DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NÃO ME AVEXE NÃO!

De poeta e de louca
Eu tenho minha quantia
Tem horas que jogo pedra
Noutras faço poesia
Quando chega o aperreio
Que fico de saco cheio
Minha razão avaria.

Não sou mulher de motim
De bando também não sou
Penso com minha cabeça
Seguir magote não vou
Não sou mulher melindrada
O papel da vitimada
Minha garra dispensou.

Não compro briga dos outros
Pra ficar em evidência
Por favor não me acumule
Tenho pouca paciência
Pois quando o caso é comigo
Não meto nenhum amigo
Tomo logo providência

Nunca gostei de cobranças
Não cobro amor a ninguém
E para ser bem sincera
Nem amizade também
Sentimento é conquistado
Jamais será fabricado
Só se dá quando se tem.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Mote desta colunista

O tempo passa ligeiro
E você passou também
Deixei de ser o seu bem
Nosso amor foi passageiro
O meu coração matreiro
Logo fez a fila andar
Comecei a namorar
Vi você só ensaiando:
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Dalinha Catunda

Eu já paguei sem dever,
Já falei sem ser ouvido,
Já fui pai sem ser marido
E até briguei sem querer;
Já ouvi sem entender
Gente abestada falar
E para não desgostar
Simulei estar amando;
Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.

Joames

Só malha em ferro frio
Quem quer viver de ilusão,
Vai cerceando a razão
Torna a vida um desafio
Mina a água desse rio
Até seu leito secar
De resto, é imaginar
Gato por lebre comprando:
“Jamais fiquei esperando
Quem não ficou de voltar.”

Bastinha Job

Wellington Santiago
Por demais impaciente,
Eu sou mesmo desse jeito;
Sou o tipo do sujeito,
Apressado, simplesmente;
Me aborreço facilmente,
Com quem demora pagar.
E pra conversa encurtar,
Não vou ficar demorando;
Jamais fiquei esperando,
Quem não ficou de voltar.

Wellington Santiago

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

COM ARIMATÉA SALES

Arimatéa e Dalinha

Sou caboclo nordestino
eu provo, não nego fogo
jogo as regras do jogo
desde o tempo de menino
não temo o cruel destino
pois sou eu quem o constrói
sou labuta, sou herói
não me canso de escrever
desde que aprendi a ler
nada no chão me destrói.

Arimatéa Sales

Sou cabocla nordestina
Sou fogo que não se apaga
Quem conhece minha saga
Sabe que desde menina
Nasci pra ser heroína
Não pra lamentar a sorte
Não tenho medo da morte
Não sou de chorar em vão
Desenhei com precisão
As veredas do meu norte.

Dalinha Catunda

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

BORDANDO VERSOS

Mote e foto desta colunista

Dalinha Catunda:

Como quem faz um bordado
Vou fiando meu cordel
Procurando ser fiel
Tramo com todo cuidado
Cada ponto do traçado
Faço com dedicação
Trago a metrificação
Pra cada verso compor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Bastinha Job:

Procuro tecer meu verso
Primando na isometria
Busco a isorritmia
Poesia é meu universo
Na mensagem me alicerço
Daí vem pura emoção,
Catarse, satisfação
Compromisso no lavor:
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Jesus de Ritinha:

Eu entro na brincadeira
Agricultando poesia
Plantando com alegria
A semente brotadeira
Levo também uma esteira
Que estendo com a mão
Para dessa plantação
Colher frutos de primor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

David Ferreira:

Não entendo de bordado,
mas eu vi mamãe tecer.
Não consegui aprender,
porquê homem do cerrado
não podia ser prendado,
fazer bordado de mão,
pisar arroz no pilão,
era visto com temor…
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Rosário Pinto:

Faço rima faço prosa.
Procuro ter alegria.
O meu cantar se irradia
Para alguns me chamo Rosa
Eu gosto de fazer glosa
Não conheço a solidão
Trago sempre uma canção
Canto com muito fervor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Vânia Freitas:

Dedico meu tempo à arte
Eu faço que nem Dalinha
Também não saio da linha
Vou fazendo minha parte
Assim como ela reparte
Com muita dedicação
Eu tiro do coração
Algum som do meu tambor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Gevanildo Almeida:

Tiro o verso da cachola
Faço ele flutuar
Sou poeta popular
Desses que não se enrola
Só não sei tocar viola
Mas na minha intuição
Metrifico a oração
Na verso que vou impor
Faço rimas com amor,
Faço cordel com paixão

Francisco Chagas:

Eu descrevo a natureza.
O sol, a lua e estrelas.
Eu tenho o prazer de vê-las.
Se eu tiver com tristeza.
Quando olho pra grandeza.
Do Deus Pai da Criação.
Sinto no meu coração.
Muita alegria e vigor
Faço rima com amor.
Faço cordel com paixão.

Rivamoura Teixeira:

Eu sou mei intrometido
Doido levado da breca
Quero brincar de peteca
E este tema é tão querido
Eu também tenho mantido
Esta forma de expressão
Traço com dedicação
Metrifico com fervor
Faço rimas com amor
Faço cordéis com paixão

Creusa Meira:

Na infância fiz bordado
Que a minha mãe ensinava
Tricô e renda, eu tentava
E meu pai tinha guardado
Os versos do seu passado
Eu lia com atenção
Fui aprendendo a lição
E hoje posso dar valor
Faço rima com amor.
Faço cordel com paixão.

José Walter Pires:

Viver “pintando e bordando”
Foi expressão popular;
Mas não sei como explicar,
Às meninas, comparando,
Ou só ficar criticando
Os rumos da evolução,
Com tamanha tentação,
Desafiando o pudor.
Faço rima com amor.
Faço cordel com paixão.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ERA DOMINGO NO PARQUE

Era domingo no Parque
Recordo com precisão
Você me deu um abraço
E apertou a minha mão
Tinha dança e poesia
Animando aquele dia
De cultura e tradição.

Foi uma tarde animada
Era festa no lugar
Promessa de emoção
Entrevi em seu olhar
Olhando-me animado
Quebrava o chapéu de lado
Sempre a me cumprimentar.

Nesse dia entrei na roda
Me enfeitei pra cirandar
Você acenava eufórico
Inquieto em seu lugar
Eu de maneira brejeira
Dançava toda faceira
Somente pra me mostrar.

Pra você joguei um beijo
E uma flor arremeti
No ar você segurou
E eu radiante sorri
Era o cravo, era a rosa
Entre um verso e uma prosa
Girando no Cariri.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

O MEU CORDEL CIRANDEIRO

Para falar de Ciranda
O meu coração balança
Eu faço a roda girar
Quando a musa entra na dança
Avivando a inspiração
Assim flui minha oração
Diante dessa aliança.

Peguei na mão da ciranda
Buscando sempre agregar
Juntei ciranda e cordel
Para melhor propagar
Com canto e literatura
Nossa popular cultura
Com dança para animar.

No meu cordel cirandeiro
Trago o canto de alegria
Trago meu Cordel de Saia
Trago o cordel de Maria
Pra mostrar meu universo
De rima de canto e verso
De peleja e cantoria.

Pra melhor salvaguardar
O cordel literatura
Eu criei As Cirandeiras
E gostei dessa mistura
Quem sabe canta o refrão
E faz a declamação
Nos moldes dessa estrutura.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NO SONHO AZUL

Foto desta colunista

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A ARTESÃ

Artesanato desta colunista

A destreza da mulher
No trabalho artesanal
É legado do passado,
Vindo do berço ancestral,
É motivo de alegria,
É sessão de terapia,
O bendito ritual.

Esse saber cultural
Tem arte tem tradição
É relíquia que artesã
Concretiza em sua mão,
O fruto dessa magia
Traz o pão de cada dia,
É base, é sustentação.