ALEXANDRE GARCIA

ENTRA ELEIÇÃO, SAI ELEIÇÃO, E AS PESQUISAS CONTINUAM ERRANDO

Pesquisas para presidente

Quase todas as pesquisas divulgadas às vésperas do primeiro turno davam vantagem a Lula sobre Flávio Bolsonaro, ainda que por margem pequena

Muita gente está preocupada com as pesquisas de opinião que erraram feio. Eu já mostrei aqui a primeira página da Folha de S.Paulo no domingo, dia da eleição, com manchete gigantesca mostrando que Lula estava na frente de Flávio Bolsonaro por 45% a 42%, segundo o Datafolha. Errou por cinco pontos percentuais, bem mais que a margem de erro de dois pontos. Nikolas Ferreira está sugerindo uma CPI para examinar por que tão poucos acertaram o resultado. De fato, se houver pesquisa muito bem paga, feita para influenciar o eleitor, é preciso investigar. Mas a resposta que todos já podem dar é não confiar nos institutos que erraram, ou por má intenção ou por incompetência.

Um amigo escocês que mora no Brasil e acompanha as coisas do Reino Unido e daqui me disse: “No Reino Unido, desde o início do século, a direita e a centro-direita estão se afastando dessas agências de pesquisa, porque é melhor dar uma surpresa na urna. Evitam, ou dão uma informação errada, porque temem até que as pesquisas ponham o resultado inverso. Há também a pressão da mídia de esquerda e, sobretudo, a pressão do ódio”. Recentemente uma pessoa foi acusada de planejar um ataque contra um político de direita britânico – a mesma pessoa acusada de ter assassinado uma ex-deputada também de direita. No Brasil, tentaram matar Jair Bolsonaro. Nos Estados Unidos, tentaram matar Donald Trump. Há muitas passeatas de muçulmanos contra Israel em vários países.

A difusão do ódio é muito grande, e a imprensa ajuda – por exemplo, quando praticamente não usa “direita”; qualquer coisa que não esteja à esquerda do centro é chamada de “extrema direita”. Quem diz isso nem sabe o que seja “extrema direita”. Mas “extrema esquerda”, isso não existe: podem até querem varrer Israel do mapa, e nem assim serão chamados de “extrema esquerda”.

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Faça contas e não caia em teorias da conspiração

Continuo a ver nas redes sociais gente questionando como Flávio não teve a mesma quantidade de votos que os senadores do PL. Calma lá! São vários senadores e um Flávio: o eleitor deu um voto para Flávio, um voto para um senador e outro voto para outro senador. A mesma pessoa, portanto, pode dar um voto a Flávio e dois votos para senadores do PL. E ainda botam deputados no meio da história, fazem uma mistura com os porcentuais. O mesmo porcentual, em um estado com 3 milhões de eleitores, significa algo muito diferente em um estado com 30 milhões de eleitores. Há uma grande distância entre 100% de 30 milhões e 100% de 3 milhões. Vamos voltar à aritmética e às médias ponderadas que aprendemos na escola, para não cair nessa.

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Luiza Erundina se torna a deputada mais idosa do Brasil

Eu tenho falado aqui de candidatos que foram eleitos e outros que ficaram de fora. Lembram da Luiza Erundina, que era do PT e foi prefeita de São Paulo? Ela teve 169 mil votos, foi eleita em 13.º lugar para a Assembleia Legislativa de São Paulo, será deputada estadual aos 91 anos. Também foi em São Paulo que José Dirceu, grande pensador do PT, não foi eleito deputado federal. A ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann também não se elegeu no Paraná.

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Fusão no setor de mídia coloca gigante nas mãos de herdeiro da Oracle

Temos novidades na mídia. Anotem esse nome: David Ellison, 43 anos, herdeiro da Oracle, piloto, ex-artista. É o CEO da Paramount Skydance, que assumiu a Warner, formando um grupo que inclui HBO, CNN e CBS. E ele é amigo de dois líderes políticos que vocês conhecem: Benjamin Netanyahu e Donald Trump.

ALEXANDRE GARCIA

QUEREM JOGAR NAS COSTAS DE SIDÔNIO A CULPA PELO RESULTADO RUIM DE LULA

sidonio palmeira lula

O marqueteiro Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, e o presidente Lula

Há um ditado mineiro que diz que “em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Isso está acontecendo na campanha de Lula. Ele mesmo confessou que acreditava na vitória no primeiro turno; foi iludido pelas pesquisas. Agora, a cúpula do PT está querendo colocar a culpa em Sidônio Palmeira, que é o marqueteiro de Lula. O sócio de Sidônio tem a conta da publicidade da campanha, e agora acham que foi feito alguma coisa de errado. Mas nós sabemos, a culpa é do próprio Lula: quanto mais ele fala, mais as pessoas ficam horrorizadas. A última foi essa história do toque em meninas.

Estou escrevendo minhas memórias, e estava revendo o debate entre Collor e Lula. Eu mediei o último bloco; o debate foi transmitido por um pool de emissoras de televisão, e havia muitos mediadores, de várias emissoras: Marília Gabriela, Joelmir Beting, Eliakim Araújo. Ouvindo o debate, percebi que o Lula jovem estava articulando as frases melhor que o Lula atual. Acho que ele está sentindo o peso da idade. A culpa é dele, não é do Sidônio.

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Lula vai prometer ainda mais benesses para ultrapassar Flávio?

Michel Temer, que já foi vice de Dilma Rousseff, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro. Ele já está na frente, os votos dele já estão assegurados. Flávio ainda vai disputar 10 milhões de votos dos outros candidatos que ficaram para trás no primeiro turno, mais os votos de 33 milhões de pessoas que não foram votar, mais os 5 milhões a 6 milhões de pessoas que votaram em branco ou anularam. Lula terá de correr atrás. Não sei se ele ainda vai oferecer mais presentes e benesses em troca de voto. Isso é crime eleitoral, está no artigo 299 do Código Eleitoral, podem conferir: e nem é preciso dar, apenas prometer já é suficiente para ser crime.

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Flávio nem ganhou a eleição ainda e o mercado já se animou

Um sinal que veio da economia foi a disparada da bolsa de valores com a vitória de Flávio no primeiro turno: 8% em apenas um dia é muita coisa. E o dólar despencou; a moeda nacional se valorizou só com a perspectiva de Lula sair da Presidência e voltarmos a ter equilíbrio fiscal, com menos endividamento público, juros que estimulem a economia em vez de desestimular, redução do endividamento das pessoas e das empresas. O dólar caiu 4%, fechou em exatos R$ 5.

A estratégia de Lula sempre foi gastar mais, fazer a economia crescer pelo consumo, pensando que isso faz o país avançar. Não! O que gera crescimento é investimento e produtividade, criar mais riqueza com menos custo. Lula é o oposto disso, porque ele não se importa com custo.

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Partidos não deveriam ser financiados com dinheiro público

Fundo Partidário e fundo eleitoral são dinheiro dos nossos impostos, que vai para partidos políticos, inclusive aqueles dos quais não gostamos. Isso é errado; cada partido deve ser sustentado pelos seus filiados e simpatizantes. Neste domingo, vários partidos, a maior parte de esquerda, não alcançaram a cláusula de barreira e já perderam o Fundo Partidário: Psol, Rede, PDT, Avante, Missão e Solidariedade. É muito bom gastar menos dinheiro dos nossos impostos para sustentar partido político. Quiseram fazer isso como forma de evitar que os partidos fossem sustentados por empresas, mas isso era uma opção da empresa, usando dinheiro privado, e não o dinheiro que as pessoas suam para ganhar e depois precisam entregar 30%, 35%, 40% dele para o governo.

ALEXANDRE GARCIA

O NOVO SENADO NÃO ELEGERÁ ALCOLUMBRE COMO SEU PRESIDENTE

A nova formação do Senado é capaz de grandes transformações no país

Foi um grande domingo. Pena que ainda faltou muita gente: 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. Além disso, houve mais de 5 milhões de votos em branco ou nulos.

Mas, enfim, um dia de eleição é um dia de manifestação do poder do povo. E o povo promoveu uma renovação muito importante nos governos estaduais e, principalmente, no Senado, que talvez seja o maior poder do país — e que, pela Constituição, torna o Senado brasileiro o mais poderoso do mundo.

Isso não acontece quando o presidente do Senado, como fizeram Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, deixa de cumprir o dever que lhe cabe. No dia 1º de fevereiro já será eleito o novo presidente do Senado, que não será Alcolumbre. E, a partir do ano que vem, haverá uma nova composição da Casa, com a direita em maioria.

Das 54 vagas disputadas ontem, no mínimo 42 ou 43 foram preenchidas por nomes da direita ou da centro-direita. Isso representa mais da metade do Senado, que tem 81 senadores.

Vinte e sete senadores ainda têm mais quatro anos de mandato pela frente, enquanto 54 foram eleitos neste domingo para um mandato de oito anos. E, em geral, surgem nomes de enfrentamento, que surpreenderam até as pesquisas de opinião.

Em São Paulo, por exemplo, os candidatos da direita estavam sempre atrás de Marina e Tebet e acabaram derrotando as duas. No Rio Grande do Sul, estão eleitos Sanderson e Heinze. No Rio de Janeiro, também apareceram dois senadores do PL.

Enfim, houve um número muito importante de governadores eleitos, inclusive aqueles que venceram no primeiro turno. Para o PT, devem ter ficado apenas os governos da Bahia e do Ceará. Quem mais elegeu governadores foi o PL, com cerca de meia dúzia, inclusive alguns que venceram já no primeiro turno: Zucco, no Rio Grande do Sul; Jorginho Mello, em Santa Catarina; Sérgio Moro, no Paraná; Tarcísio, em São Paulo — estou citando também governadores que não são do PL, mas que apoiam Flávio —; Cleitinho, em Minas Gerais; e o ex-senador Rogério, em Rondônia.

Enfim, foram excelentes resultados.

O que marcou muito esta eleição foi a constatação de que a política brasileira está realmente polarizada: é o contra e o a favor. O voto de ontem foi contra Lula, de um lado, mais do que a favor de Flávio. Era um voto para tirar o PT.

E o Supremo é responsável por isso, porque derrubou a nossa esperança de acabar com a impunidade ao livrar os corruptos da Lava Jato. A corrupção correu solta nesses últimos quatro anos, e foi contra isso que a maioria se levantou: uma maioria de 47% dos votos válidos contra 45% de Lula. Uma diferença de menos de 3 milhões de votos.

Essa diferença será definida agora, no dia 25, porque há os votos que foram para Caiado, que deverão migrar para Flávio; os que foram para Zema, em boa parte; uma parcela dos que foram para Renan; e parte também dos que foram para Curi.

Esses são os votos que, acredito, mais vão se dividir. Mas Flávio só tende a aumentar a diferença, sem contar com a possibilidade de que aqueles 33 milhões que não foram votar decidam comparecer às urnas.

Essa é uma situação muito ruim para Lula, porque a maioria dos governadores eleitos deverá entrar em campanha por Flávio. No Amazonas, por exemplo, estão Aziz e a candidata do PL, para quem Flávio deverá ir fazer campanha. Ela ficou no segundo turno, e Aziz, embora seja do PSD, todos sabem que é pró-Lula.

Há ainda outro fator que certamente será explorado pela campanha de Flávio: com o Senado escolhido neste domingo, não haverá como Lula governar da mesma maneira, porque essa Casa não deverá aprovar nenhuma indicação de um aliado seu para o Supremo. E esse Senado poderá fazer impeachment de ministro do Supremo. Além disso, o Congresso deverá instalar muitas CPIs para investigar as ligações do Master, de Lulinha e de ministros do Supremo.

Por isso, serão três semanas de desespero. Vamos ficar de olho para acompanhar a movimentação dos ministros do Supremo e verificar se eles tentarão impedir que o futuro de alguns deles se encurte bastante.

ALEXANDRE GARCIA

PARTIDOS POLÍTICOS COM IDENTIDADE SE TORNARAM COISA RARA NO BRASIL

urna eletrônica partidos políticos

Partidos políticos hoje não passam de números que o eleitor aperta na urna eletrônica

Descobri, lamentavelmente, que não ligo os números dos candidatos a nomes de partidos políticos, à exceção do 22 e do 13. O resto eu nem sei. Partido hoje virou número, não é nem nome mais. Antes, eu dizia que o nome já era apenas um rótulo de fantasia; nem isso é mais, os partidos se reduziram a números de dois algarismos – que viram três, quatro ou cinco dependendo do cargo que o candidato disputa. Vejo nomes conhecidos da história política brasileira fazendo propaganda, e parecem envergonhados do nome de seu partido: só põem o número. Mal ficamos sabendo a que partido pertencem.

A isso foram reduzidos os partidos, que eu já nem chamo mais de “políticos”: não têm doutrina; no máximo, têm um estatuto igual aos outros para ser arquivado na Justiça Eleitoral. De modo geral, a separação hoje é por nome, indivíduo e suposta ideologia. Eu digo “suposta”, porque a pessoa diz que é de direita, de esquerda ou de centro, mas, se pedimos para ela explicar o que isso significa, ela vai ter dificuldade, ou vai dizer alguma coisa genérica que serviria para a direita e para a esquerda. É uma pena. Formam-se partidos como se formam ONGs, e com a mesma intenção.

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Coordenador da Secom que iniciou fake news sobre Nossa Senhora Aparecida foi punido pela metade

Achei estranho que o TRE do Distrito Federal tenha proibido apenas as publicações políticas de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, depois de ficar comprovado que saiu dele uma das fake news sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro. Ao Poder360, Marques disse que tem um perfil de “política e humor”. Como assim? Ele é da Secom, mas também tem um perfil de política e humor? Quando é oficial e quando é particular? O interessante é que o TRE-DF parece ter aceito essa distinção, mas isso é caso de fusão, nem é de mistura.

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É muito difícil que a eleição se decida já no primeiro turno

Vejo muita gente apostando que a eleição para presidente pode se decidir já no primeiro turno. Se olharmos as pesquisas, o primeiro turno pode até antecipar o resultado do segundo turno, mas que já se defina o resultado agora, isso não. O que podemos ver são alguns sinais dos tempos. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes tem 42% no Datafolha e Douglas Ruas tem 31%. A disputa lá vai para o segundo turno, e Paes está dizendo que apoia e vota em Lula. Golbery me dizia: “quando tem um ‘mas’, sempre leve em conta que o que importa é o que vem depois do ‘mas’”. E Paes declarou apoio a Lula com um “mas”: “mas não preciso da bengala do Lula, não sou subordinado dele. Ele não manda em mim”. Será que ele percebeu alguma coisa que as pesquisas não percebem?

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Estoques em alta mostram queda no consumo

Tenho dito que no domingo vamos escolher se queremos mudar ou se queremos seguir na direção atual. A Confederação Nacional da Indústria está mostrando que os estoques estão altos, principalmente nos setores têxtil, de eletroeletrônicos e de móveis. Ou seja, as vendas caíram e não há compras suficientes para baixar os estoques, por causa do endividamento e dos juros altos. E os juros são altos porque o governo está muito endividado; se não oferecer bons prêmios ao investidor, não consegue pôr os papéis dele no mercado. E aí o governo – o atual, que deseja continuar – puxa os juros para cima.

ALEXANDRE GARCIA

IDEOLOGIAS DANINHAS E FALTA DE POLITIZAÇÃO AJUDAM A DEIXAR O BRASIL ONDE ESTÁ

Estamos começando o mês da nossa decisão. É a escolha entre continuar e piorar, ou mudar. Tomara que as pessoas, na hora de votar, tenham conhecimento pleno do que estão fazendo. Foi triste ver, na pesquisa Quaest, que quase metade dos eleitores nem sabe que votará em dois senadores por estado. Talvez nem saibam para que serve um senador, nem saibam o que é Senado.

Essa falta de politização faz com que a origem do poder, que é o cidadão, não exerça o seu poder, não saiba que o candidato que ele está elegendo é um empregado seu. O eleitor está nomeando; o voto é uma nomeação, e quem recebe mais procurações é quem será escolhido para governar, para fazer leis, para fiscalizar o governo em nome do cidadão. E é preciso manter esse vínculo. Aqueles que eu elegi sabem disso: são meus mandatários, e eu sou o mandante.

A falta de conhecimento também nos impede de perceber que uma ideologia pode ser produtiva ou destrutiva. Foi por ideologia que fecharam uma mina de fosfato no Rio Grande do Sul; houve até uma manifestação agora em Porto Alegre. E nós importamos fosfato da China, do Marrocos, da Rússia. Os criadores de tilápia do oeste do Paraná estão furiosos porque o governo brasileiro fez um acordo com o Vietnã, para comprarmos tilápia deles, enquanto temos a produção local. Montaram um criadouro de pirarucu no Espírito Santo, e já vieram com uma conversa de “não, não pode. Pirarucu é da Amazônia, não pode criar no Espírito Santo”.

Essa é a ideologia do ambientalismo cego. A tilápia está sendo considerada “espécie invasora” – invasor é o castor lá no sul da Patagônia, que trouxeram do Canadá e derruba as árvores. Invasor é o javali que está em toda parte, principalmente na Mantiqueira. Isso, sim, é invasor. Agora falam de “árvores exóticas”: eucalipto, jaca, até goiaba e manga entram na lista. Se for assim, o café também é exótico, porque veio da Abissínia. É uma maluquice cometida “em nome da biodiversidade”.

Eu falava com gente da Amazônia, e recebi uma dica: “Veja a queda na produção de ouro do Brasil”. Normalmente, o Brasil produz de 80 a 100 toneladas de ouro por ano, é o segundo maior produtor mundial. No ano passado, foram 71 toneladas. O que aconteceu? Os garimpos regularizados, todos da Amazônia, produziram só 5,8 toneladas. O que está acontecendo é que o maior comprador de ouro brasileiro é a China e o maior vendedor é a Família do Norte. Isso não é nome de empresa, é de uma facção criminosa, que está tirando o ouro do Brasil sem ninguém saber. E isso vai continuar, com o Comando Vermelho dominando a entrada do Rio Amazonas, onde ainda se chama Solimões, com as pistas de pouso do PCC, com os fuzis no Rio de Janeiro. É a ideologia que protege bandidos.

Que outras barbaridades se faz em nome de ideologia? Acabamos de ver esse caso do avião da FlyDubai que saiu de Dubai rumo a Tel Aviv; dos 180 passageiros a bordo, 100 eram israelenses. O copiloto, natural de Omã, era um fanático terrorista, como os do 11 de Setembro – sabe-se lá por quanto tempo ele ficou quieto, planejando, para cometer o que ele achava que cometeria. Ele conseguiu entrar com uma faca e atacou o comandante para derrubar o avião no solo; a aeronave chegou a despencar 4 mil metros em 30 segundos. A tripulação pediu socorro e um israelense acabou contendo o copiloto; ele foi recebido por Benjamin Netanyahu, ainda com a camisa coberta de sangue, e foi chamado de herói. Há ideologias que levam ao fanatismo e são pura emoção, não têm nada de razão, nem de lógica. Pensemos nisso ao escolher em quem vamos votar.

ALEXANDRE GARCIA

TIRO NO PÉ: CAMPANHA DE LULA COMETE BLASFÊMIA RIDÍCULA

Lula

No fim desta semana vamos votar. Espero que não falte muita gente, porque é necessário não deixar os outros decidirem pela gente, se temos vontade mesmo de mudar o país, de garantir futuro, de garantir empreendimento, crescimento, emprego e outras condições de segurança jurídica. E que a gente possa voltar a confiar na Justiça.

Que a gente possa ter um Poder Legislativo com força, que possa ter uma presidência que desestimule a corrupção, desestimule a mentira. Então, temos que votar — dos 16 anos até os 130, vamos votar —, porque o voto de cada um é importante. Está um desânimo grande na campanha de Lula. Muita gente já tá apostando — eu não acredito que possa ter resultado já no primeiro turno —, mas muita gente que conhece o Nordeste me diz que Flávio já vai sair do primeiro turno na frente.

E aí é um segundo turno mais ou menos favorável a Flávio, porque o Zema, por exemplo, declarou voto em Flávio já no primeiro turno, liberou o Novo para fazer isso. Caiado não. Caiado ainda deu palpite lá nessa história de Nossa Senhora Aparecida. Ele vai acabar perdendo o voto, porque essa história de Nossa Senhora Aparecida é uma absoluta mentira.

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Inventaram mentira e Dino mantém a mentira

Ainda que fosse, mas não é. Flávio nem estava no Congresso em 2007, estava no Rio de Janeiro, ou na Câmara de Vereadores ou na Assembleia Local. Não tem nada a ver com isso, com essa proposta. É uma proposta que não ia adiantar nada, porque quem declarou que Nossa Senhora da Conceição Aparecida é padroeira do Brasil foi um decreto do Papa Pio XI em 1930. Então não tem lei brasileira que consiga derrubar decreto do Papa. Inventaram uma mentira sem fundo histórico, sem saber de que estão falando.

E o pior é que, derrubada a mentira pelo Tribunal Eleitoral, o ministro Dino no Supremo derruba a derrubada. Como disse o editorial do Estadão, o ministro Dino está trabalhando na campanha de Lula. Ele ainda continua subordinado a Lula como um ministro da Justiça, como estava quando era ministro da Justiça. Aliás, ele foi votado, foi escolhido pelo Maranhão para ser subordinado aos eleitores maranhenses. Desrespeitou tudo isso. Meu Deus, como é que uma democracia vai funcionar desse jeito? Não funciona.

Bom, mas essa história das bets não me sai da cabeça. Como é que a aposta eletrônica é proibida porque faz mal pras famílias, e as apostas, as 12 loterias da Caixa Econômica Federal não são proibidas? Nem precisa de medida provisória para proibir: basta dar ordem. Para com isso, isso faz mal para as famílias. Como é que continua Quina, Lotofácil, Instantânea, Dupla Sena, LLotomania, Super Sete, Mega-Sena, Timemania, Loteca, Federal?

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Lula e o PT desrespeitam as religiões

Meu Deus, que mentira é essa? Que hipocrisia é essa? Umas ficam proibidas, as outras não ficam. Vai ser tiro no pé, assim como essa ridícula blasfêmia de envolver Nossa Senhora Aparecida na campanha eleitoral, depois de Lula dizer que o vermelho da bandeira do PT é o sangue de Cristo. As religiões exigem respeito e a lei manda que se respeitem as religiões. Está na Constituição, tá lá no Artigo 5º. E Lula jurou cumprir a Constituição, só que ele não deve ter lido, ele não sabe o que está fazendo.

E está como o pessoal da campanha imagina: a campanha de Lula tá desanimada. Até no Nordeste há esse desânimo da campanha de Lula. Eu queria comentar aqui — falei em Nordeste —, mais um ônibus tava indo de Fortaleza para Palmas, se não me engano, e capotou. O ônibus está intacto, tanto que foi descapotado e tá intacto ele. Eu até acho que ele poderia sair andando. Sete mortos lá dentro ou lá fora. Treze feridos.

Obviamente são pessoas que estavam sem cinto. Eu vou insistir aqui: não usar cinto em ônibus é o mesmo que não usar cinto em carro. É a mesma coisa, é a mesma lei da inércia. O sujeito usa cinto para não ficar se batendo de um lado para o outro, não sair pela janela, não ser esmagado pelo ônibus que rola. Pensem nisso.

ALEXANDRE GARCIA

EMPRESÁRIO AMIGO DE VORCARO MOSTRA QUE APRENDEU COM OS “ANÕES DO ORÇAMENTO”

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MP-SP suspeita que empresário ligado ao Banco Master usava loterias para lavagem de dinheiro

Vocês ainda se lembram dos “anões do Orçamento”? Tinham esse nome porque eram todos baixinhos. O deputado João Alves era o líder desse grupo, que metia a mão nos milhões do orçamento, do dinheiro dos seus impostos. Para justificar a fortuna que ele tinha amealhado, dizia que havia ganho na loteria umas 200 vezes. O também deputado Miro Teixeira denunciou que, segundo a Caixa, Alves tinha ganho 24 mil vezes em cinco anos. Ele acabou renunciando ao mandato para não ser cassado e ficar inelegível. Isso aconteceu há mais de 30 anos.

Pois agora surgiu uma cópia de João Alves: um empresário ligado a Daniel Vorcaro, Antônio Carlos Freixo Júnior, diz que ganhou 570 vezes na loteria, e que isso lhe rendeu R$ 176 milhões, segundo o Ministério Público de São Paulo. Vocês notaram que, desde que o Supremo “lavou” a Lava Jato e fez Lula virar ficha limpa, todos entenderam que a corte deu luz verde para a corrupção? Nesses últimos quatro anos, a corrupção subiu em todos os lugares. Venda de almas e de favores, corrupção de funcionários do público fazendo advocacia administrativa, se omitindo, fingindo que não veem, e isso em toda parte.

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PT vai inventar interferência americana para tentar melar a eleição

Muita gente está preocupada e lançando suposições, porque Lula sentiu que a brisa da mudança está virando vento. As pesquisas mostram que a campanha dele vai mal. Um amigo argentino que acompanha a disputa aqui me disse que Lula está desatualizado, fora de moda, que essa campanha parece que não ser feita para jovens, porque repete as mesmas lenga-lengas de sempre e os jovens que trabalham com redes sociais querem coisas mais rápidas. Lula não admite que possa perder para um candidato jovem, e por isso começou a espalhar que Trump está interferindo. Como assim? O que Trump pode fazer? Não pode fazer nada. Eu não vi nas redes sociais nada de diferente, que me convencesse a mudar voto.

Muita gente acredita que isso é uma preparação, em conluio com os amiguinhos do Supremo, que sabemos quem são, para atrapalhar a eleição se houver a percepção de que Lula vai perder, talvez até no primeiro turno. Deixo o aviso para nos acautelarmos contra as invenções desses últimos dias, porque agora faltam menos de duas semanas para a eleição.

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Brasil se retira antes de discurso de Netanyahu na ONU e passa vergonha

Que vergonha passamos na ONU! A delegação brasileira se retirou do plenário porque o chefe de governo de Israel ocuparia a tribuna. E Netanyahu, quando viu essa retirada, ainda questionou: “Algum covarde ainda não se retirou? Por favor, se retire”. A delegação brasileira foi uma das que se retiraram, como já tinha feito no ano passado e em 2024, por ordens do governo Lula. No discurso, o presidente fala em multilateralidade, em paz com todo mundo, mas faz uma coisa dessas. Nenhuma novidade: com Lula, a fala é sempre diferente da prática.

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Milei disse verdades na tribuna da ONU

O que teve muita repercussão nos jornais brasileiros foi o discurso de Javier Milei. Ele disse umas verdades: que a ONU é inútil, que não tem evitado guerras, que é um bando (e isso eu vi lá, quando estive na sede da ONU) de burocratas de nariz em pé. Cada vez que muda um secretário-geral, ele traz o seu trem da alegria, o pessoal do seu país de origem, apaniguados políticos que ficam lá o resto da vida sendo sustentados pelos países filiados da ONU, sem efetividade, eficácia ou eficiência. Estão lá para aplaudir e fazer reuniões.

Foi um discurso efetivo. Milei falou das Malvinas, falou da atração de investimentos para a Argentina, mostrou o que a Argentina tem, e aproveitou para fazer a crítica correta, porque a ONU estava cheia de boas intenções, quando de sua criação dela. Mas depois… Eu cobri guerras no Oriente Médio, e em alguns lugares – não era o caso das tropas brasileiras, mas de militares de países europeus – eu só vi os boinas azuis, ou capacetes azuis, em barzinho tomando cerveja.

ALEXANDRE GARCIA

BRASÍLIA TODA PARECE ESTAR NO CELULAR DE VORCARO OU METIDA COM OS LADRÕES DO INSS

Câmara e Senado terão muito trabalho no ano que vem com comissões parlamentares de inquérito, porque a Polícia Federal não vai dar conta de tudo o que ainda deve aparecer. Mas para isso você terá de votar direito, escolhendo dois senadores fortes e um deputado que queira apurar todas as imoralidades nos três poderes.

Um ministro do Supremo que é presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kássio Nunes Marques, está citado em um caso que envolve o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. A mulher de Ramos, advogada, pegou causas de R$ 8,5 bilhões que interessavam ao Master, rendendo R$ 427 milhões em honorários para a mulher e o filho desse desembargador. Na Segunda Turma do STF, um dos julgamentos terminou em 3 a 2: foram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça; votaram a favor Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin.

Tudo isso enseja investigação policial ou política. Toffoli suspendeu multa de empresas na Lava Jato depois de um aporte no Tayayá, um caso que Fachin arquivou administrativamente, mas está no ar juridicamente, esperando que alguém faça alguma coisa. E não vamos nos esquecer das ligações da família Moraes com Daniel Vorcaro e com outros.

Agora apareceu um advogado de Vorcaro, Walfrido Warde. Não é um qualquer: foi advogado da J&F, do Bradesco, de um dos delatores da Lava Jato. Não foi pouco, tem um currículo grande. E aí aparece: Lula ficou se gabando, desafiando: “Mostrem os celulares!” Pois está tudo mostrado lá, as ligações de Warde com Vorcaro para ajudar Alexandre de Moraes a se livrar da Lei Magnitsky. Ele dizia que não queria nada, que era só para ajudar. Também está nos celulares: Vorcaro mandou uísque para Lula, Warde disse que Lula agradeceu o presente, vemos as ligações com ministros, toda essa distribuição de dinheiro.

E estão surgindo mais coisas da Roberta Luchsinger. Ela fez depósitos para o secretário-executivo adjunto e o chefe de cerimonial do Ministério do Desenvolvimento Social, comandado por Wellington Dias. O Estadão tem até foto dela entregando ao ministro um livro autografado de Paulo Coelho. Ela orienta o operador a dividir o valor para o banco não desconfiar. Um dos beneficiados, o chefe de cerimonial, se chama José Martinho. Ele é primo de terceiro grau do ministro; quando Dias era senador, Martinho trabalhava em seu gabinete e chegou a ser preso pela Polícia Rodoviária Federal em 2014, na Bahia, levando R$ 180 mil em dinheiro vivo de Brasília para o Piauí. Depois, quando Dias virou governador, Martinho foi comissionado na Secretaria de Governo do Piauí. Agora é chefe de cerimonial.

Como tem coisa para investigar! E é preciso, depois do que Fachin fez com a Lava Jato. Ela era nossa grande esperança de recuperar a vergonha na cara, de ter um país em que o corrupto não ficasse impune. Mas o corrupto ficou impune, e até suspenderam as multas das grandes empresas. As condenações proferidas por Sergio Moro tinham sido confirmadas pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região e pelo no Superior Tribunal de Justiça. Mas Fachin inventou aquela história de que não valia nada. Um horror, uma decepção! Isso foi um sinal verde: “Opa, agora pode tudo”. É o que está acontecendo. Ainda bem que pelo menos ficamos sabendo, porque está tudo no celular de Vorcaro – isso sem falar nos tais bacanais; ainda não apareceu nada, não sei se é para não ofender famílias, mas dizem que há fotos e diálogos incríveis.

ALEXANDRE GARCIA

TSE CONTINUA EMPENHADO EM PREJUDICAR DELTAN DALLAGNOL

Decisão liminar suspende campanha do ex-procurador da Lava Jato ao Senado; caso será julgado pelo plenário do TSE.

Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná, teve a campanha suspensa

Mais um absurdo no TSE, com uma decisão por 5 votos a 2 suspendendo a campanha de Deltan Dallagnol para o Senado. Parece emocional, questão de ódio. Em 2022, ele foi o candidato a deputado federal mais votado do Paraná, e desde então decidiram cassar os votos dos seus eleitores – porque não é só o candidato ou detentor de mandato que é cassado: seus eleitores também são. Fizeram com ele o que aparece em filmes como Minority Report, em que encontram um modo de saber que o sujeito vai cometer um crime daqui a 15 anos, então ele já é preso antecipadamente para evitar que cometa o crime. Dallagnol pediu demissão do Ministério Público, e por isso os ministros do TSE concluíram que, se ele não pedisse demissão, seria punido. Já sabiam o resultado de um inquérito administrativo que ainda teria muitas discussões. E, com isso, ele já “perdeu” uma eleição.

Tiraram os votos dos eleitores paranaenses em 2022, e agora estão tirando a possibilidade de Dallagnol continuar fazendo campanha. Os dois votos vencidos foram do presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, e do vice-presidente, André Mendonça. A Justiça Eleitoral também tem de ser isenta, como qualquer outra Justiça.

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Tragédia com helicóptero matou o cantor Rick

Que triste a notícia da queda do helicóptero do Rick em Santa Catarina. Morreram ele e mais quatro pessoas; o tempo inclemente e o terreno muito acidentado atrasaram as buscas. Eu fico pensando sobre o helicóptero; já viajei muito de helicóptero, mas eu evito porque é um aparelho de asa móvel. A asa vai rodando, dando impulso e sustentação. Eu perguntei para um amigo meu, piloto de helicóptero, como a aeronave se sustenta se o rotor para. Ele respondeu que sim, o helicóptero se sustenta, e disse: “a gente embica o nariz do helicóptero em direção ao chão, para ganhar velocidade, e assim ganhamos sustentação, porque as hélices ficam soltas, vão girar e vão sustentar”. Mas não é uma manobra fácil; depende muito do vento e de outros fatores. No caso do Rick, provavelmente, isso não foi possível.

Helicóptero também me lembra Alexandre de Moraes. Ele e a mulher usam – ou usavam – um helicóptero deles e de Daniel Vorcaro. Eles tinham cotas para se deslocar de um aeroporto todo luxuoso, de executivos internacionais, que fica a 60 km de São Paulo. Quando chegavam lá, o helicóptero do qual eles tinham cotas junto com o Banco Master os levava.

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Nova enchente no Rio Grande do Sul era mais que esperada

Uma tragédia óbvia, esperada, porque não fizeram o que deveriam ter feito, é a nova enchente do Rio Taquari. Passei boa parte da minha vida em cidades cortadas por esse rio: Encantado, Lajeado, Estrela, Muçum, Arroio do Meio, Roca Sales. Ele começa com o nome de Rio das Antas, e muda de nome perto de Muçum. Cada vez que há uma enchente – e isso acontece desde 1940 –, a água vai derrubando as margens, assoreando o rio, enchendo a calha, e o rio fica cada vez menos capaz de comportar água. Então, a água sobe mais. É como botar areia em um copo: você tem um copo com água pela metade, e começa a botar areia; uma hora, vai transbordar. O Rio Taquari está assim.

Toda essa areia, barro e pedra vai parar no Rio Jacuí, que por sua vez joga tudo no Guaíba, e dali para a Lagoa dos Patos. E vai continuar assim enquanto não tomarem a providência de raspar o fundo do rio. Os ambientalistas não deixam, porque é onde os peixes procriam? Mas daqui a pouco nem vai haver mais água para o peixe procriar, porque o rio está cada vez mais assoreado. No próprio estuário do Guaíba – que hoje chamam de “lago” –, as pessoas estão caminhando no meio do rio, mal e mal tem um canal por onde entram cada vez menos navios de menor calado, prejudicando o porto de Porto Alegre. É tudo óbvio, mas ninguém faz nada. O Estado brasileiro não faz o óbvio.

ALEXANDRE GARCIA

KASSIO NUNES ACUADO NO TSE ASSISTE GILMAR AUTORIZAR BOLSA FAMÍLIA DURANTE CAMPANHA

Kassio Nunes tem postura acuada no TSE enquanto Gilmar Mendes decide questão eleitoral no STF

Estou preocupado com a Justiça Eleitoral sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques, porque ele me pareceu acuado na reunião plenária do Supremo de terça-feira, dia 15, sob ameaças de mostrar a tal mulher de R$ 10.000. O filho dele, o Kevin, ganhando R$ 500.000 por mês do Master. Ele chegou a pedir para ir embora lá no Supremo para sair daquela reunião, tão assustado estava. Alegou que, como presidente do TSE, não poderia participar da reunião, mas foi uma fuga para não se tocar muito no assunto.

Como é que ele se sente lá na presidência do TSE quando Gilmar Mendes decide sobre um assunto que está na Justiça Eleitoral, que é a questão do aumento do Bolsa Família para ser pago entre o primeiro e segundo turno? Questão que Gilmar certamente combinou com Lula: que o Messias entraria com um pedido, ele se lembraria que tinha sido relator de um caso parecido lá em 2020, aparecia como relator e decidia: “Não, isso está decidido, é constitucional, não tem nada contra”.

Quando o artigo 299 da lei eleitoral mostra muito bem que qualquer benefício oferecido, prometido, entregue em época eleitoral é compra de voto. Isso aí é um reajuste do valor do Bolsa Família. Gilmar não pensou ao decidir que nem está no orçamento. Não se pode autorizar uma despesa que não esteja prevista no orçamento.

E outra: a cronologia. Vai ser pago dia 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno. Meu Deus.

O presidente do TSE não vai botar a boca no mundo nesse absurdo? Eu fico preocupado com isso. E daqui para frente os desafios dessa eleição tão decisiva, que pode decidir anistia para o 8 de janeiro, que pode decidir o fim do desespero das questões fiscais brasileiras, o desequilíbrio fiscal, o excesso de dívida pública, a corrupção pegando solta, o desrespeito à lei nos Três Poderes.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, irmão do José Genoino, afirmou: “Não, o caso do Supremo está enterrado”. Imagina, isso mostra a vontade do governo: “não se fale mais no Supremo”. Não, tem que falar. Tem que falar em Dino, pendurado em Lula, e Moraes, pendurado em Lula, além de Gilmar, Zanin e Toffoli. Não tem como separar, e Lula sabe disso. Está pesando mesmo.

Falar difícil para dizer o óbvio

Mas uma outra questão: A Folha de S.Paulo publicou um relatório da Agência Brasileira de Informação (Abin) sobre a influência de Washington nas eleições brasileiras. Vi aqui um termo que chegou a um nível de “criticidade”. Procurei no Aurélio e não achei; no Paulo Freire está “criticidade”. Tudo bem, pode estar lá no Caldas Aulete, Michaelis. “Criticidade”. Linguagem tem que ser simples e clara para todo mundo entender.

Decerto queriam dizer “nível crítico”; é tão mais simples. Meu Deus do céu, como as pessoas gostam de complicar o que é simples. Chamar avião de aeronave, disponibilizar em vez de oferecer, comercializar em vez de vender. Para que isso? Que perda de tempo.

O poder dos charutos de Vorcaro

Bom, vamos em frente. Agora o corregedor-geral de Justiça, aquele “missão cumprida”, Dolce & Gabbana, Benedito Gonçalves, aparece no celular de Vorcaro em 2024 dizendo: “Sempre à disposição, amigo, obrigado pelo carinho. Vamos marcar o charuto”.

Eu acho incrível a atração que o charuto de Vorcaro exerce sobre homens públicos Eu sou um fã de Freud e vejo Freud com charuto. Era um fumante de charuto. Mas também era o formulador da teoria da simbologia do charuto marcada lá no inconsciente da pessoa. E aí eu fico preocupado.

Bom, Vorcaro continua preso. Agora o pai dele está com diverticulite, segundo alega a defesa. Isso faz com que Vorcaro fique com uma expectativa muito maior. E a defesa está pedindo que Henrique Vorcaro, 64 anos, possa se tratar fora da prisão.

Mas quem é o relator? Porque o Fachin abrangeu tudo. Ainda ontem eu falava com uma pessoa lá do Supremo: Zé Fachin está agindo como monsenhor. Parece que ele está lidando num seminário, numa congregação. E, no entanto, como o Gilmar lembrou, até a máfia tem regras.