FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

REFLEXÕES SETEMBRINAS

Tudo tem uma história e um lugar de produção. Para quem pretende tornar-se cristãmente um pouco mais cidadão, recomendo duas oportuníssimas leituras. A primeira – Santo Domingo, Conclusões da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano,1992, é uma edição didática elaborada pelo teólogo jesuíta João Batista Libânio, de quem fui aluno, um dia. A segunda, para se obter uma visão atualizada da vida cristã, reúne quatro volumes num só, tomando o título de Catecismo Popular. Seu autor, Frei Betto, transmite os fundamentos da doutrina cristã descolorida, de acordo com as mais recentes análises teológicas. Sem preconceitos, sem receio dos medos e dos mitos que ainda povoam as cabeças de inúmeros leigos ingênuos, alguns religiosos e até bispos e cardeais oitentões, o Frei Betto busca enfatizar as raízes bíblicas da nossa fé e sua dimensão ecumênica, sem nostalgias vitimistas.

O prefácio do Libânio, além de conter um histórico completo acerca das fases preparatórias que antecederam a IV Conferência, aponta para alguns silêncios acontecidos. O mais importante deles: o total desaparecimento da palavra libertação, do ideário dominante a partir de Medellin. As Comunidades Eclesiais de Base também não merecem uma maior atenção, apenas sendo simplesmente mencionadas como uma das inúmeras formas de realização da comunhão na Igreja. As análises da realidade estiveram ausentes no documento de Santo Domingo. E elas são fundamentais na obtenção de um mais acurado ajuizamento acerca das etapas de construção do Reino. Quando especialistas de milhares de outras instituições estão debruçados sobre as “tendências globais” de hoje, nas primeiras décadas de um novo milênio, a exigir mais disposição fraterna para um diálogo franco além dos formais cumprimentos.

A leitura do Catecismo Popular do Frei Betto pode se caracterizar como um reencontro com a mensagem do Senhor, numa linguagem acessível, sem prejuízo algum da profundidade teológica. Em oitenta e seis capítulos curtos, Frei Betto esclarece, ilustra com citações balizadoras, oferecendo à inteligência humana as razões de nossa esperança, como recomendou Pedro em sua Primeira Carta (3,15). Creio que os trabalhos de Libânio e Betto se interconectam. Um analisa o cotidiano do ser cristão, à luz do Evangelho do Senhor Jesus. O outro reproduz as linhas mestras de uma Igreja Latino-americana, que necessita revitalizar-se através dos seus leigos mais comprometidos com as urgentes novas estruturas sociais, desafiadoras por excelência até por instinto de sobrevivência de todos.

Nós, leigos, urgentemente necessitamos entender mais efetivamente as mensagens do Senhor da História. O documento de Santo Domingo é incisivo: “A persistência de certa mentalidade clerical nos numerosos agentes de pastoral, clérigos e inclusive leigos (cf. Puebla,784), a dedicação preferencial de muitos leigos a tarefas intra-eclesiais e uma deficiente formação privam-nos de dar respostas eficazes aos atuais desafios da sociedade”. Para todo cristão, mormente para os mais jovens, os que ultrapassarão em pleno vigor as décadas do Século XXI, ser potencialmente cristão será historicamente fundamental. Para ele e para todo os seus derredores. E para todas as demais regiões do Brasil e da América Latina. Para que Deus seja tudo em todos (1Cor 15,28).

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LEITURAS RESTAURADORAS

Certa feita, na Universidade Católica de Pernambuco, onde lecionava, um colega me presenteou com um livro que até hoje integra a lista dos que restauraram minha credibilidade numa eternidade de muitas moradas, todas elas repletas de luzes da Criação. Um livro por mim presenteado para mais de uma dezena de amigos(as) desesperançados(as): QUANDO TUDO NÃO É O BASTANTE, Harold Kushner, 3ª. reimpressão, São Paulo, Nobel, 2010, 174 p. O autor é norte-americano, graduado na Universidade de Colúmbia e ordenado rabino no Seminário Teológico Judaico, obtendo o doutorado em Bíblia em 1972. Eternizado em 28 de abril próximo passado, aos 88 anos.

O livro de Kushner deveria ser lido por todos aqueles que vivem correndo loucamente pelos cantos da vida, sem parar um instante sequer para tentar responder algumas questões amplamente sementeiras, restaurando, nos seus interiores, razões significativas para um viver espiritualmente sempre de modo evolucionário.

Na Apresentação do livro, o padre Humberto Porto, da Comissão Nacional do Diálogo Católico-Judaico do Brasil, explicita o objetivo do pensar rabínico: “A grande indagação filosófica que percorre as páginas deste livro é se vale a pena o esforço para lutar na vida e atingir determinadas metas. O autor, bebendo-se em Jung, sentiu a necessidade de adentrar-se analiticamente na mente humana em busca de respostas, o que, por sua vez, desperta outras perguntas. … Descendo às raízes psicológicas de nossa fenomenologia religiosa, o livro de Kushner traz uma rara contribuição ao diálogo entre religiões. Todos, judeus e não judeus, somos seres atormentados por não saber. O mistério jamais é plenamente possuído, mas apenas adivinhado. O autor deste livro quer oferecer um sentido novo a essa procura universal.”

O autor do livro ressalta que a pós-modernidade, através das mais diferenciadas áreas da comunicação, está contaminada pelo fenômeno da impostura, onde inúmeros anseios por cinco minutos de fama, sempre buscando um sucesso atrás do outro, permanecendo com um imenso vazio em suas vidas profissionais, artísticas e familiares. Uma gigantesca ausência de significado. Ignorando por completo as percepções explicitadas por Carl Jung em seu livro famoso O indivíduo moderno em busca de uma alma, editado pela Vozes, ano passado.

Recentemente, uma outra leitura poderá muito ampliar a enxergância racional de muitos, favorecendo uma nova visão planetária: A ERA DA INCERTEZA, Tobias Mürter, São Paulo, Planeta, 2022, 352 p. Páginas que ressaltam como os grandes gênios da Física mudaram a maneira como vemos o mundo. Para mais efetivamente entender os feitos de Marie Curie, Max Planck, Niels Bohr, Heisenberg, Schrödinger e Einstein e as ligações entre Ciência e História.

Por fim, páginas escritas pelo psiquiatra brasileiro mais lido nas duas últimas décadas: 12 SEMANAS PARA MUDAR UMA VIDA: DESENVOLVA A GESTÃO EMOCIONAL, ENRIQUEÇA A SUA INTELIGÊNCIA E PROMOVA A SAÚDE PSÍQUICA, Augusto Cury, São Paulo, Planeta do Brasil, 2023, 304 p. Um livro que combate tristezas, angústias e solidões, favorecendo binoculizações existenciais sadias que fortalecem a liderança do Eu.

Leituras sementeiras que promovem amplos soerguimentos empreendedores, capazes de fazer efetiva distinção entre Vida Plena e Putaria Seca.

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NOTAS SILVÍNICAS

Em tarde meio chuvosa, enfezado pelos resultados obtidos pelos clubes pernambucanos no Campeonato Brasileiros, vítimas de péssimos planejamentos estratégicos, com dirigentes, técnicos e atletas mais falastrões que competentes, recebo a visita do meu companheiro de viagem terrestre João Silvino da Conceição, sempre acompanhado das suas anotações pessoais.

Com sua devida licença, transcrevo abaixo as que mais me sensibilizaram:

a. Sou plenamente favorável à redução da idade mínima criminal para 14 anos, bem como à castração física integral, além de longo cumprimento de pena em regime fechado e sem saidinhas, dos que violentam sexualmente ou matam crianças, adolescentes e adultos.

b. Os fatos do cotidiano da vida costumam ser neutros; são as nossas crenças que afetam nossas formas de pensar, sentir, julgar e agir.

c. Em todos os momentos da vida, devemos nos comunicar com autenticidade, basta apenas sermos nós mesmos.

d. Saibamos sempre dominar nossos egos, jamais desejando ser estrelas, mas buscando ser produtores de estrelas.

e. As indecisões e os temores são os verdadeiros inimigos de um desenvolvimento profissional.

f. Encare o fracasso como um aprendizado, sem jamais deixar de tentar novamente.

g. Os humanismos solidários jamais devem ser confundidos com pieguismos paspalhões, que conservam inúmeros numa fé analfabética do tipo agora-a-coisa-vai.

h. Sou contrário ao funcionamento de BETS em todo território brasileiro. Elas são perniciosas para milhões de ansiosos que buscam a todo instante um enriquecimento instantâneo.

i. Os negativistas, atualmente uma seita bastante crescida, são sempre pouco amados, possuem uma estupidificante cultura egolátrica, ampliada pelos bens adquiridos.

j. A única coisa permanente no mundo é a mudança. Não podemos esperar que os tempos se modifiquem e que nós nos modifiquemos juntos com eles através de uma evolução sem causa que nos arrebate.

k. Muito perigoso é um pouco de conhecimento, trágico sendo nenhum.

l. O boato é a primeira etapa comportamental de um recalcado, o escoamento de uma agressividade criminosa premeditada.

m. De que nos serve entender legislação, se com ela nos tornamos mais covardes, menos éticos civicamente?

n. Alguns candidatos nas eleições comportam-se com arrogâncias, postando-se com vulgar interesse pelos destinos nacionais, apenas interessados em folgas, falácias e patifarias.

o. Quando criança, minha saudosa mãe me ensinou dois balizamentos: 1. “Orar é estar disposto a perder tempo, sem nada temer.” 2. “A oração só acontece quando se está convicto, sem qualquer esforço mental, da presença infinita de Deus.”
p. A prática da leitura afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a fofoca. Quem não gosta de ler, termina chorando sempre sobre o leite derramado.

Ficando para ver comigo o eclipse da lua, o João Silvino ainda levou de presente um livro por mim recebido em dobro: AS ARMADILHAS DO ENGANO, Equipe Teológica Penkal, 2025. Páginas que fazem o leitor identificar as ciladas que afastam o ser humano de Deus, provocando ilusões descabidas e múltiplas desesperanças no existir aqui e no além.

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BALIZAMENTOS DE SARAMAGO

A campanha eleitoral deste ano, principiada esta semana, tudo faz crer que será o retrato fiel do atual desnível civilizatório do nosso país, distanciando-se das regiões mais humanísticas do planeta. Nossos níveis analfabéticos se ampliam cotidianamente: o político, o religioso, o familiar, o profissional, o comunitário, o cultural, o esportivo, o televisivo, para não falar do educacional, onde os últimos censos escolares indicam que 60% dos alunos que concluem o Segundo Grau de Ensino não possuem os conhecimentos básicos de Matemática!

No Contrato Social, Jean-Jacques Rousseau afirmava que “Maquiavel, fingindo dar lições aos príncipes, deu grandes lições ao povo.” Entretanto, hoje temos muito pouco povo e uma gigantesca massa, extremamente alienada, que apenas sabe dizer sim, senhor, sem uma mínima criticidade analítica, sempre vitimado por um processo educacional imposto por uma elite conservadora que não se está percebendo em final de era, posto que de nada entende de desenvolvimento social pós-moderno, com seus impasses trágicos.

Uma releitura recente me fez extrair uma serie de balizamentos que repasso para os leitores, encarecendo o repasse deles para seus derredores comunitários. A fonte é merecedora de múltiplos elogios: AS PALAVRAS DE SARAMAGO: CATÁLOGO DE RFLEXÕES PESSOAIS, LITERÁRIAS E POLÍTICAS, Fernando Gómez Aguilera (Organização e seleção), São Paulo, Companhia das Letras, 2010, 479 p. Eis as escolhidas:

a. “O que faz falta é uma insurreição ética. Não uma insurreição das armas, mas ética, que deixe bem claro que isto não pode continuar. Não se pode viver como estamos vivendo, condenando três quartas partes da humanidade à miséria, à fome, à doença, com um desprezo total pela dignidade humana. Tudo isso para quê? Para servir a ambição de uns poucos. Não sou nem pregador, nem profeta, nem messias, apesar de ter escrito O Evangelho segundo Jesus Cristo. Só falo de evidências, de coisas que estão à vista de todos. E sei que tenho razão.”

b. “A intolerância é péssima, mas a tolerância não é tão boa quanto parece. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância.”

c. “A amnésia humana é ruim para as pessoas e também para as sociedades. Temos de saber quem somos para viver com consciência de estar vivos. Continuamos perguntando e procurando.”

d. “Destinamos tempos demais a conjecturar o que há além da vida, e tempo de menos a nos indagar sobre o que está acontecendo na vida mesmo.”

e. “A inspiração é só o esqueleto de uma ideia. O trabalho e a disciplina são o que formam o corpo desse esqueleto.”

f. “A verdade é que vivemos numa sala de espelhos na qual tudo se reflete em tudo e é, por sua vez, reflexo de si mesmo.”

g. “O que eu digo é que tenho, como cidadão, um compromisso com o meu tempo, com o meu país, com as circunstâncias, digamos, do mundo. Eu não posso virar as costas a tudo isso e ficar a contemplar minha obra.”

Busquemos espalhar os balizamentos saramagueanos acima, com a resiliência de nunca ser eleitor penico cheio nas eleições que se aproximam, posto que devemos ter sempre em nossa evolução as duas mãos e o sentimento do mundo.

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REFLEXÕES RESTAURADORAS

Na conjuntura atual, os quatro cantos do mundo estão a necessitar de uma assimilação consciente de reflexões que possibilitem uma REC – Reestruturação Existencial Consistente, favorecendo amanhãs mais dignos e solidários para todos os seres humanos. Lamentavelmente, as atuais populações estão relegando as sabedorias que os mais conscientes emitem pelas redes sociais, buscando sempre usufruir vantagens apenas com fatos e feitos lucrativos que a nada conduzem.

Colecionei, de uns tempos para cá, umas reflexões que poderia explicitar neste JBF lido e aplaudido por influenciadores de todos os matizes, buscando fortalecer uma CRS – Cidadania Regional Solidária capaz de orientar o nordestino para futuros mais positivamente correlacionados com um nível ético-empreendedor.

Explicito, abaixo, os balizamentos que mais me sensibilizaram, desejando vê-los lidos, assimilado e disseminados para uma juventude que busca horizontes criativos. Que os leitores saibam reproduzi-los em seus ambientes comunitários, profissionais e políticos:

– “O meio ambiente começa no meio da gente. Somos parte da natureza e precisamos cessar a onda de destruição que assola o planeta, e que também nos atinge. Proteja as florestas, as fontes de água, o clima e a biodiversidade.” (André Trigueiro, jornalista e pesquisador ambiental)

“Ressuscitar Marx? Não. Vivemos um outro tempo. É preciso algo mais imaginativo do que a simples indignação – que é legítima – para mudar as coisas.” (José Saramago)

“Um dos milagres mais extraordinários de Jesus foi o da multiplicação de cinco pães e dois peixes, que alimentaram 5 mil homens, mulheres e crianças, ainda sendo recolhidos 12 cestos cheios de pedaços de pão e peixe, segundo Marcos 6,42-43.” (Matheus Alves, Igreja Batista da Lagoinha, Belo Horizonte MG)

“O Aprendizado de Máquina é a ciência de fazer os computadores agirem sem serem explicitamente programados.” (Ricardo Murer, Mestre em Computação, USP)

“Que importa o areal e a morte e a desventura / Se com Deus me guardei? / É O que eu me sonhei que eterno dura / É a Esse que regressarei.” (Fernando Pessoa, Mensagem)

“Para ultrapassar esta era de barbárie, é preciso, antes de tudo, reconhecer sua herança. Tal herança é dupla, a um só tempo herança de morte e herança de nascimento.” (Edgar Morin, sociólogo francês)

“O Dia do Basta precisa ser hoje porque, enquanto sua vida tiver um amanhã, você sempre deixará tudo para o dia seguinte.” (Marcos Fiel, empreendedor comunitário)

As reflexões acima, escolhidas dentre muitas, devem ser pilastras resilientes contra uma série problemas reais que atormentam nossos derredores: a fofoca, a religiosidade fingida, o consumismo desvairado, a inveja, a bundolatria e a alienação hipnótica dos canais de comunicação, inclusive com o uso de celulares. Saibamos estabelecer objetivos eticamente consistentes, percebendo-se sempre uma evolucionária metamorfose ambulante, parodiando o saudoso menestrel baiano Raul Seixas.

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RESTAURANDO O HUMOR

Tem gente que vive de cara emburrada, parecendo ter intestino preso há muitos dias ou um mau hálito que parece afastar gregos e troianos dos seus derredores. E não sabem como minimizar tal nível existencial, sempre buscando se receitar com laxantes dos mais variados procedimentos. Entretanto, quando se encontra um infeliz desse, que faz sofrer gente que o estima, recomenda-se a leitura de páginas bem escritas, inteligentemente idealizadas por talentos dotados de excelente nível de humor.

Nessa área, um dos notáveis pernambucanos por mim admirados chama-se Joca Souza Leão, e seu livro de feitos e fatos intitulado PANO RÁPIDO, editado no Recife-PE pela CEPE-Companhia Editora de Pernambuco em 2011, 120 p, me tem proporcionado elevadas gargalhadas. Crônicas lidas, relidas e sempre gargalhadas sem mínimas reduções.

Desenvolvamos nosso humor, lendo fatos e feitos inteligentes narrados em coletâneas significativas. A releitura deles amplia bastante nosso IdSE – Índice de Serenidade Emocional. O livro do Joca citado, segundo Homero Fonseca, jornalista conceituado, recorda “ histórias reunidas que são um saboroso painel do ethos pernambucano: gostos, costumes e valores de personagens anônimas e famosos. Ao narrá-las com verve e fluidez, Joca faz um registro de sua época, apresentando, mais que episódios engraçados, testemunhos da micro-história cotidiana.”

Satisfazendo o desejo dos leitores deste Jornal sempre antenado com a trajetória do Leão do Norte e vizinhanças, explicito abaixo quatro narrativas do livro do Joca, ensejando o bem-estar dos que se encontram cabisbaixos

1. Andando na Capunga, João Câmara foi atacado e mordido por um rottweiler que acompanhava o vigilante de uma faculdade. Depois de prestar queixa na polícia e fazer exame de corpo delito, Câmara disse a Paulo Sérgio Scarpa, colunista do Jornal do Commercio: – Nunca tive medo de cachorro. Tenho medo é de faculdade que não sabe educar seus cães.

1. O namorado, jornalista, tinha fama de maior mau hálito do Recife; a namorada, atriz, a maior sovaqueira. Diagnóstico: Casal sem olfato.

3. Valério Rodrigues, médico e coronel do asfalto, vereador do Recife por vários mandatos, recebia os eleitores no terraço de casa. “Dr. Valério, eu arranjei um emprego e preciso do exame de fezes”. Valério foi ao gabinete, rabiscou a requisição e entregou ao eleitor. – Não, doutor, preciso das fezes. Se eu fizer com as minhas, não passo.

4. O ex-prefeito Pelópidas Silveira e o engenheiro Maurício Coutinho, os dois já entrados nos oitenta, cruzaram com duas morenaças na Ponte Duarte Coelho.

– Pelópidas, elas deram bola para gente. Vamos lá?

– E se elas toparem?

Guardo com todo cuidado este e os demais livros do Joca Souza Leão. Os únicos antidepressivos que que sempre me recomendo, quando sinto os primeiros sinais. De efeito quase imediato, por boas semanas

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OFICINANDO UMA PEA

Numa comunidade popular nordestina, um grupo de adolescentes implementou com sucesso uma caminhada existencial extra-escolar orientada por um profissional especializado em Desenvolvimento Profissional. Composto de 11 pré-universitários, para o grupo foi programado um conjunto de leituras para serem analisadas e debatidas coletivamente, favorecendo uma Cidadanização Comunitária que muito favoreceria uma futura jornada existencial coletiva dotada de uma profissionalidade ética solidária.

Convidado para conhecer o conjunto de livros programados para uma etapa inicial, relaciono os que estavam à disposição de todos nos dois primeiros semestres, causando-me uma admiração gigantesca a ordem de leitura/análise/debate. Ei-los:

a. DICIONÁRIO BRASILEIRO DE DITADOS POPULARES, FRASES FEITAS, ANEXINS, ADÁGIOS, MÁXIMAS, APOTEGMAS, RIFÃO E AFORISMO, Gregório José Lourenço Simão, Rio de Janeiro, Editora Telha, 2023, 404 p. O autor foi operador de rádio, locutor e noticiarista nas emissoras mineiras de Uberlândia e Monte Carmelo, com muitos textos publicados em jornais do Brasil, Portugal, Angola e Bélgica. Especializado também em Gestão Escolar e Ciências Políticas. Do livro dele, retirei alguns escritos merecedores de muitos aplausos do grupo: Mulher e cachaça em toda parte se acha; O mau crê nas maldades, e o bom nas virtudes; Gente de mente velha não pega andadura; Quem fala muito dá bom-dia a cavalo; Cachorro que muito late não morde; e Há pessoas que nascem sorrindo, vivem fingindo e morrem mentindo.

b. O SENTIDO DA VIDA, Contardo Caligaris, 6ª. edição, São Paulo, Planeta do Brasil, 2023, 144 p. Um ensaísta italiano (1948-2021), psicanalista, radicado no Brasil, que ensinava que a felicidade deve ser uma preocupação desnecessária. Um livro para aqueles que se atentam verdadeiramente pela vida.

c. O HOMEM INTEGRAL, Divaldo Franco, pelo Espírito Joanna Ângelis, 23ª. edição, Salvador BA, LEAL, 2025, 172 p. Páginas que ensinam a identificar seres-humanos aparentes, ódio e suicídio, religião e religiosidade, fortalecimento da consciência e a reconquista da identidade. E as doenças contemporâneas da mente humana.

d. PARÁBOLAS DO EVANGELHO: PARA MELHOR ENTENDER AS VERDADES DO REINO DE DEUS, São Gregório Magno, São Paulo, Cultor de Livros, 2023, 171 p. Sementes plantadas nos corações daqueles que como ouvir o maior revolucionário de toda as eras da humanidade. Cada parábola com sua fonte de sabedoria.

e. VIVER E PENSAR EM TEMPOS DE MUDANÇA: PEREGRINOS DA ESPERANÇA, Edson Matias Dias e José Reinaldo F. Martins Filho (organizaores, São Paulo, Editora Pluralidades, 2025, 228 p. Páginas que explicitam o atual nível de complexidade do mundo, urgindo reflexões altamente reconstrutoras, sempre sob lema Viver e Pensar em tempos de mudanças

Confesso que saí do Grupo por mim visitado com uma enorme satisfação, na certeza plena de que os amanhãs brasileiros dele serão muito bem reestruturados por um ideário crítico altamente empreendedor, muito fraterno e solidário, onde todos poderão viver plenamente e em plena liberdade.

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NOTAS SILVÍNICAS

No feriado de 16 de julho último no Recife, dia consagrado à Nossa Senhora do Carmo, encontro o João Silvino da Conceição num supermercado olindense. Papo vai e papo vem, pergunto ao sempre companheiro como vão suas anotações sobre os últimos perrengues da vida contemporânea. E ele me mostrou seu caderno 80 folhas, com suas últimas notas. Com a devida licença dele, transcrevo abaixo algumas delas:

1. No Brasil atual, há idades que promovem o todo nacional e idades que o colocam em situações vexatórias. Eis as que estão mais em destaque:

Idades positivas: espiritualidade, honestidade, fraternidade, capacidade, sinceridade, criticidade, fidelidade, profissionalidade, civilidade, solidariedade e humanidade.

Idades negativas: falsidade, criminalidade, imbecilidade, passividade, morosidade, futilidade, mediocridade, impunidade, agressividade e insalubridade.

2. Como eu gostaria de ver o José Múcio Monteiro, atual Ministro da Defesa do Brasil, eleito Governador de Pernambuco. Uma personalidade de excelente formação moral, capacidade estratégica e postura dialogal, que muito bem integraria Pernambuco num Desenvolvimento Regional dinâmico e sem sectarismos.

3. Que o próximo Dia dos Pais seja comemorado com bons livros presenteados, favorecendo um ambiente com mais sentimento humanístico, nulamente celulárico, sem solidariedade, individualistas e egolátrico.

4. Que neste ano eleitoral, os votantes brasileiros compareçam às urnas com a consciência ciente da reflexão feita pelo notável sociólogo Karl Mannheim: “Toda nossa tradição educacional e nosso sistema de valores ainda estão adaptados às necessidades de um mundo paroquial e no entanto espantamo-nos porque as pessoas se saem mal quando têm de agir num plano mais amplo.”

5. Os feminicídios só terão seus percentuais próximos de um mínimo, quando a pena de castração física integral for aplicada aos condenados em última instância, juntamente com uma pena de longa duração em regime radicalmente fechado e sem saidinhas beneficentes.

6. Sem mais torcer para qualquer clube de futebol pernambucano, torço pela rápida recuperação da saúde do Ralph de Carvalho, cujos comentários inteligentes e oportunos são por mim assistidos na resenha esportiva da Rádio JC das 13hotas, de segunda à sexta-feira.

7. Para os apenas modernosos, uma reflexão do nem sempre devidamente lembrado notável Gilberto Freyre mereceria mais atenção: “O moderno apenas moderno e efêmero e o eruditamente clássico nunca é perfeição definitiva, sempre exigindo sempre sucessivas.” Saibamos sempre bem diferenciar o moderno evolucionário do modernoso nunca convincente.

8. O sistema de governo brasileiro deveria ser parlamentarista, com 1/3 das atuais agremiações partidárias, com um Congresso Nacional reduzido de ¼, sem reeleição para presidente, governador e prefeito, com os ministros dos Tribunais Superiores com mandatos definidos e renovados apenas uma vez, os municípios sem sustentabilidade orçamentária com câmaras de vereadores sem qualquer tipo de remuneração.

9. O sábio Confúcio, hoje muito pouco estudo pelos que acham executivos tampa-de-foguete, enumerava as cinco falhas de caráter que podem levar ao fracasso: a negligência, a timidez, a emoção, o egoismo e a excessiva preocupação com a popularidade. E ele acreditava que toda boa liderança era consequência de seis características: autodisciplina, determinação, responsabilidade, conhecimento atualizado e exemplo.

10. Todo executivo, público ou particular, deveria observar, nas suas áreas de mando, quatro situações: a manifesta, a suposta, a existente e a que deveria ser. No mais, sempre seguir adiante, ouvindo e dialogando, com serenidade e resiliência, sempre percebendo-se um inconcluso.

Abracei o Silvino com um orgulho gigante, lamentando a existência de tão poucos no cenário pátrio.

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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E OUTRAS IAs

Sou um aplaudidor incondicional das evoluções positivamente benéficas da Inteligência Artificial, uma prova inconteste da potencialidade científica dos seres humanos, cumprindo-se historicamente um dos maiores balizamentos proféticos do Homão de Nazaré, o que dizia “Se tiveres fé moverás montanha” (Mt 17,20), numa confiança radical na Sua Criação.

Entretanto, muitas outras IAs também estão se multiplicando pelos quatro cantos do mundo, mormente nas nações em desenvolvimento como o Brasil, ultimamente muito vitimado por OSVs – Oportunismos Sempre Vigarísticos, em todos os níveis sociais, religiosos e políticos, em contas bancárias e nos de níveis de ensino.

Participando, como convidado, de uma reunião social, um dos presentes perguntou ao grupo, alto e bom som, se o grupo indicaria as IAs Perversas que estavam vitimando atualmente o Brasil neste século XXI repleto de contradições.
Pedindo vênia para anotar as indicações feitas, explicito abaixo as mais significativas, sem ordem alguma de influência maligna:

– Inteligência Analfabética – contaminando gente de todas as idades, níveis sociais e de ensino, da área política, mercadológica, financeira, religiosa, jurídica, da segurança pública, dos setores esportivos (atletas e dirigentes), do sindicalismo trabalhista e patronal e das redes televisivas.

– Inteligência Assassina – não respeita os direitos das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, deficientes e enfermos, animais, indígenas e desalojados.

– Inteligência Anormal – não consegue defender a igualdade de direitos entre gêneros, religiões, regiões e etnias, sempre puxando a sardinha para os que mais lhe poderão beneficiar.

– Inteligência Atrofiada – aquela que não tem vontade alguma de evoluir, sentindo-se bem como está sobrevivendo como um carente sempre assistido.

– Inteligência Apoteótica – que se imagina dona de todas verdades, sem contradições de espécie alguma.

– Inteligência Arborizada – que nada sente por estar ornamentada de muitos galhos impostos por sacripantas dos derredores.

– Inteligência Anal – aquela que só se sente beneficiado lucrativamente pelos fundos.

– Inteligência Ancelotti – que só imagina soluções advindas de métodos europeus.

– Inteligência Acanalhada – que vê maldade em todas as áreas.

– Inteligência Aeroespacial – a que só pensa com os olhos e os pés no espaço.

– Inteligência Adega – só raciocina embriagado.

– Inteligência Angelical – que imagina ser executivo empreendedor só porque imagina portar asas e penas, ainda que sem capacidade técnica suficiente para gerenciar.

No frigir dos ovos, a IA positiva merece todo aprendizado, potencializando um pensar sempre evolucionário, abandonando aparências e fingimentos que apenas multiplicam desconstruções, jogando o Brasil para as últimas posições do cenário mundial, inclusive ofendendo a memória de muita gente heroica, como a Princesa Isabel, o hexacampeonato mundial de futebol, o Castro Alves, a Chiquinha Gonzaga, o Nelson Ferreira, Capiba, Paulo Freire e Alceu Valença, Tiradentes, Pelé, Didi, Barão do Rio Branco, a Fernanda Montenegro e o Dom Pedro I, uma amostra diminuta da genialidade da gente brasileira.

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DESASSISTÊNCIAS BRASILEIRAS

Toda nação possui suas enfermidades, causadas por fatores os mais diferenciados: fome, seca, má distribuição de renda, analfabetização profissional, mediocridades televisivas, epidemias, machismos alucinatórios, corrupção, desescolarização crescente, drogadição comunitária, sistema político involuído, Poder Judiciário sem consistência analítica, manifestações religiosas apenas marqueteiras, celebrações cristãs descristocêntricas, áreas indígenas assaltadas, feminicídios, mediocridades sociais e atividades esportivas comandadas por dirigentes que apenas apreciam usufrutos financeiros pessoais, ignorantes de pai e mãe de estratégias gerenciais empreendedoras.

Toda sociedade contaminada com os sintomas acima termina se caracterizando como uma sociedade do cansaço, título da análise social feita por Byung-chul Han, um coreano que se fixou na Alemanha, doutorando-se em Friburgo com um estudo sobre Martin Heideger, hoje docente de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim. Seu livro: SOCIEDADE DO CANSAÇO, Byung-Chul Han, 3ª. edição, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2024, 126 p. Páginas compostas por uma das mentes mais especializadas sociologicamente da atualidade, que detalha magistralmente como o Ocidente está se tornando uma sociedade cansada.

Com base na análise acima, quais são os fatores desassistenciais que estão vitimizando a atual sociedade brasileira? Elenquemos os mais significativos, sem qualquer ordem de prioridade:

a. Nosso sistema educacional, em todos os níveis, está a carecer de uma gigantesca reestruturação. Estamos multiplicando mentes analfabéticas sem criticidade em todos os níveis e setores de ensino nacional.

b. Nossa política de redistribuição de renda é vexatória, indigna até.

c. Nossa Segurança Pública há décadas está entrelaçada com o que há de mais vexatório nos quatro cantos do país, desatenta aos mais diferenciados níveis de bandidagem, dos roubos de celulares até os assaltos de condomínios de alto padrão.

d. Ausência de novas Bibliotecas Públicas nas principais cidades brasileiras. Para se ter uma ideia, só Buenos Aires, capital da Argentina, tem mais bibliotecas que todas as capitais brasileiras.

e. Ausência de um Poder Judiciário desburocratizado, com um Código de Processo Penal atualizado, com idade criminal mínima reduzida para 14 anos.

d. Um SUS mais operante, proporcionando um atendimento de mais qualidade nas áreas urbanas e rurais.

f. Atividades esportivas da juventude brasileira com incentivos, os setores das entidades esportivas públicas sem uma mínima fiscalização do Ministério Público, federal e estaduais.

g. Currículos escolares com reduzido número de dias de aula, docentes do Primeiro Grau de Ensino mal remunerados e sem capacitação periódica, advindos de Cursos Pedagógicos e de Pedagogia de ínfimas qualidades.

h. Um Sistema Previdenciário sem uma mínima dinamicidade operacional, favorecendo patifarias financeiras que humilham a dignidade dos beneficiados.

i. Um sindicalismo trabalhista sem densidade empreendedora, servindo apenas para o abrigo de práticas pelegas e populismos eleitorais.

Os fatores acima muito contribuem para o agravamento do cansaço da sociedade, brasileira, favorecendo um eleitorado indolente, sem uma mínima criticidade, sem ideário, sempre buscando contemplar os próprios umbigos.

Além disso, a redução em 1/3 das agremiações partidárias, a diminuição em ¼ do Congresso Nacional, Assembleias e Câmaras de Vereadores, estas sem remuneração dos eleitos para os municípios sem sustentabilidade financeira, muitas grandezas proporcionariam ao todo pátrio. Sinais evidentes de uma evolução civilizatória da amada nação que tanto amamos.