A reportagem de Malu Gaspar no O Globo de hoje revela, com precisão de um relógio suíço, o avanço do regime de exceção no país.Às 21h09 do domingo, o TSE confirmou a derrota de Flávio Bolsonaro. Às 21h16 – sete minutos depois – a Polícia Federal lulista assinou digitalmente a representação pedindo a apreensão dos passaportes do senador. Alexandre de Moraes atendeu ainda naquela noite, sem ouvir a PGR. Na manhã seguinte, a intimação foi cumprida na rua, quando Flávio saía da visita ao pai em prisão domiciliar.
Sete minutos. Esse é o tempo que o aparato levou para transformar resultado eleitoral em medida cautelar. A fundamentação oficial mistura o fato de Flávio ter figurado como “usuário master” numa conta da Alcazar Holdings (empresa ligada a Willer Tomaz, investigado por lavagem via bets) com uma fala do irmão Eduardo, dias antes, dizendo que, se perdesse, Flávio deveria sair do país. Flávio nunca disse isso. A declaração de terceiro virou “risco de fuga” no exato momento em que o resultado saiu.
Pergunte-se: se Flávio tivesse vencido, a mesma PF e o mesmo ministro teriam assinado o pedido às 21h16? A resposta é óbvia e o próprio Flávio a formulou no vídeo: “Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”. Esse é o ponto. A derrota não apenas encerrou a disputa eleitoral; ela abriu a temporada de caça. A imunidade parlamentar de Flávio termina em fevereiro de 2027. Os inquéritos (apostas, Dark Horse, Vorcaro) já estão no STF. Com a vitória de Lula, o incentivo institucional para acelerar, aprofundar e publicizar essas investigações aumenta.
O passaporte foi só o primeiro ato. O recado é claro: o candidato derrotado não tem o mesmo tratamento que o candidato eleito. Nunca teve. A esquerda chama isso de “Estado de Direito”. O que vimos foi o Estado de Direito operando com cronômetro político. Moraes não esperou o dia seguinte. Não consultou a PGR. Não aguardou qualquer novo indício. O gatilho foi o placar das urnas.
Quando o sistema judicial e policial reage em sete minutos à derrota de um adversário, não estamos mais falando de investigação independente. Estamos falando de instrumento de poder. Quem acha que a perseguição vai diminuir porque Flávio perdeu está enganado. O contrário é verdadeiro. Sem o risco de chegar ao Planalto, o custo político de avançar contra ele e contra o entorno bolsonarista cai. Os mesmos atores que durante a campanha precisavam de alguma contenção agora têm carta branca.
O passaporte apreendido é o aviso. O que vem depois – quebra de sigilos, novas operações, pressão sobre aliados, tentativa de criminalizar oposição – já está no script. A reportagem da Malu Gaspar não é denúncia de perseguição. É apenas o registro frio do horário. E o horário, por si só, já diz tudo.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança resumiu bem: “Conhecendo a natureza da besta, antes que o mandato do centrão mais corrupto da história do Brasil termine, a ordem deverá ser para acelerar a agenda radical do governo e a perseguição política da oposição pelo judiciário”. A caça às bruxas já era enorme no país. Após a estranha vitória de Lula, o regime tentará consolidar a tirania e criminalizar qualquer oposição. Foi assim na Venezuela. Será assim no Brasil também. Salve-se quem puder!
PS: Boatos circulam de que Flávio teria fugido para a Argentina para, de lá, viajar aos Estados Unidos. Não se sabe, ainda, se há verdade nisso. Mas cabe a questão: se você fosse o candidato derrotado, após clara ameaça do próprio Lula no debate da Globo, você ficaria para enfrentar um aparato de “Justiça” que condenou a Débora do batom a 14 anos de prisão por sujar uma estátua?
O resultado da eleição de 2026 foi a confirmação de que o sistema consegue se perpetuar. Lula saiu do primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro e, no segundo, “virou” com margem estreita depois que seu ex-advogado no Supremo, Cristiano Zanin, prorrogou a votação no país inteiro por liminar monocrática.
Como registrei no X ao longo do dia, algo estranho estava no ar desde cedo: ônibus adesivados por sindicalistas ligados ao PT, artistas com vídeos prontos, a máquina pronta para agir. Não se trata de teoria da conspiração. Trata-se de padrão. Há muito em jogo para essa quadrilha simplesmente aceitar uma derrota nas urnas.
A Bahia, como em outras ocasiões, pesou de forma desproporcional. O Datafolha, que historicamente superestimou o petista, desta vez “errou” para baixo. Lula, que teve péssimo desempenho nos debates da Band e da Globo, virou dez milhões de votos!
Os isentões que se recusaram a votar em Flávio por picuinhas ambientais, culturais ou por achar que o “miliciano” era pior que o PT agora colhem o que plantaram. O resultado matemático está aí: Lula permanece. Os escândalos do INSS e do Banco Master também. As estatais continuam com seus rombos. O aparelhamento das instituições será total. Venezuela vem aí…
O país terá mais tempo de erosão institucional, fiscal e moral. A partir de agora, o espaço para ilusão acabou. Não há mais “virada de urna” pela frente nem narrativa de que o mercado ou o Congresso vão “domesticar” o governo. Olhar para o norte na esperança de um milagre vindo do Trump é bobagem também.
O que resta é mitigar os estragos onde ainda é possível – estados, municípios, bancadas no Congresso, controle de orçamento, fiscalização de estatais e fundos – e organizar, com método e persistência, o caminho para o impeachment de Lula. Não é vingança. É defesa do que ainda resta de República.
O Centrão, como sempre, será decisivo. Não por convicção, mas por interesse. Na época de Dilma, a crise fiscal, a inflação e a recessão fizeram o bloco perceber que a galinha dos ovos de ouro estava morrendo. Emendas, cargos, fundos e a própria arrecadação começaram a secar. O impeachment não foi um ato de pureza moral; foi o momento em que o custo de sustentar o governo superou o benefício do loteamento.
O mesmo cálculo voltará a se impor. Quatro anos adicionais de PT, com o mesmo estilo de gestão fiscal expansionista, uso da máquina e captura de instituições, produzem o mesmo efeito: a fonte de recursos que alimenta o Centrão vai secar. Quando a conta chegar – e ela chega –, o medo de ficar sem a galinha fala mais alto do que qualquer acordo de gabinete.
Enquanto isso, o trabalho imediato é de contenção do estrago. O Congresso que se elegeu tem força para frear o pior, se quiser. O Senado, que já discute impeachments no Supremo, terá de ampliar o olhar para o Executivo. Os governadores de oposição terão de resistir à pressão por pactos que entreguem o controle de políticas locais. E a sociedade, que viu a margem estreita e as irregularidades do processo, precisa manter pressão constante.
O lulismo não se dissolve sozinho. Ele se desgasta quando o custo político e econômico se torna insuportável para quem o sustenta. Lula está indo para seu quarto mandato, o que só ditadores tiveram. Somando com a Dilma, o PT estará no poder por mais do que uma geração inteira. Muita gente não viveu outra coisa, à exceção do breve intervalo de Jair Bolsonaro, impedido de governar pelo ativismo judicial e a pandemia.
Não há romance nisso. Há realismo. A eleição terminou. A batalha pela sobrevivência institucional e econômica do país continua. O tom é sombrio porque a situação é sombria. O que resta é reduzir danos agora e preparar, com frieza, o impeachment que o próprio Centrão acabará por enxergar como necessário – exatamente como fez com Dilma quando a galinha começou a definhar.
Mensagens e áudio aproximam o presidente do banqueiro Daniel Vorcaro
A revista Veja publicou, nesta quinta-feira, mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Nelas, o banqueiro pede a um funcionário, em 29 de outubro de 2024, que localize uma garrafa de Macallan 1945 – uísque raro cujo ano coincide com o nascimento de Lula. “Preciso dar pro Lula”, escreveu. “É pra presente.” O funcionário encontrou uma unidade por cerca de 80 mil euros (aproximadamente R$ 500 mil na cotação da época). Vorcaro autorizou: “Tá ótimo.” A garrafa viria de Dubai.
O contexto importa. Vorcaro buscava aproximação com o governo federal enquanto o Banco Master enfrentava dificuldades e tentava negócios com fundos de pensão e instituições públicas. Em 4 de dezembro de 2024, foi recebido por Lula no Planalto, fora da agenda oficial, em encontro intermediado por Guido Mantega. Semanas depois, em janeiro de 2025, o advogado Walfrido Warde (que atuava para Vorcaro) enviou mensagem dizendo que o presidente havia agradecido novamente o uísque e mandado um abraço. Lula, em entrevista, respondeu com a frase que se tornou clássica: “Não sei se deu, mas se deu, já bebi.”
A legislação brasileira é clara. O Código de Conduta da Alta Administração Federal (art. 9º) veda à autoridade pública a aceitação de presentes, salvo de autoridades estrangeiras em casos protocolares com reciprocidade. Brindes de baixo valor (até R$ 100, ou sem valor comercial e de distribuição generalizada) são a exceção. A Lei 8.112/90 (art. 117, XII) proíbe servidores de receberem presente ou vantagem em razão de suas atribuições. A Lei 12.813/2013, sobre conflito de interesses, e o Decreto 10.889/2021 reforçam a vedação quando o ofertante tem interesse em decisão do agente público.
Um uísque de R$ 500 mil oferecido por um banqueiro com negócios em trâmite no governo não é brinde. É presente proibido. Isso não é novidade no histórico de Lula. Em março de 2016, após depor na Lava Jato, ele declarou: “Vocês sabem o que é alguém sair da Presidência com 11 contêineres de acervo sem ter onde pôr? … Porque se somar todos os presidentes da história desse país, desde Floriano Peixoto, eu fui o que mais ganhei presente. Porque viajei mais, porque trabalhei mais, porque viajei o mundo, eu tenho até trono da África”.
O acervo incluía milhares de itens recebidos nos dois primeiros mandatos. Posteriormente, o TCU determinou a incorporação de presentes oficiais ao patrimônio da União, e a maior parte foi devolvida ou indenizada. O ponto não é se houve “roubo” formal na época – o regramento mudou –, mas a naturalidade com que o volume de presentes era tratado como patrimônio pessoal ou do “acervo” do presidente, pago em parte por empresas (como a OAS, que custeou a armazenagem).
O padrão se repete. Presentes caros de quem tem interesse em decisão do governo, encontros fora da agenda, agradecimentos por lobistas, e a reação de “se deu, já bebi” ou “ganho muita coisa, lembranças”. Não se trata de uma garrafa isolada. Trata-se da dificuldade histórica do PT em distinguir o que é público do que é privado, o partido do governo, o governo do Estado. O Planalto não é o escritório do partido, o presidente não é o destinatário pessoal de cortesias de banqueiros em busca de regulação ou recursos públicos, e o Estado não existe para viabilizar negócios de quem se aproxima com Macallan de 1945.
Quando as regras de ética pública são tratadas como formalidade dispensável e os limites entre esfera pública e privada se dissolvem no hábito do “presente”, o que resta é a confusão institucional que o PT nunca resolveu – e que, a cada nova revelação, reaparece com outro rótulo e outro preço. “É toma-lá-dá-cá”, explicou Roberta Luchsinger ao pedir um conselho remunerado a Lulinha, em uma empresa com interesses na Petrobras estatal. Lula trata o Estado como propriedade particular, e o nome disso, em linguagem clara, é corrupção.
Em 2025, ao nomear Gleisi Hoffmann para a articulação política, disse que colocou “essa mulher bonita” para melhorar a relação com o Congresso
Durante anos, o discurso da esquerda e de boa parte do feminismo institucional vendeu uma promessa simples: vote conosco, apoie nossas pautas e as mulheres estarão mais protegidas. O governo Lula 3.0 foi o teste prático. Os números oficiais mostram o contrário: os feminicídios bateram recordes consecutivos.
Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025 – alta de 4% sobre 2024 e o quarto recorde consecutivo da série histórica. A taxa ficou em 1,4 por 100 mil mulheres. Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas no país morreram por razões de gênero, o maior percentual desde a tipificação do crime em 2015.
Enquanto as mortes violentas intencionais em geral caíram (cerca de 8% no ano), os feminicídios subiram. Tentativas também cresceram. Levantamentos independentes como o do Laboratório de Estudos de Feminicídios da UEL (Lesfem) apontam números ainda mais altos ao incluir tentativas: 6.904 casos consumados e tentados em 2025, alta de 34% sobre o ano anterior.
A maioria ocorre dentro de casa, por parceiros ou ex-parceiros. O problema é estrutural e antigo, mas os recordes sob um governo que se apresenta como “defensor das mulheres” são difíceis de ignorar. Melhor classificação de casos explica parte do crescimento histórico desde 2015, mas não apaga a escalada recente nem a distância entre discurso e resultado.
Enquanto os números pioravam, o padrão de reação seletiva se manteve. Quando o agressor ou o falastrão está do lado “certo”, o volume cai. Em 2021, o ator José de Abreu (ligado à esquerda e com histórico de filiação ao PT) compartilhou um post que ameaçava a deputada Tabata Amaral: “Se eu encontro na rua, soco até ser preso”. Tabata foi chamada de “canalha”. Ela mesma registrou o silêncio: pessoas que se apresentam como feministas e dizem lutar contra o machismo “se calaram completamente, seja porque não gostam de mim seja porque gostam do Zé de Abreu”. A hipocrisia foi explícita.
No próprio governo Lula, o caso de Silvio Almeida é mais recente e grave. O então ministro dos Direitos Humanos foi acusado de importunação sexual contra várias mulheres, incluindo a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Relatos incluíam comentários lascivos e toques inapropriados em reuniões oficiais. Ele foi demitido depois que as denúncias vieram a público pela imprensa e pela MeToo Brasil. A PGR chegou a denunciá-lo ao STF. Reportagens apontaram que o caso era conhecido internamente há meses e que Anielle demorou a formalizar por receio de impacto político e descrédito.
O movimento que grita “nenhuma a menos” e “mexeu com uma, mexeu com todas” não tratou o episódio com a mesma intensidade de outros casos de adversários. O próprio Lula acumula falas que, se viessem de outro lado, seriam transformadas em campanha nacional. Em 2025, ao nomear Gleisi Hoffmann para a articulação política, disse que colocou “essa mulher bonita” para melhorar a relação com o Congresso. Pouco depois, ao contar um encontro com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, referiu-se a ela como “uma mulherzinha” e imitou uma voz frágil. Houve crítica pontual (como a da deputada Talíria Petrone do PSOL no caso de Gleisi), mas o volume e a duração foram muito menores do que os aplicados a figuras da direita. A própria Gleisi minimizou, dizendo que “gestos valem mais que palavras” e listando indicações de mulheres feitas por Lula.
O padrão se repete em outros episódios da mesma família política. Em julho de 2024, em reunião no Planalto, Lula comentou uma pesquisa que apontava aumento da violência doméstica depois de jogos de futebol. Disse que era “inacreditável” e, em seguida, brincou entre sorrisos: “Se o cara é corintiano, tudo bem. Mas eu não fico nervoso quando perco, eu lamento profundamente”. O Planalto emitiu nota dizendo que ele não endossava a violência; a frase, porém, relativizou o dado com piada de torcedor. A reação das vozes que normalmente tratam qualquer deslize de adversário como “violência de gênero” foi, mais uma vez, contida.
Em 2024, o filho caçula de Lula, Luís Cláudio, foi denunciado na Delegacia da Mulher de São Paulo pela ex-namorada Natália Schincariol. Ela relatou agressões físicas (uma cotovelada na barriga), verbais e psicológicas, e a Justiça chegou a conceder medidas protetivas. Ele negou. O inquérito policial foi concluído sem indiciamento por falta de constatação de lesão ou violência psicológica, e o caso seguiu para o Ministério Público. Mesmo assim, o episódio – envolvendo o filho do presidente que se apresenta como defensor das mulheres – não gerou a mobilização proporcional que o mesmo campo costuma exigir de outros.
Há ainda o registro mais antigo, mas revelador, de uma conversa grampeada de 2016 (no período da Lava Jato), em que Lula perguntou a Paulo Vannuchi: “Cadê as mulheres de grelo duro do nosso partido?”. A expressão grosseira referia-se às feministas do PT, no contexto de mobilizá-las contra um procurador. Parte do movimento relativizou como gíria regional para “mulher forte”; outra parte se indignou com o vocabulário chulo. O silêncio ou a divisão seletivos contrastaram com o volume usado contra adversários.
Esses exemplos reforçam o ponto central: quando a ofensa, a piada de mau gosto ou a denúncia de agressão vêm do próprio campo, o volume do feminismo institucional cai. O critério deixa de ser a proteção da mulher e passa a ser a proteção da narrativa e dos aliados.
O mesmo padrão aparece no caso de Marcelo Freixo. Em 2017, sua ex-companheira Priscilla Soares publicou um desabafo em que se disse acuada após o fim do relacionamento. Ela acusou Freixo e companheiros de partido de calúnia, de tê-la rotulado como “infiel” e de integrar o que chamou de “clã dos esquerdo-machos”. Destacou o paradoxo de um campo que proclama que “sem feminismo não há esquerda e sem esquerda não há feminismo”, enquanto, segundo ela, reproduzia práticas machistas e silenciava quem apontava isso. Freixo, que na campanha à Prefeitura do Rio usou o tema da violência contra a mulher para atacar adversários, respondeu que não falava de vida pessoal. A cobertura na imprensa alinhada ao campo foi mínima – uma notinha aqui e ali –, em contraste com o volume que o mesmo meio costuma dar a acusações semelhantes quando vêm de fora.
Mais recentemente vimos Roberta Luchsinger, a melhor amiga de Lulinha, admitir em cadeia nacional que está com medo e sendo ameaçada depois que Lula a rotulou de “pilantra”. Uma mulher sozinha e com duas filhas, denunciando o homem mais poderoso do país, com medo e ameaçada, mas as feministas preferiam se calar.
A baiana que gravou um depoimento pessoal no vídeo de Nikolas Ferreira teve de sair de casa, pois homens estranhos estavam circulando a propriedade com sua foto. Ela disse que só volta após as eleições. Uma senhora pobre, muito humilde, acuada simplesmente por ter externado sua decepção com as promessas lulistas. As feministas não tomaram conhecimento do caso, pelo visto.
Isso não significa que a violência contra mulheres seja monopólio de um lado, nem que a direita seja inocente de machismo. Significa que o feminismo majoritário no Brasil se tornou, na prática, um instrumento de defesa da esquerda. O critério de indignação é partidário: o mesmo comportamento é “violência de gênero” quando vem do adversário e “gafe”, “contexto” ou “gesto que importa mais que palavra” quando vem de aliado.
As estatísticas de feminicídio sob o governo que prometeu proteção mostram o custo dessa seletividade. Mulheres que acreditam no discurso acabam enganadas duas vezes: uma pela promessa de proteção que os números não sustentam, outra pela descoberta de que o movimento que diz defendê-las prioriza a preservação de seu campo político. O feminismo que deveria importar é o que se mede pelo resultado para as mulheres reais, não pelo alinhamento ideológico de quem fala. O feminismo institucional, na prática, protege mais a esquerda do que a mulher.
Sarney personifica o Brasil velho: o senhor que controla eleitores, cargos e favores, e que, quando conveniente, se alinha a quem está no poder. O PT de Lula que um dia se apresentou como antítese desse mundo, há muito tempo convive com ele.
A visita de Lula a José Sarney, em São Luís, poucos dias antes do segundo turno, não foi gesto de cortesia a um ex-presidente de 96 anos. Foi o retrato, em cores vivas, do que ainda governa partes do Brasil: o coronelismo arcaico abraçado ao populismo de Estado. Lula, acompanhado de Janja, Roseana Sarney e outros aliados de sempre, foi prestar homenagem ao patriarca de um clã que por décadas tratou o Maranhão como propriedade privada. O encontro, registrado em fotos de sorriso largo, ocorreu depois de ato de campanha e à beira de uma eleição em que o petista precisa de cada voto do Nordeste. Não é nostalgia. É cálculo.
Sarney personifica o Brasil velho: o senhor que controla eleitores, cargos e favores, e que, quando conveniente, se alinha a quem está no poder. O PT de Lula que um dia se apresentou como antítese desse mundo, há muito tempo convive com ele. No Maranhão, as alianças com o sarneysismo já atravessaram governos e oposições. O populismo atual apenas modernizou o método: em vez de cabresto puro, combina a estrutura oligárquica local com a distribuição massiva de benefícios federais. O resultado é o mesmo de sempre – a perpetuação da dependência.
Os números do Maranhão mostram o preço dessa política. O estado tem o menor IDHM do país (0,745 em 2024) e o menor PIB per capita, em torno de R$ 22 mil – menos da metade da média nacional. A extrema pobreza (renda inferior a US$ 2,15 por dia) atinge cerca de 10% da população, a mais alta do Brasil; a pobreza (US$ 6,85) chega a quase 46%. Quatro dos cinco municípios com menor PIB per capita do país estão no Maranhão. Décadas de domínio familiar e de clientelismo federal não produziram desenvolvimento; produziram eleitorado cativo e elites locais que se renovam no poder.
Esse modelo só se sustenta porque as instituições que deveriam fiscalizar o uso da máquina pública e a igualdade eleitoral estão aparelhadas ou paralisadas. A coluna de Roseann Kennedy no Estadão descreveu com precisão o esvaziamento do TSE neste período eleitoral: o tribunal, que deveria ser protagonista, tem seu poder reduzido enquanto ministros do STF alinhados a interesses do governo tendem a neutralizar decisões de Nunes Marques e André Mendonça. O resultado é previsível – condutas que em tese violam a legislação passam sem consequência efetiva.
Reportagem da Gazeta do Povo deixa o quadro ainda mais claro. Especialistas em direito eleitoral, como Alexandre Rollo, apontam que o pacote de bondades anunciado por Lula às vésperas da eleição – reajuste do Bolsa Família, subsídios a combustíveis, Desenrola 3.0, Pix MEI, perdão de dívidas de MEIs e outras medidas – fere o artigo 73 da Lei 9.504/97, que proíbe condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos. O impacto fiscal estimado pela Instituição Fiscal Independente do Senado beira R$ 300 bilhões. Há ainda risco de abuso de poder político (Lei da Inelegibilidade) e descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo nega; o TSE, até agora, tem sido leniente. A ação do Novo pedindo cassação já está no tribunal, mas o histórico recente sugere pouca disposição para enquadrar o ocupante do Planalto.
O voto de cabresto, portanto, não morreu. Apenas mudou de instrumento. Onde antes havia o coronel e o jagunço, agora há o cartão do Bolsa Família, a antecipação de pagamento, o crédito subsidiado e a propaganda institucional disfarçada de política social. Tudo isso em um Estado cuja estrutura política local continua sob influência das mesmas famílias. O TSE, cego ou amordaçado por composições políticas superiores, não enxerga – ou não quer enxergar – a assimetria. A igualdade de armas na disputa eleitoral vira ficção.
O Maranhão é o caso extremo, mas o método se espalha. Onde a pobreza é profunda e o Estado é o principal provedor, o populismo eleitoral encontra terreno fértil. A combinação de oligarquia tradicional e máquina federal clientelista não é acidente; é o modelo de poder que ainda rende votos e cargos. Enquanto as instituições de controle permanecerem submetidas a cálculos partidários, o ciclo se renova.
O Brasil não precisa de mais abraços entre o velho coronelismo e o novo populismo. Precisa de ruptura com essa política suja – a que compra voto com recurso público, protege clãs locais e neutraliza a Justiça Eleitoral quando convém. Sem isso, o desenvolvimento continuará a ser promessa e a dependência, realidade. A libertação começa quando o eleitor deixa de aceitar o cabresto, seja ele de couro ou de benefício social.
Imprensa internacional destacou as trocas de acusações entre Lula e Flávio no debate na Band deste domingo (18)
O debate da Band, ontem à noite, confirmou o que o cenário eleitoral já indicava: Lula precisava de um fato novo para reverter a tendência e conquistar indecisos. Não conseguiu. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tinha uma missão mais simples – jogar parado, não cometer erros graves e evitar catástrofes, deixar o adversário se expor. Cumpriu e foi além.
O formato caótico do primeiro bloco (confronto livre de 15 minutos) virou bate-boca. Não houve proposta substantiva capaz de mudar voto de quem ainda hesita. Analistas de diferentes matizes, inclusive alguns simpáticos ao petismo, reconheceram que Flávio pautou o confronto e tirou Lula do sério. Até militantes admitiram o desequilíbrio, como registrei no X logo após o encerramento.
Lula tentou o clássico: acusações sobre Vorcaro e o filme, cobrança de sigilo bancário e defesa do próprio governo. Nada disso é novo. O eleitor já conhece o roteiro. O que sobrou foram gafes que não ajudam com indecisos. Chamar Flávio de “malandro carioca” e “mentiroso contumaz” não só soa estereotipado como oferece munição fácil: Flávio se solidarizou com os fluminenses e lembrou que o Rio votou majoritariamente nele no primeiro turno. Em estado decisivo, isso não soma. E resta a dúvida: Lula será investigado por xenofobia?
Mais revelador foi o lapso nas considerações finais. Ao falar de um eventual quarto mandato, Lula disse que “nesse quarto mandato, a gente vai dizer: o Brasil acabou”. Foi a única verdade dita no debate inteiro. E quando pediu voto para o Brasil “voltar a crescer” e “sair da inércia”, expôs a contradição: são 18 anos de petismo no poder em períodos alternados. Continuar andando para frente e sair da estagnação ao mesmo tempo não é discurso, é sincericídio. O país não está parado por acaso. É responsabilidade do lulismo e o povo sabe.
Lula diz que o eleitor pode votar no retrocesso ou na “continuação” do progresso, para andar para frente. O eleitor acha que o Brasil está indo bem? O povo está satisfeito? Está se sentindo seguro? Próspero? Quer continuar como está ou quer mudança? E quem representava mudança ali? Quem parecia ter mais energia e quem se mostrava cansado, desgastado?
Lula disse que o Escudo das Américas é se subordinar aos Estados Unidos. São 14 países unidos para combater o crime organizado, classificado como terrorista. É isso que Lula chama de submissão? Claro! Ele defende o Foro de SP que fundou com o ditador Fidel Castro, para defender o comunismo e grupos terroristas como as FARC. Flavio conseguiu arrancar a máscara de Lula ao forçá-lo a sair em defesa das “saidinhas”. Lula não conseguiu esconder seu esquerdismo socioeducativo. Defendeu carinho da família por “bom comportamento” para quem cometeu crimes. E os direitos das vítimas? Lula só se preocupa com o direito dos bandidos…
O petista tentou colar em Flávio a imagem de filhinho de papai, que não usa o SUS e nunca andou em ônibus. Lula vai de ônibus para o “trabalho”, por acaso? Lula usa o SUS, ou o Sírio Libanês? Lula é milionário sendo político há décadas, e tentou acusar o adversário do que é. Sugeriu abrir sigilos fiscais e telefônicos, sendo que admitiu não ter celular, e foi condenado justamente por ocultação de patrimônio. “O do Lula foi por fora”, disse Vorcaro.
Flávio não precisava de grandes voos. Bastava não se afundar em respostas desastradas sobre INSS, filme e Vorcaro. Ele pressionou sobre Roberta Luchsinger e as relações com o filho do presidente, manteve o foco na segurança pública (tema prioritário para o eleitor) e evitou os piores escorregões. Não foi um debate de propostas brilhantes de nenhum dos dois – o modelo da Band não favoreceu isso –, mas o saldo foi claro: Lula saiu sem ter conquistado um único voto de indeciso que não fosse já seu. Flávio saiu com a narrativa de que o governo atual tem passivo demais para ser defendido com tranquilidade.
Quem esperava uma virada petista na televisão saiu frustrado. O debate não alterou a fotografia. Restam os últimos dias e o confronto na Globo. Até lá, o essencial permanece: Lula não moveu a agulha, e Flávio fez o básico e um pouco mais – não se destruiu. E teve uma ótima tirada: “Vou te aposentar e no meu governo sua aposentadoria está garantida, não será roubada”.
Lula foi entrevistado pela jornalista Renata Lo Prete
Lula voltou a nos brindar com um de seus clássicos. Desta vez, na sabatina da Globo, afirmou que “não sabia” que o Bolsa Família estava sem reajuste havia quase quatro anos em seu próprio governo. “É inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas”, disse, com a expressão de quem acaba de descobrir a pólvora. O homem que gosta de se apresentar como o pai dos pobres simplesmente não sabia que o benefício, principal programa assistencialista do país, estava congelado desde o início de seu mandato.
Não é a primeira vez. Na verdade, a biografia política de Lula pode ser resumida em uma única frase: “Eu não sabia”. Não sabia do mensalão. Não sabia do petrolão. Não sabia das obras no tríplex do Guarujá nem no sítio de Atibaia. Não sabia quem era a pilantra sócia do filho, não sabia do tráfico de influência envolvendo seus familiares, não sabia das tramoias de seu chefe de gabinete. O país inteiro via, os jornais publicavam, as delações descreviam, mas o presidente era sempre o último a ficar sabendo, como um marido traído.
Agora, o Bolsa Família entrou na lista e, claro, também as bets. Lula regulamentou o setor em 2023. Anos depois, já em plena campanha, descobriu que as apostas on-line estão destruindo famílias, gerando dívidas milionárias e até casos de suicídio. “Por que eu não fiz antes? Porque eu não sabia”, explicou em um podcast, sem ruborizar. O homem que assinou a lei que colocou o mercado sob controle do governo simplesmente não tinha noção do que estava acontecendo no país que preside. Ficou “estarrecido” ao ouvir relatos de pessoas que perderam tudo. Aparentemente, até então, ninguém havia contado nada a ele.
E, claro, o presidente também não sabe de nada sobre Alexandre de Moraes. Na sabatina desta quinta-feira, Lula resumiu a pressão pelo impeachment do ministro a uma simples vingança: querem cassá-lo apenas porque prendeu Bolsonaro. As denúncias de proximidade com o banqueiro Vorcaro, o jatinho, o contrato milionário do escritório da esposa, as mensagens e todo o restante da promiscuidade que explode no STF simplesmente não entram na conta. Lula não viu os arbítrios de Moraes. Para ele, tudo isso é detalhe irrelevante. O que importa é a narrativa de que Moraes prestou “grandes serviços à democracia”. Os abusos, a censura, o uso da toga como instrumento político e as relações que cheiram a corrupção? O presidente, como sempre, não sabia. Ou prefere não saber.
O padrão é tão consistente que já virou piada na internet. Daqui a pouco, Lula vai dizer que não sabia que tinha um filho. Ou que não sabia que Lulinha existia. Ou, ainda, que não sabia que o filho estava envolvido em investigações sobre tráfico de influência e esquemas relacionados ao INSS. Quem sabe até diga que Lulinha é, na verdade, filho de Jair Bolsonaro! Já chegou perto: afirmou que “só ele sabe a verdade” sobre o que o filho fez ou deixou de fazer. O pai, presidente da República, permanece no escuro, como sempre.
É uma performance impressionante. Enquanto o país discute escândalos, endividamento e benefícios sociais, o presidente vive em um estado permanente de descoberta tardia. Tudo o que acontece de ruim no governo é novidade para ele. Tudo o que dá certo é mérito seu. A memória seletiva funciona com precisão cirúrgica.
No fundo, o “eu não sabia” é a maior ferramenta de gestão do lulismo. Serve para tudo: escapar da responsabilidade, reescrever o passado e apresentar como heroísmo aquilo que deveria ser obrigação básica de quem ocupa o cargo. O problema é que, depois de tantos anos, a desculpa já não convence nem os mais fiéis. E deixa apenas duas opções: Lula está gagá ou é cínico de uma forma que beira a psicopatia. Ao povo, resta apenas o sarcasmo de quem assiste, mais uma vez, ao mesmo filme patético.
A PEC vendida como conquista social pode elevar custos e reduzir empregos. Na disputa eleitoral, o populismo transfere a conta à sociedade.
A aprovação da PEC que veta a escala 6×1 no Senado, por 75 votos a 1, é o retrato acabado do populismo eleitoral brasileiro. A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer corte de salário. Soa generosa. Na prática, ignora o que entidades do setor produtivo vêm alertando há meses: o custo será alto, e quem paga é o conjunto da economia.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança pode elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões e pressionar os preços ao consumidor em 6,2%, em média. Roupas, calçados e itens de supermercado ficariam mais caros; o PIB poderia recuar cerca de 0,7%.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC), federações estaduais da indústria e associações do varejo e de bares e restaurantes repetem o mesmo diagnóstico: sem ganho proporcional de produtividade, o efeito é compressão de margens, alta da informalidade, risco maior para micro e pequenas empresas e, no limite, menos emprego formal. O Congresso optou por não ouvir. Preferiu a narrativa do “tempo para viver”. Alcolumbre se gabou de ter conseguido aprovar a medida eleitoreira que ajuda Lula.
O governo petista transformou a pauta em bandeira de campanha a onze dias do segundo turno. Transformou um tema trabalhista complexo em armadilha política. Flávio Bolsonaro, que meses atrás classificava a iniciativa como oportunista e defendia liberdade de negociação e remuneração por hora, acabou votando a favor. Não houve alternativa eleitoralmente viável. A pressão popular era real; o custo de se opor, em plena reta final, seria ainda maior. Lula preparou a sinuca de bico e assistiu ao adversário ser forçado a endossar a proposta que o governo apresentava como conquista histórica.
A resposta veio no mesmo dia. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, apresentou emenda à PEC da Segurança Pública — texto de origem governista — para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 anos em crimes hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e participação em organização criminosa. A medida retoma proposta antiga de Flávio e goza de amplo apoio popular. Agora é o governo que se vê encurralado: rejeitar a emenda expõe a contradição com o discurso de combate ao crime; aceitá-la afronta a base ideológica do PT. A sinuca mudou de lado.
A emenda de Marinho mostra que o jogo de aprisionar o adversário com pautas populares ainda não acabou. O risco, para o país, é que a manobra petista deixe para depois das eleições a conta que já está sendo apresentada por quem produz e emprega.
Nunca antes na história deste país se viu um presidente usar tanto a máquina estatal para comprar votos. Se Lula perder mesmo assim, será a maior humilhação já vista a um político. O povo cansou do PT, eis a verdade. Esse populismo irresponsável compra um ou outro voto, mas engana cada vez menos gente, ciente do custo para a própria sociedade.
No desespero para se manter no poder, a quadrilha petista faz o diabo, hipotecando assim o futuro do povo brasileiro. Lula armou uma verdadeira bomba-relógio, deixando uma herança maldita para o próximo governo. Se for o dele mesmo, então a explosão poderá ser fatal; se for a turma liberal e reformista que cerca Flávio Bolsonaro, teremos a chance de mitigar estragos e recolocar o país nos trilhos. Faltam apenas dez dias para descobrirmos se o eleitor quer cometer suicídio coletivo ou salvar o Brasil.
Governo prevê anistia tributária para 3,6 milhões de microempreendedores e compra de dívidas bancárias
A 12 dias do segundo turno, o governo Lula anunciou mais um pacote de bondades: perdão integral de R$ 12,6 bilhões em dívidas tributárias de 3,6 milhões de MEIs, transferência direta via Pix de até R$ 5 mil por projeto (R$ 5 bilhões em quatro anos) e prioridade no Desenrola 3.0. No mesmo dia, prometeu o Pé-de-Meia Universitário – R$ 700 por mês mais R$ 2.500 anuais de poupança, ao custo estimado de R$ 4,6 bilhões por ano, com recursos do Fundo Social do petróleo.
Poucos dias antes, o governo zerou o PIS/Cofins da gasolina por um mês e ampliou subsídios ao diesel. Isso se soma ao reajuste de 15% no Bolsa Família (piso de R$ 600 para R$ 691, média para cerca de R$ 777), anunciado a 17 dias do primeiro turno e com pagamentos a partir de 19 de outubro, entre as duas votações.
O padrão é nítido. Depois que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente (47,03% contra 45,16% de Lula), o ritmo de anúncios com apelo popular acelerou. Levantamentos do Estadão e de economistas como Marcos Mendes apontam que as medidas de ano eleitoral – créditos, subsídios, renúncias e benefícios sociais – já superam R$ 350 bilhões.
Não se trata apenas de gasto primário visível no Orçamento: incluem linhas de crédito reembolsáveis, subvenções a combustíveis, perdão de dívidas, expansão de programas como Minha Casa Minha Vida, Move Brasil e Desenrola, além da renúncia de receita com a proibição das bets (estimada em mais de R$ 12 bilhões até 2028).
O reajuste do Bolsa Família sozinho adiciona R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e cerca de R$ 22-23 bilhões em 2027. Muitas dessas iniciativas não estavam plenamente previstas no projeto orçamentário enviado ao Congresso.
O governo sustenta que são políticas necessárias, recomposição inflacionária ou respostas a choques externos. Mas o calendário e a escala desmentem a narrativa de mera gestão técnica. Medidas temporárias de combustível expiram perto ou depois do pleito. Benefícios começam a cair na conta dos eleitores entre os turnos. Pacotes para MEIs e universitários são apresentados a menos de duas semanas da votação decisiva.
Em democracias maduras, o ano eleitoral já tende a elevar o gasto; no Brasil de 13 anos de déficit primário e dívida bruta projetada perto de 96-97% do PIB, com juros que consomem parcela crescente da arrecadação, a margem é menor e o custo de oportunidade maior.
Além do lado fiscal, Lula resolveu bloquear celulares em prisões e criar slogan que pede punição a bandidos, além de ter escrito uma carta para os evangélicos. Lula está basicamente dizendo que não é o Lula, que virou… um Bolsonaro!
Isso denota desespero de perder o poder. Quem está confiante em suas realizações e em sua base eleitoral não precisa de uma nova medida de apelo popular a cada quatro dias na reta final. Lula perdeu cerca de 3,4 milhões de votos em relação a 2022 e viu o adversário crescer onde o PT esperava domínio. A resposta foi intensificar a transferência de renda presente financiada por dívida e renúncia futuras. Compra de votos, em suma.
O eleitor de baixa renda e o pequeno empreendedor recebem alívio imediato – legítimo em muitos casos –, mas o país inteiro assume a conta em forma de menor espaço para investimento, pressão inflacionária residual, risco de elevação de juros e a necessidade, mais cedo ou mais tarde, de ajuste mais doloroso. Quem paga é o “contribuinte” de amanhã, incluindo os mesmos que hoje recebem o benefício.
O populismo fiscal de véspera de eleição não é exclusividade de um lado. Bolsonaro também usou o Auxílio Brasil e outras medidas em 2022. A diferença, neste ciclo, é a combinação de timing agressivo após um primeiro turno perdido, o volume acumulado e o contexto de contas já fragilizadas. O discurso de “prosperidade” via transferência e perdão de dívida esconde a realidade de que crescimento sustentável exige produtividade, educação de qualidade e regras fiscais que não sejam tratadas como “babaquice”.
Usar a redução da jornada de trabalho em redução de salário como slogan eleitoral pode até surtir algum efeito, mas prejudica o próprio trabalhador amanhã, e não houve qualquer debate sério sobre os impactos dessas medidas. O eleitor tem o direito de escolher o candidato que preferir em 25 de outubro. Tem também o dever de notar quando o Estado é usado como máquina de distribuição de última hora e fugir do voto de cabresto. O desespero de quem teme perder o poder custa caro – e a fatura chega depois da urna.
Apoiadores de Lula vandalizam estação de metrô em São Paulo, após ato em apoio ao presidente e candidato à reeleição
Domingo, na Paulista, o PT realizou a “Marcha pela Democracia”, como batizaram – porque nada grita democracia como impedir que o Monitor da USP use drone para contar o público. A campanha do Lula ameaçou abater os aparelhos. Democracia de portão fechado, com contagem de cabeças autorizada só por quem organiza. O PT estimou em um milhão de pessoas o público, sem combinar com o site esquerdista que colocou apenas 10% desse número. Sem dado oficial. Sem drone. Sem verificação. Um milhão é o número que cabe num discurso, e isso que importa.
O que se viu ali não era exatamente o povo. Era uma mistura de elite da esquerda caviar com baderneiros. Movimentos “sociais”, como UNE e MST, sempre movidos à mortadela. Artistas no palco antes dos políticos, pois é preciso atrair gente sem ser pelas ideias. Lula discursou voltado para o público jovem, prometeu revolução tecnológica, pediu que convencessem idosos a votar no segundo turno.
Alckmin falou da proximidade entre Flávio e Vorcaro, ignorando a intimidade do banqueiro com os próprios petistas. “O do Lula foi por fora”. Haddad e Boulos no palanque. Simone Tebet também. Uma colcha de retalhos ideológica onde o único fio comum é o ódio ao adversário.
E aqui está o contraste que eu venho registrando nos meus posts. Na Paulista petista, era praticamente impossível encontrar uma só camisa ou bandeira do Brasil. Só o vermelho do comunismo. O verde e amarelo virou bandeira de fachada: serve para a foto do Lula, que depois amassa e se livra do símbolo de campanha. Nas manifestações conservadoras é o contrário. Família, Bíblia, bandeira do Brasil. Gente comum, trabalhador, pai de família, evangélico, católico, que vai para a rua com o que tem de mais sagrado. Não é militância de fã-clube. É convicção. E a diferença aparece no rosto das pessoas. E no comportamento, claro.
Porque no ato de domingo não era só militância paga. Era gente esquisita. Publiquei um vídeo que resume tudo: um rapaz esquisito dando as “razões” pelas quais votaria no Lula. Razões totalmente estranhas, desconexas, sem qualquer lastro na realidade, decoradas de algum professor marxista. É o retrato da lavagem cerebral que venho denunciando há anos.
Décadas de doutrinação, bilhões em propaganda estatal, controle das salas de aula, e o resultado é esse: um cidadão que repete slogans sem entender uma linha do que está dizendo. Não é burrice. É condicionamento. O mesmo mecanismo que faz gente sair em defesa do PCC e do Comando Vermelho enquanto detona a polícia “fascista”. Quando a ideologia substitui o juízo, qualquer absurdo vira verdade.
O Lula foi Lula. Pediu que o país não perdesse a democracia por pior que ela seja. A frase é um oxímoro perfeito: defender a democracia ameaçando abater drones de contagem independente, censurando vídeos no TSE, usando a EBC – com presidente filiada ao PT desde 2021 e casada com Marcelo Freixo – para tirar o som do programa do Flávio. Um “erro técnico”, dizem. Ironicamente, os erros sempre prejudicam o lado direito. A democracia que eles defendem é a deles. A de Cuba, Venezuela, Nicarágua. Os outros são golpistas, fascistas, ameaça. É a mesma cartilha de sempre: quem discorda não é adversário, é inimigo.
E o timing não engana. A escala 6×1, que Davi Alcolumbre adiava há meses, agora corre para ser votada a quinze dias da eleição, sem o devido debate. A desoneração dos combustíveis, R$ 5,2 bilhões em trinta dias, anunciada com o Brent acima de cem dólares. O Bolsa Família reajustado na véspera. Tudo é cálculo eleitoral, e o eleitor percebe. Algumas pesquisas mostram Flávio com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula. Noventa e dois por cento dos eleitores já decidiram. A rejeição a Lula subiu para 51%. A festa de domingo foi o desespero de quem sabe que o seu tempo acabou. O porco vai aos gritos para o abatedouro.
Flávio e Nikolas já confirmaram o Bloquinho 22 para o próximo domingo, dezoito, na mesma Paulista. Tarcísio e Ricardo Nunes no palco. Aí sim vai ter bandeira do Brasil com orgulho sincero, defesa da soberania de verdade. Vai ter família. Vai ter gente que trabalha, paga imposto, cria filho e vai para a rua porque acredita no país, não num ídolo com os pés de barro. A comparação vai ser inevitável, e é por isso que o PT prefere militância adestrada a povo.
O povo cansou do PT. Cansou de promessas vazias. Quer comida e segurança, enquanto Lula faz discurso sobre terras raras e Estados Unidos. Confundir o povo com a elite da esquerda caviar será a destruição do petismo. As medidas populistas desesperadas chegaram tarde demais, e o truque não mais convence. O povo quer mudança.