PENINHA - DICA MUSICAL

ALEXANDRE GARCIA

PAÍS AGRÍCOLA

Meu primeiro prêmio no jornalismo foi resultado da cobertura do escoamento da safra de soja para o porto de Rio Grande, na boleia de um Fenemê. Foi em 1972. De lá até hoje, a área plantada não chegou sequer a dobrar, mas a colheita quintuplicou, numa invejável produtividade, que compete com o meio-oeste americano. Um bilhão e meio de habitantes do planeta podem ser alimentados pelo trabalho e tecnologia de 5 milhões de produtores rurais brasileiro. Produzem quase uma quarta parte do PIB e respondem por metade das exportações. Somos campeões mundiais em açúcar, café, suco de laranja, soja, carnes. A produção da terra passa de 1 bilhão de toneladas. O agro, com toda sua cadeia econômica, gera 40% dos empregos no Brasil. Um sucesso absoluto.

Naqueles anos em que eu iniciava o jornalismo nas páginas de economia do Jornal do Brasil, a ênfase era para o sonho de o Brasil tornar-se um país industrializado. O mundo desenvolvido tinha por sinônimo a industrialização. A agricultura e pecuária pareciam atividades do passado. Hoje a indústria patina nos números, na renovação, na atualização. Vai bem a indústria voltada para o campo e lavoura – moderna, digitalizada. Mas o setor industrial foi ultrapassado pela agropecuária na participação do PIB. Enquanto os produtores rurais pensam para o futuro e vivem o futuro, com todas as dificuldades de escoamento e embargos tributários e trabalhistas, a indústria parece presa a um ritmo discreto e lento.

O mundo urbano parece não se dar conta da riqueza do agro. Há quem pense que o alimento aparece na prateleira do supermercado vindo de alguma indústria. Já ouvi uma repórter falar em “fábrica de leite”. Esclareci a ela que fábrica de leite se chama vaca. Já fui visitado por um menino carioca que nunca havia visto uma galinha com penas e cacarejando no galinheiro; só o frango depenado e limpo e balcão frigorífico. E há os que combatem os que produzem no campo, sem saber que seu prato farto e acessível a cada refeição é produto do entusiasmo dos produtores rurais. O agro foi o que nos fez respirar, equilibrando nossas contas externas, quando os anos Dilma nos afogavam em recessão.

Hoje no campo, insumos essenciais já são o computador e a conectividade. O campo está digitalizado. Há milhares de produtores trabalhando com defensivos naturais e buscando fertilizantes que diminuam a dependência dos importados. E tudo isso ocupando apenas uns 8% do território nacional. Os ruralistas do brasilzão real estão dando exemplo de desenvolvimento e progresso, mesmo com o emaranhando de normas, que parecem ser de um país masoquista, que quer ser pobre mas tem um tremendo potencial para ser riquíssimo. O potencial de produzir cada vez mais o mais essencial dos produtos, que é o alimento.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

TARCÍSIO MARTINS – LONDRINA-PR

ESTE é o livro de poesias da minha amiga REGINA MÁRCIA CONSTANTINO, uma das pessoas mais inteligente que já conheci, musicista, escritora, poetisa, compositora, além de ser um ser humano impar.

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Desde já agradeço.

Ela merece.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SÃO FRANCISCO E O ROUXINOL – Martins Fontes

Um rouxinol cantava. Alegremente,
quis São Francisco, no frutal sombrio,
acompanhar o pássaro contente,
e começa a cantar, ao desafio.

E cantavam os dois, junto à corrente
do Arno sonoro, do lendário rio.
Mas São Francisco, exausto, finalmente,
parou, tendo cantado horas a fio.

E o rouxinol lá prosseguiu cantando,
redobrando as constantes cantilenas,
os trilados festivos redobrando.

E o santo assim reflete, satisfeito,
que feito foi para escutar, apenas,
e o rouxinol para cantar foi feito.

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

J.R.GUZZO

RAIVA DO GOVERNO? NÃO DÁ PARA FAZER OPOSIÇÃO ASSIM

Uma das questões mais curiosas do chamado “quadro político” do Brasil de hoje é a existência de um dos governos mais intensamente odiados por seus adversários, que jamais pôs os pés em Brasília. É o diabo, porque esse governo não está aí pela força: foi eleito democraticamente, em eleições livres e limpas, por quase 58 milhões de cidadãos, a maioria absoluta do eleitorado que foi votar nas eleições presidenciais de 2018.

Fazer o que? Democracia tem mesmo esses problemas; você é obrigado a fazer eleições, e nas eleições o outro lado pode ganhar. Dá para odiar, é claro – mas, além de odiar, o que precisamente pode fazer de útil quem está contra o governo Jair Bolsonaro, seu ministério e seus generais? A resposta clássica é: fazer oposição consistente, de um lado, e apresentar um ou mais nomes realmente viáveis para ganhar as próximas eleições, de outro.

Do contrário, fica essa coisa para lá de esquisita que temos hoje: raiva sem limites do governo e, ao mesmo tempo, na vida real, céu de brigadeiro (ou mar de almirante) para esse governo ir tocando muitíssimo à vontade a sua vida.

Grita-se muito alto, assina-se muito “manifesto” de artista, a mídia vive praticamente em transe contra o que considera o pior governo que o Brasil já teve e as crises, cada vez mais fatais e cada vez mais curtas, não param nunca – só que não acontece nada.

A origem dessa anomalia está na falta, justamente, de uma oposição coerente e de alguma liderança que possa ser levada a sério dentro dela, como mencionado acima. Oposição é algo muito mais fácil de exibir em público do que praticar de verdade.

Para agir com eficácia, qualquer força de oposição tem de fazer nexo – e no Brasil de hoje isso não existe. É preciso ter um programa com propostas alternativas ao que o governo está fazendo; é preciso dizer o que está errado e o que você vai fazer, concretamente, para consertar isso. Você precisa ter condições, em suma, de prometer que fará o contrário do que está sendo feito. Ninguém na oposição clássica – PT e seus ajudantes, mais o que se chama de “esquerda” – está fazendo esse trabalho. Quanto à liderança, tudo que se tem é um grande zero.

É difícil. O que a oposição poderia propor de contrário ao que o governo está fazendo? Juros mais altos? Aumento nos índices de desemprego? Mais inflação? Mais mulheres no ministério? Retomada no número de homicídios, que caíram mais de 20% em um ano? Entregar o país de volta às empreiteiras de obras públicas?

No terreno dos nomes para liderar a oposição a coisa fica ainda mais opaca. Um nome desses, para ter força real, precisa em primeiro lugar mostrar que é um candidato com chance de ganhar de Bolsonaro na eleição de 2022. Onde está ele? Um outro problema sério para os adversários do governo em geral, e para a esquerda em particular, é a recusa de enfrentar Bolsonaro no seu campo e em seus termos. Querem ganhar do presidente, estranhamente, acusando-o de agir como os seus eleitores esperam que ele aja; não pode dar certo.

A questão é tirar eleitores de Bolsonaro e trazê-los para o seu lado; ao invés disso, a oposição passa o tempo todo dizendo que esses eleitores são “fascistas”. Fica complicado atrair apoio desse jeito. Situação ruim no governo? Está pior fora dele.

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