MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

SE FICAR O BICHO COME

É senso comum de que uma guerra é uma forma de trazer crescimento econômico e tudo indica que a crise mundial de 1929, conhecida nos meios econômicos como A Grande Depressão, foi resolvida assim, principalmente no caso da Alemanha. A segunda guerra matou 6 milhões de judeus. Os nazistas se apossaram dos seus bens. Empresas dos judeus passaram para as mãos de alemães. Roubaram as joias, depositaram dinheiro nos bancos suíços e, principalmente, colocaram os judeus para trabalhar nas suas fábricas. Trabalho escravo, sem um centavo de salário, apenas um sopro de esperança ao alcance do dia seguinte.

No pós guerra, em 1948, veio o Plano Marshall que foi uma ajuda americana destina a reconstrução de países e a Alemanha, Ocidental, soube aproveitar e desde então se tornou essa potência econômica de hoje. Em seu favor, sua extraordinária capacidade tecnológica e a qualificação da mão-de-obra. Outras guerras mais localizadas, como as do Oriente Médio, também trouxeram seus impactos econômicos. Mesmo em épocas de guerras, os países mantiveram atividades econômicas. Os bombardeios visam, em principio, alvos militares.

Com essa guerra provocada pela pandemia do covid-19, o mundo todo buscou conter a contaminação pelo isolamento. A China, numa semana perdeu 60% da sua produtividade. A Itália fechou seus acessos, mas não conseguiu conter a quantidade de mortes, até maior do que na China, origem dessa desgraça toda. Em todo mundo as medidas restritivas reduziram a atividade econômica e ameaçam empregos de forma mais ou menos intensa dependendo da estrutura de cada país.

O que se discute no Brasil, de forma altamente ideológica, é a manutenção do isolamento e o consequente afundamento da economia ou se libera a economia com os riscos de se ter crescimento no número de óbitos. O vírus tem um período de incubação de 14 dias e no quinto dia já se tem sintomas. Então, isso poderia ser um instrumento de mapeamento dos casos em cada cidade do país. As secretarias municipais poderiam abrir fichas de acompanhamento e controle, a ser preenchido de casa, com informações que identificassem o status de saúde do cidadão. Se fosse identificado o conjunto de sintomas do covid-19, se faria uma ação direcionada.

Hoje todo mundo tem consciência do potencial de contaminação do vírus. Ele não escolhe por idade, sexo, religião, cor dos olhos, renda familiar, grau de instrução, nada disso. Qualquer nome de A a Z é um potencial hospedeiro. O que se sabe é que pessoas idosas correm mais riscos, assim como aqueles que sofrem de alguma patologia como diabetes, cardiovascular, fumantes, etc. A doença pode matar jovens também? Claro! No Rio de Janeiro um jovem de 26 anos morreu, mas um repórter no Piauí, de 37 anos, está curado. Teve um funcionário do FMI, praticante de esportes, que morreu aos 29 anos, mas Preta Gil declarou hoje que está curada.

As pessoas estão perdendo o foco da questão e perguntando “qual membro de sua família você quer que morra?”. Ninguém, em sã consciência escala um parente para morrer, mas estão colocando as coisas como se fosse A Escolha de Sophia, onde a gente teria que optar pelo sistema econômico ou pelas mortes de parentes ou até mesmo a nossa. Cabe observar o que foi feito no mundo para uma decisão, mas da forma como a imprensa tem tratado o problema não me parece que as pessoas sejam capazes de formar opinião.

Existe uma exploração política orquestrada. Por exemplo: Rodrigo Maia, conhecido como Botafogo nas planilhas da Odebrecht, quer exatamente isso: botar fogo no país, numa espécie de governo paralelo. Recentemente ele disse que a pressão para abrir a economia era oriunda dos aplicadores da Bolsa de Valores, dando a entender que se tratava de um beneficiamento à elite. Ele desconsiderou a pressão dos comerciantes, hoteleiros, vendedores ambulantes que trabalham nas praias e foi incapaz de lutar pela liberação do Fundo Partidário para ajudar a economia. Os partidos precisam desse valor para fazer propaganda da quantidade de vidas, ou de empregos, que eles poderiam ter ajudado a salvar, mas não o fizeram.

No bojo das discussões cobra-se apoio do governo, ou seja, querem que o governo pague todos os salários das empresas que estão sem faturamento. O governo dos Estados Unidos vai colocar US$ 2 trilhões para atender a economia e seria extraordinário se a gente tivesse essa capacidade. Não tem. Temos déficit orçamentário porque este país foi, exaustivamente, roubado. Apesar disso, o governo anunciou um pacote de medidas que visam micros e pequenas empresas, trabalhadores autônomos, visam garantir empregos. Não sei qual será a dimensão do sucesso, mas sei que a economia brasileira não vai se recuperar em 1 ano. Não teremos crescimento econômico este ano e tudo que estava sendo construído terá que ser refeito.

Importante dizer que os bancos já farejaram o risco de mercado e elevaram as taxas de juros para empréstimos. Acabei de ver uma propagando do Santander dizendo que pode bancar dois meses de salários para funcionários públicos a taxa de 3,75% ao mês. Vou dizer de novo: 3,75% ao mês. Essa taxa é igual a 55,54% ao ano. A Prefeitura do Recife está antecipando a cobrança do IPTU de 2021, embora este ano seja o último do mandado do prefeito. Será que ele está prevendo que até 2021 todos estaremos mortos?

Nenhuma economia se sustenta sem consumo. As perdas que já tivemos são irreparáveis. Existe uma irresponsabilidade muito grande da imprensa e de alguns governantes. Por exemplo: João Dória declarou que desde janeiro o hospital Emílio Ribas sabia da propagação e mesmo assim ele não vetou o carnaval. Ele vai ser responsabilizado por isso?

Insisto: falta uma ação de mapeamento dos potenciais vetores. Não faz sentido fechar o comércio de uma cidade que não tem casos declarados. Falta bom senso e a impressão que eu tenho é que a pressão para continuar em casa é mais forte no âmbito do setor público, enquanto as noticias das primeiras demissões já surgem, mas não incomoda quem defende a quarentena.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PROLIFERAÇÃO DA CANALHICE

O alarido que tem sido feito em torno dessa pandemia vai acabar matando as pessoas de susto. A impressa se encarrega de tentar apagar o fogo com gasolina porque estão vendo uma oportunidade de desestabilizar o governo assustando as pessoas e o presidente tem caído nessa como um pato. Primeiro vamos falar da imprensa.

A relação conflituosa entre Bolsanaro e imprensa não é de agora, mas se intensificou depois que ele assumiu a presidência. Daí, a gente viu ao longo do tempo as manchetes “adversativas”, ou seja, aquelas que sempre trazem um “mas”, do tipo “a industria cresceu, mas o crescimento foi rídiculo”. O que esse pessoal publicou, desde janeiro do ano passado, sobre a saída de Moro do Ministério da Justiça, não é brincadeira. Agora, começaram a dizer que “Bolsonaro tem inveja do ministro Mandetta”, ou seja, o pessoal prefere o “onde houver amor, que eu leve o ódio” num argumento contrário ao que diz São Francisco de Assis (onde houver ódio que eu leve o amor).

Nesse circo de horrores, o presidente acaba contribuindo para aumentar a peleja. Primeiro ele precisa entender que o enfretamento com a imprensa é favorável a ele, ou seja, seus apoiadores compraram a briga com a grande mídia e já boicotam determinadas redes. Pronto, não precisa mais intensificar o debate aqui. Basta mostrar, aqui e ali, que tem razão. Isso é fácil porque a própria imprensa contribui com perguntas que demonstram sua parcialidade. Então, vá cuidar de governar.

Em segundo lugar, questões técnicas deveriam ser tratadas por pessoas técnicas. Bolsonaro falou sobre a taxa de óbito, se referindo a taxa de letalidade do vírus que é menor do que o da influenza, mas, dito por ele, passa impressão de falta de comprometimento, de não preocupação com saúde pública. Chamava especialistas, nacionais ou não, e a opinião seria desses caras. Drauzio Varella falou sobre isso no Fantástico, mas quando Bolsonaro diz que é uma gripezinha, o pessoal se revolta por conta da carga de informação recebida, pelas imagens de Ilze Scamparini chorando enquanto falava da desolação na Itália, as mortes dos idosos, a Itália dizer que não vai atender pessoas acima de 80 anos, o caos na China, etc. Nós temos pessoas curadas no Brasil; na China é o segundo dia de não contaminação comunitária, mas isso não importa. A imprensa quer atingir um determinado número de mortos, talvez, suficiente para colocar a opinião pública contra o governo e nisso o presidente não sabe se comportar com tal e fica comprando brigas mesquinhas.

Muito se falou sobre o comentário de Eduardo Bolsonaro. Eu acho que ninguém tem dúvidas de que o vírus apareceu na China, que o prefeito de Whuan escondeu dados ao não relatar a saída de 5 milhões de pessoas assim que começou a surgir os problemas, que o próprio governo chinês não alertou o mundo sobre o problema, que proibiu o médico de fazer divulgação dos achados, etc. Tudo isso é parte de um processo à luz do direito internacional. Não é hora de procurar culpados, mas de achar soluções. De contribuir com o trabalho de abnegados profissionais expostos nos hospitais, implorando que fiquemos em casa (Minha sincera homenagem aos médicos, através da nossa musa Valéria Bossi, pela abnegação, e aos enfermeiros de todo país). O problema de Eduardo foi o momento e a forma como foi dito. Política tem diplomacia e a gente percebe o quanto é isso é importante num debate entre dois deputados: “a mãe de vossa excelência prestava favores sexuais”. “Vossa excelência é amigo do alheio” Veja que respeito lindo. Diplomacia.

O mais engraçado em tudo isso foram os pedidos de desculpas que se seguiram. Primeiro Rodrigo Maia. Como presidente da Câmara, o máximo que ele poderia ter dito é que aquela opinião não era a opinião da casa. Mas, antes de ‘pedir desculpas ao governo chinês, Rodrigo Maia deve desculpas ao povo brasileiro porque ele é um corrupto que recebeu dinheiro da Odebrecht, onde era chamado de Botafogo. A PF localizou passagens e visitas dele à empresa dois dias antes dos repasses efetuados. Então, caro presidente canalha, nós brasileiros esperamos suas desculpas pelo uso de caixa 2 e de caixa 3 (veja a que ponto chegou: caixa 3).

Nessa mesma linha de ação, vi que Lula enviou uma carta ao presidente da China pedindo desculpas. O cara rouba o país com uma voracidade fora do comum. Sai da cadeia e diz que o PT não tem que fazer autocrítica coisa nenhuma. Aí, de repente, submete um pedido de desculpas sem que tenha qualquer representação no governo brasileiro. Lula não fala em meu nome. É simplesmente incrível esse tipo de comportamento. Desculpas tem cabimento num ato involuntário, mas fazer algo “de caso pensado” e depois pedir desculpas, é lasca.

O governo começou com dois ministros fortes: Sergio Moro e Guedes. Tarcísio Freitas ganhou a confiança do governo e da população e agora Mandetta demonstrou conhecimento, segurança e capacidade aglutinação. Mas, Bolsonaro precisa entender que é necessário avaliar, primeiro, o impacto de certas medidas. As ideias discutidas internamente não podem chegar ao público antes de avaliadas tecnicamente. Por exemplo, a Medida Provisória Nº 927, de 22.03.2020, foi anunciada e depois vetada porque teve repercussão ruim. Política é como placa de sinalização de estradas: na dúvida, não ultrapasse. Já bastam as medidas adotadas de fechamento de shoppings, feiras, etc. que vão lascar a economia, mas essa pode se recuperar. Nesse instante o negócio é salvar vidas.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

AS CONSEQUÊNCIAS DO DÓLAR

A Ciência Econômica tem, pelo menos, dois defeitos: o primeiro é não ser uma ciência exata, embora hoje sejam utilizados inúmeros modelos de previsão para variáveis de interesse como crescimento econômico, desemprego, inflação, retornos de investimentos, etc. …. e câmbio. Há um leque de ofertas de modelos que nos ajudam a entender o comportamento de variáveis de interesse, em função de outras, dentre os quais os modelos de regressão linear e de séries temporais. Com tais modelos a gente pode estimar o impacto da variação de uma variável sobre outra. Tipo: se o dólar aumentar 10%, qual será o impacto nas exportações?

O segundo defeito, talvez uma decorrência do primeiro, é que os ajustes econômicos, quando algo dá errado, não acontecem na velocidade desejada, ou seja, é como se você tivesse na direção de um carro que vai contra um muro, sem capacidade de desviar a batida. Por exemplo: o governo Dilma pariu 13 milhões de desempregados a até hoje, cinco anos depois, só recuperamos 1 milhão de empregos. Daí, a Ciência Econômica, explica o que houve, mas as correções só depois do problema instalado. Ninguém, dado as condições do mercado, previu que o dólar chegaria a este patamar. Eu não vi um economista de esquerda publicar qualquer análise que apontasse para esse risco e por isso me incomoda um pouco as pessoas aproveitando o momento para culpar a política econômica. Sempre que alguém me manda uma gracinha nesse sentido eu pergunto: “e por que você não previu isso?”. Recentemente, Aloizio Mercadante destilou uma série de bobagens, mas não nunca publicou uma linha, anterior aos fatos, sugerindo que o câmbio poderia chegar nesse nível. Eu considero essa turma como profetas das causas acontecidas. Depois dos fatos vem “eu falei!”.

O dólar valorizado tem consequências positivas para a economia porque favorece o crescimento das exportações. Na composição do PIB a gente chama exportações líquidas, NX, à diferença entre o que é exportado e o que é importado. Se o Brasil exportar mais do que importar, NX>0 e o PIB aumenta. O impacto seria aumento no emprego para atender a demanda externa e beneficiaria a demanda interna. Vamos fazer um exercício: se US$ 1,00 = R$ 4,00, então com um dólar as empresas estrangeiras podem comprar o equivalente a R$ 4,00. Se US$ 1,00 = R$ 5,00, então com o mesmo dólar elas agora poderão comprar mais. Rudiger Dornbush, um macroeconomista alemão naturalizado americano, chamava a desvalorização da moeda local como “política de empobrecer a vizinhança”. É só olhar o capitulo 2 do seu livro Macroeconomia.

Nesse sentido, bota US$ 1,00 = R$ 10,00, não é mesmo? Calma! As coisas não são bem assim e Economia é como o “cobertor curto”. Nós temos produtos cuja matéria prima é importada e o aumento do dólar afeta a viabilidade desses mercados. O trigo do pãozinho vem, 80%, da Argentina e seu preço é dolarizado. Então, cada aumento no dólar vai aumentar custos de produção das padarias e por se tratar de um produto que se compra em unidades, embora seja vendido por peso, o consumidor nem percebe que o pãozinho aumentou, digamos, 20%. Quando os insumos de produção aumentam, o produtor repassa para o preço e isso gera aquilo que chamamos de inflação de custos. Assim, fica a primeira consequência nefasta da desvalorização da moeda.

Outra questão, com uma amplitude maior, é a dolarização de mercado de combustíveis. Um barril de petróleo tem, aproximadamente, 159 litros e no dia 06.03.2020, o mercado abriu com US$ 50,25, com máxima de US$ 50,45 e mínima de US$ 45,18, mas fechou em US$ 45,27, abaixo da média de US$ 47,82. Não preciso lembrar que este mercado é cartel e com isso, o lucro é maximizado em função do cartel e não dos produtores. Com isso a gente chega ao ponto crucial do preço do combustível no Brasil.

A partir de 2002 a ANP – Agência Nacional de Petróleo passou a divulgar a composição do preço do combustível no Brasil. A tabela seguinte, extrai da ANP e diz respeito ao mês de novembro de 2019. Ela está distribuída por região, mas vou reproduzir os dados do Brasil:

O preço do óleo diesel era R$ 1,95 e o preço de venda é R$ 3,71, ou seja, a variação percentual entre ambos os preços é, nada mais nada menos, que 89,88%. Os tributos federais são PIS/Pasep, Confins e CIDE (Contribuição de Intervença de Domínio Econômico). Tributo estadual é ICMS cuja política varia por estado. O ICMS é 1,60 vezes maior do que os tributos federais. A margem de distribuição e custo de transportes é a ponta da corrupção. A Transpetro fazia esse papel e Sérgio Machado arrecadou muito dinheiro para canalhas como Renan Calheiros, Sarney e Jucá. Então, em termos simples, nós temos um aumento de 47,3% entre o preço do produto e o que é pago pelo consumidor. O Dessa forma, se o governo zerar os tributos federais e os estaduais zerassem o ICMS o preço do diesel seria vendido por menos de R$ 2,80. Ainda a margem de apertar os custos de margem bruta de revenda.

Ao longo do governo Dilma, principalmente em 2014 com a eleição, visando conter a inflação (se o preço do combustível aumenta, o resto acompanha), houve um jogo entre o preço do produto extraído e o produto refinado. Era como se o governo subsidiasse o mercado para manter preço. Ficamos mais de um ano com preço interno superior ao externo tudo para que não fosse repassado. De qualquer forma, a carga tributária sobre combustível precisa ser revista e a maior culpa disso é dos governos estaduais.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CORONAVIRUS

Não bastasse a torcida de parte dos brasileiros pela derrocada da economia, e do atual governo, eis que o mundo se assusta com a ameaça do coronavirus que começou na China, até onde se suspeita pelo consumo de sopa de morcego, e tende a se espalhar pelo mundo. A OMS – Organização Mundial de Saúde colocou o alerta em “alto nível” e as economias, grandes ou emergentes, já estão contaminadas. O medo do coronavirus é tão grande que dois caras entraram com mascaras numa padaria e o pânico foi geral. As pessoas querendo se levantar para ir embora, até que um dos caras disse; “todos quietos que isso é um assalto!”. Os clientes relaxaram!!!! “Ufa!. Ainda bem!”

Como disse acima, as economias já estão contaminadas. Na China, além do número de óbitos, a quantidade de infectados passa de milhares, daqui a pouco serão centenas de milhares, e isso tem provocado uma redução drástica na produtividade da economia porque as pessoas estão assustadas e sem sair de casa, reduzindo o consumo nas lanchonetes, restaurantes, etc. que, em contrapartida, reduzem suas encomendas da indústria e a economia cai. A China trabalha, hoje, com menos da metade de capacidade produtiva. Dessa forma, países com operações comerciais com China sentem o tranco. O Brasil, por exemplo, tinha acabado de formalizar um acordo com a China chegando, inclusive a montar uma estrutura comercial tendo como líder uma pessoa com conhecimento na economia chinesa. Quem quer tocar num produto vindo da China? A Samsung, aqui, prevê impactos negativos na produção de seus equipamentos porque grande parte dos componentes vem da China.

Nesse contexto, a loucura que se viu com a valorização do dólar tem uma causa externa e não, essencialmente, de falhas na economia brasileira. A situação está ruim pra todos. As bolsas de valores caíram no mundo inteiro. Só nos Estados Unidos uma cesta de ações, com cerca de 7 mil ações, perdeu US$ 6 trilhões (mais ou menos o tamanho do PIB do Brasil) fazendo o preço de mercado das empresas cair mais do que 10%. Os 500 maiores investidores do mundo perderam US$ 444 bilhões. Os três mais ricos do mundo (Jeff Bezos, Bill Gates e Bernard Arnaud) perderam US$ 30 bilhões e nenhum deles está culpando a política econômica do seu país. Acho interessante que nos Estados Unidos o Banco Central, popularmente chamado de FED – Federal Reserve, declarou que vai apoiar o mercado reduzindo taxa de juros para estabilizar a economia. Ninguém está botando culpa no governo, nem os oposicionistas estão crucificando Trump por isso.

Aqui no Brasil, a taxa de juros básica está em 4,5% ao ano, o Banco Central reduziu a taxa do depósito compulsório para 25%, injetando mais de R$ 40 bilhões na economia e as manchetes dos jornais falam apenas que o “Brasil perdeu US$ 80 bilhões” em fuga de capital, como se estes recursos estivessem saindo pela fragilidade da economia e do governo. O pior de todos os blog, como o DCM, é o Brasil 247 (2+4+7=13, precisa explicar?) que publica um monte de imbecilidades para um monte de leitores imbecis propagarem como verdades.

O momento é grave. As empresas chinesas estão sufocadas precisando de crédito e os bancos reticentes em emprestar com medo de não receber de volta. O governo chinês injetou US$ 175 bilhões para incentivar a economia, mas tem que gastar uns US$ 40 bilhões para tratar do vírus. A montanha de dinheiro injetada não convence as pessoas irem às compras. Então, cabe lembrar que Obama autorizou a liberação de 400 pesquisadores para tratar do surto de ebola na África. Lá o tempo de óbito era 24 horas após a contaminação. Portanto, o que se sabe é que há um grupo de pesquisadores trabalhando para encontrar uma vacina, mas isso demora um pouco para se efetivar. Se isso fosse aqui a burocracia só iria permitir a vacina depois de uns 10 anos.

Então, o objetivo desse texto é esclarecer que nós não somos culpados pela mobilidade de capital. A apreciação do dólar (desvalorização da moeda local) está ocorrendo no mundo inteiro, inclusive na região do euro. A taxa de desemprego está caindo e fechamos janeiro passado com um superávit primário (saldo das contas públicas excetuando juros) de R$ 40 bilhões. Esse saldo quando positivo serve para pagar juros e reduzir a dívida pública. Agora, não adianta colocar propostas que o congresso não aprove.

O governo atual não sabe negociar com o congresso. Precisa pagar pedágio como fazia o PT e não falo de aprovar emendas parlamentares, nomear apaniguados para cargos de direção em estatais de modo que eles possam recolher dinheiro para o protetor, etc. eu falo de dar dinheiro em caixa de sapato, mandar doleiro lavar dinheiro, fazer triangulação com offshores em paraísos fiscais. É assim que funciona. Faça isso e o governo pode propor a revogação da lei da gravidade que os caras aprovam, mas sem dinheiro fácil, deputado não vota. Claro, há raríssimas exceções.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

MEDIDAS ECONÔMICAS

Desde o discurso de pose de Paulo Guedes que eu vejo sintomas positivos para a economia brasileira. Não faz mais porque muitas coisas dependem do congresso ou do STF, como o caso das privatizações. É bom lembrar que Lewandowski defendeu que cabe ao congresso autorizar vendas de empresas públicas. No seu voto, o canalha, dizia que “como as empresas públicas precisam de autorização do congresso para existir, caberia ao congresso a autorização para sua extinção”. Como se sabe esse parecer não contemplou as subsidiárias, ainda bem. Por ele uma empresa pública deficitária deve sangrar até o congresso autorizar a venda.

As críticas ao modelo econômico de Guedes foram frequentes, 365 dias do ano. Entretanto, por mais que não se queira reconhecer, houve avanços na geração de emprego e, pontualmente, em questões que passam despercebidas do povo, principalmente o povo pobre que é massificado pelos discursos apocalípticos da esquerda. Por exemplo: em junho de 2019 o governo reduziu o depósito compulsório. Antes, de cada R$ 1,00 depositado em conta corrente, R$ 0,33 centavos eram recolhidos ao Banco Central e de junho essa taxa caiu para R$ 0,31. Parece pouco, mas só isso injetou R$ 20 bilhões de reais na economia. Melhorou o crédito, caiu a taxa de inadimplência e o consumo favoreceu a economia se mover para cima.

Outro ponto fundamental foi a fixação da taxa do cheque especial em 8% ao mês. Os bancos concediam R$ 350 bilhões de crédito nessa modalidade de empréstimo, mas a utilização era, aproximadamente, 8% desse valor e as pessoas imaginam que isso não tinha custo. Numa das minhas aulas, em dezembro passado, fiz um comparativo do cheque especial com as famosas confraternizações de fim de ano que as pessoas fazem em restaurantes. Ligam e pedem para reservar um espaço para 50 pessoas, digamos. Cada cliente que chegar só será atendido se tiver espaço, e não sendo atendido, o restaurante vai cobrar esse custo de quem fez a reserva. Então, os limites não utilizados do cheque especial, quase R$ 320 bilhões, eram pagos porque quem usava e por isso, também, as taxas eram estratosféricas.

Obviamente, que Guedes tem metas maiores, mas a última decisão do Conselho de Política monetária de reduzir a taxa de juros (SELIC) para 4,25% ao ano tem, do meu ponto de vista, alguns riscos que, não sei se estamos preparados agora. Uma taxa de juros baixa favorece o investimento, pode tornar o crédito mais barato e isso aumenta o PIB. Mas, tem um impacto forte nas aplicações de renda fixa. A caderneta de poupança perde o atrativo e vai afetar pequenos poupadores. A única vantagem da Poupança é a isenção de imposto de renda, mas o ganho líquido ficará abaixo da inflação.

De modo igual, os bancos captam recursos para empréstimos através de títulos de renda fixa (geralmente denominados CDB/RDB, puramente um depósito a prazo fixo). Com isso, a gente pode cair num paradoxo de ao invés de termos crédito barato, termos crédito mais caro porque a oferta poderá cair em função do impacto na captação. Não é interessante esse tipo de título dado que, além da taxa baixa, tem incidência de imposto de renda.

Uma grande vantagem dessa taxa de juros é a redução da dívida, mas isso poderia ser alcançado por outros meios. Os acordos comerciais firmados com a União Europeia, com a China e agora com a Índia precisam dar sinais de movimento. Só com a UE a perspectiva era de US$ 100 bilhões e com a Índia US$ 320 bilhões. Isso faria o Brasil crescer excepcionalmente.

O caminho está bem delineado. Só alguns ajustes internos, um dos quais envolvendo o congresso. Não tem, realmente, como se fazer um trabalho sério nesse país com uma caricatura indecente chamado Congresso Nacional e comandado por dois crápulas como Rodrigo Maia e Alcolumbre. Em recente sessão os nobres deputados salvaram o pescoço de um corrupto, o deputado Wilson Santiago, que foi afastado do cargo por Celso de Mello.

Foi nesse contexto que a percepção de corrupção no país aumentou. Medidas propostas por Moro dariam uma visibilidade diferente ao Brasil no cenário internacional, mas o que se viu foram ações favoráveis a impunidade. Não se pode esquecer o STF que é a maior fonte de instabilidade do Brasil. As contradições são visíveis e não precisa ter doutorado em direito constitucional para percebe o quanto se viola a Constituição Federal naquele ambiente de podridão e canalhice. Existe uma PEC que limita gastos dos poderes, mas tanto o legislativo quanto o judiciário não estão nem aí. Todo ano eles gastam mais e ninguém se insurge contra isso.

De uma forma ampla, eu não tenho medo da política econômica de Guedes e a gente sabe que muitos fazem o possível para atrapalhar, revestidos, única e exclusivamente, pelo sentimento de que este governo não pode dar certo. Sabe aquele papo “se não for minha não será de mais ninguém”? É esse o sentimento da esquerda.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PURA MÁ VONTADE

Eu acho incrível as críticas que a esquerda faz ao governo atual e, principalmente, a política econômica adotada pelo ministro Paulo Guedes. Logicamente, não tenho a pretensão de que todo mundo concorde com tudo que tem sido feito. Em qualquer democracia é salutar que exista oposição, mas que esta fiscalize o governo e apresente propostas. Não é o caso do Brasil. Aqui não se fiscaliza, só se critica, e após um ano de governo a esquerda continua gritando “fora Bolsonaro”.

Pra ser mais exato, não é a crítica em si que me incomoda, mas a falta de coerência dos críticos. Eles simplesmente esqueceram o que fizeram no passado e agora cobram do governo ações para corrigir os erros que eles cometeram e os desvios que praticaram. Basta qualquer coisa acontecer e logo a gente ouve “esse governo que está aí”, embora alguns indicadores econômicos mostrem que o Brasil está melhorando. Particularmente, gostaria de citar três casos.

O Banco Central divulgou um déficit nas contas externas de US$ 50 bilhões, em 2019, e isso foi suficiente para o pessoal de memória fraca ir para as redes sociais cobrar explicações do governo. Primeiro é preciso entender que temos déficit nas contas externas desde muito tempo. Só em 2010, o rombo foi US$ 79 bilhões. Em 2014, ápice do desastre econômico de Dilma, tivemos US$ 101 bilhões de rombo e somente em 2017, já no governo Temer, as contas externas ficaram negativas em US$ 15 bilhões, o menor saldo da década. Então, qual o motivo desse alarde? As contas externas envolvem mais do que a balança comercial cujo desempenho, inclusive favoreceu este resultado. Ao contrário de anos anteriores, a entrada de capital externo no Brasil chegou a US$ 78 bilhões e a esquerda não comemorou. Então, de certo modo o governo tem como cobrir esse rombo, embora o ideal fosse que estes recursos de investimentos externos se destinassem a geração de emprego. Ninguém olha o passado. Simplesmente descem a lenha na política de Guedes como se dentro de um ano ele fosse obrigado a consertar as mazelas deixadas nesse país. Economia não é miojo, digo sempre.

A segunda questão ainda fala de dívida, mas agora nossas contas que fecharam com um saldo negativo de R$ 95 bilhões. Ninguém lembra que essa situação está assim a seis anos, ou seja, desde 2013 temos um rombo nas nossas contas, mas quem critica fala do buraco sem sequer lembrar que, embora negativo, este é o menor saldo negativo dos últimos seis anos. Os números estão disponíveis no site do Banco Central, basta consultar e interpretar, mas ninguém da esquerda tem interesse em analisar dados. O que se quer é divulgar notas com informações negativas com o intuito de desestabilizar o governo.

A terceira questão é sobre a tal caixa preta do BNDES e a auditoria de R$ 48 milhões que não encontrou nada. Eu trabalhei em bancos sendo responsável pelas operações de repasses do BNDES e da FINAME e sei como funciona. Em 31 de agosto de 2019, publiquei aqui um texto intitulado JATINHOS FINANCIADOS explicando onde estava a perda de dinheiro na operação que financiou o jato de Luciano Hulk. O que houve no caso dessa auditoria foram dois erros bobos: açodamento por parte do governo e análise errada das operações. Vamos comentar primeiro o erro na análise.

Aparentemente, a auditoria focou contratos, liberação de crédito, reembolso de parcelas, etc. e não focou as condições de financiamento. Como eu disse, fiz um demonstrativo, no texto citado, com base em informações divulgadas sobre as operações de FINAME para financiamentos dos jatos. Apenas no caso de Luciano Hulk calculei um prejuízo para os cofres públicos de R$ 1.618.340,43. Se eu tivesse acesso ao contrato teria feito isso com mais precisão.

A questão do açodamento é que o governo está caçando vampiros com reza e não com estaca e alho como ensinado nos filmes de Drácula (Santo Altamir Pinheiro me acuda!). Esse trabalho não era pra ter sido conduzido dessa forma e ele deveria focar, num primeiro instante, os contratos com governos corruptos como Venezuela, Cuba, Angola e tudo mais. As operações de FINAME são feitas através de agentes financeiros que assumem todos os riscos. O BNDES não tem inadimplência nessas operações porque, como se trata de repasses, o agente financeiro é intermediário, isto é, ele recebe os recursos do cliente, retiram seu “Del credere” e repassam o resto para o BNDES, em datas especificas (no meu tempo, o repasse era feito no dia 15 de cada mês). Se o cliente pagar ou não a prestação, o agente financeiro é obrigado a repassar o valor devido ao BNDES, logo não há inadimplência. Focaram o problema de forma errada.

Como consequência, o pessoal da esquerda se locupletou esbanjando sorrisos e acreditando que essa auditoria atesta as ações que foram feitas. A pressa do governo em apontar culpados levou a esse erro de estratégia e acabou favorecendo o discurso de inocência que sempre pregaram. O presidente se perde pelo que fala. Antecipa ações dessa natureza e se expõe a erros. Coisas desse tipo precisam ser feitas internamente e só depois referendado por consultores externos. O que deve ser divulgado é o relatório de apuração, não a ação previamente.

Entendo que as propostas de Guedes devem continuar. Particularmente, sou favorável ao programa de privatização e, recentemente, falando com uma pessoa sobre isso ela criticou o que tem sido feito, mas eu fiquei pensando sobre o assunto e me perguntando: não pode privatizar porque vai tirar o emprego de um cara cujo salário é pago pelas pessoas que estão na iniciativa privada? É esse o argumento? Na nossa economia, o setor privado emprega menos que o setor público e não me parece que esse seja o caminho para o desenvolvimento. Há muita coisa para se consertar. O governo precisa acertar mais, entretanto, o presidente precisa entender que não está jogando vídeo game.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O DESESPERO DA ESQUERDA

Em muitos comentários que faço no facebook, falo da falta de propostas da esquerda após a eleição de Bolsonaro. Enquanto o governo buscou soluções através dos ministérios da Economia, Justiça e Segurança Pública e Infraestrutura, a esquerda se debruçou intensamente contra qualquer pauta, chegando a ser considerado motivo de orgulho esse posicionamento como numa recente comemoração feita por Marília Arraes ao ter obtido 24 pontos, de 25 possíveis, numa avaliação dos deputados que se colocaram contra os interesses do povo. Para ela, obter essa nota foi importante porque ficar contra os interesses do povo significa votar contra tudo, inclusive de bom, que foi apresentado pelo governo Bolsonaro.

A esquerda fincou o pé no “fora Bolsonaro” e esta semana li uma entrevista de Cristovam Buarque dizendo, ainda bem, algo que digo desde o resultado da eleição em 2018: a pauta da esquerda é violar a Constituição e exigir o impeachment do presidente apenas porque o poste de Lula não foi eleito. Buscam qualquer motivo assustados pelo fato de que se este governo acertar, nunca mais a esquerda terá espaço nesse país, por diversos motivos, dentre os quais o que eles fizeram foi algo inesquecível, merecedor de um Oscar, para aproveitar o momento. Nunca se roubou tanto nesse país. Não tem como esquecer isso.

O debate, de baixo nível, não afeta somente a questão politica. Na verdade, o interesse em desestabilizar o governo vem da Economia. Primeiro, vamos assustar o povo divulgando os protestos no Chile e no Peru como algo decorrente de não ter sido eleito um presidente de esquerda. Vamos botar esse clima de instabilidade nas nossas fronteiras e vamos incentivar a revolta pra que o presidente seja afastado. Essa é a meta principal, as metas subsequentes depois se vê como faz, com a ajuda do judiciário.

Para justificar como a Economia tem papel preponderante trago dois casos: Carter tentava a reeleição contra Ronald Reagan. No primeiro mandato do seu governo a inflação nos Estados Unidos atingiu dois dígitos. No último debate entre eles, nas considerações Reagan disse algo assim: “vocês estão satisfeitos com o governo dele? Votem nele. Se não estão, votem em mim”. Os americanos não estavam satisfeitos com a inflação e Carter perdeu a eleição. Na reeleição de Clinton, com todas as críticas sobre o comportamento dele, quando enunciado a vitória e um repórter perguntou qual o motivo do sucesso e um assessor respondeu “é a economia”. Então, o aspecto econômico é, decisivamente, quem dá votos, quem elege e quem mantem no poder qualquer governante. Lula, por exemplo, teve ameaça de impeachment nas suas ventas quando estourou o mensalão. Fui salvo, num grande acordo envolvendo todos os partidos, o judiciário, etc. porque a economia estava indo bem e seu vice, José de Alencar, não tinha o apelo político nem a simpatia internacional.

Então, é através da Economia que a esquerda tenta desmoralizar o governo. Agora, a forma como isso é feito é lamentável. Mentiras, projeções catastróficas sem respaldo de fontes dignas e vai por ai. Bobagens e opiniões contrárias apenas para não reconhecer que o ministro Paulo Guedes tem colocado à mesa propostas reais para o Brasil. Ao longo do ano, foram gerados 1 milhão de empregos, muito pouco em relação aos 13 milhões de desempregados paridos pela política de Dilma Rousseff, mas isso é visto como uma incapacidade do governo em resolver um problema que a esquerda criou e com isso, essa massa de economistas que não fazem analisam dados sem isenção passa a creditar ao governo tudo de ruim que aconteceu no Brasil, inclusive esse nível de desemprego.

A coisa beira o ridículo a ponto de Márcio Pochamann ter atribuído ao governo atual a culpa pela redução na quantidade de clientes das operadoras de TV paga. Isso é a expressão da incompetência no seu maior grau. Em 2017, pesquisando dados sobre o efeito da TV paga no esporte, vi um relatório da SKY, salvo engano, que alertava sobre a chegada de novas formas de mídias, como a Netflix, e sobre a insatisfação do consumidor com os pacotes que são negociados. O cliente assina um pacote com 100 canais e dentre eles tem canal de clima, rural, religioso, enfim, uma série que o cara não quer, mas paga porque o pacote é inflexível. O produto é ruim e por isso há evasão. Então, as outras opções são mais baratas e em Economia há um conceito que é ensinado na disciplina de Introdução à Economia que trata de bens substitutos: quando o preço de um sobe, a demanda pelo outro, aumenta. Aumente o preço de manteiga que a demanda por margarina cresce.

Particularmente, como economista, eu vejo o movimento do Brasil no caminho do crescimento econômico. A projeção para 2020 é 2,5%, mas a inflação de 4,31%, de 2019, acima das projeções, pode ser um complicador, porque a taxa de juros está muito baixa e isso é um incentivo ao aumento do consumo, que pressiona preços. Mas, o fato é que quando mais eu penso na politica de Guedes, mais me convenço de que o Brasil encontrou uma proposta econômica inovadora, ousada e permanente. Por uma simples razão: qual governo seria capaz de desfazer o que o mercado aprovou? Imagine a chance que terá um candidato se propor estatizar as empresas que foram privatizadas. Vamos ficar nesse exemplo para dar uma dimensão de que não há mais volta para o Brasil. Ou engrena nessa direção ou trava.

Externo uma preocupação que falei recentemente: qual a chance que um economista, que não seja de esquerda, tem para publicar artigos que critique a política dos governos de esquerda ou que exalte política de Paulo Guedes? Eu, particularmente, vejo muita gente de esquerda em editoriais de periódicos e duvido que eles aceitem um texto meu, por mais embasado que seja. Quem me conhece sabe da minha isenção econômica. Quando está eu digo, quando está ruim digo do mesmo jeito. Uso matemática para argumentar minhas ideias. Então, eu pergunto: Márcio Pochamann avaliaria sem isenção um artigo meu analisado os relatórios gerencias da Odebrecht entre 2002 e 2017? Pouco provável.

Usar o conhecimento para incutir o medo em que está, intelectualmente, num nível abaixo do seu, é a forma mais abjeta de ocultar a própria incompetência.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

BALANÇO

A cada final de ano a gente faz um balanço do que fizemos, do que deixamos de fazer, do que pretendemos fazer no ano seguinte. As empresas levantam sua situação contábil, apuram resultados. O governo, em qualquer esfera, justifica suas ações e é sobre a questão econômica que vou me propor a falar.

A proposta econômica de Paulo Guedes era, de longe, a que mais representava os anseios de mercado porque ia de encontro ao aumento do estado na economia conforme se via no programa do PT, por exemplo. Paulo Guedes disse que pretendia reduzir o déficit com privatizações e com concessões e só não fez mais porque o STF não permitiu. Repare que isso é uma mudança significativa de procedimentos porque os candidatos diziam “precisamos reduzir o déficit” e nunca diziam como iriam fazer isso. “Precisamos gerar 2 milhões de empregos”. Lógico que precisamos bem mais do que isso, mas nunca ninguém apresentou uma proposta concisa, específica. Ninguém nunca apresentou um plano. Paulo Guedes o fez.

Já em outubro de 2018, com a perspectiva de vitória de Bolsonaro, a Bolsa de Valores reagiu positivamente, o dólar aquietou-se e no dia 02/10/2019, o discurso de posse de Guedes foi a sinalização que o mercado precisava. A Bolsa começou a se mover na direção dos 100 mil pontos. Ao longo do ano várias coisas mereceram destaques:

1) A reforma da previdência foi aprovada embora num tamanho menor do que previsto. No meu entender trata-se de uma reforma paliativa porque daqui a 5 anos nós vamos começar uma nova discussão sobre isso. O problema da previdência é o modelo de repartição que não atende, de modo que acho que capitalizar deveria entrar na pauta das discussões.

2) O governo liberou importação de 1.168 produtos dentre os quais equipamentos para saúde e informática e remédios para câncer e AIDS. Isso vai reduzir os custos com os tratamentos no SUS;

3) O governo reduziu a depósito compulsório de 33% para 31%, injetando R$ 20 bilhões na economia. Isso foi interessante porque não precisa de aprovação do congresso, sem pedaladas, só permitindo que os bancos fiquem com mais dinheiro e com isso aumentem a oferta de crédito;

4) Redução da taxa básica, SELIC, para 4,5% ao ano levando os juros reais (descontado a inflação) para 2% ao ano. Obviamente que isso tem consequência na taxa de inflação, pois com juros nesse patamar busca-se consumo ou compras de ativos reais;

5) A pressão no dólar teve como motivos, dentre outros, o volume de importação de carnes feito pela China que fez subir o preço do produto internamente. Eu já falei em diversos momentos que as exportações seriam o caminho mais sólido da retomada do crescimento porque o consumo precisava de renda, o investimento enfrentava taxa de juros alta e desemprego catastrófico e os gastos do governo estão tabelado uma por PEC e o governo tinha um déficit previsto de R$ 139 bilhões.

6) O emprego tem dado sinais de recuperação, de modo que em 2019 foram gerados mais de 950 mil empregos novos, com carteira assinada.

Isso posto vem alguns comentários principalmente em relação aos postos de trabalho. Cada vez que o governo divulga que houve aumento de empregos, a turma que torce pela desgraça diz que se trata de empregos informais. A limitação de raciocínio desse pessoal é tão grande que nem consideram que os dados do CAGED são de empregos formais. De outro modo, o que a economia precisa é de empregabilidade. O cara receber renda é mais importante do que receber seguro desemprego.

Agora, o esforço dos esquerdopatas em torcer contra o país é algo notório. Esta semana o Banco Central encaminhou um projeto para regulamentar a insolvência bancária. Quando o Plano Real foi implantado em 1994, vários bancos tiveram problemas de liquidez e FHC criou um programa, PROER, destinando FR 17 bilhões do Tesouro Nacional para que outros bancos comprassem os bancos em liquidação extrajudicial. Eles adquiriam a parte boa e a parte ruim (créditos em liquidação) deveriam ser recuperadas pelo Banco Central e o passivo pago com recursos dos acionistas. Eu conheço vários bancos que quebraram e não conheço um acionista que ficou na miséria por conta disso. O Banco Pan-Americano, de Sílvio Santos, foi adquirido pela CEF numa operação até hoje não explicada.

A proposta atual do Banco Central é usar recursos do Tesouro, em casos de CRISES SEVERAS e SOMENTE DEPOIS de ter usado os bens dos acionistas, dos investidores subordinados e dos fundos de recuperação.

Bastou essa proposta para que os esquerdopatas publicassem o lucro dos bancos mostrando que a exorbitância e enfatizando que os desempregados não tinham o mesmo tratamento. Isso tem um nome: doença mental. Diante das críticas eu entendi que ninguém lê quaisquer normativos. As pessoas olham a manchete publicada na Folha de São Paulo e repassam com seus comentários.

Nesse contexto, cabe resgatar a critica que o Financial Time fez aos números de crescimento da economia divulgados pelo IBGE. O Ministério da Economia encontrou um erro em dois meses seguidos na balança comercial. Era R$ 20 bilhões e foi registrado R$ 18 bilhões; era R$ 13 bilhões e foi registrado R$ 9 bilhões. Ora, se registramos menos do que deveríamos, significa que o saldo da balança comercial deverá ser maior em, pelo menos, R$ 6 bilhões. Isso pode ser melhor do que a gente esperava e não pior. Mas, vamos aguardar o mês de março quando o governo vai ajustar as contas. O fato é que muita gente chamou esse erro de manipulação de dados e, nas redes sociais, eu comentei que o IBGE já comentou outros erros em 2007, 2012 e 2017, mas as pessoas foram taxativas: “prefiro acreditar no Financial Times”.

Agora, o mesmo jornal coloca Sérgio Moro, o único brasileiro, numa relação das pessoas mais influentes da década. Cadê aqueles que disseram que preferem acreditar no FT? Silêncio absoluto. Nenhuma palavra, simplesmente porque não há o que dizer.

Dessa forma, como economista, eu entendo que a economia brasileira está apresentando um resultado além do esperado e que se o mês de janeiro continuar com os indicativos atuais, a gente tem tudo para crescer mais de entre 2 e 2,5% em 2020. Que seja assim. Destruir uma estrutura é extremamente fácil. Reconstruir é sempre mais doloroso. Feliz 2020, a todos vocês os fubânicos, no nosso nobre Editodos e sua família.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CHOVENDO NO MOLHADO

Antigamente as notícias tratavam de indícios de corrupção e esse termo ainda é usado em várias partes do mundo e, inclusive, é com base nele que se elabora o ranking de países ou instituições corruptas. Fala-se de indícios de corrupção porque os estudos apontavam para dificuldade de identificar, realmente, se houve corrupção porque os valores envolvidos não eram pagos em cheques nominais. Tudo em dinheiro, em cash, de modo fosse difícil rastrear.

A corrupção, na verdade, continua com ares de sofisticação tecnológica e transmudada na forma de benefícios feitos pelo corruptor ao corrupto. A triangulação dos recursos escusos é norma prática, ou seja, uma empresa brasileira faz um pagamento a uma empresa no exterior para que esta pague a alguém aqui no Brasil.

O maior problema disso tudo é o comportamento dos corruptos. Agem como se não fossem alcançados pela justiça e, de fato, quando são já se passou uma eternidade. Além disso, a relação incestuosa entre corruptos e tribunais parece não ter fim. Basta ver a conversa gravada do ministro Alexandre de Moraes com Alexandre Victor do ST-MG. “Vamos tirar da frente antes que o povo encha o saco”, disse o nobre ministro Alexandre de Moraes. É essa a forma como a população é vista por aqueles que são pagos para defender o interesse da população: como os caras que vão encher o saco! O que não se entende é como estas pessoas continuam no poder da mais alta corte do país.

Logicamente, a esperança é seria um pedido de impeachment acatado pelo Senado, mas quem disse que o Davi Alcolumbre tem coragem para algo assim? Ainda mais quando se sabe que dentre seus orientadores está o senador Renan Calheiros. Resta pressionar como, de certa forma, foi feito em relação ao escandaloso fundo partidário que passou de R$ 3,80 bilhões para R$ 2 bilhões, ou seja, embora ainda imoral, já está menor. Precisa pressionar o presidente para vetar essa imoralidade.

Mas, se antes o tal indicio de corrupção era uma nesga de possibilidade, o avanço da tecnologia trouxe novidades através de gravações, filmagens, etc. Todos lembram do Rodrigo Loures sendo filmando carregando uma mala com R$ 500 mil, que ele não sabia que era dinheiro, mas que desapareceu R$ 35 mil quando a mala ficou escondida na casa dos seus pais. A recente gravação do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, afirmando “meu seu 13º está garantido”. Estamos falando de uma bagatela de R$ 134,2 milhões que foram desviados de recursos da saúde e da educação. Interessante é que cuidar da educação é o primeiro projeto de qualquer candidato e quando eleito é o primeiro ponto de desvios de recursos. Os escândalos envolvendo desvio de dinheiro com merenda, fardamento, aquisição de livros, etc. são inúmeros e expressivos.

A fuga de recursos públicos, atualmente, ocorre através de OS – Organização Social. Estas instituições, sem fins lucrativos, são regulamentadas pela lei No. 9637/88 e atuam na administração pública através de contratos de gestão. O estado libera orçamento e patrimônio, se preciso, para que elas executem o contrato. O argumento principal é a celeridade visto que estas empresas não estão inseridas na lei 8666/93, lei das licitações. O problema é a prestação de contas que, em geral, se faz no encerramento do contrato. Não há regras mais rígidas como no caso das fundações apoio a instituições de ensino superior.

O que vai sobrar de tudo isso? Nada! Coriolano Coutinho, irmão do governador, foi preso e já entrou com um habeas corpus assinado pelos filhos do presidente do Tribunal de Justiça, João Otávio Noronha. Entenderam? A corte vai negar? Muito provavelmente não.

O fato é que a corrupção no Brasil é um câncer com metástase. Impunidade é a quimioterapia que não mata o tumor.

No mais, um feliz Natal a todos.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O CÚMULO DO RÍDICULO

É sempre engraçado, se não fosse trágico, observar a reação das pessoas que se opõem a atual governo. Buscam desmerecer, inclusive, até mesmo aqueles que trabalharam juntos, que estudaram juntos, que foram amigos e agora por uma opção política passaram a ser vistos como inimigos ferrenhos. Como se as pessoas não tivessem vontades próprias ou como se elas são importantes apenas quando atendem nossos anseios.

Recentemente, Roberto Carlos registrou num show a presença do Ministro Sérgio Moro e bastou isso para no dia seguinte, um repórter Marcelo Bortolotti, da revista Época, do grupo Globo, publicasse uma matéria dizendo que Roberto tinha relações com a ditadura e que havia, inclusive, sido premiado com a concessão de uma rádio. Achei, simplesmente, incrível. Roberto Carlos é contratado pela Rede Globo, ganhava uma grana por mês para ter exclusividade com Rede Globo e o Bortolotti vem com essa. A Rede Globo conseguiu a concessão dela pelas boas relações com o Vaticano?

Roberto Marinho foi um árduo defensor do Regime Militar e visitava, digamos assim, a “cozinha do poder”. Paulo Francis, no Pasquim, escreveu em 1971 um artigo cujo título era Um homem chamado porcaria se referindo a Roberto Marinho. O auditor Romero Machado, publicou em 1988 um livro chamado Afundação Roberto Marinho, no qual relata as proezas da Rede Globo, do então VPO – Vice Presidente Operacional, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e fica nítida a forma de crescimento do grupo mediante relações escusas com o poder.

Chico Anysio se apresentou, no Palácio do Planalto (eu disse no Palácio do Planalto), para o presidente João Figueiredo, exatamente aquele do “senão eu prendo e arrebento”.

Isso desmereceu a careira ou a crítica ácida que ele fazia aos governos? Isso fez dele um cretino? Não me recordo na época, 1979, de nenhum protesto de artistas ou de boicote a Chico por esse show. Ninguém do Grupo Globo emitiu uma nota de repúdio, sequer. Nem Jô Soares que sempre foi muito crítico ao regime militar.

Por conta do apoio da Rede Globo ao regime militar, Chico Buarque tinha restrições ao canal embora Marieta Severo, então sua esposa, fosse uma atriz de destaque nas novelas globais. Em 1986, ele aceitou apresentar um programa, Chico e Caetano, uma vez por mês, entre abril e dezembro daquele ano. A simbiose entre Globo e regime militar era de “unha e carne”, mas o que surpreende é profissionais da Rede Globo que denunciaram torturas, como Miriam Leitão, e outros que trabalharam lá como Franklin Martins, envolvido no seqüestro do embaixador americano que libertou da cadeia, dentre outros, José Dirceu, fingir que não sabiam a posição da Rede Globo, ou seja, estas pessoas perseguidas profissionais de uma empresa que apoiou seus perseguidores. Nunca vi Miriam Leitão criticar isso, pelo contrário vi a entrevista que ela fez a Bolsonaro e vi apenas uma repetidora de informações que chegavam pelo ponto eletrônico.

Cabe lembrar que nobres artistas colocaram Wilson Simonal no rol dos delatores e me recordo de uma entrevista de Caetano Veloso no programa de Jô Soares, no qual ele sugeriu ter sido entregue por Simonal. Elis Regina foi criticada pela participação nas olimpíadas do exército no governo Médici. De modo igual, nos dias atuais, ninguém pode fazer um comentário elogioso sobre o governo, sobre a política econômica, sem que seja chamado de imbecil, idiota, ou, nas palavras do presidente da OAB, “eleitores de Bolsonaro tem desvio de caráter”. Complicado isso, não?

O fato é que a lei tem sido usada para beneficiar quem é rico. As conversas gravadas entre Alexandre de Moraes e Alexandre Victor do TJ-MG mostram claramente de que lado a bandeira balança. Alexandre de Moraes como secretário de Segurança de São Paulo atuando como advogado, fato proibido, falando com ministros do STF para enterrar um processo contra Alexandre Victor. Simplesmente, nojento.

Em relação a Roberto, o STF errou na decisão da liberação da biografia não autorizada. Alegaram que se tratava de uma pessoa pública e Roberto é popular, não público. Público é quem ocupa cargos públicos, recebendo ou não, remuneração com recursos. Roberto tem todo o direito de não permitir que externem coisas de vida pessoal. Nem isso eles são capazes de entender.