MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

Tem um escritor, e psicanalista, paulista chamado Ivan Martins que disse o seguinte: “Uma sociedade não produz desencaixes indefinidamente. Se muita gente começa a sobrar, alguma coisa está errada, com os valores ou com as relações sociais”. Eu nem sei se posso citar o cara porque tudo hoje está muito estranho, tão estranho que me lembrei de um verso de Chico Buarque que diz “a minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão”. Mas, achei interessante a expressão do Ivan Martins porque acredito que ela representa bem a situação do Brasil atualmente. Ou seja, nas últimas décadas muita gente sobrou e agora se externa o quanto estava errado os valores ou as relações sociais.

Fazendo uma retrospectiva, eu acho que a gente engoliu tudo que é sapo disponível nas lagoas desse Brasil, mas o estopim foi o governo do PT. As promessas do PT “cativaram o forasteiro” e muita gente se incorporou a uma proposta que pretendia fortalecer o trabalhador brasileiro. Lula X Collor, Lula X FHC (duas vezes), doze anos de espera até que Lula é eleito em 2002. “A esperança venceu o medo” como foi dito na época e aí menos de dois anos de governo estoura o mensalão. “Agora eu sei que o amor que você prometeu, não era igual ao que você me deu, era mentira o que você jurou”. Todo mundo sabia que Lula sabia, mas fizeram um acordo pra manter a tal governabilidade e o cara sai fortalecido. “Um facho de luz que a tudo seduz por aqui”. Uma ilha de honestidade porque vivia cercado de ladrões de todos os lados.

Sai o mensalão e entra o petrolão e com ele surge a Lava Jato que colocou na cadeia, dentre tantos políticos, três tesoureiros do PT. Mas, a partir daí começa o esgotamento da população com as decisões do STF. Tudo que se queria era justiça, mas o que se viu foram ações orquestradas para desacreditar a operação Lava Jato, tirar Lula da cadeia e dar a ele as condições ideais para concorrer novamente em 2022. Mudaram tanto a lei que Sérgio Moro passou a ser o maior bandido do país. Por exemplo: soltaram Bendine porque o depoimento dele foi anterior ao depoimento dos delatores. Não há uma linha sequer na Lei que se refira a isso, mas essa decisão foi palco para botar na rua tudo que foi bandido envolvido com o petrolão.

Observe-se que até o governo Temer a convivência era pacífica. Vamos relembrar um detalhe: O PSDB, dono do passe de Gilmar Mendes, entra no STE com uma ação para cassar a chapa Dilma-Temer por abuso de poder. Gilmar Mendes, presidente da STE dá seguimento à causa e ai quando se inicia a discussão sobre o impeachment, o nobre ministro muda o tom do inquérito no STE para salvar o pescoço de Temer e assim se faz. Com a saída de Dilma o esforço era manter Temer no poder e a ação foi arquivada graças a Gilmar Mendes. Esse mesmo Gilmar Mendes favoreceu uma tentativa antidemocrática de Rodrigo Maia que foi a tentativa de continuar como presidente da câmara.

Existe uma série de ações oriundas do STF que chocaram diretamente com o interesse da nação, pelo menos da banda boa da nação. Lewandowski não cassa os direitos políticos de Dilma violando a constituição; um advogado disse que o “STF era uma vergonha” e foi preso por Lewandowski numa agressão estúpida ao direito de liberdade de expressão e cabe lembrar que de acordo com a lei só se pode prender em flagrante delito ou por ordem da autoridade judicial competente, mas para isso é preciso um inquérito, um processo, uma denúncia, uma condenação em juízo. O cara usou seu direito de expressão ao falar que aquele Cabaré de Nita – com todo respeito a Nita que administrava o principal cabaré da minha terra – era uma vergonha. “Mulher, deixaste tua moradia, para viver na boemia e beber no cabaré”

Ao longo do tempo o que se viu foi ministro mudando voto contrariando a lei 1079/1950 (“quem dá mais? Por uma cara que ousou acreditar nos seus?”) e não menos importante temos a decisão de Fachin ao declarar a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar Lula. Depois de 5 anos o cara vem com isso e acha que o povo tem sangue de barata, que está tudo bem e que qualquer ato ou pessoa que fale contra essas patifarias está sendo antidemocrático. Pode mandar ministro do STF pra puta que o pariu ou é crime contra a segurança nacional? Em adição, nós temos as magníficas decisões de Alexandre de Moraes. O cara mandou prender “em flagrante” um deputado que gravou um vídeo. Puta que pariu! Prenderam o cara enquanto ele gravava o vídeo? Não! Então como pode ter havido flagrante? Um cara foi preso num clube porque falou mal do ministro e ele nem presente estava. Ele mandou prender o cara porque seu segurança disse que o cidadão tinha falado contra ele. Então se o segurança disser que eu falei mal de Alexandre, eu vou preso também! “Que país é esse? Que país é esse?”.

Ministros do STF chamam o ato desse 07 de setembro de antidemocrático. Em todas as manifestações a favor do governo não se viu agressões, badernas, nudez, etc. Pedir justiça se tornou antidemocrático. Falar o que pensa é ameaça às instituições. Só um lado da população, só a esquerda, está correto. Os caras roubaram, saquearam o país, aparelharam a justiça e quem discorda disso é gado, fascista, bolsominion.

Cada vez mais me convenço de que precisamos fazer uma limpeza ética nesse país. A gente precisa tirar os canalhas do poder. A gente precisa fazer com que, realmente, este país seja um país independente e “já não há caminhos para voltar”. Precisamos dar um basta e dizer que, de acordo com o artigo 1º da CF, “todo poder emana do povo” e que os ministros do STF não representam a população porque eles não foram votados. Chegamos a um ponto que o Hino da Independência previu: “Ou ficar a Pátria Livre ou morrer pelo Brasil”. “Valeu o sacrifício dos Andradas, e as preces da Princesa Leopoldina, a morte de Tiradentes não foi em vão”.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

HABEMOS RABUS PRESUS

O artigo 1º da Constituição Federal diz, in verbis: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Negócio arretado é o tal do papel porque nele você pode escrever as bobagens que quiser (alguém poderá dizer: “como estas bobagens que escreves agora!”). Mas, duas coisas nesse artigo chamam a atenção: a primeira é dizer que o poder do povo é exercido por representantes ELEITOS e a segunda é dizer que o poder pode ser exercido DIRETAMENTE pelo povo. Contradições para ambas alternativas são facilmente encontradas, diariamente, neste país.

Dizer que o poder se faz por representantes eleitos é uma grande piada. O senador Ciro Nogueira assumiu a Casa Civil e sua mãe assumiu sua vaga no senado. Quantos votos teve essa senhora? Nenhum. Como pode essa senhora se dizer representante do povo se não foi votada? Este é um claro exemplo que não ELEITOS se revestem, por força de lei, em representantes do povo. No meu entendimento, esse tipo de ocorrência é uma violação clara do 1º artigo da CF, mas os penduricalhos permitem que suplentes de senadores sejam indicados. Veja que no caso da eleição majoritária se vota numa chapa e o vice tem, naturalmente, os votos do candidato principal. No caso da câmara federal, a suplência é ocupada por candidatos que não obtiveram votos suficientes, mas foram votados!

Ao longo da legislatura entre 2014/2018 41 suplentes, isso mesmo: 41 suplentes assumiram a vaga. O senado tem 81 senadores, então, como a mãe de Ciro Nogueira, 50% dos nossos representantes não tiveram um voto sequer. Lembro o caso de Antônio Carlos Magalhães Filho que era suplente do pai. Assumiu a vaga com a morte do pai, passou pelo senado sem uma proposta sequer, sem um projeto aprovado e terminado o mandato ele voltou para a administração das empresas da família. O filho de Edison Lobão foi mais enfático como suplente do pai. Envolveu-se em desvios de recursos da usina Belo Monte.

Isso é uma constatação de que nosso sistema eleitoral é uma grande bosta. Na legislatura de 2018, para a câmara federal, dos 513 deputados eleitos somente 27 (isso mesmo: 27, querendo pode dizer apenas 5,26% para ficar mais bonito) foram eleitos com seus próprios votos. O resto entrou pelo quociente eleitoral que faz um cara que teve 1 milhão de votos ser preterido em relação ao cara que teve 70 mil. A primeira eleição de Jean Wyllys foi assim: Chico Alencar teve 1,5 milhão de votos e ele teve 70 mil. Virou deputado federal. Aqui em Pernambuco, Marília Arraes, João Campos e André Ferreira foram os únicos que foram eleitos com votos próprios (parabéns, vocês são, de fato, representantes do povo pernambucano), o resto pegou a rabeira desses deputados. A gente precisa acabar com isso. A conta é simples: são 513 cadeiras, então que os 513 candidatos com maior número de votos assumam, mas vamos salvaguardar a representatividade de cada ente federativo.

A segunda parte do 1º artigo é outra piada de mau gosto. Onde o povo exerce o poder diretamente? A lei de ficha limpa foi um exercício da vontade popular. Foram mais de um 1,5 milhão de assinaturas no país, como reza a constituição, e a demanda popular chegou ao congresso, passou, virou lei sancionada por Lula. O a justiça faz? Tripudia em cima da vontade do povo. A justiça homologa inscrições de ladrões, de denunciados, etc. sem nem pestanejar. Enquanto uma pessoa que tem o nome no SPC, ou na Serasa, não pode comprar a crédito, um cara com 17 processos por improbidade pode ser senador, outro que desviou R$ 134 milhões da saúde pode ser candidato a governador, um ex-presidente é tirado da cadeia para voltar a concorrer com a ficha mais limpa do que a do Bandido da Luz Vermelha ou de um Fernandinho Beira Mar (Fernandinho Side Sea). A coisa mais lógica seria assim: na hora que o cara digitasse o CPF para cadastrar uma candidatura, se tivesse processo aberto contra ele, então o sistema bloqueava e mandava uma mensagem simples: “candidato com pendências. Resolva seus problemas e volte”. Mas, a benevolência da justiça é incrível, com os poderosos, é claro. O poder, além de não emanar do povo não é exercido em seu nome. Quem dita regras aqui é a justiça e a qualidade do congresso permite isso.

O poder do povo foi visto, por exemplo, na Inglaterra quando se anunciou o desejo de sair da União Europeia, no movimento conhecido como BREXIT – Britânicos fora. Travou-se um debate interno no Reino Unido. O ator Sean Conery gravou um vídeo defendendo a permanência; J.K. Rowling (autora de Harry Porter) fez outro vídeo no qual dizia que a economia britânica não suportaria a saída. E o que foi feito? Um plebiscito! Perguntaram ao POVO qual o interesse, ficar ou sair, e saíram porque a maioria da população escolheu assim. Isso nos permite fazer um paralelo com impressão do voto aqui no Brasil.

O primeiro cara que disse que a urna deveria imprimir o voto foi Leonel Brizola, a essência esquerdista do trabalhismo no Brasil. O cara brigou na justiça contra Ivete Vargas pelo PDT e dizia que o voto deveria ser impresso. Há opiniões de diversos políticos que no passado foram favoráveis e hoje são radicalmente contra. Eu até hoje não entendi o motivo da impressão do voto violar a segurança do sistema. Qual seria o problema de, antes de confirmar o voto o eleitor visse se estavam corretas suas escolhas. Quando você confirma seu voto, ele é gravado num pen driver e qual o problema de, junto com a gravação, ter um comprovante do voto depositado numa urna (como se faz no México, por exemplo)? Nenhum. Agora, como isso foi decidido? Pela vontade do povo? Em nome do povo? (In)felizmente numa democracia a decisão da maioria prevalece, então que se perguntasse ao povo qual seu desejo e deixasse o povo escolher, através de um plebiscito. Vai fazer plebiscito para tudo? Não! Afinal tem essa bosta chamada congresso nacional com 513 representantes do povo… perdão, com 27 representantes do povo e 486 representante das forças ocultas e dos interesses particulares.

Agora, essa decisão não pode vir da justiça. Eu, como cidadão capaz, no uso das minhas faculdades normais, não admito que ninguém tome decisão por mim. Quero ter o direito de escolher minhas ações e me responsabilizar pelas consequências. O que eu acho estranho é 11 líderes de partidos políticos se reunirem com o ministro Barroso para garantir que seus liderados votariam contra a proposta do voto impresso; o que eu acho estranho é o STF prender, bloquear contas, cercear o direito de expressão de pessoas que são simpatizantes ao governo e soltar bandidos, ladrões do dinheiro público; o que eu acho estranho é o STF querer se sobrepor aos demais poderes da república; o que acho estranho é o STF ditar regras, legislar e depois dizer que respeita a autonomia entre poderes; o que eu não acho estranho é o silêncio do legislativo para conter os desmandos do judiciário. No linguajar político-jurídico isso se chama “habemos rabus presus”.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

BOBAGEM POUCO É BESTEIRA

É impressionante como a falta de discernimento cega. As pessoas não sabem mais do que reclamar e procuram qualquer motivo para fazer um estardalhaço. Mas, a canalhice do país é se a gente se atrasar para comentar um fato é melhor esperar o próximo porque o outro vai ficar obsoleto.

Esta semana nós que usamos a plataforma de currículo do CNPq, Plataforma Lattes (para quem não saber trata-se de uma homenagem a Cesar Lattes, talvez o maior físico brasileiro) fomos surpreendidos com a falta de acesso à plataforma para atualizar currículo. Eu tentei cadastras as bancas de teses, dissertações e de defesas de projetos que participei e vi que a plataforma estava fora do ar. Depois tomei conhecimento da dimensão do problema, ou seja, um servidor queimou e isso afetou o funcionamento. Bom, até aí, tudo bem. Em geral, há mais de um servidor, há dados “na nuvem” exatamente para se proteger dessas intempéries. Minha surpresa foi com os comentários que vi por ai nas redes: “Governo irresponsável. Não faz backup dos dados”. Hoje, li uma declaração de Tabata Amaral dizendo que isso era falta de investimento em pesquisa “desse governo”.

Eu tenho muita dificuldade em lidar com a hipocrisia. Pela boa convivência social, eu tento, mas não é fácil. Em 2019, primeiro ano de governo, Paulo Guedes foi eleito o melhor ministro da economia do mundo e no ano seguinte Roberto Campos Neto foi eleito o melhor presidente de Banco Central do mundo. Mas, o crescimento econômico do Brasil em 2019 foi 1,1% e a oposição se deleitou criticando um crescimento tão pífio. Queriam 30% pelo menos. Os caras saquearam o país. No governo Dilma a inflação chegou a 10,67% ao ano, o desemprego atingiu 13 milhões de trabalhadores a divida pública chegou a 89% do PIB, estatais dando prejuízo todo ano… e os caras falando de um crescimento de 1,1%.

Mas, dado essa digressão, eu vi um comentário de um professor universitário falando da incompetência do governo por não ter feito backup dos dados do CNPq. Então, eu perguntei desde quando a plataforma Lattes existe? Os governos anteriores fizeram backup? Resposta: “se um pai dá um carro para o filho, a obrigação do filho é cuidar do carro”. Daí eu disse: “e quando o carro passa por vários donos que não atentaram para a depreciação do veículo, a culpa é do último dono?”. Em resposta vem uma série de argumentos que não se sustentam. Argumento do tipo colibri: para no ar, balançando as asas e voa para trás! O que assusta é que isso vem de pessoas com conhecimento, doutores, mestres, orientadores, pesquisadores, etc. No governo Lula, por exemplo, a base se Alcântara, no Maranhão, explodiu. E aí? Culpa do governo que não fez investimento? O interessante é que parte dessa gente que critica vem da área de exatas. Sabe e ensina o que é um evento aleatório.

A irracionalidade se estende para todas as áreas. Todos os dias eu vejo pessoas falarem da corrupção no governo. Funcionário público corrupto tem em todo canto, mas eu não consigo entender quanto foi que saiu dos cofres públicos, quanto se pagou de propinas pelas obras, etc. Muito se falou sobre a compra das vacinas. Assim como falaram, por exemplo, da compra de computadores superfaturados no ano de 2019, fruto de um processo de licitação que se iniciou no governo Temer. A compra não foi efetivada, mas a corrupção foi proclamada aos quatro cantos. Também se falou na compra de leite condensado e os partidos políticos, como o PDT de Ciro Gomes, entraram com ação no STF para impedir a compra. Depois veio o tal do orçamento secreto. Puta que pariu! O orçamento é aprovado pelo Congresso, então como isso pode ser secreto? Ouvi gente dizer que os gastos secretos estavam escondidos no Site da Transparência! Puta que pariu 2! O Site da Transparência existe para divulgar as despesas do governo. Tudo é lançado lá. Se você quiser saber meu salário digita meu CPF e tu sabes quanto ganho.

Em adição, o comportamento da imprensa corrobora com tudo isso. Divulgam mentiras, principalmente, em forma de pesquisas eleitorais. Eu recebi uma pesquisa – desse professor que citou o caso do carro que o filho ganhou de presente – que é cirista radical. A pesquisa trazia Lula com 37%, Bolsonaro com 29% e Ciro com 24%. Caramba, na semana passado o cara tinha 6% de preferências e em uma semana, sem qualquer fato novo, simplesmente quadruplicou as preferências. Eu fiz referência a isso e até brinquei dizendo ser absolutamente possível tanto quanto a briga que o Bicho Papão teve com o Papa-Figo porque o Saci-Pererê tirou a sela da Mula Sem Cabeça para botar nas costas do Lobisomem. Não fosse o Curupira ia todo mundo parar no STF.

Agora, convenhamos, o comportamento do presidente precisa mudar. O cara precisa entender a dimensão do cargo. Tudo bem que seu jeito de falar é esse, mas não é prudente afirmar coisas se não tem como provar. Cria uma expectativa anunciando que vai divulgar provas de fraudes nas urnas e o que aconteceu? Até onde sei nenhuma prova categórica foi apresentada. O que se ganhou com isso? Desgaste, ainda mais, com o TSE, com o STF, etc. A Bolsa de Valores caiu 3,94% nessa sexta. O que está por trás? A desconfiança de que o governo não se sustenta. A questão é simples: tem provas que houve fraude? Apresente. Agora, se tem indícios não use e não faça alarde. As pessoas dizem que Lula é inocente porque não havia provas, só indícios.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PINTARAM O BRASIL COM CARA DE PALHAÇO

A Inferência Estatística permite que, a partir de uma amostra selecionada aleatoriamente, você possa fazer conjecturas sobre os parâmetros de uma população. Por parâmetros entenda como sendo a média de uma variável. Imagine que queremos estudar a renda média dos trabalhadores formais de uma cidade. Fica impossível pesquisar TODOS os trabalhadores, daí seleciona-se uma amostra e com base nessa amostra a gente pode construir um intervalo de confiança para a verdadeira média salarial, considerando uma margem de erro. O matemático Osvald de Souza ficou famoso nos anos 1980 porque dizia, no Fantástico, uma estimativa para o número de acertadores dos 13 pontos da loteria esportiva. Toda quarta-feira de manhã eu trato de inferência na minha turma de pós graduação (mestrado e doutorado).

Do mesmo modo que a gente estima a média de uma população, a gente pode estimar diferença de médias entre duas populações ou uma proporção, uma fração, como no caso das pesquisas eleitorais. Agora, a questão não é apenas pesquisar, mas analisar as coisas de uma forma coerente, sem tendências ideológicas. Eu vejo, desde março/2020, as pessoas defendendo o respeito à ciência e agora eu vejo que esse respeito é apenas quando a ciência diz algo que me agrada.

Primeiro, uma coisa fundamental na pesquisa é a aleatoriedade dos dados. Se você encontra um cara vestido com a camisa do Flamengo parece razoável aceitar que a chance dele torcer pelo Flamengo é muito alta. Se você chegar nas sócias da Ilha do Retiro e perguntar aos torcedores qual o time que eles torcem, eu diria que 100% vai dizer que torce pelo Sport. O tamanho da amostra é baseado na margem de erro que se quer cometer, então não vamos dizer que uma amostra de 2.201 pessoas é ridícula para representar o total de eleitores. Nada disso. Qualquer número maior do que esse manteria a margem de erro. Mas, a análise dos dados pode ser tendenciosa, sim.

Em 2018 Bolsonaro recebeu 57.797.847 votos, equivalente a 55,13% dos votos válidos, ou seja, tivemos 104.839.143 votos válidos e 42.463.164 anularam seus votos. Vamos considerar apenas votos válidos. A pesquisa do IPEC diz que Bolsonaro teria 23% dos votos, ou seja, 13.293.505 votos, perdendo 44.504.342 votos. Em suma, 57 milhões de eleitores disseram não a esquerda e agora, a pesquisa diz que Lula teria 51.371.204 votos. Historicamente, 30% dos eleitores votam em Lula, ou seja, 31.451.758 e para chegar aos 51 milhões, estes teria que vir dos 44 milhões de votos perdidos por Bolsonaro. Eu já disse algumas vezes e vou dizer novo: 57 milhões de eleitores no Brasil disseram não aos candidatos de esquerda. Se somar todos os votos recebidos por eles, chega a 50 milhões. No segundo turno Haddad teve 47.038.963 votos, então, eu não consigo entender de onde vão conseguir 51 milhões de votos.

O cenário brasileiro é simplesmente aterrorizante. O STF decidiu que Moro é suspeito e Lula precisa ser julgado por um tribunal idôneo. O processo volta para a estaca zero e como Lula tem mais de 70 anos, vai ser uma piada esse julgamento. Pintaram o Brasil com cara de palhaço. Mas, as coisas não ficam por aí. A incoerência campeia diariamente nesse país, senão vejamos:

1) Benjamin Nethanyahu perdeu a eleição para Naftali Bennett e muita gente aqui vibrou com isso porque um direitista tinha perdido o poder. Nethanyahu é conversador de direita e Bennett é ultraconservador de direita. Então, se alguém entendeu por os esquerdistas daqui aplaudiram, por favor, me tirem da ignorância;

2) Tem gente falando por ai que a denúncia da vacina foi possível porque o cara que denunciou era concursado e destaca a importância da estabilidade do servidor. Bom, Moro era um juiz concursado e o trabalho dele foi anulado, só falta agora devolver o dinheiro recuperado, na Lava Jato.

3) Lula prometeu sair da cadeia para podos acordode fez a denúncia era servidor concursado. Moro era um juiz concursado e o trabalho dele foi jogado na lata do lixo. daqui desse total 44 milhões votarão em Lula. um total de e MasMas, é bom lembrar O PT e o PSB, como se sabe, entraram com uma ação junto ao STFpara impedir a realização da Copa América aqui no Brasil. Na última sexta a demanda chegou ao plenário da corte e isso é o que muito me espanta. Caramba! Os caras estão ali para dirimir as dúvidas constitucionais, não para julgar “briga comadres”. Carmem Lúcia deveria ter recusado isso imediatamente, no entanto, como aquele bando de calhordas não observa as prioridades constitucionais, o plenário decidiu que vai ter Copa América e que a demanda deveria ter sido encaminhada para a CBF. Concomitantemente, o Flamengo ajuizou, no STF, um pedido de suspensão do Campeonato Brasileiro, em todas as séries, durante a realização da Copa América. Quer dizer: uma competição é permitida outra é proibida. O que liga as duas? Apenas o fato de Bolsonaro defender a segunda.

A seleção de Tite é tão escrota quanto a seleção do STF. Basta pegar as experiências desses pernas-de-pau e ver o resultado do jogo. Como ninguém joga na direita, então o escrete escroto joga no esquema 3-4-3 (três zagueiros, três atacantes e quatro no meio campo). O time entra assim:

Goleiro – Lewandowski – engoliu maior frango da História do Brasil quando violou a CF ao não cassar os direitos políticos de Dilma. Diz a constituição que presidente impedido deve ficar inelegível por 8 anos.

Zagueiro 1 – Alexandre de Morais – foi um grande defensor de um time altamente organizado em São Paulo, com um poderio financeiro internacional. Defendeu uma tese de doutorado na qual discordava de pessoas do governo indicadas para o STF. Ele saiu do ministério da justiça e deveria ter seu título de doutor cassado. Desrespeito a academia, desrespeitou a banca examinadora da tese, desrespeitou os demais alunos e pesquisadores que citam a tese como referência.

Zagueiro 2 – Gilmar Mendes, pouco confiável porque ao invés de arrepiar a bola quase arrepia a lei. Foi influenciado por um cartola chamado Botafogo (Apelidado nas planilhas da Odebrecht como Rodrigo Maia, ou era ao contrário, mas tanto faz) a mudar as regras do jogo. O cartola queria continuar mamando nas tetas e procurou apoio em dois jogadores desse escrete escroto. Apesar da constituição dizer que é VETADO a recondução dos presidentes das mesas numa mesma legislação, o zagueirão aqui num voto de 64 (64? lembra o quê?) páginas disse que “mesmo ao arrepio” da lei VETADO poderia ser permitido. Um golpe fabuloso seria.

Zagueiro 3 – Carmem Lúcia – parecia bem intencionada quando foi capitã da equipe, mas fez um gol contra ao mudar o voto sem que houvesse recurso pertinente, nitidamente beneficiando interesses do ex-proprietário do time;

Médio Volante – Marco Aurélio – joga na cabeça da área ora defendendo ora atacando. Já pediu substituição e deve deixar a selecinha agora no começo de julho. Infelizmente, com esse sistema de escolha nós vamos trocar seis por meia dúzia. Marco Aurélio pisou na bola algumas vezes, mas foi capaz de tirar Renan Calheiros da linha de sucessão quando Temer assumiu a presidência e de dizer que o time estava pautando assuntos de acordo com o interesse político. Soltou um assassino confesso da irmã Dorothy Stang por conta do trânsito em julgado (apenas por recursos protelatórios), mas seu gol de placa foi soltar André do Rap, membro do PCC. O bichinho alegou risco de contrair Covid e saiu da cadeia. Uma BMW esperava por ele na porta do presídio. Quem souber do paradeiro, por favor, avise.

Meia armador 1 – Edson Fachin – esse cara sabe armar bem e lança no momento certo. Principalmente se for para beneficiar um pretenso candidato a presidente do time. Passou cinco anos pra descobrir que o jogo estava no campo errado, que o correto era jogar em Brasília para valorizar o Mané Garrincha que foi orçado em R$ 623 milhões e custou R$ 1,3 bilhão. Apagou as luzes do Couto Pereira em Curitiba. A decisão foi simples: não se julga um crime na comarca onde ele aconteceu, mas onde houve o beneficiamento do produto do crime. Atenção todos os bandidos: roubem dinheiro do SUS, da educação, da merenda, do combate à covid (esconda até na bunda se preciso for), etc. e apliquem num paraíso fiscal. Quando, e se, for preso peça para ser julgado onde o dinheiro está. Use essa lógica de Fachin.

Meia armador 2 – Luiz Fux – agora é o capitão do time e armou bem para os ex-donos do time. Chegou para um deles prometendo “matar no peito a Lava Jato” sinalizado que votaria a favor dos acusados, mas não foi bem assim. Traiu os donos e hoje trai a nação. Matou a Lava Jato no peito e deu um bicudo na coitada que a pelota saiu do estádio. Acabou o jogo antes dos quarenta e cinco do segundo tempo. O nome dele deveria ser Fox (raposa), mas parece que o tabelião errou.

Meia armador 3 – Dias Toffoli, já chegou com patrocínio de uma grande construtora. O amigo do amigo do meu pai jogou pesado, segundo um tal de Cabral, e levou R$ 4 milhões para fazer gol para um prefeito de Nova Iguaçu. O amigo do amigo do meu pai votou contra a homologação da delação de Cabral que o acusava!!!!. A lei proíbe que juiz julgue casos nos quais ele é parte interessada, mas esse jogador não deve saber disso, visto que foi reprovado duas vezes num concurso de juiz.

Atacante 1 – Nunes Marques chegou cheio de pose, prometendo ser artilheiro, mas até agora não conseguiu se firmar. Levou um esporro de Gilmar Mendes e agora não sabe nem o que esta fazendo ali.

Atacante 2 – Rosa Weber, a cada ataque ela se coloca além da linha de zagueiros. Aí sobe a bandeira vermelha.

Atacante 3 – Luís Barroso deu um grito no zagueirão Gilmar Mendes e chamou o cara de pessoa degradante e a partida foi suspensa por alguns minutos. Parece o leão da Metro Goldwyn Mayer: dá aquele urro e o resto é só fita. Agora, como o time está em defesa do ex-dono, o entrosamento que faltava no começo está indo a mil maravilhas. Esse perna-de-pau foi para as redes sociais criticar um protesto que eleitores de Trump fizeram no Capitólio. A suprema corte dos Estados Unidos não deu um pio sobre o assunto, mas Barrosão achou que os americanos precisavam da opinião dele. Nada anormal para essa cabeça de camarão. Na dúvida chama Filipe Neto para esclarecer.

Esse time joga sob a batuta de um juiz, mas não se pode mais chamar o juiz de ladrão. A coisa é tão séria que foi criado um número de zap para fosse enviado denúncias contra pessoas físicas ou não que chamassem o juiz de ladrão. Ladrão era o outro que mandou prender o ladrão.

Esse escrete escroto não precisa de um técnico. Defendem uma constituição que nunca leram. Mas, se precisar de um bota Tite que está acostumado a comandar incompetentes. Futebol é assim: quando o time perde, principalmente um campeonato, o técnico sai. Faz-se um recomeço. Tite perdeu a Copa do Mundo e foi mantido. Continua convocando os mesmos jogadores. Eu me lembro de Ismael Mascena que tinha um time juvenil na minha querida Tabira. O time reserva era formado por quem fosse chegando ao campo. A gente treinava nas terças e quintas e sol do sertão, por volta das 14h, parecia fungar no cangote da gente. Aluísio nunca faltava. Arregaçava as pernas da calça e lá ia jogar. Nas vezes que ele tentava driblar, perdia a bola e Ismael gritava: “ô Aluísio, chuta essa bola pr´o lado que tu tiver virado!”. É isso aí Tite: manda a turma chutar para o lado que tiver virado e está tubo bem.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ESCRETE ESCROTO

O PT e o PSB, como se sabe, entraram com uma ação junto ao STF para impedir a realização da Copa América aqui no Brasil. Na última sexta a demanda chegou ao plenário da corte e isso é o que muito me espanta. Caramba! Os caras estão ali para dirimir as dúvidas constitucionais, não para julgar “briga comadres”. Carmem Lúcia deveria ter recusado isso imediatamente, no entanto, como aquele bando de calhordas não observa as prioridades constitucionais, o plenário decidiu que vai ter Copa América e que a demanda deveria ter sido encaminhada para a CBF. Concomitantemente, o Flamengo ajuizou, no STF, um pedido de suspensão do Campeonato Brasileiro, em todas as séries, durante a realização da Copa América. Quer dizer: uma competição é permitida outra é proibida. O que liga as duas? Apenas o fato de Bolsonaro defender a segunda.

A seleção de Tite é tão escrota quanto a seleção do STF. Basta pegar as experiências desses pernas-de-pau e ver o resultado do jogo. Como ninguém joga na direita, então o escrete escroto joga no esquema 3-4-3 (três zagueiros, três atacantes e quatro no meio campo). O time entra assim:

Goleiro – Lewandowski – engoliu maior frango da História do Brasil quando violou a CF ao não cassar os direitos políticos de Dilma. Diz a constituição que presidente impedido deve ficar inelegível por 8 anos.

Zagueiro 1 – Alexandre de Morais – foi um grande defensor de um time altamente organizado em São Paulo, com um poderio financeiro internacional. Defendeu uma tese de doutorado na qual discordava de pessoas do governo indicadas para o STF. Ele saiu do ministério da justiça e deveria ter seu título de doutor cassado. Desrespeito a academia, desrespeitou a banca examinadora da tese, desrespeitou os demais alunos e pesquisadores que citam a tese como referência.

Zagueiro 2 – Gilmar Mendes, pouco confiável porque ao invés de arrepiar a bola quase arrepia a lei. Foi influenciado por um cartola chamado Botafogo (Apelidado nas planilhas da Odebrecht como Rodrigo Maia, ou era ao contrário, mas tanto faz) a mudar as regras do jogo. O cartola queria continuar mamando nas tetas e procurou apoio em dois jogadores desse escrete escroto. Apesar da constituição dizer que é VETADO a recondução dos presidentes das mesas numa mesma legislação, o zagueirão aqui num voto de 64 (64? lembra o quê?) páginas disse que “mesmo ao arrepio” da lei VETADO poderia ser permitido. Um golpe fabuloso seria.

Zagueiro 3 – Carmem Lúcia – parecia bem intencionada quando foi capitã da equipe, mas fez um gol contra ao mudar o voto sem que houvesse recurso pertinente, nitidamente beneficiando interesses do ex-proprietário do time;

Médio Volante – Marco Aurélio – joga na cabeça da área ora defendendo ora atacando. Já pediu substituição e deve deixar a selecinha agora no começo de julho. Infelizmente, com esse sistema de escolha nós vamos trocar seis por meia dúzia. Marco Aurélio pisou na bola algumas vezes, mas foi capaz de tirar Renan Calheiros da linha de sucessão quando Temer assumiu a presidência e de dizer que o time estava pautando assuntos de acordo com o interesse político. Soltou um assassino confesso da irmã Dorothy Stang por conta do trânsito em julgado (apenas por recursos protelatórios), mas seu gol de placa foi soltar André do Rap, membro do PCC. O bichinho alegou risco de contrair Covid e saiu da cadeia. Uma BMW esperava por ele na porta do presídio. Quem souber do paradeiro, por favor, avise.

Meia armador 1 – Edson Fachin – esse cara sabe armar bem e lança no momento certo. Principalmente se for para beneficiar um pretenso candidato a presidente do time. Passou cinco anos pra descobrir que o jogo estava no campo errado, que o correto era jogar em Brasília para valorizar o Mané Garrincha que foi orçado em R$ 623 milhões e custou R$ 1,3 bilhão. Apagou as luzes do Couto Pereira em Curitiba. A decisão foi simples: não se julga um crime na comarca onde ele aconteceu, mas onde houve o beneficiamento do produto do crime. Atenção todos os bandidos: roubem dinheiro do SUS, da educação, da merenda, do combate à covid (esconda até na bunda se preciso for), etc. e apliquem num paraíso fiscal. Quando, e se, for preso peça para ser julgado onde o dinheiro está. Use essa lógica de Fachin.

Meia armador 2 – Luiz Fux – agora é o capitão do time e armou bem para os ex-donos do time. Chegou para um deles prometendo “matar no peito a Lava Jato” sinalizado que votaria a favor dos acusados, mas não foi bem assim. Traiu os donos e hoje trai a nação. Matou a Lava Jato no peito e deu um bicudo na coitada que a pelota saiu do estádio. Acabou o jogo antes dos quarenta e cinco do segundo tempo. O nome dele deveria ser Fox (raposa), mas parece que o tabelião errou.

Meia armador 3 – Dias Toffoli, já chegou com patrocínio de uma grande construtora. O amigo do amigo do meu pai jogou pesado, segundo um tal de Cabral, e levou R$ 4 milhões para fazer gol para um prefeito de Nova Iguaçu. O amigo do amigo do meu pai votou contra a homologação da delação de Cabral que o acusava!!!!. A lei proíbe que juiz julgue casos nos quais ele é parte interessada, mas esse jogador não deve saber disso, visto que foi reprovado duas vezes num concurso de juiz.

Atacante 1 – Nunes Marques chegou cheio de pose, prometendo ser artilheiro, mas até agora não conseguiu se firmar. Levou um esporro de Gilmar Mendes e agora não sabe nem o que esta fazendo ali.

Atacante 2 – Rosa Weber, a cada ataque ela se coloca além da linha de zagueiros. Aí sobe a bandeira vermelha.

Atacante 3 – Luís Barroso deu um grito no zagueirão Gilmar Mendes e chamou o cara de pessoa degradante e a partida foi suspensa por alguns minutos. Parece o leão da metro goldwyn mayer: dá aquele urro e o resto é só fita. Agora, como o time está em defesa do ex-dono, o entrosamento que faltava no começo está indo a mil maravilhas. Esse perna-de-pau foi para as redes sociais criticar um protesto que eleitores de Trump fizeram no Capitólio. A suprema corte dos Estados Unidos não deu um pio sobre o assunto, mas Barrosão achou que os americanos precisavam da opinião dele. Nada anormal para essa cabeça de camarão. Na dúvida chama Filipe Neto para esclarecer.

Esse time joga sob a batuta de um juiz, mas não se pode mais chamar o juiz de ladrão. A coisa é tão séria que foi criado um número de zap para fosse enviado denúncias contra pessoas físicas ou não que chamassem o juiz de ladrão. Ladrão era o outro que mandou prender o ladrão.

Esse escrete escroto não precisa de um técnico. Defendem uma constituição que nunca leram. Mas, se precisar de um bota Tite que está acostumado a comandar incompetentes. Futebol é assim: quando o time perde, principalmente um campeonato, o técnico sai. Faz-se um recomeço. Tite perdeu a Copa do Mundo e foi mantido. Continua convocando os mesmos jogadores. Eu me lembro de Ismael Mascena que tinha um time juvenil na minha querida Tabira. O time reserva era formado por quem fosse chegando ao campo. A gente treinava nas terças e quintas e sol do sertão, por volta das 14h, parecia fungar no cangote da gente. Aluísio nunca faltava. Arregaçava as pernas da calça e lá ia jogar. Nas vezes que ele tentava driblar, perdia a bola e Ismael gritava: “ô Aluísio, chuta essa bola pr´o lado que tu tiver virado!”. É isso aí Tite: manda a turma chutar para o lado que tiver virado e está tubo bem.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

SACO CHEIO

Andei meio sumido da coluna por uma série de compromissos profissionais. O tempo estava curto para pesquisar, escrever e, ultimamente, tenho até feito poucos comentários nas colunas dos competentes colunistas dessa gazeta escrota. O engraçado é que pensava: “quando eu voltar os assuntos serão mais entusiastas”. Ledo engano. O Brasil que puxa o Brasil para baixo está atuando intensamente, diariamente. Poderia dizer que o BNDES teve lucro, que o Brasil cresceu 1,2% num trimestre, que as projeções do PIB feitas pelo Banco Central sinalizam um crescimento de 3,96%, embora o Itaú projete 5%, poderia dizer que os fundos de pensão estão com superávit pela mudança na forma de gestão (pararam de roubar) e pela maior volume aplicado em renda variável, enfim, que o mercado continua confiante no programa do governo.

Embora tudo isso sejam fatos, a grande mídia não divulga uma linha sequer. A tônica é a CPI tendo como relator o senador Renan Calheiros, o segundo maior corrupto do Brasil, e como presidente o senador Omar Aziz cujo irmão e esposa foram presos por desvios de recursos públicos. O único culpado disso é o eleitor. O cara que dá um voto a um corrupto é, no mínimo cúmplice. Instalaram a CPI com um relatório praticamente pronto. Qualquer pessoa que fale a favor do governo é humilhada pelos senadores e estes são aplaudidos pelos esquerdistas. Estão levando o país para um nível de estresse perigoso. Tudo é provocação, tudo é um argumento que a esquerda, que não soube perder as eleições de 2018, deseja para justificar que houve um golpe no Brasil. Não custa lembrar: a maior tentativa de golpe foi arquitetada por Rodrigo Maia com a benevolência de Gilmar Maia que defendeu que “mesmo ao arrepio da lei” era possível a reeleição de Rodrigo Maia para presidente da câmara.

Uma coisa que não entendi é que a CPI tem o alcance de investigar os desvios de recursos cometidos nos estados e 19 governadores se organizaram para entrar com uma ação no STF pedindo para que eles não fossem convocados. Pediram ao presidente da CPI que substituísse a convocação por um convite e ficaria ao encargo de cada um comparecer ou não (o convite não obriga ninguém, mas a convocação, sim). Hipocrisia.

O ponto mais novo é a realização da Copa América. Como se sabe quem organiza esta competição, assim como a Taça Libertadores da América, é a Conmebol – Confederação Sul-Americana de Futebol e este ano a Copa América seria sediada na Argentina. Em função da crise econômica, e muito menos da pandemia porque não há torcedores nos estádios, a Argentina recusou sediar e a Conmebol escolheu o Brasil. Bastou o presidente dizer que não recusava que começaram os protestos: “queremos vacina, não futebol”. O Brasil distribuiu, até ontem, 105 milhões de vacinas e já temos 70 milhões de pessoas vacinadas. Se Bolsonaro tivesse dito que não queria, as ruas estavam cheias de pessoas protestando contra a decisão. Haveria panelaço. Tem que ser muito tabacudo para querer resolver os problemas do Brasil batendo panela.

Não faz muito tempo, o governo petista se empenhou em trazer a Copa do Mundo e as Olimpíadas para o Brasil. Quando se ouviu protestos em função da crise no setor de saúde, Ronaldinho, disse: “não se faz Copa do Mundo construindo hospitais”. Não faz mesmo, mas fizeram elefantes brancos – Arena Dunas, Arena Pantanal, Arena Amazonas e o Mané Garrincha, em Brasília. Particularmente, o Mané Garrincha estava orçado em R$ 623 milhões e saiu por R$ 1,3 bilhão. O dobro. Simplesmente o dobro. A Arena Pernambuco foi orçada em R$ 479 milhões e custou R$ 743 milhões. O prejuízo para o estado de Pernambuco é da ordem de R$ 7 milhões por ano. Os jogos atraem menos de 500 torcedores, devido a logística, a distância, etc. O TCU fez uma análise que diz que os custos da Copa passaram de R$ 1,7 bilhão para R$ 25,09 bilhões (incluindo obras que ainda não acabaram).

Daí vem as críticas em relação a realização da Copa América. Não entendo. Não faz 15 dias Náutico e Sport disputaram o título do campeonato Pernambuco. Terça-feira o Sportv transmitiu Boa Vista e Vasco; hoje, às 16h tem CSA x Sampaio Correa no Sportv, transmitido por Rembrandt Júnior, um locutor da TV Globo Recife. Então, nesse contexto: qual o motivo do chilique de Luís Roberto, locutor da Rede Globo, sobre a Copa América? Não é a Globo quem vai transmitir. Só isso. Se fosse, não estaria essa campanha imbecil de que “queremos vacina e não futebol”. Pior de tudo: bastou o presidente da CBF dizer que é favorável ao evento que já disseram que o cara assediou sexualmente “não sei quem”. Apure-se. Agora é uma puta sacanagem desse jornalismo da Rede Globo colocar isso agora. Por que não fez antes?

Finalmente, outra imbecilidade que me assusta é a teoria do golpe. Diga-se, de passagem, que ouço e leio isso nos grupos esquerdistas. Tem uns que garantem que as forças armadas já estão preparadas, tudo pronto para tomar o poder. Em 1964 quando os militares assumiram o governo, o primeiro cara que perdeu o emprego foi o presidente João Goulart. Então, qual o argumento para dar um golpe? Vão tirar Bolsonaro e botar quem no lugar? Lá em 1964 havia um argumento: não permitir que o país se tornasse socialista e hoje, qual o argumento? Bom, como estamos falando em golpe com tanta certeza, então é melhor esquecer a eleição de 2022, não é mesmo? É bom avisar aos candidatos porque todo mundo diz que vai ter golpe, mas os candidatos continuam trabalhando firme na sua candidatura. Para tudo isso eu só tenho uma palavra: IMBECIS.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM CONJUNTO DE COISAS

A Rede Globo vem atravessando uma crise financeira sem precedentes. Só do governo faturava algo da ordem de R$ 7 bilhões por ano. A fonte secou e a rede partiu para o ataque na tentativa de empurrar um processo de impeachment e afastar o presidente. Nos últimos anos, demitiu atores consagrados, repórteres com 30 ou 40 anos de casa, cancelou o contrato de exclusividade de Roberto Carlos, cortou privilégios, passou a cobrar R$ 5,00 por um cafezinho simples e R$ 10,00 se ele for acompanhado de um pãozinho. Atualmente, o mercado fala que a Globo está na agulha pra mudar de dono. Acrescente ainda: a Globo perdeu os direitos de transmissão do campeonato brasileiro, da Copa Libertadores, da fórmula 1, das partidas da seleção brasileira fora do Brasil e, parece que os funcionários da Globo não sabem disso. Se não for vendida, quebra. Não suporta mais um ano com Bolsonaro e se ele for reeleito, corre-se o risco de se arrumar um incêndio providencial para o seguro cobrir algumas perdas.

O esforço do Grupo Globo para tirar Bolsonaro do poder se retrata, a cada dia, no comportamento dos repórteres no Brasil inteiro. Parece que uma reportagem só entra em pauta se falar mal do governo. E as agressões não param. Perdeu-se a sensibilidade, a imparcialidade e tudo mais. Essa semana Maju Coutinho, âncora do Jornal Hoje da Rede Globo, falando sobre o protesto de empresários contra o fechamento das atividades econômicas, enquanto enfatizava que as ações de restrições eram necessárias disse que “o choro é livre”. Essa expressão foi dita largamente por apoiadores do governo, mas no contexto da derrota da esquerda e não com essa frieza enorme de Maju. Depois ela foi às redes sociais dizer que a frase foi infeliz.

A grande imprensa no Brasil perdeu a boquinha de propaganda governamental. Antes, abusavam de tanto dinheiro para divulgar até espirro do presidente. Agora, como não tem dinheiro, partiu para cima de quem fechou a torneira. A imprensa quando resolve destruir ela usa todos os meios. Exemplos disso? A gente encontra milhares.

Icushiro Shimada, proprietário da Escola Base, no Bairro da Aclimação, em São Paulo, foi acusado, juntamente com sua esposa e outros membros da escola, de abusar sexualmente dos alunos (crianças). Todos foram presos antes das investigações terminarem e “a imprensa divulgou o caso amplamente”, mas após 30 dias após, o processo foi arquivado por falta de provas. Eu não me recordo de ver uma reportagem sequer falando da inocência do casal. Dizer que ele tinha abusado, e até contar como fez, era a prerrogativa, mas falar da inocência não interessa. Ichushiro Shimada entrou com um processo por perdas e danos, mas faleceu aos 70 anos aguardando, ainda, o pagamento das indenizações. A imprensa só cumpriu seu papel de informar. Dirão eles.

O comportamento dos repórteres contrários ao governo está fora dos limites. Esta semana Vera Magalhães, que seduziu um empregado do embaixador americano em troca de informações que serviram para o sequestro quando ele foi trocado por presos políticos, declarou que conversou com um diretor do Sírio Libanês sobre a lotação do hospital e disse que “não era um hospital desses no meio do nordeste”. Octávio Guedes, falando sobre a aprovação de Bolsonaro, disse que tal aprovação era por conta dos “pobres estúpidos”. Enfim, uma seara de aberrações que se nós formos criticar passaremos a ser tratados como gado.

Acho incrível como o “ódio cega” e como se não bastasse o que a imprensa faz, todo dia, vem uma novidade extraterrestre: um cara do ministério público (assim mesmo, minúsculo) entrou com uma ação para afastar o presidente do comando do Ministério da Saúde e da Economia. Puta que pariu! Guedes foi eleito o melhor ministro da economia do mundo em 2019, Roberto Campos Neto, foi eleito o melhor presidente do de Banco Central do mundo, em 2020, o BDNES deu um lucro de R$ 20 bilhões, em 2020, atendendo 460 mil pequenas e médias empresas financiando a produção no Brasil, sem emprestar um centavo sequer a desgraças como Cuba, Venezuela e outras ditaduras corruptas africanas.

Uma das coisas que mais me causa indignação é a incoerência, na verdade a hipocrisia. Embora todos esses números estejam aí para verificar que Paulo Guedes tem buscado fazer um trabalho sério, muitos economistas, com visão esquerdista, só enxergam o que presidente diz e não o que governo faz. Eu não vou nem entrar no mérito dos recursos repassados para enfrentamento da Covid-19. Todos sabem que até na bunda de um senador esse dinheiro foi parar.

Esse é o Brasil atual. O Banco Central se tornou autônomo, a economia caiu menos do que o esperado, o país está em quinto lugar no mundo em quantidade de vacinas, a Fiocruz vai produzir 6 milhões de vacinas por semana, colocamos o primeiro satélite brasileiro em órbita, 95% dos contaminados estão curados, mas a quantidade de pessoas que se contaminaram na minha cidade, a 416 Km da capital, foram contaminados por culpa de Bolsonaro. Por favor, alguém que defende essa sandice, pode me explicar como? Basta me explicar uma vez. Eu aprendo rápido.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL E OPEN BANKING

A interferência do governo, digamos assim, na economia se faz através de duas políticas: a fiscal e a monetária. A política fiscal é atribuição do congresso nacional e trata dos gastos e da arrecadação do governo. O problema da política fiscal é a observância ao princípio da anterioridade, ou seja, medidas fiscais aprovadas num exercício só valem no exercício seguinte. A redução da alíquota do imposto, por exemplo, aumenta a renda disponível na economia e com isso aumenta o consumo. No entanto, se fosse aprovado uma redução do IR em 2021 seria válida para o IR de 2022. Muito tempo para salvar a economia de um colapso.

Medidas de efeitos mais imediatos são tomadas com a política monetária cujas diretrizes são definidas pelo COPOM – Conselho de Política Monetária e que tem como órgão executor o Banco Central. Então, Banco Central define o volume de moeda (nominal) que deve circular na economia. Através de compra e venda de títulos, o Banco Central aumenta ou diminui o volume de moeda e isso afeta a taxa e a inflação. Por exemplo, quando o Banco Central compra títulos, ele está botando dinheiro no mercado, aumentando a oferta de moeda e com isso diminuindo a taxa de juros. Em consequência eleva-se a inflação.

Desde a minha época como bancário que eu defendo a independência do Banco Central. A política monetária não pode ser vinculada ao interesse político, ou seja, não se pode fazer campanha política usando o Banco Central. Na campanha de Dilma havia uma peça que dizia que se Aécio ganhasse os juros ia aumentar e faltar comida na mesa do povo. Agora, duvido que outro candidato faça tal analogia. O que nós precisamos aqui é que a decisão técnica prevaleça sobre o interesse político. Essa questão do aumento da taxa de juros é uma medida, politicamente, indigesta. Todo mundo lembra quando José de Alencar, vice-presidente de Lula, reclamava publicamente da taxa de juros no Brasil. Com razão, porque quando os juros sobem o investimento das empresas cai, o crédito fica caro e restrito e isso complica a atividade econômica. Entretanto, não se pode baixar a taxa de juros por decreto, como Dilma fez para o Banco do Brasil e da CEF, porque os bancos possuem acionistas que esperam dividendos e se eles não chegam, os investidores se livram das ações. Taxa de juros deve ser equilibrada pelas forças de mercado. E pronto.

Uma coisa muito positiva é a definição de mandato fixo, 4 anos, para o presidente do Banco Central cujo início se dará em 01 de janeiro do terceiro ano do mandato do presidente da república. Assim, o mandato do presidente do Banco Central não vai coincidir com o mandato do presidente da república e, em adição, o presidente e a diretoria do Banco Central não poderão ser demitidos por pressões políticas. Isso é muito bom! É tão bom que Ciro Gomes disse: “Você vai poder votar para presidente, mas o presidente eleito não vai poder controlar o presidente do Banco Central”. Prezado Coroné de Sobral, por favor, me arresponda: Por que vosmicê acha que o presidente eleito precisa controlar o Banco Central?

A imbecilidade de Ciro Gomes é tanta que ele alega que “empregos, salários, tudo passa a ser controlado, na prática, pelos diretores do Banco Central (paus mandados dos bancos há mais de 20 anos)”. Aí, mais uma vez eu pergunto e eu mesmo respondo: 1) Pau mandado de quem? DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA! DO GOVERNO! 2) Com a autonomia do Banco Central o governo vai deixar de existir? Pelo que Ciro diz, tudo indica que em 2022 nós vamos votar presidente do Banco do Central e não presidente da República. Emprego, salários, depende de políticas, mas não apenas da política monetária. Empregos e salários poderiam ser maiores, por exemplo, se a gente tivesse um regime tributário menos injusto. Agora, as tratativas de medidas que trazem crescimento econômico passam pelo congresso tal como a questão das privatizações. Não é prerrogativa do Banco Central. O interessante é que Ciro é contra as privatizações e contra a independência do Banco Central.

Outra questão que coloco é que, infelizmente, essa autonomia não vem da forma que eu sempre sonhei porque as decisões da politica monetária continuarão sendo definidas pelo COPOM. Trata-se, sem dúvida, de um grande avanço. Com liberdade e critério técnico, o Banco Central poderá orientar melhor a política de crédito e incentivar o crescimento econômico sem viés político.

Em adição, a gestão atual do Banco Central tem avançado bastante na modernização do sistema financeiro. O PIX foi uma revolução no sistema de pagamentos instantâneos e agora vem o Open Banking. Atualmente, quem tem conta corrente num banco é submisso a ele. Paga tarifas estabelecidas, taxa de juros definidas pelo banco, etc. Seu cadastro é uma propriedade do banco e não do cliente. Uma pessoa que tem conta no Banco do Brasil depende da política do Banco do Brasil e o Bradesco tenha taxas melhores, essa pessoa teria quer fazer um cadastro no Bradesco, juntar toda documentação exigida para abertura de uma conta, esperar um tempo para que o banco entenda seu perfil de crédito (se é bom pagador ou não, por exemplo) e tudo mais. Com o Open Banking tudo isso fica pra trás. Basta você autorizar o compartilhamento dos dados e o Bradesco vai tomar decisões com base no relacionamento que você tem como BB. A competição no sistema vai beneficiar os correntistas e aplicadores. Obviamente que existem regras, dentre as quais, só participa do Open Banking quem tem autorização de funcionamento.

Vamos avançar mais. Cada vez que Ciro Gomes criticar, avance mais porque é bom para a população e ruim para as pretensões dele. Estamos adotando modelos que existem em outras economias mais desenvolvidas. Salve. O caminho é esse.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

POLICIAMENTO OSTENSIVO

Dia 01 de fevereiro Rodrigo Maia tirou a bunda da cadeira na qual se sentia o primeiro ministro do Brasil, embora tenhamos um sistema presidencialista. Enterrado o golpe que ele quis dar, com a ajuda dos canalhas do STF que votaram a favor disso, Rodrigo Maia voltou para o local de onde nunca deveria ter saído: o limbo. Maia, em conjunto com essa gente que luta contra o Brasil, tinha por objetivo concorrer ao cargo de presidente da câmara e com isso se colocar como alternativa de vice na chapa de Ciro Gomes. Conversas nessa direção são de domínio público. Hoje acusa ACM de abandono e prometeu deixar o DEM. Aí, ele enterra a carreira também para o bem do Brasil.

Com a derrocada junto ao STF, Rodrigo Maia teve que procurar o plano B e tirou, do fundo do oceano, Baleia Rossi, atual presidente do MDB, como candidato e alardeou que Baleia Rossi seria eleito no segundo turno. Interlocutores ligados a Maia disseram que ele conduziu o processo para ser candidato e que os nomes que ele defendia publicamente não passavam de enrolação. Espatifou-se na vaidade e quebrou a cara com o resultado do STF. Passado a primeira semana do mês, cadê Rodrigo Maia? Vai continuar morando em Brasília para não pegar voo comercial?

A chegada de Artur Lira, de quem não sou fã, traz alguma acomodação para o governo. Enquanto Maia usava os vários pedidos de impeachment como instrumento de pressão e meio de troca, a tendência é que Artur Lira não dê andamento a isso. Teremos uma eleição em 2022 e se você não quer Bolsonaro presidente tire-o com o voto. Outro aspecto é que as propostas não pautadas por Maia agora possam ter um encaminhamento normal. Precisa urgentemente colocar propostas econômicas em pauta, visto que passamos dois anos a mercê da imbecilidade de Maia.

Uma das questões cruciais é a reforma administrativa. Quando se fala nisso, os esquerdistas, os sindicalistas, etc. acham que somente o poder executivo tem funcionário público. É sabido que o governo é ineficiente e que parte dessa ineficiência se deve ao tamanho do estado. Mas, é preciso que se adote ações que permitam a governabilidade. O governo do Rio Grande do Sul reduziu seu déficit em seis vezes e o governo federal economizou R$ 500 milhões de reais com pagamentos de diárias, por exemplo. As reuniões remotas estão aí mostrando que é possível defender tese e dissertações de forma não presencial; que conselhos de administração de estatais podem se reunir remotamente, etc.

No início da pandemia falava-se sobre redução de salário. Toffoli, numa reunião como desembargadores, disse que “ninguém irá reduzir nosso salários” e eu disse a um grupo de amigos que relaxassem porque se o salário de Toffoli não poderia ser reduzido o meu também não seria porque eu sou concursado e ele é indicado, logo, sou mais funcionário público do que ele. Então, quando os esquerdistas ouvem falar de reforma administrativa já enveredam pela teoria da conspiração achando que as regras afetarão quem já é funcionário e com isso esquecem um preceito constitucional importante: “a lei só retroage para beneficiar.”

O fato é que o policiamento ao governo continuará ostensivo. Maia era apenas um moleque de recados da esquerdopatia e dos alucinados ministros do STF gratos pela indicação que receberam, mas que não chegam nem a ser um “juiz de merda” como Celso de Mello. O sinal de que o embate vai continuar em campos ainda incertos são dois: o primeiro é que Lewandowski levantou sigilo das conversas de Moro na Lava Jato, exatamente, no dia 01 de fevereiro. Um nítido movimento de sinalização para o congresso, numa tentativa de influenciar a eleição. Esse canalha é craque nisso: em 2018 autorizou a entrevista de Lula com o objetivo de beneficiar Haddad. Baleia Rossi prometia analisar pelo menos um pedido de impeachment. Lewandowski enviou as gravações para a turma que julga a suspeição de Moro e o desenho está feito com as declarações de Gilmar Mendes: “Esse homem merece um julgamento justo”. Entenda-se que julgamento justo só existe se Lula for inocentado, readquirir seus direitos políticos e concorrer em 2022.

A segunda questão é a divulgação de crimes cometidos por Artur Lira, inclusive uma denúncia da sua esposa. Pura intimidação. Salvo engano o STF arquivou um processo contra ele, mas isso não o faz inocente. Eu digo sempre: o cara não é inocente porque não existem provas contra ele. O cara é inocente porque não cometeu crimes. Lula, por exemplo, vai ser inocentado pelo STF, mas todos nós sabemos que de inocente ele não tem nada.

Para concluir, vem a indicação de Bia Kicis para CCJ. Achei coerente o posicionamento de Janaína Paschoal. Ela disse que embora discordasse de Bia, entendia que ela foi escolhida pelo voto popular e se elegeu democraticamente e que pode ser indicada para presidir qualquer comissão. Está certíssima! Vendo o STF declarando guerra caso ela seja conduzida à presidência da CCJ, vem a aquela sensação de que isso pode ser bom para o Brasil.

Que raio de democracia é esta que só a esquerda pode governar e assumir cargos em comissões no congresso?

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PARTIDOS POLÍTICOS

O grande mal do Brasil é a presença dos partidos políticos. Não que eles não sejam necessários para exercício da democracia, mas pela reles transformação num corporativismo desmedido onde cada membro fecha os olhos aos desvios de condutas do outro, apenas porque faz igual. O conselho de ética dos partidos políticos é formado, em geral, por membros suspeitos de práticas antiéticas e no meio do lixo qualquer objeto de valor vai ser visto como lixo.

Todo mundo lembra quando Edson Fachin colocou Aécio Neves em casa, afastando-o do senado e das funções políticas. Nessa ocasião, o presidente do senado, Renan Calheiros, esbravejou aos quatro cantos que nenhum ministro do STF poderia ultrapassar os limites constitucionais e violar a independência do legislativo (ele pode fazer isso com o executivo). O senado não autorizou o processo contra Aécio e ele retornou ao senado. Apenas para completar: ele era presidente do PSDB e com seu afastamento assumiu Tasso Jereissati que, em diversos momentos, falou em expulsar Aécio do partido. Ao receber o sinal verde do senado, Aécio reassumiu as funções no PSDB e a primeira coisa que fez foi afastar Tasso da presidência, indicando Alberto Goldman, seu fiel aliado. O PSDB abriga esse corrupto e fica falando da corrupção dos outros.

A questão do partido político é a obediência cega das suas prerrogativas. A deputada Tabata Amaral, por exemplo, foi duramente criticada por Ciro Gomes porque votou a favor da Reforma da Previdência. Então, mesmo que individualmente um partidário acredite numa proposta, ele não pode apoiar se esta não for do interesse da maioria do seu partido. O país que vá para a PQP. No meu entender, este é um grande limitador de ações e do surgimento de alternativas menos ideológicas e mais práticas.

Nos idos de 2010, com a eleição para presidencial se formando, o nome de Joaquim Barbosa surgiu em várias pesquisas eleitorais. Ele acabara de se aposentar do STF, tinha no currículo a condenação dos cafajestes da famosa ação 470, que para Lula foi apenas verbas não contabilizadas, mas que condenou Marcos Valério – e apenas ele – a 40 anos de prisão, e resistia a uma filiação partidária. O PSB, por exemplo, negociou e ofertou o quanto pode para ter Joaquim Barbosa como cabeça de chapa em 2010. No último dia permitindo para filiação partidária ele declinou do convite. Alegou problemas familiares, mas isso foi apenas uma forma de dizer que não iria se sentir bem ao lado de pessoas que ele condenara.

A Constituição Federal, no artigo 23, trata dos direitos políticos e dentre estes elenca o direito do cidadão brasileiro votar e ser votado; de participar diretamente ou através de seus representantes devidamente eleitos. Parece, então, natural aceitar que a candidatura através de um partido político deveria ser praxe de quem quer concorrer por um partido político e não uma imposição geral. Então, restrição decorre de um interesse do próprio partido, por diversas razões, dentre as quais manter a ideologia mais forte do que interesse pessoal e angariar recursos com doações dos seus membros.

Não pensem vocês que as causas nobres dos partidos estão apoiadas nas hipóteses acima. O que move um partido político é a avidez por dinheiro para que ele possa se perpetuar no poder, como ocorreu no mensalão. O interesse dos partidos em manter a obrigatoriedade de filiação chama-se Fundo Partidário. De acordo com a lei 9.096/95, alterada pela lei 11.459/2009, a distribuição do fundo partidário se faz assim: a) 5% dividido proporcionalmente a todos os partidos; 95% divididos de acordo com o número de votos, na última eleição, para a câmara de deputados. Entendeu ou quer que eu desenhe?

Em 2017, Gilmar Mendes estava no TSE e essa questão chegou nessa instância. Ele comentou que isso afetaria a distribuição do fundo partidário e a legislação. Putz!!!! De quem é a competência de legislar? A lei pode ser alterada em benefício do interesse social e a porcaria do fundo partidário não sofreria nenhum problema de distribuição porque continuaria com os 5% proporcional e com os 95% proporcionalmente ao número de votos. Outro argumento contrário seria que aos poderosos seriam eleitos, mas eu tenho minhas dúvidas sobre isso e acho que isso precisaria ser disciplinado. Mas, o que eu vejo mesmo é o interesse de fortalecer os partidos, embora eles sejam verdadeiras uniões de canalhices.