SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

SEGUE DISCURSANDO

Lula (PT) segue discursando como sindicalista dos anos 1980, posando de defensor dos “trabalhadores”, mas este 1º de Maio de 2026 expõe o fosso entre retórica e realidade.

O salário mínimo reajustado em risíveis R$ 103, para R$ 1.621, que mal repõe a inflação, oferece ganho real de míseros 2,5%.

Ele admite, em público, que o valor “é muito baixo”, mas nada faz sobre isso.

A política de “valorização” do mínimo, retomada em 2023, era só outra lorota, e virou uma rotina de correções modestas.

Piso salarial como instrumento de dignidade, bandeira do PT, converteu-se em “ajuste técnico”, insuficiente para recompor o poder aquisitivo.

Trabalhadores formais, informais, aposentados e pensionistas do INSS sentem no bolso o mesmo aperto de sempre.

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Trabalhador que fez o L deve estar se rindo-se de felicidade com essa politiquice salarial do gunverno petêlho.

A alegria domina o país inteiro!

Acreditar em promessa de mentiroso é igual dar conselho a doido: pura perda de tempo!

ALEXANDRE GARCIA

A MATEMÁTICA DE ALCOLUMBRE FUNCIONOU, E O SENADO RECUSOU MESSIAS NO STF

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Davi Alcolumbre, presidente do Senado, durante análise do veto de Lula à Lei da Dosimetria

“Eu acho que vai perder por oito”, disse o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, para o líder do governo, Jaques Wagner, antes da votação. 42 menos 34 dá oito. Foi 42 a 34, e Alcolumbre sabia exatamente quem ia votar e como. E Jorge Messias foi rejeitado depois de esperar cinco meses desde a indicação de Lula. Lula perdeu, o governo perdeu. Para comparar, dos que estão atualmente no Supremo, o mais votado foi Luiz Fux, que passou por 68 votos a 2. A votação mais apertada foi a de André Mendonça, aprovado por 47 a 32. Tivemos quatro ausências. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) e Cid Gomes (PSB-CE) estavam fora de Brasília. Mas o que eu não entendi foram as ausências do Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e de Wilder Morais (PL-GO), que estavam no Congresso e não votaram.

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Articulação política, aborto e censura pesaram contra Messias

Não se tratou de avaliar o notável saber jurídico de Messias; foi uma votação política. Mas o fato é que o governo perdeu, e Messias caiu também por causa daquele parecer sobre o aborto, e pela censura promovida por aquele órgão que ele criou dentro da AGU para fiscalizar redes sociais. A Constituição garante, no artigo 220, a livre manifestação do pensamento e das notícias.

O Conselho Federal de Medicina, aliás, ao ver toda essa mobilização contra Messias por causa do parecer que resultou na suspensão da proibição da assistolia fetal, foi ao Supremo pedindo que a corte decida isso de uma vez. A resolução do CFM está suspensa desde 2024 por uma liminar de Alexandre de Moraes, que ainda não foi submetida ao plenário. Já está na hora, porque já se passaram dois anos. Quantos bebês morreram nesse período, pelo método da assistolia fetal?

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Depois de perder com Messias, Lula perdeu na análise do veto à dosimetria

A derrota do governo se repetiu na quinta-feira, quando o Congresso derrubou o veto do presidente, por uma votação ainda maior que aquela que aprovou a Lei da Dosimetria, vetada por Lula. Eram necessários 257 votos de deputados para derrubar o veto, e foram 318 – na aprovação da lei haviam sido 297. No Senado, eram necessários 41 votos para derrubar o veto, e foram 49; na votação que aprovou a lei foram 47. O Congresso falou forte e o governo mostrou que está sem força – um motivo para Lula avaliar bem a sua vontade de ser reeleito.

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Empreiteiro da “farra dos guardanapos” também estava no jatinho que veio de Sint Maarten

Falei aqui ontem do “aviãozinho do tigrinho” que veio de um paraíso fiscal do Caribe, trazendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira, e mais dois deputados, com malas que não passaram pela alfândega. Não comentei, mas lembrei depois, que entre os passageiros também estava Fernando Cavendish. Você se lembra dele? Foi ele quem fez a dancinha em Paris, com guardanapo na cabeça, ao lado de Sérgio Cabral, e que estava envolvido na Lava Jato e foi condenado. Para vermos que a nossa crise é de falta de vergonha também. As pessoas se expõem, acham que isso é normal essa falta de boa conduta, de decoro.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

NOTÍCIAS DE PORTUGAL

Lisboa. Hoje, notícias sobre Portugal que fazem lembrar (um pouco, ou muito) nosso Brasil.

BURCA. O Parlamento português acaba de aprovar lei que “proíbe o uso de burca e outras vestimentas que ocultem os rostos em espaços públicos”. O que vale, inclusive, para funcionários públicos. Em defesa da “dignidade da mulher”. Na linha de outros países europeus como Áustria, Bélgica, Dinamarca, França e Holanda. Multas, para quem descumprir, podem chegar a 25 mil reais.

EUTANASIA. A espanhola Noelia Castilho, 25 anos, depois de longa batalha judicial, conseguiu autorização para fazer. A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha confirmou que atendia a todos os requisitos da lei, por ter “uma doença crônica e irreversível” e “sofrimento crônico e debilitante”. O Supremo Tribunal de Madrid confirmou seu pedido. E o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) de Estrasburgo não se pronunciou, quanto ao mérito da questão. Desde quando aprovada essa lei, ao final de 2024, já 1.123 pessoas sofreram eutanásia na Espanha. Noélia morreu no hospital catalão de Sant Pere de Rieles, próximo de Barcelona. O que mais doeu foi sua derradeira frase, dita antes de partir,

– Quero morrer em paz agora, parar de sofrer. É só isso.

Descanse em paz, pobre menina.

GÊNERO. Nos últimos 7 anos, 3.290 pessoas trocaram de gênero em Portugal. Homens que deixaram de ser, e mulheres idem. Ocorre que, em 2018, mudou a lei, que passou a incluir menores com 16/17 anos. E, desde então, já 323 deles mudaram de gênero. Tão cedo? Isso está certo?

INDENIZAÇÕES. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), considerou que numerosas celas nos presídios portugueses são consideradas “desumanas”. Janelas sem vidro, água escorrendo pelas paredes, percevejos, pulgas. Os presos têm que por garrafas d’água tapando buracos, que servem como latrinas, para evitar que ratos entrem à noite. A condenação é de mil euros por cada mês de detenção em tais celas. O que já obrigou o governo a pagar 1,5 milhões de euros (10 milhões de reais) a 14 condenados. Preocupação é que o Tribunal tem ainda, por julgar, 850 queixas pendentes. Se o sistema for aplicado no Brasil…

OMBUDSMAN. O jornal Público é o primeiro, em Portugal, a ter um ombudsman, João Garcia. Por aqui se chama “Provedor”. E sua primeira coluna, este ano, foi sobre o personagem francês de band designer, Asterix. Prova de que tem bom gosto.

PRESOS. Em Portugal, podem votar. Informando-se, apenas, com TV e Rádio. Sem mídias sociais. Mas o desinteresse é grande. Apenas 2.900 se inscreveram para as eleições presidenciais de 18 de janeiro deste ano, que elegeu Seguro.

SUICÍDIO. O Publico LX trás notícia curiosa, com título

– A estranha tese de suicídio de um banqueiro português.

Trata-se de Pedro Ferraz Correia dos Reis, administrador do Banco BCI. Morto, em Maputo (capital de Moçambique), com facada nas costas “à entrada da casa de banhos do Hotel Palama”. Além de apresentar múltiplos cortes de faca nas mãos, no pescoço e numa coxa. Mais próprio de alguém que lutou, com terceiro, tentando se defender. Segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal local, “não há nenhuma dúvida sobre ter sido suicídio”. Foi mesmo??? Faltando explicar como conseguiu dar essa facada nas próprias costas!!!

SUPREMO DO BRASIL. Local, farmácia do Chiado, na Rua Garret. Dia, uma sexta-feira. Hora, 11:30hs. Lá estávamos para que Maria Lectícia, com receita na mão, pudesse comprar Monjaro. Soares, conhecido nosso de muitos anos, estava atendendo um cliente à nossa frente, na fila. Virou-se para o tal cliente, e disse

‒ Manoel (não perguntei sobrenome), conheça esses amigos brasileiros (Lectícia e eu).

‒ Só que são pessoas de bem, espero,

respondeu o da fila. Observei

‒ Não estou a entender (portugueses não gostam de gerúndios).

‒ Estou a falar é do … (e deu nome de um ministro do nosso Supremo).

‒ Perdão, senhor, mas o que aconteceu?

‒ Critiquei o judiciário brasileiro (não nos disse a razão), me chamou de “filho da puta”, meti as mãos no seu peito, caiu, fui pra cima dele e seus seguranças vieram por cima de mim.

‒ Então?

‒ Confusão danada, acabamos todos na Delegacia.

‒ E como foi, por lá?

‒ Depois de algum tempo, o policial disse não haver “testemunhas idôneas” – nem do “filho da puta”, nem da agressão, e nos mandou embora.

Fim do registro, dito Manoel saiu. Fosse no Brasil, e mesmo sem testemunhas, teria sido processado pelo Supremo e condenado a 17 anos de prisão, pelo menos. Após o que recebemos o medicamento, pagamos, nos despedimos do amigo Soares e fomos na direção da Havaneza, bem perto, em busca de charutos cubanos. Verdade ou fake? essa história pelo cidadão contada, eis a questão. Só as partes poderão confirmar. Mas os diálogos na farmácia, com certeza, foram esses. Estranho só é que nada saiu na Grande Mídia brasileira.

VATICANO. Manchete, no Publico, diz “Vaticano dá puxão de orelhas nos bispos portugueses”. Porque, passados três anos do Relatório Final (nomeado Dar voz ao Silêncio) que revelou abusos sexuais de crianças por mãos de membros da Igreja Católica no país, só agora começaram a ser pagas indenizações às vítimas, fixadas por uma comissão de Fixação de Compensação (CFC). Engraçado é que o IRS (o Imposto de Renda daqui) já avisou que, antes dos pagamentos, deve ser retido o tributo, por constituir “indenização por danos patrimoniais”. O leão do fisco é o mesmo em todos os lugares.Vamos ver como acaba.

VINHOS. Nuno, empresário de Famalicão, comprou em leilão uma garrafa de Romanée‒Conti Grand Cru, de 2016, por 33 mil euros (200 mil reais). Só que a corretora, Deno-Future Limited, quebrou. Apavorado, requereu à London City Bond informações sobre se sua querida garrafa por acaso sobreviveu nos estoques da corretora. E não são poucas. Lá estão, hoje, 168 mil garrafas. Não tenho pena do tal Nuno. Aqui, para pagar essa fortuna, só grandes empresários, donos de Sindicatos que exploram velhinhos do INSS, donos de resort amigos de Vocaro ou advogadas mulheres de certos Ministros.

DEU NO JORNAL

ACACHAPANTES

Foram acachapantes e simbólicas as derrotas humilhantes de Lula (PT) no Senado e no Congresso, o primeiro rejeitando Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o outro derrubando o veto presidencial ao projeto da dosimetria.

A vaga pretendida por Messias tem significado: era de Luís Roberto Barroso, criador de um bordão do ativismo judicial. Assim, o aliado de ontem tornou-se, involuntariamente, o autor da frase que resume a humilhação histórica imposta a Lula: “Perdeu, mané”.

Única iniciativa de conciliação nacional desde as sentenças raivosas do 8/Jan, a dosimetria faz justiça, mas o rancoroso Lula quer ver “sangue”.

Derrotando a dupla Lula/Messias, o Senado decidiu que há limites para o aparelhamento do Judiciário.

Messias carregava dois pesos mortos rejeitados: um histórico de ativismo radical de esquerda e o currículo considerado insuficiente até por aliados.

Barroso sai de cena deixando a vaga e o bordão. Lula fica com a frase, e a constatação amarga de que, desta vez, quem “perdeu, mané”, foi ele.

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É gratificante e animador começar o expediente com uma notícia ótima feito essa aí de cima.

No feriado do Dia do Trabalho, nada melhor que alegrar nosso ócio lendo essa nota.

Perdeu, Mané!!!

Se lascou-se!!!

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

ROSA DE MAIO

“Rosa de Maio” é uma famosa canção brasileira composta por Custódio Mesquita e Evaldo Ruy (às vezes grafado Ewaldo Ruy).

Essa música ficou eternizada nas vozes de intérpretes como Carlos Galhardo (gravação de 1947), Orlando Silva (1944) e Altemar Dutra.

É uma valsa lenta de estilo romântico, comum no repertório da era de ouro do rádio brasileiro.

Maio é considerado o Mês de Maria Santíssima e por isso, pela tradição católica, é o mês escolhido para realização de casamentos.

Mesmo assim, nem tudo são flores no mês de maio, pois acontecimentos lamentáveis ocorrem subitamente, sem aviso prévio, em qualquer dia ou hora, como a tragédia que vitimou o grande brasileiro Ayrton Sena, em 1 de maio de 1994, ficando essa data marcada para sempre, como uma data muito triste no nosso País.

Essa ocorrência dolorosa provocou uma comoção nacional, e o Brasil chorou, ao ver um grande ídolo sucumbir, levando com ele todos os seus sonhos.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O ASSALTO

Dona Zulmira teve dois filhos, dois Zé: Zé Miguel e Zé Gabriel, para diferençar chamou o menor de Zé Pequeno, o apelido pegou, até hoje os mais íntimos só o chamam de Zé Pequeno, sem cerimônia. Tornou-se um ótimo comerciante, chegado às mulheres, era solteirão convicto até a chegada de Jandira, uma gostosa prima, há muitos anos morando no Rio de Janeiro. Zé Pequeno ficou encantado com aquela vistosa mulher, loura, vestido decotado, divertida, sem meias palavras dizia o que vinha na cabeça, tetas exuberantes, sorriso desavergonhado. Escandalizou a família e o bairro. Era segredo o trabalho daquela jovem no Rio. Entretanto, Zé Pequeno sabia o que queria, sem preconceitos, terminou casando-se com a bela Jandira. Os amigos, os desocupados, previram um belo par de chifres no Zé Pequeno. Com sete meses de casados telefonaram para Zé Pequeno, fuxicando. Sua distinta estava de abraços com um rapaz, um surfista da praia da Jatiúca. Zé pegou-a saindo do motel. Não houve acordo, houve escândalo. Foi a crônica da galha anunciada.

Zé Pequeno passou um tempo se entregando aos cabarés. Certo dia entrou na sua loja de material de construção, Angelita, colega de infância, pouco estrábica, sem muitos predicados da beleza feminina. Logo Zé Pequeno casava novamente, sem medo de levar ponta.

Os anos se passaram, os dois se deram bem, cada qual no seu canto sem se intrometer na seara do outro. Angelita tem butique de moda jovem, ganha para seu sustento. Tiveram dois filhos. Entretanto, tem duas manias incuráveis: ciúme doentio pelo baixinho, seu marido, e neurótica da violência urbana. Ela lê tudo sobre assalto, assassinato, sequestro. É sua conversa predileta. Sabe de todas as histórias contadas no rádio, televisão e jornais. No fundo, ela ama o alarmismo da imprensa, parece que faz bem à sua mente, se alimenta de fatos tenebrosos. Reconta as histórias preferidas.

Numa bela tarde de sábado, Angelita foi a uma palestra sobre violência urbana, não poderia perder. O conferencista expôs sua teoria. A violência existe, entretanto, a maioria dos crimes está na faixa entre 16 e 26 anos, entre os traficantes, eles se matam por pontos de venda e lideranças. De repente perguntou à plateia quantas vezes alguém tinha sido assaltado e quantas pessoas conheciam que foram assaltadas. Apenas duas mulheres se pronunciaram. Angelita pensou, tentou relembrar algum caso com algum amigo, não lembrou. Foi para casa decepcionada, não conhecia um parente, um amigo que foi realmente assaltado, frustrante para sua neura.

Nessa mesma tarde, Zé Pequeno telefonou para uma amiga moradora do Trapiche, cafetina das melhores garotas de programas da cidade. Apanhou a jovem, bonita, alta. Janice, a alcoviteira, sabia o gosto do cliente. Levou-a para um motel. Tarde agradável, alguns uísques, até que na hora do banho ZÉ Pequeno escorregou, caiu de costa, nuca no chão, abriu-lhe a cabeça, o sangue jorrou. Foi ao Pronto Socorro, sutura, alguns pontos na cabeça. Zé começou a pensar o que dizer em casa. Imediatamente dirigiu-se à Delegacia de plantão, deu parte, abriu um Boletim de Ocorrência, tinha sido assaltado, levaram o carro, com ele dentro. Pararam na praia de Ipioca, deram-lhe uma coronhada, desmaiou. Acordou-se depois de algum tempo, levaram carteira, dinheiro, ainda bem que deixaram o carro e ele, vivo.

Ao contar a história do assalto em casa, veio um fluxo de felicidade e alegria de dentro de Angelita, ela não conteve o sorriso de satisfação. Ouviu atentamente a história do marido, logo saiu contando para toda vizinhança como Zé Pequeno foi assaltado. Há mais de um mês é seu único assunto. O assalto ao Zé acabou a frustração de Angelita. Seu grande ídolo agora é o marido.

DEU NO JORNAL