MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

AFRONTA JUDICIAL

É simplesmente incrível o comportamento da suprema corte brasileira. Nunca vi um espaço físico tão pequeno, em relação às dimensões do país, causar o estrago que as decisões do STF é capaz. São dois momentos absolutamente claros, distintos, porém integrados: o primeiro é promover a soltura de Lula e demais denunciados pela Lava Jato; o segundo é, de qualquer forma e ao arrepio da lei, fazer Lula presidente do Brasil para isso tendo o exaustivo apoio da grande mídia, numa orquestração de atos devidamente compassados, incluindo também órgãos de controle externo como o TCU.

O ministro Bruno Dantas, lulista de carteirinha, numa ação de subserviência ao seu chefe, fez a relatoria de um processo no qual o TCU, por unanimidade, cobrava de Deltan Dallagnol R$ 2,8 milhões de reais pelas despesas com passagens para integrantes da força tarefa que botou na cadeia os ladrões petistas. Esse canalha, por indicação do Senado, é vice-presidente do TCU e apesar de tudo que o PT fez entre o mensalão e o petrolão, Bruno Dantas nunca foi capaz de exigir a devolução de um centavo sequer. Então, abusando do poder que lhe foi confiado, esse filho de uma puta, relata um processo com esse teor e, ainda por cima, consegue uma aprovação unânime do órgão. Ainda bem que o processo foi suspenso, pois caso contrário seria a decretação da falência moral do judiciário.

O problema que está por trás disso tudo é um só: o apoio ao mecanismo de vingança que passa pela mente de Lula. Ele não pode, nesse instante, partir diretamente para o confronto com seus algozes porque não tem instrumentos para atingir-lhes diretamente e por isso se serve dos cafajestes togados para atingir Moro e Deltan, afinal o PowerPoint de Deltan trazia a estampada da “alma mais honesta do Brasil” como o cerne de um esquema de corrupção da magnitude que se viu. Se Lula for eleito, Moro e Deltan terão enormes dificuldades caso não sejam eleitos para os cargos que pleiteiam.

Em adição, a maquiagem da justiça começa a cair mostrando uma face cruel, tendenciosa, distante dos preceitos constitucionais. Como a bruxa má do conto de Brancas de Neve perguntava ao espelho se havia alguém mais bela do que ela, o STF olha para o próprio umbigo se perguntando se há alguém mais poderoso do que ele. Creio ser, seu espelho, a careca de Alexandre de Morais: lustrosa, brilhante e sem o nitrato de prata que permite formar a imagem no espelho. Todos os ministros do STF se sentem poderosos, mas Alexandre de Morais tem certeza da sua onipotência.

Cabe lembrar que esse ministro foi capaz de imputar uma multa ao advogado do deputado Daniel Silveira por “recursos protelatórios” e eu não sei como ele não pediu a cassação da OAB do profissional, mas faltou pouco. Atitudes absolutamente descabidas como bloqueio de contas, de patrimônio, perseguição política, pedido para Interpol declarar Alan dos Santos como foragido e toda sorte de desmandos naquela cabeça cheia de teia de aranha.

Como se sabe, Alexandre de Morais foi campeão de pedidos de impeachment, mas há uma violação natural por parte dos demais ministros e o presidente do senado não tem coragem suficiente para dar andamento a um processo desses. Alcolumbre, arquivou todos os pedidos de impeachment. Sem analisar mérito de nenhuma deles e isso acontece porque deputados e senadores possuem penduricalhos no STF e não dignos de ações de coragem.

Nesse cenário de guerra declarada, o ministro Nunes Marques suspendeu a cassação de um deputado simpatizante ao presidente e uma das matérias que li sobre isso dizia que o ministro estava dando um passo na direção do impeachment. A lei Nº 1079/1950 traz as condições pelas quais um ministro do STF pode sofrer impeachment e dentre elas não consta anular decisão do STF, mas consta mudar voto sem recursos e exercer ação política partidária. Todos os petistas do STF fazem isso. Provavelmente é do seu conhecimento o famoso jantar com ministros do STF e senados – investigados pelo STF – para discutir ….. (complete a frase).

Nitidamente, estamos lutando contra forças organizadas que buscam se perpetuar no poder para impor suas regras e seus preceitos, deixando de lado o respeito aos preceitos democráticos e promovendo a impunidade dos bandidos políticos. Esse cenário é visto na Venezuela, onde a suprema corte de lá modificou a constituição para permitir, por exemplo, que Maduro concorresse, indefinidamente, ao cargo de presidente. Recentemente Lula disse: “eu não estou mais radical, estou mais Maduro, mais Maduro”.

Acho que todos nós, que nos opomos a este cenário de injustiça, precisamos ser mais diretos nos nossos objetivos. É hora de tomar partido por um país livre da peste e a melhor forma de fazer isso é dizer não a chapa de Lula.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

LULA COM CHUCHU

Hoje ocorreu o lançamento da pré-candidatura de Lula ao governo brasileiro. A chapa, Lula com Chuchu vem prometendo muita coisa, mas o nome mais frequente no discurso, acredito, tenha sido “soberania”. Recentemente falei sobre palavras de efeito que não encontram na cabeça de quem pensa, a exemplo, da tal “restaurar a democracia no Brasil”. De certo modo, isso foi bom porque já se desenha, de fato, que Lula, com toda dificuldade de sair às ruas, deixa claro que pretende disputar o governo. Para isso, isso afasta de vez os infundados comentários de sua desistência que era dada como certa nas conversas em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e até mesmo no grupo de zap do Cabaré do Berto.

Confesso que sempre ouvi isso com um grau de desconfiança muito grande por duas razões: a primeira é que Lula é vaidoso demais para abrir mão de uma candidatura majoritária, principalmente concorrendo ao cargo de presidente da república. Basta olhar que essa vaidade é responsável por sufocar o surgimento de lideranças esquerdistas no Brasil. Qualquer pessoa que se coloque como alternativa é sufocada e não custa lembrar a tentativa de Eduardo Suplicy em concorrer prévias contra Lula. Ficou no limbo petista por muito e muito tempo, sendo escanteado por Lula e toda a cúpula, até que chegou ao nível mais humilhante da dignidade humana: pedir para ser preso junto com Lula. Se Lula se candidatar para presidente da associação de ex presidiários de Curitiba, acabou: ou será ele ou não será ninguém. A segunda questão é que Lula jamais vai abrir mão de se vingar de tudo e de todos os “responsáveis” pelas suas derrocadas moral, política e ética.

Mas, surpreende algumas posições de estrelas políticas desse país. A primeira é o Chuchu que vai refogar a lula. Impressionante a mudança de comportamento do Chuchu que passou de crítico ferrenho à aliado. Como nada na política é gratuito, precisamos entender as entrelinhas dessa parceria. Creio que para Alckmin se trata da única forma de se vingar de Doria. Ele saiu do PSDB porque não tinha espaço para concorrer ao governo do estado com Doria sendo o escolhido para disputar a presidência. O lado bom disso é que Alckmin enterrou sua vida política se está chapa não for eleita. Em São Paulo, o PSB sempre teve Márcio França como uma opção para qualquer coisa. Alckmin vai sobrar porque não tem como contribuir com o PSB.

Outra surpresa que tive hoje foi com uma declaração de Ciro Gomes sobre o protesto que as pessoas fizeram contra Lula no condomínio lá em Campinas. Ciro criticou o “cerco” que os “bolsonaristas” fizeram contra Lula. Ninguém o agrediu fisicamente, apenas o chamaram de ladrão como tem ocorrido onde quer que ele passe. O próprio Ciro tem atacado Lula com palavras contundentes e com sua postura fica parece que ele pode chamar o que quiser e as outras pessoas não. Ciro demonstra uma imbecilidade sem precedentes. Passou a vida toda sendo sacaneado por Lula e se acostumou a isso. Todo voo de liberdade que ensaiou esbarrou nas diretrizes do seu próprio partido que acredita mais em Lula do que em Ciro.

Mas, seria interessante atentar para um detalhe: fazendo um paralelo à campanha de Bolsonaro, não custa lembrar que chamaram-no de fascista, racista, homofóbico, instituíram a campanha do “ele não” e o caro foi eleito. Nós estamos fazendo a mesma coisa com Lula. “Lula, ladrão! Teu lugar é na prisão”, tem sido um mantra repetido inúmeras vezes por várias vezes por dia. Corrupto, chefe de quadrilha, ditador, cachaceiro, etc. completam os adjetivos, mas estamos longe de apresentar propostas reais. O sentimento que tenho é que as pessoas não estão enxergando que a política econômica de Paulo Guedes tem colocado o Brasil na direção certa, mesmo com toda intervenção do STF que, através de Alexandre de Morais, proibiu a redução do IPI. É preciso resgatar estes ganhos expressivos.

Finalmente, eu já falei sobre isso, mas não custa relembrar: em 2018 Bolsonaro teve 57.797.847 votos, equivalente a 55% dos votos válidos, ou seja, 105.086.995 eleitores. Esse quantitativo de eleitores disse NÃO ao PT, a Lula, a Haddad e a todos os candidatos que naquele pleito somaram 50 milhões de votos. Agora, as pesquisas eleitorais dizem que Bolsonaro tem 31% dos votos, ou seja, 32.576.968, de modo que o cara perdeu 25.220.876 votos, apenas pelo fato de Lula ser candidato. Como professor de métodos quantitativos, incluindo Econometria, gostaria muito de entender isso.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

INOCÊNCIA TRANSVIADA

Na minha visão, a maior dificuldade da esquerda vem da resistência em se atualizar. Observo as propostas que são colocadas e a impressão que tenho é que estamos vivendo nos anos 1980. Não consigo imaginar como ainda defendem a babaquice de “restabelecer a democracia a este país” quando esta é ameaçada pelo STF, dado o aparelhamento da justiça com nomeação de pessoas que vão julgar casos de políticos que os nomearam. O processo contra Alckmin por suspeitas de desvios das obras do Rodoanel saiu da justiça comum e foi para a justiça eleitoral para ser julgado por um procurador nomeado por Alckmin. Alguém sabe o desdobramento disso?

No contexto das inovações, a ONU, através do Conselho de Direitos Humanos, entendeu que o Lula não teve um julgamento justo, ou seja, que o julgamento de Lula foi imparcial, pois, segundo o CDH, os artigos 9,14, 17 e 25 do Pacto Internacional de Direitos Humanos (que fala de julgamento justo para todos os indivíduos) foram “desrespeitados” e, inclusive, estipulou um prazo de 180 dias para que o governo brasileiro adote as devidas reparações. Com base nisso, Lula declarou: “deviam tirar Bolsonaro e me botar”. Simples assim. Tenho certeza que se pedir a ONU ou ao STF ele é declarado presidente. Eu quase morri de rir quando li esse baboseira. Por diversos motivos, sendo o primeiro a grande ironia de que “direitos humanos” só enxerga “direitos” de bandidos mesmo. Então, em relação a Lula, agiram absolutamente de forma correta. Não custa lembrar que o CDH é composto por 47 membros regionais sendo 13 da África, onde o BNDES despejou dinheiro no governo Lula, por Cuba, Bolívia e México, pela América Latina, que são países governados por pensadores iguais a Lula.

A segunda questão que me ocorreu é que a ONU foi omissa no genocídio de Ruanda em 1994. O Conselho de Segurança, através de resolução que ficou conhecida como UNAMIR II, de 12/04/1994, diminuindo efetivo da tropa em Ruanda, que vivia num momento de instabilidade política, permitindo que hutus massacrassem 800 mil tutsis. Isso mesmo: 800 mil ruandenses morreram por pura inconsequência e covardia de ONU. Corpos eram jogados em valas ou nas estradas. No meu entender, depois do holocausto essa é outra vergonha da humanidade. É sempre assim: quando os interesses políticos se sobrepõem aos interesses humanos.

É preciso ter consciência que nenhuma prova da corrupção do PT foi criada por Sérgio Moro ou pela força tarefa da Lava Jato. Marcelo Odebrecht, no seu depoimento, deixou claro que o Departamento de Operações Estruturadas pagava propina e nas planilhas da Odebrecht Lula era conhecido como o “amigo do meu pai”. Quem criou isso não foi Sérgio Moro nem Deltan Dallagnol, mas, sim, a Odebrecht! E aí Lula diz que a Lava Jato quebrou o país. A Petrobras foi assaltada. Auditores Independentes se recursaram a assinar o balanço sem que a Petrobras reconhecesse o prejuízo causado pela corrupção e aqui eu faço uma critica veemente a estes profissionais porque balanços anteriores a 2013 foram auditados e com pareceres de auditoria independente. O complexo da Comperj deu um prejuízo de US$ 13 bilhões (coincidência da porra: 13). A Refinaria Abreu e Lima custou US$ 21 bilhões quando deveria ter custado US$ 2,1 bilhões e só está 75% concluída, trabalhando com 50% da sua capacidade (faça um estudo do impacto disso sobre o preço dos combustíveis).

Nesse vídeo, nós vemos um depoimento de Joesley Batista falando sobre o quanto transferiu para Lula. Eu só não consigo enxergar a presença de Moro ou Dallagnol com uma arma apontada para cabeça dele. Há outro vídeo de Moro explicando que apenas um diretor da Petrobras levou R$ 100 milhões em propina. Semanalmente, a Mega Sena arrecada R$ 6 milhões (desconsidere os prêmios acumulados) e isso significa que esse diretor ganhou o equivalente a 17 prêmios da mega sena. Dá pra entender isso? Estes fatos são incontestáveis.

E com isso, seguem-se alguns casos que devem ditar o ritmo da campanha: Primeiro, parece que Lula não vai mais para o segundo turno contra ele mesmo. Já tem pesquisas dizendo que ele é superado por Bolsonaro nas preferências eleitorais de São Paulo, no entanto, fiquei surpreso em saber que ele lidera no Sul e no Centro-Oeste. De qualquer forma, a coisa mais estranha é um líder nas pesquisas não ter coragem de ir para as ruas sem um público cativo. Ciro Gomes fez isso na feira de Agro em Ribeirão Preto e continua mostrando que não tem equilíbrio emocional para ouvir críticas. Partiu para agredir um eleitor de Bolsonaro, a quem chamou de corrupto. É bom lembrar que Bolsonaro teve 57 milhões de votos, ou seja, 57 milhões de eleitores. Mesmo tendo perdido 10%, o total de votos continua sendo maior do que a votação de todos os demais adversários. Além disso, eu acredito que ele ganhou eleitores que mesmo discordando de alguns dos seus posicionamentos, preferem não votar na esquerda.

Finalmente, ainda sobre Ciro Gomes, o ex-governador Flávio Dino criticou seu discurso contra Lula, dizendo que ele não ia atrair eleitores da direita. Está coberto de razão. O sonho de Ciro era chegar no segundo turno contra Bolsonaro, mas como eu disse acima: em 2018, 57 milhões de pessoas disseram não aos partidos de esquerda e viram nenhum centavo enviado pra Cuba, Venezuela ou outra ditadura amiga; nenhum centavo das obras, desenvolvidas no país, desviadas para empreiteiras e, estatais dando lucro anualmente. Não votar em Lula é um argumento fácil para quem tem bom senso.

Deixo aqui um desafio: nos governos do PT tinha Odebrecht, OAS, UTC, etc. como grandes empreiteiras fazendo obras para o governo e ganhando dinheiro via corrupção. Citem as empreiteiras que estão ganhando dinheiro no governo atual.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PROMESSAS VAZIAS

Eu tenho visto alguns pronunciamentos de pré-candidatos à presidência e muito tenho ficado surpreendido ao ver a capacidade de enganar a população com palavras arcaicas, anacrônicas e obsoletas. Basta um senso crítico imparcial para ver o quanto se aproxima de zero as principais propostas esquerdistas e diga-se: principalmente aquilo que vem de Lula.

Vi, recentemente, ele dizer que seria presidente para “reestabelecer a democracia nesse país”. Nitidamente, Lula se apoia num discurso do período do regime militar onde o sonho era a redemocratização do país, eleições livres para todos os cargos, liberdade de imprensa, uma Nova República, nas palavras de Tancredo Neves. No governo Figueiredo, último do regime militar, tivemos eleições diretas para governador e depois para prefeitos das capitais que eram cargos indicados pelo presidente. Marco Maciel foi governador biônico. Em 1982, a disputa pelo governo se deu, em Pernambuco, entre Roberto Magalhães e Marcos Freire. Voltei em Manoel da Conceição para governo e Bruno Maranhão para senador, candidatos do PT.

Desde 1989 que o Brasil escolhe, democraticamente, seus representantes. Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso (duas vezes), Lula (duas vezes), Dilma (duas vezes), Jair Bolsonaro, foram escolhidos de forma democrática pela maioria dos votos depositados nas urnas. A maioria dos eleitores escolheu, democraticamente. Você pode não aceitar a decisão, mas democracia é isso: decisão da maioria.

Desde 1989, com a promulgação da Constituição, os direitos individuais estão bem definidos no seu art. 5º e, é bom frisar, CLAÚSULAS PÉTREAS, ou seja, não podem ser modificadas por emendas constitucionais. A imprensa é livre, mas no meu entender a liberdade de imprensa atinge somente a “imprensa adversativa” que é aquela que diz “em 2021 o país cresceu 4,61%, mas os economistas dizem que esse crescimento é voo de galinha”. Esse pessoal diz e faz o que quer. Esse pessoal pede censura nas redes sociais e recentemente Alexandre de Morais (eu sinto ojeriza chamar esse cara de ministro), numa decisão monocrática proibiu o telegram no Brasil, sob a alegação de mensagens antidemocráticas. A internet tem pedofilia, tráfico de drogas, tráficos de mulheres, prostituição, etc.. vamos proibir a internet ou buscar os responsáveis por isso e penalizar? Vamos proibir os cursos de medicina porque tem médicos fazendo abortos? Vamos derrubar a casa para bota o inquilino ruim para fora?

Eu não costumo falar sem apresentar dados e fatos e por isso vou dizer aqui: a pior fonte de instabilidade desse país chama-se STF – Suprema Troca de Favores, um antro pior do que o Cabaré de Nita da minha querida Tabira. Os dados estão disponíveis nas estatísticas da suprema corte e quem quiser basta pesquisar e verificar se me afasto da verdade. De janeiro de 2010 a dezembro de 2021, o STF proferiu 1.129.334 DECISÕES MONOCRÁTICAS, contra 178.762 DECISÕES COLEGIADAS. Entenderam? Enquanto colegiado… aquilo não existe. Cada ministro é um TRIBUNAL individual que decide de acordo com a sua conveniência.

Acrescente-se que, aproximadamente, 80% do total de processos se referem a RE – Recursos Extraordinários ou ARE – Agravos de Recursos Extraordinários, denotando que a postura dessa corte é atuar como um órgão revisional de instâncias inferiores e não como um órgão constitucional conforme suas prerrogativas definidas no art. 102 da CF. Entre nas estatísticas e olhe a quantidade de processo de Ação Direta de Inconstitucionalidade que foram julgadas. Simplesmente ridículo a totalidade.

Se tiver interesse e for racionalmente imparcial, analise as decisões monocráticas que se opuseram as decisões colegiadas. Como exemplo simples: antes de 07/11/2018, prevalecia a prisão em segunda instância e o ministro Marco Aurélio soltou o assassino confesso da freira Dorothy Stang priorizando o tal “trânsito em julgado”. Decidiu monocraticamente contra uma decisão colegiada aprovada em 2016.

A condução coercitiva foi proibida no Brasil pelo STF depois que Lula a experimentou. Alegaram que isso viola o princípio constitucional de que ninguém é obrigado a gerar provas contra si. Longe da verdade essa opinião. O fato de ser levado para um depoimento não significa e nunca significará que o cidadão está gerando provas contra si. Ele faria isso num depoimento até mesmo dado de livre e espontânea vontade. O fato é que o cara é intimado a depor e alega problemas de agendas e “compromissos inadiáveis”. A polícia insiste e o cara não aparece. Um inquérito que tem 30 dias para ser concluído acaba sendo prorrogado porque o depoente não tem tempo para depor. A polícia nada pode fazer a não ser contar com a boa vontade do depoente.

Dito isso, diante da constatação de que as violações da democracia nesse país decorrem da ação do STF, eu pergunto a todos os candidatos que falam em reestabelecer a democracia o que, efetivamente, eles querem dizer com isso? Vão se insurgir contra o STF? Não! Vão aparelhar as instituições para que o conceito de democracia seja, única e exclusivamente, aquele que foram definidos pela ideologia. Apenas isso.

Quando eu falo do posicionamento que devemos ter em relação ao aparelhamento, não custa lembrar que ao longo de dois anos (repito: dois anos) a defesa de Lula apresentou 400 recursos ao STF no caso do Triplex. Gente, 400 recursos em dois anos foram atendidos, enquanto outros processos se arrastam morosamente há décadas. Consulte as estatísticas. O processo mais antigo do Brasil que tramitou no STF foi movido pela Princesa Isabel em 1895 e tratava da posse do Palácio da Guanabara. A princesa alegava que o imóvel pertencia à família e a corte entendeu que com o fim da monarquia a família perdeu privilégios. Simplesmente se passaram 124 anos para uma decisão final e os 400 recursos de Lula foram julgados em dois anos. Eu me assusto com isso.

A justiça não pode atuar por paixão ideológica. Decisões judiciais devem ser baseadas nos ditames da lei. Doar a quem doer. Se os processos contra Lula fossem julgados num país sério, ele estava na cadeia ou fuzilado. No Peru o presidente foi preso porque recebeu propina da Odebrecht. No Brasil, ele foi reabilitado para se colocar como candidato. Acho que é por isso que a World Justice Project (consulte os dados) coloca o Brasil em 112º em termos de segurança judicial. Estamos bem na fita. E podemos ficar melhor com o “tal reestabelecimento da democracia”. Com tudo respeito: vão para puta que os pariu.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

QUE BRASIL VOCÊ QUER TER?

As pessoas esquecem que um governo não é uma pessoa, mas um gabinete. O governo não é apenas o presidente. O governo incorpora o vice-presidente e os ministros, por exemplo, que formam o primeiro escalão. O governo Bolsonaro começou com dois nomes de reconhecimento internacional: Paulo Guedes e Sérgio Moro. Tarcísio Freitas era um mero desconhecido oriundo do governo Temer, mas se você for uma pessoa que se posiciona além das paixões ideológicas, vai perceber que ele dinamizou os investimentos em infraestrutura no país. Dentre tantas obras, uma ponte de 1,7 Km ligando o Acre a Rondônia, acabando com uma travessia que era feita via balsa e que demorava pouco mais de duas horas. Agora, bastam 5 minutos.

O setor de infraestrutura é muito sensível à corrupção. As grandes empreiteiras envolvidas na Lava Jato mostram, claramente, como uma obra de US$ 2,1 bilhões se transformou numa obra de US$ 19,2 bilhões, como é o caso da Refinaria Abreu e Lima que tem somente 75% concluída e trabalhava com 50% de sua capacidade. Até o momento eu não vi uma notícia sequer de empreiteiras beneficiadas nessas obras que Tarcísio tem realizado.

Mas, esse preâmbulo é para falar sobre uma pesquisa que vi essa semana baseada na seguinte pergunta: Que Brasil você quer ter? O de Lula ou de Bolsonaro? Eu não respondi a tal pesquisa, mas confesso que comecei a fazer determinadas comparações, não das pessoas Lula e Bolsonaro, mas do país nos seus respectivos governos. Elenquei alguns pontos e insisto em dizer: todos eles à luz dos fatos. Não tenho o interesse de defender A ou B, mas vamos a eles:

1) Durante o governo Lula (amplio para governo do PT) as estatais davam enormes prejuízos. Os Correios apresentaram prejuízo de R$ 2,3 bilhões nos governos do PT e em 2020 apresentou lucro de R$ 1,53 bilhões e, diga-se de passagem, desde 2018 que a empresa vem tendo resultados positivos. O Patrimônio Líquido passou de R$ 146,7 milhões para R$ 949,6 milhões, em 2020, representando um aumento de 547,31%;

2) O Postalis, fundo de previdência dos Correios, apresentou déficit de R$ 7 bilhões e em 2017 a operação “Amigo Germânico” da Polícia Federal apurou desvios de recursos do fundo a ponto de o TCU tornar indisponível os bens dos diretores. Uma aluna, sob minha orientação, defendeu uma dissertação, em fevereiro de 2019, que tratava da equalização do déficit de fundos de pensão. Os dados que cito aqui são desse trabalho, mas você pode pesquisar se quiser. Em julho de 2021 foi aprovado pelo conselho deliberativo o equacionamento do déficit de R$ 7 bilhões sendo 50% assumido pela empresa e a outra metade pelos funcionários. Os erros nesse fundo são inúmeros, desde a inserção de beneficiários até os desvios de recursos para fins políticos.

3) Os desvios de recursos de empresas públicas eram divulgados diariamente pelos jornais e esse tipo de notícia virou fumaça. Em nenhum dos ministérios se comprovou o beneficiamento de empresas privadas. Houve a denuncia da Covaxin, mas não houve pagamento por parte do governo e ao que parece ficou restrito a um funcionário que foi demitido.

4) Li, ontem, que há suspeitas de desvios de recursos do Exército na compra de cloroquina e entendo que deve ser apurado, muito embora fiquei extremamente desconfiado de isso tenha ocorrido, pelo seguinte: nos governos passados, onde havia corrupção generalizada, o Exército executou obras na BR 101 norte e DEVOLVEU dinheiro aos cofres públicos. Em inúmeras viagens até João Pessoa, vi os soldados trabalhando na BR e depois foi noticiado que houve devolução dos recursos. Ora, se antes o comportamento era esse, então o que mudou agora? Sou favorável ao esclarecimento. O TCU, infelizmente, sempre existiu durante os governos anteriores e não foi capaz de enxergar a corrupção generalizada. Eu oriento um aluno que é funcionário do TCU e perguntei a ele sobre isso. Ele respondeu: “Professor, a auditoria era feita onde mandavam”. Ou seja, se estavam roubando a Petrobras, então vamos fazer uma auditoria na Universidade Federal de Roraima. Não custa lembrar esse e-mail do subprocurador do TCU, Lucas Furtado:

Decididamente, o Brasil de Lula fez muito mal, pelo menos do meu ponto de vista, embora tenha interiorizado o ensino superior (começo a desconfiar de que o propósito era a educação, mas fica para depois). Não sei até que ponto vai o Brasil de Bolsonaro, que repito, não é um Brasil do presidente, mas de um gabinete composto por ministros que surpreenderam nas suas atuações. Agora, acho lamentável o que seguidores por ignorância ou desinformação fazem ao propagar certos comentários. Fiquei abobalhado com um que dizia que a 1ª Ministra do Chile tinha declarou a extinção das forças armadas, da polícia e estatizou empresas. O Chile tem um regime presidencialista e não tem primeira ministra. Acho que isso não é argumento para a construção de um Brasil melhor.

Finalizo dizendo duas coisas: a primeira é que o resultado da pesquisa sobre a pergunta mostrou que somente 8% preferem o Brasil de Lula; a segunda, Lula, ao que se sabe, passou a desconfiar das pesquisas que lhe botam no segundo turno contra ele mesmo.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS

Sempre que vejo na pauta de alguns candidatos a defesa de imposto sobre grandes fortunas, dá vontade de rir. O inciso VII do artigo 153 da Constituição Federal diz que compete à União instituir Imposto sobre Grandes Fortunas, na forma de lei complementar. Há 34 anos que isso está na constituição e a tal lei complementar nunca foi discutida, mas existe o PL 251/20 que diz que uma fortuna é aquele superior a R$ 50 milhões. Se faltar R$ 1,00 não é grande fortuna e o que vai ter de gente fazendo malabarismo para não pagar 2,% sobre a fortuna, não está no gibi. No caso de R$ 50 milhões tem-se R$ 1.250.000,00. Agora, o percentual é sobre a fortuna declarada ou sobre o que exceder R$ 50 milhões? Uma das questões que deve ser contornado é o caso da bitributação porque quem tem fortuna nesse patamar já paga imposto sobre a renda.

Eu acho que quem pode mais poderia contribuir com mais, no entanto, há caminhos mais viáveis e menos traumáticos. Em Economia a gente ensina a discriminação de preços como uma forma de aumentar lucros de uma empresa. O cinema vende meia entrada para ocupar as cadeiras. O filme é o mesmo, a sessão é a mesma, etc. e alguns pagam apenas 50% da entrada para entrar. Se não houvesse a meia entrada, a lotação da sala seria comprometida e o cinema poderia incorrer em prejuízo. Outro exemplo é a passagem em classe econômica em aviões. Tem gente com grana que prefere entrar primeiro, prefere a classe executiva, mas o voo é o mesmo para quem viaja na classe econômica, pois o serviço é o mesmo, a tripulação é a mesma, enfim é tudo igual. Alguns sentam nas cadeiras da frente e outros não. Pode ser que na classe executiva o cara tenha whisky, mas o que importa é sair e chegar.

Eu não acredito muito que tal imposto passe a prosperar no Brasil. Se temos 34 anos de constituição e isso não saiu do papel, acho muito difícil, principalmente porque o congresso é eleito pelas grandes fortunas. Mas, esse tema é uma grande pauta e uma forma de demonstrar a real preocupação é criando um fundo no qual as pessoas, por livre e espontânea vontade, doariam 10% da sua renda bruta (aquela declarada no imposto de renda) para esse fundo implantar políticas públicas de redução de pobreza.

Esse pensamento socialista é cruel. Não valoriza a história de vida dos empreendedores. Na BR 232, na cidade de Gravatá, sentido Recife, na década de 1970, dois irmãos vendiam coxinhas. Os ônibus vindos do interior para o Recife paravam na descida da Serra das Russas e eles entravam nos ônibus com caixas de isopor com coxinhas. Trabalharam duro e com esse trabalho compraram uma casinha para instalar a produção e a coisa deu tão certo que hoje eles criaram uma marca (Rei das Coxinhas) e atendem em várias rodovias, inclusive em outros estados. É lamentável ver essa pessoa como um opressor do trabalhador assalariado e talvez sua fortuna não chegue no nível de tributação, mas o exemplo deveria ser seguido. A Economia cresce com produção, com trabalho.

Uma jovem dona de casa, residente na região metropolitana do Recife, um dia pensou em fazer alguma coisa para aumentar a renda familiar. Sem muita inspiração, chegou no Ceasa e aí comprou um pacote de colorau, comprou saquinhos plásticos e passou a vender colorau em pacotes de 100g. Hoje ela tem uma empresa, emprega pessoas e vive da renda do seu trabalho. Esse tipo de opção não passa na cabeça de alguns. Pessoas que nunca “bateram um prego numa barra de sabão” começaram a colocar na cabeça de outras pessoas menos afortunadas que a forma de reduzir desigualdades é tirando dos outros. Não se predispõe a ensinar o cara a ser empreendedor. Na música Vozes da Seca, Luiz Gongava diz: “mas, dotô uma esmola para um homi que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Eu acho que ensinaram viciaram sem se preocupar com a vergonha.

Não se trata de negligenciar uma demanda tão séria. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo e o imposto aqui é infinitamente ineficiente porque gasta-se muito para fazer muito pouco. Em 1996, Adib Jatene, Ministro da Saúde, propôs a criação da CPMF que importava em debitar 0,38% de qualquer saque que fosse feito em contas correntes de pessoas físicas e jurídicas, sendo os recursos destinados à saúde. Foram arrecadados, por ano, aproximadamente R$ 32 bilhões e apenas nos dois primeiros anos o dinheiro foi destinado para a saúde. FHC utilizou os recursos da CPMF para cobrir despesas, ou seja, a CPMF foi tratada como um imposto comum com a vantagem de ser simples de arrecadar e não ser possível sonegar. No governo Lula a CPMF também foi usada como arrecadação comum e em 2010 foi extinta, pelo congresso. Se melhorassem alguns procedimentos, a arrecadação teria mais qualidade.

O fato é que precisamos de um novo sistema tributário. Não tem como incentivar produção e geração de emprego com uma empresa pagando um salário de R$ 1.500,00 e tendo um custo de R$ 3.000,00 com o trabalhador. Precisamos reduzir desigualdades? Claro! Agora, dinheiro fácil e sem esforço é muito bom. Ter um cartão do governo que me permite fazer um saque por mês sem que eu preste qualquer serviço em troca…É muito bom! Não dá nem vontade de entrar no mercado de trabalho pra não perder o “benefício”. Sabe aquele cara que chega na tua porta pedindo um trocado e você o convida a limpar o mato do quintal para ganhar R$ 30,00? Ele diz: “vou buscar as ferramentas” e nunca mais aparece. É com parte de pessoas assim que estou me referindo. Duvido que você não tenha outros exemplos semelhantes.

Tratemos, pois, sem demagogia. Na hora que um bilionário perceber que seu dinheiro está sendo desviado para fins não propostos na lei… muitos congressistas perderão seus postos.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

EDUCAÇAO E CULTURA: PALCO PARA DOUTRINAÇÃO?

Na qualidade de professor universitário, eu me recuso a ensinar a meus alunos ter ódio do mercado e da iniciativa privada. Meu dever, já disse outras vezes, é ensinar meu aluno a pensar, a decisão que ele tomar é responsabilidade dele porque cada decisão nossa afeta, primeiro, a gente mesmo. Quando professor de ensino fundamental e médio, lá por volta dos anos de 1980, era filiado ao PT e tinha um comportamento crítico em relação a desigualdades sociais, educação, mas nunca impus a nenhum aluno a aceitação integral das minhas ideias. Naquela época, o PT era visto como um partido comunista e muitos pais tinham receio dessa aproximação. Eu falava de política, também, em minhas aulas e fora delas.

Essa fase parecia bastante contraditória porque eu era funcionário de um banco. Trabalhava no banco durante o dia e a noite ia dar aula num colégio estadual. Enquanto bancário era responsável por operações especiais – um nome bonito para designar o monte de abacaxis que eu descava, desde projetos do BNDES até renegociação de dívidas, passando por operações do setor público, conhecidas como ARO – Antecipação de Receitas Orçamentárias. Na área de projetos, eu colocava a geração de emprego direto como uma prerrogativa de liberação de crédito. Se não houvesse geração de emprego, não tinha crédito. Eram recursos do BNDES e hoje quando vejo o que o PT fez, fico puto. Bilhões de reais emprestados e nenhum emprego gerado aqui.

Mas, essa introdução serve para chegar nessa questão da educação e cultura como ambientes propícios a propagação da doutrinação. Ressalto que fiz um pequeno ajuste no texto para inserir um comentário baseado na coluna de Constantino publicada hoje no JBF. Começo dizendo que numa reunião de pais e filhos na escola, a quadra lotada com pais de alunos e professores, a diretora fez um discurso veemente sobre o papel e a importância da escola pública na vida dos alunos e da sociedade. Tive a grata satisfação de ser citado por alguns pais pelos comentários que seus filhos faziam sobre mim e isso me induziu o desejo de falar. A diretora passou-me a palavra e eu disse: “Rosa, diga aqui, com toda sinceridade, o nome da escola que seus filhos estudam. Gostaria também que alguns professores o fizessem.”

Não preciso dizer que ela, e demais professores, me fulminaram com o olhar, mas o que eu queria dizer, e disse, era que os filhos de nenhum deles eram alunos de escola pública. Que a escola pública era para os filhos daqueles pais e se o diretor da escola pagava escola para o filho é porque não acreditava na qualidade. Disse, claramente, que muitos ali estavam preocupados com o dia do “contracheque”, que tinha professor que deixava exercício copiado no quadro e ia para casa assistir a novela Roque Santeiro e tudo mais. Obviamente, atrai a reprovação de alguns colegas que vieram me questionar posteriormente. Mas, nunca retirei uma palavra do que disse. Na escola, acho que era o único cara não sindicalizado. Fizemos uma greve e eu me recusei a parar, mas não pude continuar dando aula porque a escola fechou, o local era perigoso e eu não poderia ser responsabilizado pela vida dos alunos.

Naquela época a doutrinação era relativa ao governo militar. Falava-se muito sobre condições salariais, condições de trabalho, piso para a categoria, criticava-se o governo Roberto Magalhães por ele ser a ARENA, mas eu digo com todas as letras: a educação que tive em escola pública foi melhor do que a que vivenciei como professor. E a diferença temporal era de 10 anos somente.

Na universidade, existem sim os cursos que são voltados para essa carga de ódio. Fui ensinar Microeconomia e Macroeconomia numa turma de Ciência Política e a pandemia era um prato formidável para explicas essas duas disciplinas. Eu não sou muito favorável a exemplo de livros e uso muito exemplos reais para explicar conceitos. Daí uma aluna de 18 anos fez uma crítica intensa sobre o liberalismo econômico. Depois que ela falou, eu perguntei: “Fulana, quem gera emprego na economia?”. “O governo!”. Daí eu disse que ela estava enganada porque o governo só gera emprego quando faz concurso público. Perguntei onde os pais dela trabalhavam. Ambos na iniciativa privada e aí disse: “É exatamente assim. Quem gera emprego é a iniciativa privada”.

Por isso, no final do texto de Constantino ele cita a possibilidade de mudança dessa conjuntura, mas eu não vejo assim. Tem aquela frase famosa de Pitágoras “se não quiser sofrer no futuro, eduque-se as crianças”. Não dá. As crianças estão sendo educadas por sentimentos menores. Não faz muito tempo uma professora gaúcha foi afastada pelo teor de ódio que transmitia a alunos. Desejou a morte de bolsonaristas por covid-19. Isso pode não ser maioria, mas é intenso. Há algum tempo eu me propus ajudar uma pessoa a se submeter na seleção de um mestrado e liguei para um professor do programa em busca de dicas. Ele disse: “Maurício, se a candidata não for marxista, leninista, trotksita, etc.. não adianta: ela não entra. Pode ter o melhor projeto”. O projeto era bom. Era a aplicação de uma técnica chamada Multicritério para tomada de decisão. Eu ajudei nas contas e vi que tinha ali um bom argumento.

Na cultura, o campo também é vasto e essa briga entre artistas e o presidente todo dia se avoluma. Há artistas que preferem trabalhar essa questão política, no entanto, como isso é mutável, parte da obra fica no ostracismo. Quantas vezes você ouviu nos últimos 5 anos a música Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré? E Apesar de Você, de Chico Buarque? Quem conhece Taigura e suas músicas? A última vez que vi Taigura foi no Centro de Convenções, em 1990, com 50 pessoas na plateia e um cara saiu do espetáculo dizendo ter ido ouvir músicas e não protestos políticos. As músicas que embalaram protestos nos pós 64, não se adequam a mudança da sociedade. De repente, a arte passou ser estilingue, uma faca amolada.

Engraçado é que mesmo num regime militar, a arte, a música, tinha uma conotação de povo uno. Lembro bem da música Nos Bailes da Vida, de Milton Nascimento-Fernando Brandt, quando diz: “Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão, todo artista tem de ir, onde o povo está”. Não é mais assim. O artista agora vai dependendo da preferência política do povo. Chico Buarque concedeu direito de uso de umas músicas para apresentação em teatro e numa dessas o cara fez uma crítica a Lula. Chico cancelou a autorização. Caetano disse “é proibido, proibir” e não vejo liberdade de expressão.

Tristemente eu entendo que desvirtuamos tanto a educação quanto a cultura. Os resultados da educação no Brasil são vistos no exame do PISA, no qual todo ano o Brasil leva uma pisa. Ainda tristemente, lembro de um do slogan de uma campanha de trânsito na década de 1970: “Não faça do seu carro uma arma. A vítima pode ser você”. Tenho profundo receio de ver que fizemos da educação e da cultural, uma arma letal, ao invés de um instrumento contundente de mudança social.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PASSAPORTE VACINAL

O Brasil está dividido entre cientistas e reacionários. Tudo começou em 2020 com a pandemia. A ciência foi usada exaustivamente para permitir que fosse distribuído crachá de cientistas para uns e de imbecis para outros. Particularmente, registei momentos nos quais a ciência poderia ter se imposto de forma apartidária, mas não foi isso que ocorreu. Apenas para citar um caso: pesquisadores do Amazonas fizeram uma experiência com 81 pacientes dando 1200mg de hidroxicloraquina duas vezes ao dia, replicando (agora vai Roberto Cappelletti) uma experiência realizada na China que matou pessoas. Aqui morreram onze, ou seja, já se sabia que essa dosagem diária de HCQ matava pessoas, mas a ciência ficou em dúvida e resolveu contribuir matando mais onze. Ninguém foi punido e até onde sei não houve autorização dessas pessoas para participar dessa experiência. Lembro que seria aberto um inquérito, mas no Brasil é não quer dizer nada. Não há cientistas presos.

A ciência poderia ter desenvolvido a racionalidade dos governantes, mas não me parece que isso tenha sido atingido. De modo amplo, ainda se usa uma série de procedimentos que violam o raciocínio mais simples, mais lógico, a exemplo do tal passaporte vacinal. Recentemente, através de decreto, o governo de Pernambuco impôs a necessidade de apresentação do passaporte vacinal para entrar em restaurantes, praça de alimentação, dentre outros. No fundo, acho que todos os governos que fazem isso cometem um grande equívoco porque, de acordo com um estudo feito pela Fiocruz, 48% das contaminações de Covid ocorrem nos terminais de transporte público, 22% ocorrem em hospitais, ou nas suas proximidades, e em atividades como restaurantes, o risco de contaminação é 2,2%. Ou seja, pune-se a atividade por um risco tão baixo, enquanto nada se faz no transporte público.

Não precisa ser cientista para entender que o transporte urbano foi, é e será, o foco principal de transmissão de covid. O metrô do Recife transporta 400 mil pessoas por dia; o transporte público da cidade de São Paulo absorve 7 milhões de pessoas; do Rio de Janeiro, outro tanto. Um estudo de uma universidade inglesa visitou academias 62 milhões de vezes, em 14 países, e encontrou 497 casos de covid, ou seja, uma proporção absolutamente desprezível. Mas, por conta de 2,2% de risco foram adotadas por diversos governos mais medidas de restrição as atividades econômicas.

Em 2020, com a suspensão das atividades econômicas “até que a curva achatasse” comentei sobre os danos e o impacto que teria para nossa economia que apresentava sinais de otimismo. A Bolsa bateu 113 mil pontos, houve um crescimento econômico pequeno (1,1%), mas houve. Enfim, havia uma série de indicadores que preconizavam melhoras. Fui ensinar Macroeconomia numa turma de Ciência Política e o que a gente estava vivendo era o melhor programa para ser apresentado. Mostrei que inflação ia crescer por falta de insumos, de renda, de desemprego e tudo mais. Foi assim e está sendo no mundo inteiro. Os americanos experimentaram uma inflação de 7%. Na Alemanha, a Destatis (a agência de estatística) comunicou uma inflação de 24,2% ao produtor. Então, não fica a menor dúvida de que a suspensão da atividade econômica tem uma enorme responsabilidade sobre isso.

Estamos diante de fatos inusitados. Todos nós tomamos vacina contra poliomielite, sarampo, catapora, tuberculose, tétano, etc. e todos nós mantemos o cadastro de vacina dos filhos atualizado. Então, me parece que não é a vacina… é esta vacina que tem algo estranho e que a gente não pode comentar sob o risco de ser taxado de “minion”, “gado”, “negacionista” e outros adjetivos menos qualificados. A vacina da poliomielite erradicou a doença e Albert Sabin abriu mão dos direitos para que houvesse agilidade na aplicação da vacina no mundo inteiro. A quantidade de pessoas que se vacinaram contra poliomielite e que pegaram a doença, se existir, é irrisória, ao contrário da vacina contra covid. Até o momento não vi um laboratório falar em abrir da grana que está recebendo por essa vacina.

A gente tomava vacina para não ter a doença, mas esta é diferente: a gente toma para que os efeitos da doença sejam minimizados. Eu acho absolutamente estranho quando se fala que a vacina diminui os efeitos da variante ômicron. Ué!!!! Mas, eu não lembro de ninguém que tomou vacina contra tétano para que os efeitos do tétano fossem reduzidos. Tomava para não contrair tétano. Vacina é isso: prevenção!

Assim, o que nós estamos vendo são pessoas vacinadas contraindo a doença e acredito que a sociedade precisa saber, por exemplo, quantas pessoas vacinadas foram contaminadas? Pessoas que contraem a doença duas ou três vezes se deve a quê? Qual o perfil das pessoas que morreram por covid? As pessoas contaminadas atualmente possuem comorbidades? Quais? É dito que a vacina tem ajudado a reduzir o número de óbitos, mas existem trabalhos que avaliam a autoimunidade?

Eu sou defensor da ciência, mas eu gosto da ciência apartidária. Não simpatizo muito com quem pega a Economia para favorecer um partido político ou um projeto político, embora saiba que isso é muito difícil de separar porque a Economia é decidida por pessoas. Eu quando oriento um aluno digo sempre que a Teoria está dada e que se os resultados que a gente encontrar não forma de acordo com a teoria, a culpa não é dela e não vamos adequar a Teoria aos nossos dados. Vamos rever se estamos fazendo os pressupostos corretamente.

Enquanto tivermos a contenda do tipo cientista x imbecis negacionistas, nós vamos ter doenças e mortos. Vamos ter incoerência como essa do passaporte vacinal que é um desses casos que vai de encontro ao que diz a teoria e da forma que está sendo tratado, em pouco tempo será exigido passaporte vacinal para assistirmos enterros de pessoas vacinados.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CIÊNCIA E PSEUDOCIÊNCIA

Recebi essa semana uma mensagem num grupo de amigos, professores, um cartaz em duas colunas. De um lado o que era ciência e seus atributos, dentre os quais, a investigação séria, os resultados doa a quem doer, em suma: a busca de respostas pela investigação. Do outro lado a pseudociência, dentre os principais argumentos que ela se respalda no resultado, ou seja, parte do resultado para a investigação, no caminho inverso da lógica, partindo da tese para as hipóteses.

De cara vi o viés político e fui logo deixando claro que a pseudociência foi cunhada no Brasil, a partir de 2020, por conta do governo atual. Com toda franqueza, a expressão mais babaca que eu conheço é “negacionista”. Desde que o mundo é mundo, uma penca de gente nunca acreditou na existência de Deus e estes caras nunca foram chamados de negacionistas. São chamados cientistas. Mas, voltando ao foco da questão, apresentei vários argumentos para mostrar que pseudociência não existe.

O primeiro é que nenhum pseudocientista publica artigos cujos dados sejam falsos ou os resultados sejam errados, porque quando se escreve um artigo (paper) para uma revista, esse trabalho é encaminhado a pareceristas que vão analisar a coerência do trabalho, a metodologia, os resultados, a possibilidade de reaplicação. A CAPES fornece uma relação de revistas com a classificação por área. Por exemplo: as melhores revistas são A1, A2, B1, B2. Uma revista pode ter um “qualis” A1, em Economia e A2 em contábeis. As demais revistas, C, D, já não são tão procuradas porque pesam menos, pontuam menos nos currículos dos autores e na avaliação do programa.

A segunda questão é que pseudociência não consegue recursos para financiar pesquisas falsas. Um projeto de pesquisa é uma caixa de surpresa. O pesquisador tem, em teoria, o que pode ocorrer numa determinada experiência. Mas, uma coisa é você fazer experimento num laboratório e outro no campo, na prática, sem o ar condicionado do laboratório, sem vento, sem o sol a pino, etc. É natural que seja assim porque se o resultado já fosse previamente sabido, não precisava a pesquisa. Em sã consciência, nenhuma empresa privada colocaria dinheiro numa pesquisa inócua. A empresa pública é mais possível porque gestores públicos, principalmente ocupantes de cargos eletivos, estão pouco se lixando para retorno econômico de projetos.

A terceira questão é o pseudocientista não publica artigos científicos em congressos, simpósios ou seminários. De modo igual, trabalhos submetidos a esse tipo de evento também passam pelo crivo de uma comissão científica e resultados questionáveis não são aceitos. Agora, existem fatos que mancham a ciência e que nos mostra o quanto ela está subordinada ao poder econômico. Então, essa conversa de que a ciência mostra resultados doa a quem doer, não passa de uma balela. Nenhum pesquisador é burro suficiente para denotar um financiamento de pesquisas. São inúmeros os casos nos quais um remédio vai para o mercado, chancelado por uma pesquisa, mas sua aprovação foi feita à base de manipulação de dados e de resultados.

Existem casos vergonhosos na academia. Um deles chama-se Alexandre de Morais. Esse cara fez um doutorado na USP. Passou quatro anos obtendo créditos, qualificou um projeto de pesquisa avaliado por uma banca, fez a defesa de uma tese perante uma banca composta por cinco membros e sua tese era que “os indicados para o STF não deveriam ter ocupados cargos no governo”. Todos sabem que Alexandre de Morais saiu do ministério da justiça para o STF. Ou seja, um total desrespeito ao que defendeu. Essa tese deveria ser jogada no lixo e o título dele cassado pela CAPES.

A ciência deixou muito a desejar durante essa pandemia. Nunca ninguém apresentou qualquer argumento para o caso da África que apresentou menos mortes do que as demais regiões do mundo. Muita gente apregoou que a reduzida taxa de óbito era fruto da ivermectina aplicada desde 1997 na população, mas ninguém, nenhum cientista se debruçou para avaliar isso. O motivo é simples: grana para pesquisa. Quem é maluco de analisar uma possível solução? Vai que a causa de poucos óbitos era o remédio mesmo….

Criou-se, no Brasil, essa postura dos “afirmadores” contra os “negadores”. Os primeiros são os donos da verdade, os inteligentes e os outros são a escória que atrapalha. A gente olha o papel da imprensa e fica chocado. Repórter que foi censurado, defendendo banimento de pessoas das redes sociais. Ontem a revista carta capital (minúsculo mesmo) publicou um comentário de Guedes dizendo não acreditar nas pesquisas. A revista dizia que “Guedes reconhece o que o Brasil está num atoleiro durante sua gestão”. Mino Carta vivia aonde entre 2010 e 2018?

Eu tenho dito com muita frequência, não como defesa de Bolsonaro, que não acredito nossos resultados das pesquisas apresentadas por razões simples, sendo uma delas matemática. Bolsonaro teve 57 milhões de votos de pessoas que não votariam, de modo algum, em candidatos de esquerda. Essa votação equivale a 54% de modo que tivemos 105 milhões de votos válidos. Dizer que ele tem 22% dos votos, significa dizer eu ele teria 23 milhões de votos e, portanto, 34 milhões de pessoas antipetistas não votariam nele para votar em Lula. Se você quiser acreditar nisso, tudo bem.

Mas, durante a pandemia eu vi muitos pesquisadores, renomados, ter o áudio cortado, a entrevista interrompida, etc. porque discordou do entrevistador. Essa semana eu vi um vídeo de Vera Magalhães induzido que o entrevistado para ele criticar Bolsonaro e o que ouviu foi que a pandemia ter causado mortes no Brasil independente de que fosse presidente. De repente cada repórter passou a ser cientista laureado com o prêmio Nobel.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

XADREZ POLÍTICO

Há muitos anos eu ganhei um livro intitulado Otimismo em Gotas. Era feito de frases incentivadoras e tinha pensamentos de filósofos como Platão, Sócrates, Voltaire, Sartre e tantos outros. Lembro-me de uma frase que dizia: “A mosca é um animal político. Voa do monturo para a sala e vice-versa.” Quem definiu o Homem como animal político foi Aristóteles e olhando a cena política atual no Brasil acho que só faltam as asas porque do monturo para sala, e vice-versa, é notório que nossos representantes são capazes de voar.

Não há dúvida de que o interesse pessoal sempre vai sobrepor o interesse da coletividade. O político não pensa na sociedade, ele pensa primeiro na eleição, nos votos necessários para coloca-lo na “cadeira”, seja ela qual for. No meu entendimento, temos um sistema eleitoral ultrapassado. O tal quociente eleitoral tira do jogo candidatos com votação extraordinária para colocar outros de votação medíocre como Jean Willys que teve 20 mil votos e foi eleito deputado federal graças a votação de Chico Alencar. O suplente de senador não recebe um voto sequer. São indicados pelo candidato e não escolhidos pelo povo.

O sistema tem muitos males, mas acho que o maior chama-se partido político. Em torno deles apinham-se pessoas interessadas no corporativismo, no fundo partidário, no fundo eleitoral e são pessoas que não enxergam roubos dos pares. O conselho de ética é formado por deputados e senadores sem ética e não sei se há exceções. Eu vejo o movimento de políticos em torno de cargos, de composições e fico pasmo com a cara de pau e com a leniência do povo brasileiro. Parece que a gente gosta de ser roubado apenas para dizer que fomos roubados. Nesse sentido resolvi fazer um resumo de fatos ocorridos no Brasil com o intuito de demonstrar que não adianta ficar reclamando e continuar votando em bandido.

O senador Fernando Bezerra Coelho entregou o cargo de líder do governo no senado porque recebeu apenas 7 votos para a vaga no TCU. Moro, então no ministério da justiça, foi contra a indicação dele para líder e chegou a lembrar de que FBC tinha processos por corrupção e que não seria bom para o governo começar dessa forma. Voz vencida e FBC ficou foi no cargo até receber os 7 votos para TCU, ou seja, um cara com a ficha suja queria um cargo – vitalício – num órgão responsável pela apuração de desvios de recursos. Nada como botar a galinha para tomar conta do galinheiro.

Mas, acho que a falta de descaramento global vem da possível aliança entre Geraldo Alckmin e Lula. Recentemente, rebatendo Fernando Haddad nas redes sociais o nobre Geraldo Alckmin, conhecido como “Picolé de Chuchu”, declarou o seguinte: “Caro Fernando Haddad, não é o meu partido que é comandado de dentro de um presídio. Nem minha campanha foi lançada na porta de penitenciária….”. Essa frase foi dita em 2018. Se voltarmos a 2006 vamos encontrar outras pérolas de Alckmin contra Lula. O que foi que mudou? Para Alckmin ser vice-presidente é o maior troco que ele pode dar a João Doria. Ele como vice-presidente sufocaria Doria que ao sair do governo de São Paulo vai perder seu emprego público. Para Lula, contar com o carisma que Alckmin tem em São Paulo seria fundamental para vencer a resistência dos paulistas em relação ao seu nome. As pessoas votariam nele pelo seu vice. É difícil engolir um troço desses.

A entrada de Sérgio Moro no Phodemos vai trazer alguns constrangimentos para ele. O cara já chega falando de “prisão em segunda instância”, mas isso não passa porque quem faz a lei são os caras que roubam e nenhum deles vai atirar no próprio pé. Quando em 2017, o STF estava julgando essa matéria, Lewandowski, pensando no seu bandido de estimação, votou contra e foi logo avisando que era cláusula pétrea. Não precisa nem mudar a constituição para resolver essa questão. Usa a matemática. Muitas vezes a gente tem uma curva num referencial e a gente não consegue identificar que curva é, então a gente muda o referencial (rotação, translação ou ambos) e pronto. Então, muda o referencial do trânsito em julgado para a segunda instância. Basta aprovar que o trânsito em julgado ocorre após o julgamento da segunda instância. Pronto.

Todo mundo sabe que entre a segunda instância e o trânsito em julgado só tem recursos protelatórios para manter o cara fora da cadeia. Paulo Maluf foi condenado em 1995/1996 e só foi pra cadeia em 2015. Pimenta Neves matou a namorada com dois tiros, em ano 2000, e só foi para cadeia em 2012. Putz! O cara matou. Ele confessou que matou, mas espera-se o trânsito em julgado para que a justiça se convença de que o cara matou mesmo. Aí entra o STF com suas decisões incríveis para dizer que o cara não matou: a moça é que ficou na frente das balas. O STF anulou todas as condenações da Lava Jato. Marcelo Odebrecht disse que houve roubo, Palocci disse que houve roubo e o STF disse “quem é isso? de onde vocês tiraram a ideia de que vocês roubaram? O juiz da primeira instância era imparcial, então essa provas de roubos são miragens. Vocês são inocentes e parem de dizer que vocês roubaram senão serão processados por calúnia e difamação. Onde já se viu? Uma pessoa ter a coragem de se difamar publicamente!”.

Não custa lembrar que Lula foi condenado por 13 juízes. Até o STJ apenas reduziu a pena dele para um período semelhante à condenação de Moro e os caras falam da imparcialidade do juiz de primeira instância. Mas, é bom esclarecer que Lula não é INOCENTE como se diz. O processo dele foi para outra vara, apenas para beneficiar com a prescrição por conta da idade. As pessoas tem o hábito de manipular as palavras para enganar o povo. Vamos há dois casos:

1 – A PF deflagrou uma operação no INEP por conta de beneficiamento das gráficas que imprimem as provas do Enem. Uma servidora ganhava R$ 7,5 mil e o filho tinha uma Ferrari e um Porsche. Pelo que se sabe, a mulher levou uma “comissão” de R$ 5 milhões. O deputado Paulo Pimenta, do PT, imediatamente falou sobre a corrupção no governo Bolsonaro. O filho da puta não teve a coragem de dizer que o período investigado era de 2010 a 2018, quando Dilma esteve no poder.

2 – Ciro e Cid Gomes foram alvos de ações da PF. Lula foi solidário com eles. E Ciro, que atualmente, chama Lula de ladrão, agradeceu e acusou o governo atual, embora a ação seja fruto das obras da Copa de 2014. Ciro não consegue convencer ninguém com seu discurso porque é meio biruta (aquele funil de pano que usa para saber a direção do vento), ou seja, fica ao sabor do vento e dos interesses imediatos. O PDT trabalha para não ter candidato a presidente e publicamente diz outra coisa. Ciro foi isolado pelo PT o tempo todo. Em 2018 foi o ápice.

O Brasil não vai sair desse esgoto a céu aberto com este modelo político. Acho que precisamos repensar muita coisa. Experimentar coisas diferentes. Candidaturas avulsas, por exemplo. Tem muita gente boa que poderia mudar muita coisa, mas que não se sente a vontade quando tem que conviver com ladrões. Enquanto isso o xadrez político vai continuar levando políticos para o xadrez, mas o STF que temos ele sai da cadeia rapidinho.