CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

CARTA DE APRESENTAÇÃO

No limiar do século XX, quando não existiam contraceptivos capazes de comedir os robustos índices de natalidade, e o preconceito de cor era tão explícito quanto irreprimível, o útero piauiense reforçou a sua prole partejando mais um rebento. O descendente viera ao mundo bendito por dentro e desventurado por fora. Bendito por que viera sob o signo da genialidade; desventurado por que chegara tatuado pelo desfavor de dois atributos de notório desprestígio: a negritude e a pobreza.

Pertencente ao proletariado, portanto serviçal do patriciado, não pôde esse filho arrebanhar estudo que lhe permitisse, sequer, assinar o nome. Porém, outro recurso lhe veio em socorro, dando-lhe nova perspectiva: a poesia. Refiro-me ao poeta, violeiro e repentista, gênio da cantoria, o negro Domingos Martins da Fonseca (1913-1958), nascido no distrito de Santa Luzia, município de Miguel Alves, Piauí. Domingos Fonseca foi o maior cantador lírico ao som da viola, emparelhado apenas a Pinto do Monteiro e aos irmãos Batista Patriota.

De fama desaproveitada em seu chão natalício, Domingos deliberou por romper a fronteira do seu território; desatou a rede, puxou a viola pelo braço e pôs-se à vida errante. Encantando plateias Brasil afora, aportou no Teatro Santa Isabel, Recife, 1948, onde se sagrou cabal vencedor do Festival de Cantadores, ocasião em que, altivo, fora distinguido pelo cognome de “armazém do improviso”. Ainda que os seus pares o considerasse o mais lírico dentre todos, professava-se unicamente cantador de dores. Em 1956 publicou “Poemas e Canções”.

Cantou para várias emissoras, destacadamente as rádios: Nacional do Rio de Janeiro e Bandeirantes de São Paulo. Também cantou para notáveis, a exemplo do governador Alberto Silva, General Mascarenhas de Morais e tantos outros. Ainda que os seus méritos tenham lhe feito credor de muitos preitos, apenas uma rua lhe faz homenagem na capital piauiense: “Rua Poeta Domingos Martins da Fonseca”, bairro Cristo Rei, Teresina.

Certa feita, durante um desafio de viola, ouvira de um vate de cor branca, seu oponente, o seguinte desacato: “Domingos, além de ser pobre é tão triste a tua cor”.

Para desafrontar-se do agravo Domingos redarguiu:

Falar de nobreza e cor
É um grande orgulho seu
Morra eu e morra um nobre,
Enterre-se o nobre e eu,
Que amanhã ninguém separa
O pó do nobre do meu!

Noutra ocasião, durante uma cantoria, pegou uma “deixa” e exaltou os favores com que o CRIADOR distingue as suas criaturas:

Nós viemos de Deus, o CRIADOR,
E aqui somo do pai as criaturas,
Que depois de melhores e mais puras
Voltarão para as mãos do seu autor.
E vivemos aqui do seu favor:
Do seu ar, do seu sol, da correnteza,
Dos seus campos, dos mares, da beleza;
Da família e do pão com que se cria,
Para que repitamos todo dia:
Quanto é grande o poder da Natureza.

Pronto, caro leitor, dou por encerrada a tarefa, a que me impus: apresentar esse brasileiro, negro, de temperança sem par. Os que lhe desconheciam a existência, eis, portanto, esses breves apontamentos, que põem luz a uma biografia que jaz oculta sob as páginas do catálogo do esquecimento. O fiz a partir de folhas dilaceradas e bolorentas que as esgaravatei junto a inexpressivos alfarrabistas do Nordeste, que as conservam porque nisto se comprazem. Desse poeta sobrerrestaram lembranças boas de serem lembradas, e a saudade da sua incomum arte de versejar.

Ao dar por concluída esta CARTA DE APRESENTÇÃO, espero não ter cometido exagerações, que inspirem suspeição ao crédito do apresentado, nem omissões, que possam apoucar-lhe os méritos.

Muito me comprazeria ser possuidor de um tostão da riqueza poética de Domingos Fonseca, mas quem nasceu para polca não chega a tango argentino.

DEU NO JORNAL

VÃO OBRAR MENOS

O ditador da Coréia do Norte, Kim Jong Un, pediu aos cidadãos do país que comam menos pelo menos até 2025.

A situação no país é de crise alimentar, piorada depois que o regime fechou a fronteira com a China para tentar conter o contágio com a Covid-19.

* * *

Os coreanos, que já comem pouquíssimo, agora vão comer menos ainda se atenderem ao pedido do ditador, que come fartamente e vive de rabo cheio dentro do palácio do governo.

Vai diminuir muito a produção de merda naquele pobre país, sempre produzida de cócoras, como de costume.

O grosso da merda ficará por conta das medidas do herdeiro tiranete.

Medidas bostosas, claro. Como são todas aquelas tomadas por dirigentes comunistas.

A PALAVRA DO EDITOR

AMANHÃ JÁ É NOVEMBRO!

Domingo, 31 de outubro de 2021.

Fechou a semana, fechou o mês.

Já se passaram 304 dias e estão faltando apenas 61 dias para fecharmos este ano de 2021 e entrarmos em 2022.

O pagamento mensal à empresa Bartolomeu Silva, responsável pela hospedagem e pela assistência técnica prestada 24 horas por dia a esta gazeta escrota, foi feito ontem.

Pagamento coberto integralmente pelas doações feitas este mês por nossos leitores.

Agradeço a generosidade de Boaventura Bonfim, Magda Valladares, Aluísio Sales e Manuel C. Neto, que fizeram seus depósitos nesta semana que hoje finda.

Fiquem certos que vai voltar tudo em dobro pra vocês, na forma de muita saúde, vitalidade, paz, luz, alegria e longa vida.

E, para alegrar e encher de beleza o nosso dia, vamos repetir, atendendo a pedidos, uma gostosa roda de choro. 

Um excelente domingo para toda a comunidade fubânica!!!

DEU NO JORNAL

NOS OVOS

Imagens do ministro da infraestrutura, Tarcísio de Freitas, viralizaram, ontem, ao bater o martelo com muita força no momento do anúncio do arremate do leilão da nova concessão da rodovia Presidente Dutra.

O Grupo CCR venceu o leilão do trecho da Rio-Santos, na BR-101 entre Rio de Janeiro e Ubatuba (SP), que estava com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Assim, a empresa renovou sua posse da concessão do trecho por mais 30 anos.

O ministro publicou o momento da batida do martelo em seu perfil no Twitter.

Ao postar, escreveu: “R$ 15 bilhões em obras na Dutra e na Rio-Santos e redução de 35% no pedágio atual para o usuário. O maior leilão rodoviário da nossa história. Hoje foi dia”.

Alguns internautas passaram a chamar o ministro de Thorcísio, ligando-o ao herói Thor.

* * *

Quando olhei o vídeo onde o ministro aparece batendo o martelo com força, um pensamento me veio à cabeça.

Eu imaginei que, no lugar daquela placa em cima da mesa, estivesse os culhões de uma meia dúzia de canalhas e cabras safados que conheço.

O primeiro da fila seria Cabeça Lisa.

O segundo seria Lula.

O terceiro seria…

Ah… fico por aqui.

Deixo o resto por conta da imaginação de vocês.

* * *

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O REI DA COCADA PRETA

A maravilhosa “coada preta” vendida por Hugo

Durante vários anos, naquela casa, lembro bem – pois era um dos viventes, por ser neto dos “donos” – o café, fosse matinal, vespertino ou da noite, era “temperado” com pedaços de rapadura. Até então, não conhecíamos o açúcar branco.

A rapadura era transformada num melaço que, por sua vez ajudava na torrefação dos grãos do café. Aquele melaço era colocado num “tacho” (uma bacia de barro), onde eram depositados os grãos do café torrado. E separado por instantes. Às vezes era levado ao sol – nunca entendi por que, nem para que.

Horas depois, aquele café, junto com o melaço, era levado ao pilão, onde era socado e, dali transformado no “pó de café”. Uma delícia, diga-se de passagem, e é assim que se faz na roça ainda hoje.

Na preparação do café, uma lata dependurada num arame suspenso e amarrado ao teto, continha a quantidade necessária de água colocada para a fervura. Acrescentava-se dois ou até três pedaços de rapadura. Rapadura em pedaços passou a ser a sobremesa preferida das crianças, porque era a única – e era guardada na camarinha da Avó.

A mudança forçada de Queimadas para a capital, teve muito mais de “fuga” que outra coisa. A ausência das chuvas era acentuada prejudicando a produção da agricultura familiar, obrigando o abate dos animais domésticos criados em parceria com o proprietário das terras. Feijão e arroz guardados sob sete chaves para o novo plantio, eram retirados da despensa para o consumo diário, o mesmo acontecendo com a farinha de mandioca.

Quem viveu ou vive na roça sabe que abater uma galinha, um pato, um porco ou um caprino para consumo próprio, é algo que só se recorre em última instância. Ou, às vezes, para evitar que o animal morra por algum mal. As galinhas são sempre especiais, por porem ovos – o que significa “produzir” e aumentar a ninhada. Mas, há sempre aquele momento em que o abate se torna inevitável.

Naquele ano de chuvas raras e lavoura inexistente, só havia socorro mais fácil no consumo dos animais domésticos. Frango, quase sempre. Galinha, quase nunca. Frango não põe ovos. Galinha, sim.

Eis que chegou o dia da mudança. Um caminhão fretado de um amigo saiu da capital com destino a Queimadas, numa sexta-feira, por volta das 14 horas ou “quando o sol começou a esfriar”.

Na BR, um percurso aproximado de 50 Km que levaria, no máximo, sessenta minutos no percurso. Saindo da BR e pegando um trecho de estrada vicinal de aproximadamente 6 Km e, depois, mais uns 2 Km de uma picada aberta pelo avô para facilitar o acesso do caminhão. Na BR, nos 50 Km aproximados, o caminhão levou quase três horas. Depois, na estrada vicinal com cerca de 6 Km, levou mais de uma hora. Atolou na areia espessa em umas três ou quatro oportunidades e, para sair dali precisou do auxílio de paus e tábuas.

Maior tempo foi gasto na travessia da picada. Os pneus, ainda usando câmaras de ar, precisaram ser trocados em pelo menos quatro oportunidades, até que foi resolvido que a continuidade dependeria de que todos aqueles tocos da picada fossem arrancados. Mãos à obra!

A noite chegou e não esqueceu de trazer consigo, todas as dificuldades conhecidas. Agora o caminhão não tinha mais os estepes necessários para possíveis trocas. Tivemos que esperar o amanhecer do novo dia, quando todos os demais tocos foram finalmente arrancados, permitindo a chegada do caminhão até a casa da avó.

Com o dia claro e todos os problemas resolvidos, finalmente a mudança aconteceu. Tivemos, como primeiro novo endereço, uma casa em construção. Grande, com vários cômodos, mas sem água canalizada, sem instalação elétrica e sem portas ou janelas.

Era um novo horizonte que aparecia e se desenhava pela frente. Aos poucos, fomos colocando portas e janelas, sem esquecer que as despesas precisavam atender, também, a alimentação diária e as demais necessidades básicas. Todos precisavam trabalhar para ajudar. Era uma real oportunidade de recomeçar uma vida nova.

As crianças precisavam ir à escola. E foram.

Horácio, o mais velho, continuou os estudos, passando a frequentar o Ginásio Municipal; Elias, o segundo, preferiu trabalhar, enquanto chegava a época de servir ao Exército. Preferiu a Aeronáutica.

Hugo, o terceiro, foi matriculado num Grupo Escolar.

Frequentava a escola no período matinal. Chegava de volta à casa, invariavelmente, após as primeiras horas da tarde. Dormia, acordava e estudava para resolver as tarefas escolares.

À medida que o tempo passava, as coisas se acomodavam e os problemas antigos iam sendo resolvidos. Mas nunca deixavam de aparecer os novos.

Eis que, certa tarde, Hugo conheceu um vizinho e acabou por se tornar amigo. O novo amigo tinha pai em boa situação financeira e algumas manias prontamente atendidas. Uma dessas era colecionar figurinhas, num álbum. Foi ali, no folhear do álbum, que nasceu o interesse de Hugo em também comprar um álbum e colecionar as figurinhas.

Mas, de onde sairia o dinheiro?

Não demorou muito, e a engenharia infantil funcionou.

Hugo precisava “fazer dinheiro” de alguma forma. Quebrou o cofrinho de cerâmica, contou todas as moedas amealhadas por meses. Mas ainda não era chegada a hora de comprar o álbum, muito menos as figurinhas.

Resolveu empreender. Comprou dois cocos e duas rapaduras. Fez cocadas e vendeu. Ganhou o apoio e o incentivo da mãe. Vendeu todas as cocadas.

Dois dias depois repetiu a operação. Separou o “lucro”.

E assim, foi fazendo, até que, com o “lucro” que tivera, finalmente conseguiu comprar o álbum. E ainda ganhou um pacote de figurinhas de bônus.

Hugo conseguia vender todas as cocadas, todos os dias.

Todos gostavam das “cocadas pretas”.

Hugo, de frente com uma necessidade, enfrentou o problema com muita disposição, contando com apoio dos pais.

Ali nascia mais um “Rei da Cocada Preta”.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Casimiro Montenegro

Casimiro Montenegro Filho nasceu em Fortaleza, CE, em 29/10/1904. Militar da Aeronáutica, Marechal-do-Ar, pioneiro do CAN-Correio Aéreo Nacional, criador do ITA-Instituto Tecnológico de Aeronáutica, patrono da Área de Engenharia da FAB-Força Aérea Brasileira e da Academia Nacional de Engenharia e um dos patronos do INCAER-Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

Concluiu os primeiros estudos em Fortaleza e mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1923, a fim de tornar-se piloto do Exército. Ingressou na Escola Militar do Realengo e tornou-se Aspirante-a-Oficial do Exército em 1928, integrando a primeira turma da Arma de Aviação Militar da Escola de Aviação Militar, que iniciava no Campo dos Afonsos. Teve destacada atuação na “Revolução de 1930” junto com o brigadeiro Eduardo Gomes, Juarez Távora e Siqueira Campos. Ao atingir o posto de tenente, fez o voo inaugural entre Rio-São Paulo, que resultou na criação do CAN-Correio Aéreo Nacional, em 1931. Em seguida cruzou o País de norte a sul em voos expostos às mais diversas e inseguras condições, aterrissando em campos improvisados e pilotando sem instrumentação de voo.

Em 1938 concluiu o curso de Engenheiro Militar na Escola Técnica do Exército, atual IME-Instituto Militar de Engenharia. Em seguida deu-se a unificação dos serviços de voos da Exército e da Marinha, dando origem ao Ministério da Aeronáutica, em 1941. No novo Ministério, assumiu a Subdiretoria Técnica da Aeronáutica. Tinha em mente uma ideia, aparentemente, óbvia e costumava dizer que “somente seria possível desenvolver uma indústria aeronáutica no Brasil se o país dispusesse de uma escola que proporcionasse formação técnica de alto nível”. Assim, em 1943, viajou para os EUA afim de adquirir um lote de aviões e, com sua ideia de formar engenheiros aeronáuticos, visitou o MIT-Massachusetts Institut of Technology e ficou encantado com sua estrutura educacional. Retornou ao Brasil disposto a criar algo semelhante num país sem condições de fabricar até bicicletas.

Claro que a ideia de projetar e fabricar aviões pareceram excêntricas demais aos olhos dos colegas. Mal sabiam que ele contava com a ajuda de um contato feito nos EUA: o prof. Richard Herbert Smith, chefe do Departamento de Engenharia do MIT. Em 1945 reuniu um grupo de oficiais da Aeronáutica no local, que viria a ser um campus universitário, e apresentou seu projeto: “Aqui construiremos o túnel aerodinâmico, mais à direita o laboratório de motores, ali a área residencial: casas e apartamentos para os professores, oficiais e pessoal da administração e alojamento para os alunos. Ali à esquerda, os edifícios escolares e laboratórios. Aqui será o futuro aeroporto. Esta área está reservada para a indústria aeronáutica. Tudo isto constituirá o Centro Técnico da Aeronáutica.” Ao concluir a apresentação, verificou que a plateia havia sumido. Um dos oficiais que permaneceu no local, despediu-se gracejando da megalomania do projetista: “Até a vista, Júlio Verne!”.

Na década seguinte o sonho do piloto visionário começou a se concretizar e pouco depois estava criado o ITA-Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em 1950. Com instalações adequadas, bons professores inicialmente trazidos do exterior e residindo no próprio campus junto aos alunos, criou-se uma escola de engenharia de alto nível no País. Sua função não era apenas ensinar bem, mas também educar, o que não era assumido pelos cursos universitários brasileiros. Alguns itens constantes do ensino “Iteano”: cumprimento rigoroso do calendário de ensino, as aulas não dadas têm que ser repostas; diversificação dos professores não apenas na formação profissional, mas também na nacionalidade com muitos professores estrangeiros; currículo composto de matérias não técnicas (humanidades); professor e aluno morando próximos, possibilitando encontros fora das salas de aula.

Porém o atributo educacional que mais diferencia o ITA de outras universidades é a chamada “disciplina consciente”, que implica na realização honesta de todos os trabalhos escolares. A “cola” comprovada é punida com severidade, a expulsão do aluno. Em 1950, o Reitor Joseph Morgan Stokes delegou esta função aos alunos através do Centro Acadêmico, que para isso criou o Departamento de Ordem e Orientação. Ou seja, os vigilantes desse processo eram os próprios alunos, que identificavam o transgressor, julgavam e propunham a penalidade. Ao reitor cabia apenas a execução. Outra inovação relevante se deu com a pós-graduação, em 1961. Através de convênio mantido com a Universidade de Michigan, foi adotado o modelo de pós-graduação vigente nos EUA, com poucas alterações, que teve grande repercussão Brasil. No ano seguinte, a COOPE-Coordenadoria de Pós-Graduação em Engenharia, da UFRJ, seguiu o ITA e ambas influenciaram o Conselho Nacional de Educação, com sua resolução de 1965, que alterou toda a pós-graduação brasileira.

Na sequência, outro visionário, o engº Ozires Silva, entra em cena e cria o primeiro avião usado nas linhas regionais, denominado “Bandeirante” (1968). No ano seguinte foi criada a EMBRAER-Empresa Brasileira de Aeronáutica, tornando-se a 3ª maior fabricante de aviões do mundo. Junto com Santos Dumont e Ozires Silva, Casimiro integra o que vem sendo chamado de “Santissima Trindade da Aviação Brasileira” e já foi homenageado em diversas ocasiões, contando com sua estátua no Campus do ITA, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa. Em 1975 recebeu o mesmo título da Unicamp-Universidade Estadual de Campinas e em 1981 foi agraciado com o “Prêmio Anísio Teixeira”, a mais prestigiada comenda dirigida aos grandes educadores brasileiros. Faleceu 26/2/2000, aos 95 anos, e foi sepultado na Cripta dos Aviadores do Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Pouco depois foi aclamado “Patrono da Engenharia da Aeronáutica”, por Decreto Presidencial, de 28/6/2000.

Duas biografias dão conta de sua trajetória, além de alguns textos na Internet: Montenegro: as aventuras do Marechal que fez uma revolução nos céus do Brasil, de Fernando de Morais, publicada em 2006 e Marechal Montenegro, criador do ITA e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), de seus amigos Ozires Silva e Decio Josué Antonio Fischetti, publicada em 2006. Há um consenso em se afirmar que “se a indústria aeronáutica é o que é, hoje, em termos mundiais, isso começou com o ITA e com o antigo CTA, com a criação do Bandeirante”, aproveitando o nome que os paulistas deram aos desbravadores do interior do Brasil. Em 2020, o ITA fez 70 anos e realizou uma exposição virtual – “Asas para que te quero”, mostrando as diversas áreas da instituição e relato de sua história. Vale a pena dar uma olhada: Mostra #VicentinaNaSuaCasa on Behance

DEU NO JORNAL

DADOS MENTIROSOS

O Brasil só tem lições a dar durante a COP26, a conferência do clima em Glasgow, na Escócia, em novembro próximo.

A começar por ser o País que mais preserva as matas e as florestas.

De acordo o chefe-geral da Embrapa Territorial, Evaristo Miranda, um dos maiores especialistas do mundo, só as áreas de proteção mantidas pelos produtores em suas propriedades, estimadas em 2,8 milhões de quilômetros quadrados, representam extensão maior que 186 dos 195 países que fazem parte da ONU.

Esses estudos, que impressionam pelo detalhamento, estão disponíveis no site da Embrapa e têm precisão impressionante de cinco metros.

Evaristo Miranda contou que os críticos do Brasil no exterior alegam receberem dados, quase sempre mentirosos, enviados por brasileiros.

Ele desfez a lorota de que a agricultura avança nas florestas.

A área de cultivo ocupa 7,8% do território nacional, e não é necessário ampliar.

* * *

Vou repetir um trecho dessa notícia aí de cima:

“Os críticos do Brasil no exterior alegam receberem dados, quase sempre mentirosos, enviados por brasileiros.”

E eu fiquei curioso…

Quem seriam estes brasileiros, estes patriotas que enviam “dados mentirosos” para os críticos do Brasil no exterior?

Hein?

Eu não faço a menor ideia de quem sejam.

Talvez os leitores desta gazeta escrota possam nos ajudar.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

PETELECOS CUCAIS

1. Retornam com ares didaticamente renovados, sem os chiliques verborrágicos dos que ainda se imaginam nos anos 30, livros e revistas que proporcionam prazer e ampliam a criticidade. Esta última, retirada propositadamente dos estabelecimentos de ensino pelo regime militar, favorecendo a ampliação dos níveis alienatórios da juventude brasileira, exceções à parte. Urge voltar a conhecer nossa casa mental, para melhor organizá-la. Recomendo o livro de um notável Juiz de Direito de Minas Gerais: MIND, Haroldo Dutra Dias, SP, Intelítera, 2021. Páginas que possibilitam resgatar, de forma consistente, nossa autonomia, nosso equilíbrio emocional e nossa serenidade, raciocinando sempre e nunca despojado de múltiplas esperanças. Sem cientificiquês nem malabarismos tecnocráticos. E sem negativismos incultos.

2. Numa sala de aula de escola de periferia, professora dedicada pergunta ao aluno o que acontece com um pedaço de ferro deixado ao relento. A resposta “enferruja, fessôra”, merece aplausos entusiasmados, proporcionando nova pergunta: – E com um pedaço de ouro, o que acontece? A resposta veio de bate-pronto: – Desaparece rapidinho, professora! Mais aplausos.

3. Desabafo sincero de uma personalidade nordestina de médio saldo bancário: “Homens gostariam mais da palavra monogamia se ela se parecesse menos com a palavra monotonia”. É chegada a hora das duplas se reinventarem…

4. Para os adolescentes que desejam pensar, sem perder a ternura jamais, uma leitura altamente recomendável é o livro Fundamentos da Filosofia, de Gilberto Cotrim, já na enésima edição, um fenômeno brasileiro. Aborda a filosofia sob os aspectos históricos e temáticos, ensinando sabedoria sob um contínuo quero-mais.

5. Solteirona já nas últimas, entrou numa farmácia e desabafou para o pobre do balconista: – Vim trazer esta porcaria de camisinha, que tá com defeito!! Diante do espanto do pobre rapaz, a resposta esclarecedora: – Tava vazia, menino!!

6. Simpatia para perder barriga rapidamente: Coloque uma vela branca num copo d’água e uma imagem de Santo Antônio enrolada numa fita métrica aos seus pés e se deite. Toque as pontas dos seus dedos nas ponta dos pés, dizendo “Santo Antônio, me tira essa barriga!” Faça isso 50 vezes por dia, todos os dias. É tiro e queda…

7. Muito oportuno relembrar a frase de J. A. Wheeler: “A era que virá há de nos mostrar o caos por detrás da lei”. Profecia ou intuição científica?

8. Bastante comentado o acelerado envelhecimento do ministro Paulo Guedes nos últimos tempos. Uma senhora da Capital Federal, assessora parlamentar, comentou para uma interlocutora de nível: – Pudera, é desgastante ser assessor de um incompetente mandatário que multiplica asneiras somente para aparecer nas mídias.

9. Excelente o artigo do Paulo Nogueira Batista intitulado Beato Salu, vítima da hipocrisia, publicado na Cata Capital 1179, de 20 de outubro último. No mesmo número, outro excelente texto, desta vez de Luiz Gonzaga Belluzzo, Os patronos de Guedes. Liberalismo é uma coisa, porralouqiosmo liberal é outra coisa, posto que a bolsonarização liberaloide do Brasil nos deixará de calças curtas e sem cuecas, descalços e cada vez mais famintos e deseducados..

10. A CPI da COVID comprovou como os “mérdicos” que defenderam a cloroquina puseram na lata do lixo os princípios básicos da profissão, escondendo-se sob um perfil de caridade e gentileza, mal passando de lobos ansiosos por ganhos financeiros.

11. Realidade triste: no Brasil, uma em cada quatro jovens de 12 a 19 anos deixa de ir à escola por não ter acesso ao absorvente.

12. De um competente analista político brasileiro, residente na capital federal: “A submissão da Petrobras ao ‘mercado’ resultou em tragédia para o povo brasileiro. O mesmo ocorrerá se venderem os Correios.”

PENINHA - DICA MUSICAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Queridos amigos:

Eu não entendo porque Lula não imita Bolsonaro e também bota a cara nas ruas.

Aqui no Brasil e no exterior.

Meu sonho é ver Lula andando no meio do povo na Avenida Paulista, num dia movimentado de semana.

Vai lá, Lula!!!

A multidão te espera!!!

* * *