A PALAVRA DO EDITOR

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MÁRCIO S.R. CABRAL – UBERABA-MG

Nobre e excelso editor:

Pergunto se é possível publicar esta foto em anexo.

E explico:

Hoje às 13 horas em ponto eu vou fazer uma reza braba.

E queria fazer a reza olhando para a foto.

Se for possível a publicação, desde já agradeço.

Um grande abraço.

R. Meu caro, eu sempre digo que aqui o leitor não pede nada.

Aqui o leitor manda e dá as ordens. É só enviar que a gente publica.

Está aí embaixo a foto que você nos enviou.

Aliás, vou embarcar na sua corrente e também irei fazer uma reza braba às 13 horas de hoje.

Vou até suspender meu rotineiro cochilo pós-almoço

Farei a minha reza do mesmo jeito que você, ou seja, olhando fixamente pros fucinhos que estão aí em cima.

Já tenho até uma ideia: vou fazer a reza me lembrando de Dona Gina, a maior benzedeira de Palmares.

Confira a reza dela clicando aqui .

ANA PAULA HENKEL

O EFEITO DOMINÓ DO BEM

Kyrie Irving | Foto: Divulgação

Há duas semanas, escrevi aqui sobre a coragem de Jonathan Isaac, o jogador da NBA de 24 anos, que emergiu como uma voz da razão, civilidade e do respeito às liberdades constitucionais de pessoas que decidiram não se vacinar contra a covid – por razões pessoais, médicas ou por já terem passado pela doença e adquirido anticorpos, como o próprio Isaac. A atitude do jogador do Orlando Magic provocou um movimento inesperado e importante na liga norte-americana de basquete contra o passaporte vacinal. Não contra a vacina, mas contra a obrigatoriedade que a liga tenta impor aos jogadores – simples assim: sem vacina, não joga.

Um dos atletas que seguiram a mesma linha foi Kyrie Irving, estrela do Brooklyn Nets. Ele se recusa a ser espetado, apesar da marcação cerrada dos Nets e da mídia. Continua firme, com uma postura amparada em princípios e não na da maioria dos colegas, frequentemente elogiados pelo ativismo a favor do grupo Black Lives Matter. Não há como esconder a hipocrisia. No caso de Irving, essa vida negra não importa tanto assim para a patrulha da covid.

Durante semanas, a imprensa militante e lobista das big pharmas tenta retratá-lo como alguém que tem opiniões malucas sobre a vacinação. Rumores sobre suas reais razões para não se vacinar inundaram as páginas de notícias. Até que, cansado das falácias e dos ataques da mídia, ele decidiu usar seu perfil no Instagram na semana passada para fazer uma transmissão. Quase 100 mil pessoas acompanharam ao vivo o atleta exibindo seus motivos – numa clara demonstração de coragem – para não seguir a corrente do momento: vacine-se e cale-se. Aqui, um detalhe importante: Irving nunca se declarou “antivacina”. Ele apenas argumenta que está preocupado porque as pessoas estão perdendo seus empregos por causa da imposição da vacina.

A transmissão ao vivo foi uma ode à liberdade, à responsabilidade, à ética, à honestidade intelectual e aos direitos civis e divinos. De acordo com Irving, seus princípios estão acima de determinações draconianas e inconstitucionais, projetos de controle social, da própria liga norte-americana de basquete profissional e até dos milhões de dólares que pode perder por não se vacinar – a consequência imediata deverá ser a proibição de entrar em quadra.

A conversa durou 20 minutos e já foi vista por milhões de pessoas. Trata-se de um conteúdo rico e profundo do início ao fim. Irving fez questão de deixar claro que não será refém de grupos ideológicos. “Se sou responsável pela minha própria vida, então tenho de falar sobre coisas que realmente importam para mim. Tive de parar de fugir e usar a minha plataforma para falar sobre o que é verdadeiro e o que é meu”, disse.

“Ninguém vai sequestrar a minha voz, ninguém vai tirar de mim o poder que tenho de falar sobre essas coisas. Preste atenção no que está acontecendo no mundo real: as pessoas estão perdendo seus empregos devido a essas ordens (refere-se à obrigatoriedade das vacinas). Eu respeito isso e não quero brincar com as emoções das pessoas. Mas use a lógica: o que você faria se se sentisse desconfortável ao entrar na temporada quando foi prometido que você teria isenções ou que não teria de ser forçado a tomar a vacina?”

Ele também demonstrou estar cansado de ouvir “especialistas” e os juízes da pandemia: “É impressionante ouvir a maneira como as pessoas falam, cheias de convicção sobre o que eu deveria estar fazendo da minha vida e o que os meus companheiros deveriam estar sentindo por mim, ou o que a organização está pensando de mim…”

“Não estou aqui para dar a vocês todas as informações ou mostrar sabedoria e conhecimento. Estou aqui apenas para permanecer real. Eu sempre serei fiel a mim e essa é a minha vida. Faço o que eu quiser com ela, este é um corpo que eu recebi, um único corpo que eu recebi de Deus, e você está me dizendo o que devo fazer com ele?”, afirmou, em tom de desabafo. “Estou sendo pressionado em algo que é muito maior do que apenas um jogo de basquete.”

Durante todo o tempo de sua live, Kyrie Irving não se colocou em um pedestal de soberba, como outros jogadores milionários da liga que usam a plataforma para dizer como são oprimidos: “Sou um ser humano, tenho emoções, sentimentos, pensamentos, coisas que guardo para mim, coisas que compartilho, e vou me manter fundamentado no que acredito. É simples assim”.

Na conversa com milhares de fãs, o jogador chamou a atenção para a preocupante cegueira dos tempos atuais, na qual lockdowns e vacinas experimentais são obrigatórios – e questionamentos se tornaram crimes inafiançáveis. “Estamos num tempo louco! Quantas pessoas estão realmente pensando com uma visão equilibrada? Quantas estão realmente pensando sobre o futuro do que está acontecendo?”, disse. “Não machuquei ninguém nem cometi nenhum crime. Não estou aqui agindo como um idiota, mas cuidando da minha família. Não é normal o que está acontecendo.”

Questionado sobre uma possível suspensão a Irving caso ele se recuse a tomar a vacina, o Brooklin Nets declarou que essa é uma possibilidade, assim como o bloqueio do milionário salário. Irving não se intimidou e rebateu: “Ninguém deveria ser forçado a fazer nada que não queira com seus corpos. Se você escolher tomar ou não a vacina, apoio. Faça o que for melhor para você, mas isso não significa começar a julgar as pessoas pelo que elas estão fazendo com suas vidas.”

Assim como todos os “cancelados” nesta pandemia, nenhum argumento que a estrela da NBA apresentou foi rebatido por nenhum veículo de repercussão mundial. Em vez disso, os abutres usaram a velha tática de matar o mensageiro, demonizando suas falas e fazendo chacota de seu comportamento. Mas e Kyrie Irving? Com tranquilidade, mostrou que não vai ceder à turba sedenta de sangue.

“Eles me chamam de pouco inteligente e outros nomes que nunca vão dizer na minha cara. Defendo coisas muito maiores do que um jogo de basquete. E, agora, não é mais sobre o jogo, é sobre ajudar seu próximo a entender que tem uma escolha.”

Irving finalizou sua transmissão com a mensagem que sempre sustentou: “Você tem de ter certas convicções por si próprio. Tenho de tomar minhas decisões por mim mesmo, porque tudo isso vai continuar a evoluir em torno de ‘você vai sair e vai perder dinheiro’. E daí? Não se trata mais do dinheiro. Nem sempre se trata de dinheiro, mas de liberdade”.

O fato é que ele assumiu uma posição muito mais baseada em princípios do que a maioria dos atletas elogiada por ativismos toscos. Originalmente, Irving teria perdido apenas metade da temporada do Nets por causa da imposição da vacina em Nova Iorque. Ocorre que o Nets decidiu dar um passo adiante e o proibiu de treinar ou jogar – em casa e fora.

Agora compare a postura de Kyrie Irving com a de Colin Kaepernick, que desistiu de sua carreira medíocre na NFL para receber milhões para ser um ativista da justiça social – enquanto fingia o tempo todo que queria continuar jogando. Ou aos atletas que foram elogiados por atrasar jogos da NBA em um ou dois dias por causa da morte de George Floyd. E que tal a estrela da NBA LeBron James? Ex-companheiro de equipe de Irving, ele não sacrifica nada além de sua própria dignidade sempre que decide falar sobre política ou protestar ajoelhando em toalhinhas macias.

A comunidade médica ainda tem muitas perguntas sobre esse vírus e as vacinas, mas não há dúvida de que Irving está realmente arriscando sua carreira por algo em que acredita. Isso é mais do que pode ser dito sobre os outros atletas que obedientemente falam de todos os pontos de discussão sobre justiça social ao mesmo tempo em que embolsam milhões de dólares. Seguem à risca a cultura dominada pelo progressismo hipócrita e vil. Enquanto isso, Irving é o atleta que vai contra essa “cultura”, que precisa fingir que exemplos de atletas são LeBron ou Kaepernick.

O artigo de hoje é muito parecido com o de duas semanas atrás, mas decidi abordar o assunto novamente para que possamos testemunhar que, dentro dessa ordem insana de cancelamento e falsas virtudes, há também um efeito dominó para o bem. As únicas armas possíveis contra eles são a verdade e a coragem.

No ano passado, já com a pandemia em curso, o jornalista norte-americano Tucker Carlson, cancelado pela enésima vez por trazer a verdade à tona e expor os jacobinos virtuais, disse: “Tenha certeza de que, se você defende a verdade, eles virão atrás de você. A tentação é entrar em pânico. Não entre em pânico. Você tem de manter a cabeça e dizer a verdade. Se você demonstrar fraqueza, eles te esmagarão”.

Carlson termina afirmando que o resultado é um só: “Antes que você perceba, estará confessando crimes que não cometeu. Portanto, mantenha sua dignidade. No final, você ficará muito satisfeito com isso, porque a vida não vale a pena ser vivida sem ela”.

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

J.R. GUZZO

MUITOS NOMES E POUCOS VOTOS

terceira via eleições 2022
João Amoêdo (Novo), Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM): representantes da terceira via se apresentam como alternativa à polarização entre Bolsonaro e Lula

Apareceu mais um candidato a se tornar o candidato da “terceira via”, essa estrada que passa entre Lula, de um lado, e Bolsonaro, no lado oposto, e pela qual, nas esperanças de seus articuladores, o Brasil chegará ao seu próximo presidente da República no ano que vem. É o que mais tem, hoje em dia: candidato a candidato de terceira via. O mais recente da série é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, outra das nulidades eleitorais que apareceram até agora para representar o “centro” — com a esperança de crescer durante a campanha e chegar lá em outubro de 2022.

A lista vai longe. Já teve o apresentador de televisão Luciano Huck, pode vir a ter o jornalista José Luiz Datena e tem, na data hoje, os governadores João Doria e Eduardo Leite, o ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro, o candidato permanente Ciro Gomes, o ex-ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta, e ainda outros mais. Aparece, agora, mais um nome — e, como os outros, vai ficar no noticiário, dar entrevista e fazer discurso.

A pergunta de ordem prática que se coloca diante disso tudo é a seguinte: quanto vale, na vida das realidades eleitorais, cada um desses nomes? É pretensioso dizer, com um ano de distância, quem vai ganhar uma eleição, embora seja exatamente isso que fazem os institutos de pesquisa de “intenção de voto”. O que dá para fazer, e só isso, é olhar com realismo para a situação que existe hoje.

Hoje, pelo que mostram os fatos disponíveis, há dois candidatos, Lula e Bolsonaro — e nenhum dos dois é claramente majoritário. O presidente carrega nas costas o custo de ser governo, em geral o bode expiatório para as frustrações de muitos dos que estão insatisfeitos. Lula tem o seu passado e o problema de ser artigo de segunda mão, já usado e desaprovado.

A maioria do eleitorado não está, aparentemente e neste momento, nem com Bolsonaro e nem com Lula, mas no meio dos dois. É uma maioria que não tem forma definida, está em movimento e caminha mais de acordo com desejos do que com ideias. Naturalmente, um candidato de “centro” pode crescer neste tipo de bioma. Antes disso, porém, é preciso levar em conta que Bolsonaro e Lula podem fazer a mesma coisa — mudar de tom, cada um do seu lado, reprimir seus traços naturais e colocar o carro no meio da estrada.

Para o presidente isso significa cair fora de todos os confrontos, mostrar-se moderado e contar com uma situação econômica melhor que a de hoje. Para Lula, significa abandonar tudo o que vem fazendo, e todas as companhias que mantém, e prometer um segundo governo parecido com o seu primeiro — com muito Palocci e Meirelles, e pouco MST e médico cubano. Vai ser a sua dificuldade de dar esses passos que determinará, no fim das contas, a sorte da “terceira via”.

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

TEM QUE RECONTAR A POPULAÇÃO

Comentário sobre a postagem C EDUARDO – PATY DO ALFERES-RJ

Waldir A. Gobbi Augusto:

Paty do Alferes, região com aproximadamente 320 mil Km quadrados, um dos maiores centros culturais do Estado do Rio de Janeiro, cujos habitantes são chamados de patienses.

Em levantamento projetado para 2021, a cidade deverá conter 27.942 habitantes, com certeza ilustres e cultos.

Precisamos solicitar ao IBGE em seu censo, uma urgente alteração, pois após essa publicação do “C Edu”, sinto que são 27.941 habitantes e um jumento.

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COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURO PEREIRA – ITAPEVA-SP

SONHAR É PRECISO!

Ultimamente eu tenho sonhado o mesmo sonho. Invariavelmente. E ele é espetacular! Nele, sou mais um entre centenas de milhares de cidadãos felizes por viverem e conviverem em um paraíso singular concebido na imaginação fértil daqueles que ainda ousam sonhar.

Recanto privilegiado, a própria natureza rendeu-se aos seus encantos homenageando-o com a introdução de planícies verdejantes de solo fértil onde em se plantando tudo se colhe e com a concepção perfeita de serras bucólicas entrecortadas por rios piscosos de águas mansas e cristalinas que exprimem a quietude solene de uma paisagem arrebatadora que dá vida ao perfil generoso de seu povo e traduz a índole honesta de sua gente. A emoldurá-lo, a costa litorânea exuberante contrapondo-se à beleza selvagem de matas intocadas, refúgio sagrado da fauna e da flora. Nunca ouvi nenhum habitante mencionar o nome desse pedaço de mundo quase celestial. Por minha conta e risco estou propenso a denominá-lo Brasilquesonho.

O modelo de governo prima pela simplicidade na administração evidenciada não só na configuração de um estado enxuto e desburocratizado, mas, também, na justa divisão de suas riquezas. Contrariando a regra, o governo é o reflexo do povo e como decorrência, as autoridades se sobressaem pela inequívoca retidão de caráter e cultivam profundo respeito à coisa pública. A simetria perfeita dos egos inviabiliza devaneios despropositados.

Dispondo de uma equipe de ministros que não excede a uma dezena, legitimado pelas urnas o presidente é o condutor das diretrizes que embasam as grandes questões da administração nacional e o lídimo representante da nação nas demandas internacionais. O gestor e executor dessa política alicerçada no repasse automático de 70% do orçamento federal para os municípios é o prefeito, permitindo, dessa forma, que a riqueza auferida na cobrança dos impostos não seja tratada como patrimônio da união, mas, sim, como propriedade da população, retornando em forma de benefícios àqueles que a produziu.

O Congresso Nacional se limita a um Conselho constituído por não mais de uma centena de homens e mulheres notáveis cujas cãs revelam o acúmulo de sabedoria suficiente para garantir em lei os anseios da sociedade que representam. Por sua vez, o arcabouço jurídico repousa na veneração à meritocracia e na credibilidade consubstanciada no notório saber de seus magistrados doutos, executores do dispositivo legal que disciplina a convivência social e guardiões do texto sagrado da Carta Magna que encerra o orgulho dos nativos.

Com os três poderes imbuídos da mesma vontade de servir à população o país se desenvolve amparado em bases sólidas, colocando à disposição da sociedade um serviço de saúde moderno e de altíssimo nível e um sistema educacional avançado que garante o acesso dos alunos aos bancos escolares desde a creche até a universidade. Nenhum de seus cidadãos é flagelado pelas intempéries, pois a todos é assegurado o direito da casa própria e se multiplica o sorriso que ilumina as faces de mães orgulhosas ao exibirem o esplendor saudável de suas crianças.

A corrupção é encarada como a mais perversa abominação que diminui a humanidade e retarda o processo civilizatório, enquanto que nenhum ministro foge de suas responsabilidades nem, em tempo algum, ultrapassa os limites da legalidade. Já, as eleições, são consideradas expressão natural da democracia consolidada e as campanhas eleitorais passam ao largo do discurso vazio e dos ataques pessoais se concentrando somente na exposição de ideias e no debate de propostas. Não há espaço para desconstrução de candidaturas. Menos ainda de candidatos. A tez diferenciada de sua gente é uma inspirada ode celebrando a igualdade. Me sinto leve, próximo do êxtase.

Mas eis que, num repente, um sobressalto me sacode e me devolve à crua realidade que reveste o cotidiano do Brasil dos meus pesadelos. Desperto ao som de uma sirene estrepitosa e dos estampidos característicos dos disparos de arma de fogo. Ainda atordoado pela forma brusca que fui sequestrado do meu enlevo, ouço uma voz vigorosa ordenando: mãos na cabeça, vagabundo! O breve silêncio que sobreveio à ação policial foi rompido pelo lamento triste que ecoava pela vastidão da insensibilidade midiática que, movida pelo mais refinado ódio dedicado a determinada autoridade federal, repercutia, com frieza que se aproximava do irracional, o avanço de um vírus desconhecido e produzia, com requintes de perversidade que extrapolava a canalhice, a disseminação de oportuno clima de terror coletivo. Fique em casa, negacionista!, exigia, condenava. Ainda que ínfima, uma chance a mais de sobrevivência negava, subtraia.

Tento me recompor, mas, incontinenti, chegam aos meus ouvidos a languidez dos ais que vagueiam pelos meandros da agonia e preenchem os macabros corredores dos hospitais públicos e, no mesmo fôlego, fico sabendo de mais uma denúncia de corrupção – ignorada por CPIs seletivas – no setor da Saúde envolvendo governadores e prefeitos. Ecos constrangedores ressoam desde a velha Europa dando conta de uma possível aproximação de ex-presidente da República com a bandidagem internacional. A aflição se agiganta na medida em que vislumbro aproximar-se, ameaçador, um novo encontro com as urnas. Temo pelo resultado e por suas (in)consequências. Votar não é preciso.

Desiludido, fecho os olhos e, sôfrego por felicidade, busco dormir novamente confiante que o sono se compadecerá do meu sofrer e me reconduzirá às profundezas do Brasilquesonho. Lá, desde que respeitado o princípio da licitude, não é proibido o acúmulo de riqueza ao indivíduo, mas, por definição soberana de seu povo, não é esse o norte que seduz o coletivo. A certeza natural de que poderão sorver com lenta avidez cada gota de felicidade que a plenitude da cidadania proporciona, lhes enriquece a alma e apascenta o espírito. Sê propício a mim, sonhador, senhor do sono. Sonhar é preciso!

Definitivamente o chamarei de Brasilquesonho!