DEU NO JORNAL

A BABAQUICE OVULANDO NO MAIS ALTO GRAU

Em um cenário em que o título de “Pai do Ano” é dado a uma mulher e o prêmio de “Miss Espanha” foi dado a um homem, a patrulha identitária e o policiamento da linguagem têm novo alvo.

Um evento feminista em Jacobina, na Bahia – que poderia ser chamado de “seminário” -, foi batizado pelas organizadoras de OVULÁRIO.

A explicação, segundo as feministas, é que a palavra seminário vem de “sêmen”.

Captou?

* * *

Quando a gente pensa que a babaquice zisquerdóide chegou ao máximo grau, estes descerebrados conseguem nos surpreender e nos deixar de olhos arregalados.

“Ovulário” no lugar de “Seminário”.

Óvulo no lugar de sêmen.

É pra phudê!!!!

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!!

Pois eu vou convocar estas tabacudas, do suvaco cheio de cabelos e de priquito fedorento, pra um evento que será intitulado “Pajaracário”.

O jumento Polodoro vai enfiar a pajaraca nelas, uma a uma, sem cuspe e sem vaselina.

E Polodoro vai enfiar rinchando bem afinado!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Caro Berto,

Aos que apreciam a arte, eis uma oportunidade de possuir uma escultura caricatural, de elevada qualidade, por R$ 50,00, do grande Ariano Suassuna.

Plasmada pelo talentoso artista plástico cearense Valber Benevides, aquele habilidoso desenhista que retrata, em tempo real, os convidados do programa televisivo Leruaite, do grande humorista cearense Falcão.

SORTEIO DE ESCULTURA DE ARIANO SUASSUNA, FEITA POR VALBER BENEVIDES.

Vejam cartaz abaixo:

R. Meu caro, fiquei meio confuso…

A escultura do Mestre Ariano custa 50 reais?

É só depositar o dinheiro e receber a obra?

Ou após o pagamento, ainda haverá um sorteio?

Outra coisa: na ilustração que você nos mandou, pede-se apenas o comprovante de depósito.

E o endereço de quem pagou, para receber a mercadoria???

Me explique-me direitinho.

Tô ficando meio leso com a idade.

Abraços e uma excelente quinta-feira.

COLUNA DO BERNARDO

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

COLUNISTA FUBÂNICO JUSTIFICA CAGADA DO SUPREMO MINISTRO

Comentário sobre a postagem LEIAM, RELEIAM E MEDITEM: ELE FALOU MESMO ISSO

Goiano:

Fora de contexto.

O Ministro explicou em seguida:

“A maioria, mesmo representada no Executivo e no Congresso, não pode discriminar, perseguir ou ignorar os direitos e garantias fundamentais das minorias”.

* * *

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

MACHADO DE ASSIS, ADVOGADO?

Em comemoração a 11 de agosto

Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1908. Meu querido Nabuco. Espero que os ares de Hamilton, nessa fria Mass., estejam lhe fazendo bem. Junto com minha carta de 1º de agosto, mandei um exemplar do romance Memorial de Aires. Será meu derradeiro livro. Mário de Alencar fez a fineza de ler, para mim, todas as cartas que trocamos. Ele é meu filho (uma das lendas, sobre Machado, é que Mário seria filho não do amigo e escritor José de Alencar. Mas dele, Machado). Assim o considero. Tuas, contei, foram 21. Minhas, 31. Esta, que escrevo por mãos dele, será minha última. Estou morrendo.

Aproveito e faço, agora, um pequeno inventário íntimo. Começo por reconhecer que a Academia Brasileira de Letras, que ajudei a criar e onde agora vou tão pouco, só me deu alegrias. Ter sido seu primeiro presidente foi, sobretudo, um enorme prazer. Tenho saudades da nossa Panelinha (a expressão panelinha vem daí. Intelectuais se reuniam com frequência, a partir de 1901, sempre em torno de Machado. Os almoços eram servidos em uma pequena panela de prata que acabou dando nome ao grupo).

Dos fatos que me vêm, lembro especialmente de um. Por volta de 1855, deixei de ir, nos finais da tarde, à Livraria Garnier. Amigos descobriram que, nessa hora, frequentava certa casa. Muitos imaginavam tratar-se de algum amor secreto. Ou viam algum outro mistério, nessas ausências. Não sabiam é que ia só contemplar um quadro admirável do Roberto Fontana, que tem como título La Donna che Legge. Infelizmente, caro demais para minhas posses. E qual não foi minha surpresa quando o recebi, pouco depois, doado por sete amigos no Soneto Circular, Machado cita seus nomes. Pela ordem, nos versos: “Horácio, Heitor, Cibrão, Miranda, C. Pinto, X. Silveira, F. Araújo”. O soneto começa assim: “A bela dama ruiva e descansada,/ De olhos longos, macios e perdidos”. E encerra com esse terceto: “Mandam-me aqui para viver contigo./ Ó bela dama, a ordens tais não fujo./ Que bons amigos são!. Fica comigo”. Serei sempre grato a todos por tanto afeto.

Escusas para narrar um episódio curioso. De poderes a mim atribuídos que não tenho. Tudo começa pelo fato de que recebo, todos os dias, muitas cartas. Quase todas sem importância. Por não ver sentido em guardá-las, nem desejar que caiam em mãos alheias, uma vez por semana as queimo em um caldeirão de bronze (o caldeirão, e o quadro, estão hoje na Academia Brasileira de Letras). Por conta disso a vizinhança começou a me chamar de bruxo. Nada a ver com vivissecção de ratos ou sair voando por janelas (o comentário decorre de um poema de Drummond, A um Bruxo com Amor: “E ficas mirando o ratinho meio cadáver/ Com a polida, minuciosa curiosidade de quem saboreia por tabela/ O prazer de Fortunato, vivisseccionista amador…/ E qual novo Ariel, sem mais resposta,/ Sais pela janela, dissolves-te no ar”), claro. A essa designação, logo agregaram o nome da rua em que vim morar (Rua Cosme Velho 18, Rio), depois que deixamos o Catete. Passei a ser, então, o Bruxo do Cosme Velho. Acho divertida essa história. E gosto de ser chamado como tal. Deixe-se ficar, então.

Mas os tempos bons se foram. E tudo, hoje, vai de mal a pior. A epilepsia me causa cada vez mais problemas. Nunca referi essa doença para qualquer pessoa. Nem escrevi sobre ela, salvo pequena passagem na primeira edição de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Já na segunda, onde estava “rolar pelo chão, epilética”, pus “rolar pelo chão, convulsa”. Espero que a crítica não note isso. Fosse pouco, e ando às voltas com uma úlcera cancerosa na boca. Esforço-me por não deixar os mais próximos perceber o quanto dói essa moléstia. Minha casa, nos últimos tempos, se converteu num velório a céu aberto. Com amigos, muitos. Mas também desconhecidos que aqui vêm, por mera curiosidade mórbida, só para ver onde morei. Um horror. Em sua última carta, você me deu bela lição de vida: “Não se lembre dos 70 e terá 40”. Mas é tarde, para mim. Tarde demais.

Depois que minha mulher faleceu, por pessoas próximas soube que dizia preferir ver-me morrer primeiro. Mesmo sendo cinco anos mais velha que eu. Apenas por saber da falta que me faria. A realidade foi talvez mais penosa do que ela pensava. Sua falta é absoluta. Já não tenho quem me leia jornais e livros. Ou me ampare. Ou apenas fique a meu lado. A solidão é opressiva. Melhor herança é Graziela, uma pequena cadela Tenerife que adotamos – já que não nos foi dado ter filhos. Todos os domingos vamos, juntos, ao túmulo de minha tão querida Carolina, no Cemitério de São João Batista. É onde espero ser enterrado. A seu lado (assim se deu). E se tudo acontecer como pressinto, parto amanhã.

Começo a pensar no destino de minhas obras, caro Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo. Esta semana, alguns amigos que me vêm sempre consolar fizeram entrar, no meu quarto, um rapazinho que nem 18 anos tinha. Não disse nada. Apenas ajoelhou-se ao pé da cama, tomou minha mão e deu-lhe um beijo. Após o que, sem sequer me dirigir um olhar, foi-se embora. Fiquei emocionado pela reverência. E pedi ao José Veríssimo para saber quem era. Chamava-se Astrogildo Pereira (que, mais tarde, seria um importante jornalista). Levarei esse nome comigo. Gestos assim me fazem acreditar que, considerando tudo quanto escrevi, não serei esquecido por algum tempo. Quanto?, não sei. O futuro dirá.

O que penso ninguém sabe é que, por muitos anos, estudei as leis. Todas as noites. Apaixonadamente. A ponto de, imagino, estar habilitado a tornar-me advogado. Por essa razão, em minhas obras, empreguei numerosíssimas expressões jurídicas. No conto O Programa um personagem, Romualdo, até antecipa essa vontade ao sonhar “que seria citado algum dia entre os Nabucos, os Zacarias, os Teixeiras de Freitas, etc. Jurisconsultos”. Era de mim que falava. Meu maior desejo é que, no futuro, alguém me faça justiça. Algum advogado, talvez, que o perceba. Isso me causaria grande alegria. E, se assim for, serei sempre grato a ele.

É tudo. Você é meu maior e mais íntimo amigo, por favor creia nisso. Agora, estou cansado. A perda de C. foi um desastre. Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei tempo em recordá-la. Irei vê-la, breve (Machado, nascido em 21/06/1839, morreria no dia seguinte ao que escreveu, em 29/09/1908). E, diferentemente das outras cartas, me despeço agora de maneira diferente. Adeus. Amº do C. Machado de Assis.

P.S. Início de Prefácio para o livro Machado de Assis Criminalista, de Nilo Batista. A carta é falsa. Mas todas as informações são verdadeiras.

PENINHA - DICA MUSICAL

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J.R.GUZZO

CEM MIL MORTOS

O número de 100.000 mortos pela covid-19 no Brasil chegou, já foi superado e, aparentemente, o público não ficou nem mais nem menos chocado do que já estava; talvez esteja chegando aos limites da sua capacidade de mostrar-se espantado com as notícias sobre a tragédia. Ao mesmo tempo, essa cifra calamitosa coincidiu com o que parece ser uma estabilização na quantidade de vítimas diárias – e, em resultado, as decisões de abrandar a quarentena que estão sendo tomadas por um número crescente de governadores e prefeitos pelo país afora. Seria uma tendência? Nos países que resolveram voltar por etapas à normalidade, não houve até agora nenhum recuo importante no rumo do confinamento extremo. Como a situação no Brasil tem acompanhado, mais ou menos, o que aconteceu lá fora, é de se supor que também aqui a retomada continue.

Não é possível minimizar o tamanho desse desastre, dizendo que, no fim das contas, não foi “tudo isso”; é tudo isso. Mas também não é mais do que isso. Tornou-se uma lei política, ideológica e moral, nos setores da sociedade brasileira que se imaginam capazes de pensar melhor do que todos os demais, defender o “distanciamento social”, como se diz, acima e além de qualquer outra necessidade do país.

É errado, segundo esse credo, fazer a mínima reflexão sobre realidades que considerem alternativas ao “fique em casa”. Mas as tentativas de se olhar as coisas como elas são, apenas isso, não podem ser tomadas como uma agressão à pátria – ou como um inventivo ao genocídio, ao fascismo e à “extrema direita”.

Em relação ao número de mortos de modo específico, não há, pela lógica mais elementar, nenhuma razão para o Brasil ter resultados melhores que os foram verificados em países muito mais desenvolvidos, com administração mais organizada e serviços públicos de saúde notoriamente superiores aos nossos. Por que a epidemia no Brasil deveria se comportar de um jeito diferente? Os Estados Unidos, que têm um PIB de 20 trilhões de dólares, ou dez vezes maior que o do Brasil, registram até o momento cerca de 165.000 mortos – 60% a mais.

O Reino Unido, a França e a Itália, com os seus tão festejados sistemas sociais de assistência médica, têm, somando os três, uma população menor que a brasileira; mas o total de mortos ali é praticamente o mesmo que aqui. Em todos esses casos, o número de óbitos por milhão de habitantes é superior ou equivalente ao que o Brasil teve até agora. Nenhum ministro do STF, nem qualquer figura de destaque do “campo progressista”, disse que há genocídio nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha, na França ou na Itália; “genocídio”, pela nova religião, é coisa que só acontece no Brasil.

A covid-19 já é uma tragédia humana suficientemente horrível. Não há nenhuma necessidade de aumentar a desgraça real com exploração política oportunista, rasteira e irracional.

DEU NO JORNAL

PELO OLHO DO TOBA

O governador João Doria está com coronavírus.

Ele testou e deu positivo.

João Doria usou as redes sociais para informar que está com sintomas leves e que por isto fará tratamento em casa.

* * *

Fontes bem posicionadas desta gazeta escrota nos informaram que além da hidroxicloroquina que ira tomar em casa, Doria tem outro plano.

Ele também irá pra Itajaí complementar o tratamento com a introdução de ozônio no furico.

Em 10 aplicações.

Ele até já andou mostrando em público o figurino que irá usar na viagem para aquela cidade:

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

LUA CHEIA – Miguel Jansen Filho

Quando o céu todo se enfeita
Para uma paz satisfeita
E o mundo inteiro se deita
Nos braços da escuridão,
Aparece a lua cheia,
A fulgurante candeia
Que pelo espaço vagueia,
Clareando a imensidão!

Sutil e cariciosa,
Dentro da nuvem garbosa,
Ela se eleva ditosa,
Num soberbo alumbramento!
É o espelho da beleza,
Refletindo a natureza,
No seu trono de princesa
Do salão do firmamento!

O céu – lindos alabastros!
Vive marcado de rastros
Da enamorada dos astros
E poetisa do azul!
Quando ela passa sombria,
Distribuindo alegria
E recitando poesia
Para o Cruzeiro do Sul!

E na sua claridade
Que há tanta serenidade,
Existe a sublimidade
Da transparência de um véu…
A lua que algo retrata,
Jogando luz sobre a mata,
Parece um olho de prata
No rosto imenso do céu!

Miguel Jansen Filho (1925-1994)