XICO COM X, BIZERRA COM I

UM QUASE POETA

No álbum que estou gravando – MEU SAMBA É ASSIM, sob a regência e direção musical do mestre Jorge Simas (já gravou com Chico Buarque, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Agepê, Clara Nunes, dentre outros menos votados) uma das letras que mais gosto é esta, quando me reconheço na posição de mero aprendiz, um pretenso Poeta e exalto a excelência dos grandes vates. Poderia falar de muitos outros, tão geniais e imensos quanto: MANOEL DE BARROS, PINTO DE MONTEIRO, LOURO DO PAJEÚ e outros tantos … São do mesmo quilate. Sintam-se homenageados, pois, todos os Poetas.

Digo assim:

o olhar dela, tão singelo,
puro e belo, é tudo de bom,
eu, vate inventado,
tudo a dizer, nada a falar,
calo e foge-me o som:
sou muito menor que qualquer DRUMOND …

atrevo-me a fazer verso,
é a inspiração passageira …
tão ambicioso,
tudo a dizer, nada a falar,
e só bobageio asneira:
distante de todo e qualquer BANDEIRA …

tento juntar as palavras
transformá-las em canções
é só um desejo!
tudo a dizer, nada a falar,
muitos e tantos senões
e longe de todo e qualquer CAMÕES

e há tão pouca rima em minha não-poesia
que ao pretenso esteta que há em mim
resta a certeza, aí sim, de ser nenhum poeta,
tudo a dizer, nada a falar.
meu grito preso não ecoa,
é voz calada em cena muda
muito apartado de qualquer NERUDA,
sou falso bardo, um nunca PESSOA,
fingidor poeta de versos à toa …

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O PET E SEU TUTOR

O ‘tutor’ do Pet que mora no 23° Andar do meu prédio se indispôs comigo apenas por que reclamei que o seu animalzinho – um Pitbull de corpanzil aproximado ao de um jumento, fez seu ‘cocozinho’ bem na calçada em frente à entrada do Edifício e ele, seu guardião, o tal vizinho, deixou lá a titica produzida por seu tutorado, grave ameaça aos sapatos de algum desprevenido.

A propósito, me disseram – e só soube porque me contaram, não vou atrás dessa praga hoje existente – que um ‘influencer’ publicou em suas redes que ações como a minha, interpretada como desrespeito aos animais, pode vir a se constituir crime se deletadas ao Gabinete de Defesa e Proteção dos Animais. Ser processado por desrespeito a um inofensivo cachorro é minha última aspíração. Ante o risco, pedi desculpas ao vizinho, e alisei carinhosamente a ‘cabecinha’ de seu dog como forma de prevenção a eventual e feroz mordida. E passei a ter mais cuidado com as calçadas em que piso.

Por falar em ‘influencers’, são tantos hoje em dia, tratando de banalidades diversas e com milhões de seguidores, que fico tonto. Eles influenciam o quê? No meu tempo, meu pai e meu avô eram meus fiéis influenciadores, estes sim, me ensinando o caminho do bem, de ser bom, do respeito e outras virtudes que guardo até hoje. Os atuais vão de propaganda de cosméticos à venda de imóveis ou automóveis. Alguns até ‘trabalham’ em lavanderias financeiras para ‘masterizar’ suas riquezas.

Como diz uma amiga querida, eles provocam profundas modificações no comportamento social, e se encarregam de reduzir a importância do que é importante, engordando suas contas bancárias ao tempo em que esvaziam a cabeça de nossas crianças e jovens ao ocupá-las mentalmente com assuntos sem nenhum conteúdo, quando não induzindo-os a processos viciantes como jogos e apostas.

Pois é: eu sou do tempo em que professoras eram mestras e não simplesmente ‘tias’; do tempo em que treinadores de futebol eram técnicos e não ‘professores’ ou ‘mister’. Do tempo em que cachorros e gatos eram apenas cachorros e gatos. Só existem ‘influencers’ porque existem ‘idioters’. E eu, que sei que nada sei – como pensava um ‘influencer’ grego, fico na minha escolhendo o que ler e o que ver. Talvez um dia eu me arrependa de não ter dado ouvidos ao Gil do Vigor ou a Virginia do Vini, sabedorias plenas a espalhar ao mundo um imenso saber …

Triste ter que reconhecer que meu tempo passou … Melhor cuidar da publicação do livro que estou pensando. Acho que um e-book. Os influenciadores, certamente, não o lerão. E não me farão nenhuma falta.

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MEU SOL CONTINUA REI

Desde pequeno, tempos do Externato Santa Izabel, dona Silvina Diretora e Dona Luíza professora (naquele tempo não chamávamos de tia) me ensinaram que o sol era uma bola enorme de fogo a brilhar no céu e a iluminar nossos dias. E assim eu o desenhava, soberano, pairando sobre a paisagem, com traços amarelos que nem labaredas arrodeando-o. Igual fazia um cronista que admiro e que andou abordando o tema, recentemente.

Agora vem um fela-da-puta de um cientista maluco, por falta de coisa melhor a fazer, dizer que não, que o Sol nosso de cada dia é apenas uma estrelinha qualquer, menor que a maioria delas e que em algumas das quais caberia até duzentos sóis. Que mania mais besta a desse estudioso de bobagem de querer destruir sonhos infantis. Para mim, ele continua a reinar absoluto no meu céu de criança. Fosse assim tão inexpressivo, como justificar a luz e o calor que dele emana …

Não entendi a razão de querer tornar república besta a monarquia solar tão decantada. Ou não seria o sol o rei do firmamento, como tão bem decantou Wilson Batista, para Nelson cantar: ‘ô, Sol, tu que és o rei dos astros’? Não vou ligar pras baboseiras desse cientista desocupado. Vai ver ele descobre, qualquer dia desses, que o céu é vermelho e que as nuvens são verde cor de capim, antes de querer comê-las. E se ele achar que a lua não é dos namorados?

Apenas por ferir meus princípios morais mais elementares não vou desejar que esse doido e sua absurda tese apodreçam sob o sol quente e cáustico de um deserto árido e inclemente. Mas que ele não invente nada contra dona lua … Aí ele vai ter que se ver comigo!

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MINHA ALMA É BRISA ETERNA

Ante tudo de ruim que se nos apresenta na música e na literatura, sempre é tempo de se ouvir ou de se informar com o que presta. Tenho mania de bem selecionar o que escuto e o que leio, respeitando, claro, gostos diversos do meu. Esta semana reli, pela enésima vez, MINHA ALMA ESTÁ EM BRISA, texto atribuído a Mário de Andrade, mas referido por alguns como de autoria de Ricardo Gondim. Pouco importa quem escreveu, tão bela a reflexão que o autor – seja ele quem for, faz sobre maturidade, a eterna busca pela essência da vida e o tempo cada vez menor a nossa frente, a cada girar rápido dos ponteiros.

O tempo é inexorável, implacável e nos iguala uns aos outros. Como o Autor, convenci-me que tenho menos tempo para viver a partir daqui do que o que eu vivi até agora. Metaforicamente, e parafraseando o Escritor, eu me sinto como aquela criança que ganhou um pacote de doces: o primeiro devorei-o com prazer, mas quando percebi que havia poucos, comecei a saboreá-los lentamente. Hoje, meus doces, como-os de forma regrada pois sei perto estarem de acabar: aproveito-os, um a um, como se os últimos fossem. E são. Com eles, delicio-me, sem choros ou lamentos, por deles não precisar: prefiro o sorriso, de canto a canto, de orelha a orelha, ao invés do pranto.

No mais, agradecer ao pernilongo por me fazer lembrar que, apesar das rugas e dos embranquecidos cabelos, meu corpo ainda é desejado (ainda que por aquele inseto tão mal recebido em nossas casas). Aliás, com o tempo, aprendi a não me achar feio ao acordar, de manhã, cedo: hoje, acordo depois do meio dia, em paz e certo do dever cumprido e da vida bem vivida. E salve os pernilongos!

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VINGANÇA DE UM RINOTILEXOMANÍACO

Você sabe o que é rinotilexomania? O Google me ensinou: é o nome científico do vício de tirar meleca do nariz.

Meu amigo tem hábitos pouco ortodoxos quando o assunto é vingança contra maus tratos. Mas a ele não se pode negar, higiene à parte, o alto teor de criatividade contido em seus atos. Imagine que, diante de divergências ocorridas numa sessão de condomínio do prédio em que mora, ele confidenciou-me que resolveu, a partir de então, sempre que adentrava ao elevador do prédio, além do andar a que se destinava costumava também apertar o 9º, por coincidência o pavimento em que residia a síndica que lhe tratara mal.

Esse aperto no botão em pavimento que não o seu era sempre acompanhado de uma porção de catôta, retirada do seu nariz, de forma que sempre que a vizinha apertasse o botão de seu andar teria contato com a nojenteza que meu amigo aplicara no botão. Ciente de que a destinação do objeto de sua vingança poderia atingir o outro morador do 9° andar – o pavimento contava com dois apartamentos por andar e para não cometer injustiça de penalizar indevidamente um outro morador, suspendeu a iniciativa e passou a usar a estratégia de colar seu muco nasal no trinco da porta de passageiro do carro do marido da síndica. Assim, toda vez que ela acionasse aquele trinco se daria o contato impuro com a catôta ali aplicada.

Escatologia à parte, o sutil proceder do meu amigo era a perfeita vingança, quase inofensiva, mas cruel do ponto de vista higiênico. Acontece que ontem à noite, ao acionar o trinco do meu carro, percebei algo estranho que pregou no meu dedo. Terá sido alguém se vingando de mim e plagiando a mesma ideia do meu amigo? Será? Apenas como registro informo que o meu amigo não mora no meu prédio e que eu mantenho as melhores relações com a síndica e com todos os outros moradores.

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JORNAIS DE ONTEM

Esta semana bateu uma saudade danada dos jornais de antigamente. Daqueles que às vezes até sujava as nossas mãos com a mistura de tinta e cola, mas que emanava um odor que agradava meu olfato. Jornal, eu amava pelo cheiro, acho. Como faz falta aquele emaranhado de letras a nos encantar com as notícias do dia anterior, sem a velocidade da internet dos dias de hoje. Era grande o prazer de folhear, uma a uma, as páginas e colunas de um tablóide, isso desde os tempos de O PASQUIM e do OPINIÃO, sem falar da Folha de São Paulo, da qual fui assinante e do JORNAL DOS SPORTS, com suas folhas cor-de-rosa (nunca consegui entender o porquê daquela cor). Hoje, não mais existem jornais de papel.

Teimoso que sou, comprei até um minicomputador exclusivamente para exercitar meu vício diário, minha leitura matutina antes de abandonar a rede rumo ao café da manhã. Não é a mesma coisa, definitivamente. Livros, também, com seus cheiros peculiares, estão por desaparecer. Quem nunca sentiu o cheiro de um livro, que atire a primeira página. Até as livrarias estão sumindo, já não as vemos como antigamente. Em seu lugar, igrejas evangélicas e farmácias, experts em explorar nossas parcas economias. Acho que estou ficando velho com essa saudade besta que sinto dos livros e jornais.

Também sinto saudades dos CDs, das capas, dos seus encartes, das letras ali inseridas, do nome de quem fez as músicas e de quem as tocou. Aliás, para ser sincero, detesto essas tais de plataformas virtuais. Estou ultrapassado, tanto quanto os jornais de antigamente. Espero a manchete estampada na primeira página do jornal que leio no tablete: estarão de volta os jornais impressos, a partir de amanhã. Quando será o amanhã? Quero lê-los ouvindo o último CD do meu cantor preferido.

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O BICHINHO SORRIDENTE E O POLÍTICO INDECENTE

Que me perdoe Pitágoras, mas mais um dia que se vai e eu não precisei usar o cateto da hipotenusa para absolutamente nada. Em contrapartida, tive a grata satisfação de, através do excelente CRÔNICAS PANDÊMICAS, de Zé Teles, tomar conhecimento do sorridente Quokka. Que diabo é Quokka e de que ele ri? Calma! Não enfiem o dedo e rasguem a boca em X se classificando ignorantes antes que lhes esclareça: trata-se de um pequeno marsupial que vive na Austrália, primo legítimo dos cangurus, de tamanho similar a um gato doméstico e que vive permanentemente a sorrir. E eu que pensava que no reino dos bichos, além dos humanos, apenas a hiena era um animal que sabia rir. Ledo engano! Achei tão interessante a existência desse tal de Quokka que, deliberadamente, assumi correr o risco de ser acusado de ter plagiado Teles ao abordar o simpático animalzinho nesta croniqueta. Não foi minha intenção. Resta a primária questão: ele ri de felicidade ou por outro qualquer motivo? Não creio que nele resida o riso do cinismo e desfaçatez tão comuns a alguns políticos em período eleitoral, época de caça aos votos. Para não deixar pela metade o compêndio de cultura inútil, informo que os Quokkaa são herbívoros, de hábitos noturnos e possuem uma bolsa na barriga onde as fêmeas carregam e amamentam seus filhotes. Se quiserem conhecê-los melhor e tiverem preguiça de consultar o Google é só comprar uma passagem para a Ilha Rottnest, lá pras bandas da Oceania, mas já sabendo que o bichinho é considerado uma espécie vulnerável, protegida pelas leis australianas, sendo proibido tocá-lo ou alimentá-lo. Distância deles, pois. Dos homens que riem por cinismo, também. Estes, ao contrário daqueles, são nocivos à boa alma.

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SER OU NÃO SER

Nesse País que leva o nome de Pindorama e alguns o chamam pelo apelido de um pé de pau, como diz Teles, ‘Biu’ Shakespeare não se criaria. Quando ele dissesse ‘Ser ou Não Ser’ não faltaria um gaiato tupiniquim levantando o dedo e gritando:

– Nem uma coisa nem outra, seu Galego. Deixe de onda e fique na sua!

Eis a crucial questão. Todo esse preâmbulo, sem beira nem beira, apenas para comentar as pequenas dúvidas (ou grandes dilemas) que enfrentamos no dia-a-dia: ir ou não ir, cerveja ou whisky, que roupa vestir? Tudo bobagem: terminamos por ir ao lugar mais próximo, a beber o que estiver mais perto, a escolher uma ou outra vestimenta aleatoriamente, comonum par ou ímpar e a vestir a primeira roupa que pegar no armário.

Desde os tempos em que Eva só enxergava Adão à sua frente, que não via outro homem naquele imenso Paraíso – até porque só existia ele, além das serpentes – que é assim: sempre temos que decidir entre pelo menos duas opções. Até Eva, longínquo tempo, teve de decidir entre Adão e a fruta: deu preferência à maçã, mas isso já é outra história. Então, na vida, isto ou aquilo, escolhamos. Sábado à tardinha, por exemplo, surge a dúvida, outra necessidade de decidir: jantar fora ou pedir uma pizza? calabrezza ou mussarella? Feita a opção, pede-se acessoriamente uma coca-cola. Ou um guaraná.

Ontem mesmo, lembrando o tempo em que se fumava um cigarrinho que passarim não fuma, ocorreu-me a dúvida cruel que confirma minha tese aqui exposta: assistir o programa do Ratinho ou escrevinhar minhas baboseiras e besteiragens semanais para encher o saco de meus 5 ou 6 leitores. Perdeu o leitor. Também, quem mandou o protótipo de roedor ser tão ruim apresentando seu programa? Daí, escrevi este sem-assunto, estas mal tecladas linhas, pelo que já me desculpo perante aqueles que tiverem a infeliz ideia de lê-las ao invés de escolherem algo melhor a fazer. Da próxima, prometo, vou optar pela TV: dos males, o menor.

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EUTRÓPIO

Vulgarizou-se o título, banalizou-se a expressão: todos são Poetas, todos se tratam por Poeta como se Poetas fossem. Assim como Eutrópio, que se dizia Poeta, se achava Poeta e adorava assim ser chamado. Fazia uns versinhos, de quando em vez, utilizava rimas mais que pobres e não obedecia qualquer métrica ou ritmo em seus poemas (se é que assim podemos chamá-los). Tampouco poderiam seus pretensos versos ser classificados como modernos, tão banais que eram. Eutrópio era tão Poeta quanto seu homônimo romano, um burocrata de Constantinopla, pouco afeito às rimas e aos versos.

Incautos o chamavam de Poeta e Eutrópio, de peito cheio e ego lotado, dizia, num auto-elogio, ser o Poeta mais importante de sua rua. Eutrópio não mentia: na rua em que morava só havia uma casa, a sua. E ele morava só. Era, pois, não apenas o mais importante, mas opúnico na rua em que morava. Viva Eutrópio (que me desculpem os Eutrópios, mas que mau gosto dos pais ao escolher esse nome pro filho. Vôte!).

Em Tempo: apenas para que não existam dúvidas e repetindo o que já disse em crônicas anteriores: me incluo entre os indevidamente chamados de Poeta. Não sou nem tenho a menor pretensão de sê-lo. Apenas escrevo, de quando em vez, letras de música popular, versos quaisquer, coisa de quem não tem o que fazer. Poeta é uma coisa muito maior. Salve Louro do Pajeú, Pinto do Monteiro, Manoel Bandeira, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa …

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CASAMENTO MATUTO

O fato aconteceu no Cartório de Registro Civil de uma cidadezinha chamada Crato, lá pras bandas do sul do Ceará, na beira da Serra do Araripe. Era semana pré-carnavalesca e o Anjo da Guarda de Bastião, ainda que de ressaca, nesse dia ‘tava de prontidão vigiando os foliões retardatários. Foi ele quem segurou a mão de seu Bené de Dora, já se coçando em procura da lambe-suvaco amolada, um monte de polegadas nos cós, deixando à mostra só o cabo da bendita. O ‘bigodim de beiço de gato mijado’ do caba fazedor da mal à filha de Seu Bené chega arrepiou-se todinho, imaginando aquela peixeira fina nas brenhas de seu intestino grosso.

E Francisquim, ali quieto no útero de Ceiça, embuchado que fora já há cinco meses, só assistindo, de camarote, à solenidade. O cabra do Cartório, já meio invocado com o lero-lero do vigário, falando da riqueza e da pobreza, da doença e da saúde, aquele papo que rola em todo casório, a tudo assistia por dever de ofício. Foi quando Padre Luiz, afinal, perguntou se tinha alguém contra aquele casamento. Francisquim arretou-se, levantou a venta, e de dedo em riste dentro do bucho da buchuda, cutucou o umbigo de Ceiça, a mãe menininha do Crato, e gritou em alto e bom som pra todo o sertão do Araripe escutar: ‘tem não, seu Pade, e se avexe, acabe logo esse babado que eu ‘tô querendo descansar um tiquim’. Descansou por mais quatro meses, e, sonolento e preguiçoso, desembuchou.

Faz quase 20 anos e hoje está aí, contando história, fazendo poesia bonita que só a gota serena e aumentando a prole. Benedito Neto que o diga. E até hoje Bigodim e Ceiça são felizes que só a mulesta! Seu Bené, bisavô igual nunca se viu!