DEU NO JORNAL

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CADÊ O DINHEIRO DO RS?

Marcel van Hattem

Rescaldo após enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024.

Apesar desse cenário catastrófico, não se observa a solidariedade federativa que deveria ser exercida por quem pode mais

Nos últimos dias, o Rio Grande do Sul veio a Brasília. Se os recursos prometidos pelo governo federal para a reconstrução do estado não estão chegando na ponta, as lideranças políticas e empresariais gaúchas estão acorrendo à capital federal para se fazerem ouvir e respeitar. Mais de sessenta dias após as enchentes que causaram uma catástrofe no meu estado, é preciso reforçar: a reconstrução levará não apenas meses, mas anos de muito trabalho, empenho e união para que possa ocorrer. E requererá muito, mas muito dinheiro.

Infelizmente, ocorre agora o esperado: apesar da ampla cobertura das enchentes, dos deslizamentos e dos vendavais ocorridos no estado no mês de maio, já estamos em julho e o noticiário aborda naturalmente outros temas. O interesse no assunto diminui, as doações, o número de voluntários e os auxílios de toda sorte, também. Acrescente-se a isso um governo federal que anuncia estar destinando bilhões de reais ao estado e que propaga a desinformação de que estaria, efetivamente, cuidando dos gaúchos neste momento.

O resultado é a falsa impressão no restante do país de que a situação do Rio Grande do Sul está resolvida ou, pelo menos, encaminhada. Nada mais distante da realidade! Na semana passada, centenas de prefeitos gaúchos marcharam em Brasília para alertar sobre a brutal perda de receita sentida em seus caixas nesse momento. Além dos custos com a limpeza e reconstrução, as despesas correntes não param. Como enfrentá-los com até 30% menos dinheiro entrando no fluxo de caixa?

As empresas, por sua vez, estão agonizando. É em larga medida da produção de riqueza empresarial que se extrai o tributo pago aos governos. Com parques fabris inundados, utensílios, móveis e equipamentos destruídos, como uma empresa vai produzir? Mais: sem faturamento, vêm demissões. Segundo o CAGED, que registra as demissões e admissões de empregados CLT, do último dia 27, o Rio Grande do Sul perdeu mais de 22 mil postos de trabalho nos últimos 30 dias. É a tragédia após a tragédia!

Apesar desse cenário catastrófico, não se observa a solidariedade federativa que deveria ser exercida por quem pode mais. O governo federal anuncia muito, mas entrega pouco. A prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, estimou em R$ 12 bilhões o necessário para reconstruir o município; até o momento, o governo federal enviou R$ 94 milhões, menos que um por cento do necessário. Municípios em calamidade, 95 no total, receberam uma parcela extra do Fundo de Participação dos Municípios. Além dessa parcela extra ser insuficiente para quem está em calamidade, os demais 323 municípios em estado de emergência também precisam ser socorridos!

Para o setor privado, as linhas de créditos são poucas, insuficientes e muito limitadas em relação ao total que cada empresa pode contrair. Em pouquíssimas horas, o crédito foi disponibilizado via PRONAMPE evaporou: apenas 17 mil empresas do mais de 1 milhão de CNPJs do RS conseguiram algum recurso – e pouco. Empresas com prejuízos de mais de um milhão de reais recebem créditos de até, no máximo, R$ 150 mil. A conta não fecha!

A pá de cal é a insistente recusa do governo federal de reeditar uma medida tomada durante a pandemia e que resultou em milhões de empregos preservados. A lei estabelece que a redução de carga horária e de salário pode ser feita com base em acordo individual, com aporte do governo para compensar parte das perdas. Até agora, o governo não dá sinais de que quer salvar empregos dos trabalhadores, pois as medidas anunciadas não chegam nem perto da importância que teria a reedição da medida provisória assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na época da pandemia. Aliás, seria por preconceito de origem que o governo Lula se nega a repetir o que já deu certo?

Não deveria ser, sequer, de se supor, mas é claramente o caso: o governo Lula politiza a situação ao mandar ao estado um ministro que é pré-candidato ao governo estadual em 2026, Paulo Pimenta. Sem mencionar o caso do leilão do arroz, finalmente cancelado… Deveria, em lugar disso, se esforçar para unir todos os brasileiros em favor do Rio Grande do Sul, que historicamente envia muito mais recursos a Brasília do que recebe de volta da União. Nesse momento, somos nós, gaúchos, que clamamos desesperadamente pelo apoio do restante do país.

Esse apoio não nos tem sido negado pelas doações da iniciativa privada Brasil afora, nem por outros estados que nos enviaram reforços policiais, de salvamento e técnico para lidarmos com os efeitos imediatos da calamidade. Somos muito gratos! Agora, quem precisa cumprir seu papel é o governo federal. Se deixar no Rio Grande do Sul somente os mais de R$ 40 bilhões anuais que mandamos a mais do que recebemos de volta da União, já estaríamos em outro patamar. Por isso, pergunta-se a Lula, que prometeu que não deixaria faltar recursos para reconstruir nosso estado: cadê o dinheiro do Rio Grande do Sul?

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NO PAÍS DA ESTUPIDEZ

Antes de fazer sua turma aprender Economia, Fernando Haddad (Fazenda) deveria ordenar que aprendessem tabuada, após admitirem um “pequeno” erro na conta mentirosa de que somariam mais de R$ 22 bilhões a perda de receita provocada pela desoneração da folha de pagamento dos 17 setores que mais empregam pessoas.

Reconhece agora que a suposta “perda” somaria R$ 4 bilhões a menos.

A política econômica é tocada por pessoas que, tudo indica, não sabem aritmética.

Economia não é o forte nem mesmo do próprio Haddad, que confessou nada entender do assunto e que até colava dos colegas nas provas.

A cobrança de imposto de 20% sobre a folha de pagamentos pune o empresário que gera empregos e assina carteiras de trabalho.

O projeto da reoneração, que deve suprimir postos de trabalho, prevê a volta do imposto reescalonado de 5% a 20% entre 2025 e 2028.

* * *

“Economia tocada por gente que não sabe aritimética”…

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Bom, o fato é que não há nada de causar espanto, nada de anormal.

O ministro Taxadd está no gunverno certo, comandado por um sujeito eleito eletronicamente.

Uma zorra gerenciada por um ladrão descondenado não poderia ser diferente do que estamos vendo.

O Brasil atual é o país da estupidez e da picaretagem.

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IRMANDADE

Alexandre Silveira (Ministro das Minas e Energia) terá que explicar os 17 encontros fora da agenda com executivos da Âmbar Energia, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Na sequência, o presidente Lula (PT) assinou medida provisória transferindo para a conta de luz dos brasileiros uma dívida bilionária da Amazonas Energia dois dias antes de a dupla fechar a compra da empresa.

“Esse governo continua com as mesmas práticas”, diz Marcos Pollon (PL-MS), referindo-se à história de corrupção petista.

As reuniões fora da agenda ligaram o alerta no Congresso, por isso o deputado Marcos Pollon requereu a convocação do ministro para depor.

Pollon também quer a convocação de Rui Costa (Casa Civil). Vê possível favorecimento aos irmãos Batista com a edição da medida provisória.

O deputado Rodrigo Valadares (União-SE) já havia alertado no podcast Diário do Poder que os irmãos Batistas “voltaram com tudo”.

* * *

Que bela irmandade, que linda fraternidade.

Os irmãos Batista retornaram com força e com muita disposição.

É a volta do amor.

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O REINO UNIDO OPTA PELA MODERAÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

O trabalhista Keir Starmer, novo primeiro-ministro britânico, e a esposa, Victoria, diante da residência oficial em Downing Street, um dia após a vitória eleitoral de 4 de julho.

O trabalhista Keir Starmer, novo primeiro-ministro britânico, e a esposa, Victoria, diante da residência oficial em Downing Street, um dia após a vitória eleitoral de 4 de julho

Poucos dias antes de a França eleger, para a Assembleia Nacional, dois blocos significativos que estão em pontas opostas do espectro político, uma outra grande eleição europeia havia terminado com um resultado que, de certa forma, vai na contramão da ascensão dos populismos e do acirramento da polarização política. No Reino Unido, o Partido Trabalhista pôs fim a 14 anos de governo do Partido Conservador, e o fez de forma avassaladora no último dia 4 de julho. Das 650 cadeiras da Câmara dos Comuns, os trabalhistas conquistaram uma supermaioria de 412, dobrando sua presença; enquanto isso, os conservadores, que até então tinham 344 membros no Parlamento, encolheram para apenas 121.

Os resultados, é verdade, acabaram superdimensionados graças às peculiaridades do sistema distrital puro britânico. Os trabalhistas conseguiram quase dois terços das cadeiras no Parlamento tendo um terço dos votos totais; seus 34% representam um ganho de apenas dois pontos porcentuais em comparação com a eleição anterior. O oposto ocorreu com os conservadores, que venceram em 19% dos distritos, mas tiveram 24% de todos os votos depositados no dia da eleição. A queda de 20 pontos porcentuais em relação a 2019 indica que, de fato, a legenda perdeu muito apoio popular – parte desses eleitores pode ter migrado para o Reform UK, de Nigel Farage, mais à direita, que saltou de 2% para 14% do total de votos entre 2019 e 2024, mas conseguiu eleger apenas cinco parlamentares (menos de 1% das cadeiras em disputa) no último dia 4.

O governo conservador, iniciado em 2010 com a vitória de David Cameron, teve uma segunda metade bastante turbulenta. Em 2015, Cameron se manteve no poder com a promessa de um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, embora fosse pessoalmente contrário ao Brexit – motivo pelo qual, em 2016, renunciou à liderança dos conservadores após o referendo que decidiu pela saída britânica. Cameron foi sucedido por primeiros-ministros comprometidos com o Brexit, como Theresa May e, depois, Boris Johnson. Vieram, então, a pandemia de Covid e as festinhas clandestinas que, ao lado de outros escândalos, selaram o destino de Johnson, substituído em 2022 por Liz Truss; ela, no entanto, durou apenas um mês e meio no cargo e deu lugar a Rishi Sunak, que até conseguiu reverter parte da instabilidade econômica, mas não o suficiente para se garantir no número 10 de Downing Street por mais cinco anos.

O desgaste dos conservadores, no entanto, não explica sozinho o sucesso dos trabalhistas, que souberam se reinventar nos últimos anos. O novo primeiro-ministro, Keir Starmer, durante seu período como líder da oposição, conduziu um processo semelhante ao que Tony Blair havia realizado em meados dos anos 90 e que deu origem ao chamado “New Labour”. Em ambos os casos, os líderes trabalhistas perceberam que o partido estava caminhando cada vez mais para a esquerda, e se empenharam em puxá-lo de volta para a centro-esquerda. Em 1994, tratava-se de repelir uma cláusula do estatuto do partido que defendia a coletivização da indústria; em 2020, tratava-se de isolar a ala mais radical e até mesmo antissemita dos trabalhistas, que vinha dando as cartas com Jeremy Corbyn – suspenso do partido em 2020 e expulso em 2024.

Certo de que o radicalismo de Corbyn custou aos trabalhistas a vitória na eleição de 2019, Starmer venceu a disputa para sucedê-lo na liderança do partido com uma plataforma de esquerda, mas passou a moderar o discurso. Embora ainda se declarasse “socialista” em entrevistas realizadas semanas antes da eleição da semana passada, Starmer já elogiou Margaret Thatcher, declarou apoio à Ucrânia após a invasão russa em 2022, e também defendeu o direito de Israel a se defender dos terroristas do Hamas – uma posição que, segundo analistas britânicos, tirou dos trabalhistas a vitória em alguns distritos com forte eleitorado muçulmano, onde o partido foi derrotado por candidatos independentes com plataforma pró-Palestina. O novo primeiro-ministro tem um discurso de combate ao crime e à imigração ilegal, e chegou a dizer que mulheres transgênero não têm direito a usar espaços reservados apenas a mulheres.

Se o discurso se tornará realidade com Starmer no poder é algo ainda a ser visto; nem mesmo a maioria conservadora que vigorou até agora no Parlamento impediu o Reino Unido de se tornar um país onde até mesmo rezar silenciosamente nas proximidades de uma clínica de aborto pode render problemas com a polícia e a Justiça. De qualquer forma, é notável que, enquanto do outro lado do Canal da Mancha (e do Oceano Atlântico) a população esteja recompensando discursos mais radicais à direita e à esquerda, no Reino Unido foi preciso que os trabalhistas se tornassem mais moderados para voltarem a ser palatáveis ao eleitorado.

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O CASO DAS JOIAS

Ricardo Nunes (MDB) prega cautela em pré-julgamento no caso das joias.

O prefeito de São Paulo lembra da “importunação da baleia” e dos móveis “desaparecidos” e defende respeito ao processo legal.

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Uma coisa é certa:

Se as joias estivessem em 11 contêineres, o desfecho seria outro.

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BANÂNIA EM ESTADO PURO

Dono da célebre sentença segundo a qual Lula queria vencer a eleição “para voltar à cena do crime”, Geraldo Alckmin criticou o “mau gosto” do presidente argentino Javier Milei, para quem o petista é um ladrão.

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Xuxu tá no lugar certo.

Pra ser cara de pau desse tanto, tinha mesmo que estar na vice-presidência do Ladrão Descondenado.

Isso é cagado e cuspido a cara dessa nossa republiqueta banânica.