ALEXANDRE GARCIA

A DÍVIDA QUE LULA DESPREZA É UMA BOMBA-RELÓGIO PARA QUEM VENCER EM OUTUBRO

Achei muito estranho – melhor dizendo, assustador – que Lula tenha dito, na sabatina da Globo, que “a mim não preocupa a dívida pública”. Agora, o jornal O Globo está mostrando que a situação é muito ruim. Metade da dívida paga juros atrelados à Selic, e o país paga mais de R$ 1 trilhão por ano em juros. É dinheiro posto fora. A dívida pública está em R$ 10,8 trilhões e, disso, R$ 5,7 trilhões são Letras Financeiras do Tesouro, com a taxa de juros lá em cima. Esses títulos, durante a pandemia, no governo Bolsonaro, representavam 34% do estoque total da dívida; agora, são 51,1%. É uma bomba-relógio para o próximo mandato presidencial.

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A incrível história (falsa) de Roberta Luchsinger

Estou muito impressionado com a biografia de Roberta Luchsinger. A começar que esse Luchsinger dela não tem nada de suíço. Ela diz que o avô seria do Credit Suisse, mas é falso. Uma tia dela, sim, era casada com banqueiro; os dois morreram em acidentes aéreos – ela em 2009, ele em 2017 –, e Roberta tentou pegar a herança. A atitude dela é típica do que os franceses chamam de nouveau riche, “novo rico”. É aquela pessoa que precisa mostrar para os outros que ganhou dinheiro, e então compra bolsa de marca, sapato de marca, cinto de marca, roupa de marca, mala de marca, relógio de marca… aquela coisa ridícula que o rico de berço não faz, porque prefere a vida discreta. O dinheiro do rico atrai mais dinheiro; o dinheiro do “novo rico” é gasto mostrando para os outros que é rico.

Agora, o Estadão mostra que a empresa de Florianópolis que ela representava como lobista tem contratos de R$ 81 milhões com órgãos do governo. Lembro de uma mensagem dela para Lulinha, dizendo que em 2024 eles ganhariam R$ 100 milhões. Não deu e não vai dar. Depois de Lula a chamar de “pilantra” e dizer que ela cometeu uma imbecilidade, acho que vão ficar com o pé atrás em relação a ela.

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O abuso de autoridade contra os familiares de condenados do 8 de janeiro

Uma reportagem da Gazeta do Povo mostra a servidora pública Vanessa Rolim de Moura, de Ji-Paraná (RO), criando seis filhos sem o marido, porque ele fugiu para o exterior após ser condenado a 14 anos por causa do 8 de janeiro. Ele já tinha sido preso antes da condenação, estava com tornozeleira eletrônica e saiu do país; ninguém sabe onde ele está. Ele é caminhoneiro, e bloquearam todos os bens da família, inclusive os caminhões. Eu vi na foto quatro veículos. Ele começou com um, e chegou a quatro.

Fui ler a lei antiga de abuso de autoridade. Sabem de quando é? De 9 de dezembro de 1965, ou seja, em pleno regime de 64; é a Lei 4.898/65. E é dura essa lei de abuso de autoridade: quem fizer prisão arbitrária, quem não der legítimo direito de ampla defesa, quem inventar um motivo para prender a pessoa vai em cana. Mas a lei que está em vigor agora é outra, a Lei 13.869/2019. A lei atual trata praticamente da mesma coisa: se a autoridade restringir o amplo direito de defesa de todas as formas (e há mil formas de fazer isso), se a autoridade prender fora da previsão legal, é responsabilizada. Isso tem sido abundante no Brasil, a começar por aquela perfídia de pôr as pessoas no ônibus, supostamente para irem à rodoviária, e depois prendê-las sem lhes explicar o motivo, sem descrever os seus direitos. E tudo o que foi feito depois, os julgamentos coletivos… É o que estamos vivendo aqui. Por isso gosto de ler a Constituição. Coitada, mas é a única coisa que ainda nos salva da lei das selvas.

ALEXANDRE GARCIA

CARDÁPIO DO ALMOÇO INCLUIU LULINHA?

almoço messias pf interpol

Da esquerda para a direita, o ministro da Justiça, Wellington Silva; o advogado-geral da União, Jorge Messias; o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza; o ex-ministro Ricardo Lewandowski; e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues

Na semana passada, o advogado-geral da União, Jorge Messias, convidou para um almoço o ex-ministro da Justiça, ex-ministro do Supremo e ex-advogado do Master Ricardo Lewandowski; o atual ministro da Justiça, Wellington Silva; o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza; e Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal. Qual foi o cardápio desse almoço? Oficialmente, era a entrega de uma medalha para Urquiza. Mas não deve ter sido só isso. Certamente Lula pediu a Messias que resolvesse uma certa questão. E o que teria de ser resolvido, que envolve a PF, a Interpol – que atua na Espanha também –, Lewandowski e o ministro da Justiça? Bem, a PF está investigando Lulinha, está investigando o Marcola do Lula… deve ser isso, não?

O relator das investigações contra Lulinha é André Mendonça, que virou uma referência de legalidade no Supremo. Mendonça é presbiteriano, e faz sermões sobre trechos do Antigo Testamento. É lá que está a história de Sodoma e Gomorra; se houvesse dez justos naquelas cidades, não teria havido a chuva de enxofre e fogo. Não seria maravilhoso haver dez justos no Supremo, além de André Mendonça? Mas, hoje, esses são sonhos utópicos.

A Polícia Federal é uma polícia de Estado, uma instituição permanente como o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Se ela virar uma força política a serviço de um governo, ela acaba, porque aquilo que está na política fica sujeito a crítica, fica sujeito ao julgamento do povo, e ela deixa de ser uma polícia que está do lado da lei para estar do lado das tendências políticas, sendo usada como guarda pretoriana. A PF é a instituição de polícia judiciária do Estado brasileiro, da União, e não existe apenas para cuidar de fronteiras e crimes federais.

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Se não deve haver investigação porque contrato não foi fechado, por que investigam “golpe” que não deu certo?

Já vi gente com o seguinte raciocínio: “Lulinha e Roberta, talvez também o Kalil, tentaram vender para o Ministério da Saúde 1,2 milhão de frascos de canabidiol por R$ 626 milhões, mas não venderam, então não há nada para investigar”. Mas, se for assim, por isonomia, analogamente, também não haveria “golpe” nenhum para investigar, certo? Ninguém tirou o governo, não “fecharam o contrato”, se é que houve algum. Então, vamos botar um pouco de racionalidade nessa discussão.

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Aécio tem tudo para repetir Dilma em 2018

Aécio Neves aceitou ser candidato ao Senado por uma coligação entre PSDB e PDT? Eu imaginei, aqui, se Dilma Rousseff pudesse dizer algo a ele, seria “você será eu em outubro”. Em 2018, Dilma ficou em quarto lugar na eleição para o Senado em Minas. Ricardo Lewandowski e o Senado rasgaram o parágrafo único do artigo 52 da Constituição, quando Dilma sofreu impeachment, mas não ficou inelegível, como manda a Constituição. O eleitor mineiro teve de fazer o trabalho, derrotando-a nas urnas.

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Não faz sentido esperar que candidato já declare quem apoiaria em segundo turno

Vejo gente reclamando porque Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal, disse que a PF é imparcial e não trabalha com viés político. “Ele mentiu”, dizem. Mas como ele iria dizer algo diferente? Ele jamais diria o contrário, que é parcial, que está obedecendo a recomendações do presidente da República. Da mesma forma, vieram comentar comigo que Renan Santos não disse quem ele apoiaria se não chegasse ao segundo turno. Mas é claro que não disse! Como é que um candidato que está querendo chegar ao segundo turno vai considerar publicamente a possibilidade de não estar lá? Ele não respondeu porque, se respondesse, seria um idiota. As pessoas não pensam, o pensamento vai só dez milímetros à frente. Candidatos estão sempre com o pé atrás, sempre prontos, atentos.

Vi a entrevista de Renan Santos, e já comentei aqui. Também acho que Flávio Bolsonaro se saiu bem, e a dupla de entrevistadores da Globo se saiu muito bem em todas as sabatinas. Já o Lula foi destruído pelo Luiz Inácio; o Luiz Inácio disse tanta coisa que deixou muito mal o candidato Lula. Mais uma vez, ficou parecido com aquele último debate da eleição de 1989. Fora essa história de usar chapéu em lugar fechado, sentado à mesa, diante de uma senhora. No mínimo, isso é muito exótico.

ALEXANDRE GARCIA

AEROPORTO FECHADO

Ontem, o Aeroporto Santos Dumont ficou fechado porque um jatinho saiu da pista durante o pouso e foi parar no gramado. Era um Phenom 100, de 2009, fabricado pela Embraer. Havia apenas o piloto e, provavelmente, o copiloto.

Mas há uma boa notícia: a Embraer acaba de homologar o Phenom 300EV, que já está certificado pela ANAC, pela americana FAA e pela EASA, da Europa. Ou seja, o jato está homologado para ser vendido tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

E sabe o que ele faz? Pousa sozinho. Provavelmente, não teria saído da pista se fosse um Phenom 300EV. Afinal, às vezes o piloto se atrapalha, ou surge uma condição de vento diferente. E o Santos Dumont é praticamente um porta-aviões: ali é pousar ou decolar com o espaço que tem.

Mas, voltando ao Phenom 300EV, ele é um orgulho. E digo orgulho porque acompanhei Ozires Silva quando ele estava buscando motores para equipar os aviões, quando estava criando a Embraer. Hoje, esse jatinho é equipado com dois motores Pratt & Whitney, voa a 860 km/h, tem autonomia de quase 4 mil quilômetros e custa cerca de R$ 70 milhões. O Phenom 300 pode levar de sete a 11 passageiros.

O Phenom teve um único acidente — que eu nem sei se foi bem um acidente. Foi na Inglaterra, e morreram apenas o piloto e três passageiros, parentes de Bin Laden.

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Recordista

Mais uma notícia que não é política: um brasileiro é o recordista mundial dos 400 metros com barreiras. Alison dos Santos superou o recorde em Zurique, num evento de atletismo, ao completar a prova em menos de 46 segundos. O recorde anterior vinha das Olimpíadas de Tóquio, em 2021. Ele foi lá e superou o recorde. Muito bom, gente.

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Appio afastado

E tem essa história do juiz Eduardo Appio, o juiz federal que substituiu Sérgio Moro e fez e desfez muita coisa e que agora está afastado. O afastamento foi confirmado pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre. Terrível.

Ele foi filmado. As imagens estão lá, ao vivo. E ele, pensando que era muito esperto, furtando champanhe francesa — claro, se não fosse francesa, não seria champanhe —: duas garrafas de Moët & Chandon. Dizem que cada uma custa uns R$ 400.

Espumante gaúcho é tão bom quanto e bem mais barato. Mas um juiz federal furtando mercadoria em supermercado e sendo flagrado em Blumenau? Isso não basta o afastamento. Acho que a própria publicação da notícia nos faz pensar: “Puxa, esse sujeito mora no mesmo país que eu, está submetido às mesmas leis que eu e é um juiz de direito. Ele deveria ser, justamente como juiz, o supremo exemplo de cumprimento das leis, da ética e da moral”.

Por isso eu digo: nossa crise é moral.

Veja o Supremo. Está lá a Constituição; eles são os guardiões da Constituição. A gente lê a Constituição e vê o que o juiz fez. Por exemplo, nessa questão das terras indígenas. Eu não sei se é o artigo 351 o número, mas está escrito que são indígenas as terras que eles ocupam. Ou seja, não é o que vierem a ocupar. São as terras que ocupavam no dia da promulgação da Constituição.

Mas estão mudando isso. Inclusive, o Congresso teve que fazer uma lei para evitar que o Supremo fingisse que não sabia tempo de verbo.

É incrível! E agora a gente tem essa questão desse juiz.

Eduardo Appio, o ex-titular da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba

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Lulinha

E, por fim, o registro: terremoto lá no Tibete. Provavelmente foi isso que soltou a geleira e causou toda aquela tragédia.

Agora, vocês notaram como a mídia brasileira está usando isso para não falar do Lulinha?

É que agora estão anunciando que não encontraram nenhum dinheiro público no filme do Bolsonaro, o “Dark Horse”. Então só vai restar discutir Vorcaro em outros setores. Por ali, não vai dar.

Não sei se Flávio chamou Vorcaro de irmão para cobrar o patrocínio, mas é um patrocínio privado. Não tem nada de Lei Rouanet.

E aí temos o Lulinha: o Lula está sendo o lobista do filho, que é lobista, porque fala com o advogado do filho. Agora dizem que ele está recomendando que o diretor da Polícia Federal procure o ministro André Mendonça para conversar.

Tem jornal que não entendeu. Diz que Lula mandou fazer uma reunião entre André Mendonça e o diretor da Polícia Federal.

Será que algum jornalista acha que Lula manda em ministro do Supremo?

Para começar, isso é impossível, porque o artigo 2º da Constituição diz que os Poderes são harmônicos e independentes. Eu sei que o Supremo não liga muito para isso e se mete a legislar. Está fazendo até nova Constituição.

Pensam que são constituintes. É incrível.

ALEXANDRE GARCIA

EMPRESÁRIO PLENEJA DELAÇÃO. AGORA VAI?

joão carlos mansur delação premiada

João Carlos Mansur, em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, em março de 2026

O ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, ligado a Daniel Vorcaro, ao Banco Master e a um monte de gente em toda aquela teia que encontrou terreno fértil no Brasil para quem topa qualquer negócio e não tem princípios, entregou à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada com 17 anexos, e prometeu pagar R$ 40 milhões. Agora a PGR vai examinar e encaminhar para o ministro relator André Mendonça, para saber o que vai ser feito.

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Todos querem saber quem forjou registro de entrada de Filipe Martins nos EUA

O juiz norte-americano que julgou o caso da fraude que falsificou a entrada inexistente de Filipe Martins nos Estados Unidos disse que já tem os nomes dos responsáveis por forjar o registro. Seriam quatro americanos e três brasileiros, incluindo dois delegados federais. O juiz ainda não revelou os nomes, mas andam falando em Fábio Shor, que é assessor de Alexandre de Moraes. Vocês devem estar pensando que, se ele estiver mesmo envolvido, isso vai complicar Moraes, mas eu digo que não. Eduardo Tagliaferro era assessor de Moraes no TSE, e tudo o que ele denunciou não afetou o ministro. Moraes continua lá. Nem o contrato de R$ 129 milhões o pegou. Eu não sei por que nada disso pega. Mas todo mundo sabe, todo mundo vê, todo mundo ouve e todo mundo comenta.

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TSE precisa definir melhor as regras para o deep fake

Em uma das reuniões do TSE, o ministro André Mendonça, que é vice-presidente da corte, propôs que o tribunal chegue a um consenso sobre o que é deep fake. Literalmente, a expressão significa “mentira profunda” ou “falsidade profunda”: é aquela construção de inteligência artificial que faz uma foto ou vídeo com determinada pessoa parecer autêntico, e isso é usado na campanha eleitoral. Ainda ontem um amigo, candidato à reeleição para a Câmara, me ligou pedindo que eu gravasse um apoio, mas eu recusei. Imaginem se eu for gravar algo para todos os que conheço e que me pedem, eu não posso; aí eu largo o jornalismo e vou ser propagandista de campanha. E aí as pessoas às vezes constroem algo com IA, como o vídeo de Jair Bolsonaro no lançamento da candidatura de Fábio. Naquele caso estava dito que era IA. Até onde pode ou não pode isso? Realmente é preciso definir os critérios antes que cheguem as queixas.

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Estudantes do Colégio Militar de São Paulo fazem bonito em Olimpíada de Matemática

Parabéns aos alunos do Colégio Militar de São Paulo, que foram ao Vietnã, representar o Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática, e ganharam seis medalhas. Isso mostra que ainda há esperança no Brasil, ainda há cérebros no país. Um país só existe, só progride, só tem bem-estar se tem cérebros construtivos e produtivos.

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Afastamento de professora em SP tem cara de caça às bruxas

Uma professora em Mogi das Cruzes (SP) foi afastada pela Secretaria de Educação depois de uma fala em uma reunião digital com outros diretores de escola – ela não estava falando com alunos. Nessa reunião, ela disse que era estimulante ler biografias de líderes, inclusive de Hitler, ou Mussolini, ou “Salazar da Espanha” (aqui ela se enganou: Salazar era português, o espanhol era Franco). Não falou em Pol Pot, Stalin ou Mao, que mataram milhões; nem de Fidel e Che Guevara, que mataram milhares.

Preocupa-me que isso vire uma caça às bruxas. A professora tinha dito que eram líderes maus. O pensamento e a discussão precisam ser livres. Ela recomendou leitura. Eu faço isso: não estudo apenas as pessoas com quem quero aprender, como Winston Churchill, mas também estudo as pessoas que devo evitar, que devo criticar, e exatamente por isso leio a vida de Stalin ou de Hitler. Está havendo um exagero nesse caso; parece que as pessoas não pensam, ou não querem pensar, ver com calma o que as pessoas queriam dizer.

ALEXANDRE GARCIA

GOVERNO ARRECADA CADA VEZ MAIS ENQUANTO EMPRESAS QUEBRAM OU SAEM DO BRASIL

CVC viagens em crise

CVC perdeu mais de 97% do valor na Bolsa e tenta recuperar espaço no mercado de viagens, enquanto enfrenta dívidas, juros altos e mudanças no perfil do consumidor

Você sabe quanto nós, pagadores de impostos, já entregamos neste ano só ao governo federal? Reparem, não estou falando em governos estaduais e municipais, só em governo federal. Até 31 de julho, foi R$ 1,876 trilhão. Quase R$ 2 trilhões. Você nem imagina quanto é isso. E mais: o aumento dos impostos superou o aumento da inflação, e mesmo assim o juro está lá em cima porque o governo gasta demais. Isso tira totalmente o argumento do candidato à reeleição: ele não pode culpar outro governo, porque já governou por dois mandatos lá atrás; depois veio Dilma, por um mandato e meio; e ele de novo, em mais um mandato.

E o problema está cada vez pior. O valor de mercado da CVC, gigante do turismo, caiu para menos de 10% do que já foi. As coisas estão feias! Eu vi no G1 que a Häagen-Dazs, marca famosa de sorvete que estava no Brasil desde 1997, foi embora. O Walmart foi embora em 2019. A Forever 21 estava aqui e voltou para os Estados Unidos. A Haribo, empresa alemã de doces, estava aqui desde 2016, caiu fora. A Ford estava aqui desde o fim dos anos 20 do século passado e foi embora em 2019; estava lá na Bahia, e agora estão as chinesas. É bem típico. A Mercedes estava fabricando carros aqui, não está mais. A Fnac, francesa, que frequentávamos atrás de livros, discos e sons, não está mais aqui. A Sony saiu de Manaus. A Nikon também fabricava aqui, não fabrica mais. A Roche, farmacêutica, tinha uma fábrica no Rio de Janeiro, não tem mais. Continua presente no Brasil, mas sem a fábrica. Topshop foi a mesma coisa. Fora o capital estrangeiro na bolsa: 60% da Bovespa é capital estrangeiro; quando ele sai, a bolsa despenca.

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Lula adora culpar antecessores; então, por que não consertou nada com o tempo que teve?

Eu comentava com um amigo libanês que Beirute está lotada de turistas, e isso em meio a uma guerra. No Brasil, uma empresa de turismo despenca em valor de mercado. E seguimos pagando muito imposto. Contra fatos não adianta o presidente mentir, nem prometer corrigir. Por que não corrigiu antes? “Foi o Bolsonaro”, ele vai dizer. Mas já se foram quatro anos, não houve tempo para corrigir? Adolfo Sachsida diz que toda essa bagunça, trabalhando bem, cortando, aplicando a tesoura, se resolve em 18 meses. Se a culpa é do antecessor, por que não se resolveu em 48 meses? Porque o gasto continua cada vez pior.

É o que eu escrevi no meu artigo para os jornais. Tiririca dizia que “pior do que está não fica”, mas tudo indica que, continuando assim, só vai piorar, até um ponto em que nem crédito vai haver. Existem leis de mercado que mostram isso. Quanto mais alto o imposto, mais se foge dele. Vai chegar um ponto na Curva de Laffer em que a produção começa a cair, e a arrecadação cai junto; no crédito também: chegaremos a um ponto em que não haverá nem credibilidade, nem condições de juro e de crédito disponível.

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Disputas pelos principais governos do país não estão nada equilibradas

Saíram pesquisas Quest para os governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Pernambuco. Pernambuco é onde os dois primeiros colocados estão mais próximos: Raquel Lyra tem 44%, João Campos tem 36%. Nos outros estados a distância do líder é maior, nem vale a pena mencionar quem está em segundo: em Brasília, lidera Celina Leão, a vice-governadora que assumiu o governo; em São Paulo, Tarcísio de Freitas; em Minas, Cleitinho; e, no Rio de Janeiro, Eduardo Paes. O maior eleitorado do país está em São Paulo; depois vêm Minas, Rio, Bahia e Paraná.

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Metodologias das pesquisas citadas na coluna

São Paulo: 1,8 mil entrevistados pela Quaest de 21 a 24 de agosto de 2026. Pesquisa contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A – TV/Rede/Globo.com/canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos porcentuais. Registro no TSE SP-06946/2026. Rio de Janeiro: 1.302 entrevistados pela Quaest de 21 a 24 de agosto de 2026. Pesquisa contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos porcentuais. Registro no TSE RJ-08748/2026. Minas Gerais: 1.506 entrevistados pela Quaest de 21 a 24 de agosto de 2026. Pesquisa contratada pela Globo Comunicação e Participações SA/TV/Rede/Globo.com/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. Registro no TSE MG-04060/2026. Distrito Federal: A Quaest entrevistou 1.104 eleitores no Distrito Federal do dia 21 a 24 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. Levantamento registrado no TSE sob o número DF-06256/2026, tendo como contratante a Globo Comunicação e Participações SA/TV/Rede/Globo.com/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Pernambuco: 1.302 entrevistados pela Quaest de 21 a 24 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos porcentuais. Registro no TSE PE-07828/2026.

ALEXANDRE GARCIA

MAIS UM BUROCRATA DESCOLADO DA REALIDADE BRASILEIRA

dario durigan pejotização

Ministro Dario Durigan criticou pejotização e disse que ela prejudica os cofres da Previdência

Estou há mais de meio século em Brasília e me acostumei a ver os burocratas que chegam aqui, empolgados, porque vão fazer parte do poder, e começam a se separar da nação, do país real, porque estão muito entusiasmados com o Estado. Então eles começam a achar que o Estado é mais importante que a nação, mas não é. O Estado veio depois da nação; primeiro surgiram as pessoas, que se organizaram e resolveram constituir um Estado para poder dar serviços públicos básicos de segurança, justiça, saúde e educação, para quem precisa deles.

Digo isso porque eu ouvi o ministro da Fazenda, Dario Durigan, dizer que está na hora de limitar as pessoas jurídicas, a “pejotização”. Ele sugere que cada empresa só possa ter 10% de contratados PJ. Eu fui pessoa jurídica na TV Manchete, na Globo; ainda hoje sou pessoa jurídica, sou empresa. E queria saber o que o ministro Durigan tem contra isso, porque nós, empresas, também pagamos impostos.

Ele argumenta que a pejotização está fazendo a Previdência definhar. Está definhando mesmo, mas não é por causa das pessoas jurídicas. Ele deveria dar uma olhada na idade das pessoas, as que vão se aposentar e aquelas que vão sustentar os aposentados e pensionistas. E olhar a administração, porque muito fundo de pensão por aí só tem renda porque administra. As pessoas físicas e jurídicas não aguentam mais um governo que cada vez gere pior as finanças que são do povo. O Tesouro Nacional é do povo; as finanças públicas são do público; os bens públicos são do público; os carros que os burocratas usam, os prédios onde eles trabalham. E é absolutamente injusto que eles vivam como se fosse em uma corte, no tempo da realeza – embora, se formos analisar, a monarquia britânica custe menos, proporcionalmente, que os nossos políticos.

Somos nós que sustentamos o burocrata e toda a estrutura estatal, com nossos impostos, obtidos através de trabalho, de suor, de inteligência, de planejamento, de risco, em todos os setores: indústria, comércio, serviços, agropecuária. Mas o burocrata estatizante acha que o Estado tem de impor regras às pessoas a quem ele serve.

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Investigações sobre filme de Bolsonaro avançam, mas e o Lulinha?

O ministro Flávio Dino – que também é um funcionário do público, como ministro da suprema corte, depois de ter sido juiz federal, governador e senador; como senador e governador, foi nomeado pelo público; no STF, foi indicado por um presidente eleito pelo povo e aprovado por senadores sustentados pelo povo – autorizou a Polícia Federal a ter acesso às investigações da Polícia Civil de São Paulo sobre a produção e o financiamento do filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O objetivo da investigação é saber se há dinheiro público envolvido, porque há uma suspeita de que havia recursos da prefeitura de São Paulo.

Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal sobre Lulinha supostamente prosseguem. Lula diz e repete que não vai se meter nas investigações sobre o filho dele, mas o que todos estão vendo é que o filho do presidente é peça-chave do tráfico de influência, como a própria Roberta Luchsinger atesta, quando diz que Lulinha “não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”.

ALEXANDRE GARCIA

FILIPE MARTINS FOI VÍTIMA DE UMA FRAUDE

filipe martins fraude

Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do governo Bolsonaro, em imagem de arquivo

Agora é mais do que oficial: a Justiça americana está informando que não houve um erro ou um engano no registro falso de entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos: foi fraude mesmo. O juiz Gregory Presnell, do Distrito Central da Flórida, foi nomeado para o cargo por Bill Clinton, democrata; nem tem nada a ver com Donald Trump. Ele trabalha muito contra a corrupção dentro do governo, acredita que alguém foi corrompido para fazer isso, e vai investigar para saber quem fez e quem mandou fazer.

O gravíssimo é que foi nessa falsidade que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, se baseou para prender preventivamente Filipe Martins. O juiz norte-americano também reconheceu esse fato; disse que o registro falso “prejudicou uma pessoa de forma considerável”, que “o governo reconhece a falsidade e a gravidade disso”, que Martins foi preso por causa desse registro e “tem o direito de saber como isso aconteceu e quem deu causa a isso”.

O advogado de Martins diz que essa verdade apareceu graças a um jornalismo corajoso e independente, que tornou possível que o mal fosse cortado. Quem faz esse “jornalismo corajoso e independente”? Quem acompanhou o caso de Filipe Marins nos lugares errados nunca soube disso, mas a Gazeta do Povo, a Oeste e outros veículos – alguns nos quais eu colaboro, outros não – acompanharam.

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Moraes pode até ter sido enganado, mas PGR e STF inverteram o ônus da prova e mesmo assim Martins foi preso

Houve, portanto, um registro falso. Se for alguém, alguma autoridade do governo dos Estados Unidos que fez isso para prejudicar alguém, eles irão atrás porque isso é gravíssimo, tem implicações para a segurança nacional pros Estados Unidos. Quem fez essa entrada, onde quer que resida, mesmo que more no Brasil, será responsabilizado. Esta é uma questão de segurança nacional dos Estados Unidos, mas também é algo muito sério para a Procuradoria-Geral da República de Paulo Gonet. Um ministro do Supremo foi enganado por isso; quem o enganou? Martins foi preso em fevereiro de 2024; isso é gravíssimo, tem de ser investigado. Moraes cometeu um erro crasso, baseado em um indício falso – nem sequer era prova. E esse não foi o único erro: o ônus da prova foi invertido, ficou com Filipe Martins. Ele até demonstrou que estava no Brasil o tempo todo, que foi de Brasília para Curitiba, de Curitiba para Ponta Grossa, mostrou registros do Uber que ele usou, a passagem de avião, mas não adiantou nada; acabou preso mesmo assim.

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Quanto os irmãos Batista pagaram para comprar a Avibras?

Os irmãos Batista, Wesley e Joesley, compraram a Avibras, que estava em recuperação judicial. Tempos atrás, a J&F colaborou em um aporte de R$ 300 milhões; agora, assumiu 100% da empresa; não sei se foi esse o preço final. A Avibras é uma indústria bélica, que produz principalmente artilharia antiaérea e terra-terra, mísseis e foguetes, não pode ter custado só R$ 300 milhões. Mas vejam a coincidência: o ministro Dias Toffoli suspendeu um pagamento, um acordo de leniência dos irmãos Batista, porque um deles tinha sido preso, fez delação, havia concordado em pagar multa de 10,3 bilhões. Será que foi só esse troquinho depois da vírgula que bastou para comprar a Avibras?

ALEXANDRE GARCIA

SEGURANÇA É IMPORTANTE, MAS BRASIL CORRE OUTRO RISCO MUITO GRANDE NA ECONOMIA

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Inadimplência e endividamento estão se espalhando entre pessoas físicas e jurídicas no Brasil

Como os candidatos olham para o que o povo mais está sentindo, têm insistido em segurança pública, segurança pública, segurança pública. Mas cuidado! A segurança pública é muito importante, porque diz respeito à vida e ao patrimônio das pessoas, mas há algo que está nos levando para o caos e vai atingir o patrimônio de todo mundo, sem exceção: é o que está causando o endividamento das famílias. O Brasil paga, só de juros, o equivalente a duas Petrobras por ano; o Estado gasta demais, se endivida demais, os juros sobem, as empresas fecham ou vão para o Paraguai. Os empresários estão procurando mão de obra, mas as pessoas preferem ficar na esmola, que não vem do governo; vem dos impostos de quem produz e consome, mas não recebe retorno porque não sobra para o ensino, para a saúde, e também para a segurança pública.

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Candidatos precisam estar preparados para criminosos que se modernizam

E vamos falar, então, de segurança pública. Será que os candidatos estão realmente preparados para uma criminalidade que está se modernizando? O crime parece acompanhar as guerras modernas, e no Rio de Janeiro as facções estão copiando a Ucrânia, usando drones no Complexo da Penha. O Comando Vermelho está treinando pilotos para controlar drones à distância. Um desses drones, por exemplo, decolou, viajou alguns quilômetros e lançou uma granada, que acabou atingindo um trailer e não feriu ninguém. São granadas artesanais feitas em casa, lançadas com drones. Esse é um novo desafio para a polícia, o ataque aéreo.

Mas há o ataque que ninguém vê, o ataque digital. Os crimes digitais estão ocupando hoje 80% das queixas. Lavagem de dinheiro usando criptomoedas, transferência de recursos entrando em bancos, em órgãos financeiros, roubo de documentos supostamente originais que convencem as pessoas a cair em contos do vigário… Até já fizeram um deep fake meu fazendo propaganda de remédio para disfunção erétil, um negócio de doido – aliás, muita gente teme esse tipo de falsificação na campanha eleitoral.

O que têm dito os candidatos sobre esses casos em que a pessoa que é atingida porque desviaram o dinheiro da conta dela, casos de dinheiro roubado que passa por lavagem de dinheiro, contrabando, pagamento de automóvel contrabandeado, entrada ilegal? Esse tipo de crime é universal: o bandido pode estar no Tibete e, de lá, controlar invasões digitais aqui no Brasil. Será que os candidatos se deram conta de que é necessária uma absoluta integração de polícias digitais no território brasileiro, no mínimo? E mais: precisamos de acordos com polícias de todos os países da vizinhança: Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Uruguai, Argentina, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa – ainda mais no Norte, onde há ouro, diamante e outros minerais, usados como commodities do crime.

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Prefeita de cidade nos EUA confessa que era espiã chinesa

Dentro do condado de Los Angeles, na Califórnia, há uma cidade chamada Arcadia, que tem um belo hipódromo, um mall muito famoso, um arboreto… o símbolo da cidade é um pavão. Pois a prefeita de Arcádia confessou que era espiã a serviço da China. Eileen Wang renunciou e confessou que era agente de Pequim, para fazer propaganda da China dentro dos Estados Unidos. Agora, pode pegar dez anos de prisão. O mayor substituto também tem nome chinês: é Paul Cheng, um advogado que representava um dos distritos. Mas esse parece que não tem vínculo com o governo chinês; segundo ele, a família chegou aos EUA em 1970, ele era pequeno. Mas vejam só, uma espiã chinesa sendo prefeita dentro dos Estados Unidos. Aí o pessoal pergunta: quantos outros mayors estarão a serviço da China, dentro dos EUA?

ALEXANDRE GARCIA

DIPLOMA OBRIGATÓRIO PARA JORNALISTAS

O jornalista que recebeu informações sobre o ministro Flávio Dino, de que ele estaria usando veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão para ir à praia, teve seu sigilo da fonte quebrado. Mas isso é cláusula pétrea da Constituição, uma garantia fundamental – como outros direitos que também estão lá e já foram pisoteados pelo “guardião da Constituição”, que é o Supremo. Agora os ministros estão começando a discutir se deveriam garantir o sigilo da fonte previsto na Constituição para quem não tem diploma de jornalista. Isso que foi o próprio Supremo que derrubou a exigência do diploma em 2009. Eu proponho o seguinte: vamos respeitar a formalidade do diploma, então; se não tem diploma, não tem sigilo da fonte; mas, se não tem foro privilegiado, também não tem julgamento no Supremo, certo? Que tal?

Porque não é só o Silas Malafaia, que agora virou réu: quase todos os réus do 8 de janeiro e de vários outros inquéritos estão sendo ou foram julgados no STF, que não é o juiz natural. Essa é outra garantia da Constituição: ninguém pode ser condenado a não ser pelo juiz natural, e não haverá tribunal de exceção. Tudo isso é cláusula pétrea, que o Supremo não pode abolir porque não é constituinte. Nem mesmo o Congresso Nacional pode remover cláusula pétrea; para isso, é preciso haver uma nova assembleia constituinte, escolhida pelo povo, chancelada pela procuração dada por cada brasileiro que é fonte do poder, para escrever uma nova Constituição, e só então é possível mudar os direitos fundamentais que estão no atual artigo 5.ª. Mas nada disso importa para o STF, que já chegou ao cúmulo de dizer que o que está escrito na Constituição é inconstitucional, como no julgamento do marco temporal.

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Nunes Marques aparece em conversa de lobista amiga de Lulinha

Um outro ministro do Supremo – Kassio Nunes Marques, que agora também é o presidente do TSE – apareceu nas conversas da lobista Roberta Luchsinger, ex-mulher do delegado Protógenes Queiroz, filha de um ex-acionista de banco suíço, que disse para Lulinha que “o nosso futuro é na Suíça”. Lulinha já está respondendo a três inquéritos; Lula diz que ele vai responder e que, “se você é inocente, vá à luta; se é culpado, contrate um advogado”. O advogado ele já contratou: é um do grupo Prerrogativas, até; então, pelo que Lula disse, liguem aí os pontos.

Roberta falou de um outro advogado: Otto Medeiros, que estaria participando da venda de um contrato de cannabis para o Ministério da Saúde, envolvendo também Swedenberger Barbosa, conhecido como “Berg”, que era chefe de gabinete no Ministério da Saúde e depois foi para o Palácio do Planalto. Segundo a lobista, esse advogado era muito influente porque era sócio de Nunes Marques. Tanto o advogado quanto Nunes Marques desmentiram: não são sócios, mas são bons amigos; e o ministro chegou a dizer que, por causa disso, tem se declarado impedido nas ações em que Medeiros representa alguma das partes.

Mas ainda falta esclarecer o papel do Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Marcola é aquele que teve R$ 249 mil em contas pagas por Roberta Luchsinger, e que chegou a vender, ou penhorar, umas joias para Roberta. Em posse dele, foi encontrada uma minuta de um contrato para vender cannabis ao governo, pelo Ministério da Saúde – a venda acabou não sendo concluída. Essa história toda é um rolo enorme, e muito mais deve vir à tona, com mais transparência; afinal são três inquéritos envolvendo o Lulinha. Todos eles por tráfico de influência, porque ele é o “filho do rapaz”, como está lá em uma das frases do “careca do INSS”: ele transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta, mas parece que R$ 1,1 milhão era para o “filho do rapaz”.

ALEXANDRE GARCIA

VAREJISTAS COM PROBLEMAS MOSTRAM QUE ECONOMIA SERÁ TEMA FORTE NA CAMPANHA

Fechamento de lojas atinge quase 30% da rede da Casas Bahia em todo o país

Parece que estamos vivendo tempos como os da campanha eleitoral de Bill Clinton contra George H.W. Bush. Foi James Carville, um assessor de Clinton, quem criou a frase “É a economia, estúpido!”, para mostrar aos eleitores que as coisas estavam mal no governo do adversário. Hoje, a frase está aí, de bandeja, para quem quiser tirar esse governo. Hoje, 9,1 milhões de empresas estão inadimplentes e 82% das famílias estão endividadas. As Casas Bahia, com quase 300 lojas, estão em recuperação judicial, e tem mais: o Grupo Marabraz, com 130 lojas fechando, a Tok&Stok. O varejo entrou em crise porque as pessoas não têm dinheiro para comprar, estão endividadas. A demanda cai e começa um círculo vicioso. O governo, para piorar, impõe burocracia para dificultar o trabalho e cobra muito imposto. As grandes empresas, então, se mudam para o Paraguai.

O governo está pagando R$ 1 trilhão por ano de juros – ou seja, dinheiro jogado fora – porque se endividou, porque gasta muito e não presta bons serviços públicos, apesar de arrecadar muito com impostos. O que significa R$ 1 trilhão em juros? São duas Petrobras. A demanda cai, o crédito está caro e o PIB está virado para baixo, começou a cair agora. Como diz um ex-presidente do Banco Central, a situação de Lula 3 está mais para Dilma 3. É a economia.

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Confusão com afastamento de presidente do TCE do Maranhão só aumenta

O caso do Maranhão está pior do que se pensava. Começou com Flávio Dino afastando o presidente do Tribunal de Contas do Estado, que é sobrinho do governador. No meio disso está a história de um sujeito condenado por matar João Bosco Sobrinho, em um centro comercial lá de São Luís, em agosto de 2022. O assunto foi para o Superior Tribunal de Justiça, aqui em Brasília, porque envolve um desembargador que teria oferecido dinheiro para ver se esse condenado ficava calado, sem entregar ninguém. Pois agora esse condenado conta que frequentava o gabinete do governador desde o tempo em que ele era vice-governador; tinha até vaga marcada no estacionamento do Palácio dos Leões. Disse, ainda, que o dinheiro era de propinas, ou seja, de corrupção.

O governador agora está pedindo para o Supremo cancelar a decisão em que Dino afastou por 180 dias o presidente do TCE. Mas vejam que belo exemplo, esse do presidente do Tribunal de Contas do Maranhão. Que me desculpem os inocentes dos TCs, mas temos visto cada uma nesses Tribunais de Contas, que muitas vezes se tornam um lugar para colocar político que não foi reeleito.

A propósito disso, lembro de António de Oliveira Salazar, que foi ditador de Portugal por 36 anos. Ele era solteirão, só tinha uma irmã. Mas tinha sobrinhos. Sobrinho em italiano é nipote, mas Salazar nunca praticou nepotismo, pelo contrário: ele proibiu o Estado português de ter qualquer negócio com o sobrinho. Mas aqui é o sobrinho do governador, é o Lulinha, filho do presidente… todos metidos em escândalos.

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Lula dá desculpa esfarrapada para não ir a debate

A Band e o Estadão estão organizando debates em parceria, e marcaram um para este domingo, entre os candidatos à Presidência da República. Lula mandou dizer que não vai, e a desculpa dele é que convidaram candidatos cuja presença não era obrigatória. Vejam só como é a burocracia: é obrigado convidar candidatos de partidos com cinco ou mais deputados federais, caso de Ronaldo Caiado e Augusto Cury; mas, se o partido não tiver cinco deputados, seu candidato não precisa ser convidado. Isso não quer dizer que seja proibido convidar. O Novo não tem cinco deputados, mas convidaram Romeu Zema para o debate. O Missão também não tem, mas convidaram Renan Santos. Por causa disso, Lula disse que não vai, e Flávio Bolsonaro disse que, se Lula não for, ele também não vai, porque não quer ficar debatendo com os outros. Isso só vai valorizar ainda mais a cobertura da campanha e a troca de ideias pelas redes sociais, e vai derrubar a importância da televisão na campanha eleitoral – com exceção, claro, de quem ainda está mais apegado aos meios mais tradicionais, que são só de informação, não são de comunicação.