DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Bom convite recebi,
Mas na hora da entrevista
Eu não baixei minha crista
E o cargo não assumi.
Pois pelo que pressenti.
Cheirava a exploração.
Lavar roupa e limpar chão,
Eu faço sem reclamar,
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Dalinha Catunda

Certa feita me chamaram,
Para fazer um churrasco,
Confesso, quase me lasco,
Porque não me avisaram,
Os convidados chegaram,
Nada estava pronto, não,
Falei para o cidadão,
Você vai me desculpar:
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Joabnascimento

Já fiz tudo nesta vida:
Plantei semente e caroço
Comi carne de pescoço
Fui lágrimas na partida
Fui remédio de ferida
Fiz gaiola e alçapão
Fiz cacimba e cacimbão
Tudo fiz sem reclamar,
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Arimatéa Sales

Recebi boa proposta
Na casa de dois barões
Era pra ganhar milhões
Mesa forrada e bem posta
Um povinho metido à bosta
Veio me propor serão
Pratos sujos de montão
Pra besta “eu “ter que lavar
Mas se for pra cozinhar
Digo: num cozinho não!

Dulce Esteves

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

MULHER DE RAÇA

Neguinha sou para amigas
Minha nega pro amado
Sou morena citadina
Meu cabelo é ondulado
Sou dona das minhas ventas
Sou das mulheres atentas
Tenho nariz empinado.

Sou cabocla sertaneja
E trago no matulão
A astúcia da matuta
Que desbravou o sertão
E que não poupou canela
Quando abriu sua cancela
Buscando libertação.

Da fralda da Ibiapaba
Sou das alas das guerreiras
Agarrada ao jacumã
Enfrentei as corredeiras
Em cima duma piroga
Sou guerreira que se joga
Nas águas das Ipueiras

Sou a mistura das raças
Sou a miscigenação
Sou Catunda, sou do Prado
Tenho sangue de Aragão
Sou cunhã, sou companheira,
Sou concubina parceira
Eu só não sou é padrão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ERA DOMINGO NO PARQUE

Era domingo no Parque
Recordo com precisão
Você me deu um abraço
E apertou a minha mão
Tinha dança e poesia
Animando aquele dia
De cultura e tradição.

Foi uma tarde animada
Era festa no lugar
Promessa de emoção
Entrevi em seu olhar
Olhando-me animado
Quebrava o chapéu de lado
Sempre a me cumprimentar.

Nesse dia entrei na roda
Me enfeitei pra cirandar
Você acenava eufórico
Inquieto em seu lugar
Eu de maneira brejeira
Dançava toda faceira
Somente pra me mostrar.

Pra você joguei um beijo
E uma flor arremeti
No ar você segurou
E eu radiante sorri
Era o cravo, era a rosa
Entre um verso e uma prosa
Girando no Cariri.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NO SONHO AZUL

Foto desta colunista

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UM GLOSA

Mote desta colunista:

No coador é melhor
Era assim que mãe dizia.

Eu tomo café com pão
Do jeito de antigamente
Mamãe fazia pra gente
No meu saudoso sertão
Com cheiro de tradição
Tinha café todo dia
Na chaleira ela fervia
Para o odor ficar maior
No coador é melhor
Era assim que mãe dizia.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ELE QUERIA MEU PIX

Eu nasci no Ceará
Sou cabocla experiente
Eu sou metida a gaiata
Porém sou mulher decente
E pra falar a verdade
Não gosto de intimidade
Com macho que é indecente.

Mensagens eu recebi
Nesse tal de celular
E parece que o sujeito
Queria me conquistar
Ô sujeitinho safado
Cabra metido a tarado
Não sou mulher de aturar.

Começou a pedir Nudes
Perguntei: Que diabéisso?
Nem deixei ele explicar
Pois eu tenho compromisso
Já estava quase explodindo
E o ente me perseguindo
Nem gosto de falar nisso.

A bate-boca esquentou
Eu xinguei o cidadão
Se eu tivesse cara a cara
Tinha lhe sentado a mão
E até vergonha me deu
Pois o corno resolveu
Entrar na esculhambação.

Acredite minha gente
No que agora vou falar
O cínico me pediu
E queria me forçar
Você é uma senhora
Mas quero seu PIX agora
Nem diga que não vai dar.

É claro que não vou dar
Sujeitinho descarado
O meu PIX já tem dono
Deixe de ser abusado
Se você mexer comigo
Vai mesmo é correr perigo
Garanto que tá lascado.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

* * *

Se suspiro apaixonada
É porque adoro a vida
Não vivo desiludida
Sempre adorno a caminhada
Não sou mulher mal-amada
E nesse meu versejar
Monto palco pra atuar
Com coragem e atitude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Dalinha Catunda

Tenho forte coração
poesia no carinho
Vou seguindo meu caminho
Repleto de emoção
Afinando o violão
Lindo sem desafinar
Conjugando o verbo amar
Com o s da saúde
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Rivamoura Teixeira

Na minha vida serei
Um eterno apaixonado
Vou deixando o meu legado
Pelo mundo onde passei
Sei que amar é maior lei
Amarei, jardins, pomar,
O povo, montanha e mar
Porque tal mal não me ilude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Jairo Vasconcelos

É efêmera a mocidade
Mas o amor nunca passa
Viver feliz é uma graça
Pra amar não tem idade
Amo com intensidade
Nunca paro de sonhar
Flutuo leve no ar
Sem temer a altitude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Araquém Vasconcelos

Desde a minha adolescência
O meu coração suspira
O sentimento me inspira
E alimenta em mim, a essência
A paixão é consequência
Desse intenso ”mal” de amar
Hoje vivo a suspirar
Pelo amor em plenitude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Creusa Meira

Aquele amor que foi chama
Que nem bombeiro apagava,
Que ardia, que rolava
Que quebrava toda cama,
Se entrelaçava na trama,
Hoje é só folha a boiar,
Vivo só de recordar
Que triste decrepitude:
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Bastinha Job

Já passaram tantos anos
Desde que nos conhecemos
Cada dia acrescemos
Graças por esses planos
Fizeram – se soberanos
Tu serás sempre meu par
E nada fará mudar
Espero que nada mude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Dulce Esteves

Quando moço era um estouro
Eu vivia apaixonado
Hoje, todo remendado
Ergo o beiço qual um touro
Quando o cheiro do namoro
É trazido pelo ar
Mas na hora de arrochar
Não dá cola nem dá grude
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Giovanni Arruda

Gosto de viver a vida
Com carinho e alegria,
Fazer amor com poesia,
No Sol, no mar, na avenida;
Com prazer cuido da lida,
Sem esquecer de beijar
Meu amor, ao me abraçar,
Seu carinho é o que me ilude.
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Chica Emídio

Todo amor quero viver
Do presente e de outrora
Segundo, minuto e hora
E jamais quero esquecer
Faço o que for pra fazer
No tempo que me restar
Tudo quero aproveitar
Gozo de boa saúde
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

F. de Assis

Uma página da vida
Duas três e sei lá quantas
De histórias já são tantas
Talvez alguma perdida
Eu não sei se a mais doída
Mas são muitas pra lembrar
São tantas com o verbo amar
Que coloquei no ataúde
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

Vânia Freitas

Lembro da melhor idade
dos meus vinte e mais anos,
com meus direitos humanos
recheados de vontade…
Vivi minha mocidade
sem ter do que reclamar,
fui do vinho ao caviar
e não me faltou saúde…
Já se foi a juventude
Mas prossigo a namorar

David Ferreira

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O CORNO FOFOQUEIRO

Quem vive de propagar
Que o seu fulano é corno
As vezes causa transtorno
Nem chega a desconfiar
Que chifres vive a levar
Sem que venha perceber
Faz chacota com prazer
Mas devia ficar mudo
Pois continua o chifrudo
Sendo o último a saber.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O CORDEL SEM A MULHER

O cordel sem a mulher
É Adão sem sua Eva,
É o planeta sem o sol
Onde tudo é breu e treva.
É comida sem ter sal
Amigo não leve a mal,
É serra que nunca neva.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

“CANTE LÁ QUE CANTO CÁ”

Segue minha homenagem a Patativa do Assaré, pelo seu aniversário no último dia 5 de março.

É canto do nosso irmão
Que cantou magistralmente
Tudo que envolve o sertão
Patativa do Assaré
É bardo que boto fé
No pé de cada oração.