Arquivo do Autor: Luiz Berto Filho
DEU NO JORNAL
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
JOÃO FRANCISCO – RIBEIRÃO PRETO-SP
O gigante precisa acordar.
Deitado eternamente em berço esplêndido… 🇧🇷 pic.twitter.com/MBGWsNsFIg
— Fotos de Fatos (@FotosDeFatos) September 26, 2026
DEU NO JORNAL
QUEREM CONTINUAR NA MAMADEIRA
RODRIGO CONSTANTINO
GOLPE ESTÁ EM CURSO
O ministro Flávio Dino atropelou o TSE neste domingo e mandou restabelecer mais de mil publicações que o próprio Tribunal Eleitoral havia considerado notoriamente inverídicas. A campanha de Flávio Bolsonaro falou em usurpação de competência. Acertou. Um ministro do STF escolhido a dedo, em processo que não passou por livre distribuição, cassou decisão da Justiça Eleitoral para devolver a mentira ao ar. Isso não é jurisprudência. É conveniência.
Mas o espetáculo verdadeiro não é o atropelo institucional. É a conversão. Em 2022, o TSE de Alexandre de Moraes impedia que se falasse a verdade sobre Lula. Qualquer associação incômoda virava “desinformação”, qualquer crítica virava inquérito, qualquer post virava ordem de remoção. Agora o mesmo campo ideológico descobre, de repente, que liberdade de expressão é cláusula pétrea. Comunista virou liberal. Quase emociona.
Se o critério de Dino vale – “não há grau de certeza de ilicitude” suficiente para censurar –, então o critério vale para todo mundo. Ou a liberdade é universal, ou é só mais um instrumento de poder. Como ele escolheu o segundo caminho, vamos usar o primeiro.
Podemos, portanto, divulgar com a mesma desenvoltura que Lula e Janja querem a macumba com o status de religião de Estado. Que o projeto civilizatório do lulismo inclui terreiro oficial, despacho no Palácio e oxalá no lugar da cruz. E estaríamos mais perto da verdade! Janja já publicou foto com estatuetas umbandistas e escreveu: “Saudades de vestir branco e girar, girar, girar…” Pomba gira!
Socialista, na época de eleição, aparece na igreja, tira foto com padre, fala em “povo de fé” e, no dia seguinte, trata a religião como atraso medieval. Defender família tradicional vira motivo de deboche no carnaval lulista, em ala das “conservas”. Hipocrisia com horário marcado.
Dino já fez discurso enfático sobre os limites da liberdade de expressão, alegando que os dias das mentiras estavam contados no país, e que 2022 foi um exemplo do que viria pela frente. O que veio foi o contrário: liberar as mentiras pois afetam a campanha do adversário de Lula.
Se Tabet pode escrever que “a família miliciana odeia mulher preta” e isso vira liberdade religiosa, então também é liberdade religiosa apontar que o petismo só respeita o sagrado quando precisa de voto. Fora disso, a fé católica de dezenas de milhões de brasileiros vira alvo fácil, e a umbanda vira identidade progressista.
Dino não restabeleceu a liberdade de expressão. Restabeleceu a assimetria. Em 2022, a verdade sobre Lula era perigosa demais para circular. Em 2026, a mentira sobre Flávio é inofensiva demais para ser retirada. O nome disso não é princípio. É seletividade. O ex-ministro de Lula e companheiro de jornada comunista vestiu a toga, mas não abandonou a bandeira vermelha.
A ironia final é que o ministro, ao cassar o TSE para proteger um post de humorista, acabou confessando o que sempre negou: a censura no Brasil nunca foi sobre combater mentira. Foi sobre combater o adversário. Quando o adversário muda de lado no placar, a liberdade de expressão reaparece como milagre. Comunista a favor da liberdade. O Brasil já viu de tudo. Agora viu até isso.
Há um golpe em curso e Dino é seu principal instrumento. Isso denota desespero com as pesquisas. Mas o tiro pode sair pela culatra, como no caso da proibição das bets: a cada nova medida absurda dos ministros lulistas e do presidente, mais votos indecisos se convertem contra a manutenção dessa corja no poder.
DEU NO X
O MENTIROSO PERDEU SÓ UM POUQUINHO DE VOTOS…
FORA LULA!! pic.twitter.com/ZuKMPQYndG
— Julio Schneider 🇧🇷🇺🇸 (@juliovschneider) September 28, 2026
DEU NO JORNAL
O BRASIL NÃO TEM A CARA DO STF
Carlos Alberto Di Franco
A atual situação do Brasil preocupa. E muito. O desencanto da população é imenso. Os poderes da República, isolados no conforto da Ilha da Fantasia, parecem viver de costas para a cidadania. Não escutam as ruas, desprezam as críticas e, frequentemente, reagem às cobranças legítimas da sociedade com arrogância e autoritarismo.
Existe um Brasil real, constituído por um povo bom, trabalhador e honrado. Um povo que acorda cedo e dorme tarde, que enfrenta transportes precários, hospitais deficientes e uma insegurança crescente. Paga impostos escorchantes e recebe pouquíssimo em troca. É o Brasil dos pequenos empresários, dos profissionais liberais, dos agricultores, dos professores e de milhões de famílias que lutam para educar seus filhos e preservar seus valores.
E existe outro Brasil: o país dos poderosos da República, daqueles que se consideram acima das leis e imunes à prestação de contas. É o universo dos privilégios, dos gabinetes refrigerados, das decisões tomadas longe da realidade e dos que chegam ao absurdo de invocar a ética da máfia como baliza de comportamento para magistrados. Uma inversão moral que, em qualquer democracia saudável, provocaria imediato e generalizado repúdio.
As cenas ocorridas antes, durante e depois da sessão do Supremo Tribunal Federal, realizada em 15 de setembro, para decidir sobre a abertura de investigação acerca das supostas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, provocaram espanto, indignação e verdadeira vertigem ética nas pessoas de bem.
O dia 15 de setembro ficará registrado como uma data triste na história da República. O que deveria ter sido uma sessão sóbria, transparente e esclarecedora transformou-se num espetáculo lamentável de bate-bocas, ironias, ataques pessoais, manobras processuais e acusações gravíssimas. Em vez de oferecer respostas objetivas à sociedade, a mais alta corte do país expôs suas fraturas internas e terminou sem decidir a questão fundamental.
O Supremo começou a sessão pressionado por suspeitas muito graves e a encerrou ainda mais desacreditado. A discussão foi desviada do ponto central. O que precisava ser esclarecido era simples: existem ou não elementos suficientes para investigar a conduta de Alexandre de Moraes? Em lugar de enfrentar essa pergunta, alguns ministros preferiram embaralhar os casos, discutir o rito, lançar suspeitas sobre colegas e criar obstáculos a uma apuração independente.
Mais grave: Alexandre de Moraes participou da discussão e votou numa matéria que dizia respeito diretamente a ele. É uma aberração. O mais elementar princípio da imparcialidade recomenda que ninguém julgue o próprio caso. Não se trata de antecipar culpa nem de condenar sem provas. Trata-se de preservar a dignidade da Justiça.
O pedido de vista de Flávio Dino, depois de horas de confrontos e acusações, adiou uma decisão que o país exigia com urgência. Houve ironias, interrupções e agressividade. O resultado foi devastador: o plenário do STF, que deveria pacificar conflitos, converteu-se no palco da própria crise.
Positivamente, o Brasil não tem a cara do atual Supremo Tribunal Federal.
O Judiciário está politizado e insensível. A corte suprema tornou-se uma das instituições de menor credibilidade do país. A perda de autoridade não ocorre por acaso. É consequência de decisões monocráticas abusivas, inquéritos intermináveis, censura, prisões preventivas prolongadas, invasão de competências do Congresso e confusão entre os papéis de investigador, acusador e julgador.
Impõe-se, por intermédio do Congresso Nacional, uma profunda reforma do Supremo. É preciso estabelecer mandatos para os ministros, regras objetivas de impedimento, limites às decisões monocráticas e mecanismos efetivos de controle. Ministros devem receber remuneração digna, dar aulas e produzir conhecimento. E só. Não podem manter institutos que negociem palestras, promovam eventos patrocinados por grupos interessados em decisões judiciais ou criem zonas nebulosas entre a magistratura e o poder econômico.
Da mesma forma, seus familiares não deveriam exercer advocacia nos tribunais superiores. A proximidade familiar com um ministro não pode converter-se em cartão de visitas profissional. Ainda que não exista ilegalidade formal, permanece o evidente conflito ético.
O cenário é desanimador? Sim. Mas quem escreve esta coluna, por paradoxal que pareça, é um otimista. Acredito no Brasil e na democracia. Não é mais possível abafar o grito de desespero nem menosprezar a revolta dos cidadãos. Há algo de podre na democracia brasileira. Mas não se reformará a democracia destruindo-a. Diante de manifestações tão fortes de antipolítica, é preciso valorizar a boa política, o diálogo, a transparência e as posturas propositivas.
O Brasil real não tem a cara da sessão de 15 de setembro. Não tem a cara dos privilégios, das manobras e da arrogância. Tem a face sofrida, mas esperançosa, de milhões de cidadãos que ainda acreditam na Justiça. É justamente por eles – e pelo futuro da República – que chegou a hora de dizer, mais uma vez, com serenidade e firmeza: basta!
DEU NO X
VAI EMPATAR COM O INTERNACIONAL
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF
AS CLARIDADES DE FORA E DE DENTRO
Já que a claridade conversa bem com a minha história, escolhi estas “palavrinhas” para lhe fazer um afago. Qualquer adulto, do campo ou do asfalto, saberá dizer o que é claridade.
Durante os meus primeiros doze anos, meus olhos foram iluminados por diversas claridades: o sol, a lua, o candeeiro, o fogão a lenha, as queimadas… Apesar de tanta luz, faltava-me aquela claridade capaz de ensinar meus olhos a decifrar o mundo. É que a luz que ilumina os olhos não é a mesma que os ensina a compreender aquilo que ela mostra.
Para suprir essa deficiência, parti em busca de uma escola, não para que derramasse mais luz sobre mim, mas para que preparasse meus olhos para a leitura de tudo o que o mundo revelava. Entrei então no ambiente escolar sob a luz alheia, isto é, emprestada; saí carregando esse mesmo clarão dentro de mim. A bem dizer, deixei de ser iluminado apenas por fora para me tornar luz própria. A claridade que antes existia apenas do lado de fora passou a existir também do lado de dentro.
Afinal, há saberes que a natureza oferece sem professores, enquanto outros precisam ser aprendidos. A criança começa a mamar; as abelhas, a fazer mel. Nenhuma delas precisou frequentar uma escola para aprender aquilo que a natureza lhes ensinou. Mas há conhecimentos que não nascem conosco e precisam de alguém que nos ajude a enxergá-los e decifrá-los. Por isso, não basta derramar luz sobre as pessoas; é preciso prepará-las para enxergar e decifrar o que a luz põe diante delas.
DEU NO X
SE UNIRAM-SE
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
