ALEXANDRE GARCIA

AINDA QUE VISTO DE RAMAGEM TENHA VENCIDO, HÁ O PEDIDO DE ASILO POLÍTICO

Alexandre Ramagem foi preso após cometer uma infração de trânsito.

Alexandre Ramagem foi detido após cometer uma infração de trânsito nos EUA

Alexandre Ramagem está nos Estados Unidos, à disposição das autoridades de imigração. Embora estivesse condenado a 16 anos aqui, ele estava com passaporte válido, tinha visto de turista, e foi para os EUA. Podia ficar lá por 180 dias, e nesse ínterim pediu asilo político; afinal, ele é obviamente um perseguido político aqui. As autoridades de lá alegam que o prazo de permanência venceu, mas há essa pendência relativa ao asilo no Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

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STF impediu Bolsonaro de nomear Ramagem para a PF, mas era tudo fofoca. E agora?

Ramagem era deputado federal e, antes disso, foi chefe da Agência Brasileira de Inteligência – foi a Abin que alertou o Palácio do Planalto várias vezes sobre a possibilidade de quebra-quebra na Praça dos Três Poderes. Antes disso, Jair Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor da Polícia Federal, mas foi impedido por um ministro do Supremo. Ou seja, um membro de outro poder impediu uma decisão administrativa do Poder Executivo, passando por cima do artigo 2.º da Constituição, que diz que os poderes são independentes.

Alexandre de Moraes achou que Bolsonaro queria ter influência sobre a Polícia Federal, por causa de toda aquela fofoca sobre Marielle Franco. Aquilo chegou ao Supremo como se fosse verdade, e o Supremo acreditou em fofoca. Agora está provado que não houve nada disso. Moraes mandou investigar, a Polícia Federal investigou, terminou o inquérito, entregou a Moraes: não houve nenhuma influência de Bolsonaro na PF. Moraes mandou refazer, com outro delegado. Ele investigou e chegou ao mesmo resultado: Bolsonaro não interferiu na PF. Agora Moraes, sem saber o que fazer, mandou tudo para o procurador-geral da República. Tudo isso, a proibição de que Ramagem fosse nomeado, por nada. E agora? E todo o prejuízo a Ramagem, à sua família, quem será responsabilizado? Alguém será responsabilizado por isso?

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É vergonhoso para uma corte superior ter um ministro investigado por crime sexual

O ministro do STF Nunes Marques abriu inquérito contra o ministro do STJ Marco Buzzi, denunciado por importunação sexual em Balneário Camboriú, por uma moça de 18 anos – depois apareceram denúncias semelhantes dentro do STJ. Buzzi está afastado temporariamente, mas o tribunal está pensando em afastá-lo definitivamente. Ainda assim, ele recebe mais de R$ 40 mil por mês, fora os penduricalhos.

Um investigado por crime sexual ocupando um cargo desses… Não sei o que diz a lei especificamente sobre isso, mas acho que quanto maior o cargo, quanto mais informação e consciência a pessoa tem de que não pode fazer isso, que é uma agressão, um desrespeito à outra pessoa, mais grave é o crime. Seria uma agravante. E quanto mais iletrada fosse a pessoa que age assim, maior a atenuante.

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Gleisi terminará como Dilma terminou em 2018?

No Paraná, uma pesquisa mostra que Gleisi Hoffmann está em um cenário parecido com o que Dilma Rousseff teve em 2018, quando tentou se eleger para o Senado em Minas Gerais. Parecido porque ela aparece entre os primeiros. Alvaro Dias lidera; em seguida vem Deltan Dallagnol; e Gleisi está atrás dos dois, empatada com Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa. Gleisi está 20 pontos atrás de Alvaro Dias e 5 atrás de Dallagnol. O Paraná é onde Flávio Bolsonaro, segundo o Paraná Pesquisas, tem quase o dobro de intenções de voto de Lula, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Em uma outra pesquisa, Futura, Flávio Bolsonaro tem 48% contra 42,6% de Lula no segundo turno. José Dirceu deu entrevista à GloboNews, comentando a pesquisa, e disse que não são votos para Flávio, que Flávio é Jair Bolsonaro, e o representante do pai – ele falou “delegado do pai”, no sentido de alguém que recebeu a delegação do pai para ser candidato em nome do pai.

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Metodologia das pesquisas citadas na coluna

Paraná Pesquisas: 1,5 mil entrevistados pelo Paraná Pesquisas entre os dias 10 e 12 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Partido Liberal (PL). Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos porcentuais. Registro no TSE: PR-06559/2026.

Futura: 2 mil entrevistados pelo instituto Futura Inteligência entre os dias 7 e 11 de abril de 2026. A pesquisa para presidente da República foi contratada pelo Futura Pesquisas e Assessorias Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos porcentuais. Registro no TSE: BR-08282/2026.

ALEXANDRE GARCIA

POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA AJUDA A ENTENDER POR QUE SOMOS SUBDESENVOLVIDOS

lula nicolás maduro política externa brasileira

Lula e Nicolás Maduro durante encontro em São Vicente e Granadinas, em 2024

Vou falar um pouco da política externa brasileira, da posição do Brasil no mundo, no chamado “concerto das nações”. O Brasil é um país grande, um dos maiores do mundo em extensão territorial e em população, mas não tem o poder político, militar e econômico dos Estados Unidos, por exemplo. Nós fomos colonizados mais ou menos ao mesmo tempo que os norte-americanos e, no entanto, eles são a maior potência do mundo enquanto nós continuamos nos arrastando no subdesenvolvimento – agora falam em “emergente”.

Nós já crescemos mais que a China. Eu me lembro disso porque cobri o milagre brasileiro da primeira metade dos anos 70, estava no Jornal do Brasil. Em cinco anos, crescemos a uma média de 11,2% ao ano; já chegamos a crescer 14%. Se é possível, porque já fizemos isso, por que não continuamos? Nós hoje estaríamos à frente da China, estaríamos entre as cinco maiores potências econômicas mundiais. Mas não.

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Trocamos a aliança com o Ocidente pela aproximação com a China e com as ditaduras

Chamou minha atenção um artigo de Dagoberto Lima Godoy, um gaúcho que foi presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul e foi representante do Brasil na Organização Internacional do Trabalho (OIT), das Nações Unidas. Ele é experiente e consciente. No artigo, pergunta se mudamos de lado. Nós éramos parte do Ocidente; não somos mais? Entramos nos Brics, um bloco dominado pela China. Vejam a Dilma Rousseff, presidente do Banco dos Brics. Falam em Sul contra Norte, está mais para Ocidente contra o Oriente. De quem tomamos partido atualmente? Da Nicarágua, de Cuba, da Venezuela, do Irã. Eu me lembro do episódio em que duas belonaves iranianas chegaram ao Rio de Janeiro e lá ficaram, enquanto os americanos diziam se tratar de navios espiões. E toda a nossa ligação com a China, pedindo que os chineses façam censura nas redes sociais brasileiras? Será que mudamos de lado?

Estou há 50 anos em Brasília; antes disso, fiquei três anos no exterior, e por isso tenho certa afinidade com a política externa, que acompanhei e ainda acompanho. A política externa brasileira era uma política de Estado, era a política do Brasil. O Itamaraty tinha uma tradição de pragmatismo responsável. O governo militar, por exemplo, foi o primeiro a reconhecer o governo comunista de Angola. Em primeiro lugar, vinham os interesses nacionais; a ideologia ficava para trás. Mas hoje o que temos é a ideologia em primeiro lugar. É não qualquer ideologia, mas a ideologia de Lula e do PT, que não corresponde à ideologia de um país conservador como o Brasil.

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Confusão com cédulas no Peru não serve para desqualificar o voto impresso

Nós falamos tanto da necessidade do voto impresso, e lá no Peru houve a maior confusão com as cédulas na eleição de domingo. Obviamente, não é isso que desejamos aqui no Brasil. A cédula peruana é uma coisa enorme, onde o eleitor vai assinalando seus candidatos, e pondo na urna. Faltaram cédulas, que são fornecidas pelo organizador das eleições – lá não existe Justiça Eleitoral. O responsável pela logística da eleição foi até preso pela polícia, porque muita gente está dizendo que foi tudo de propósito, para as pessoas não votarem. A filha do Alberto Fujimori foi a mais votada e vai para o segundo turno, mas ainda não se sabe contra quem.

Tudo isso para lembrarmos que logo teremos eleição aqui. A presidente do TSE, Cármen Lúcia, decidiu sair um mês antes; Nunes Marques assume no lugar dela, e seu vice será André Mendonça. Mas não basta apenas mudar as pessoas; o eleitor tem necessidade de saber como o seu voto é contado. Aqui na Europa, foi isso que os tribunais decidiram: não pode haver um sistema de apuração em que o eleitor não consiga entender como é computado o seu voto.

ALEXANDRE GARCIA

CADA VEZ QUE LULA FALA, TRAZ À TONA O NOME DE BOLSONARO E AJUDA FLÁVIO

Lula

Lula tem muitos problemas a resolver na Presidência

O presidente Lula está cheio de preocupações, afinal, esse é um ano eleitoral. Ele já está dizendo até que ainda não decidiu se vai ser candidato, pois não está gostando das pesquisas que estão aparecendo. O último Datafolha — e o Datafolha tem a fama de puxar para o lado de Lula — mostra, no segundo turno, Flávio Bolsonaro na frente por um ponto; e, no caso de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, também empatados com Lula, com três pontos abaixo, mas tecnicamente empatados*.

Então, o Lula deve estar olhando com preocupação para isso, porque tem seis meses pela frente de deterioração da imagem dele. Ele está com 40% de “péssimo” ou “ruim” em seu governo e 48% dizendo que não votariam nele de jeito nenhum; é o rei da rejeição. É preciso ajeitar as coisas na economia: endividamento, juros e inflação, pois ele está colhendo o que plantou.

Lula não pode sequer dizer que não teve tempo de fazer isso, porque está no terceiro mandato e este é o quinto mandato do PT de distribuir picanha a mancheias.

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Situação está difícil na Câmara dos Deputados

Lula está mexendo de novo na Câmara dos Deputados, pois a situação está difícil. A Gleisi Hoffmann saiu do Ministério da Articulação Política e entrou o José Guimarães, irmão do José Genoino. Eu estava no Aeroporto de Congonhas no dia em que o secretário dele foi pego com a cueca cheia de dólares, indo para Fortaleza e esvaziando o cofre do PT, porque estava entrando o interventor Tarso Genro na presidência do partido após a saída de José Genoino.

E o Paulo Pimenta, que foi o representante do Lula nas enchentes do Rio Grande do Sul, será o líder do governo na Câmara, logo após a troca de liderança. O PT trocou o líder: saiu Lindbergh Farias e entrou um menos conhecido, Pedro Uczai, de Santa Catarina, talvez menos brigão.

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Caiado e Zema não têm a mesma projeção nacional de Flávio

As preocupações do Lula são muito sérias nesses seis meses. Ele está em campanha; aliás, Lula sempre esteve em palanque. O interessante é a propaganda que ele faz e da qual deve estar arrependido: cada vez que ele fala, traz à tona o nome de Bolsonaro, o que acaba ajudando o Flávio.

Flávio é um nome conhecido no país inteiro pelo sobrenome, enquanto Caiado e Zema não têm essa mesma projeção nacional. Caiado foi candidato a presidente em 1989 e percorreu o país, mas aquela geração já esqueceu; ambos são de estados centrais e pouco conhecidos nas extremidades Norte e Sul.

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Processo da dosimetria deve demorar

No dia 30 de abril, está marcada a sessão do Congresso para apreciar os vetos do presidente à Lei da Dosimetria, que altera as penas dos condenados pelo 8 de janeiro. Com essa lei, a pena de Bolsonaro, por exemplo, poderia cair de 27 anos para 2 anos.

Muitos acreditam na aprovação, mas o processo deve demorar, pois é necessário examinar caso a caso para soltar, embora a condenação tenha sido feita em grupo. Cita-se o caso de Débora do Batom, condenada a 14 anos por escrever em uma estátua com batom removível, e o do senhor de Blumenau, também condenado a 14 anos por doar R$ 500 para um ônibus de manifestantes.

Na véspera, ocorrerá a sabatina do Messias, um acordo feito porque Davi Alcolumbre temia uma CPI do Master. No caso Master, encaminha-se a delação de Daniel Vorcaro, que deve envolver também Fabiano Zettel. Outro envolvido morreu estranhamente na prisão, o caso ainda carece de esclarecimentos.

* Metodologia da pesquisa: 2.004 entrevistados pelo Datafolha entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03770/2026.

ALEXANDRE GARCIA

INTIMIDADE DE VORCARO E MARTHA É DETALHE PERTO DO CONTRATO DE R$ 129 MILHÕES

martha graeff daniel vorcaro

Martha Graeff, influenciadora e ex-noiva de Daniel Vorcaro

Escutei as declarações, certamente orientadas pelo advogado, de Martha Graeff, a ex-noiva de Daniel Vorcaro. Pelo que ela contou, Vorcaro apareceu logo depois do divórcio dela e preencheu a carência que ela vivia naquele momento. Martha reclamou do uso da intimidade dela e do casal, com a divulgação das mensagens. Mas é verdade que aquilo levou à descoberta de muita coisa, alguns detalhes até acessórios depois que apareceu o contrato de R$ 129 milhões.

Nem precisávamos saber que Alexandre de Moraes se encontrou com Vorcaro na adega, em Campos do Jordão, que voou em avião de Vorcaro. Isso é acessório; o principal é o contrato com o escritório da esposa de Moraes, por aquele montante bastante eloquente. Assim como, quando se vai discutir um homicídio, se uma pessoa matou outra, o fato de ter sido com um ou dois tiros é acessório. Para Moraes o fato principal é o contrato, assim como para Dias Toffoli é o aporte de milhões no Tayayá. O resto é discussão acessória, quase uma perda de tempo.

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A máquina de distribuir dinheiro de Vorcaro

De certa forma, esse interesse na vida amorosa de Vorcaro foi um certo alívio para Moraes, mas durou pouco; agora estão recuperando o foco, e estamos vendo a dinheirama que Vorcaro distribuía a título de consultorias advocatícias. É incrível: R$ 10 milhões para Michel Temer, R$ 6 milhões para Ricardo Lewandowski, R$ 18 milhões para Henrique Meirelles, R$ 14 milhões para Guido Mantega, R$ 6,4 milhões para Antônio Rueda (presidente do União Brasil), R$ 5,45 milhões para ACM Neto. O portal Metrópoles, do Luiz Estevão, recebeu R$ 27 milhões – Estêvão diz que foi um patrocínio de transmissão de futebol. O colunista Léo Dias recebeu quase R$ 10 milhões.

É muito dinheiro fácil, vindo de quem investia no Master sonhando em receber 150%. O vigarista joga uma isca maravilhosa, a pessoa acha que vai sair ganhando e fica na mão. O Fundo Garantidor de Crédito tem limite; quem aplicou mais de R$ 250 mil não vai receber tudo de volta. E os bancos tiveram prejuízo muito grande.

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Com situação de Pacheco resolvida, Alcolumbre coloca para andar nomeação de Messias ao STF

Davi Alcolumbre está se movimentando em relação a Jorge Messias. Lula mandou a mensagem com a indicação para o Senado porque já sabia que estava tudo destravado. Alcolumbre queria Rodrigo Pacheco, mas Lula agradou Pacheco e o convenceu a ser candidato em Minas Gerais. Será um desastre, mas ficou acertado. Pacheco, então, diz a Alcolumbre que está tudo resolvido, e o presidente do Senado decide tocar adiante a nomeação de Messias. Só então Lula formalizou a indicação de Messias, que está na Comissão de Constituição e Justiça.

O relator da indicação é Weverton Rocha (PDT-MA), que só não foi indiciado na CPMI do roubo dos velhinhos da Previdência por ligações com o “careca do INSS” porque o relatório foi rejeitado. Para vermos como começa bem esse processo. Lula precisava de um reforço no Supremo e mandou mais um advogado dele, que aliás era o moço de recados da Dilma, que ficou famoso naquela ligação telefônica em que a Dilma falou o nome dele e ninguém sabia direito quem era o “Bessias” – sinal de que notável ele não era. Resta saber se, na sabatina, se os senadores vão conferir se o indicado tem “notável saber jurídico”. Será que eles conseguem comprovar isso?

ALEXANDRE GARCIA

ENDIVIDAMENTO BATE RECORDE E NÃO TEM CAUSA ÚNICA

endividamento

Endividamento bateu novo recorde no Brasil em março de 2026

É triste ver como as famílias brasileiras estão endividadas. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio mostrou que o endividamento atinge 80,4% das famílias. Quase 30% estão com algum pagamento em atraso, e a média de atraso é de 65 dias. Uns 12% estão sem a menor condição de pagar. Quase metade tem dívida vencida há mais de 90 dias, e 19% pegam mais da metade da renda familiar para pagar dívidas e prestações. Em média, quase 30% da renda familiar está comprometida.

Qual é a causa? Lula está culpando as “bets”, as apostas. Pode ser uma das causas, mas há também questões culturais. Há quem queira se exibir para os vizinhos, os amigos, para o grupo, mostrar roupa boa, equipamento eletrônico, carro novo, como quem diz “não precisava, mas comprei um carro novo”. É uma necessidade de a pessoa mostrar como está bem de vida. Vemos muito isso em gente que veio do interior e que está cheia de joias e roupas finas, de grife, mas sabemos que estão devendo até os olhos. No interior as pessoas dizem “vejam o Fulano, como está se dando bem na capital”, mas lá na capital o Fulano está devendo tudo.

Eu aprendi isso em casa. Minha mãe dizia, de algumas pessoas, “não tem onde cair morto, mas olha a roupa que está usando na rua para mostrar para os outros”. Meu avô dizia: “quem dá o passo maior que a perna acaba rasgando as calças ou a saia”, quer dizer, acaba mesmo estragando sua vida. É preciso ter educação financeira, mas as pessoas não aprendem a usar seu dinheiro e ficam descontroladas.

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Lula quer fazer bondade com devedor, mas é ele quem trabalha para desvalorizar o nosso dinheiro

Lula resolveu incluir as dívidas nas suas bondades eleitorais. Está dando mais gás, mais eletricidade, mais isso, mais aquilo, e agora promete renegociar dívidas. Falei com amigos ligados ao mercado financeiro e a bancos, e todos me disseram que isso é impossível, porque a pessoa está devendo em vários lugares, não tem como unificar tudo como Lula sugeriu. Vão tirar do Fundo de Garantia? O FGTS é para outras coisas, é para emergências. E, no fim, Lula não dá nada; ele está apenas devolvendo aquilo que o povo pagou como imposto. Isso precisa ficar bem claro: governo não fabrica dinheiro, não produz riqueza. Governo só gasta riqueza. Pode até transferir riqueza de um para o outro, mas não produz riqueza.

E o pior de tudo é que quem causa a desvalorização do dinheiro é o governo, pelo excesso de gastos em relação à arrecadação. Se no fim do ano a inflação chega a 4,5%, isso é o que foi tirado de nós. E os juros são altos porque o governo precisa lançar papéis no mercado para tapar os buracos, porque a arrecadação não é suficiente, e tem de pagar juros sobre esses papéis. Ou aumenta os impostos, tirando dinheiro diretamente do brasileiro, ou tira indiretamente, porque tem que pagar juros mais altos e provoca uma alta geral. É assim que funciona.

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Joesley banca a Avibras e impede venda para chineses

Quando eu falo do setor bélico brasileiro, tenho memórias tristes, como a Engesa e o tanque Osório, um senhor tanque que quase foi vendido para o Oriente Médio – os blindados Cascavel e Urutu participaram de vários conflitos na região –, mas a Engesa faliu e o projeto de um tanque excelente foi encerrado; um dos Osórios, maravilhoso, está em Santa Maria. Hoje esse assunto volta à baila com o abre-e-fecha e os ultimatos envolvendo o Estreito de Ormuz. Uma outra empresa bélica brasileira, a Avibras, estava em recuperação judicial, e quem estava comprando a empresa eram os chineses. Já imaginaram? É uma indústria de artilharia, fabrica foguetes, o sistema lançador Astros II. Mas aí apareceu Joesley Batista para investir na Avibras. Entre Joesley e os chineses, acabamos ficando com o nacional.

ALEXANDRE GARCIA

IBANEIS FOGE DE CPI E PERDE CHANCE DE EXPLICAR NEGÓCIO ENTRE BRB E MASTER

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Ibaneis Rocha não compareceu a sessão da CPI do Crime Organizado

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal que se desincompatibilizou para ser candidato ao Senado, deveria ter ido à CPI do Crime Organizado no Senado nesta terça-feira. Todos querem saber por que ele queria tanto comprar o Master, a ponto de ter mobilizado sua bancada no Legislativo local, e conseguido aprovar a aquisição do Master pelo BRB, por 14 votos a 10 – agora ele lava as mãos, bota a culpa na oposição, no presidente do BRB que saiu. Mas ele não foi. Era o terceiro convite feito a Ibaneis, que recorreu ao ministro André Mendonça; o ministro respondeu que a presença era facultativa, que Ibaneis não é testemunha, nem investigado, só tinha sido convidado para falar a respeito da aquisição. E, então, Ibaneis não compareceu.

A CPI do Crime Organizado deu a Ibaneis a oportunidade para esclarecer tudo, mas ele não quis. Ele tem medo dessa oportunidade. É mais ou menos como o policial que para um motorista que tomou uma boa dose de uísque, e o motorista não quer soprar no bafômetro. O policial já sabe: se o motorista não quer fazer o teste, é porque tem alguma coisa.

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Supremo tem sido fundamental para atrapalhar as investigações das CPIs

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, disse – não com essas palavras – que contra o cidadão comum vale o Código Penal, vale o Código de Processo Penal, mas, nos casos de colarinho branco, de sonegação, de corrupção, de peculato, envolvendo agentes públicos, a lei fica fraquinha e não se consegue investigar. A queixa é muito grande. Alessandro Vieira, relator da CPI, afirmou que Alexandre de Moraes está atemorizando funcionários do Ministério da Fazenda – mais exatamente do Coaf, que controla movimentações de valores acima do normal – para intimidá-los. Como se sabe, esposas de ministros do Supremo já foram detectadas fazendo movimentações anormais.

Não nos esqueçamos de Dias Toffoli, que fez tudo para blindar o caso do Banco Master, escondendo as investigações. Vimos ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes impedindo a quebra de sigilo bancário e fiscal do Tayayá ou da Maridt, a empresa dos irmãos Toffoli. Por que essa proteção? A Constituição exige publicidade, exige transparência e exige moralidade no serviço público. E o patrão é o público – a não ser que não estejamos mais em uma democracia e não sejamos cidadãos, mas servos feudais. Mas não é assim: por enquanto somos cidadãos, a menos que queiram nos jungir. O público quer saber; os ministros não querem deixar, enterrando CPIs e derrubando quebras de sigilo. É praticamente uma confissão.

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Lula fará pobre fumante pagar mais imposto para o rico não sofrer com aumento da passagem aérea

Lula tirou o PIS-Cofins do querosene de aviação, e vai cobrar essa arrecadação perdida aumentando o IPI de quem compra cigarro. É um Robin Hood às avessas, porque hoje quem fuma geralmente é a pessoa mais pobre, e quem viaja de avião são os que têm melhores condições financeiras. Ou seja, é o mais pobre, com seu imposto, que vai segurar o preço das passagens aéreas, que subiria por causa da alta do querosene de aviação. É o pobre, mais uma vez, subvencionando a classe alta, por honra e glória do Estado brasileiro, que se mete em tudo.

ALEXANDRE GARCIA

ECONOMIA GLOBAL AJUDOU LULA NO PASSADO, MAS A MARÉ VIROU

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Navios petroleiros cruzando o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial

Lula já teve sorte com a economia mundial, e isso ajudou o seu desempenho eleitoral nos dois primeiros mandatos, principalmente no primeiro deles. Agora a situação global se inverteu; está tudo ruim. O presidente mandou zerar o imposto do querosene de aviação, porque o combustível vai sofrer um reajuste de 54% e a passagem aérea vai subir.

Tudo está mais caro. O Banco Central faz semanalmente aquela pesquisa com 100 agentes do mercado, para levantar as previsões e identificar tendências. O último Boletim Focus veio com mais inflação. A previsão de IPCA para 2026 está perto do limite máximo de tolerância da meta. A meta é de 3%, mas a estimativa está em 4,36%. Passando de 4,5%, já estoura o limite de tolerância. Enquanto isso, o PIB está cada vez mais encolhido. A última previsão para este ano era de 1,9% – que já é pouco –, e agora baixou para 1,85%.

O agro também está com problemas de dívidas e de fornecimento de fertilizante por causa da guerra da Ucrânia. Jair Bolsonaro tinha liberado fertilizante da Ucrânia e da Rússia, falou com ambos, mas agora está tudo emperrado. E a situação no Estreito de Ormuz não se resolve… combustível mais alto significa transporte mais caro, o que afeta todas as mercadorias.

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Já começaram as especulações sobre o vice de Flávio Bolsonaro

Lula também deve estar preocupado com as pesquisas. Flávio Bolsonaro está surpreendendo, e já falam no vice. Será Tereza Cristina? Será Romeu Zema? Matematicamente é mais racional convidar Zema, que vem do segundo maior colégio eleitoral do país. O primeiro é São Paulo, onde Tarcísio de Freitas é candidato ao governo e já atrai votos. Em Minas Gerais, parece que o candidato de Lula ao governo será Rodrigo Pacheco, de triste memória por sua passagem na presidência no Senado, uma memória tão triste quanto a que Davi Alcolumbre está construindo agora.

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Não é um código que vai resolver os problemas éticos do STF e da Justiça

As pessoas me perguntam aqui em Lisboa – ainda nesta segunda-feira me perguntaram – por onde virá a solução, o que precisa acontecer no Brasil. Eu respondo que precisa haver uma votação maciça em candidatos ao Senado que queiram salvar o Supremo da decadência, porque a decadência está provada. A Constituição exige, para ser ministro do Supremo, conduta e reputação ilibadas. Mas vejam como está a reputação da suprema corte: só 24% acham que está ótima ou boa; quase o dobro disso, 42%, acham que está ruim ou péssima. Provavelmente nunca na história o Supremo chegou a este nível de reprovação.

E mesmo assim parece que os ministros continuam em uma bolha. As saídas do presidente do Supremo são quase pueris: “vamos fazer um código de ética”, promete. Quer dizer que, se não houver código, ninguém vai se portar com ética? Vejam o caso do desembargador Newton Ramos, que trabalhou para Nunes Marques como juiz auxiliar, é muito ligado a ele, e mesmo assim deu uma liminar que favoreceu um cliente do filho de Nunes Marques. O desembargador afirmou que “não há hipótese ilegal de impedimento”. Que régua ética ruim a dele! “A lei não diz que não é, então eu vou fazer”, é assim que funciona? E a moralidade? A ética? Não aprendeu nada disso em casa, na infância?

ALEXANDRE GARCIA

FLÁVIO AVANÇA E NORDESTE JÁ NÃO É TERRITÓRIO GARANTIDO PARA LULA

Flávio avança e Nordeste já não é território garantido para Lula

Flávio avança no Nordeste e conta da reação de Lula será paga pelo eleitor

Agora, até em Alagoas aparece pesquisa (veja metodologia abaixo) em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está à frente de Lula (PT). Digo até em Alagoas, porque a força de Lula é no Nordeste. Para a eleição deste ano, a estratégia de Flávio conta com Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição para governador de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.

Além disso, ele também deve fazer um acordo com Romeu Zema (Novo) – existe a vontade de tê-lo como vice. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e a parceria poderia compensar a preferência a Lula no Nordeste.

Mas parece que Flávio está investindo muito no Nordeste. Não acreditava que houvesse a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o filho, mas, pelo jeito, está havendo mesmo, até com uma certa vantagem para Flávio, considerando a última eleição, que teve uma pequena diferença para Lula.

A candidatura de Flávio está crescendo. Aí vem o desespero de Lula. Ele quer fazer bondades. Bondade com quê? Com o dinheiro dos pagadores de impostos, que vão pagar toda a conta. Ele não vai tirar nada do bolso dele, obviamente, para pagar conta de gás, de luz e do corte na “taxa nas blusinhas”.

A “taxa das blusinhas” rendeu R$ 425 milhões em janeiro, subiu muito em relação a janeiro do ano passado, quando recolheu R$ 341 milhões. Ou seja, está arrecadando cada vez mais tributo. No total do ano passado, só “taxa das blusinhas”, referente a compras no exterior acima de US$ 50, foram R$ 5 bilhões de impostos para sustentar o Estado brasileiro.

Impostos federais para sustentar o governo federal, inchado, gordo, lento e, sobretudo, incompetente. Delfim Netto me dizia que divide-se a arrecadação em três partes: uma parte da corrupção, outra da má aplicação e, finalmente, sobra uma última parte para finalidade real. É incrível.

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Conta das “bondades” fica para o contribuinte

Uma pesquisa Quest, divulgada em 11 de março, mostrou que 46% dos brasileiros dizem que a situação econômica piorou nos últimos 12 meses. Só 21%, quase metade disso, dizem que melhorou. É meio paradoxal, porque a Fundação Getulio Vargas (FGV) diz que a renda cresceu 6,6%, mas o PIB só cresceu 1,9%. A pobreza extrema diminuiu, mas segundo o Lula, não tem mais pobres.

Uma vez, Lula disse que haveria 20 milhões de crianças em situação de rua no país. Ao ser contestado por Jaime Lerner, que considerou o número impossível, o então presidente teria respondido que não havia problema em exagerar, pois as pessoas acreditariam. O episódio foi relatado pelo próprio Lula e ficou registrado.

Esse desespero do governo vai gerar inflação. Ele atende a alguns, mas todos vão pagar mais caro, vão ter mais gastos e, do jeito que as coisas andam, metade do país está sustentando a outra metade, não por querer, mas porque o governo acha que isso é transferência de renda, aplicação do socialismo e, na verdade, são bondades que o governo quer faturar como sendo dele, pois é ano eleitoral.

É um ano muito importante. Temos que pensar mil vezes antes de votar, porque nós somos os responsáveis na origem. São esses candidatos que nós elegemos para presidente, para o governo de estado, senador, deputado estadual, deputado federal, que estão na cúpula.

Inclusive, ministros do Supremo Tribunal Federal precisam ser aprovados pelo Senado. Se um senador que faz a sabatina do ministro do Supremo não tem régua de ética, ele aprovará qualquer pessoa que tenha 35 anos, não tenha notável saber jurídico, nem reputação ilibada. Esse é o perigo. A responsabilidade é nossa, de nós eleitores.

Metodologia da pesquisa citada

A pesquisa citada pelo colunista foi realizada pelo Instituto Verità entre os dias 18 a 24 de março de 2026. Foram realizadas 1.220 entrevistas estruturadas com eleitores de Alagoas. A margem de erro é de 3,0 pontos percentuais, para um intervalo de confiança de 95%. Nessa pesquisa, Flávio teria 51,5% dos votos válidos no estado e Lula, 40,6%. O registro no TSE é AL-03400/2026.

ALEXANDRE GARCIA

NAS ASAS DAS LINHAS AÉREAS VORCARO

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Nos jatinhos de Vorcaro a mordomia certamente era garantida

Preparem-se os que usam avião, que fazem viagens por esse Brasil enorme, porque a passagem vai ficar mais cara. O querosene de aviação, o combustível dos jatos, vai subir 54,3% – em abril vem um primeiro aumento de 18%, depois virá o resto.

Isso, claro, para quem paga passagem aérea. Alguns não pagavam; agora, que estourou o escândalo do Master, já não sei. Estou falando dos que voavam no jatinho do Daniel Vorcaro. A Folha de S.Paulo denunciou em manchete de primeira página as viagens do casal Moraes nos jatinhos; no dia seguinte, foi a vez das viagens de Dias Toffoli, direto de Brasília para o resort Tayayá. Eles evitam o aeroporto internacional de Brasília para não serem vaiados; sabem que merecem vaia, já nem vão. Enquanto isso, Edson Fachin viaja normalmente de avião comercial, mesmo sendo presidente do Supremo, e não acontece nada.

Os ministros até poderiam usar os jatinhos da Força Aérea Brasileira, mas pelo jeito nem isso eles quiseram. Decerto acham chato, é muita disciplina, é só milico dentro do avião… Nos jatinhos do Vorcaro a mordomia é maior, deve ter até champanhe. Isso eles não vão encontrar num avião da FAB; terão água, pão, provavelmente um biscoito.

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Não é só proximidade, é promiscuidade mesmo

Os voos estão todos registrados em Brasília; do lado esquerdo de quem vai para o aeroporto está o terminal de aviação executiva. A autoridade chega, e há o registro da hora em que chegou. Os dois ministros, certo dia, chegaram às 10 horas, e às 10h10 decolou um avião de Vorcaro. Como nenhum deles saiu do terminal depois, estavam ambos voando, obviamente.

O nome disso é promiscuidade, como aconteceu em Londres naquela degustação de uísque, como deve ter acontecido em Trancoso. Fala-se tanto das festas que Vorcaro promovia e filmava, guardando as imagens. Falam em 80 e tantos vídeos que ele gravou, e nove celulares com registros. Dali vão tirar os nomes, para orientar as perguntas caso Vorcaro faça uma delação.

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A reputação ilibada se foi há tempos, mas eles seguem ministros do STF

O terrível nisso tudo é a nossa passividade diante da passividade do Supremo. O STF afunda como se estivesse em areia movediça. A resistência é fajuta. Eles acham graça e dizem que vão enfrentar tudo isso com um código de ética. Se lá no Supremo é preciso haver um código escrito, é porque esse código não está na medula das pessoas desde o berço. A Constituição é suprema, está acima dos ministros do Supremo e de nós todos, como a lei maior deste país, e ela exige reputação ilibada para ser ministro. É básico: quem não tem reputação ilibada nem deveria passar na sabatina do Senado. E quem perde a reputação ilibada depois de ter entrado no Supremo perde o principal atributo de um ministro do Supremo, além do notável conhecimento jurídico. E, se alguém perde o requisito para ser ministro do Supremo, por que continua lá?

ALEXANDRE GARCIA

RECORDANDO JOÃO PAULO II, O PAPA QUE MUDOU O MUNDO EM QUE VIVEMOS

joão paulo ii espanha

O papa João Paulo II durante visita à Espanha, em 1982

Este 2 de abril é Quinta-Feira Santa. E foi num 2 de abril, em 2005, que morreu um papa contemporâneo que está entre os maiores da Igreja Católica: João Paulo II, Karol Wojtyła. Ele foi ator antes de entrar no seminário, trabalhou em pedreira e em uma indústria química durante a ocupação nazista da Polônia, perdeu o pai (que era suboficial do exército) em 1941, e em 1964 já era arcebispo de Cracóvia. Wojtyła brilhou na Polônia defendendo sempre os direitos de liberdade e a democracia, foi eleito papa em 1978, morreu em 2005, aos 84 anos, e foi canonizado em 2014.

Em 1981, João Paulo II sofreu um atentado a tiros, cometido por um terrorista turco que depois lhe pediu perdão. Aquilo afetou sua saúde, mas ele ainda viajou muito. Em 1980, antes do atentado, veio ao Brasil, visitando 13 cidades em 12 dias. Eu acompanhei de perto essa visita, porque estava no Palácio do Planalto. O papa veio ao Brasil outras duas vezes, em 1991 e 1997. Eu lembro dos gritos lá em Porto Alegre: “Rei, rei, rei, o Papa é nosso rei”, “o papa é gaúcho”… Ele era de uma simpatia enorme, e o povo retribuía.

O mundo mudou graças ao papa. Foi um trio: João Paulo II, a britânica Margaret Thatcher e o presidente norte-americano Ronald Reagan. Eles acabaram com a União Soviética. E vejam que interessante: no dia seguinte ao Natal, 26 de dezembro de 1991, a força deles foi tamanha que a União Soviética acabou se dissolvendo. Hoje há uma guerra entre a matriz da União Soviética, que é Moscou, e um antigo Estado que integrava a URSS: Rússia e Ucrânia. Na verdade, a Ucrânia era o principal produtor de cereais e de bens da União Soviética. Ontem falei de Cuba, que virou uma “república democrática socialista” num 1.º de abril de 1961; não importa o que esteja no nome oficial: um regime socialista até hoje não tem como ser também democrático.

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Lula tem cada vez mais motivos de apreensão

A preocupação de Lula anda muito grande neste ano eleitoral. Ele está meio desesperado; não encontrou um partido importante – como um PSD, por exemplo – para fazer o vice da chapa, e terá de repetir Geraldo Alckmin, que é do PSB. Ele também está muito preocupado com a rejeição mostrada nas pesquisas. A última pesquisa em São Paulo já mostra uma distância maior: cinco pontos percentuais de Flávio Bolsonaro sobre Lula no segundo turno, e uma rejeição a Lula que é de seis a sete pontos maior que a rejeição de Flávio. E agora ainda apareceu um tertius muito comentado, que é Ronaldo Caiado.

A eleição será em outubro, e nós já estamos em abril. Daqui a pouco vêm as convenções. A eleição vai mexer com este país e será decisiva para o futuro, porque o eleitor tem de aprender a votar – o leitor que me desculpe, mas um eleitor que reelege Dilma e depois elege Lula, depois de ele ter sido condenado por nove juízes, ainda precisa aprender. Recordemos que houve as condenações, houve o recurso à segunda instância, houve a revisão, houve o recurso para a terceira instância e, ainda assim, Lula foi condenado. Só depois foi descondenado, anularam tudo, porque estavam com medo de Jair Bolsonaro. Agora, Bolsonaro está em prisão domiciliar e ungiu o filho como seu representante. É o que temos neste ano eleitoral.

Dados da pesquisa mencionada na coluna: Pesquisa Atlas/Estadão feita com 2.254 eleitores de São Paulo, entre 24 e 27 de março, por recrutamento digital aleatório. Margem de erro: 2,2 pontos porcentuais. Nível de confiança: 95%. Registros: SP-00899/2026 e BR-01079/2026