RODRIGO CONSTANTINO

A REVOLTA CONTRA A EXCELÊNCIA

MPF aciona Justiça para que o Albert Einstein reserve 55% das vagas de residência médica para cotas, conforme regra do Ministério da Saúde

O Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma ação civil pública na 8ª Vara Cível Federal de São Paulo para solicitar que o Hospital Israelita Albert Einstein implemente a política de cotas. O pedido visa que a instituição abra editais complementares no processo seletivo de residência médica de 2026. O órgão afirma que o hospital tem imunidade tributária e precisa retribuir o benefício à sociedade.

A Sociedade Israelita Albert Einstein alega usar recursos próprios na residência e requer autonomia administrativa para organizar o próprio processo seletivo. O MPF defende que haja uma reserva de vagas com os seguintes critérios: 30% para negros; 10% para pessoas com deficiência; 5% para indígenas; 5% para quilombolas; 5% para transexuais.

O Einstein é reconhecido por sua excelência em vários tratamentos de doenças, mas para o câncer da política identitária não há cura fácil. Trata-se de uma ideologia nefasta que vem se infiltrando na sociedade há décadas por meio do aparelhamento esquerdista. O Ministério Público não está impune. A mentalidade coletivista e marxista predomina.

Do ponto de vista jurídico, a defesa do hospital é robusta. Nas informações encaminhadas ao procedimento do MPF, a instituição argumentou que seus programas de residência médica são financiados com recursos próprios e que, portanto, não haveria obrigação legal específica para a reserva de vagas. O Einstein afirmou ainda que os programas de residência não mantêm vínculo com os projetos do Proadi-SUS, e sim com as normas editadas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). Esse órgão teria tornado as cotas facultativas ao não estabelecer critérios objetivos para estruturá-las nos processos seletivos.

Mas a ação movida pelo MPF denota um problema mais profundo no país dos coitadinhos: a rebelião contra a excelência, a revolta contra o mérito. Enquanto a esquerda não destruir tudo aquilo que presta no Brasil, ela não vai sossegar.

Quando alguém busca um médico, a última coisa a ser questionada é a cor da pele, a origem indígena ou a preferência sexual. O que se procura é a capacidade, o talento. Como alguém que passou recentemente por um pesado tratamento contra um câncer agressivo, posso atestar que sequer entrou na minha lista de prioridades quais características identitárias meus médicos possuíam. Em tempo: os dois principais, meu oncologista e minha médica do transplante de medula, são brasileiros trabalhando na Universidade de Miami. Eles não chegaram aqui por cotas.

Imagina alguém pegar um voo e perguntar, antes de mais nada, se o piloto é cotista e se a empresa aérea “devolveu” à sociedade os benefícios recebidos pelo Estado. Creio que absolutamente ninguém, nem mesmo um esquerdista, queira pilotos de avião com base na “justiça social”, não é mesmo?

Essa ideologia perversa vinha avançando com tudo nos Estados Unidos também, mas o presidente Donald Trump declarou guerra a ela. Logo no começo de sua nova gestão, lembrou que existem apenas dois gêneros, vetou homens em esportes femininos e instituiu a volta da meritocracia na esfera federal, inclusive e principalmente nas forças militares. Afinal, na hora de enfrentar terroristas islâmicos ou russos e chineses, a última coisa que importa é se há transexuais o suficiente nas forças armadas!

Essa ação do MPF é tão absurda que sequer deveria ser debatida. Mas, infelizmente, essa tem sido a regra em nosso país. A ideologia esquerdista é sempre colocada acima do mérito, e uma legião de oportunistas encontra nisso uma carreira que independe dos talentos individuais.

Para ser mais justo, ao menos deveria ter a seguinte regra: os esquerdistas defensores de cotas serão atendidos pelos médicos cotistas, enquanto os demais serão atendidos pelos médicos que se formaram sem depender de critérios identitários. Na prática isso é inviável, claro. E por isso a esquerda pode seguir com sua hipocrisia: a turma socialista que “adora” o SUS sempre busca a excelência do Einstein ou do Sírio Libanês, enquanto os inocentes úteis que votam neles se lascam nas mãos dos incompetentes.

RODRIGO CONSTANTINO

POPULISMO EXPLOSIVO

Lula

Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres: eis o resultado inexorável do esquerdismo

Em seu editorial de hoje, o Estadão mostra que Lula quebra o Brasil para se reeleger. Não é novidade: foi o que aconteceu no passado recente, quando as “pedaladas fiscais” garantiram a reeleição de Dilma e o país, logo depois, foi à bancarrota. Não se trata de incapacidade, portanto, mas de método, de projeto deliberado do PT para se manter no poder.

“Petista usa truques contábeis para esconder o aumento cavalar de despesas, lembrando as malfadadas pedaladas fiscais de Dilma. Mas a conta da dívida pública explosiva sempre chega”, diz o jornal. O editorial toma como base estudo da XP Investimentos, assinado pelo economista Marcos Mendes. “Segundo o economista, somente neste ano foram nada menos do que 33 medidas diferentes, somando a incrível marca de R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas”, diz o jornal.

Para o Estadão, porém, o problema está no timing e nos truques para ocultar os gastos, não nos gastos em si: “Não se discute a conveniência desses gastos – todos parecem bastante justificados quando analisados um a um, ainda que se possa questionar a incrível coincidência de todos estarem sendo feitos justamente em ano eleitoral. O problema está em escamotear esses gastos da sociedade, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. Esses truques servem apenas para cumprir formalmente as regras fiscais, mas não são suficientes para fazer o dinheiro aparecer do nada”.

Mas o problema não é “apenas” esse, e sim o modelo de bem-estar social em si. O welfarestate tupiniquim é uma máquina de criar dependência, resgatando o velho voto de cabresto. Há cidades no Nordeste em que temos mais gente dependendo de migalhas estatais do que trabalhador com carteira assinada. Isso vai à contramão de Santa Catarina, que é o estado com menos assistencialismo, e não por acaso aquele mais conservador do país.

Como consequência disso tudo, temos o empobrecimento permanente de boa parcela da população, que vota na esquerda populista perpetuando um círculo vicioso. Enquanto isso, aqueles com poupança acumulada se beneficiam dos altos retornos oferecidos por um governo perdulário e irresponsável.

As taxas dos títulos públicos do Tesouro Direto voltaram a patamares historicamente muito altos. O Tesouro IPCA+ voltou a pagar 8% ao ano acima da inflação, enquanto os papéis do Tesouro Prefixado estão oferecendo mais de 14% ao ano. São taxas insustentáveis, que remetem à agiotagem. Não adianta culpar o “mercado” quando fica claro que o problema está na sangria fiscal.

O rentismo prospera no Brasil justamente porque o populismo é a regra nas finanças públicas. Com cerca de 17 anos de petismo desde 2003, não poderia ser diferente. A esquerda ferra com os mais pobres, endivida o Estado de forma insustentável, e depois reclama dos investidores que exigem elevados retornos para financiar o Estado falido. Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres: eis o resultado inexorável do esquerdismo.

Todo economista sério conhece a solução: reformas estruturais, cortes de despesas, privatizações, redução drástica do tamanho do Estado. O melhor programa social é o trabalho, e isso depende de um ambiente mais competitivo, com menos burocracia e insegurança jurídica, menores taxas de juros, mão de obra mais qualificada e infraestrutura decente. Investir nisso, contudo, significa dar mais liberdade e independência ao povo, ao eleitor, e isso é intolerável para a esquerda, que vive dos votos dos mais pobres e ignorantes.

A velha imprensa precisa parar de achar que o PT erra tentando acertar. O petismo aposta na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo sempre promove esse populismo explosivo. Quebrar o país para se manter no poder é a estratégia política da esquerda.

RODRIGO CONSTANTINO

LIÇÕES PERUANAS

A conservadora Keiko Fujimori e deputado de esquerda Roberto Sánchez se enfrentam em segundo turno para o cargo de presidente do Peru

Escrevo esse texto com o resultado eleitoral ainda inconclusivo no Peru. Mais de 90% das urnas foram computadas e Keiko Fujimori lidera por uma margem bastante estreita. Provavelmente menos de cem mil votos vão definir o pleito. Independentemente do resultado oficial, já podemos extrair algumas lições importantes para o caso brasileiro.

Em primeiro lugar, a prioridade é sempre derrotar o comunismo. Quando o Foro de SP consegue colocar suas garras no poder, o estrago que se segue, tanto em termos econômicos como de perda de liberdades, costuma ser fatal. Impedir a destruição total do país deve ser o foco.

Para esse objetivo é preciso lembrar que nenhum candidato de oposição ao comunismo precisa ser perfeito. Política é a arte do possível, não um concurso moral. Keiko Fujimori está longe de ser uma candidata que empolga.

Os principais escândalos associados a ela giram em torno de acusações de financiamento irregular de campanhas e lavagem de recursos, especialmente no contexto do escândalo Lava Jato. Ela nega todas as acusações e se declara vítima de perseguição política.

O caso mais emblemático é o Cócteles, uma investigação sobre o suposto recebimento de fundos ilícitos para as campanhas presidenciais de 2011 e 2016. Ela teria recebido US$ 1,2 milhão da Odebrecht por meio de doadores falsos em “coctéles”, eventos de arrecadação. Keiko chegou a ser presa e ficou cerca de 18 meses detida.

Ou seja, ninguém de direita pode efetivamente vibrar com essa vitória. Mas tem o direito de comemorar a eventual derrota do seu adversário, Roberto Sánchez. O psicólogo foi ministro do governo de Pedro Castillo e defende várias bandeiras socialistas. Deseja inclusive uma nova Constituição para o país. Sua base de apoio é o interior rural mais pobre, zonas andinas e eleitores indígenas. É um crítico do modelo capitalista, adotando discurso extremamente populista.

Sánchez também foi acusado de crimes financeiros relacionados a declarações falsas de contribuições de campanha (2018-2020). O Ministério Público pediu mais de 5 anos de prisão eo caso ainda está em andamento na Justiça.

Essas eram as alternativas apresentadas ao eleitor. Diante disso, o “isentismo” parece uma péssima opção. O liberal Alvaro Vargas Llosa, filho do grande escritor Mario Vargas Llosa, comentou: “Acabei de votar nas cruciais eleições peruanas. Cedo, confiante na maturidade do povo peruano após tantas desilusões, com a serena satisfação de ter cumprido um dever moral elementar diante da encruzilhada que o país enfrenta”.

Keiko Fujimori agradeceu publicamente o apoio de Alvaro: “Todos unidos por uma grande defesa democrática”. O voto nulo, nesse caso, representaria uma chance extra para o socialismo. E eis a lição mais importante que o Peru deixa.

Cada voto importa. Numa disputa tão acirrada, a decisão é no photochart. O corolário disso é que toda demonização de outros candidatos anticomunistas é fazer o jogo dos comunistas. No segundo turno, é voto a voto, e é preciso fomentar a união daqueles que rejeitam o destino socialista. Para tanto, é preciso engolir sapos e compreender que o candidato não será perfeito. Não se pode perder de vista o real objetivo: impedir a destruição total do país, resultado inexorável da manutenção da esquerda radical no poder.

RODRIGO CONSTANTINO

O INIMIGO É O NARCOESTADO

cvv pcc terroristas eua

Porta-voz do Departamento de Estado diz que CV e PCC também atuam nos EUA

“Vínculo do PCC com setor de combustíveis eleva risco para Brasil após decisão de Trump”, diz manchete da Folha de SP. “Bancos não descartam se unir ao governo para tentar convencer os EUA a reverterem medida sobre facções”, diz chamada do Valor Econômico. O problema é a decisão americana, não o controle de vários setores pelo crime organizado? Tecla SAP: combater as facções terroristas ameaça nossa economia, ou seja, o Brasil já é um narcoestado!

Isso nos remete à época da Lava Jato em que petistas condenavam a operação de combate à corrupção porque afetava a Petrobras. Ou seja, o problema não é a corrupção na estatal, mas combater essa corrupção! O grau de inversão é chocante e parece que muitos normalizaram o absurdo: não podemos enfrentar o crime porque ele é importante para a economia!

Enquanto isso, o Paraguai segue a Argentina e classifica o PCC e o CV como terroristas. Os países vizinhos ainda reforçaram suas fronteiras para tentar impedir o avanço das facções em seus territórios. Seria bizarro se alguém argumentasse que isso pode prejudicar as economias dos dois países, não é mesmo?

Essa decisão do governo Donald Trump tirou do armário muito “advogado” do crime organizado. Não falta gente saindo em defesa do PCC e do CV, o que nos mostra como décadas de lavagem cerebral e bilhões de interesses fazem com que as pessoas abandonem qualquer juízo. O papo de defesa da soberania é ridículo quando pensamos que essas máfias dominam territórios inteiros em que o estado não consegue entrar. Toda ajuda para combater isso deveria ser aplaudida!

Leandro Ruschel resumiu bem: “O melhor dessa decisão dos EUA de tratar PCC e CV como grupos terroristas é facilitar a identificação das lideranças brasileiras, entre políticos, juízes, influenciadores e jornalistas, que estão na linha de frente da proteção aos bandidos”. Nunca foi tão fácil separar o joio do trigo.

Neste domingo tivemos eleições na Colômbia, e o primeiro colocado foi o candidato de direita Abelardo de la Espriella, seguido do comunista ligado a Gustavo Petro. Como a imprensa deu a notícia? Tanto O Globo como Veja disseram que teremos a “ultradireita” contra a esquerda no segundo turno. A esquerda ligada ao narcotráfico, assassina, comunista, é chamada só de esquerda. Mas a direita é “ultradireita” para a velha imprensa. Que piada!

Petro é condenado por ter dinheiro de narcotráfico na campanha dele, o filho está preso por isso, e ele abertamente apoia Maduro e Cuba. Mas não é extremo! Não existe “extrema-esquerda” ou “ultraesquerda” para nossos jornalistas. Enquanto isso, Paloma Valencia, a candidata de centro-direita que ficou em terceiro lugar, imediatamente declarou apoio ao candidato de direita contra os comunistas.

A Colômbia deveria ter melhor memória dos tempos de Pablo Escobar e das FARC, combatidas pelo linha-dura Alvaro Uribe, que também declarou apoio a Abelardo. O elo entre a esquerda radical e o crime organizado não é novidade no continente. Cuba se transformou em hub internacional de tráfico de drogas e terrorismo, enquanto a Coreia do Norte é exportadora de heroína. Não estamos lidando “apenas” com corruptos, mas sim com bandidos totalitários que querem controlar tudo impondo o terror.

Petro já disse que não aceita o resultado das urnas. Isso não é golpismo? Pelo visto a esquerda radical pode tudo. Miguel Uribe foi morto durante a campanha, e a esquerda continua com seu discurso hipócrita contra o “ódio”. Trump, Charlie Kirk, Scalise, Bolsonaro: são vários casos de atentados contra conservadores por motivação ideológica. A extrema-esquerda é assassina!

Vários países da América do Sul têm conseguido se livrar do Foro de SP. Resta o Brasil. Saberemos em breve se o eleitor brasileiro compreende a dimensão do problema. Lula vem destruindo a economia, colocou o país no eixo do mal, a corrupção voltou com tudo e os feminicídios aumentaram. Mas o pior aspecto ainda é a ligação do PT com a bandidolatria, os “diálogos cabulosos” com o PCC. O que está em jogo é grave demais. Espera-se que o Brasil consiga fazer como o Chile e, tudo leva a crer, a Colômbia agora: dar um basta ao comunismo e estancar a sangria que vem transformando o país num verdadeiro narcoestado.

RODRIGO CONSTANTINO

DONALD TRUMP CONTRA TERRORISTAS BRASILEIROS

O governo Trump demonstrou total alinhamento com a agenda do senador Flávio Bolsonaro na questão da segurança pública

A decisão do governo Donald Trump de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas foi uma vitória do Brasil e de Flávio Bolsonaro. “O governo Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, escreveu o secretário de Estado Marco Rubio. Era o dia do seu aniversário, mas quem ganhou um presente foi o brasileiro decente.

Claro que o timing dessa decisão não foi coincidência. O governo Trump demonstrou total alinhamento com a agenda do senador Flávio Bolsonaro na questão da segurança pública, indo contra o Lula, que chama traficante de vítima de usuário. O governo petista nunca quis considerar PCC e CV grupos terroristas, e reagiu com histeria à decisão americana, puxando a cartada da “soberania”.

Mas esse argumento é ridículo. Os Estados Unidos possuem bases militares na Europa e ninguém acha que, por isso, os países europeus são colonizados pela América. Os americanos ajudaram a Colômbia a combater o narcotráfico e só quem era simpatizante de Pablo Escobar poderia ser contra essa ajuda necessária.

Quem não usa boné do CPX ou não mantém “diálogos cabulosos” com o PCC está comemorando. Ninguém acha de verdade que os americanos vão sair colocando alvos aleatórios do nada em brasileiros comuns. Isso é pura paranoia ou narrativa ideológica. O fato inegável é que o Brasil não está dando conta, sozinho, de combater o crime organizado, que aterroriza a população. Confundir soberania com PCC é simplesmente absurdo.

Flávio Gordon questionou: “Estou entendendo errado ou a esquerda brasileira está assumindo de vez que CV e PCC equivalem ao que ela chama de ‘pátria’?”. É o que está parecendo. Celso Amorim reagiu ao comunicado de Rubio, para a surpresa de zero pessoas, alegando que “equiparar crime organizado a terrorismo não é útil”. Não é útil para o Foro de São Paulo, certamente. Amorim é o mesmo que defende o regime iraniano e que escreveu prefácio em livro favorável ao Hamas!

O Globo embarcou na histeria petista com a seguinte chamada: “Para especialistas, classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA pode oferecer risco à soberania nacional”. O senador Rogério Marinho rebateu: “Para surpresa de zero pessoas, os especialistas do Globo e da esquerda afirmam que classificar criminosos como terroristas oferece riscos a soberania nacional. Soberania padrão PT”.

A direita foi à contramão, celebrando a decisão. Flávio Bolsonaro divulgou a postagem de Rubio e escreveu: “Grande dia”. Nikolas Ferreira chamou a decisão de “golaço” do Flávio Bolsonaro. Podem existir algumas preocupações legítimas de especialistas, principalmente na questão dos bancos usados para lavar dinheiro do crime organizado, mas os benefícios superam e muito os riscos. Os Estados Unidos não possuem um histórico de abusos, e sempre estiveram do lado certo nas grandes guerras, seja contra o nazismo, o comunismo, o fascismo e o terrorismo.

Depois de criticarem o senador Flávio Bolsonaro pela relação de proximidade com Daniel Vorcaro ao longo das últimas semanas, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema usaram o anúncio da classificação das facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos para criticar o governo Lula. Ambos reagiram à decisão, anunciada ontem pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, em vídeos publicados nas redes sociais, nos quais subiram o tom contra a conduta da gestão petista na segurança pública.

“Vejam que absurdo, o PT diz que tratar facção como terrorista ameaça a soberania do Brasil e que isso facilita uma interferência americana no Brasil. Quem ameaça a nossa soberania é justamente o PCC e o Comando Vermelho. Eles dominam territórios do Brasil. Lá, quem manda são eles, e não o governo. Nossa soberania não está ameaçada, ela foi roubada e o Lula nunca fez nada a respeito. Pelo contrário, ele só passa pano para bandido”, disse Zema.

A disputa nunca esteve tão clara no que diz respeito ao crime: do lado esquerdo, a turma que quer proteger as facções que aterrorizam o povo brasileiro; do lado direito, aqueles que querem endurecer no combate à bandidagem, contando com a ajuda americana para libertar o povo brasileiro. Que o eleitor tenha juízo e possa compreender o que está em jogo nessa disputa…

RODRIGO CONSTANTINO

A POLÍTICA FLUMINENSE

Cláudio Castro

Oitava fase da Op. Compliance Zero apura influência de Castro na aplicação de recursos da previdência fluminense em papéis podres do Master

Mensagens trocadas entre o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro levaram a Polícia Federal a mapear uma série de encontros entre eles em datas próximas aos aportes do Rioprevidência no Banco Master, que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões. Foram oito ocasiões em que os dois estiveram juntos no Rio, em São Paulo e em Nova York, de maio de 2023 a maio de 2024. Os agentes concluíram, a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, que os investigados mantinham “laços de amizade”.

O material, revelado ontem pela GloboNews e obtido pelo Globo, mostra que Vorcaro convidou Castro, em 14 de maio de 2024, para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York. Segundo a PF, o evento, restrito a dez pessoas, custou US$ 1,013 milhão, o equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual. No dia seguinte, o Rioprevidência adquiriu R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master.

Se Cláudio Castro acabar preso, será apenas mais um ex-governador do Rio a seguir esse caminho, que já virou uma sina a ponto de Eduardo Paes brincar que se não for preso após um eventual futuro governo já seria uma vitória.

O Rio de Janeiro tem um histórico notório de ex-governadores envolvidos em escândalos de corrupção, especialmente a partir da Operação Lava Jato e outras investigações da Polícia Federal. Sergio Cabral foi preso em 2016, após ser condenado a mais de 400 anos de prisão. Ficou preso, porém, por cerca de 6 anos apenas.

Pezão foi preso em 2018 por lavagem de dinheiro, o único preso em exercício do mandato. Garotinho foi preso ao menos cinco vezes entre 2016 e 2019, e sua esposa Rosinha também foi presa envolvida em investigações de corrupção e fraudes eleitorais. Moreira Franco foi preso em 2019. Nenhum deles continua preso, mostrando que o crime compensa e a impunidade é a regra.

Wilson Witzel não chegou a ser preso, mas teve o mandato cassado por impeachment. Entre os governadores eleitos nas últimas décadas, quase todos enfrentaram prisão, cassação ou inelegibilidade. E isso para focar apenas nos governadores. É do Rio também a família Brazão. Domingos Inácio Brazão (ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) foi preso em março de 2024, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018.

No caso das movimentações suspeitas que o Coaf apontou, que deu destaque à “rachadinha” no gabinete de Flavio Bolsonaro, o primeiro da lista era André Luiz Ceciliano, um político do PT com longa trajetória na política fluminense. Ele tinha movimentado quase cinquenta milhões de reais! Ele é uma figura influente na Baixada Fluminense e na ALERJ, com forte articulação política. Este ano, seu nome chegou a ser cotado para candidato a governador tampão caso houvesse eleição indireta na Assembleia.

Muito mais poderia ser dito, mas o leitor já pegou o jeitão da coisa. O Rio é um experimento social fracassado. Como “carioca da gema”, posso dizer isso com convicção. Há malandro demais para otário de menos no meu saudoso estado. Se há corrupção em todo lugar, no Rio já virou algo totalmente endêmico. O grande risco do Brasil é virar um enorme Rio de Janeiro, um narcoestado dominado por bandidos e com território dividido entre traficantes e milicianos.

Que, neste ambiente tóxico, Jair Bolsonaro tenha participado da política fluminense por décadas sem envolvimento em qualquer escândalo mostra que realmente esse parece um caso raro de honestidade em meio a uma multidão de picaretas. É um mérito que ninguém pode negar…

RODRIGO CONSTANTINO

O SIMBOLISMO DE UMA IMAGEM

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O senador e pré-candidato a Presidência Flávio Bolsonaro durante encontro com o presidente Donald Trump, dos EUA, nesta terça (26)

O senador Flávio Bolsonaro conseguiu o encontro com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, com direito a uma foto e tudo. Até a hora do almoço de terça-feira (26) esse encontro não estava garantido, principalmente pela agenda corrida de Trump. Mas Flávio foi capaz de se reunir com o presidente, mesmo não sendo chefe de Estado, e isso representou um gol importante em sua campanha.

Claro que não significa um endosso de Trump à candidatura de Flávio, e não deveria. Mas é um sinal de respeito inequívoco, que serve também para mostrar ao presidente Lula que existe alternativa para os Estados Unidos. Trump vem negociando com Lula pautas sensíveis, e o presidente brasileiro promete muita coisa, mas não entrega. Agora mesmo baixou decretos que incomodaram as Big Techs. Trump quer um Brasil mais afastado da China, e Flávio representa a candidatura mais alinhada do ponto de vista ideológico.

Na questão das organizações criminosas, Flávio Bolsonaro levou a Trump a demanda pela classificação do CV e PCC como grupos terroristas, o que mostra o abismo em relação à postura lulista, que se recusa a definir assim essas entidades, chama traficante de vítima de usuário, veste literalmente o boné de uma facção e sobe morro dominado sem escolta policial.

A campanha de Flávio estava na defensiva, nas “cordas”, principalmente por conta dos áudios vazados das conversas com Daniel Vorcaro. Tinha também o caso da “rachadinha” de Mario Frias, aliado próximo, e nova operação da Polícia Federal mirando Cláudio Castro no Rio, outro aliado. A foto com Trump dá fôlego novo para a campanha, e ajuda a reverter esse quadro. Lauro Jardim comentou no Globo: “Passado o choque, empresariado volta a ter Flávio Bolsonaro como candidato preferencial”.

Caberá ao Flávio, agora, buscar se afastar dos aliados mais tóxicos e radicais, de olho na turma do mercado e nos eleitores de centro, que Lula tem conseguido seduzir em maior número. A aproximação de Trump ajuda nesse sentido, e a esquerda, esquizofrênica, não consegue decidir se responde alegando que Lula também esteve com Trump ou se receber os afagos do presidente americano é ameaça à soberania nacional pelo “imperialismo ianque”. Aliás, a maior prova de que o encontro entre Flávio e Trump foi importante para sua candidatura é a reação histérica da esquerda. Não souberam como lidar com isso e lotaram as redes sociais com pura gritaria.

Flávio se saiu bem na coletiva de imprensa, que contou com a participação de Paulo Figueiredo, uma espécie de assessor informal do candidato, que coordenou a ordem das perguntas e até ajudou seu candidato nas respostas. Figueiredo desponta como forte candidato ao cargo de porta-voz do governo numa eventual vitória de Flávio.

Quanto ao local da coletiva, o hotel em que Flávio estava hospedado, o senador repudiou a postura da Embaixada Brasileira de não lhe conceder o espaço. Adalberto Piotto comentou: “É vergonhoso, ultrajante e mesquinho o Itamaraty negar o uso do Embaixada do Brasil em Washington para que Flávio Bolsonaro concedesse uma entrevista após a reunião com Trump, na Casa Branca. A embaixada é um espaço público no exterior que pertence a todos os brasileiros, não é do governo Lula. Flávio é um senador da República no exercício do cargo, antes de tudo. É um constrangimento diplomático e internacional que denuncia, uma vez mais, que o governo Lula sequestrou o Estado. O Brasil não pode aceitar isso”.

Enfim, Flávio marcou um gol importante nessa ida aos Estados Unidos, que pode representar o começo de uma virada eleitoral para quem vinha só apanhando. Resta saber, claro, se o PT não guardou munição contra o adversário para usar mais à frente…

RODRIGO CONSTANTINO

PACTO DE NÃO AGRESSÃO

A direita está em “guerra”. Romeu Zema rompeu com Flávio Bolsonaro assim que vazou o áudio do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, depois disse que era página virada, mas subiu novamente o tom. Ronaldo Caiado, que tinha sido mais cauteloso no começo, também subiu o tom e disse que as justificativas de Flávio até agora não foram satisfatórias. Mas enfatizou que a prioridade da centro direita é derrotar Lula no segundo turno.

Vejo com naturalidade as trocas de farpas, uma vez que são todos concorrentes do mesmo eleitorado. A disputa é para ver quem consegue ir para o segundo turno contra Lula, que tem enorme rejeição. Claro que Zema e Caiado vão mirar em Flávio no espectro da direita, pois precisam se colocar como alternativas melhores e viáveis. É do jogo.

Durante evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, AmCham, nessa segunda-feira, em São Paulo, Romeu Zema disse que quem votar em Flávio Bolsonaro estará ajudando a reeleger Lula e alegou que o cenário eleitoral deste ano é mais complicado do que o de 2022, pois não havia escândalo envolvendo a direita.

Zema tem um ponto: o PT mal ligou sua máquina de destruir reputações, e se o telhado do Flávio for de vidro, então ele será o adversário dos sonhos para o lulismo. Mas não se pode esquecer o peso do sobrenome Bolsonaro, muito maior que o de Zema e Caiado. Por isso mesmo muitos bolsonaristas acham que não deveria haver “fogo amigo” agora, o que só dá munição para o PT. É preciso lembrar, porém, que a própria militância bolsonarista já vem detonando Zema e o Partido Novo antes de sua reação após o áudio com Vorcaro.

O pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL-SC), foi às redes sociais afirmar que Romeu Zema é baixo e que, “na primeira oportunidade, vem mais uma facada”. Antes disso, porém, Kim Paim, próximo de Eduardo Bolsonaro, já tinha associado Zema a Adélio Bispo, sem qualquer crítica dos irmãos Bolsonaro. O jogo tem sido pesado e sujo, principalmente por parte dessa ala fanatizada do bolsonarismo, que caça “traidores” por toda parte e dedica 90% de sua energia para atacar gente como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro.

A postura do Zema gerou um racha interno no Partido Novo, pois muitos pré-candidatos dependem dos votos bolsonaristas em seus estados e fecharam alianças com o PL. Jeffrey Chiquini, que chegou “ontem” no partido, escreveu um textão criticando Zema e impondo ao Novo uma escolha: ou ele ou o ex-governador de Minas Gerais. Eis o clima tenso existente hoje dentro do partido.

Enquanto isso, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, dá entrevista com versão diferente daquela apresentada pelo próprio Flávio para sua visita a Vorcaro após a prisão. Foi para encerrar a relação, como disse o próprio Flávio, ou para cobrar o resto do dinheiro, como diz agora o presidente do partido? Com um aliado desses, o Flávio nem precisa de inimigos à esquerda…

Flávio tenta uma aproximação com o centrão, mas este prefere manter certa distância. A Federação União-PP considera improvável o apoio ao pré-candidato do PL após o caso Vorcaro. Representantes do agronegócio também avaliam que o senador Flávio Bolsonaro perdeu competitividade para a disputa presidencial após a repercussão do caso Banco Master, segundo fontes do setor ouvidas nesta segunda-feira pela imprensa.

Para piorar a situação, a Polícia Federal realizou nova operação mirando no ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL. Os agentes investigam a transferência de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master. O Rio é o berço do bolsonarismo, e Castro é um aliado importante do senador Flávio. A narrativa ética contra o PT fica cada vez mais complicada em meio a tantos escândalos.

Caiado está certo, porém: a centro direita precisa estar unida no segundo turno contra Lula. Essa continua sendo a prioridade. Pontes foram destruídas no caminho, pois a disputa eleitoral é acirrada e os nervos estão à flor da pele. Mas será preciso ter calma e frieza, e engolir muito sapo, para deixar essas intrigas de lado e promover a união de todos contra o petismo depois. Ou teremos mais quatro anos, no mínimo, de lulismo, o que poderá ser a destruição total do país.

RODRIGO CONSTANTINO

TERRA DOS LIVRES E CASA DOS CORAJOSOS

É emocionante ver como a América ainda estima seus guerreiros da liberdade

Hoje é feriado aqui nos Estados Unidos. Celebra-se o “Memorial Day”, em homenagem a todos os militares que lutaram pela liberdade. Um dia de intenso patriotismo e respeito aos homens fardados, que são os grandes responsáveis por nossa defesa. Na fórmula Indy 500 de Indianápolis neste domingo, dois helicópteros militares sobrevoaram o evento, para delírio do público. Os americanos, em geral, reconhecem a importância de suas forças armadas na história.

Agora mesmo há a expectativa de uso de força contra o Irã, sob um dos regimes mais nefastos do mundo que espalha o terror por toda parte. A captura do ditador Nicolás Maduro encheu de esperança os venezuelanos que não aguentam mais tanta desgraça. A abjeta ditadura cubana está cambaleando e corre risco de se desintegrar com a pressão americana. Taiwan está cercada por navios chineses, que só não invadem a ilha porque existem os militares americanos para reagir. O eixo do mal, enfim, só encontra contenção para valer no poderio bélico dos Estados Unidos, pois se o Ocidente dependesse das forças de segurança da ONU, estava lascado.

Resgato um texto de 2024 sobre a relevância do feriado para a nação:

O respeito a quem lutou por nós

Os americanos celebram hoje o “Memorial Day”, um dos feriados mais importantes do ano, em que os militares mortos em combate são homenageados, assim como os veteranos de guerra. Menos de 1% da população americana de mais de 300 milhões usa farda, e isso faz com que pouca gente conheça pessoalmente militares em serviço, lutando para a defesa do que a América representa: a liberdade individual. Mas enquanto o respeito a esses bravos heróis for grande, haverá esperança.

E o respeito continua grande. Basta ver a quantidade de gente que coloca bandeiras americanas em destaque em suas casas nesta data. Mesmo Barack Obama, o presidente mais esquerdista dos últimos tempos que foi eleito com um discurso “progressista” e um tanto “pacifista”, e chegou a ganhar um Prêmio Nobel da Paz antes mesmo de começar a governar (e, portanto, autorizar ataques militares), fez discursos elogiosos aos militares americanos neste feriado.

A esquerda adota uma campanha contra os militares há décadas, e basta ver Hollywood para verificar como saímos dos filmes que enalteciam esses heróis para os que detratam sua imagem. Mas são esses guerreiros que colocam suas vidas em risco para preservar nossa segurança e nossa liberdade. Policiais do lado doméstico e as Forças Armadas do lado internacional entram na linha de tiro dos inimigos para garantir o nosso estilo de vida, que muitas vezes tomamos como um dado, não como um resultado de muito esforço e sacrifício.

As guerras acompanharam a humanidade desde que o homem é homem. As tribos vizinhas atacavam umas às outras em busca de seus recursos, suas propriedades, e matavam ou escravizavam os homens, enquanto estupravam mulheres com frequência. Essa era a verdadeira “cultura do estupro”, ao contrário do que as feministas falam hoje.

Com o passar do tempo, a institucionalização da defesa nacional liberou a imensa maioria desse fardo, para que todos nós pudéssemos nos dedicar a outras tarefas, seguir nossos sonhos. A produtividade deu um salto com o aumento das trocas comerciais e com a alocação de tempo e energia para essas funções. Tudo isso, é sempre importante lembrar, graças àqueles que continuaram se dedicando à fundamental missão de nos proteger, de forma profissional. Os conservadores costumam valorizar bastante esses soldados. Os “progressistas” adoram crucificá-los.

Mas, como vimos, mesmo um ícone da esquerda caviar como Obama precisa se curvar diante dos fatos, e prestar homenagem aos militares que lutaram e morreram pela América. É porque, apesar da campanha da esquerda, esses heróis ainda são muito estimados por aqui. Ai daquele político que virar efetivamente suas costas para eles, desprezar sua coragem, seu senso de patriotismo e dever cívico. Será suicídio político, sem dúvida.

E é bom que seja assim. Uma nação que não valoriza aqueles dispostos a morrer em batalha por ela não é digna da liberdade. Claro, para isso ser verdade, é preciso ser uma nação livre para começo de conversa. Os militares da Coreia do Norte – quase toda a população – são apenas escravos a serviço de um tirano maluco. Já os militares americanos não precisam pedir desculpas ao mundo, como gostaria o próprio Obama. Estiveram do lado certo quase sempre, lutando contra inimigos da liberdade, da democracia, do indivíduo.

Combateram comunistas, nazistas, fascistas, imperialistas, terroristas. São heróis, e merecem todo tributo e reconhecimento que for possível. Hoje é o dia escolhido para isso, e é emocionante ver como a América ainda estima seus guerreiros da liberdade.

RODRIGO CONSTANTINO

O PAPAL DO COMENTARISTA INDEPENDENTE

Todos têm acompanhado, com estarrecimento, o que vem acontecendo nos debates políticos no Brasil. Entende-se o clima de desespero, quando o cidadão se sente impotente diante de um sistema podre e carcomido. No afã de promover uma mudança por meio das eleições, muitos colocam como única prioridade a derrota de Lula e seu PT, o que é, sem dúvida, o desejo de todo brasileiro decente. Não obstante, esse objetivo vem turvando a razão de muitos e impedindo qualquer tipo de diálogo construtivo.

Confunde-se o papel de cada um, com uma cobrança de que veículos independentes de comunicação se tornem somente máquinas de propaganda para determinado candidato. Não é papel da mídia o de defender político “até debaixo d’água”. Se houver qualquer tipo de questionamento acerca de um potencial escândalo “do lado de cá”, logo surge o rótulo de “traidor” ou “vendido”, quiçá “petista”. É como se jornalistas tivessem que abandonar qualquer senso crítico e virar apenas relações públicas de um candidato, fazendo vista grossa para todos os seus defeitos e malfeitos.

Não se pode ter político de estimação na mídia. Não há qualquer razoabilidade em tomar partido cegamente, pois o “partido” de jornalistas independentes é o Brasil. E jamais um jornalista sério pode transigir com corrupção. São valores básicos que vêm sendo esquecidos e ignorados por aqueles que exigem uma postura de militância em vez de opinião séria.

Os canais independentes não são a reunião de um grupo de militantes. Jornalistas de verdade não têm a pretensão de “tornar o mundo melhor”. Muito menos seguindo parâmetros equivocados, uma visão particular. Não somos seres superiores, supremos, iluminados. Não somos “consertadores” do mundo, educadores, tutores, que sabem o que é melhor para todas as pessoas, para o país, para o planeta.

Abominamos a arrogância, a soberba, a prepotência. Uma pessoa inteligente é, necessariamente, uma pessoa humilde. Quem não é humilde vai sempre distorcer a realidade, já que ignora as referências corretas, já que enxerga tudo como deseja, já que adota “verdades próprias”. A função do jornalista não é bancar Deus. Portanto, um jornalista vaidoso, que não tem humildade, ele deixa de ser jornalista, ele se anula, ele se destrói.

Como explica Lacombe, um jornalista que tem, de antemão, a resposta para tudo, sem precisar perguntar, sem precisar promover o debate, abrindo mão da curiosidade e da desconfiança, não é jornalista. Aquele que se opõe ao mundo real, às experiências já vividas não é um jornalista. Aquele que se entrega a ilusões, a mentiras, a utopias é alguém que aceita ser enganado e, para piorar, que aceita enganar os outros.

Os jornalistas independentes não se acham mais importantes do que as informações, do que o conteúdo que entregam. A notícia será sempre a estrela. Temos a humildade necessária para questionar, questionar muito, nos entregar avidamente aos fatos, não nos deixar pautar por nada que não seja a busca pela verdade. Jornalista que se deixa pautar não pelos critérios profissionais, mas por interesses políticos, corporativistas, mercadológicos ou financeiros deixou de fazer jornalismo.

Lacombe lembrou bem, no Programa 4por4 de domingo, o caso envolvendo o laptop de Hunter Biden, filho do ex-presidente Joe Biden. A mídia tentou abafar o caso pois considerava o objetivo de derrotar Donald Trump mais importante. Não só fracassou em seu intuito, como matou o jornalismo no processo. Não se manipula informações dessa forma impunemente, e não se muda a realidade metendo a cara na areia como um avestruz.

Daí a importância desses veículos rejeitarem qualquer verba pública ou partidária. São os assinantes, o público, a audiência quem paga a conta, em busca de informação verdadeira e análise honesta. Defendemos a liberdade de expressão, de manifestação, de imprensa. Defendemos, principalmente, as liberdades individuais. Sabemos o que é crítica, o que é opinião e queremos sempre defender o debate. Não somos infalíveis, é claro. Entendemos a nossa responsabilidade e, se erramos, devemos de alguma forma fazer as correções necessárias e nos retratar.

Um jornalismo que tem uma causa, que é militante, é refém de si mesmo. O interesse de um jornalista deve ser sempre divulgar fatos, contar histórias reais, da forma mais clara, mais objetiva e mais atraente e cativante possível. Se isso for substituído pelo objetivo de eleger um candidato X ou Y, deixamos de fazer jornalismo para virar cabo eleitoral de político, o que é simplesmente absurdo e imoral. Cada jornalista pode ter sua preferência, claro, e inclusive externá-la ao público, mas sempre com o compromisso de analisar os fatos, doa a quem doer. Jornalista não “passa pano”.

Os veículos sérios e independentes, como a Gazeta do Povo, fazem e farão sempre jornalismo profissional, num ambiente de liberdade, com respeito aos fatos, às leis, a princípios éticos e morais, com responsabilidade, transparência e honestidade intelectual. É isso que cada um de vocês pode esperar e cobrar de nós, sempre. Sem esse esforço constante de buscar a verdade, e não um mero resultado eleitoral, troca-se o foco no longo prazo por uma visão míope e prejudicial ao verdadeiro jornalismo. Não contem conosco para fazer mera militância partidária ou defender político até embaixo d’água. Contem conosco para sempre dizermos o que realmente pensamos, pois esse é nosso compromisso com nosso público qualificado, que merece nosso respeito.