DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O VELHO DA LAGOA

Meu cordel lançado na FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty

Lá na ilha da Gigóia
Uma figura marcante,
Certo dia apareceu.
A roupa era extravagante,
Mas o sorriso no olhar,
Chegava para encantar,
Era doce seu semblante.

Era o Velho da Lagoa!
Não assustava criança,
Era um contador de história,
Que difundia esperança.
Quando o velho aparecia
A criançada sorria
Imaginando a festança.

Sua missão nessa terra
Era com toda certeza
Repassar para os mais novos
O valor da natureza
Vivia a perambular
Sempre disposto a falar
Da nossa maior riqueza.

Ele queria plantar
A semente da mudança
Alinhavava seu sonho
Direcionado a criança
E rogava inspiração
Para entrar logo em ação
Com fé e muita esperança.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DUAS GLOSAS

Estou falando a verdade
Se não for quero é cegar.

Mote desta colunista

Em duas quengas batendo
Lá de casa ele saiu.
Fez até que nem me viu,
Mas tudo eu estava vendo.
Me arrumei saí correndo
Pra coco também dançar.
Hoje as quengas vou quebrar,
E bati sem piedade:
Estou falando a verdade
Se não for quero é cegar.

Um padeiro distraído
Me deixou comendo mosca
Acabou queimando a rosca
Fiz o maior alarido
Não quero para marido
Quem vive a rosca a queimar
Ele até quis se explicar
Mas fiz uma tempestade.
estou falando a verdade
se não for quero é cegar.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote desta colunista:

Só teme o peso da cruz
Quem já perdeu a esperança.

Não adianta chorar
A vida que foi já era
Os sonhos de primavera
Eu vi o inverno levar
Sem medo de me molhar
Vou seguindo minha andança
Em Deus tenho confiança
É ele quem me conduz
Só teme o peso da cruz
Quem já perdeu a esperança.

* * *

Feliz 2023 para todos, com muita paz e saúde!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

RODA DE GLOSAS

Xilogravura de Carlos Henrique

Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Mote desta colunista

Quem visa agradecimento
Quando toma uma atitude
Com certeza só se ilude
É esse meu pensamento
E quem tem discernimento
Sabe que tenho razão
Não me falta inspiração
Para falar a verdade:
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Dalinha Catunda

Olhando o mundo nós vemos
Uma grande hipocrisia;
É comum, no dia a dia,
Belas palavras que lemos
E, de fato, percebemos
Em grande divulgação
Na net, televisão,
Sem a prática de verdade!
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Professor Weslen

Não espere de ninguém
Que reconheçam seus atos
Pois, nessas vias de fatos
Isso pouco lhes convém
Vão te tratar com desdém
Faça sem ter pretensão
Com amor no coração
O resto, deixe à vontade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Dulce Esteves

Dizer da boca pra fora
É fácil até demais
Pelas redes sociais
Agente ler toda hora
Lembro no tempo de outrora
Ninguém fazia coração
Era palavra e ação
Homens tinham lealdade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Jairo Vasconcelos

Voltar para agradecer
Dificilmente fazemos
Por isso o mundo que temos
Tá triste pra se viver
Vemos primeiro o ter
Mas nesta competição
Um dia vem a razão
Trazendo toda a verdade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Araquém Vasconcelos

O homem mais verdadeiro
não quer reconhecimento
pois seu grande alumbramento
é ser servil bem primeiro
como um grande justiceiro
vive de estender a mão
e ao socorrer seu irmão
em troca tem falsidade
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Chico Fábio

Faça sem olhar a quem,
Não importa pra quem seja,
Que a outra mão não veja,
Nem fale nada também,
Recompensa logo vem,
Ligeiro em sua direção,
Rápido que nem avião,
Pra quem faz a caridade,
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Joab Nascimento

A quem usa essa palavra,
Se conhecido ou estranho,
O benefício é tamanho
Que o seu caminha destrava,
Porém a coisa se agrava
Se não vem do coração
Quem só recita o bordão
Mascara a realidade.
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Nilza Dias

O grato tem a grandeza
O dom de reconhecer
Por tudo que receber
Com generosa presteza
De alguém por gentileza
Que tem o bom coração
D’estender a sua mão
Pela generosidade.
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Francisco de Assis Sousa

Faça sempre o seu melhor,
Pois isto não é façanha,
Nem moeda de barganha.
Doe amor ao redor,
Não torne a vida pior.
Ofereça o coração,
Tire da vida lição.
Vivendo na caridade.
Gratidão é raridade
Mas é moda a expressão.

Rosário Pinto

* * *

Muito obrigada aos poetas e poetisas que glosaram meu mote.

Gostei muito.

Meu abraço carinhoso a todos.

Dalinha Catunda

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O CASTIGO DA SOGRA MALVADA

Capa de Roberto Braga

Eu vou contar uma história
Daquelas de antigamente
Que ouvi quando criança
E guardei na minha mente
Foi Tia Isa quem contou
E eu agora aqui estou
Passando a história a frente.

Sempre à boquinha da noite
Com cadeiras na calçada
Sentava-se minha tia
No meio da criançada
Que ouvia com atenção
Detalhes da contação
De cada história narrada.

Foi assim que me criei
E abraço essa tradição
Um ponto vou aumentando
No transcorrer da oração
Sem esquecer a magia
Das histórias de titia
Nas calçadas do sertão.

Pra não quebrar a magia
Desse jeito de contar
Vou imitar minha tia
No modo de iniciar
Descrever como ela fez
Repetindo: ERA UMA VEZ
Para a história começar.

Era uma vez uma mãe
Que bem moça enviuvou
Tinha somente um filhinho
Dele muito bem cuidou
Era a razão da sua vida
Para a criança querida
Carinho nunca faltou.

Um bom menino ele era
Sempre muito obediente
Auxiliava sua mãe
Não fugia do batente
Viviam em harmonia
Um do outro companhia
O que a deixava contente.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

MAS A PONTE NÃO CAIU!

Mote de Braulio Tavares:

Mas a ponte não caiu!

Eu caí na gargalhada,
Quando ele caiu no choro,
Seu pinto por desaforo,
Não levantava por nada!
Aquela pomba minguada,
Tão fraca desmilinguiu…
De mim ele só ouviu:
Vou continuar no cio
E você a ver navio
Mas a ponte não caiu!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Mote de Dalinha Catunda

O tempo passa ligeiro
E você passou também
Deixei de ser o seu bem
Nosso amor foi passageiro
O meu coração matreiro
Logo fez a fila andar
Comecei a namorar
Vi você só ensaiando:
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Dalinha Catunda

Eu já paguei sem dever,
Já falei sem ser ouvido,
Já fui pai sem ser marido
E até briguei sem querer;
Já ouvi sem entender
Gente abestada falar
E para não desgostar
Simulei estar amando;
Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.

Joames

Só malha em ferro frio
Quem quer viver de ilusão,
Vai cerceando a razão
Torna a vida um desafio
Mina a água desse rio
Até seu leito secar
De resto, é imaginar
Gato por lebre comprando:
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Bastinha Job

Wellington Santiago
Por demais impaciente,
Eu sou mesmo desse jeito;
Sou o tipo do sujeito,
Apressado, simplesmente;
Me aborreço facilmente,
Com quem demora pagar.
E pra conversa encurtar,
Não vou ficar demorando;
Jamais fiquei esperando,
Quem não ficou de voltar.

Wellington Santiago

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NA CAMPANHA AZUL

O Brasil faz a campanha,
Desde o norte até o sul,
Para os homens se cuidarem
Nesse tal Novembro Azul.
Pro câncer não lhe matar
Só basta você levar…
Essa tal campanha a sério.

Ismael Gaião

A campanha é importante
E vem quebrando tabu
Não fiquem intimidados
Muito menos jururu
Pra você se prevenir
Basta apenas permitir…
Levar um dedo de prosa

Dalinha Catunda

A campanha é importante
Apóie o novembro azul
O toque é de prevenção
Pra todos nós e pra tu
Com a decisão tomada
Você tem examinada
A região do seu bom senso

Luiz Ademar

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

GLOSAS

O doce e eu

“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina!”

Mote desta colunista

Sou poeta e sou doceira,
E na farofa sou boa,
Faço verso, canto loa,
As vezes sou cantadeira,
E metida a cirandeira!
E nessa minha rotina
De cabocla nordestina,
Eu nasci pra versejar:
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Dalinha Catunda

Eu nasci agricultor
Cultivando o fértil chão
De enxada e foice na mão
Em meio a mata em flor
Sonhava ser escritor
Da cultura nordestina
Minha obra é pequenina
Mas preciso divulgar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”

Araquém Vasconcelos

Eu me chamo Nelcimá
Sempre gostei de escrever
Eu só não quis entender
Que um dia ia versejar
E agora no pelejar
Vou com a alma felina
Tentando ser turmalina
Para a todos agradar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Nelcimá Morais

Não faço como Dalinha
Abençoada pela arte
Fazendo aqui minha parte
Pela casa e na cozinha
Pego agulha enfio linha
Faço isto desde menina
Tenho inspiração divina
Peço pra nunca faltar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Vânia Freitas

Sendo pra nascer mulher
Desejava ser Dalinha
Tendo vaga pra Mocinha
Até Pagu se quiser
Mas tinha outra colher
Caso fosse Messalina
Um homem em cada esquina
Para experimentar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”!

Ésio Rafael

O seu verso apimentado
E o doce dos quitutes
São, sem dúvida, desfrutes
Para os fãs apaixonados
Nesse jeito misturado
De pimenta e sacarina
Tá completa a sua sina
Não convém se lamentar:
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”

Giovanni Arruda

Na vida já fiz de tudo
Conquistei o infinito
Escrevi, soltei meu grito
A quem o queria mudo
Transformei rima em escudo
Numa verve cristalina.
Com mamãe, desde menina
Aprendi a cozinhar,
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”

Nilza Dias

Sou poeta de cordel
Versejo com alegria.
Não vivo de fantasia.
À verdade sou fiel.
Vou traçando meu painel,
Na escrita sou feminina
E também sou nordestina
Pois gosto de versejar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Rosário Pinto

Não precisa que eu grite
Mas vou dizer nesta rima
Eu não sou de obra prima
Não chego a esse limite
Tenha calma não se agite
Essa poetisa fina
Muito muito me ensina
Deixa o mundo me julgar
“Porém nunca vou chegar
a ser Cora Coralina.”

RivaMoura Teixeira

Pareço na escalada
Da montanha dessa vida
Cada pedra removida
Será uma flor plantada,
Se a semente é germinada
Cumpro um pouco a minha sina
CORA chega e me ensina
Cair e se levantar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina!”

Bastinha Job

* * *

A grande poetisa Cora Coralina, Goiás-GO (1889-1985)

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ARIMATÉA SALES E DALINHA CATUNDA

Arimatéa e Dalinha

Sou caboclo nordestino
eu provo, não nego fogo
jogo as regras do jogo
desde o tempo de menino
não temo o cruel destino
pois sou eu quem o constrói
sou labuta, sou herói
não me canso de escrever
desde que aprendi a ler
nada no chão me destrói.

Arimatéa Sales

Sou cabocla nordestina
Sou fogo que não se apaga
Quem conhece minha saga
Sabe que desde menina
Nasci pra ser heroína
Não pra lamentar a sorte
Não tenho medo da morte
Não sou de chorar em vão
Desenhei com precisão
As veredas do meu norte.

Dalinha Catunda