DEU NO JORNAL

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

ALEMÃ REVOLUCIONÁRIA

A bonita Hellen Merkel nasceu na Alemanha, chegou ao Brasil ainda menina, seu pai, gerente de uma fábrica no Paraná adotou Curitiba como sua. Na juventude Hellen tornou-se rebelde, adorava vestir camisa com foto de Che Guevara, boina vermelha de lado, sentia-se uma revolucionária, típica guerrilheira de botequim, frequentava os melhores e piores bares da cidade discutindo o fim do capitalismo e a vitória final do mundo socialista soviético. Entretanto, em sua casa não dispensava boa comida, roupas de grifes para festas burguesas que dizia detestar, e ar condicionado no quarto para os dias de calor. Experimentou a maconha. Entregou sua virgindade a um companheiro revolucionário, colega da Faculdade de Medicina, um bonito argentino de nome Belizário.

Contudo, tinha uma paixão forte pelo seu professor. O Dr. Amadeus também sangue alemão na veia, ficou apaixonado pela meiguice e determinação de sua aluna na Faculdade de Medicina. Divorciado, 17 anos mais velho que a jovem Hellen. Houve dificuldade da família em aceitar o casamento. Ela grávida, logo teve seu primeiro filho.

A diferença de idade entre os dois foi-se acentuando com o tempo, enquanto Hellen cuidava do corpo e da saúde, Amadeus deixou-se levar pelo sedentarismo, criou uma notável barriga consequência das cervejas diárias. Vivia de um consultório médico pouco frequentado e da aposentadoria de professor. Enquanto Hellen se tornou uma das mais competentes pediatras da cidade.

Foram mais de 22 anos de convivência, com respeito mútuo, criaram dois filhos. Mas, o diabo atenta, às vezes aparece em forma feminina. Não é que Amadeus se engraçou de uma pilantra, ficou de caso com uma jovem de 20 anos. Encantou-se com a mulher nova, bonita e carinhosa. A jovem ganhou presentes caros, as joias deram razoável baixa na conta corrente do Gordo.

Não foi difícil Hellen descobrir a traição. Conversou com Amadeus, deu-lhe uma chance para largar a sirigaita. Ele passou dois meses afastado da moça, entretanto, a força do satanás foi maior, o Gordo, voltou a encontrar-se com a jovem.

Hellen não aguentou a situação, reuniu os filhos em casa, contou o que estava acontecendo. Resolveu tirar umas férias sozinha, viajaria para um lugar tranquilo, pensar o que fazer de sua vida, tinha 45 anos, idade crítica para tomar decisões e mudar de vida, precisava refletir em paz.

Escolheu Recife, Hellen sempre teve um encanto especial por essa cidade e não conhecia. Chegou ao hotel numa ensolarada tarde, atravessou a avenida, sentou-se num banco para apreciar o mar azul esverdeado, sentiu-se bem. Pela manhã caminhou sozinha na areia da praia de Boa Viagem, o espírito necessitava isolamento, pensar nela mesmo. Na segunda manhã, após a caminhada, sentou-se num banco da barraca, pediu água de coco. Um jovem de bermuda e camiseta prontamente abriu o coco com três golpes, colocou um canudo e entregou-lhe sorrindo.

Hellen teve inveja da simplicidade, da felicidade que irradiava o jovem, notou o belo corpo do moreno, cheio de músculo, espadaúdo. Puxou conversa. Cicinho contou sua vida, era garçom por enquanto, havia dado baixa de cabo do Exército, pescador nas horas vagas, agora ajudava o pai na barraca de praia de onde a família tirava a sobrevivência. 28 anos, dois filhos, solteiro, não queria mulher lhe prendendo. Conversaram bastante. Nos outros dias Hellen depois da caminhada não dispensava o bate papo com o alegre amigo Cicinho, percebeu que havia despertado dentro dela algum ânimo adormecido. Foram-se cinco dias entre conversas, às vezes, confidencia; ao olhar o novo amigo nos olhos, perturbava-se. Num entardecer, passeando pela calçada, notou um ambulante vendendo camisa de Che Guevara, alegrou-se, comprou uma; num ímpeto, trocou a camisa num banheiro, sentiu-se bem, era novamente a revolucionária dos velhos tempos, estava feliz, vontade de cantar, de controvérsias, de insensatez. De repente, caminhou em direção à barraca. Ao ver Cicinho em pé olhando o mar, aproximou-se do amigo, sorriu-lhe, olhou nos olhos, abraçou-o, beijou sua boca. À noite foram para o hotel, dormiram juntos quatorze dias seguidos.

Ao chegar a Curitiba, Amadeus a esperava no aeroporto, Em casa conversaram, o Gordo arrependido, pediu perdão, prometendo não procurar mais a sirigaita. Hellen o perdoou com uma condição, vez em quando viajar sozinha para meditação, para o Recife.

A PALAVRA DO EDITOR

SEXTAFEIROU !

Chegou a sexta-feira e a inxirida da Chupicleide, secretária de redação, amanheceu o dia toda fogosa.

Ela está aqui relinchando de felicidade com as doações dos nossos leitores e até já fez um vale pra gastar na farra de hoje, no final do expediente.

Vai ser no Bar do Cacete, localizado no Buraco da Véia, um recanto animado na beira da praia aqui na zona sul do Recife.

Gratíssimo a todos vocês que nos dão força e ajudam a manter esta gazeta escrota avuando pelos ares.

E para embelezar e animar nossa sexta-feira, vamos fechar a postagem com uma gostosa roda de choro.

Um excelente final de semana para toda a comunidade fubânica!!!

ALEXANDRE GARCIA

QUANTOS VORCARO COMPROU?

Daniel Vorcaro influenciadores

Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master e alvo de investigação por fraude financeira

A Polícia Federal fez uma nova operação para colher provas sobre o pagamento, da parte de Daniel Vorcaro, a influenciadores para que falassem mal do Banco Central ou defendessem o Banco Master na internet. Não que o BC fosse se impressionar com influenciadores, mas a ideia era fazer barulho e dizer aquela chorumela de que Vorcaro era um coitadinho, o Master era um banco pequeno que estava sendo oprimido pelos grandes bancos – Itaú, Santander, Safra, BTG – para evitar concorrência no mercado. Mas a concorrência dele era comprar pessoas, comprar autoridades. Fiquei sabendo, de conversas da prisão, que ele comprou muito mais gente do que nós já sabemos; a Polícia Federal talvez já saiba disso. Em um partido, especificamente, quase ninguém ficou de fora. É muita gente, e não sei se vão conseguir abafar tudo isso.

Vorcaro ainda quer blindar certas pessoas, por achar que assim ele vai preservar a família dele. Eu discordo; falei com alguns advogados, e eles acham que é um erro da parte dele. O melhor seria contar tudo o que a polícia não encontrar no celular – embora eu ache que pouca coisa deve ter ficado de fora dos celulares.

* * *

Quem critica o Banco Central pelos juros não vê que o BC está protegendo o valor da moeda

Mas não é só para elogiar Vorcaro que as pessoas criticam o Banco Central. Vi o senador Cid Gomes falando mal do BC por causa dos juros. O Banco Central é o guardião da moeda, do valor da moeda circulante, que já não é mais algo físico, a cédula de real. A inflação se faz sentir, principalmente no feijão e no arroz, e para não desvalorizar o real é preciso controlar o crédito. A expansão do crédito pode significar expansão da inflação e desvalorização da moeda. Esse é o dilema do Banco Central: ter de elevar os juros para evitar o imposto mais injusto que existe, a inflação, que tira mais dos pobres. Quem tem dinheiro aplicado compensa a inflação na aplicação, mas o pobre não tem dinheiro para aplicar, e perde.

* * *

A Inglaterra não tem mais um “Defensor da Fé”

Segunda-feira passada, 6 de julho, foi o dia da decapitação, em 1535, de Thomas More, que virou santo por discordar do cisma que formou a Igreja Anglicana, em que o rei da Inglaterra é o chefe da igreja. Pois agora o rei Charles III aparece não mais como “chefe da Igreja Anglicana”, nem como “Defensor da Fé”; agora, ele é o “protetor da fé na nação multirreligiosa”. Já estão admitindo que a nação virou multirreligiosa, não é mais apenas cristã. Os críticos, na Inglaterra, dizem que ele esqueceu a Páscoa, mas se lembrou do Ramadã. Essa é a Europa que resistiu aos ataques otomanos, ao assédio ocorrido especialmente na Europa do leste: agora está caindo diante de uma infiltração em que o inimigo vem para dentro, para tomar o poder político, a cultura e a religião.

* * *

Eu também já precisei pilotar avião no sufoco

Todo mundo já noticiou esse caso incrível do instrutor de voo em Córdoba, na Argentina, que estava com a aluna e resolveu saltar do avião durante o voo, dizendo a ela “você sabe o que tem de fazer”. Ele pulou, se estatelou lá embaixo, caiu numa fazenda, demoraram um ou dois dias para achar o corpo dele; ela conseguiu pousar. Estão investigando para saber qual foi o motivo. Aconteceu algo parecido comigo: estávamos só o piloto e eu, voando da Namíbia para Angola, e o piloto, que havia bebido demais, capotou; perguntou se eu sabia pilotar, e eu disse que só teoricamente – jornalista tem de conhecer tudo, eu já havia lido sobre aviões, voo e pilotagem, sabia por que o avião voa, como se pilota. Tive de assumir, e fiquei gostando. Puxei o nariz para cima, mudei o profundor um pouquinho, levantei a cauda, mexi no leme e acabei saindo da rota. Quando ele acordou, uns 50 minutos depois, verificou a nossa posição: estávamos em cima de mísseis cubanos! Mas sobrevivemos: ele picou e ficou espantando macaco em cima das árvores para sair do radar. Foi a única forma de não nos atacarem.

DEU NO JORNAL

É MILHÃO QUE SÓ A PESTE!

Voltou ao STJ o arrastado processo dos respiradores comprados de uma empresa de derivados de maconha pelo governo de Rui Costa (PT) na Bahia, durante a Covid.

Foram pagos R$ 48 milhões, R$ 12 milhões antes da assinatura do contrato.

O material nunca foi entregue.

* * *

É desse jeito mesmo que está escrito na nota aí de cima:

O governo petista da Bahia fez compra numa empresa de “derivados de maconha”.

Material que nunca foi entregue.

Me digam:

É pra gente se espantar ou é pra achar tudo normal?

Hein?

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (53)

Tristeza, esta semana. Perdemos Wal, amigo queridíssimo, em quem votei nos últimos 30 anos (pelo menos). E a Copa. Shakespeare dizia (Cimbelino) que “algumas dores são passíveis de cura”. Wal, com saudades. A Copa, daqui só há 4 anos, se Deus quiser. Para alegrar o ambiente, nesse entretempo, seguem conversas.

ANÚNCIO DE JORNAL. Na grande cheia do Recife, em 1975, algumas vias (ou trechos delas) ficaram cobertas por dois metros de água ou mais. Como a Avenida Caxangá. Depois o proprietário de casa lá situada fixou cartaz, no portão, que ganhou a primeira página dos jornais locais:

– Vende-se essa merda.

* * *

Por falar em anúncios me mandaram esse, que seria de um jornal impresso:

‒ VENDO IMÓVEL.

Em ótima localização
Te vi passando. Pela primeira vez
E à primeira vista
Fiquei assim, sem reação:
Vendo, imóvel.

Só que em verdade eram, conferi depois, versos de Bruno Félix (na série Poemas classificados).

GORDO, boleiro no tênis. Eram gêmeos, iguais nos rostos mas diferentes nos caminhos. Daniel, crente, quase um santo. Enquanto Samuel, com extensa folha corrida na polícia, estava para ser preso a qualquer momento. Só que morreu Daniel, difícil entender os desígnios do Senhor. Pouco depois falei com seu irmão Samuel, o Gordo,

– Lamento.

– Não foi tão ruim, dr. José Paulo.

– Como?

– É que enterrei ele com meu nome. Quem morreu fui eu. E já avisei, na delegacia, para cancelar os processos de Samuel. Resumindo, agora sou Daniel.

Incrível é que tudo acabou bem. Os processos já prescreveram. Não lhe aconteceu nada. E ele acabou mudando mesmo de vida, passando a ser (um pouquinho) mais parecido com o mano Daniel.

MARIA, empregada de Margarida Cantarelli. Em Londres, fazia todas as compras. Por ser quem cozinhava, na casa, sabia do que precisaria. Ninguém acreditou pudesse conseguir, dado não falar uma palavra de inglês. Mas nunca teve qualquer problema, incrível. Há quilos de histórias, com ela. Vai só uma, da primeira feira que fez. Quando acabou, somou os preços e pagou:

‒ Está tudo aqui.

O vendedor da feira entendeu pelos sinais, contou o dinheiro e confirmou na sua língua

Paid (pago).

Na volta, chegou de cara fechada. Dizendo que foi destratada. Margarida quis saber:

‒ Como é?, Maria.

‒ Pois imagine que o homem, no fim, teve a cara de pau de me mandar peidar.

PORCO, encordoador de raquetes. Trabalha na sala da casa, onde fica seu equipamento. Encontrou Maria Lectícia e confessou

– Dona Letícia, estou vivendo um inferno.

– Que aconteceu?, Porco.

– Silvana tirou 30 dias de férias.

– Para você ver a importância das mulheres, na vida dos maridos.

– A senhora não entendeu, dona Lectícia. Ela está passando férias é dentro de casa.

* * *

Apareceu com uma tatuagem na perna, da família Chaves, aquele mexicano que passa no SBT. Ao ver essa coisa ridícula, não resisti

‒ Agora tatue a frase Eu sou um idiota.

‒ Só se for em grego antigo, doutor. Escrevi num papel

‒ Pronto, pode tatuar. E fique tranquilo que ninguém vai saber o que está escrito.

‒ Mas EU vou saber, doutor.

‒ Não tem problema, Porco, porque VOCÊ é mesmo um idiota.

WHITES ONLY, Washington DC, 1969. Estava indo para encontro com o educador Paulo Freire. Dentro do ônibus, placa dizia que na primeira metade só poderiam ficar brancos; e, no fundo, negros. Em protesto, sentei atrás. Longe dos brancos (até porque, em Harvard, era o mais escuro da classe). Sou trigueiro, assim está no Certificado de Reservista. Um velho negro tocou no meu ombro

– Posso lhe dar um conselho?

– Pois não.

– Vá para a frente, que é seu lugar.

– Perdão, fiz de propósito, sou contra essa discriminação.

– Por favor, vá para a frente.

– Prefiro não ir.

Dois outros (armários, enormes) se levantaram, com cara feia, e insistiram – Volte para seu lugar. Voltei, claro, que doido não sou.