ALEXANDRE GARCIA

AS MULHERES ERAM TRATADAS COMO OBJETO NAS FESTINHAS DE VORCARO

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Vorcaro se referia a mulheres levadas a festas que ele promovia como “escravas”

A jornalista Malu Gaspar divulgou uma gravação da suntuosa festa paga por Daniel Vorcaro para autoridades brasileiras em Londres. Estava bonita mesmo a festa: as pessoas tomando as melhores bebidas, ouvindo música, vendo dançarinos… e Vorcaro pagando tudo – na verdade, quem pagava eram os aposentados do Amapá, os aposentados do Rio de Janeiro, porque as previdências estaduais estavam aportando no Banco Master o dinheiro que Vorcaro gastava para comprar pessoas.

Mas o mais escandaloso de tudo são as conversas envolvendo muita gente conhecida, inclusive um diretor de televisão, sobre mulheres – que, pelos diálogos, eram tratadas como se fossem bonecas infláveis, sem nenhum valor, mencionadas literalmente como “escravas”. A mulher era apenas um objeto, comparável, como eu disse, a uma boneca inflável, sem nenhum valor como pessoa. Não sei o que as feministas militantes dirão a respeito disso, já que alguns participantes dessas festas aqui em Brasília, em Trancoso, no exterior, em São Paulo, são ligados ao governo. E certamente registraram as imagens dessas pessoas, para que os homens que participaram também se tornem escravos – já o eram antes mesmo de participar porque, coitadinhos, precisavam de Vorcaro.

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Jovem morto pela PM de São Paulo avançou sobre policiais como se empunhasse arma

Vi as imagens daquilo que chamaram de “covardia” da PM de São Paulo, que matou um jovem desarmado, parece que com mais de 20 tiros. Qualquer um de vocês atiraria, porque esse jovem escondeu-se numa esquina; a polícia veio se aproximando com cautela, de arma na mão, e o jovem pegou seu celular, fingiu que era uma pistola e avançou sobre os policiais, apontando para eles. Era noite, e um celular tem algumas linhas que parecem a empunhadura, o ferrolho de uma pistola. Os policiais imaginavam que receberiam fogo e, para não serem mortos – isso se chama “legítima defesa putativa” –, atiraram para se defender. O comando da polícia já viu as imagens, e disse que os policiais fizeram o que deveriam ter feito.

Eu não sei onde o jovem estava com a cabeça. Não sei se ele achou que daria um susto nos policiais, mas foi completamente errada essa atitude, e ele acabou pagando com a vida por essa brincadeira. Isso me lembra o caso de um brasileiro que, ao ser revistado no aeroporto de Miami, foi questionado sobre o que levava, e respondeu que tinha uma bomba; imediatamente foi preso, detido e mandado de volta. Ele disse que era brincadeira, mas não se faz brincadeira com autoridade policial; foi o que esse jovem quis fazer. Um outro, coitado, achava que sabia inglês. Ele tinha uma dessas bombinhas para dilatar os brônquios, provavelmente por ser asmático, e o nome disso em inglês é pump, não bomb. Perguntaram o que ele tinha, e ele respondeu que tinha uma bomb, que é bomba. A sorte dele foi que abriram e viram que era uma pump, ou seja, medicine, remédio o que ele tinha lá.

ALEXANDRE GARCIA

FASCISTAS E COMUNISTAS SÃO A MESMA COISA

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Apoiadores de Lula subiram em teto de acesso a estação de metrô que foi vandalizada

Prepare-se para as discussões ideológicas neste país polarizado, em que um acusa o outro de “fascista” e o outro acusa o primeiro de “comunista”. O genial Roberto Motta mostrou que não se trata de duas ideologias que se confrontam porque são opostas, mas de duas ideologias concorrentes com os mesmos objetivos: apropriar-se do Estado e dominar o povo. Tanto o fascismo como o comunismo são iguais nos objetivos, tanto que Hitler e Stálin assinaram o pacto Molotov-Ribbentrop, rompido depois pelos alemães. Os dois ditadores se juntaram para acabar com as democracias. São a mesma coisa – o general Golbery dizia que é como a ferradura, em que os dois extremos estão mais próximos entre si do que ambos em relação ao centro.

Há uma piada muito boa, em que o menino procura o pai dizendo: “pai, machuquei o joelho”, e o pai pergunta: “o esquerdo ou o extremo direito?” Na imprensa domesticada ninguém escreve “direita”, é só “extrema direita”. Mas ninguém escreve “extrema esquerda”, é como se não existisse. Mas extrema esquerda e extrema direita são iguais, pretendem dominar o Estado e as pessoas, fanatizá-las para que fiquem violentas, como aconteceu na Avenida Paulista.

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Vândalos da Avenida Paulista já não pensam, são governados apenas pelas emoções

O que houve nesse domingo foi uma imitação de black blocks, imitação do Maio de 1968 em Paris, aquele acontecimento icônico que os manifestantes na Paulista, ainda com cabecinha imatura, pretenderam copiar. O me assustou ainda mais foi ver uma bandeira dos Estados Unidos sendo queimada com maçarico – ou seja, alguém estava lá com uma arma, praticamente um lança-chamas portátil. Fora todas as imprecações, os gritos, a raiva, o ódio. Isso é condenável vindo de qualquer extremidade, e essas pessoas estão, sim, nas extremidades, onde ninguém pensa, só funciona com base nas emoções.

Isso tudo me lembrou o general Rubem Ludwig. Em 1984, eu estava cobrindo a visita do presidente João Figueiredo à Espanha; em Madri, estávamos diante da Puerta de Alcalá, toda ainda pipocada com os tiros da Guerra Civil Espanhola, que durou de 1936 a 1939, opondo o general Franco, monarquista, e os republicanos comunistas. O general Ludwig me chamou a atenção, dizendo: “isso é o ódio que está no cérebro que arma as mãos”; mãos que ou atiram pedras, empunham facas – como aquela que entrou no abdômen de Jair Bolsonaro – ou puxam gatilhos.

Aliás, a faca ainda está fazendo seus efeitos. Os soluços que já estavam mais ou menos dominados estão voltando, e isso tirou Michelle Bolsonaro da campanha – ela estava participando da campanha de Celina Leão no Distrito Federal e pretendia ir ao Amazonas apoiar a Professora Maria do Carmo contra Omar Aziz.

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Sociedade onde não se pode nem exibir preferência política perdeu a civilidade

Faltando 11 dias para a eleição, tenhamos em mente que a violência é dos violentos, é dos radicais, dos emocionais que abandonam a razão e a lógica. Sei de pessoas que não põem mais os símbolos de seu candidato preferido no carro porque os outros quebram o espelho retrovisor, chutam a porta, quebram faróis e vidros. É terrível que estejamos chegando a esse ponto, sem nenhum grau de civilidade.

ALEXANDRE GARCIA

KASSAB PERDE AURA DE ESTRATEGISTA APÓS RESULTADOS ELEITORAIS DO PSD

Kassab perde aura de estrategista após resultados eleitorais do PSD

Eleições 2026 colocam em xeque a fama de estrategista de Kassab

Recebi uma lista de 58 políticos que foram aposentados no primeiro turno. Não vi nessa lista o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, porque ele teve algumas vitórias, mas jornalistas o chamavam de o grande estrategista, o que previa votos, o que sabia onde estavam os votos, o que sabia escolher os candidatos. De vez em quando o jornalismo cria figuras de sua preferência e todo mundo embarca e vai repetir o que alguns próceres inventaram.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi o candidato do PSD à Presidência, o grande candidato da terceira via. Eu mesmo achava um excelente candidato, tem experiência, fez uma excelente administração em Goiás, acabou com a bandidagem. Já foi candidato à Presidência da República quando jovem, foi deputado, senador, governador, prefeito. Não deu. Teve 2,18% dos votos.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, candidato do PSD de Kassab ao governo do estado, perdeu. O atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), ficou em quarto lugar. No Paraná, o deputado federal Sandro Alex (PSD) ficou com a metade dos votos que elegeram o senador Sergio Moro (PL) ao governo no primeiro turno.

O PSD ganhou com Raquel Lyra em Pernambuco, Fábio Mitidieri (Sergipe), Eduardo Braide (Maranhão) e Dr. Furlan (Amapá). Ganhou dos candidatos de esquerda. Kassab recusou apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), disse que Flávio tinha “chance zero” de vencer. Pronto, lá se foi o seu dom profético. O PSD elegeu 43 deputados, não é muito se considerarmos que tinha 42. Fica o registro de uma invenção jornalística que não se confirmou.

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Quem paga pelas benesses do governo nas eleições?

Eu tinha um SUV a diesel, não tenho mais. Agora, tenho um híbrido que usa gasolina adulterada por álcool. Mas sabe quanto vocês estariam me pagando se eu usasse diesel? Ou nós todos, eu também, R$ 2,12. O governo prorrogou a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel até o dia seguinte ao segundo turno. Esse valor está saindo do imposto de todo mundo.

A prorrogação da medida custará R$ 10 bilhões aos cofres públicos até o fim da eleição. Isso aí é o quê? Não é o artigo 299 do Código Eleitoral, compra de voto por benefícios? Só vale na eleição. O aumento do Bolsa Família foi na eleição. A promessa de canetinha para emagrecer foi na campanha eleitoral. Está tudo de bandeja para a Justiça Eleitoral enquadrar como crime eleitoral. Está lá escrito: basta prometer com fins eleitorais. E agora estão fazendo fake news para dizer que, se Flávio ganhar, vai tirar isso.

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Discurso de ódio na Paulista

Ficou muito marcado em mim as imagens da Avenida Paulista neste domingo (12), porque eu já ouvi o discurso de 13 de março de 1964, do comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Eu fiquei muito assustado quando ouvi gritos dizendo que era para pendurar os donos de jornais nos postes. Em 1964, teve um discurso pesado do José Serra, que tinha 21 anos e era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

E, agora, eu ouço o mesmo discurso de ódio nas ruas. As pessoas que estavam lá, odientas. É crime aqui no Brasil fazer o que fizeram com a bandeira dos Estados Unidos na Avenida Paulista. Isso é crime, desrespeito a símbolos nacionais de outras nações, de nações amigas. Eu vi que uma senhora estava numa lanchonete, mas chegaram manifestantes e ela começou a ser ameaçada. A polícia teve que intervir e dar apoio para ela sair. Fiquei assustado com o ódio que está no coração de certas pessoas.

ALEXANDRE GARCIA

ELEIÇÃO NO RIO

Vemos a tendência das pessoas pela maneira como elas dão uma notícia, como a da decisão que concluiu que a eleição no Rio de Janeiro não precisa de segundo turno, porque Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu e, se ele não tivesse desistido, seu registro de candidatura seria anulado.

Portanto, os votos dele foram anulados e, sendo anulados os votos dele, o percentual se alterou e Douglas Ruas, do PL, foi eleito. Ele é o sexto governador eleito pelo PL, com 50,8% dos votos. Não, é 50,88%. Se você quiser arredondar 88 centésimos, você arredonda para 9, não é? É 50,9% ou 50,88%. Aí a gente já vê a tendência contra o Douglas Ruas.

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Juiz vê xenofobia em episódio de restaurante

Um juiz de Pernambuco foi a Porto Alegre. Foi almoçar ou jantar num hotel, chegou fora de hora e perguntou para a garçonete o que havia. A garçonete disse: “Olha, agora é só à la minute”. À la minute é a opção para o à la carte. À la carte é o que está no cardápio; à la minute é o que se faz na hora. Ele não sabia o que era isso, pensou que era o nome de um prato.

O sujeito que estava na mesa ao lado achou graça. O juiz viu como uma ofensa por causa do sotaque nordestino dele, como se fosse um crime de xenofobia. Que exagero, que vitimismo. Ele foi a Porto Alegre fazer uma palestra sobre ódio de gênero. Ódio de gênero é ódio contra todo mundo. Nós somos mamíferos, vertebrados, primatas, hominídeos, Homo e Homo sapiens. Gênero Homo. Vemos pela linguagem que está meio esquisito.

Essa linguagem de um juiz que não sabe o que é uma opção de cardápio. Ele postou na rede social. Se houve um ataque xenofóbico, é condenável. Mas aquela agonia dele de chegar no quarto e gravar tudo que gravou. Por que não deu voz de prisão para a pessoa? Se a pessoa estava cometendo um crime, pegava em flagrante ou ia à polícia. Que coisa estranha. Eu acho que ele aproveitou a oportunidade para aparecer, talvez.

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Governo fala, incêndios avançam

Vejam só a ironia: incêndio por falta de cuidados de manutenção, já é o terceiro na Universidade Federal de Pernambuco. Há muito tempo que a universidade vem pedindo recursos federais e não aparece. Houve outro incêndio na Embrapa do Piauí. E não foi só isso, ocorreram incêndios também no Ibama e na Universidade Federal de Brasília. E parece que há um recorde de incêndios na Amazônia. O atual governo fala tanto de meio ambiente — é a mania de falar e não fazer.

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Secretaria de Meio Ambiente do Pará está em boas mãos

Felizmente, o povo do Pará deu um bom resultado nas urnas. O Dr. Daniel (Podemos) é o novo governador e já anunciou que Vinícius Borba será secretário de Meio Ambiente. Borba é um advogado que defende o meio ambiente, a causa ambiental, mas defende sobretudo os brasileiros, porque todo o meio ambiente está em função do brasileiro. De toda a natureza, a parte principal é o humano.

A Secretaria de Meio Ambiente do Pará vai estar em boas mãos. Pode ser que agora o Pará passe a usar mais o seu potencial, que é muito grande. Vai ser um despertar do Pará, que está lá amarrado — o Rio Tapajós sofrendo por falta de dragagem que não pode. Não é só isso, não. É para amarrar a atividade e perseguir. Mas eu acho que agora vai.

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Fachin nega a Fux acesso ao inquérito do fim do mundo

A estranha decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que estava querendo mostrar serviço. O ministro Luiz Fux pediu: “Olha, eu quero ter acesso a todo o inquérito do fim do mundo”. A resposta: “Não, não pode”. O artigo 37 da Constituição fala que, no serviço público, uma das características é a publicidade.

O Supremo é um serviço público, faz parte dos Três Poderes, é o Judiciário. É preciso saber o que estão escondendo nesse inquérito ilegal desde o primeiro momento, arbitrário, onde não se cumpriram cláusulas pétreas da Constituição. Esse inquérito é uma das questões que precisam ser resolvidas assim que a eleição passar.

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Tragédia

Uma coisa horrorosa, a tragédia que ocorreu após um sujeito, o DJ Daniel Brasil, que parece que produz barulho. Ele saiu, dizem que tomou um remédio para dormir e bebeu álcool também, e pegou o carro — eu não sei por que estava dirigindo na contramão em alta velocidade —, foi perseguido pela polícia, passou pela calçada onde dormia Carlos Alberto Minotti e o arrastou. Interessante que todo mundo fala desse DJ e ninguém fala do Carlos Alberto Minotti. Por que será? Porque um homem de 57 anos chegou ao ponto da vida de dormir na calçada.

ALEXANDRE GARCIA

CAMPANHA BATE CABEÇA COM UM LULA DESCONECTADO DO MUNDO DIGITAL

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Queria voltar ao “em casa onde falta pão (ou picanha), todo mundo briga e ninguém tem razão”. Primeiro quiseram culpar Sidônio Palmeira. Então, Kátia Abreu pediu “menos Janja”. A primeira-dama diz que não sai, porque está respaldada pelo marido. Agora, uma base da juventude petista reforça: não quer Janja e quer Alckmin. E foi o que fizeram, estão botando Geraldo Alckmin e Ana Elisa, uma jovem de 21 anos que foi eleita deputada por Minas Gerais, para falar por Lula.

Lula está reconhecendo que não consegue mais falar com o eleitor. Pediram para ele gravar shorts nas redes sociais. Mas ele não é dessa geração, não se sintonizou com a geração digital. Lula não consegue, não tem jeito. Ele mesmo diz que fica incomodado, está se desligando mesmo, perdendo a sintonia com o povo. Lula chegou a dizer que, na primeira eleição que disputou, a de 1989, em que foi ao segundo turno contra Fernando Collor, estava mais organizado que agora. Eu sei disso: vi os debates, mediei alguns deles, e o Lula daquela época era diferente do Lula de agora, articulava melhor as frases, dizia menos bobagens. Não sei o que está havendo com o candidato.

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Datafolha coloca Flávio apenas quatro pontos à frente; alguém acredita?

O primeiro Datafolha do segundo turno diz que Flávio Bolsonaro tem 52% e Lula tem 48%. Alguém acredita em uma pesquisa que, no primeiro turno, dava Lula com 45% e Flávio com 42%, quando a realidade foi 47% para Flávio e 45% para Lula? Então, tenho o direito de ficar com todos os pés atrás.

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Metodologia das pesquisas

Segundo turno: O Datafolha entrevistou 2.520 pessoas nos dias 6 e 7 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02949/2026. Primeiro turno: O Datafolha entrevistou 4.006 pessoas em 3 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01708/2026.

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Advogado passou endereço particular de Gonet para Vorcaro

Apareceu mais uma de Paulo Gonet, o procurador-geral da República, com Daniel Vorcaro. Segundo os jornais, há mensagens do advogado Ciro Soares passando a Vorcaro o endereço domiciliar particular de Gonet. Não sei se era para mandar Macallan, mandar charuto ou o quê. Gonet insiste que foi uma relação brevíssima, mas não: Vorcaro estava em um almoço em homenagem a ele, aparece a foto. Depois, Gonet aparece fumando charuto com Vorcaro, embevecido, lá em Londres. Ele é o procurador-geral da República, tem de ser como a mulher de César: não basta ser honesto, tem de parecer que não há relações promíscuas com Vorcaro. Aliás, o próprio Lula, outro dia, falou em “promiscuidade” do Supremo – devia estar falando de Vorcaro.

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Paes recorre, mas Douglas Ruas deve mesmo se tornar o governador do Rio de Janeiro

Neste sábado haverá uma recontagem pro forma de votos no Rio de Janeiro, necessária para a decisão de confirmar o deputado Douglas Ruas, do PL, como governador eleito do estado. Eduardo Paes recorreu ao STF, e ainda por cima quer decidir quem não pode ser relator, pedindo para André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli ficarem de fora do sorteio. Eu sei que há um desespero, mas o desespero leva à emocionalidade e ao abandono das coisas sérias. No fim, a ação caiu com Cristiano Zanin, que negou o recurso.

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Quem se absteve no primeiro turno vai mesmo deixar que os outros decidam?

O segundo turno está se aproximando. Na prática, temos só mais duas semanas para que aqueles que não foram votar pensem: vão mesmo deixar que outros decidam entre os dois candidatos? Não vão tomar nenhuma decisão, entre continuar ou interromper para tentar corrigir? Não vou falar em números, porque eles estão aí, são impossíveis de negar, mas levanto uma questão mais subjetiva: talvez a nossa principal crise seja mesmo de moralidade.

ALEXANDRE GARCIA

TSE TEM DECISÕES IMPORTANTES SOBRE GAROTINHO E DALLAGNOL

Anthony Garotinho (Republicanos) pretende recorrer contra decisão do TRE-RJ que indeferiu seu pedido de candidatura ao governo do Rio de Janeiro

Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu de recorrer contra decisão do TRE-RJ que indeferiu seu pedido de candidatura ao governo do Rio de Janeiro

Esta quinta-feira é um dia importante no Tribunal Superior Eleitoral. A corte vai decidir se a eleição para governador do Rio de Janeiro já acabou, se Douglas Ruas está eleito, ou se haverá segundo turno entre ele e Eduardo Paes. Por quê? Porque Anthony Garotinho participou da eleição, estando sub júdice, mas desistiu dessa ação. Os votos dados a ele devem ser anulados por recomendação da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) – se não for por desistência, será por perda da possibilidade de recorrer. Mas, se isso acontecer, Ruas consegue mais de 50% dos votos válidos. O tribunal, então, vai decidir o que fazer com esses votos, e se haverá segundo turno ou não. Há muito dinheiro envolvido, porque essas campanhas não são gratuitas – e nós é que pagamos, não são os filiados nem os simpatizantes dos partidos. O fundo eleitoral é formado por dinheiro nosso, dos pagadores de impostos, que sustentamos até os partidos com os quais não concordamos.

Também está na pauta do TSE o processo kafkiano de que tem sido vítima Deltan Dallagnol. Ele foi procurador da Lava Jato e é alvo de uma vingança – tanto ele quanto Sergio Moro, que é senador e agora foi eleito governador do Paraná. Uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) confirmou a legalidade do registro da candidatura de Dallagnol, que teve quase 3 milhões de votos e foi eleito senador; mas seus adversários alegam que ele é ficha-suja porque pediu demissão do Ministério Público para não ser punido. Como assim? Houve julgamento, decisão, sentença, punição administrativa? Não houve; nem processo disciplinar chegou a ser aberto, entre outros motivos porque ele já nem estava mais lá. Isso é diferente do caso de Fernando Collor, que renunciou bem no momento em que estava sendo impedido de continuar governando. Eu não sei que resultado terá esse processo de Dallagnol, porque às vezes vemos surpresas que saem das togas.

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A caça aos culpados pelo resultado ruim do PT continua: agora, Janja está na mira

Eu comentei aqui com vocês aquele ditado mineiro: “casa em que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Primeiro, os petistas tentaram culpar Sidônio Palmeira pelo desastre da campanha de Lula no primeiro turno; agora, a ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, que fez campanha para Lula em Tocantins, postou: “menos Janja e mais Alckmin”. Janja acabou de gravar uma série de fake news, dizendo que Flávio Bolsonaro iria retirar direitos das mulheres, sem comprovar nada. Ela, que é socióloga, deveria saber que é preciso mostrar o que se diz. A briga interna está aí; está faltando pão na campanha de Lula.

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“The Economist” diz que o PT acabou

A Economist, revista inglesa muito lida no mundo inteiro, diz que o PT acabou, que o Brasil agora é um país de direita, e que isso vai ser muito benéfico para a economia e os investimentos. A Economist não pode ser considerada bolsonarista, muito pelo contrário: já criticou muito Jair Bolsonaro e vinha criticando Flávio Bolsonaro, mas agora parece perceber uma nova realidade, que é o que vai acontecer nessas próximas duas semanas e pouco, até sermos chamados novamente às urnas. E eu espero que todos compareçamos, porque 33 milhões de brasileiros não foram. Que indiferença é essa, deixar que os outros decidam por 33 milhões? E se houver uma decisão errada? Todos os brasileiros, mesmo os eleitores que não votaram, sofrerão as mesmas consequências.

ALEXANDRE GARCIA

ENTRA ELEIÇÃO, SAI ELEIÇÃO, E AS PESQUISAS CONTINUAM ERRANDO

Pesquisas para presidente

Quase todas as pesquisas divulgadas às vésperas do primeiro turno davam vantagem a Lula sobre Flávio Bolsonaro, ainda que por margem pequena

Muita gente está preocupada com as pesquisas de opinião que erraram feio. Eu já mostrei aqui a primeira página da Folha de S.Paulo no domingo, dia da eleição, com manchete gigantesca mostrando que Lula estava na frente de Flávio Bolsonaro por 45% a 42%, segundo o Datafolha. Errou por cinco pontos percentuais, bem mais que a margem de erro de dois pontos. Nikolas Ferreira está sugerindo uma CPI para examinar por que tão poucos acertaram o resultado. De fato, se houver pesquisa muito bem paga, feita para influenciar o eleitor, é preciso investigar. Mas a resposta que todos já podem dar é não confiar nos institutos que erraram, ou por má intenção ou por incompetência.

Um amigo escocês que mora no Brasil e acompanha as coisas do Reino Unido e daqui me disse: “No Reino Unido, desde o início do século, a direita e a centro-direita estão se afastando dessas agências de pesquisa, porque é melhor dar uma surpresa na urna. Evitam, ou dão uma informação errada, porque temem até que as pesquisas ponham o resultado inverso. Há também a pressão da mídia de esquerda e, sobretudo, a pressão do ódio”. Recentemente uma pessoa foi acusada de planejar um ataque contra um político de direita britânico – a mesma pessoa acusada de ter assassinado uma ex-deputada também de direita. No Brasil, tentaram matar Jair Bolsonaro. Nos Estados Unidos, tentaram matar Donald Trump. Há muitas passeatas de muçulmanos contra Israel em vários países.

A difusão do ódio é muito grande, e a imprensa ajuda – por exemplo, quando praticamente não usa “direita”; qualquer coisa que não esteja à esquerda do centro é chamada de “extrema direita”. Quem diz isso nem sabe o que seja “extrema direita”. Mas “extrema esquerda”, isso não existe: podem até querem varrer Israel do mapa, e nem assim serão chamados de “extrema esquerda”.

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Faça contas e não caia em teorias da conspiração

Continuo a ver nas redes sociais gente questionando como Flávio não teve a mesma quantidade de votos que os senadores do PL. Calma lá! São vários senadores e um Flávio: o eleitor deu um voto para Flávio, um voto para um senador e outro voto para outro senador. A mesma pessoa, portanto, pode dar um voto a Flávio e dois votos para senadores do PL. E ainda botam deputados no meio da história, fazem uma mistura com os porcentuais. O mesmo porcentual, em um estado com 3 milhões de eleitores, significa algo muito diferente em um estado com 30 milhões de eleitores. Há uma grande distância entre 100% de 30 milhões e 100% de 3 milhões. Vamos voltar à aritmética e às médias ponderadas que aprendemos na escola, para não cair nessa.

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Luiza Erundina se torna a deputada mais idosa do Brasil

Eu tenho falado aqui de candidatos que foram eleitos e outros que ficaram de fora. Lembram da Luiza Erundina, que era do PT e foi prefeita de São Paulo? Ela teve 169 mil votos, foi eleita em 13.º lugar para a Assembleia Legislativa de São Paulo, será deputada estadual aos 91 anos. Também foi em São Paulo que José Dirceu, grande pensador do PT, não foi eleito deputado federal. A ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann também não se elegeu no Paraná.

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Fusão no setor de mídia coloca gigante nas mãos de herdeiro da Oracle

Temos novidades na mídia. Anotem esse nome: David Ellison, 43 anos, herdeiro da Oracle, piloto, ex-artista. É o CEO da Paramount Skydance, que assumiu a Warner, formando um grupo que inclui HBO, CNN e CBS. E ele é amigo de dois líderes políticos que vocês conhecem: Benjamin Netanyahu e Donald Trump.

ALEXANDRE GARCIA

QUEREM JOGAR NAS COSTAS DE SIDÔNIO A CULPA PELO RESULTADO RUIM DE LULA

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O marqueteiro Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, e o presidente Lula

Há um ditado mineiro que diz que “em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Isso está acontecendo na campanha de Lula. Ele mesmo confessou que acreditava na vitória no primeiro turno; foi iludido pelas pesquisas. Agora, a cúpula do PT está querendo colocar a culpa em Sidônio Palmeira, que é o marqueteiro de Lula. O sócio de Sidônio tem a conta da publicidade da campanha, e agora acham que foi feito alguma coisa de errado. Mas nós sabemos, a culpa é do próprio Lula: quanto mais ele fala, mais as pessoas ficam horrorizadas. A última foi essa história do toque em meninas.

Estou escrevendo minhas memórias, e estava revendo o debate entre Collor e Lula. Eu mediei o último bloco; o debate foi transmitido por um pool de emissoras de televisão, e havia muitos mediadores, de várias emissoras: Marília Gabriela, Joelmir Beting, Eliakim Araújo. Ouvindo o debate, percebi que o Lula jovem estava articulando as frases melhor que o Lula atual. Acho que ele está sentindo o peso da idade. A culpa é dele, não é do Sidônio.

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Lula vai prometer ainda mais benesses para ultrapassar Flávio?

Michel Temer, que já foi vice de Dilma Rousseff, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro. Ele já está na frente, os votos dele já estão assegurados. Flávio ainda vai disputar 10 milhões de votos dos outros candidatos que ficaram para trás no primeiro turno, mais os votos de 33 milhões de pessoas que não foram votar, mais os 5 milhões a 6 milhões de pessoas que votaram em branco ou anularam. Lula terá de correr atrás. Não sei se ele ainda vai oferecer mais presentes e benesses em troca de voto. Isso é crime eleitoral, está no artigo 299 do Código Eleitoral, podem conferir: e nem é preciso dar, apenas prometer já é suficiente para ser crime.

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Flávio nem ganhou a eleição ainda e o mercado já se animou

Um sinal que veio da economia foi a disparada da bolsa de valores com a vitória de Flávio no primeiro turno: 8% em apenas um dia é muita coisa. E o dólar despencou; a moeda nacional se valorizou só com a perspectiva de Lula sair da Presidência e voltarmos a ter equilíbrio fiscal, com menos endividamento público, juros que estimulem a economia em vez de desestimular, redução do endividamento das pessoas e das empresas. O dólar caiu 4%, fechou em exatos R$ 5.

A estratégia de Lula sempre foi gastar mais, fazer a economia crescer pelo consumo, pensando que isso faz o país avançar. Não! O que gera crescimento é investimento e produtividade, criar mais riqueza com menos custo. Lula é o oposto disso, porque ele não se importa com custo.

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Partidos não deveriam ser financiados com dinheiro público

Fundo Partidário e fundo eleitoral são dinheiro dos nossos impostos, que vai para partidos políticos, inclusive aqueles dos quais não gostamos. Isso é errado; cada partido deve ser sustentado pelos seus filiados e simpatizantes. Neste domingo, vários partidos, a maior parte de esquerda, não alcançaram a cláusula de barreira e já perderam o Fundo Partidário: Psol, Rede, PDT, Avante, Missão e Solidariedade. É muito bom gastar menos dinheiro dos nossos impostos para sustentar partido político. Quiseram fazer isso como forma de evitar que os partidos fossem sustentados por empresas, mas isso era uma opção da empresa, usando dinheiro privado, e não o dinheiro que as pessoas suam para ganhar e depois precisam entregar 30%, 35%, 40% dele para o governo.

ALEXANDRE GARCIA

O NOVO SENADO NÃO ELEGERÁ ALCOLUMBRE COMO SEU PRESIDENTE

A nova formação do Senado é capaz de grandes transformações no país

Foi um grande domingo. Pena que ainda faltou muita gente: 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. Além disso, houve mais de 5 milhões de votos em branco ou nulos.

Mas, enfim, um dia de eleição é um dia de manifestação do poder do povo. E o povo promoveu uma renovação muito importante nos governos estaduais e, principalmente, no Senado, que talvez seja o maior poder do país — e que, pela Constituição, torna o Senado brasileiro o mais poderoso do mundo.

Isso não acontece quando o presidente do Senado, como fizeram Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, deixa de cumprir o dever que lhe cabe. No dia 1º de fevereiro já será eleito o novo presidente do Senado, que não será Alcolumbre. E, a partir do ano que vem, haverá uma nova composição da Casa, com a direita em maioria.

Das 54 vagas disputadas ontem, no mínimo 42 ou 43 foram preenchidas por nomes da direita ou da centro-direita. Isso representa mais da metade do Senado, que tem 81 senadores.

Vinte e sete senadores ainda têm mais quatro anos de mandato pela frente, enquanto 54 foram eleitos neste domingo para um mandato de oito anos. E, em geral, surgem nomes de enfrentamento, que surpreenderam até as pesquisas de opinião.

Em São Paulo, por exemplo, os candidatos da direita estavam sempre atrás de Marina e Tebet e acabaram derrotando as duas. No Rio Grande do Sul, estão eleitos Sanderson e Heinze. No Rio de Janeiro, também apareceram dois senadores do PL.

Enfim, houve um número muito importante de governadores eleitos, inclusive aqueles que venceram no primeiro turno. Para o PT, devem ter ficado apenas os governos da Bahia e do Ceará. Quem mais elegeu governadores foi o PL, com cerca de meia dúzia, inclusive alguns que venceram já no primeiro turno: Zucco, no Rio Grande do Sul; Jorginho Mello, em Santa Catarina; Sérgio Moro, no Paraná; Tarcísio, em São Paulo — estou citando também governadores que não são do PL, mas que apoiam Flávio —; Cleitinho, em Minas Gerais; e o ex-senador Rogério, em Rondônia.

Enfim, foram excelentes resultados.

O que marcou muito esta eleição foi a constatação de que a política brasileira está realmente polarizada: é o contra e o a favor. O voto de ontem foi contra Lula, de um lado, mais do que a favor de Flávio. Era um voto para tirar o PT.

E o Supremo é responsável por isso, porque derrubou a nossa esperança de acabar com a impunidade ao livrar os corruptos da Lava Jato. A corrupção correu solta nesses últimos quatro anos, e foi contra isso que a maioria se levantou: uma maioria de 47% dos votos válidos contra 45% de Lula. Uma diferença de menos de 3 milhões de votos.

Essa diferença será definida agora, no dia 25, porque há os votos que foram para Caiado, que deverão migrar para Flávio; os que foram para Zema, em boa parte; uma parcela dos que foram para Renan; e parte também dos que foram para Curi.

Esses são os votos que, acredito, mais vão se dividir. Mas Flávio só tende a aumentar a diferença, sem contar com a possibilidade de que aqueles 33 milhões que não foram votar decidam comparecer às urnas.

Essa é uma situação muito ruim para Lula, porque a maioria dos governadores eleitos deverá entrar em campanha por Flávio. No Amazonas, por exemplo, estão Aziz e a candidata do PL, para quem Flávio deverá ir fazer campanha. Ela ficou no segundo turno, e Aziz, embora seja do PSD, todos sabem que é pró-Lula.

Há ainda outro fator que certamente será explorado pela campanha de Flávio: com o Senado escolhido neste domingo, não haverá como Lula governar da mesma maneira, porque essa Casa não deverá aprovar nenhuma indicação de um aliado seu para o Supremo. E esse Senado poderá fazer impeachment de ministro do Supremo. Além disso, o Congresso deverá instalar muitas CPIs para investigar as ligações do Master, de Lulinha e de ministros do Supremo.

Por isso, serão três semanas de desespero. Vamos ficar de olho para acompanhar a movimentação dos ministros do Supremo e verificar se eles tentarão impedir que o futuro de alguns deles se encurte bastante.

ALEXANDRE GARCIA

PARTIDOS POLÍTICOS COM IDENTIDADE SE TORNARAM COISA RARA NO BRASIL

urna eletrônica partidos políticos

Partidos políticos hoje não passam de números que o eleitor aperta na urna eletrônica

Descobri, lamentavelmente, que não ligo os números dos candidatos a nomes de partidos políticos, à exceção do 22 e do 13. O resto eu nem sei. Partido hoje virou número, não é nem nome mais. Antes, eu dizia que o nome já era apenas um rótulo de fantasia; nem isso é mais, os partidos se reduziram a números de dois algarismos – que viram três, quatro ou cinco dependendo do cargo que o candidato disputa. Vejo nomes conhecidos da história política brasileira fazendo propaganda, e parecem envergonhados do nome de seu partido: só põem o número. Mal ficamos sabendo a que partido pertencem.

A isso foram reduzidos os partidos, que eu já nem chamo mais de “políticos”: não têm doutrina; no máximo, têm um estatuto igual aos outros para ser arquivado na Justiça Eleitoral. De modo geral, a separação hoje é por nome, indivíduo e suposta ideologia. Eu digo “suposta”, porque a pessoa diz que é de direita, de esquerda ou de centro, mas, se pedimos para ela explicar o que isso significa, ela vai ter dificuldade, ou vai dizer alguma coisa genérica que serviria para a direita e para a esquerda. É uma pena. Formam-se partidos como se formam ONGs, e com a mesma intenção.

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Coordenador da Secom que iniciou fake news sobre Nossa Senhora Aparecida foi punido pela metade

Achei estranho que o TRE do Distrito Federal tenha proibido apenas as publicações políticas de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, depois de ficar comprovado que saiu dele uma das fake news sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro. Ao Poder360, Marques disse que tem um perfil de “política e humor”. Como assim? Ele é da Secom, mas também tem um perfil de política e humor? Quando é oficial e quando é particular? O interessante é que o TRE-DF parece ter aceito essa distinção, mas isso é caso de fusão, nem é de mistura.

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É muito difícil que a eleição se decida já no primeiro turno

Vejo muita gente apostando que a eleição para presidente pode se decidir já no primeiro turno. Se olharmos as pesquisas, o primeiro turno pode até antecipar o resultado do segundo turno, mas que já se defina o resultado agora, isso não. O que podemos ver são alguns sinais dos tempos. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes tem 42% no Datafolha e Douglas Ruas tem 31%. A disputa lá vai para o segundo turno, e Paes está dizendo que apoia e vota em Lula. Golbery me dizia: “quando tem um ‘mas’, sempre leve em conta que o que importa é o que vem depois do ‘mas’”. E Paes declarou apoio a Lula com um “mas”: “mas não preciso da bengala do Lula, não sou subordinado dele. Ele não manda em mim”. Será que ele percebeu alguma coisa que as pesquisas não percebem?

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Estoques em alta mostram queda no consumo

Tenho dito que no domingo vamos escolher se queremos mudar ou se queremos seguir na direção atual. A Confederação Nacional da Indústria está mostrando que os estoques estão altos, principalmente nos setores têxtil, de eletroeletrônicos e de móveis. Ou seja, as vendas caíram e não há compras suficientes para baixar os estoques, por causa do endividamento e dos juros altos. E os juros são altos porque o governo está muito endividado; se não oferecer bons prêmios ao investidor, não consegue pôr os papéis dele no mercado. E aí o governo – o atual, que deseja continuar – puxa os juros para cima.