DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

FILHA DO NORDESTE

Sou Dalinha, sou da lida.
Sou cria do meu Sertão.
Devota de São Francisco
De “Padim Cíço” Romão.

Eu sou rês da Macambira,
Difícil de ir ao chão.
Sou o brotar das caatingas,
Quando chove no sertão.

Sou cacimba de água doce,
Jorrando em pleno verão.
Sou o sol quente do agreste.
Sou o luar do sertão.

Adoro o mandacaru.
Meu peixe, curimatã.
Eu tomo com tapioca,
O meu café da manhã.

Eu sou bichinha da peste,
Meu ídolo é Lampião.
Sou filha das Ipueiras.
Sou de forró e baião.

Sou rapadura docinha,
Mas mole eu não sou não.
Sou abelha que faz mel,
Sem esquecer o ferrão.

E se alguém realmente,
Saber quem eu sou deseja,
Digo sem medo de errar:
Sim Senhor, sou sertaneja!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DUAS GLOSAS

Mote de Joames Mendes

“Era o dever de partir
E a vontade de ficar.”

Cheguei sorrateiramente
Depois de pular a cerca
Não há no mundo quem perca
Um corpo lindo e fremente
Parti com unhas e dente
Não pude me controlar
Algo a me perturbar
E ela a me inquirir
“Era o dever de partir
E a vontade de ficar.”

Ésio Rafael

Feito jumento fujão
A cerca não respeitou
Por baixo dela rolou
Daí não tive perdão
Com ele rolei no chão
Pois não deu para escapar
Botei pra discatitar!
Porém não pude assumir:
“Era o dever de partir
E a vontade de ficar.”

Dalinha Catunda

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DIA DOS PAIS

Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Mote de Dalinha Catunda

Pai é a grande figura
Nos ensina a caminhar
Seu conselho salutar
É que nos molda a postura
Com censura ou com brandura
Ele nos chama atenção
Ralha e oferece a mão
Aquele pai consciente:
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Dalinha Catunda

Ter um ” PAI ” nas nossas vidas
Que benção maior do mundo
Um amor assim profundo
Com proteções garantidas
São esteios, são guaridas
Nosso porto e direção
Segurando nossa mão
Por jamais ficar ausente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Dulce Esteves

Mesmo já sendo velhinho
De pijama e de bengala
Numa cadeira na sala
Solitário sentadinho
Ele me mostra o caminho
O rumo e a direção
Sua sábia opinião
É algo bem pertinente
Pai é um grande presente
Presente em meu coração.

Araquém Vasconcelos

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A MOÇA TRISTE

Alta, branca tão bonita,
Mas quanta dor nela existe
No dourado dos cabelos
Sua nobreza persiste
Caminha com elegância
Deixando sua fragrância
No caminho a moça triste.

Nos lábios um ar de riso
No olhar tanta tristeza
Compondo sempre o semblante
Sem ofuscar a beleza
Da rapariga tristonha
Que não vive, apenas sonha,
No seu mundo de incerteza.

Pobre princesa sofrida
Que conseguiu ser rainha
Porém vive acorrentada
Mesmo se solta caminha
Em cada canto do rosto
É visível seu desgosto
Ao transportá-lo definha.

E na sua ingenuidade.
Príncipe era encantado!
Palácio sem atração,
Castelo desmoronado,
É a causa do desgosto
Tracejado no seu rosto
No fracassado reinado.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote desta colunista:

Não sou mulher melindrada
Sei me posicionar.

Eu tenho meu pensamento
Não nasci pra ser piolho
Como agir eu sempre escolho
Pois tenho discernimento
O discurso que apresento
Faz jus ao meu caminhar
E não venham me atiçar
Pra torcida organizada
Não sou mulher melindrada
Sei me posicionar.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

“Mocidade não tem volta
A vida é daqui pra frente!”

Mote desta colunista

O tempo passa, é verdade…
Para que se lamentar?
É bem melhor encarar,
Os traços da nova idade.
Tentar ter serenidade,
Cuidar do corpo e da mente,
Para aceitar o presente,
Sem receio, sem revolta:
“Mocidade não tem volta
A vida é daqui pra frente!”

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CORDEL – O TABACO DE MARIA

Xilogravura de Erivaldo Ferreira

1
Na estrada do Pai Mané
Na cidade de Ipueiras
Bem pertinho das Barreiras
De imburana tem um pé
Ele dá um bom rapé
Pra quem sabe preparar
Maria sabe torrar
E tem grande freguesia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

2
E naquela arrumação
Meu pai era viciado
No dedo era colocado
Do rapé uma porção
Com o tabaco na mão
Pra no nariz esfregar
E logo após aspirar
Ele fungava e dizia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

3
Valdenira me indicou
Disse mulher acredite
Ele é bom pra sinusite
Aqui mamãe sempre usou
Depois que ela receitou
Comecei a melhorar
Nunca parei mais de usar
Acabou minha agonia:
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

4
Garapa ficou sabendo
Dessa história do rapé
Foi direto ao Pai Mané
Também estava querendo
Com Maria se entendendo
Resolveu logo pagar
E não saiu sem provar
do cheiroso nesse dia
O tabaco de Maria.
Todo mundo quer cheirar.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EXALTANDO A NATUREZA

Fotos desta colunista

Eis-me aqui neste recanto
E sem arrependimento
Dos pássaros ouço o canto
Bendigo cada momento
A brisa traz acalanto
Viajo no pensamento.

Desfruto dessa bonança
No verde desse lugar
No peito cresce a esperança
Assim me ponho a sonhar
Nos passos da nova dança
Danço sem me alvoroçar.

Contemplando a natureza
Obra de Nosso Senhor
Onde a lua é realeza
Onde o sol tem esplendor
Celebro toda beleza
Nesses meus versos de amor.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A DAMA-DA-NOITE

Foto desta colunista

Tão plena em sua brancura
Tendo o vento como açoite
Ontem a dama-da-noite
Abrolhou com formosura
Encantamento em fartura
Exibiu na ocasião
Vem provocando paixão
E realmente me apraz
Tão bonita, mas fugaz
Essa Dama em explosão.