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IRRESPONSABILIDADE TOTAL

O presidente Jair Bolsonaro fez passeio de moto neste domingo (9) de Dia das Mães.

Ele foi acompanhado por cerca de 3 mil motociclistas, segundo policiais ouvidos pelo UOL.

Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada nesta manhã e andou por regiões do Plano Piloto de Brasília, a área central da capital, como a Esplanada dos Ministérios e a Asa Norte.

* * *

Acreditem: ele estava sem máscara.

Seguido por uma irresponsável manada de milhares de cabeças de gado motorizado.

Que absurdo! Quanto descaramento!

O STF precisa tomar uma medida urgente e exigir explicações sobre tamanha irresponsabilidade.

Vamos lá Barroso! Vamos lá, Fachin! Vamos lá, Gilmar!

Vamos lá todos os onze.

Bolsonaro tem que ser punido pela nossa mais alta corte.

E ele ainda chegou ao cúmulo de fazer uma postagem no seu Twitter.

Uma verdadeira ofensa a todas as mães deste país, neste domingo que é delas.

Vejam só:

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MÃE – Bastos Tigre

Mãe – doce monossílabo que encerra
Um mundo de carinho e de bondade.
É um sorriso de Deus que desce à Terra,
Espalhando alegria e claridade.

Coração que não mente e que não erra,
Meiga voz que consola e que persuade,
Verde ramo de paz no lar em guerra,
Arco-íris que põe termo à tempestade.

Por mais que sofra, nunca desespera.
Não se cansa, jamais, por mais que lide,
E, em vindo o inverno, esplende em primavera.

E como o seu amor não há nenhum:
Quando por muitos filhos se divide,
Fica inteirinho para cada um.

Manuel Bastos Tigre, Recife-PE (1882-1957)

A PALAVRA DO EDITOR

UM DOMINGO TRANQUILO, BONITO E SEM SOL

O sol hoje estava com preguiça e não deu as caras no Recife neste domingo.

De manhã chegou a chover, e eu não pude dar a minha caminhada diária, aqui no térreo do edifício onde moro.

Não precisei nem de regar as plantas do terraço: as bichinhas já estavam bem úmidas.

Já parou de chuviscar, o tempo está limpo, mas o sol continua escondido.

A benção, Quiterinha!

Um beijão pra tu nesse dia das mães!

E um beijo pra todas as mães fubânicas e também pras mães dos nossos queridos leitores.

Uma excelente noite de domingo pra todos vocês!

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ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

A rede que hoje eu durmo
Tem um cheiro diferente
Da que eu tinha em minha infância
Com meu irmão inocente
Que tinha o cheiro das mãos
De mãe balançando a gente.

Geraldo Amâncio

Branca, preta, pobre e rica,
Toda mãe pra Deus é bela;
Acho que a mãe merecia
Dois corações dentro dela:
Um pra sofrer pelos fillhos;
Outro pra bater por ela.

João Paraibano (1952-2014)

Mãe casada ou mãe solteira
Pra mim as mães são iguais;
Se alguém quiser descobrir,
A falta que uma mãe faz.
Não pergunte a quem tem mãe,
Pergunte a quem não tem mais.

Raimundo Caetano

A mãe dá carinho ao pai
Ao filho que é mais profundo
Seu instinto é de zelar
O seu amor é fecundo
É a primeira professora
Que a gente tem nesse mundo.

João Santana

Pai vinha de São José
Com uma bolsa na mão
Minha mãe abria a bolsa
Me dava a banda de um pão
Porque se desse o pão todo
Faltava pro meu irmão.

Valdir Teles (1955-2020)

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J.R. GUZZO

NINGUÉM QUER RESOLVER

Ninguém no Brasil está minimamente satisfeito, embora possa estar conformado, com os impostos que tem a pagar. Nem quem ganha salário, nem o consumidor, nem as empresas – que, aliás, mal conseguem se manter vivas e dentro da legalidade no regime de extorsão permanente por parte do Estado a que todos têm de se submeter. Quando o cidadão pensa no serviço miserável que recebe de volta, então, a coisa passa do péssimo para o mais péssimo. Paga-se muito, paga-se errado, paga-se de forma frequentemente estúpida – e não se recebe nada que justifique os 150 dias de trabalho, em média, que o brasileiro tem de entregar a cada ano só para pagar imposto. Ou, então, o que se recebe é tão pouco, mas tão pouco, que fica difícil perceber a diferença.

Neste ano, até o começo do mês de maio, o Brasil já tinha pago mais de R$ 920 bilhões em impostos; o primeiro trilhão de 2021 (e olhe que nem se chegou à metade do ano) já está à vista – isso num momento em que a economia está andando a quase zero por hora, e pelo segundo ano em seguida, por causa da covid e das restrições que vieram com o “distanciamento social”. É dinheiro, e o preço pago é alto demais para a população. Basta pensar um minuto: durante cinco meses inteirinhos você rala e não vê um tostão do dinheiro que ganhou. Vai tudo para o bolso do governo. É melhor nem falar, a essa altura, no que o governo faz com a fortuna que toma a cada segundo da população – nem no tipo de coisas (e de gente) que o cidadão está pagando a cada vez que acende a luz de casa, fala no celular ou põe um litro de combustível no tanque.

Considerando-se a calamidade que os impostos são hoje para o público pagante, talvez se pudesse esperar, pelo menos, que os que recebem aquela montanha toda de dinheiro estivessem satisfeitos. Mas não estão. A União, os 27 Estados e os 5.500 municípios também estão infelizes; reclamam que é pouco, ou que deveriam estar recebendo uma parte maior que a parte dos outros, ou que o sistema não tem lógica, nem equilíbrio, nem justiça. De qualquer forma, todos reclamam que não têm dinheiro para comprar um rolo de esparadrapo – e como é que vão fazer para dar aumento aos 12 milhões de funcionários públicos que estão na folha de pagamento?

Se o brasileiro vive hoje numa situação análoga à de escravo, trabalhando quase metade do seu tempo só para sustentar a Casa Grande que é a máquina pública, e se a Casa Grande também está infeliz, seria de se esperar que os responsáveis diretos pela catástrofe estivessem trabalhando para mudar alguma coisa. Não pensando no pagador de imposto, que a classe estatal quer mesmo manter em regime de escravidão – mas pensando neles próprios, os donos do Estado. Nada mais falso. A reforma fiscal destinada a consertar uma parte do desastre está travada há dois anos no Congresso, e pelo andar da procissão vai continuar se arrastando. Na verdade, há não apenas uma, mas duas reformas inteiras em andamento. Só que nenhuma das duas sai realmente do lugar.

A Câmara tem propostas. O Senado tem propostas. O governo federal tem propostas. Os governos estaduais e municipais têm propostas. A “sociedade civil” tem propostas; enfim, só o pagador de imposto não tem proposta. Mais: cada uma dessas tribos tem as suas brigas internas, cada grupinho ou grupão tem os seus interesses próprios, e todos estão atrás de algum proveito para si. Dá para ver o tamanho da confusão quando o único ponto que une os diversos lados é sua insistência em dizer que “a reforma não vai resolver tudo”. Sempre que se começa a ouvir esse tipo de falatório, uma coisa é certa: ninguém está disposto a resolver nada.

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POR QUE NINGUÉM FICA DO LADO DA POLÍCIA E DA VÍTIMA

Alexandre Garcia

Uma grande operação policial na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, resultou na morte de 25 pessoas, incluindo um agente da Polícia Civil, atingido por um tiro na cabeça, nesta quinta-feira (6). O alvo foi o Comando Vermelho, mas é interessante ver como algumas pessoas e entidades logo se manifestaram contra a ação policial. Mas eles estão a favor dos policiais ou dos bandidos?

O ministro do STF Edson Fachin, por exemplo, anunciou que vai colocar em julgamento uma ação do PSB que quer obrigar o governo do Rio de Janeiro a elaborar um plano para diminuir a letalidade policial. Ou seja, que se mate menos bandidos.

O Ministério Público também disse que vai investigar a operação, criticada por entidades de direitos humanos. Aí o delegado, que era chefe do policial morto, afirmou que o sangue desse homem que deu a vida pela lei e pela sociedade está nas mãos dessas pessoas que ficam ao lado dos fora da lei e não do lado da lei.

Eu não sei por que ninguém fica do lado da vítima. É uma coisa incrível. Daqui a pouco vão dizer que esse moço que atacou e matou uma professora, um agente de ensino e três crianças lá na creche em Saudades (SC) é vítima da sociedade. Vão transformá-lo em vítima e culpar a sociedade.

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DE QUE LADO A JUSTIÇA ESTÁ?

O juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, absolveu o ex-presidente Michel Temer e os ex-ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco na ação penal do “quadrilhão” do antigo PMDB. Absolveu também os ex-deputados Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, Henrique Alves e Rodrigo Rocha Loures – aquele flagrado correndo com uma mala de rodinha cheia de dinheiro. A denúncia havia sido feita pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

É a mesma vara, presidida pelo mesmo juiz, que em dezembro de 2019, absolveu Lula, Dilma Rosseff e os ex-ministros Antonio Palocci, Guido Mantega e Edinho Silva, atual prefeito de Araraquara (SP), no processo do “quadrilhão do PT”. E o magistrado usou o mesmo argumento de agora, citando um suposto abuso da acusação.

Aí a gente fica pensando: mas de que lado a Justiça está? Do lado dos bandidos, dos corruptos, dos agressores? E por que não do lado da vítima? Parece que ninguém fica do lado das vítimas, que pagam seus impostos em dia, mas ficam à mercê de grandes quadrilhas, que fazem o que querem, distribuindo drogas para a juventude…

Eu acho muito estranha essa inversão de valores. Se for intencional é para destruir a família, para acabar com a célula básica de um país; e para acabar com a religião, porque aí destrói também os valores de um povo. Talvez seja esse o objetivo, porque tem que ter um objetivo.

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CPI ABRAÇA A OBVIEDADE

A CPI da Covid virou aquele palanque político que a gente já imaginava. Chegam ao ponto de destacar como bombástica uma frase do ex-ministro da Saúde Nelson Teich: “Foi Bolsonaro que indicou o Pazuello”. Ora, certamente não foi Lula, porque o Lula não era o presidente da República. Certamente não foi Joe Biden, porque ele é presidente dos Estados Unidos, não é do Brasil.

Mas se é o presidente do Brasil quem indica seus subordinados, é óbvio que a escolha de Eduardo Pazuello para o Ministério da Saúde foi de Jair Bolsonaro. Qual a surpresa? Ainda ontem conversava com o ex-ministro Jair Soares e ele me dizia que quando aceitou convite para ser ministro, sabia que quem manda é o presidente porque é ele que foi eleito para governar. Soares disse: eu não fui eleito para ser ministro.

É isso! São coisas óbvias, mas parece que a CPI abraça a obviedade. Eles vão lá repetem tudo que a gente já sabe, tudo que já disseram quando saíram do ministério. Mas a gente sabe qual é o objetivo? O objetivo é a eleição do ano que vem.

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