André Mendonça logo se firmou como um dos mais admirados ministros do Supremo, por sua coragem, decência, rigor técnico e serenidade nas relatorias das fraudes bilionárias contra aposentados do INSS e clientes do Banco Master, atingindo poderosos em cheio, incluindo colegas.
A turma que compartilha o poder no Brasil – Lula (PT), lulistas do STF e o presidente do Senado – tentam a isolar Mendonça, mas isso o fortalece: quanto mais o sistema estrebucha, mais a opinião pública o vê como juiz que não se dobra aos poderosos e inspira temor em cada um deles.
A firmeza com que enfrenta o dilema de investigar o poder ou preservar o poder é o que o tornou, para os brasileiros, figura de confiança.
Agora, aonde chega, em eventos jurídicos ou nos cultos semanais de sua igreja em São Paulo, o tímido ministro André se vê ovacionado.
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Os adjetivos contidos no primeiro parágrafo dessa nota aí de cima, resumem tudo:
Venho buscando, desta vez, historiar, focando bases e formas de comunicação humana, através dos tempos. Mas, vale adiantar: que as teses são complexas.
Entendo que em tempos recuados, quando os hominídeos habitaram a terra, aqui chegaram de uma só vez; porém, sob a forma de tribos, distribuídas distintamente entre raças e lugares.
Convenhamos que minha tese se concentre na afirmativa de que a terra foi povoada por brancos, negros, vermelhos e amarelos, que ocuparam os vários continentes e foram se integrando, atrvés da Comunicação, até os dia atuais, conforme veremos.
Mas como teriam feito essa integração entre as raças e desbravado os continentes?
Bem, entendo que, os peixes e os pássaros chegaram primeiro. Muito antes de Adão e Eva, que é conversa pra boi dormir. Na sequência, surgiram nossos ancestrais, divididos nas várias raças que hoje temos conhecimento.
Depois, de algum artefato misterioso, desembarcaram por aqui os primatas. Mas, para continuar tenho que apelar para Charles Darwin, aceitando sua “Teoria da Evolução das Espécies por meio da seleção natural”. E como diria o cômico “Gordurinha”: “O primata perdeu o rabo e virou homem. Vá la…
Os macacos das várias espécies foram ficando, mas mantiveram seus “quadrados”. Árvores, frutos e peixes, davam no meio das canelas. Nem precisavam fazer feiras, ter dinheiro, essas coisas. Aí, depois de uma porrada de anos, chegaram os casais. Começou a confusão!
Das cavernas, saiam ao amanhecer, para procurar o “café da manhã”, depois o almoço e em seguida o jantar. E comendo, comendo, tiveram que ir andando para outros lugares onde havia mais mangas, cajus, laranjas, etc.
Chega-se à conclusão que esse primeiro grupo de “candidatos a indígenas”, por acaso executaram a primeira “experiência sonora” do nosso planeta: a cacetada.
Usaram toras de pau, que batendo umas sobre as outras, provocavam sonoridade e espantavam os pássaros.
Inaugurava-se a “Comunicação de Massa”. Rolou mais outra porrada de tempo até que essa primitiva tribo se aproximou de outra. E, como as entrevistas de Marília Gabriela, diante do “Cara a Cara”, surge a emoção e com ela a lágrima.
Pois é, esse notável H2O, pingado diretamente do globo ocular, cascateando rosto abaixo, foi demonstrativo do sentimento maior, que jamais foi evidenciado pelo coração ou pelo fígado.
Pode ter sido a 2ª forma de Comunicação em nosso planeta: a “Lacrima Christi”, a emoção divina, que depois de avacalhada, virou até nome de vinho, lembrando a música de Humberto Teixeira: “Chorou por mim não fica, soluçou vai pro borná”.
A partir dessa fase de mistura das tribos, os maridos que desejavam chamar as eposas quando estas estavam tomando banho lá pras bandas do rio Ganges, os pretos tocavam os cacetes nas toras, provocando uma espécie de sirene, para chamá-las.
Anos mais avançados, depois de muitas andanças, as tribos foram se misturando, e a moçada tirando uma “casquinha” aqui, outra ali, e a mulherada foi embarrigando. Estava descoberta a “mistureba”: a sedução, o coito, o amor, o chifre e a sacanagem.
E – botemos anos nisso – foram as tribos descobrindo outros semelhantes, terras e continentes. Aí, por onde iam passando, melavam os dedos no barro molhado e lambuzavam as pedras, criando a linguagem dos sinais: o sol, os veados, os pássaros. Ou seja, deixando seus rastros, através de imagens pictóricas.
E em novos encontros já se evidenciava a confiança, representada pelo abraço, o sorriso, o oferecimento. Quando outras raças foram se encontrando surgiu a Comunicação de verdade, embora representada por garatujas que só os amarelos conheciam: o mandarim.
Outra tonelada de anos e aparecem as novidades: a escrita à mão, os tipos móveis de Gutenberg, a prensa e muito mais tarde, a máquina-de-escrever, e o jornalismo, que meu colega Wladimir Maia Leite chamou: de “O Ofício da Busca.”
Mas, para “jornalistear” foi preciso inventar o estudo, o diploma, o “furo”, o “foca”, os novos verbetes: mídia, blogueiro e até esse tal de Influenciador. Logo na sequência, as letras que eram impressas através da fita e hoje, letras-de-luz do computador.
E nesse emaranhado de novidades, me sinto perdido operando uma dessas máquinas que levam nossas mensagens, respondem nossas questões e corrigem pequenos erros, além de não exigirem tinta nas telas. E tudo isso forma o pacote de uma ciência que nos dias atuais se tornou tão necessária: à Comunicação Social.
Alexandre de Moraes e seus aliados dentro do Supremo Tribunal Federal estão em guerra aberta contra o colega André Mendonça, devido à sua decisão corajosa de retirar o sigilo sobre o relatório da Polícia Federal que traz as mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes e evidenciam uma relação de proximidade e confiança inaceitáveis entre um magistrado de suprema corte e um banqueiro investigado por essa mesma corte. Enquanto o próprio Moraes reage usando a mesma arma que já tem sido empregada com sucesso há sete anos, o decano Gilmar Mendes abandona totalmente o pudor institucional e cruza a Praça dos Três Poderes para alistar o presidente Lula na guerra dos intocáveis contra um raro ministro que ousou expô-los.
Os esforços de Gilmar Mendes para melar as investigações do caso Master já são bem conhecidos: foram dele as decisões que blindaram totalmente os negócios dos irmãos Toffoli, e foi ele quem, no julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva de Vorcaro, deixou plantadas várias sementes que podem se transformar em futuras nulidades. Agora, ele foi ao presidente do STF, Edson Fachin, para pedir o fim da atuação de delegados da Polícia Federal em gabinetes de ministros. Foi um arranjo que funcionou muito bem quando esses delegados estavam a serviço da perseguição movida pelos supremos contra seus desafetos, mas que se tornou inconveniente quando André Mendonça passou a contar com dois delegados para ajudá-lo a conduzir as investigações sobre o Master e sobre o roubo dos aposentados do INSS.
Mas ainda pior foi a atitude do decano na terça-feira, dia em que as mensagens de Vorcaro a Moraes foram conhecidas por todo o país. Segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo, Gilmar se encontrou com Lula para orientá-lo em relação à conduta da Polícia Federal (subordinada ao Ministério da Justiça) nas investigações do Master e da fraude na Previdência – um caso de interesse direto do presidente, pois seus desdobramentos colocaram sob investigação Lulinha, um dos filhos do petista. Na reunião, de acordo com o Estadão, Gilmar defendeu que a Polícia Federal não cumpra ordens “ilegais” (e a pergunta é: ilegais na avaliação de quem?), seja recorrendo ao Judiciário, seja costurando soluções extraoficiais entre o ministro da Justiça, o presidente do STF e o diretor-geral da PF.
Em português claro, o decano do Supremo Tribunal Federal está conspirando com o presidente da República para atrapalhar duas investigações – uma, que pode complicar o próprio presidente, caso se comprovem crimes cometidos por seu filho; outra, que escancarou as relações promíscuas entre um aliado do decano na corte e um banqueiro acusado de uma fraude de dezenas de bilhões de reais, com direito a pedidos de proteção. É o tipo de conchavo que não se observa em nenhum país institucionalmente normal – e, a bem da verdade, também não deve existir nem sequer em alguns países institucionalmente disfuncionais.
Enquanto isso, Alexandre de Moraes parte para o contra-ataque ele mesmo, sem terceirizar toda a reação para seus aliados na corte. Como um Simão Bacamarte do direito, disposto a internar o Brasil inteiro dentro do inquérito das fake news, o amigo de Vorcaro pediu a Fachin que Mendonça seja incluído na investigação ampla, geral e irrestrita na qual Moraes coloca todos os que o contrariam. No pedido, Moraes fala em “produção de provas para falsa imputação de crime” e “favorecimento a determinados grupos políticos”. Convenhamos, disso tudo Moraes entende muito bem, como demonstraram sua atuação no TSE em 2022 e as denúncias do whistleblower Eduardo Tagliaferro. Mas, no contexto atual, ironicamente, o que poderia esclarecer se há falsas imputações de crime seria justamente a investigação que Mendonça pretende pedir; e fica subentendido, pela argumentação de Moraes, que certas investigações não deveriam acontecer em período eleitoral, o que é absurdo. Um pedido sem pé nem cabeça, que tenta criminalizar atos jurisdicionais, e para o qual a única resposta decente é a rejeição.
Não estamos diante de uma disputa entre dois lados moralmente idênticos, e que têm divergências legítimas. Estamos diante de uma luta entre um ministro disposto a investigar, sem segredos nem acobertamentos, a rede de influências, amizades e ilícitos montada por Daniel Vorcaro, e ministros dispostos a enterrar tudo isso, aproveitando a experiência conquistada no desmonte da Lava Jato. O momento pede coragem – do presidente do STF, Edson Fachin; dos demais ministros que não estão comprometidos (no pior sentido) com Moraes ou o próprio Vorcaro; dos agentes e delegados da PF, e dos membros da Procuradoria-Geral da República que não estão dispostos a colaborar para o fim das investigações; da opinião pública; e dos senadores, porque, pelo andar da carruagem, um impeachment de ministro do STF ainda será pouco.