RODRIGO CONSTANTINO

ATAQUE JUDEOFÓBICO NA AUSTRÁLIA

tiroteio australia

Ambulância atende feridos após ataque terrorista na Praia de Bondi, em Sydney, durante festa judaica do Hanukkah

Um ataque terrorista a uma celebração judaica de Hanukkah na Bondi Beach, em Sydney, Austrália, matou pelo menos 15 pessoas e feriu dezenas, segundo as autoridades, marcando o ataque antissemita mais mortal desde o massacre de 7 de outubro de 2023 pelo Hamas em Israel.

O tiroteio ocorreu enquanto cerca de 2.000 pessoas se reuniam para celebrar a primeira noite de Hanukkah. A polícia afirma que o ataque teve como alvo deliberado a comunidade judaica, envolveu pelo menos dois atiradores e incluiu dispositivos explosivos improvisados encontrados nas proximidades. Um dos atiradores foi morto e outro está em estado crítico.

“Um dos supostos atiradores nos ataques mortais na Bondi Beach, em Sydney, era Naveed Akram, um homem do sudoeste da cidade”, informou a ABC News, citando uma autoridade sênior das forças de segurança.

Um civil desarmado derrubou um dos terroristas enquanto ele atirava contra a celebração judaica, e é possível ver em imagens o momento em que ele luta para tirar a arma do terrorista. Trata-se de um homem chamado Ahmed al Ahmed, dono de uma frutaria local, de origem síria, que correu em direção a um dos atiradores e conseguiu arrancar a arma de suas mãos, salvando vidas. Ele foi baleado durante a ação, mas é amplamente elogiado como herói pelas autoridades australianas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, culpou o governo australiano pelo aumento do antissemitismo no país. Na paranoia da pandemia, o jogador de tênis Djokovic não pode entrar no país por falta de vacina contra a Covid, mas a entrada de muçulmanos sem o devido critério segue em alta. E o discurso inflamado contra Israel e o povo judeu também.

O antissemitismo parece em alta no Ocidente como um todo, e em países em que o próprio governo alimenta a narrativa falsa de que Israel é responsável por um “genocídio” em Gaza, isso fica ainda pior. É o caso do Brasil de Lula, que tem visto mais e mais casos de judeofobia. O presidente levou mais tempo para se manifestar sobre o ataque terrorista na Austrália do que o prefeito muçulmano eleito por Nova York. Lula escreveu:

Recebi com profunda consternação a notícia do brutal atentado terrorista ocorrido neste domingo na Austrália, que tirou a vida de 15 pessoas e deixou dezenas de feridos. É inaceitável que atos de ódio e extremismo ceifem a vida de pessoas inocentes e atentem contra valores de paz, coexistência pacífica e respeito. Manifesto a mais sincera solidariedade às famílias das vítimas, à comunidade judaica, ao governo e ao povo australiano. O Brasil reitera o seu compromisso inabalável com a defesa da vida, da tolerância e da liberdade religiosa.

Faltou o presidente mencionar que foi um atentado muçulmano. Não são todos os muçulmanos que defendem o terror, claro, e basta lembrar que o civil que desarmou o terrorista também é muçulmano. Mas é inegável que a imensa maioria dos ataques terroristas, como o na Austrália, hoje vem de islâmicos que aprendem a odiar judeus desde cedo, numa intensa lavagem cerebral.

A civilização judaico-cristã está sob ataque, mas muitas autoridades se recusam a encarar o problema, falar abertamente da imigração desenfreada e do que isso representa para o Ocidente. Os judeus representam uma minoria perseguida, mas dentro do discurso esquerdista, eles nunca podem ser as vítimas. A demonização de Israel tem cobrado um alto preço e os judeus não se sentem mais seguros em vários países ocidentais.

Ou as democracias liberais do Ocidente mudam o quanto antes essa postura, ou esses países estarão irreconhecíveis em poucos anos, dominados por radicalismo islâmico e sem oferecer qualquer segurança aos judeus ou mesmo cristãos.

RODRIGO CONSTANTINO

O CONGRESSO

A decisão de Alexandre de Moraes, que decidiu cassar o mandato de Carla Zambelli (PL-SP) mesmo após decisão da Câmara de mantê-lo repercutiu imediatamente nas redes sociais. Políticos de esquerda e de direita correram para comentar a atitude.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) chamou o ato de “usurpação”. “Quando um ministro anula a decisão soberana da Câmara e derruba o voto popular, isso deixa de ser Justiça e vira abuso absoluto de poder. O Brasil viu um ato de usurpação institucional: um homem passando por cima do Parlamento e da vontade do povo”, disse em sua conta no X.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) também deu destaque à interferência do judiciário no legislativo. “O art. 55, §2º da Constituição, é claro: em caso de condenação criminal, a perda de mandato depende de decisão do Parlamento, por maioria absoluta. Ao cassar o mandato por ato individual, o Judiciário usurpa competência exclusiva do Legislativo”, disse.

Alguns alegam que há uma jurisprudência do STF de 12 anos sobre o tema, mas se o Supremo está ignorando a própria Constituição há 12 anos, a coisa fica ainda pior! Afinal, o texto é claro. Cabe à Câmara decidir. Moraes, uma vez mais, atropela outro poder. E o presidente Hugo Motta não se mostra à altura do cargo.

A falta de reação do Parlamento tem sido um convite a novos abusos. Decisão ilegal de sancionado por abuso de direitos humanos não se cumpre. Em algum momento, o Congresso terá de peitar para valer o STF. Talvez esse momento já tenha passado e seja tarde demais.

A triste verdade é que a população percebe uma inutilidade crescente do Congresso, se todo poder emana de poucos ministros supremos. Enquanto isso, a esquerda petista quer retomar as ruas para fazer campanha contra… Hugo Motta e Alcolumbre, os dois presidentes que têm protegido o consórcio PT-STF! E ainda chamam o Congresso de “inimigo do povo”. Não é golpismo?

O Poder Legislativo é o que efetivamente representa a população, com milhões de votos espalhados pelo país todo. Mas ele vem se tornando irrelevante perante os abusos supremos em conluio com o Poder Executivo. Quando o Parlamento “morre” desse jeito, a democracia foi para o saco. São tempos sombrios que o Brasil vive…

RODRIGO CONSTANTINO

O DISCURSO DE CORINA MACHADO

maria corina maduro trump

A líder opositora Maria Corina Machado, que recebeu neste ano o Prêmio Nobel da Paz

Maria Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz, por toda a sua corajosa luta por liberdade e democracia na Venezuela. Ela conseguiu sair do país escondida e ir até Oslo, mas não a tempo de fazer o discurso de agradecimento. Este ficou por conta de sua filha, num inglês perfeito, que levou a mensagem de sua mãe ao mundo.

O trecho mais importante talvez seja quando ela disse que os venezuelanos tomaram como garantida sua democracia, que era uma das mais sólidas da região. “Quando compreendemos o quanto frágeis as instituições se tornaram, já era tarde demais”. Raramente se perde a liberdade de uma só vez.

O populismo de Chávez e Maduro, a compra de votos, a distribuição de benesses por meio do assistencialismo, a perseguição aos opositores, a cooptação da cúpula militar, os ataques aos empresários, tudo isso foi minando gradualmente a democracia, até restar somente uma ditadura socialista escancarada.

A fraude eleitoral passou a ser a regra, diante dos olhos de todos. Mas já não havia muito o que fazer. A comunidade internacional denunciou, mas a Venezuela já estava fechada num regime isolado dentro do eixo do mal. A grande esperança vem de uma ação militar americana para derrubar Maduro.

A Venezuela viu o maior êxodo da história recente, com quase dez milhões fugindo do país. Maria Corina Machado permaneceu e segue numa luta arriscada contra o ditador, mobilizando o restante da população que ficou no país e deseja a volta da normalidade democrática. Ela estava há quase dois anos sem ver a própria filha! O reencontro de ambas foi tocante.

Corina Machado é uma heroína nessa batalha por liberdade. O Nobel da Paz, que no passado já foi concedido a pessoas não merecedoras, finalmente teve um destino certo, chamando a atenção para a triste realidade venezuelana. O belo discurso, lido por sua jovem filha, mostra que a defesa desses valores está no sangue da família. Nas redes sociais, a repercussão foi enorme.

Agora é esperar a ajuda da cavalaria do norte. Se Trump autorizar uma ação militar terrestre e culminar na morte, prisão ou fuga de Maduro, ele será outro a merecer o Nobel da Paz. Enquanto isso, a esquerda petista fica em silêncio ou sai em defesa do companheiro Maduro, e as feministas se calam diante de uma mulher “empoderada” e corajosa como Corina Machado. O feminismo não liga para mulheres independentes, pois sua agenda é o esquerdismo.

RODRIGO CONSTANTINO

O DILEMA DA DOSIMETRIA

Câmara aprova PL da dosimetria que reduz pena de Bolsonaro

Após meses de impasse, Câmara aprova PL da dosimetria que reduz penas de Bolsonaro e de condenados do 8/1

A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (10), o projeto de lei que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O PL da dosimetria recebeu 291 votos favoráveis, 148 contrários e uma abstenção. Os deputados rejeitaram todos os destaques da base do governo que poderiam alterar o projeto.

O texto segue para análise dos senadores. Mais cedo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), garantiu que a proposta será votada ainda neste ano. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) destacou a necessidade de se aprovar a proposta da dosimetria para beneficiar as pessoas presas pelo 8 de janeiro. “Temos pressa na aprovação desse projeto, estamos falando da redução do sofrimento das pessoas”, disse.

E esse é o grande dilema que se apresentou para a oposição. Todo brasileiro atento sabe que somente uma anistia ampla, geral e irrestrita faria alguma justiça. Na verdade, o certo mesmo era anular as sentenças absurdas, uma vez que os julgamentos foram políticos e teatrais, sem embasamento ou provas, sobre uma tentativa de golpe inexistente. Mas isso estava fora de questão.

A triste realidade é que o sistema venceu essa batalha. A guerra ainda não acabou, mas o poder real está nas mãos do STF – tanto que não houve qualquer chance de sequer votar emendas, e nos bastidores se sabe que foi exigência de Moraes. Uma vez que o regime tinha a faca e o queijo na mão, era dosimetria ou nada. Muitos conservadores optaram pelo aspecto humanitário: reduzir as penas de presos políticos afastados de suas famílias injustamente.

Por isso deputados do Novo e do PL votaram “sim”, mesmo sabendo que são “migalhas” oferecidas pelos que sequestraram esses pobres coitados. Alguns não queriam ceder, o que também é compreensível: agora ficou basicamente inviável falar em anistia, e ao votar pela redução das penas, a direita acabou ajudando a endossar a narrativa oficial do golpe.

Mas o realismo se impõe: não sou eu que vou passar o Natal longe dos pais ou dos filhos. É mais fácil bancar o herói quando não é um familiar nosso “sequestrado”. Bolsonaro recomendou voto favorável, mesmo sabendo que sua redução de pena ainda o levaria ao regime fechado por mais de dois anos. Ele pensou nos demais presos, muitos dos quais serão soltos com a nova regra, se aprovada pelo Senado.

O Brasil vive seu capítulo mais sombrio da “democracia”, e a permanência desses presos políticos é a maior prova dos abusos supremos. O projeto da dosimetria está bem longe do ideal, pode ter enterrado de vez a chance de uma anistia, e alimenta o discurso do STF. Mas paciência: compreendo quem votou pelo projeto pensando única e exclusivamente na soltura de inocentes. É isso o que mais importa nesse momento.

RODRIGO CONSTANTINO

O CANDIDATO É FLÁVIO BOLSONARO: ACEITA QUE DÓI MENOS!

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciado como pré-candidato à presidência da República

Quando Flávio Bolsonaro disse que poderia não ir até o fim da candidatura, que tinha um “preço” para abandoná-la, muitos que o rejeitam e preferem o centrão ficaram eufóricos, acreditando que sua indicação pelo pai era um “balão de ensaio” ou uma “chantagem” pela anistia. O Globo chegou a escrever uma longa reportagem concluindo que Flávio aceita “negociar”.

Mas, como eu tinha imaginado, era uma “trolagem”, uma forma de ganhar destaque na mídia, holofotes da imprensa para revelar o óbvio: Flávio é mesmo o candidato. Seu “preço” é libertarem Jair Bolsonaro para que ele seja o candidato. Ou seja, não tem negociação alguma. Não tem balão de ensaio. É Flávio Bolsonaro e ponto final.

Entendo o desespero da Faria Lima, que tinha clara preferência por Tarcísio. É o “pragmatismo” amoral de quem acusa Bolsonaro de egoísmo, ignorando que o homem está doente e preso para o resto da vida sem ter cometido qualquer crime, só por ter exposto o sistema podre. Egoísmo me parece ignorar esse aspecto em sua escolha.

Encurralaram Bolsonaro, não ligam para seu destino, e queriam apenas seus votos, para que um centrão dominado por Kassab pudesse tirar Lula do poder e dar um choque de gestão na economia. Aqueles que pensam somente no próprio bolso e nunca ligaram para Daniel Silveira, Filipe Martins, Débora e tantos outros acusam Bolsonaro de egoísta!

Ao endossar a candidatura do filho Flávio, Bolsonaro não priorizou o clã familiar, mas pensou em confrontar o sistema que não lhe deixou qualquer saída. No mais, aqueles que dizem que o bolsonarismo morreu e Flávio tem “telhado de vidro” podem lançar um candidato próprio de “terceira via”. Ou seja, o desespero dessa turma revela sua hipocrisia: eles sabem quem tem os votos!

Flávio é competitivo sim. Como argumenta Adolfo Sachsida na Gazeta, “Flávio Bolsonaro tem experiência legislativa, perfil moderado, capacidade de diálogo. Ele sabe unir, não dividir. Sabe ser firme, sem ser intransigente. Sabe conciliar, sem abrir mão de princípios. É esse espírito – esse temperamento – que atrai o centro, os moderados e todos aqueles que desejam firmeza sem radicalismo”.

Os antipetistas falavam em união contra Lula, e agora já querem rifar Flávio? Não faz qualquer sentido. É preciso se unir em torno de sua candidatura, compreender que ainda há um longo caminho pela frente, e costurar alianças importantes. Flávio tem condições de fazer isso, mas terá de enfrentar o “nojinho” daqueles que, no fundo, não suportam o sobrenome Bolsonaro.

O sistema está com suas entranhas expostas em praça pública. Toffoli blinda o Master e viaja em jatinho particular com o advogado do banco Arruda Botelho, enquanto Gilmar blinda os próprios ministros do STF. Até o Estadão, que até aqui justificou vários abusos supremos, constatou: “Com a tentativa de limitar a possibilidade de impeachment de ministros, o STF afirma, em essência, que precisa se proteger do resultado da eleição para o Senado, um evidente disparate”.

O Brasil foi dominado por uma quadrilha, e qualquer candidato de oposição precisa, no mínimo, ter coragem para denunciar esses abusos. Flávio Bolsonaro tem, além de seu próprio sobrenome, capacidade para enviar um recado claro: só há eleição que possa ser chamada desse nome se houver Bolsonaro nas urnas.

Fizeram de tudo para eliminar Jair da equação política, mas o ex-presidente soube dar a resposta indicando seu filho Flávio como candidato. Agora cabe a todos que querem se livrar de Lula e dos abusos supremos se unir em torno desta candidatura, a que representa a direita de verdade. E Flávio marcaria um golaço se indicasse, como sugeriu Silvio Navarro, Paulo Guedes como seu Posto Ipiranga…

RODRIGO CONSTANTINO

PERSEVERANÇA

direita esquerda bandeiras

O Brasil cansa. Qualquer pessoa atenta fica desanimada. É tanta cacetada no cidadão de bem que fica difícil seguir adiante. Por isso a Oração da Manhã de Dom Adair José Guimarães desta sexta, “A virtude da perseverança”, veio tanto a calhar. Parece que foi feita sob medida para todos aqueles que, como eu, andam cansados.

Não é para menos. Numa só semana, Toffoli colocou sigilo total no caso Banco Master, após soltura de Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes, em decisão monocrática, blinda os ministros do STF de qualquer chance de impeachment, e boataria se espalha de que a Magnitsky de Moraes pode cair em acordo entre Lula e Trump.

Lulinha ganhava mesada de R$ 300 mil ligada ao escândalo do INSS, e o Careca fazia até ameaça contra a testemunha que denunciou o esquema. A coisa está chegando na família Lula mesmo, pois seu irmão Frei Chico já estaria ligado até o pescoço. Mas a velha imprensa finge que nem viu a notícia.

Enquanto isso, a direita briga entre si, até dentro da família Bolsonaro. A campanha conservadora vai usar um boneco de papelão do ex-presidente preso, enquanto o PT vai ter toda a máquina estatal na mão, a ajuda do supremo, as estatais corrompidas e os artistas e jornalistas militantes e engajados.

Tem muito mais, na verdade. Tem a soltura do assassino de Aracruz, após somente três anos. O sujeito matou quatro pessoas e já está livre! É um país dominado pela barbárie hobbesiana. É muito difícil apostar no futuro da nação, acreditar que um dia as coisas vão mesmo melhorar. O cansaço parece inevitável.

Daí a importância da mensagem de Dom Adair. Precisamos perseverar, com confiança, fé, apesar do cansaço, dos contratempos. Passei por uma grande provação pessoal recentemente, na luta contra um câncer agressivo, e sei da importância dessa postura de perseverança, até de otimismo diante do sofrimento.

Os percalços são grandes, mas temos de crer na vitória final. Deus está conosco. Deus está com aqueles que perseveram na luta. Vamos em frente, com ou sem Magnitsky, impeachment ou mesmo Bolsonaro como cabo eleitoral. O jogo é bruto, o sistema faz de tudo para manipular o resultado eleitoral. Do nosso lado, temos a verdade e a perseverança. Um dia a mesa vira. Amém!

RODRIGO CONSTANTINO

NA DIREÇÃO CERTA

Derrite diz que PL antifacção do governo era “fraco”; Gleisi critica “lambança legislativa”

Derrite afirmou o texto original do governo Lula para o PL antifacção era “fraco” e “benevolente com o crime organizado”

Meu critério nunca falha: se o PT não gosta de algo, então é coisa boa. O PL antifacção foi desidratado, o relator Guilherme Derrite teve de fazer algumas concessões, mas o que foi aprovado na Câmara vai na direção certa. E a maior prova disso é a reação petista.

A proposta endurece as penas para organizações criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os parlamentares aprovaram o destaque do Partido Novo que extingue a possibilidade de presos votarem nas eleições. Menos eleitores para o Lula! Foram 370 votos favoráveis, 110 contrários e 3 abstenções.

O relator endureceu bastante as punições aos crimes dos faccionados:

– homicídio doloso: de 6 a 20 anos para 20 a 40 anos;

– lesão corporal seguida de morte: de 4 a 12 anos para 20 a 40 anos;

– lesão corporal, demais casos: aumento de 2/3 da pena respectiva;

– sequestro ou cárcere privado: de 1 a 3 anos para 12 a 20 anos;

– furto: de 1 a 4 anos para 4 a 10 anos;

– roubo: de 4 a 10 anos para 12 a 30 anos;

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou as diversas versões do parecer de Derrite sobre o PL antifacção como uma “lambança legislativa” que beneficiará facções. “Achamos realmente que foi muito ruim apresentar seis relatórios de forma atabalhoada e não se reunir com ninguém”, disse Gleisi a jornalistas. Ela destacou que o substitutivo aprovado “está cheio de inconstitucionalidades”. Se a petista está insatisfeita, então o projeto é bom!

Outra alteração no PL antifacção diz respeito à destinação dos recursos financeiros e bens apreendidos. Na versão anterior, os ativos apreendidos em investigações da Polícia Federal (PF) seriam destinados ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol).

No parecer mais recente do PL antifacção essa destinação foi modificada: os bens e valores provenientes de investigações da Polícia Federal serão encaminhados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). Em casos de atuação conjunta entre a PF e forças de segurança estaduais ou distritais, os valores recuperados serão rateados em partes iguais entre o FNSP e os Fundos de Segurança Pública dos respectivos estados ou Distrito Federal. Mais autonomia para os estados, o que é boa notícia.

A nova versão do PL antifacção estabelece que a audiência de custódia será realizada, em regra, por videoconferência. A modalidade presencial será apenas em situações excepcionais decorrentes de força maior e mediante decisão judicial justificada. Essa medida visa reduzir os custos de escolta, que em 2018 somaram R$ 250 milhões aos estados, excluindo salários de agentes penitenciários, e evitar riscos à segurança, aproveitando os atuais meios tecnológicos de comunicação. Outra ótima notícia!

Agora é aguardar o que poderá ser modificado pelo Senado, sob a relatoria de Alessandro Vieira. O texto aprovado pela Câmara não é perfeito, mas aponta na direção certa, endurecendo as penas aos criminosos e cortando algumas regalias. Claro que o PT não ficaria contente: sua simpatia pelos bandidos é evidente. Lula considera que traficantes são vítimas dos usuários, não podemos esquecer.

RODRIGO CONSTANTINO

NÃO ATIREM NO MENSAGEIRO!

friedrich merz alemanha cop 30

O chanceler alemão, Friedrich Merz, discursa no encontro de líderes da COP 30, em Belém

A fala do chanceler alemão Friedrich Merz causou uma celeuma no Brasil. Ele perguntou a jornalistas quem gostaria de ficar mais em Belém do Pará, e ninguém levantou a mão. Todos ficaram felizes de ter voltado para a Alemanha, “principalmente por termos saído daquele lugar onde estávamos”.

Para a oposição, a fala demonstra uma vez mais o fiasco do evento da COP 30. Lula gastou quase um bilhão e até a ONU reclamou a organização e da infraestrutura. A fala do chanceler alemão resume o desconforto dos gringos com o lugar escolhido pelo governo para receber o evento.

Já no lado petista, a fala gerou revolta. A esquerda ufanista enxergou “preconceito” na postura do chanceler alemão, e tentou dar lição de moral. Como ousa falar mal do Pará? Quem você pensa que é? O problema dos ufanistas é fechar os olhos para a realidade.

Como disse a economista Renata Barreto, não adianta matar o mensageiro: “Infelizmente, Belém tem 57% da população vivendo em favelas e menos de 20% tem acesso à tratamento de esgoto. A capital do Pará está entre as piores capitais do Brasil em termos de infraestrutura urbana. O primeiro passo em direção à resolução de um problema é assumir que ele existe. Não adianta varrer pra debaixo do tapete e ter aquela atitude bem brasileira de fingir que não tem nada acontecendo”.

É como o turista que vai ao Rio visitar nossos cartões postais. O Rio é lindo! Mas se o gringo entrar em favelas, experimentar um pouco da realidade do cotidiano do carioca, ele terá outra experiência, mais realista. E se ele ficar assustado e criticar, isso é apenas natural: o Rio é assustador mesmo!

Uma aldeia Potemkin é qualquer construção, literal ou figurativa, cujo único objetivo é proporcionar uma fachada externa a um país para ocultar a realidade, fazendo as pessoas acreditarem que o país está melhor do que de fato está, embora as estatísticas e os gráficos afirmassem o contrário.

O termo tem origem em relatos de uma falsa aldeia portátil construída exclusivamente para impressionar a Imperatriz Catarina, a Grande, pelo seu antigo amante Gregório Alexandrovich Potemkin, durante a sua viagem à Crimeia em 1787. É como as cidades cinematográficas de Hollywood ou da Globo: tudo de fachada!

O chanceler alemão não ficou impressionado com a vila Potemkin criada por Lula. Ele viu além da fachada, e não gostou do que viu. Muita miséria, sujeira, num dos estados mais carentes do Brasil. Ficar aliviado de estar de volta à civilização não é preconceito, mas uma reação normal de quem prefere a ordem ao caos. Atirar no mensageiro não vai resolver um único problema de Belém.

RODRIGO CONSTANTINO

VENTOS DE MUDANÇA NO CHILE

José Antonio Kast, candidato do Partido Republicano do Chile à presidência, no ato de encerramento da sua campanha, em Santiago, na terça-feira (11)

A esquerda radical promete muita coisa de forma populista, mas nunca é capaz de entregar bons resultados. Onde não houve ainda aparelhamento pleno das instituições, isso costuma significar problemas na disputa eleitoral. O povo cansa da ladainha socialista e clama por mudança. Foi o que aconteceu no Chile este domingo.

A esquerdista Jeannette Jara, candidata do presidente Gabriel Boric, ficou com 26,81% dos votos e o direitista José Antonio Kast com 23,99%. O centro-direitista Franco Parisi aparece em terceiro lugar, com 19,61%, seguido pelo libertário Johannes Kaiser (13,93%) e pela conservadora Evelyn Matthei (12,54%). Ou seja, a direita está com ótimas chances de levar o segundo turno no Chile.

“A democracia deve ser protegida e valorizada. Sofremos muito para recuperá-la para que hoje seja colocada em risco”, disse Jara, numa alfinetada em Kast, cujo irmão foi ministro do ditador chileno Augusto Pinochet (1973-1990).

Já Kast disse que é hora de “uma mudança real” e de “reconstruir a pátria”. “Precisamos de união para avançar em segurança, habitação, educação e todas as questões que foram gravemente afetadas pelas políticas ruins deste governo [Boric]”, afirmou.

O discurso da esquerda radical gira sempre em torno da “democracia”, sendo que Jara pertence ao Partido Comunista do Chile. Na velha imprensa, radical é sempre o candidato de direita, tratado como “ultradireita”, “ultraconservador” ou “ultrarradical”. Mas o povo não cai mais nessa narrativa.

Tanto que a Câmara e o Senado também tiveram maioria de direita, representando a maior derrota eleitoral da esquerda em 35 anos. A segurança pública foi um dos temas importantes no debate. Apesar de o Chile ser um dos países mais seguros do continente, o aumento da criminalidade nos últimos anos impulsionou a direita, que promete deportações em massa de imigrantes irregulares e uma linha dura contra o crime.

“É necessária união para enfrentar os problemas que nos afligem hoje, que são problemas na área da segurança”, disse Kast à imprensa após a votação em Paine, nos arredores de Santiago. “A maioria das pessoas dirá que está com medo”, reforçou. De acordo com o governo do Chile, os homicídios aumentaram 140% na última década, passando de uma taxa de 2,5 para 6 por 100 mil habitantes. No ano passado, o Ministério Público registrou 868 sequestros, 76% a mais do que em 2021.

Vale notar que o libertário Parisi ficou com quase 20% dos votos. O “Milei chileno” tem conquistado mais simpatizantes com uma plataforma de ampla liberdade econômica e endurecimento no combate ao crime nos moldes de El Salvador. Eis uma mensagem que cada vez seduz mais eleitores, por motivos óbvios.

A América Latina vai se afastando do Foro de SP, do comunismo. Já temos até Bolívia e Equador nessa direção, além da Argentina e do Paraguai. Enquanto isso, o Brasil lulista defendendo abertamente o modelo venezuelano, sendo que Trump prepara uma provável ação militar contra Maduro.

Temos que torcer para que os ventos de mudança cheguem ao Brasil em 2026 também. O problema, claro, é confiar no processo eleitoral…

RODRIGO CONSTANTINO

FINALMENTE OS ESTADOS UNIDOS PRIORIZAM O SUL

trump testes nucleares

Secretário de defesa dos EUA, Pete Hegseth, ao lado do presidente Donald Trump

Reportagem de John Lucas na Gazeta do Povo resume bem a importante notícia desta quinta: Governo Trump lança operação para eliminar narcotráfico na América Latina. A questão das drogas virou tema central para o governo Trump, pois centenas de milhares de jovens dos Estados Unidos têm tido suas vidas destruídas. A resposta foi declarar guerra aos traficantes do continente:

O secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quinta-feira (13) a chamada Operação Southern Spear (Lança do Sul), uma ofensiva militar lançada sob ordem do presidente Donald Trump para combater o narcotráfico e o terrorismo transnacional na América Latina.

Segundo Hegseth, a missão, que será conduzida pelo Comando Sul dos EUA (Southcom), tem como objetivo “defender o território americano, eliminar narcoterroristas do nosso hemisfério e proteger nossa pátria das drogas que estão matando nosso povo”. O secretário, no entanto, não detalhou como as ofensivas militares serão executadas nem quais países estarão diretamente envolvidos nas operações.

A operação marca uma ampliação das ações militares dos Estados Unidos na região, onde os americanos já mobilizam cerca de 12 mil marinheiros e fuzileiros navais e quase uma dúzia de navios de guerra, incluindo o gigante porta-aviões USS Gerald R. Ford, o mais importante dos EUA, que chegou recentemente ao Caribe para reforçar as operações.

Segundo a Associated Press, a campanha militar dos EUA em curso na América Latina já resultou em pelo menos 19 ataques contra embarcações ligadas ao tráfico de drogas, que deixaram ao menos 76 mortos.

Isso, pelo visto, é só o começo. “O Hemisfério Ocidental é a vizinhança da América – e nós o protegeremos”, afirmou o secretário Hegseth durante seu anúncio no X. Nicolás Maduro está com seus dias contados, pelo visto. A gestão Trump compreendeu que o Foro de SP vinha espalhando narcoestados pela região, e que a aliança nefasta entre comunismo e tráfico de drogas representa enorme ameaça ao continente.

O Congresso dos Estados Unidos deu uma espécie de carta branca para Trump, que tem tido ampla margem de manobra para ataques cirúrgicos. Mas uma operação militar maior contra o regime de Maduro não está descartada.

No início de outubro, Hegseth anunciou que o Pentágono formou uma nova força-tarefa conjunta antinarcóticos, a fim de “esmagar” os cartéis de drogas no Mar do Caribe. A administração Trump construiu uma presença militar massiva na área, enviando navios de guerra, aviões de combate F-35, aviões espiões e outros meios militares, à medida que aumenta a pressão contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem caracterizam como um “líder ilegítimo”.

Os EUA adicionaram mais poder de fogo na região esta semana com a chegada do USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, e seu grupo de ataque ao Southcom na terça-feira. O porta-aviões, que tem mais de 4.000 marinheiros, transporta aviões de combate F/A-18 Super Hornets e mísseis Tomahawk de longo alcance. Os americanos não estão de brincadeira…

O Ministério da Defesa da Venezuela disse esta semana que cerca de 200.000 soldados foram mobilizados para um exercício de dois dias para se preparar para a ameaça representada pelos militares dos EUA. Entretanto, Maduro adotou um tom desafiador num discurso televisivo na quarta-feira, no qual acusou os EUA de inventarem “uma narrativa bizarra” e a chegada do USS Gerald R Ford à região aumentará as especulações sobre se os EUA tentarão forçar uma mudança de regime.

Todos os latino-americanos que prezam a liberdade esperam que sim, e não aguentam mais de tanta ansiedade. Finalmente os Estados Unidos estão priorizando o sul, e isso pode significar mudanças importantes na região. Alguns países estão conseguindo abandonar o socialismo democraticamente, como Argentina e Bolívia, mas o caso venezuelano é bem mais complicado, pois já virou um narcoestado. Sem a ajuda externa dos militares americanos não haveria esperança para os venezuelanos…