RODRIGO CONSTANTINO

AMEAÇA SUPREMA

Da esquerda para a direita, Erika Kokay, Lula, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Jair Bolsonaro e Daniel Silveira | Foto: Montagem Revista Oeste/Agência Brasil/STF/SCO/Wikimedia Commons

Um homem da Califórnia carregando pelo menos uma arma foi preso nesta semana perto da casa particular do juiz da Suprema Corte norte-americana Brett Kavanaugh, em Maryland, e levado sob custódia pela polícia. O homem havia dito aos policiais que estava lá para matar o juiz, relatou o Washington Post.

O homem foi descrito como tendo cerca de 20 anos e carregava pelo menos uma arma, relata o Post. A polícia teria sido informada de que essa pessoa poderia representar uma ameaça a um juiz da Suprema Corte antes de fazer a prisão. O suspeito foi levado sob custódia em uma rua próxima à casa de Kavanaugh, no Condado de Montgomery.

De acordo com o Post, o homem queria matar Kavanaugh porque estava chateado com o rascunho vazado de uma opinião majoritária que derrubaria a decisão Roe v. Wade, que criou um direito constitucional ao aborto no país, usurpando direitos estaduais. O homem também estava irritado com os recentes tiroteios em massa, informou o Post.

Isso é o que parece com uma ameaça concreta à Corte Suprema! Mas como o juiz foi indicado por Trump, e como o potencial assassino aponta como motivo a mudança na questão do aborto, a imprensa não dará o devido destaque, já que não se encaixa em suas narrativas “progressistas”. Foi assim quando um apoiador de Bernie Sanders abriu fogo contra congressistas republicanos, quase matando um. A história pouco repercute e logo é abandonada.

Agora vamos comparar essa real ameaça, quase levada a cabo, com o caso Daniel Silveira no Brasil. O deputado bolsonarista, com imunidade parlamentar, exaltou-se num vídeo e chegou a falar de seu desejo de ver alguns ministros levando uns sopapos. O deputado se arrependeu depois, e ponto. Mas não para o STF. Para o ministro Alexandre de Moraes, isso foi visto como uma grave ameaça que justifica até “flagrante perpétuo”, ao usar o vídeo como se fosse um ato contínuo e infinito.

Moraes criou leis novas de sua cabeça, rasgou a Constituição, aplicou punições extremamente severas ao deputado, confiscou seu dinheiro, o da sua mulher, e Daniel foi tratado como se tivesse cometido de fato um terrível crime – deixando de lado que quem faz isso acaba muitas vezes sendo solto pelo STF, como uma liderança do PCC pode atestar.

Nossa velha imprensa, infelizmente, entrou nesse jogo de absurdos ao tratar críticas ao STF, ainda que inflamadas, como ameaças reais. Essa banalização do conceito só interessa a quem quer abusar do poder e praticar o arbítrio, além de poupar aqueles que realmente representam ameaças. O MST, por exemplo, já foi até o prédio em que mora a ministra Cármen Lúcia e jogou tinta vermelha no chão. Isso é algo bem mais próximo de ameaça do que palavras indignadas. Mas o MST conta com a simpatia do ministro Fachin, por exemplo, e nada aconteceu com seus líderes.

O ladrão condenado por nove juízes pode ser candidato por truque supremo com base no CEP, mas o juiz que o prendeu não pode ser candidato por mudar o domicílio eleitoral

Qualquer pessoa minimamente atenta e com um pingo de imparcialidade já se deu conta, a esta altura, do ativismo político do STF. Alguns ministros nem tentam esconder seu desprezo ou seu ódio pelo atual presidente, e mobilizam uma escancarada perseguição aos seus apoiadores. Outros tentam ocultar o óbvio em meio ao palavrório jurídico, tentando dar uma aura de legitimidade ao que é, na verdade, pura militância partidária.

Mas ninguém sensato consegue negar os fatos: esses ministros operam para derrubar o presidente eleito, impedir sua reeleição, intimidar seus familiares e apoiadores próximos, tudo isso enquanto o ex-presidente corrupto – que indicou vários desses ministros – foi “descondenado” por malabarismos patéticos. Quem está confortável com esse estado de coisas está flertando com o perigo.

O ladrão condenado por nove juízes pode ser candidato por truque supremo com base no CEP, mas o juiz que o prendeu não pode ser candidato por mudar o domicílio eleitoral. O CEP salva um, condena o outro. Não é que o Brasil não seja para amadores, é que o Brasil é o país dos bandidos mesmo! E o “sistema” deixou claro que aceita qualquer um, menos Bolsonaro. Por que será?

Foi nesse contexto que o presidente Bolsonaro voltou a subir o tom nesta semana, num desabafo que também pode ser interpretado como um alerta ao povo brasileiro. “Enquanto aqui a gente está num evento voltado para a fraternidade, amor, compaixão, aqui do outro lado da Praça dos Três Poderes uma turma do STF, por 3 a 2, condena um deputado por espalhar fake news. Ele não espalhou fake news porque o que ele falou na live eu falei também, que estava tendo fraudes nas eleições de 2018″, afirmou Bolsonaro, durante evento no Palácio do Planalto.

Dizendo-se indignado com a decisão, o presidente criticou duramente os ministros Alexandre de Moraes, futuro presidente do TSE, e Edson Fachin, atual presidente do tribunal, a quem acusou de cometer um “estupro contra a democracia” ao se reunir com embaixadores de outros países para falar sobre as eleições de outubro próximo. Bolsonaro afirmou que ganha as eleições no Brasil “quem é amigo dos ministros do TSE”.

O duplo padrão realmente é escancarado. A deputada petista Erika Kokay, por exemplo, afirmou que houve fraude eleitoral em 2018, mas para beneficiar Bolsonaro. Deixando de lado o ridículo disso, vale perguntar: pode então dizer que a eleição foi fraudada ou não? A resposta, claro, sabemos: depende de qual lado você está! Se for um garoto-propaganda de Dilma Rousseff, por exemplo, pode até ser ministro supremo e repetir que está preocupado com hackers russos bem ao lado do colega ministro que garante a inviolabilidade das urnas!

É tudo tão bizarro que não dá mais para esconder a ameaça suprema, a verdadeira ameaça à democracia, que vem de militantes togados, que tratam como grave ameaça qualquer desabafo mais enfático, passando a perseguir seus autores. Não há ninguém carregando uma arma perto das casas particulares dos nossos ministros. Mas eles não se importam de rasgar a Constituição sob o pretexto de que precisam se defender dos “ataques” contra a instituição.

RODRIGO CONSTANTINO

ATÉ JORNAL ANTEBOLSONARISTA ESTÁ PREOCUPADO COM ATIVISMO SUPREMO

O jornal carioca O GLOBO tem sido um dos veículos de comunicação mais críticos ao presidente Bolsonaro. Em seus editoriais, o governo só merece ataques. Além disso, as pautas “progressistas” encontram forte apoio no jornal. Não obstante, até O GLOBO já se deu conta dos riscos do ativismo judicial no Brasil.

Em seu editorial de hoje, 15 de junho, o jornal ataca Bolsonaro uma vez mais, como se fosse um perigo para a democracia, mas em seguida passa a demonstrar receio com o crescente arbítrio supremo. Seguem alguns trechos, com meus comentários em seguida:

Outro risco para nossa democracia, porém, tem passado despercebido. É mais insidioso e permanecerá entre nós mesmo que ele perca a eleição e transfira o poder ao sucessor. Trata-se da politização do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte, que deveria manter-se equidistante e alheia às paixões, parece a cada dia mais contaminada pelo noticiário, como se devesse prestar contas à opinião pública, não à lei ou à Constituição.

Na verdade esse risco não tem passado despercebido, e basta lembrar do 7 de setembro, quando milhões foram às ruas pedir justamente respeito à Constituição. Os “bolsonaristas” apontam para esse perigo faz tempo, mas acabam sendo demonizados pelo próprio jornal como “golpistas”.

O ministro Luís Roberto Barroso deu até prazo para o governo tomar providências nas buscas do indigenista e do jornalista desaparecidos na Amazônia, como se isso tivesse algum poder de acelerá-las – ou algum cabimento. O ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se esforça para desvencilhar-se da desavença insólita que ele próprio alimentou com os militares em torno das urnas eletrônicas. E o ministro Gilmar Mendes teve nesta semana de reafirmar o óbvio, dizendo que o Supremo não é “partido de oposição ao governo”. Não é mesmo, nem jamais deveria ser.

Antes tarde do que nunca! Esses exemplos, entre muitos outros, são justamente aqueles apontados pelo próprio presidente Bolsonaro, tratado como um golpista pelo jornal carioca. O fato é que boa parte da velha imprensa vem passando pano para esse abuso de poder justamente porque o alvo é Bolsonaro. A mídia militante ajudou a alimentar esse monstro, e agora parece se mostrar preocupada, pois deve ter se dado conta de que pau que bate em Francisco também dá em Chico: ninguém está a salvo do arbítrio supremo!

Não é de hoje que o STF invade competências de outros Poderes. “Tenho a impressão de que, qualitativamente, o STF brasileiro, ao lado dos tribunais constitucionais colombiano e sul-africano, está entre os mais ativistas do mundo”, diz o jurista Gustavo Binenbojm. Mesmo que, na maioria dos casos, o Supremo mantenha seu papel de tribunal constitucional e última instância do Judiciário, nos poucos em que se arroga missão que o extrapola, dá argumento aos bolsonaristas e aos que promovem campanhas infames e despiciendas contra a Corte.

Não são poucos casos, e o problema não é alimentar campanhas “infames” de bolsonaristas, mas a própria postura infame de alguns ministros. Reparem que mesmo para tecer críticas o jornal alivia a barra dos ministros e volta a atacar Bolsonaro, em vez de focar no cerne da questão: é o próprio STF que tem se desviado demais de suas funções constitucionais, ao jogar fora das quatro linhas.

Nas palavras de um constitucionalista: “Conflito entre Poderes sempre vai existir, mas é difícil achar racionalidade em certas decisões”. Para citar exemplos, nem é preciso recorrer a casos rumorosos, em que o tribunal assumiu papel nitidamente político, como os inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, a prisão do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) ou os esforços por disciplinar as redes sociais. As decisões contaminadas pelo ativismo podem ser as mais corretas e proteger direitos essenciais, mas isso não impede que abram precedentes perigosos.

Os meios importam! Não são decisões corretas, e mesmo que fossem, o caminho é absolutamente condenável. Claro que abrem precedentes perigosos, e isso é exatamente o que muitos de nós temos denunciado faz tempo. Onde estava o jornal na hora de condenar com veemência a prisão absurda do deputado Daniel Silveira? O fato de ele ser apoiador de Bolsonaro fez com que o jornal preferisse cochilar nesse momento…

Quando o Supremo tornou a homofobia e a transfobia crimes, formulou, sem aval do Legislativo, um tipo penal por analogia – um absurdo, pois o Direito Penal é literal. Quando equiparou os crimes de racismo e injúria racial, alterou definições de leis aprovadas no Congresso. Quando determinou condições para operações policiais nas favelas cariocas, invadiu competência do Executivo fluminense e determinou uma política pública. Nada disso estava errado em si. Mas criou-se um caminho para arbítrios futuros.

Tudo isso é errado em si, para quem não é um “progressista” de esquerda. Mas certamente a forma foi ainda pior do que o conteúdo, pois mesmo quem concorda com essas medidas precisa denunciar o ativismo judicial, uma vez que cabe ao Congresso formular leis, não ao STF.

Noutras situações, o STF soube agir com comedimento. Ficou anos sem tomar decisão sobre o Fundo Garantidor de Créditos para não invadir competência do Legislativo. No caso da reeleição para as presidências da Câmara e do Senado, apenas mandou cumprir o que estava na Constituição. Casos assim mostram que os ministros têm plena noção da atitude exigida de juízes que concentram tanto poder. Precisam ter a sabedoria de mantê-la.

O editorial conclui com muito otimismo e ingenuidade, numa clara incoerência em relação ao que critica antes. Os casos de “acertos” são bem menos relevantes do que os absurdos que o próprio jornal elenca. Contar com a “sabedoria” desses ministros para “manter” uma atitude exigida de juízes com tanto poder é uma piada de mau gosto. O jornal faria mais se lembrasse do papel institucional do Senado para conter tantos abusos. Deveria ter pressionado o presidente Rodrigo Pacheco para agir, uma vez que há vários pedidos robustos de impeachment engavetados.

O advogado liberal Leo Corrêa escreveu um texto em 2018 sobre o ativismo judicial, que vem bem a calhar, até porque está repleto de citações de grandes juristas americanos. Como esta, do Chief Justice John Roberts, que salientou:

Os membros desta Corte possuem a autoridade de interpretar a lei; não detemos a expertise nem a prerrogativa de proferir julgamentos sobre políticas. Essas decisões são atribuídas aos líderes eleitos de nossa nação, que podem ser expulsos de seus cargos se o povo discordar deles. Não é nossa função proteger o povo de suas escolhas políticas.

Se esse ativismo supremo está incomodando até mesmo o jornal O GLOBO, que é simpático às causas “progressistas” desses ministros que tentam “empurrar a história”, e que odeia o presidente Bolsonaro, principal alvo da militância togada, então é porque os ministros do STF foram longe demais mesmo e passaram de todos os limites aceitáveis!

RODRIGO CONSTANTINO

BOLSONARISTAS

Participei este fim de semana do CPAC Brasil 2022, em Campinas. O evento estava muito bem organizado, lotado e com excelentes palestras. Abaixo, um breve resumo da minha fala, em que defendi a tese de que os pseudo-liberais, hoje, representam uma ameaça maior do que a esquerda.

Esses “isentões”, afinal, dão legitimidade ao abuso de poder que temos visto em nosso país. Ao colocar o ódio a Bolsonaro ou a ambição pelo poder acima das preocupações com nossas instituições, esses falsos liberais produzem uma sensação de que a tirania togada é algo normal e aceitável, e isso esgarça o tecido social e enfraquece nossas instituições republicanas.

Quando um cracudo aparece em nossa casa com nosso filho, todos os sinais de alerta disparam e podemos, ao menos, tentar reagir com mais vigor. Mas quando é um limpinho arrumadinho, tendemos a relaxar, confiar. E o limpinho pode ser muito bem um traficante disfarçado, um mau elemento que pretende corromper nosso filho.

Não é por outro motivo que Lula escolheu Alckmin para vice na chapa: o tucano é o falso carola a ajudar o bandido a entrar em nossas casas, voltar à cena do crime para roubar mais, como o próprio Alckmin, antes, atestava. Pois bem: a tal “terceira via”, o auto-intitulado “centro democrático” não passa de um ajuntamento de tucanos como o próprio Alckmin.

Aceitar a normalização da candidatura do Lula é participar de um jogo sujo, e é exatamente isso que essa turma tem feito. Criaram uma narrativa de combater os dois extremos ou polos da polarização, como se houvesse equilvalência entre Lula e Bolsonaro. E pior! No fundo eles pintam Bolsonaro como a verdadeira ameaça à democracia, às liberdades.

Onde estavam esses tucanos durante a ditadura sanitária? Ah sim! Estavam exercendo a tirania em nome da ciência, ao lado de petistas, todos contra Bolsonaro, um dos únicos a defender as liberdades. Eduardo Leite, o queridinho do mercado, estava fechando gôndolas de supermercado e escolhendo os produtos “essenciais” para o povo, de acordo com seus critérios pessoais e subjetivos.

Onde estavam esses tucanos para contestar o escancarado ativismo judicial? Estavam aplaudindo, elogiando os ministros supremos, passando pano para todo o arbítrio só porque o alvo é o bolsonarismo.

Além disso, esses tucanos podem até fazer algumas concessões ao liberalismo econômico, pregar algumas privatizações (sem muita convicção), mas no essencial eles são esquerdistas da mesma forma que seus primos radicais. Os valores morais desses “progressistas” partem de uma visão de mundo revolucionária, são globalistas, abortistas, adotam a ideologia de gênero.

Estamos diante dos 50 tons de vermelho, ou de rosa, se preferir. É a velha estratégia das tesouras, um simulacro de oposição que mascara a briga interna dentro da esquerda pelo poder. Mas os socialistas Fabianos não são muito diferentes dos seus parentes mais avermelhados. Divergem mais no estilo do que nos fundamentos, adotam uma forma mais polida, mas o conteúdo é semelhante.

E para combater os “cracudos” do Foro de SP, a turma comunista, precisamos da figura do “herói trágico”, aquele que tem coragem de enfrentar a corja pois só não faz parte do bando por um acidente do destino. Imaginar que os “limpinhos” sejam capazes de oferecer resistência aos golpistas é uma piada!

Outra marca característica dessa “terceira via” é o ressentimento, a inveja que sentem do atual presidente. Afinal, essa turma tem a mídia quase toda a seu favor, os empresários, banqueiros, mas só não tem o povo! Por isso que cada motociata de Bolsonaro desperta revolta. O máximo que eles conseguiriam é lançar uma “patinetada” no Leblon, com meia dúzia de almofadinhas.

Eis o ponto central aqui: criar equivalência moral entre o PT e Bolsonaro é algo absurdo, inaceitável. Estamos falando de uma quadrilha totalitária e de um presidente que tem respeitado as regras do jogo, atuando dentro das quatro linhas da Constituição. Estamos falando do partido que liderou o maior esquema de corrupção da nossa história, contra um presidente sem escândalos. Um lado mira no exemplo da Venezuela, o outro prega a liberdade.

Isso sem falar do quadro técnico. Ou alguém quer mesmo comparar Paulo Guedes com Guido Mantega? São vários ministros competentes no atual governo, enquanto na era petista havia uma divisão somente política com base nos feudos partidários. Estão com saudades do Dirceu?

Os dados econômicos poderiam estar melhores hoje, sem dúvida. Mas aqui os “liberais” também são responsáveis. Houve muito boicote (Rodrigo Maia que o diga), sabotadores que tentaram impedir reformas. E mesmo assim, avançamos. Apesar deles. Apesar da pandemia e do lockdown que esses “liberais” pregaram.

A economia estaria muito melhor em condições normais. Mas os sonsos e cínicos que criaram muitos dos problemas fingem não ter nada com isso, e ainda ignoram a existência da pandemia, o cenário no resto do mundo.

Diante de todos os argumentos, eles fogem do debate e apelam para rótulos: terraplanista, fascista, bolsonarista! Tudo bem. Se querem reduzir tudo a isso, não tem problema. A direita só tem Bolsonaro mesmo, nesse momento. Ele é o único obstáculo entre o Foro de SP e a liberdade do povo. Vejam os casos do Chile, Peru e Argentina. Hoje, portanto, somos todos bolsonaristas.

RODRIGO CONSTANTINO

O ÚNICO (QUASE) ACERTO DE LULA

O ex-presidiário Luís Inácio Lula da Silva só diz bobagem, mente que nem sente, inventa números, distorce a realidade e abusa da retórica sensacionalista. Mas ele quase acertou o alvo pela primeira vez. Foi quando disse que o PSDB acabou, morreu. Claro que, em essência, não é bem assim. Mas a ideia vai na direção certa: os tucanos derreteram, não só com Doria, mas com sua postura em geral.

A farsa da estratégia das tesouras chegou ao fim. Na pandemia, governadores e prefeitos tucanos se mostraram tão autoritários quanto os petistas. Na defesa do liberalismo econômico, os tucanos parecem tímidos demais. Nas pautas de costumes, eles aderiram em peso ao credo “progressista”. E quando o tucano mais “conservador”, que alertou que Lula pretendia voltar à cena do crime, acabou fechando chapa com o próprio larápio, o descrédito do tucanato foi no limbo.

Claro que há bons quadros no PSDB, gente mais liberal, alguns antipetistas de fato. Mas as lideranças, como o ex-presidente FHC, adoram incensar Lula, elogiar o corrupto, enquanto demonizam Bolsonaro. É uma esquerda acovardada, sem coragem de sair do armário, e que se vende como muito diferente porque usa terno melhor e perfume francês. Não engana mais tanta gente assim.

Quem não gostou da fala de Lula, porém, foi o jornalismo tucano. O Estadão, o jornal mais tucano de todos, publicou seu editorial do dia 3 condenando a fala “antidemocrata” de Lula. Diz o jornal:

Lula pretende se apresentar como ‘salvador da democracia’ no País, mas sua natureza autoritária sei mpõe, ao debochar do PSDB e da inteligência do eleitor. O chefão petista diz e repete que pretende ser líder de um amplo movimento suprapartidário para nada menos que “salvar a democracia”, mas, quando está entre os seus, deixa claro o que entende por “democracia”: um regime em que o PT governa sem oposição.

Em seguida, o jornal passa a elogiar as gestões tucanas, e alfineta Lula: “O perigo de uma eventual vitória de Lula não se manifesta somente nos momentos em que reafirma sua vocação autoritária. Preocupa igualmente sua visão tacanha de mundo. Em vários momentos, Lula parece que está disputando a direção de um centro acadêmico, não a Presidência da República”. E conclui: “Esse é o Lula – irredutível demagogo e incorrigível autoritário – que quer ser visto como o redentor do Brasil”.

O Estadão está certo sobre Lula, claro, mas chega a ser patética a defesa apaixonada que faz do PSDB. No fundo, o que os tucanos não aceitam é o desprezo de Lula por eles, que no fundo tentam tanto formar essa “frente ampla” contra Bolsonaro. Se ao menos Lula fosse mais tolerante com a turma da social-democracia, que não enxerga tanto defeito assim no socialismo ideológico do PT, mas que fica desesperada com o egoísmo e a gula de seu líder. Poxa, era só Lula elogiar um pouco o PSDB que todos os parentes esquerdistas seriam tão felizes juntos…

RODRIGO CONSTANTINO

MORAES VAI CASSAR LULA SE O LADRÃO REPETIR QUE FOI INOCENTADO?

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, citou decisões da corte que balizarão a postura da Justiça Eleitoral no julgamento de casos de fake news, como o entendimento de que todas as redes sociais são meios de comunicação e que um mau pode vir a ser considerado abuso de meio de comunicação, abuso de poder político e abuso de poder econômico.

Segundo o ministro, o candidato que divulgar nas redes sociais fake news capazes de influenciar o eleitor terá o registro caçado para as eleições de 2022. A fala de Moraes foi feita durante evento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Diplomatas de 78 países ouviam apresentações sobre eleições no Brasil e o sistema eletrônico de votação.

Quem também falou no evento foi o presidente do TSE, ministro Edson Fachin. Ele afirmou que a comunidade internacional precisa ficar alerta a acusações contra o sistema eleitoral brasileiro. “O enredo parece sempre o mesmo: buscar a conturbação, incutir a desconfiança entre os espíritos desavisados para minar a legitimidade dos eleitos e da própria vida democrática. Atacar o sistema eleitoral dessa maneira é atacar a própria democracia. Mas, aqui no Brasil, estamos confiantes, porque a maturidade e a estabilidade das instituições brasileiras não permitirá que esses barulhos perturbem a vida democrática”, disse.

Moraes e Fachin já perderam a mão (e o pudor) faz tempo. Moraes chega a mencionar diretamente o risco da “extrema direita” nas redes sociais. Deixando de lado o que o ex-tucano entende por extrema direita, que deve incluir qualquer conservador, cabe perguntar: por acaso não há discurso de ódio e fake news da extrema esquerda?! Isso não existe?! O simples fato de o ministro que vai presidir o TSE durante a eleição citar somente um lado do espectro ideológico deveria ser assustador, mas nossa imprensa está anestesiada, pois ela também é dominada pelos esquerdismo, assim como o STF.

Fachin, que foi garoto-propaganda de Dilma e simpatizante do MST, agora repete que quem colocar em dúvida nossa urna eletrônica é um criminoso. Pouco antes, quando “coincidentemente” Bolsonaro estava em viagem diplomática na Rússia, Fachin alertou para um risco de invasão de hackers russos em nosso sistema. Fachin vai prender Fachin?! A petista Erika Kokay afirmou outro dia que a eleição de 2018 foi fraudada. Fica por isso mesmo? É tudo tão bizarro que chega a ser ridículo mesmo.

Incapazes de definir de forma objetiva o que é uma Fake News ou discurso de ódio e quem define isso (o Ministério da Verdade orwelliano ainda não foi criado oficialmente), nossos ministros supremos partem para uma escancarada perseguição a um lado político. É um jogo que nem tentam mais esconder, pois nossa militância jornalística prefere passar pano para tentar derrotar a direita. É por isso que tem vereador preso por “meme”, enquanto Lula pode repetir por aí que foi inocentado pela Justiça – uma gritante mentira. Moraes vai cassar o registro de Lula caso ele vença? Ou o “companheiro” pode espalhar Fake News sem problema?

RODRIGO CONSTANTINO

BIOGRAFIA PORNÔ: HAVIA UM ALÇAPÃO NO FUNDO DO POÇO DE MORO

O União Brasil estuda a possibilidade de lançar o ex-ministro Sergio Moro como candidato do partido ao governo de São Paulo nas eleições de outubro. A perspectiva foi levantada pelo vice-presidente da legenda no estado, o deputado federal Júnior Bozzella (União-SP).

Em entrevista ao jornal Metrópoles, o parlamentar afirmou que a executiva do partido acredita que a candidatura de Moro ao governo paulista fortaleceria a sigla no estado. “Há membros da executiva em São Paulo que querem colocar o Moro como candidato a governador para ter um palanque no estado e fortalecer o 44 (número do partido). Para alguns deputados, isso é conveniente porque, com uma candidatura a governador, você teria um voto de legenda mais considerável”, declarou Bozzella.

Os líderes do partido acreditam que a esposa de Moro, a advogada Rosângela Moro, herdaria automaticamente os votos que o ex-juiz teria para deputado federal e que o casal poderia ainda impulsionar a candidatura de Luciano Bivar ao Planalto. “Com Moro governador e a Rosângela deputada, você teria muito voto de legenda, e a Rosângela, automaticamente, herdaria esses votos que o Moro teria para deputado federal. Então, uniria o útil ao agradável. Seria um belíssimo palanque para o Bivar em São Paulo, além de favorecer a chapa de deputado federal em São Paulo e o União Brasil no país como um todo”, avalia Bozzella.

É bem constrangedor. Moro, afinal, já disse em entrevista que não havia a menor possibilidade de virar político. Depois, já político, garantiu que somente o cargo do ex-chefe no Palácio do Planalto lhe interessava, sem qualquer plano B. Em seguida, após derretimento em pesquisas e troca precoce de partido, restou ao ex-juiz agradecer por uma pesquisa que o colocava com 20% de intenção de votos para o Senado. Agora seu partido já falava em disputa para governador…

Moro, que saiu da forma que saiu do governo, e tudo supostamente para salvar sua biografia, virou um joguete na mão de raposas da política. O futuro político de Moro será decidido por caciques do centrão. Moro já colocou Luciano Bivar como o salvador da Pátria e da democracia. Moro já colou sua imagem na do MBL, movimento de moleques oportunistas e sem escrúpulos. E agora, pelo visto, Moro já se sente bastante à vontade ao lado de Alexandre Frota, o eterno ator pornô que declarou apoio a Marcelo Freixo, o socialista. Quanto falta para Moro pedir voto para Lula?

Quero lembrar ao estimado público que jamais aceitei o boçal do Frota na política, mesmo quando ele fingia ser de direita. Meus textos comprovam: alertei que o sujeito era um oportunista, fazia mal ao conservadorismo por se vender dessa forma, e torci para que a “frota tosca” perdesse espaço para a turma de Paulo Guedes no governo. Frota, enfim, nunca me enganou. Mas agora eis que seduziu Moro, o biografado. Qual o nome do filme?

Nós quase sentimos pena por Moro nesse papelão tão patético. Mas aí lembramos do que ele tentou fazer com o governo, em meio a uma pandemia, tudo aparentemente por pura ambição pessoal, e a pena logo passa. Quem planta vento colhe tempestade. Que se deixa ser picado pela mosca azul do poder acaba mal. Moro tem muita preocupação com sua biografia, mas deveria ler é literatura clássica, para conhecer melhor a natureza humana. Pode começar com Macbeth, de Shakespeare…

RODRIGO CONSTANTINO

O ÓDIO PERMITIDO

Acordei hoje cedo com a recomendação de um texto por um parente, que não é muito interessado em política, mas rejeita o bolsonarismo. Dizia que a leitura é obrigatória, imperdível. Trata-se do texto de Fersen Lambranho publicado no Brazil Journal, “O ódio que nos separa – e a resposta que lhe cabe”. Li o texto, que tem pontos até razoáveis, mas algo me incomodou bastante ali.

Explico. O autor fala do nazismo, do Holocausto, do ovo da serpente, do clima de intolerância, de banalização do mal, e tudo isso num contexto que parece pregar a tolerância e paz, o diálogo e o debate sobre ideias, em vez de um tribalismo que demoniza o “outro”. Até aí, tudo bem. Mas o que está fora da ordem, então? O timing do texto, e o claro intuito, que uma pessoa mais atenta não deixaria passar batido.

Fersen é da escola Garantia, do Jorge Paulo Lemann. Ele fala da pandemia, e ali já salta aos olhos o real alvo de seu ataque disfarçado de moderação:

Invocar o Holocausto para chegar na reação que alguns tiveram nessa pandemia parece puro apelo retórico, para dizer o mínimo. Na pandemia, talvez o autor devesse ter ficado chocado é com a facilidade com que tanta gente aceitou tiranias em nome da ciência, enquanto demonizavam os céticos como se fossem “terraplanistas” ou “genocidas”. Transeuntes arrastados em praça pública, banhistas presos, mulheres espancadas por policiais, pequenos comerciantes impossibilitados de trabalhar, vacina experimental obrigatória até em crianças, e tudo isso para “salvar vidas”. Quem condenou essa postura chinesa era do mal?

Fersen fala do totalitarismo, mas não parece compreender que a maior ameaça totalitária hoje vem justamente do progressismo woke, da agenda globalista, da esquerda. Ele fala em “acolher” o próximo, mas não parece se dar conta de que essa elite “inteligentinha” resolveu transformar em pária social qualquer conservador que não reza na mesma cartilha do politicamente correto:

Para ser justo com o autor, ele fala que o discurso do ódio pode vir dos dois lados. Mas mesmo esse relativismo é pouco convincente. Ora, a turma petista criou o “nós contra eles” em nosso país, e era apenas natural que houvesse uma reação. O tribalismo à direita é uma reposta a isso. Imperfeita, um tanto raivosa às vezes, mas necessária. Especialmente quando lembramos que a turma “moderada” e “civilizada” passa pano muitas vezes para o “ódio do bem” enquanto repudia os “broncos” de direita. É a típica postura tucana, ou do “liberal purinho”.

Nossa elite adota a visão estética de mundo, e dá mais peso à forma do que ao conteúdo. Um radical picareta com fala mansa tem mais chance de sucesso na sedução dessa turma do que um tiozão do churrasco sincero e honesto. Levei meu filho para ver “The Bad Guys” este fim de semana, e a animação da DreamWorks mostra bem isso (com spoiler): o porquinho pacifista, uma espécie de Gandhi que rivalizava só com a Madre Teresa de Calcutá, era na verdade o pior de todos os vilões! Cuidado com as aparências…

A preocupação com o suposto nazismo, que é o ponto central do texto de Fersen, existe apenas como histeria da elite tucana, enquanto a ameaça de volta da quadrilha petista é bem real. O autor simula uma incrível bondade, disposição ao diálogo, uma postura solidária, mas conclui que 2022 precisa ser a “festa da democracia”, o que remete exatamente ao discurso de toda a elite tucana e do “sistema” que, em nome da suposta defesa da democracia contra uma terrível ameaça nazista, justifica todo tipo de absurdo.

Ou será que Fersen, ao falar em solidariedade e democracia, tem em mente condenar um evento que seu colega Lemann fez em Boston, em que a deputada Tabata Amaral, sua cria política, levantou a bola para o ministro Barroso se colocar como o bem e a democracia incorporados nele, lutando contra o mal, Bolsonaro? Isso sem dizer que o próprio Lemann afirmou que teremos outro presidente no Brasil ano que vem! É essa a “festa da democracia” que queremos? Uma democracia de gabinete, sem povo?

Será que Fersen tem duras críticas aos abusos supremos, a ministro que manda prender jornalista por crime de opinião, deputado com imunidade por se exceder em falas, abre inquérito ilegal contra bolsonaristas, inclui o próprio presidente em vários, um deles por quebrar o sigilo de um inquérito da Polícia Federal que nem era sigiloso, e ainda fala que a “extrema direita” tomou conta das redes sociais e o poder judiciário precisa reagir?

Sobre a cultura do cancelamento, que Fersen pede paciência e generosidade para lidarmos com seus efeitos, será que ele tem em mente os chacais e hienas que degolam cabeças virtuais de quem não se ajoelha sobre o milho woke? Será que ele tem em mente os “anões dorminhocos” que tentam destruir empresas e pessoas que não repetem as cartilhas esquerdistas?

Enfim, o texto em si tem pontos interessantes, mas quando analisamos o conjunto da obra, o timing, o perfil, o tema escolhido, fica claro o verdadeiro objetivo. Fersen vende tolerância, mas alfineta bolsonaristas. Fala em ameaça nazista, mas ignora a real ameaça golpista de um sistema podre que soltou e tornou elegível o ex-presidente ladrão socialista, enquanto tenta derrubar o presidente eleito – aquele que tem defendido a liberdade individual e a Constituição.

Por fim, o autor quer a festa da democracia, mas parece nem notar que a democracia tem sido atacada desde dentro, não por Bolsonaro, mas por todos esses da elite que primeiro rotulam o presidente como nazista, para depois justificar todo tipo de abuso de poder contra ele. Afinal, se é para impedir a volta de Hitler, vale tudo, não? Quem se importa com um ou outro inquérito ilegal?

Vamos lutar contra o ódio que nos separa, diz Fersen. Mas ele ignora que há o tal “ódio do bem”, o ódio permitido, pois disfarçado de luta contra a inexistente ameaça do nazismo. Basta ver o caso da chef argentina, que chamou todo apoiador de Bolsonaro de “escroto ou burro”, o que foi tomado pela mídia como uma singela “crítica”, enquanto a reação natural de revolta de quem foi atingido assim foi chamada de “ataque”. A imprensa saiu em defesa da moça. Bolsonaristas podem ser tratados como párias sociais, segundo a elite tucana. Eles representam um ovo da serpente, não é mesmo?

RODRIGO CONSTANTINO

A ARISTOCRACIA ARROGANTE DE DAVOS

Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial | Foto: Montagem Revista Oeste/Laurent Gillieron/EPA-EFE/Shutterstock

Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial

O Fórum de Davos está acontecendo nesta semana. Seu fundador, Klaus Schwab, disse, com forte sotaque alemão: “Sejamos claros. O futuro não está simplesmente acontecendo. O futuro é construído por nós, por uma poderosa comunidade como vocês aqui nesta sala. Nós temos os meios para melhorar o estado do mundo. Mas duas condições são necessárias. A primeira é agirmos todos como stakeholders de comunidades maiores, para que não atendamos apenas aos próprios interesses, mas para que possamos servir à comunidade, o que chamamos de responsabilidade do stakeholder. E a segunda é que colaboramos. E essa é a razão para que vocês encontrem muitas oportunidades aqui nas reuniões, para se engajar em iniciativas orientadas para impactos concretos, para fazer progresso relacionado a questões específicas da agenda global”.

Esse breve trecho expõe, de forma clara e assustadora, toda a arrogância dessa elite ambiciosa que se julga detentora do direito de governar o mundo de cima para baixo. Schwab é autor de um livro chamado The Great Reset, em que diz abertamente como é importante esse grupo de “brilhantes” explorar a pandemia para remodelar o capitalismo mundial. Cheguei a escrever aqui no JBF um texto sobre isso, mostrando o desejo de controle dessa turma globalista, que pretende impor um governo mundial por meio de entidades supranacionais sem qualquer accountability, uma espécie de “democracia sem voto”. O voto, afinal, envolve o povo, e isso não pode ser tolerado por uma elite tão especial, abnegada e inteligente.

Como alertou Mencken, “o desejo de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para o desejo de controlá-la”. A senha desse controle está na palavra “stakeholder”, a nova obsessão dos globalistas. Em vez de executivos responderem diretamente aos acionistas (shareholders) da empresa, ou seja, aos donos da empresa, eles devem sopesar os “interesses” dos tais stakeholders, i.e., de toda a comunidade impactada de alguma forma pelas atividades da companhia. Dessa forma, esses executivos deveriam levar em conta os anseios dos funcionários, dos clientes e até mesmo do “planeta” na hora de tomar suas decisões estratégicas. Em termos práticos, os executivos devem olhar para “toda a comunidade” e aplicar a “vontade geral” em suas ações. Quem define tais interesses? A patota de Davos, ora bolas!

Toda a agenda global da ONU está repleta dessa visão arrogante. Esse clubinho elitista define as pautas “relevantes” e o mundo todo precisa seguir. O ESG, essa afetação em nome do ambiente, do social e da governança, não passa de uma forma mascarada de impor essa agenda. Não é mais necessário passar pelos Congressos dos países, obter o crivo popular, pois tais “acordos globais” foram costurados e assinados por tecnocratas e burocratas, e chancelados por presidentes. O Protocolo de Kyoto, sobre questões climáticas, por exemplo, nunca foi chancelado pelo Congresso norte-americano, mas passou a ditar as diretrizes das decisões dos governos de diferentes partidos. É globalismo na veia!

O que o mundinho de Davos não entende, ou não quer entender, é que por mais brilhantes que sejam esses ícones da elite global, o conhecimento real está pulverizado na sociedade, precisa evoluir de forma mais livre e natural, como o próprio sistema capitalista, o livre mercado, a globalização. O esforço de controlar e administrar esse processo é fruto de “arrogância fatal”, como chamou o economista austríaco Hayek. Tal como a linguagem, essas instituições são formações naturais, não a criação de um design inteligente. E elas precisam da liberdade para fluir, evoluir, corrigir erros, aprimorar-se. Se depender dos globalistas arrogantes, esse processo será interrompido, para se colocar em seu lugar uma pauta definida de cima para baixo.

Em essência, eis o que está em disputa aqui: a visão humilde e liberal de que o progresso ocorre muito mais de baixo para cima, de forma espontânea, versus a visão arrogante de que cabe a uma elite “esclarecida e benevolente” governar o planeta, sem a necessidade de responsabilização perante o povo. Mas tudo isso em nome do povo, claro, para atender a seus próprios interesses, como todo regime totalitário, como toda utopia coletivista, como todo projeto parido da crença vaidosa de Rousseau na “vontade geral”, que seria de alguma forma captada por ele mesmo, por algum líder poderoso capaz de interpretar o que cada um de nós realmente deseja, e talvez nem saiba!

O antídoto para tal mentalidade foi dado por vários liberais clássicos, entre eles o já mencionado Prêmio Nobel de Economia. Para Hayek, a liberdade inclui também a liberdade de errar, e, como o conhecimento é limitado e as preferências são subjetivas, somente a ausência de coerção permite o eterno aprendizado e o progresso humano. A razão humana não pode prever ou deliberadamente desenhar seu próprio futuro. O avanço consiste na descoberta do que fizemos de errado. Uma restrição grande à liberdade individual reduz a quantidade de inovações e a taxa de progresso da sociedade.

Não temos como saber anteriormente quem irá inventar o quê. O conhecimento é disperso, e também evolui. Nenhum ser seria capaz de concentrar algo perto da totalidade do conhecimento existente, e, ainda assim, este está sempre aumentando. Somente a redução drástica da coerção estatal pode garantir a evolução do conhecimento humano e o consequente progresso. Quanto mais o Estado planeja as coisas, mais difícil o planejamento fica para os indivíduos.

Hayek considerava que a liberdade fica muitas vezes ameaçada pelo fato de que leigos delegam o poder decisório em certos campos para os “especialistas”, aceitando sem muito questionamento suas opiniões a respeito de coisas de que eles mesmos sabem apenas um pequeno aspecto. Adotar uma postura de maior ceticismo, questionando até mesmo os especialistas nos assuntos, é fundamental. Basta pensar nos incríveis erros dos “especialistas” durante a pandemia, tudo em nome da ciência, para perceber a importância dessa humildade e desse ceticismo.

A maioria das vantagens da vida em sociedade, especialmente nas formas mais avançadas que chamamos de civilização, está no fato de que os indivíduos se beneficiam de mais conhecimento do que têm consciência. Seria um erro acreditar que, para atingir uma civilização superior, temos apenas de colocar em prática as ideias que nos guiam. Se queremos avançar, devemos deixar espaço para uma revisão contínua das nossas concepções presentes e ideais que serão necessários por novas experiências. Portanto, a liberdade é essencial para darmos espaço para o imprevisível.

É porque cada indivíduo sabe tão pouco e, em particular, porque raramente sabemos quem de nós sabe melhor que confiamos nos esforços competitivos e independentes de muitos para o surgimento daquilo que poderemos querer quando olharmos. Mesmo que humilhante para o nosso orgulho, devemos admitir que o avanço ou mesmo a preservação da civilização dependem de muitos “acidentes” que ainda acontecerão.

Para Hayek, devemos ter em mente que fazer o melhor conhecimento disponível em um determinado momento o padrão compulsório para todo o nosso futuro talvez seja a maneira mais certa de impedir o surgimento de novo conhecimento. Estamos sempre aprendendo. Somente a liberdade individual preserva isso. A aristocracia de Davos quer impedir justamente isso. Quer usar sua “sabedoria”, a fusão das “mentes brilhantes” reunidas naquelas salas, para desenhar todo o modelo de sociedade de cima para baixo, tornando a liberdade individual algo dispensável, enrijecendo as estruturas sociais.

Para concluir, podemos usar outro liberal, o francês Raymond Aron, que apontou a principal divergência entre liberais e socialistas: “O liberal é humilde. Reconhece que o mundo e a vida são complicados. A única coisa de que tem certeza é que a incerteza requer a liberdade, para que a verdade seja descoberta por um processo de concorrência e debate que não tem fim. O socialista, por sua vez, acha que a vida e o mundo são facilmente compreensíveis; sabe de tudo e quer impor a estreiteza de sua experiência — ou seja, sua ignorância e arrogância — aos seus concidadãos”. A aristocracia globalista de Davos não passa de uma nova casta socialista, em que pese seu discurso em prol do “capitalismo controlado”. São engenheiros sociais, e como tais devem ser combatidos por quem tem apreço pela liberdade.

RODRIGO CONSTANTINO

O “MASSACRE” POLICIAL E A BOLHA ESQUERDISTA

“Bandido bom é bandido morto” não é o melhor slogan do mundo, uma vez que o ideal é um Estado de Direito em que haja o devido processo legal e uma punição severa, mas humana para quem cometeu crimes. Ocorre que nada no Brasil é normal nesse sentido, e por conta da anomia existente, é no mínimo compreensível que essa mentalidade tenha se espalhado tanto. Ninguém aguenta mais tanta criminalidade somada à impunidade.

Os marginais tomaram conta de vastos territórios, são extremamente ousados e matam de forma banal, seguros da ausência de punição. Contam ainda com narrativas aliadas que vêm da esquerda, tratando marginal como vítima da sociedade e a polícia como a criminosa de verdade. Não faltam ONGs de “direitos humanos”, políticos socialistas e até mesmo juízes pregando essa completa inversão de valores.

É nesse contexto que temos de analisar o “massacre” ocorrido na Vila Cruzeiro, favela carioca. Chamar de “massacre” uma operação policial em que só marginal morre é fazer o jogo da esquerda defensora de bandidos. E é exatamente o que tem feito nossa velha imprensa. Teve até jornalista lamentando que não morreu nenhum policial, pois para eles é preciso ter mais “igualdade” no resultado. É a mesma “lógica” bizarra que utilizam para comentar a reação israelense aos ataques terroristas do Hamas.

Já para o povo trabalhador, quando só morre bandido significa que a operação foi um sucesso. Claro que ninguém deseja a morte de inocentes, e se houver de fato inocentes em meio aos mortos, isso precisa ser averiguado. Mas ignorar o contexto é apelar para a total desonestidade intelectual, como muita gente tem feito. Aqueles policiais receberam a informação de uma reunião do Comando Vermelho no local, e quando o BOPE chegou lá, deu de cara com um “bonde” de traficantes altamente armados. O “direito ao contraditório” termina quando há fuzis sendo disparados contra policiais!

É uma situação de guerra, e em guerras, claro que haverá eventualmente baixas civis. Não é o desejo da polícia, mas pode ser inevitável, até porque os bandidos usam inocentes como escudos humanos, como faz o grupo terrorista Hamas. A mídia foca no “terror” que seria causado pela operação policial, ignorando que o verdadeiro terror é imposto pelos bandidos, que controlam esses territórios. A única forma de evitar o confronto e, portanto, a “letalidade policial” seria não mandar policiais a esses locais. Parece ser esse o desejo da esquerda… Freixo chegou a defender o fim do BOPE!

Os defensores dos bandidos contam com apoio supremo até! Foi uma decisão de Fachin, chancelada pelo plenário do STF, que basicamente impediu operações policiais nas favelas do Rio sob o pretexto da pandemia. Isso ajudou a transformar o estado num refúgio de marginais do país todo, com tempo e tranquilidade para montar arsenais de guerra. No “bonde” que a polícia enfrentou havia até granadas, e os traficantes possuíam uniformes. Virou narcoguerrilha mesmo, como as FARC. E a esquerda aplaude…

As favelas do Rio são fortalezas do crime, dominadas pelo poder paralelo do tráfico de drogas. Quem foca na letalidade policial finge não se dar conta desse cenário. Acha que é possível subir morro com flores, cantando “Imagine” e soltando bolinhas de sabão. Mas o povo honesto e trabalhador está do lado da polícia. O presidente Bolsonaro, ao elogiar a ação do BOPE, demonstra conexão com a população em geral. A mídia, ao se alinhar aos socialistas e condenar o “massacre”, demonstra que vive numa bolha desconectada da realidade.

O Freixo pode chorar a morte dos marginais. A Mônica Bergamo pode constatar, com tristeza, que nenhum policial morreu no confronto. O ministro Fachin pode estar preocupado com as operações policiais. Mas o povo está preocupado é com a blindagem jurídica desses marginais, e com a impunidade que reina em nosso país. Para o seu José e a dona Maria, uma operação em que somente bandidos morrem é um sucesso, não um massacre!

RODRIGO CONSTANTINO

MINHA PRIMEIRA ENTREVISTA COM MORO

A ação popular apresentada no fim de abril por deputados do PT contra Sergio Moro, acusando-o de causar prejuízo ao patrimônio público, à economia do país e à Petrobras, tem natureza política e deveria ser rapidamente rejeitada. É a visão de juristas consultados pela Gazeta do Povo, que apontam vários vícios processuais e no próprio mérito da ação.

Nesta terça-feira (23), o juiz federal Charles Renaud Frazão de Morais, sorteado para analisar o caso, citou Sergio Moro para que se manifeste acerca das acusações. O Ministério Público Federal também foi intimado para acompanhar a ação, e deverá, com seu parecer, avaliar se é o caso de produzir mais provas para o processo e opinar pela responsabilização ou não de Moro.

Sejamos claros: a ação “popular” do PT é ridícula! Um grau de inversão total de valores. O próprio ex-juiz se manifestou a respeito: “A inversão de valores é completa: Em 2022, o PT quer, como disse Geraldo Alckmin, não só voltar à cena do crime, mas também culpar aqueles que se opuseram aos esquemas de corrupção da era petista. A ação popular proposta por membros do PT contra mim é risível”.

Moro está certo nisso. Ele é claramente perseguido pelo PT, que precisa de uma narrativa bizarra que coloque Lula como vítima e todo o sistema judicial que o condenou como “suspeito” ou “corrupto”. E foi nesse clima que tive minha primeira oportunidade de entrevistar Sergio Moro, no Jornal Jovem Pan desta terça.

Mas se Moro é, de fato, uma vítima nesse caso, ele se perdeu completamente em suas próprias narrativas políticas. Eu dei a oportunidade a ele, por exemplo, de reparar suas acusações contra o atual presidente, lembrando que ele chegou a tecer elogios ao PT só para atacar o ex-chefe na questão da interferência na Polícia Federal. Moro tem agido como os tucanos no esforço de criar uma falsa equivalência moral entre Lula e Bolsonaro. Levantei a bola, mas Moro saiu pela tangente.

E assim fez em todas as perguntas. Ricardo Salles quis saber se ele se arrependia de ter saído da magistratura para a política, e Moro tergiversou. Depois disse que se coloca à disposição do partido, lisongeado com as pesquisas para o Senado. Ele chegou a publicar no Twitter: “Agradeço ao povo paulista pelos 20% de intenções de voto para mim ao Senado Federal, na pesquisa da Real Big Data de ontem. Seria uma honra representar esse Estado”. Só que não faz muito tempo o mesmo Moro disse que não havia a menor possibilidade de abandonar a corrida presidencial para disputar o Senado…

Assim tem sido o Moro político: escorregadio demais, feito um linguado. Diz uma coisa e faz outra. Alimentou uma narrativa contra o atual presidente no afã de tomar seu lugar, mas se vangloria de sua passagem pelo ministério. Foi, aliás, a introdução de outra pergunta minha: parabenizei o ministro pelos resultados que ele mencionara, e também seu chefe, o presidente Bolsonaro, que lhe deu autonomia para executar seu trabalho. Só essa breve menção já expõe toda a incoerência do discurso de Moro.

Em seguida quis saber se ele não achava tímidas demais suas críticas ao ativismo do STF. Moro disse que não, que faz críticas “duras”, mas que respeita muito a instituição, os ministros, e é contra “ataques pessoais”. Postura de tucano, uma vez mais, quando todo brasileiro atento já sabe que alguns ministros agem como advogados petistas, militantes políticos, e isso é inaceitável para o cargo que ocupam. Falta estamina, testosterona e coragem ao Moro político.

Não tive tempo para mais perguntas. Pena. Queria saber se ele estava arrependido por apostar tanto nos moleques oportunistas do MBL, por exemplo. Saí da entrevista com um sentimento melancólico, lembrando de como já admirei o juiz Moro, como cheguei a prever o fim trágico do governo Bolsonaro após sua saída da forma que foi, aguardando a “bala de prata” que nunca veio. Moro foi uma enorme decepção. Sim, cheguei a trata-lo como herói nacional, como milhões de brasileiros. E ali na entrevista vi apenas um político evasivo, politicamente correto, inseguro, sem rumo. Foi constrangedor…