RODRIGO CONSTANTINO

CHANTAGEM CHINESA?

Fomos surpreendidos esta semana com a notícia de que insumos para a produção de vacinas estavam retidos na China. Especulou-se sobre os motivos, alguns falaram em problemas políticos com o governo Bolsonaro, outros em interesses comerciais, já que outros países poderiam pagar mais para “furar a fila” e obter antes de nós esses insumos.

Em uma entrevista, perguntei ao assessor internacional da Presidência, Filipe G. Martins, justamente sobre a situação com a China, e ele respondeu que era uma polêmica fabricada, que a China está encontrando dificuldades internas para atender a toda a demanda. O embaixador brasileiro no país esteve reunido com o chanceler e escutou dele que não havia nenhum obstáculo político segurando o envio do material.

Não se sabe onde está a verdade, mas o fato é que o Brasil parece ter acordado para o risco de depender de um regime como o chinês. E isso é positivo. Afinal, a China, dominada há décadas pelo Partido Comunista Chinês, representa hoje a maior ameaça ao mundo livre ocidental, e cada vez mais gente se dá conta disso, especialmente após a pandemia que se originou em Wuhan.

Como membros do governo Bolsonaro, como o chanceler Ernesto Araújo, e também um filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, costumam adotar um discurso duro contra as pretensões chinesas, a oposição encontrou no episódio mais um pretexto para desgastar o governo. Não teríamos nossas vacinas por culpa da desnecessária beligerância dos bolsonaristas, que se recusam a adotar uma linha mais pragmática e amena com nosso maior parceiro comercial.

Querem, além de atacar Bolsonaro, uma linha de subserviência perante o regime chinês. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, resolveu bancar o salvador da pátria e, já de saída do cargo, achou adequado marcar uma reunião virtual com o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming. Maia, então, “tranquilizou” o país ao dizer que o embaixador garantiu não haver nenhum obstáculo político, mas sim técnico, na demora para o envio dos insumos. Agora podemos dormir tranquilos!

Maia atua como uma espécie de despachante da ditadura chinesa. Quando o mesmo embaixador enviou cartas a deputados brasileiros “pedindo” que não reconhecessem o resultado das eleições em Taiwan, Maia nada disse sobre esse absurdo. Quando o embaixador trocou farpas com Eduardo Bolsonaro, Maia achou adequado sair em defesa do embaixador, não do deputado mais votado em 2018, que tem todo o direito de criticar o regime chinês.

O empresário e ex-secretário de Desestatização Salim Mattar desabafou: “Democracia jabuticaba brasileira. Onde já se viu presidente da Câmara negociar insumos para a saúde? Muito triste isso!”. Podemos apenas imaginar se fosse o contrário, se o Poder Executivo estivesse se intrometendo numa função que cabe ao Legislativo. Qual seria a reação da imprensa, ou do próprio Maia? Mas Maia não liga para esses “detalhes”, pois ele é o grande estadista iluminado lutando contra o obscurantismo tosco de Bolsonaro – ou ao menos nisso ele finge acreditar quando tenta enganar os demais.

A China é nosso maior parceiro comercial, fato. É preciso adotar uma boa dose de pragmatismo, sem dúvida. Nosso agronegócio depende disso, certamente. Mas isso não pode significar subserviência ao regime chinês ou falta de clareza moral sobre os riscos que ele representa. E vários países ocidentais já perceberam isso, subindo o tom contra a China e pensando em estratégias para reduzir a dependência. A postura mais agressiva do regime desde que Xi Jinping chegou ao poder tem produzido uma reação geral, ampliada após a covid-19.

É o que mostra a chinesa naturalizada americana Helen Raleigh, no livro Backlash: How China’s Aggression Has Backfired. Raleigh é uma financista que nasceu na China e obteve cidadania norte-americana. Ela escreve para veículos conservadores e é autora do livro Confucio Never Said, um esforço para tirar da sonolência os norte-americanos que passaram a flertar com o socialismo. No livro, ela conta a história de sua família, torcendo para que as dificuldades vividas na China e a sobrevivência precária sob o regime socialista, reveladas na obra, convençam os norte-americanos de que devem abandonar qualquer tentativa de importar essa ideologia maligna para seu país.

No livro novo, Raleigh traz à tona o intuito imperialista da China. Desde que Xi Jinping assumiu o PCC, o regime tem intensificado a opressão doméstica e também reforçado com muito mais virulência sua agenda de influência externa, o que envolve intimidação, chantagem ou ameaça, quando não é possível simplesmente comprar apoio. A atuação do embaixador chinês antes de assumir seu cargo no Brasil atesta bem isso: ele adotou métodos nefastos durante sua permanência na Argentina. E assim tem sido em quase todas as embaixadas mundo afora.

A relação entre China e Estados Unidos vem se deteriorando bastante diante de nossos olhos, e Trump adotou uma linha mais dura contra o avanço chinês. Vivemos uma Guerra Fria 2.0, com a China no lugar dos soviéticos. O enriquecimento chinês por meio de um capitalismo de Estado agressivo não deve gerar confusão acerca de seu modelo político, que segue sendo o comunismo. Basta ver como bilionários que ousam questionar o regime são tratados no país para se ter ideia de que uma coisa é a conta bancária recheada, e outra, bem diferente, é ter liberdade de fato.

Para Raleigh, o PCC tem um plano abrangente para sua dominância global e o estabelecimento de uma nova ordem mundial. O Ocidente só acordou para essa ambição chinesa recentemente, e está adotando respostas inconsistentes e incoerentes. O primeiro passo para consertar os rumos é admitir a ameaça; o segundo é adotar uma postura de clareza moral, ou seja, ter em mente que praticar comércio com empresas chinesas é algo desejável, mas que há muito mais em jogo aqui, e que nossas liberdades e nossa própria democracia não estão à venda.

A China não brinca em serviço quando o assunto é o controle da hegemonia internacional. Com todos os seus defeitos, os Estados Unidos ainda representam a liderança do mundo livre, contra essa pretensão globalista encabeçada pelos chineses. Defender a soberania nacional se faz necessário. Enfrentar com inteligência o dragão chinês será o grande desafio nos próximos anos. E todo o cuidado é pouco, pois não vai faltar político e jornalista pregando que devemos abrir as pernas e fazer o que a China mandar, em nome do tal pragmatismo e dos interesses comerciais.

No que depender dessa turma, o Brasil será uma província chinesa. Os envolvidos no projeto podem até ficar ricos, mesmo bilionários. Mas cabe lembrar do destino de outros bilionários chineses: uma vez feito o pacto com o Diabo, ele é eterno. Quem paga uma vez ao chantagista nunca mais se livra dele.

RODRIGO CONSTANTINO

OBRIGADO, TWITTER, POR MINHA REEDUCAÇÃO FORÇADA: ILUMINEI-ME!

Assim que terminei a minha “live” TudoConsta nesta segunda, tentei postar um comentário no Twitter e recebi a notificação de que minha conta estava suspensa por quase doze horas. Eu tinha ferido algum termo qualquer da rede social, mas não sabia qual, pois isso não constava no aviso.

Tentei especular. Como minha “live” é transmitida para o Periscope, do Twitter, e eu tinha questionado sobre a eficácia da vacina, alertando que dúvidas persistem, imaginei se tratar disso. Afinal, o YouTube, outra rede, já me deu dois “ganchos” por contestar diretrizes da OMS.

Somente hoje, quando o prazo da suspensão terminou, pude identificar exatamente o que eu fizera de errado. Publiquei um estudo que mostrava a aparente eficácia do tratamento precoce, e eu havia destacado o aparente, mas pelo visto isso não importou muito na análise dos meus inquisidores.

Quero aqui agradecer pelo puxão de orelha. Nessas quase doze horas, das quais metade passei dormindo, pude reavaliar meu comportamento inadequado e aprender muita coisa. Peço inclusive perdão pela ousadia aos meus censores. Não vai se repetir, prometo. Passei pelo campo de reeducação forçada do Twitter. Iluminei-me!

Onde já se viu postar uma pesquisa que foi publicada numa revista científica que vai contra a verdade estabelecida pelo Departamento Inquisitorial do Twitter? Onde eu estava com a cabeça?! É lógico que essa turma sábia entende muito mais de ciência do que esses cientistas negacionistas que apostam em tratamento precoce.

Preciso escutar mais aquele rapaz do cabelo colorido que imitava focas, cujo nome agora me escapa. Ele sim, entende de ciência, tanto que foi convidado para uma conversa com o ministro Barroso, um ser iluminado, ungido, que nos ajuda a empurrar a história na direção certa, do progressismo, da justiça racial e social.

Se o Twitter tivesse o poder de um regime como o soviético, minha reeducação seria num Gulag na Sibéria. Talvez fosse o necessário para eu me endireitar mesmo, mas só posso agradecer o fato de que hoje o caminho seja tão mais ameno e agradável.

Não obstante, o que importa é que a equipe do Twitter, provavelmente liderada por alguma moça de cabelo azul, deseja o meu melhor, e não mede esforços para que eu finalmente enxergue a luz. Ainda serei alguém como Jack Dorsey, tendo antes de passar pelo aprendizado de massagens e de yoga, até chegar ao seu patamar de sabedoria.

Reconheço que ainda falta muito, porém. Estou apenas no começo desse processo de iluminação – e me falta coragem para tingir os cabelos de azul e rosa, confesso. Sei que a tendência é inexorável, que um dia vou finalmente convergir para o nível de sapiência de um Felipe Neto – opa, lembrei o nome! – ou de um Guga Noblat. Aí sim, não vou mais passar a vergonha de postar estudos científicos que vão contra as convicções do Twitter. Nesse dia, que será incrível, estarei desapegado de todo ódio no coração, do meu obscurantismo negacionista, e poderei finalmente destilar apenas amor e ciência, como fez exatamente o Guga, nessa mensagem fofa e verdadeira:

O Twitter tem mesmo critérios bastante objetivos e imparciais, e ainda bem que não há qualquer viés ou perseguição aos conservadores. O problema é que esses fascistas se recusam a compreender qual o real significado de tolerância e pluralidade: acatar a Verdade, que nos foi revelada pelo… Twitter.

Por isso seus inquisidores devem nos proteger da nossa ignorância, precisam enfiar na marra seu conhecimento em nossos cérebros desprovidos de capacidade de discernimento. Alguns recalcados podem acusar esse método de autoritarismo, mas eu sei melhor. Eu sei que é para o meu próprio bem, que o Twitter só deseja que eu seja alguém tão inteligente e bondoso como um Felipe Neto da vida.

Espero não precisar passar pela Sibéria para tanto. Talvez com mais alguns “ganchos” eu já consiga. Talvez uma ou duas punições novas sejam suficientes. Resta-me torcer. E, claro, agradecer por todo o esforço altruísta e abnegado dos meus inquisidores do Twitter, plataforma na qual conquistei mais de 650 mil seguidores, mas que não pode me dar liberdade para falar o que eu – e essa multidão toda – queremos, pois nós podemos acabar do lado errado da história, e isso não é aceitável.

Ah, dane-se, tomei coragem e pintei meu cabelo de verde e rosa! E vejam só que coisa incrível: já até consigo imitar uma foca. Valeu, Twitter!!!

RODRIGO CONSTANTINO

ESPETACULARIZAÇÃO RENDE DIVIDENDOS ELEITORAIS, MAS DÚVIDAS DA CIÊNCIA PERMANECEM

A vacinação contra a Covid-19 no Rio terá início nesta segunda-feira, dia 18, em um dos cartões postais da cidade, o Cristo Redentor. A aplicação da primeira dose da Coronavac está prevista para 17h. O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Paes em suas redes sociais nesta manhã. A Secretaria estadual de Saúde informou que uma idosa que vive num abrigo e uma profissional da Saúde receberão as doses.

Já em São Paulo o governador João Doria transformou a cerimônia num enorme espetáculo eleitoral, com direito a passinho para se aproximar da enfermeira vacinada e garantir que estaria ao seu lado nas fotos, além de choro “emocionado” do governador, que destacou nas suas redes sociais as características importantes da voluntária: mulher e negra.

Alguns acham que capitalizar em cima da conquista é natural e qualquer político faria o mesmo. Outros, nos quais me incluo, acham que deveria haver um limite para o show político, especialmente daquele que tanto acusa o presidente de só pensar em 2022.

Doria é um canastrão e tenta tirar o máximo proveito eleitoral da vacina; a Anvisa aprovou seu uso emergencial mesmo com teste bem reduzido em idosos, grupo de risco; há muita hipocrisia dos isolacionistas desde sempre; MAS, dito isso, temos que torcer para que esse troço funcione!

Já os coronalovers vão agir como? Os pandeminions estão desde o começo com suas manchetes olímpicas quase comemorando o avanço do vírus. Isso vai mudar? A vacina foi vendida como uma panaceia, mas é pouco provável que seja, ainda mais a chinesa, com sua eficácia geral de apenas 50%.

Muita gente, infelizmente, continuará morrendo. Afinal, milhares morrem todo ano de gripe comum, de influenza, mesmo com vacinas disponíveis. Se for idoso e tiver comorbidade, então, o risco não é nada desprezível. A contagem mórbida de cadáveres vai continuar? A mídia abutre vai insistir nessa toada como se apenas morresse gente com covid?

Pois se a mesma tática de “cobertura” da imprensa continuar, não haverá vacina capaz de permitir nossa volta à normalidade. Falaram isso do isolamento no começo, que era para achatar a curva e permitir a volta ao normal; falaram isso das máscaras também; e cá estamos nós, na tal “segunda onda”, insistindo nas mesmas receitas, como o lockdown, que não provou sua eficácia.

Outro ponto: os estudos contaram com amostra muito reduzida de pacientes que desenvolveram a doença para sintomas graves ou moderados, apenas sete, o que o próprio Butantan admitiu ser estatisticamente insignificante. Quem se vacinar deve assumir que está imunizado após alguns dias, ou deve continuar agindo como se estivesse sob risco ainda?

Quem tem apreço pela ciência de fato, e não pela politicagem de certos governadores e prefeitos, deve fazer essas perguntas incômodas. Mas fazer perguntas está cada vez mais arriscado. O Twitter chegou a colocar uma bandeira de alerta numa postagem do próprio Ministério da Saúde sobre tratamento precoce! Os inquisidores da rede social não se acham deuses; eles têm certeza de que são!

Todo esse clima está muito estranho, eis a verdade. Leandro Ruschel resumiu bem: “Estamos atravessando uma espécie de histeria coletiva, onde a racionalidade foi deixada completamente de lado. É um efeito do terrorismo psicológico midiático, potencializado pelo isolamento social. Pessoas nesse estado emocional ficam mais vulneráveis à manipulação política”.

E se tem algo que não falta nessa pandemia, é justamente manipulação política. A começar pelo espetáculo com as vacinas…

RODRIGO CONSTANTINO

GLOBALISTAS ASSANHADOS COM BIDEN

Se há uma divisão mais binária que pode ser feita no mundo hoje, do ponto de vista ideológico, ela seria entre globalistas e nacionalistas. Como toda divisão maniqueísta, esta peca pelo simplismo e não dá conta da real complexidade da vida em sociedade. Mas não resta muita dúvida de que há um embate cada vez maior entre aqueles que defendem uma espécie de governo mundial tocado por tecnocratas de cima para baixo e aqueles que defendem a soberania nacional de cada país.

Para o avanço da causa globalista, faz-se necessário ter pautas globais, naturalmente. E é por isso que a pandemia caiu como uma luva para os projetos globalistas: um problema mundial demandaria uma solução global, controlada pelas entidades supranacionais, tais como ONU e OMS. Não por acaso, o criador do Fórum Econômico Mundial em Davos escreveu um livro sobre o “Great Reset” e o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau endossou sua mensagem. E também não é coincidência que esses globalistas misturem a pandemia ao “aquecimento global”, outra questão que seria mundial e justificaria ações impostas pela tecnocracia poderosa, a despeito da vontade popular de cada nação.

Desnecessário dizer que Donald Trump era o maior ícone da postura nacionalista. Agora de saída, e com seus adversários fazendo de tudo para que seja uma saída humilhante e definitiva, os globalistas se mostram mais assanhados, cientes de que terão no comando dos Estados Unidos um aliado. Joe Biden foi vice-presidente de Obama, referência globalista, que repetia que a América era tão excepcional quanto qualquer outro país e que desejava mudá-la profundamente. Obama certamente não era um patriota apaixonado por seu país, e não por acaso se considerava um “cidadão do mundo”.

Biden chega ao poder por um partido ainda mais radicalizado e esquerdista, que despreza o legado norte-americano, considerado um rastro de opressão. A base militante democrata, liderada por figuras como Alexandria Ocasio-Cortez, endossa planos mirabolantes como o Green New Deal, uma mistura de stalinismo e infantilismo, que pretende modificar toda a matriz energética do país em uma década. É globalismo na veia, e turbinado. E os nomes que Biden tem apontado para seus ministérios demonstram o compromisso com tal visão de mundo, a começar pelos responsáveis pela política climática.

O presidente eleito anunciou os membros-chave de sua equipe ambiental, dizendo que seu governo priorizaria uma resposta unificada às mudanças climáticas. “Gente, estamos em crise”, disse Biden em um recente evento em Delaware. “Literalmente, não temos tempo a perder. Assim como precisamos ser uma nação unificada para responder à covid-19, precisamos de uma resposta nacional unificada às mudanças climáticas.” Os indicados, disse ele, “liderarão o ambicioso plano de meu governo para lidar com uma ameaça existencial de nosso tempo: a mudança climática”.

E é nesse contexto que o nome de outro líder nacionalista importante foi mencionado. Biden já tinha feito ameaças diretas ao Brasil durante a campanha, afirmando que enfrentaríamos até sanções se não adotássemos a política climática “desejável”, ou seja, imposta pelos globalistas. Nossa esquerda ignorou esse arroubo de “imperialismo estadunidense” pois veio da esquerda e contra a direita. O Brasil pode ser tratado como uma republiqueta perigosa, como um regime nefasto, do tipo Irã, que está tudo bem se for para atacar Bolsonaro. E o “czar” do clima do futuro governo Biden voltou a repetir a mensagem, dessa vez com mais virulência ainda: os “Bolsonaros” do mundo precisam entender que os Estados Unidos de Biden não vão tolerar desrespeito ao combate contra o “aquecimento global”. Ou deixamos Biden ditar nossas políticas, ou vamos pagar um alto preço.

Mas Biden não está sozinho na arena globalista e enfrenta concorrência pelos holofotes. Emmanuel Macron, presidente francês, resolveu atacar o Brasil esta semana uma vez mais, ele que já tinha usado os incêndios na Amazônia para bancar o protetor do mundo contra um governo irresponsável, ignorando que várias outras florestas queimavam mundo afora. Macron disse que a Europa não pode mais depender da soja brasileira, supostamente extraída do desmatamento. É preciso apostar na soja europeia para proteger o clima global.

Faltou, claro, apresentar um só dado para embasar tal acusação. Globalistas não costumam viver de fatos, apenas de narrativas. Adotam a visão estética de mundo, e por isso a ONU é seu maior símbolo, uma entidade incapaz de entregar resultados concretos, mas ótima para discursos inflamados. A campanha de difamação contra o Brasil tem se intensificado, e a esquerda brasileira, traidora da Pátria, aceita fazer o papel de agente globalista de olho no desgaste do presidente Bolsonaro.

Macron tem basicamente dois interesses nesse tipo de discurso: colocar-se como líder globalista e proteger o agronegócio francês, pouco competitivo perante o brasileiro. Os produtores rurais na França dependem de subsídios estatais para sobreviver, e fazem um lobby intenso para preservar privilégios. Com essa fala, Macron mata dois coelhos numa só cajadada: banca o bonzinho salvador do planeta e agrada a sua base de eleitores. Mas essa sinalização de falsas virtudes tem um alto custo.

Embora a França seja responsável por apenas uma quantidade insignificante das emissões globais de gases de efeito estufa, a fim de anunciar sua liderança moral no combate ao aquecimento global, o governo do presidente Macron aumentou no passado recente os impostos sobre carros e caminhões movidos a diesel. Os custos desse exercício de sinalização de virtude caíram desproporcionalmente sobre os cidadãos da classe trabalhadora e do campo, dependentes de seus automóveis e caminhões. O resultado foi a revolta dos “coletes-amarelos”, num grau de violência preocupante.

Não dá para agradar a todos. Ao apostar na rota globalista, essa turma desperta cada vez mais insatisfação ou mesmo revolta no povo. Ao desprezarem as fronteiras nacionais, os globalistas geram como reação fenômenos como Trump, Bolsonaro ou até Le Pen. É a Terceira Lei de Newton: toda ação produz uma reação. Os globalistas estão mais assanhados com a pandemia e agora com Biden no poder. Vão dobrar a aposta. Mas não podem achar que o outro lado ficará calado ou passivo. Nem mesmo com as redes sociais tentando impor tal silêncio. Haverá resposta.

RODRIGO CONSTANTINO

DORIA APOSTOU TUDO NO CAVALO ERRADO E DEVERIA RENUNCIAR

Humanos podem sempre errar. Somos falíveis. Pessoas bem intencionadas erram o tempo todo, e buscam aprender lições, consertar os rumos, melhorar. Não é o caso do governador João Doria nessa lamentável divulgação do Butantã, de que a eficácia da coronavac é de apenas 50,38%, no limite da aprovação pela Anvisa e OMS.

Doria vem monopolizando a fala em nome da ciência desde o começo, politizando a pandemia de olho em 2022. Apostou todas as fichas na vacina chinesa, desqualificou quem desconfiava da origem (uma empresa acusada de corrupção numa ditadura sem transparência) e chegou a marcar data do começo da vacinação, ignorando os passos necessários para sua aprovação.

Em suma, Doria virou um garoto-propaganda da vacina, chegando a colocar outdoor em Mato Grosso do Sul. A Anvisa tinha apenas uma forma de demonstrar sua imparcialidade técnica: aprovar a vacina. A mídia doriana logo começou a enaltecer o governador de SP enquanto demonizava o presidente Bolsonaro, seu jogo sujo desde o primeiro dia da crise.

Pois bem: de 100% de eficácia a coisa caiu para menos de 80%, depois para 60%, e agora se chegou a esse patamar mínimo, que passa raspando pelo critério técnico. Os tucanos que festejaram, sem qualquer apreço pelo verdadeiro método científico e pelo necessário ceticismo, estão hoje em silêncio, desejando apagar da nossa memória mensagens antigas. Mas estamos aqui para refrescar a memória de todos:

Os apressadinhos falam tanto em nome da ciência, ciência, ciência, mas esquecem que a ciência se faz com desconfiança, paciência e prudência, não com confiança cega em autoridades ou na mídia. Quem confia cegamente numa ditadura chinesa, aliás, é o típico gado, que se oferece para ser cobaia e ainda chama de “negacionista” aquele mais racional. Mas a “assessoria de imprensa” do Doria segue tentando vender o peixe podre:

Ora, isso é ciência, por acaso, ou fé cega? Ag0ra imaginem só se essa “confusão” (empulhação?) toda fosse no governo federal, e não com o governador queridinho da mídia. Qual seria a reação da imprensa? Se continuar assim, a “vachina” será apenas um placebo arriscado em breve! Aliás, um pesquisador usou os dados oficiais e chegou à seguinte conclusão:

4653 voluntários foram vacinados; 85 dos vacinados foram infectados; 4599 voluntários no placebo; 167 do grupo placebo foram infectados; usando esses dados, a eficácia global seria de 49,7%, inferior ao limiar de 50% da Anvisa e OMS.

VAR JÁ! O mínimo que se espera de quem preza pela saúde da população é cobrar uma nova rodada de pesquisas antes de liberar uma vacina nessas condições suspeitas. Os tucanos da mídia estão afirmando que “bolsonaristas” comemoram a notícia ruim e torcem pelo vírus. É inversão leninista, as usual. Atacam os outros diante de um espelho, esses pandeminions. O fato é que Doria apostou tudo no cavalo errado, e tentou impor sua vachina sem qualquer comprovação.

Sobre os casos graves, há um “detalhe” espantoso: foram sete pessoas testadas apenas. SETE PESSOAS! Lembram da turma dizendo que os vários estudos com cloroquina, em milhares de pessoas, eram “inconclusivos”? Não é difícil entender por que agora dizem que não devemos ser tão científicos assim. E isso foi dito pelo secretário de Saúde do governo Doria!

O que a gestão Doria fez com a credibilidade do Butantã é algo criminoso. Diante do ocorrido, só há uma coisa sensata a fazer: levantar a hashtag #ForaDoria e exigir a saída do governador imediatamente do seu cargo. Doria deveria renunciar já!

RODRIGO CONSTANTINO

INQUISIDORES DAS BIG TECH DECLARAM GUERRA À LIBERDADE

Declararam guerra mesmo! Com quase 90 milhões de seguidores, sendo o presidente dos Estados Unidos, ainda assim Trump teve sua conta no Twitter banida. O hipster com barba de bode acha que manda no mundo. E talvez mande mesmo! Ao menos até a reação, que certamente virá.

Candace Owens resumiu muito bem a coisa: “Os esquerdistas estão tão cegos por seu ódio por Trump que não entendem o quão absolutamente aterrorizante é que as empresas de tecnologia possam censurar o atual Presidente dos Estados Unidos. Eles não vão entender até que TODAS as suas liberdades acabem. Eles estão cegos pelo ódio”.

Era para ser uma esperança de liberdade. As redes sociais furaram a bolha hegemônica “progressista” da mídia e deram voz a milhões de pessoas que se sentiam totalmente órfãos de espaço na imprensa. Agora a coisa virou uma distopia totalitária, nos moldes de 1984 de Orwell, controlada por um hipster com barba de bode e um nerd esquisitão…

Carlos Bolsonaro, acusado por vários jornalistas de comandar um gabinete de ódio, deu o merecido troco: “Depois do ‘ódio do bem’, da ‘aglomeração do bem’, da ‘destruição de bens públicos e privados do bem’, agora blogueiros gargantas profundas pedem a ‘censura do bem’! A mesma escória que diz lutar por… liberdade!” Ele está certo. Que moral essa turma tem agora para falar em censura, em gabinete do ódio, em gado?

Quem está calado hoje já é cúmplice; quem está aplaudindo e vibrando é um tirano enrustido, que só não manda gente para o gulag na Sibéria por falta de oportunidade e poder. Gabriel Kanner, do Brasil 200, resumiu: “Incrível quantas máscaras estão caindo. Vivi para ver “liberais” defendendo a censura e aplaudindo feito palhaços, enquanto são levados para a beira do precipício sem perceber que qualquer voz dissonante da agenda progressista poderá ser simplesmente extirpada do debate público”.

Mas tem idiota que diz “é só o Trump, nós ainda estamos aqui, não é censura”. Ditaduras opressoras nunca precisaram perseguir todos; basta dar alguns exemplos destruindo os adversários mais fortes. Putin fez assim, e tantos outros. Banir Trump é um sinal, um alerta claro: ninguém está á salvo.

Filipe G. Martins, assessor da Presidência, foi direto ao ponto: “Donald Trump permanentemente banido do Twitter. No tribunal das grandes corporações não há critérios claros, respeito às leis locais ou garantia de devido processo legal. Se eles fazem isso com o presidente dos EUA, o que não farão contra cidadãos comuns e sem recursos de defesa?”

Outro aspecto fundamental é que essas empresas não agem mais como plataformas, e sim como veículos de comunicação que editam conteúdo, ou seja, devem estar sujeitas a outras regulações. Filipe Martins também tocou nesse ponto: “Empresas devem ser totalmente isentas da responsabilidade pelo que ocorre em seus domínios? Não é óbvio que quando uma empresa opta por fazer curadoria do conteúdo a ser publicado em sua plataforma, ela deve também se responsabilizar pelo conteúdo cuja publicação ela permite?”

Causa espécie a comemoração de supostos “liberais”. “É fácil ser um defensor da liberdade de expressão quando isso se aplica aos direitos daqueles com quem estamos de acordo”, resumiu Walter Block. Natan Sharansky, autor de The Case for Democracy, criou um método simples de se avaliar quão livre é uma nação: verificar se o indivíduo pode ir em praça pública e contrariar o governo, ou o consenso. Podem xingar Trump e Bolsonaro à vontade. Já STF, OMS e companhia…

O pior de tudo é a falta de critério. O aiatolá do regime iraniano, opressor e ditatorial, pode usar o Twitter para destilar ódio contra Israel, a única democracia sólida na região; o ditador socialista Nicolás Maduro segue com sua conta ativa, espalhando mentiras; mas Trump foi banido da rede!

O quão grave é ver jornalistas e deputados aplaudindo isso?! Estão assanhados, querem calar toda a direita, não se importam mais em expor sua faceta autoritária. Eis alguns exemplos, entre tantos:

A Suprema Corte tinha impedido Trump de bloquear jornalistas pois considerou que ele usava a conta para coisas de governo, certo? Logo, era uma conta oficial. Portanto, o Twitter baniu a conta do POTUS, o presidente dos Estados Unidos, não do Trump, o indivíduo. É ainda mais grave!

Mas não pensem que será tão fácil assim calar toda a direita. Em A Arte da Guerra, Sun Tzu alerta: nunca deixe seu inimigo sem alternativas. Estão cutucando a fera com vara curta. Nigel Farage alertou: transformem Trump em mártir e virá algo muito pior. Estão provocando demais, esticando a corda a ponto de rompe-la, se é que já não rompeu.

As últimas máscaras caíram. Quem aplaude um “critério” que bane o presidente dos Estados Unidos mas mantém o ditador Maduro e o aiatolá iraniano que quer varrer Israel do mapa é um comunista desgraçado. Sem mais. Será inevitável escolher um lado. Ou fica com o clubinho, a patota “progressista”, os tucanos autoritários, os globalistas, os “jornalistas” arrogantes, os inquisidores e canceladores; ou fica contra o totalitarismo e a favor da liberdade. Com todas as nossas divergências, é hora de união!

RODRIGO CONSTANTINO

A NOVA LUTA DE CLASSES E A ELITE TECNOCRÁTICA

A Europa e a América do Norte estão experimentando a maior onda revolucionária de protesto político desde os anos 1960 ou talvez 1930. Exceto na França e em alguns casos pontuais, a revolução até hoje permaneceu não violenta. Mas é uma revolução, no entanto. E coloca basicamente elite e povo em lados opostos, numa moderna “luta de classes”. Eis a tese que defende Michael Lind em The New Class War: Saving Democracy from the Managerial Elite. Os argumentos apresentados por Lind nos ajudam a entender certas nuances da invasão do Capitólio na última quarta-feira, dia 6.

O poder social, segundo o autor, existe em três esferas: governo, economia e cultura. Cada uma dessas três esferas de poder social é o local do conflito de classes, às vezes intenso e às vezes contido por acomodações entre as classes.

Entre a década de 1960 e o presente, à medida que o medo menor de conflito das grandes potências diminuía gradualmente os incentivos das elites ocidentais para fazer concessões às classes trabalhadoras ocidentais, o sistema do pós-guerra de “pluralismo democrático” foi desmontado em uma revolução de cima para baixo que promoveu os interesses materiais e os valores intangíveis da minoria de gerentes e profissionais com formação universitária, que sucederam aos antiquados capitalistas burgueses como a elite dominante.

O que substituiu o pluralismo democrático, em que as elites cediam mais poder aos trabalhadores organizados, pode ser descrito como “neoliberalismo tecnocrático”. Para Lind, a revolução neoliberal tecnocrática, realizada em uma nação ocidental após a outra por membros da elite gerencial cada vez mais agressiva e poderosa, provocou uma reação populista pela classe trabalhadora nativa na defensiva e sem poder.

Apesar de todas as suas diferenças, esses demagogos populistas lançaram contra-ataques semelhantes ao establishment “neoliberal” dominante em todas as três esferas de poder social. Os populistas da Europa e da América do Norte terão sucesso em derrubar e substituir o neoliberalismo tecnocrático? O autor acredita que não. Enquanto populistas podem obter vitórias isoladas ocasionais para seus eleitores, a história sugere que os movimentos populistas tendem a falhar ao enfrentar classes dominantes bem entrincheiradas cujos membros desfrutam de quase monopólios de expertise, riqueza e influência cultural.

Alcançar uma “paz de classe” genuína nas democracias ocidentais exigirá unir e capacitar os trabalhadores nativos e imigrantes, enquanto se restaura o poder de tomada de decisão genuíno para a maioria não educada em universidades em todas as três esferas de poder social – economia, política e cultura. O populismo demagógico é um sintoma. O neoliberalismo tecnocrático seria a doença. O pluralismo democrático é a cura, segundo o autor.

O neoliberalismo tecnocrático – a ideologia hegemônica da elite transatlântica – finge que o status de classe herdado virtualmente desapareceu em sociedades que são puramente “meritocráticas”, com exceção das barreiras para a ascensão individual que ainda existem por causa do racismo e da misoginia. Junto com os neoliberais e libertários, os conservadores do establishment afirmam que a elite econômica não é uma classe semi-hereditária, mas sim um agregado caleidoscópico em constante mudança de indivíduos talentosos e trabalhadores.

Os gerentes mais importantes são burocratas públicos e privados que dirigem grandes corporações nacionais e globais, agências governamentais e organizações sem fins lucrativos. Eles exercem uma influência desproporcional na política e na sociedade em virtude de suas posições institucionais em grandes e poderosas burocracias. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, apenas cerca de três em cada dez cidadãos têm diploma universitário, e um terço da população fornece quase todo o pessoal do governo, negócios, mídia e organizações sem fins lucrativos.

Pode ser verdade que diplomas universitários sejam tíquetes para sair da pobreza, mas a maioria é distribuída no nascimento para crianças em um pequeno número de famílias com muito dinheiro. O que Lind está pondo em xeque é a própria noção de meritocracia no mundo moderno, em que o ingresso numa dessas universidades caríssimas já passa pelo filtro do nascimento e costuma fazer toda a diferença no resultado. É delas, afinal, que sai essa elite gerencial que vai comandar as instituições dominantes.

A Revolução Industrial não substituiu os sistemas de classes no Ocidente por sociedades meritocráticas sem classes, afirma o autor. Substituiu o antigo sistema de classes, em sua maioria hereditário, composto de proprietários e camponeses, por um novo sistema de classes, principalmente hereditário, de gerentes e proletários, em que os diplomas são os novos títulos de nobreza e brasões de armas.

As elites gerenciais ocidentais de hoje muitas vezes fingem ser “cidadãos do mundo” e sinalizam sua virtude ao desdenhar do Estado-nação democrático como algo paroquial ou anacrônico. Mas a maioria está profundamente enraizada em seu país de origem. A nova luta de classes não é uma guerra de classes global, portanto. Consiste em lutas em nações ocidentais específicas entre as elites locais e as classes trabalhadoras locais, lutas que acontecem em muitas nações ao mesmo tempo.

As fortunas de muitos executivos de tecnologia de São Francisco dependem de legiões de trabalhadores fabris mal pagos na China e em outros países, em fazendas que consomem muita energia localizadas em áreas rurais remotas e em massivas infraestruturas de transporte e comunicação que se estendem por vastas distâncias entre cidades e nações e são mantidas por operários.

A maior parte da produção física que resta nas nações ocidentais, como manufatura, agricultura e mineração, incluindo extração de combustível fóssil, junto com a construção e a manutenção da infraestrutura, ocorre longe dos centros da moda e subúrbios prósperos, onde a maior parte da classe administrativa vive e trabalha. As elites da classe alta em centros urbanos, portanto, podem defender regulamentações ambientais rigorosas com baixo custo para elas.

Embora a França seja responsável por apenas uma quantidade insignificante das emissões globais de gases de efeito estufa, a fim de anunciar sua liderança moral no combate ao aquecimento global, o governo do presidente Emmanuel Macron aumentou os impostos sobre carros e caminhões movidos a diesel. Os custos desse exercício de sinalização de virtude caíram desproporcionalmente sobre os cidadãos da classe trabalhadora e do campo, dependentes de seus automóveis e caminhões. Daí surgiu a revolta dos “coletes-amarelos”.

Michael Lind trabalhou na Heritage Foundation, um think-tank conservador, mas sua visão não é facilmente definível. Ele defende um “nacionalismo democrático”, é crítico do libertarianismo, elogia o New Deal e poderia ser encaixado na tradição do pensamento centralizador de Alexander Hamilton. No livro, fica clara a defesa de um papel maior tanto para o Estado como para os sindicatos, o que seria rechaçado por liberais clássicos e conservadores da linhagem britânica. Mas o livro traz alertas importantes, mesmo para quem discorda de sua visão, acerca do abismo criado entre as elites gerenciais e o povo governado.

É basicamente o mesmo fenômeno explicado de forma diferente por Charles Murray em Coming Apart, ou por Christopher Lasch em The Revolt of the Elites, e que pode ser bem ilustrado pelas vitórias de Trump e do Brexit. Há um crescente afastamento entre a classe governante e a classe governada, que supostamente seria representada por essa elite, mas não se sente assim, com boa dose de razão. Buscar compreender essa crise de representatividade é crucial para salvar a democracia, portanto.

O liberalismo baseado em direitos, levado longe demais, torna-se liberalismo antidemocrático, sustenta Lind. Muitas das instituições importantes para os cidadãos nas democracias são sutilmente alteradas ou deslegitimadas em uma sociedade em que os interesses comuns devem ser justificados exclusivamente em termos deste ou daquele direito individual. Igrejas, clubes e famílias, para citar três exemplos, são impossíveis de justificar com base em contratos entre indivíduos titulares de direitos, como se fossem meras sociedades comerciais. Também é difícil para uma filosofia baseada em direitos legitimar o Estado-nação como uma comunidade que pode exigir lealdade e sacrifício de seus membros.

No geral, a mudança do centro de gravidade das associações de membros locais baseadas em congregações da igreja para fundações, organizações sem fins lucrativos financiadas por fundações e universidades representa uma transferência da influência cívica e cultural das pessoas comuns para a elite administrativa. O sucesso no setor sem fins lucrativos frequentemente depende não da mobilização de cidadãos comuns, mas da obtenção de verbas dos funcionários de um pequeno número de fundações dotadas de bilionários em algumas grandes cidades, muitas delas com nomes de antigos ou novos magnatas dos negócios, como Ford, Rockefeller, Gates, Soros e Bloomberg.

As principais instituições nas quais a classe trabalhadora encontrou uma voz – partidos de massa, sindicatos e instituições religiosas e cívicas de base – foram enfraquecidas ou destruídas, deixando a maior parte da população fora da elite dos países ocidentais sem nenhuma voz nos negócios públicos, exceto por gritos de raiva. Se isso não for revertido, a tendência é a revolta piorar. Apontar para o populismo como causa, e não sintoma do problema, é errar o diagnóstico e, portanto, a receita. Ou o povo tem mais participação efetiva no poder, em suas três esferas, ou as elites tecnocráticas serão desafiadas com cada vez mais desprezo e ressentimento, quiçá violência.

RODRIGO CONSTANTINO

A HIPOCRISIA DA ESQUERDA “DEMOCRATA” E “PACIFISTA”

As cenas da invasão ao Capitólio nesta quarta foram lamentáveis, preocupantes e tristes. Os apoiadores de Trump têm todo direito de estarem indignados, há indícios de fraudes eleitorais e o jogo foi sujo, a começar pelo papel da mídia. Mas nada justifica invadir o Congresso e intimidar parlamentares. Essa “ucranização” desgasta ainda mais as instituições, por mais compreensível que seja a revolta popular.

Antes dessa invasão, porém, as cenas em Washington eram inspiradoras, de resistência pacífica, de alerta sobre os limites do poder do establishment. As ruas estavam tomadas por gente cansada de manipulação midiática, demonstrando que imprensa e democratas não podem tudo, pois nem todos são trouxas. A coisa degringolou no final, e forneceu o pretexto perfeito para os cínicos de sempre. E que show de cinismo!

Vimos vários conservadores e republicanos condenando a invasão do Capitólio, algo que nunca vimos na esquerda sobre black blocs, Antifa ou Black Lives Matter. Foi um bom dia para catalogar hipócritas: todos que estão externando seu horror aos acontecimentos em Washington, usando palavras como “terrorismo doméstico”, “fascistas” e “antidemocráticos”, mas que se calaram quando Antifa e BLM tocavam o terror no país, incendiando cidades, são canalhas.

E por falar em hipócritas e canalhas… Marcelo Freixo foi um dos que aproveitaram o momento para destilar hipocrisia. O partido do sujeito defende o ditador venezuelano, aplaude invasores comunistas, e agora manda essa, exigindo a prisão de Trump. Vamos prender quem convoca manifestação que acaba em desrespeito à lei e à ordem agora, é? Opa, gostei disso. Podemos aplicar geral?

Faltava o cínico-mor, o mais mentiroso de todos, o canalha dos canalhas, o bandido defensor de tiranos comunistas. Óbvio que Lula não ficaria de fora dessa malandragem tosca:

A esquerda é fofa, pacífica e democrática. Por isso Caetano Veloso, um de seus símbolos, defende professor stalinista e apoiava com essa imagem patética abaixo os black blocs. E jornalistas “sérios” e “liberais”, como Pedro Doria, querem chama-lo para o debate civilizado, até mesmo para uma… união!

Mas por que ficar nos plagiadores brasileiros? Vamos direto ao ponto, na origem da podridão, no mais destacado aluno do Foro de São Paulo:

O jornalista Leonardo Coutinho, que vem esmiuçando os podres venezuelanos, desabafou: “Os absurdos de hoje servem de pretexto para o chanceler de um cartel de drogas brincar de democrata. Tiempos brutos”. Flávio Gordon ironizou: “Os democratas do mundo estão se unindo em defesa da democracia americana. Aguardemos ainda a declaração de Xi-Jinping. É lindo!” E a mídia dando destaque, como se fosse algo sério:

Mas além da extrema esquerda latino-americana, os “democratas” e ministros do Supremo também tiraram casquinha da situação. Estavam todos assanhados, querendo usar o caso para avançar algumas casas extras no controle social em nosso país.

Rodrigo Maia é um estadista defensor do diálogo e da democracia, por isso está horrorizado com os apoiadores de Trump, e por isso está fechado com o PT na disputa do comando da Câmara, o PT, que defende Maduro e sua ditadura opressora na Venezuela. Tem mais:

Os exemplos abundam. Todos “chocados” com o ocorrido e concluindo que é preciso apertar o cerco contra “fascistas”, sendo que nenhum deles demonstrava qualquer preocupação com terroristas da Antifa e marxistas revolucionários do Black Lives Matter espalhando o caos e o terror pelo país.

São “democratas” de ocasião, com viés, duplo padrão e seletividade. Condenam invasões e violência, desde que associadas à direita. A esquerda pode tudo, tem salvo-conduto, pois é “do bem”, luta “contra” o fascismo. Foi Barroso quem disse que antifascista no nome significa antifascista no ato, o que é uma piada de mau gosto.

João Amoedo, do Novo, para não perder o bonde da lacração, aproveitou também para denunciar o suposto método trumpista, numa clara associação ao bolsonarismo:

O problema é que ele está descrevendo exatamente o que a esquerda democrata vem fazendo faz tempo, e que piorou muito com Obama. Vamos lembrar que quem quer que criticasse a gestão medíocre de Obama era logo rotulado de racista, para impedir o debate e blindar o presidente. A mídia trata todo eleitor de Trump como deplorável, idiota ou fascista. Quem segregou o país? Quem dividiu todos? E quem enfraqueceu as instituições? Sobre a perda de confiança no sistema eleitoral, desnecessário até comentar, já que nunca antes na história deste país houve tanto voto por correio, suspeito, fazendo do apático Joe Biden alguém teoricamente mais popular do que Obama e Trump juntos!

Enquanto Trump condenava atos violentos e pedia paz, o Twitter achou adequado censurar o presidente dos Estados Unidos.

Não é uma plataforma neutra; é um veículo de comunicação, um publisher que filtra conteúdo de acordo com sua visão ideológica de mundo. O presidente dos EUA só pode postar aquilo que os censores do Twitter considerarem adequado. Pergunta retórica: todo aquele que defender Antifa e BLM ou manifestações que acabem com confusão e desrespeito à lei e a ordem vai sofrer a mesma punição ou só o Trump? Não obstante, vimos jornalistas aplaudindo, como a “respeitada” Miriam Leitão, do Globo:

Esses “progressistas” se acham detentores da Razão, falam em nome da “ciência”, e enxergam em seus oponentes um bando de bárbaros e fascistas. Diante desse quadro, o que é uma censurazinha básica, não é mesmo? Eis o real perigo: a esquerda, convencida de que luta para impedir um fascismo real, não se importa de lançar mão dos métodos fascistas nessa batalha. E com isso enfraquece as instituições democráticas e asfixia a liberdade.

Quem está feliz hoje é todo inimigo da América e o que ela simboliza para o mundo. E a mídia é cúmplice com seu duplo padrão: fala em antidemocráticos agora, mas se calou diante de Antifas e BLM incendiando o país. E fingiu que a eleição foi absolutamente normal, desqualificando quem ousasse desconfiar de algo claramente suspeito. Quem planta vento colhe tempestade.

Quem não acha normal ou aceitável tacar fogo nas cidades e pregar fim da polícia, dezenas de milhões de votos suspeitos por correios com a mídia tratando isso como algo trivial, e a invasão do Capitólio, precisa se unir para salvar a América dos radicais e seus cúmplices “isentões”.

Sim, pois houve uma vítima fatal nessa invasão, e a imprensa está ignorando, tratando-a como uma “terrorista”. Leandro Ruschel resumiu bem: “O erro da Ashli Babbitt, veterana da Força Aérea morta na invasão do Capitólio, ontem, foi acreditar que tinha os mesmos direitos dos Antifas e Black Lives Matter. Se fosse esquerdista, estaria sendo tratada como heroína e vítima. Como não é, virou terrorista”.

O discurso do senador republicano Mitch McConnell após a volta dos trabalhos no Capitólio foi uma defesa das instituições, apesar do que fez a oposição com apoio da mídia. A hipocrisia da esquerda é asquerosa, mas se a direita virar o mesmo monstro, acabou, perdemos. Que venha agora a vigilância! Mas sem dar qualquer moleza para esses hipócritas da imprensa e os “isentões” da política…

RODRIGO CONSTANTINO

FALTA LIDERANÇA CORAJOSA NO OCIDENTE

Imaginem uma grande ameaça concreta, algo como nazistas tentando avançar em direção a cidades importantes para tomar o controle total. Bombardeios, blitzkrieg lançando ataques surpresas e relâmpagos, e todo o povo ocidental questionando se sobreviveria, se suas liberdades seriam preservadas, se seria o fim da civilização. Diante disso, um líder como Churchill faria o quê?

Será que ficaria escondido para se proteger? Talvez recomendasse a todos que desistissem da vida livre, que buscassem ficar em abrigos e de lá nunca mais sair? Quem sabe batesse um espírito de Chamberlain nele a ponto de desejar logo selar um acordo de paz com os alemães, cedendo tudo em troca de nada, de uma sobrevivência como escravo? Será que Churchill seria lembrado como é hoje se tivesse agido assim?

O que Churchill fez, na prática? O oposto! Fez discursos inspiradores sobre o que valia a pena ser defendido. Disse que os britânicos lutariam nas colinas, nas praias, onde quer que fosse, para defender suas liberdades. E visitou os locais que foram alvos de ataques, em vez de se esconder. Era uma atitude arriscada, mas como um líder poderia pedir coragem dos demais se fosse ele mesmo um covarde?

Agora vamos avançar no tempo e chegar até o inimigo invisível que assola o Ocidente hoje. Qual a postura das “lideranças” ocidentais? Mandam as pessoas ficarem em suas casas, praticarem isolamento, fecharem seus negócios, e como grande “estratégia” de sobrevivência, obrigam todos a usarem máscaras, ainda que de forma inconsistente e claramente ineficaz (ao menos que o vírus seja muito estranho, não prolifere em aglomerações de esquerda, e só ataque gente em pé nos restaurantes, ou gente no corredor do avião, mas não no assento).

Os Estados Unidos são faz tempo o líder ocidental, e a postura que vem de seu presidente é crucial para dar o tom. Se dependermos de um Justin Trudeau ou de um Macron, lascou. O problema é que agora temos uma espécie de Trudeau misturado com Macron prestes a assumir a Casa Branca, e eis o tipo de mensagem que recebemos logo no começo do ano:

Agora sim! Agora estaremos bem, protegidos, seguros! No Brasil, cujo presidente, em seu estilo tosco, ao menos tenta ser um exemplo de coragem em meio a um bando de “maricas” acovardados, a mídia toma o lado dos “isolacionistas” radicais para demonizar Bolsonaro, que se recusa a fugir para as colinas (ou Miami) diante da ameaça. Seu principal antípoda é um canastrão que usa máscara até sozinho no banheiro, ao menos se houver uma câmera por perto, pois na loja de Miami ele se permite ficar sem máscara.

Um quer se sentir normal, gente como a gente, parte do povo de onde veio, um cidadão, um indivíduo, e por isso mergulha no mar ao lado dos banhistas, que gritam “mito”; o outro só pensa no poder, é falso em tudo que faz, cada mensagem é calibrada, dosada, e não pode sair na rua, pois é detestado pela população. Adivinha do lado de quem a imprensa fica? Nossa mídia quer uma “liderança” covarde e hipócrita, que diz uma coisa e faz outra, que fecha tudo em nome da “ciência”, e que não demonstre qualquer traço de coragem e verdadeira liderança.

Vivemos tempos estranhos, perigosos, em que a vitimização e a covardia são premiados, e a coragem é condenada. Se Churchill vivesse hoje não seria elogiado, mas sim demonizado. E seria acusado de “populista” caso resolvesse se misturar ao povo numa cidade que acabara de ser alvo de ataques nazistas.

RODRIGO CONSTANTINO

MAIA BALEIA COM PT, E VOCÊ AINDA RECLAMA DE ARTHUR LIRA?

Quando Bolsonaro deixou claro que seu candidato para presidente da Câmara seria Arthur Lira, do PP, os antibolsonaristas histéricos partiram para cima. Então era essa a bandeira ética? Então Bolsonaro venceu para pouco mudar? Então ele vai se alinhar a alguém suspeito em esquemas de corrupção? Do centrão fisiológico?

Eram os mesmos que cobravam mais articulação do governo com o Congresso, que afinal foi eleito e de quem depende a tal governabilidade. Ou Bolsonaro era um “déspota esclarecido” que atropelaria o Congresso, validando a acusação de que é autoritário, ou ele era forçado a negociar com essa turma no poder, o que se chama democracia. Seus críticos ferrenhos não queriam saber desses detalhes, pois o lance era demonizar o presidente.

Mas em política o ótimo é inimigo do razoável, e prevalece a arte do possível, não do ideal. Lira era uma escolha ruim em relação a quem? Era essa pergunta que um analista deveria fazer. Mas na mídia não encontramos mais analistas, e sim torcedores, militantes e tucanos ou petistas disfarçados. Salve, salve! A escolha de Bolsonaro foi detonada, enquanto Rodrigo Maia era tratado como um estadista.

Ocorre que Maia, que não tinha plano B ao golpe fracassado no STF para sua reeleição, apontou Baleia Rossi como seu candidato, e este se uniu, sob a articulação do próprio Maia, com a extrema esquerda. PCdoB, Rede e até PT fecharam com o bloco de Maia, mas é para o bem do Brasil, claro, para a agenda reformista virtuosa vencedora nas urnas, que o próprio governo travava, segundo Maia.

Quem está junto com o PT na defesa de uma “democracia viva e forte” é um fanfarrão! Afinal, o PT é o mesmo que tentou destruir nossa democracia, mirando no exemplo venezuelano. O ditador Maduro é até hoje defendido pela quadrilha petista. As máscaras democratas e tucanas não param de cair nessa pandemia. Os que apontam cada mínima falha em Bolsonaro para pinta-lo como a pior coisa que já aconteceu na política nacional são os mesmos que se aliam ao PT. Alguém ainda cai nessa armadilha patética?