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A COR PÚRPURA (1985) – UM DOS FILMES MAIS INJUSTIÇADOS DA HISTÓRIA DO OSCAR

Cena icônica de A Cor Púrpura do diretor Spielberg

A Cor Púrpura é um drama bem produzido. Obra de gênio. Penetrante e emocionante. Auxiliado por um elenco versátil, que sabe o que está fazendo na frente da tela grande e o faz com competência, apesar de novato. O icônico diretor Steven Spielberg conseguiu entregar uma obra-prima intimista e empática ao telespectador. Além de carregar aquele charme “old school” característico de sua filmografia. Sua extensa duração se justifica ao desenvolver com calma e humanidade cada personagem. Pouco a pouco, o espectador vai entrando na pele da personagem de Whoopy Goldberg e não sai dela por dias após assisti-la.

A história se passa no início do Século XX, na Georgia de 1906. Uma jovem negra com apenas 14 anos é violentada pelo pai, e se torna mãe de duas crianças. Alem de perder a capacidade de procriar, Celie, a jovem, interpretada magnificamente por Whoopi Goldberg, imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa do mundo que a ama, sua irmã Nattie, e é doada a “Mister” (Danny Glover), um tirano negro poderoso que a trata simultaneamente como escrava e objeto de sexo.

O filme é maravilhoso do início ao fim. As cenas são inesquecíveis e irretocáveis: Nattie, a irmã que luta bravamente para escapar do estupro pelo tirano marido de Celie; a separação das irmãs; as duas agarradas uma à outra enquanto o tirano as arrasta sem dor nem piedade; as irmãs de longe acenando uma para a outra com as mãos pálidas, sem poderem mais se alcançar, cantando “nada vai afastar minha irmã de mim, Makidada,”; o momento em que a personagem Celie encontra as cartas enviadas pela irmã, que o “marido” escondeu dela durante anos; o jantar onde Celie “vomita” tudo que engoliu por tantos anos, tudo isso feito com tempero de genialidade, até a cena final tão esperada: O reencontro das irmãs que voltam a brincar tal como quando eram crianças. De fato, uma das maiores injustiças da Academia de Hollywood não ter contemplado com uns quatro Oscars essa obra-prima spielberguiana, apesar de 11 indicações.

Talvez um filme feito esse não seria produzido hoje. “Porque não seria um diretor branco e de visão florida a adaptar o livro da escritora negra Alice Walker?!” – alguns esquerdoides poderiam questionar. Não. Apenas por exatamente ter se presente hoje na indústria, essa constante preocupação de ter representatividade racial e cultural no cinema sendo feito de forma digna, fiel e respeitosa. Optando assim que apenas cineastas negros poderiam dirigir filmes voltados à temática da cultura negra e apenas cineastas mulheres poderiam dirigir filmes voltados à temática de cunho feminino, e por assim em diante. Um intuito de louvável feito, sem dúvidas, e vários talentos por trás das câmaras apareceriam e receberiam devido destaque, mas como isso poderia funcionar na prática?

A busca por um talento de verdade dentro do ramo artístico, e humano, do cinema, se perde aos poucos. Spielberg não precisou ser negro ou mulher para que pudesse contar aqui uma profunda história sobre ambos. Apenas usou do seu prodigioso talento, como grande entendedor de cinema e do espírito humano, para que pudesse contar essa história comovente. Não só sobre a cultura negra e o mundo das mulheres, mas sim a jornada de uma mulher, que lutou as tristezas e sofrimento do seu dia a dia, que aprendeu o que é amor e fé verdadeiros no que é bom e que pode ser encontrado no mundo, e para que pudesse um dia novamente reencontrar sua irmã. Com seu infinito amor que as permitiu vencer os ódios que as separou, e as fez se unir novamente no final. Exatamente como o mesmo amor com o qual o livro foi escrito e esse filme foi feito. O ódio as separou; o amor as uniu novamente.

A Cor Púrpura | 1985 | Trailer Legendado | The Color Purple

Cena marcante do filme A Cor Púrpura (The Color Purple)

Art7 A Cor Púrpura

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O RESGATE DO SOLDADO RYAN (1998) – UMA OBRA-PRIMA SOBRE A ESTUPIDEZ DA GUERRA

Caos da guerra com realismo e intensidade

Filmes de guerra são normais no cinema, mas nenhum conseguiu ter o mesmo impacto de “O Resgate do Soldado Ryan,” um dos melhores filmes de guerra já realizado na história do cinema no Século XX. Sua abertura é épica, sua qualidade técnica é deslumbrante. O diretor Steven Spielberg, um dos maiores cineasta da atualidade, usa muitos efeitos práticos. A movimentação de câmara é frenética e coloca o telespectador dentro do campo de batalha, onde tem uma ambientação realista demais e agonizante, com soltados sendo baleados, feridos, mutilados e mortos. Nessa abertura épica, que dura mais de trinta minutos o tiroteio, a água do oceano vira um mar de sangue humano.

Essa sequência inicial do desembarque na praia de Omaha, na França, é perfeita. Somos dignificados a assistir quase meia hora de situações brutais e ásperas, promotoras de um senso de perda muito forte, que casa com o fato deste ser um retrato fidedigno do que realmente acontecera no fatídico Dia D. Ainda não fomos apresentados aos personagens, não nos importamos com eles sob um viés formal, mas, mesmo assim, Steven Spielberg faz com que cada baixa seja impactante. A câmera é deslocada para o meio do confronto e o público sente o pesar da situação, como provavelmente nunca sentira anteriormente.

O trabalho sonoro do longa metragem impressiona, tanto a edição quanto a mixagem de som são sensacionais. O trabalho de edição e montagem é espetacular e sempre mantém um bom ritmo narrativo, além da excelente fotografia campal e a maquiagem. O roteiro nunca deixa a imersão de lado, mesmo quando o ritmo é mais calmo, com excelentes diálogos.

No elenco temos grandes atuações e uma história curiosa: Steven Spielberg queria que um ator desconhecido fosse contratado e escolheu Matt Damon que, ironicamente, ganhou o Oscar de melhor roteiro e melhor ator em “Gênio Indomável” em 1997, antes do lançamento de “O Resgate do Soldado Ryan” pelo trabalho de “Gênio Indomável,” o que trouxe mais holofotes ao filme.

Matt Dalmon está extraordinário no papel do soldado Ryan, apesar de aparecer no final do segundo ato. Ryan Hurst, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper e Adam Goldberg estão todos bem comprometidos no papel, mas quem tem maior destaque é Tom Hanks. Ele possui uma carga dramática excepcional e passa um conhecimento de general que impressiona. Ele passa o lado humano e a angústia pela morte de cada um soldado do seu grupo, ele sente a culpa pela morte.

Não é à toa que Tom Hanks foi indicado ao Oscar de melhor ator e ganhou. E o filme foi indicado a 11 Oscars, rendendo para Steven Spielberg a estatueta de melhor diretor. Um filme perfeito em som, fotografia, elenco, direção. Um filme bem escrito, emocionante, um dos melhores da carreira do diretor Spiolberg. O melhor filme de guerra já produzido.

O “Resgate do Soldado Ryan” é um filme genial sobre guerra, essa estupidez humana. Jamais aparecerá outro igual na história do cinema.

O Resgate do Soldado Ryan – Trailer Oficial

O Resgate do Soldado Ryan (1998) | Crítica | Review

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SERGIO LEONE (1929-1989) – A LENDA DO SPAGHETTI WESTERN

Robert De Niro e Sergio Leone durante as filmagens de Era Uma Vez Na América

Os primeiros filmes dirigidos pelo homem que inventou o Spaghetti Westrn, subgênero de faroeste cunhado pelos críticos burros da época, foram Hanno Rubato un Tram (1954), história do roubo de um bonde, também conhecido como We Stole a Tram, filme de comédia italiano; Os Últimos Dias de Pompeia (1956), história do legionário romano Glaucus, voltando para casa, vindo de guerras distantes. Ao chegar descobre que seu pai fora assassinado por uma gangue de bandidos encapuzados, e jura vingança; e O Colosso de Rodes (1961), é um dos poucos filmes a retratar o período entre a morte de Alexandre e domínio do Império Romano da região.

Depois dessa iniciativa não fracassada, o diretor Sergio Leone, se dedica integralmente ao subgêro spaghetti western e, até Era Uma Vez Na América (1984), seu último clássico antes de se encantar, realiza verdadeiras obras-primas da Sétima Arte que só um gênio poderia fazê-lo.
Seus poucos filmes, especialmente os da Trilogia dos Dólares e seus dois “Era Uma Vez”, são obras-primas que os aficionados do gênero spaghetti não podem deixar de ver ou rever.

Sem dúvida alguma, Sergio Leone, é o grande nome do western mundial, ultrapassando as fronteiras do sub-gênero spaghetti western. Seus personagens são as formas usadas em um sem número de obras do mesmo gênero ou de vários outros completamente diferentes. Seus seguidores famosos são muitos, sendo o principal deles Quentin Tarantino…

Sua descoberta de atores hoje icônicos é inigualável e sua capacidade de fazer muito com quase nada, é imbatível. E, lógico, como não poderia deixar de citar que sua parceria com o genial Ennio Morriconne é uma das mais prolíficas da Sétima Arte, com grandes composições usadas, reusadas e abusadas.

Leone, o gênio do Spaghetti Western, que teve a capacidade de realizar obras magnas feito Por Um Punhado de Dólares (1964), Por Uns Dólares a Mais (1965), Três Homens Em Conflitos, ou O Bom, O Mal e o Feio (1966), Era Uma Vez No Oeste (1968) e Era Uma Vez Na América (1984), filme este que narra com maestria a vida de David “Noodles” Aaronson e Maximilian “Max” Bercovicz, dois amigos que lideram um grupo de jovens judeus do gueto no crime organizado da cidade de Nova Iorque. O filme explora temas de amizade de infância: amor, luxúria, ganância, traição, perda, relacionamentos quebrados, juntamente com o surgimento de gangsters na sociedade americana.

O filme é reconhecido por toda crítica especializada no tema como uma obra-prima e um dos maiores filmes de gangster já produzidos de todos os tempos.

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A DAMA DE FERRO (2011) – O MELHOR DO FILME É MERYL STREEP

Imagem do filme quando saiu em DVD

A cinebiografia de Margaret Thatcher da diretora britânica Phyllida Lloyd, com Meryl Streep numa interpretação memorável, impagável, inesquecível de A Dama de Ferro, se utiliza da velha forma de apresentar a protagonista já idosa e, a partir de suas lembranças, exibir seus feitos do passado, com flashbacks não sequenciais da personagem. Uma tática explorada à exaustão no cinema.

Antes de se posicionar e adquirir o status de verdadeira Dama de Ferro na mais alta esfera do poder britânico, Margaret Thatcher (Meryl Streep) teve que enfrentar vários preconceitos na função de primeira-dama do Reino Unido em um mundo até então dominado por homens. Durante a recessão econômica causada pela crise do petróleo no fim da década de setenta, a líder política tomou medidas impopulares, visando à recuperação do país. Seu grande teste, entretanto, foi quando o Reino Unido entrou em conflito com a Argentina na conhecida e polêmica Guerra das Malvinas. Eventos como os confrontos com os trades unions (os sindicatos britânicos), também foram relevantes para sua biografia, mas foram esquecidos no filme..
Lançado em 2012, A Dama de Ferro é a biografia cinematográfica desta figura magna, controversa, que foi chefe de estado de 1979 a 1990, e era conhecida por seus posicionamentos firmes e inflexíveis, não por ser uma megera horrível, mas porque precisava se impor dentro do universo masculino. O grande triunfo da produção foi ter escolhido Meryl Streep para interpretar a personagem principal, uma atuação que lhe valeu, por mérito, o Oscar, o Globo de Ouro e o Bafta de Melhor atriz em 2012.

No roteiro de Abi Morgan, a trama segue a estrutura tradicional de transitar entre o presente e o passado da vida da Baronesa Thatcher. Neste caso, há um interessante dado biográfico que justifica algumas transições de cena e tempo: Lady Thatcher estava senil, apresentando sinais de demência nos últimos anos. A primeira cena do longa-metragem apresenta uma idosa de lenço na cabeça comprando uma garrafa de leite, caminhando por uma Inglaterra que ela desconhece, em um misto de confusão mental e de uma país que não mais lhe pertence. A imagem pontua bem o distanciamento da primeira ministra nos últimos anos de vida.

É nas idas e vindas entre passado e presente que Meryl Streep e Jim Broadbent brilham. Mesmo em poucas cenas, o velhinho Denis conquista pelo carisma, demonstrando o companheirismo da relação com Thatcher e, em nenhum momento é eclipsado pelo talento de Steep, sem dúvida a grande estrela que brilha neste filme.

Parte do sucesso desta interpretação se deve à maquiagem esmerada da também vencedora do Bafta e Oscar, Marese Langan, que não só a transformou em uma Thatcher mais jovem como desenvolveu uma maquiagem realista para a velhice, dando total credibilidade física à personagem. Enquanto Streep compõe a personagem desde sua postura, na velhice curvada e com dificuldades de andar, para a forte senhora de passos firmes do parlamento.

Definitivamente não é uma obra prima. No entanto, para quem acompanhou um pouco da história no período em que Margaret Thatcher foi primeira ministra, o filme tem a virtude de manter a atenção do público. A excelente interpretação de Meryl Streep com certeza é o ponto alto.

Quanto a forma de apresentar a primeira ministra, não estou certo de que seja a melhor. Partindo de sua senilidade e intercalando trechos da história da premier, de alguma maneira, o filme deixa nublada a extensão de sua influência, ao deixar de fora a possibilidade de discutir os pontos de vista que a fizeram tão controversa.

a) “A DAMA DE FERRO” – Trailer Legendado Full HD

b) Crítica: A Dama de Ferro

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LINCOLN (2012) – UMA OBRA-PRIMA CINEBIOGRÁFICA CARENTE DE ANÁLISES INTELIGENTES

Daniel Day-Lewis recebeu o Oscar de melhor ator interpretando Lincoln

A cinebiografia de Abraham Lincoln, obra-prima dirigida por Steven Spielberg sobre os últimos anos da vida de um dos presidentes mais fascinantes da história dos Estados Unidos da América, se passam durante o final da Guerra da Secessão em linhas gerais, conflito esse iniciado quando os estados do Sul do país criaram um movimento separatista e declararam sua independência do país, o que foi motivado pela divergência existente a respeito da abolição da escravidão. Essa guerra foi a pior da história americana, com saldo de cerca de 600 mil mortos.

A bem da verdade, por mais que possa parecer, Lincoln não é uma cinebiografia sobre o 16.º presidente dos Estados Unidos, e essa falta de sinceridade com seu espectador acaba, justamente, contando contra o interesse pelo filme. “Lincoln” é um filme sobre a 13.ª Emenda da Constituição Americana que, com poucas palavras, aboliu a escravidão naquele país, em votação apertada, com corrupção e tudo, apoio e aval do homem mais puro da América, no dizer do congressista democrática, Thaddeus Stevens.

Baseado no livro “Team of Rival: The Political Genius of Abraham Lincoln,” da historiadora e biógrafa americana Doris Helen Kearns Goodwin, que analisa o gabinete do governo do presidente Lincoln da época, que se aliou aos seus ex-rivais de campanha em linhas gerais para aprovar a Emenda 13.ª a qualquer custo, o filme Lincoln, indicado a 12 Oscars pela The Academy, tem a sua maior força nas atuações. Daniel Day-Lewis tem mais uma atuação assombrosamente memorável na carreira, nos lembrando por que já possui três estatuetas do Oscar (Meu Pé Esquerdo (1989), Sangue Negro (2007) e Lincoln (2012). O ator incorpora o ex-presidente de forma impressionante, com um trabalho de voz que faz do personagem um sujeito delicado, mas sempre marcante e firme, falando baixo, mas sendo sempre ouvido e respeitado.

Sally Field e Tommy Lee Jones são outros destaques do elenco, que conta ainda com as ótimas presenças de David Strathairn, Hal Holbrook e Bruce McGill. Field interpreta Mary Todd Lincoln e chama a atenção em todas as sequências que aparece. Já Lee Jones surge como Thaddeus Stevens, congressista democrata liberal que causa polêmica entre os representantes do povo. O ator, que muitas vezes gasta seu talento em produções que só exigem dele a cara de durão mal humorado, brilha no filme, protagonizando, pelo menos, uma cena memorável, como no discurso na Câmara dos Representantes. Mas nem só de veteranos vive o elenco de Lincoln. Joseph Gordon-Levitt, Lee Pace e Joseph Cross também aparecem com destaque.

O longa conta com uma belíssima trilha sonora de John Williams, que tem como principal mérito o fato de não ser repetitiva ou insistente. A trilha surge de forma forte, mas não se preocupa em marcar presença durante todo o tempo. A fotografia de Janusz Kaminski também merece aplausos ao adotar uma tonalidade azulada, numa referência clara às cores da União na Guerra da Secessão. É curiosa ainda a opção por tomadas em primeiríssimo plano, com muito destaque aos rostos dos atores, o que reforça a percepção das grandes atuações.

Outro ponto positivo do filme é a direção de arte, que aqui é comandada por seis mãos (Curt Beech, David Crank e Leslie MacDonald). O trio colaborou para dar autenticidade ao drama. Tudo é suntuoso e de muito bom gosto. O mesmo pode ser dito do figurino criado por Joanna Johnston.

“O verdadeiro sentido da emenda, é que não vejo igualdade em tudo. Só igualdade perante a lei, e nada mais!” – disse o fervoroso deputado democrática Thaddeus Stevens, interpretado brilhantemente por Tommy Lee Jones, em síntese antológica em plenário da Câmara dos Representantes, em momento ímpar do filme LINCOLN.

a) Lincoln Official Trailer #1 (2012) Steven Spielberg Movie HD

b) Lincoln 20 Min. Featurette (2012) – Steven Spielberg Movie HD

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JOÃO GOMES E A POLÊMICA DO SHOW NO MARCO ZERO

O percuciente jornalista e pesquisador musical da MPB, José Teles, do Jornal do Commercio, um dos melhores do Brasil na atualidade, lança sua impressão a respeito do “cantor” serritense e questiona por que a Prefeitura do Recife não cobra pelo espaço ocupado pela gravação do DVD do dito-cujo.

A esquerda não foi idealizada visando o bem estar do povo, mas a sua idiotização

A seguir transcrevo o texto de José Teles.

* * *

O show de João Gomes, nesta quarta-feira aqui no Recife, no Marco Zero, é típico do mercado da música no Brasil neste século 21. O cantor, de Serrita, no Sertão Pernambucano (onde acontece a Missa do Vaqueiro), tem milhões de seguidores, paradoxalmente, a maioria das pessoas não sabe quem é ele, nem conhece sua música. Não se trata de gerações diferentes, ou como dizem os americanos, generation gap. Os coroas, ou caretas, de outros tempos, sobretudo do século passado, podiam não gostar de Roberto Carlos, Caetano Veloso, Raul Seixas, Legião Urbana, mas sabiam quem eram, e conheciam suas músicas. Esta é mais uma celebridade impulsionadas pelas mídias sociais feito o Tik-Tok, ou Instagram.

João Gomes entra em cena com todo um projeto pronto. Sua divulgação acentua os milhões de seguidores, os milhões de plays nas plataformas digitais e, neste caso especifico do citado show, a estrutura monumental pra gravação de DVD (pra vender a quem? Ninguém compra mais DVD). Fala-se pouco da música do jovem. Uns poucos atrás, Wesley Safadão era divulgado pelo valor do cachê, que a partir daí chegou à estratosfera.

No blog do Jamildo, no JC Online, informam-se os cachês que o cantor vem recebendo de prefeituras, e órgãos públicos em Pernambuco. Chega perto dos 4 milhões de reais. Dinheiro pago à JG Shows Ltda.

João Gomes deveria ser convidado pelo próximo presidente pra ser do ministério das finanças. Com apenas 20 anos, três de carreira, recentemente ele esvaiu-se em lágrimas ao estrear no palco principal do São João de Caruaru. Agora mostra que já conseguiu montar uma estrutura que artistas veteranos como Alceu Valença, Gilberto Gil ou Roberto Carlos não ostentam. Aliás, dois artistas veteranos participam do show, Fagner e Wanessa da Mata, talvez, não apenas por amor ao piseiro.

A prefeitura do Recife, segundo o blog do Jamildo, não pagou pelo show do Marco Zero hoje. Se pagasse seria de estranhar. O município deveria era receber pela cessão do local para o cantor. Que vai usufruir de um dos cenários mais belos do país. Também pelos transtornos a que submeteu à população, com tantos bloqueios de ruas, num começo de noite, numa cidade de mobilidade já critica. Por que não iniciar às 21h? E tudo isto pra que uma produtora de shows promova João Gomes, e mais três artistas do mesmo nicho musical, divulgados de última hora, que participam da apresentação (ganhando assim uma oportuna e valioso exposição).

Alega-se que tais shows com cantores popularescos, e bombados na web, divulgam a cidade. O Recife tem beleza, história e cultura que dispensam tal tipo de divulgação.

Andy Warhol foi autor da célebre frase “No futuro todos serão famosos por 15 minutos” e “Eu sou uma pessoa profundamente superficial”.

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CLARA NUNES – 80 ANOS MENOS LEMBRADOS DE VOZ E OBRA

Disco para a história de Clara Nunes (1980)

No último dia 12 de agosto, como bem lembrado pelo percuciente pesquisador e crítico musical, José Teles, Clara Nunes completaria 80 anos. Por cá, valoriza-se mais compositor do que intérprete, sobretudo alguém que morreu há 39 anos.

Clara Nunes foi uma das grandes vozes da música popular brasileira nos anos 70, mas seguia a tradição das cantoras do rádio. Cantava, simplesmente. Não pertenceu a movimentos, grupos, nem gravava para um determinado público.

Rotulada de sambista, ia além do gênero, foi extremamente versátil. Teve entre seus principais sucessos o arrasta-pé Feira de Mangaio (Sivuca/Glorinha Gadelha), embora o forró fosse uma eventualidade no seu repertório.

Iniciou a carreira em Belo Horizonte, e logo comandaria programas na TV Itacolomy, A Voz Musical de Minas, Viagem Musical Vasp, Clara Nunes Apresenta. Este último encerrou sua carreira em BH, em 1965, quando se mudaria para o Rio. No carnaval, como toda cantora de rádio, ia de músicas da de época. Gravou sambas carnavalescos, mas confessou, em entrevista à revista Intervalo, em 1967, que não era a dela:

“Prefiro morrer de fome a aceitar parceria em samba ruim que não é meu. Sei que os cantores veteranos que só aparecem no carnaval fazem isso: exigem parceria para cantar a música, pois sabem que são os direitos autores que fazem entrar dinheiro, mas comigo isso não pega”.

Clara Nunes, até então era uma cantora de estilo indefinido. Seu único sucesso nessa fase foi com a balada Eu Você e a Rosa, versão de Geraldo Figueiredo, um hit italiano de Orietta Berti de 1967.

Ela gravou dois sambas para o carnaval de 1968, Chorar, Chorei (Jair Amorim/Zequinha), e A Noite (Almeidinha/Roberto Muniz), mas não considerava sua praia: “É o tipo de trabalho que cansa demais e não rende nada. Mas já que gravei vou trabalhar as músicas até não poder mais. E que ninguém bobeie, senão venço de novo”. O “venço de novo” referia-se a ter gravado, em 1966, o samba Porta Aberta, de Jair Amorim e Benedito Reis, que ganhou em1966, o concurso de música carnavalesca do então estado da Guanabara (o Rio foi capital estado). Mas o grande sucesso dela no carnaval foi com Carnaval na Onda, do radialista e compositor José Messias.

Em 1968, Clara Nunes gravaria mais um samba, este deu um norte à sua carreira. O compositor e cantor da velha guarda, o também mineiro Ataulfo Alves, que andava meio esquecido, em parceria com Carlos Imperial, compôs Você Passa Eu Acho Graça. Na época um dos mais badalados nomes da música brasileira, Carlos Imperial sabia caitituar uma música. “Caitituar” significava trabalhar uma música no rádio e TV, quase sempre com um por fora a alguém da emissora. Caitituava-se também sem dinheiro, só na base do convencimento.

Certamente, o conhecimento de causa de Imperial contribuiu para o estouro de Você Passa/Eu Acho Graça, um dos maiores hits de 1968, e que direcionou Clara Nunes para a MPB. A diferença entre seu primeiro LP e o segundo é abissal. Um é formado por boleros e baladas insossas, a maioria de autores pouco conhecidos, que não a levaram a canto algum. O segundo a colocou nas paradas com mais uma parceria Ataulfo/Imperial, Você Não É Como as Flores, que abre o álbum, cujo título é Você Passa Eu Acho Graça. No repertório Chico Buarque, Tom Jobim, Martinho da Vila, Dolores Duran, Darcy da Mangueira, ou Noel Rosa.

Ele definiria o estilo definitivamente em 1971, com o álbum Clara Nunes, e demarcou seu espaço na MPB. Dali em diante só cresceria, com a produção de Adelzon Alves, com quem foi casada. Aliás, Adelzon está por merecer uma biografia pela sua contribuição à música brasileira, em geral, e samba em particular.

Clara Nunes tinha uma queda pelo Recife e Olinda. Nesse disco de 1971, há uma bela versão do frevo canção Novamente, de Luiz Bandeira. Ela canta também o pernambucano Zé Dantas autor de Sabiá (cuja parceria é de Luiz Gonzaga). Clara se tornou filha de Oxum, nas águas do Rio Capibaribe, numa cerimônia realizada por Pai Edu (Edwin Barbosa da Silva, falecido em 2011), cuja casa, o Palácio de Iemanjá, em Olinda, costumava frequentar. Pai Edu nos anos 70, era o babalaôrixá mais badalado do país. O Palácio de Iemanjá um dos pontos mais visitados de Olinda.”

Novamente – Clara Nunes

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CARMEN JONES (1954) – UM MUSICAL OPERÍSTICO

Cartaz em DVD, lançado em 2000

“Diz a sinopse do filme CARMEN JONES (1954), o extraordinário musical operístico: Impulsionado pela poderosa obra musical de George Bizet e as magníficas letras de Oscar Hammerstein II, esta versão americanizada da clássica ópera Carmen de Bizet é ‘um show dinâmico e soberbo’ com uma incandescente Carmen no auge de sua exuberância musical.”

Dorothy Dandridge, indicada ao Oscar de melhor atriz, estrela do papel principal, uma ardente e sexy criatura que cativa Joe, (Harry Belafonte), um soldado atraente, que está longe de sua amada (Olga Jemes).

Após uma briga fatal com seu sargento, Joe deserta (abandona) seu regimento com sua excitante “femme fatale.”

Porém, logo Carmen se cansa dele e se une a um lutador peso pesado (Joe Adams), disparando a trágica vingança de Joe. Ajudando a colocar fogo na tela estão Pearl Bailey e Diahann Carroll, parte do “sensacional” elenco que torna esse maravilhoso musical “difícil de ser batido” (como bem resumiu o Los Angeles Times) na época do lançamento do filme.

Carmen Jones é uma ópera francesa, adaptada e traduzida musicalmente para as terras americanas, com talento e muita criatividade por gente talentosa que conhece o que faz e o faz com muita competência, catilogência, muito talento e muito amor à arte cinematográfica.

O que veio depois desse clássico musical (se é que veio alguma coisa do gênero), foram chanchadas salobras sem qualquer originalidade e não nos vem à memória nada que possa ser citado como produção de qualidade, mesmo a propalada ressurreição do gênero pelo pretensioso musical “LA LA LAND”, que a nosso ver foi um grande fiasco, como já era esperado pelos amantes dos musicais de qualidade e pela crítica de filmes desse naipe.

Esse breve intróito serve apenas para lembrar aos possíveis leitores que no passado do cinema, no ano de 1954, foi levado à telona uma obra-prima do gênero musical, uma grande ópera, traduzida e regiamente adaptada pelos expertis hollywoodianos, no que resultou em uma das maiores obras do gênero musical de todos os tempos.

Referimo-nos à famosa e popular ópera CARMEN DE BIZET. Hoje em dia chamar uma ópera de popular é quase uma falácia, mas creiamos mesmo que a ópera Carmen sempre foi a mais encenada, principalmente nos países latinos ou europeus de língua de origem latina.

Os produtores entregaram ao muito competente diretor Otto Preminger, outrora à frente da direção de Laura (1944), Anatomia de Um Crime (1959), Exodus (1960), O Homem do Braço de Outro (1955), a direção do filme e o resultado ficou acima de todas as expectativas. O diretor, com muita criatividade, exigiu um elenco totalmente de atores negros, pois nem mesmo nas cenas externas de rua das cidades em que foram filmadas, encontra-se uma única pessoa de cor branca. É um mundo black em todos os sentidos, e esse mundo é explorado com precisão em todas as cenas, com o comportamento dos personagens, suas reações, suas falas características, com sotaques “nigger”.

As árias, belamente adaptadas, são cantadas também com sotaques dos “niggers”, como por exemplo, quando Carmen na primeira ária, a famosa “Habanera”, ela canta num inglês crioulo, com gesticulação, sotaque e palavras adaptadas para o regionalismo criado. A ária “Habenera” da ópera é então cantada como “DAT’S LOVE’, exibindo um regionalismo local muito enraizado. Isso acontece em todo o filme, porém com grande qualidade, cujo resultado é acima do esperado.

A atriz principal, Dorothy Dandrige, é um achado, ninguém melhor do que ela seria capaz de interpretar esse papel com tanta criatividade, beleza, sensualidade e um carisma impressionante. Ficou famosa mundialmente e depois desse estrondoso sucesso viajou pelo mundo, se exibindo como cantora, inclusive algumas vezes no Brasil para a exibição de sua arte. Ela foi a primeira atriz negra a ser candidata ao prêmio Oscar como atriz principal.

Acontece que no filme quem dubla a cantora Marilyn Hornen, que a dubla em todas as canções, isto porque a atriz Dorothy Dandrige tem uma voz muito pequena e não poderia dar conta do recado completamente.

O elenco é de astros de grande qualidade, principiando com o trabalho notável do cantor Harry Belafonte que se sai muitíssimo bem em todas as cenas dramáticas exigidas pelo papel.

Uma das principais personagens é interpretada pela ótima cantora Pearl Bailey que usa sua própria voz em algumas oportunidades com excelente resultado.

O ator que faz o papel do boxeador famoso (na ópera, um toureiro), Leverne Hutcherson, tem a sua grande oportunidade ao interpretar a ária (toureador) que no filme foi adaptada com grande criatividade e bela interpretação dublada por um Baixo, e nos dá uma magnífica personificação de um pugilista famoso e interpreta magnificamente a famosa ária que foi intitulada “Stand up and fight”, é um dos pontos altos do filme.

O quinteto operístico também está presente, numa bela composição intitulada “Chicago Train”, muito bem cantada a cinco vozes com precisão notável.

Enfim, todas as fases da ópera foram adaptadas belamente com resultados acima do esperado e quando termina o filme, ficamos deslumbrados com tamanha criatividade artística.

Há que se citar também a presença e voz da cantora Diahann Carrol num papel secundário, mas com uma presença de tela bastante agradável.
CARMEN JONES é um filme musical operístico único. Uma bela obra de arte cinematográfica. Assisti-lo cinqüenta vezes, se necessário for, é um presente para o lado bom gosto do cérebro, que não se cansa de sentir o que é belo.

Carmen Jones (trailer)

Carmen Jones (1955): “Beat Out dat Rhythm on a Drum” – Pearl Bailey – Full Song/ Dance – Musicals

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POLÍTICA UNE MARIA BAGO MOLE A PREFEITO DESAFETO

Mercado Público de Carpina, construído na gestão de Neo Maguary

Por conta do estrondoso sucesso do cabaré que trouxe progresso, prosperidade e desenvolvimento à sociedade comercial e canavieira do município carpinense, Maria Bago Mole despertou a atenção nos senhores de engenho bastardos da região e a admiração do prefeito Manoel Augusto do Rêgo, conhecido pelo povo como Neo Maguary, um dos homens mais influentes e populares da região da Mata Norte, depois do Coronel Bitônio Coelho.

No início dos anos setenta do século XX, eleito prefeito do município com uma expressiva votação que o surpreendeu e ao governador de Pernambuco, Eraldo Gueiros, que, em retribuição ao carinho do povo, fez-se presente à cidade por três dias para participar das inaugurações das benfeitorias realizadas pelo prefeito, Neo Maguary, que cumpriu a promessa que houvera feito ao pai quando criança: transformar Carpina numa cidade próspera, com a abertura de grandes avenidas que deram origem a bairros famosos, praças, ruas, construção do Mercado Público, construção de colégios estaduais e municipais, hospitais, clínicas, saneamentos básicos por toda cidade…

Ciente, antes de ser eleito prefeito do município, do estrondoso sucesso do cabaré de Maria Bago Mole e da sua extraordinária capacidade empreendedora, discrição e empatia com o povo, e tendo plena consciência que a sua presença às inaugurações junto com as “meninas” da “casa”, iriam dar mais visibilidades aos acontecimentos e agradar ao governador, o prefeito Neo Maguary mandou contratar, com recursos próprios, a cafetina e suas meninas para animar as inaugurações, com a presença do Coronel Bitônio Coelho, mesmo não sendo simpatizante do proprietário dos mais famosos engenhos canavieiros das redondezas.

Foram três dias de festas e inaugurações, com comes e bebes pagos pelos comerciantes locais, acontecimentos jamais vistos por aquelas paragens. Entrega de títulos de posse de terra, presentes, cestas básicas, roupas, brindes à criançada, que retribuía com sorriso largo no rosto. Distribuição de materiais de construção para edificação de casas populares, sementes para os siteiros plantar, distribuição de dentaduras, assistências médicas. Pastoris com as meninas do cabaré remexendo as cadeiras, divertindo os adolescentes e levando os marmanjos ao delírio.

Terminadas as inaugurações e os comes e bebes, o governador Eraldo Gueiros, o prefeito Neo Maguary, o coronel Bitônio Coelho e a famosa cafetina, já se articulando para nova eleição para prefeito, deram-se as mãos e se abraçaram com a certeza de que o futuro político de Carpina estava nas mãos de Maria Bago Mole, a nova musa do cabaré político.

Se ela transformou a Vila dos Vinténs, um lugar inóspito, onde Judas perdeu as botas, num oásis desenvolvimentista, por que não é páreo forte para política? – observou Eraldo Gueiros, sobre o olhar boquiaberto de todos os presentes!

Ex-prefeito de Carpina Néo Maguary em entrevista ao Programa Francisco Jr e ao Voz de Pernambuco em 31 de janeiro de 2019

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

A CURIOSA HISTÓRIA DAS ESTATUETAS DE VÊNUS

Texto escrito por Luis Antonio Tavares Portella, filho deste colunista e estudante de Biologia na Universidade Católica de Pernambuco.

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O termo estatueta de Vênus é usado para descrever as mais de 200 pequenas estatuetas de figuras femininas sensuais que foram encontradas em escavações do Paleolítico Superior em toda a Europa e algumas partes da Ásia. É importante salientar que, quando os paleoantropólogos se referem às estatuetas como “Vênus”, eles geralmente o fazem com aspas, porque as estatuetas de Vênus antecedem os mitos sobre a deusa romana Vênus em milhares de anos. O nome é derivado, em parte, de teorias que associam essas figuras à fertilidade e à sexualidade, duas características associadas à deusa romana.

I) Vênus de Willendorf

CARACTERÍSTICAS

As chamadas “estatuetas de Vênus” datam entre cerca de 40.000 a.C. e 10.000 a.C. Elas são geralmente muito pequenas, com tamanhos que variam de 2,5 cm a 10,2 cm, embora alguns exemplos tão grandes quanto 24 cm tenham sido encontrados. O material mais comum usado para esculpir essas estatuetas é a presa de mamute, mas dentes, chifres, osso e pedra também foram usados. Em um número muito pequeno de escavações foram encontradas estatuetas de barro, que estão entre os primeiros exemplos conhecidos de arte cerâmica. As figuras são geralmente nus femininos sensuais. Algumas de suas características, como seios, quadris, estômagos e regiões pubianas, são muito exageradas, enquanto outras características estão ausentes ou minimizadas. É bastante comum as figuras serem sem rosto, com braços e pernas mal definidos e uma silhueta afunilada na parte superior e inferior. As esculturas muitas vezes não têm mãos e pés definidos. Dado que os criadores dessas esculturas foram separados por 30.000 anos e centenas de quilômetros, é impressionante que tantas delas compartilhem os mesmos traços.

DESCOBERTAS IMPORTANTES

Embora a maioria das estatuetas de Vênus estejam de acordo com essas características sensuais, os achados individuais mostram que há alguma diversidade em termos de materiais e construção. Elas também são bastante diversificadas em termos de sua localização. Foram encontradas em escavações que vão desde toda a Europa até a Sibéria. A maioria foi encontrada em locais de assentamentos pré-históricos, tanto dentro de cavernas quanto em locais ao ar livre. Embora extremamente raras, algumas figuras foram encontradas em locais de sepultamento.

II) Vênus de Hohle Fels

A Vênus mais antiga conhecida, a Vênus de Hohle Fels, foi encontrada em uma caverna de mesmo nome em Schelklingen, na Alemanha, e estima-se que tenha entre 35.000 e 40.000 anos. É esculpida em marfim de mamute lanoso. No lugar de uma cabeça, a Vênus de Hohle Fels tem um laço, o que sugere que pode ter sido usada como um pingente. Muitas Vênus têm perfurações que sugerem que podem ter sido usadas como joias.

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