DEU NO JORNAL

PUNIÇÃO

Deltan Dallagnol questiona se haverá punições a depredadores da USP, como houve no 8 de janeiro:

“A regra que vale para direita, vale para esquerda, ou as bandeiras vermelhas e coloridas isentam de punição?”

* * *

Boa pergunta.

Vamos ver se os punidores darão resposta.

Aguardemos.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

TREZENTOS TRILHÕES

Os Estados Unidos devem 36 trilhões de dólares. A China deve 15 trilhões. O Japão, 10 trilhões. A Alemanha, 3 trilhões. O Reino Unido, também 3 trilhões. A França deve 3 trilhões e meio. O Brasil está chegando aos 2 trilhões. Praticamente todos os países do mundo estão endividados. Estima-se que a soma das dívidas governamentais passe dos 150 trilhões. Empresas devem mais 90 trilhões, e pessoas físicas, mais 60 trilhões. O total passa dos 300 trilhões. Em 2024, essa dívida gerou o pagamento de 15 trilhões em juros, o que corresponde a 13% do PIB global. Mas quem são os credores dessa dívida?

1 – Os Bancos Centrais: O FED tem 5 trilhões de dólares em dívida do governo dos EUA. O Banco do Japão tem 5 trilhões de dólares em dívida do governo japonês. O Banco do Povo da China tem 3 trilhões de dólares em dívida do governo chinês. Bancos centrais globalmente detêm aproximadamente 25 trilhões em títulos dos governos de seus países. Isso representa menos de 10% da dívida total, mas essa dívida é a base do sistema: é a partir da emissão de títulos que todo o mecanismo se sustenta.

2 – Investidores institucionais: São instituições que usam os títulos como reserva financeira. Fundos de pensão: 50 trilhões. Seguradoras: 35 trilhões. Fundos mútuos: 25 trilhões. Fundos soberanos: 10 trilhões. Total: 120 trilhões.

3 – Governos estrangeiros: Governos detêm aproximadamente 30 trilhões em dívidas emitidas por outros países. A China possui 3,2 trilhões em ativos estrangeiros, incluindo 850 bilhões em títulos dos EUA. O Japão possui 1,1 trilhão em títulos dos EUA. A principal fonte disso é o comércio. Os EUA, por exemplo, compram da China muito mais do que vendem. Se a China exigisse pagamento em dinheiro, as vendas diminuiriam e ambos os lados seriam prejudicados no curto prazo. Assim, a China compra os títulos dos EUA e os EUA usam esse crédito para pagar a China. Em outras palavras, a China entregou produtos e recebeu em troca papéis que supostamente serão pagos no futuro.

4 – Famílias ricas: O 1% mais rico do mundo detém aproximadamente 40 trilhões em ativos financeiros, grande parte deles em títulos. E um quarto disso, 10 trilhões, pertence a aproximadamente 500.000 pessoas que constituem o 1% mais rico dentro do 1% mais rico. Em 2024, estas 500.000 pessoas repartiram 500 bilhões de dólares em juros.

5 – Pequenos investidores: Perto de 100 trilhões de dívida estão nas mãos de pequenos investidores e fundos de investimento, como por exemplo o Tesouro Direto no Brasil.

A questão importante é que as dívidas dos países foram planejadas para serem impagáveis. Na verdade, a dívida da maioria dos países é muito superior à sua base monetária, o que faz com que simplesmente não exista dinheiro suficiente para pagá-la. Exemplo: o Brasil deve 9 trilhões de reais, mas existem apenas 440 bilhões de reais em dinheiro. Se somarmos o “dinheiro virtual”, quantias que só existem nos computadores dos bancos, chegamos a 7,3 trilhões, o que ainda é menos do que a dívida. Ou seja, se o saldo de todas as contas bancárias e aplicações financeiras de todas as pessoas e todas as empresas do país fosse transferido para os credores, ainda ficaríamos devendo. Ao invés de chamar de empréstimo, o mais exato é dizer que os credores usaram seu dinheiro para comprar uma renda eterna.

Em 2024, os pagamentos globais de juros sobre a dívida foram de aproximadamente 15 trilhões de dólares. E este dinheiro não está pagando a dívida, nem mesmo uma pequena parte dela. Na verdade, nas últimas décadas a dívida de praticamente todos os países vem crescendo, às vezes mais lentamente, às vezes mais rápido, mas sempre crescendo, e sempre aumentando o valor que os pagadores de imposto entregam aos credores. Até quando?

A dívida global hoje representa 300% do PIB, e está crescendo 7% ao ano. O PIB está crescendo 3% ao ano. Matematicamente, a dívida global chegará a 500% do PIB por volta de 2035 se as tendências atuais continuarem. Isso não é sustentável. Em algum momento, algo vai quebrar. Aí, ou os governos dão calote, o que elimina a dívida mas colapsa o sistema financeiro, ou aumentam a emissão de dinheiro, que reduz a dívida por meio da desvalorização da moeda, mas destrói as poupanças, ou tentam “renegociar” a dívida, o que no fundo significa apenas empurrar o problema para frente, de preferência para depois da eleição.

Isso tem solução? Não. Na verdade, isso é uma consequência inevitável de um modelo de sociedade que permite que políticos façam o que bem entendem e deixem as consequências nas costas dos eleitores. Bancos centrais, moedas inflacionáveis sem lastro, governos que concedem a si mesmos o poder de fazer e modificar as leis que eles deveriam obedecer, tudo isso foi criado para substituir a escravidão antiga, aquela das senzalas e chibatas, pela moderna, dos impostos sempre crescentes e da obediência voluntária. Modificar isso não passa por decisões econômicas; passa por decisões políticas, quase inimagináveis hoje em dia, que começariam por tirar de Executivo, Legislativo e Judiciário o nome de “poderes” e colocá-los na posição de empregados da população. Não vai acontecer. Ao contrário, o que vai acontecer é que o sistema vai se sofisticar ainda mais para extrair o nosso dinheiro com maior eficiência.

Como disse um ministro do rei francês Luís XIV, “Cobrar impostos é como depenar gansos: devemos sempre tentar conseguir o máximo de penas com o mínimo de gritos.”

DEU NO JORNAL

SEM LIMITE

O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, implantou um sistema para subornar pessoas, inclusive autoridades, segundo fontes próximas à investigação, que tem sido classificado como “crime perfeito”.

Em vez de usar malas de dinheiro ou assemelhados, ele distribuiu aos “parceiros” entre 80 e 90 cartões ilimitados, que os permitiam pagar qualquer despesa, de viagens luxuosas a carrões.

Como os cartões eram em seu nome, ele apenas informava a senha àqueles beneficiados.

* * *

Cartão ilimitado…

Êita peste!!!

Isso é que era um suborno da porra!!!

Podia ter arranjado um aqui pra nós, sinhô banquêro!!!

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

OS MEUS VERSOS – Florbela Espanca

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…

Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

PROMOÇÕES E EVENTOS

DEU NO X

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

DO BABÃO AO LADRÃO

Faixa fixada em prédio, na cidade de Presidente Prudente

Outro dia, um jovem espirituoso resolveu colocar uma faixa colorida, em terreno baldio, bem defronte ao prédio de sua namorada, com os dizeres:

“Marina, você é minha e nem o boi lambe!…”

Numa cidade do interior, pouco desenvolvida, isso chegou a ser atração turística. Mas a placa desapareceu dias depois, por iniciativa da Prefeitura, alegando que não havia licença.

Há quem diga que o pai da moça, um ex-militar de alto coturno, teria reagido, estimulando a providência junto ao Burgomestre. Tudo “por baixo dos panos”, como nos diz o ditado.

Mas a ocorrência tinha um significado poético e sentimental. João Alberto namorava com Marina às escondidas. Moça bonita, 16 anos, “donzela”de carteirinha”, xoxotinha pedindo ação, primeiro namorando, só se falavam na porta do colégio. Em suma: “Um perigo!”

Insistente e astuto, sabendo que Marina gostou da frase e da demonstração explícita, João Alberto preparou mais uma, e de noite foi lá com alguns amigos e fincou no mesmo local, dois paus e a a segunda bendita faixa:

“Marina, só você navega em meu coração!”

A essa altura, a escola onde estudava a jovem entrou em rebuliço. Era só no que se falava. E sabendo que a coisa tinha motivado a namoradinha, dias depois, apareceu mais uma faixa:

“Marina, quando lhe vejo meu coração lateja em festa.”

Aí já avacalhou! Ampliou-se a questão, por vários ângulos.

Para se vingar, o Coronel Genésio, ex-comandante do 14º RI-SP, pai da moça, brabo que só uma capota choca, revidou, embora de forma também inteligente e estratégica.

Na janela do seu próprio apartamento fixou uma faixa bem grande, com a palavra quase ofensiva: “Babão!”

O “amado” da filha do Coronel, “murchou”. Foi um míssil na sua ardilosidade. Mas, como ambas as mensagens foram inteligentes, não houve dúvidas: o artifício do jovem apaixonado “foi um arraso”!

Meses depois, João Alberto resolveu enfrentar o velho Genésio, de frente. Apresentou suas “credenciais militares”: disse que havia feito o CPOR e era concursado e se tornou funcionário da Segurança da Cia. da Vale do Rio Doce, dourando suas frases com miçangas e lantejoulas.

O Coronel, “deu uma aliviada” e permitiu o “namoro vigiado”. Mas, já havia imaginado botar um tanque de guerra para ostensivamente circular pela rua da escola, pra esculachar mesmo. Mas, ex-colegas de farda conseguiram evitar que a ideia vingasse. Assim teria sido demais!…

Tempos depois, sempre escoltada pela doméstica da casa, a mocinha cumpriu o programa de aulas normalmente. Meses à frente, aconteceu o noivado, depois o casamento. Tudo normal. Na sequência, nasceu o primeiro bruguelo, neto do Coronel e sua “reprimida” esposa, D. Matilde, coitada.

As placas, porém, não foram esquecidas.

E pouco depois de um ano, após o enlace matrimonial de Marina e João Alberto, ocorreu o nascimento do primeiro rebento do casal. Festas para todos os visitantes e até nota em Ibrahim Sued, fato que motivou João Alberto, na maior moita, a instalar mais uma placa, dessa vez com um sentido oculto; quase vingativo:

“O Coronel, ganhou um netinho!”

Mas, como dizem que o passado às vezes se repete, façamos referência a uma certa placa, embora apenas colada na janela de um apartamento, que nada tem a ver com nossa historieta.

Todavia, ao invés de “Babão”, estava escrito: “Ladrão”. Aí deu-se a bexiga da cilibrina”.

Tal iniciativa, incomodou os poderosos de plantão.

Por idéia dos pelegos, a Polícia foi pedir ao proprietário para retirar a “homenagem”, alegando que a expressão poderia resultar em crime, assinalado no artigo 2469 do código sacanocrático brasileiro.

Foi um verdadeiro buruçu. O fato se expandiu na Internet, em centenas de canais. O proprietário, sabendo que episódio teria desdobramento, “aprontou”.

Dias depois, caiu em circulação a foto de um prédio ostentando, em cada janela, placas onde se lia, em letras garrafais, a palavra da atualidade: Ladrão, Ladrão, Ladrão, Ladrão.

Era Ladrão que não acabava mais! Todo o condomínio se associou à resplandescente “homenagem”, em solidariedade.

Aí se entendeu que a solução aplicada pelos jagunços-policiais, foi muito pior, porque desencadeou a ira condominial.

No 1º de maio apareceu na Internet outra foto, no mesmo prédio, ainda pior, com palavras vingativas, porém, mais inteligentes. Só que representou – sabemos nós – u’a mensagem ainda mais contundente. Foi de lascar!

O proprietário que anteriormente fora pressionado pela Polícia – que apareceu em sua casa sem mandado, sem nada; só com a cara e a coragem, concordou em retirar a “faixa ofensiva”. Compreende-se, assim, a revolta no Condomínio!

Mas, dois dias depois, instalou mais uma, um tanto vingativa:

Se a moda pegar em nosso país, não haverá político que não se ofenda quando ocorrer fato semelhante, cabendo à jagunçada solicitar aos editores do dicionário Aurélio, a retirada do verbete: Ladrão.

DEU NO JORNAL

MAIS UM NA ENORME TEIA DE VORCARO

Editorial Gazeta do Povo

Um dos principais líderes do Centrão no Congresso Nacional foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira, por ordem do ministro do STF André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master na corte. Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional de seu partido, é acusado de receber pagamentos mensais que variavam de R$ 300 mil a R$ 500 mil, além de várias outras vantagens – como o uso de imóveis, a aquisição de uma empresa por valor muito inferior ao de mercado, e o custeio de viagens de luxo –, bancadas por Daniel Vorcaro. Em troca, Nogueira atuaria no Legislativo em favor de medidas que beneficiassem o Banco Master.

Uma peça central nas investigações é uma emenda a uma PEC que pretendia aumentar a autonomia do Banco Central. A emenda apresentada por Nogueira previa que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pudesse cobrir até R$ 1 milhão em prejuízos de pessoas físicas ou jurídicas que tivessem dinheiro depositado em bancos liquidados – o limite atual é de R$ 250 mil. O Master tinha interesse direto nessa mudança, pois usava o FGC como chamariz para convencer potenciais clientes a investir no banco, que prometia retornos muito acima da média do mercado com estratégias agressivas que se mostraram insustentáveis. Com o limite atual, o FGC já terá de desembolsar mais de R$ 50 bilhões para compensar os clientes do Master; com o limite ampliado, as consequências seriam catastróficas. As investigações da PF apontaram que a emenda apresentada por Nogueira foi redigida pela equipe do Master.

O PT resolveu aproveitar o fato de Nogueira ter sido ministro de Jair Bolsonaro para colar o escândalo no antecessor de Lula (e pai do principal adversário do petista nas próximas eleições). A malandragem eleitoreira ignora que Vorcaro não tinha preferência político-ideológica, estreitando laços com qualquer um que pudesse ajudá-lo: no Executivo, no Legislativo e no Judiciário; na esquerda, no centro e na direita. O governo petista da Bahia, por exemplo, é um dos que mais privilegiaram o Master em suas decisões; no Brasil inteiro, previdências estaduais e municipais aplicaram dinheiro no banco de Vorcaro – um dos casos envolve um aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

As investigações sobre a extensão da teia montada por Vorcaro não podem poupar ninguém, esteja onde estiver – aliás, informações de bastidores apontam que Mendonça estaria inclinado a rejeitar a proposta de delação premiada do banqueiro se ela deixasse de lado personagens importantes, sobre os quais já haveria informação suficiente nos celulares apreendidos. Nogueira está longe de ser o único figurão em uma rede de relacionamentos que também inclui ministros do STF, autoridades do Poder Executivo, da Procuradoria-Geral da República e até da Polícia Federal. Os valores que teriam sido pagos a título de mesada a Nogueira, recorde-se, empalidecem diante do contrato do Master com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes.

Além disso, os mesmos petistas que se refestelam com os mandados contra Nogueira são os que se empenharam em jogar para debaixo do tapete os mesmos métodos quando aplicados a outro escândalo, o roubo bilionário do INSS. A Contag, uma das principais beneficiadas pelo esquema, e presidida pelo irmão de um deputado petista, redigiu emendas a uma medida provisória, com o objetivo de enfraquecer a fiscalização e o combate a fraudes na Previdência. E uma outra mesada, também de R$ 300 mil mensais, ligaria Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente da República, ao “careca do INSS”. Nada disso foi apurado como deveria, graças a manobras de governistas no Congresso e à ajuda do STF, que derrubou quebras de sigilo. A corte também tem sido pródiga em decisões que blindam seus próprios membros em meio ao escândalo do Master.

Já existem pedidos de instalação de CPIs do Banco Master, mistas ou em apenas uma das casas do Congresso, e uma tentativa de fazer o Supremo forçar Hugo Motta a instalar a comissão na Câmara já fracassou. Governistas dizem aceitar uma investigação, desde que nos seus próprios termos, o que já aponta para a possibilidade de blindagem. Outros parlamentares afirmam que, quanto mais as eleições se aproximam, mais difícil será instalar as CPIs, que atrapalhariam as campanhas dos congressistas. Se de fato essa previsão se confirmar, que ao menos Mendonça e a PF mantenham o ímpeto, sem omissões ou acobertamentos.