A PALAVRA DO EDITOR

MEIO DO MÊS, FINAL DA SEMANA

Sexta-feira, 15 de outubro.

Dia do Professor e Dia da Normalista (ainda existem?…)

Começa o final de semana. E estamos no meio do mês.

Hoje é dia de Chupicleide e Bosticler caírem na gandaia.

Escutei os dois acertando os ponteiros pra saírem hoje de tarde.

Eles vão encher o rabo num boteco do Buraco da Velha, um aprazível e movimentado bairro recifense, localizado na beira da praia, zona sul do Recife.

Os dois, Chupicleide e Bosticler, estão aqui com os dentes arreganhados, felizes com as doações feitas esta semana pelos leitores Maria M. Santos, Paulo Ferreira e Jonas Valverde.

Gratíssimo a todos vocês, queridos amigos fubânicos, que com suas contribuições nos ajudam a manter esta gazeta escrota nos ares e a cobrir as despesas com sua manutenção..

Uma sexta maravilhosa, um sábado cheio de alegrias e um domingo repleto de coisas boas!!!

Pra fechar a postagem e alegrar nosso dia, vou repetir uma gostosa roda de choro, atendendo pedido do leitor piracicabano Joel Santanna.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

ÀS ARMAS, CIDADÃOS !

Comentário sobre a postagem PÁTRIA ARMADA BRASIL !

Osnaldo:

Esses mesmos lacradores que enaltecem tanto a França e o seu hino, deveriam entender pelo menos um pouco de francês.

Está lá no hino:

Aux armes citoyens!
Formez vos bataillons!
Marchons, marchons

Às armas, cidadãos!
Formai seus batalhões!
Marchemos, marchemos

Aliás praticamente todos os hinos que conheço são de guerra.

* * *

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

VIVA CARLOS MORAES

Fez 81 anos, ontem, Carlos Roberto Moraes. E, também ontem, lançou um grande livro, O Coração tem Razões (edição FacForm). Lembro Oscar Wilde (A Importância de ser Prudente), “a memória é um diário que todos carregamos conosco”. E começo por dizer que Moraes andou já pelo mundo todo, para falar em Congressos Médicos ou para operar: África (África do Sul, Cabo Verde), América Latina (quase toda), Ásia (China, Filipinas, Índia, Israel, Japão, Malásia, Singapura, Tailândia), Estados Unidos, Oceania, Europa ‒ com destaque para Alemanha, França, Inglaterra, Portugal. Lugares em que recebeu títulos sem conta. Amigo de Abert Pacífico, Christopher Lincold, DeBakey, Cooley, Dom Wukashi, John Kirklin, Lionel Bargeron, Pantpis Sakornpant, Thomas Burford e outros grandes nomes da cirurgia cardíaca mundial. Caberia falar, também, de técnicas revolucionárias que implantou. Como a endomiocardiofibrose. Mas isso fica para os jornais médicos.

Aqui, prefiro fazer outra louvação. E começo dizendo que Moraes é amigo certo de amigos incertos. Amigo incomum de amigos comuns. Homem rico, na Bolsa dos Valores. Invejado, por não ter inveja de ninguém. De corpo sarado, das (poucas) doenças que teve. Homem reto, apesar das hernias e das curvas na coluna. Dedicado a dores e todas as suas rimas, inclusive andores, ardores, credores, pecadores, amores, desamores. E, mais que ditas dores, dedicado ao coração e outras rimas como emoção, doação, dedicação, perfeição, perdão. E, também, a mão. Diferentemente da de Augusto dos Anjos (Versos Íntimos), a sua nem afaga, nem apedreja, apenas opera. E o grão. Como o desse “tempo de plantar e tempo de arrancar a planta”, segundo os Eclesiastes (Ecl. 3,2). E é o que está fazendo, agora, nessa colheita. Ao receber, de todos, expressivas homenagens.

Fernando Pessoa, em Mensagem (Ulisses), dizia que “O Mito é o nada que é tudo”. No caso de Moraes, não é bem assim. Melhor dizer que ele é mito por ser tudo que é. E lembro, também, outro Moraes. Filósofo. Que encerrou seu programa (Supremum Organorum), na Televisão Universitária, dizendo que “O Brasil precisa de Pessoa de Moraes”. A ele respondi, então, que o Brasil precisava mesmo era de Pessoas de moral. Mas reformulo, hoje. Para dizer que o que o Brasil precisa, verdadeiramente, é de mais pessoas como Carlos Roberto Moraes.

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO X

DEU NO JORNAL

UMA SALUTAR TROCA DE TABEFES

Para o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, a acusação de Ciro Gomes de que “Lula participou da conspiração” contra Dilma, mostra que Ciro é “uma ferramenta dos golpistas que elegeram Bolsonaro”.

* * *

A cachorrada entre esses canalhas está ótima.

Faz um bem danado pra banda decente do país.

Tomara que demore bastante e que eles continuem a nos proporcionar alegria.

Que troquem muitos, muitos tabefes entre eles!!!

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A MENTIRA

A mentira, em algumas pessoas, pode ser uma doença crônica. Há quem minta pelo simples prazer de mentir, ou por leviandade, o que, no meu entender, significa deficiência de caráter.

Entretanto, há mentiras necessárias, quando a finalidade é poupar ou amenizar o sofrimento de alguém que se encontra em estado precário ou terminal de saúde. Nesses casos, a mentira se torna um mal necessário. Pode ser considerada um “pecado venial.”

Pois bem. Nicanor acabava de fechar os olhos da esposa Minervina, que há dias se encontrava no leito de morte, com uma doença terminal. Nos seus últimos momentos, a moribunda ouviu dos lábios do marido, a notícia mais feliz, que poderia ouvir naquela hora: A total regeneração do seu neto Edu, viciado em tóxico, que havia abandonado, há mais de um ano, a casa dos pais.

O homem lançou mão de uma mentira, pensando em amenizar os últimos momentos de vida da sua mulher, uma verdadeira santa, cheia de virtudes e sofrimento.

Muito abalado pela emoção da partida da esposa, Nicanor desabafou com o motorista do táxi, no qual se dirigia à funerária, para providenciar o velório e sepultamento..

Contou ao motorista a mentira de que lançara mão há alguns minutos, para suavizar a morte da sua mulher, cujo maior desejo era ver o neto livre das drogas:

– Tenho certeza de que Deus me perdoou. Sussurrei ao ouvido dela que o nosso neto tinha se curado do vício e já estava em casa. Ela abriu os olhos, deu um leve sorriso, e deixou escorrer uma lágrima, antes do último suspiro.

Percebendo a perplexidade do motorista, Nicanor continuou:

– Conheci um piedoso monge, cuja vida se resumia em rezar e cultivar o jardim do Mosteiro onde morava. Era um jardineiro de almas e flores. Passava as manhãs de joelhos, no silêncio do Mosteiro, aos pés do Cristo Crucificado, e as tardes no pequeno jardim da ordem, curvado diante das roseiras que ele próprio plantava e regava.

O monge perseguia uma ideia fixa, de ver desabrochar no seu jardim a rosa azul do Oriente, de que tivera notícia, uma noite, ao ler os poemas latinos dos velhos monges medievais.

Para isso, casava as sementes, juntava os brotos, fundia os enxertos, combinando as terras com que os cobria, e as águas com que os regava. Esperava, ansioso, o aparecimento, no topo da haste, do sonhado botão azul.

Ao fim de setenta anos de experiências e sonhos, em que se misturavam, na sua imaginação, as chagas vermelhas de Cristo e as manchas celestes da sua rosa encantada, surgiu, afinal, no coroamento de um galho de roseira, um botão azul como o céu.

Centenário e curvado, o velho monge não suportou a emoção. Adoeceu e foi levado ao seu quarto. Ajoelhado diante do Cristo Crucificado, lhe pedia entre soluços pungentes, que, como premio à sua vida de dedicação às roseiras e às almas, não lhe cerrasse os olhos, sem que eles vissem, felizes, o desabrochar da sua rosa azul.

Ao redor do seu leito, todos choravam, emocionados.

Divulgada de boca em boca, a notícia chegou a um convento das proximidades, onde se encontrava orando uma bondosa freira. Ao ouvir a história da paixão do santo monge pela rosa azul do Oriente, a freira se compadeceu e perfumou, com essência de gerânio, uma flor de seda azul, feita por ela mesma, para ofertar ao monge, no seu leito de morte.

No dia seguinte, pela manhã, morria o monge, sorrindo entre lágrimas de alegria, pensando ter entre as mãos a sua rosa azul, com que sempre sonhara, brotada de uma das roseiras plantadas e regadas por ele.