DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ERA DOMINGO NO PARQUE

Era domingo no Parque
Recordo com precisão
Você me deu um abraço
E apertou a minha mão
Tinha dança e poesia
Animando aquele dia
De cultura e tradição.

Foi uma tarde animada
Era festa no lugar
Promessa de emoção
Entrevi em seu olhar
Olhando-me animado
Quebrava o chapéu de lado
Sempre a me cumprimentar.

Nesse dia entrei na roda
Me enfeitei pra cirandar
Você acenava eufórico
Inquieto em seu lugar
Eu de maneira brejeira
Dançava toda faceira
Somente pra me mostrar.

Pra você joguei um beijo
E uma flor arremeti
No ar você segurou
E eu radiante sorri
Era o cravo, era a rosa
Entre um verso e uma prosa
Girando no Cariri.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O MEU CORDEL CIRANDEIRO

Para falar de Ciranda
O meu coração balança
Eu faço a roda girar
Quando a musa entra na dança
Avivando a inspiração
Assim flui minha oração
Diante dessa aliança.

Peguei na mão da ciranda
Buscando sempre agregar
Juntei ciranda e cordel
Para melhor propagar
Com canto e literatura
Nossa popular cultura
Com dança para animar.

No meu cordel cirandeiro
Trago o canto de alegria
Trago meu Cordel de Saia
Trago o cordel de Maria
Pra mostrar meu universo
De rima de canto e verso
De peleja e cantoria.

Pra melhor salvaguardar
O cordel literatura
Eu criei As Cirandeiras
E gostei dessa mistura
Quem sabe canta o refrão
E faz a declamação
Nos moldes dessa estrutura.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NO SONHO AZUL

Foto desta colunista

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A ARTESÃ

Artesanato desta colunista

A destreza da mulher
No trabalho artesanal
É legado do passado,
Vindo do berço ancestral,
É motivo de alegria,
É sessão de terapia,
O bendito ritual.

Esse saber cultural
Tem arte tem tradição
É relíquia que artesã
Concretiza em sua mão,
O fruto dessa magia
Traz o pão de cada dia,
É base, é sustentação.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Xilogravura de Cícero Lourenço

Mote desta colunista: 

Dos tempos de antigamente
Confesso, sinto saudade.

O namoro na pracinha
Caminhando de mãos dadas
As românticas jornadas
Que outrora a gente tinha
Com beijo com louvaminha
No coreto da cidade
Foi minha realidade
Porém hoje é diferente:
Dos tempos de antigamente
Confesso, sinto saudade.

Dalinha Catunda

A retreta na avenida
A TV tomou lugar
A praça só fez mudar
Abrindo grande ferida
Tirando a graça da vida
E a beleza da cidade
Murchou a felicidade
E a sombra se fez presente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Vânia Freitas

Corrupio, bola de gude;
Minhas cédulas de cigarro;
Munição feita de barro,
Pra caçar preá no açude.
Vesti camisa no grude,
Passada e posta na grade;
E na feira, vi novidade,
Arrodeado de gente;
Dos tempos de antigamente,
Confesso, sinto saudade.

Wellington Santiago

As minhas recordações
Na memória, registradas
Uma a uma evocadas,
Jorram hoje aos turbilhões,
São tantas as emoções
Registradas, de verdade,
Suprema felicidade
Vivida intensamente:
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Bastinha Job

Caderno de confidência
Na turma, compartilhado
Piquenique com guisado
No tempo da adolescência
Sentia que a existência
Era a eterna mocidade
Plena em felicidade
No sentido permanente
Dos tempos de antigamente
Confesso, sinto saudade.

Creusa Meira

Fui criança no Cobé,
Nas terras de Mundo Novo
– Bahia – onde meu povo
Tem princípio, luz, arché,
Boa educação e fé
Que Mãe Véa, de verdade,
Deixou – sob santidade –
E carrego no presente.
Dos tempos de antigamente,
Confesso: – sinto saudade!

Professor Weslen

De namorar na praçinha
E brincar de bambolê
Ver um filme na Tv
Comendo uma pipoquinha
Quermesses com barraquinha
Procissões pela cidade
Político falar verdade
Ajudando muita gente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Dulce Esteves

Armar foge e arapuca
Se esconder da meninada
Brincar de peia-queimada
Jogar baralho e sinuca
Na roça matar mutuca
Namoro sem liberdade
Fazer coisa sem maldade
Cada qual mais inocente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Jerismar Batista

Água fria era de pote
Viajava-se de trem
Namorado era meu bem
Muita gente era magote
Prejuízo era calote
Gente nova, pouca idade
Ir na rua, ir na cidade
Outras tantas tenho em mente
Dos tempos de antigamente
Confesso sinto saudade.

Giovanni Arruda

Das Tertúlias com vitrola
Tocando trio nordestino
Do velho chitão junino
Com abaju e bandeirola
Nas tardes o jogo de bola
As meninas da cidade
Mostrando felicidade
Gritavam o nome da gente
Dos tempos de antigamente
Confesso, tenho saudades.

Jairo Vasconcelos

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

PROFESSORINHA DO INTERIOR

Esta é minha homenagem a minha tia Isa Catunda professora que lecionou durante muitos anos na cidade de Ipueiras. Ela teve em vida, o carinho e o reconhecimento de muitos que passaram por sua sala de aula. Hoje ela já não vive fisicamente entre nós, mas continua a ser um espírito de luz a nos iluminar.

Renegou a palmatória.
Sabia contar história.
Tinha a meiguice da flor.
Tinha o dom de encantar,
Gostava de lecionar
A Mestra do interior.

Não teve filhos na vida,
Mas era a tia querida,
Que a criançada adotou.
Irradiava magia,
Era Filha de Maria,
Catecismo me ensinou.

Era fina e elegante,
Joia rara, um diamante,
Com todo seu esplendor.
Um ser de luz e beleza
Pro céu levou sua pureza,
E aqui deixou muito amor.

Esse anjo de quem falo,
Rasgo meu peito e não calo,
Habita o meu coração.
É tia Isa querida,
Que já deixou essa vida,
Vive em outra dimensão.

Isa Catunda de Pinho,
Teve um bonito caminho,
Enquanto pode ensinou.
Essa doce criatura
Que viveu para a cultura
Seu legado me deixou.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NÃO ME AVEXE NÃO!

De poeta e de louca
Eu tenho minha quantia
Tem horas que jogo pedra
Noutras faço poesia
Quando chega o aperreio
Que fico de saco cheio
Minha razão avaria.

Não sou mulher de motim
De bando também não sou
Penso com minha cabeça
Seguir magote não vou
Não sou mulher melindrada
O papel da vitimada
Minha garra dispensou.

Não compro briga dos outros
Pra ficar em evidência
Por favor não me acumule
Tenho pouca paciência
Pois quando o caso é comigo
Não meto nenhum amigo
Tomo logo providência

Nunca gostei de cobranças
Não cobro amor a ninguém
E para ser bem sincera
Nem amizade também
Sentimento é conquistado
Jamais será fabricado
Só se dá quando se tem.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

* * *

Dalinha Catunda:

Procurando o que fazer
Eu acordo todo dia
Dispenso a melancolia
E procuro me envolver
Com tudo que dá prazer
E da vida vou cuidando
Pois tendo Deus no comando
Sei que vou seguir em frente:
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Gevanildo Almeida:

Não me lastimo de nada
Que a vida me apronta
Seja o que for eu dou conta
Com minha boca fechada
Não sou chegado a zoada
Vou logo lhe avisando
Não venha me perturbando
Com cara de deprimente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Bastinha Job:

Escreva um belo poema,
limpe bem a sua casa
Voe alto, crie asa,
Rejeite qualquer sistema
Que lhe prende na algema
Sua vida cerceando,
Não fique se lamentando
Isso odeio imensamente:
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Francisco de Assis Sousa:

Cada momento da vida
Vale a pena se viver
Eu quero todo prazer
Antes da minha partida
Abomino despedida
Cada dia celebrando
E assim eu vou levando
A vida gostosa e quente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Rivamoura Teixeira:

Temos que perseverar
O passado tem essência
Que dá a experiência
Que orienta o viver
O melhor do conviver
É que você vai juntando
Dividindo e somando
E te faz experiente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Dulce Esteves:

Agradeço todo dia
Pelo fato de viver
Minhas refeições comer
Pela luz que me alumia
Por ter paz, ter harmonia
Deus está me abençoando
Meu dinheirinho ganhando
Pois, sou grata plenamente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

David Ferreira:

Taí, gostei desse mote,
por esse apelo que traz
a quem pensa ser audaz.
Pela destreza, o rebote,
inclusos pois no pacote
dos que têm total comando
naquilo que estão buscando
prosperar constantemente…
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Joab Nascimento:

Viver de lamentação
Reclamando todo dia
Com triste melancolia
Causando importunação
Causando indignação
Para quem fica escutando
Insatisfação causando
Com perturbação na mente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DESENHANDO SONHOS

Mesmo sendo tão alegre
Tenho cotas de tristeza
Não tenho a senha da mágica
Que me garanta a certeza
Que ares de felicidade
Possam vir sem tempestade
Soprando apenas nobreza.

Entre tristeza e alegria
Vou labutando na lida
Jamais ficarei amarga
Os versos me dão guarida
As estações que se alternam
Acordam sonhos que hibernam,
E dão luz a minha vida.

E se hoje o vento leste
Que chega desatinado
Resolver jogar por terra
O meu castelo encantado
Sem ligar pra insensatez
Desenho tudo outra vez
Refaço o sonho dourado.