DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A MENSAGEM

Ao pegar meu celular
Mensagem sua encontrei
Sem querer acreditar
O seu lamento escutei
Sem duas vezes pensar
Seu áudio eu deletei.

Não me fale de saudade,
Pois não terei compaixão
Você não teve piedade
Ao ferir meu coração
Com toda sinceridade
Em mim não restou paixão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NOS TRILHOS DA MOCIDADE

Foto desta colunista

O velho trem da saudade
Resolveu me visitar
Na bagagem a lembrança
É tanta, chega a pesar
Abro a porta do vagão
E deixo a recordação
Pelos trilhos me guiar.

Êta saudade danada
Que bateu, mas foi de mim
Menina moça levada
Batom da cor de carmim
Faceira e desaforada
Pela vida apaixonada
Como eu gostava de mim.

Nas tertúlias da cidade
Era a primeira a chegar
Pra “tirar uma fornada”
Com quem soubesse dançar
Dançava bem um brecado
Um bolero apaixonado
E sem “macaco botar.”

Short curto, minissaia
Era assim que eu me vestia
Minha mãe era moderna
E para minha alegria
Gostava de costurar
E a gente podia usar
A roupa que bem queria.

Passear de bicicleta
Era outra diversão
Cidade do interior
Ipueiras, meu sertão
Banhos de açude e de rio
Quando recordo sorrio
Fui feliz em meu rincão.

Passei por cima de tudo
Pra viver em liberdade
Desdenhei até das leis
Da nossa sociedade
Liberta da hipocrisia
E sem precisar de guia
Vivi só minha verdade.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EXALTANDO NATUREZA

Fotos da colunista

Eis-me aqui neste recanto
E sem arrependimento
Dos pássaros ouço o canto
Bendigo cada momento
A brisa traz acalanto
Viajo no pensamento.

Desfruto dessa bonança
No verde desse lugar
No peito cresce a esperança
Assim me ponho a sonhar
Nos passos da nova dança
Danço sem me alvoroçar.

Contemplando a natureza
Obra de Nosso Senhor
Onde a lua é realeza
Onde o sol tem esplendor
Celebro toda beleza
Nesses meus versos de amor.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UM CARREIRÃO DE NOTÍCIAS

Amigos, estou na roça
Nem sei quando vou voltar
Estou desde fevereiro
E terminei por ficar
Essa vidinha no campo
É coisa pra me agradar.
Porém quando a chuva chega
Com vento forte a soprar
Eu fico sem internet
Aqui tudo sai do ar
Por isso minhas postagens
Eu fico sem comentar.
Fora isso eu acho bom
E estou a me renovar
Eu faço queijo de coalho
E de Minas por gostar
E faço doce de leite
Pra gente aqui merendar.
O feijão verde e maxixe,
Já tá dando pra apanhar,
Tem quiabo e berinjela,
Jerimum pra variar,
E tudo isso me agrada,
Pois gosto de cozinhar.
Tem um alpendre com redes
Quando quero descansar
Quando me bate a preguiça
Logo corro pra deitar
É de lá que vejo a lua
Com seu brilho a despontar.
A passarada faz festa
E passa o dia a cantar
Tem pitanga, tem groselha
Pra passarinho bicar
As mangueiras carregadas
Estão começando a dar.
Por aqui eu vou ficando
Porém volto a relatar
As novidades da roça
Desse meu mais novo lar
Um abraço para todos
Aqui eu quero deixar.

Cachoeiras de Macacu-RJ, 9/10/ 2020

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

GLOSAS

Mote desta colunista:

Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Já cansei de repetir
Essa história que hoje conto
Não aumento nem um ponto
Isso posso garantir
Se você quiser ouvir
A Deus peço muita luz
E nos versos que compus
Repito o que diz Raquel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Esse caso aconteceu
Pras bandas do Ceará
Com Raquel que é de lá
E um sujeito conheceu
Do cuscuz dela comeu
E já gritou: Ai Jesus!
Da comida que seduz
Virou um freguês fiel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Aqui na minha pensão
Ele vinha todo dia
E demonstrando alegria
Fazia sua refeição
E fez a propagação
Do jeito que lhe propus
Botou foto no capuz
Do seu antigo corcel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

O negócio foi crescendo
Eu ganhava, ele ganhava
A freguesia aumentava
E a propaganda comendo
Porém eu fui percebendo
E não apenas supus
Com ele já me indispus
Após provar do seu fel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Traída covardemente
Eu fui e ele nem negou
Disse que se apaixonou
Por um menu diferente
Arroz com carne presente
Que a cozinheira introduz
A minha raiva eu expus
Diante do seu papel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

Quem comeu na minha mão
Sabe que sei cozinhar
Pois tenho bom paladar
E sou boa de fogão
Agora preste atenção
No peso da minha cruz
Foi pior do que supus
A minha saga cruel:
Pra comer Maria Izabel
Ele largou meu cuscuz.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

PEDRO BANDEIRA

Uma pequena homenagem a meu amigo Pedro Bandeira, com quem estou na foto abaixo, e que foi para outra dimensão no começo da semana.

Pedro, bardo renomado,
Bandeira nesse universo,
Tremulou em cada verso,
O príncipe coroado.
Teve um bonito reinado
Disseminando alegria,
Nos palcos da Cantoria.
Hoje a viola plangente
A falta de Pedro, sente
No repente há nostalgia.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CARREIRÃO DE MULHER

Sou poeta popular
Nos versos sou estradeira
Quando pego um carreirão
Meu verso não tem barreira
Sempre tive a língua solta
Pois gosto de brincadeira
Quando chego num alpendre
Puxo logo uma cadeira
E desenrolo meu verso
Sem esquentar a moleira
Ninguém derruba meu verso
Com pedra de baladeira.
Quem for fraco de poesia
Pode pegar na carreira
Meu angu aqui é quente
Não se come pela beira
Quando retoco o batom
Mostro meu lado brejeira.
Tem muita gente que aplaude
Meu verso de cantadeira
Porém tem gente que diz
Que apenas falo besteira
Não canto sem minha figa
Não passo sem benzedeira.
Aprendi meu carreirão
Ouvindo Pedro Bandeira
Escrevo meus absurdos
Por causa de Zé Limeira
Eu só não aprendo nada
É quando esbarro em toupeira.
Esse canto encarrilhado
É canto de catingueira
Que não erra na flechada
Porque sabe ser certeira
SE TEM CANTO DE SEGUNDA
O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote desta colunista:

A rédea da liberdade
Virou pipa em minha mão.

Para dar o meu recado
Não rezo só Ladainha
Pois o canto de Dalinha
Não é canto comportado
É profano é sagrado
Dentro da minha oração
Para dar satisfação
Eu não tenho mais idade
A rédea da liberdade
Virou pipa em minha mão.