WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

AO MESTRE OSWALDINHO

Morreu com a mesma idade
Que o Mestre Dominguinhos.

Mote deste colunista

A morte de um guerreiro
Entristeceu o País
Foi morar com seu Luiz
Oswaldinho, o sanfoneiro
Era uma grande companheiro
Teve diversos padrinhos
Junto a outros garotinhos
Curtiu sua mocidade
Morreu com a mesma idade
Que o Mestre Dominginhos.

Poeta Nascimento

Lá no palco do Infinito,
Entre estrelas de neon,
Outro rei do acordeon
Chega pra fazer bonito.
Com Luiz Gonzaga inscrito,
Entre sanfonas e pinhos,
Palmas, abraços, carinhos,
Chega Oswaldo à eternidade,
Morreu com a mesma idade
Que o Mestre Dominguinhos.

Melchior SEZEFREDO Machado

Foi de Pedro Sertanejo
O filho mais dedicado
Uma fera no teclado
Do lendário “realejo”.
Tirou do fole o lampejo
Dos forrós, sambas, chorinhos,
Sendo, então, nestes caminhos
A grande celebridade.
Morreu com a mesma idade
Que o Mestre Dominguinhos.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

DIA DO POETA

A poesia eterniza
Fatos da nossa existência.

Mote deste colunista em homenagem ao Dia do Poeta.

Retrato dos pensamentos,
Da alma, fotografia,
Expõe-nos a poesia
Os íntimos sentimentos.
Revela compartimentos
Do todo da nossa essência,
Trazendo à consciência
Um belo que se reprisa,
A poesia eterniza
Fatos da nossa existência.

Melchior SEZEFREDO Machado

No ventre tudo começa
Vem o parto para a vida
É o ponto de partida
Cada fase que atravessa
Vá bem lento sem ter pressa
Com amor e excelência
Siga sempre sua essência
Que a mente mentaliza
A poesia eterniza
Fatos da nossa existência.

Cabal Abrantes

A poesia traz saudade
De um relacionamento
Vivido em um momento
Ou uma grande amizade
Às vezes da mocidade
Da sua adolescência
Até de uma sofrência
Das que nos imortaliza!
A poesia eterniza
Fatos da nossa existência.

Poeta Nascimento

Dos nossos dias primeiros
Com os avós e os pais.
Não esquecemos jamais
Das peladas nos terreiros.
Dos açudes, dos barreiros,
Namoros da adolescência,
Das fanfarras, na cadência,
Guiadas pela baliza.
A poesia eterniza
Fatos da nossa existência.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

OPINIÃO

Mudei de rua pra não
Passar na calçada dela.

Mote deste colunista

Depois que ela pisou
Meu coração e partiu
Nunca mais ela me viu
A angústia em mim tomou
Para a rua ela voltou
Lhe avistei na janela
Quando eu vi a Cruella
Mudei minha direção
Mudei de rua pra não
Passar na calçada dela.

Cabal Abrantes

Na rua que eu morava
Tinha uma namorada minha
Que juízo ela não tinha
Todo mundo me falava
Mas ouvido eu não dava
Porque eu amava ela
Só que um dia a donzela
Traiu o meu coração!
Mudei de rua pra não
Passar na calçada dela.

Poeta Nascimento

Depois que ela falou
Que eu pra ela era nada,
Deixou de ser minha amada,
Meu coração ressecou.
A dor do peito passou,
Se foi … mas deixou sequela.
Eu ontem fui à capela
Fazer a minha oração,
Mudei de rua pra não
Passar na calçada dela.

Melchior SEZEFREDO Machado

Quando acabou a magia
Dos nossos anos primeiros
Eu busquei outros roteiros
Pra fugir da agonia.
Hoje sinto até fobia
Ao ver um retrato dela
Tenho até outra costela
Aquecendo o meu colchão.
Mudei de rua pra não
Passar na calçada dela.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PRAÇA POETA ZÉ VICENTE DA PARAÍBA

Prefeito de Altinho-PE Marivaldo Pena (De verde) e vice-prefeito Adnailson Barbosa (De amarelo).

Mesmo sem poder cantar,
Zé Vicente está na praça.

Mote deste colunista, em homenagem ao pai Zé Vicente da Paraíba

Sua voz ainda ecoa
Pelas ruas de Altinho
Como também o seu pinho
No nordeste ainda soa
Era uma grande pessoa
Do Repente o papa-taça
Era no peito e na raça
O seu primeiro lugar
Mesmo sem poder cantar,
Zé Vicente está na praça.

Cabal Abrantes

Uma estátua de cimento
Com suas características
Superou às estatísticas
Que fizeram no momento
Exposta ao sol e ao vento
Mas, tá ele achando graça!
E alguém que ali passa
Pára, pra estátua espiar.
Mesmo sem poder cantar,
Zé Vicente está na praça.

Poeta Nascimento

Cantador iluminado,
Repentista de valor,
Além de honrar sua cor
Deixou aos filhos legado.
Tem seu nome registrado
Nos anais de uma raça
E uma história que não passa
Que Altinho fez exaltar,
Mesmo sem poder cantar,
Zé Vicente está na praça.

Melchior SEZEFREDO Machado

Igualzinho a Ariano,
Foi morar em outro Estado,
Tornou-se filho adotado
Do solo pernambucano.
Por obra dO Soberano
Foi ungido pela graça,
A vida, depressa, passa
Mas a obra irá durar.
Mesmo sem poder cantar,
Zé Vicente está na praça.

Wellington Vicente

Filhos, noras e netos do poeta Zé Vicente da Paraíba

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O PODER DA FLOR

Apreciar uma flor
Pode melhorar seu dia.

Mote do Dr. Wellington Florêncio/Caruaru-PE

Fuja do noticiário,
Que só contamina a alma,
Traz danos a sua calma
Como alimento diário.
Ouça o trinar do canário
Que canta na cercania,
Traduzindo a alegria
Das obras d’O Criador.
Apreciar uma flor
Pode melhorar seu dia.

Cultive bem seus jardins,
Saiba conversar com as flores
Que mandarão suas dores
Habitarem outros confins.
O cheiro dos alecrins
É dotado de magia
Que realça a energia
De todo admirador.
Apreciar uma flor
Pode melhorar seu dia.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PARABÉNS, CABAL ABRANTES

Sertanejo como tantos
Mas criado em João Pessoa
Brincando pela Lagoa,
Pela Bica e outros cantos.
Sempre observa os encantos
Do Seixas e outros mirantes
Tem a veia de Cervantes
E Inácio da Caatingueira
Brindemos com Ipueira.
Parabéns, Cabal Abrantes!

*Ipueira. Uma das melhores cachaças da Paraíba.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

RECADOS DA MINHA INFÂNCIA

O Cheiro da chuva traz
Recados da minha infância.

Foi de Fátima Marcolino
O lindo mote irrigado
Com a chuva do roçado
Do meu Sertão nordestino.
Aí me vejo menino
Correndo pela estância,
Sinto no peito uma ânsia
Que me faz chorar demais.
O Cheiro da chuva traz
Recados da minha infância.

Lembro dum anumará
Querendo arrancar o milho
E pai dizendo: – Meu filho,
Espante o bicho de lá!
No alpendre um caçuá
Com mangas em abundância
E vendo a pouca distância
Os verdes canaviais.
O Cheiro da chuva traz
Recados da minha infância.

O meu cachorro latindo
Com um preá no serrote,
Ao redor do pé do pote
Um caroço se abrindo
E eu contente sorrindo
Por não possuir ganância
Gozando da tolerância
Dos meus avós e meus pais.
O Cheiro da chuva traz
Recados da minha infância.

Mote: Fátima Marcolino
Glosas deste colunista

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CREPÚSCULO AMAZÔNICO

Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Mote deste colunista

Rio Madeira. Porto Velho-RO

Distante de João Pessoa
E morrendo de saudades,
Faço a ponte entre as cidades
Tendo por base esta loa.
Meu pensamento canoa
Pelo rio da emoção,
Ravel me vem em canção
E no Jacaré me vendo,
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Melchior SEZEFREDO Machado

Enfrentei um desafio
Que prometi a mim mesmo
Ir naquele lugar esmo
Na curva daquele rio
Lá faz calor e faz frio
Ele é uma imensidão
Encanta a região
Tudo lindo, fiquei vendo!
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Poeta Nascimento

Do meu quarto eu não vejo
Mesmo a janela aberta
Para mim é um alerta
Se tem luz é um lampejo
Como se fosse um gracejo
Guarda roupas é tampão
Logo da minha visão
Estou vendo e não estou vendo
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Cabal Abrantes

Por esta época do ano
O sol vai dormir mais cedo
Deixa no peito do aedo
Um sentimento cigano
De seguir o mesmo plano
Que Catulo da Paixão
Abraçado ao violão
Declamando e padecendo.
Vejo o sol se escondendo
Por detrás do Madeirão.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

SABEDORIA

Zé Vicente da Paraíba e Louro do Pajeú, em São José do Egito-PE, no ano de 1978. Foto de Paulo Carvalho.

* * *

Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Mote deste colunista

Pense num cabra sabido
É o cantador de viola
Em nada ele se enrola
Toca no tom sustenido
Cordas de aço fundido
De longe se escuta o tino
Toca salmo, toca hino
E até a Ave-Maria.
Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Poeta Nascimento

Um ser muito inteligente
Com o dom que recebeu
Falo isso porque eu
Também sei cantar repente
Deus afina a minha mente
Quando a viola eu afino
Quando eu começo, termino,
Não deixo pro outro dia.
Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Poeta Gilmar de Oliveira

Fala sobre agricultura,
Sobre pecuária e reisado,
É quase pós-doutorado
Nas temáticas da cultura.
Conhece toda estrutura
Da obra de Vitalino,
De Lins do Rêgo, “Menino
De Engenho”, que contagia.
Há muita sabedoria
Num cantador nordestino.

Wellington Vicente

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

NÃO POSSO MAIS SER VAQUEIRO

Em 1983, a dupla de aboiadores Vavá Machado & Arlindo Marcolino, gravou a toada “NÃO POSSO MAIS SER VAQUEIRO”, de autoria do meu saudoso pai, poeta Zé Vicente da Paraíba.

Um dia perguntei como havia surgido a inspiração para esta composição e ele me falou que estava numa cantoria pelo sertão baiano e alguém pediu um mote que retratava a vida do campo.

Terminada a cantoria, aproximou-se um senhor, elogiou a dupla e contou a sua história de vida nas fazendas da região, finalizando com a lamentaçao:

– Pena que hoje não posso mais ser vaqueiro.

Da lavra de Zé Vicente
Ficou eterno o legado
Na voz dos grandes intérpretes
Zé ficou eternizado
Seus poemas e Repentes
O fizeram perpetuado.

Severino Damasceno

Arlindo e Vavá Machado
Amantes da poesia
Gravaram a composição
Que José fez na Bahia
Ouvindo um velho vaqueiro
Repleto de nostalgia.

Wellington Vicente