DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EU E A PANDEMIA NAS ASAS DO CORDEL

1
Na mais serena rotina
Mansa a vida transcorria
Futuro bem programado
E um presente de alegria
Pois começava a colher
O que fiz por florescer
Tudo que plantei um dia.

2
No entanto quis o destino
Modificar meu traçado
Vi cada sonho ruir
E o presente destroçado
O caos chegou de repente
Deixando o povo impotente
E o mundo inteiro abalado.

3
Do covid 19
Dessa grande Pandemia
Hoje nós somos reféns
Vivemos essa agonia
Enfrentando isolamento
Adestrando o pensamento
Pra fugir da distimia.

4
Prosseguir era preciso
Nunca fui de esmorecer
Tentei sentar a cabeça
Pensando no que fazer
A Deus pedi direção
E fui fazendo oração
Buscando me proteger.

5
O começo foi difícil,
Eu tenho que concordar.
E muitos dos meus costumes
Tive que modificar.
Sem varinha de condão
Para a modificação
Fui obrigada a lutar.

6
Vesti-me de paciência
Pra viver sem liberdade
E mudei-me para o campo
Deixei de lado a cidade
Fui treinando meu olhar
Pra novo mundo abraçar
E acatar a realidade.

7
Os compromissos rompidos
Sem condições de assumir
O meu sorriso desfeito
Eu tenho que admitir
A única solução
Seria a transformação
Resolvi nisso insistir.

8
Bem distante dos perigos
A roça me adaptei
E com internet em casa
Logo me conectei
Fui ligando minha antena
E mesmo de quarentena
Meu trabalho continuei.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Dalinha Catunda:

Minha gente vou dizer:
Eu não estou suportando!
Ouço o celular tocando,
E quando vou atender,
Eu chego a me arrepender,
De atender a ligação.
Com o celular na mão,
É só mulher fuxiqueira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Bastinha Job:

Fala mal de seu vizinho
Dedura a minha pessoa
Só me chama de coroa
É flor cheinha de espinho,
Vai metendo o seu focinho
Não aceita opinião
Afugenta o próprio cão
Não tem limite ou fronteira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Dulce Esteves:

Só vive bisbilhotando
Pra saber da vida alheia
Chama a vizinha ” baleia “
Fala alto, reclamando
Todo mundo fica olhando
Na boca só palavrão
Trambiqueira de montão
Além de ser cachaceira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Rivamoura Teixeira:

Já começa o bate papo
Gritando que Zé Bedeu
Quis fuder e se fudeu
E o dinheiro virou trapo
Me zanguei dei um sopapo
O celular cai no chão
Pra aumentar a confusão
Chamei ela de encrenqueira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Gevanildo Almeida:

Fico eu observando
Com minha boca fechada
Só olhando a palhaçada
De quem vive curiando
A vida alheia mirando
Numa melhor posição
Fala de pai e irmão
Sentada numa porteira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Araquém Vasconcelos:

É preciso paciência
Pra suportar seu capricho
Vive com cara de bicho
Só fala com violência
Não usa a consciência
Só pensa em ostentação
Em tudo quer ter razão
Tem jeito de alcoviteira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Joab Nascimento:

Quem não tem o que fazer
Nenhuma roupa pra lavar
Vai vivendo a fuxicar
Com fofocas a oferecer
De tudo ela quer saber
Pra fazer divulgação
Notícia em primeira mão
Da fofoca ser a primeira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Lindicassia Nascimento:

Uma vizinha gritando
Do outro lado da rua
Eu que tava quase nua
Corri pra lá perguntando:
-Já morreu ou tá matando?
Ela disse: – foi João
Que levou chifre de Adão.
Eu disse, mas que besteira,
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Giovanni Arruda:

Quem leva a vida a pensar
Na vida que o outro leva
Cria sua própria treva
Nos afazeres do lar
Na hora de cozinhar
Não escorre o macarrão
Queima o arroz e o feijão
E o fundo da cuscuzeira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Rosário Pinto:

Foi uma vizinha que tive
Na cidade Bacabal.
O meu bairro era o Ramal.
Parecia um Detetive.
Fiquei quieta, me abstive.
Você sabia? Era o refrão.
Isto lhe dava tesão.
Todos gritavam: tranqueira!
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Francisco Jairo Vasconcelos:

Passa o dia na janela
Parece uma filmadora
Se finge de protetora
Tem a língua de tramela
Deixa até queimar panela
E quando vai ao salão
Sabe de toda traição
E põe lenha na fogueira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O CORNO INOCENTE

Era tempo de novenas, festa da padroeira, quermesse e animação.

Após as novenas as famílias se reuniam na pracinha da igreja.

Enquanto as mulheres compravam gulodices para entreter as crianças, os homens se reuniam nas barracas de bebidas.

E foi entre uma bebida e um papo e outro, que se deu o bate-boca entre dois primos.

Ambos já tinham sido contemplados com um par de chifres por suas digníssimas esposas.

José, sabia que era corno, mas já tinha se acomodado a situação, porém Gonzaga, era o mais novo corno da cidade, estava na boca do povo e pelo jeito seria o último a saber.

Quando a discussão esquentou, Gonzaga, pôs a mão no ombro do primo e falou:

– Zé, tu é corno, macho véi!

Zé naquela calma de corno convencido imitando o gesto do colega retrucou:

– E meu primo nem é!

Isso foi o suficiente para a turma inteira cair na gargalhada.

Esta colunista escrevendo Microconto, pegando carona na ideia da escritora Leila Jalul

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

KAROLINA COM K, COISA DE GONZAGÃO

A mulher com K maiúsculo
É coisa de Gonzagão
Foi do nosso rei caboclo
Que nasceu essa invenção
Era cabocla ladina
Chamada de Karolina
Astuta que nem o cão.

E foi imortalizada
Na voz do Rei do Baião
Como a mulher dançadeira
Que mais chamava atenção
Cheia de presepada
Com sua saia rodada
Girava que nem pião.

Todo mundo admirava
A tal bela sertaneja
Dançava com quem queria
Inda tomava cerveja
Nos braços do sanfoneiro
Dançava até em terreiro
Não ficava no, hora veja!

Karolina era cheirosa
Bem atrevida e faceira
Também era invocada
Metida a cangaceira
Mas colou com Gonzagão
Dançando xote e baião
Do chão tirava poeira.

Tem que dançar xenhenhém
Igualzinha a Karolina
Tem que lavar bem a boca
Gargarejar creolina
Acho bom que se oriente
Pra falar da nossa gente
De origem nordestina.

Pois quem quer ser respeitada
Pelos outros tem respeito
Não segue a velha cartilha
Onde mora o preconceito
Eu não quero causar dano
Mas o K Gonzagueano
Ele é nosso não tem jeito.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

* * *

Dalinha Catunda:

Procurando o que fazer
Eu acordo todo dia
Dispenso a melancolia
E procuro me envolver
Com tudo que dá prazer
E da vida vou cuidando
Pois tendo Deus no comando
Sei que vou seguir em frente:
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Gevanildo Almeida:

Não me lastimo de nada
Que a vida me apronta
Seja o que for eu dou conta
Com minha boca fechada
Não sou chegado a zoada
Vou logo lhe avisando
Não venha me perturbando
Com cara de deprimente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Bastinha Job:

Escreva um belo poema,
limpe bem a sua casa
Voe alto, crie asa,
Rejeite qualquer sistema
Que lhe prende na algema
Sua vida cerceando,
Não fique se lamentando
Isso odeio imensamente:
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Francisco de Assis Sousa:

Cada momento da vida
Vale a pena se viver
Eu quero todo prazer
Antes da minha partida
Abomino despedida
Cada dia celebrando
E assim eu vou levando
A vida gostosa e quente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Rivamoura Teixeira:

Temos que perseverar
O passado tem essência
Que dá a experiência
Que orienta o viver
O melhor do conviver
É que você vai juntando
Dividindo e somando
E te faz experiente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Dulce Esteves:

Agradeço todo dia
Pelo fato de viver
Minhas refeições comer
Pela luz que me alumia
Por ter paz, ter harmonia
Deus está me abençoando
Meu dinheirinho ganhando
Pois, sou grata plenamente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

David Ferreira:

Taí, gostei desse mote,
por esse apelo que traz
a quem pensa ser audaz.
Pela destreza, o rebote,
inclusos pois no pacote
dos que têm total comando
naquilo que estão buscando
prosperar constantemente…
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

Joab Nascimento:

Viver de lamentação
Reclamando todo dia
Com triste melancolia
Causando importunação
Causando indignação
Para quem fica escutando
Insatisfação causando
Com perturbação na mente
Eu tenho raiva de gente
Que vive se lastimando

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CHUVA DE POESIA

Bastinha Job:

Pra mim a chuva é tela
De uma linda pintura
No meu Cratinho ela cai
Cai agora com ternura
Meu coração tá contente
A chuva ,o melhor presente
Traz promessa de fartura!

Lindicássia Nascimento:

É festa na agricultura
Alegria pra o sertão
Sertanejos se animam
Com o relâmpago e o trovão
A chuva é a esperança
Para o tempo de bonança
Pra quem fez a plantação.

Dalinha Catunda:

Chuva caindo no chão
Atiça minha saudade
Nós dois no banho de chuva
Numa casualidade
Enquanto a chuva caía
O casal feliz sorria
Ungindo a felicidade.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

* * *

Dalinha Catunda:

Não sou dona da verdade
O bom senso assim me diz
Na vida sou aprendiz
Mas sempre bate a vontade
De repassar qualidade
A quem deseja ingressar
Com regras no versejar
E o pouco que sei não nego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Rivamoura Teixeira:

Eu já dei até a dica
De como faz o traçado
O x do metrificado
Ele diz _exemplifica
Mas parece q ele fica
Olhando a banda passar
Ou prefere só ficar
Nesse pequenino ego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Dulce Esteves:

Meus parcos conhecimentos
Gosto de compartilhar
Convidei, vamos estudar
Mas, me causou foi tormentos
Esses tristes elementos
Só souberam foi negar
Disse: eu sei metrificar
Esse peso não carrego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Creusa Meira:

Às vezes a gente fala
Até com certo cuidado
Que o verso tem pé quebrado
Mas a pessoa se cala
Segue o caminho e embala
Mostrando não se importar
Vai querer me martelar
Mas afirmo, não sou prego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Giovanni Arruda:

Precisa ter paciência
Pois no começo é assim
Fica pensando no fim
E quebra toda a cadência
Perde do verso a essência
Quem prioriza contar,
Eu aconselho tentar
Mas uma coisa não nego
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

Bastinha Job:

É malhar em ferro frio
pedra que água não fura
clarear a noite escura
secar o leito do rio,
receita sem ter avio,
um ganho sem conquistar,
Poeta sem se inspirar
Tudo isso veto e renego:
É duro dar luz a cego
Que não pretende enxergar.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CORDEL A TRADIÇÃO DO REISADO

Esse cordel participou em Janeiro de 2021 do Sesc Cordel Podcast Crato-Ceará

Desenho desta colunista

1
Hoje vou pegar retalhos
De histórias no pensamento
Pra costurar um cordel
Tecendo cada momento
Com fios da tradição
Na trama da narração
Expondo cada elemento.

2
É da tradição cristã
Essa festa que seduz
E tem como inspiração
O pequenino Jesus
E a visita dos Reis Magos
Que trouxeram seus afagos
Guiados por uma luz.

3
Seguindo uma bela estrela
Belchior e Baltasar
Fizeram longo percurso
Lado a lado com Gaspar
Pois saíram do oriente
Cada um com seu presente
Para o menino ofertar

4
O ouro, o incenso e a mirra
Trouxeram na ocasião
E ofertaram a Jesus
Em meio a adoração
Nasceu desse ritual
O presente de Natal
Que se tornou tradição.

5
Nascimento de Jesus
Passou a ser celebrado
O mundo inteiro faz festa
E nós fazemos dobrado
Nasce a festa popular
Divina espetacular
A qual chamamos Reisado.

6
E foram os portugueses
Em tempos coloniais
Que trouxeram seus costumes
Legado dos ancestrais
Culinária e devoções
Festas e celebrações
Herdamos os rituais.

7
No dia seis de janeiro
Tem festejo e alegria
O povo todo animado
Se prepara nesse dia
E na Folia de Reis
Brincantes de muitas greis
Celebram com cantoria.

8
A festa é bem variada
Em sua apresentação
Quando se tira reisado
É feita a visitação
Um grupo de porta em porta
Em cada morada aporta
Com cantos de louvação.

9
Louvam o dono da casa
E Jesus de Nazaré,
Sem esquecer de Maria
E também de São José
Para a festa pedem prendas
Logo após as oferendas
Prossegue o cortejo a pé.

10
O grupo sempre arrecada
Bebida e também dinheiro
Apresentam-se em praça,
Em alpendre e em terreiro
Vestidos com fantasia
Vão espalhando alegria
Num trajeto prazenteiro.

11
A Festa dos Santos Reis
Também chamamos Reisado
E de Folia de Reis
Dependendo do condado
Cada um tem seu enredo
Para atrelar ao folguedo
Costumes próprio do Estado

12
Cada grupo tem seu mestre
E também sua bandeira
Usam roupas coloridas
Dançam, fazem brincadeira
Instrumentos musicais
Até bandas cabaçais
Pra animar a pagodeira.

13
Tem viola e violão
Tudo enfeitado com fita
Tem reco-reco e sanfona
Também cantiga bonita
Tem o toque do pandeiro
Tem tambores no terreiro
Muitas cores muita chita.

14
No Cariri Cearense
O Reisado é tradição
A festa é bem grandiosa
É de chamar atenção
Pois ali brinca a criança
Repleto de esperança
Também brinca o ancião.

15
Tem dança, teatro e música
Todo tipo de reisado
Tem de couro e de careta
Grupo diversificado
Também nessa caminhada
Ainda tem a congada
Tudo bem organizado.

16
Em cada apresentação
Seja nas casas ou praça
A meninada feliz
Do palhaço instiga graça
E Mateus chega animado
Pulando pra todo lado
Em cena não se embaraça.

17
Sempre ao lado de Mateus
Nessa festa nordestina
Aparece chafurdando
A gaiata Catirina
Com as suas presepadas
O povo dá gargalhadas
Enquanto ela desatina.

18
O feioso Jaraguá
De todos chama atenção
Já chega batendo o bico
Dançando com seu jeitão
Ele mexe o corpo inteiro
E faz o maior salseiro
E agrada a população.

19
Tem, mestre, rei e rainha
Nos folguedos pra Jesus
E tem coroa dourada
Que na cabeça reluz
Cada vez que o mestre apita
O grupo entra na fita
E assim o mestre conduz.

20
A burrinha é atração
Sapeca e bem aplaudida
Sua dança é envolvente,
Sua veste é colorida
Bem faceira e dançadeira
Faz parte da Brincadeira
E dança toda exibida.

21
Entre o gracejo e a dança
Tem combate tem porfia
Lembrando os gladiadores
Na luta que contagia
Geração a geração
Se pratica a tradição
De adereço e fantasia.

22
É bem diversificada
Essa festa popular
É a vontade do povo
Que faz o Reisado andar
Só com criatividade
Paixão e capacidade
Se consegue festejar.

23
É profana e é sagrada
é de maria e José
É festa que se destina
Ao bom Rei de Nazaré
É festa pro nordestino
Que ao Tirar o Divino
Iça o estandarte da fé.

24
Para falar de Reisado
Fui seguindo a minha Luz
Como fez os três Reis Magos
Ao visitarem Jesus
Foi a musa estrela guia
Ela de noite ou de dia
É sempre quem me conduz.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Mote desta colunista

Dalinha Catunda:

Eu posso dizer que há anos
A vacina salva vidas.
Eu que sou das precavidas
Pra não sofrer desenganos,
E evitar maiores danos,
Também vou me vacinar.
Tô vendo a hora chegar!
Mas a dúvida é profunda:
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Em minha última coluna, este meu mote foi glosado por mulheres. Hoje ele será glosado por homens.

* * *

Gevanildo Almeida

Dalinha e Bastinha estão
Com uma dúvida danada
Mais confesso essa picada
Não tá na minha intenção
Não sei se vou tomar não
Decidi, não vou tomar
Ela pode me agravar
Mas vou se seguir a Catunda
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Rivamoura Teixeira

Vou usar a consciência
Fazer avaliação
Não digo não tomo não
Vou pensar fazer prudência
Vou saber da tal ciência
Pra melhor avaliar
Essa dúvida é de lascar
Vou optar pela segunda
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Assis Mendes

Quando chegar a vacina,
Quero tomar sem demora,
Mandar o corona embora,
Pra ver se esse mal termina,
Seja daqui ou da china,
Eu quero é me vacinar,
E hora da agulha entrar,
Que a dor não seja profunda,
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Francisco Jairo Vasconcelos

Vou tomar é qualquer uma
Tô esperando liberar
Vou ver no que, isto vai dar
Quero que o corona suma
Pare de morrer de ruma
Eu tomo em qualquer lugar
Pois importante é curar
Esta dúvida profunda,
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Joab Nascimento

Já que não tem mais remédio
Tomei todo tipo de chá
De marmeleiro ao juá
Não acabei com meu tédio
Comecei a ter assédio
Para picada enfrentar
Deu trabalho pra relaxar
Foi concentração profunda
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Giovanni Arruda

Qualquer um laboratório
Não fará a diferença
Eu só vou pedir licença
Pra não ser supositório
Pois já fui repositório
Hoje nem deixo triscar.
Na bochecha inda vá lá
Que a mão não se aprofunda
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.

Pedro Sampaio

A tal vacina chinesa
Garantia questionada
Com tanta gente assustada
Deixa minha mente acesa
Com medo de virar presa
Também do bicho pegar
Logo começo a chorar
A lágrima já me inunda
Não sei se tomo na bunda
Ou no braço vou tomar.