PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

DESLUMBRAMENTO – Olegário Mariano

É amor? Não sei. Esta intranquilidade,
Este gozo na dor, esta alegria
Triste que vem de manso e que me invade
A alma, enchendo-a e tornando-a mais vazia;

Este cansaço extremo, esta saudade
De uma cousa que falta à vida … O dia
Sem sol, as noites ermas, a ansiedade
Que exalta e a solidão que anestesia,

É amor. Egoísmo de sofrer sozinho,
De as penas esconder do humano açoite,
De transformar as pedras do caminho

Em carícias sutis para colhê-las
E andar como um sonâmbulo, na noite,
Escancarando os olhos às estrelas …

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALEXANDRE GARCIA

PRIMAVERA NA URNA

No próximo domingo, as urnas nos esperam, para decidirmos nosso próprio futuro e de nossos filhos e netos. Vamos dar procuração para outros brasileiros agirem em nosso nome, fazendo e mudando leis, administrando o dinheiro de nossos impostos. Não é o único momento em que o poder emana do povo, mas é o mais importante, porque formaliza a outorga do poder. Votei pela primeira vez em 3 de outubro de 1960. Meu eleito, Jânio Quadros, renunciou no ano seguinte, criando uma crise que nos tirou o voto direto para presidente. De Castello a Tancredo-Sarney, presidentes foram eleitos pelo Congresso.

Quando voltou a eleição direta para presidente, em 1989, a polarização Lula x Collor no segundo turno foi semelhante à de hoje, com ânimos à flor da pele, esquerda e direita se digladiando. Eu cobri aquela campanha, mediei o debate final entre os dois, comentei o Ibope, transmiti os resultados – mas não lembro dos nomes dos ministros do TSE nem do Supremo daquela época. Naquele tempo, esses tribunais agiam com discrição, sem intromissão ou ativismo. Collor ganhou e depois sofreu impeachment. No Supremo, foi inocentado sob alegação de que notícia de jornal não é prova. Assumiu o vice Itamar, que nos deu o Plano Real e o fim da hiperinflação.

Depois vieram eleições presidenciais com disputas entre PSDB e PT, entre mais esquerda e menos esquerda. Após o desastre da corrupção e apropriação do Estado, apareceu Bolsonaro, despertando uma maioria que o elegeu em 2018. Houve polarização direita x esquerda, mas atenuada porque Lula estava cumprindo pena. Condenações anuladas e liberado para ser candidato, pelo voto de juízes que hoje comandam o TSE, Lula voltou à cena e a campanha ficou acirrada, embora ele não tenha se exposto às ruas. Agora faltam poucos dias para ser julgado pelos eleitores. Os dois candidatos acham que vencem no primeiro turno; um olha para as pesquisas e outro olha para as ruas. Vai ser um teste definitivo das pesquisas, que erraram feio na última eleição presidencial.

Nunca vi uma campanha tão animada nem uma escolha tão fácil. Afinal, os dois submetidos ao julgamento das urnas são bem conhecidos. Lula foi presidente por oito anos e comandou o PT, que governou por mais seis anos depois dele. Uma exposição de 14 anos no governo. Bolsonaro, no próximo domingo, terá 3 anos e 9 meses de presidência. O que os dois fizeram e deixaram de fazer é conhecido por todos. De nenhum eleitor será aceita a desculpa de “eu não sabia”.

No último dia 22 começou a primavera, estação das flores, da renovação da vida. Vamos votar em plena primavera. Que aquilo que ela simboliza nos inspire a contribuir para que se derrame uma longa primavera sobre todos nós, brasileiros, até nossos bisnetos.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

A FÉ NO ESTADO E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Já que se aproximam mais uma vez as eleições presidenciais; que mais uma vez as pessoas se enchem de esperança por um país melhor para se viver; e de temor, pela possibilidade de seu candidato ser derrotado, porque estão convencidas de que a vitória do outro levará o país inevitavelmente à desgraça; decidi propor aos leitores (e eleitores) a reafirmação da crença de que o Estado há de resolver todos os nossos problemas.

Então, lembrei de uma oração que certa vez ouvi de alguém que dirigia sua fé, não a Deus, mas a esse ente que, embora abstrato, faz parte deste mundo material: o Estado.

Esse ser que comanda as nossas vidas, comparado por Thomas Hobbes a um peixe monstruoso, capaz de a todos os outros devorar, impedindo assim que os peixes menores se devorassem entre si: o Leviatã.

Não lembro se as palavras são exatamente as que reproduzo a seguir, mas acredito que o essencial esteja aí.

Claro que é possível acrescentar algo mais à oração. Desde, é claro, que o acréscimo não seja ofensivo ao destinatário da nossa fé.

Afinal, não faltam atributos edificantes que se possa reconhecer ao Estado, nosso dirigente, controlador e supridor de tudo (ou quase tudo, o que nos remete à canção “Aí eu bebo”, de Maiara e Maraísa).

O que não é admissível é que se façam críticas ao Estado. Ou melhor, que se dirijam ataques às suas instituições (para usar uma linguagem mais conforme os tempos atuais). Menos ainda, que se cogite de sua extinção.

Dito isto, e sem mais delongas, oremos ao Estado:

Creio no Estado, todo poderoso,
Que controla a nós, viventes desta terra.
Creio nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário,
Que foram concebidos no Espírito das Leis,
Sistematizados por Montesquieu, depois positivados.
E juntos compõem esse ser abstrato, forte e soberano.
Que nos submete inexoravelmente a cada dia.
Cujo poder paira sobre nós, todo poderoso,
E tem o monopólio de nos julgar, vivos ou mortos.
Creio no respeito aos nossos direitos fundamentais
E nas liberdades individuais.
Creio na harmonia entre os poderes;
No princípio democrático e no sistema representativo;
Creio que todo poder emana do povo;
No sagrado direito ao voto;
No funcionamento das instituições;
Creio nos princípios da legalidade e da igualdade.
E que só o Estado pode garantir a paz e a Justiça
nessa terra.
Amém!

Em tempo, reconheço que o leitor pode entender que o presente texto usa de ironia, pelo menos até esta parte.

Nessa hipótese, esclareço que esse suposto tom irônico não teria qualquer intenção de desqualificar ou desmerecer o Estado. Não é um ataque aos seus poderes, seus princípios, suas instituições ou à democracia.

O objetivo dessa alegada ironia seria apenas induzir o (e)leitor a uma reflexão sobre a responsabilidade que cada um de nós tem de, mesmo sob o poder e a proteção do Estado, buscar, por nossos próprios meios, a felicidade e a construção de um mundo melhor.

As eleições que se aproximam são muito importantes. Mas, como diria Geraldo Vandré, “a vida não se resume em festivais”.

Digo eu: nem tampouco em eleições presidenciais.

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HOJE, 27 DE SETEMBRO: O GADO DO SERTÃO PERNAMBUCANO

BERNARDO - DIRETO DO PINGO NOS Is

DEU NO JORNAL

É BOSTA DE CIMA ATÉ EMBAIXO

Os diversos casos de abuso e ativismo judicial do Supremo Tribunal Federal estão repercutindo em decisões de instâncias inferiores, como tribunais eleitorais e tribunais de justiça, além de instituições como o Tribunal de Contas da União.

Em agosto, por exemplo, seguindo a tendência de perseguição do STF à Lava Jato – que criou um efeito cascata na Justiça brasileira –, o TCU condenou o ex-procurador Deltan Dallagnol e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot a pagarem R$ 2,8 milhões como ressarcimento por passagens e diárias de membros da força-tarefa da operação.

A decisão foi suspensa na semana passada, após a Justiça Federal do Paraná encontrar “manifestas e abundantes” ilegalidades no procedimento do TCU.

Na semana passada, emulando um procedimento que já ficou comum em instâncias superiores, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Piauí ordenou uma ação da Polícia Federal que interrompeu a transmissão ao vivo de um programa da TV Piauí.

O pretexto para a operação foi o mesmo que já se tornou costumeiro em decisões do STF: o veículo teria propagado fake news.

* * *

Resumindo: os cagadores das instâncias inferiores estão imitando os cagadores togados da Praça dos 3 Poderes.

Juntos e afinados, eles estão espalhando merda por todo o território nacional.

É um fedor da porra.

Não tem nariz que aguente!!!

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A FALA DO DESEMBARGADOR