MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM CONJUNTO DE COISAS

A Rede Globo vem atravessando uma crise financeira sem precedentes. Só do governo faturava algo da ordem de R$ 7 bilhões por ano. A fonte secou e a rede partiu para o ataque na tentativa de empurrar um processo de impeachment e afastar o presidente. Nos últimos anos, demitiu atores consagrados, repórteres com 30 ou 40 anos de casa, cancelou o contrato de exclusividade de Roberto Carlos, cortou privilégios, passou a cobrar R$ 5,00 por um cafezinho simples e R$ 10,00 se ele for acompanhado de um pãozinho. Atualmente, o mercado fala que a Globo está na agulha pra mudar de dono. Acrescente ainda: a Globo perdeu os direitos de transmissão do campeonato brasileiro, da Copa Libertadores, da fórmula 1, das partidas da seleção brasileira fora do Brasil e, parece que os funcionários da Globo não sabem disso. Se não for vendida, quebra. Não suporta mais um ano com Bolsonaro e se ele for reeleito, corre-se o risco de se arrumar um incêndio providencial para o seguro cobrir algumas perdas.

O esforço do Grupo Globo para tirar Bolsonaro do poder se retrata, a cada dia, no comportamento dos repórteres no Brasil inteiro. Parece que uma reportagem só entra em pauta se falar mal do governo. E as agressões não param. Perdeu-se a sensibilidade, a imparcialidade e tudo mais. Essa semana Maju Coutinho, âncora do Jornal Hoje da Rede Globo, falando sobre o protesto de empresários contra o fechamento das atividades econômicas, enquanto enfatizava que as ações de restrições eram necessárias disse que “o choro é livre”. Essa expressão foi dita largamente por apoiadores do governo, mas no contexto da derrota da esquerda e não com essa frieza enorme de Maju. Depois ela foi às redes sociais dizer que a frase foi infeliz.

A grande imprensa no Brasil perdeu a boquinha de propaganda governamental. Antes, abusavam de tanto dinheiro para divulgar até espirro do presidente. Agora, como não tem dinheiro, partiu para cima de quem fechou a torneira. A imprensa quando resolve destruir ela usa todos os meios. Exemplos disso? A gente encontra milhares.

Icushiro Shimada, proprietário da Escola Base, no Bairro da Aclimação, em São Paulo, foi acusado, juntamente com sua esposa e outros membros da escola, de abusar sexualmente dos alunos (crianças). Todos foram presos antes das investigações terminarem e “a imprensa divulgou o caso amplamente”, mas após 30 dias após, o processo foi arquivado por falta de provas. Eu não me recordo de ver uma reportagem sequer falando da inocência do casal. Dizer que ele tinha abusado, e até contar como fez, era a prerrogativa, mas falar da inocência não interessa. Ichushiro Shimada entrou com um processo por perdas e danos, mas faleceu aos 70 anos aguardando, ainda, o pagamento das indenizações. A imprensa só cumpriu seu papel de informar. Dirão eles.

O comportamento dos repórteres contrários ao governo está fora dos limites. Esta semana Vera Magalhães, que seduziu um empregado do embaixador americano em troca de informações que serviram para o sequestro quando ele foi trocado por presos políticos, declarou que conversou com um diretor do Sírio Libanês sobre a lotação do hospital e disse que “não era um hospital desses no meio do nordeste”. Octávio Guedes, falando sobre a aprovação de Bolsonaro, disse que tal aprovação era por conta dos “pobres estúpidos”. Enfim, uma seara de aberrações que se nós formos criticar passaremos a ser tratados como gado.

Acho incrível como o “ódio cega” e como se não bastasse o que a imprensa faz, todo dia, vem uma novidade extraterrestre: um cara do ministério público (assim mesmo, minúsculo) entrou com uma ação para afastar o presidente do comando do Ministério da Saúde e da Economia. Puta que pariu! Guedes foi eleito o melhor ministro da economia do mundo em 2019, Roberto Campos Neto, foi eleito o melhor presidente do de Banco Central do mundo, em 2020, o BDNES deu um lucro de R$ 20 bilhões, em 2020, atendendo 460 mil pequenas e médias empresas financiando a produção no Brasil, sem emprestar um centavo sequer a desgraças como Cuba, Venezuela e outras ditaduras corruptas africanas.

Uma das coisas que mais me causa indignação é a incoerência, na verdade a hipocrisia. Embora todos esses números estejam aí para verificar que Paulo Guedes tem buscado fazer um trabalho sério, muitos economistas, com visão esquerdista, só enxergam o que presidente diz e não o que governo faz. Eu não vou nem entrar no mérito dos recursos repassados para enfrentamento da Covid-19. Todos sabem que até na bunda de um senador esse dinheiro foi parar.

Esse é o Brasil atual. O Banco Central se tornou autônomo, a economia caiu menos do que o esperado, o país está em quinto lugar no mundo em quantidade de vacinas, a Fiocruz vai produzir 6 milhões de vacinas por semana, colocamos o primeiro satélite brasileiro em órbita, 95% dos contaminados estão curados, mas a quantidade de pessoas que se contaminaram na minha cidade, a 416 Km da capital, foram contaminados por culpa de Bolsonaro. Por favor, alguém que defende essa sandice, pode me explicar como? Basta me explicar uma vez. Eu aprendo rápido.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL E OPEN BANKING

A interferência do governo, digamos assim, na economia se faz através de duas políticas: a fiscal e a monetária. A política fiscal é atribuição do congresso nacional e trata dos gastos e da arrecadação do governo. O problema da política fiscal é a observância ao princípio da anterioridade, ou seja, medidas fiscais aprovadas num exercício só valem no exercício seguinte. A redução da alíquota do imposto, por exemplo, aumenta a renda disponível na economia e com isso aumenta o consumo. No entanto, se fosse aprovado uma redução do IR em 2021 seria válida para o IR de 2022. Muito tempo para salvar a economia de um colapso.

Medidas de efeitos mais imediatos são tomadas com a política monetária cujas diretrizes são definidas pelo COPOM – Conselho de Política Monetária e que tem como órgão executor o Banco Central. Então, Banco Central define o volume de moeda (nominal) que deve circular na economia. Através de compra e venda de títulos, o Banco Central aumenta ou diminui o volume de moeda e isso afeta a taxa e a inflação. Por exemplo, quando o Banco Central compra títulos, ele está botando dinheiro no mercado, aumentando a oferta de moeda e com isso diminuindo a taxa de juros. Em consequência eleva-se a inflação.

Desde a minha época como bancário que eu defendo a independência do Banco Central. A política monetária não pode ser vinculada ao interesse político, ou seja, não se pode fazer campanha política usando o Banco Central. Na campanha de Dilma havia uma peça que dizia que se Aécio ganhasse os juros ia aumentar e faltar comida na mesa do povo. Agora, duvido que outro candidato faça tal analogia. O que nós precisamos aqui é que a decisão técnica prevaleça sobre o interesse político. Essa questão do aumento da taxa de juros é uma medida, politicamente, indigesta. Todo mundo lembra quando José de Alencar, vice-presidente de Lula, reclamava publicamente da taxa de juros no Brasil. Com razão, porque quando os juros sobem o investimento das empresas cai, o crédito fica caro e restrito e isso complica a atividade econômica. Entretanto, não se pode baixar a taxa de juros por decreto, como Dilma fez para o Banco do Brasil e da CEF, porque os bancos possuem acionistas que esperam dividendos e se eles não chegam, os investidores se livram das ações. Taxa de juros deve ser equilibrada pelas forças de mercado. E pronto.

Uma coisa muito positiva é a definição de mandato fixo, 4 anos, para o presidente do Banco Central cujo início se dará em 01 de janeiro do terceiro ano do mandato do presidente da república. Assim, o mandato do presidente do Banco Central não vai coincidir com o mandato do presidente da república e, em adição, o presidente e a diretoria do Banco Central não poderão ser demitidos por pressões políticas. Isso é muito bom! É tão bom que Ciro Gomes disse: “Você vai poder votar para presidente, mas o presidente eleito não vai poder controlar o presidente do Banco Central”. Prezado Coroné de Sobral, por favor, me arresponda: Por que vosmicê acha que o presidente eleito precisa controlar o Banco Central?

A imbecilidade de Ciro Gomes é tanta que ele alega que “empregos, salários, tudo passa a ser controlado, na prática, pelos diretores do Banco Central (paus mandados dos bancos há mais de 20 anos)”. Aí, mais uma vez eu pergunto e eu mesmo respondo: 1) Pau mandado de quem? DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA! DO GOVERNO! 2) Com a autonomia do Banco Central o governo vai deixar de existir? Pelo que Ciro diz, tudo indica que em 2022 nós vamos votar presidente do Banco do Central e não presidente da República. Emprego, salários, depende de políticas, mas não apenas da política monetária. Empregos e salários poderiam ser maiores, por exemplo, se a gente tivesse um regime tributário menos injusto. Agora, as tratativas de medidas que trazem crescimento econômico passam pelo congresso tal como a questão das privatizações. Não é prerrogativa do Banco Central. O interessante é que Ciro é contra as privatizações e contra a independência do Banco Central.

Outra questão que coloco é que, infelizmente, essa autonomia não vem da forma que eu sempre sonhei porque as decisões da politica monetária continuarão sendo definidas pelo COPOM. Trata-se, sem dúvida, de um grande avanço. Com liberdade e critério técnico, o Banco Central poderá orientar melhor a política de crédito e incentivar o crescimento econômico sem viés político.

Em adição, a gestão atual do Banco Central tem avançado bastante na modernização do sistema financeiro. O PIX foi uma revolução no sistema de pagamentos instantâneos e agora vem o Open Banking. Atualmente, quem tem conta corrente num banco é submisso a ele. Paga tarifas estabelecidas, taxa de juros definidas pelo banco, etc. Seu cadastro é uma propriedade do banco e não do cliente. Uma pessoa que tem conta no Banco do Brasil depende da política do Banco do Brasil e o Bradesco tenha taxas melhores, essa pessoa teria quer fazer um cadastro no Bradesco, juntar toda documentação exigida para abertura de uma conta, esperar um tempo para que o banco entenda seu perfil de crédito (se é bom pagador ou não, por exemplo) e tudo mais. Com o Open Banking tudo isso fica pra trás. Basta você autorizar o compartilhamento dos dados e o Bradesco vai tomar decisões com base no relacionamento que você tem como BB. A competição no sistema vai beneficiar os correntistas e aplicadores. Obviamente que existem regras, dentre as quais, só participa do Open Banking quem tem autorização de funcionamento.

Vamos avançar mais. Cada vez que Ciro Gomes criticar, avance mais porque é bom para a população e ruim para as pretensões dele. Estamos adotando modelos que existem em outras economias mais desenvolvidas. Salve. O caminho é esse.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

POLICIAMENTO OSTENSIVO

Dia 01 de fevereiro Rodrigo Maia tirou a bunda da cadeira na qual se sentia o primeiro ministro do Brasil, embora tenhamos um sistema presidencialista. Enterrado o golpe que ele quis dar, com a ajuda dos canalhas do STF que votaram a favor disso, Rodrigo Maia voltou para o local de onde nunca deveria ter saído: o limbo. Maia, em conjunto com essa gente que luta contra o Brasil, tinha por objetivo concorrer ao cargo de presidente da câmara e com isso se colocar como alternativa de vice na chapa de Ciro Gomes. Conversas nessa direção são de domínio público. Hoje acusa ACM de abandono e prometeu deixar o DEM. Aí, ele enterra a carreira também para o bem do Brasil.

Com a derrocada junto ao STF, Rodrigo Maia teve que procurar o plano B e tirou, do fundo do oceano, Baleia Rossi, atual presidente do MDB, como candidato e alardeou que Baleia Rossi seria eleito no segundo turno. Interlocutores ligados a Maia disseram que ele conduziu o processo para ser candidato e que os nomes que ele defendia publicamente não passavam de enrolação. Espatifou-se na vaidade e quebrou a cara com o resultado do STF. Passado a primeira semana do mês, cadê Rodrigo Maia? Vai continuar morando em Brasília para não pegar voo comercial?

A chegada de Artur Lira, de quem não sou fã, traz alguma acomodação para o governo. Enquanto Maia usava os vários pedidos de impeachment como instrumento de pressão e meio de troca, a tendência é que Artur Lira não dê andamento a isso. Teremos uma eleição em 2022 e se você não quer Bolsonaro presidente tire-o com o voto. Outro aspecto é que as propostas não pautadas por Maia agora possam ter um encaminhamento normal. Precisa urgentemente colocar propostas econômicas em pauta, visto que passamos dois anos a mercê da imbecilidade de Maia.

Uma das questões cruciais é a reforma administrativa. Quando se fala nisso, os esquerdistas, os sindicalistas, etc. acham que somente o poder executivo tem funcionário público. É sabido que o governo é ineficiente e que parte dessa ineficiência se deve ao tamanho do estado. Mas, é preciso que se adote ações que permitam a governabilidade. O governo do Rio Grande do Sul reduziu seu déficit em seis vezes e o governo federal economizou R$ 500 milhões de reais com pagamentos de diárias, por exemplo. As reuniões remotas estão aí mostrando que é possível defender tese e dissertações de forma não presencial; que conselhos de administração de estatais podem se reunir remotamente, etc.

No início da pandemia falava-se sobre redução de salário. Toffoli, numa reunião como desembargadores, disse que “ninguém irá reduzir nosso salários” e eu disse a um grupo de amigos que relaxassem porque se o salário de Toffoli não poderia ser reduzido o meu também não seria porque eu sou concursado e ele é indicado, logo, sou mais funcionário público do que ele. Então, quando os esquerdistas ouvem falar de reforma administrativa já enveredam pela teoria da conspiração achando que as regras afetarão quem já é funcionário e com isso esquecem um preceito constitucional importante: “a lei só retroage para beneficiar.”

O fato é que o policiamento ao governo continuará ostensivo. Maia era apenas um moleque de recados da esquerdopatia e dos alucinados ministros do STF gratos pela indicação que receberam, mas que não chegam nem a ser um “juiz de merda” como Celso de Mello. O sinal de que o embate vai continuar em campos ainda incertos são dois: o primeiro é que Lewandowski levantou sigilo das conversas de Moro na Lava Jato, exatamente, no dia 01 de fevereiro. Um nítido movimento de sinalização para o congresso, numa tentativa de influenciar a eleição. Esse canalha é craque nisso: em 2018 autorizou a entrevista de Lula com o objetivo de beneficiar Haddad. Baleia Rossi prometia analisar pelo menos um pedido de impeachment. Lewandowski enviou as gravações para a turma que julga a suspeição de Moro e o desenho está feito com as declarações de Gilmar Mendes: “Esse homem merece um julgamento justo”. Entenda-se que julgamento justo só existe se Lula for inocentado, readquirir seus direitos políticos e concorrer em 2022.

A segunda questão é a divulgação de crimes cometidos por Artur Lira, inclusive uma denúncia da sua esposa. Pura intimidação. Salvo engano o STF arquivou um processo contra ele, mas isso não o faz inocente. Eu digo sempre: o cara não é inocente porque não existem provas contra ele. O cara é inocente porque não cometeu crimes. Lula, por exemplo, vai ser inocentado pelo STF, mas todos nós sabemos que de inocente ele não tem nada.

Para concluir, vem a indicação de Bia Kicis para CCJ. Achei coerente o posicionamento de Janaína Paschoal. Ela disse que embora discordasse de Bia, entendia que ela foi escolhida pelo voto popular e se elegeu democraticamente e que pode ser indicada para presidir qualquer comissão. Está certíssima! Vendo o STF declarando guerra caso ela seja conduzida à presidência da CCJ, vem a aquela sensação de que isso pode ser bom para o Brasil.

Que raio de democracia é esta que só a esquerda pode governar e assumir cargos em comissões no congresso?

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PARTIDOS POLÍTICOS

O grande mal do Brasil é a presença dos partidos políticos. Não que eles não sejam necessários para exercício da democracia, mas pela reles transformação num corporativismo desmedido onde cada membro fecha os olhos aos desvios de condutas do outro, apenas porque faz igual. O conselho de ética dos partidos políticos é formado, em geral, por membros suspeitos de práticas antiéticas e no meio do lixo qualquer objeto de valor vai ser visto como lixo.

Todo mundo lembra quando Edson Fachin colocou Aécio Neves em casa, afastando-o do senado e das funções políticas. Nessa ocasião, o presidente do senado, Renan Calheiros, esbravejou aos quatro cantos que nenhum ministro do STF poderia ultrapassar os limites constitucionais e violar a independência do legislativo (ele pode fazer isso com o executivo). O senado não autorizou o processo contra Aécio e ele retornou ao senado. Apenas para completar: ele era presidente do PSDB e com seu afastamento assumiu Tasso Jereissati que, em diversos momentos, falou em expulsar Aécio do partido. Ao receber o sinal verde do senado, Aécio reassumiu as funções no PSDB e a primeira coisa que fez foi afastar Tasso da presidência, indicando Alberto Goldman, seu fiel aliado. O PSDB abriga esse corrupto e fica falando da corrupção dos outros.

A questão do partido político é a obediência cega das suas prerrogativas. A deputada Tabata Amaral, por exemplo, foi duramente criticada por Ciro Gomes porque votou a favor da Reforma da Previdência. Então, mesmo que individualmente um partidário acredite numa proposta, ele não pode apoiar se esta não for do interesse da maioria do seu partido. O país que vá para a PQP. No meu entender, este é um grande limitador de ações e do surgimento de alternativas menos ideológicas e mais práticas.

Nos idos de 2010, com a eleição para presidencial se formando, o nome de Joaquim Barbosa surgiu em várias pesquisas eleitorais. Ele acabara de se aposentar do STF, tinha no currículo a condenação dos cafajestes da famosa ação 470, que para Lula foi apenas verbas não contabilizadas, mas que condenou Marcos Valério – e apenas ele – a 40 anos de prisão, e resistia a uma filiação partidária. O PSB, por exemplo, negociou e ofertou o quanto pode para ter Joaquim Barbosa como cabeça de chapa em 2010. No último dia permitindo para filiação partidária ele declinou do convite. Alegou problemas familiares, mas isso foi apenas uma forma de dizer que não iria se sentir bem ao lado de pessoas que ele condenara.

A Constituição Federal, no artigo 23, trata dos direitos políticos e dentre estes elenca o direito do cidadão brasileiro votar e ser votado; de participar diretamente ou através de seus representantes devidamente eleitos. Parece, então, natural aceitar que a candidatura através de um partido político deveria ser praxe de quem quer concorrer por um partido político e não uma imposição geral. Então, restrição decorre de um interesse do próprio partido, por diversas razões, dentre as quais manter a ideologia mais forte do que interesse pessoal e angariar recursos com doações dos seus membros.

Não pensem vocês que as causas nobres dos partidos estão apoiadas nas hipóteses acima. O que move um partido político é a avidez por dinheiro para que ele possa se perpetuar no poder, como ocorreu no mensalão. O interesse dos partidos em manter a obrigatoriedade de filiação chama-se Fundo Partidário. De acordo com a lei 9.096/95, alterada pela lei 11.459/2009, a distribuição do fundo partidário se faz assim: a) 5% dividido proporcionalmente a todos os partidos; 95% divididos de acordo com o número de votos, na última eleição, para a câmara de deputados. Entendeu ou quer que eu desenhe?

Em 2017, Gilmar Mendes estava no TSE e essa questão chegou nessa instância. Ele comentou que isso afetaria a distribuição do fundo partidário e a legislação. Putz!!!! De quem é a competência de legislar? A lei pode ser alterada em benefício do interesse social e a porcaria do fundo partidário não sofreria nenhum problema de distribuição porque continuaria com os 5% proporcional e com os 95% proporcionalmente ao número de votos. Outro argumento contrário seria que aos poderosos seriam eleitos, mas eu tenho minhas dúvidas sobre isso e acho que isso precisaria ser disciplinado. Mas, o que eu vejo mesmo é o interesse de fortalecer os partidos, embora eles sejam verdadeiras uniões de canalhices.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

VAMOS AOS FATOS

O Brasil sempre foi reconhecido, interna e externamente, como um país pacífico. A nossa política de relações internacionais se calcava em dois pilares: futebol e carnaval. Sempre fomos o país do carnaval e, na ausência de craques como Pelé, Tostão, Zico, Sócrates, etc. o futebol tem sido questionado pelos parcos resultados nas Copas. A Alemanha nos humilhou com aquele 7×1 e tinha vaga para mais.

Fomos tudo isso até 2016 quando ocorreu o impeachment de Dilma. De 2016 a 2018 passamos a ser um país de golpistas e de 2018 para cá, um país de fascista. Por mais que se diga que o governo Dilma cometeu um erro orçamentário, não tem jeito: goooooolpiiiiiiiistas!. Apenas para lembrar: os programas sociais do governo Dilma foram pagos com recursos dos bancos públicos sem que o Tesouro Nacional fizesse, previamente, a transferência desses valores. Então, o governo usou créditos sem autorização do congresso e isso está na Constituição Federal como um dos crimes de responsabilidade do presidente. Simples assim.

Eduardo Cunha vai lançar um livro intitulado Tchau Querida, O Diário do Impeachment, no qual relata a ativa participação de Michel Temer na articulação desse processo. Em referência a Rodrigo Maia, ele afirma que “Maia era um personagem desesperado pelos holofotes do impeachment de Dilma e pleiteava assumir a relatoria da Comissão Especial do Impeachment”. Esse mesmo Maia que no final do ano passado, junto com Alcolumbre, procurou ministros do STF (note: ele não procurou a instituição, procurou ministros daquele antro de prostituição) para mudar o entendimento de que VETADO pode significar permitido, como fez Gilmar Mendes num voto de 64 páginas.

Logicamente, duas coisas aqui se destacam: a primeira é que houve a pedalada fiscal. Os bancos públicos bancaram programas sociais sem o aporte de recursos do Tesouro Nacional. Emprestaram dinheiro, sim!, ao governo e isso é ter crédito orçamentário sem autorização do congresso. Imagine uma pessoa com cheque especial que usa o saldo da conta além das suas disponibilidades porque o banco concede o crédito. A segunda é essa eventual conspiração. Temer de olho no cargo, o Brasil de olho em Marcela. Mas, esse movimento só se tornou viável por conta da primeira, ou seja, se não houvesse as pedaladas, esse pessoal não teria argumento para tirar Dilma do poder. Francamente, caso Dilma tivesse continuado no poder, o partido seria dizimado nas urnas. Por isso, eu acho que, por baixo dos panos, muita gente do próprio partido, e dos partidos aliados, também se moveu nesse processo de eutanásia do governo Dilma.

O andamento dos fatos no Brasil parece acentuar o tamanho da instabilidade. A presença de Rodrigo Maia, por mais uma semana, como presidente da câmara pode detonar a maior crise institucional nesse país. Se for eleito seu candidato, a instabilidade vai continuar diariamente. Rodrigo conta com o apoio da mídia e com os partidos de esquerda, mas não contará mais com a proteção do foro privilegiado, já a partir do dia 01/02/2021. Isso quer dizer que seu processo deve ser encaminhado para primeira instância. Entendam: existe uma ameaça latente entre Maia e o governo: se ele não acatar o impeachment, não será denunciado pela PGR. Se for denunciado, o impeachment é aceito. Esse acordo acaba no dia 31 próximo e daí teremos Maia pensando, única e exclusivamente, no seu umbigo.

Tenho refletido bastante sobre esse momento político do Brasil. O impeachment de Collor foi decorrente da corrupção. Dilma teve, além da corrupção, as pedaladas, mas uma coisa me chama a atenção. Desde as roubalheiras do governo FCH, os protestos da oposição foram sufocados pela bancada de apoio ao governo. Com FHC, o PT só fazia espuma, com Lula, a base do governo foi alimentada com dinheiro do mensalão. O que eu vejo é que a paz parece significar ser governado pela esquerda.

Em nome da paz que seja eleito um presidente de esquerda e que ele encontre outro Marcos Valério para arrumar dinheiro com contratos fraudulentos e comprar votos de congressistas, dando chance ao partido se perpetuar no poder, afinal, alternância de poder em democracia é balela. Basta ver a República Democrática da Venezuela. Que se desviem recursos da Petrobras, dos fundos de pensão, das empresas estatais e que estes recursos enriqueçam a família do presidente e os partidos da base de apoio. Que se construam novas arenas, como a Mané Garricha que foi orçada em R$ 641 milhões e custou R$ 1,2 bilhão. Que se construam novas refinarias como a Abreu e Lima que deveria custar US$ 2,1 bilhões e custou US$ 20,6 bilhões para operar com 50% da sua capacidade, tendo somente 75% de suas instalações concluídas. Que se concluam obras viárias nas cidades da Copa 2014 aportando mais recursos, afinal os valores anteriores não alimentou todas as bocas. Que todos os políticos eleitos sejam políticos denunciados e processados por improbidade administrativa.

Que as pessoas honestas continuem votando em candidatos honestos que nunca são eleitos. Que o STF continue anulando provas, dando novas interpretações jurídicas para beneficiar corruptos, anulando depoimentos, que transforme em Súmula Vinculante os comentários de Goiano Braga Horta. Que declare suspeito todo juiz que trabalha sério e que sejam promovidos todos aqueles que vendem sentenças, como o escabroso caso no TJ-BA.

Acordei do sonho que era possível um país sem corrupção. Estou assustado quando vejo até onde vai a canalhice política de um governador deixar de comprar oxigênio numa empresa concorrente a White Martins porque ela é de propriedade da família de um adversário político. Matou pessoas, apenas por interesse político. Chega! Eu quero meu país de volta.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

FORD: DECISÃO PRECIPITADA?

A decisão da Ford de encerrar as atividades de produção no Brasil não se pode dizer que foi surpresa, afinal, em 2019 a unidade de São Bernardo do Campo já havia sido fechada e isso acendeu uma luzinha de alerta nas concessionárias em todo Brasil. Este ano, precisamente, faria 20 anos que a empresa atuava em Camaçari – BA num acordo fruto de uma “violenta” guerra fiscal entre os estados, até Pernambuco se ofereceu.

Quando Antônio Brito foi governador do Rio Grande do Sul, ele negociou com a GM e com a Ford a instalação dos parques de produção em terras gaúchas. Havia um pacote de incentivos fiscais que foi renegociado pelo governo Olívio Dutra, dentre os quais, o aporte de R$ 420 milhões, mais ou menos, como contrapartida do estado para financiamento do capital de giro. Olívio Dutra vetou esse financiamento e Ford não aceitou. Antônio Carlos Magalhães, Senador pela Bahia em 1999, ofereceu tudo que a Ford pleiteou, vendendo, inclusive, um terreno a preço simbólico. A Ford ganhou isenção de impostos federais, estaduais e municipais, tais como 100% de redução do imposto de importação, redução no IPI sobre a aquisição de bens de capital e, salvo engano, havia também isenção do imposto de renda sobre os lucros. Isso mesmo.

ACM brigou com FCH ameaçando, inclusive, deixar a base de apoio do governo caso o congresso não mudasse a lei para permitir a instalação da Ford na Bahia. Marco Antônio Maciel, então Vice-Presidente, colocou o PFL na defesa do pleito e a lei foi mudada. Dilma, mais tarde, criou o INOVACAR que atrela benefícios fiscais à investimento em P&D.

A SUDENE concedeu benefícios fiscais por 20 ou 30 anos para empresas que se instalarem no nordeste. O parque industrial do Curado, em Recife, tinha empresa como Tintas Coral, Romi, Phillips, Gerdau, Microlite, enquanto em Paulista você encontrava a Hering, Pirelli, etc. Acabou o benefício fiscal estas empresas fecharam suas portas. Estavam aqui porque os custos de produção eram menores, mas não me recordo que alguma parcela do lucro fosse reinvestida na região. Assim, do ponto de vista dos benefícios que a Ford recebeu, trata-se de uma grande sacanagem sua saída do país. Agora, não estou aqui me colocando como advogado do governo federal, mas não foi o presidente FHC quem levou a Ford para a Bahia, foi um senador e até onde sei a Bahia tem três no exercício do mandato. A Bahia tem um governador e Camaçari tem um prefeito. O que fizeram? Nada. Transferiram a responsabilidade que é mais fácil e encontraram respaldo nas redes sociais.

O balanço patrimonial da Ford e o demonstrativo de resultados estão disponíveis na internet. Entre 2015 e 2019, o passivo cresceu 14,94%. Eu destaco três pontos: aumento de 19,65% na dívida de longo prazo, aumento de 11,91% na dívida de longo prazo com o Ford Credit e o mais interessante, um aumento de 65,10% em ações em tesouraria. Sabem o que é isso? É o registro contábil que a empresa faz quando ela própria compra suas ações no mercado. Por que a Ford estaria comprando suas ações? Há um registro de prejuízo de US$ 315 milhões, mas não consegui separar por unidade produtiva.

O dano causado pela saída da Ford não vai ser apenas nos seus funcionários. De cara a Bahia vai perder, por baixo, uns R$ 5 bilhões, mas há uma cadeia produtiva que será afetada duramente que é formada por fornecedores da empresa, alguns desses, exclusivos. Vamos tomar como exemplo o caso dos fornecedores de tinta. Na linguagem econômica chama-se Monopsônio ao tipo de mercado onde há somente um comprador. O Monopsônio é uma imperfeição do mercado tanto quanto o Monopólio, caso em que há apenas um vendedor. Ambos geram custos sociais, mas entendo que o monopsônio é pior do ponto de vista da reestruturação. A Ford fechou, mas seus fornecedores possuem capacidade de continuar ofertando seus produtos em outros mercados. Não é fácil, mas é na crise que surgem as boas ideias.

Economicamente, a Ford está fazendo uma reestruturação de investimentos com foco para produzir mais na América do Norte. Saiu da Austrália, saiu do Brasil, optando pela Argentina cujo mercado é 10 vezes menor que o nosso, mas que produz o SUV que custa mais caro do que os carros produzidos no Brasil que se situam na faixa dos R$ 50 mil. O que a Ford está fazendo é valorizando a margem de contribuição do seu produto. Por que usar uma estrutura grande para fazer um carro que custa R$ 50 mil quanto se pode usar uma estrutura menor para fazer um carro que custa R$ 200 mil? A questão é custo e competividade. A Ford foi fundada em 16/06/1903, em Michigan, EUA, portanto, trata-se de uma empresa que tem 118 anos de existência e vale no mercado US$ 39,95 bilhões, enquanto a Tesla, fundada em 2003, vale US$ 96,96 bilhões. É preciso desenhar?

A Argentina possui condições econômicas piores que a nossa, mas a estrutura operacional da Ford no Brasil é muito grande e com a queda em vendas e produção gera-se uma ociosidade difícil de reverter, ainda mais porque a empresa ocupa o 5º lugar em vendas no Brasil. A decisão, portanto, é uma questão de sobrevida de uma empresa centenária. Até onde eu sei, o governo tentou negociar, mas como eu disse isso também era dever dos gestores da Bahia porque os empregos principais estão lá. Uma questão precisa ser tratada: a indústria automotiva precisa de apoio. As vendas estão despencando e, de fato, é preciso atrair investimentos. Acredito que é hora de rever o INOVACAR para tornar a indústria mais competitiva.

Em adição, a tecnologia na indústria vai continuar crescendo e aquelas que não se prepararem vão mesmo sair do mercado. Pessoas serão substituídas por robôs que não adocem, não recebem salários, não tem encargos sociais, trabalham 24 horas por dia e não são sindicalizados.

Assista ao vídeo a seguir e veja um sistema de produção inovador que já existe:

Enquanto isso ocorre, as universidades criam disciplinas como ento-afro-matemática.

Muito útil para competir com esse tipo de mudança tecnológica.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

RECONHECIMENTO EXTERNO

As eleições de 2018 levaram para o segundo turno Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Só um deles poderia ser eleito e o povo escolheu Bolsonaro. Para 57 milhões de eleitores ele era melhor do que Haddad, mas sua vitória deve, também, ao plano econômico de Paulo Guedes que atraiu a atenção e o interesse do mercado. Todo projeto deve descrever os Usos e Fontes. Os Usos relatam o que será feito e as Fontes, óbvio, de onde virá o recurso. Quando um político diz “nós vamos gerar 1 milhão de empregos” ele precisa de “como” vai fazer para me convencer. Na campanha de reeleição Lula disse, num debate, que “ia gerar 10 milhões de emprego” e quando foi cobrado ele disse que tinha dito que o “o Brasil precisava de 10 milhões de emprego”. Além de faltar “o como” no projeto de Haddad sobrou perspectivas de estatização que o mercado não vê com bons olhos.

Paulo Guedes tocou em três pontos cruciais para a economia: inflação, equilíbrio fiscal e crescimento. A diferença foi ele disse que iria reduzir a dívida com privatizações e concessões. Junto com as reformas, a dívida cairia pela metade. Ou seja: ele disse o problema e mostrou o caminho seguir. Para quem não lembra, ou não deu importância, a Bolsa de Valores ultrapassou a marca de 100 mil pontos com a decisão do segundo turno e chegou a 114 mil pontos no início de 2019. Guedes pegou um país esfacelado com endividamento público de 87% do PIB, juros altos, inflação inquietante e 13 milhões de desempregados. Apesar disso, o país começou a gerar emprego e terminou 2019 com 950 mil empregos novos.

Dentre algumas ações tivemos: aprovação da reforma previdenciária (que não resolve diante da fragilidade do sistema de repartição que temos), a liberdade econômica, privatização de subsidiárias, redução do depósito compulsório e isenção de tarifas de importação para remédios contra câncer e AIDS e para equipamentos diversos. No todo foram 1189 itens liberados. Guedes recebeu o prêmio de melhor ministro da economia do ano, por uma revista internacional. Uma revista que faz análise de dados para órgãos como o Banco Mundial. Não é um grupo de jornalistas investigativos.

O ano de 2020 não foi fácil. Restrições levaram a economia para a beira do abismo. Volta do desemprego, inflação de demanda devido a alta dos preços de produtos da cesta básica, como arroz e óleo. O auxílio emergencial fez a economia crescer, no terceiro trimestre de 2020, 7,70% e a previsão de queda do produto, que era estimada em 9,60%, tende a ser menos de 4%. Enquanto isso, a esquerda com o apoio do jornalismo depreciativo cobra do ministro Guedes a empregabilidade de 14 milhões de pessoas que ficaram desempregadas com a política dos seus ídolos. Reconhecimento interno apenas de quem se despoja de ideologia e se coloca favor do país. Apesar das inúmeras críticas daqueles que torcem pela desgraça, eis que o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, foi escolhido como “o melhor presidente de Banco Central”, no mundo. Mais uma vez: a escolha não foi feita por jornalistas investigativos, mas por uma conceituada revista vincula ao Financial Time.

Quem dita a política econômica do país é o COPOM – Conselho de Política Monetária e o Banco Central cumpre, e faz cumprir, as decisões desse conselho. Atua como banco dos bancos e mediante a política monetária, determina a oferta de moeda e com isso influencia a taxa de juros (que tem impacto no mercado de bens, no investimento, etc.) e a taxa de inflação. Quando o banco central compra títulos, ele retira dinheiro da economia e reduz a oferta de moeda, aumentando a taxa de juros, a inflação tende a cair porque ao invés de consumir as pessoas irão investir, o investimento cai, a bolsa de valores cai. Quando compra títulos, o movimento é oposto. Desde a época de bancário que eu defendo a autonomia do Banco Central.

Um grande feito do BACEN foi a implantação do sistema de pagamentos instantâneos, PIX, em operação desde novembro passado. Observe: quando você paga um boleto bancário, a transação se faz(ia) via sistema de compensação, ou seja, o dinheiro estaria na conta do credor após 24 horas, dependendo do “float”. Float é o tempo que o banco fica com o dinheiro das cobranças que faz e geralmente é negociado como D+1, D+2, etc. O número indica o tempo que os recursos seriam transferidos para a conta do cliente, após a cobrança. O PIX elimina isso, assim como acaba a necessidade de se fazer DOC ou TED. Na prática, o custo das transações financeiras fica mais barato. Para fazer um DOC, por exemplo, pagava-se R$ 17,00 e com o PIX, cada transação sai por R$ 0,10, no máximo.

Veremos sempre pessoas criticando a política econômica atual, mas o Brasil não está melhor por conta do sistema protecionista de privilégios que vivemos. As privatizações deveriam estar muito mais aceleradas, mas esbarrou na capacidade questionável de Lewandowski e com isso há de se ter autorização do congresso. Não fosse isso, o país poderia ter dado largos passos na direção de um crescimento econômico mais sólido, entretanto, não se pode brincar de liberdade econômica para não confundir investidor. Digo isso pelo recente PL 2963/2019 que facilita a compra ou arrendamento de terras rurais no Brasil por empresas ou pessoas físicas estrangeiras.

Vi um monte de protesto, inclusive uma promessa de veto por parte do presidente. Bobagem isso. Primeiro porque se trata de uma atualização de uma lei (5709/1971) e depois porque regulamenta o uso do capital produtivo independente da origem. O pessoal da necroeconomia, necroecologia, etc. já começou “ah, eles vão produzir commodities, vão matar a gente de fome, ui, ui, ui…”. Esse alarmismo, que eu vejo no modelo de Malthus sobre crescimento populacional (“a população cresce em progressão geométrica e os alimentos em progressão aritmética”) é simplesmente ridículo. Aqui nesse país o cara é condenado pelos crimes que pode cometer. Bom: a lei prevê que até 25% das terras podem ser vendidas ou arredadas, por que não se regulamenta, no próprio PL, o uso dos outros 75% restantes? O pessoal está esquecendo que crescimento vem com a geração de renda e o tesouro nacional não tem recursos para sustentar auxílio-emergencial eternamente.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM AGRADECIMENTO

Chegamos ao final de 2020 com muitas mágoas, com muita tristeza causada pela dor da perda de pessoas amigas, de familiares e, até mesmo, de outros que a gente conhecia através da arte como Aldir Blanc, Paulinho do conjunto Roupa Nova, Armando Mazareno, dentre tantos. Faltou uma ação associada ao “fique em casa” esperando os pulmões estourassem para depois procurar o hospital e ser matéria prima da imprensa noticiando mais uma morte em letras garrafais. Eu sou amante da Física e nela um tema que muito me atrai é a dinâmica que estuda as causas dos movimentos. Faltou isso: estudar as causas.

A ciência deixou muito a desejar. Não apenas porque não produziu respostas imediatas, mas também porque não se prontificou a explicar fenômenos fora do padrão e dentre estes eu cito o caso do número de óbitos na África bem menor do que muitos países desenvolvidos. O que tivemos lá de tão diferente? Muitos se referiram ao uso de remédios contra verminoses, notadamente o ivermectina. Eu não estou aqui dizendo que o uso do remédio evitaria a doença ou a morte. Ainda não tirei meu diploma de imbecil. O que estou dizendo é que onde foi usado houve menos mortes. É só comparar com as demais regiões. Eu não sou imbecil para acreditar numa correlação significativa entre número de óbitos e dosagem de ivermectina. Só um tolo pensa assim. Mas, caberia à ciência analisar se havia causalidade, no mínimo, uma relação de causalidade. Custava o quê? Não sei, mas talvez menos mortes! A ciência tem suas escolhas e raras estão dissociadas do poder econômico e do interesse político. A ciência sustentou a produção de gases para matar judeus nos campos de concentração.

Vamos entrar em 2021 sob os auspícios de uma vacina. É necessário? Lógico! Mas, onde está nosso Albert Sabin? Esse cara foi o maior exemplo de dignidade para quem faz ciência. Ele renunciou aos direitos de patente da vacina contra poliomielite pelo mundo, fato que permitiu uma difusão maior da vacina e que, graças a isso, eliminou, quase que totalmente, o vírus da poliomielite no mundo e o ele não ganhou um centavo com isso. Não há mais Sabin no mundo? Creio que não. Há uma indústria farmacêutica que visa lucros com o AZT que o SUS compra para dar, diariamente, aos soropositivos. Uma indústria que lucra com as aplicações de quimioterapia, a cada 21 dias, ao preço módico de R$ 5 mil (tomando como referência uma medicação dada a minha irmã em 2006) por aplicação. Precisa ser muito burro para ofertar um remédio que cure a AIDS, o câncer, a diabetes, etc. Precisa ser muito burro mesmo.

Infelizmente a memória de longo prazo não funciona para alguns, mas parece que as pessoas colocaram no esquecimento a campanha massiva da indústria farmacêutica contra os remédios genéricos, numa alucinada divulgação de que eles não serviriam. Usaram médicos cujas pesquisas eram financiadas por laboratórios para defender remédios de marca. Eu vejo tudo isso hoje exatamente como um flashback. Grandes autoridades médicas se posicionando contra isso ou aquilo atendendo preceitos da indústria farmacêutica. No Brasil, foi preciso uma lei (Nº 9.787, de 10/02/1999) para que médicos do SUS prescrevessem o princípio ativo do remédio e isso provocou uma mudança no comportamento da indústria farmacêutica que se adequou para ofertar o princípio ativo e com isso aumentou o preço de remédios genéricos. Em vários casos eles passaram a ter preços quase idênticos aos remédios de marcas e há casos que são mais caros!

Vamos adentrar 2021 com esperanças diversas das que tivemos para 2020. Nossa esperança é que a vida volte à normalidade, que a economia gere empregos, que as pessoas possam respirar aliviadas.

Para nós do JBF, o tempo não parou. Com a pandemia buscamos uma forma de nos conectar num ambiente remoto e jogar conversa fora bem no estilo do que diz Neto Feitosa: aqui só cabem inutilidades mesmo. Foram 16 quintas-feiras e duas terças que contamos com o bom humor de Luiz Berto, Rodrigo de Leon, Sancho Pança, Maurino Júnior, Jesus de Ritinha de Miúdo, Roque Nunes, Goiano, Renata Duarte, Marcos André, Rômulo Simões, Adônis Oliveira, Neto Feitosa, Marcos Mairton e Fernando Gonçalves (espero não ter esquecido ninguém, mas se aconteceu, de antemão, peço desculpa).

Esse “magote” de abestalhados falou de tudo: cornos, boiolas, doidos, dos costumes do povo mato-grossense, filosofia de bares e de para-choque de caminhão, da profissão mais antiga do mundo, de viagens à China e à cochina, da língua portuguesa, do Enem, do cearês, do pernambuquês, da cultura na lei, de Orlando Tejo, e a última do ano, apesar das intercorrências da tecnologia, um apanhado sobre as músicas de duplo sentido e cacofonias. Agradecemos a presença dos leitores e colunistas como Xico Bizerra, Cícero Tavares, Artur Tavares, Hélio Fontes, Ivon, Pablo, Aristeu Teixeira, Arael Costa, e tantos outros que se conectam para ouvir lorotas, mas quero agradecer particularmente, a Jesus de Ritinha de Miúdo pelo batismo do ambiente: Cabaré do Berto! Tem ainda a inserção (esperamos que longa) de Constância Uchôa que ontem emocionou com sua beleza potiguar e suas declamações.

Encantou-nos também a presença de Patrícia Luís, uma mineira de Viçosa que, esperamos, brevemente estará trazendo um trem de coisas de Minas para o Cabaré. Esperamos que outros colunistas como Marcelo Bertolucci, George Mascena, Francisco Iteraço, Altamir Pinheiro, José Paulo Cavalcanti, Xico Bizerra (Dominguinhos seria um bom tema), Carlito Lima, Carlos Eduardo, Narcélio, José Domingos, e todos os demais que ainda não participaram, nos brindem com sua experiência. Temos alguns como problemas de internet (Dalinha Catunda, José Ramos), outros com agenda (Jessier Quirino), que esperamos resolver. Teremos 52 quintas-feiras pela frente. Somos muitos colunistas, somos muitos leitores e não precisa participar de todas as reuniões, basta agendar uma data e falar “inutilidades”. Assim, deixo meu abraço a todos e que venha 2021. Uma coisa eu tenho certeza: toda quinta das 19h30 às 20h30 eu vou ter motivos para sorrir.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

POLÍTICA NEOLIBERAL

Nesse Brasil de contraste o que mais vejo são críticas à política neoliberal como uma forma de atacar o projeto econômico de Paulo Guedes. O governo militar acabou com João Figueiredo e todo mundo acreditou no governo Tan credo Neves, porém bastou um “Pinote” para o presidente eleito no colégio eleitoral chegar ao além. Assumiu o grande estadista José Sarney cujo pensamento mais expressivo foi: “eu não pedi para estar aqui, então não vou pedir para sair”. Seu programa de governo foi lutar para ficar 5 anos no poder e do ponto de vista econômico foi responsável por quatro planos econômicos: Plano Cruzado (I e II) com Dilson Funaro, Plano Bresser Pereira e o Plano Verão, com Maílson da Nóbrega. Nenhum eficiente e todos fadados ao desastre.

Bresser Pereira, para mim, é o exemplo vivo da máxima de Fernando Henrique Cardoso “esqueçam o que eu escrevi”, porque seguramente ele esqueceu o que ensinava. A inflação era calculada entre o dia primeiro de dois meses consecutivos e o cara mudou a regra para calcular entre o dia 15 de dois meses consecutivos. Problema zero porque a data focal pouco importa quando se usa juros com capitalização composta. O problema é que o nobre professor “esqueceu” os 14 dias do mês que transcorreram e que já sinalava inflação de 26,02%, ou seja, uma inflação de 64,14% ao mês. O cara zerou essa inflação nos 14 dias e isso afetou a atualização do saldo do FGTS, da caderneta de poupança, etc. Resultado: o caso foi parar na justiça e as perdas que o governo teve foram pagas com aquela multa de 10% sobre o saldo do FGTS na demissão por justa causa.

FHC implantou, para os descerebrados, uma politica neoliberal. Ué! Tudo isso por o cara vendeu empresas públicas para atenuar o agravamento da dívida pública? Eu discordo muito do método: emprestar dinheiro do BNDES para os caras comparem e também acho que o valor das vendas poderia ser melhor, mas não discordo da ação: se dependesse de mim eu teria vendido muito mais. Com isso, os sindicalistas, que vivem da grana das contribuições dos funcionários, colocaram na cabeça dos inocentes que o neoliberalismo é danoso para economia e para a população. Veio o governo petista e em termos de política econômica não se observa uma linha sequer diferente do que FHC fez. O governo petista fez concessões, embora critique o governo anterior.

A Heritage Foundation publicou seu relatório/2020 de liberdade econômica no mundo. O Brasil ocupa o 144º lugar, superando países como Camarões, Etiópia, Zâmbia, Guine-Bissau, Argentina, Hiati, Angola, Libano, Kiribati (tem mais com tanta expressividade), mas os três últimos colocados são Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. Com índice melhor do que o Brasil está Nepal, Egito, Togo, Afeganistão para não falar aqueles com qualidade de vida infinitamente melhor do que a nossa como Austrália, Suíça, Reino Unido, Dinamarca, etc. Muitos desses países sem a capacidade de recursos naturais que nós temos.

Aí, de repente, vem uma aluna, com 19 anos de idade, e me diz que a política neoliberal é uma praga. Eu pergunto: qual foi a sua experiência com algum governo neoliberal no Brasil? Cite as ações do governo neoliberal que você conhece e que afetou negativamente a economia brasileira. Vejam só: a garota está no terceiro período do curso, entende? Passam uma literatura doutrinária que só aponta um lado da história. O aluno, até por medo de contradizer o professor, acaba aceitando isso como uma verdade absoluta. Nas minhas disciplinas o aluno me contradiz o quanto quiser, enquanto se tratar de uma opinião, mas se ele disser que 2>4, vai precisar provar. Para abrir o debate eu peguei o relatório da Heritage Foundation e pedi para que eles pesquisassem os indicadores econômicos nos países que estão acima do Brasil e comparassem. Fizessem o mesmo com os países abaixo e verificassem de quem a gente está se aproximando.

Eu me acostumei a destruir babaquices com a teoria. Numa aula de Microeconomia e falei sobre como o monopolista determina o preço do seu produto e o custo social que ele gera com isso. Pedi exemplos de monopólio e a Petrobras foi mais citada. Na prova pedi para falarem sobre o monopólio na UNE na emissão de carteira de estudantes e comparassem com o que tinha sido debatido em sala. Foi hilário ver os protótipos de comunistas criticarem a UNE.

Atualmente, o governo brasileiro é exercido pelo STF. Paulo Guedes zerou impostos para importação de armas e munições e o ministro Fachin revogou. Paulo Guedes que vender estatais e Lewandowski defendeu que só com autorização do congresso. Que droga de liberdade é essa que o presidente eleito faz uma coisa e o STF desfaz? Caramba, já é um desastre a intromissão do executivo, agora, vem o judiciário para ditar normas? E pior ainda: as intromissões do judiciário são para atender demandas de partidos de esquerda. Só isso.

No dia do anúncio sobre a isenção de tarifas para importar armas, as ações da Taurus valiam R$ 17,70. No dia seguinte caíram 1,94%, no dia seguinte, caíram 1,29%, e numa semana acumulou uma queda de 10,56%. Fecho ontem a R$ 15,04, ou seja, uma perda de 15,06%. A empresa anunciou que iria investir mais nos Estados Unidos. Por mim, ótimo. Não é a arma da Taurus. Essa deve ser registrada no Sinarm – Sistema Nacional de Armas da Polícia Federal. O que me mete medo é o fuzil AK-47 e a submetralhadora com mira telescópica e capacidade para 100 tiros por minuto que se acham com facilidades nos morros cariocas, onde o próprio Fachin proibiu a polícia de fazer seu trabalho. Agora, imagina o sentimento de uma empresa estrangeira que se beneficia com uma decisão do governo, resolve investir no país, para um imbecil que só estudou Introdução à Economia usar a toga para mudar a decisão.

Eu torço bastante para que as pesquisas sobre o uso da inteligência artificial na área de direito avancem rapidamente. Precisamos trocar os robôs atuais por robôs que conseguem processar bilhões de operações por segundo. Acabaria a vergonha de ter processo como a Ação Civil Originária Nº 158, impetrada pelo sr. Benedito de Oliveira Louzada que tramitou na corte durante 50 anos. E seguramente, os robôs com inteligência artificial seriam imunes a partidos políticos.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

MACROECONOMIA

Para mim, o conhecimento de Mário Henrique Simonsen, tanto em Economia quanto em Matemática, é invejável. Tem uma frase interessante num livro dele que sempre reproduzo em minhas aulas de Macroeconomia. Ele dizia que há duas maneiras de se olhar a floresta: olhando as árvores individualmente ou olhando a floresta como um todo. No primeiro caso, Microeconomia, retrata a relação entre consumidor e produtor, e no segundo, Macroeconomia, os agregados econômicos.

A Economia Clássica se apoiou em Adam Smith com seu livro A Natureza e as Causas da Riqueza das Nações ou, simplesmente, A História da Riqueza das Nações. Para os clássicos, o mercado chegaria ao seu ponto de equilíbrio “levado por uma mão invisível” e esse sentimento prevaleceu desde a publicação do livro (1776) até 1929 quando o mundo enfrentou a Grande Depressão. A economia mundial caiu, como agora. Na Alemanha se imprimia moeda em papel jornal por conta da hiperinflação. Ninguém fez nada esperando a tal “mão invisível” e como a teoria não estava resolvendo o problema, natural que se buscasse alternativa. Em 1936, John Maynard Keynes escreveu seu nome na história com a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda.

Em linhas gerais (vou evitar o tecnicismo), Keynes dizia que era preciso o governo gastar para incrementar a economia porque assim gerava renda, que gerava consumo, que gerava produto, que gerava emprego, que gerava renda…..No seu modelo apareceu uma constante que ele denominou de propensão marginal a consumir e que representa o aumento no consumo se houver um aumento unitário na renda. Veja que isso parte da ideia de que nem toda renda é consumida, ou seja, parte da renda é poupada. Bom, mas para a população pobre não existe poupança (essa é uma das razões de se permanecer pobre), mas tudo bem vamos admitir que se trata da renda geral da economia.

Decorre do modelo de Keynes um multiplicador do produto (ou da renda) que depende da propensão marginal a consumir e da alíquota do imposto de renda. Por exemplo, nossa alíquota de imposto de renda é 27,5% e se a propensão marginal a consumir fosse 0,90 (de cada real, noventa centavos seria consumido), o multiplicador da economia seria 2,88, ou seja, se o governo gastasse R$ 100,00, a renda de equilíbrio aumentaria R$ 288,00. Então, basta o governo gastar que tudo se resolve! Não é bem assim. O governo tem um orçamento limitado e aumento nos gastos do governo implica em redução do superávit orçamentário. Com os valores que coloquei aqui, o aumento de R$ 100,00 nos gastos do governo implicaria numa redução do superávit orçamentário de R$ 20,86. Parece pouco, mas além de falarmos de milhões/bilhões, a nossa situação é de déficit orçamentário, então qualquer gasto já é complicado.

Há uma linha de pensamento esquerdista que defende o aumento dos gastos. Bota o governo para gastar e pronto. A economia só cresce se houver renda. Em 2017, por exemplo, Temer liberou as contas inativas do FGTS. O crescimento econômico que se observou foi devido a isso. Bolsonaro liberou o auxílio emergencial e a economia cresceu 7,70% no terceiro trimestre de 2020. Lógico que isso trouxe uma inflação de demanda e o preço do arroz subiu bastante porque além do aumento da demanda houve uma redução de oferta. A área plantada de arroz diminuiu no Brasil.

Uma coisa que as pessoas não querem aceitar é que nenhuma teoria econômica é eterna. Ela se adapta a uma situação. Veja a Economia Clássica. Sucumbiu com a teoria keynesiana. Depois surgiram os neoclássicos, neokeynesianos, os monetaristas e cada modelo teve lá seu tempo de aplicação e de duração. Agora, fala-se do liberalismo como se fosse o Anticristo. Se brigar vai marcar a testa de Paulo Guedes como o número 666. Passamos anos seguindo um modelo econômico que não tirou pobres da miséria, que aumentou a desigualdade de renda e as pessoas se recusam a experimentar a liberdade econômica, a economia de mercado. Quem gera emprego é a iniciativa privada, não o governo. Governo só gera emprego quando contrata funcionário público. É só olhar os dados da Caged.

Existe uma resistência muito grande, respaldada pelo STF, na questão das privatizações. O sinistro Lewandowski impôs autorização do congresso para privatização, mas a maioria do colegiado entendeu que as subsidiárias não precisavam dessa autorização. Ainda bem. Com isso a gente esbarra na privatização dos Correios e eu fico morrendo de rir com os argumentos contrários: se privatizar os serviços prestados pelos Correios vai aumentar o preço e penalizar os pobres. Qual o serviço prestado pelos correios? Cartas, telegramas, ordens de pagamentos? Tudo isso ficou no passado e a administração não viu. Hoje os Correios vivem de entrega de encomendas ou de transporte de documentos via Sedex. Dever ter muito pobre comprando pela internet ou mandando seus documentos pelo Sedex para se cadastrar no Programa Bolsa Família.

Economia não é simples e no Brasil é um desafio constante. Todo dia a imprensa divulga que Guedes está de saída. A Bolsa bate 114 mil pontos e as pessoas perguntam por que você fica contente se não tem ações na Bolsa? O que se torce contra esse país não é brincadeira. Apenas para relatar um fato: fiz uma crítica aos dados socioeconômicos do Maranhão e um esquerdista disse que não se podia exigir que em seis anos, apenas, Flávio Dino melhorasse a situação do estado. Então, eu pequei uma crítica que ele fez a Guedes pelo crescimento de 1,1% em 2019.

A questão é assim: passou um ano e o governo não resolveu o desemprego de 13 milhões de pessoas que o governo Dilma gerou. Agora, um governo de esquerda que está a seis anos no poder não deve ser cobrado porque a nota do IDEB das escolas públicas para os anos finais é 3,7 ou porque o IDH do estado é 0,639, o segundo pior do Brasil. Ficaria mais simples para mim, ser hipócrita.