O segundo turno da eleição chega ao final no dia de hoje e a intranquilidade ainda incomoda. Nessa campanha eu, acredito, ter visto de tudo que não gostaria de ver, mas não tem como evitar. Olhando friamente esse momento, fortaleço minha crença de que nos afastamos assuntos relevantes e nos aproximamos mais da capacidade de persuasão dos marqueteiros que, no meu entendimento, não foram capazes de convencer o eleitor a votar. Basta ver a abstenção do primeiro turno.
Muito dificilmente, um eleitor de Lula deixará de votar nele, independente do que ele tenha dito ou deixado de dizer nos debates. A mesma coisa vale para Flávio Bolsonaro e, por isso, o interesse eleitoral passa a ser os 9,3 milhões de votos que foram dados aos demais candidatos no primeiro turno. Quem não votou no primeiro turno, provavelmente não votará no segundo turno e isso muda bastante o cenário nacional porque em estados importantes, como São Paulo, Minas e Rio de janeiro, não haverá segundo turno. Isto é mais um fator desestimulante para o eleitor.
No meu entendimento houve erros de abordagens dos problemas fundamentais, dentre os quais a questão da segurança e, mais uma vez, o debate inútil de privatização do SUS. Nenhum dos candidatFalaos percebeu que o SUS é um sistema, que não tem CNPJ e nem ações na bolsa de valores, logo não pode ser privatizado. Ademais, como o SUS é descentralizado, qual parte seria objeto de privatização: municipal, estadual ou federal? Esse tipo de desconhecimento, repetidas infinitas vezes, incomoda bastante, ainda mais por ninguém encerrar esse assunto, esclarecendo isso.
Isso posto, há dois pontos que preponderantes que contribuíram para as campanhas dos candidatos, sendo um negativamente e outro positivamente. O ponto negativo chama-se André Janones. O cara é um desastre. É o que sobra depois de um terremoto. Ele tem um estilo de falar gritando que irrita que houve, além de ser extremamente agressivo. Ao longo da campanha ele focou Nicolas Ferreira, divulgou fatos inexistentes e depois teve que se retratar. Bem medido e bem pesado, acho que ele não entregou à campanha de Lula, o que ele havia projetado. Poucas pessoas tinham interesse em assistir suas publicações.
No outro extremo, tem Nicolas Ferreira. Ele encontrou um tom adequado para se dirigir as pessoas e desde aquele vídeo que falava sobre o Pix, cada postagem sua gerava milhões de visualizações. Outra coisa que fez a balança pesar para seu lado foram os temas abordados. A maneira calma, sem gritos, de falar, atraiu mais audiência. Isso teve uma contribuição forte paraa campanha de Flávio.
Estes dois fatos não foram os únicos que se sobressaíram. Um ponto que eu considero fundamental foi a equipe de apoio e de formação das propostas de governo. Enquanto Flávio contou com Daniela Marques, uma profissional suficientemente conhecida no mercado, Lula não apresentou ninguém de peso. Quem esteve presente em alguns eventos foi o ministro da fazenda, mas não foi uma coisa positiva porque não é fácil tentar convencer as pessoas que de que dever trilhões de reais é saudável, que aumentar impostos é necessário para manter programas.
Na eleição de 2022, Lula não apresentou seu programa de governo nem suas propostas para a economia. Na ocasião foi dito que estava sendo dado a ele um cheque em branco, assinado. Veio a reforma fiscal, o tal arcabouço fiscal que deveria ter entrado em vigência em agosto de 2023 e não ocorreu. Daí outros desencontros sérios nessa área. A taxa das blusinhas, por exemplo, foi um desgaste tão grande quando a questão da movimentação do Pix acima de R$ 6.500,00. Quando o governo acordou para isso, era tarde. E como se não bastasse, veio o caso das bets, que foram regulamentadas pelo próprio governo e sua proibição gerou uma insatisfação muito grande junto as torcidas de times como Flamengo.
Há outros problemas que podem complicar, ainda mais, a situação do Brasil. Por exemplo, essa semana passamos a ser devedores internacionais. O próprio Lula se vangloriava de ter pago a dívida externa e agora ela voltou. Continuo achando que o Brasil continuará a penar por mais alguns anos. Infelizmente, com o resultado da eleição hoje, não temos um ponto final, mas reticências…
Estamos a uma semana do segundo turno da eleição e o processo de eleitoral será, extremamente, mais rápido porque agora só um cargo a ser disputado. Eu confesso que me assusta, não apenas o que pode acontecer ao longo da semana, mas, principalmente, o que pode acontecer a partir do dia 26 e, mais ainda, a partir do dia 1º de janeiro de 2027, independente de quem seja eleito.
Duas coisas tenebrosas chamaram a atenção e foram tratadas na surdina, mas ganharam corpo. A 1ª é uma pretensa reformar eleitoral a ser votada ainda este ano, cuja iniciativa vem do bloco chamado “Centrão” e o efeito seria substituir o sistema proporcional por algo como um modelo distrital. Tudo isso para não permitir que fenômenos como a votação extraordinária do “piá de bosta” e de Lucas Pavanato modifiquem a hegemonia – seja lá o que porra isso quer dizer – da casa. Como se sabe, a votação de Nikolas e de Pavanato, elegeu 13 e 7 deputados, respectivamente, nos seus estados.
Mudar isso tem implicações e obviamente que qualquer mudança aprovada nas regras constitucionais deve ser respeitada. O problema, às vezes, não é a proposta. É o momento em que se coloca a proposta. Estamos a ponto de uma mudança no governo, temos um congresso, relativamente, renovado, e esta proposta visa frustrar o eleitor que foi às urnas para escolher um representante, porque ao chegar no congresso esse representante vai encontrar um ambiente contrário.
É nesse ponto que chega a 2ª questão: a indicação para a vaga do STF que o senado recusou Jorge Messias. Ao que se fala, a ideia do atual presidente do congresso, Alcolumbre, é defender a indicação do seu aliado Rodrigo Pacheco que foi acomodado no Tribunal de Contas da União. Isso representaria a manutenção atual da irresponsabilidade jurídica que assola o país e daria tranquilidade para que a impunidade se perpetuasse. Quando André Mendonça foi indicado, o Alcolumbre presidia o senado e demorou mais de 3 meses para agendar a sabatina. Propositadamente. Ao que parece ele estava prevendo que Mendoça seria uma pedra no seu sapato. Até 31 de dezembro, estamos no fio da navalha.
A posse do novo governo também não nos dá tranquilidade. Se o presidente for reeleito, o Brasil vai cair numa desgraça econômica sem precedentes e com pouca chance de se recuperar em 2030. As benesses anunciadas como o reajuste do Bolsa Família, a isenção dos impostos federais no combustível, o perdão de R$ 12 bilhões de passivo tributário para MEI’s e de um Pix de R$ 5 mil, não são ações gratuitas. Isso vai lascar um orçamento que já está lascado.
Caso o eleito seja Flávio as dificuldades serão de governabilidade. A relação com Alexandre de Morais não será nada fácil e, pela disposição dos eleitos, a possibilidade de perdão para Alexandre é igual a atingir a temperatura de -273,15 K, chamada de zero absoluto. Temer tem atuado para amenizar o risco que seu indicado corre de perder o cargo, mas é muito difícil que esse novo congresso apresente qualquer disposição para conviver, pacificamente, com Alexandre de Morais.
Uma questão que se sobressai – e que o mercado já entendeu – são as propostas de redução do déficit orçamentário. Recentemente o presidente do Banco Central declarou que o governo precisa parar de gastar, mas não encontra eco, haja vista o pacote de bondades acima citado. No entanto, enquanto não há ninguém do governo defendendo sua política econômica – até mesmo porque ela não existe – do outro lado você encontra propostas sólidas anunciadas por Daniella Marques.
As propostas são ousadas e nenhuma absurda. Encerramento de empresas criadas para abrigar simpatizantes do PT, como a tal TV Estatal que Cissa Guimarães ganha R$ 100 mil por mês, e a otimização de gastos com aluguéis, posto que o governo tem imóveis subutilizados. Em meio a tudo isso, uma questão fundamental: o comportamento dos juros futuros! Com o resultado do 1º turno, a taxa de juros futuros caiu um ponto percentual e isso representa uma economia fantástica para os cofres públicos.
O que se vê, diariamente, sobre a campanha eleitoral é de deixar qualquer um de cabelo em pé. Eu posso estar enganado, mas o que se diz sobre Lula são coisas absolutamente conhecidas, inclusive dos inquéritos policiais. Ninguém fala que Lula vai cortar tal ou qual programa social, mas ele faz com naturalidade, dentre os quais eu destaco o caso da Farmácia Popular que descredenciou inúmeras farmácias no Brasil por conta de contingenciamento de despesas. Nesse balaio que coloco também o contingenciamento das instituições federais de ensino superior, aqui incluídos as universidades e os institutos. Todos os reitores protestaram publicamente, mas nenhum deles deixa de votar em Lula.
Quando se trata de um candidato opositor, aí a coisa muda de figura. Num breve espaço de tempo já ouvi algumas bobagens como mudança da constituição, fim dos programas sociais, vendas das universidades federais, fim da Farmácia Popular, obrigação de se trabalhar 7 dias por semana, ameaça de bomba nas universidades por posicionamento contrário dos estudantes, incêndio criminoso etc. O que mais chama a atenção é o fato de pessoas com conhecimento, formação acadêmica, com capital patrimonial e intelectual, se prestar para divulgar esse tipo de coisa. Entendo que esse tipo de coisa se faz para influenciar quem não pensa. Cabe lembrar que o próprio Lula disse, publicamente, salvo engano na reunião com prefeitos do PT, que quando o cara ganha mais de R$ 4 mil ou faz uma graduação, deixa de votar no PT.
Mudanças constitucionais são previstas no artigo 60 da Constituição. Isso se faz em qualquer país e no nosso caso, há um grupo formado por quatro temas que são considerados cláusulas pétreas, ou seja, não são passiveis de mudanças constitucionais. O primeiro grupo diz respeito a forma de governo. Não dá, simplesmente para transformar o Brasil num parlamentarismo. O segundo é quando a organização dos estados. Não tem como mudar a coisas de União, estado e município. O terceiro diz que o voto é universal, secreto e direto. E o quarto fala dos direitos e garantias constitucionais. Tudo que está no artigo 5º da CF.
Qualquer pessoa que com discernimento é capaz de orientar outras pessoas com entendimento mais elementar. Não precisa humilhar, gritar, basta explicar que isso não é possível e lembrar que as mudanças constitucionais são feitas através de emendas – o Brasil já tem 139 emendas constitucionais. Uma emenda constitucional deve ser aprovada, em dois turnos, por três quintos do congresso, ou seja, 309 deputados e 49 senadores. Um detalhe é que aprovar uma PEC, um troço que vai mexer com vida do país, são necessários 49 senados, mas para o impeachment de um ministro do STF são necessários 54 votos, porque Gilmar Mendes alterou isso recentemente. Vejam a loucura: mudar a constituição no senado é mais fácil do que votar o impeachment de um ministro do STF.
Quem desejar participar de uma campanha eleitoral, olhe seu passado. De forma radical eu digo que para ser presidente do Brasil a pessoa deve ter o seguinte perfil: ser filho único de pais que são filhos únicos para evitar o risco de irmãos ou primos se envolverem em falcatruas. Não pode ter frequentado escola ou faculdade para não formar vínculos com amigos que podem lhe causar constrangimentos. Não pode ter namorada, noiva ou esposa, exceto se ela for filha única de pais que são filhos únicos. Na verdade, até a quinta geração, só filhos únicos tanto para o candidato quanto para uma eventual companheira, mas preferencialmente, relacionamento só deve haver após o mandato.
O problema será o partido político. Difícil encontrar um partido nesse país onde seus integrantes não tenham problemas com desvio de recursos públicos. O poder ofusca a mente. As pessoas matam para permanecer no poder. Imagine o seguinte: os gastos realizados por um candidato não são recompensados financeiramente ao longo do seu mandato. É o tipo de investimento, economicamente, sem retorno financeiro, mas a razão dessas pessoas continuarem na disputa não é outro senão o poder.
A artilharia contra quem ameaça esse poder é pesada. Até o dia 25 de outubro irão surgir muitas coisas e mesmo que elas tenham um fundo de verdade, a desculpa será, sempre, que se fez para prejudicar a campanha. Dificilmente, teremos um Brasil digno, mas precisamos começar de alguma forma para que as gerações futuras possam desfrutar de uma vida mais digna.
O cancelamento do debate entre os candidatos à presidência, promovido pela Rede Globo, escancarou um cenário que há muito tem sido alertado dos seus riscos: a intromissão do aintensidade. O judiciário, simplesmente, manda. Mas, manda apenas naquilo que interessa aos seus interesses.
Que o presidente não quisesse participar do debate, é problema e estratégia dele e dos dirigentes do seu partido e de sua campanha. Agora, a Globo receber uma notificação do Tribunal Superior Eleitoral proibindo apresentar o púlpito vazio e proibindo dos demais candidatos formularem perguntas para o candidato ausente, é uma medida arbitrária e sem qualquer aplicabilidade num regime que se diz democrático.
Regras assinadas previamente por todos os representantes dos partidos foram desrespeitadas a pedido da coligação que tem o PT. Como se não bastasse a sandice da ministra do TSE, Gilmar Mendes autorizou, a pedido de Paulinho da Força, a participação de Renan Santos. Qual o problema? O problema é que a lei define que somente candidatos com, pelo menos 5 deputados, podem participar de debates e o partido de Renan Santos tem apenas 1 deputado.
Apesar desses fatos absurdos, os simpatizantes do atual presidente, foram às redes sociais alardear que “Flávio também desistiu”. Usar isso como argumento é minimizar o problema. Não se trata de quem irá participar ou não, mas de medidas tomadas por ministros que violam dispositivos legais. A ideia que passa sobre tais desmandos é que a lei pode ser violada por ministros, mas quando um cidadão comum comete uma infração, as penas da lei se transformam em espadas cortantes e afiadas.
Causou-me surpresa como isso foi noticiado pela Globo. Primeiro a cara de Cesar Tralli dando a notícia de forma indignada e lembrando as regras do debate, a legislação vigente e a insegurança jurídica que se formou na emissora. A Globo que sempre foi simpatizante ao governo atua. Que teve Bonner dizendo na entrevista a Lula em 2022 chegou a dizer “o sr. não deve nada à justiça”, que teve repórteres que se converteram em militantes, não criticando nenhum abuso praticado pelo governo ou pelo próprio judiciário. Após a divulgação da conversa de Vorcaro feita pela repórter Malu Gaspar, parece que abriram os olhos para tudo que o STF vem fazendo. Até para o Glenn Greenwald, o STF é uma ameaça à democracia brasileira.
O risco Brasil não termina com o mandato do presidente, mas se perpetua pelo tempo no qual os ministros indicados permanecerão no STF. Quatro ou cinco novos ministros estão tomando decisões sobre as nossas vidas, decidindo o que devemos ou não publicar, ler, expressar. Não custa lembrar que Alexandre de Morais será o novo presidente do STF e que este mesmo STE que fez a Globo cancelar o debate é o mesmo que proibiu Deltan Dallagnol de fazer campanha no Paraná.
Esse caso se configura como outra aberração. Primeiro a cassação de Dallagnol relatada por Benedito Gonçalves foi uma missa dada – como ele próprio disse – para atender a sede de vingança de Lula. Deltan não tinha processo administrativo que o impedisse de se candidatar a qualquer cargo, mas a Benedito entendeu que ele poderia ter um processo e por isso estava saindo do ministério público. São os ajustes na lei feitos apenas para atender demandas particulares, muito particulares.
Eu não tenho mais esperança nesse país. Não consigo entender como esse nordeste sofrido continua elegendo pessoas que lhe mantém na miséria, – Luiz Gonzaga na música Vozes da Seca, cantava: “dar esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão” – e apesar disso, o nordestino continua recebendo esmolas para colocar no poder pessoas sem escrúpulos. O que eu espero é que tudo não comece a se acabar com a abertura das urnas. Que a gente consiga ter Daniela Marques cuidando da nossa economia.
Há uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, o debate político brasileiro entra em sua fase decisiva. O Tribunal Superior Eleitoral registra atualmente 13 candidaturas à Presidência da República, com programas de governo formalmente apresentados e disponíveis para consulta pública. Mais do que as disputas políticas tradicionais, a economia aparece novamente como um dos principais campos de diferenciação entre os candidatos.
O cenário econômico que chega às urnas é relativamente complexo. O desemprego estava em 5,4% no segundo trimestre de 2026, enquanto a inflação acumulada em doze meses até agosto alcançava 4,22%. Ao mesmo tempo, o PIB acumulado em quatro trimestres cresceu 1,9%. A política monetária continua restritiva: em setembro, o Banco Central reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano, mas manteve a indicação de cautela diante das expectativas de inflação ainda acima da meta.
Há, portanto, uma combinação pouco simples para o próximo governo. De um lado, o mercado de trabalho permanece relativamente aquecido, apesar dos questionamentos sobre as métricas de Pochmann, da enorme quantidade de empresas em regime judicial, do rombo nas estatais e do comprometimento da dívida pública como fração do PIB. Um país cheio de santos deve contar com os milagres por que as teorias econômicas apontam numa direção e os indicadores apontam para outra. Com a taxa de juros elevada, apesar da redução de 0,5 pontos percentuais, crescimento moderado e dificuldades fiscais limitam o espaço para expansão de despesas. A própria Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda reduziu, em setembro, sua previsão de crescimento do PIB de 2026 de 2,3% para 2,0%.
A questão fiscal talvez seja o ponto de maior convergência temática — embora não necessariamente de soluções — entre os programas. As propostas apresentadas ao TSE mostram que praticamente todos os principais candidatos tratam de dívida, equilíbrio das contas públicas, eficiência do gasto ou reforma do Estado. A diferença está principalmente na intensidade e nos instrumentos utilizados.
No programa do presidente atual, a orientação econômica está associada à continuidade do atual arcabouço fiscal, à reforma tributária, à política de valorização do salário-mínimo e à ampliação dos investimentos vinculados ao Novo PAC e à Nova Indústria Brasil. O programa também destaca crédito para pequenas e médias empresas, renegociação de dívidas e uma política de transformação ecológica vinculada à indústria e à inovação. Coisas que são prometidas desde 2002 quando ele assumiu o governo pela primeira vez. Todos sabem que não há um instrumento econômico sério que o governo possa mostrar.
O governo se apoia, fortemente, na agenda do trabalho, com a inclusão do fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais, além da regulamentação do trabalho por aplicativos. A outra questão mais importante que o governo fez foi dar aumento de 15% para os beneficiários do Bolsa Família e faz isso, puramente e simplesmente, sem interesse nenhum, faz sem querer influenciar o eleitor, não é mesmo?
Na candidatura de Flávio Bolsonaro, o programa econômico enfatiza redução de impostos, reformulação das regras fiscais, redução do custo do trabalho e maior espaço para negociação entre empresas e trabalhadores. Também aparecem propostas de estímulo ao primeiro emprego, crédito para empreendedores, abertura comercial e medidas destinadas a manter a inflação no centro da meta. Quem tem interesse ouça Daniela Marques que foi presidente da CEF e agora é a coordenadora da proposta econômica de Flávio Bolsonaro. Ela fala com naturalidade e trata das questões apontando soluções.
Outro eixo desse programa é a tentativa de ampliar a participação empresarial na geração de emprego. A proposta menciona iniciativas específicas para a primeira empresa, para trabalhadores com mais de 50 anos e para redução dos encargos relacionados à contratação. Dessa forma, o debate trabalhista aparece nas eleições por duas perspectivas diferentes: enquanto alguns programas propõem redução da jornada, outros enfatizam flexibilização das relações de trabalho e redução dos custos de contratação.
Romeu Zema apresenta uma agenda econômica centrada em um ajuste fiscal mais amplo. Seu plano propõe estabilizar a relação entre dívida pública e PIB, realizar reforma administrativa, promover nova reforma da Previdência e reduzir gradualmente o Imposto de Renda das empresas. O documento também prevê privatização das empresas estatais e redução dos encargos sobre a folha de pagamento.
Uma proposta particularmente distinta nessa candidatura é a criação de uma alternativa mais flexível à contratação pela CLT. Trata-se de uma discussão que poderá ganhar espaço justamente porque o mercado de trabalho brasileiro vem sofrendo transformações associadas ao trabalho por plataformas, prestação autônoma de serviços e novas tecnologias.
Ronaldo Caiado, por sua vez, apresenta uma agenda denominada Estratégia Brasil 2040, associando crescimento econômico a uma agenda nacional de produtividade. Seu programa propõe estabilização fiscal, controle das despesas obrigatórias, revisão de subsídios e benefícios tributários e ampliação dos investimentos públicos e privados. Infraestrutura, logística, indústria e mineração estratégica também aparecem como instrumentos de crescimento.
O programa de Caiado introduz ainda a expressão “Orçamento da Verdade”, relacionada à tentativa de tornar mais explícitas as restrições fiscais enfrentadas pelo governo. A preocupação com subsídios e benefícios tributários é relevante porque desloca parte do debate fiscal da simples redução das despesas para a discussão sobre receitas que o Estado deixa de arrecadar.
Entre as propostas menos convencionais aparece também o programa de Renan Santos. Ele prevê desindexação de despesas públicas, mudanças nos pisos constitucionais, reforma do funcionalismo e revisão de renúncias fiscais. Uma das propostas é substituir o Bolsa Família pelas chamadas “Frentes Cidadãs”, nas quais haveria trabalho remunerado em atividades voltadas à comunidade. Seguramente, é uma experiência fadada ao insucesso por diversas razões, entres eles a falta de credibilidade do candidato.
Augusto Cury também incorpora alguns elementos diferentes ao debate econômico tradicional. Seu programa estabelece como objetivos aproximar o déficit público de zero, reduzir gradualmente a dívida e criar um Banco do Empreendedor. A proposta menciona ainda a intenção de estimular a criação de milhões de novos empreendedores e desenvolver Zonas de Processamento de Exportação e corredores econômicos estratégicos. O problema é que não deixar claro como fazer. Papel aguenta tudo.
Talvez uma das novidades mais características da eleição de 2026 seja justamente a presença explícita da inteligência artificial nas propostas econômicas. O programa de Cury, por exemplo, fala em prevenção ao “desemprego estrutural” decorrente da era da inteligência artificial. Independentemente da solução proposta, o aparecimento do tema mostra que a transformação tecnológica passou a ser tratada também como questão de emprego e política econômica. O desemprego estrutural é aquele gerado por problemas macroeconômicos, geralmente associados a riscos sistêmicos, como o caso da pandemia.
As contas públicas, entretanto, continuarão impondo limites às promessas apresentadas. O Prisma Fiscal de setembro registrou mediana de projeções do mercado de déficit primário de R$ 52,3 bilhões para o Governo Central em 2026 e dívida bruta estimada em 83,2% do PIB. Qualquer programa que envolva novas despesas, redução de tributos ou ampliação de investimentos terá, portanto, de enfrentar a discussão sobre seu financiamento.
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para observar nesta reta final: não apenas o que cada candidato promete fazer, mas como pretende financiar suas propostas. Reduzir impostos e ampliar gastos simultaneamente, por exemplo, exige indicar compensações. Da mesma forma, cortes de despesas precisam esclarecer quais programas, benefícios ou estruturas administrativas serão atingidos. Aqui, eu não deixo de reproduzir o que disse Daniela Marques: cortar ministérios. Ela disse mais: “Bolsonaro cortou 20 mil cargos e o PT criou 22.500 porque cada emprego representa 10% para o partido”.
A eleição de 2026 chega, assim, a seus últimos dias com propostas econômicas que misturam questões antigas e novas. Equilíbrio fiscal, impostos, crescimento e emprego continuam presentes, mas agora dividem espaço com inteligência artificial, economia verde, minerais estratégicos, plataformas digitais, novas jornadas de trabalho e mudanças mais profundas na organização do Estado.
No dia 4 de outubro, o eleitor não decidirá apenas quem ocupará a Presidência pelos próximos quatro anos. Entre os temas submetidos ao debate político está também qual combinação de Estado, mercado, proteção social, política industrial, responsabilidade fiscal e transformação tecnológica deverá orientar a economia brasileira a partir de 2027.
O Banco Central tem poderes suficientes para liquidar, de forma extrajudicial, qualquer empresa autorizada a funcionar no mercado financeiro. Basta observar que há problemas de liquidez que é decretada intervenção. Os dirigentes da instituição são afastados, o patrimônio bloqueado e isso é válido, também, para acionistas majoritários da instituição. O caso do Master, por exemplo, se enquadra nesse contexto.
O fato mais surpreendente é que o Master está liquidando os togados do país. Cada dia, descobre-se um vínculo de alguém do poder judiciário com Vorcaro. Paulo Gonet assegurou nunca ter encontrado ou tido contato com Vorcaro e aí circula nas redes sociais uma foto deles dois, juntos, fumando charuto, em Londres.
Um detalhe importante que talvez alguns não saibam: Gonet pode ser exonerado antes do término do seu mandato a pedido do presidente da república, no entanto, esse pedido precisa ser aprovado pelo senado federal. Aí, que acredita que o senado é capaz de fazer isso? E não faz não é apenas por Alcolumbre, é por pendências morais, por desvios de conduta e de recursos públicos, é porque não há maioria no senado para acatar um pedido de impeachment de ministros do STF ou do procurador geral da república.
Gilmar Mendes, disse a frase “Não se pode expor um colega, mesmo que ele esteja envolvido. Até a máfia tem ética” durante a sessão extraordinária do STF no dia 15 de setembro de 2026, quando se decidia o processo contra Alexandre de Morais. Tal afirmação é de uma gravidade sem precedentes, principalmente se levarmos em conta outras decisões de Gilmar que afrontam nosso conceito de imparcialidade. No final, foi divulgado na grande mídia que o cunhado de Gilmar era tratado como o elo entre o poder judiciário e Vorcaro. Mais ainda: a ex-diretora, Dalide Correa, considerada como “ex braço direito” de Gilmar, recebeu R$ 33 milhões.
Nas conversas interceptadas pela PF, Dalide Correa aparece como ponte para o STF, embora não se tenha o nome específico de um ministro. Não parece muito difícil de deduzir: Dalide Correa trabalhou com Gilmar Mendes, então não faz muito sentido ela procurar outro ministro. Além disso, segundo ela, os contratos seriam com empresas que venderam créditos de carbono ao banco Master e em instâncias inferiores. Puxa! Que argumento! Eu só tenho uma dúvida: se ela trabalhou para empresas que tinham créditos de carbono por que o dinheiro foi transferido para pelo Master? Honorários de sucumbência? Talvez, mas não deixa de ser estranho.
Esta semana surgiu o nome de Benedito Gonçalves, famoso pela expressão “missão dada, missão cumprida”, após o processo de cassação do deputado federal Deltan Dallagnol. Deltan, foi acusado, injustamente, de ter pedido exoneração para fugir de um processo administrativo, fato que lhe impediria de participar de qualquer processo eleitoral. Não havia nenhum processo contra ele, o TER-PR declarou isso, mas o PT recorreu ao TSE e o Benedito se prontificou a atender um pedido de Lula. Incrível ver Benedito trocando figurinhas com Vorcaro, combinando fumar charuto quando tivesse em Brasília e alguém precisa dizer a ele que Deltan Dallagnol não aparece nas conversas de Vorcaro.
A coisa não acaba por aí: Kassio Nunes Marques teve seu nome envolvido numa questão de aluguel de uma mansão de R$ 250 mil para um período carnavalesco, além de uma referência a umas garotinhas para atender-lhe em favores especiais. É lamentável isso e, também, preocupante porque Kassio foi indicação de Bolsonaro, mas por influência de Ciro Nogueira, enrolado até o cabelo do relógio nessa podridão. Acha pouco? O nome do filho de Fux que como presidente da segunda turma tem feito um trabalho coerente, à margem da paixão política partidária. Não se trata de condenação sumária de Fux. Algo com o filho pode não ter lhe envolvido, mas o que fica é o sentimento de que seria melhor se não tivesse essa citação.
Um detalhe curioso é que os valores pagos por Vorcaro a políticos diversos, são verdadeiros prêmios da mega-sena. O pessoal só fala em coisa da ordem de milhões, só o caso de Alexandre de Morais é que uma mega-sena acumulada.
Cabe relembrar que o presidente eleito terá a oportunidade de indicar 4 novos ministros para o STF e que ou se fortalece o senado ou nada feito.
Alguém disse que “o sistema muda para permanecer igual”. Se a gente for olhar o que está acontecendo atualmente no Brasil, vai entender que é exatamente assim que a coisa funciona. Bem antes das relações espúrias entre a família de Alexandre de Morais com o Banco Master, explodiu a relação Toffoli envolvendo um resort que era dos irmãos dele – até um padre entrou vivo nesse paraíso. Só depois de muita pressão ele admitiu que era sócio e resgatou a lei que diz que qualquer servidor público pode ser sócio de uma empresa, mas não administrador.
Havia mensagens de cobrança de pagamentos, por parte de Toffoli, sobre a venda do resort, inclusive a suspeita de que há R$ 35 milhões em paraísos fiscais que lhe beneficia. Toffoli viajou para Lima acompanhando de um advogado do Master, apenas ver um jogo da Libertadores. Enquanto quis, ele permaneceu na relatoria do caso e só depois de muita pressão, declarou-se impedido. Mudou o relator, mas não o retrato. Não há uma punição sequer imputada a nenhum desses pseudo-deuses.
No próximo dia 15 o plenário vai avaliar o caso de Alexandre de Morais e quem corre o risco de sair preso é André Mendonça. Há uma indignação generalizada no Brasil, mas algumas pessoas preferem acreditar em idiotices, em mentiras e ao invés de cobrar medidas austeras ficam fazendo comparações imbecis: “o que você acha de Ciro Nogueira ter recebido dinheiro do Vorcaro?”. Caramba, eu nunca passei pano para corrupção de ninguém. Mas, a pessoa que me pergunta isso é a mesma que acredita que o escândalo do INSS foi descoberto no governo Lula. Esquecem que no primeiro ano do governo, Carlos Lupi foi comunicado numa reunião que isso estava acontecendo. Esquecem que o congresso derrubou uma medida provisória do governo anterior que exigia identificação biométrica para autorizar os descontos em nome de entendidas sindicais.
O que se espera do julgamento do dia 15, portanto, vai muito além de saber se será ou não aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes. O plenário terá de enfrentar uma questão que atinge a própria credibilidade da Corte: o Supremo aceitará que fatos envolvendo um de seus integrantes sejam examinados com o mesmo rigor que costuma exigir quando julga qualquer outra autoridade? Fachin marcou uma sessão extraordinária, concentrou sob a Presidência a supervisão dos procedimentos envolvendo ministros e retirou de Moraes a condução do inquérito das fake news. São mudanças importantes. Mas a pergunta permanece: mudou-se o procedimento para que alguma coisa efetivamente mude ou para que, depois da tempestade, tudo possa voltar ao mesmo lugar?
A crise ficou ainda mais estranha porque Moraes pediu que o caso de André Mendonça também fosse levado ao plenário. O investigador passa a ser investigado, o investigado acusa o investigador e, no meio disso, a discussão sobre o Banco Master corre o risco de ser substituída por uma guerra interna do Supremo. É uma técnica conhecida do sistema político brasileiro: quando a pergunta é incômoda, multiplicam-se as perguntas; quando um personagem está acuado, colocam-se outros personagens no palco. No final, há tanta fumaça que ninguém mais consegue identificar onde começou o incêndio.
Por isso, o julgamento do dia 15 terá um significado institucional muito maior do que o destino pessoal de Moraes ou de Mendonça. Se o plenário autorizar uma apuração independente, com acesso integral às informações e sem escolher previamente quem deve ser protegido ou atingido, poderá ser o começo de uma resposta institucional. Se, ao contrário, a sessão se transformar numa disputa para decidir qual ministro tem mais força, o Supremo terá mudado a forma sem mudar o conteúdo. E o sistema terá feito exatamente aquilo que sabe fazer: reorganizar suas peças para preservar o tabuleiro.
O comportamento do governo também merece atenção. Nos primeiros momentos da crise, Lula evitou se afastar frontalmente do Supremo. Depois, passou a defender a divulgação das informações, criticou vazamentos seletivos e afirmou que, se Moraes ou Mendonça tiverem cometido irregularidades, devem pagar. Ao mesmo tempo, defendeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afastado cautelarmente por Mendonça e posteriormente mantido no cargo por decisão de Fachin. É uma posição que procura ocupar dois lugares ao mesmo tempo: apresentar-se como defensor da investigação e, simultaneamente, impedir que a crise destrua uma relação institucional que foi central para o governo nos últimos anos.
Há uma razão política evidente para essa cautela. Lula e o STF estiveram do mesmo lado em momentos decisivos recente e qualquer rompimento brusco, em plena campanha eleitoral, teria consequências imprevisíveis. Mas é justamente aí que surge a pergunta incômoda: até onde vai a relação institucional normal entre Poderes e em que ponto começa uma dependência política recíproca? Governo não pode depender de tribunal para sobreviver, assim como tribunal não pode depender de governo para preservar seus integrantes. Quando essas fronteiras ficam borradas, a separação entre os Poderes continua existindo no texto constitucional, mas começa a desaparecer na prática política.
Nesse contexto apareceu um episódio ainda mais grave. William Waack relatou em seu programa que teria chegado ao marqueteiro de Lula um recado atribuído a “um pedaço do Supremo”: o presidente não deveria se afastar do STF, porque parte do PT da Bahia estaria “na mão” da Corte e Lula governaria com a ajuda do Supremo. A afirmação é explosiva, mas precisa ser tratada pelo que efetivamente é até agora: um relato de bastidor porque não foi apresentado publicamente documento que comprove a mensagem, nem foi identificado de maneira verificável quem a teria enviado. Isso não diminui a necessidade de esclarecimento; ao contrário, aumenta. Se o recado não existiu, a gravidade da acusação exige desmentido e esclarecimento. Se existiu, estamos diante de algo incompatível com qualquer concepção saudável de independência entre os Poderes.
E aqui talvez esteja a melhor demonstração da frase que abre este texto. O sistema muda para permanecer igual porque ele aprendeu a administrar suas próprias crises. Sai um relator e entra outro. Retira-se um sigilo. Abre-se uma sessão extraordinária. Um ministro perde determinado inquérito, outro passa a ser questionado. O governo muda o discurso. Os partidos reposicionam suas alianças. Todo mundo parece estar se movimentando. Mas movimento não significa transformação.
Transformação seria estabelecer regras que valessem para todos. Seria discutir impedimento e suspeição de ministro do Supremo com critérios objetivos. Seria impedir que investigações envolvendo membros da própria Corte fossem administradas de maneira a produzir a impressão de julgamento entre colegas. Seria limitar decisões monocráticas em matérias capazes de alterar o funcionamento de outros Poderes. Seria estabelecer transparência sobre relações econômicas de ministros e de familiares quando possam produzir conflito de interesses. Seria permitir investigação sem que o investigador precise temer que, no dia seguinte, ele próprio se transforme no alvo principal.
É por isso que trocar pessoas talvez seja a mudança mais fácil e menos importante. O Brasil tem uma extraordinária capacidade de substituir personagens sem modificar os mecanismos que lhes deram poder. Ontem era um ministro, hoje é outro; ontem era um presidente do Senado, amanhã será outro; muda-se o partido no governo, mudam-se os discursos, mas permanece a lógica segundo a qual quem ocupa determinado espaço institucional passa a dispor de instrumentos capazes de proteger aliados, pressionar adversários ou simplesmente impedir que determinadas perguntas sejam respondidas.
A própria reação à crise do Master mostra esse mecanismo. Em vez de existir uma cobrança comum para que se abra tudo e se investigue todo mundo — direita, esquerda, governo, oposição, empresários, parlamentares ou ministros — cada grupo procura saber primeiro quem será atingido. Se o nome revelado é adversário, a investigação é prova definitiva de corrupção. Se é aliado, passa a ser vazamento seletivo, perseguição, narrativa ou falta de contexto. Corrupção deixou de ser um problema moral e institucional e virou instrumento de torcida organizada.
E isso explica por que a discussão sobre Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro, Jaques Wagner, Lula, Moraes, Mendonça ou qualquer outro nome não deveria servir para absolver ninguém. Se houve dinheiro, influência, favorecimento, tráfico de influência ou qualquer relação ilícita, investigue-se. O erro de um não inocenta o erro do outro. Essa lógica infantil do “mas o outro também fez” talvez seja uma das engrenagens mais eficientes de preservação do sistema, porque transforma a fiscalização do poder numa disputa de torcidas e garante que cada corrupto encontre alguém disposto a defendê-lo.
A expectativa para o dia 15 deveria ser muito simples: que o Supremo faça consigo aquilo que exige dos outros. Que não escolha antecipadamente culpados e inocentes. Que não transforme divergência entre ministros em instrumento para impedir a apuração dos fatos. Que permita conhecer a extensão das relações de Vorcaro com agentes públicos, independentemente do partido, do cargo ou da toga. E, sobretudo, que ninguém seja protegido porque sua queda seria inconveniente para o governo, para a oposição, para o Senado ou para o próprio tribunal.
Talvez seja exatamente esse o teste que o sistema brasileiro quase nunca consegue superar. Quando a crise chega perto demais do centro do poder, surge uma grande operação de rearrumação. Mudam-se nomes, discursos, procedimentos e alianças. Produz-se a sensação de que as instituições reagiram. Passado algum tempo, entretanto, percebe-se que os mesmos mecanismos de proteção continuam funcionando. É a mudança necessária para impedir a mudança verdadeira.
O caso Master ainda está longe do fim. Pode atingir gente de todos os lados e provavelmente continuará produzindo fatos novos. Melhor assim. Que apareçam todos. O que não pode acontecer é escolher antecipadamente quem merece investigação de acordo com a conveniência eleitoral ou ideológica de cada um. Se queremos realmente sair do fundo do poço institucional, a regra precisa ser uma só: abriu para um, abre para todos; investigou um, investiga todos; comprovou, pune. Sem toga, partido, sobrenome ou cargo capaz de servir de escudo.
Caso contrário, depois de toda essa confusão, Fachin terá reorganizado o Supremo, o governo terá reorganizado o discurso, o Congresso terá reorganizado seus interesses e cada grupo político terá reorganizado sua narrativa. Parecerá que muita coisa mudou. E talvez seja justamente esse o objetivo. Porque, no Brasil, o sistema parece ter desenvolvido uma habilidade extraordinária: mudar tudo aquilo que for necessário para que, no final, permaneça exatamente igual.
Dia sim e outro também a gente toma um sobressalto com tudo que acontece nesse país. Não parece termos outro assunto que não envolva o STF, particularmente, Alexandre de Morais. O que mais me surpreende é que tudo isso que envolve o banco Master, no discurso dos candidatos do governo atual é obra da extrema direita desse país. A culpa pelo volume de corrupção impetrada por Daniel Vorcaro é de Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, poque foi durante sua gestão que Vorcaro teve autorização para adquirir o banco Máxima e daí passou para Master.
Dois fatos, creio, devem ser analisados com bastante cuidado. O primeiro foi noticiado por William Waack no seu programa da CNN e relatava que o STF, através do marqueteiro da campanha do atual presidente, mandou um recado duro e seco: “Não se afaste do STF. Nós temos mais da metade do PT da Bahia em nossas mãos e você só governa com a nossa ajuda.” A gente poderia dizer que isso é estarrecedor, mas é apenas fruto de um país que não soube, e não sabe, escolher seus representantes.
Isso traz para centro do debate uma questão de fundamental nas eleições desse ano, mas que deveria ter sido observada nas eleições anteriores: a eleição para o senado é muito mais importante do que a eleição para a presidência. O presidente do senado, Davi Alcolumbre, nunca terá coragem de aceitar um pedido de impeachment de nenhum dos ministros do STF porque ele sabe que no dia seguinte seus processos sairão das gavetas e irão ao plenário e serão julgados em uma semana.
Ao longo do tempo, o Brasil tem eleitos pessoas entranhadas com atos ilícitos. Tanto o presidente da câmara, Hugo Mota, quanto o presidente do senado – do congresso – são políticos com o rabo preso por desvios de conduta com a coisa pública. Semana passada teve uma famosa reunião na casa de Alexandre de Morais, reunindo o presidente da república, seu advogado que virou ministro e os presidentes da câmara e do congresso. Qual o foi prato principal? Uma forma de escapar desse lamaçal que envolve todo mundo.
É nesse ponto que apresento o segundo fato: o pedido de Alexandre de Morais para que o presidente do STF incluísse André Mendonça no inquérito das fake News ou como é conhecido, no inquérito do fim do mundo. Sem esquecer que a PGR solicitou o arquivamento das denúncias contra Morais alegando vício no processo, dentre os quais a ausência da PGR e do Ministério Público na denúncia, como se isso fosse algo inédito no Brasil. O próprio inquérito do fim do mundo, foi aberto no STF, sem PGR e sem MP, por Dias Toffoli e entregue a Alexandre de Morais, sem a distribuição aleatória. Com base nele, a fonte de um jornalista maranhenses foi exposta violando o sagrado direito constitucional do anonimato.
A ameaça a Lula preocupa porque ter um presidente submisso ao judiciário, que deve inúmeros favores ao que fizeram por ele não apenas no campo político, mas também no pessoal como a mudança do foro da lavo jato ou mesmo os R$ 18 milhões de impostos que a receita entendeu que seria devido pelo instituo do presidente, posto que como empresa sem fins lucrativos, não poderia haver distribuição de lucros. Esse processo foi anulado por Gilmar Mendes.
Esse cenário mostra duas coisas preocupantes: a primeira é o presidente sem moral diante das investidas do STF e nesse instante ele precisa cegamente do supremo para livrar seu filho das denúncias de tráfico de influência e de enriquecimento ilícito no caso que envolve o INSS e as influência intensa de Roberta Luchsinger. É preciso ter esses ministros para dizer que não há provas com o filho do presidente e que tudo não passou de meras ilações para atrapalhar sua reeleição.
O segundo fato é tão preocupante quanto. O próximo presidente do STF será Alexandre de Morais e seu poder será 9 vezes maior do que hoje apresenta. Embora se tenha inúmeras provas materiais de sua participação apoiando Daniel Vorcaro, como a questão da revisão do contrato entre o banco e escritório de sua mulher, todo dia surge um fato novo: seus filhos ganharam o cartão de crédito com limite de R$ 300 mil. Só isso. Tudo pago pelo banco Master, mas a culpa é da extrema direita.
O risco mais intenso que o Brasil corre agora é que Alcolumbre aceite um pedido de impeachment contra André Mendonça. Não custa lembrar que quando André foi indicado, o presidente do senado era Alcolumbre e ele segurou por mais de 3 meses a votação por puro sentimento de vingança. Seu argumento era que André Mendonça, como ministro da justiça havia apoiado a lava jato.
Esse é Brasil atual. O caso do Master ainda vai respingar em muita gente. Nicolas Ferreira, por exemplo, teve áudio divulgado em conversa com Vorcaro. Certa ocasião foi divulgada uma notícia que dizia que o número do telefone de Nicolas estava na agenda de Vorcaro e aqui mesmo, nesse espaço, eu disse que isso significava pouco. Nicolas não tinha capacidade de influenciar nenhum interesse de Vorcaro junto ao governo. Agora, André Mendonça mostrou nota fiscal de uma compra feito numa alfaiataria e imediatamente divulgaram que pessoas ligadas a Vorcaro estiveram nessa alfaiataria com Mendonça e que após essa sua visita a alfaiataria recebeu R$ 500 mil do banco Master.
Enquanto o Brasil não definir o papel das relações de empresas com o governo, a gente vai se chocar com os labirintos podres da corrupção. Enquanto elegermos corruptos, não teremos chance de mitigar a corrupção. Cada eleição é uma oportunidade. Vota num cara e se ele fez merda, não vota mais. É simples.
Eu tenho inúmeras dúvidas sobre a opinião dos economistas face a situação econômica do país. Lamentavelmente, os conceitos macroeconômicos aprendidos em sala de aula, são suprimidos das decisões, em prol de um posicionamento político. A universidade deixou de ser um local para debate de ideias e se transformou num espaço de doutrinação política. Aí daquele que cai na desgraça de fazer uma crítica, por mais técnica que seja, ao modelo econômico que atualmente vivemos.
Teorias econômicas não são ultimatos. Elas acabam sendo adotadas em momentos específicos e com o objetivo se sanar um problema social. Keynes, em 1936 mostrou que os gastos do governo eram fundamentais para impulsionar o crescimento diante a falência da econômica clássica em fazer a economia se recuperar – levada pela “mão invisível” de Adam Smith – da depressão econômica de 1929. Sua teoria foi alterada ao longo do tempo pelos chamados neo-keynesianos. Obviamente, surgem contra-argumentos, como Milton Friedman e não temos como dizer que um ou outro estão errados. Economia não é uma ciência exata. Em 2013, Eugene Fama e Robert Shiller ganharam Nobel defendendo pontos de vistas contrários sobre o mercado financeiro. Fama defendia que os mercados são racionais e os preços refletem a informação disponível. Sua tese era que as bolhas financeiras racionais não existiam e o mercado se ajussta. Para Shiller, os investidores são impulsionados por fatores psicológicos e comportamento irracional fato que geram bolhas especulativas como aquela imobiliária que aconteceu em 2008 e que quase quebra a economia mundial. Quem tem razão? Ambos olharam o mesmo problema de ângulos diferentes e o que disseram faz sentido, basta olhar o momento.
O que passa a incomodar com a teoria econômica, ou melhor, com a política econômica? O que você faz na tua vida quando determinado remédio que você toma não está trazendo os benefícios necessários para tratar das tuas inquietações, para devolver o teu sono, tua paz, tua saúde? Age! Procura o médico e muda o remédio.
O nome Creutzfeld-Jakob, por exemplo, teve recentemente, entre 10 a 15 milhões de citações nas redes sociais. Ficamos sabendo que se trata de uma doença neurológica, degenerativa e rara, identificada nos anos 1920 pelos médicos alemães Hans Gerhard Creutzfed e Alfons Maria Jakobe, O extraordinário Lito de Souza foi diagnosticado com essa doença e não podemos deixar de reconhecer que os médicos alemães são bons e apresentar problemas que não possuem solução (Parkison, Alzheimer etc.). Lito está fazendo tudo para entrar num tratamento experimental e vamos torcer para que dê certo.
Estou colocando isso porque não é apenas ele quem está acometido desse mal. É o Brasil. Neurologicamente estamos doentes. Não é possível que vejamos o endividamento das famílias chegar a 80%, a dívida pública neste mesmo patamar, o rombo nas contas públicas de R$ 48,2 bilhões, me 2025, o número de empresas que entraram em regime judicial atingiu 5.680, ou seja, uma alta de 24,3% em relação a 2024.
As Casas Bahia entraram com um pedido de regime judicial por apresentar um rombo de R$ 17,8 bilhões. A empresa apresentou um prejuízo contábil recorde de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 – SÓ NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2026 – e promoveu o fechamento de 298 lojas físicas, correspondente a aproximadamente 30% da rede. Demitiu 2 mil funcionários para estancar a queima de caixa, mas a justiça trabalhista obrigou a recontratação dessas pessoas. Olhe a composição da dívida e você verá que quase 95% desse rombo, R$ 16,4 bilhões, corresponde a dívidas com credores sem garantia real, como grandes fornecedores e bancos. Bota teus neurônios para funcionar: por que não se consegue pagar dívidas com os bancos? Porque a taxa de juros do Brasil, em termos reais, é a maior do mundo. Sufoca quem compra a prazo, sufoca as empresas que precisam de capital de giro para operacionalizar seu fluxo de caixa e a culpa dessa situação é a vergonhosa política econômica – se é que se pode chamar essa porra de política econômica – de gastos para além do que se arrecada.
É aqui que mais pesa minhas dúvidas: como um economista consegue defender uma bosta de modelo desses? Quais são as teorias que alguns economistas de apoiam para dizer que esse é modelo que deve prosperar no Brasil? Eu vejo Armínio Fraga dizendo que está assustado, dá vontade de mandar TNC. Agora que a merda virou boné, vem com esse sentimentozinho de culpa? Até parece que só você não sabia que isso iria acontecer.
Todas as estatais dando prejuízo brabo desde 2023. Os Correios que possuem o monopólio das comunicações no Brasil dando prejuízo. Vou dizer de novo: UMA EMPRSA MONOPOLISTA DANDO PREJUÍZO. Sei que não precisa explicar, mas monopólio é a situação em que existem UM VENDEDOR e infinitos COMPRADORES. Os CORREIROS é uma empresa MONOPOLISTA e dá prejuízo. Só no Brasil. E tem economistas que defendem, apoiam e acham que isso é legal. Simples assim.
Ou a gente controla os gastos públicos ou vamos nos lascar com desemprego e juros altos. Não é possível manter uma estrutura com 37 ministérios, com o UBER da FAB levando autoridades em voos solitários pelo nosso lindo céu azul. Não dá. Assim como não dá manter a população do nordeste na pobreza recebendo bolsa família para dar voto ao governo.
Tal qual Lito Souza, o Brasil precisa de um tratamento neurológico, mesmo que experimental. Não reconhecer isso e não lutar para que isso mude, é assassinato premeditado.
Já algum tempo temos acompanhado notícias complicadas em relação a sustentabilidade do varejo no Brasil. No início do governo Lula, Luiza Trajano – fervorosa eleitora – foi às redes de televisão pedir que os clientes comprassem na Magazine Luiza porque o “velho carnê” estava de volta. Acho que todos se lembram das vendas através de um carnê de pagamentos das lojas de departamento. Mas, o que estava por trás disso era os sintomas de uma crise que já se desenhava naquela época.
Luiza sabia do endividamento, crescente, das famílias, das restrições ao crédito bancário – só o empréstimo consignado tinha, relativo, fôlego –, do comprometimento das pessoas com cartão de crédito, visto que a maioria possui mais de um cartão e estes estavam no limite, dentre outros fatores. Com isso, a venda através do carnê da loja, tinha por objetivo atingir o cliente com restrições no mercado financeiro. Para ela era simples, vender através de CDCI – Crédito Direto ao Consumidor com Interveniência, ou seja, o volume de vendas seria repassado pelos bancos para o Magazine Luiza, que assumia a responsabilidade pela liquidação do crédito.
Passa o tempo e a gente vê outras grandes empresas do setor varejista entrarem em colapso. O Grupo Mateus, com sede no estado do Maranhão, espalhado por vários estados nordestinos, anunciou o encerramento de suas atividades em diversas localidades, com redução de 6 mil empregos. O grupo alega que o encerramento se deu devido a reestruturação financeira e que as lojas fechadas não traziam o retorno financeiro desejado.
As Lojas Americanas passaram por um problema sério de fraude envolvendo mais de R$ 20 bilhões. Contabilmente, os empréstimos bancários não apareciam no passivo da empresa, então gerava-se um resultado contábil positivo. Até que contrataram um CEO que percebeu tudo isso e desistiu do cargo. As Lojas Americanas entraram em Regime Judicial e, dizem, está conseguindo equalizar o seu caixa.
Em meio a tanto desgraça, vem o anúncio do encerramento das atividades das Casas Bahia. Os sinais econômicos já apontavam que haveria problemas e algo assim era esperado, o que foi surpresa foi o anúncio do encerramento das atividades, ou seja, os gestores perceberam que solicitar um regime judicial com projeto de recuperação econômica, seria mais dispendioso do que, simplesmente, encerrar. Demitiram os funcionários e para surpresa de muitos, a justiça do trabalho mandou recontratar.
Quando você procura entender o que há por trás de tudo isso, os argumentos são aqueles percebidos por Luiza Trajano já em 2023. Juros altos que restringem o acesso ao crédito, que encarecem o capital de giro das empresas, que oneram substancialmente as contas correntes garantidas. Vai perceber que o endividamento das famílias continua sendo algo em níveis absurdos, só não vai encontrar uma palavra do governo sobre a responsabilidade de tudo isso. Até vai: para o governo, a culpa é dos empresários, ávidos de lucros.
Há um problema fiscal de intensa gravidade cujas efeitos começam a aparecer de maneira mais clara sobre a atividade econômica e, particularmente, sobre setores que dependem diretamente da renda disponível das famílias. O comércio varejista é um bom termômetro desse processo.
Os números mais recentes do IBGE mostram uma economia que encontra dificuldades para transformar crescimento nominal em expansão consistente do consumo. Em abril de 2026, o volume de vendas do comércio varejista caiu 1,5% em relação ao mês anterior. Em maio, houve variação positiva de apenas 0,1%. Mais importante ainda: no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em maio, o crescimento foi de somente 1,4%. No varejo ampliado, que incorpora veículos, material de construção e outras atividades, a expansão em 12 meses foi praticamente nula: 0,1%.
Os números setoriais ajudam a compreender melhor o problema. Em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação recuaram 4,1%, enquanto outros artigos de uso pessoal e doméstico caíram 2,6%. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo também apresentaram redução de 0,5%. Ou seja, não se trata apenas da decisão de adiar a compra de um automóvel ou de um bem de maior valor. Há sinais de dificuldades também em segmentos diretamente relacionados ao consumo cotidiano.
Naturalmente, seria exagerado afirmar que esses números caracterizam, isoladamente, uma recessão. Não caracterizam. O próprio varejo acumula crescimento de 1,7% nos cinco primeiros meses de 2026. O problema está na trajetória: depois de crescer 0,5% em março, o comércio recuou fortemente em abril e praticamente ficou parado em maio. A média móvel trimestral, que ajuda a eliminar oscilações pontuais, ficou negativa em 0,2%.
É justamente nesse ambiente que a situação fiscal assume maior importância. Em junho de 2026, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões, acima dos R$ 44,2 bilhões observados no mesmo mês de 2025. No mês anterior, maio, o déficit havia alcançado R$ 53,3 bilhões, também superior aos R$ 40,2 bilhões registrados um ano antes. Chama a atenção que, em junho, comparativamente ao mesmo mês de 2025, a receita líquida tenha aumentado 10,3% em termos reais, enquanto a despesa cresceu 9,0%. Portanto, mesmo diante de crescimento expressivo da arrecadação, permanece enorme dificuldade para produzir equilíbrio entre receitas e despesas.
Esse quadro cria um dilema conhecido. Para financiar gastos crescentes, o governo necessita de mais arrecadação, mais endividamento ou redução de despesas. A elevação da carga sobre empresas e consumidores, entretanto, pode retirar recursos justamente de uma economia que já apresenta sinais de baixo dinamismo no comércio. O aumento do endividamento, por outro lado, amplia as preocupações com a sustentabilidade fiscal.
Não existe almoço grátis. O Estado pode gastar mais durante algum tempo, pode ampliar benefícios e pode até sustentar determinados setores por meio de incentivos. No longo prazo, porém, alguém precisa financiar essa conta. Quando o crescimento econômico não acompanha o crescimento das despesas, a disputa pelos recursos disponíveis torna-se cada vez maior.
É aí que o debate eleitoral deveria abandonar os slogans e entrar no terreno dos números. Mais importante do que saber quem promete gastar mais é saber quem consegue explicar de onde virão os recursos, quais despesas serão prioritárias e, principalmente, como criar condições para que a economia volte a crescer de maneira sustentável.
Um país não resolve seus problemas fiscais simplesmente aumentando impostos, assim como não desenvolve seu comércio apenas estimulando artificialmente o consumo. Empresas precisam de previsibilidade, consumidores precisam de renda e confiança, e o governo precisa demonstrar capacidade de administrar seus gastos. Sem esses três elementos, crescimento econômico vira promessa eleitoral, enquanto déficit, juros e baixo investimento permanecem como realidade depois que as urnas são fechadas.