GUSTAVO GAYER

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J.R. GUZZO

CORRUPÇÃO? ESQUECE

O ex-presidente Lula começa a armar a sua campanha para as eleições de 2022 e, naturalmente, tem diante de si o que deveria ser a pergunta-chave de todo o candidato na hora da largada: o que eu vou dizer para o eleitorado, de hoje até outubro do ano que vem? Não pode ser qualquer bobagem. Vai ser preciso, na prática e no fim das contas, dizer coisas que convençam o público de que ele, Lula, é melhor que o adversário, Jair Bolsonaro – sem isso, nada feito.

Como diria um comunicador moderno, Lula terá de selecionar suas “pautas” – palavra que se usa, hoje em dia, quando alguém quer dizer “assunto”. Deixe-se de lado o que já se sabe que qualquer pretendente ao cargo vai fazer, do primeiro ao último dia da campanha: falar que Bolsonaro é o pior de todos os presidentes que o País já teve; ou o Brasil acaba com Bolsonaro, como deveria fazer com a saúva, ou Bolsonaro acaba com o Brasil. Tudo bem – e além disso?

Além disso, pelo que se pode ver hoje, é um problema. O difícil, para Lula, não é tanto achar o que dizer em seu favor durante a batalha pelo voto. A dificuldade, mesmo, é saber que ele não vai poder usar em nenhum momento da disputa a “pauta” da corrupção. Não é pouca coisa. Campanha eleitoral, neste país, é basicamente chamar o outro candidato de ladrão e apresentar-se como o inimigo número 1 da ladroagem. Sem poder fazer esse número, o sujeito já sai por baixo.

Lula, naturalmente, não pode fazer isso – com a sua folha corrida, que inclui um ano e sete meses de cadeia fechada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a última palavra que ele quer usar numa campanha é “corrupção”. É possível que tentem, claro, mas nem o diretor mais otimista de um instituto de pesquisa de votos acharia que um negócio desses vai dar certo. Eis aí o candidato do “campo progressista”, portanto, desprovido de uma “pauta” fundamental – como foi para Jânio, Collor, Bolsonaro e também ele, Lula, em todas as suas campanhas, salvo a da sua própria reeleição.

Quem terá de tomar cuidado com essa história de corrupção, ao contrário, é ele mesmo, Lula. É complicado, na verdade, você ser candidato a presidência da República se é, ao mesmo tempo, o único presidente do Brasil condenado oficialmente como ladrão, por nove juízes diferentes, em terceira e última instância. Fazer o quê? É assim que ficou. A era Lula, seja lá o que ele próprio acha, tem a imagem do governo mais corrupto da história nacional – um tempo em que as empreiteiras de obras públicas governaram o País, ao lado dos fornecedores da Petrobras, dos operadores dos fundos de pensão das empresas estatais e das gangues expostas pela Operação Lava Jato.

Parece pouco promissor, a esse propósito, o truque de dizer que Lula foi “absolvido” e que a “Justiça” reconheceu a sua “inocência”. Ele não foi absolvido de coisa nenhuma – apenas ganhou de presente do STF a anulação dos seus quatro processos penais e a licença para se candidatar à eleição de 2022, com ficha suja e tudo. Dizer que você está solto por causa do STF, naturalmente, não é nada que possa melhorar a sua reputação pessoal hoje em dia; é exatamente o contrário, e por isso imagina-se que Lula não vai ficar falando no assunto. Quem quer ter a sua reputação atestada por um tribunal que solta traficantes de droga de primeiro grau? Quem quer aparecer num palanque eleitoral abraçado com o ministro Gilmar Mendes, por exemplo? Não dá.

Desde o início, e cada vez mais, parece que todas as chances de Lula se resumem em jogar parado; é falar pouco, fazer menos, e esperar que Bolsonaro funcione como o seu grande cabo eleitoral. É arriscado, claro. Mas, no momento, é o que temos

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

CHORO DE VAGAS – Alberto de Oliveira

Não é de águas apenas e de ventos,
No rude som, formada a voz do Oceano.
Em seu clamor – ouço um clamor humano;
Em seu lamento – todos os lamentos.

São de náufragos mil estes acentos,
Estes gemidos, este aiar insano;
Agarrados a um mastro, ou tábua, ou pano,
Vejo-os varridos de tufões violentos;

Vejo-os na escuridão da noite, aflitos,
Bracejando, ou já mortos e debruços,
Largados das marés, em ermas plagas…

Ah! que são deles estes surdos gritos,
Este rumor de preces e soluços
E o choro de saudades destas vagas!

Alberto de Oliveira, Saquarema-RJ, (1857-1937)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

ZÉ, O RUDE

Zé com sua negritude reforçada pela persistência

Nascido no dia 29 de fevereiro, Zé aprendeu e aceitou a conviver sem comemorar datas de aniversário. Isso porque, comemorar ano sim, ano não, não era coisa que lhe satisfizesse.

A primeira infância vivida entre enxadas, foices e carpina nos roçados do interior deram tons escurecidos e características de rudeza à sua forma de vida.

Não recebia gentilezas e isso fez com que as desconhecesse.

Frequentou pouco a escola, até que entendeu, que, o que aprendera era suficiente para caminhar vida afora. Para nortear seu destino e ajuda-lo a escolher o melhor para si.

Essas coisas petrificaram em Zé a dura rotina da vida. Não via necessidade em andar por aí “arreganhando os dentes”, como ele próprio falava, quando alguém se dispunha a ouvi-lo.

Entretanto, haverá sempre na face da Terra, aquele que, um dia, iluminado por Deus, conseguirá enxergar o seu real caminho e encontrará o começo do seu destino.

E por que seria diferente com Zé?

Rudeza é uma característica pessoal. Não é um castigo que a vida impõe.

E foi num final de dia, quando sentou na ponta da calçada de casa para limpar a enxada e a foice que usara na roça durante todo o dia debaixo daquele sol escaldante, que Zé foi tocado pela mão suave do destino.

Ocorreu que Zé viu uma nova luz e decidiu que aquele seria o seu último dia de trabalho na roça. Sairia pelo mundo, à procura de um objetivo, e do por que viera fazer o que na Terra.

À noite, após um bom banho com água da terrina, foi jantar. Foi a melhor hora que entendeu ser propícia para comunicar aos pais a sua decisão:

– Pai e mãe, não vou mais trabalhar na roça. Alguém está me dizendo que minha missão na Terra é outra.

Sem entender a decisão intempestiva do filho, ainda jovem, com apenas 16 anos, os pais indagaram:

– Vais fazer o que e aonde menino?

Respondendo com a intenção de colocar ponto final na conversa que, para ele já estava decidida, Zé atendeu a curiosidade dos pais:

– Não sei ainda. Sinto que tem lugar melhor para mim fora daqui.

Quase nenhuma roupa, pouca coisa de higiene (escova de dentes, pente, barbeador, creme dental) e algumas cuecas compuseram “a mala” de viagem de Zé.

O trem era o transporte mais fácil e barato. Os pais, chorosos e inconformados, foram leva-lo a estação.

Pouco demoraram na estação, pois o trem não demorou muito a encostar e muito menos demorou para embarque e desembarque de passageiros e carga. Mas, ainda coube uma despedida e desejos de boa sorte no novo caminho seguido.

A cidade era uma novidade e aquilo tudo atrapalhou Zé. Rodopiou em torno de si mesmo. Examinou seus pés, mãos e sentiu o coração bater mais forte. Chegara a hora de ir à luta. De cuidar de si, de tentar ser e viver como alguém.

Zé não sabia sequer se, na cidade que acabara de conhecer, morava algum parente. Também não pretendia procurar ninguém, haja vista que agora era (e queria continuar sendo) um novo Zé. Zé, o rude, mas vitorioso às suas custas, com o seu trabalho e sem favores de terceiros. Apenas o reconhecimento, quando esse chegasse, seria bem-vindo.

Depois de procurar uma hospedagem, Zé encontrou uma pensão, onde pagaria por semana, com direito ao café da manhã e almoço ou jantar. Precisaria pagar uma semana “adiantada” e assim o fez.

No dia seguinte, vestindo a melhor roupa, saiu à procura de trabalho, com disposição para começar no próprio dia. Trabalho simples, ainda que com salário pequeno, não era coisa difícil de encontrar. E não foi.

Zé conseguiu trabalho para fazer a limpeza geral de um Teatro – e, como precisava trabalhar após os ininterruptos espetáculos, conseguiu também um aposento para morar no próprio local de trabalho. Aceitou o trabalho, o salário e o aposento, o que o livraria do pagamento da hospedagem na pensão.

Não demorou muito para que Zé aprendesse todo o serviço que fazia todos os dias. Inclusive o que fazia após os espetáculos que lotavam o teatro e exigia a cada fim de apresentação uma faxina mais rigorosa para tudo estar bem feito no dia seguinte.

Encaminhado, Zé começou a se organizar. Havia estudado pouco, mas o suficiente para aprender a ler. Com algumas economias que conseguia fazer, comprou livros – didáticos e paradidáticos. Poderíamos até dizer que, se tornando autodidata, Zé voltou a estudar. Tomou gosto pelos livros a cada vez que conseguia descobrir novos caminhos.

Quando a primavera chegou, trazida pela segunda metade de setembro, chegou também o anúncio de uma apresentação especial: a apresentação anual da Orquestra Sinfônica – o que exigia ensaio por muitos dias. O trabalho de Zé, naqueles dias, se resumiu ao básico necessário, que alguns chamam de “manutenção”. Sobrava tempo e o barulho produzido pelos metais da orquestra e outros instrumentos acabaram atrapalhando os estudos e as leituras de Zé.

E aí vem aquele ditado popular: “Deus fecha uma janela, mas a sua bondade enorme acaba abrindo uma porta”. E aquilo foi bom, pois o “faxineiro” passou a ser obrigado a conviver com aquele barulho, ao qual acabou se acostumando. Passou a gostar do que ouvia.

Ninguém precisa correr à procura do destino. Destino é algo que está traçado e tudo acontece quando tem que acontecer. Numa manhã, após demorados ensaios da Orquestra, fazendo o seu trabalho diário, Zé, o rude, encontrou um calhamaço de papeis esquecido por alguém – provavelmente o Maestro!

Guardou para entregar no dia seguinte. Quando tentou fazê-lo, o próprio Maestro afirmou que, por ter perdido, já conseguira uma nova edição e entregou para que Zé jogasse fora aquele velho calhamaço. Mas ele não jogou. Curioso, resolveu guardar para examinar depois.

Sem entender muito o que via naquela papelada toda, Zé indagou a um músico que estava descansando:

– Que calhamaço de papel é esse, amigo?

Sem muita preocupação, o músico respondeu:

– O nome disso, Zé, é partitura. Aí está tudo que o músico precisa saber para tocar.

A partir daquela noite, sempre que a Orquestra encerrava o ensaio e todos os músicos iam embora, antes de iniciar a limpeza necessária, Zé observou com atenção diferente, um dos instrumentos que os músicos não precisavam guardar ou cobrir. O piano.

Fabricado em madeira de lei, muito limpo e conservado, o piano conseguiu atrair a atenção do faxineiro, que a cada dia se interessava mais pelo instrumento. Usando aquela partitura velha jogada no lixo pelo Maestro, na qual Zé aprendera ler e destrinchar todos os sinais que ali estavam escritos, por todas as noites que os ensaios foram mantidos, após o encerramento e com o teatro fechado, sempre que terminava seu trabalho, Zé passou a praticar piano e aprendeu a tocar a partir daquela partitura velha.

Por algum tempo, depois de pedir demissão do trabalho no teatro, Zé, o rude, sumiu. Ninguém mais soube do paradeiro de Zé por alguns anos seguidos.

Entretanto, certa noite passeando em Paris, um casal brasileiro teve a atenção chamada por um cartaz num famoso teatro da capital francesa. A atenção deveu-se pelo cartaz estar escrito em português, de forma clara e direta:

– “Zé, o rude”! Era o chamamento para o concerto daquela noite na capital parisiense. Teatro superlotado naquela noite, na noite seguinte e na terceira noite.

O programa era aberto com o solo de “Tico-tico no fubá”, e encerrado com o solo de “Aquarela do Brasil”!

Zé, nem com aquela magistral mudança de vida em etapas, conseguia deixar de ser rude.

DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

A CONSTITUIÇÃO DO ATRASO

Deputado Ulysses Guimarães em 1988, no encerramento das votações da nova Carta Constitucional

Nesta semana, a nossa Constituição Federal, promulgada em 1988, completou seu 33º aniversário. O ministro do STF Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, comentou: “A Constituição de 1988 completa 33 anos. Estabilidade institucional e avanços importantes em direitos de mulheres, negros, gays e comunidades indígenas. A agenda inacabada: derrotar a pobreza extrema, as desigualdades injustas e promover desenvolvimento sustentável para todos”. Há muito o que ser comemorado mesmo? Eis o que pretendo debater em seguida, até porque não sabemos até quando será possível criticar nossa Carta Magna sem isso ser considerado um “ataque às nossas instituições”.

Por um lado, trata-se de uma conquista interessante mais esse aniversário, já que o Brasil é conhecido por sua enorme quantidade de Constituições existentes. Só no século 20, tivemos uma Constituição em 1934, outra em 1937, mais uma em 1946, outra em 1967 e, finalmente, a Constituição de 1988. E o fio condutor delas foi a incapacidade de impedir o arbítrio estatal. No livro A História das Constituições Brasileiras, o historiador Marco Antonio Villa, antes de se tornar um ativista afetado, disseca os maiores absurdos das várias Constituições que tivemos. Na sua apresentação, a síntese é perfeita: “Não é exagero afirmar que os últimos 200 anos da nossa história têm como ponto central a luta do cidadão contra o Estado arbitrário. E, na maioria das vezes, o Estado ganhou de goleada”.

A conquista de certa “longevidade”, portanto, é interessante, mas não compensa, de forma alguma, o custo elevado que essa Constituição representou para o país. Enquanto muitos políticos vibravam com a aprovação da “Constituição Cidadã”, um indivíduo com a mente mais lúcida lamentava aquele fato, antecipando quanto ele custaria ao povo brasileiro. Era Roberto Campos, que chamara a Constituição de 1988 de “anacrônica”, remando contra a maré populista de seu tempo.

Economista Roberto Campos

Em seu livro de memórias Lanterna na Popa, Roberto Campos dedica várias linhas à Constituição de 1988, e todos aqueles que comemoram seu aniversário deveriam investir algum tempo para ler tais críticas. A inflação herdada da era Goulart, por exemplo, estava em quase 8% ao mês, mas a Constituição contava com um absurdo dispositivo que limitava os juros a 12% ao ano, uma “ridícula hipocrisia”. Uma Constituição mencionar limite para juros é algo realmente pitoresco. Do ponto de vista tributário, a Constituição de 1988 gerou uma “vultuosa redistribuição da capacidade tributária em favor dos Estados e municípios, sem correspondente redistribuição de funções”. Sob o ponto de vista da estrutura tributária, Roberto Campos conclui que a Constituição “representou um lamentável retrocesso”.

Outro exemplo evidente do atraso causado pela Constituição foi o monopólio do petróleo garantido ao governo. A confusão entre “segurança nacional” e monopólio do governo não passava de uma grande falácia econômica. Campos explica que, “ao retardar o fluxo de capital para a exploração petrolífera local, criava-se adicional insegurança, pois nosso abastecimento ficaria na dependência de suprimentos extracontinentais, carregados por via marítima e, portanto, sujeitos à vulnerabilidade submarina”.

Um sério problema do Brasil, a desproporcionalidade da representação na Câmara dos Deputados em desfavor do Centro-Sul, foi bastante agravado com a Constituição de 1988 também. A criação de novos Estados na Constituição gerava uma distorção ainda maior, particularmente contra São Paulo. Para eleger um deputado nordestino, com o mesmo poder de um paulista, precisa-se de bem menos votos. Isso cria um deslocamento de poder para as regiões do Norte e Nordeste, dificultando reformas econômicas que seriam mais facilmente aprovadas se dependessem da escolha do Sul e Sudeste, que carregam a economia do país nas costas.

Além disso, ao remover quaisquer barreiras, tanto de criação como de representação legislativa dos partidos, a Constituição de 1988 “nos legou um multipartidarismo caótico com partidos nanicos que não representam parcelas significativas da opinião pública, sendo antes clubes personalistas e regionalistas ou exibicionismo de sutilezas ideológicas”. Conforme conclui Campos, ficamos muito mais com uma “demoscopia” que uma democracia. Tema bastante atual, não é mesmo?

Roberto Campos considerava que sua vida no Senado foi marcada por uma sucessão de batalhas perdidas, as principais sendo: a batalha da informática, cuja Lei da Informática jogou o país na era dos dinossauros em tecnologia; a batalha contra o Plano Cruzado e sua resultante moratória, enquanto economistas de esquerda, como Maria de Conceição Tavares, chegaram a chorar de emoção com o plano fracassado; e a batalha contra a Constituição brasileira de 1988, tomada pela mentalidade nacional-populista.

O ícone dessa fase, Ulysses Guimarães, defendia demagogicamente o objetivo constitucional de “passar o país a limpo”. As promessas simplesmente não cabiam no Orçamento, não levavam em conta a realidade. Como escreveu Campos, “Ulysses parecia encarar com desprezo a ideia de limites ou constrangimentos econômicos”. Para ele, tudo parecia ser uma questão de “vontade política”, expressão que muitos utilizam até hoje como solução mágica para nossos males. Roberto Campos chegou a acusar Ulysses, em artigo de jornal, de “um grau de ignorância desumana” em economia. Infelizmente, ele estava certo.

Ulysses exibe a Carta Magna

A Constituição de 1988 foi extremamente reativa, uma espécie de “vingança infantil” aos tempos da ditadura. Dizem também que foi promulgada um ano antes do que deveria, pois em 1989 tivemos a queda do Muro de Berlim, soterrando sonhos socialistas ainda muito fortes em nosso país. Vale notar que 15 deputados petistas votaram contra o texto final porque queriam ainda mais socialismo nele! É compreensível que existisse uma demanda social reprimida naquela época. Mas o uso da Constituição como veículo para atender àquela demanda foi um grave erro. O grau de utopia presente na Constituição é assustador. Ela fala dezenas de vezes em “direitos”, mas quase nunca em “deveres”.

O historiador Victor Davis Hanson, em seu novo livro The Dying Citizen, que acaba de ser lançado, comenta sobre mudanças culturais em curso nos Estados Unidos que podem estar tornando esta grande nação livre, cuja Constituição tem mais de dois séculos com poucas emendas, em algo mais similar aos países latino-americanos. Para ele, essa noção de cidadania pode estar ameaçada: “Afinal, a cidadania não é um direito; requer trabalho. No entanto, muitos cidadãos de repúblicas, antigas e modernas, passam a acreditar que merecem direitos sem assumir responsabilidades – e não se preocupam como, por que ou de quem herdaram seus privilégios”.

Hanson acrescenta: “Os cidadãos não são meros residentes, propensos a receber mais do que dar. Eles não são povos tribais que se unem por aparência ou laços de sangue. Eles não são camponeses sob o controle dos ricos. Nem é sua primeira lealdade a uma comunidade mundial abstrata”. A cidadania pressupõe o compartilhamento de certos valores básicos dentro de um território comum, com laços sociais e culturais como elo para o respeito mútuo e a confiança nas regras do jogo. A defesa da propriedade privada, das liberdades individuais e do império das leis é o pilar fundamental de uma república, e desde a origem da Carta Magna britânica em 1215 que o esforço tem sido na linha de limitar o poder abusivo e arbitrário dos poderosos, do próprio Estado.

Orquestra sinfônica se apresenta enquanto milhares de pessoas acompanham no gramado do Congresso as votações da Assembleia Nacional Constituinte

A Carta Magna de uma nação deve tratar dos temas mais básicos apenas, com um caráter bem mais negativo do que positivo, ou seja, colocando em evidência aquilo que os cidadãos não podem fazer e restringindo com claras definições aquilo que o Estado pode fazer. O governo deve evitar o excesso de legislação, que serve para emperrar o crescimento e criar injustiças. Infelizmente, o Estado brasileiro é extremamente paternalista, e trata seus cidadãos como mentecaptos que necessitam da tutela estatal para tudo.

A Constituição de 1988 é um reflexo dessa mentalidade ultrapassada. Não é exatamente um documento para cidadãos republicanos, mas sim para súditos de um Estado ativista e hipertrofiado, que se arroga o papel de locomotiva do progresso e da justiça social. Em vez de uma “Constituição Cidadã”, o que precisamos é da constituição de uma verdadeira cidadania em nosso país.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Boa noite Berto (chuvosa em Curitiba),

Não tive tempo de mandar uma mensagem dando os parabéns pelo dia do nordestino.

Para me redimir um pouquinho vou te contar que ontem (hoje teve outra apresentação) a Orquestra de Câmara de Curitiba realizou um concerto de exaltação da cultura nordestina.

Olha aí o Nordeste aqui no Sul.

Caso alguém tenha curiosidade de ver o repertório, clique aqui para ver a matéria completa:

Mesmo atrasada deixo um grande abraço ao povo nordestino!

R. Retribuo seu carinhoso abraço em nome de todo o povo nordestino!

Que coisa boa saber que a cultura daqui do Nordeste foi celebrada aí nessa bela e acolhedora Curitiba, com exibição da Orquestra de Câmara da cidade.

Gratíssimo pela gentileza do seu cumprimento, caríssima leitora e conterrânea brasileira, uma fubânica sulina.

Nesta gazeta escrota congregamos brasileiros de todos os quadrantes.

E vamos fechar a postagem com um sacolejado gostoso, um forro bem nordestinado pra alegrar o nosso domingo!!!

A música Serena no Mar, com Luiz Gonzaga, Sivuca e Glorinha Gadelha