MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O SISTEMA

Alguém disse que “o sistema muda para permanecer igual”. Se a gente for olhar o que está acontecendo atualmente no Brasil, vai entender que é exatamente assim que a coisa funciona. Bem antes das relações espúrias entre a família de Alexandre de Morais com o Banco Master, explodiu a relação Toffoli envolvendo um resort que era dos irmãos dele – até um padre entrou vivo nesse paraíso. Só depois de muita pressão ele admitiu que era sócio e resgatou a lei que diz que qualquer servidor público pode ser sócio de uma empresa, mas não administrador.

Havia mensagens de cobrança de pagamentos, por parte de Toffoli, sobre a venda do resort, inclusive a suspeita de que há R$ 35 milhões em paraísos fiscais que lhe beneficia. Toffoli viajou para Lima acompanhando de um advogado do Master, apenas ver um jogo da Libertadores. Enquanto quis, ele permaneceu na relatoria do caso e só depois de muita pressão, declarou-se impedido. Mudou o relator, mas não o retrato. Não há uma punição sequer imputada a nenhum desses pseudo-deuses.

No próximo dia 15 o plenário vai avaliar o caso de Alexandre de Morais e quem corre o risco de sair preso é André Mendonça. Há uma indignação generalizada no Brasil, mas algumas pessoas preferem acreditar em idiotices, em mentiras e ao invés de cobrar medidas austeras ficam fazendo comparações imbecis: “o que você acha de Ciro Nogueira ter recebido dinheiro do Vorcaro?”. Caramba, eu nunca passei pano para corrupção de ninguém. Mas, a pessoa que me pergunta isso é a mesma que acredita que o escândalo do INSS foi descoberto no governo Lula. Esquecem que no primeiro ano do governo, Carlos Lupi foi comunicado numa reunião que isso estava acontecendo. Esquecem que o congresso derrubou uma medida provisória do governo anterior que exigia identificação biométrica para autorizar os descontos em nome de entendidas sindicais.

O que se espera do julgamento do dia 15, portanto, vai muito além de saber se será ou não aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes. O plenário terá de enfrentar uma questão que atinge a própria credibilidade da Corte: o Supremo aceitará que fatos envolvendo um de seus integrantes sejam examinados com o mesmo rigor que costuma exigir quando julga qualquer outra autoridade? Fachin marcou uma sessão extraordinária, concentrou sob a Presidência a supervisão dos procedimentos envolvendo ministros e retirou de Moraes a condução do inquérito das fake news. São mudanças importantes. Mas a pergunta permanece: mudou-se o procedimento para que alguma coisa efetivamente mude ou para que, depois da tempestade, tudo possa voltar ao mesmo lugar?

A crise ficou ainda mais estranha porque Moraes pediu que o caso de André Mendonça também fosse levado ao plenário. O investigador passa a ser investigado, o investigado acusa o investigador e, no meio disso, a discussão sobre o Banco Master corre o risco de ser substituída por uma guerra interna do Supremo. É uma técnica conhecida do sistema político brasileiro: quando a pergunta é incômoda, multiplicam-se as perguntas; quando um personagem está acuado, colocam-se outros personagens no palco. No final, há tanta fumaça que ninguém mais consegue identificar onde começou o incêndio.

Por isso, o julgamento do dia 15 terá um significado institucional muito maior do que o destino pessoal de Moraes ou de Mendonça. Se o plenário autorizar uma apuração independente, com acesso integral às informações e sem escolher previamente quem deve ser protegido ou atingido, poderá ser o começo de uma resposta institucional. Se, ao contrário, a sessão se transformar numa disputa para decidir qual ministro tem mais força, o Supremo terá mudado a forma sem mudar o conteúdo. E o sistema terá feito exatamente aquilo que sabe fazer: reorganizar suas peças para preservar o tabuleiro.

O comportamento do governo também merece atenção. Nos primeiros momentos da crise, Lula evitou se afastar frontalmente do Supremo. Depois, passou a defender a divulgação das informações, criticou vazamentos seletivos e afirmou que, se Moraes ou Mendonça tiverem cometido irregularidades, devem pagar. Ao mesmo tempo, defendeu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afastado cautelarmente por Mendonça e posteriormente mantido no cargo por decisão de Fachin. É uma posição que procura ocupar dois lugares ao mesmo tempo: apresentar-se como defensor da investigação e, simultaneamente, impedir que a crise destrua uma relação institucional que foi central para o governo nos últimos anos.

Há uma razão política evidente para essa cautela. Lula e o STF estiveram do mesmo lado em momentos decisivos recente e qualquer rompimento brusco, em plena campanha eleitoral, teria consequências imprevisíveis. Mas é justamente aí que surge a pergunta incômoda: até onde vai a relação institucional normal entre Poderes e em que ponto começa uma dependência política recíproca? Governo não pode depender de tribunal para sobreviver, assim como tribunal não pode depender de governo para preservar seus integrantes. Quando essas fronteiras ficam borradas, a separação entre os Poderes continua existindo no texto constitucional, mas começa a desaparecer na prática política.

Nesse contexto apareceu um episódio ainda mais grave. William Waack relatou em seu programa que teria chegado ao marqueteiro de Lula um recado atribuído a “um pedaço do Supremo”: o presidente não deveria se afastar do STF, porque parte do PT da Bahia estaria “na mão” da Corte e Lula governaria com a ajuda do Supremo. A afirmação é explosiva, mas precisa ser tratada pelo que efetivamente é até agora: um relato de bastidor porque não foi apresentado publicamente documento que comprove a mensagem, nem foi identificado de maneira verificável quem a teria enviado. Isso não diminui a necessidade de esclarecimento; ao contrário, aumenta. Se o recado não existiu, a gravidade da acusação exige desmentido e esclarecimento. Se existiu, estamos diante de algo incompatível com qualquer concepção saudável de independência entre os Poderes.

E aqui talvez esteja a melhor demonstração da frase que abre este texto. O sistema muda para permanecer igual porque ele aprendeu a administrar suas próprias crises. Sai um relator e entra outro. Retira-se um sigilo. Abre-se uma sessão extraordinária. Um ministro perde determinado inquérito, outro passa a ser questionado. O governo muda o discurso. Os partidos reposicionam suas alianças. Todo mundo parece estar se movimentando. Mas movimento não significa transformação.

Transformação seria estabelecer regras que valessem para todos. Seria discutir impedimento e suspeição de ministro do Supremo com critérios objetivos. Seria impedir que investigações envolvendo membros da própria Corte fossem administradas de maneira a produzir a impressão de julgamento entre colegas. Seria limitar decisões monocráticas em matérias capazes de alterar o funcionamento de outros Poderes. Seria estabelecer transparência sobre relações econômicas de ministros e de familiares quando possam produzir conflito de interesses. Seria permitir investigação sem que o investigador precise temer que, no dia seguinte, ele próprio se transforme no alvo principal.

É por isso que trocar pessoas talvez seja a mudança mais fácil e menos importante. O Brasil tem uma extraordinária capacidade de substituir personagens sem modificar os mecanismos que lhes deram poder. Ontem era um ministro, hoje é outro; ontem era um presidente do Senado, amanhã será outro; muda-se o partido no governo, mudam-se os discursos, mas permanece a lógica segundo a qual quem ocupa determinado espaço institucional passa a dispor de instrumentos capazes de proteger aliados, pressionar adversários ou simplesmente impedir que determinadas perguntas sejam respondidas.

A própria reação à crise do Master mostra esse mecanismo. Em vez de existir uma cobrança comum para que se abra tudo e se investigue todo mundo — direita, esquerda, governo, oposição, empresários, parlamentares ou ministros — cada grupo procura saber primeiro quem será atingido. Se o nome revelado é adversário, a investigação é prova definitiva de corrupção. Se é aliado, passa a ser vazamento seletivo, perseguição, narrativa ou falta de contexto. Corrupção deixou de ser um problema moral e institucional e virou instrumento de torcida organizada.

E isso explica por que a discussão sobre Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro, Jaques Wagner, Lula, Moraes, Mendonça ou qualquer outro nome não deveria servir para absolver ninguém. Se houve dinheiro, influência, favorecimento, tráfico de influência ou qualquer relação ilícita, investigue-se. O erro de um não inocenta o erro do outro. Essa lógica infantil do “mas o outro também fez” talvez seja uma das engrenagens mais eficientes de preservação do sistema, porque transforma a fiscalização do poder numa disputa de torcidas e garante que cada corrupto encontre alguém disposto a defendê-lo.

A expectativa para o dia 15 deveria ser muito simples: que o Supremo faça consigo aquilo que exige dos outros. Que não escolha antecipadamente culpados e inocentes. Que não transforme divergência entre ministros em instrumento para impedir a apuração dos fatos. Que permita conhecer a extensão das relações de Vorcaro com agentes públicos, independentemente do partido, do cargo ou da toga. E, sobretudo, que ninguém seja protegido porque sua queda seria inconveniente para o governo, para a oposição, para o Senado ou para o próprio tribunal.

Talvez seja exatamente esse o teste que o sistema brasileiro quase nunca consegue superar. Quando a crise chega perto demais do centro do poder, surge uma grande operação de rearrumação. Mudam-se nomes, discursos, procedimentos e alianças. Produz-se a sensação de que as instituições reagiram. Passado algum tempo, entretanto, percebe-se que os mesmos mecanismos de proteção continuam funcionando. É a mudança necessária para impedir a mudança verdadeira.

O caso Master ainda está longe do fim. Pode atingir gente de todos os lados e provavelmente continuará produzindo fatos novos. Melhor assim. Que apareçam todos. O que não pode acontecer é escolher antecipadamente quem merece investigação de acordo com a conveniência eleitoral ou ideológica de cada um. Se queremos realmente sair do fundo do poço institucional, a regra precisa ser uma só: abriu para um, abre para todos; investigou um, investiga todos; comprovou, pune. Sem toga, partido, sobrenome ou cargo capaz de servir de escudo.

Caso contrário, depois de toda essa confusão, Fachin terá reorganizado o Supremo, o governo terá reorganizado o discurso, o Congresso terá reorganizado seus interesses e cada grupo político terá reorganizado sua narrativa. Parecerá que muita coisa mudou. E talvez seja justamente esse o objetivo. Porque, no Brasil, o sistema parece ter desenvolvido uma habilidade extraordinária: mudar tudo aquilo que for necessário para que, no final, permaneça exatamente igual.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O FUNDO DO POÇO

Dia sim e outro também a gente toma um sobressalto com tudo que acontece nesse país. Não parece termos outro assunto que não envolva o STF, particularmente, Alexandre de Morais. O que mais me surpreende é que tudo isso que envolve o banco Master, no discurso dos candidatos do governo atual é obra da extrema direita desse país. A culpa pelo volume de corrupção impetrada por Daniel Vorcaro é de Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, poque foi durante sua gestão que Vorcaro teve autorização para adquirir o banco Máxima e daí passou para Master.

Dois fatos, creio, devem ser analisados com bastante cuidado. O primeiro foi noticiado por William Waack no seu programa da CNN e relatava que o STF, através do marqueteiro da campanha do atual presidente, mandou um recado duro e seco: “Não se afaste do STF. Nós temos mais da metade do PT da Bahia em nossas mãos e você só governa com a nossa ajuda.” A gente poderia dizer que isso é estarrecedor, mas é apenas fruto de um país que não soube, e não sabe, escolher seus representantes.

Isso traz para centro do debate uma questão de fundamental nas eleições desse ano, mas que deveria ter sido observada nas eleições anteriores: a eleição para o senado é muito mais importante do que a eleição para a presidência. O presidente do senado, Davi Alcolumbre, nunca terá coragem de aceitar um pedido de impeachment de nenhum dos ministros do STF porque ele sabe que no dia seguinte seus processos sairão das gavetas e irão ao plenário e serão julgados em uma semana.

Ao longo do tempo, o Brasil tem eleitos pessoas entranhadas com atos ilícitos. Tanto o presidente da câmara, Hugo Mota, quanto o presidente do senado – do congresso – são políticos com o rabo preso por desvios de conduta com a coisa pública. Semana passada teve uma famosa reunião na casa de Alexandre de Morais, reunindo o presidente da república, seu advogado que virou ministro e os presidentes da câmara e do congresso. Qual o foi prato principal? Uma forma de escapar desse lamaçal que envolve todo mundo.

É nesse ponto que apresento o segundo fato: o pedido de Alexandre de Morais para que o presidente do STF incluísse André Mendonça no inquérito das fake News ou como é conhecido, no inquérito do fim do mundo. Sem esquecer que a PGR solicitou o arquivamento das denúncias contra Morais alegando vício no processo, dentre os quais a ausência da PGR e do Ministério Público na denúncia, como se isso fosse algo inédito no Brasil. O próprio inquérito do fim do mundo, foi aberto no STF, sem PGR e sem MP, por Dias Toffoli e entregue a Alexandre de Morais, sem a distribuição aleatória. Com base nele, a fonte de um jornalista maranhenses foi exposta violando o sagrado direito constitucional do anonimato.

A ameaça a Lula preocupa porque ter um presidente submisso ao judiciário, que deve inúmeros favores ao que fizeram por ele não apenas no campo político, mas também no pessoal como a mudança do foro da lavo jato ou mesmo os R$ 18 milhões de impostos que a receita entendeu que seria devido pelo instituo do presidente, posto que como empresa sem fins lucrativos, não poderia haver distribuição de lucros. Esse processo foi anulado por Gilmar Mendes.

Esse cenário mostra duas coisas preocupantes: a primeira é o presidente sem moral diante das investidas do STF e nesse instante ele precisa cegamente do supremo para livrar seu filho das denúncias de tráfico de influência e de enriquecimento ilícito no caso que envolve o INSS e as influência intensa de Roberta Luchsinger. É preciso ter esses ministros para dizer que não há provas com o filho do presidente e que tudo não passou de meras ilações para atrapalhar sua reeleição.

O segundo fato é tão preocupante quanto. O próximo presidente do STF será Alexandre de Morais e seu poder será 9 vezes maior do que hoje apresenta. Embora se tenha inúmeras provas materiais de sua participação apoiando Daniel Vorcaro, como a questão da revisão do contrato entre o banco e escritório de sua mulher, todo dia surge um fato novo: seus filhos ganharam o cartão de crédito com limite de R$ 300 mil. Só isso. Tudo pago pelo banco Master, mas a culpa é da extrema direita.

O risco mais intenso que o Brasil corre agora é que Alcolumbre aceite um pedido de impeachment contra André Mendonça. Não custa lembrar que quando André foi indicado, o presidente do senado era Alcolumbre e ele segurou por mais de 3 meses a votação por puro sentimento de vingança. Seu argumento era que André Mendonça, como ministro da justiça havia apoiado a lava jato.

Esse é Brasil atual. O caso do Master ainda vai respingar em muita gente. Nicolas Ferreira, por exemplo, teve áudio divulgado em conversa com Vorcaro. Certa ocasião foi divulgada uma notícia que dizia que o número do telefone de Nicolas estava na agenda de Vorcaro e aqui mesmo, nesse espaço, eu disse que isso significava pouco. Nicolas não tinha capacidade de influenciar nenhum interesse de Vorcaro junto ao governo. Agora, André Mendonça mostrou nota fiscal de uma compra feito numa alfaiataria e imediatamente divulgaram que pessoas ligadas a Vorcaro estiveram nessa alfaiataria com Mendonça e que após essa sua visita a alfaiataria recebeu R$ 500 mil do banco Master.

Enquanto o Brasil não definir o papel das relações de empresas com o governo, a gente vai se chocar com os labirintos podres da corrupção. Enquanto elegermos corruptos, não teremos chance de mitigar a corrupção. Cada eleição é uma oportunidade. Vota num cara e se ele fez merda, não vota mais. É simples.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

TRATAMENTO EXPERIMENTAL

Eu tenho inúmeras dúvidas sobre a opinião dos economistas face a situação econômica do país. Lamentavelmente, os conceitos macroeconômicos aprendidos em sala de aula, são suprimidos das decisões, em prol de um posicionamento político. A universidade deixou de ser um local para debate de ideias e se transformou num espaço de doutrinação política. Aí daquele que cai na desgraça de fazer uma crítica, por mais técnica que seja, ao modelo econômico que atualmente vivemos.

Teorias econômicas não são ultimatos. Elas acabam sendo adotadas em momentos específicos e com o objetivo se sanar um problema social. Keynes, em 1936 mostrou que os gastos do governo eram fundamentais para impulsionar o crescimento diante a falência da econômica clássica em fazer a economia se recuperar – levada pela “mão invisível” de Adam Smith – da depressão econômica de 1929. Sua teoria foi alterada ao longo do tempo pelos chamados neo-keynesianos. Obviamente, surgem contra-argumentos, como Milton Friedman e não temos como dizer que um ou outro estão errados. Economia não é uma ciência exata. Em 2013, Eugene Fama e Robert Shiller ganharam Nobel defendendo pontos de vistas contrários sobre o mercado financeiro. Fama defendia que os mercados são racionais e os preços refletem a informação disponível. Sua tese era que as bolhas financeiras racionais não existiam e o mercado se ajussta. Para Shiller, os investidores são impulsionados por fatores psicológicos e comportamento irracional fato que geram bolhas especulativas como aquela imobiliária que aconteceu em 2008 e que quase quebra a economia mundial. Quem tem razão? Ambos olharam o mesmo problema de ângulos diferentes e o que disseram faz sentido, basta olhar o momento.

O que passa a incomodar com a teoria econômica, ou melhor, com a política econômica? O que você faz na tua vida quando determinado remédio que você toma não está trazendo os benefícios necessários para tratar das tuas inquietações, para devolver o teu sono, tua paz, tua saúde? Age! Procura o médico e muda o remédio.

O nome Creutzfeld-Jakob, por exemplo, teve recentemente, entre 10 a 15 milhões de citações nas redes sociais. Ficamos sabendo que se trata de uma doença neurológica, degenerativa e rara, identificada nos anos 1920 pelos médicos alemães Hans Gerhard Creutzfed e Alfons Maria Jakobe, O extraordinário Lito de Souza foi diagnosticado com essa doença e não podemos deixar de reconhecer que os médicos alemães são bons e apresentar problemas que não possuem solução (Parkison, Alzheimer etc.). Lito está fazendo tudo para entrar num tratamento experimental e vamos torcer para que dê certo.

Estou colocando isso porque não é apenas ele quem está acometido desse mal. É o Brasil. Neurologicamente estamos doentes. Não é possível que vejamos o endividamento das famílias chegar a 80%, a dívida pública neste mesmo patamar, o rombo nas contas públicas de R$ 48,2 bilhões, me 2025, o número de empresas que entraram em regime judicial atingiu 5.680, ou seja, uma alta de 24,3% em relação a 2024.

As Casas Bahia entraram com um pedido de regime judicial por apresentar um rombo de R$ 17,8 bilhões. A empresa apresentou um prejuízo contábil recorde de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 – SÓ NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2026 – e promoveu o fechamento de 298 lojas físicas, correspondente a aproximadamente 30% da rede. Demitiu 2 mil funcionários para estancar a queima de caixa, mas a justiça trabalhista obrigou a recontratação dessas pessoas. Olhe a composição da dívida e você verá que quase 95% desse rombo, R$ 16,4 bilhões, corresponde a dívidas com credores sem garantia real, como grandes fornecedores e bancos. Bota teus neurônios para funcionar: por que não se consegue pagar dívidas com os bancos? Porque a taxa de juros do Brasil, em termos reais, é a maior do mundo. Sufoca quem compra a prazo, sufoca as empresas que precisam de capital de giro para operacionalizar seu fluxo de caixa e a culpa dessa situação é a vergonhosa política econômica – se é que se pode chamar essa porra de política econômica – de gastos para além do que se arrecada.

É aqui que mais pesa minhas dúvidas: como um economista consegue defender uma bosta de modelo desses? Quais são as teorias que alguns economistas de apoiam para dizer que esse é modelo que deve prosperar no Brasil? Eu vejo Armínio Fraga dizendo que está assustado, dá vontade de mandar TNC. Agora que a merda virou boné, vem com esse sentimentozinho de culpa? Até parece que só você não sabia que isso iria acontecer.

Todas as estatais dando prejuízo brabo desde 2023. Os Correios que possuem o monopólio das comunicações no Brasil dando prejuízo. Vou dizer de novo: UMA EMPRSA MONOPOLISTA DANDO PREJUÍZO. Sei que não precisa explicar, mas monopólio é a situação em que existem UM VENDEDOR e infinitos COMPRADORES. Os CORREIROS é uma empresa MONOPOLISTA e dá prejuízo. Só no Brasil. E tem economistas que defendem, apoiam e acham que isso é legal. Simples assim.

Ou a gente controla os gastos públicos ou vamos nos lascar com desemprego e juros altos. Não é possível manter uma estrutura com 37 ministérios, com o UBER da FAB levando autoridades em voos solitários pelo nosso lindo céu azul. Não dá. Assim como não dá manter a população do nordeste na pobreza recebendo bolsa família para dar voto ao governo.

Tal qual Lito Souza, o Brasil precisa de um tratamento neurológico, mesmo que experimental. Não reconhecer isso e não lutar para que isso mude, é assassinato premeditado.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CRISE NO VAREJO

Já algum tempo temos acompanhado notícias complicadas em relação a sustentabilidade do varejo no Brasil. No início do governo Lula, Luiza Trajano – fervorosa eleitora – foi às redes de televisão pedir que os clientes comprassem na Magazine Luiza porque o “velho carnê” estava de volta. Acho que todos se lembram das vendas através de um carnê de pagamentos das lojas de departamento. Mas, o que estava por trás disso era os sintomas de uma crise que já se desenhava naquela época.

Luiza sabia do endividamento, crescente, das famílias, das restrições ao crédito bancário – só o empréstimo consignado tinha, relativo, fôlego –, do comprometimento das pessoas com cartão de crédito, visto que a maioria possui mais de um cartão e estes estavam no limite, dentre outros fatores. Com isso, a venda através do carnê da loja, tinha por objetivo atingir o cliente com restrições no mercado financeiro. Para ela era simples, vender através de CDCI – Crédito Direto ao Consumidor com Interveniência, ou seja, o volume de vendas seria repassado pelos bancos para o Magazine Luiza, que assumia a responsabilidade pela liquidação do crédito.

Passa o tempo e a gente vê outras grandes empresas do setor varejista entrarem em colapso. O Grupo Mateus, com sede no estado do Maranhão, espalhado por vários estados nordestinos, anunciou o encerramento de suas atividades em diversas localidades, com redução de 6 mil empregos. O grupo alega que o encerramento se deu devido a reestruturação financeira e que as lojas fechadas não traziam o retorno financeiro desejado.

As Lojas Americanas passaram por um problema sério de fraude envolvendo mais de R$ 20 bilhões. Contabilmente, os empréstimos bancários não apareciam no passivo da empresa, então gerava-se um resultado contábil positivo. Até que contrataram um CEO que percebeu tudo isso e desistiu do cargo. As Lojas Americanas entraram em Regime Judicial e, dizem, está conseguindo equalizar o seu caixa.

Em meio a tanto desgraça, vem o anúncio do encerramento das atividades das Casas Bahia. Os sinais econômicos já apontavam que haveria problemas e algo assim era esperado, o que foi surpresa foi o anúncio do encerramento das atividades, ou seja, os gestores perceberam que solicitar um regime judicial com projeto de recuperação econômica, seria mais dispendioso do que, simplesmente, encerrar. Demitiram os funcionários e para surpresa de muitos, a justiça do trabalho mandou recontratar.

Quando você procura entender o que há por trás de tudo isso, os argumentos são aqueles percebidos por Luiza Trajano já em 2023. Juros altos que restringem o acesso ao crédito, que encarecem o capital de giro das empresas, que oneram substancialmente as contas correntes garantidas. Vai perceber que o endividamento das famílias continua sendo algo em níveis absurdos, só não vai encontrar uma palavra do governo sobre a responsabilidade de tudo isso. Até vai: para o governo, a culpa é dos empresários, ávidos de lucros.

Há um problema fiscal de intensa gravidade cujas efeitos começam a aparecer de maneira mais clara sobre a atividade econômica e, particularmente, sobre setores que dependem diretamente da renda disponível das famílias. O comércio varejista é um bom termômetro desse processo.

Os números mais recentes do IBGE mostram uma economia que encontra dificuldades para transformar crescimento nominal em expansão consistente do consumo. Em abril de 2026, o volume de vendas do comércio varejista caiu 1,5% em relação ao mês anterior. Em maio, houve variação positiva de apenas 0,1%. Mais importante ainda: no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em maio, o crescimento foi de somente 1,4%. No varejo ampliado, que incorpora veículos, material de construção e outras atividades, a expansão em 12 meses foi praticamente nula: 0,1%.

Os números setoriais ajudam a compreender melhor o problema. Em maio, na comparação com o mesmo mês de 2025, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação recuaram 4,1%, enquanto outros artigos de uso pessoal e doméstico caíram 2,6%. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo também apresentaram redução de 0,5%. Ou seja, não se trata apenas da decisão de adiar a compra de um automóvel ou de um bem de maior valor. Há sinais de dificuldades também em segmentos diretamente relacionados ao consumo cotidiano.

Naturalmente, seria exagerado afirmar que esses números caracterizam, isoladamente, uma recessão. Não caracterizam. O próprio varejo acumula crescimento de 1,7% nos cinco primeiros meses de 2026. O problema está na trajetória: depois de crescer 0,5% em março, o comércio recuou fortemente em abril e praticamente ficou parado em maio. A média móvel trimestral, que ajuda a eliminar oscilações pontuais, ficou negativa em 0,2%.

É justamente nesse ambiente que a situação fiscal assume maior importância. Em junho de 2026, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões, acima dos R$ 44,2 bilhões observados no mesmo mês de 2025. No mês anterior, maio, o déficit havia alcançado R$ 53,3 bilhões, também superior aos R$ 40,2 bilhões registrados um ano antes. Chama a atenção que, em junho, comparativamente ao mesmo mês de 2025, a receita líquida tenha aumentado 10,3% em termos reais, enquanto a despesa cresceu 9,0%. Portanto, mesmo diante de crescimento expressivo da arrecadação, permanece enorme dificuldade para produzir equilíbrio entre receitas e despesas.

Esse quadro cria um dilema conhecido. Para financiar gastos crescentes, o governo necessita de mais arrecadação, mais endividamento ou redução de despesas. A elevação da carga sobre empresas e consumidores, entretanto, pode retirar recursos justamente de uma economia que já apresenta sinais de baixo dinamismo no comércio. O aumento do endividamento, por outro lado, amplia as preocupações com a sustentabilidade fiscal.

Não existe almoço grátis. O Estado pode gastar mais durante algum tempo, pode ampliar benefícios e pode até sustentar determinados setores por meio de incentivos. No longo prazo, porém, alguém precisa financiar essa conta. Quando o crescimento econômico não acompanha o crescimento das despesas, a disputa pelos recursos disponíveis torna-se cada vez maior.

É aí que o debate eleitoral deveria abandonar os slogans e entrar no terreno dos números. Mais importante do que saber quem promete gastar mais é saber quem consegue explicar de onde virão os recursos, quais despesas serão prioritárias e, principalmente, como criar condições para que a economia volte a crescer de maneira sustentável.

Um país não resolve seus problemas fiscais simplesmente aumentando impostos, assim como não desenvolve seu comércio apenas estimulando artificialmente o consumo. Empresas precisam de previsibilidade, consumidores precisam de renda e confiança, e o governo precisa demonstrar capacidade de administrar seus gastos. Sem esses três elementos, crescimento econômico vira promessa eleitoral, enquanto déficit, juros e baixo investimento permanecem como realidade depois que as urnas são fechadas.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

DEBATES EM PROPOSTAS

Semana passada teve início os debates entre os, declarados, candidatos ao governo de diversos estados. Dois casos tiveram destaque: São Paulo e Ceará. Embora sejam estados de características diferentes, o fato em comum é a candidatura do PT. No caso de Ceará, o atual governador Elmano Freitas sucumbiu diante da realidade de um estado falido sob diversos ângulos, destacando o caos na segurança pública, onde se observa que o estado sucumbiu ao domínio do crime organizado.

Apesar da constatação de fatos caóticos, o governador alardeou números fictícios referente a aquisição de viaturas policiais, quando parte delas é fruto de aluguel ao custo anula que beira a casa do bilhão de reais. O governador nega e os dados indicam que houve queda nos indicadores de violência, no entanto, a média de homicídios é 37,5 por cem mil habitantes. Uma taxa que se situa no patamar alto e municípios como Maranguape, Maracanaú, Itapipoca e Caucaia vinham liderando os rankings nacionais de homicídio por cem mil habitantes.

É preciso ver com desconfiança estes números porque eles podem ser maiores. A citada queda nos indicadores, pode ser fruto do período eleitoral, pode ser trégua negociada, pode ser ação efetiva, mas esta última, fica sob suspeita porque há se de se perguntar por que as ações que reduzem violência só foram implantadas agora? Eleição tem uma forte explicação, com certeza.

No debate de São Paulo, de longe o mais esperado, o que se viu foi Haddad tentando dizer que nada no estado deu certo e Tarcísio mostrando o volume de investimento, a redução na taxa de feminicídio, no roubo de cargas, o investimento em saúde, educação. É nítido que nem Elmano e nem Haddad tem qualquer proposta para desenvolver o estado. Mais uma vez: no Ceará há uma nítida estagnação, enquanto em São Paulo, parece que Haddad que implantar o modelo cearense.

No âmbito nacional, há dúvidas sobre debates no primeiro turno. O presidente comentou que não tem interesse em participar, afinal, ele é pura vitrine. Esse é um problema de quem governa. Todos os demais candidatos miram seu governo e escancaram suas mazelas. Honestamente, não tenho muita certeza sobre a qualidade dos debates. O que me preocupa é a tendência econômica que pode se estender por mais 4 anos, caso o presidente seja eleito para o quarto mandato.

Os números de pesquisas iniciais mostram que o presidente só tem vantagem na região nordeste. Em todas as demais ele perde, o que varia é apenas o tamanho da perda. A questão é que tal perda pode ser compensada com os votos do nordeste que devem beirar os 70%.

As implicações de um novo mandato são absurdamente perigosas. Qualquer cenário que seja projete, a gente percebe uma lacuna ou um buraco “afro-descendente”. Não há um ponto de tranquilidade quer seja do ponto de vista econômico, das relações externas ou institucionais. Economicamente, parece desnecessário falar na dívida pública, na irresponsabilidade fiscal, na manutenção de programas sociais sem os recursos necessários para prover. Estamos falando, por exemplo, de um déficit de R$ 105 bilhões. Despesas empenhadas, liquidadas e não pagas por falta de dinheiro. A consequência disso é natural: contingenciamento no orçamento da saúde, educação e da defesa nacional.

Em termos de relações exteriores, o presidente resolveu brigar com os Estados Unidos e ganhou apoio da China. Vejam que coisa interessante. A China não briga direto com os Estados Unidos, mas incentiva o Brasil a esbravejar contra Trump e o presidente brasileiro acredita que poderá contar com um exército chinês para um combate com a 6ª frota americana. O ministro José Múcio foi sincero: “se os Estados Unidos invadirem o Brasil, o que podemos fazer é abrir a porta”. O dinheiro prometido para a defesa se desenvolver e não permitir que outros países invadam o Brasil – ele disse que o Paraguai fez isso e causou um protesto imenso – foi contingenciado para cobri o rombo orçamentário.

O grande problema vem das relações institucionais, principalmente, com o STF. Ao longo dos próximos 4 anos, tem-se 4 ministros que sairão do STF e o novo presidente deve vai indicar novos candidatos, inclusive, o “Bessias”. A recente reunião entre Alcolumbre, Lula, Alexandre e Zanin teve como fundo de pano a necessidade de sobrevivência de todos eles. A farra do INSS que envolveu o filho do presidente, não dará em nada, assim como não deu o mensalão – só Marcos Valério continua preso – e a Lava Jato.

O STF continua sendo um problema de grande envergadura. O ministro Alexandre de Morais autorizou a quebra do sigilo de um ex-secretário do governo maranhense que era fonte de um jornalista. Acharam dinheiro na conta do jornalista e logo se apressaram em deduzir que se tratava de pagamentos para produção de matérias contra Dino. Talvez vocês se lembrem do caso Francenildo Pereira. Esse jovem era um caseiro de uma residência frequentada por Palloci e ele disse que viu Palloci por lá várias vezes.

Entraram na conta corrente do rapaz e exibiram um extrato onde ele havia recebido R$ 14 mil e logo se apressaram em dizer que este dinheiro era a motivação das denúncias. Na realidade se tratava de uma transferência do pai do rapaz, como uma espécie de ajuda financeira. Alguém foi preso por isso? Ninguém.

É preciso olhar com cuidado para essa eleição. O STF está fazendo uma lista com o nome dos senadores com chance de eleição. O motivo é simples: avaliar o tamanho do risco de um senado favorável a pauta do impeachment.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

TOMA QUE O FILHO É TEU

“Tava jogando sinuca, uma nega maluca me aparece. Vinha com um filho no braço e dizia pro povo que filho era meu”. Este é o primeiro verso da música Nega Maluca, São Peninha que me acuda, gravada por Linda Batista. “Toma que o filho é teu”. Hoje a coisa se resolve com um exame de DNA e o atesto de uma paternidade deixou de ser coisa do outro mundo.

O Brasil virou essa “nega maluca”. Ninguém assume o filho e todos buscam mecanismos de driblar o exame de DNA. Atualmente, a culpa de todas as mazelas não é de quem promove as mazelas, mas que as faz, procura mecanismos legais para se livrar. O pior é que tudo se faz como se fosse tudo, absolutamente, normal. Por exemplo, numa entrevista o presidente disse que a taxa das blusinhas tinha sido coisa de Haddad. Ele nunca sabe o que acontece no seu governo e, mesmo quando faz alguma coisa, não assume. O mensalão, por exemplo, nunca existiu, mas ele disse em Paris que tinha sido caixa dois de campanha, recursos não contabilizados.

O filho do presidente, por exemplo, apareceu citado em relações obscuras com o “Careca do INSS”. Coisa bastante esquisita envolvendo, inclusive, interesses comerciais de implantação de uma empresa em Portugal para comercializar cannabis. Não se enxerga qualquer problema em compartilhar uma viagem ao lado de um cara que, para a polícia, cometeu crimes financeiros. Dias Toffoli também viajou até o Peru ao lado do advogado de uma empresa envolvida em falcatruas, mas isso não importa: o que é fundamental é ele ter tido que durante todo o trajeto se falou de futebol e nós, pobres mortais, devemos acreditar que foi isso mesmo se não quisermos nos deparar com um processo.

As desculpas dadas para comportamentos poucos republicanos são as mais estapafúrdias possíveis. Tome-se o caso da lobista Roberta Luchsinger com o ex-chefe de gabinete do presidente, o sr. Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola (este é do PT e não do PCC). Quando descoberto que a lobista transferiu dinheiro para Marcola, este se apressou em dizer que se tratava de um empréstimo pessoal.

O detalhe desse empréstimo era que ela ocorria mediante o pagamento de boletos bancários e muita gente se apressou em dizer que isso não deixa rastro. Não é bem assim. Eu posso pagar um boleto em nome de qualquer pessoa, a baixa do título aparece como pago, mas o comprovante de pagamento fica em nome, com o código de barras que foi pago. Na GRU, por exemplo, é necessário colocar o CPF do beneficiário, mas aparece o nome do pagador do título. O que houve entre Roberta e Marcola, nunca foi um empréstimo formal, foi uma troca de favores.

Não estou dizendo não ser possível existir um empréstimo entre duas pessoas físicas. Não há nenhum problema é fazer um empréstimo para um amigo, mas o que desconfigura isso é a frequência. Se todo mês tem alguém pagando meus boletos bancários, então vamos ser coerentes e entender que isto já se distancia bastante de qualquer “empréstimo”. O pior de tudo é que isso ocorreu com o chefe de gabinete da presidência da república e a providência tomada foi sair do cargo para trabalhar na campanha política do chefe e, agora, diante do tamanho do problema, Marcola é afastado da campanha “para não contaminar”. Putz! Sobrou alguma coisa não contaminada?

Qual o esforço em tudo isso? Resolver o problema? Não, absolutamente, não! O esforço é lutar para que os atingidos por denúncias sejam inocentados. Foi nesse sentido o famoso jantar na casa de Alexandre de Morais que contou com a participação do presidente da república, de Davi Alcolumbre e do advogado do presidente, Zanin. O interesse não era apaziguar as relações entre Lula e Alcolumbre, mas tratar de como contar o lamaçal que envolve cada um deles. Morais e Alcolumbre atolados com o caso Master e eles precisam de apoio do presidente para que a polícia federal não avance, não conclua e arquive as denuncias contra eles. Alcolumbre pretende concorrer à presidência do senado e precisa do apoio do presidente.

Morais, além de precisar de apoio no caso Master, precisa que o presidente do senado arquive os pedidos de impeachment em seu nome e o presidente precisa do apoio do STF para afastar as denúncias contra ele e seus familiares em casos pitorescos como o INSS e, agora, pelo declarado vínculo entre seu filho e Roberta Luchsinger. Apura-se tráfico de influência, afinal de contas uma visitinha de Roberta ao ministério da saúde, fez uma empresa ganhar um contratinho de R$ 85 milhões.

Esse é o Brasil atual: um país sem paternidade. A gente se reveste de esperança de que tudo isso mude, mas em tempos de inteligência artificial, o melhor artifício é fingir que está fazendo tudo certo.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

QUEDA DE BRAÇO

Muito preocupante as entranhas do poder. O problema não é mais quem tem razão ou deixa de ter e passa a ser uma questão de sustentabilidade jurídica. Fala-se muito sobre a polarização do país, mas ela não acontece apenas nas ruas ou nos círculos políticos. Basta ver os casos do banco Master e do INSS para entender a suprema corte do país tem lado, tem opção clara e tem capacidade de influenciar, inclusive as eleições.

O caso do INSS chegou ao filho do presidente. Sigilo bancário quebrado, percebeu-se uma movimentação da ordem de R$ 19 milhões nas suas contas, mas quando se pensava que tudo seria apurado, eis que a polícia federal informa ao relator do processo que não tem recursos humanos para dar continuidade às investigações. Quem perde? O Brasil. O ideal seria que houvesse investigação independente do envolvido, mas os fatos apontam noutra direção.

Paulinho da Força, então deputado do Solidariedade, foi investigado por desvio em recursos do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador. Este fundo é utilizado como lastro das operações do BNDES. Este processo prescreveu porque o STF não conseguiu citar o deputado. O mais estranho é que tem (ou tinha) um gabinete na câmara dos deputados que fica próximo ao STF. Se houvesse interesse mesmo, bastava um oficial de justiça fazer este percurso e pronto. O detalhe era que o deputado era da base aliada do governo e não ficava bem incomodar.

Aécio Neves mostrou como a coisa deveria proceder. Ele sugeriu que se colocasse para investigar os delegados que fossem simpáticos aos investigados. Então, a coisa se situa naquele espírito de protelação das investigações, do arquivamento dos processos e do favorecimento à impunidade. Não tem como esse país dar certo. Particularmente, não tenho sede de vingança, mas tudo que eu queria era um Brasil melhor, livre da influência maléfica dos corruptos e da sanha enriquecedora de alguns

O novo debate trata do não atendimento por parte da polícia federal às demandas e decisões do ministro André Mendonça. Ao que se divulgou por aí, depoimentos recentes não estão sendo acostados aos autos e o ministro não tem recebido retorno das solicitações feitas à PF. Acrescenta-se, inclusive, que este tipo de comportamento beira a desobediência jurídica ou a obstrução de justiça, crime previsto em lei, cuja pena é entre 3 e 8 anos. O alvo da prisão seria o presidente da PF.

Confesso minha total descrença em algumas ações dessa natureza. Se formos olhar o anuário estatístico da Secretária Nacional de Políticas Penais, o Brasil tem, aproximadamente, 784 mil pessoas em celas físicas, mas se for considerado outros casos de prisão domiciliar este número chega a 938 mil. É a terceira maior população carcerária do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e China. A questão é o tipo de crime porque nesse contingente é muito difícil encontrarmos alguém preso por corrupção. Pode-se até entender: não se trata de um crime como estupro, mas o problema é que após o relaxamento da prisão, parece que o processo é encerrado e o envolvido reabilitado para novas investidas no erário.

A democracia também depende de um delicado sistema de freios e contrapesos. Executivo, Legislativo e Judiciário não foram concebidos para disputar protagonismo permanente, mas para limitar reciprocamente seus excessos e impedir a concentração de poder. Quando um desses poderes tenta ampliar continuamente sua esfera de atuação ou passa a substituir os demais em funções que não lhe são próprias, instala-se um ambiente de insegurança institucional. A sociedade deixa de compreender quem decide, quem responde pelas decisões e quem pode ser responsabilizado por eventuais erros.

A tensão entre os Poderes, por si só, não representa uma anomalia. Em certa medida, ela é esperada em qualquer democracia consolidada. O problema surge quando o conflito deixa de ser institucional e passa a ser permanente, personalista e alimentado pelo interesse político. Nesse cenário, cada decisão deixa de ser analisada pelo seu conteúdo jurídico ou administrativo e passa a ser interpretada como uma vitória ou uma derrota de determinado grupo. O debate público empobrece e a confiança nas instituições se deteriora.

Os reflexos dessa instabilidade extrapolam o ambiente político. Investidores adiam decisões, empresários reduzem investimentos, consumidores tornam-se mais cautelosos e o próprio Estado passa a enfrentar dificuldades para implementar políticas públicas de longo prazo. Programas de educação, saúde, infraestrutura e segurança exigem continuidade administrativa, mas a lógica do confronto permanente transforma qualquer iniciativa em objeto de disputa política, reduzindo sua efetividade.

Há ainda um efeito menos visível, mas igualmente preocupante: a erosão da confiança do cidadão comum. Quando a população passa a acreditar que todas as instituições atuam movidas exclusivamente por interesses políticos, instala-se um sentimento de descrença generalizada. A consequência natural é a diminuição da participação política, o aumento da polarização e a abertura de espaço para discursos que prometem soluções fáceis, normalmente concentrando ainda mais poder nas mãos de uma única liderança.

O fortalecimento das instituições não decorre da supremacia de um poder sobre os demais, mas da capacidade de todos cumprirem suas funções com independência, responsabilidade e respeito mútuo. Talvez seja justamente esse o maior desafio das democracias contemporâneas: encontrar o ponto de equilíbrio entre independência e cooperação institucional.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

DEMOCRATA, MA NON TROPPO

Dizia Millôr Fernandes: “Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você quer mandar em mim.” Ao que parece este é o lema que atingiu países da América do Sul e Central nos últimos 40/45 anos. Anastácio Somoza, então governante supremo da Nicarágua, foi o último dos integrantes da família Somoza a governar o país, coisa que se arrastava desde 1936. Embora seu governo estivesse envolvido em corrupção – ele próprio foi acusado de desviar dinheiro que seria usado para reconstrução de Manágua que havia sido abalada por um terremoto que deixou 10 mil pessoas mortas – o governo contava com o apoio dos Estados Unidos e quando Jimmy Carter assumiu o governo americano, condicionou este apoio à observância dos direitos humanos.

Somoza, no ano de 1979, devido ao avanço das forças sandinistas que tinha Daniel Ortega como um dos líderes, renunciou à presidência e fugiu para Miami em busca de asilo político, mas foi no Paraguai que ele encontrou abrigo e em setembro de 1980, o carro no qual ele estava foi atingido por um tiro de bazuca, matando-o. O movimento sandinista foi louvado numa música de Ivan Lins: “na Nicarágua, capital Manágua…”

Naquela época, muitos jovens acreditavam que o caminho mais fácil para redemocratização dos países era através da luta armada e as pessoas acreditavam – pelo menos, eu – que tais revoluções tinham por objetivo principal a condução do povo para uma sociedade justa, livre, com saúde, educação e segurança para as pessoas. O fato é que todo “revolucionário” acabou se tornando um ditador. Foi assim em Cuba, quando Fidel Castro e Che Guevara implantaram a revolução e promoveram prisões e mortes de qualquer um que se colocasse contra o novo regime.

A Venezuela começou com Hugo Chavez. Primeiro assume um mandato de 6 anos e depois muda a constituição para permitir reeleição. Um pouco depois, outra emenda constitucional para referendar que não haveria limites para reeleição e ele só foi freado por um câncer devastador, mas Nicolás Maduro deu segmento a este tipo de prática. Até o momento, o que se percebe é que a chegada ao poder de um salvador da pátria implica na permanência dele no poder. A coisa é mais ou menos assim: ou eu governo ou os destruidores do país, voltam.

O bravo Ortega, que salvou o povo nicaraguense, fechou igrejas, prendeu religiosos, calou a imprensa, prendeu opositores ou pessoas que fizessem quaisquer denúncias em organismos internacionais. Esta semana, Ortega declarou que não haverá eleições para que não se corra o risco de a oposição ganhar. Eu creio que isso tem uma conotação fora do comum, tipo aqueles casos de violência contra a mulher no qual o cara diz “se não for minha, não será de mais ninguém.” Não se dá a população o direito de escolher. Em outras palavras: a população deve agradecer por ter um líder dessa natureza no poder. Um líder tão capaz que cancela eleições para eliminar a possibilidade de o povo escolher outro presidente.

Cada vez que vejo ações dessa natureza, entendo que a democracia é um conceito frágil, adaptável, que atende um grupo político e que oprime que está fora dele. Agora, o que mais me impressiona é a leniência da população. Se a maioria da população é contra um determinado governante, por que simplesmente não o tira? O que fizeram com Kadafi e Ben Ali, mostra que a população enfurecida pode provocar reações inimagináveis. Eu prefiro as ações negociadas, mas anos e anos de opressão geram um estopim fácil de explodir.

O conceito básico de democracia, trata da alternância do poder. E não se trata apenas de trocar um cara de um partido por outro cara do mesmo partido. Não se trata de perpetuar um partido no poder de modo indefinido, até mesmo pelo fato de não se ter quadros suficientes para esse tipo coisa. A alternância precisa ser de ideias, de propostas, de metas, de programas diversos.

A revista The Economist, calcula um índice chamado “índice de democracia” que se baseia em cinco critérios: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis. Atribui-se uma nota de 0 a 10 a cada item e pondera-se para determinar o índice. A Noruega, por exemplo, tem nota 9,81 e o Afeganistão, 0,26. Com notas maiores ou iguais a nove, tem-se: Nova Zelândia, Islândia, Dinamarca, Suécia, Suíça, Finlândia e Países Baixos.

Nesse ranking, o Brasil ocupa a 57ª posição com nota 6,49 e caiu 6 posições. Das notas atribuídas aos itens, 6,11 foi a maior. Acima do Brasil, há países com representatividade econômica menor. Somos considerados uma democracia imperfeita. Nesse contexto, me digam por favor, o que danado significa defesa da democracia.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ASSUNTO ATUAL

Em quase todos os estados já temos candidatos definidos às eleições gerais de outubro próximo. Olhando, friamente, para o quadro, vê-se que ele é, infinitamente, desanimador. O Nordeste dificilmente se livrará o manto “sagrado” que lhe cobre há muito tempo. Em alguns casos, tem-se duas candidaturas onde os candidatos, abertamente, brigam pelo apoio do atua presidente. Alguns desses casos chamam bastante a atenção.

No Ceará, por exemplo, Ciro Gomes resolveu concorrer ao governo, mesmo tendo recebido um convite de Aécio Neves para participar da corrida nacional. Ciro, nas últimas eleições gerais, ficou em 3º lugar com uma quantidade de votos bem inferior ao seu ego. Agora, resolveu confrontar Elmano, governador atual, petista, bancado por Camilo Santana e com o estado entregue às facções criminosas, com indicadores de violência absurda, coroando-se, recentemente, com uma plantação de maconha de alguns hectares, coisa de dar inveja. Mas, rolo maior surgiu com a escolha do candidato ao senado. A chapa de Elmano queria que Cid Gomes concorresse para confrontar Ciro Gomes, mas até a semana passada, a posição de Cid era apoiar um candidato chamado Júnior Mano.

Como as coisas são esquisitas na política brasileira, a Polícia Federal divulgou que Júnior Mano estava envolvido em ato de corrupção, decorrente de desvios de recursos de emendas parlamentares cujo destino foi compra de votos. Não está só! Ao seu lado, tinha o prefeito de Xoró, Bebeto do Xoró, acusado de ser integrante do PCC e que, segundo as notícias, estava foragido. Não tem como acreditar na recuperação desse país com fatos dessa natureza.

Uma questão bem definida é o caso de São Paulo. Tarcísio de Freitas tem total condições de fechar essa conta no primeiro turno. Primeiro ele faz um governo competente, com entregas, projetos, investimentos bem definidos. Em segundo lugar, o adversário principal dele, ex-ministro da fazenda, não reúne as menores condições de governabilidade. Foi acusado pelo chefe se ser responsável pela famosa taxa das blusinhas. Aquela taxa sobre compras importadas que era responsável por 35% do faturamento dos Correios.

A atenção se volta para eleição ao senado. Simone Tebet e Marina Silva, se eleitas, irão contribuir para manutenção do estado de dependência do legislativo diante do judiciário. Enquanto não houver maioria da oposição no senado, a chance de um impeachment de algum ministro do STF é zero. Pior que isso, é a que o próximo presidente indicará 4 ministros para a suprema corte. Não é fácil. Se o presidente atual for eleito, seguramente, acabou para o Brasil.

Um ponto importante da oposição na campanha presidencial é a desagregação. A vaidade não permite que as pessoas se reúnam em torno de um projeto, mas em torno de nomes. No meu entendimento, poderia se construir um gabinete, a exemplo dos países parlamentaristas, e tratar da reconstrução do país. Não apenas do ponto de vista econômico e fiscal, mas de moralidade, de integridade, de visão do futuro. O melhor nome da oposição atualmente é, sem dúvida, o de Tarcísio de Freitas, por tudo que ele tem feito em São Paulo. Mas, a chance que ele teria seria muito reduzida pelo fato de ser conhecido mais nas outras regiões, embora isso não signifique nenhum óbice. Ele decidiu com base nas variáveis disponíveis: reeleição mais ou menos tranquila x candidatura com pouca chance de emplacar. Eu não acredito que Tarcísio seria indicado por Bolsonaro, por exemplo.

Quem quer seja o candidato da oposição, se quiser se eleito, precisará ter votos nas regiões sudeste, sul e centro-oeste, em fração superior aos votos do nordeste, ou seja, vamos partir do pressuposto que a oposição terá, no nordeste, 20% dos votos válidos. Na eleição de 2026, teremos 158.765.463 eleitores aptos para votar, mas se considerarmos as abstenções em 20%, os votos válidos serão 127.012.370 milhões de votos válidos. Metade disso, representa 62,152 milhões, portanto, digamos que 50% dos votos válidos representam 63.506.185 votos, portanto, basta um voto a mais para se ganhar a eleição.

A região Nordeste tem 43.538.279 votos e 20% disso representa, 8.707.656, ou seja, vamos considerar que o presidente atual teria 34.630.623 votos. Isso significa que os votos das demais regiões terão que superar essa diferença. Se não fizer, adeus Brasil.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

BOLSA FAMÍLIA

Li alguns comentários sobre o Nordeste, aqui no JBF, onde havia referências ao bolsa família, a região sul etc. Sem dúvida nenhuma, falo como pesquisador/economista/professor, os dados do governo mostram que na região Nordeste, o número de beneficiários do bolsa família superam a quantidade de empregos formais. Eu estava com uma proposta de orientação de uma dissertação sobre o bolsa família, mas a mestranda desistiu de minha orientação (diga-se: a primeira em minha vida como professor, que alguém desistiu dos meus conhecimentos). Caso essa dissertação tivesse sido encaminhada, teríamos um trabalho coeso, isento de paixões políticas e de doutrinação e com resultados importantes.

Eu acreditei muito nessa proposta e depositava as esperanças numa análise econômica considerando os efeitos sobre o consumo, o impacto na previdência e a contribuição para o crescimento econômico, não apenas da região, mas no país. Na minha cabeça, eu tinha alguns modelos que poderiam ser testados, mas infelizmente ficou esse vazio em minha trajetória.

Eu concordo com um comentário de que o nordestino não recebe bolsa família por preguiça, mas entendo que existe uma leniência muito grande em se sentir agradecido e dar votos os canalhas que usam de recursos dessa natureza para manter a pobreza. Concordo com a lógica de que o beneficiário prefere a econômica informal (a dissertação ia tratar disso também). Eu imaginei que com essa orientação, era possível testar algumas boas hipóteses. O mercado produtivo nordestino tem uma característica diferente do que temos no Sul e Sudeste. Aqui prevalece mais agricultura, comércio e serviços, enquanto no Sudeste e no Sul, há uma tendência maior de indústria e uso exaustivo de tecnologia, que é um produto fantástico. Imagine, por exemplo: quantos caminhões de banana teriam que ser vendidos para se comprar uma iphone 17 (R$ 6.000,00)?

No Sul ou Sudeste, sai de um emprego, ele busca outro na mesma atividade. No Nordeste ou Norte, a coisa fica em torno das atividades comerciais, prestação de serviços ou o próprio setor público. O estado do Maranhão é o maior descalabro em termos do uso nefasto dessa política: lá, para cada um emprego formal, tem dois beneficiários do bolsa família. O estado apresenta os piores indicadores sociais do país.

Em 2017, eu publiquei um artigo sobre os financiamentos do BNDES na região Nordeste entre 2002 e 2017 (quem tiver interesse pode consultar através do link Revista Paranaense). Esse artigo mostra que do total de financiamentos realizados 73% são destinados ao setor de comércio e serviços, aqui considerando-se aquilo que a gente chama de indústria do turismo que tem alta empregabilidade e uma cadeia produtiva interessante porque envolve transporte, lazer, restaurantes etc.

Não dá para comparar com o que acontece no Sul ou Sudeste. O estado de Pernambuco, o velho Leão do Norte, era a maior economia do Nordeste. Na região metropolitana do Recife, haviam três grandes parques industriais: ao norte, Paulista; ao oeste, o bairro do Curado, na entrada da cidade pela BR 232 e ao sul, o bairro de Prazeres (Jaboatão dos Guararapes) e Cabo de Santo Agostinho. As indústrias que constituíam estes parques eram do porte da Phillips, Tintas Coral, Pirelli, Hering, Aço Norte Gerdau.

O que havia em comum com estas indústrias? Todas elas receberam incentivos fiscais da SUDENE por um período de 30 anos, algo como um desconto nos impostos sobre produção da ordem de 75%. Em termos de benefício, era fantástico produzir aqui e escoar a produção para vender pelo preço do mercado no Sudeste. Daí, 30 anos passaram rápido e estas empresas fecharam suas portas. O custo de produção mais a colocação do produto no mercado ficou sem competição econômica.

Não tem como a gente desenvolver o país sem levar em conta as diferenças regionais. Pegue dados do Tesouro Nacional, e veja que estados da região sul arrecadaram, em 2025, mais do que a soma da arrecadação dos estados nordestinos. Só Santa Catarina arrecadou mais do que Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte, juntos. Mas, isso não é apenas pela empregabilidade da mão de obra ou pela baixa adesão ao bolsa família (em Santa Catarina, por exemplo, a relação entre beneficiários do bolsa família e empregos formais é 0,64, a mais baixa do país).

O ponto principal é o tipo de produto que produzido. A região tem forte atuação no plantio de soja que é uma comodity, que é valorada na bolsa de futuros. A região tem um desenvolvimento tecnológico e, como disse lá em cima, tecnologia é valor de mercado.

Eu acredito que a orientação política e a herança do coronelismo, dos feudos, gera esse comportamento de carência no Nordeste. Aqui em Pernambuco, por exemplo, nas eleições de 1982, o governador eleito – Roberto Magalhães – era de direita. Depois dele, os únicos govenadores de direita foram Gustavo Krause, Joaquim Francisco e Mendonça Filho e estes governaram por 9 meses. Mendonça Filho foi vice de Jarbas Vasconcelos e tentou a reeleição, mas foi derrotado por Eduardo Campos.

Em Pernambuco tivemos: Miguel Arraes (8 anos), Jarbas Vasconcelos (6 anos), Eduardo Campos (8 anos), Paulo Câmara (8 anos) e Raquel Lyra (esta vincula sua campanha ao atual presidente da república e tenta a reeleição). O que me admira é não perceber o mal que esse pessoal faz e votar neles. João Campos, por exemplo, concorre ao governo. Dá para ser feliz?