PENINHA - DICA MUSICAL

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RODRIGO CONSTANTINO

LULA NÃO MOVEU A AGULHA: QUEM ESPERAVA A VIRADA PETISTA COM DEBATE NA BAND SAIU FRUSTRADO

Imprensa internacional destacou as trocas de acusações entre Lula e Flávio no debate na Band deste domingo (18)

O debate da Band, ontem à noite, confirmou o que o cenário eleitoral já indicava: Lula precisava de um fato novo para reverter a tendência e conquistar indecisos. Não conseguiu. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tinha uma missão mais simples – jogar parado, não cometer erros graves e evitar catástrofes, deixar o adversário se expor. Cumpriu e foi além.

O formato caótico do primeiro bloco (confronto livre de 15 minutos) virou bate-boca. Não houve proposta substantiva capaz de mudar voto de quem ainda hesita. Analistas de diferentes matizes, inclusive alguns simpáticos ao petismo, reconheceram que Flávio pautou o confronto e tirou Lula do sério. Até militantes admitiram o desequilíbrio, como registrei no X logo após o encerramento.

Lula tentou o clássico: acusações sobre Vorcaro e o filme, cobrança de sigilo bancário e defesa do próprio governo. Nada disso é novo. O eleitor já conhece o roteiro. O que sobrou foram gafes que não ajudam com indecisos. Chamar Flávio de “malandro carioca” e “mentiroso contumaz” não só soa estereotipado como oferece munição fácil: Flávio se solidarizou com os fluminenses e lembrou que o Rio votou majoritariamente nele no primeiro turno. Em estado decisivo, isso não soma. E resta a dúvida: Lula será investigado por xenofobia?

Mais revelador foi o lapso nas considerações finais. Ao falar de um eventual quarto mandato, Lula disse que “nesse quarto mandato, a gente vai dizer: o Brasil acabou”. Foi a única verdade dita no debate inteiro. E quando pediu voto para o Brasil “voltar a crescer” e “sair da inércia”, expôs a contradição: são 18 anos de petismo no poder em períodos alternados. Continuar andando para frente e sair da estagnação ao mesmo tempo não é discurso, é sincericídio. O país não está parado por acaso. É responsabilidade do lulismo e o povo sabe.

Lula diz que o eleitor pode votar no retrocesso ou na “continuação” do progresso, para andar para frente. O eleitor acha que o Brasil está indo bem? O povo está satisfeito? Está se sentindo seguro? Próspero? Quer continuar como está ou quer mudança? E quem representava mudança ali? Quem parecia ter mais energia e quem se mostrava cansado, desgastado?

Lula disse que o Escudo das Américas é se subordinar aos Estados Unidos. São 14 países unidos para combater o crime organizado, classificado como terrorista. É isso que Lula chama de submissão? Claro! Ele defende o Foro de SP que fundou com o ditador Fidel Castro, para defender o comunismo e grupos terroristas como as FARC. Flavio conseguiu arrancar a máscara de Lula ao forçá-lo a sair em defesa das “saidinhas”. Lula não conseguiu esconder seu esquerdismo socioeducativo. Defendeu carinho da família por “bom comportamento” para quem cometeu crimes. E os direitos das vítimas? Lula só se preocupa com o direito dos bandidos…

O petista tentou colar em Flávio a imagem de filhinho de papai, que não usa o SUS e nunca andou em ônibus. Lula vai de ônibus para o “trabalho”, por acaso? Lula usa o SUS, ou o Sírio Libanês? Lula é milionário sendo político há décadas, e tentou acusar o adversário do que é. Sugeriu abrir sigilos fiscais e telefônicos, sendo que admitiu não ter celular, e foi condenado justamente por ocultação de patrimônio. “O do Lula foi por fora”, disse Vorcaro.

Flávio não precisava de grandes voos. Bastava não se afundar em respostas desastradas sobre INSS, filme e Vorcaro. Ele pressionou sobre Roberta Luchsinger e as relações com o filho do presidente, manteve o foco na segurança pública (tema prioritário para o eleitor) e evitou os piores escorregões. Não foi um debate de propostas brilhantes de nenhum dos dois – o modelo da Band não favoreceu isso –, mas o saldo foi claro: Lula saiu sem ter conquistado um único voto de indeciso que não fosse já seu. Flávio saiu com a narrativa de que o governo atual tem passivo demais para ser defendido com tranquilidade.

Quem esperava uma virada petista na televisão saiu frustrado. O debate não alterou a fotografia. Restam os últimos dias e o confronto na Globo. Até lá, o essencial permanece: Lula não moveu a agulha, e Flávio fez o básico e um pouco mais – não se destruiu. E teve uma ótima tirada: “Vou te aposentar e no meu governo sua aposentadoria está garantida, não será roubada”.

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PARA EVITAR A DITADURA IMAGINÁRIA, EXPERIMENTE MENTIRA SABOR DEMOCRACIA

Roberto Motta

Para evitar uma ditadura imaginária, a esquerda pede seu apoio à ditadura real

Democracia é uma coisa boa, exceto quando o povo escolhe Bolsonaro. Nesse caso, existe um grave perigo para a própria democracia. Mas quem decide que Jair Bolsonaro e seus apoiadores representam uma ameaça? Ora, essa avaliação é feita – imaginem só – pelos adversários políticos de Jair Bolsonaro e seus parceiros infiltrados em todas as instituições.

Essa é uma armadilha na qual caem pessoas sensatas, honestas e, às vezes, até muito cultas e com títulos universitários avançados. Elas são contaminadas por aquilo que meu amigo Gustavo Maultasch chama de “antibolsonarismo psicótico” – uma aversão ao político Jair Bolsonaro e ao que ele representa que não pode ser explicada de forma racional.

Mas o que Jair Bolsonaro representa? A insatisfação do cidadão comum.

Insatisfação com o quê?

Com uma política corrupta e que produziu os maiores escândalos do mundo.

Essa política também criou uma crise de segurança equivalente a uma guerra civil. O Estado decidiu ainda impor ao cidadão e às suas famílias a destruição dos seus valores mais importantes – família, religião, patriotismo – e normalizar comportamentos marginais e nefastos, como o uso de drogas.

O descontrole dos gastos públicos é resultado do populismo e da necessidade de sustentar uma casta de políticos e burocratas que vive vidas extravagantes. Os gastos geram aumentos de impostos, aumento da dívida pública e inflação. Quem paga a conta é o trabalhador.

O sobrenome Bolsonaro – de Jair e de Flávio – representa a revolta do cidadão comum contra tudo isso.

Mas, quando o cidadão faz essa escolha, o Estado diz a ele que é uma escolha antidemocrática.

Por quê?

Nos últimos dias, muitos receberam uma mensagem alertando que é preciso evitar que o bolsonarismo “fique no poder por décadas”. Para evitar isso, a mensagem recomenda o voto no PT, um partido que já está no poder há exatamente duas décadas (já foram cinco mandatos presidenciais desde 2003). É uma recomendação que não faz sentido algum.

Estamos no 26º ano do século XXI. Durante 20 desses anos o controle do governo esteve nas mãos do PT.

Esse período é maior do que o tempo total em que Getúlio Vargas esteve no poder (18 anos e seis meses). O período do PT no poder é quase igual à duração do regime militar de 1964 (21 anos). Ele supera o do fundador da União Soviética, Lênin, que ficou no poder menos de sete anos.

Os petistas já têm mais tempo no poder do que Napoleão Bonaparte, que ficou 15 anos, (1799 a 1814).

Há uma coisa curiosa e terrível acontecendo no Brasil.

Desde 2019, têm acontecido no Brasil coisas extraordinárias, que algumas pessoas diziam que seriam feitas pelo governo Bolsonaro. Alguns diziam que Bolsonaro iria implantar uma ditadura no Brasil.

Lembram?

Eu gostaria de perguntar:

Quantos blogueiros, jornalistas e humoristas Bolsonaro prendeu?

Quando Bolsonaro ordenou a prisão coletiva de milhares de pessoas e seu julgamento em massa, sem individualização de conduta, em foro indevido, com condenações a penas médias de 14 a 17 anos?

Quantos inquéritos Bolsonaro mandou abrir contra seus críticos – inquéritos nos quais ele também foi acusador, investigador e juiz?

Quantas postagens Bolsonaro ordenou que fossem retiradas das redes sociais? Quantas redes sociais Bolsonaro mandou suspender?

Quantos deputados Bolsonaro cassou, prendeu e exilou?

Quantas vezes Bolsonaro congelou o patrimônio de cidadãos, cancelou seus passaportes, ou aplicou multas tão altas que significam, na prática, a morte financeira das pessoas?

A resposta para todas essas perguntas é: zero, nunca, nenhuma.

Tudo o que citei são ações ilegais, inconstitucionais e totalitárias, características de ditaduras.

Todas essas medidas têm sido adotadas pelo Estado desde 2019 com o apoio incondicional da esquerda. É a mesma esquerda que, agora, pede o seu voto “para evitar uma ditadura”.

Para evitar a ditadura imaginária é preciso apoiar a ditadura real.