias, de Lewandowski e Gilmar Mendes, foi na direção da anulação de sentenças de Moro, na exclusão da delação de Palocci, tudo voltado para anular a condenação de Lula, fato que deve acontecer com a volta de Dias Toffoli, que deixa a presidência do STF no dia 13.09, para a segunda turma do STF que é composta por esses dois citados, mais Fachin, Carmem Lúcia e Toffoli. Qualquer coisa que envolva a Lava-Jato será 3 x2 a favor dos corruptos. O afastamento de Celso de Mello, o juiz de merda, por exemplo, foi um prato cheio para favorecimento de processos contra corruptos visto que 2 x 2 beneficia o réu.

É lastimável, vergonhoso, indecente, a impunidade ser plantada por órgãos que deveriam combatê-la. Está mais do que claro que esse sistema de fiscalização é falho na sua essência e desgraçado no seu formato. É preciso mudanças na constituição para modificar a forma de escolhas de ministros do STF, do STJ e de similares. Enquanto o processo for dessa forma, estaremos sempre a mercê do governante, correndo o risco de aparelhamento como vimos no Brasil desde 2002. Tudo feito em nome da “igualdade” e da justiça. Frei Betto convenceu Lula a colocar Joaquim Barbosa porque era negro (com todas as vênias relativas ao seu currículo). Toffoli foi escolhido por ser advogado do PT, etc.

A mudança da lei vem do legislativo que não tem interesse algum em fazer isso. O pacote anticrime de Moro mostra o que foi feito no projeto. O foro privilegiado está com seu Rodrigo Maia, mas o interesse dele é a reeleição dele de Alcolumbre. Não estão interessados em pautar temas que contribuam para o país. É esse o cenário desse país imenso, capaz, completo de recursos naturais que poderia ser, senão a primeira, a segunda ou terceira economia do mundo.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A BEM DA VERDADE

No dia 31 de julho recebi uma postagem reproduzindo uma declaração de Ciro Gomes criticando a venda de três plataformas da Petrobras, por R$ 7 milhões de reais e comparando a venda aos salário de Neymar. Essa mensagem foi imediatamente compartilhada num grupo chamado Cirosincero (algo assim) que pelo que entendi o cara é sincero até mesmo quando mente. Levando em conta que essa postagem foi encaminhada por pessoas esclarecidas, fica claro que o segredo é confundir.

Ao ler a noticia fiquei pensando que, mais uma vez, a Petrobras seria palco de uma ação coordenada para gerar milionários, exemplo do que aconteceu com o petrolão ou com o prejuízo causado com a refinaria de Pasadena. Daí, quando vi que se trata das plataformas 7, 12 e 15, entendi se tratar do leilão ocorrido na semana anterior, dia 24.07, no qual essas plataformas foram arrematadas. Vamos aos fatos: as três plataformas leiloadas estavam fora de operação em as três tiveram acidentes, depois daquele grandioso que atingiu a P-36. Se fosse interesse do governo ficar com tais estruturas teria que investir para recuperar e operacionalizar e na situação atípica como essa no qual temos elevação de despesas e queda de receita, acredito que saber de onde vem o dinheiro é fundamental. No meio de tudo os R$ 7 milhões tinha sido muito barato. Caramba, num leilão se vende pelo maior preço ofertado só pelo P-15, o cara ofertou R$ 3,6 milhões. Se alguém colocasse mais do que isso, teria levado.

Cabe dizer que a propriedade das jazidas de minerais e de petróleo é prevista nos artigos 176 e 177 da CF. No artigo 176, fica claro a dissociação entre a propriedade do solo e a propriedade do produto. Se você der um chute numa pedra no quintal de sua casa e jorrar petróleo, valeu, parabéns, tua vida vai mudar, não porque serás dono do poço, mas porque receberás compensação na forma da lei, como diz a constituição. Então, em linhas gerais o governo vendeu o trator e continuou dono da terra. Por que o escândalo?

A lenga-lenga desse debate recai sobre a velha bobagem de “dilapidação do patrimônio público”. Ora, alguém sabe dizer se o patrimônio público é mais dilapidado quando é roubado ou quando é vendido? Obviamente, esses críticos da política econômica atual se posicionam contra a venda, não contra o roubo. É lastimável isso. Divulga-se, de forma distorcida, aquilo que parece danoso e acreditam que com isso chegarão ao poder. Os caras não aprendem mesmo.

É preciso entender o real objetivo de uma empresa uma pública no Brasil. Na quarta passada eu dava aula na pós graduação e como uso exemplos reais, pequei uma planilha com dados de empresas cadastradas na B3 (na bolsa) e como informação havia o valor de mercado das empresas em 31.12.2019, em 30.06.2020 e 03.08.2020. Imediatamente, fizemos a variação percentual do valor de mercado em agosto comparando com dezembro. Separei perdas dos ganhos e vamos comparar se a taxa média das perdas era, estatisticamente, igual a taxa média dos ganhos. A maior perda que encontrei foi 73,35%. Vejam: uma empresa perdeu 73% do seu valor de mercado em 8 meses. Qual era a empresa? O IRB – Instituto de Resseguros do Brasil. Um monopólio estatal. O IRB vem assim desde o passado por problemas de governança. Se o IRB fosse vendido, estariam dilapidando o patrimônio público ou ele já vem se deteriorando? Ele perdendo valor de mercado, é o curso natural das coisas. Entendem? Vender é dilapidar.

Observando os ministros da Fazenda que tivemos no Brasil, a gente vai encontrar Funaro, Mailson e Bresser no governo Sarney. Todos três produziram planos econômicos desastrosos. Bresser Pereira foi responsável pela mudança da base de cálculo da inflação: ao invés de a inflação ser calculada entre o primeiro de dois meses consecutivos, ele colocou o cálculo de 15 de um mês para 15 do mês seguinte. Como resultado ele desprezou a inflação de 14 dias que chegou a 26,1% e lascou quem tinha contratos reajustados com base em índice de preços, como a caderneta de poupança. Sabe como o governo arrumou grana para bancar estas perdas? Com a multa de 10% do FGTS nas demissões sem justa causa. Quem pagou foram as empresas. Ano passado o governo atual acabou com isso.

Em adição tivemos Zélia Cardoso, Ricúpero, FHC, Pedro Malan, Palocci, Guido Mantega, Meirelles e Joaquim Levy. Nenhum fez algo de relevante, exceto FHC que estabilizou a economia com o Plano Real. Digam qual foi o programa de governo que cativou o mercado? Vou lembrar o seguinte: o governo Lula (o de Dilma também) manteve a política econômica de FHC. Lula teve que declarar que manteria contratos caso fosse eleito. E a tão decantada “auditoria da dívida” nunca foi feita.

Paulo Guedes apresentou um projeto econômico inovador e isso atraiu o mercado. Isso trouxe votos para Bolsonaro e não foi por outro motivo que a bolsa bateu recordes. Ao longo do ano foram implantadas medidas que se não fosse essa pandemia teria alavancado o crescimento econômico este ano. Portanto, quem quer que seja o candidato a presidente em 2022, só será eleito se apresentar uma proposta melhor do que essa de Guedes. Eu não acredito que o mercado vá retroagir.

Finalmente, acho inoperante o comportamento da esquerda. Os caras passaram 2018 inteiro chamando Bolsanaro de mentiroso, corrupto, fascista, homofóbico, racista, torturador, etc. Fizeram uma campanha do ELENÃO na qual artistas apoiaram e conseguiram apoio fora do Brasil. Roger Walters, do Pink Floyd, mostrou no telão o ELENÃO (foi vaiado e aplaudido) … e Bolsonaro teve 57 milhões de votos. A esquerda não entende que precisa mudar o discurso porque esse não causou efeito. Cada vez que eu vejo estes posicionamentos eu entendo bem mais o significado de sono eterno.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

DESPIORA BRASILEIRA

Há um livro chamado A Ordem do Progresso, organizado por Marcelo Paiva Abreu que faz um resumo da economia brasileira, precisamente cem anos de república, entre 1889 e 1989. Do meu ponto de vista é o melhor relato do Brasil nesse período porque mostra as tentativas de ajustar a economia, incluindo o processo de substituição das importações, o Plano de Metas de Kubitschek, a crise do petróleo, o milagre brasileiro, etc.

O Brasil, como todo, despiorou bastante ao longo do tempo. Em 1982 votamos para governador, veio o colégio eleitoral com Tancredo Neves derrotando Maluf e em 1989 elegemos o primeiro presidente após a chamada redemocratização. Votei e fiz campanha para Lula, mas não posso deixar de reconhecer que Collor despiorou a indústria brasileira com a liberação de importação. A indústria automobilística precisou evoluir tecnologicamente para competir com os carros importados que começaram a chegar no Brasil. Hoje, temos melhores itens de segurança com air bag, para brisa que se esfacela (o rosto de Lúcio Mauro foi decorrência dos cortes sofridos no acidente que vitimou Francisco Alves). Hoje, os carros são equipados com computador que sinalizam através de um código no painel o que está errado.

A saída de Collor colocou Itamar Franco no poder e ele despiorou a economia acabando com a inflação num plano bem arquitetado que no dia 01 desse mês completou 26 anos. O Plano Real elegeu FHC (putz, votei em Lula de novo) que despiorou a questão social criando programas como vale gás, bolsa escola, etc. e privatizando as teles (quem reclama da telefonia?) e a Vale do Rio Doce.

Depois de FHC veio Lula que despiorou, também a questão social reunindo os programas de FCH no Bolsa Família, criou universidades que permitiu acesso a gente pobre do interior estudar e ajuda inúmeras pessoas como os filhos, o sobrinho, Silvinho do PT, os três tesoureiros, Jacques Wagner, Geddel Vieira, uma porrada de partidos políticos e de políticos que despioraram bastante suas vidas.

Aí chegamos em 2011, com um novo governo e não houve despiora. O país caiu em recessão com o governo Dilma sendo o mais fraco de toda vida econômica do país, desde 1889. Com Dilma o país cresceu 0,1%, a dívida pública aumentou, o desemprego atingiu 13 milhões de pessoas. Ao longo do tempo, estourou a operação Lava Jato e o Brasil ficou sabendo que tinha sido roubado, de novo, porque sabia disso em 2004 com o tal do mensalão. O governo Temer manteve a zabumba tocando, mas veio uma reforma trabalhista que acabou com a presença dos sindicatos nos acordos. Isso foi uma boa despiora, porque os caras que nunca trabalham entenderam que precisam trabalhar. A CUT vendeu seu prédio (um minutinho, deixem-me parar de rir para continuar escrevendo).

Aí veio Paulo Guedes para acabar com essa despiora. Lascou tudo. Começou a lascar quando apresentou o programa econômico antes da eleição. A Bolsa subiu. Passou oo primeiro turno, a Bolsa continuou a subir, chegou o segundo turno e as pesquisas mostrando que Bolsonaro seria eleito e aí, tenha santa paciência seu Guedes, a Bolsa passou de 100 mil pontos. No dia 02 de janeiro de 2019, no discurso de posse, Guedes falou no tripé econômico: inflação, crescimento e fiscal. A bolsa chegou 105 mil pontos.

Em 2019, a esculhambação foi maior, senão vejamos:

1) Reforma da previdência. A ideia era economizar R$ 1 trilhão, mas com a câmara atuando ficou em R$ 800 milhões. Por mim, eu liquidava esse sistema falido e criava o sistema de capitalização. Se você depositar, mensalmente, R$ 500,00 durante 10 anos, a taxa de 1% ao mês, ao final do prazo terá R$ 116.169,84. Em 20 anos teria R$ 499.573,96 e em 35 anos, R$ 3.247.634,53.

2) Liberdade econômica foi uma MP transformada em lei que permite pequenos negócios atuarem sem burocracia

3) Redução da taxa de juros do cheque especial para 8% ao mês, no máximo, mas valores até R$ 500,00 pagam 0,25%. Qual o problema com o cheque especial? O Brasil tinha o volume de limite de crédito da ordem de R$ 320 bilhões, mas apenas R$ 28 bilhões eram utilizados. Dinheiro tem custo. Manter esse limite disponível implicava que em taxas de 17% ao mês. Pense num restaurante no final do ano com uma confraternização. As mesmas ficam esperando os convidados e outros não tem acesso por conta da reserva. Isso tem custo.

4) Em andamento os pagamentos instantâneos que vai fazer qualquer pagamento ser pago a qualquer hora dia, qualquer dia, e o dinheiro cair direto na conta do credor.

5) Isenção de tarifas de importação para remédios contra câncer, AIDS, equipamentos de saúde, informática, algo em torno de 1160 itens;

6) Redução do depósito compulsório de 33% para 31% injetando R$ 89 bilhões na economia

7) Ampliação dos registros de convênios no SICONV onde atualmente, aproximadamente, 95% dos contratos já estão no sistema, de modo que a transparência aumenta.

8) Portaria 282/2020, publicada ontem, facilitando a mobilidade de funcionários através de seleção interna ou cessão do órgão. Tira de onde há excesso e coloca onde tem falta. Não precisa contratar ninguém.

9) Redução da taxa de juros para 2,25% ao ano com impacto direto na dívida pública;

10) Redução da extrema pobreza de 4,3% para 3,2% com pagamento de 13º no Bolsa Família, pagamento de aposentadoria para quem nasceu com microcefaleia, utilização de crédito de exercícios passados para beneficiar pessoas dos programas sociais e auxílio emergencial.

Francamente, esse Paulo Guedes é uma porcaria. Vou encabeçar um movimento para caçar o título de melhor ministro da economia em 2019. Cara chato. O Brasil vinha num processo de despiora fora do comum e aí aparece esse chato estragando tudo.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CEGO EM TIROTEIO

Há uma diferença muito grande entre as propostas do ministro Paulo Guedes e as propostas do pessoal da esquerda em termos econômicos. Na eleição de 2018, no meu entendimento, o eleitorado que elegeu Bolsonaro estava dividindo em duas classes: seus eleitores fiéis e aqueles que odeiam a esquerda, aqui dentro eu coloco os simpatizantes das propostas de Paulo Guedes porque quem admite o plano de Guedes, certamente, não é eleitor da esquerda.

O sistema econômico, querendo ou não, dá as cartas na política. O projeto de governo do PT tinha tudo que o mercado não queria, enquanto Guedes apresentava, pela primeira vez, uma forma factível de reduzir o déficit: privatizações e concessões. Se o mercado não topar, não adianta. Alguns fatos sobre isso:

1) Mário Amato, presidente da FIESP no final dos anos de 1980 declarou que “Seu Lula for eleito, no mínimo, 800 mil empresários deixarão o país”. Todo mundo entendeu o recado e Collor foi eleito;

2) FHC ganhou duas eleições contra Lula lastreado no Plano Real e no projeto liberal com promessas de privatizações;

3) Em 2002 o mercado se sentia inseguro com uma possível vitória de Lula e ele teve que declarar publicamente que se fosse eleito cumpriria contratos. A tão prometida auditoria da dívida nunca foi feita no governo dele;

4) Dilma se elegeu devido a aprovação de Lula e com a promessa de manter as políticas adotadas.

Em geral, o pensamento da esquerda se coloca contra privatizações, amplia o tamanho do estado e foca no social via programas como Bolsa Família, enquanto que a proposta dita “liberal” pretende que a renda chegue através do trabalho. Lógico que há situações nas quais a renda mínima é necessária, mas há estudos, por exemplo, demonstrando que beneficiários do Programa Bolsa Família são menos propensos a procurar trabalho. Um das alegações é o receio de perder o benefício. É preciso que se diga que tais programas ajudam, mas não tiram ninguém da classe social a que pertence. Migração social ocorre com emprego.

A Economia não é uma Ciência Exata e modelos econômicos estão muito relacionados com o momento. Por exemplo, o modelo Keynesino apregoado tanto pela esquerda como o governo deve agir mostra, na verdade, que o multiplicador econômico é maior através de gastos do governo do que através de transferências. Mas, a manutenção de programas sociais tem por objetivo manter o povo dependente e submisso.

Outra questão é que política econômica é como remédio: não serve para todo mundo. Por isso, pode dar certo num momento, pode dar errado em outro. A política econômica de Zélia Cardoso no governo Collor tinha por base um preceito monetarista. O confisco dos saldos em conta corrente, por um lado reduziria a oferta de moeda, elevando a taxa de juros e, por lado, reduzia preços porque o consumo seria com base apenas no salário. Parecia tudo perfeito e não deu certo porque grandes fortunas não aceitaram ter seus recursos bloqueados. Fizeram filas nas portas dos bancos da Av. Paulista e somas vultuosas foram sacadas.

O governo atual conseguiu avançar economicamente em alguns pontos. Acredito que se não fosse essa pandemia a gente estaria com resultados bem melhores. Mas uma questão insana é que, atualmente, qualquer declaração que se faça elogiando uma ação do governo, você corre risco de linchado. Apoiar Guedes é ser considerado “gado, bolsominion” e outros adjetivos mais. A Bolsa de Valores ultrapassou os 100 mil pontos, foi aprovada a lei de liberdade econômica, as contas externas fecharam com saldo positivo, as estatais deram lucros e você dizer que isso aconteceu é suficiente para perder uma amizade.

Apenas para citar o momento complicado, vi um post de um colega de infância conclamando o fortalecimento da esquerda para não permitir que o país seja governado pela direita. Eu lembrei que numa democracia que escolhe é a maioria e quase fui engolido e cobrado para “exercer meu papel de formador de opinião”. Até entendo que como professor tenha alguma influência sobre meus alunos. Muitos me consultam em diversos momentos e sobre diversas coisas. Mas, a obrigação é ensinar a pensar e é a isto que eu me dedico. Trago problemas práticos para debater em sala, tipo fazer um consórcio ou escolher um presidente. Tudo que a gente faz tem risco e as decisões dependem da mensuração desse risco.

Quando a gente vai fazer uma análise de investimento, a gente pega as variáveis
inerentes (taxa de juros, inflação, perspectiva de lucros, etc.) define um critério e vamos olhar se vale a pena assumir aquele risco ou não. Todas as decisões que tomamos são calcadas num determinado grau de risco. As pessoas jogam na Mega-Sena porque um jogo custa R$ 4,50 (o risco é baixo) e o retorno é alto. Eu jamais aceitaria ser mesário numa eleição no Iraque ou no Afeganistão porque o risco da sessão explodir é alto. Não há decisão que não tenha um nível de risco associado. Diante disso, somos os responsáveis por nossas escolhas, então não me cabe induzir decisão de ninguém. Cabe discutir os cenários. É isso que eu faço com meus alunos. Analiso cenários, mas a decisão é deles. A responsabilidade de decidir é deles.

Eu vejo avanços em alguns pontos, mas vejo também que algumas coisas são feitas com extrema inexperiência. Por exemplo: o vexame da nomeação do ministro da educação com aquele currículo forjado nunca deveria ter ocorrido se o sistema de informação do governo fosse competente. A informação é fundamental e se o presidente pensar em alguém para um cargo, antes de qualquer convite ele precisa ter em mãos todas as informações pertinentes. Há coisas para melhorar, mas a forma de ação da esquerda elegeu e vai reeleger Bolsanaro. Por motivos simples: o mercado não aceitar retrocesso e a esquerda não tem projeto. Cego em tiroteio. Não sabe por onde fugir.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O PERDÃO

Esse texto é dedicado a Goiano e Ceguinho Teimoso, dois grandes diáconos da Igreja daqueles que trabalham muito e roubam pouco.

No esteio do que foi publicado aqui no JBF sobre o texto do jornalista Ascânio Seleme, sobre já ser tempo de perdoar do PT, teci alguns comentários por ai falando sobre o contexto e a extensão do perdão. Eu acho que todos nós, independente de credo, sabemos que o perdão é um ponto fundamental na base da doutrina cristã. Difícil de ser adotado. Eu, particularmente, conheço pessoas que diziam não rezar o Pai Nosso por conta daquele “perdoai as nossas ofensas assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Mas, fiquei intrigado com a matéria. Eu não tenho muita disposição pra ler ou ver o que o Grupo Globo produz, então um colega compartilhou e por atenção, a ele, li o texto. Fiquei deveras intrigado e sem entender bulhufas do que o cara estava falando. Como pode se conceder o perdão a quem não fez nada? A quem é inocente? Como se sabe o PT, numa manobra da força tarefa da Lava Jato, mais atualmente, teve seu nome envolvido em desvios de recursos públicos e até o momento nem o Ministério Público e nem a Polícia Federal conseguiram entender como o dinheiro saiu, por encanto, dos cofres públicos e foi parar em contas pessoais de José Dirceu ou em obras promovidas pelo IGD – Instituto das Graças Divinas, presidido pelo Sr. Gilberto Carvalho, que reformou apartamentos no Guarujá, em São Bernardo do Campo, com alugueis pagos no dia 31 de junho, que reformou um sítio em Atibaia, etc.

Anteriormente, o PT tinha sido vítima de um movimento promovido pelas elites com o interesse de sufocar a vida dos trabalhadores brasileiros, que se transformou na ação 470 no STF, relatada pelo Ministro Joaquim Barbosa. Pessoas maldosas, tentando manchar a estrela vermelha da decência, da moral e das boas práticas administrativas passaram a chamar esse movimento elitista de mensalão e Lula, então presidente, indignado ocupou o horário nobre da TV, em cadeia nacional, e pediu desculpas ao povo brasileiro. Meses depois, Paris, perguntaram a ele sobre o “mensalão” e ele disse que nunca existiu e que foram apenas recursos de campanha não contabilizados. Gostei do “apenas”. Campanha cara da peste.

O PT não tem culpa nenhuma. O que se praticou no Brasil foi uma injustiça inominável com esse partido. Dallagnol com seu maldito PowerPoint, enlameou a imagem de um partido probo, idôneo, com dirigentes de caráter ilibado. Três tesoureiros presos, dirigentes como Lula, Palocci, José Dirceu, também presos pela insanidade dessa justiça brasileira e outros tantos enrolados com a justiça como Paulo Bernardo, Gleisi Hoffman, João Paulo Cunha, Guido Mantega, Marco Maia, Jacques Wagner, Humberto Costa, etc. pessoas que nunca derrubaram uma folha de uma árvore, que dirá botaram a mão em dinheiro público. Todos ostentam uma aureola milagrosa, não vê quem nçao quer. Multiplicaram seus patrimônios como Jesus multiplicou pães e peixes. Assim, do nada.

Um fato que surpreendeu na matéria foi que estamos apenas a uma eleição da derrocada do PT. Saiu do poder em 2016 e já devemos pensar em perdoar o PT, ou seja, esse perdoar significa dar uma chance para o PT voltar ao poder. São 30% do eleitorado que não pode ser desprezado, mas, de acordo com dados do IBGE, 31% da população brasileira são evangélicos e estão sendo humilhados, menosprezados, ironizados, tratados como imbecis porque pagam dizimo, obedecendo a Bíblia, porque não votam na esquerda.

Lula, na cadeia, deu ordens para que a gerente do cabaré desenvolvesse ações para atrair evangélicos. Não sei como vai se colocar evangélicos num puteiro, mas o cara é santo e tudo pode. Então, para isso os evangélicos são importantes, são fundamentais e fora disso são “gado, boiada, alienados”.

Lula, fora da cadeia, disse na Bahia, em novembro de 2019, que o PT não tinha que fazer autocrítica. Lembro de entrevistas nas páginas amarelas de Veja, do senador Humberto Costa, falando nos erros cometidos e nessa necessidade de dizer que erraram. José Dirceu confessou em entrevista que foi “confundindo” as coisas, que começou a gostar das facilidades e vai por ai. Rui Costa, salvo engano, foi o último a dizer que era necessário fazer autocrítica. Todos foram devidamente repreendidos pelo dono do cabaré. Puta não tem preferência, tem que atender o freguês.

Então, vem esse “Lascânio” da vida, numa matéria tendenciosa, falar de perdão para um partido que não reconhece que errou, que não se arrepende do que fez e que, de acordo com o que disse o presidente do diretório do PT em Laje de Muriaé, Sr.Liedo Luiz da Silva, deve “fazer muito e roubar pouco”. O sr. Lascânio tem um sobrenome interessante: SELEME, que é um anagrama de MELE-SE outro é SE MELE. Então, peço encarecidamente ao Sr. Lascânio que Se Mele sozinho nisso. Chega.

O PT já foi devidamente perdoado. Os condenados no mensalão foram indultados por Dilma. Ninguém mais está preso. O aliado do PT, “o homem de R$ 51 milhões” foi solto ontem. Na verdade, usando a poesia de Chico Buarque – cara visionário, pois escreveu Meu Guri sem saber que Lula ia se encaixava nos versos – eu chego a conclusão de que eu devo pedir perdão ao PT. Eu traí o PT quando acreditei nessas mentiras que foram propaladas, quando achei interessante aquele maldito powerpoint. Como diz Chico, “te perdoo por te trair.”

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

POR QUE O ESTADO DEVE SER DONO?

Já tive oportunidade de falar sobre esse assunto algumas vezes e vou voltar com o defendendo a tese de que as pessoas não possuem argumentos contrários além da propalada “defesa da soberania” e da “venda, ou dilapidação, do patrimônio público. Em geral tais pessoas não percebem ou não querem reconhecer que o patrimônio público tem sido dilapidado há anos, ao passo que políticos, empresários amigos e alguns agentes públicos, a cada ano, aumentam seu patrimônio pessoal, fazendo do patrimônio público uma teta inesgotável.

Recentemente um colega fez uma crítica ácida ao livro Carregando um elefante, do quase ministro Renato Feder, cujo prefácio era de Antônio Ermírio de Moraes, um dos empresários mais sérios que eu conheci e que, para mim, a única bobagem que fez foi concorrer ao governo de São Paulo. Ponderei sobre a capacidade empresarial de Antônio Ermírio, defendo que ele não escreveria o prefácio se não concordasse com o texto. Em adição outro colega sugeriu os livros O Brasil Privatizado I e II de um repórter econômico chamado Aloyzio Biondi. Numa sinopse que li na internet já se percebe se tratar de uma crítica às privatizações de FCH, mas a crítica é como foram feitas e, particularmente, também discordo dos empréstimos concedidos pelo BNDES para que as empresas fossem adquiridas.

Esse debate versa, como eu já falei aqui, sobre o papel do estado, sobre o estado presente e eu tenho uma enorme dificuldade em entender porque estar presente significa ser dono. Em 11 de março de 1941, quase 80 anos, os Estados Unidos aprovaram o Lend and Lease Act (emprestar e arrendar) que formalizou os contratos de arrendamento mercantil. O mercado percebeu que o importante era a posse e não a propriedade de um bem de produção. Estas operações passaram a ser designadas como Leasing e trazem diversas vantagens para quem faz.

Sob esse ponto de vista, uma concessão do Estado se assemelha a operação de leasing. O estado detém a posse, mas o direito de explorar fica com a iniciativa privada. Algumas rodovias no Brasil estão sob a responsabilidade de empresas privadas. Quem transita por elas vê apoio, sinalização, sistema de controle de velocidade, asfalto perfeito e recapeamento em caso de necessidades. Não vê, por exemplo, a polícia federal invadindo a empresa para prender o sócio, o gerente, o administrador, etc. porque comprou desviou dinheiro. Em 08.05.2020, a PF no estado de Pernambuco prendeu um monte de gente do governo estadual, na operação Outline, por conta de um contrato de R$ 190 milhões destinados ao recapeamento da BR 101. O produto utilizado era de baixa qualidade, com durabilidade menor do que o normal.

Uma das queixas que se faz é que o custo aumenta, mas quem defende isso não percebe que nosso problema não é a privatização, mas a forma como se privatiza. Os empréstimos do BNDES para a aquisição da Telebras, o direcionamento de vendas para empresas amigas do gestor público, são práticas que devem ser combatidas, mas é inteligente criticar a privatização por isso. Essa prática é crime e assim deve ser tratada. A privatização é um processo de redução do tamanho do estado necessário para seu equilíbrio.

A sensação que tenho sobre a defesa da não privatização, não digo nem estatização, é que ela recai na manutenção de privilégios e na oportunidade de enriquecimento iilícito. Mas, alguém pode alegar: “mas se é uma questão de corrupção, corrija-se isso”. não isso ou não é apenas isso. Não faz sentido o estado ofertar um serviço que pode ser explorada pela iniciativa privada. A Transpetro, por exemplo, era uma subsidiária da Petrobras cuja finalidade era o transporte de petróleo. Santo Deus!!!! Isso me lembra, o saudoso, João Saldanha quando dizia “pênalti é uma coisa tão importante que quem devia bater era o presidente do clube”. Então, transportar petróleo é tão importante que quem devia fazer é o governo. Empresas privadas não seriam capazes de fazer esse serviço? Nós temos empresas privadas que transportam produtos químicos e nenhuma capaz de transportar petróleo? Qual a imagem que temos da Transpetro? O Sr. Sérgio Machado em delação premiada entregando mais de 20 políticos que se locupletaram das tetas da Transpetro. Renan Calheiros, Jucá, Sarney, dentre outros e com isso se justifica a necessidade de o estado ser dono.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

SANEAMENTO BÁSICO

O marco regulatório do saneamento básico foi aprovado pelo senado federal na semana passada e já suscitou uma série de críticas de oposicionistas. Importante lembrar que 13 senadores votaram contra e todos eles de partidos de esquerda. Acredito que não votar um projeto faz parte da prerrogativa do parlamentar, assim como o eleitor tem o direito de votar nulo ou votar em branco, no entanto, o parlamento cabe, a ele, muito mais do que dizer que não apoia, por isso se não concorda com determinado projeto, apresente alternativa.

O pessoal que torce contra, logo se apressa a esbravejar a idiotice histórica de que “estão vendendo o patrimônio do Brasil para empresas privadas” ou que “querem privatizar a água” e ganham espaços na mídia de forma assustadora. A água é um bem público. Mas, por quê? Porque da mesma forma que o ar ou que a defesa nacional, o uso de um consumidor adicional não gera custos marginais (desculpem o termo técnico, mas custo marginal é aquele que é incorrido na produção de uma unidade adicional de produto).

Ao invés de falar em privatização, as pessoas deveriam se perguntar: por que de determinados produtos não são ofertados por empresas privadas? Pergunta a Dilma, que é economista, por que não temos empresas privadas estocando ar? O motivo é simples: uma empresa privada só vai ofertar um produto se ele conseguir precificar esse produto. Não tem como vender “ar” porque não tem como precificar esse bem. De modo igual, não tem como colocar preço na defesa nacional e com isso decorre que tais serviços devem ser prestados pelo governo. Eu entendo o mercado dessa forma: o governo deveria fornecer aquilo que a iniciativa privada não é capaz.

Nesse contexto já ouvi muito “imagine, se nessa pandemia, não tivesse o SUS”. Falam assim como se o SUS fosse vacina. Já falei aqui sobre essa imbecilidade de “ser contra a privatização do SUS”. Só se privatiza entidades com capital social e não é o caso do SUS. Essa preocupação vem da discussão do papel do estado. O pessoal da esquerda acha que as coisas só funcionam se o estado for dono. Faço aqui uma analogia: até hoje a melhor seleção brasileira que vi jogar foi a de 1982, comandado por Telê Santana. Um futebol primoroso, harmônico, mas não ganhou a Copa. Tudo bem: a Itália foi mais eficiente naquele jogo. Mas, Telê não jogava com ponteiro direito. Cortou Renato Gaúcho e quando lhes perguntavam sobre não ter ponteiro, ele respondia “o importante não é ter ponta, é jogar pelas pontas”. O importante não é o estado ser dono, importante é o estado estar presente.

Outro detalhe, decorrente da cegueira política, é que o projeto não privatiza, mas permite que a iniciativa privada obtenha concessão, através de um processo licitatório e que a empresa pública ou de economia mista também possa participar do certame. Em seguida surge aqueles pensam apenas com um lado do cérebro pra dizer que o serviço vai aumentar a tarifa e que as pessoas pobres serão afetadas. Pura burrice. Hoje, estamos todos nós enfurnados dentro de casa com um monte de equipamentos elétricos ligados. Minha conta de luz aumentou 30% e as pessoas pobres que consomem até determinada quantidade de Kwh, tem seu consumo pago pelo governo.

Em meio a tudo isso, as pessoas contrárias – diga-se que até agora só vi opinião contrária de esquerdistas – que muito criticaram a privatização das Teles não encontram respostas para explicar o motivo de a telefonia ter dado certo. O mundo não acabou. Hoje, no Brasil há mais celulares do que pessoas. Queria ver se estivesse no governo o quanto de dinheiro de corrupção já tinha rolado porque, no fundo, esse é retrato do Brasil: empresas públicas criadas para abrigar corruptos que sustentam os corruptos que criaram as empresas.

O problema que devemos ficar atento e no contrato. Algumas privatizações são desfeitas porque os contratos são falhos, mas o caminho é esse. Retirar o estado de atividades nas quais a iniciativa privada é capaz de ofertar. Não custa lembrar que o senador Alcolumbre disse que a 30 anos se esperava por isso. Ele tem razão porque o governo, nesse campo, sempre foi paradoxal: não fazia saneamento porque a obra não aparecia e “fazia” saneamento porque o se fosse questionado como gastou somas acreditava que ninguém seria capaz de cavar para os canos. Enquanto isso, o dinheiro ficava registrado como obra e se desviava pelos dutos onde passam um boi, uma boiada e um monte de dinheiro.