RODRIGO CONSTANTINO

DEPUTADOS ASSUMEM PROMETENDO FORTE OPOSIÇÃO

Hoje começa a nova legislatura, eleita com um viés mais conservador. Deputados “bolsonaristas” assumiram seus mandatos ostentando placas com os dizeres “Fora Ladrão” e “Pacheco Não”, em referência ao presidente Lula e o senador Rodrigo Pacheco, que disputa sua reeleição para comandar o Congresso Nacional.

O Brasil precisa de pacificação? Não necessariamente. O país precisa de respeito à Constituição, isso sim! E se para tanto for preciso manter o clima de “guerra política”, lembrando que a política é a extensão “civilizada” da guerra real, então que seja. Melhor uma oposição aguerrida do que um bando de tucano que não passa de petista disfarçado.

O PT sempre foi o tipo de oposição destrutiva, tentando obstruir todas as pautas necessárias para o país. A oposição conservadora não deve seguir nessa linha, pois seu compromisso é com a nação, não com algum político em particular. Mas como a agenda petista é toda nefasta, claro que fazer oposição a Lula significa tentar impedir o avanço de todas as reformas.

Além disso, há o impeachment. Sim, o PT começou todo governo de oposição exigindo o impeachment, e depois buscando algum pretexto. No caso, não é preciso ter pretexto: Lula é um presidente ilegítimo para milhões de brasileiros, pela forma como chegou lá. Vem tentando rescrever a história oficialmente, posando de vítima de golpe, mas sabemos a verdade. É preciso gritar desde o primeiro dia: Fora Lula!

E para colocar a nação nos trilhos da Constituição novamente, a vitória de Rogério Marinho para o comando do Senado se faz fundamental. Saberemos em poucas horas o resultado. Pela contagem de senadores da oposição, as chances são bem reais e Marinho pode ter mais de 40 votos. Como o voto é secreto, fica impossível saber quantas traições vão rolar. Mas a expectativa dos senadores do PL é grande.

Enquanto aguardamos o resultado crucial para nossa democracia, podemos festejar a ausência de algumas figuras no Congresso. Alexandre Frota, Mandetta, Miranda e Joice Hasselmann não estarão mais na Câmara. Esta última, aliás, foi expulsa do PSDB de SP. Foi usada para o serviço sujo pelo sistema, não conseguiu ser reeleita depois de ter um milhão de votos “bolsonaristas”, e agora pode ser cuspida para evitar constrangimentos. É o destino de todo traidor, cedo ou tarde.

RODRIGO CONSTANTINO

O BRASIL AFUNDA OU NÃO?

O Brasil é como dejeto na água: boia, mas não afunda. Essa é a metáfora muito utilizada por algumas pessoas que lamentam as oportunidades perdidas em nosso país, mas acham que o pior também será sempre evitado. Não deslanchamos, mas tampouco naufragamos de vez. Eu mesmo já tive essa percepção quando o PT foi governo no passado, e brincava nas palestras que tinha de dizer baixinho a minha conclusão: o MDB salvaria o Brasil de Dilma!

Ocorre que não há nada escrito em pedra que o Brasil jamais será comunista. Para evitar essa praga é preciso ter instituições mais sólidas, uma cultura da liberdade mais disseminada, uma mídia atenta, grupos de interesse bastante organizados e coesos, Forças Armadas independentes e patriotas etc. Sim, nossa economia é complexa, tem o agronegócio que é uma potência, as indústrias, os bancos, o comércio e o varejo, muitos empresários parrudos. Mas nós vimos como foi fácil mandar a polícia na porta de alguns deles pelo “crime” de apoiar Bolsonaro. E quanto às Forças Armadas, melhor nem comentar…

O fato é que o comunismo segue avançando, e os comunistas corruptos estão de volta ao poder, com mais sede de poder ainda. E viram como foi fácil dobrar seus adversários, calar os “dissidentes” e inventar narrativas fajutas que a velha imprensa ajudou a divulgar com louvor. Em nome da “democracia”, as liberdades básicas foram destruídas num piscar de olhos. Muitos acharam que ficaria restrito aos mais “radicais” dos bolsonaristas, mas já está claro que o buraco é bem mais embaixo.

Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado eleito com o maior número de votos em 2022

Nikolas Ferreira, o deputado mais votado do país, tem sido alvo de perseguição e censura, como tantos outros. O Telegram resolveu questionar uma decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender sua conta, alegando que falta embasamento na denúncia. Agora vamos pensar um pouco sobre isso: o mais votado parlamentar do país sendo impedido de parlar na praça pública da era moderna sem ter cometido qualquer crime! E a mídia em silêncio ou aplaudindo!

A crença de que essa turma será capaz de frear o ímpeto autoritário petista caso Lula abuse demais do poder e insista em sua agenda comunista do Foro de SP parece um tanto ingênua. Não resta dúvida de que o “sistema” tem seus ícones neste governo, que Alckmin não é vice-presidente por acaso, que Alexandre de Moraes nunca foi petista, que Arthur Lira e Rodrigo Pacheco tampouco estão casados com a pauta vermelha. Mas depositar toda a esperança nessa gente é brincar com fogo e menosprezar a inteligência de figuras como Dirceu.

Meu intuito não é ser catastrofista ou alarmista, e cantar o fim do Brasil de imediato. Considero possível o “sistema” podre ser mais forte do que Lula, sim, e que numa eventual batalha entre titãs, o petista e o Foro de SP sejam os derrotados. Só estou dizendo que a possibilidade de resultado distinto é real, existe e não pode jamais ser ignorada. Todas as nações sob ditaduras comunistas acharam, em algum momento do processo, que poderiam evitar o pior. Até ser tarde demais.

O que mais me assusta é o esforço de tanta gente em normalizar Lula e seu governo. O presidente diz na cara dura que apoia os regimes de Cuba, Venezuela e Nicarágua, mas os “democratas” se mostram decepcionados ou preocupados, com a esperança tola de que Lula resolva ser mais moderado e passe a condenar os regimes que apoiou a vida inteira. Não há qualquer base para essa crença ingênua. Lula está sendo Lula, e não é fingindo que ele é outra coisa que o risco comunista será afastado.

Quando vejo investidores gringos elogiando as falas de Fernando Haddad em Davos, fica mais claro ainda como há uma turma disposta a mergulhar na alienação em prol do conforto ou de lucros momentâneos. Agora Haddad virou um fiscalista responsável, por acaso?! É uma piada de mau gosto, de quem escolhe deliberadamente ignorar a essência petista.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad

Lenin teria dito que compraria a corda da burguesia que seria usada para enforcá-la. Às vezes acho que muitos capitalistas brasileiros agem dessa forma suicida. Eles aceitam participar desse teatro farsesco de que o Brasil continua vivendo uma normalidade institucional, para não se dar conta da real ameaça representada pelo PT e o Foro de SP.

Se os minúsculos Uruguai e Paraguai se levantam contra o absurdo, condenando o silêncio das esquerdas diante de abusos ditatoriais no continente, a gigante China aplaude a “integração regional” e incentiva a luta pela “paz, desenvolvimento e democracia” dos povos latino-americanos. Teremos a “paz” que ceifou a vida de milhares em protestos na Praça Celestial, o “desenvolvimento” que produziu só miséria na Venezuela e a “democracia” de Ortega na Nicarágua, que prendeu todos os opositores políticos.

É assustador ver a marcha vermelha da insensatez no continente. E mais assustador ainda é ver a grande quantidade de brasileiros disposta a fingir que, por algum motivo qualquer, não há a menor possibilidade de o Brasil seguir no mesmo destino rumo ao abismo comunista. Quem foi que disse que o Brasil não afunda?

RODRIGO CONSTANTINO

A ESSÊNCIA ELITISTA DE DAVOS

Não há absolutamente nada de errado em ser elite. A tropa de elite não tem esse nome por acaso e não se configura pelo recrutamento dos piores soldados. A elite financeira teve sucesso por criar valor ao mercado, se a riqueza foi obtida de forma honesta. A elite intelectual se destacou por méritos próprios em suas respectivas áreas. Ser da elite, enfim, não é demérito algum ou motivo para se sentir envergonhado ou culpado, como querem as esquerdas oportunistas.

Mas há uma diferença entre elite e elitista. O elitista é a elite que pensa que, por ser elite, merece governar os outros, mandar no mundo. O elitista se julga um ungido, alguém melhor do que os reles mortais. O elitista se sente tocado por um chamado arrogante, e enxerga nos demais seus instrumentos para ser esse guia. Davos é o ambiente dos elitistas, dos ungidos, dos arrogantes. E eles nem tentam esconder isso…

Marisol Argueta de Barillas, Fernando Haddad e Marina Silva no Fórum Econômico Mundial de Davos

John Kerry, o secretário de Meio Ambiente dos Estados Unidos, colocou nesses termos: aquela elite foi “tocada” por um chamado supostamente abnegado, de “salvar o planeta”. Vale lembrar que Kerry só é elite pois foi “tocado” pela fortuna de sua esposa, já que ele nunca produziu nada de valor no mundo. Desde então ele entrou para a política, perdeu uma eleição presidencial, e foi recompensado agora com o cargo que ocupa, que consiste basicamente em rodar o mundo em jatos para pedir menos emissão de carbono.

Após a confissão arrogante de que ele e seus pares em Davos precisam “salvar o planeta”, Kerry ofereceu a solução, o caminho: “dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro”. Mas não pensem que ele, ao repetir a palavra tantas vezes, coçou imediatamente o próprio bolso e fez um cheque gordo. Nada disso! Quando essa elite arrogante fala em gastar mais e mais dinheiro, ela sempre tem em mente o seu dinheiro, caro leitor, nunca o deles. É muito fácil sinalizar virtude com o esforço alheio, e é exatamente isso que a turma de Davos faz.

Outra participante do fórum, quando perguntada sobre o que fazer para “salvar o planeta”, foi bem sucinta na resposta: “Não ter mais desenvolvimento, zerar o crescimento. Menos é mais, vou deixar por aqui”. Ela disse isso em frente a bilionários com iates e jatinhos particulares, para aplausos dos hipócritas presentes. O globalismo é fofo, pois prega para os outros aquilo que não coloca em prática para essa mesma elite.

No fundo, tudo ali é sobre poder e controle. Essa elite ungida quer controlar cada detalhe de nossas vidas, e não apenas nossas contas bancárias. Eles querem impor sua visão “progressista” da cultura, ou seja, querem que sigamos as diretrizes morais de gente normalmente com famílias disfuncionais. Eles querem também monopolizar a fala em nome da ciência, e com base nisso censurar os outros e impor medidas drásticas e autoritárias de “saúde”, como vimos na pandemia.

É uma seita “religiosa”, com profetas, “santos” e “mártires”. Como o caso da “heroína” Greta Thunberg. Não sendo mais uma adolescente, a “garota” perde a blindagem de antes e agora pode ser exposta pelo que é: uma mimada que acha que os adultos devem tudo a ela. Greta foi “presa” na Alemanha, ao protestar numa perigosa mina de carvão. Foi tudo pateticamente ensaiado e encenado, com as câmeras da TV pegando o momento em que dois policiais a carregavam para fora do local. Ela ria enquanto ajustavam os atores.

Parece o único momento alegre dessa pobre-coitada, sempre tão raivosa ao apontar dedos e questionar: “Como ousam?!”. Chega a ser comovente imaginar que Greta só se sente feliz nos braços da polícia, ainda que numa evidente farsa. Para ser herói é preciso sacrifício verdadeiro por uma causa real. Greta nunca sacrificou nada, e sua causa é uma ideologia equivocada, que produz apenas miséria quando imposta aos demais. O ambientalismo empobrece quem não pode se dar ao luxo de viver da sensação de altruísmo só por repetir palavras de impacto.

A elite arrogante e autoritária de Davos aponta para problemas existentes no mundo e clama por mais poder e controle para solucioná-los, como se não tivesse qualquer culpa no cartório. Ora, essa turma já tem imenso poder faz tempo, então esses problemas — que só crescem — devem ter ligação direta com a própria elite no comando, não? Teve um palestrante, por exemplo, que chamou a atenção para o aumento da angústia dos jovens com o futuro, como se não fosse exatamente a histeria ambientalista que tivesse produzido essa angústia toda!

A esquerda sempre funcionou assim: defende uma medida para solucionar determinado problema, e, quando o problema aumenta, reclama que faltaram verba e poder para endereçar melhor o problema. É o esquema perpétuo de avanço do Estado e do poder dessa elite arrogante, que nunca consegue entregar bons resultados. O fracasso é recompensado, em suma. E eles nunca olham para o espelho para encontrar os culpados dos males que identificam. Uma elite humilde, com a consciência mais realista de seu papel na sociedade, jamais agiria assim. O risco é a elite que se julga detentora de um direito messiânico de “cuidar” dos outros ou do planeta, e quer fazer isso à força, sem o consentimento dos governados, que seriam estúpidos demais para compreender tudo.

RODRIGO CONSTANTINO

EMPRESÁRIO NÃO TRABALHA?

“O patrão não trabalha, ele contrata outros que trabalham para ele, que fica rico”. Essa é a falácia mais antiga do mundo, alimentada pelo marxismo recalcado e ignorante. Parte da premissa de que o empresário não agrega valor à economia, que ele simplesmente explora o trabalhador e coleta a “mais valia”.

Como muito oportunista e ignorante repete por aí essa baboseira até hoje, tentando segregar a população numa falsa “luta de classes” (a verdadeira é entre quem produz riqueza, empresário e trabalhador juntos, contra quem consome essa riqueza por meio do estado), vale rebater o absurdo disso.

Como alguns sabem, estou escrevendo uma breve autobiografia, e logo no primeiro capítulo expliquei o meu antídoto contra a fase esquerdista na juventude. Eis um trecho:

Mas o antídoto ao esquerdismo veio mais pelo contraste do que qualquer lição paterna. Meu professor de História da sétima série (tinha que ser), o Guilherme, era um marxista incurável. A escola era dura, o prestigiado Colégio Santo Agostinho, na Barra. E o Guilherme ficava lá, falando baboseira sobre luta de classes, mais valia, exploração capitalista e patrões sanguessugas. Essa bobagem toda teórica não batia com minha experiência em casa. Lembro de uma ocasião, de férias em Nova York, quando meu pai era incapaz de relaxar, ligado no noticiário do Brasil para acompanhar os planos mirabolantes dos economistas idiotas. Ele ficava tenso pois tinha quase duzentos funcionários que dependiam do sucesso do banco para sobreviver. 

O homem trabalhava pra caramba, não relaxava, quase não tinha tempo livre para brincar com os filhos, e depois aquele professor recalcado repetia que alguém como meu pai não fazia nada, não trabalhava, só explorava os trabalhadores? Um pateta que nada sabia, como eu já podia notar. E assim fui blindado do esquerdismo na juventude…

Se os marxistas lessem os austríacos saberiam melhor do papel dos empreendedores na economia. Segundo Kirzner, a função do empreendedor será justamente aproveitar as oportunidades criadas pela ignorância existente no processo do mercado. Se houvesse onisciência não haveria necessidade de empreendedores. Será a figura do empreendedor que perceberá as oportunidades existentes de lucro.

Este empreendedor não precisa ser um proprietário dos recursos para produção. Ele simplesmente saberá onde comprar os recursos por um preço que será vantajoso produzir e vender um determinado produto. Seu valor vem da descoberta dessa oportunidade existente e não explorada ainda. Em uma situação de equilíbrio de mercado não há espaço para a atividade empreendedora, neste sentido, pois não há ignorância ou falta de coordenação entre os agentes. É a ineficiência existente na realidade que permite uma realocação dos recursos por parte desses empreendedores, tornando o resultado mais eficiente.

O empreendedor fica alerta para a possibilidade de usos mais eficientes dos recursos, não apenas para as demandas e ofertas existentes, como também para mudanças nelas. Ele deve saber onde as oportunidades inexploradas estão. Na busca pelo lucro, a ação empreendedora irá reduzir a discrepância entre os preços pagos pelos agentes do mercado. Sua função é similar a de um arbitrador. O empreendedor é aquele alerta às informações que o mercado gera continuamente, fazendo ajustes que resultam da ignorância existente no mercado.

Se os marxistas conhecessem Ayn Rand, também evitariam o constrangimento de declarações estúpidas sobre o rico ter explorado o pobre trabalhador. Em seu brilhante discurso sobre o dinheiro ser a origem do mal, eis o que o herói da autora explica:

Os que alegam que o trabalho braçal apenas é que gera produção, deveriam tentar obter comida e outros bens indispensáveis sozinhos na natureza. Irão aprender que são as mentes de homens que estão por trás dos bens produzidos e da riqueza gerada no mundo. A riqueza é o produto da capacidade humana de pensar. Ela não é estática e disponível na natureza para o bel prazer da humanidade. Ela é criada, possível pelos que inventam, arriscam, pensam.

Isso não é feito à custa dos incompetentes, preguiçosos ou tolos. Não é resultado de exploração alguma. Mas sim fruto do potencial e habilidade de alguns homens. Um homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz, pois precisa consumir os bens de acordo com trocas livres, oferecendo algo de valor em troca, seu esforço, sua produção. Simplificando, um produtor de calçados troca parte de sua produção pelo leite produzido pelo outro, pois cada um julga mais valioso o que está recebendo em troca. Uma troca livre necessariamente satisfaz ambas as partes envolvidas. E dinheiro não é nada mais que um meio de troca, um facilitador dos escambos, por representar um denominador comum, expressar na mesma unidade o valor que cada indivíduo atribui ao produto, cujo preço de mercado será o encontro da oferta com a demanda.

Em suma, quem afirma que o empresário rico ficou rico pois explorou o trabalho alheio ou não entende absolutamente nada de economia, ou entende e não passa de um canalha oportunista que tenta jogar uns contra os outros para tirar proveito desse sensacionalismo barato.

RODRIGO CONSTANTINO

IDEOLOGIA X MERCADO

Outro dia me senti o próprio escritor americano que vemos nos filmes. Fui ao Starbucks com meu laptop, comprei um frapuccino, e pus-me a escrever minha breve autobiografia. O Starbucks é uma rede “lacradora”, com viés “progressista”. Não curto essa postura ideológica, mas curto seu café e seu ambiente.

Sou também um grande comprador da Amazon Prime. Fico até impressionado: compro minhas cápsulas da Nespresso e chegam no mesmo dia! Sem sair de casa, no conforto do meu escritório, a um preço acessível e competitivo, a mercadoria é deixada na minha porta. Jeff Bezos, o dono da Amazon, é um democrata “progressista” de quem discordo bastante.

Menciono esses casos para reforçar a ideia de que o grande valor do mercado está em sua impessoalidade. Oferta procura atender a demanda da forma mais eficiente possível, deixando de fora quesitos ideológicos. Não entro no restaurante questionando qual foi o último voto do seu proprietário.

Esse mecanismo “frio” do mercado é seu maior atributo, e por isso mesmo economistas como Thomas Sowell e Walter Williams, ambos negros, enxergaram nesse modelo o maior combate ao racismo. Se as empresas forem racistas, perderão clientes e também funcionários que podem agregar valor. Quem vê cara não vê resultado!

Compreendendo isso fica mais claro por que é temerário um ministro da Economia pregar o boicote de empresas do próprio país por fatores ideológicos ou partidários. O capitalismo é eficiente por ignorar essas coisas. Quem age assim quer dar um tiro no pé da própria economia. Também, o que esperar de quem confessou nada entender do assunto pois “colava” nas provas?!

O editorial da Gazeta do Povo, publicado hoje no JBF, fala sobre como o novo governo atrapalha as expectativas econômicas, e não é para menos. As falas desastradas de Haddad e sua equipe apenas jogam lenha na fogueira. A turma de “mercado” que “fez o L” já está arrependida e percebendo a lambança que vem por aí. Diz o jornal:

Infelizmente, o Brasil já abusou demais do desperdício de tempo e, considerando o envelhecimento da população e a perda do bônus demográfico, não há mais muito tempo que possa ser perdido, sob pena de jamais tornar-se um país desenvolvido. Apesar disso, a última eleição talvez tenha sido o pleito eleitoral mais precário dos últimos tempos quanto à clareza, por parte dos candidatos, de quais eram suas ideias para a sociedade. A chapa vencedora do pleito presidencial nem mesmo chegou a protocolar plano de governo detalhado. A formação de expectativa econômica no plano nacional tornou-se exercício ao acaso, pois não há elementos de certeza razoável necessários para profecias minimamente críveis. Os primeiros dias do novo governo já demonstraram para onde Lula e o PT querem levar o país, dando marcha a ré em avanços importantes como marcos regulatórios, reforma da Previdência e reforma trabalhista, e apresentando um pacote de contenção do déficit que aposta fortemente no aumento da arrecadação, com minúsculos cortes de gastos. No entanto, ainda é preciso saber que tamanho terá a base aliada no Congresso e se ela será capaz de concretizar ou de barrar os planos petistas. Enquanto isso, expectativas econômicas sérias e bem embasadas estão na coluna de “suspenso”.

Reforço aqui a análise que já fiz antes: com esse pessoal no comando da economia, não corremos o menor risco de dar certo. Mas à medida que o país envelhece, sem criar riquezas, o caldeirão social aquece mais e mais, até o ponto de ebulição. É extremamente preocupante acompanhar a trajetória dos nossos dados sócio-econômicos e vislumbrar o descaso do atual governo para com as boas teorias sobre o assunto. Salve-se quem puder!

RODRIGO CONSTANTINO

CONVULSÃO SOCIAL

Cenas lamentáveis. Vandalismo, destruição, caos social. O clima no Brasil está tenso. Detesto dizer isso, mas eu previ o que está acontecendo. Basta ver meus vários textos e comentários. Disse repetidas vezes que a corda estava sendo esticada demais, que o sistema estava dobrando a aposta a cada semana, e que isso acabaria levando a uma convulsão social, quiçá uma guerra civil.

Nunca foi desejo, mas sim análise. Não há pacificação possível com um ambiente persecutório e cada vez mais autoritário, que enfia goela abaixo do povo um corrupto e depois trata como terrorista qualquer um que ouse questionar. O sistema podre não compreendeu o fenômeno ainda, e basta ver como responsabilizam Bolsonaro pelos atos – ele que está perto do Pateta na Disney, calado.

É o mecanismo de incentivos! O sistema, na figura de Alexandre de Moraes e em conchavo com a velha imprensa, resolveu tratar até gente como eu como “terrorista perigoso”. Tive contas bancárias congeladas, passaporte cancelado, contas censuradas nas redes sociais e fui intimado pela Polícia Federal.

Pergunta honesta: se tratam assim alguém que sempre foi crítico da violência, qual a mensagem que mandam para o povo em geral? Se eu, que clamo pelo respeito à Constituição, sou tratado como bandido, então por que o povo permaneceria confiante em nossas instituições, nas tais quatro linhas?

Tudo é muito triste e preocupante. O caldo entornou, e os vândalos deram munição para os tiranos, que vão intensificar a perseguição e o autoritarismo. Alexandre de Moraes já se sente confortável no papel até de afastar governador eleito. O que sobrou de nossa democracia? Dá para se sentir seguro com esse STF que trata como marginais jornalistas que emitem opiniões?

O sujeito que defecou na mesa do ministro precisa ser punido, claro. Mas há consenso aqui. O que preocupa é o silêncio diante do ministro que faz o que faz na Constituição faz tempo, impunemente. Rodrigo Pacheco é responsável por esse caos, ao sentar em cima de vários pedidos embasados de impeachment.

Monark comentou: “A culpa disso que está acontecendo é do STF. Lembra do ‘perdeu mane’ os caras esfregaram na cara de milhões de brasileiros que eles tão cagando pro povo. O resultado está aí, caos social”. Concordo com isso e venho alertando há meses para o perigo.

Dito isso, a direita jamais pode compactuar com os métodos esquerdistas. Se os nobres fins justificam quaisquer meios, então já perdemos e nos tornamos parecidos com eles. Nunca apoiei vandalismo e não pretendo mudar agora. A hipocrisia da esquerda radical, aliás, salta aos olhos. Ver alguém como Boulos bancando o pacifista é de lascar! O mitomaníaco Lula afirmar que nunca aconteceu nada parecido no país é um escárnio, quando lembramos do que os black blocs esquerdistas fizeram há alguns anos, ou a turma do próprio Boulos lançando coquetéis Molotov na Fiesp.

Renata Barreto apontou para a farsa: “E ainda somos obrigados a ouvir de gente que tem Marighella como herói e/ou participou de assaltos a banco e luta armada nos anos 1960, que quem depreda patrimônio público e age de forma violenta é terrorista. Mas ué?”

Não é porque a esquerda é cínica, porém, que a direita pode seguir na mesma linha. Renata lamenta a falta de estratégia: “Já temos o nosso Capitólio e a repressão em resposta aos atos de hoje será grande. Servirá como o pretexto perfeito para perseguir, silenciar e bloquear o máximo possível da direita. Acabou”.

Quem alega que a esquerda também tem seus black blocs, militantes do MTST, vândalos em geral, ignora que a esquerda tem um salvo-conduto para tudo isso, enquanto a direita será implacavelmente perseguida, calada e destruída. O mundo não é justo. E é preciso ter estratégia! O que essa gente queria alcançar com tais atos? Sei que muitos falam de infiltrados, e há vídeos que compravam sua presença. Mas uma turba ensandecida vai descambar para a violência inevitavelmente. É a psicologia das massas, é da natureza humana.

Por ser residente americano há anos, vi de perto o 6 de janeiro e suas consequências. Por isso mesmo condenei desde sempre a repetição dos atos de uma invasão como aquela ao Capitólio. Agora os brasileiros vão entender os motivos. Era tudo que a esquerda autoritária queria. E as instituições no Brasil são bem mais frágeis. Deram ao sistema munição para que a ditadura acelere seu ritmo. Salve-se quem puder!

RODRIGO CONSTANTINO

COMO AS DITADURAS NASCEM

Muitos livros e textos foram escritos recentemente sobre como as democracias morrem. Os autores, geralmente, pretendiam denunciar as ameaças da direita nacional-populista, de gente como Trump ou Bolsonaro. Mas as democracias norte-americana e brasileira não sucumbiram por atitudes desses presidentes. Elas, porém, se enfraqueceram muito sob o pretexto de combatê-los. Ou seja, para “salvar a democracia”, o sistema, com seu viés esquerdista, atuou para dilapidar o tecido social e dilacerar as instituições republicanas.

No Brasil, por conta da fragilidade maior dessas instituições e da cultura da liberdade, o avanço tirânico foi muito maior. Hoje já estamos sob uma ditadura no Brasil, eis a triste verdade. Há jornalistas e parlamentares punidos pelo “crime” de opinião, censurados, impedidos de parlar na praça pública da era moderna. Isso sem nada que remeta ao devido processo legal. Não há império das leis, mas, sim, de homens que vêm abusando de seu poder e rasgando a Constituição da qual deveriam ser os guardiões.

No começo, quando os alvos eram os mais “radicais”, a imensa maioria se calou. Allan dos Santos era muito barulhento e xingava o ministro Alexandre de Moraes. Então tudo bem destruir seu canal Terça Livre? Daniel Silveira se excedeu num vídeo em que fala até em dar uns sopapos no ministro Fachin. Mas então tudo bem ignorar sua imunidade material e prendê-lo? Alguns foram ficando mais assustados, mas ainda consideravam uma realidade muito distante, coisa que acontecia só com os “bolsonaristas fanáticos”.

Terça Livre

Allan dos Santos

Mas Guilherme Fiuza, respeitado jornalista, com décadas de trabalho reconhecido, teve suas contas banidas das redes sociais. Esse que vos escreve idem, mesmo trabalhando para grandes veículos de comunicação, como Gazeta do Povo, Jovem Pan e Revista Oeste. Não só minhas contas com milhões de seguidores foram suspensas e agora só podem ser vistas por quem usa VPN no Brasil, como acontece em ditaduras comunistas, mas minhas contas bancárias foram congeladas e meu passaporte foi cancelado. Sou tratado como um perigoso bandido, um marginal, um terrorista, tudo isso sem transparência, sem o devido processo legal, sem chance de defesa. Democracia?

Ser um cidadão brasileiro, neste momento, é assustador. Felizmente tenho mais cidadanias e estou fisicamente como residente permanente de um país mais sério, com leis. Os tentáculos da ditadura togada podem chegar longe, mas não podem tudo. O intuito está evidente: asfixiar meu sustento, inviabilizar meu trabalho e me intimidar, me calar. E não estou sozinho, como vimos. A tendência é cada vez mais gente ser incluída no grupo dos “golpistas perigosos”, até que todos compreendam que só haverá “liberdade” para quem disser amém para Alexandre de Moraes ou Lula. Isso é ditadura.

Luiz Inácio Lula da Silva e Alexandre de Moraes durante a cerimônia de diplomação do novo presidente da República

E há um lado fascinante nisso tudo, em que pese o desespero como brasileiro. É poder, como intelectual, acompanhar de perto – muito perto, como vítima – a criação e o avanço de uma ditadura. Eu li muitos livros sobre o assunto, a gente acha que conhece bem as teorias, mas nada como a prática para confirmar as teses. O que está em curso no Brasil hoje era previsível, e os principais responsáveis não se enxergam como culpados – ainda. Quando a ficha cair, será tarde demais.

Falo dos “moderados”, dos “liberais”, dos “tucanos”, dos “jornalistas” que ou se calam diante de tanto absurdo ou incentivam o “fiador da democracia” a perseguir “bolsonaristas”. Os motivos para isso são muitos, e vão desde o oportunismo até a inveja. Eu, Fiuza, Paulo Figueiredo, nós temos não só milhões de seguidores, mas engajamento, audiência e o respeito de boa parte do público. Isso incomoda quem é pena de aluguel ou covarde a ponto de não denunciar o arbítrio supremo. A luz incomoda as criaturas das sombras.

E toda ditadura começa com certo apoio, eis a verdade. Ela raramente se apresenta como um projeto maligno e terrível. Ayn Rand, em A Revolta de Atlas, explica bem o emocional por trás do avanço tirânico quando uma fábrica é tomada por revolucionários. O funcionário que aceita e aplaude o discurso autoritário o faz para destruir o colega mais bem-sucedido. Freud falava do narcisismo das pequenas diferenças. O plebeu não inveja tanto o rei, inalcançável e distante, mas, sim, o outro plebeu que melhorou de vida por mérito próprio. O invejoso se irrita com a grama mais verde do vizinho, com a promoção do colega de trabalho, com o carro novo do “amigo”.

Ayn Rand, em A Revolta de Atlas

O sucesso dos jornalistas independentes e corajosos incomodou demais a turma do clubinho, da velha imprensa, os medíocres, que são incapazes de brilhar por conta própria. A TV Jovem Pan, com um ano de existência, já passava a audiência da GloboNews. A Revista Oeste cresce sem parar, enquanto aquela outra revista se prostitui cada vez mais para depender de mecenas corruptos ou verbas públicas. A Gazeta do Povo ultrapassou a marca de 100 mil assinantes, com o respeito dos seus leitores por fazer jornalismo de verdade. Os militantes petistas, diante de um espelho, precisam acusar os independentes corajosos de “militantes bolsonaristas”, pois não entendem como pode alguém fazer de fato análise sem obedecer a algum político qualquer.

E foi graças a essa mídia oportunista e pusilânime que a ditadura conseguiu avançar. Faltam bagagem cultural e conhecimento histórico a essa turma, porém, para entender que uma tirania jamais se satisfaz. O controle autoritário não vai ficar restrito aos “bolsonaristas”, pois, quando se dá tanto poder arbitrário a tão pouca gente, é da natureza humana desejar mais e mais poder. O abuso veio para ficar, portanto, e deve seguir crescendo. Quem não rezar a cartilha desses poderosos será alvo de censura, de inquéritos ilegais e sigilosos, caso resolva emitir suas opiniões. As ditaduras avançam sob o silêncio dos “bons”, que acham que nunca serão eles as vítimas da tirania. Quando perceberem que estavam errados não haverá mais a quem recorrer.

RODRIGO CONSTANTINO

O PIOR CRIME NO BRASIL PETISTA

Qual o maior crime que alguém pode cometer no Brasil de hoje? Deixa eu reformular a pergunta: qual o pior “crime” que alguém pode cometer no país da juristocracia? Não é roubar, por certo. Isso pode até levar à Presidência! Não é virar traficante de droga, pois isso pode garantir um habeas corpus supremo. O que seria esse terrível crime, então?

É ser “bolsonarista”, ou seja, é ser alguém de direita, que condena o arbítrio supremo, o abuso de poder, desconfia do processo eleitoral e repudia a “volta do ladrão à cena do crime”, como dizia Alckmin. Isso pode dar censura, cadeia, contas bancárias bloqueadas, cancelamento de passaporte etc.

O Estadão, que demonizava Bolsonaro em nove de cada dez editoriais, publicou uma reportagem hoje demonstrando preocupação com o futuro da liberdade de expressão no Brasil lulista: “Gestão Lula cria órgãos contra desinformação, define ‘mentira’ e acende alerta para arbitrariedades”, diz a chamada.

O jornal tucano continua: “Conceito ainda não foi definido na lei, mas AGU diz que se trata de ‘mentira voluntária’ e ataques a ‘membros dos Poderes’; especialistas veem riscos”. Não diga?! Então quer dizer que termos vagos como “desinformação”, “fake news” ou “discurso de ódio” permitem interpretação elástica e abuso de poder, censura, tirania? Sério?!

Será que o Estadão vai dar ouvidos, agora, aos “bolsonaristas” que apontam para esse risco faz tempo? Durante a pandemia tivemos apenas um aquecimento do que estava por vir: em nome da “ciência”, os “negacionistas” foram calados, mesmo quando eram especialistas, médicos, virologista respeitado etc. Só podia repetir o que o “consórcio” da imprensa dizia, o Estadão incluído.

A mesma mídia criou a narrativa de “atos antidemocráticos” que tem servido de instrumento para o abuso de poder, para prisões arbitrárias, busca e apreensão, conta bancária suspensa, censura etc. A velha imprensa já chamou o ministro Alexandre de Moraes de “muralha da democracia” ou de “fiador da democracia”. Agora essa turma está preocupada com excessos?

É uma piada mesmo! O Brasil já vive numa ditadura, onde prerrogativas constitucionais básicas são ignoradas se o alvo for “bolsonarista”. A definição do conceito é elástica e abrangente. Os tucanos acharam que estariam protegidos. Os petistas agora estão no poder, e vão avançar mais e mais. Pau que bate em Francisco também dá em Chico. Tudo isso foi antecipado pelos “bolsonaristas”. A tirania em curso não teria sido possível sem o consentimento e a cumplicidade da velha imprensa. O Estadão incluído.

RODRIGO CONSTANTINO

FOI APENAS UM SONHO

O Brasil é o país do futuro, disse Stefan Zweig décadas atrás. Para muitos fatalistas, essa seria uma previsão inalcançável, um alvo móvel, o futuro nunca se tornando o presente. Afinal, o Brasil não é para amadores, diz o brocardo. Nosso país nunca foi muito sério, eis a triste verdade. Nossa democracia nunca se estabeleceu com pilares sólidos. Nossa república permaneceu inacabada, sem o devido respeito à coisa pública. O Estado de Direito nunca passou de um slogan vazio. No Brasil, o crime compensa.

Aí veio a Lava Jato, operação que mandou para a cadeia políticos poderosos e grandes empresários. Com as manifestações populares a partir de 2014, o gigante despertou, o povo tomou as rédeas de seu destino, passou a se interessar mais por política. Com a facada de um esquerdista em Bolsonaro, o impensável aconteceu: um conservador “outsider”, que apesar de décadas como deputado nunca fez parte do clubinho, foi eleito presidente.

Um governo de direita, finalmente! Uma equipe técnica, ministérios alocados por critérios decentes, e o povo nas ruas clamando pela reforma previdenciária. Um espanto! Crítico do presidente no começo, acabei dando o braço a torcer e tive de reconhecer, em especial após aquela fatídica reunião ministerial se tornar pública, que ali havia patriotas com o sincero compromisso de melhorar o país. Bolsonaro tem muitos defeitos, mas era atacado de forma pérfida pela mídia por suas virtudes.

Mercado crescimento econômico

Paulo Guedes, ministro da economia, e o presidente Jair Bolsonaro

O sistema queria se livrar do estranho no ninho, daquele que fechou torneiras, dificultou a vida de quem estava acostumado com os esquemas de corrupção. Petistas, tucanos, empresários oportunistas, veículos de comunicação corrompidos, sindicalistas, artistas e acadêmicos com saudades de tetas estatais e socialistas no comando, todos se uniram para derrubar Bolsonaro. E veio a pandemia…

Era o pretexto para detonar Bolsonaro e explorar a situação contra o governo. A economia fica para depois. As mortes causadas pelo vírus chinês, que ocorriam no mundo todo, no Brasil eram responsabilidade do presidente. “Genocida”, berravam os canalhas. E a narrativa contou com o esforço homérico da velha imprensa, até seduzir e enganar uma classe alta alienada. Bolsonaro, claro, contou com sua dose de erros, principalmente na postura, o que ajudou no discurso dos adversários. Plantaram vento e colheram tempestade, exatamente como desejavam.

Mesmo assim, com pandemia, com todo o sistema unido contra ele, Bolsonaro tinha chances concretas de reeleição. O passo seguinte foi esgarçar de vez o duplo padrão e o autoritarismo. Soltaram Lula, tornaram-no elegível com malabarismos bizarros, usaram o TSE para protegê-lo de críticas, enquanto perseguiam Bolsonaro e seus apoiadores. Para “salvar a democracia” de uma ameaça fantasma que criaram, avançaram contra as instituições democráticas e delegaram poder abusivo a um ministro descontrolado. O “fiador da democracia”, aquele que agiu como um tirano.

governo desesperança

Luiz Inácio Lula da Silva

Não obstante tudo isso, Bolsonaro quase venceu. E isso considerando o processo eleitoral opaco, sem transparência, sem auditoria possível. Nas urnas mais modernas, com mais possibilidade de fiscalização, Bolsonaro venceu. Mas tinham as urnas antigas. Tinha o Nordeste, a miséria a ser explorada pelos demagogos de sempre. Tinha Alexandre de Moraes. E, por pouco, o sistema declarou vitória do “ladrão que quer voltar à cena do crime”, como disse Alckmin antes de debandar para o lado dele. E tratou como criminoso quem ousasse questionar esse resultado.

Os patriotas passaram, então, a depositar toda a esperança nas Forças Armadas, esgotados os recursos pelas vias institucionais. Mas parece que as autoridades envolvidas julgaram que o remédio poderia ser pior do que a doença. Jamais saberemos. Eis, porém, o que sabemos: que o sistema é bruto, companheiro. E podre e carcomido. E muito poderoso. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Barroso, Toffoli, Lewandowski: que Corte constitucional resiste a um time desses? Rodrigo Pacheco, Arthur Lira: que Congresso pode ser independente e patriota sob tais comandos? Globo, Folha de SP, UOL, Estadão: qual imprensa se mantém imparcial com tais lideranças?

Pacheco TSE

Alexandre de Moraes, ministro do STF, ao lado de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado

Não quero concluir minha última coluna do ano em tom pessimista, derrotista. Mas tampouco permito que a esperança, sempre a última que morre, consiga turvar minha razão e se tornar a falsária da verdade. Sou realista, acima de tudo. Reconheço que muita coisa mudou, que não dá para colocar o gênio de volta na garrafa. O gigante acordou. Mas o risco de o Brasil degringolar é muito alto. O retrocesso é inevitável. No longo prazo, mantenho algum otimismo.

Os próximos meses, contudo, serão para lá de desafiadores. Tempos sombrios nos aguardam. Temos de recolher os cacos, aprender algumas lições importantes, e criar uma resistência robusta contra os corruptos, os socialistas. O objetivo será impedir um avanço muito grande, quiçá definitivo, dos verdadeiros golpistas que ameaçam nossa democracia e atentam contra nossas liberdades. O Brasil estava de fato mudando. Mas era óbvio que o império reagiria. Aquele Brasil de Paulo Guedes e gente séria, preparada e patriota colocando nosso país nos eixos foi apenas um sonho. Pareceu bem real, mas durou pouco. Agora vem o pesadelo, um filme de terror em câmera lenta. Estejamos preparados. Que venha 2023!

RODRIGO CONSTANTINO