CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

APOCALYPSE NOW – AS LOUCURAS DE UM CINEASTA GENIAL

O louco Coronel Kurtz, interpretado por Marlon Brando

APOCALYPSE NOW é uma obra-prima, um clássico da cinematografia beligerante. É um filme épico de guerra que questiona até onde vão a loucura, a paranóia, a estupidez, o egoísmo humanos. Suas conseqüências psicológicas. Os motivos sórdidos e desumanos que levam os homens a provocarem os conflitos, ceifarem vidas, destruírem a natureza e se tornarem algozes de si mesmos.

Em 1939, Orson Welles planejava filmar “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad, roteirizado por John Milius, livro do qual Francis Ford Coppola extraiu o roteiro de Apocalypse Now. Mas o projeto de Orson Welles foi abortado em pré-produção porque os produtores de Hollywood consideraram o custo da produção muito alto.

Em 1969, Francis Ford Coppola fundou a produtora American Zoetrope para filmar fora do sistema de Hollywood, e seu primeiro filme pela produtora foi exatamente Apocalypse Naw, com a direção ficando a cargo do talentoso cineasta George Lucas, que acabou desistindo da empreitada depois de mostrar o roteiro a vários estúdios e estes se recusarem. Mas Francis Ford Coppola nunca desistiu do projeto de filmagem, assumindo-o como produtor e diretor dez anos depois de ter rodado “O Poderoso Chefão” 1 e 2, ter ganhado oito Oscar e ficado milionário.

A esposa do cineasta Francis Ford Coppolla, Eleonor Coppola, conta toda essa loucura do esposo no set de gravação no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse, lançado em 1991, mostrando as tumutuadas filmagens do que foram os duzentos e trinta e oito dias de loucura nas selvas das Filipinas e Camboja, movidos por muita droga, medo, suicídios dos nativos, desejo de suicídio do próprio cineasta, que se via na iminência de ver seu grandioso projeto ruir, não seguir adiante por falta de verbas e a quase desistência do insano Coronel Walter E. Kurtz, interpretado pelo irascível Marlon Brando, que já havia recebido um milhão de dólares adiantado dos três milhões acertados com o diretor por três semanas de filmagens.

O resultado desta loucura insana está no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse, (Corações das Trevas: Apocalypse de um cineasta), onde os bastidores das filmagens assustam mais do que a Guerra do Vietnã.

Com as filmagens iniciadas em 1976, mas só terminadas em 1979, APOCALYPSE NOW honrou o produtor e diretor Francis Ford Coppola, porque além de ter recebido os Oscar mais importantes do cinema à época, até hoje é considerado um épico imbatível sobre a barbárie e loucura da guerra. Ademais: Ter empurrado uma pajacara de grosso calibre no rabo de todos os “críticos” de nota de rodapé de jornais da época, que projetaram o fracasso do filme antes mesmo do lançamento.

É “O horror!” É “O horror!”.

TRAILER OFICIAL DE APOCALYPSE NOW

CENAS DE LOUCURA DA GUERRA

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EXPECTATIVA DE VIDA

Para meus estimados amigos D.matt, Atamir Pinheiro e Brito

Seu José Amâncio da Silva era um velho do interior da Paraíba que tinha mais de cem anos. Morava vizinho de uma família que já havia morrido quase todo mundo: Tataravô, trisavô, bisavô, pai, tio, neto!…

O velho tinha o coro do bucho tão esticado que alumiava o sol. Daquele velho preto de sol a pino do sertão, do roçado, da paia da cana.

Certo dia o coletor do IBGE chega na casa dele e bate na porta: pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá! De lá de dentro o velho Amâncio fala: “Já vai!”

Quando abre a porta, o velho dá de cara com o coletor e pergunta: Diga?

Eu sou coletor do IBGE e gostaria de fazer umas perguntas pro senhor.

E o velho Amâncio: Arroche!

Nome do senhor: José Amâncio da Silva.

Idade? Eu não vou mentir pro senhor, não! Quando eu completei noventa e oito, eu parei de contar.

Faz muito tempo que o senhor parou? Perguntou o coletor. Resposta: Na faixa de uns quinze anos!!!!

Pelo amor de Deus – disse o coletor do IBGE – esse velho tem mais de cento e cinco anos com uma lucidez da porra dessas?! Não é possível!!!

E para testar o velho se não estava com malandragem, pergunta: Essa casa é do senhor? E o velho: Não! É de mamãe! E o coletor espanta-se: “tá cá bixiga nada! O velho ainda tem mãe!!”

E o coletor pergunta: Ela está? E o velho: Não! Ela saiu com papai!!

E o coletor, não acreditando, pergunta: Eles voltam logo? E o velho: Não! Eles foram visitar vovó que está com Chikungunya!!!

Curioso com a longevidade do velho, o coletor pergunta:

Qual segrego para estar vivo? E o velho responde na bucha: Não ter morrido ainda, oia! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá! Quá!

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NASCE UM MONSTRO PETISTA

Para o humorista Goiano

No dia 22 de dezembro de 2009 foi publicado no DOU o Decreto n.º 7.037 do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o chamado Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3. Trata-se de uma ameaça institucional às liberdades e direitos democráticos garantidos na Constituição Federal do Brasil de 1988. Senão vejamos o que pregou o monstro lulista para consolidar a ditadura petista por toda a América Latina por meio da corrupção, da mordaça a quem pensasse diferente, e a libertinagem:

1)Meios de comunicação censurados; 2) Aborto legalizado; 3) Casamento homossexual aprovado; 4) Proibição de exibir símbolos religiosos; 5) Prostituição regulamentada; 6) Maconha liberada; 7) Aprovada invasão de terras e propriedades urbanas e rurais, sem direito a indenização; 8) Liberdade e dinheiro a todos os sindicatos e movimentos dos trabalhadores rurais sem terra e grupos terroristas para ocuparem seus espaços dentro da sociedade e impor o terror a todos que forem contrário à implementação das medidas!…

Portanto, o PNDH-3 trata-se do programa nacional dos direitos humanos que se tentou instituir de forma sutil inúmeras medidas para desconstruir os padrões e valores sociais, políticos, éticos e morais. E também o Estado de Direito e as liberdades individuais e coletivas do povo brasileiro, todas já garantidas na Constituição Federal de 1988.

Na época, colunista da “Veja”, Reinaldo Azevedo Baitolão, rodou as tamancas contra “o suposto Decreto dos direitos humanos que prega um golpe na justiça e extingue a propriedade privada no campo e nas cidades. Está no texto. Para ler basta clicar aqui.

Leiam o decreto, assistam ao vídeo com as críticas pontuais e sintam na carne uma das maiores sandices instituídas pelo governo petista, digna das piores ditaduras mundiais, com a conivência do maior bandido que esse país já pariu, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi eleito por duas vezes pela maioria dos eleitores brasileiros para ser presidente dessa Grande Nação, e os vinte e oito ministros comparsas que corroboraram com a tramoia do CHEFE, elaboraram e assinaram o DECRETO MONSTRENGO!

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Manifestação da sociedade pensante contra o decreto autoritário:

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A VIÚVA QUE SÓ PENSAVA EM SEXO

Aos mestres do faroeste D.MATT. e ALTAMIR PINHEIRO

À semelhança da viúva alegre, que tentou “tesourar” Seu Luiz

Seu Luiz era um setentão bem casado, pai de quatro filhos e avô de seis netos. Frequentador assíduo da Igreja Universal do Queijo do Reino, (mas não pagava dízimo nem com a bixiga lixa!) Deus não precisa de dinheiro! – justificava. No bairro onde morava era conhecido pela paciência, sinceridade, serenidade, solidariedade e respeito aos vizinhos, que sempre os cumprimentava sorrindo.

Marceneiro de mão cheia, seu Luiz não parava em casa. Era constantemente solicitado para ir à casa de um freguês instalar um móvel, fazer um armário, armar uma cama, consertar uma mesa, uma cadeira, coisas da profissão.

Certo dia recebeu um telefonema em casa de uma desconhecida chamando-o para ir à casa dela instalar um armário de cozinha na parede. Ele anotou o telefone, o endereço e prometeu que no outro dia chegava lá no horário combinado.

Ao chegar à casa da viúva, seu Luiz foi recebido com agrado, galanteio, afago, cortesia, com a coroa toda “empiriquitada”, indicando o local onde queria instalar o armário, como desejava que fosse instalado e o deixou bem a vontade dizendo que não tinha pressa. De logo, acertou o preço da instalação e o material que ia comprar.

Com o material à mão comprado, seu Luiz volta no outro dia à casa da viúva alegre. Bate palmas. Ela vem atendê-lo. Ele pede licença, entra, conversa com ela mais uma vez detalhes de como deseja a posição da colocação do armário e depois começa a trabalhar.

Assanhada, a viúva alegre se aproxima do marceneiro e pergunta se ele não deseja fazer um lanche, tomar um café, beber uma água, tomar um suco. Enquanto vai lhe oferecendo essas cortesias a viúva alegre vai observando seu Luiz da cabeça aos pés: mulato, gordinho, braços e pernas grossos, sério, educado, tudo que a viúva alegre deseja num homem. Nesse ínterim, vai lhe subindo um calor com um desejo louco de ter aquele coroa nos seus braços. Imagina-o pelado na frente dela e se excita toda!

Naquele instante a viúva assanhada cria uma fantasia erótica tão da moléstia do cachorro pensando em seu Luiz que não se apercebe que havia passados mais de seis horas trabalhando na instalação do armário e que ele já havia terminado o serviço!

Quando deu por si o marceneiro a chama na cozinha, pergunta se está tudo bom, se ela gostou e, a viúva, já pensando como ter uma conversa com o coroa, diz que adorou a instalação e pede a ele que retorne no outro dia para receber o valor do serviço acertado. Despede-se dele no portão, olha-o mais uma vez dos pés a cabeça e devora-o no pensamento com um sorriso vermelho de batom.

No outro dia, na hora marcada, lá está seu Luiz no terraço da viúva alegre. Bate palmas. Ela vem atendê-lo. Abre a porta, Manda-o entrar. Tranca a porta e tira a chave sem ele perceber. Pede para ele sentar no sofá e aguardar um momento enquanto ela vai tomar um banho. Nesse momento seu Luiz fica apavorado com a atitude da viúva. Mas, mesmo contrariado com o pedido dela, fica esperando que ela saia do banho o mais rápido possível e venha lhe pagar o valor do serviço acertado para ele ir-se embora.

Depois de mais uma hora de espera, seu Luiz já nervoso de tanto esperar e estranhando o silêncio da viúva, fica em pé e a chama para lhe atender, dizendo-lhe que tem outro serviço para acertar.

Nesse momento, a viúva lhe aparece de camisola transparente, sem calcinha, sem sutiã, e na frente dele, abre a camisola e o provoca:

– E aí meu gatão, meu gostosão, está pronto para fazermos uns tilicuticos regados aos prazeres da carne mijada? Tomei um banho, me perfumei toda, raspei a danadinha só pensando na gente! Vem, corre, que estou louca de desejos! Sou uma ninfomaníaca insaciável! Desde ontem que não paro de pensar em nós dois em baixo do edredom! Tudo está pronto. Só está faltando você! Vem!!

Nesse momento, vendo aquele desmantelo à sua frente e pensando na esposa que deixou em casa e que nunca a tinha traído, seu Luiz arregalou os olhos fundo de garrafa, ficou mais preto do que já era e, ameaçando a viúva, inquiri:

– Olhe, madame, eu não vim aqui para isso não, viu! Eu vim para receber meu dinheiro! Se a senhora insistir mais uma vez eu quebro aquela porta, faço o maior escândalo aqui e vou me embora. Tá ouvindo?!

Foi nesse momento que a viúva assanhada, com medo da ameaça do velho, foi lá dentro, pegou o dinheiro, vestiu uma blusa, e chegou até a porta para pagar a seu Luiz. Mas antes de pagar, olhou o coroa mais uma vez da cabeça aos pés e lhe provocou:

– Olhe, tudo isso aqui é seu (e abriu a camisola transparente mais uma vez). Basta você me telefonar, marcar o momento para a gente fazer aquele ziriguidum (e começou a requebrar toda e revirar os olhos) que garanto que você não vai se arrepender! Estou à sua inteira disposição! A hora que quiser, pode vir seu garanhão! E começou a por a língua nos lábios em forma de gestos obscenos provocando o coroa, que já estava apavorado com tais atitudes estranhas da velha assanhada!

Enquanto a viúva fechava a porta seu Luiz saiu para rua, desabalado, apavorado, desnorteado, pensando naquele desmantelo jamais lhe ocorrido na vida.

Chegando em casa, seu Luiz chamou o filho mais novo, solteiro, ao canto da casa e lhe contou o vexame por que havia passado, e o filho sirrindo-se de se mijar, olhou para o velho, e o provoca:

– Mas meu pai, e o senhor não comeu essa coroa, não, foi?!! Puta merda! Meu Deus do Céu! Ó Senhor, deste a coroa à pessoa errada, Senhor! Por que não deste a mim, Senhor?!

E seu Luiz, sobressaltado com a reação galhofa do filho, imaginou: Meu Deus, como as coisas estão mudadas!… E ficou mudo porque percebeu que vinha vindo sua esposa, Dona Santinha, da igreja, com cara de quem comeu e não gostou!

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TODO AMOR É ÚNICO

Ambos haviam saído da adolescência quando começaram a namorar. Num piscar de olhos o amor disse sim e tudo começou como num conto de fadas à moda Marie-Catherine d’Aulnoy, no final do século XVII.

Não havia tempo ruim para os dois. Qualquer incidente bizarro do cotidiano, por desimportante que fosse, era motivo para rirem e mostrar ao mundo que estavam felizes. Coisas da juventude.

Depois de três meses de namoro ambos resolveram noivar. À moda antiga, românticos, os dois passaram de frente a uma loja de vender alianças e ele perguntou-lhe qual a que ela mais se identificava. E ela, feliz da vida, indicou uma da vitrine, simples. Ele comprou e ambos ficaram noivos ali mesmo dentro da Loja Alianças, sob o olhar emocionado da atendente.

Depois do noivado, começaram a organizar a vida. Compraram enxoval e demais utensílios domésticos de uso diário para uma casa de um casal que se preze organizada.

Menos de um ano de noivado, estavam os dois pombinhos à frente do Juiz da Vara de Família e Casamentos dizendo sim à liberdade de escolha; e um mês depois, para a felicidade da família materna, estavam no altar da igreja de frente para o pároco, prometendo estar com a amada na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-a, respeitando-a e sendo-lhe fiel em todos os dias da vida, até que a morte os separe.

Dois anos depois de casados, sem filhos, sem motivos, sem desentendimentos, ambos resolveram separar. Ela foi para um lado em busca não se sabe do quê, e ele também. Depois, ela arrumou um novo companheiro e resolveu com ele ficar, sem se casar. Ele fez o mesmo; porém casou-se.

Vinte e cinco anos depois de separarem, ambos se encontram. O amor e a admiração que um nutria pelo outro não mudou anda. Ela com dois filhos, viúva; e ele com dois filhos, casado. O mesmo sorriso, a mesma admiração, o mesmo prazer da juventude emergiram nos corações de ambos, como a lua após o sol se por. Abraçaram-se, beijaram-se, choraram. Curiosamente, ele a abraça como no passado, as lágrimas correndo dos olhos, pergunta-lhe:

– Amor, se a gente se amava tanto. Gostava tanto a ponto de até hoje o amor continuar vivo, latente, latejante, por que a gente se separou?

E ela, fingindo não lhe dar ouvido, mas aplicando-lhe um beijo demorado, responde:

– Era porque nós dois éramos dos adolescentes irresponsáveis; mas hoje somos maduros e eu estou viúva!

Beijou-lhe mais uma vez e se foi sem olhar para trás.

* * *

Comentários sobre o filme “Cenas de Um Casamento” do genial diretor Sueco Ingmar Bergman

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TRÊS IRMÃOS EM CONFLITO

Tipo de armazém de secos e molhados da época, a semelhança do Seu Cirilo

Seu Cirilo era um comerciante mulherengo. Em cada bairro onde tinha um armazém de secos e molhados, possuía um rabo de saia para “furar o couro” a cada dia da semana.

De todas as mulheres com quem teve “um caso”, só Dona Dóris teve três filhos dele, um macho e duas fêmeas. Até hoje não se sabe por que as outras não embucharam dele…

Seu Cirilo não era agiota, mas desenvolveu um método infalível de se apossar das casas dos devedores do seu armazém: quando percebia que o devedor estava com a caderneta de débito a perigo, intimava-o a trazer “a escritura da casa” como garantia do débito e, quando este chegava a determinado patamar, pagava a diferença do valor do imóvel previamente combinado e expulsava o devedor. Por causa desse modo de pressão infalível, Seu Cirilo conseguiu angariar um patrimônio que dava inveja a qualquer comerciante da redondeza.

Antes de falecer, Seu Cirilo havia deixado dois imóveis “apalavrados” para cada filho. Três para a esposa, fora os três armazéns de secos e molhados que, um ano depois de sua morte, fecharam as portas porque os filhos não se entendiam na condução gerencial.

Após a falência dos três armazéns por falta de direção, cada filho, de posse de suas casas e apartamentos dados verbalmente pelo pai em vida, tomou seu rumo na estrada, e passaram a se desentender cada vez que um falava para o outro que queria vender um imóvel “doado” pelo pai para tocar a vida. Nenhum assinava em favor do outro qualquer termo de renúncia, mesmo sabendo que isso era condição necessária para dirimir qualquer dúvida e dar segurança jurídica para quem estava comprando.

Interessante é que os filhos de Seu Cirilo viviam socados na igreja todos os sábados e domingos justamente orando às pessoas que estivessem passando por esse tipo de situação. ”Oh! Pai! Antecedei junto a teus filhos para que não haja desavença entre eles!” “Que eles vivam em harmonia! Amém!” – suplicavam ajoelhados!

Enquanto oravam para Deus para mostrar um caminho, Maria procurava João para que assinasse um termo de anuência e esse se negava terminantemente! João procurava Josefa para que assinasse um termo de concordância para ele vender a casa e esta dizia não! Josefa procurava João e Maria para que assinassem um termo de anuência e estes diziam também não! E assim foram levando a vida nessa discussão interminável, com um colocando a culpa no outro por não fechar o negócio. Enquanto isso os três armazéns pertencentes, em vida, a Seu Cirilo, o tempo ruiu. Até que um dia também Dona Dóris encantou-se e tiveram de procurar a Justiça para dividirem os bens. Contrataram um advogado “especialista” e este, autorizado pelos três irmãos, entrou na Justiça para partilhar os bens.

O tempo passou e a Justiça sem dar um ponto final ao processo. A espera foi tanta que morreram João e Maria. Josefa caminhava para o paletó de madeira por causa do sério diabetes. “Vai chegar o dia em que, quando a Justiça disser ‘de quem é de quem na partilha’ até os netos terão viajado para a cidade de pés juntos!” – Sentenciou um vizinho gaiato que trabalhava no Tribunal.

Bem feito para os três conflitantes que não chegaram a um consenso arbitral antes de procurar a Justiça, que no Brasil só não é lenta para quem é ladrão, assassino, criminoso, latrocida, estuprador, pedófilo e corrupto, porque tem proteção constitucional.

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NUKUCHU, O HOMEM TRABALHO

Modelo de caminhão da época do capotamento

Nukuchu era um imigrante japonês baixinho, perna fina, cabelo preto, mão de vaca, desse que dá um peido e cheira a catinga toda. Veio morar no distrito de Lagoa do Carro (PE) no início do Século XX, fugindo do horror nazista.

Sem eira nem beira, procurou guarida no sítio de Zuzuku, parente distante também fugido do nazismo, que logo lhe providenciou “umas terras” para cultivar e o enganchou com a sobrinha de sua esposa, Maria Peitão, apelidada pelos peões de Zacumida, por ser completamente despudorada.

Nos primeiros dias de contato com a terra, Nukuchu já provara a que veio. Procurou saber das necessidades do povo de Lagoa do Carro, comprou todo tipo de bugigangas e começou a vender de sítio em sítio.

Apôs vender suas mercadorias a prestação na vizinhança, Nukuchu voltava para cultivar o sítio dele, plantando tomate, melancia, pepino, coentro, alfaces, cenoura, cebola, para vender a grosso e vareja nas feiras de Carpina e Lagoa do Carro, no sábado.

Logo Nukuchu foi ficando endinheirado. Comprou à vista as terras cedidas por Zuzuku e cresceu os olhos em outras de proprietários que não queriam plantar, preferindo migrarem para o Sul em busca de trabalho na construção.

Nukuchu comprou mais terras e os compromissos foram aumentando ao ponto de não ter tempo para ele nem para Zacumida. Aliás, diziam os peões de Zuzuku que ele não tinha tempo para “visitar” a patroa, pois esta vivia se queixando, dizendo que ele “só pensava em dinheiro, deixando-a seca.”

Quando comprou o terceiro sítio para cultivar produtos variados, Nukuchu pediu a mulher, Zacumida, que contratasse dois peões para trabalhar a lavoura, deixando bem claro que só pagaria a metade do salário mínimo e que tudo que o empregado consumisse do sítio seria descontado.

Zacumida contratou um primo distante, malandro, que há muito tinha os olhos nele, para trabalhar com ela. Comprou um caminhão Mercedes Benz L 312 – 1957 para carregar os mangalhos para a feira dia de sábado. Nukuchu se encarregava ele mesmo de por os produtos no caminhão. Anotava tudo numa caderneta e despachava a mulher e Adamastor, o malandro, levar para as feiras os produtos e entregá-los aos feirantes já contratados.

Trabalhando muito e se alimentado pouco, Nukuchu teve um piripaque no meio do canavial e, dias depois, bateu as botas, deixando os três sítios prontos para Zacumida e o malandro Adamastor usufruírem das benesses.

Como não teve filhos, toda a fortuna deixada por Nukuchu ficou para Zacumida, cuja alegria era-lhe visível no brilho dos olhos. Enfim só, para alguém acender a boca do fogão que o de cujus nunca riscou o fósforo.

Mas, a alegria de Adamastor e Zacumida durou pouco. Um dia, após o fim de uma feira de sábado, depois de entregar todas as mercadorias e vender o resto no banco de feira, encheu o caminhão de mantimentos para os animais dos sítios, chamou os feirantes de Lagoa do Carro que negociavam na feira de Carpina para ir no caminhão, e partiram em desabalada carreira. 80 km por horas. Quando chegou na ladeira do Juá, marco divisório entre Carpina e Lagoa do Carro, o caminhão faltou freio e, na curva da morte, capotou por três vezes, vindo a falecerem todos, acabando o sonho de Adamastor e Zacumida de desfrutarem da riqueza deixada pelo de cujus.

Triste fim que pôs fim a um sonho que se acabou antes de começar. A vida tem dessas coisas que não se explica.

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SEU MANOEL, O TEIMOSO

Para o Mestre Goiano, com o carinho do Seu Manoel Teimoso

Começou a chover forte no território do teimoso.

Seu Manoel morava com a esposa e dois vira-latas numa casa construída à beira do rio, onde todas as vezes que chovia a residência era inundada a ponto de a água subir a três palmos do piso.

Um dia começou a chover forte. Chuva que não acabava mais. E a previsão meteorológica era de que iria chover mais forte do que os anos anteriores. Seu Manoel foi alertado pelas autoridades a abandonar a casa com a família assim que a água começasse a subir.

Como Seu Manoel era um homem extremamente religioso, devoto cego, acreditava que Deus o protegia de qualquer risco, por isso teimava em ficar na casa, mesmo com os alertas das autoridades de que, em permanecendo, poderia ser arrastado pela enchente.

Nesse dia choveu muito. Os moradores que moravam junto a Seu Manoel começaram a abandonar suas casas quando a água começou a subir. Cada família que passava em seus botes chamava Seu Manoel para que lhe acompanhasse, pois o alerta era de que haveria muita chuva. Tudo no entorno do rio seria inundado e destruído.

Seu Manoel, teimoso, preferiu ficar na casa sozinho. Mandou levar a esposa e os cachorros. Quanto a ele, acreditava piamente que Deus o protegia. Que nada lhe ia acontecer de grave.

“Deus está no comando!” “Ele me salva!” – murmurou ao umbigo!

Aumentou o volume das chuvas e, em conseqüência, a casa inundou acima da metade da parede por causa do volume de água, e Seu Manoel teve de ir para o primeiro andar.

Percebendo que Seu Manoel corria risco de ser tragado pela enchente, os vizinhos chamaram o Corpo de Bombeiros para salvá-lo. A guarnição chegou, implorou para Seu Manoel deixar a casa, mostrando o perigo iminente, com o alerta de que ia chover mais ainda. Seu Manoel não cedeu aos apelos desesperados da equipe do Corpo de Bombeiro, e esta se foi antes de ser tragada pela enchente.

Súbito aumentou a correnteza, com a água chegando à cumeeira da casa de Seu Manoel. Os vizinhos telefonaram para a emergência, e esta veio por meio de um helicóptero que ficou em cima da casa de Seu Manoel, com o piloto implorando ao gramofone para que ele deixasse a casa com urgência pôs logo-logo ela iria ser tragada pela enchente. Mais uma vez Seu Manoel relutou e não cedeu aos apelos do piloto do helicóptero, preferindo seguir suas convicções religiosas.

“Deus é fiel! Não vai me deixar só!” – disse para si mesmo, convicto.

Mal o helicóptero bateu em retirada a casa de Seu Manoel desabou e ele foi engolido pelas águas e seu corpo nunca foi encontrado.

Ao chegar ao céu, Seu Manoel foi inquirido por Deus que lhe perguntou por que não atendeu aos apelos dos homens para que fugisse da cheia. Ao que Seu Manoel, teimoso, retrucou:

– Mas, Senhor, eu lhe esperei a ajuda. O Senhor não é onipotente, onipresente e onisciente? Pai e protetor dos pobres?

– Sim, meu filho, Eu sou! Mas eu lhe mandei ajudas. Você é que as ignorou, preferindo acreditar em milagres. Mandei o barco, o corpo de bombeiro e, em seguida, o helicóptero, e você disse não a todos! Como castigo por sua teimosia, vou mandá-lo para a profundeza do quinto dos infernos onde está preste a chegar um sujeito que se diz ser a alma mais honesta do mundo! E tem gente que acredita nele! Você e ele vão fazer uma pareia da porra! Um teimoso como uma mula e o outro que se diz “uma viva alma mais honesta do que Eu!”

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KAKAY – O INIMIGO DE SERGIO MORO

O repugnante Kakay de bermuda nos corredores do STF, o puteiro de Brasília

Em artigo abjeto publicado na imprensa no dia 26.12.2019, o estapafúrdio, espalhafatoso, cínico e repulsivo defensor de criminosos e políticos ladrões ricos que assaltaram o Brasil, Antônio Carlos de Almeida Castro – conhecido nas noites cariocas e brasilienses como Kakay -, diz que a derrota de Sergio Moro, com seu pacote anticrime querendo moralizar o Brasil, foi acachapante na câmara, onde Rodrigo Botafogo Maia relincha e todos murcham a orelha. Segundo Kakay, o projeto de lei anticrime do Ministro da Justiça e Segurança foi apresentado sem nenhuma discussão séria com a “sociedade” por isso todos os seus pontos inibidores da criminalidade foram acachapados na Câmara pela comissão instalada para estudá-lo, seguindo as ordens do ministro do STF, o Kinder Ovo, Alexandre Cabeça de Pica Moraes.

Segundo o salafrário defensor de bandidos ricos, o projeto de lei aprovado pela câmara foi fruto do enorme esforço do Grupo de Trabalho (GT) criado pelo presidente Rodrigo Maia, que teve a “hombridade de ouvir a sociedade e especialistas honestos, técnicos e capacitados para elaborarem uma lei sintonizada com os anseios da sociedade, contra o crime organizado.”

Chamando Sergio Moro de estrategista político, marqueteiro de si mesmo, disse que o ex chefe da Força Tarefa da operação Lava Jato, continua a investir em marketing. Segundo Kakay, “o ministro Sergio Moro tem o apoio de sempre dos setores conhecidos e continua posando como se seu projeto tivesse sido vitorioso. Porém, para quem entende do assunto sabe que, felizmente, a realidade é outra. Ganhou a sociedade, o cidadão e o estado democrático de direito,” concluiu.
Essa dor de cotovelo do espalhafatoso Kakay sobre o herói nacional, Sergio Moro, me lembra a observação irônica feita pelo cel. Tibério Vacariano, personagem do romance Incidentes em Antares de Érico Veríssimo, quando um jovem estudante classe média local, depois de estudar na Europa, retorna à cidade cheio de prosódia, tachando de caretas os costumes locais:

– Esse rapaz parece que é fresco!

FELIZ 2020 A TODA COMUNIDADE FUBÂNICA!

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

“JÁ VELHO” – UMA COMOVENTE HISTÓRIA DO CANGAÇO

O tenente João Gomes de Lira (1913-2011), policial militar, nascido na fazenda Jenipapo, Nazaré do Pico, Floresta, Pernambuco, ex volante da tropa do comandante cel. Manoel Neto que combatia Lampião pela Caatinga do Nordeste, em depoimento emocionante ao pesquisador do Cangaço, o cearense Aderbal Nogueira, conta uma história comovente vivida por ele e os ex volantes quando perseguiam os cangaceiros na aridez do Sertão em Fogo.

Homem tosco, rude, acostumado, pelas circunstâncias dos fatos, a cometer todo tipo de atrocidades contra os fazendeiros, “os coiteiros”, para “arrancar-lhes” a ferro informações sobre o paradeiro dos cangaceiros, em depoimento gravado em 1996, relembra uma história de companheirismo fraternal e amor incondicional entre o cachorro “Já Velho” e a volante do cel. Manoel Neto.

Na época do cangaço, eram muitas as fazendas abandonadas pelos fazendeiros por causa dos cangaceiros que metiam o terror na região. Nas muitas propriedades que chegavam, os volantes encontravam gados, bodes, galinhas, cavalos, cachorros, abandonados. Morrendo de fome e sede porque seus donos os haviam abandonado temendo as represálias cruéis dos cangaceiros e volantes. Era uma verdadeira guerra de guerrilha, onde os inocentes eram torturados para confessar o que não sabiam e ninguém ouvia seus lamentos! Até Deus tapava o ouvido para não lhes ouvir os gritos de socorro!

Um dia a volante do cel. Manoel Neto chegou à fazenda Arueira, abandonada, e encontrou um cachorro grande, magro, cambaleante, só na pele e no osso. Não tiveram coragem de matá-lo. Comeram carne seca e farinha na fazenda e depois seguiram viagem a pé. Quando iam bem distante perceberam que o cachorro os seguia por dentro do mato! Ficaram impressionados com a atitude do cachorro em segui-los e resolveram incorporá-lo à volante. Tornaram-se amigos inseparáveis! Homens rudes, acostumados a matar e morrer no sertão em brasa, se curvaram à ternura de um cão fiel! E puseram-lhe o nome de “Já Velho.”

Um dia, retornando à fazenda Arueira, onde tinham combatido com Lampião e seus cangaceiros, havia um porco enorme que partiu para cima do cachorro e este, para defender seus amigos fiéis, partiu para cima do porco e este lhe deu uma rasgada no bucho que o abriu, ficando o cachorro no chão, vísceras para fora, olhos arregalados sentido a presença da morte e olhando para os volantes, um a um, numa despedida emocionante. Nenhum volante quis dar o tiro de misericórdia. Ao contrário, quando “Já Velho” fechou os olhos, encantando-se, todos os volantes ficaram a chorar de tristeza pela perda do fiel amigo!

Homens toscos, rudes, brutos, acostumados com a barbárie, chorando a morte de um cachorro companheiro!

Isso é um pedacinho da História do Cangaço com todos os seus mistérios, que precisa ser explorado pelo TURISMO.

A linda História do cachorro “Já Velho”, relembrada pelo tenente João Gomes de Lira, 80 depois!