RODRIGO CONSTANTINO

ARGENTINA LULISTA IGNORA 40 SÉCULOS DE LIÇÃO ECONÔMICA

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou o congelamento de preços de uma cesta de 1,2 mil produtos básicos por 90 dias. É o que informou o jornal La Nación, na quarta-feira 13, depois de reunião entre o chefe do Executivo e empresários. Conforme o governo, o objetivo é segurar a inflação, que supera 50% ao ano.

Em 2020, Fernández adotou essa estratégia, mas ela se mostrou ineficaz. A Argentina já se valeu do congelamento de preços em pelo menos sete momentos de alta inflação desde 1952. Nenhum resolveu o problema. A tentativa mais recente ocorreu no ano passado, quando os peronistas congelaram os preços de 23 mil produtos, como meio de amortecer os impactos da pandemia de coronavírus.

Meu pai sempre me ensinou que existe a forma inteligente e a burra de aprender. Na inteligente, observamos os erros alheios. Na burra, aprendemos na marra com nossos próprios erros. Mas o que dizer de quem sequer consegue aprender com os próprios erros? Escrevi um texto em 2014 quando Cristina Kirchner, sem poste intermediário, anunciou medida similar. Alertei que daria errado, como deu, pois temos nada menos do que 40 séculos de aprendizado sobre o assunto! Vejam:

Nada disso é novo. Trocam-se os personagens, mas a trama continua a mesma. Robert Schuettinger e Eamonn Butler escreveram um livro em 1979, chamado Quarenta séculos de controles de preços e salários. Pelo título, já fica claro como esta política é antiga. Tão velha quanto a Babilônia, para ser mais preciso. O Código de Hamurabi já impunha um rígido sistema de controles de salários e preços. Naturalmente, não funcionou. Os autores resumem:

O registro histórico mostra uma sequência sombriamente uniforme de repetidos fracassos. De fato, não existe um único episódio em que os controles dos preços tenham conseguido deter a inflação ou acabar com a escassez. Em vez de conter a inflação, os controles de preços acrescentam outras complicações à doença da inflação, como o mercado negro e a escassez, que refletem o desperdício e a má alocação de recursos provocada pelos mesmos controles.

A razão para o fracasso é clara: os controles de preços não atacam a verdadeira causa da inflação, que é “o aumento dos meios de pagamento superior ao aumento da produtividade”. O governo argentino insiste no erro. Pretende evitar o aumento da inflação decretando controle de preços e punindo “especuladores”. Não se brinca impunemente com os preços de mercado.

Outro grave problema do controle de preços é que sabemos onde ele começa, mas nunca onde termina. O economista austríaco Ludwig von Mises descreveu a desagradável experiência alemã:

Nos seus esforços para fazer funcionar o sistema de controle de preços, as autoridades ampliaram passo a passo a gama de mercadorias sujeitas ao controle de preços. Um após o outro, os setores de economia passaram a ser centralizados, sendo colocados sob a administração de um comissário do governo.

O controle de determinado preço gera consequências indesejadas, e novos controles são demandados para atacar os novos problemas. Algo como aqueles desenhos animados antigos, em que o personagem tentava conter o vazamento de água tampando um buraco, mas logo apareciam inúmeros outros buracos, levando-o ao desespero.

Minha conclusão em 2014 continua perfeitamente válida para 2021, na verdade reforçando a mensagem:

Seria bem mais inteligente atacar a raiz do problema, a saber, as finanças públicas fora de controle, a taxa de juros abaixo da inflação, o excesso de intervencionismo no mercado, etc. Infelizmente, a Argentina escolhe o caminho da desgraça anunciada. Quem não aprendeu uma lição de 4 mil anos, não aprendeu nada mesmo!

Fica fácil entender porque a Argentina desapareceu da nossa imprensa. Lembrar que nosso vizinho existe é derrubar cada narrativa fajuta da mídia contra Bolsonaro. O presidente seguiu a “ciência” e adotou o mais rigoroso lockdown da região, e foi muito elogiado por isso. É um governo apoiado pela esquerda nacional, em especial pelo PT de Lula. E os resultados são catastróficos! Como, então, acusar Bolsonaro por cada problema brasileiro tendo de lidar com a situação infinitamente pior ao lado? Seria admitir que os problemas advêm da pandemia, e não do nosso governo, certo? E que se a esquerda lulista estivesse no poder, tudo seria muito, muito pior…

RODRIGO CONSTANTINO

PÁTRIA ARMADA BRASIL !

O presidente Jair Bolsonaro comentou na noite desta terça-feira (12) o sermão do arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, que, durante a principal missa do dia, afirmou que “para ser pátria amada, não pode ser pátria armada”, numa crítica à política mais liberal do governo para compra e porte de armas de fogo.

“Olha só, pelo que eu me lembro, ele não falou lá dentro. Só se eu comi mosca, né. Mas eu quero citar uma passagem bíblica aqui, Lucas 22:36: ‘E quem não tem espada, venda a sua capa e compre uma’. Então, a Bíblia fala em arma. Essa passagem tem a ver com traições, tá? Foi quando Judas traiu Jesus”, disse o presidente em entrevista à rádio Jovem Pan.

Afirmou depois que respeita o arcebispo. “Mas o estado mais armado do Brasil, proporcionalmente, é Santa Catarina e é o menos violento”. Há, de fato, alguma dicotomia entre ser a Pátria Amada e ser a Pátria Armada, como colocou o arcebispo?

Pergunte para os americanos, em especial os republicanos, com um grau de patriotismo bem maior do que os europeus, e também com uma quantidade enorme de armas em casa. Pergunte aos israelenses, em especial os sionistas, que lutam com paixão pela defesa da nação judaica, e que guardam fuzis em casas.

O discurso do arcebispo, no fundo, foi “lacração” do começo ao fim, falando em Fake News, em ciência, politizando demais os assuntos. Não por acaso a GloboNews reproduziu longo trecho de sua fala, alfinetando o Presidente Bolsonaro.

A Globo, aliás, tem que estar muito desesperada para levar até Renan Calheiros a sério desse jeito. Um alienígena – ou melhor, um ET, para não ofender a Demi Lovato – vendo GloboNews jura que o senador é o homem mais honesto do planeta, preparando um relatório imparcial e técnico da CPI da Covid, que teria feito revelações bombásticas contra o governo.

Quando temos figuras como Renan Calheiros e Omar Aziz falando em nome da ciência, da ética e da preocupação humanitária, ou quando temos gente que sempre desprezou o verde e amarelo em troca do vermelho buscando monopolizar a fala em nome do patriotismo, o associando ao desarmamento dos cidadãos de bem, então sabemos que o governo vai na direção certa.

O deputado Paulo Eduardo Martins comentou sobre suas andanças pelo país nesse feriado: “Mais um dia nas estradas com a família. Impressiona a presença da bandeira do Brasil em praticamente todos os estabelecimentos de beira de estrada e na maioria dos caminhões. Essa cena não existia há pouco tempo. Há um sentimento por trás disso, mas a vermelhada não vai entender”.

Não vai mesmo. Ou, se entender, vai tentar ignorar, inverter a realidade. O verde e amarelo tem tomado conta do país justamente por aqueles que entendem a importância de o cidadão ter armas para defender suas liberdades, inclusive contra um estado arbitrário se for o caso. Era aquilo que os pais fundadores da América compreendiam. Pátria Amada sim, e por isso mesmo uma Pátria Armada!

RODRIGO CONSTANTINO

NOBEL PARA JORNALISTAS

Os jornalistas Maria Ressa, das Filipinas, e Dmitri Muratov, da Rússia, ganharam o prêmio Nobel da Paz de 2021. O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (8) pelo comitê norueguês do Nobel.

Ressa, 58, repórter filipino-americana, é editora do site de jornalismo investigativo Rappler e foi presa pelo governo de Rodrigo Duterte, em 2019, acusada de violar uma controversa legislação contra “difamação cibernética” devido a uma reportagem em que acusava um empresário filipino de atividades ilegais.

Já Muratov, 59, é cofundador e editor-chefe do Novaia Gazeta (novo jornal, em russo), um dos principais jornais de oposição ao governo de Vladimir Putin. O comitê norueguês descreveu o veículo como o mais independente da Rússia atualmente.

A escolha, justificou a porta-voz do comitê, Berit Reiss-Andersen, foi um aceno à defesa das liberdades de imprensa e de expressão, “pré-requisitos para sociedades democráticas e para a paz duradoura”.

Não sou exatamente alguém simpático ao Nobel da Paz, prêmio que foi banalizado e já foi parar em lugares sem qualquer sentido, até mesmo com terroristas como Yasser Arafat ou embusteiros como Al Gore. Mas esse prêmio deste ano reforça a importância do fator coragem na profissão de jornalista, algo um tanto em falta no Brasil.

Ao buscar a verdade e lançar luz sobre o que os poderosos gostariam de manter às sombras, o jornalismo leva informação ao público e serve como uma espécie de poder moderador. Ou deveria ser assim. E o grande teste é observar quem realmente detém poder para calar, intimidar ou perseguir jornalistas.

Com Trump nos Estados Unidos e Bolsonaro no Brasil, muitos jornalistas viraram militantes de oposição, demonizando os presidentes e “passando pano” para todos os abusos cometidos por seus adversários. No Brasil, a velha imprensa cata pelo em ovo para desgastar Bolsonaro, e quando nada encontra, inventa. Já em relação aos seus opositores…

Aí reina o mais absoluto silêncio! O governador João Doria, por exemplo, é alguém um tanto protegido pela mídia em geral, irrigada com recursos de publicidade do estado mais rico da nação. Há suspeitas de “China in Box” enchendo os bolsos de muitos jornalistas também, que se tornaram vassalos do regime ditatorial comunista. E quanto ao arbítrio supremo…

Tivemos um caso absurdo esta semana: o sigilo de fonte, resguardado pela Constituição, foi ignorado para denunciar uma funcionária do ministro Lewandowski que passava algumas informações ao jornalista Allan dos Santos, do Terça Livre. Coisa séria, grave. Mas a imprensa achou adequado expor a mulher, mãe de família, e a chamou inclusive de “espiã” e “informante” do “blogueiro bolsonarista”.

Ou seja, ali tínhamos um jornalista com coragem de averiguar o comportamento das figuras mais poderosas do nosso país, com denúncias graves, como a de que ministros mudavam suas decisões após ligações de certas pessoas. Em vez de o jornalismo mergulhar de cabeça nisso, o mais relevante da história, os veículos de comunicação preferiram destruir a vida da fonte do jornalista e proteger o STF.

Qualquer um pode xingar, demonizar ou mesmo desejar a morte de Bolsonaro abertamente, que nada acontece. Mas há jornalistas presos por “atacarem” o STF, e nossa imprensa considera isso normal. O grande teste de coragem do jornalismo é perguntar qual risco de retaliação que suas investigações produzem. Investigar Putin e Duterte é perigoso mesmo. Investigar Bolsonaro não. Já investigar ministros supremos…

RODRIGO CONSTANTINO

A CONSTITUIÇÃO DO ATRASO

Deputado Ulysses Guimarães em 1988, no encerramento das votações da nova Carta Constitucional

Nesta semana, a nossa Constituição Federal, promulgada em 1988, completou seu 33º aniversário. O ministro do STF Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, comentou: “A Constituição de 1988 completa 33 anos. Estabilidade institucional e avanços importantes em direitos de mulheres, negros, gays e comunidades indígenas. A agenda inacabada: derrotar a pobreza extrema, as desigualdades injustas e promover desenvolvimento sustentável para todos”. Há muito o que ser comemorado mesmo? Eis o que pretendo debater em seguida, até porque não sabemos até quando será possível criticar nossa Carta Magna sem isso ser considerado um “ataque às nossas instituições”.

Por um lado, trata-se de uma conquista interessante mais esse aniversário, já que o Brasil é conhecido por sua enorme quantidade de Constituições existentes. Só no século 20, tivemos uma Constituição em 1934, outra em 1937, mais uma em 1946, outra em 1967 e, finalmente, a Constituição de 1988. E o fio condutor delas foi a incapacidade de impedir o arbítrio estatal. No livro A História das Constituições Brasileiras, o historiador Marco Antonio Villa, antes de se tornar um ativista afetado, disseca os maiores absurdos das várias Constituições que tivemos. Na sua apresentação, a síntese é perfeita: “Não é exagero afirmar que os últimos 200 anos da nossa história têm como ponto central a luta do cidadão contra o Estado arbitrário. E, na maioria das vezes, o Estado ganhou de goleada”.

A conquista de certa “longevidade”, portanto, é interessante, mas não compensa, de forma alguma, o custo elevado que essa Constituição representou para o país. Enquanto muitos políticos vibravam com a aprovação da “Constituição Cidadã”, um indivíduo com a mente mais lúcida lamentava aquele fato, antecipando quanto ele custaria ao povo brasileiro. Era Roberto Campos, que chamara a Constituição de 1988 de “anacrônica”, remando contra a maré populista de seu tempo.

Economista Roberto Campos

Em seu livro de memórias Lanterna na Popa, Roberto Campos dedica várias linhas à Constituição de 1988, e todos aqueles que comemoram seu aniversário deveriam investir algum tempo para ler tais críticas. A inflação herdada da era Goulart, por exemplo, estava em quase 8% ao mês, mas a Constituição contava com um absurdo dispositivo que limitava os juros a 12% ao ano, uma “ridícula hipocrisia”. Uma Constituição mencionar limite para juros é algo realmente pitoresco. Do ponto de vista tributário, a Constituição de 1988 gerou uma “vultuosa redistribuição da capacidade tributária em favor dos Estados e municípios, sem correspondente redistribuição de funções”. Sob o ponto de vista da estrutura tributária, Roberto Campos conclui que a Constituição “representou um lamentável retrocesso”.

Outro exemplo evidente do atraso causado pela Constituição foi o monopólio do petróleo garantido ao governo. A confusão entre “segurança nacional” e monopólio do governo não passava de uma grande falácia econômica. Campos explica que, “ao retardar o fluxo de capital para a exploração petrolífera local, criava-se adicional insegurança, pois nosso abastecimento ficaria na dependência de suprimentos extracontinentais, carregados por via marítima e, portanto, sujeitos à vulnerabilidade submarina”.

Um sério problema do Brasil, a desproporcionalidade da representação na Câmara dos Deputados em desfavor do Centro-Sul, foi bastante agravado com a Constituição de 1988 também. A criação de novos Estados na Constituição gerava uma distorção ainda maior, particularmente contra São Paulo. Para eleger um deputado nordestino, com o mesmo poder de um paulista, precisa-se de bem menos votos. Isso cria um deslocamento de poder para as regiões do Norte e Nordeste, dificultando reformas econômicas que seriam mais facilmente aprovadas se dependessem da escolha do Sul e Sudeste, que carregam a economia do país nas costas.

Além disso, ao remover quaisquer barreiras, tanto de criação como de representação legislativa dos partidos, a Constituição de 1988 “nos legou um multipartidarismo caótico com partidos nanicos que não representam parcelas significativas da opinião pública, sendo antes clubes personalistas e regionalistas ou exibicionismo de sutilezas ideológicas”. Conforme conclui Campos, ficamos muito mais com uma “demoscopia” que uma democracia. Tema bastante atual, não é mesmo?

Roberto Campos considerava que sua vida no Senado foi marcada por uma sucessão de batalhas perdidas, as principais sendo: a batalha da informática, cuja Lei da Informática jogou o país na era dos dinossauros em tecnologia; a batalha contra o Plano Cruzado e sua resultante moratória, enquanto economistas de esquerda, como Maria de Conceição Tavares, chegaram a chorar de emoção com o plano fracassado; e a batalha contra a Constituição brasileira de 1988, tomada pela mentalidade nacional-populista.

O ícone dessa fase, Ulysses Guimarães, defendia demagogicamente o objetivo constitucional de “passar o país a limpo”. As promessas simplesmente não cabiam no Orçamento, não levavam em conta a realidade. Como escreveu Campos, “Ulysses parecia encarar com desprezo a ideia de limites ou constrangimentos econômicos”. Para ele, tudo parecia ser uma questão de “vontade política”, expressão que muitos utilizam até hoje como solução mágica para nossos males. Roberto Campos chegou a acusar Ulysses, em artigo de jornal, de “um grau de ignorância desumana” em economia. Infelizmente, ele estava certo.

Ulysses exibe a Carta Magna

A Constituição de 1988 foi extremamente reativa, uma espécie de “vingança infantil” aos tempos da ditadura. Dizem também que foi promulgada um ano antes do que deveria, pois em 1989 tivemos a queda do Muro de Berlim, soterrando sonhos socialistas ainda muito fortes em nosso país. Vale notar que 15 deputados petistas votaram contra o texto final porque queriam ainda mais socialismo nele! É compreensível que existisse uma demanda social reprimida naquela época. Mas o uso da Constituição como veículo para atender àquela demanda foi um grave erro. O grau de utopia presente na Constituição é assustador. Ela fala dezenas de vezes em “direitos”, mas quase nunca em “deveres”.

O historiador Victor Davis Hanson, em seu novo livro The Dying Citizen, que acaba de ser lançado, comenta sobre mudanças culturais em curso nos Estados Unidos que podem estar tornando esta grande nação livre, cuja Constituição tem mais de dois séculos com poucas emendas, em algo mais similar aos países latino-americanos. Para ele, essa noção de cidadania pode estar ameaçada: “Afinal, a cidadania não é um direito; requer trabalho. No entanto, muitos cidadãos de repúblicas, antigas e modernas, passam a acreditar que merecem direitos sem assumir responsabilidades – e não se preocupam como, por que ou de quem herdaram seus privilégios”.

Hanson acrescenta: “Os cidadãos não são meros residentes, propensos a receber mais do que dar. Eles não são povos tribais que se unem por aparência ou laços de sangue. Eles não são camponeses sob o controle dos ricos. Nem é sua primeira lealdade a uma comunidade mundial abstrata”. A cidadania pressupõe o compartilhamento de certos valores básicos dentro de um território comum, com laços sociais e culturais como elo para o respeito mútuo e a confiança nas regras do jogo. A defesa da propriedade privada, das liberdades individuais e do império das leis é o pilar fundamental de uma república, e desde a origem da Carta Magna britânica em 1215 que o esforço tem sido na linha de limitar o poder abusivo e arbitrário dos poderosos, do próprio Estado.

Orquestra sinfônica se apresenta enquanto milhares de pessoas acompanham no gramado do Congresso as votações da Assembleia Nacional Constituinte

A Carta Magna de uma nação deve tratar dos temas mais básicos apenas, com um caráter bem mais negativo do que positivo, ou seja, colocando em evidência aquilo que os cidadãos não podem fazer e restringindo com claras definições aquilo que o Estado pode fazer. O governo deve evitar o excesso de legislação, que serve para emperrar o crescimento e criar injustiças. Infelizmente, o Estado brasileiro é extremamente paternalista, e trata seus cidadãos como mentecaptos que necessitam da tutela estatal para tudo.

A Constituição de 1988 é um reflexo dessa mentalidade ultrapassada. Não é exatamente um documento para cidadãos republicanos, mas sim para súditos de um Estado ativista e hipertrofiado, que se arroga o papel de locomotiva do progresso e da justiça social. Em vez de uma “Constituição Cidadã”, o que precisamos é da constituição de uma verdadeira cidadania em nosso país.

RODRIGO CONSTANTINO

JORNALISTA TEM FONTE, BLOGUEIRO TEM INFORMANTE?

“Blogueiro bolsonarista investigado pelo STF usou estagiária de Lewandowski como informante”, diz manchete em destaque na Folha de SP hoje. O jornal conseguiu acesso às conversas trocadas entre o jornalista e a funcionária do ministro, usando alguma fonte. Mas eis o interessante: só quem tem fonte é jornalista de esquerda!

A tática da velha imprensa é tão manjada que falta sutileza. Todos percebem o truque. Para começo de conversa, o uso do rótulo blogueiro, que os militantes disfarçados de jornalistas usam para se referir a qualquer jornalista que não seja de esquerda.

Mesmo alguém que atua e atuou nos principais veículos de comunicação do país, como no meu caso, continua chamado de blogueiro se não for da patota corporativista, dominada pelo esquerdismo. Jornalista é termo reservado só para quem é do clubinho, gente que leva a sério Renan Calheiros.

É a mesma tática do uso da expressão “empresário bolsonarista”. Ora, nunca vimos a imprensa falar em empresário tucano ou empresário lulista, mesmo quando o empresário em questão é ligado umbilicalmente ao PT ou ao PSDB. Mas bastou enxergar virtudes no presidente ou em seu governo para virar um empresário bolsonarista, em tom depreciativo.

Voltando ao caso de Allan dos Santos, do Terça Livre, eu poderia jurar que a mídia chamasse esse tipo de contato de “fonte”. Algo inclusive preservado pela Constituição Federal, com direito ao sigilo e tudo. Mas como se trata de um “blogueiro bolsonarista”, a fonte virou “informante”, e o panfleto esquerdista disfarçado de jornal faz de tudo para criar ares golpistas e criminosos na relação entre fonte e jornalista.

A ponto de passar batido pelo que realmente importa nessas trocas de mensagens! “O que vi de mais espantoso é que realmente eles decidem como querem e o que querem. Algumas decisões são modificadas porque alguém importante liga para o ministro”, diz a funcionário do ministro Lewandowski.

Barbara, a mineira do popular canal TeAtualizei, comentou sobre isso: “Invés da galera comentar o absurdo da informação dada pela estagiária do Lewandowski, d q as coisas mudavam qdo alguém importante ligava, os jornalistis estão chocados pq ela foi a fonte de alguém. Ninguém tá ligando para a gravidade da informação sobre a justiSSa desse país!

O jornalismo morreu? Esses militantes perderam a capacidade de identificar o essencial numa notícia? Vale tudo para atingir jornalistas independentes ou simpáticos ao governo Bolsonaro? Carolina Brígido, colunista do UOL e que escreve sobre o STF, tirou disso tudo que Allan dos Santos tentou “espionar o Supremo”. Leandro Ruschel rebateu:

Quando você recebe uma informação das suas fontes no Supremo é “jornalismo”, e quando o Allan faz o mesmo é “espionagem”? Alem disso, sobre a grave acusação de mudança de sentenças a pedido de autoridades, é mentira? Fake news? Nunca aconteceu?

Essa postura da velha imprensa tem sido responsável por sua acelerada perda de credibilidade. Enquanto os jornalistas deveriam estar debruçados sobre os esquemas absurdos que existem em nosso Poder Judiciário e ameaçam nosso Estado de Direito, preferem fazer picuinha e atacar “blogueiros bolsonaristas”, gente que, aliás, costuma ter muito mais engajamento do que esses jornalistas.

A prioridade dessa turma é lutar com unhas e dentes para resgatar uma era de hegemonia e monopólio das narrativas, uma época que não volta mais após o advento das redes sociais. Não há mais espírito público, compromisso com os fatos, a busca da verdade. Restou apenas a militância ideológica e a tentativa de assassinato de reputação dos novos concorrentes. São os blogueiros socialistas, que comandam o espetáculo da velha imprensa decadente…

RODRIGO CONSTANTINO

RODRIGO CONSTANTINO

O RIO CONTINUA LINDO!

Após um ano sem pisar por aqui, estou de volta ao meu querido Rio de Janeiro, à cidade maravilhosa onde nasci, cresci e vivi por 38 anos. Sempre que volto é uma sensação mista de sentimentos. Nostalgia e saudades, misturadas com uma leve tristeza. Esta bate justamente porque escolhi sair, e pelas causas dessa decisão.

O potencial do Rio é incrível. E essa tristeza vem exatamente da clara noção de que tínhamos tudo para arrasar. O turismo, para começo de conversa, era para ser muito, muito maior. Temos as mais belas praias, com montanhas, serra, clima bom, povo animado e receptivo. A beleza natural é imbatível, qualquer gringo fica louco. Angra, Búzios, Copacabana, Itaipava: alguém pode passar o mês todo passeando e ficará encantado a cada dia.

Mas não usamos nem uma fração do nosso potencial. E aí vem aquela lista de motivos pelos quais muita gente cansa e, quando pode, se manda. E a cada vez que venho visitar, noto que pouco ou nada mudou quanto a isso. Trânsito caótico, ruas esburacadas, motoristas afoitos e sem educação. Sensação constante de perigo, pois a criminalidade é elevada e somos obrigados a atravessar locais hostis mesmo nos bairros mais nobres. E o mais grave, ainda que compreensível: o carioca é adaptado a isso, banalizou o absurdo como mecanismo de sobrevivência.

É preciso viver num lugar diferente por um tempo para se dar conta de que nada disso é razoável ou aceitável. Mas o “malandro” não só absorve o bizarro, como tira proveito dele. O problema, claro, é que tem malandro demais para otário de menos, e o resultado é um concurso de oportunismo que reduz os benefícios gerais. Os anglo-saxões são mais “certinhos” ou “caretas”, sem dúvida, mas será por isso que foram capazes de construir sociedades mais estáveis, prósperas? O tecido social depende de alguns valores básicos disseminados, entre eles a boa fé quanto ao próximo, para se consolidar uma sociedade de confiança. No Rio isso está basicamente ausente.

E quando falo do Rio, falo do Brasil. Foco no Rio por dois motivos: 1. conheço melhor; 2. representa a capital nacional desse nosso jeitinho. Cheguei a escrever um livro sobre o assunto, e quando retorno e percebo a lentidão da mudança necessária, dá um cansaço e tanto. O que poderíamos ser e o que somos são dois pontos separados por um abismo, e quem tem essa clara noção não consegue impedir uma pontada de tristeza.

Mas somos brasileiros, e não desistimos jamais! Até porque não se trata só de lentidão no progresso, mas sim do enorme risco de retrocesso! Basta lembrar que a esquerda caviar se cria é no Rio mesmo, onde o PSOL tem seu eleitor cativo nos bairros ricos, onde o PT costuma vencer nas eleições presidenciais. A depender dos “institutos de pesquisas”, o ex-presidiário e “descondenado” Lula será presidente novamente. Só de aventar essa hipótese, por mais que desconfiemos dessas pesquisas fajutas, já bate desespero. Só de essa possibilidade ser real já temos a prova de como as coisas mudam pouco em nosso país, de como ainda temos esses bolsões de ignorância e desonestidade espalhados por aí.

É verdade que as manifestações este domingo foram um fiasco, e isso é alvissareiro. O povo não parece interessado na volta do ladrão. Banqueiros, jornalistas, intelectuais, esses sim, lutam pelo pior. Mas quero crer que o povo brasileiro acordou mesmo. É preciso olhar para os países mais avançados para entender como chegaram lá. Não precisamos inventar a roda. Basta endireitar aquilo que ainda é sinistro. Basta começar a valorizar as virtudes e rejeitar os vícios. Aí sim, teremos uma cidade maravilhosa digna de atrair para visitar e morar o mundo inteiro. Aí sim, teremos um país decente. É sonhar muito?

RODRIGO CONSTANTINO

RODRIGO CONSTANTINO

RODRIGO CONSTANTINO

BOLSORINGA MALVADÃO E A CRISE ENERGÉTICA… GLOBAL

Depois de mais de 80 dias de estabilidade, a Petrobras anunciou nesta terça-feira, 28, um aumento de quase 9% no preço do diesel nas refinarias. Com o reajuste, o preço médio do diesel vendido pela companhia a distribuidoras passará de R$ 2,81 para R$ 3,06 por litro – um reajuste médio de R$ 0,25 por litro. A gasolina, por sua vez, se mantém inalterada.

O preço dos combustíveis virou tema político sensível no país, e a oposição aproveita para tentar desgastar ainda mais o presidente. Bolsonaro passou a ser o responsável pela inflação, pela narrativa esquerdista. Aqueles que antes mandavam deixar a economia para depois, agora só falam de economia. E ignoram uma tal pandemia…

Os mercados entraram em pânico nesta terça e despencaram no mundo todo. O medo veio do risco de apagão na China. Pelo menos 20 províncias e regiões chinesas que representam mais de 66% do Produto Interno Bruto (PIB) do país adotaram alguma forma de racionamento de energia. Algumas empresas já operam à luz de velas e shopping centers estão fechando mais cedo.

A maior montadora do mundo, a Toyota, e fornecedores de gigantes como Apple e Tesla já vêm reduzindo produção devido ao menor suprimento de eletricidade. A ruptura das cadeias produtivas globais por conta da reação sem precedentes a esta pandemia, além da gigantesca injeção de liquidez nos mercados pelos bancos centrais, tem produzido uma escalada inflacionária no mundo todo. O preço da carne, por exemplo, disparou nos Estados Unidos.

O Reino Unido enfrenta uma crise de combustíveis que deixou postos nas grandes cidades desabastecidos e incitou o governo a deixar os militares de prontidão para transportar o produto caso o problema se agrave. Dezenas de postos colocaram avisos dizendo que estão sem gasolina ou diesel, relata a imprensa local. Mais de dois terços dos postos de gasolina britânicos esgotaram os seus estoques de combustíveis na segunda-feira, no quarto dia da crise.

Quando observamos o que se passa em outros países, com falta de energia e combustível, o aumento de preço da Petrobras parece um problema menor. A alternativa seria ainda pior, caso o governo seguisse a velha receita populista de controle de preços. Todos têm motivo de sobra para indignação, mas é preciso apontar para os culpados certos. Bolsonaro é o alvo errado.

Mas a oposição, desesperada e sem escrúpulos, só pensa em narrativas oportunistas para desgastar o presidente. Só podemos concluir que se trata mesmo do Bolsoringa malvadão, um vilão digno de filmes do 007 que arquiteta planos mirabolantes para destruir o mundo.