DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

QUARENTENA NA ROÇA, VIVENDO COMO ÍNDIO

Aqui estou feito índio
Acoitada em uma oca
Só comendo caça e pesca
E entrando na mandioca
No café como beiju
No almoço tem tatu
Já na ceia é tapioca.

Na cidade eu fazia
Musculação e ioga
Aqui vivo a natureza
Despida de lei e toga
O que me dá mais prazer
É rio abaixo descer
Trepada numa piroga.

Quando meu nativo chega
Alisando o jacumã
Fogosa ligeiro abro
Meu sorriso de cunhã
Eu dou para ele comer
Um caldo que sei fazer
Na base de Carimã.

Numa rede de tucum
De noite vou me deitar
E no balanço da rede
Eu vejo Jaci brilhar
E meu amor diz pra mim
Vamos fazer curumim
Antes do mundo acabar?

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote desta colunista:

Eu não vou me contentar
Em passar álcool na mão

Estou tomando cuidado
Com esse vírus fatal
Que pode até ser mortal
Por isso vai meu recado
Não basta ficar trancado,
Dispense a visitação
Não esqueça água e sabão
Quando for as mãos lavar
Eu não vou me contentar
Em passar álcool na mão

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote:

Quem quiser cante a desgraça
Porque meu canto é de amor.

Eu vou ler o seu recado
Depois reler com carinho
Vou pensar em nosso ninho
Profano também sagrado
Onde reside o pecado
Onde perco meu pudor
Pois a vida eu dou valor
E não vou perder a graça
Quem quiser cante a desgraça
Porque meu canto é de amor.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CUIDADOS, SIM! PARANÓIA, NÃO!

Quem for fraco da cabeça
Antes do vírus pegar
De tanto escutar falar
Provavelmente enlouqueça.
Tenha cuidado, obedeça,
Mas não fique apavorado
Mesmo estando confinado
Adote uma distração
Procure manter-se são
Conservando-se ocupado.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

MULHER DE RAÇA

Neguinha sou para amigas
Minha nega pro amado
Sou morena citadina
Meu cabelo é ondulado
Sou dona das minhas ventas
Sou das mulheres atentas
Tenho nariz empinado.

Sou cabocla sertaneja
E trago no matulão
A astúcia da matuta
Que desbravou o sertão
E que não poupou canela
Quando abriu sua cancela
Buscando libertação.

Da fralda da Ibiapaba
Sou das alas das guerreiras
Agarrada ao jacumã
Enfrentei as corredeiras
Em cima duma piroga
Sou guerreira que se joga
Nas águas das Ipueiras

Sou a mistura das raças
Sou a miscigenação
Sou Catunda, sou do Prado
Tenho sangue de Aragão
Sou cunhã, sou companheira,
Sou concubina parceira
Eu só não sou é padrão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O CORNO FOFOQUEIRO

Quem vive de propagar
Que o seu fulano é corno
As vezes causa transtorno
Nem chega a desconfiar
Que chifres vive a levar
Sem que venha perceber
Faz chacota com prazer
Mas devia ficar mudo
Pois continua o chifrudo
Sendo o último a saber.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote de Gevanildo Almeida e glosa desta colunista.

Quem não tem o que contar
Que sentido tem a vida?

Eu só conto minha história
Porque tenho o que dizer
E se você quer saber
Tenho tudo na memória
Agitada trajetória
Foi a minha e bem vivida
Sempre fui muito atrevida
Não deixei nada escapar
Quem não tem o que contar
Que sentido tem a vida?

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ABRAM ALAS PRO MEU QUIÇÁ

Hoje lembro com saudade
O tempo bom que passou
Quando o não era um talvez
E assim você me ganhou
Você puxava meu braço
Eu evitava o abraço
Porém você me laçou.

No cordão que se formava
Circulando no salão
Você com sua insistência
Segurou a minha mão
E me beijou bem na hora,
A do: “ vou beijar-te agora”
E ganhou meu coração.

Você foi o meu pirata
Eu a sua colombina
Lembro nós dois enroscados
Nos laços da serpentina
Quando meu não virou sim
Não desgrudou mais de mim
A paixão foi repentina.

E não acabou em cinzas
Esse amor de carnaval
Aos encantos da conquista
Botei fé e dei aval
Apostei na fantasia
Colhi amor e alegria
E fui feliz no final.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EI! PSIU…

Ei! Você pode dar psiu,
Vou achar que assédio, não!
Só vou pensar que você,
Quer chamar minha atenção.
Seu eu gostar, eu vou sorrir,
Se não gostar vou seguir
Sem achar que é transgressão.

Ei! Você pode, sim, me olhar,
Olhar não tira pedaço,
E não vai me incomodar.
Me olhe sem embaraço,
E quem sabe se eu quiser
Pode pintar um affair
Não sou de estardalhaço.

Ei! não deixe de ser chistoso,
Não adira ao desencanto,
Não desista da conquista,
E aposte no acalanto.
Pra quem fomenta emoção,
E quer sim, em vez de não,
Sabe bem guiar seu canto.