MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

O RECOLHEDOR DE FOLHAS E O VENTO

Certa manhã, um jovem, que acabara de fazer seus exercícios em um parque, resolveu descansar um pouco, sentado em um banco que havia ali.

Enquanto descansava, observou um homem que trabalhava recolhendo folhas secas. Com um ancinho, reunia as folhas em pequenos montes. Depois, abaixava-se, pegava-as com as mãos e as punha em um saco plástico que trazia preso à cintura.

Acontece que, naquela manhã, o vento atrapalhava o trabalho do homem.

Não era uma ventania capaz de levar as folhas secas para longe, mas soprava forte o suficiente para destruir os montinhos que ele fazia.

E era um vento intermitente. Assim, em alguns momentos, o recolhedor até conseguia amontoar algumas folhas, mas, logo o vento voltava a soprar, e elas se espalhavam outra vez.

Depois de alguns minutos observando a luta do recolhedor de folhas contra o vento, o jovem percebeu que, apesar de ter o seu trabalho dificultado, o homem parecia não se abalar. A cada vez que as folhas fugiam, ele pacientemente as reunia com o ancinho, e começava tudo de novo. Sua fisionomia não expressava o menor sinal de aborrecimento.

Em um dado momento, o jovem aproximou-se do recolhedor de folhas e falou:

– O vento está fazendo o seu trabalho ser bem difícil, não? Você não se irrita com isso?

O homem sorriu antes de responder:

– Veja só… eu não posso dizer que fico feliz. Mas não tenho como parar o vento. Então, restam-me duas opções: fazer esse trabalho ou não fazer. Se escolher não fazer, vou ter que procurar outro trabalho. Pode ser que eu tenha dificuldade para conseguir um emprego, e isso vai comprometer o meu sustento e da minha família. Mesmo que eu consiga logo um emprego novo, é provável que alguma outra coisa me dificulte o serviço, como vento faz hoje em dia. Assim, acho mais inteligente continuar com esse trabalho que já venho fazendo.

– Mas eu não disse pra você deixar o emprego. Apenas perguntei se não se irrita com o vento.

– Pois era aí mesmo que eu queria chegar. Como eu não estou pensando em deixar o emprego, pelo menos enquanto não aparece outro melhor, restam-me duas opções: fazer o meu trabalho, me irritando com o vento, ou fazer a mesma coisa, sem me irritar. Se eu me irritar, o meu trabalho vai se tornar uma coisa desagradável, cansativa. De nada me adiantará repreender o vento, então, talvez eu chegue em casa mal humorado, descarregando raiva e frustração na minha mulher e nos meus filhos. No dia seguinte, é possível que já saia de casa chateado, por ter que ir para um trabalho que só me causa dissabor. Cada dia para mim será como um pesadelo. E, o vento? Vai parar de soprar por causa da minha irritação, raiva ou frustração? Não. O vento vai continuar sendo vento. Soprando e parando de soprar por razões que não têm nada a ver comigo. Então, qual a minha opção mais inteligente? Me irritar com o vento ou aceitar que ele sopre, sem me alterar?

– Sem dúvida, é mais inteligente aceitar que o vento sopre. Mas é que a irritação às vezes acontece sem a gente querer. Geralmente, quando acontece alguma coisa contra a nossa vontade, a gente fica com raiva e nem percebe…

– Pois esse é o vento que nós precisamos aprender a controlar! O que vento sopra dentro da gente. Que nos faz perder a calma quando somos contrariados. Se você não controla, ele vira ventania, vira tempestade, destrói tudo… Mas, se você o conhece e controla, pode estar o maior temporal aqui fora, dentro de nós continuará a calmaria…

– Puxa, para um recolhedor de folhas secas, o senhor é bem sábio!

– E você esperava o quê? Que eu fosse algum cabeça de vento?

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

A PANDEMIA NA VIDA DE UM UNIVERSITÁRIO

Tem uns dias que meu filho Álvaro está aqui em casa, aproveitando o período de férias para descansar, e para botarmos os assuntos em dia.

Álvaro mora em São Paulo, onde cursa Biotecnologia na USP. Na capital paulista, divide um apartamento de dois quartos com outros dois estudantes cearenses, o Felipe e o Pedro. Colegas do ensino médio que também foram em busca de novos voos.

Uma alegria recebê-lo aqui, depois de meses sem nos encontrarmos pessoalmente, ainda mais nesses tempos em que nosso cuidado com as pessoas mais queridas está mais ativo.

Desde que ele chegou, temos conversado muito, especialmente sobre a situação atípica enfrentada por eles (e por todos nós) este ano.

Aulas pela internet, isolamento social, convivência o dia inteiro por dias seguidos… e a ameaça constante de se contrair uma doença que já matou mais de 600 mil pessoas no planeta.

A certa altura de uma dessas conversas, entendi que estávamos falando de temas que poderiam interessar a muita gente, não apenas a nós. Propus que gravássemos um vídeo, e ele topou de imediato.

O resultado foi esse, que agora compartilho com você, leitor da nossa coluna.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

O QUE É QUE EU FAÇO?

Queridos frequentadores desta coluna, tenho me divertido com esse novo brinquedo, que é a edição de vídeos.

Gosto de adquirir novos conhecimentos. Vou aprendendo um recurso aqui, um efeito ali, e, a meu juízo, os vídeos vão ficando melhores.

Desta vez, aproveitando o clima romântico da semana passada, editei um clipe com o meu xote “O que é que eu faço com essa saudade?”.

O resultado está aí. Espero que gostem.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

AOS NAMORADOS

Amanhã é Dia dos Namorados. Uma data boa para se celebrar. E simples. Um jantar, um vinho, uma música que lembra o começo da história… o resto fica por conta da criatividade de cada um…

Neste ano de 2020, alguns namorados estão com dificuldade para ficarem juntos. Já não são os pais que proíbem o namoro. Esse tempo (felizmente) já passou. É um tal coronavírus que está trazendo dificuldades para as pessoas saírem de casa. E, se na casa da namorada ou do namorado tem alguém infectado, talvez seja melhor mesmo não ir até lá.

Mas também tem namorados com problemas, por estarem juntos demais. Dias e dias compartilhando o mesmo espaço faz emergirem problemas de relacionamento que normalmente não se tem.

Nesse ponto, sinto-me privilegiado. Depois de quase 90 dias de isolamento social, ter Natália ao meu lado praticamente o tempo todo é um prazer que se renova.

Esse será mais um de muitos Dias dos Namorados.

Foi pensando nessa turma que está namorando há algum tempo que eu e meu amigo Ricardo Morais fizemos o vídeo a seguir.

Um pouco de poesia, um pouco de música e o reconhecimento àqueles que estão ficando com os sapatos velhos de tanto caminharem juntos.

Com muito amor.

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NO REINO DA BAZÓFIA

Há algumas semanas, houve um dia em que enriqueci significativamente o meu vocabulário. Não em um exemplar das Seleções Reader´s Digest, apesar do espaço ali dedicado a essa finalidade, mas em fonte tanto quanto ou mais profícua: a coluna “Penso, logo insisto”, do jurista e escritor José Paulo Cavalcanti, no Jornal da Besta Fubana.

Em sua crônica postada em 23 de abril deste ano, o grande José Paulo expôs o significado de palavras raras da língua portuguesa. Palavras só acessíveis aos que têm verdadeira intimidade com a última flor do Lácio, inculta e bela, como diria Bilac. Ou Fernando Sabino, pela boca de Geraldo Viramundo, em “O Grande Mentecapto”.

Vocábulos como biltre, burlão, engrimanço, pícaro e pirrónico. Uma riqueza!

Não sei se por serem palavras que muitos plebeus gostariam de dizer a certos nobres; não sei se por causa do título da crônica de José Paulo ser “Um país de estultos”; o fato é que, após sua leitura, lúdicos pensamentos levaram-me a um reino imaginário, em plena Europa Medieval.

Uma monarquia onde o rei vivia engalfinhando-se em querelas com os membros da sua corte de nobres, sempre ansiosos por uma oportunidade para se apropriarem do trono e da coroa.

Como se sabe, com a queda do Império Romano do Ocidente, a Europa transformou-se em verdadeira colcha de retalhos, com seus territórios ocupados por hunos, godos, alamanos, burgúndios e tantos outros.

Na minha cabeça de contador de histórias, se entre esses povos, chamados genericamente de bárbaros, existiram os vândalos, teriam convivido também com eles os biltres, os burlões, os engrimanços, os pícaros e os pirrônicos.

A essas etnias fictícias, cujos nomes engendrei a partir da crônica de José Paulo, não resisto à tentação de acrescentar os néscios, os torpes, os incautos, os sáfaros e até os probos. Embora estes últimos certamente fossem minoria, frequentemente desalojados de sua aldeias e perseguidos por seus inimigos.

Nessa viagem no tempo, percorro cerca de mil anos, até chegar à época da formação das monarquias nacionais absolutistas. E ao tempo do flagelo da Peste Negra.

Vejo, então, vários desses povos reunidos em uma mesma monarquia: néscios, biltres, sáfaros, burlões, probos e incautos, agrupados sob um mesmo brasão.

A unificação é um tanto forçada, e se dá mais por conveniência dos nobres que para benefício de camponeses, artesãos e mesmo de burgueses.

Daí por que, como fora antes anunciado, esses nobres vivem metidos em escaramuças. Entre si e com o monarca da vez. Digo “da vez” porque nesse reino, o rei, que pouco manda, frequentemente é deposto por outro nobre mais poderoso, mas que também acaba caindo.

Um reino onde a paz é sempre frágil e de curta duração. Alguns dos poucos momentos de menor beligerância ocorrem durante grandes festas populares que ali ocorrem, as quais recebem apoio do próprio rei e de todos os nobres.

Essas festas são conhecidas como “as badernas”, e acontecem todos os anos. Nelas, o povo se diverte livremente nas ruas dos burgos, bebendo, cantando e dançando, celebrando não se sabe exatamente o quê.

Em nossa viagem imaginária ao passado, encontramos esse reino em mais um período conturbado, enfrentando toda sorte de problemas econômicos, sociais e políticos, apesar de ter acabado de acontecer, com muito sucesso, mais uma edição das badernas anuais.

O país está sob o comando do Rei Lorpa, que é da linhagem dos néscios, mas, para conquistar o trono, precisou do apoio dos incautos e dos probos. Estes já não estão felizes com sua posição no governo, mas acreditam que ficariam em situação ainda pior, se a cetro voltasse para as mãos dos inimigos do Rei Lorpa.

Idolatrado pelos néscios, Lorpa é odiado pelos biltres, os sáfaros e os burlões. Estes também brigam entre si, mas têm agido como aliados, e tudo farão para arrancar o rei do trono. Ou o trono do rei, ainda que, para isso, seja necessário pôr em risco a unidade do próprio reino.

Tornando a situação ainda mais dramática, o reino, assim como todo o Velho Mundo, está sendo assolado pela Peste Negra.

Trazida da China pelas caravanas que faziam a Rota da Seda, ou pelos mercadores que cruzavam o Mar Mediterrâneo em suas naus, a peste já ceifou a vida de cerca de um terço da população do continente europeu.

Nesse reino, a situação não é diferente. Não se conhece prevenção ou tratamento para a doença. Tenta-se cuidar dos pacientes com sangrias, infusões, chás de ervas e novenas. Mas nada funciona.

Centenas de pessoas morrem todos os dias. Chega a faltar coveiros, porque os que não morreram têm medo de enterrar os cadáveres.

O povo sofre com a peste, a fome e o desemprego.

Mas o Rei Lorpa e os nobres de sua corte estão ocupados demais, em sua luta pelo trono, para dedicar alguma atenção a quem morreu ou está prestes a morrer.

Tempos difíceis no imaginário Reino da Bazófia.

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PÉ DE CHUMBO, PÉ DE VENTO — O CORDEL

Essa é uma história baseada em fatos da vida real. Memórias de minha infância, sempre recheada de aventuras, no meu querido bairro do Pirambu, em Fortaleza.

Memórias de uma noite de festa, quando amigos e vizinhos comemoravam a chegada do ano novo, mas surgiu um valentão querendo estragar a nossa alegria. Valentões eram figuras comuns naquele tempo.

A versão escrita do cordel — tanto impressa como em e-bookordel — está disponível para venda na Amazon. Basta clicar aqui para acessar a página.

Como os leitores do JBF moram no meu coração, todos poderão receber uma versão em PDF, totalmente grátis. Enviei uma cópia do arquivo ao nosso editor Luiz Berto Filho, com autorização para que ele repasse a quem fizer o pedido, por meio de um comentário nesta postagem.

Mas não deixem de ver o vídeo. Na declamação tem coisas que não cabem no texto escrito.

Depois, deixem o seu GOSTEI e se INSCREVAM no canal. Será um prazer recebê-los lá.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

AOS ENTREGADORES DE REFEIÇÕES

Hoje, 13/5/2020, estamos completando 60 dias de distanciamento social.

Em celebração à data, homenageamos esses trabalhadores imprescindíveis para que possamos ficar o máximo possível em casa: os entregadores de refeições.

Quando acaba o estoque de alimentos, ou simplesmente estamos sem disposição para cozinhar, são eles que nos socorrem.

A esses bravos, nosso muito obrigado!

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

MÃE COM “M” MAIÚSCULO (*)

Eu havia acabado de sair de casa. Caminhava até um restaurante self-service que fica a duas quadras do nosso apartamento em Fortaleza, quando fui abordado por uma mulher, que carregava uma criança nos braços. Perguntou onde seria o ponto de ônibus mais próximo.

Indiquei a direção e a fiquei observando se afastar. Devia ter pouco mais de trinta anos. O menino parecia ter uns dois anos de idade, talvez mais. Grande demais para ser carregado no colo, o que me levou a pensar que estivesse doente.

As roupas, tanto da mulher como da criança, não pareciam as comuns de ficar em casa. “É isso mesmo” — pensei — “a mãe deve ter levado o filho ao médico, cedo da manhã, agora estão voltando para casa”.

Trabalho pesado locomover-se suportando o peso daquele menino, sob o sol de quase meio dia.

Enquanto acompanhava aquela jovem mãe com o olhar, lembrei de outra mulher, que conheci há muitos anos.

Naquela época, seus dois filhos eram pequenos. Quando o mais velho estava com pouco mais que cinco anos de idade, o mais novo, que tinha menos de dois, teve poliomielite, empurrando aquela mãe para verdadeira peregrinação por postos de saúde e hospitais públicos em busca de tratamento para o menino.

Depois de inúmeras idas e vindas, consultas, exames e madrugadas na porta de hospitais, em busca de atendimento, ela conseguiu marcar uma cirurgia para o filho. Mas o método que seria adotado pelo cirurgião ainda não tinha eficácia comprovada pela literatura médica. Por causa disso, ela teria que assinar um termo de responsabilidade, para o caso de alguma coisa dar errado.

A mulher enfrentou resistência família. Amigos e parentes a aconselharam a não assinar o termo. Mas ela assinou.

Acreditou na medicina. Mas, talvez por acreditar mais em Deus que nos homens, recorreu também à novena de Santa Teresinha do Menino Jesus. Fez as orações, ganhou uma rosa no oitavo dia e encheu-se de esperança.

Hospitais, cirurgias, sessões de fisioterapia e meses de expectativa passaram a fazer parte da vida daquela mulher. Ao final de meses, em um período que não se sabe ao certo quanto tempo durou, a recompensa pelo esforço: o menino voltou a andar.

Seis anos depois de ter contraído a doença, ele já corria com os colegas da escola na hora do recreio. Não era tão rápido quanto os outros meninos, mas corria. Claudicava, tropeçava, caía, mas seguia em frente. A mãe sempre lhe dizendo: “Cada um caminha com as pernas que tem”.

Um detalhe não pode ser esquecido: durante todo o período em que essa mulher lutava pela saúde do filho caçula, cuidava para que ele o irmão continuassem frequentando a escola. Para ela, não havia obstáculo que justificasse uma criança parar de estudar.

O marido a ajudou nessa luta para cuidar dos filhos e educá-los, é verdade. Alguns de seus irmãos e irmãs também ajudaram. Mas, sendo esta uma crônica escrita para o Dia das Mães, a protagonista da história é essa mulher, que dedicou uma vida inteira à família.

Na difícil tarefa de mãe, nunca levantou a voz para repreender os filhos, nunca os pôs de castigo, nem muito menos bateu neles. Ao invés de dizer “não faça isso”, ela sempre preferiu perguntar “você acha certo fazer isso?”. Onde muitos diriam “isso não é possível”, perguntava: “você quer tentar?”.

Passaram-se os anos. Seus filhos hoje são adultos. O mais velho formou-se em odontologia, fez mestrado e doutorado. Hoje é professor da Universidade Federal do Ceará, um profissional respeitado no país inteiro. O mais novo — aquele da poliomielite — formou-se em Direito, fez mestrado e tornou-se juiz federal e escritor.

Com os “meninos” encaminhados na vida, ela finalmente achou espaço para si mesma. Já na chamada terceira idade, realizou dois desejos com os quais sonhara a vida inteira: fazer faculdade de Teologia e aprender a andar de bicicleta.

Após a realização desses desejos, alfabetizou e contribuiu para a formação de dezenas de crianças. Sem fazer alarde, em sua própria casa, onde improvisava uma sala de aula e dava gratuitamente aulas de reforço escolar.

Hoje, essa mulher leva uma vida tranquila, com a serenidade de quem fez a sua parte para tornar nosso planeta um lugar melhor para se viver.

O nome dessa mulher vencedora é Ivonete. Ou simplesmente Neta, como sempre preferiram os seus irmãos, as suas irmãs e o seu falecido marido.

Eu e meu irmão, Materson, temos nosso próprio jeito de chamá-la. Chamamos simplesmente de Mamãe.

E, na hora de escrever, é assim mesmo que o fazemos: com M maiúsculo.

(*) Escrevi essa crônica em 2014. Hoje, véspera dos Dia das Mães de 2020, estando longe da minha mãe, sem poder ir vê-la, por causa da pandemia do corona vírus, resolvi atualizar alguns pontos do texto e publicá-la novamente.