DEU NO JORNAL

O FUTEBOL BRASILEIRO E NOSSO ANSEIO POR EXCELÊNCIA

Editorial Gazeta do Povo

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Pelé chora nos ombros do goleiro Gylmar após a vitória brasileira na final da Copa do Mundo de 1958

Na tarde deste domingo, Espanha e Argentina entram em campo para decidir a Copa do Mundo. Os brasileiros se dividirão entre a torcida por (ou contra) alguma das duas seleções, por motivos os mais variados; a neutralidade com expectativa de um bom futebol e uma partida emocionante, como foi a final anterior, de 2022, entre França e Argentina; ou mesmo a indiferença, já que a seleção brasileira ficou pelo caminho, eliminada pela Noruega nas oitavas-de-final. A derrota já foi bastante dissecada, com análises para todos os gostos, mas uma frase em específico tem sido bastante ouvida, e já o era antes mesmo de uma Copa na qual o Brasil não figurava entre os grandes favoritos: “não somos mais o país do futebol”.

Se o veredito é correto ou não, é algo a se discutir, até porque o Brasil continua produzindo jogadores de qualidade, destaques em alguns dos mais importantes times do mundo. Mas ele demonstra uma frustração do brasileiro, e que vai além de simples ausência de conquistas em Copas do Mundo: o sentimento de que a época em que o Brasil era mundialmente reconhecido pela qualidade ímpar do seu futebol ficou no passado. Não se trata de um simples gosto pela vitória, mas da sensação agradável de saber que o time brasileiro era um dos melhores do mundo, sempre admirado e temido, ganhando ou perdendo – não à toa a seleção de 1982 é ainda hoje vista como uma das melhores do mundo a não ter erguido o troféu de campeão, elogiada pela beleza de seu jogo.

A excelência em qualquer ramo tem a capacidade de nos alegrar e orgulhar. Uma Copa do Mundo, um Oscar, um Nobel (que ainda nos falta), uma medalha de ouro olímpica – e em 2026 o Brasil conquistou sua primeira medalha em Jogos Olímpicos de Inverno, o ouro de Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino – são atestados de que o Brasil e os brasileiros são capazes de fazer coisas grandiosas. Quando o maior jogador de futebol de todos os tempos faleceu, foi dito que o legado de Pelé não foi apenas o tricampeonato mundial, mas também o fato de a primeira conquista, em 1958, ter causado uma reviravolta na autoestima do brasileiro, traumatizado com o Maracanazo de 1950 e diagnosticado com o que Nelson Rodrigues chamou de “complexo de vira-latas”.

Alguém dirá que melhor que vencer uma, ou três, ou cinco Copas do Mundo é estar entre os melhores do planeta em indicadores sociais, em produção científica, em tecnologia, em padrão de vida, em IDH. E é verdade. Mas não podemos criar uma falsa dicotomia, como se tivéssemos de escolher entre conquistas esportivas e desenvolvimento socioeconômico. Podemos perseguir ambos. As vitórias esportivas e outros reconhecimentos internacionais são importantes porque nos inspiram e mostram aonde podemos chegar, também em outras áreas – desde que o país lhes dê importância. Uma coisa é ser o “país do futebol” por ser excelente com a bola nos pés, e outra é ser o “país do futebol” porque ele se tornou a única prioridade nacional.

Nossa frustração com a derrota de duas semanas atrás e com a ideia mais ampla de que o nome “Brasil” já não é sinônimo de grande futebol é uma demonstração implícita de que somos atraídos pela excelência, individualmente e coletivamente, embora nem sempre nos demos conta disso. Reconhecer essa nossa vocação é o primeiro passo para trabalhar em busca dela – esforçando-nos para ser pessoas melhores, revendo nossas prioridades, criando as condições para que os talentos aflorem nas mais diversas áreas, prestigiando o que merece ser prestigiado e repudiando o que merece ser repudiado. Só assim teremos muitas outras razões de orgulho e inspiração.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A VIAGEM

A estação deserta após viagem

A viagem da volta ao final das férias, sempre vai ser muito diferente e menos emocionante que a viagem da chegada para viver o período de férias. Férias escolares, explique-se.

Na chegada, há lágrimas. Lágrimas de alegria.

Na viagem da volta, também há lágrimas. Lágrimas de tristeza, de despedida.

A chegada é feita com flores de boas-vindas. A viagem da volta leva sempre malas abarrotadas de tristezas e da saudade que começa a bater naquele instante.

A estação vive festa para a viagem de chegada.

A estação cresce impulsionada pelo fermento da alegria. Na viagem da volta, a estação se entristece, se apequena, diminui.

A viagem será sempre uma viagem.

* * *

A espera

A espera do encontro poético

Esperei, conforme combinamos.

Escolhi um dos melhores locais para esperar-te, conforme tens demonstrado nas nossas (mais tuas que minhas) comunicações.

Esperar é ter a certeza da tua presença.

É como a rima de um soneto, e de uma poesia, cuja ausência gera um descontrole – e o encontro e a poesia não se completam.

Esperei, conforme combinamos.

Escolhi um lugar onde as flores estavam vicejantes, bonitas, tanto quanto tu e a tua presença.

Enquanto esperava, e, sentindo a tua ausência, colhi flores que tinham o teu perfume – talvez por isso a tua demora me fez entristecer..

Esperei, conforme combinamos.

Não combinamos tua demora, tampouco tua ausência.

Escolhi um bom banco, onde havia as flores mais lindas e perfumadas. Os lampiões desenhavam o entorno de uma neblina fraca. Pouco sabiam que eu estava te esperando, conforme combinamos.

A neblina virou chuva. Os lampiões acendiam e apagavam sinalizando que não virias, e fui embora.

Molhado.

Triste.

Cabisbaixo, mas consciente que te esperarei. Se combinarmos.

* * *

A semente semeada

Semear sementes é dar chances à vida

“Porque, assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Soberano, o Senhor, fará nascer a justiça e o louvor
diante de todas as nações.”

O que você semear, nascerá.

E o fruto, doce ou azedo, chegará até você.

Alguém que caminhou pelo deserto, passou sede e sofreu fisicamente, pelas mãos divinas alcançou a “Terra prometida” – e é chegada a hora de semear a boa semente. Essa nascerá e servirá de alimento para muitos.

O bezerro de ouro edificado com o vosso sangue e a vossa adoração, perecerá.

O despertar será renovado – porque de Deus, ninguém zombará.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Domingo é dia de pescaria….

Hoje não. Hoje o dia e de final da copa 2026.

Duelo entre Espanha e Argentina.

Querem mais? Dois timaços.

Como virá a Argentina? Pronta pra catimbar ou jogará o jogo bonito e disputado que merecemos assistir.

E como virá a Espanha? Na retranca ou partindo pra cima já desde o início.

Olmo que capriche na caneleira!

E “vamu qui vamu” que logo mais vem a contagem regressiva para o início da partida.

Espanha, Espanha, Espanha!!!

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ASSUNTO ATUAL

Em quase todos os estados já temos candidatos definidos às eleições gerais de outubro próximo. Olhando, friamente, para o quadro, vê-se que ele é, infinitamente, desanimador. O Nordeste dificilmente se livrará o manto “sagrado” que lhe cobre há muito tempo. Em alguns casos, tem-se duas candidaturas onde os candidatos, abertamente, brigam pelo apoio do atua presidente. Alguns desses casos chamam bastante a atenção.

No Ceará, por exemplo, Ciro Gomes resolveu concorrer ao governo, mesmo tendo recebido um convite de Aécio Neves para participar da corrida nacional. Ciro, nas últimas eleições gerais, ficou em 3º lugar com uma quantidade de votos bem inferior ao seu ego. Agora, resolveu confrontar Elmano, governador atual, petista, bancado por Camilo Santana e com o estado entregue às facções criminosas, com indicadores de violência absurda, coroando-se, recentemente, com uma plantação de maconha de alguns hectares, coisa de dar inveja. Mas, rolo maior surgiu com a escolha do candidato ao senado. A chapa de Elmano queria que Cid Gomes concorresse para confrontar Ciro Gomes, mas até a semana passada, a posição de Cid era apoiar um candidato chamado Júnior Mano.

Como as coisas são esquisitas na política brasileira, a Polícia Federal divulgou que Júnior Mano estava envolvido em ato de corrupção, decorrente de desvios de recursos de emendas parlamentares cujo destino foi compra de votos. Não está só! Ao seu lado, tinha o prefeito de Xoró, Bebeto do Xoró, acusado de ser integrante do PCC e que, segundo as notícias, estava foragido. Não tem como acreditar na recuperação desse país com fatos dessa natureza.

Uma questão bem definida é o caso de São Paulo. Tarcísio de Freitas tem total condições de fechar essa conta no primeiro turno. Primeiro ele faz um governo competente, com entregas, projetos, investimentos bem definidos. Em segundo lugar, o adversário principal dele, ex-ministro da fazenda, não reúne as menores condições de governabilidade. Foi acusado pelo chefe se ser responsável pela famosa taxa das blusinhas. Aquela taxa sobre compras importadas que era responsável por 35% do faturamento dos Correios.

A atenção se volta para eleição ao senado. Simone Tebet e Marina Silva, se eleitas, irão contribuir para manutenção do estado de dependência do legislativo diante do judiciário. Enquanto não houver maioria da oposição no senado, a chance de um impeachment de algum ministro do STF é zero. Pior que isso, é a que o próximo presidente indicará 4 ministros para a suprema corte. Não é fácil. Se o presidente atual for eleito, seguramente, acabou para o Brasil.

Um ponto importante da oposição na campanha presidencial é a desagregação. A vaidade não permite que as pessoas se reúnam em torno de um projeto, mas em torno de nomes. No meu entendimento, poderia se construir um gabinete, a exemplo dos países parlamentaristas, e tratar da reconstrução do país. Não apenas do ponto de vista econômico e fiscal, mas de moralidade, de integridade, de visão do futuro. O melhor nome da oposição atualmente é, sem dúvida, o de Tarcísio de Freitas, por tudo que ele tem feito em São Paulo. Mas, a chance que ele teria seria muito reduzida pelo fato de ser conhecido mais nas outras regiões, embora isso não signifique nenhum óbice. Ele decidiu com base nas variáveis disponíveis: reeleição mais ou menos tranquila x candidatura com pouca chance de emplacar. Eu não acredito que Tarcísio seria indicado por Bolsonaro, por exemplo.

Quem quer seja o candidato da oposição, se quiser se eleito, precisará ter votos nas regiões sudeste, sul e centro-oeste, em fração superior aos votos do nordeste, ou seja, vamos partir do pressuposto que a oposição terá, no nordeste, 20% dos votos válidos. Na eleição de 2026, teremos 158.765.463 eleitores aptos para votar, mas se considerarmos as abstenções em 20%, os votos válidos serão 127.012.370 milhões de votos válidos. Metade disso, representa 62,152 milhões, portanto, digamos que 50% dos votos válidos representam 63.506.185 votos, portanto, basta um voto a mais para se ganhar a eleição.

A região Nordeste tem 43.538.279 votos e 20% disso representa, 8.707.656, ou seja, vamos considerar que o presidente atual teria 34.630.623 votos. Isso significa que os votos das demais regiões terão que superar essa diferença. Se não fizer, adeus Brasil.

DEU NO JORNAL

TARIFAÇO

O governo Lula (PT) trabalhou claramente pelo tarifaço de 25%, valioso para campanha de reeleição, e aproveitou para esconder dos brasileiros os 67% impostos pela China à carne bovina exportada pelo Brasil.

A conclusão é óbvia: a negligência não foi só frente ao tarifaço dos Estados Unidos. É sistêmica.

Adotar populismo antiamericano e silenciar diante do tarifaço da China, que afeta diretamente o agronegócio — motor da economia — revela viés ideológico e não “defesa da soberania”.

Em vez de negociar, Lula atacou Trump, atribuiu o tarifaço a opositores, para xingá-los “traidores da pátria, mas nada diz sobre a China.

Enquanto os EUA adicionam 25% às tarifas, a China foi cruel, taxando violentamente o principal item de exportação do Brasil para aquele país.

A China impõe à carne cota anual baixa, atingida em junho, e adiciona sobretaxa de 55%. Total: 67%.

Tiete da ditadura chinesa, Lula se calou.

Nos dois casos, o País paga a conta por depender excessivamente de commodities e pelo governo negligente, populista e eleitoreiro no poder.

* * *

Os três adjetivos que fecham a nota aí de cima, definindo o gunverno luloso, resumem tudo:

Negligente, populista e eleitoreiro.

E tem mais outros.

Muitos outros mesmo, como bem sabem os nossos leitores.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS