CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

POCIDÔNIO SAMBURÁ, O DISCÍPULO DE EDIR MACEDO

Maquete da nova Igreja “As Ovelhas de Deus”, a ser construída num bairro miserável

Vindo lá de Cafundó do Judas, cidade onde o cão perdeu as botas e satanás limpou o rabo com folhas de urtiga, o hoje pastor Pocidônio Saburá, depois de uma longa viagem em cima do lombo dum jegue, instalou-se em Conceição do Fiofó, comunidade Bolsa Família de Paulista-PE, onde encontrou terreno fértil para implantar seu plano maquiavélico, seguindo a teoria do seu guru Edir Macedo: “Abram igrejas que atrás vêm crentes e dízimos, e você não precisa justificar os milagres: Todos estão na Bíblia, legitimados por Deus.”

Instalado na casa da irmã Juventina enquanto arrumava trabalho, assistindo ao educativo Xou da Xuxa, Pocidônio viu um episódio da Família Dinossauro que o deixou com água na boca: Dino da Silva Sauro enterrar a sogra Zilda Phillips, que teve ataque de catalepsia e dois dias depois de enterrada a velha “ressuscita” e volta para casa, e conta à filha Fran as maravilhas de ter estado no céu, mas que infelizmente teve de retornar a terra sem ver o marido já morto porque não havia chegado seu dia. Seu nome não constava no “Livro dos Mortos.” O episódio chama-se “Vida após morte.”

Fascinado com a ideia da ressurreição no episódio, Pocidônio começou a bolar um estratagema: frequentar a Igreja Universal do Queijo do Reino do bairro, observar e anotar os modus operandi com que os obreiros daquela igreja faziam para usurparem a grana dos fiéis. E criou sua própria igreja com um sugestivo título de “As Ovelhas de Deus.”

Para isso, no primeiro terreno que encontrou desocupado cravou uma cruz e disse aos presentes que ali seria edificada a primeira igreja de Deus. E num sermão emocionado conclamou a todos se unirem para erguer a verdadeira igreja de Deus e livrar os fiéis do julgo dos “poderosos dos templos.” Uma referência ao mestre dissidente Edir Macedo.

– Irmãos, aqui vamos edificar a verdadeira igreja do senhor nosso Deus. Com a colaboração de todos vocês haveremos de construir a casa da purificação da alma, para depois da morte a gente saber o rumo de nossa eternidade. Todos que ali estavam aplaudiram o “pastor de pé!”

Para por em ação seu plano astucioso de arrecadar dinheiro dos frequentadores, Pocidônio reuniu mais de vinte obreiros para pressionarem os fieis a pagarem o dízimo antecipado para construir a igreja.

Com a igreja já pronta em menos de seis meses de arrecadação de dízimo, recebendo de cheques pré-datados, a notas promissórias e faturas de cartão de crédito dos fiéis, carros, apartamentos, casas, Pocidônio não só ergueu a igreja como mandou os filhos estudar no estrangeiro, comprou carros de marca para a família e todo dinheiro arrecadado dos fiéis foram empregados em imóveis particulares, o que só aumentava seu poderio financeiro, sua bajulação pastoral nas redondezas e sua influência política na prefeitura do município.

Não satisfeito com a quantia de dinheiro arrecado de dízimo dos fiéis todos os dias nas igrejas mais lucrativas, o pastor Pocidônio criou um “Regimento Interno” orientando todos os obreiros da igreja para que, “partir do recebimento daquele regimento interno, todos os arrecadadores de dinheiro teriam uma meta de dízimo a cumprir nem que para isso tivesse de tomar a força dos fiéis.”

Quando alguns obreiros perceberam a desumanidade do “regimento interno” foram questionar o pastor, informando-lhe que havia fiéis que chegavam a igreja com apenas a passagem e que seria desumano pedir-lhe o dinheiro, pois como é que iriam voltar para casa? E o pastor, escroque, determinou:

– Ou vocês fazem o que está determinado no “regimento”, ou eu demito todos e ainda mando dar-lhes uma surra de urtiga no rabo. Vocês têm de entender uma coisa: todos que chegam a minha igreja só vêem porque acreditam em mim e nos milagres de Deus, portanto, estão dispostos a dar tudo que tem, e o papel de vocês aqui é arrecadar ou tomar, e dizer-lhes que Deus vai dar em dobro no Céu. Dentro da minha igreja eu só quero obreiro com astúcia e ambiciosos, dispostos a tomar tudo dos fiéis porque do contrário podem pegar o Bonde do Tigrão e zarpar!

E, antes que qualquer obreiro lhe contrariasse com perguntas impertinentes, típicas da arrogância humana, deu meia volta, olhou a todos nos olhos e fulminou:

– A bondade não está no ego de quem detém o poder!!!

a) Vídeo onde o sábio dos sábios Edir Macedo, o deus de Pocidônio Samburá, diz que o coronavírus é coisa de Satanás e afirma que a cura está na sua igreja, desde que os “fiéis” paguem o dízimo.

b) Vídeo onde o mestre dos mestres Edir Macedo ensina como tomar dinheiro dos “fiéis” miseráveis que frequentam suas igrejas, no qual Pocidônio Samburá se inspirou para roubar seus “fiéis”, assim como fazem todas as igrejas do mundo.

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DJANGO (I) – O CLÁSSICO DO WESTERN SPAGHETTI

Texto escrito em parceria com o mestre em filmes de faroeste D.Matt

Dedicamos ao cinéfilo Altamir Pinheiro e seu neto Antonio Miguel, o cowboy

O caixão fantasmasgórico de Django

A cena de abertura do primeiro filme de faroeste da franquia “Django” é épica, memorável, monumental, icônica e irretocável. A câmara focando um homem solitário, arrastando um caixão fantasmagórico no lamaçal caótico, tendo como painel de fundo um cenário natural, maçante, acompanhado da antológica trilha sonora “Django”, composta pelo maestro argentino-italiano Luis Enríquez Bacalov, é apropriada para o clima sinistro do western.

“Django” conta a história de um andarilho misterioso, acompanhado de sua poderosa metralhadora, disposto a vingar a morte de sua esposa, assassinada por uma gangue rival que agia na região fronteiriça do México. Para conseguir seu intento ele fez um “acordo” com um dos chefes de uma gangue comandada pelo general Hugo Rodriguez, bandido frio, calculista, ambicioso, contra seu oponente, o Major Jackson e seu bando de facínoras, sanguinários.

É um dos melhores exemplos de filmes do gênero western spaghetti, com uma trilha sonora agitada, duelos de armas e um anti-herói de poucas palavras, que arrasta um caixão mortífero. O visual magnífico do filme é devido ao trabalho do diretor de arte Carlo Simi, que já havia criado personagens e cenários para filmes anteriores do diretor Sergio Corbucci, como o “Minnesota Clay.”

Antes e depois da primeira cena antológica do confronto entre “Django” com a metralhadora e os mais de quarenta bandidos do Major Jackson em frente ao Saloon do Nathaniel, ficava a impressão de que estávamos diante de mais um western lugar-comum, piegas, mas ante a competência do diretor Sergio Corbucci o que vemos é um filme com cenário de batalha expertise, cruenta, épica, que até hoje fascina crítico e cinéfilo que o elogiam como uma obra-prima do western spaghetti.

Como diz o mestre de filme de far western D.Matt., autor do Prefácio do livro “NO ESCURINHO DO CINEMA”, do cinéfilo-historiador Altamir Pinheiro, a ser lançado em breve: “DJANGO l, ou simplesmente DJANGO”, é o primeiro, o único e o verdadeiro. Esse filme tornou o ótimo ator Franco Nero famoso e ao citarmos DJANGO, o filme, todos logo identificamos o primeiro e o melhor da franquia. Sim o nome “Django” tornou-se uma franquia, pois existem muitas dezenas de filmes relacionados ao personagem famoso, talvez cheguem perto de meia centena de filmes, todos com adjetivos diversos, títulos chamativos, mas nenhum chegou perto do original que permanece eterno, com a matriz intocada, sem nada que possa abalar a sua merecida fama.

No ponto de vista cinematográfico, o único filme que chegou quase a merecer comparação com a qualidade do original, foi o filme “Django Livre” do diretor Quentin Tarantino. A comparação que se faz é apenas pela qualidade do filme, seus valores cinematográficos, seu ótimo elenco, que contou acertadamente com a participação do “Django” original, Franco Nero, numa pequena atuação, mas uma grande e merecida homenagem prestada pelo cineasta Tarantino ao grande ator, criador do personagem cujo nome, até hoje nos emociona. O filme cria um clima místico e quase sobrenatural, quando o personagem aparece do nada arrastando um caixão, como uma aparição fantasmagórica deixando todos apavorados e surpresos, sem saber o que esperar. O diretor Sergio Corbucci soube segurar com muita competência e profissionalismo essa atmosfera sombria.

Nada de parecido tinha sido visto antes nos filmes do gênero western, e a expectativa vai num crescendo para todos os personagens do vilarejo e muito importante, também para nós os expectadores do filme, pois o que vai ou poderá acontecer é uma incógnita.

Mas o diretor Sergio Corbucci mostrou que é um mestre, pois os fatos vão se sucedendo até que afinal o inesperado é revelado e com a sucessão dos acontecimentos, os vilões são enfrentados e como em todo bom filme de faroeste: o mocinho vence no final para satisfação de todos.

Ressalte-se o grande número de filmes que levam o nome “Django”, com dezenas de atores que fizeram o personagem-título, mas como se pode ver pelos enredos, nenhum deles é a continuação do filme original. Não que não sejam bons atores, mas sim porque o personagem do primeiro é muito místico, sombrio, e o ator deu ao personagem-título um desempenho extraordinário que nenhuma imitação conseguiu alcançá-lo.”

Em cena antológica dentro do oeste, Django arrasa com os quarenta capatazes do Major Jackson, que foge desmoralizado, com a cara cheia de lama dum tiro de COLT 45.

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AMPUTAÇÃO DE MÃOS DE POLÍTICOS CORRUPTOS À VISTA…

Deputado Federal Boca Aberta debochando de sua inseparável tornozeleira eletrônica

O deputado federal Boca Aberta do PROS/PR protocolou o projeto de lei n.º 582 na Câmara dos Deputados propondo a amputação de mãos de políticos condenados por crime de corrupção contra o patrimônio público, “desde a condenação até o trânsito em julgado.”

Como o artigo 5.º da Constituição Federal-1988 não veda esse tipo de castigo para esse de crime, nada mais justo do que a argumentação do deputado para a propositura desse projeto de lei, ressuscitando a máxima codificada por Hamurábi, baseado na lei de Talião: Olho por Olho Dente por Dente.

Código de Hamurábi que inspirou Boca Aberta a elaborar o PL da amputação

Conforme dispõe o PL do deputado “a amputação das mãos direita e esquerda de político que comete crime de abuso de poder econômico, improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação até o trânsito em julgado.”

Delibera o PL que:

“Presidente da República, Governador de Estado, membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, das Câmaras Legislativas, das Câmaras Legislativas Municipais que tenham contra sua pessoa ou os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, terão suas mãos amputadas se cometerem os seguintes crimes:

a) abuso do poder econômico ou político;

b) contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores;

c) organização criminosa, quadrilha ou bando que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargo ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente;

d) os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso do poder econômico ou político, que forem condenados em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado;

e) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde que a condenação ou o trânsito em julgado por órgão colegiado.”

Segundo define ainda o projeto de lei do deputado: “a amputação das mãos do político corrupto será realizada no Sistema Único de Saúde – SUS, clínica do local do domicílio do parlamentar condenado.”

Justificando sua intenção para a propositura do PL, Boca Aberta, habituado a transformar praças, ruas e avenidas em telecatch para se promover, argumenta que “os políticos se aproveitam da boa fé dos eleitores, prometem tudo, não cumprem nada e nada lhes acontece. Políticos desviam verbas de vários setores como educação saúde e muita gente morrem por causa disso. Eles matam milhares de pessoas e ninguém faz nada. Quando se desvia dinheiro da merenda escolar, por exemplo, muitas crianças passam mal de fome por isso e ninguém faz nada! A população está cansada de sofrer nas mãos de políticos inescrupulosos e frios, pessoas más, desumanas.”

Se for aprovado pelo Congresso Nacional sem alteração, como não aconteceu com o pacote anticrime do ministro Sergio Moro, com menos de um ano teremos uma câmara e um senado manetas, a não ser que entrem em ação os juízes de garantia criados pelo deputado federal do PSOL/RJ, Marcelo Fresco, para anularem as condenações…

QUEM SE HABILITARÁ A SER O CARRASCO?

Repórter da TV Paraná, DANIELA CALÇA VARA, mostra por que o Deputado Federal Boca Aberta ganha o eleitor na manha, se fazendo de vítima nos barracos que apronta e apanha.

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JUIZ CONDENADO POR VENDA DE SENTENÇAS NÃO CAIU A FICHA…

Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (COTEL), em Abreu e Lima-PE

Conhecida líder comunitária de Chão de Estrelas e frequentadora do Lar Espírita Mensageiros da Boa Nova, visita o COTEL em Abreu e Lima-PE todas as segundas-feiras para levar palavras de conforto aos detentos provisórios ou já condenados pela justiça.

Todos os presos a chamam por Tia, mesmo os mais novatos, pois ela ganha a simpatia e a confiança de todos apenas com acenos de mão.

Quanto aos presos das alas mais afortunadas, médicos, advogados, diplomados, empresários, dentre outros, vêem-na com indiferença. Escondem-lhe o rosto, dão-lhe as costas para não serem reconhecidos em reportagens, nem terem suas faces gravadas por ela.

Segundo ela, o ambiente é deprimente, degradante, angustiante, depressivo. Não entende o que leva um homem instruído a praticar roubo, estupro, assassinato, latrocínio, corrupção, para depois parar naquele ambiente hostil, dantesco, sem nenhuma perspectiva de humanização.

Dentre suas andanças no COTEL, nenhuma lhe marcou mais do que a presença de um ex juiz novo, inteligente, sempre vestido a caráter, condenado por venda de sentenças.

E o mais interessante para ela: mesmo depois da confirmação de sua condenação por unanimidade pelo pleno do tribunal, e seu consequente afastamento das funções jurisdicionais, ele ainda voltou a delinquir.

Obrigado a produzir para ter suas penas impostas pela condenação abatidas, segundo estabelece a Lei de Execuções penais (Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984), dito juiz foi obrigado a fazer um trabalho de revisão e correção de sentenças penais condenatórias de presos que, assim como ele, estavam “ressocializando”. Com menos de três meses posto à frente dos trabalhos, voltou a delinquir e foi destituído do “cargo” pelo administrador do COTEL.

Certa segunda-feira Tia chegou ao estabelecimento prisional para fazer seu trabalho voluntário costumeiro e deu pela falta do juiz na sala dos “ressocializandos” Curiosa pela ausência, foi direto perguntar ao administrador por que o juiz não estava mais no “cargo” de “juiz revisor dos processos”. O administrador franziu a testa, olhou nos olhos dela e foi categórico:

– Minha senhora, aquele sujeito é o tipo de gente que não tem recuperação nem no inferno! Acredite: com apenas três meses que ele estava à frente dos trabalhos, foi descoberto que ele estava rasgando documentos dos processos e jogando na privada e proferindo sentenças distorcidas dos fatos! Enquanto eu estiver à frente do Estabelecimento ele não será mais “juiz revisor!” Por mim ele só sairia daqui morto, mas como nossas leis penais são umas merdas!…

No vídeo a seguir, reportagem da TV Minas feita na cidade de Paracatu

A sociedade não dava valor a nós porque nós não “dava” valor a sociedade – Wualasi

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LAMENTO DE UM RIO (EU SÓ QUERIA PASSAR)

Nestes tempos de enchentes assustadoras que destroem as grandes metrópoles brasileiras devido à interferência do homem à Natureza, nada mais importante e reflexivo do que assisti a esse comovente vídeo, ouvindo a narrativa desse lindo texto escrito pela professora Scheilla Lobato, com a locução de Alan Fernandes.

* * *

Professora Scheilla Lobato

Me perdoe por toda essa bagunça
Eu só queria passar
Eu não fui feito para destruir…
Eu só queria passar
Já fui Esperança para os Navegantes…
Rede cheia para pescadores…
Refresco para banhistas nos dias de intenso calor
Hoje eu sou sinônimo de Medo e Dor…
Mas, eu só queria passar…
Me perdoe por suas casas
Por seus móveis e imóveis
Por seus animais
Por suas plantações…
Eu só queria passar
Não sou seu inimigo
Não sou um vilão
Não nasci pra destruição…
Eu só queria passar
Era meu curso natural
Só estava seguindo o meu destino
Mas, me violentaram,
Sufocaram minhas nascentes
Desmataram meu leito…
Quando eu só queria passar
Encontrei tanta coisa estranha pelo caminho…
Que me fizeram transbordar…
Muros
Casas
Entulhos
Garrafas
Lixo
Pondes
Pedras
Paus
Tentei desviar…
Porque eu só queria passar
Me perdoem por inundar a sua História,
Me perdoem por manchar esta história…
Eu só estava passando…
Seguindo o meu trajeto
Seguindo o meu destino:
Passar.

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APOCALYPSE NOW – AS LOUCURAS DE UM CINEASTA GENIAL

O louco Coronel Kurtz, interpretado por Marlon Brando

APOCALYPSE NOW é uma obra-prima, um clássico da cinematografia beligerante. É um filme épico de guerra que questiona até onde vão a loucura, a paranóia, a estupidez, o egoísmo humanos. Suas conseqüências psicológicas. Os motivos sórdidos e desumanos que levam os homens a provocarem os conflitos, ceifarem vidas, destruírem a natureza e se tornarem algozes de si mesmos.

Em 1939, Orson Welles planejava filmar “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, roteirizado por John Milius, livro do qual Francis Ford Coppola extraiu o roteiro de Apocalypse Now. Mas o projeto de Orson Welles foi abortado em pré-produção porque os produtores de Hollywood consideraram o custo da produção muito alto.

Em 1969, Francis Ford Coppola fundou a produtora American Zoetrope para filmar fora do sistema de Hollywood, e seu primeiro filme pela produtora foi exatamente Apocalypse Naw, com a direção ficando a cargo do talentoso cineasta George Lucas, que acabou desistindo da empreitada depois de mostrar o roteiro a vários estúdios e estes se recusarem. Mas Francis Ford Coppola nunca desistiu do projeto de filmagem, assumindo-o como produtor e diretor dez anos depois de ter rodado “O Poderoso Chefão” 1 e 2, ter ganhado oito Oscar e ficado milionário.

A esposa do cineasta Francis Ford Coppolla, Eleonor Coppola, conta toda essa loucura do esposo no set de gravação no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse, lançado em 1991, mostrando as tumutuadas filmagens do que foram os duzentos e trinta e oito dias de loucura nas selvas das Filipinas e Camboja, movidos por muita droga, medo, suicídios dos nativos, desejo de suicídio do próprio cineasta, que se via na iminência de ver seu grandioso projeto ruir, não seguir adiante por falta de verbas e a quase desistência do insano Coronel Walter E. Kurtz, interpretado pelo irascível Marlon Brando, que já havia recebido um milhão de dólares adiantado dos três milhões acertados com o diretor por três semanas de filmagens.

O resultado desta loucura insana está no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse, (Corações das Trevas: Apocalypse de um cineasta), onde os bastidores das filmagens assustam mais do que a Guerra do Vietnã.

Com as filmagens iniciadas em 1976, mas só terminadas em 1979, APOCALYPSE NOW honrou o produtor e diretor Francis Ford Coppola, porque além de ter recebido os Oscar mais importantes do cinema à época, até hoje é considerado um épico imbatível sobre a barbárie e loucura da guerra. Ademais: Ter empurrado uma pajacara de grosso calibre no rabo de todos os “críticos” de nota de rodapé de jornais da época, que projetaram o fracasso do filme antes mesmo do lançamento.

É “O horror!” É “O horror!”.

TRAILER OFICIAL DE APOCALYPSE NOW

CENAS DE LOUCURA DA GUERRA

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

EXPECTATIVA DE VIDA

Para meus estimados amigos D.matt, Atamir Pinheiro e Brito

Seu José Amâncio da Silva era um velho do interior da Paraíba que tinha mais de cem anos. Morava vizinho de uma família que já havia morrido quase todo mundo: Tataravô, trisavô, bisavô, pai, tio, neto!…

O velho tinha o coro do bucho tão esticado que alumiava o sol. Daquele velho preto de sol a pino do sertão, do roçado, da paia da cana.

Certo dia o coletor do IBGE chega na casa dele e bate na porta: pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá! De lá de dentro o velho Amâncio fala: “Já vai!”

Quando abre a porta, o velho dá de cara com o coletor e pergunta: Diga?

Eu sou coletor do IBGE e gostaria de fazer umas perguntas pro senhor.

E o velho Amâncio: Arroche!

Nome do senhor: José Amâncio da Silva.

Idade? Eu não vou mentir pro senhor, não! Quando eu completei noventa e oito, eu parei de contar.

Faz muito tempo que o senhor parou? Perguntou o coletor. Resposta: Na faixa de uns quinze anos!!!!

Pelo amor de Deus – disse o coletor do IBGE – esse velho tem mais de cento e cinco anos com uma lucidez da porra dessas?! Não é possível!!!

E para testar o velho se não estava com malandragem, pergunta: Essa casa é do senhor? E o velho: Não! É de mamãe! E o coletor espanta-se: “tá cá bixiga nada! O velho ainda tem mãe!!”

E o coletor pergunta: Ela está? E o velho: Não! Ela saiu com papai!!

E o coletor, não acreditando, pergunta: Eles voltam logo? E o velho: Não! Eles foram visitar vovó que está com Chikungunya!!!

Curioso com a longevidade do velho, o coletor pergunta:

Qual segrego para estar vivo? E o velho responde na bucha: Não ter morrido ainda, oia! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá!

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NASCE UM MONSTRO PETISTA

Para o humorista Goiano

No dia 22 de dezembro de 2009 foi publicado no DOU o Decreto n.º 7.037 do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o chamado Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3. Trata-se de uma ameaça institucional às liberdades e direitos democráticos garantidos na Constituição Federal do Brasil de 1988. Senão vejamos o que pregou o monstro lulista para consolidar a ditadura petista por toda a América Latina por meio da corrupção, da mordaça a quem pensasse diferente, e a libertinagem:

1)Meios de comunicação censurados; 2) Aborto legalizado; 3) Casamento homossexual aprovado; 4) Proibição de exibir símbolos religiosos; 5) Prostituição regulamentada; 6) Maconha liberada; 7) Aprovada invasão de terras e propriedades urbanas e rurais, sem direito a indenização; 8) Liberdade e dinheiro a todos os sindicatos e movimentos dos trabalhadores rurais sem terra e grupos terroristas para ocuparem seus espaços dentro da sociedade e impor o terror a todos que forem contrário à implementação das medidas!…

Portanto, o PNDH-3 trata-se do programa nacional dos direitos humanos que se tentou instituir de forma sutil inúmeras medidas para desconstruir os padrões e valores sociais, políticos, éticos e morais. E também o Estado de Direito e as liberdades individuais e coletivas do povo brasileiro, todas já garantidas na Constituição Federal de 1988.

Na época, colunista da “Veja”, Reinaldo Azevedo Baitolão, rodou as tamancas contra “o suposto Decreto dos direitos humanos que prega um golpe na justiça e extingue a propriedade privada no campo e nas cidades. Está no texto. Para ler basta clicar aqui.

Leiam o decreto, assistam ao vídeo com as críticas pontuais e sintam na carne uma das maiores sandices instituídas pelo governo petista, digna das piores ditaduras mundiais, com a conivência do maior bandido que esse país já pariu, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi eleito por duas vezes pela maioria dos eleitores brasileiros para ser presidente dessa Grande Nação, e os vinte e oito ministros comparsas que corroboraram com a tramoia do CHEFE, elaboraram e assinaram o DECRETO MONSTRENGO!

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Manifestação da sociedade pensante contra o decreto autoritário:

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A VIÚVA QUE SÓ PENSAVA EM SEXO

Aos mestres do faroeste D.MATT. e ALTAMIR PINHEIRO

À semelhança da viúva alegre, que tentou “tesourar” Seu Luiz

Seu Luiz era um setentão bem casado, pai de quatro filhos e avô de seis netos. Frequentador assíduo da Igreja Universal do Queijo do Reino, (mas não pagava dízimo nem com a bixiga lixa!) Deus não precisa de dinheiro! – justificava. No bairro onde morava era conhecido pela paciência, sinceridade, serenidade, solidariedade e respeito aos vizinhos, que sempre os cumprimentava sorrindo.

Marceneiro de mão cheia, seu Luiz não parava em casa. Era constantemente solicitado para ir à casa de um freguês instalar um móvel, fazer um armário, armar uma cama, consertar uma mesa, uma cadeira, coisas da profissão.

Certo dia recebeu um telefonema em casa de uma desconhecida chamando-o para ir à casa dela instalar um armário de cozinha na parede. Ele anotou o telefone, o endereço e prometeu que no outro dia chegava lá no horário combinado.

Ao chegar à casa da viúva, seu Luiz foi recebido com agrado, galanteio, afago, cortesia, com a coroa toda “empiriquitada”, indicando o local onde queria instalar o armário, como desejava que fosse instalado e o deixou bem a vontade dizendo que não tinha pressa. De logo, acertou o preço da instalação e o material que ia comprar.

Com o material à mão comprado, seu Luiz volta no outro dia à casa da viúva alegre. Bate palmas. Ela vem atendê-lo. Ele pede licença, entra, conversa com ela mais uma vez detalhes de como deseja a posição da colocação do armário e depois começa a trabalhar.

Assanhada, a viúva alegre se aproxima do marceneiro e pergunta se ele não deseja fazer um lanche, tomar um café, beber uma água, tomar um suco. Enquanto vai lhe oferecendo essas cortesias a viúva alegre vai observando seu Luiz da cabeça aos pés: mulato, gordinho, braços e pernas grossos, sério, educado, tudo que a viúva alegre deseja num homem. Nesse ínterim, vai lhe subindo um calor com um desejo louco de ter aquele coroa nos seus braços. Imagina-o pelado na frente dela e se excita toda!

Naquele instante a viúva assanhada cria uma fantasia erótica tão da moléstia do cachorro pensando em seu Luiz que não se apercebe que havia passados mais de seis horas trabalhando na instalação do armário e que ele já havia terminado o serviço!

Quando deu por si o marceneiro a chama na cozinha, pergunta se está tudo bom, se ela gostou e, a viúva, já pensando como ter uma conversa com o coroa, diz que adorou a instalação e pede a ele que retorne no outro dia para receber o valor do serviço acertado. Despede-se dele no portão, olha-o mais uma vez dos pés a cabeça e devora-o no pensamento com um sorriso vermelho de batom.

No outro dia, na hora marcada, lá está seu Luiz no terraço da viúva alegre. Bate palmas. Ela vem atendê-lo. Abre a porta, Manda-o entrar. Tranca a porta e tira a chave sem ele perceber. Pede para ele sentar no sofá e aguardar um momento enquanto ela vai tomar um banho. Nesse momento seu Luiz fica apavorado com a atitude da viúva. Mas, mesmo contrariado com o pedido dela, fica esperando que ela saia do banho o mais rápido possível e venha lhe pagar o valor do serviço acertado para ele ir-se embora.

Depois de mais uma hora de espera, seu Luiz já nervoso de tanto esperar e estranhando o silêncio da viúva, fica em pé e a chama para lhe atender, dizendo-lhe que tem outro serviço para acertar.

Nesse momento, a viúva lhe aparece de camisola transparente, sem calcinha, sem sutiã, e na frente dele, abre a camisola e o provoca:

– E aí meu gatão, meu gostosão, está pronto para fazermos uns tilicuticos regados aos prazeres da carne mijada? Tomei um banho, me perfumei toda, raspei a danadinha só pensando na gente! Vem, corre, que estou louca de desejos! Sou uma ninfomaníaca insaciável! Desde ontem que não paro de pensar em nós dois em baixo do edredom! Tudo está pronto. Só está faltando você! Vem!!

Nesse momento, vendo aquele desmantelo à sua frente e pensando na esposa que deixou em casa e que nunca a tinha traído, seu Luiz arregalou os olhos fundo de garrafa, ficou mais preto do que já era e, ameaçando a viúva, inquiri:

– Olhe, madame, eu não vim aqui para isso não, viu! Eu vim para receber meu dinheiro! Se a senhora insistir mais uma vez eu quebro aquela porta, faço o maior escândalo aqui e vou me embora. Tá ouvindo?!

Foi nesse momento que a viúva assanhada, com medo da ameaça do velho, foi lá dentro, pegou o dinheiro, vestiu uma blusa, e chegou até a porta para pagar a seu Luiz. Mas antes de pagar, olhou o coroa mais uma vez da cabeça aos pés e lhe provocou:

– Olhe, tudo isso aqui é seu (e abriu a camisola transparente mais uma vez). Basta você me telefonar, marcar o momento para a gente fazer aquele ziriguidum (e começou a requebrar toda e revirar os olhos) que garanto que você não vai se arrepender! Estou à sua inteira disposição! A hora que quiser, pode vir seu garanhão! E começou a por a língua nos lábios em forma de gestos obscenos provocando o coroa, que já estava apavorado com tais atitudes estranhas da velha assanhada!

Enquanto a viúva fechava a porta seu Luiz saiu para rua, desabalado, apavorado, desnorteado, pensando naquele desmantelo jamais lhe ocorrido na vida.

Chegando em casa, seu Luiz chamou o filho mais novo, solteiro, ao canto da casa e lhe contou o vexame por que havia passado, e o filho sirrindo-se de se mijar, olhou para o velho, e o provoca:

– Mas meu pai, e o senhor não comeu essa coroa, não, foi?!! Puta merda! Meu Deus do Céu! Ó Senhor, deste a coroa à pessoa errada, Senhor! Por que não deste a mim, Senhor?!

E seu Luiz, sobressaltado com a reação galhofa do filho, imaginou: Meu Deus, como as coisas estão mudadas!… E ficou mudo porque percebeu que vinha vindo sua esposa, Dona Santinha, da igreja, com cara de quem comeu e não gostou!

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

TODO AMOR É ÚNICO

Ambos haviam saído da adolescência quando começaram a namorar. Num piscar de olhos o amor disse sim e tudo começou como num conto de fadas à moda Marie-Catherine d’Aulnoy, no final do século XVII.

Não havia tempo ruim para os dois. Qualquer incidente bizarro do cotidiano, por desimportante que fosse, era motivo para rirem e mostrar ao mundo que estavam felizes. Coisas da juventude.

Depois de três meses de namoro ambos resolveram noivar. À moda antiga, românticos, os dois passaram de frente a uma loja de vender alianças e ele perguntou-lhe qual a que ela mais se identificava. E ela, feliz da vida, indicou uma da vitrine, simples. Ele comprou e ambos ficaram noivos ali mesmo dentro da Loja Alianças, sob o olhar emocionado da atendente.

Depois do noivado, começaram a organizar a vida. Compraram enxoval e demais utensílios domésticos de uso diário para uma casa de um casal que se preze organizada.

Menos de um ano de noivado, estavam os dois pombinhos à frente do Juiz da Vara de Família e Casamentos dizendo sim à liberdade de escolha; e um mês depois, para a felicidade da família materna, estavam no altar da igreja de frente para o pároco, prometendo estar com a amada na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-a, respeitando-a e sendo-lhe fiel em todos os dias da vida, até que a morte os separe.

Dois anos depois de casados, sem filhos, sem motivos, sem desentendimentos, ambos resolveram separar. Ela foi para um lado em busca não se sabe do quê, e ele também. Depois, ela arrumou um novo companheiro e resolveu com ele ficar, sem se casar. Ele fez o mesmo; porém casou-se.

Vinte e cinco anos depois de separarem, ambos se encontram. O amor e a admiração que um nutria pelo outro não mudou anda. Ela com dois filhos, viúva; e ele com dois filhos, casado. O mesmo sorriso, a mesma admiração, o mesmo prazer da juventude emergiram nos corações de ambos, como a lua após o sol se por. Abraçaram-se, beijaram-se, choraram. Curiosamente, ele a abraça como no passado, as lágrimas correndo dos olhos, pergunta-lhe:

– Amor, se a gente se amava tanto. Gostava tanto a ponto de até hoje o amor continuar vivo, latente, latejante, por que a gente se separou?

E ela, fingindo não lhe dar ouvido, mas aplicando-lhe um beijo demorado, responde:

– Era porque nós dois éramos dos adolescentes irresponsáveis; mas hoje somos maduros e eu estou viúva!

Beijou-lhe mais uma vez e se foi sem olhar para trás.

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Comentários sobre o filme “Cenas de Um Casamento” do genial diretor Sueco Ingmar Bergman