MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

A ESTÁTUA DE ARIANO

É difícil até de crer
Não ter sido por engano
Que alguém veio a cometer
Esse ato vil e insano,
Que foi o de derrubar,
Jogar no chão e quebrar
A estátua de Ariano.

O Mestre Ariano estava
Conosco até outro dia.
E a todos nós encantava
Com a arte da poesia.
Ter sua estátua quebrada,
Covardemente atacada,
O Mestre não merecia.

O seu nome está gravado
Na memória nacional,
Em um lugar destacado
Do cenário cultural.
Pois misturou, sem conflito,
Popular com erudito
Na expressão Armorial.

Mestre Ariano, é bem triste
Ver tua estátua caída.
Mas a cultura resiste
E não se dá por vencida.
Derrubar o monumento
Não apaga o teu talento
Nem tua história de vida.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

VALE A PENA LER DE NOVO

Na semana passada, o leitor Sancho manifestou, em comentários a esta coluna, certa decepção, por esperar um texto mais “caliente”, com lindas quadrigêmeas vietnamitas a lhe acalentar os pés.

Por coincidência, naquele mesmo dia eu estava trabalhando em um conto, cuja trama conta com corações bem mais aquecidos que os ‘Saltos Impossíveis”. Imediatamente pensei: é esse o novo conto que vai para a coluna no JBF esta semana!

Mas fui vencido pelos afazeres cotidianos e ainda não consegui terminar o conto.

Então, para não deixar Sancho e os demais leitores sem leitura esta semana, resolvi republicar um texto que foi escrito originariamente para esta coluna, mas hoje faz parte do livro “A manicure e outros casos de amor e traição”.

Quem não leu ainda, poderá ler agora. Para quem já leu, acredito que vale a pena ler de novo.

* * *

ENTRE AMIGOS

– Tenho um assunto meio delicado pra falar contigo – disse o Pereira ao Roberto, no meio da tarde da sexta-feira. Estava calmo, mas o olhar deixava escapar certa preocupação.

– Precisa ser agora ou pode ser depois do expediente?

– Pode ser depois. Sem problema.

– Tem happy hour hoje no Panela Velha. Será que dá pra gente conversar lá?

– Melhor não. Podemos dar uma passada no Bar da Tia Noélia? Depois a gente segue pro Panela.

– Beleza! – concordou o Roberto sorrindo, mas percebendo o tom preocupado do amigo.

No final da tarde, saíram do trabalho juntos e foram ao local combinado. Apesar do jeito sério como o Pereira falara horas antes, mantinham certa descontração.

Conheciam-se há mais de cinco anos, desde que o Roberto começou a trabalhar na empresa onde o Pereira estava há dez. Tornaram-se amigos rapidamente e era comum beberem juntos após o expediente. Geralmente iam com outros colegas de trabalho a um lugar – meio bar, meio restaurante – chamado Panela Velha, próximo à empresa. Mas, às vezes, saíam só os dois, principalmente se queriam conversar sobre temas mais reservados, como problemas de família ou aventuras com mulheres.

Se bem que, nesse segundo aspecto, quem sempre tinha alguma novidade para contar era o Roberto. Depois de haver passado por dois casamentos, vivia agora em uma união “quase estável”, como ele mesmo definia.

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SALTOS IMPOSSÍVEIS

Deixando o Rio de Janeiro, em um ensolarado final de tarde, com destino a Brasília, desci do táxi e entrei no Aeroporto Santos Dumont. Não havia pressa alguma. O voo estava previsto para largas três horas depois. Teria tempo de sobra para fazer um lanche e observar o movimento, nessa fonte inesgotável de histórias que são os aeroportos.

“Todos os dias é um vaivém…”, diz a canção. E foi como se as vozes de Simone e Maria Rita disputassem um lugar em minha memória musical. É fato que a música fala de uma estação de trem; mas, de certa forma, dá no mesmo: os aeroportos são as novas plataformas para tantas chegadas e partidas, e outros tantos encontros e despedidas…

Decidido a não ter qualquer preocupação com o tempo, segui direto para o salão de embarque. Na fila do raio X, à minha frente, uma jovem tirou a jaqueta e a pôs na esteira, junto com a bolsa e o telefone celular. Usava uma calça um tanto quanto engraçada, ou pelo menos destoantes dos meus desatualizados padrões estéticos: colada ao corpo do joelho para cima, e abrindo-se em formato de cone, do joelho para baixo.

Chamou-me a atenção, ainda, o fato de ela ser mais alta que eu, característica pouco comum entre as mulheres que costumo encontrar cotidianamente.

Chegada a minha vez de passar os pertences pela máquina de raio X, pus a mala na esteira e o paletó em uma bandeja de plástico. Costumo tirar o paletó e pôr no raio X porque, assim, vão em seus bolsos meus dois telefones celulares, as chaves e outros objetos metálicos, como moedas. O notebook vai em outra bandeja, devidamente retirado da mochila e apoiado sobre ela.

Estava nessa fase do procedimento – tirando o notebook da mochila – quando ouvi uma voz feminina, logo à minha frente, demonstrando irritação.

Era a jovem de quem falei antes. Reclamava com o funcionário do aeroporto por ter que voltar e passar, novamente, pelo detector de metais. Uma luz vermelha piscava na parte inferior do portal a cada vez que ela transitava por ali.

O rapaz que controlava o equipamento tentava ser gentil, mas a moça queixava-se de já haver tirado todas as pulseiras e, até mesmo, o cinto.

– O problema é nos pés – explicava o rapaz. – Deve haver metal nos seus sapatos. Acontece muito isso…

O desentendimento entre os dois atrasava minha passagem, mas isso não chegava a ser um incômodo. Afinal, ainda restavam duas horas e quarenta e cinco minutos para o meu embarque.

Apesar dos protestos e da impaciência cada vez maior, a viajante acabou aceitando tirar os seus sapatos. Acomodou-se em um banco – aparentemente, posto naquele espaço para aquela exata finalidade – e pôs-se a descalçar, ali mesmo.

Foi, então, que contemplei os maiores saltos de sapatos que já pude ver em toda a minha vida!

A parte da frente, onde se apoiam os dedos e os metatarsos, deveria ter uns vinte centímetros de altura; os saltos propriamente ditos – que, em condições normais de temperatura e pressão, servem para apoiar o calcanhar – chegavam, facilmente, a uns trinta centímetros.

Não sei se a irritação da moça tinha alguma relação com o fato de ela ter que circular por ali, exibindo sua altura real. Aos meus olhos, a redução da estatura era algo que não a diminuía em nada – perdoem-me o trocadilho. Mas as pessoas têm suas preferências estéticas e, no caso, a diferença era bem grande.

Com os pés descalços, ela cruzou o portal do detector de metais, agora, sem acionar qualquer alarme. Pegou de volta seus sapatos com saltos gigantes, que haviam sido postos na esteira do raio X, e os calçou novamente. Ocultos sob sua calça engraçada – de pernas com bocas de sino –, ninguém suspeitava que eram eles que faziam a jovem ficar tão alta.

Se alguém me houvesse mostrado aqueles calçados na vitrine de uma loja, acharia que eram apenas uma peça decorativa. Como aqueles calçados conceituais, criados por grandes estilistas, para lançarem suas coleções, mas que são de uso improvável. Teria certeza de que ninguém seria capaz de andar equilibrando-se naquelas coisas.

Mas, ela andava. E rápido. O tempo que gastei repondo o notebook na mochila e vestindo novamente o paletó foi suficiente para que a moça dos saltos impossíveis sumisse na multidão.

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O RECOLHEDOR DE FOLHAS E O VENTO

Certa manhã, um jovem, que acabara de fazer seus exercícios em um parque, resolveu descansar um pouco, sentado em um banco que havia ali.

Enquanto descansava, observou um homem que trabalhava recolhendo folhas secas. Com um ancinho, reunia as folhas em pequenos montes. Depois, abaixava-se, pegava-as com as mãos e as punha em um saco plástico que trazia preso à cintura.

Acontece que, naquela manhã, o vento atrapalhava o trabalho do homem.

Não era uma ventania capaz de levar as folhas secas para longe, mas soprava forte o suficiente para destruir os montinhos que ele fazia.

E era um vento intermitente. Assim, em alguns momentos, o recolhedor até conseguia amontoar algumas folhas, mas, logo o vento voltava a soprar, e elas se espalhavam outra vez.

Depois de alguns minutos observando a luta do recolhedor de folhas contra o vento, o jovem percebeu que, apesar de ter o seu trabalho dificultado, o homem parecia não se abalar. A cada vez que as folhas fugiam, ele pacientemente as reunia com o ancinho, e começava tudo de novo. Sua fisionomia não expressava o menor sinal de aborrecimento.

Em um dado momento, o jovem aproximou-se do recolhedor de folhas e falou:

– O vento está fazendo o seu trabalho ser bem difícil, não? Você não se irrita com isso?

O homem sorriu antes de responder:

– Veja só… eu não posso dizer que fico feliz. Mas não tenho como parar o vento. Então, restam-me duas opções: fazer esse trabalho ou não fazer. Se escolher não fazer, vou ter que procurar outro trabalho. Pode ser que eu tenha dificuldade para conseguir um emprego, e isso vai comprometer o meu sustento e da minha família. Mesmo que eu consiga logo um emprego novo, é provável que alguma outra coisa me dificulte o serviço, como vento faz hoje em dia. Assim, acho mais inteligente continuar com esse trabalho que já venho fazendo.

– Mas eu não disse pra você deixar o emprego. Apenas perguntei se não se irrita com o vento.

– Pois era aí mesmo que eu queria chegar. Como eu não estou pensando em deixar o emprego, pelo menos enquanto não aparece outro melhor, restam-me duas opções: fazer o meu trabalho, me irritando com o vento, ou fazer a mesma coisa, sem me irritar. Se eu me irritar, o meu trabalho vai se tornar uma coisa desagradável, cansativa. De nada me adiantará repreender o vento, então, talvez eu chegue em casa mal humorado, descarregando raiva e frustração na minha mulher e nos meus filhos. No dia seguinte, é possível que já saia de casa chateado, por ter que ir para um trabalho que só me causa dissabor. Cada dia para mim será como um pesadelo. E, o vento? Vai parar de soprar por causa da minha irritação, raiva ou frustração? Não. O vento vai continuar sendo vento. Soprando e parando de soprar por razões que não têm nada a ver comigo. Então, qual a minha opção mais inteligente? Me irritar com o vento ou aceitar que ele sopre, sem me alterar?

– Sem dúvida, é mais inteligente aceitar que o vento sopre. Mas é que a irritação às vezes acontece sem a gente querer. Geralmente, quando acontece alguma coisa contra a nossa vontade, a gente fica com raiva e nem percebe…

– Pois esse é o vento que nós precisamos aprender a controlar! O que vento sopra dentro da gente. Que nos faz perder a calma quando somos contrariados. Se você não controla, ele vira ventania, vira tempestade, destrói tudo… Mas, se você o conhece e controla, pode estar o maior temporal aqui fora, dentro de nós continuará a calmaria…

– Puxa, para um recolhedor de folhas secas, o senhor é bem sábio!

– E você esperava o quê? Que eu fosse algum cabeça de vento?

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A PANDEMIA NA VIDA DE UM UNIVERSITÁRIO

Tem uns dias que meu filho Álvaro está aqui em casa, aproveitando o período de férias para descansar, e para botarmos os assuntos em dia.

Álvaro mora em São Paulo, onde cursa Biotecnologia na USP. Na capital paulista, divide um apartamento de dois quartos com outros dois estudantes cearenses, o Felipe e o Pedro. Colegas do ensino médio que também foram em busca de novos voos.

Uma alegria recebê-lo aqui, depois de meses sem nos encontrarmos pessoalmente, ainda mais nesses tempos em que nosso cuidado com as pessoas mais queridas está mais ativo.

Desde que ele chegou, temos conversado muito, especialmente sobre a situação atípica enfrentada por eles (e por todos nós) este ano.

Aulas pela internet, isolamento social, convivência o dia inteiro por dias seguidos… e a ameaça constante de se contrair uma doença que já matou mais de 600 mil pessoas no planeta.

A certa altura de uma dessas conversas, entendi que estávamos falando de temas que poderiam interessar a muita gente, não apenas a nós. Propus que gravássemos um vídeo, e ele topou de imediato.

O resultado foi esse, que agora compartilho com você, leitor da nossa coluna.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

O QUE É QUE EU FAÇO?

Queridos frequentadores desta coluna, tenho me divertido com esse novo brinquedo, que é a edição de vídeos.

Gosto de adquirir novos conhecimentos. Vou aprendendo um recurso aqui, um efeito ali, e, a meu juízo, os vídeos vão ficando melhores.

Desta vez, aproveitando o clima romântico da semana passada, editei um clipe com o meu xote “O que é que eu faço com essa saudade?”.

O resultado está aí. Espero que gostem.

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AOS NAMORADOS

Amanhã é Dia dos Namorados. Uma data boa para se celebrar. E simples. Um jantar, um vinho, uma música que lembra o começo da história… o resto fica por conta da criatividade de cada um…

Neste ano de 2020, alguns namorados estão com dificuldade para ficarem juntos. Já não são os pais que proíbem o namoro. Esse tempo (felizmente) já passou. É um tal coronavírus que está trazendo dificuldades para as pessoas saírem de casa. E, se na casa da namorada ou do namorado tem alguém infectado, talvez seja melhor mesmo não ir até lá.

Mas também tem namorados com problemas, por estarem juntos demais. Dias e dias compartilhando o mesmo espaço faz emergirem problemas de relacionamento que normalmente não se tem.

Nesse ponto, sinto-me privilegiado. Depois de quase 90 dias de isolamento social, ter Natália ao meu lado praticamente o tempo todo é um prazer que se renova.

Esse será mais um de muitos Dias dos Namorados.

Foi pensando nessa turma que está namorando há algum tempo que eu e meu amigo Ricardo Morais fizemos o vídeo a seguir.

Um pouco de poesia, um pouco de música e o reconhecimento àqueles que estão ficando com os sapatos velhos de tanto caminharem juntos.

Com muito amor.

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NO REINO DA BAZÓFIA

Há algumas semanas, houve um dia em que enriqueci significativamente o meu vocabulário. Não em um exemplar das Seleções Reader´s Digest, apesar do espaço ali dedicado a essa finalidade, mas em fonte tanto quanto ou mais profícua: a coluna “Penso, logo insisto”, do jurista e escritor José Paulo Cavalcanti, no Jornal da Besta Fubana.

Em sua crônica postada em 23 de abril deste ano, o grande José Paulo expôs o significado de palavras raras da língua portuguesa. Palavras só acessíveis aos que têm verdadeira intimidade com a última flor do Lácio, inculta e bela, como diria Bilac. Ou Fernando Sabino, pela boca de Geraldo Viramundo, em “O Grande Mentecapto”.

Vocábulos como biltre, burlão, engrimanço, pícaro e pirrónico. Uma riqueza!

Não sei se por serem palavras que muitos plebeus gostariam de dizer a certos nobres; não sei se por causa do título da crônica de José Paulo ser “Um país de estultos”; o fato é que, após sua leitura, lúdicos pensamentos levaram-me a um reino imaginário, em plena Europa Medieval.

Uma monarquia onde o rei vivia engalfinhando-se em querelas com os membros da sua corte de nobres, sempre ansiosos por uma oportunidade para se apropriarem do trono e da coroa.

Como se sabe, com a queda do Império Romano do Ocidente, a Europa transformou-se em verdadeira colcha de retalhos, com seus territórios ocupados por hunos, godos, alamanos, burgúndios e tantos outros.

Na minha cabeça de contador de histórias, se entre esses povos, chamados genericamente de bárbaros, existiram os vândalos, teriam convivido também com eles os biltres, os burlões, os engrimanços, os pícaros e os pirrônicos.

A essas etnias fictícias, cujos nomes engendrei a partir da crônica de José Paulo, não resisto à tentação de acrescentar os néscios, os torpes, os incautos, os sáfaros e até os probos. Embora estes últimos certamente fossem minoria, frequentemente desalojados de sua aldeias e perseguidos por seus inimigos.

Nessa viagem no tempo, percorro cerca de mil anos, até chegar à época da formação das monarquias nacionais absolutistas. E ao tempo do flagelo da Peste Negra.

Vejo, então, vários desses povos reunidos em uma mesma monarquia: néscios, biltres, sáfaros, burlões, probos e incautos, agrupados sob um mesmo brasão.

A unificação é um tanto forçada, e se dá mais por conveniência dos nobres que para benefício de camponeses, artesãos e mesmo de burgueses.

Daí por que, como fora antes anunciado, esses nobres vivem metidos em escaramuças. Entre si e com o monarca da vez. Digo “da vez” porque nesse reino, o rei, que pouco manda, frequentemente é deposto por outro nobre mais poderoso, mas que também acaba caindo.

Um reino onde a paz é sempre frágil e de curta duração. Alguns dos poucos momentos de menor beligerância ocorrem durante grandes festas populares que ali ocorrem, as quais recebem apoio do próprio rei e de todos os nobres.

Essas festas são conhecidas como “as badernas”, e acontecem todos os anos. Nelas, o povo se diverte livremente nas ruas dos burgos, bebendo, cantando e dançando, celebrando não se sabe exatamente o quê.

Em nossa viagem imaginária ao passado, encontramos esse reino em mais um período conturbado, enfrentando toda sorte de problemas econômicos, sociais e políticos, apesar de ter acabado de acontecer, com muito sucesso, mais uma edição das badernas anuais.

O país está sob o comando do Rei Lorpa, que é da linhagem dos néscios, mas, para conquistar o trono, precisou do apoio dos incautos e dos probos. Estes já não estão felizes com sua posição no governo, mas acreditam que ficariam em situação ainda pior, se a cetro voltasse para as mãos dos inimigos do Rei Lorpa.

Idolatrado pelos néscios, Lorpa é odiado pelos biltres, os sáfaros e os burlões. Estes também brigam entre si, mas têm agido como aliados, e tudo farão para arrancar o rei do trono. Ou o trono do rei, ainda que, para isso, seja necessário pôr em risco a unidade do próprio reino.

Tornando a situação ainda mais dramática, o reino, assim como todo o Velho Mundo, está sendo assolado pela Peste Negra.

Trazida da China pelas caravanas que faziam a Rota da Seda, ou pelos mercadores que cruzavam o Mar Mediterrâneo em suas naus, a peste já ceifou a vida de cerca de um terço da população do continente europeu.

Nesse reino, a situação não é diferente. Não se conhece prevenção ou tratamento para a doença. Tenta-se cuidar dos pacientes com sangrias, infusões, chás de ervas e novenas. Mas nada funciona.

Centenas de pessoas morrem todos os dias. Chega a faltar coveiros, porque os que não morreram têm medo de enterrar os cadáveres.

O povo sofre com a peste, a fome e o desemprego.

Mas o Rei Lorpa e os nobres de sua corte estão ocupados demais, em sua luta pelo trono, para dedicar alguma atenção a quem morreu ou está prestes a morrer.

Tempos difíceis no imaginário Reino da Bazófia.

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PÉ DE CHUMBO, PÉ DE VENTO — O CORDEL

Essa é uma história baseada em fatos da vida real. Memórias de minha infância, sempre recheada de aventuras, no meu querido bairro do Pirambu, em Fortaleza.

Memórias de uma noite de festa, quando amigos e vizinhos comemoravam a chegada do ano novo, mas surgiu um valentão querendo estragar a nossa alegria. Valentões eram figuras comuns naquele tempo.

A versão escrita do cordel — tanto impressa como em e-bookordel — está disponível para venda na Amazon. Basta clicar aqui para acessar a página.

Como os leitores do JBF moram no meu coração, todos poderão receber uma versão em PDF, totalmente grátis. Enviei uma cópia do arquivo ao nosso editor Luiz Berto Filho, com autorização para que ele repasse a quem fizer o pedido, por meio de um comentário nesta postagem.

Mas não deixem de ver o vídeo. Na declamação tem coisas que não cabem no texto escrito.

Depois, deixem o seu GOSTEI e se INSCREVAM no canal. Será um prazer recebê-los lá.

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AOS ENTREGADORES DE REFEIÇÕES

Hoje, 13/5/2020, estamos completando 60 dias de distanciamento social.

Em celebração à data, homenageamos esses trabalhadores imprescindíveis para que possamos ficar o máximo possível em casa: os entregadores de refeições.

Quando acaba o estoque de alimentos, ou simplesmente estamos sem disposição para cozinhar, são eles que nos socorrem.

A esses bravos, nosso muito obrigado!