DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SE EU FOSSE UM PADRE – Mário Quintana

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema ainda que de Deus se aparte
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)

DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

ACERTAM AO DEFENDER PRIVATIZAÇÕES

Em vídeo publicado nas redes, Zema critica governo Lula e afirma que irá privatizar Petrobras e Banco do Brasil

Em vídeo publicado nas redes, Zema critica governo Lula e afirma que irá privatizar Petrobras e Banco do Brasil

O ex-governador Romeu Zema foi para cima do Estado hipertrofiado e disse que vai privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, cortar supersalários e reduzir ministérios: “Privatizar Petrobras e Banco do Brasil (…) Vamos vender também as estatais que só dão prejuízos (…) Vou passar a faca em supersalários”. Essa mensagem é importante especialmente num país em que o Estado se agigantou de tal forma que a verdadeira luta de classes se dá entre pagadores e consumidores de impostos.

A agenda de redução do Estado sempre foi fundamental para a direita. Não tem cabimento algum o Estado ser empresário, manter empresas sob seu controle, mesmo em “setores estratégicos”. Como autor do livro Privatize Já, mostrei tanto com argumentos teóricos como com inúmeros casos empíricos, no Brasil e no mundo, as vantagens de se privatizar estatais e defender o livre mercado. Infelizmente, ainda há muita gente que discorda, como toda a esquerda e uma ala da “direita” defensora do PCO e Aldo Rebelo.

Ao pregar as privatizações, Zema vai ao encontro do que desejava Jair Bolsonaro no final do seu governo. Com seu Posto Ipiranga Paulo Guedes, o liberal que cuidava de toda área econômica, Bolsonaro chegou a falar abertamente em privatizar os Correios e até a Petrobras. Seu filho Flávio Bolsonaro prometeu um “bolsonarismo centrado” e uma agenda liberal a empresários, afirmando que seu futuro governo, caso eleito, será nos moldes daquele de seu pai: “Darei continuidade ao que o Paulo Guedes começou”. Flávio defendeu abertamente privatizações e corte de impostos, pautas liberais.

Há uma enorme falácia repetida por alguns “conservadores”: a de que JBS, Odebrecht e a “Faria Lima” querem o liberalismo e as privatizações. Não! Eles adoram o PT, as estatais e os fundos de pensão corruptos. Adoram a corrupção que só o governo hipertrofiado permite. O livre mercado é contra tudo isso. Eles amam o capitalismo de Estado, pregado justamente pelos “desenvolvimentistas”. Ciro Gomes é um nome muito mais palatável para essa turma do que Romeu Zema ou Flávio Bolsonaro.

O único banco estatal que financia o agronegócio nos Estados Unidos, por exemplo, é o Bank of North Dakota. Não há um análogo ao Banco do Brasil. O Bank of America é privado. Não existe tampouco uma Petro USA, mas sim dezenas de empresas privadas, nacionais e estrangeiras, competindo no mercado de energia. A revolução do fracking e do shalegas só foi possível graças a esse ambiente capitalista, e hoje os Estados Unidos são um dos maiores produtores de petróleo, sem qualquer estatal cuidando disso.

Mas os “conservadores russos” que vivem agora de bater no Zema, ao lado de Reinaldo Azevedo e outros esquerdistas, condenam qualquer privatização como algo “entreguista”. O modelo que os inspira é o chinês. Eles querem falar em nome da direita e de Bolsonaro, que chegou a defender a privatização da Petrobras e cujo ministro Posto Ipiranga era o liberal Paulo Guedes. Essa turma adora o Estado! Direita? Nem aqui, nem na China…

Como disse o colunista Fabiano Lana no Estadão: “O famigerado liberalismo atacado pelo manifesto do PT melhorou espetacularmente as condições sociais”. Tanto Jair como Flávio Bolsonaro se cercam de economistas liberais, como Paulo Guedes e Adolfo Sachsida. Mas eles deveriam deixar claro publicamente que certos “aliados” não falam em seu nome, já que são figuras que deploram as privatizações, a economia livre e o mercado de capitais. Essa turma estranha é contra até o Banco Central independente, conquista importante do governo Bolsonaro, que aproximou o Brasil do modelo de todo país desenvolvido.

São pessoas que, por ignorância ou má fé, misturam liberais clássicos com “liberais” como Arminio Fraga e João Amoedo, “progressistas” que defendem pautas de esquerda, como George Soros. Eles fazem um tremendo esforço para colocar conservadores contra liberais, ignorando que todo conservador é liberal na economia. O “pai do conservadorismo” moderno, Edmund Burke, era um liberal Whig. Bastiat, Benjamin Constant, Milton Friedman, Friedrich von Hayek, Ludwig von Mises e tantos outros liberais são leitura obrigatória para todo conservador legítimo.

O problema é que essa gente de “direita” não lê, não quer se informar. Prefere repetir slogans prontos e vazios que mais parecem retirados da cartilha do PSOL. Falam com desprezo dos milionários, do mercado de capitais, da meritocracia. Preferem fundos de pensão envolvidos em vários casos de corrupção. Com uma “direita” dessas, os verdadeiros conservadores nem precisam de adversários à esquerda. Felizmente Zema e Flávio ignoram esse discurso tacanho e pregam privatizações e menos estado. Eis o caminho certo para endireitar o país!

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

SABATINA E ANÁLISE DE VETO: SEMANA CHEIA NO CONGRESSO

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Semana no Congresso tem sabatina de Jorge Messias e análise de veto de Lula à lei da dosimetria

A semana promete. Primeiro, teremos a sabatina de Jorge Messias e a votação no Senado. Se o Senado é quem aprova ministros do Supremo Tribunal Federal, também tem o poder de reprovar, se ele não tem mais a reputação ilibada – o que é o caso de dois ou três ministros do Supremo neste momento. Na sabatina precisam exigir notável saber jurídico: está no artigo 101 da Constituição. O indicado tem de ser praticamente um Rui Barbosa. Do contrário, o Supremo afunda, cheio de gente que só está lá por favorecimento, por ligação com o presidente da República. Ser advogado do presidente não significa que seja um notável jurista, e compete ao Senado avaliar isso.

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Veto de Lula à dosimetria tem tudo para cair

Depois, na quinta-feira, teremos a votação da dosimetria. O Congresso aprovou lei dizendo que a pessoa não pode ser condenada e receber duas ou três penas por um único crime – ou um suposto crime, no caso desse golpe de Estado que não houve. Por exemplo, um homicida que usou um revólver ilegal não pode acumular as condenações por porte ilegal de arma, posse ilegal de arma e homicídio. Será condenado só por homicídio, que é o crime maior. Mas o presidente Lula vetou isso, e o veto certamente será derrubado. Basta somar os votos que aprovaram o projeto de lei na Câmara e no Senado.

Com o veto derrubado, as penas serão muito reduzidas e não teremos mais casos como o da dona Maria de Fátima, de Tubarão (SC), que foi condenada a 17 anos só porque disse que ia “quebrar tudo e pegar o Xandão” no 8 de janeiro. Isso é pena de homicida. Ela não estava armada, não sabe nem sequer o que é golpe de Estado. Certamente não estava envolvida em nenhuma conspiração; foi lá e se engajou naquele tumulto, furiosa. Interessante que, se ela disse que ia “pegar o Xandão”, o ministro Alexandre de Moraes não poderia ter votado para condená-la, porque ele seria a vítima do crime. É assim desde sempre, sabemos disso.

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Lula boicota evento do agro, mas oposição prestigia em peso

Também nesta semana temos a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), um grande evento do agronegócio, que hoje é a atividade econômica mais importante do país. O agro garante que possamos importar, porque nos dá as divisas para a balança de pagamentos. A Agrishow começou no domingo; o presidente da República estava em São Paulo no domingo, mas voltou para Brasília, não foi ao evento. Lula não gosta do agro, já disse que o agro é “fascista”, e o agro também não gosta dele. Mas Tarcísio de Freitas estava lá, Flávio Bolsonaro foi nesta segunda-feira, Ronaldo Caiado e Romeu Zema também são esperados, vai todo mundo. É um acontecimento político e econômico da produção brasileira.

O setor produtivo, aliás, precisa estar atento – e o governo brasileiro também, porque estamos vendo um desestímulo à produção. De 123 países listados pelo FMI e pelo Banco Mundial, 111 cresceram mais que o Brasil entre 2010 e 2024. Estamos na rabeira. Se o Brasil quiser empatar em renda per capita com o Uruguai, terá de crescer mais de 9% por ano nos próximos dez anos, o que seria um milagre econômico. Vejam, então, a situação do Brasil. E ainda por cima a inflação já está voltando para perto do limite máximo da meta, o endividamento das famílias é crescente, os juros estão lá em cima. Por quê? Porque o governo gasta demais, gasta mal e não presta bons serviços públicos.

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