FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

NOTAS SILVÍNICAS

No feriado de 16 de julho último no Recife, dia consagrado à Nossa Senhora do Carmo, encontro o João Silvino da Conceição num supermercado olindense. Papo vai e papo vem, pergunto ao sempre companheiro como vão suas anotações sobre os últimos perrengues da vida contemporânea. E ele me mostrou seu caderno 80 folhas, com suas últimas notas. Com a devida licença dele, transcrevo abaixo algumas delas:

1. No Brasil atual, há idades que promovem o todo nacional e idades que o colocam em situações vexatórias. Eis as que estão mais em destaque:

Idades positivas: espiritualidade, honestidade, fraternidade, capacidade, sinceridade, criticidade, fidelidade, profissionalidade, civilidade, solidariedade e humanidade.

Idades negativas: falsidade, criminalidade, imbecilidade, passividade, morosidade, futilidade, mediocridade, impunidade, agressividade e insalubridade.

2. Como eu gostaria de ver o José Múcio Monteiro, atual Ministro da Defesa do Brasil, eleito Governador de Pernambuco. Uma personalidade de excelente formação moral, capacidade estratégica e postura dialogal, que muito bem integraria Pernambuco num Desenvolvimento Regional dinâmico e sem sectarismos.

3. Que o próximo Dia dos Pais seja comemorado com bons livros presenteados, favorecendo um ambiente com mais sentimento humanístico, nulamente celulárico, sem solidariedade, individualistas e egolátrico.

4. Que neste ano eleitoral, os votantes brasileiros compareçam às urnas com a consciência ciente da reflexão feita pelo notável sociólogo Karl Mannheim: “Toda nossa tradição educacional e nosso sistema de valores ainda estão adaptados às necessidades de um mundo paroquial e no entanto espantamo-nos porque as pessoas se saem mal quando têm de agir num plano mais amplo.”

5. Os feminicídios só terão seus percentuais próximos de um mínimo, quando a pena de castração física integral for aplicada aos condenados em última instância, juntamente com uma pena de longa duração em regime radicalmente fechado e sem saidinhas beneficentes.

6. Sem mais torcer para qualquer clube de futebol pernambucano, torço pela rápida recuperação da saúde do Ralph de Carvalho, cujos comentários inteligentes e oportunos são por mim assistidos na resenha esportiva da Rádio JC das 13hotas, de segunda à sexta-feira.

7. Para os apenas modernosos, uma reflexão do nem sempre devidamente lembrado notável Gilberto Freyre mereceria mais atenção: “O moderno apenas moderno e efêmero e o eruditamente clássico nunca é perfeição definitiva, sempre exigindo sempre sucessivas.” Saibamos sempre bem diferenciar o moderno evolucionário do modernoso nunca convincente.

8. O sistema de governo brasileiro deveria ser parlamentarista, com 1/3 das atuais agremiações partidárias, com um Congresso Nacional reduzido de ¼, sem reeleição para presidente, governador e prefeito, com os ministros dos Tribunais Superiores com mandatos definidos e renovados apenas uma vez, os municípios sem sustentabilidade orçamentária com câmaras de vereadores sem qualquer tipo de remuneração.

9. O sábio Confúcio, hoje muito pouco estudo pelos que acham executivos tampa-de-foguete, enumerava as cinco falhas de caráter que podem levar ao fracasso: a negligência, a timidez, a emoção, o egoismo e a excessiva preocupação com a popularidade. E ele acreditava que toda boa liderança era consequência de seis características: autodisciplina, determinação, responsabilidade, conhecimento atualizado e exemplo.

10. Todo executivo, público ou particular, deveria observar, nas suas áreas de mando, quatro situações: a manifesta, a suposta, a existente e a que deveria ser. No mais, sempre seguir adiante, ouvindo e dialogando, com serenidade e resiliência, sempre percebendo-se um inconcluso.

Abracei o Silvino com um orgulho gigante, lamentando a existência de tão poucos no cenário pátrio.

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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E OUTRAS IAs

Sou um aplaudidor incondicional das evoluções positivamente benéficas da Inteligência Artificial, uma prova inconteste da potencialidade científica dos seres humanos, cumprindo-se historicamente um dos maiores balizamentos proféticos do Homão de Nazaré, o que dizia “Se tiveres fé moverás montanha” (Mt 17,20), numa confiança radical na Sua Criação.

Entretanto, muitas outras IAs também estão se multiplicando pelos quatro cantos do mundo, mormente nas nações em desenvolvimento como o Brasil, ultimamente muito vitimado por OSVs – Oportunismos Sempre Vigarísticos, em todos os níveis sociais, religiosos e políticos, em contas bancárias e nos de níveis de ensino.

Participando, como convidado, de uma reunião social, um dos presentes perguntou ao grupo, alto e bom som, se o grupo indicaria as IAs Perversas que estavam vitimando atualmente o Brasil neste século XXI repleto de contradições.
Pedindo vênia para anotar as indicações feitas, explicito abaixo as mais significativas, sem ordem alguma de influência maligna:

– Inteligência Analfabética – contaminando gente de todas as idades, níveis sociais e de ensino, da área política, mercadológica, financeira, religiosa, jurídica, da segurança pública, dos setores esportivos (atletas e dirigentes), do sindicalismo trabalhista e patronal e das redes televisivas.

– Inteligência Assassina – não respeita os direitos das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, deficientes e enfermos, animais, indígenas e desalojados.

– Inteligência Anormal – não consegue defender a igualdade de direitos entre gêneros, religiões, regiões e etnias, sempre puxando a sardinha para os que mais lhe poderão beneficiar.

– Inteligência Atrofiada – aquela que não tem vontade alguma de evoluir, sentindo-se bem como está sobrevivendo como um carente sempre assistido.

– Inteligência Apoteótica – que se imagina dona de todas verdades, sem contradições de espécie alguma.

– Inteligência Arborizada – que nada sente por estar ornamentada de muitos galhos impostos por sacripantas dos derredores.

– Inteligência Anal – aquela que só se sente beneficiado lucrativamente pelos fundos.

– Inteligência Ancelotti – que só imagina soluções advindas de métodos europeus.

– Inteligência Acanalhada – que vê maldade em todas as áreas.

– Inteligência Aeroespacial – a que só pensa com os olhos e os pés no espaço.

– Inteligência Adega – só raciocina embriagado.

– Inteligência Angelical – que imagina ser executivo empreendedor só porque imagina portar asas e penas, ainda que sem capacidade técnica suficiente para gerenciar.

No frigir dos ovos, a IA positiva merece todo aprendizado, potencializando um pensar sempre evolucionário, abandonando aparências e fingimentos que apenas multiplicam desconstruções, jogando o Brasil para as últimas posições do cenário mundial, inclusive ofendendo a memória de muita gente heroica, como a Princesa Isabel, o hexacampeonato mundial de futebol, o Castro Alves, a Chiquinha Gonzaga, o Nelson Ferreira, Capiba, Paulo Freire e Alceu Valença, Tiradentes, Pelé, Didi, Barão do Rio Branco, a Fernanda Montenegro e o Dom Pedro I, uma amostra diminuta da genialidade da gente brasileira.

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DESASSISTÊNCIAS BRASILEIRAS

Toda nação possui suas enfermidades, causadas por fatores os mais diferenciados: fome, seca, má distribuição de renda, analfabetização profissional, mediocridades televisivas, epidemias, machismos alucinatórios, corrupção, desescolarização crescente, drogadição comunitária, sistema político involuído, Poder Judiciário sem consistência analítica, manifestações religiosas apenas marqueteiras, celebrações cristãs descristocêntricas, áreas indígenas assaltadas, feminicídios, mediocridades sociais e atividades esportivas comandadas por dirigentes que apenas apreciam usufrutos financeiros pessoais, ignorantes de pai e mãe de estratégias gerenciais empreendedoras.

Toda sociedade contaminada com os sintomas acima termina se caracterizando como uma sociedade do cansaço, título da análise social feita por Byung-chul Han, um coreano que se fixou na Alemanha, doutorando-se em Friburgo com um estudo sobre Martin Heideger, hoje docente de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim. Seu livro: SOCIEDADE DO CANSAÇO, Byung-Chul Han, 3ª. edição, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2024, 126 p. Páginas compostas por uma das mentes mais especializadas sociologicamente da atualidade, que detalha magistralmente como o Ocidente está se tornando uma sociedade cansada.

Com base na análise acima, quais são os fatores desassistenciais que estão vitimizando a atual sociedade brasileira? Elenquemos os mais significativos, sem qualquer ordem de prioridade:

a. Nosso sistema educacional, em todos os níveis, está a carecer de uma gigantesca reestruturação. Estamos multiplicando mentes analfabéticas sem criticidade em todos os níveis e setores de ensino nacional.

b. Nossa política de redistribuição de renda é vexatória, indigna até.

c. Nossa Segurança Pública há décadas está entrelaçada com o que há de mais vexatório nos quatro cantos do país, desatenta aos mais diferenciados níveis de bandidagem, dos roubos de celulares até os assaltos de condomínios de alto padrão.

d. Ausência de novas Bibliotecas Públicas nas principais cidades brasileiras. Para se ter uma ideia, só Buenos Aires, capital da Argentina, tem mais bibliotecas que todas as capitais brasileiras.

e. Ausência de um Poder Judiciário desburocratizado, com um Código de Processo Penal atualizado, com idade criminal mínima reduzida para 14 anos.

d. Um SUS mais operante, proporcionando um atendimento de mais qualidade nas áreas urbanas e rurais.

f. Atividades esportivas da juventude brasileira com incentivos, os setores das entidades esportivas públicas sem uma mínima fiscalização do Ministério Público, federal e estaduais.

g. Currículos escolares com reduzido número de dias de aula, docentes do Primeiro Grau de Ensino mal remunerados e sem capacitação periódica, advindos de Cursos Pedagógicos e de Pedagogia de ínfimas qualidades.

h. Um Sistema Previdenciário sem uma mínima dinamicidade operacional, favorecendo patifarias financeiras que humilham a dignidade dos beneficiados.

i. Um sindicalismo trabalhista sem densidade empreendedora, servindo apenas para o abrigo de práticas pelegas e populismos eleitorais.

Os fatores acima muito contribuem para o agravamento do cansaço da sociedade, brasileira, favorecendo um eleitorado indolente, sem uma mínima criticidade, sem ideário, sempre buscando contemplar os próprios umbigos.

Além disso, a redução em 1/3 das agremiações partidárias, a diminuição em ¼ do Congresso Nacional, Assembleias e Câmaras de Vereadores, estas sem remuneração dos eleitos para os municípios sem sustentabilidade financeira, muitas grandezas proporcionariam ao todo pátrio. Sinais evidentes de uma evolução civilizatória da amada nação que tanto amamos.

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CARTAS QUE ALERTAM E PREVINEM

Vivemos uma gigantesca crise social nos quatro cantos do mundo, afetando mais aquelas nações que se encontram recheadas de eleitores alienados, políticos patifes de todas as espécies, analfabéticos de nível superior, populistas disfarçados de democratas, governantes apadrinhando abertamente parentes e afilhados, um sistema educacional sem consistência humanística, uma classe média só desejando levar vantagem em tudo, além de canais televisivos que apenas exibem assaltos, feminicídios, novelostas e auditórios altamente ruminantes, para não falar de crendices recheadas de “se deus quiser” e “deus quis”, “sempre será” e “amanhã vai ser outro dia”, além de bets lotéricas engabeladoras que vitimam ainda mais as finanças dos todosfus.

Se eu fosse financeiramente abastados, enviaria para milhares de pessoas o último volume de uma coleção intitulada A CÓLERA DOS IMBECIS, editado em 2019, 423 p., elaborado por Olavo de Carvalho. um intelectual brasileiro conservador (1947-2022), que se autoproclamava filósofo e escritor, identificado como o principal ideólogo da nova direita brasileira e o “guru” do bolsonarismo. Seu pensamento era fortemente embasado no conservadorismo, no anticomunismo visceral, no liberalismo econômico e no catolicismo tradicional.

Apesar de ser um autodenominado reacionário, Olavo de Carvalho tinha um nível cultural bastante elevado e seus livros costumam conter recados e sugestões para os esquerdopatas de sempre, que se imaginam Donos Únicos da Verdade, fixados em ideologias há muitas e muitas décadas superadas, sem um mínimo de pós-modernidade.

Do seu livro último explicito, abaixo, algumas considerações dele, oportunas para sectários que não conseguem enxergar o panorama mundial como um todo. Ei-los, pedindo a vênia aos leitores amigos deste JBF sempre muito arretado de ótimo:

. “A luta de classe, no Brasil, não é entre operários e patrões. É entre o lumpenproletariat que Marx abominava e a maioria da população, especialmente a classe média, aí incluída uma boa parcela do operariado, senão ele todo.”

. “Como é possível que tantas pessoas, aparentemente racionais, amem e aplaudam os governos mais perversos e genocidas do mundo e se recusem a enxergar a liberdade e o respeito de que elas próprias desfrutam nas democracias ocidentais, ao mesmo tempo que continuam acreditando, com todas as evidências, que são moral e intelectualmente superiores aos que não seguem o seu exemplo.”

. “Houve uma época em que não se podia escrever sátira no Brasil porque tudo o que acontecia era satírico em si mesmo. Hoje tornou-se impossível escrevê-las porque tudo está passando rapidamente do ridículo ao deprimente, do deprimente ao aterrador.”

. “Pessoas normais podem superar seus erros porque apreciam a inteligência superior e desejam aprender com elas, ao passo que o imbecil genuíno não percebe superioridade nenhuma ou, quando a percebe, deseja achincalhá-lha ou exorcizá-la para libertar-se de toda obrigação de melhorar.”

. “A cultura pessoal é a condição primeira v e indispensável do julgamento objetivo. A incultura aprisiona as almas na subjetividade do grupo, a forma mais extrema do provincianismo mental.”

Tenhamos muito cuidado, neste ano eleitoral e de Copa do Mundo, com as fadigas que destroem sociedades democráticas: a Fadiga Civilizatória, a Fadiga da Criticidade, a Fadiga do Saber, a Fadiga do Pensar e a Fadiga da Resiliência Reestruturadora. Fadigas que hipnotizam os mais jovens, favorecem os demagogos, terminando por eleger mandatários que dão o dedo publicamente para quem deveria merecer o maior dos respeitos, a Gente Brasileira!!!

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ANOTAÇÕES CRÍSTICAS DE TOMÉ

A grande maioria dos cristãos nunca ouviu falar no Evangelho de Tomé, com 114 sentenças proferidas pelo Homão da Galileia, devidamente anotadas por quem também era chamado de Dídimo, o Gêmeo.

Segundo dados por mim coletados, o Evangelho de Tomé, ou melhor, Evangelho de Tomás, ou ainda Evangelho Cóptico de Tomás, preservado em versão completa num manuscrito copta em Nag Hammadi, é uma lista de 114 ditos atribuídos a Jesus. Quase dois terços desses ditos se assemelham aos encontrados nos evangelhos canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João[1], os demais sendo desconhecidos até a descoberta do manuscrito, em dezembro de 1945, não muito longe de Nag Hammadi, do Egito..

Tomé não explora, como os demais, a forma narrativa, apenas cita — de forma não estruturada — as frases, os ditos ou diálogos breves de Jesus a seus discípulos, contados a Tomé, dito Dídimo (“gêmeo” em grego), sem incluí-los em qualquer narrativa, nem apresentá-los em contexto filosófico ou retórico.

Segundo a sugestão do Prof. Helmut Koester, que leciona na Universidade Harvard, o Evangelho de Tomé foi recompilado por volta do ano 140, mas talvez contenha textos de algumas tradições ainda mais antigas que os evangelhos canônicos, possivelmente da segunda metade do século primeiro (50−100), em Síria, Palestina ou Mesopotâmia. Da mesma época ou anterior aos evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João. O Dr. Koester também disse que este evangelho lembra a fonte hipotética denominada Quelle, com ditos que teriam sido usados pelos evangelhos de Lucas e Mateus. Também segundo ele, o texto em copta é uma tradução do grego.

No Evangelho, a identidade de Jesus entra em questão a partir do dito 13. Jesus pergunta aos discípulos a quem Ele se assemelharia. Pedro dá-lhe uma dimensão sobrenatural, enquanto Mateus, o coloca entre os filósofos. Tomé afirma que Jesus é inefável. A filiação divina é assegurada no dito 44, ao Jesus se referir a Deus como Pai. O designativo principal para Jesus é o Vivente (dito 52).

Três ditos do Nazareno a título de uma amostra do Evangelho:

103. Disse Jesus: “Feliz do homem que sabe por onde penetram os ladrões! Assim pode erguer-se, reunir forças e estar alerta e pronto antes que eles venham.”

36. Jesus disse: “Não andeis preocupado, da manhã até a noite, e da noite até a manhã, sobre o que haveis de vestir.”

7. Jesus disse: “Abençoado é o leão que se torna homem quando consumido pelo homem; e amaldiçoado é o homem o qual o leão consome, e o leão se torna homem.”

Uma leitura que muito agigantará o saber dos cristãos sobre o assunto: ALÉM DE TODA CRENÇA: O EVANGELHO DESCONHECIDO DE TOMÉ, Elaine Pagels, Rio de Janeiro, Editora Objetiva, 2004, 245 p. A autora, PhD pela Universidade de Harvard em 1970, recebeu o Prêmio da Congregação MacArthur em1981. Segundo um informativo científico: ”Leitura eletrizante, um modelo de erudição equilibrada e profunda e uma prosa viva e excitante.”

Saibamos identificar melhor a metodologia utilizada pelo Nazareno para fortalecer comunidades, tornando-as mais igualitárias!

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BALIZAMENTOS DE CIDADANIA

Para aqueles que reclamam de tudo e de todos, nem mesmo se suportando, neste feriadão junino vale a pena dar uma paradinha para um enxergão mais consistente com os desafios de um mundo que rapidamente se torna cada vez mais diferenciado, repleto de prós e contras.

Levando sempre em alta conta duas sinalizações, uma feita pelo economista Celso Furtado (“O planejamento não deve destruir as raízes da criatividade”), a outra advinda do saudoso professor William Edwards Deming (“A transformação não significa apagar incêndios, resolver problemas ou criar melhorias simplesmente cosméticas. A transformação deve ser feita por pessoas que detenham um profundo conhecimento”), alguns balizamentos tornam-se indispensáveis para os profissionais de todos os quilates.

Muitos executivos brasileiros, de instituições públicas e privadas, ainda não perceberam que suas áreas de comando se encontram em acelerado processo de decomposição. Por não atentarem, eles e seus profissionais, que o trabalho se despojou de uma simples materialidade, tornando-se polo gerador de um paradigma, onde despontam criatividade, parceria, flexibilidade, versatilidade e capacidade de apreender, desaprender e reaprender evolucionariamente.

Como aprimorar uma trabalhabilidade que reflita a capacidade de o ser humano desenvolver competências, aprofundar o autoconhecimento, ampliar parcerias e assumir posições de comando? E como desmontar as cavilosidades dos invejosos, daqueles que não conseguem assimilar, por vaidade patológica ou desatualização histórica, a dinâmica dos tempos de agora? Eis os desafios atuais para jovens e veteranos.

Miguel de Cervantes, o pai do Dom Quixote, proclamou que “não há amizade, parentesco, qualidade, nem grandeza que possam enfrentar o rigor da inveja”. Uma tese amplamente superada, se vivenciadas algumas diretrizes comportamentais:

1. Leve em consideração que grandes amores e novas conquistas envolvem grande risco.

2. Quando perder, não perca a lição.

3. Observe sempre os três “r”: respeito a si mesmo, respeito aos outros e responsabilidade por todas suas ações.

4. Lembre-se de que não conseguir o que você quer é algumas vezes um grande lance de sorte.

5. Aprenda as regras de modo a saber quebrá-las da maneira mais apropriada.

6. Não deixe uma disputa por questões menores ferir uma grande amizade.

7. Quando perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para corrigi-lo.

8. Passe algum tempo sozinho todos os dias.

9. Abra seus braços para as mudanças, sem renunciar aos seus valores.

10. Lembre-se de que o silêncio é algumas vezes a melhor resposta.

11. Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez.

12. Uma atmosfera de amor em seu ambiente é fundamental para a vida.

13. Em discordância com entes queridos, trate apenas da situação corrente, sem levantar questões passadas.
14. Compartilhe amplamente o seu conhecimento, uma maneira de alcançar a imortalidade.

15. Seja gentil para com a Terra.

16. Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.

17. Lembre-se de que o melhor relacionamento é aquele em que o amor mútuo excede o amor de que cada um precisa do outro.

18. Julgue o seu sucesso por aquilo que teve de renunciar para consegui-lo.

19. Entregue-se total e irrestritamente nas mãos de Deus, consciente do seu papel de também construtor do Reino.

20. Sinta-se em contínua superação.

E sempre assimile cada vez mais o pensar do saudoso poeta João Cabral de Mello Neto: “E não há maior resposta que o espetáculo da vida”.

E um São João bem arretado de muito ótimo para todos aqueles que militam por um Brasil cada vez mais brasileiro e para todos!

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ESTUDOS DO APOCALIPSE

O último livro do Novo Testamento, escrito pelo Apóstolo João, na Ilha grega de Patmos, em 95 d.C., com 22 Capítulos e 404 versículos, apresenta, numa linguagem bastante enigmática e profética, um relato geral mediúnico da história futura do mundo, concentrando-se essencialmente nas últimas etapas.

O Apocalipse é tido e havido como uma manifestação do Senhor Jesus Cristo e uma revelação da Sua autoridade, de Seu poder e de Seu papel no Plano de Salvação do Criador do Todo. Estudar o Apocalipse pode ajudar muito a melhor entender o Filho de Deus glorificado e ressurreto, com seus relacionamento com os outros filhos de Deus ao longo das eras históricas, principalmente nas suas últimas etapas.

Diante das incontáveis análises já publicadas, peço permissão para aqui explicitar as lidas por mim, consideradas mais relevantes. Ei-las abaixo, sem qualquer ordem de importância:

1. Os Mistérios Do Apocalipse – 325 Respostas Bíblicas, Históricas E Científicas Sobre Apocalipse, Profecias E Sinais Relativos Aos Últimos Tempos, Joá Caitano, 21ª. reimpressão, Rio de Janeiro, Central Gospel Editora, 2022, 248 p. Questões como amostra: Vamos conhecer uns aos outros no céu? Que sinais políticos caracterizam o fim dos tempos? Que significa a expressão Dia do Senhor? Quem será o Falso Profeta? Onde fica o local conhecido como Armagedon?

2. APOCALIPSE MITOS E VERDADES, Haroldo Dutra Dias, São Paulo, Intelítera Editora, 2022, 183 p. O autor é um humanista espiritista, Juiz de Direito, Mestre e Doutor em Neurociência e palestrante internacional.

3. APOCALIPSE: O JUIZO FINAL É CHEGADO, Everaldo de Jesus Pinheiro, São Paulo, Ed. do Autor, 2022, 334 p. O autor é Ministro Evangélico e Prêmio Areté 2017, Selo de Excelência em Literatura Cristã no Brasil.

4. O APOCALIPSE DE JOÃO: CAOS, COSMOS E O CONTRADISCURSO APOCALÍPTICO, Kenner Terra, 2ª. edição, São Paulo, Editora Recriar, 2020, 252 p. O autor possui Mestrado e Doutorado em Ciências da Religião, integrando a RELEP – Rede Latino-americana de Estudos Pentecostais. Ele, no seu livro, expõe ousados experimentos interpretativos, exigindo uso de novas lentes analíticas.

5. ARQUÉTIPO DO APOCALIPSE: VINGANÇA DIVINA, TERRORISMO E O FIM DO MUNDO, Edward F. Edinger, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2023, 297 p. O autor realça o perfil psicológico das imagens contidas no último livro do Novo Testamento.

6. APOCALIPSE SEGUNDO A ESPIRITUALIDADE: O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA, Samuel Gomes, Belo Horizonte MG, Editora Dufaux, 2021, 320 p. O autor é um Psicólogo Humanista graduado pela UFMG, com pós-graduação em Tanatologia (estudo da morte) na FUMEG, Minas Gerais. Palestrante consagrado sobre Espiritualidade.

Segundo Isaac Newton, tido e havido até hoje como o maior cientista de todos os tempos, “perto do tempo do fim, surgirá um grupo de seres humanos, que voltará sua atenção para as profecias e insistirá na sua interpretação literal, no meio de muito clamor e oposição”. E diversas escolas de interpretação buscarão predominar, entre elas a preterista, a historicista, a idealista e a futurista, esta última a de maior probabilidade de levar vantagem, dadas as características evolucionárias dos nossos amanhãs planetários.

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CRENÇAS, DESCRENÇAS E DESCONHECIMENTOS

Nos quatro cantos do mundo existem incontáveis instituições religiosas com frequentadores que não sabem definir, nem diferenciar, mística e espiritualidade, razão e fé, crença e seita, ciência e pseudociência, questões sobrenaturais e curas quânticas.

Diante de inúmeras curiosidades explicitadas por gente que muito estimo, todos dotados de uma disposta vontade de conhecer mais os assuntos religiosos, peço licença, aos leitores que tanto admiro, para recomendar algumas leituras que esclarecerão as mentes e os procedimentos dos que desejam tornar-se mais espiritualizados e convincentes, racionais e autênticos, cada um permanecendo nas suas respectivas áreas doutrinais. Ei-las:

– FILOSOFIA DA MENTE: UM GUIA PARA INICIANTES. Edward Feser, Formosa GO, Edições Santo Tomás, 2019, 269 p. Páginas onde o leitor encontrará uma introdução acessível, uma bordagem e um panorama inteligível das questões centrais relativas à filosofia da mente,

– A BUSCA DO DEUS VIVO, Elizabeth A. Johnson, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2024, 343 p. A autora é uma professora emérita de Teologia da Fordham University, Nova York, que exalta o Deus generoso das diversas religiões contemporâneas.

– CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE, Gerson Rodrigues, Maringá PR, Editora Vizeu, 2025, 490 p. O autor, com seus esclarecimentos amplamente didáticos, acredita firmemente que a verdadeira essência da espiritualidade reside na capacidade de elevar o espírito e de promover o bem-estar coletivo, através das crenças e práticas, valorizando a caminhada individual na busca de seu próprio significado.

– FUTURO ESPIRITUAL DA TERRA, André Luiz (pelo médium Samuel Gomes), Belo Horizonte MG, Editora Dufaux, 2016, 345 p. Segundo o autor, um Psicólogo Humanista, repetindo Clarêncio, “enquanto o ser humano permanecer com este comportamento imediatista, na maneira de pensar e agir, ele estará longe de antever a grandeza do Cosmos com os olhos do espírito”.

Finalmente, para os mais distanciados de suas respectivas áreas doutrinas, páginas esclarecedoras escritas por um pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia (GO):

– CRISTIANISMO DESCOMPLICADO: QUESTÕESDIFÍCEIS DA VIDA CRISTÃ DE UM JEITO FÁCIL DE ENTENDER, Augustus Nicodemus, 2ª. edição, 4ª. reimpressão, São Paulo, Editora Mundo Cristão, 2020, 224 p.

Fraternalmente, com a devida vênia, para todos os meus irmãos espiritistas ainda desorientados, uma sugestão muito oportuna:

– O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO: ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO, Antônio César Perri de Carvalho (org), 3ª. impressão, Brasília, FEB, 2015, 203 p. Orientações de como valorizar cada vez mais o Antigo e o Novo Testamento.

Saibamos crescer sempre em direção à Luz Divina, potencializando mais rapidamente a nossa perfeição espiritual.

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UM TEÓLOGO EVOLUCIONARIO

Logo após o encerramento do Concílio Vaticano II, os alunos da Pontifícia Universidade Laternense efetivaram um levantamento para se eleger o maior teólogo católico de todos os tempos. E o resultado surpreendeu: o eleito foi Karl Rahner, um teólogo que defendia uma Igreja democrática e aberta, com fronteiras indefinidas, com uma teologia pluralista do ponto de vista teológico, filosófico e doutrinário. Uma nova Igreja, na visão de uma dinâmica juventude católica, embora nem tudo fosse transcorrer como os resultados da pesquisa indicavam.

Karl Josef Erich Rahner nasceu em Friburgo, na Brisgóvia, em 5 de março de 1904, eternizando-se em Innsbruck, em 30 de março de 1984, tendo sido um sacerdote católico jesuíta de origem germânica e um dos mais dinâmicos teólogos do século XX.

Influenciado por Erich Przywara e Joseph Maréchal e estimulado por seus estudos com Martin Heidegger, Rahner tentou estruturar uma síntese da tradição teológica com o pensamento contemporâneo. Ele desenvolveu uma teologia baseada na experiência transcendental.

Karl Rahner foi ainda considerado um representante de uma teologia querigmática e foi um pioneiro na abertura da doutrina católica ao pensamento do século XX, sua teologia influenciando o Concílio Vaticano II, tendo Rahner trabalhado como especialista em sua preparação e implementação.

Rahner foi co-editor da segunda edição da enciclopédia católica Lexicon for Theology and Church e, portanto, teve um impacto em toda a teologia católica de língua alemã. Ele promoveu a comunicação teológica internacional e o diálogo entre a teologia e as ciências naturais.

Karl Rahner cresceu em uma família de classe média. Seu pai lecionou em um curso de magistério. Em sua juventude, ele participou do movimento católico Quickborn, onde conheceu Romano Guardini. Depois de obter o diploma do ensino médio, ele entrou na ordem dos jesuítas em 1922. Mais tarde estudou filosofia e teologia em Feldkirch, Pullach, Valkenburg, Freiburg, em Breisgau e Innsbruck. A participação dele nos seminários de Martin Heidegger nos anos 1934-1936 revelou-se decisiva para o treinamento de Rahner.

Nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial, ele realizou atividade pastoral na Baixa Baviera. Depois do conflito, ele continuou sua atividade de ensino, primeiro como professor na escola secundária da ordem em Pullach.

Em 1965, fundou, com Antonie van den Boogaard, Paul Brand, Yves Congar, Hans Küng, Johann Baptist Metz e Edward Schillebeeckx), a revista Concilium, uma das mais importantes da teologia católica contemporânea. Nesta época, ele também voltou a escrever, na forma de ensaios e artigos em prol do pacifismo e do desarmamento nuclear.

De 1967 até aposentadoria, em 1971, ele foi professor catedrático de dogma na Westfälischen Wilhelms-Universität, em Münster. Em 1971 foi nomeado pela Hochschule für Philosophie München como professor honorário para as questões filosóficas e teológicas “na fronteira“.

Em 1969, o Papa Paulo VI nomeou-o membro da Comissão Teológica Internacional, cargo que ocupou até 1972. Em 1981 mudou-se para Innsbruck, onde morreu subitamente em março de 1984 e foi enterrado na cripta da Igreja dos Jesuítas.

Escritor prolífico, Rahner escreveu mais de 800 artigos e ensaios.

A base para a teologia de Rahner: Todos os seres humanos têm uma experiência latente (“não-temática”) de Deus em qualquer percepção de significado ou “experiência transcendental”. Segundo ele, é somente por causa dessa proto-revelação que é possível reconhecer uma revelação distintamente especial como o Evangelho. A teologia transcendental de Rahner atraiu a atenção de teóricos de diversas vertentes teológicas.

Para todos os leitores católicos do JBF, recomendo um lançamento recente da Editora Paulus: DA NECESSIDADE E DA BENÇÃO DA ORAÇÃO, Karl Rahner, São Paulo, Editora Paulus, 2026, 144 p.

Karl Rahner foi um pensador jesuíta muito arretado de ótimo para os atuais momentos planetários.

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UM CLÁSSICO SAPIENCIAL

Aprecio muito ler pensamentos de pessoas de QI alto, principalmente as que ocuparam posições de mando. Um dos mais admirados por mim é o imperador Marco Aurélio (121 d.C. – 180 d.C.), imperador romano de 161 até a sua desencarnação.

Diferentemente de seus predecessores, Marco Aurélio escolheu não adotar um herdeiro. Seus filhos incluíram Lucila, que se casou com Lúcio Vero, e Cômodo, que governou junto com seu pai a partir de 176 e o sucedeu como único imperador após sua morte. Monumentos em homenagem a Marco Aurélio foram erguidos, como uma coluna e uma estátua equestre, que sobrevivem até hoje.

Marco Aurélio dedicou boa parte de seu tempo para estudos filosóficos, tornando-se um dos maiores aderentes do estoicismo. Sua obra Meditações é uma das melhores fontes para a compreensão da antiga filosofia estoica. Estes escritos já foram muito elogiados por figuras proeminentes pelos séculos após sua morte.

No ano passado, uma editora paulista divulgou mais uma vez a obra considerada um dos maiores clássicos da tradição sapiencial greco-latina, a mais célebre obra filosófica moral estoica, também conhecida como Notas para si mesmo, da qual extraímos algumas reflexões significativas em MEDITAÇÕES, Marco Aurélio, São Paulo, Ajna Editora, 2025, 246 p. Ei-las:

– Experimentemos, conforme te convém, a vida do ser humano bom, satisfeito com o que a totalidade lhe proporciona, contente em sua própria ação justa e sua disposição benevolente.

– Que o futuro não te preocupe. Se for preciso, chegarás a ele trazendo a mesma razão que agora empregas no presente.

– Muitas vezes, o erro está tanto na ação quanto na omissão.

– Se alguém me demonstrar que não compreendo ou não ajo corretamente, corrigir-me-ei com alegria, pois busco a verdade sem jamais prejudicar ninguém. O que realmente causa prejuízo é persistir no autoengano e na ignorância.

– A salvação da vida está em ver cada coisa em sua essência e totalidade, discernindo tanto o que é material quanto o que é causal. Está em agir do fundo da alma, com justiça e em dizer a verdade. O resto é apenas prazer de viver uma sucessão contínua de boas ações, sem deixar entre elas sequer o mais breve intervalo.

– Medita frequentemente sobre a interconexão de todas as coisas do Universo e a relação mútua entre elas. Tudo se entrelaça e se harmoniza, uma coisa seguindo a outra pela tensão do movimento, pela respiração comum e pela unidade da substância.

– O trajeto do dardo é um; o da mente, outro. Contudo, quando a mente é cautelosa e se volta para a investigação, seu percurso não é menos direto que o do dardo.

– Acostuma-te a ouvir atentamente o que os outros dizem e, sempre que possível, a perceber o que está na alma de quem fala.

– Ninguém se cansa de ser ajudado. Ajudar é uma ação que está de acordo com a natureza. Portanto, não te canse de receber ajuda ao ajudares alguém.

Se Marco Aurélio fosse hoje reconhecido entre nós, seguramente estaria distribuindo um guia sementeiro para pais e educadores dos quatro cantos do mundo: IA SEM PÂNICO: PARA PAIS E EDUCADORES ENSINAREM CRIANÇAS DESTEMIDAS, Sandro Bonás, São Paulo, Editora Gente, 2026, 160 p. E certamente presentearia um exemplar ao estimado Dom Paulo Jackson, da Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, favorecendo caminhos resolutos para seus fiéis resilientes militantes, sempre saudosos de Dom Hélder Câmara, um irmão cearense nunca esquecido, que foi sempre um arretado de muito ótimo, até quando parecia estar correto.