DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

O PÚLPITO VAZIO QUE O TSE NÃO QUIS MOSTRAR

Em 1989, o Brasil saía de 21 anos de regime militar e realizava o primeiro debate presidencial livre da história. Em 2026, o país teve o primeiro debate presidencial cancelado por decisão judicial. A ironia é tão brutal que dói.

A história é simples e absurda. A Globo organizou o último debate antes do primeiro turno, com regras previamente acertadas e assinadas por todos os partidos, inclusive o PT. Estava previsto que, caso um candidato faltasse, seu púlpito permaneceria vazio no cenário, com uma placa identificando seu nome. Lula já havia avisado que não compareceria. Em vez disso, escolheu participar do Flow Podcast, no mesmo horário.

Então, a ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu ao pedido da campanha do presidente e proibiu a emissora de mostrar o púlpito vazio. Também proibiu que os candidatos presentes fizessem perguntas dirigidas a ele. A justificativa foi a de que a cadeira vazia “transcenderia a simples informação ao eleitorado”. Ou seja: o eleitor não poderia ver que o presidente não comparecera.

O currículo da ministra é o ponto central. Formada pela USP, onde Moraes seria “Deus”, pesquisadora do IDP, instituição ligada a Gilmar Mendes, secretária de Flávio Dino no Ministério da Justiça e assessora especial de Lula, indicada por Rui Costa, ela também foi indicada ao TSE pelo próprio presidente. Agora, circula um vídeo de 2022 em que ela defende o voto em Lula no segundo turno. Uma militante petista estaria decidindo as regras do debate do qual seu chefe não participaria.

A Globo, que alimentou esse monstro durante anos, acabou atingida pelo próprio golpe. Recebeu a liminar de Aranha e, pouco antes das 20 horas, cancelou o debate. Caiado, Cury e Zema já estavam no estúdio. A emissora falou em “insegurança jurídica” e “interferência indevida”. Houve ainda uma decisão de Gilmar Mendes, do STF, obrigando a inclusão de Renan Santos, cujos pedidos já haviam sido rejeitados pelo TSE e pelo próprio Supremo. Regras foram alteradas na véspera, de maneira grosseira, com o claro intuito de prejudicar Flávio Bolsonaro e proteger Lula.

Flávio fez bem em desistir. Não se entra em campo quando o árbitro, os bandeirinhas e o VAR avisam que vão prejudicá-lo. As regras do jogo foram alteradas na véspera. Renan é o cavalo de Troia de Gilmar — ou seja, de Lula —, colocado ali apenas para desgastar Flávio e tumultuar o ambiente.

No Flow, Lula explicou tudo. Segundo ele, debates são “infrutíferos”: “Não dá para levar para um debate um candidato que tem 49% e debater com um que está chegando a 1%”. Além disso, afirmou: “Já sou uma pessoa muito conhecida”. E houve um detalhe que ele próprio revelou: chamou o STF de “tribunal político”. Não escondem mais. O próprio presidente admite que a corte é política, enquanto a corte decide as eleições.

Merval Pereira, no próprio Globo, tratou a recusa como fraqueza. Está certo. Quem teme a plateia aberta e prefere o sofá de um podcast não está defendendo um modelo. Está administrando o risco de ser desmascarado a três dias da votação. Fugir do debate não é estratégia. É confissão. É covardia.

Isso não é uma democracia com falhas. É um estado de exceção com verniz eleitoral. O árbitro pertence a um dos times, as regras mudam na véspera, e quem protesta é tratado como ameaça. O Brasil de 2026 não é o Brasil de 1989. É pior: é o Brasil que aprendeu a chamar ditadura de “Estado Democrático de Direito” e a chamar censura de “proteção ao eleitorado”.

Espera-se que, depois disso, não apenas a Globo, mas também os demais veículos de comunicação que foram negligentes ou cúmplices desses abusos supremos passem para o lado certo da trincheira — aquele que chamavam de “golpista” até ontem…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

EM TEMPO DE ELEIÇÃO

 QUANDO ACABA A ELEIÇÃO – Merlânio Maia

No período eleitoral
Candidato vira santo
Bota a cara em todo canto
Favela, sítio, hospital,
Tapera, escola, curral,
Velório, igreja, pensão,
Promete o céu e o chão
Jura descaradamente
Mas muda radicalmente
Quando acaba a eleição!

A teta é bem saborosa
Por isso, quem quer deixar?
O salário é um manjar
E a função é poderosa
A mala preta formosa
Enche os cofres e o colchão
Pois é na corrupção
Que o ganho se multiplica
E a politicalha enrica
Quando acaba a eleição!

O pobre eleitor coitado
Detém o real poder
De banir, cobrar, deter,
E excluir o candidato
Mas o político de fato
Encanta e ilude o povão
Como um piolho malsão
Retorna ao poder de novo
Pra sugar o nosso povo
Quando acaba a eleição!

Mau político tem prazer
De enganar quando promete
Setecentas vezes sete
Promete sem se conter
Sabe que vão esquecer
Nunca houve punição
Não há lei que diga não
Quem paga a promessa é o povo
E o peste vai rir de novo
Quando acaba a eleição!

Pobre do povo enganado
Trucidado em sua calma
Vende o voto e perde a alma
Paga caro ter votado
Não verá do combinado
Nem saúde, educação,
Nem infra-estruturação
Nem água, esgoto ou transporte,
Segurança só na sorte
Quando acaba a eleição!

O que se vê todo o dia
É briga pelo poder
Quem já tem mais faz pra ter
E haja dinheiro e folia
A bandidagem alicia
No caos da corrupção
A ética perde a razão
Ser honesto é coisa rara
Falta vergonha na cara,
Quando acaba a eleição!

E a gente sente vergonha
De ver chafurdando em lama
Símbolos que a gente ama
De forma torpe e bisonha
Mas a nação ainda sonha
Botar na grade o ladrão
E sanear a nação
Pra ter sua honra de novo
E o governo ser do povo
Quando acaba a eleição!

* * *

CORDEL CONTRA OS POLÍTICOS CORRUPTOS – Cleber Sardinha

Tava eu aqui pensando
Como pode acontecer
O pobre trabalhador
Que não merece sofrer
Paga imposto todo dia
Dia e noite, noite e dia
Até quando vai morrer.

O país a cada hora
Segue sim sua missão
Os políticos de Brasília
Só vivem metendo a mão
No bolso dos que não tem
Um centavo, um vintém
Nem o dinheiro do pão.

Brasil lindo pátria amada
Povo forte e gente nobre
A corda só arrebenta
Pro lado de quem é pobre
Mas enquanto a gente desce
A roubalheira só cresce
E a máfia política sobe.

Presidente e Deputado
Governo e Senador
Comem o nosso dinheiro
Sem saber qual o valor
De um dia de trabalho
Da coberta de retalhos
Do pobre trabalhador.

O povo já não aguenta
Ser roubado e iludido
Por políticos e corruptos
Que não passam de bandidos
Gente da pior espécie
Que nesse país só cresce
Nem deviam ter nascido.

A TV mostra o retrato
De um Brasil despedaçado
Sem rumo e sem igualdade
E todo desgovernado
Nosso povo todo dia
Vive essa agonia
Vai sendo atropelado.

A promessa de um político
Nem precisamos ouvir
Porque a cada eleição
Volta a se repetir
Prometem melhorar tudo
Na vida de todo mundo
Melhoras que eu nunca vi.

COMENTÁRIO DO LEITOR

COMO NO FUTEBOL

Comentário sobre a postagem O MENTIROSO PERDEU SÓ UM POUQUINHO DE VOTOS…

Joselito Jesus de Araujo:

Sinceramente?

Não acredito que Lula perca voto de nenhum torcedor dentre os seus seguidores, por haver falado mal do time deles.

E eu explico.

A política brasileira hoje se vê como se estivesse dentro de uma partida de futebol. Há a torcida de um lado, a adversária do outro e pronto. É o mesmo princípio de fanatismo de um estádio de futebol normal.

Só que o fanatismo político supera em muito o mesmo tipo de paixão que vemos no futebol.

No futebol se o seu time joga ruim, se um seu craque perde o pênalti que lhe daria a vitória, se o goleiro leva um frango, pois bem, a torcida não faz vista grossa. A torcida não perdoa. Não perdoa!

Já na política, se o seu ídolo rouba, manda matar, mente etc., não importa.

O fanático político continua imaginando-o como um santo artilheiro.

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

TONHO SIQUEIRA – BETIM-MG

Bom dia prezados leitores do nosso jornal !!!

Prestem atenção:

Se você fez cinco dessas coisas, você está ficando velho:

1) Empurrar um fusca
2) Usar talão de cheques
3) Alugar filmes na locadora
4) Ir na Lan House
5) Usar orelhão
6) Usar bombril na antena de TV
7) Gravar música na fita K7
8) Usar pochete
9) Tomar Biotônico Fontoura
10) Comprar jornal na banca

DEU NO X

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PROMOÇÕES E EVENTOS