MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

MEDIDAS ECONÔMICAS

Desde o discurso de pose de Paulo Guedes que eu vejo sintomas positivos para a economia brasileira. Não faz mais porque muitas coisas dependem do congresso ou do STF, como o caso das privatizações. É bom lembrar que Lewandowski defendeu que cabe ao congresso autorizar vendas de empresas públicas. No seu voto, o canalha, dizia que “como as empresas públicas precisam de autorização do congresso para existir, caberia ao congresso a autorização para sua extinção”. Como se sabe esse parecer não contemplou as subsidiárias, ainda bem. Por ele uma empresa pública deficitária deve sangrar até o congresso autorizar a venda.

As críticas ao modelo econômico de Guedes foram frequentes, 365 dias do ano. Entretanto, por mais que não se queira reconhecer, houve avanços na geração de emprego e, pontualmente, em questões que passam despercebidas do povo, principalmente o povo pobre que é massificado pelos discursos apocalípticos da esquerda. Por exemplo: em junho de 2019 o governo reduziu o depósito compulsório. Antes, de cada R$ 1,00 depositado em conta corrente, R$ 0,33 centavos eram recolhidos ao Banco Central e de junho essa taxa caiu para R$ 0,31. Parece pouco, mas só isso injetou R$ 20 bilhões de reais na economia. Melhorou o crédito, caiu a taxa de inadimplência e o consumo favoreceu a economia se mover para cima.

Outro ponto fundamental foi a fixação da taxa do cheque especial em 8% ao mês. Os bancos concediam R$ 350 bilhões de crédito nessa modalidade de empréstimo, mas a utilização era, aproximadamente, 8% desse valor e as pessoas imaginam que isso não tinha custo. Numa das minhas aulas, em dezembro passado, fiz um comparativo do cheque especial com as famosas confraternizações de fim de ano que as pessoas fazem em restaurantes. Ligam e pedem para reservar um espaço para 50 pessoas, digamos. Cada cliente que chegar só será atendido se tiver espaço, e não sendo atendido, o restaurante vai cobrar esse custo de quem fez a reserva. Então, os limites não utilizados do cheque especial, quase R$ 320 bilhões, eram pagos porque quem usava e por isso, também, as taxas eram estratosféricas.

Obviamente, que Guedes tem metas maiores, mas a última decisão do Conselho de Política monetária de reduzir a taxa de juros (SELIC) para 4,25% ao ano tem, do meu ponto de vista, alguns riscos que, não sei se estamos preparados agora. Uma taxa de juros baixa favorece o investimento, pode tornar o crédito mais barato e isso aumenta o PIB. Mas, tem um impacto forte nas aplicações de renda fixa. A caderneta de poupança perde o atrativo e vai afetar pequenos poupadores. A única vantagem da Poupança é a isenção de imposto de renda, mas o ganho líquido ficará abaixo da inflação.

De modo igual, os bancos captam recursos para empréstimos através de títulos de renda fixa (geralmente denominados CDB/RDB, puramente um depósito a prazo fixo). Com isso, a gente pode cair num paradoxo de ao invés de termos crédito barato, termos crédito mais caro porque a oferta poderá cair em função do impacto na captação. Não é interessante esse tipo de título dado que, além da taxa baixa, tem incidência de imposto de renda.

Uma grande vantagem dessa taxa de juros é a redução da dívida, mas isso poderia ser alcançado por outros meios. Os acordos comerciais firmados com a União Europeia, com a China e agora com a Índia precisam dar sinais de movimento. Só com a UE a perspectiva era de US$ 100 bilhões e com a Índia US$ 320 bilhões. Isso faria o Brasil crescer excepcionalmente.

O caminho está bem delineado. Só alguns ajustes internos, um dos quais envolvendo o congresso. Não tem, realmente, como se fazer um trabalho sério nesse país com uma caricatura indecente chamado Congresso Nacional e comandado por dois crápulas como Rodrigo Maia e Alcolumbre. Em recente sessão os nobres deputados salvaram o pescoço de um corrupto, o deputado Wilson Santiago, que foi afastado do cargo por Celso de Mello.

Foi nesse contexto que a percepção de corrupção no país aumentou. Medidas propostas por Moro dariam uma visibilidade diferente ao Brasil no cenário internacional, mas o que se viu foram ações favoráveis a impunidade. Não se pode esquecer o STF que é a maior fonte de instabilidade do Brasil. As contradições são visíveis e não precisa ter doutorado em direito constitucional para percebe o quanto se viola a Constituição Federal naquele ambiente de podridão e canalhice. Existe uma PEC que limita gastos dos poderes, mas tanto o legislativo quanto o judiciário não estão nem aí. Todo ano eles gastam mais e ninguém se insurge contra isso.

De uma forma ampla, eu não tenho medo da política econômica de Guedes e a gente sabe que muitos fazem o possível para atrapalhar, revestidos, única e exclusivamente, pelo sentimento de que este governo não pode dar certo. Sabe aquele papo “se não for minha não será de mais ninguém”? É esse o sentimento da esquerda.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PURA MÁ VONTADE

Eu acho incrível as críticas que a esquerda faz ao governo atual e, principalmente, a política econômica adotada pelo ministro Paulo Guedes. Logicamente, não tenho a pretensão de que todo mundo concorde com tudo que tem sido feito. Em qualquer democracia é salutar que exista oposição, mas que esta fiscalize o governo e apresente propostas. Não é o caso do Brasil. Aqui não se fiscaliza, só se critica, e após um ano de governo a esquerda continua gritando “fora Bolsonaro”.

Pra ser mais exato, não é a crítica em si que me incomoda, mas a falta de coerência dos críticos. Eles simplesmente esqueceram o que fizeram no passado e agora cobram do governo ações para corrigir os erros que eles cometeram e os desvios que praticaram. Basta qualquer coisa acontecer e logo a gente ouve “esse governo que está aí”, embora alguns indicadores econômicos mostrem que o Brasil está melhorando. Particularmente, gostaria de citar três casos.

O Banco Central divulgou um déficit nas contas externas de US$ 50 bilhões, em 2019, e isso foi suficiente para o pessoal de memória fraca ir para as redes sociais cobrar explicações do governo. Primeiro é preciso entender que temos déficit nas contas externas desde muito tempo. Só em 2010, o rombo foi US$ 79 bilhões. Em 2014, ápice do desastre econômico de Dilma, tivemos US$ 101 bilhões de rombo e somente em 2017, já no governo Temer, as contas externas ficaram negativas em US$ 15 bilhões, o menor saldo da década. Então, qual o motivo desse alarde? As contas externas envolvem mais do que a balança comercial cujo desempenho, inclusive favoreceu este resultado. Ao contrário de anos anteriores, a entrada de capital externo no Brasil chegou a US$ 78 bilhões e a esquerda não comemorou. Então, de certo modo o governo tem como cobrir esse rombo, embora o ideal fosse que estes recursos de investimentos externos se destinassem a geração de emprego. Ninguém olha o passado. Simplesmente descem a lenha na política de Guedes como se dentro de um ano ele fosse obrigado a consertar as mazelas deixadas nesse país. Economia não é miojo, digo sempre.

A segunda questão ainda fala de dívida, mas agora nossas contas que fecharam com um saldo negativo de R$ 95 bilhões. Ninguém lembra que essa situação está assim a seis anos, ou seja, desde 2013 temos um rombo nas nossas contas, mas quem critica fala do buraco sem sequer lembrar que, embora negativo, este é o menor saldo negativo dos últimos seis anos. Os números estão disponíveis no site do Banco Central, basta consultar e interpretar, mas ninguém da esquerda tem interesse em analisar dados. O que se quer é divulgar notas com informações negativas com o intuito de desestabilizar o governo.

A terceira questão é sobre a tal caixa preta do BNDES e a auditoria de R$ 48 milhões que não encontrou nada. Eu trabalhei em bancos sendo responsável pelas operações de repasses do BNDES e da FINAME e sei como funciona. Em 31 de agosto de 2019, publiquei aqui um texto intitulado JATINHOS FINANCIADOS explicando onde estava a perda de dinheiro na operação que financiou o jato de Luciano Hulk. O que houve no caso dessa auditoria foram dois erros bobos: açodamento por parte do governo e análise errada das operações. Vamos comentar primeiro o erro na análise.

Aparentemente, a auditoria focou contratos, liberação de crédito, reembolso de parcelas, etc. e não focou as condições de financiamento. Como eu disse, fiz um demonstrativo, no texto citado, com base em informações divulgadas sobre as operações de FINAME para financiamentos dos jatos. Apenas no caso de Luciano Hulk calculei um prejuízo para os cofres públicos de R$ 1.618.340,43. Se eu tivesse acesso ao contrato teria feito isso com mais precisão.

A questão do açodamento é que o governo está caçando vampiros com reza e não com estaca e alho como ensinado nos filmes de Drácula (Santo Altamir Pinheiro me acuda!). Esse trabalho não era pra ter sido conduzido dessa forma e ele deveria focar, num primeiro instante, os contratos com governos corruptos como Venezuela, Cuba, Angola e tudo mais. As operações de FINAME são feitas através de agentes financeiros que assumem todos os riscos. O BNDES não tem inadimplência nessas operações porque, como se trata de repasses, o agente financeiro é intermediário, isto é, ele recebe os recursos do cliente, retiram seu “Del credere” e repassam o resto para o BNDES, em datas especificas (no meu tempo, o repasse era feito no dia 15 de cada mês). Se o cliente pagar ou não a prestação, o agente financeiro é obrigado a repassar o valor devido ao BNDES, logo não há inadimplência. Focaram o problema de forma errada.

Como consequência, o pessoal da esquerda se locupletou esbanjando sorrisos e acreditando que essa auditoria atesta as ações que foram feitas. A pressa do governo em apontar culpados levou a esse erro de estratégia e acabou favorecendo o discurso de inocência que sempre pregaram. O presidente se perde pelo que fala. Antecipa ações dessa natureza e se expõe a erros. Coisas desse tipo precisam ser feitas internamente e só depois referendado por consultores externos. O que deve ser divulgado é o relatório de apuração, não a ação previamente.

Entendo que as propostas de Guedes devem continuar. Particularmente, sou favorável ao programa de privatização e, recentemente, falando com uma pessoa sobre isso ela criticou o que tem sido feito, mas eu fiquei pensando sobre o assunto e me perguntando: não pode privatizar porque vai tirar o emprego de um cara cujo salário é pago pelas pessoas que estão na iniciativa privada? É esse o argumento? Na nossa economia, o setor privado emprega menos que o setor público e não me parece que esse seja o caminho para o desenvolvimento. Há muita coisa para se consertar. O governo precisa acertar mais, entretanto, o presidente precisa entender que não está jogando vídeo game.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O DESESPERO DA ESQUERDA

Em muitos comentários que faço no facebook, falo da falta de propostas da esquerda após a eleição de Bolsonaro. Enquanto o governo buscou soluções através dos ministérios da Economia, Justiça e Segurança Pública e Infraestrutura, a esquerda se debruçou intensamente contra qualquer pauta, chegando a ser considerado motivo de orgulho esse posicionamento como numa recente comemoração feita por Marília Arraes ao ter obtido 24 pontos, de 25 possíveis, numa avaliação dos deputados que se colocaram contra os interesses do povo. Para ela, obter essa nota foi importante porque ficar contra os interesses do povo significa votar contra tudo, inclusive de bom, que foi apresentado pelo governo Bolsonaro.

A esquerda fincou o pé no “fora Bolsonaro” e esta semana li uma entrevista de Cristovam Buarque dizendo, ainda bem, algo que digo desde o resultado da eleição em 2018: a pauta da esquerda é violar a Constituição e exigir o impeachment do presidente apenas porque o poste de Lula não foi eleito. Buscam qualquer motivo assustados pelo fato de que se este governo acertar, nunca mais a esquerda terá espaço nesse país, por diversos motivos, dentre os quais o que eles fizeram foi algo inesquecível, merecedor de um Oscar, para aproveitar o momento. Nunca se roubou tanto nesse país. Não tem como esquecer isso.

O debate, de baixo nível, não afeta somente a questão politica. Na verdade, o interesse em desestabilizar o governo vem da Economia. Primeiro, vamos assustar o povo divulgando os protestos no Chile e no Peru como algo decorrente de não ter sido eleito um presidente de esquerda. Vamos botar esse clima de instabilidade nas nossas fronteiras e vamos incentivar a revolta pra que o presidente seja afastado. Essa é a meta principal, as metas subsequentes depois se vê como faz, com a ajuda do judiciário.

Para justificar como a Economia tem papel preponderante trago dois casos: Carter tentava a reeleição contra Ronald Reagan. No primeiro mandato do seu governo a inflação nos Estados Unidos atingiu dois dígitos. No último debate entre eles, nas considerações Reagan disse algo assim: “vocês estão satisfeitos com o governo dele? Votem nele. Se não estão, votem em mim”. Os americanos não estavam satisfeitos com a inflação e Carter perdeu a eleição. Na reeleição de Clinton, com todas as críticas sobre o comportamento dele, quando enunciado a vitória e um repórter perguntou qual o motivo do sucesso e um assessor respondeu “é a economia”. Então, o aspecto econômico é, decisivamente, quem dá votos, quem elege e quem mantem no poder qualquer governante. Lula, por exemplo, teve ameaça de impeachment nas suas ventas quando estourou o mensalão. Fui salvo, num grande acordo envolvendo todos os partidos, o judiciário, etc. porque a economia estava indo bem e seu vice, José de Alencar, não tinha o apelo político nem a simpatia internacional.

Então, é através da Economia que a esquerda tenta desmoralizar o governo. Agora, a forma como isso é feito é lamentável. Mentiras, projeções catastróficas sem respaldo de fontes dignas e vai por ai. Bobagens e opiniões contrárias apenas para não reconhecer que o ministro Paulo Guedes tem colocado à mesa propostas reais para o Brasil. Ao longo do ano, foram gerados 1 milhão de empregos, muito pouco em relação aos 13 milhões de desempregados paridos pela política de Dilma Rousseff, mas isso é visto como uma incapacidade do governo em resolver um problema que a esquerda criou e com isso, essa massa de economistas que não fazem analisam dados sem isenção passa a creditar ao governo tudo de ruim que aconteceu no Brasil, inclusive esse nível de desemprego.

A coisa beira o ridículo a ponto de Márcio Pochamann ter atribuído ao governo atual a culpa pela redução na quantidade de clientes das operadoras de TV paga. Isso é a expressão da incompetência no seu maior grau. Em 2017, pesquisando dados sobre o efeito da TV paga no esporte, vi um relatório da SKY, salvo engano, que alertava sobre a chegada de novas formas de mídias, como a Netflix, e sobre a insatisfação do consumidor com os pacotes que são negociados. O cliente assina um pacote com 100 canais e dentre eles tem canal de clima, rural, religioso, enfim, uma série que o cara não quer, mas paga porque o pacote é inflexível. O produto é ruim e por isso há evasão. Então, as outras opções são mais baratas e em Economia há um conceito que é ensinado na disciplina de Introdução à Economia que trata de bens substitutos: quando o preço de um sobe, a demanda pelo outro, aumenta. Aumente o preço de manteiga que a demanda por margarina cresce.

Particularmente, como economista, eu vejo o movimento do Brasil no caminho do crescimento econômico. A projeção para 2020 é 2,5%, mas a inflação de 4,31%, de 2019, acima das projeções, pode ser um complicador, porque a taxa de juros está muito baixa e isso é um incentivo ao aumento do consumo, que pressiona preços. Mas, o fato é que quando mais eu penso na politica de Guedes, mais me convenço de que o Brasil encontrou uma proposta econômica inovadora, ousada e permanente. Por uma simples razão: qual governo seria capaz de desfazer o que o mercado aprovou? Imagine a chance que terá um candidato se propor estatizar as empresas que foram privatizadas. Vamos ficar nesse exemplo para dar uma dimensão de que não há mais volta para o Brasil. Ou engrena nessa direção ou trava.

Externo uma preocupação que falei recentemente: qual a chance que um economista, que não seja de esquerda, tem para publicar artigos que critique a política dos governos de esquerda ou que exalte política de Paulo Guedes? Eu, particularmente, vejo muita gente de esquerda em editoriais de periódicos e duvido que eles aceitem um texto meu, por mais embasado que seja. Quem me conhece sabe da minha isenção econômica. Quando está eu digo, quando está ruim digo do mesmo jeito. Uso matemática para argumentar minhas ideias. Então, eu pergunto: Márcio Pochamann avaliaria sem isenção um artigo meu analisado os relatórios gerencias da Odebrecht entre 2002 e 2017? Pouco provável.

Usar o conhecimento para incutir o medo em que está, intelectualmente, num nível abaixo do seu, é a forma mais abjeta de ocultar a própria incompetência.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

BALANÇO

A cada final de ano a gente faz um balanço do que fizemos, do que deixamos de fazer, do que pretendemos fazer no ano seguinte. As empresas levantam sua situação contábil, apuram resultados. O governo, em qualquer esfera, justifica suas ações e é sobre a questão econômica que vou me propor a falar.

A proposta econômica de Paulo Guedes era, de longe, a que mais representava os anseios de mercado porque ia de encontro ao aumento do estado na economia conforme se via no programa do PT, por exemplo. Paulo Guedes disse que pretendia reduzir o déficit com privatizações e com concessões e só não fez mais porque o STF não permitiu. Repare que isso é uma mudança significativa de procedimentos porque os candidatos diziam “precisamos reduzir o déficit” e nunca diziam como iriam fazer isso. “Precisamos gerar 2 milhões de empregos”. Lógico que precisamos bem mais do que isso, mas nunca ninguém apresentou uma proposta concisa, específica. Ninguém nunca apresentou um plano. Paulo Guedes o fez.

Já em outubro de 2018, com a perspectiva de vitória de Bolsonaro, a Bolsa de Valores reagiu positivamente, o dólar aquietou-se e no dia 02/10/2019, o discurso de posse de Guedes foi a sinalização que o mercado precisava. A Bolsa começou a se mover na direção dos 100 mil pontos. Ao longo do ano várias coisas mereceram destaques:

1) A reforma da previdência foi aprovada embora num tamanho menor do que previsto. No meu entender trata-se de uma reforma paliativa porque daqui a 5 anos nós vamos começar uma nova discussão sobre isso. O problema da previdência é o modelo de repartição que não atende, de modo que acho que capitalizar deveria entrar na pauta das discussões.

2) O governo liberou importação de 1.168 produtos dentre os quais equipamentos para saúde e informática e remédios para câncer e AIDS. Isso vai reduzir os custos com os tratamentos no SUS;

3) O governo reduziu a depósito compulsório de 33% para 31%, injetando R$ 20 bilhões na economia. Isso foi interessante porque não precisa de aprovação do congresso, sem pedaladas, só permitindo que os bancos fiquem com mais dinheiro e com isso aumentem a oferta de crédito;

4) Redução da taxa básica, SELIC, para 4,5% ao ano levando os juros reais (descontado a inflação) para 2% ao ano. Obviamente que isso tem consequência na taxa de inflação, pois com juros nesse patamar busca-se consumo ou compras de ativos reais;

5) A pressão no dólar teve como motivos, dentre outros, o volume de importação de carnes feito pela China que fez subir o preço do produto internamente. Eu já falei em diversos momentos que as exportações seriam o caminho mais sólido da retomada do crescimento porque o consumo precisava de renda, o investimento enfrentava taxa de juros alta e desemprego catastrófico e os gastos do governo estão tabelado uma por PEC e o governo tinha um déficit previsto de R$ 139 bilhões.

6) O emprego tem dado sinais de recuperação, de modo que em 2019 foram gerados mais de 950 mil empregos novos, com carteira assinada.

Isso posto vem alguns comentários principalmente em relação aos postos de trabalho. Cada vez que o governo divulga que houve aumento de empregos, a turma que torce pela desgraça diz que se trata de empregos informais. A limitação de raciocínio desse pessoal é tão grande que nem consideram que os dados do CAGED são de empregos formais. De outro modo, o que a economia precisa é de empregabilidade. O cara receber renda é mais importante do que receber seguro desemprego.

Agora, o esforço dos esquerdopatas em torcer contra o país é algo notório. Esta semana o Banco Central encaminhou um projeto para regulamentar a insolvência bancária. Quando o Plano Real foi implantado em 1994, vários bancos tiveram problemas de liquidez e FHC criou um programa, PROER, destinando FR 17 bilhões do Tesouro Nacional para que outros bancos comprassem os bancos em liquidação extrajudicial. Eles adquiriam a parte boa e a parte ruim (créditos em liquidação) deveriam ser recuperadas pelo Banco Central e o passivo pago com recursos dos acionistas. Eu conheço vários bancos que quebraram e não conheço um acionista que ficou na miséria por conta disso. O Banco Pan-Americano, de Sílvio Santos, foi adquirido pela CEF numa operação até hoje não explicada.

A proposta atual do Banco Central é usar recursos do Tesouro, em casos de CRISES SEVERAS e SOMENTE DEPOIS de ter usado os bens dos acionistas, dos investidores subordinados e dos fundos de recuperação.

Bastou essa proposta para que os esquerdopatas publicassem o lucro dos bancos mostrando que a exorbitância e enfatizando que os desempregados não tinham o mesmo tratamento. Isso tem um nome: doença mental. Diante das críticas eu entendi que ninguém lê quaisquer normativos. As pessoas olham a manchete publicada na Folha de São Paulo e repassam com seus comentários.

Nesse contexto, cabe resgatar a critica que o Financial Time fez aos números de crescimento da economia divulgados pelo IBGE. O Ministério da Economia encontrou um erro em dois meses seguidos na balança comercial. Era R$ 20 bilhões e foi registrado R$ 18 bilhões; era R$ 13 bilhões e foi registrado R$ 9 bilhões. Ora, se registramos menos do que deveríamos, significa que o saldo da balança comercial deverá ser maior em, pelo menos, R$ 6 bilhões. Isso pode ser melhor do que a gente esperava e não pior. Mas, vamos aguardar o mês de março quando o governo vai ajustar as contas. O fato é que muita gente chamou esse erro de manipulação de dados e, nas redes sociais, eu comentei que o IBGE já comentou outros erros em 2007, 2012 e 2017, mas as pessoas foram taxativas: “prefiro acreditar no Financial Times”.

Agora, o mesmo jornal coloca Sérgio Moro, o único brasileiro, numa relação das pessoas mais influentes da década. Cadê aqueles que disseram que preferem acreditar no FT? Silêncio absoluto. Nenhuma palavra, simplesmente porque não há o que dizer.

Dessa forma, como economista, eu entendo que a economia brasileira está apresentando um resultado além do esperado e que se o mês de janeiro continuar com os indicativos atuais, a gente tem tudo para crescer mais de entre 2 e 2,5% em 2020. Que seja assim. Destruir uma estrutura é extremamente fácil. Reconstruir é sempre mais doloroso. Feliz 2020, a todos vocês os fubânicos, no nosso nobre Editodos e sua família.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CHOVENDO NO MOLHADO

Antigamente as notícias tratavam de indícios de corrupção e esse termo ainda é usado em várias partes do mundo e, inclusive, é com base nele que se elabora o ranking de países ou instituições corruptas. Fala-se de indícios de corrupção porque os estudos apontavam para dificuldade de identificar, realmente, se houve corrupção porque os valores envolvidos não eram pagos em cheques nominais. Tudo em dinheiro, em cash, de modo fosse difícil rastrear.

A corrupção, na verdade, continua com ares de sofisticação tecnológica e transmudada na forma de benefícios feitos pelo corruptor ao corrupto. A triangulação dos recursos escusos é norma prática, ou seja, uma empresa brasileira faz um pagamento a uma empresa no exterior para que esta pague a alguém aqui no Brasil.

O maior problema disso tudo é o comportamento dos corruptos. Agem como se não fossem alcançados pela justiça e, de fato, quando são já se passou uma eternidade. Além disso, a relação incestuosa entre corruptos e tribunais parece não ter fim. Basta ver a conversa gravada do ministro Alexandre de Moraes com Alexandre Victor do ST-MG. “Vamos tirar da frente antes que o povo encha o saco”, disse o nobre ministro Alexandre de Moraes. É essa a forma como a população é vista por aqueles que são pagos para defender o interesse da população: como os caras que vão encher o saco! O que não se entende é como estas pessoas continuam no poder da mais alta corte do país.

Logicamente, a esperança é seria um pedido de impeachment acatado pelo Senado, mas quem disse que o Davi Alcolumbre tem coragem para algo assim? Ainda mais quando se sabe que dentre seus orientadores está o senador Renan Calheiros. Resta pressionar como, de certa forma, foi feito em relação ao escandaloso fundo partidário que passou de R$ 3,80 bilhões para R$ 2 bilhões, ou seja, embora ainda imoral, já está menor. Precisa pressionar o presidente para vetar essa imoralidade.

Mas, se antes o tal indicio de corrupção era uma nesga de possibilidade, o avanço da tecnologia trouxe novidades através de gravações, filmagens, etc. Todos lembram do Rodrigo Loures sendo filmando carregando uma mala com R$ 500 mil, que ele não sabia que era dinheiro, mas que desapareceu R$ 35 mil quando a mala ficou escondida na casa dos seus pais. A recente gravação do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, afirmando “meu seu 13º está garantido”. Estamos falando de uma bagatela de R$ 134,2 milhões que foram desviados de recursos da saúde e da educação. Interessante é que cuidar da educação é o primeiro projeto de qualquer candidato e quando eleito é o primeiro ponto de desvios de recursos. Os escândalos envolvendo desvio de dinheiro com merenda, fardamento, aquisição de livros, etc. são inúmeros e expressivos.

A fuga de recursos públicos, atualmente, ocorre através de OS – Organização Social. Estas instituições, sem fins lucrativos, são regulamentadas pela lei No. 9637/88 e atuam na administração pública através de contratos de gestão. O estado libera orçamento e patrimônio, se preciso, para que elas executem o contrato. O argumento principal é a celeridade visto que estas empresas não estão inseridas na lei 8666/93, lei das licitações. O problema é a prestação de contas que, em geral, se faz no encerramento do contrato. Não há regras mais rígidas como no caso das fundações apoio a instituições de ensino superior.

O que vai sobrar de tudo isso? Nada! Coriolano Coutinho, irmão do governador, foi preso e já entrou com um habeas corpus assinado pelos filhos do presidente do Tribunal de Justiça, João Otávio Noronha. Entenderam? A corte vai negar? Muito provavelmente não.

O fato é que a corrupção no Brasil é um câncer com metástase. Impunidade é a quimioterapia que não mata o tumor.

No mais, um feliz Natal a todos.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O CÚMULO DO RÍDICULO

É sempre engraçado, se não fosse trágico, observar a reação das pessoas que se opõem a atual governo. Buscam desmerecer, inclusive, até mesmo aqueles que trabalharam juntos, que estudaram juntos, que foram amigos e agora por uma opção política passaram a ser vistos como inimigos ferrenhos. Como se as pessoas não tivessem vontades próprias ou como se elas são importantes apenas quando atendem nossos anseios.

Recentemente, Roberto Carlos registrou num show a presença do Ministro Sérgio Moro e bastou isso para no dia seguinte, um repórter Marcelo Bortolotti, da revista Época, do grupo Globo, publicasse uma matéria dizendo que Roberto tinha relações com a ditadura e que havia, inclusive, sido premiado com a concessão de uma rádio. Achei, simplesmente, incrível. Roberto Carlos é contratado pela Rede Globo, ganhava uma grana por mês para ter exclusividade com Rede Globo e o Bortolotti vem com essa. A Rede Globo conseguiu a concessão dela pelas boas relações com o Vaticano?

Roberto Marinho foi um árduo defensor do Regime Militar e visitava, digamos assim, a “cozinha do poder”. Paulo Francis, no Pasquim, escreveu em 1971 um artigo cujo título era Um homem chamado porcaria se referindo a Roberto Marinho. O auditor Romero Machado, publicou em 1988 um livro chamado Afundação Roberto Marinho, no qual relata as proezas da Rede Globo, do então VPO – Vice Presidente Operacional, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e fica nítida a forma de crescimento do grupo mediante relações escusas com o poder.

Chico Anysio se apresentou, no Palácio do Planalto (eu disse no Palácio do Planalto), para o presidente João Figueiredo, exatamente aquele do “senão eu prendo e arrebento”.

Isso desmereceu a careira ou a crítica ácida que ele fazia aos governos? Isso fez dele um cretino? Não me recordo na época, 1979, de nenhum protesto de artistas ou de boicote a Chico por esse show. Ninguém do Grupo Globo emitiu uma nota de repúdio, sequer. Nem Jô Soares que sempre foi muito crítico ao regime militar.

Por conta do apoio da Rede Globo ao regime militar, Chico Buarque tinha restrições ao canal embora Marieta Severo, então sua esposa, fosse uma atriz de destaque nas novelas globais. Em 1986, ele aceitou apresentar um programa, Chico e Caetano, uma vez por mês, entre abril e dezembro daquele ano. A simbiose entre Globo e regime militar era de “unha e carne”, mas o que surpreende é profissionais da Rede Globo que denunciaram torturas, como Miriam Leitão, e outros que trabalharam lá como Franklin Martins, envolvido no seqüestro do embaixador americano que libertou da cadeia, dentre outros, José Dirceu, fingir que não sabiam a posição da Rede Globo, ou seja, estas pessoas perseguidas profissionais de uma empresa que apoiou seus perseguidores. Nunca vi Miriam Leitão criticar isso, pelo contrário vi a entrevista que ela fez a Bolsonaro e vi apenas uma repetidora de informações que chegavam pelo ponto eletrônico.

Cabe lembrar que nobres artistas colocaram Wilson Simonal no rol dos delatores e me recordo de uma entrevista de Caetano Veloso no programa de Jô Soares, no qual ele sugeriu ter sido entregue por Simonal. Elis Regina foi criticada pela participação nas olimpíadas do exército no governo Médici. De modo igual, nos dias atuais, ninguém pode fazer um comentário elogioso sobre o governo, sobre a política econômica, sem que seja chamado de imbecil, idiota, ou, nas palavras do presidente da OAB, “eleitores de Bolsonaro tem desvio de caráter”. Complicado isso, não?

O fato é que a lei tem sido usada para beneficiar quem é rico. As conversas gravadas entre Alexandre de Moraes e Alexandre Victor do TJ-MG mostram claramente de que lado a bandeira balança. Alexandre de Moraes como secretário de Segurança de São Paulo atuando como advogado, fato proibido, falando com ministros do STF para enterrar um processo contra Alexandre Victor. Simplesmente, nojento.

Em relação a Roberto, o STF errou na decisão da liberação da biografia não autorizada. Alegaram que se tratava de uma pessoa pública e Roberto é popular, não público. Público é quem ocupa cargos públicos, recebendo ou não, remuneração com recursos. Roberto tem todo o direito de não permitir que externem coisas de vida pessoal. Nem isso eles são capazes de entender.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ENTERRADO VIVO?

Sempre afirmei que a defesa do ex-presidente Lula, feita de forma irracional por diversos políticos, tinha por objetivo primeiro salvar mandatos próprios. Em Pernambuco, por exemplo, dois candidatos a governo se esforçavam para mostrar a população que era o preferido do ex-presidente. Insisto em dizer que isso continua vivo na cabeça de cada um desses políticos. Sem o apelo de Lula eles não possuem votos suficientes. Gleisi desistiu do senado, embora a PF continuasse “fungando no seu cangote”, para obter 230 mil votos (pode? No Paraná?) e tentar garantir foro privilegiado. Muitos outros, como Lindbergh Farias, perderam o posto.

No meu entender Lula, hoje, se assemelha em tudo por tudo ao famoso Quincas Berro D´Água retratado genialmente por Jorge Amado. Um funcionário público que um dia passa a viver de farras e de cachaça e numa venda vê um copo que acreditava ser cachaça, mas quando vai tomar dá um berro “Águaaaaaaaa” e daí seu apelido. Morto, os amigos de farra chegam ao velório e acreditaram que ele estava sorrindo. Os caras pegam Quincas, defunto, e vão de bar em bar para uma noitada. Isso é Lula. Um morto-vivo carregado num andor por um grupo, bem reduzido, de pessoas que vivem no seu entorno acreditando no milagre da multiplicação dos votos. Pessoas com interesses próprios que fazem, cegamente, o que ele ordenar. Haddad, por exemplo, é o caixão deste Quincas.

Escuta-se, bem baixinho, as queixas de integrantes do PT às decisões de Lula. Nenhum tem coragem de falar publicamente sobre a necessidade de o partido reconhecer os erros porque isso não passa na cabeça de Lula que já declarou, após sua soltura, que o “PT não vai fazer autocrítica.”Ou seja, pedir desculpas e reorganizar as ideias, nem pensar! Para ele o PT não errou. Ele não errou. Os três tesoureiros presos não erraram. Dirceu, Palocci, Dilma e etc. não erraram. Quem errou foi Sérgio Moro. Foi a força tarefa da Lava Jato que desbaratou a quadrilha que roubava descaradamente este país. Quem errou foi o STF, acovardado, que levou 580 dias para lhe tirar da cadeia e está demorando muito a anular sua condenação para lhe capacitar a ser candidato em 2022.

O efeito Lula se dilui no tempo, muito disso devido ao discurso não renovado pela evolução. Antes valia a pena inflamar a massa prometendo combate a corrupção. Hoje, o partido está impregnado como o grande responsável pela corrupção no Brasil por dois grandes escândalos: mensalão e petrolão, pescado pela Lava Jato com o envolvimento de outros países da America Latina como Peru (cinco ex-presidentes presos e um suicídio), Paraguai (ex-presidente considerado foragido), Argentina (Cristina Kirchenner), e vai por aí. Era importante inflamar a massa com promessas de geração de empregos, mas como fazer isso agora se eles próprios geraram 13 milhões de desempregados no país? Não consigo entender como as pessoas esquecem os indicadores econômicos do governo Dilma! E o que mais me choca é ver professores de economia defender um desgoverno tão grande.

Além de disso, as preferências de votos do PT sempre ficaram em torno dos 33% – 35% e a costura para vitória agregava gregos e troianos. De Renan Calheiros, que levava parte do MDB (Henrique Alves, Jucá, etc.) para o governo, até Pedro Correia, que levava o PP. No resto ficavam os partidos de esquerda menores que elegem representantes graças ao coeficiente eleitoral. Resta a Lula procurar abrigos nesses partidos e se aliar novamente com Renan, Valdemar da Costa Neto, Roberto Jefferson, para citar alguns e ir para rua falar em combate a corrupção. Terá coragem?

Provavelmente, porque por um projeto de poder ele se aliou a Paulo Maluf. A guerra declarada com Ciro Gomes vai produzir das duas uma: o PDT se alia ao PT e Ciro busca outro caminho para sua peregrinação ou PDT busca inovar num discurso que nunca fez e Ciro fica em 3º ou 4º lugar na disputa eleitoral. Ele promete que em 2022 será sua última disputa. Isso é um sinal de que o discurso da esquerda não tem mais crédito. Não acredito que ninguém de esquerda seja capaz de obter votos da maioria desse país.

O resumo da ópera é simples: Lula, como líder, já não tem mais esse reconhecimento. Os aplausos recebidos de alguns políticos internacionais vieram pelo que ele foi e não pelo que é. As pessoas que estão a sua volta já perceberam que o caixão de Quincas é bem pesado e, dentro em breve, estarão acendendo vela para outro defunto. Cabe a ele decidir o momento de parar.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

FÉRIAS COLETIVAS

Imaginei que depois do dia 07/11/2019 o STF entrasse em férias coletivas, afinal nada mais para fazer a partir dessa data. Não há mais recursos impetrados pela defesa de Lula para entrar em pauta urgente. Votaram pelo fim da prisão em segunda instância desfazendo uma decisão de 2016 quando acharam que isso não violava a Constituição Federal. Logicamente, a única motivação para mudar esse entendimento foi a prisão de Lula, ou seja, se Lula tivesse sido preso em novembro de 2016, a partir de dezembro daquele ano teria iniciado essa discussão.

Quais os efeitos diretos dessa atitude? Abriram as portas da cadeia e botaram na rua, sem tornozeleira, José Dirceu que foi pego em falcatruas enquanto estava preso pelo crime do mensalão e recebia propina pelos contratos da Petrobras; Delúbio Soares e João Vaccari Neto, tesoureiros do PT que foram processados, julgados, condenados e presos. Uma festa, sem dúvida, e embora estejam por aí bebendo à saúde dos 6 guardiões da Constituição que lhes premiaram, a tão sonhada liberdade não significa inocência. O que se fez foi dar-lhes o direito de protelar a decisão final. E por essa razão, achei que o STF teria férias coletivas, mas acho que estou falando cedo demais.

Na verdade não basta tirar Lula da cadeia. O interesse maior agora é anular a condenação baseada nas conversas vazadas. Gilmar Mendes tem um objetivo maior: humilhar publicamente Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores da Lava Jato. Deltan está sendo processado por Renan Calheiros e por Kátia de Abreu. O primeiro, um corrupto eterno salvo pela prescrição dos crimes praticados que são julgados pelo STF. Renan, não só acredita na sua impunidade como manipula o sistema em benefício próprio.

Então, o STF entendeu que o correto é cumprir a Constituição, mas Lewandowski não fez isso no impeachment de Dilma. Está na Constituição que o presidente impedido deve perder os direitos políticos por 8 anos. Dilma foi candidata ao senado por Minas e o povo a tirou da vida pública definitivamente. Ela nunca mais vai concorrer a nenhum cargo público. Vai gastar nosso dinheiro com suas viagens internacionais. Mas, o recado foi dado: cumprir o que diz a Constituição. Nesse sentido, devo acreditar que a esquerda vai entender que o presidente atual foi eleito, democraticamente, pela vontade da maioria e que seu mandato termina em 31.12.2022. Estou sendo ingênuo? Claro que sim! A porcaria da constituição que nos guia foi feita para ser respeitada naquilo que interessa. Isso é fato.

Vamos a um exemplo: no último dia 08, um dia após a votação da prisão em segunda instância, a turma virtual do STF negou um habeas corpus para um cara que furtou um rádio de comunicação, no valor de R$ 70,00, de uma faculdade em Betim (MG), pertencente a Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro do governo Lula e associado a falcatruas como o mensalão mineiro. Saiu do ministério sob suspeitas de corrupção. Observem o grau de coerência do STF. Um cara rouba bilhões e está solto, outro faz um furto de R$ 70,00 e não tem nem chance de uma pena alternativa. Para esse não vale o “até que se prove em contrário”.

O melhor que se faz agora é reorganizar as forças e atuar de forma intensiva junto ao senado para acatar o pedido de impeachment de Gilmar Mendes, embora eu acredite que seria melhor iniciar por Lewandowski. A lição sobre o STF precisa ser exemplar e para isso a pressão sobre Davi Alcolumbre deve ser extrema, mas não adianta o Brasil inteiro pressionar e o pessoal do Amapá, que o elegeu, não cobrar. O recado para ele deve ser dado a partir de lá e ser bastante claro: “a maioria da sociedade deseja o impeachment de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Lewandowski e Marco Aurélio. Se ganharmos o “juiz de merda” Celso de Mello, a gente agradece”. A proposta de Alcolumbre de uma nova constituição é uma forma de desviar as atenções da prisão em segunda instância.

Não se pode considerar como guardião da constituição que não tem respeito por ela. Dias Toffoli, numa palestra para uma calourada, em 2014, contou o caso de um advogado que defendia uma causa com ele e roubou um processo que estava para ser dado uma liminar favorável a um despejo de pessoas num terreno pertencente a Caixa Econômica Federal.

Isso é absurdo. O cara atuou contra o interesse público e de forma desonesta. Como podemos confiar a presidência da maior instância do país a um cara que admite que se beneficiou do roubo de um processo? Cabe ao povo fazer a faxina ética do legislativo. Ano que vem tem eleições municipais. Veja em que você vai votar tanto para vereador quanto para prefeito.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CONSTRANGIMENTO ILEGAL

O casal Garotinho voltou novamente, no dia 30, ao aconchego da cela e no dia 31 Gilmar Mendes, mais uma vez, mandou soltar. Dentre as alegações consta que o casal foi “constrangido ilegalmente”. O artigo 146 do Código Penal diz que é crime “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda”. Na minha santa ignorância jurídica, mas não na minha imbecilidade mental, parece claro que constranger uma pessoa é obrigá-la a fazer algo contra a sua vontade. Não consigo entender como prender um corrupto se configura em constrangimento. Até entendo, se tal constrangimento for da população.

Credibilidade é coisa séria e no momento atual esta prerrogativa está ausente dos poderes judiciário e legislativo. No primeiro, se sobressai a imagem da instabilidade jurídica do país, expressada, em toda sua extensão, pelo STF. Os guardiões da Constituição escolheram um lado: o lado de fora da Constituição. Um conjunto de ministros que atuam em interesses particulares de partidos políticos e de políticos corruptos. A pauta do STF deveria avaliar as agressões constitucionais, mas aquele grupinho formado por Lewandowski, Celso de Mello, Marco Aurélio, Dias Toffoli, etc. se notabilizou por criar jurisprudência e proteger bandidos.

O poder legislativo pode ser reparado pelo povo. Basta um voto. Mas, as pessoas insistem em votar por agradecimento ou por dinheiro. O sistema eleitoral do Brasil é podre. Aqui um candidato que responde por crime eleitoral não tem o registro negado pelo STE. Na vida, um trabalhador que estiver negativado no SPC ou na SERASA, não pode fazer uma compra a crédito. Vejam o disparate dos fatos: um trabalhador que, eventualmente, se tornou inadimplente só pode ter crédito se negociar seu débito, enquanto um político sendo processado, pode se candidatar a qualquer cargo, inclusive, de presidente da república. Que outro país tem deputado ou senador em regime semi-aberto? De dia na câmara, de noite na cadeia. Só no Brasil.

Aberrações jurídicas não passam de fetos abortados por mentes desumanas e submissas. Por isso, a ação de uns poucos vai afetar a vida de muitos e as coisas mais absurdas começam a compor a Vade Mecum da lei. Por exemplo: o assaltante Wanderson Rodrigues de Freitas tentou roubar uma padaria, no interior de Minas Gerais. Apanhou e processou a vítima, alegando que foi agredido pelo dono de estabelecimento, que junto com uns amigos meteram o sarrafo no cara, quebrando o seu nariz. Eu pergunto: se o bandido estivesse armado e atirado no dono da padaria? O que mais me choca em tudo isso é um advogado abrir um processo dessa natureza. O que é isso? Falta de discernimento ou a classe vai criar crimes para gerar renda própria?

Em agosto passado a polícia prendeu, no Rio de Janeiro, três chilenos que invadiram um apartamento do Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. Em depoimento disseram que vieram roubar no Brasil porque as leis aqui são mais brandas do que em outros países da América Latina. Claro que temos leis mais brandas. Temos até ministros no STF que afrouxam mais, que detestam ver corruptos, traficantes, assassinos, estupradores, estelionatários, na cadeia. Condene-se a 200 anos, mas a Constituição diz que fica no máximo 30 anos. Depois tem progressão de pena, depois tem semi-aberto, saidinha em datas comemorativas. Salve Suzane Von Richthofen, que matou os pais, mas tem direito a sair da prisão no Dia das Mães e no Dia dos Pais. Em que país do mundo isso é possível?

É lamentável que a visão externa de um país tão grande e tão rico seja apoiada na frouxidão jurídica. É preciso política para tratar de ressocialização que é uma questão importante diante da gravidade do crime. Em São Paulo, ano passado, 300 presos que deixaram a penitenciária numa “saidinha” cometeram crimes. Perderam o direito de sair novamente, no entanto, crimes foram cometidos durante o benefício.

É preciso mudar. Mudar a composição do congresso e colocar lá pessoas íntegras. Quem apoiar ou ser apoiado por corruptos, não deve ter espaço. Se tiver respondendo crimes por desvios de recursos, fora!!!! Mudando o legislativo deve-se pensar no judiciário, nos tribuanis superiores. Só para se ter uma ideia veja quando termina o mandato dos atuais:

JR Guzzo saiu da Veja porque falou sobre o tempo que os ministros continuariam no STF. A quantidade de dias, nessa tabela, eu calculei a partir de hoje, 01/11/2019, até a data de aniversário do ministro aos 75 anos. É simplesmente, desesperador. Aparentemente, enquanto o covarde presidente do Senado não acatar pedidos de impeachment contra essa canalhada vamos fazendo uma marquinha diária como os condenados fazem nas paredes das prisões, afinal, estamos todos condenados.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ESCOLHA O BRASIL QUE QUER

Fará um ano, no dia 27/10, que o segundo turno das eleições presidenciais foi definido. Após a vitória de Jair Bolsonaro tivemos dois Brasis: um externado pela reação do mercado com índice de Bolsa de Valores batendo recordes e no começo de janeiro deste ano, ultrapassando a casa dos 100 mil pontos, logo após o discurso de posse de Guedes. O outro eclodiu em críticas, protestos, desejo de ódio e de insucesso. A democracia apregoada foi, simplesmente, para o brejo, como se diz por aqui.

Dificuldades inúmeras de aprovar projetos. O projeto Anticrime, por exemplo, teve até propaganda proibida. A reforma da previdência se arrastou até esta semana e saiu menor do que era proposto. Não se enganem: essa reforma é um começo, não um fim. Se não mudarmos a regra da repartição e não buscarmos meios de deixarmos mais independente a formação de poupança no sistema, a gente vai depender, sempre, da capacidade contributiva da PEA – População Economicamente Ativa.

Mas, no cerne dessas questões sinto a presença maciça de um terrorismo ideológico sem precedentes. Compara-se o Brasil ao Chile, alardeando que os protestos que ocorrem por lá são fruto da política neoliberal de Sebastian Piñera, que governou o país entre 2010 e 2014, fazendo o PIB crescer 5,30% e o desemprego cair de 11% para 6%. Agora, a economia neoliberal está acabando com o Chile, dizem, mas os motivos dos protestos são bem conhecidos do Brasil: aumento de 380 pesos (equivalente a R$ 0,20) na passagem do transporte público.

Em junho de 2013, houve um aumento de R$ 0,20 na passagem do transporte urbano de São Paulo. Aumentou de R$ 3,00 para R$ 3,20, ou seja, 6,67% por passagem. Estudantes ganharam as ruas, houve protestos, e depois de uma semana resolveram reduzir os R$ 0,20 da passagem e, dessa forma, os empresários do setor perderam 6,25% por passagem. A diferença, 0,42% por passagem é um valor expressivo numa cidade que tem uns 7 milhões de pessoas usando transporte urbano.

Exatamente isso que aconteceu no Chile e que está sendo ampliado porque o presidente lá, este mesmo presidente que fez o produto crescer e o desemprego cair, é de um partido de direita. Assim, o que se pretende mesmo é ter-se um bode expiatório de modo que o culpado seja, sempre, o sucessor.

Eu já disse aqui em outros momentos que a esquerda tenta criar uma situação de caos para dizer “eu não avisei? Eu não disse?”. Não faz sentido, inclusive, por parte de economistas fechar os olhos aos números. O desemprego está caindo ao longo desse ano, basta olhar dados da CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, mas grande parte dos economistas ideológicos pergunta “onde?”. Paulo Guedes recebeu um prêmio de uma revista que é distribuída nas reuniões anuais do FMI e do BIRD, que circula a 30 anos fazendo análise econômica dos países. Reação? “É bom analisar a que interesses essa revista serve”, ouvi isso de várias pessoas.

Nós temos potencial de sermos uma grande economia. Eu, como economista, sou favorável que se critique apontando soluções. Vários colegas de profissão torcem a cara para o que escrevo, porque minha análise não é ideológica. Vejo defesas do modelo Keynesiano no qual o governo gasta para gerar crescimento. Eu acho que Keynes tem razão quando fala que a demanda efetiva é decisória para crescimento, mas o que tais defensores pleiteiam é investimento do governo em programas sociais “para reduzir desigualdade”.

No meu entendimento, o Bolsa Família foi um programa importante para transferência de renda. Ele tem três eixos: a) complemento de renda; b) acesso a direitos; c) articulação com outras ações. Na maioria dos estudos a análise é feita apenas sobre a transferência de renda. Longe de mim querer criticar ou negar que o programa melhorou a vida de pessoas extremamente pobres. Mas, o que eu pergunto é se esta é a melhor forma que o governo tem de combater a incidência da pobreza. Será que a entrada de mais pessoas nesse programa não indica piora na proposta de reduzir pobreza? Será que não temos outras formas de combater a pobreza?

Em 2006, Muhammad Yunus ganhou o Prêmio Nobel da Paz porque fundou um banco, Grameen Bank, em meados dos anos de 1970, e por isso ficou conhecido como “banqueiro dos pobres”. A proposta era conceder microcrédito a população de baixa renda, tendo como objetivo estimular o EMPREENDORISMO, estimular pequenos negócios. O dinheiro era emprestado sem a necessidade de garantias. O modelo foi adotado por mais de 40 países, o banco emprestou mais US$ 6 bilhões e o prêmio foi dado com um reconhecimento “aos seus esforços para gerar desenvolvimento econômico e social a partir de baixo. O desenvolvimento a partir da base também contribui para o avanço da democracia e dos direitos humanos”.

Assistencialismo é necessário porque há pessoas com limitações, que não dispõe de recursos próprios para se sustentar e nem são sustentados por ninguém. Agora, defender a ideia de que a concentração de renda vai se resolver por transferências governamentais é ilusório. O que se faz mesmo é manter o povo preso ao assistencialismo em troca de votos. Escolha o Brasil que você quer.