CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Amigos e amigas:

Aconteceu um perigo terrível ontem.

Por pouco não houve uma grande catástrofe em Florianópolis.

A histórica ponte daquela cidade quase caiu com a multidão que participava do ato contra o Presidente Bolsonaro.

Vejam só que quantidade impressionante de vagabundos.

KKKKKKKKK

J.R. GUZZO

EM PLENA ALUCINAÇÃO

Os deputados federais conseguiram, depois de vencer perigos e guerras maiores do que prometia a força humana, aprovar um projeto de lei indispensável para defender um pouco mais a população brasileira de um dos seus piores inimigos: o sindicato, disfarçado por trás de outros nomes, que concentra as castas mais elevadas do funcionalismo público deste país, a começar pelo Judiciário. Após quatro anos inteiros de trabalho, a Câmara transformou em lei, para não haver mais desculpas e trapaças legais, uma barreira aos salários exorbitantes pagos aos grandes barões do sistema – um milagre, realmente, levando-se em conta a natureza dos deputados brasileiros e a sua conduta habitual. Luz, enfim, na treva de sempre? Nada feito. Desde agosto a nova lei está sendo ativamente bloqueada no Senado – e sem a aprovação dos senadores, a decisão dos deputados não começa a valer.

A sabotagem está sendo praticada na “Comissão de Justiça”, atualmente sob o comando de um dos chefes do submundo que controla o Senado, após pressão do Supremo Tribunal Federal – a força que mais briga pelos interesses materiais do Judiciário. É a história de sempre: se por acaso os políticos aprovam alguma lei que vai beneficiar a maioria das pessoas, os proprietários da máquina estatal dão um jeito de usar esses mesmos políticos para anular, na prática, a lei que aprovaram. Segundo informa reportagem de O Estado de S. Paulo, do jornalista Lauriberto Pompeu, o presidente da tal comissão não nomeia, muito simplesmente, um relator para tratar do projeto no Senado – e sem relator a lei não pode andar. É uma violação grosseira da decisão que foi tomada pela Câmara. Mas e daí? O presidente do STF, Luiz Fux, não quer que a lei seja aplicada – e, se ele não quer, bem, o Senado Federal está lá para isso mesmo, cumprir ordens.

A nova lei é modesta. Estabelece, apenas, algumas regras mínimas de decência, justiça e igualdade para os salários, vantagens e privilégios que a população paga aos peixes gordos do funcionalismo público – e os peixes mais gordos do funcionalismo são, precisamente, os magistrados e demais mandarins do Judiciário. O teto legal estabelecido para os seus salários – pouco acima de R$ 39.000 por mês – é uma piada. Como até uma criança de dez anos de idade sabe, o pessoal ali pode tirar, fácil, mais de R$ 100.000 por mês – basta aplicar os “penduricalhos” que eles mesmos criam em seu favor.

Trata-se de roubo legalizado: além do salário máximo da lei, juízes, desembargadores, ministros, procuradores etc. engordam sua remuneração com o pagamento de “auxílios”. Há, no momento, mais de 500 desses “auxílios” à disposição do alto funcionalismo público: auxílio-moradia, auxílio-livro, auxílio isso, auxílio aquilo. Existe, até mesmo, um auxílio-banda larga. Não é “o Estado” que paga nada disso, claro; o Estado não tem um tostão furado. Quem tira do bolso cada centavo gasto nessa lambança é o pagador de impostos, só ele.

Tudo isso, normalmente, seria apenas o prosseguimento da extorsão em câmara lenta que o cidadão sofre há anos como resultado da agressiva privatização do Estado brasileiro por parte de interesses privados – os do alto funcionalismo, para começar. Mas os donos do aparelho público, neste episódio, resolveram dobrar a aposta.

Basta pensar, durante 30 segundos, no que disse o ministro Fux a respeito do caso. Num manifesto realmente prodigioso, ele foi capaz de afirmar que os salários do Judiciário só podem ser estabelecidos pela Lei Orgânica da Magistratura – ou seja, magistrados e semelhantes não estão sujeitos a leis como a que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Estamos, aí, em plena alucinação.

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MAIS UMA DA JORNALISTEIRA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MORRIA O SOL NO OCASO – Otacilio Ferreira de Azevedo

Morria o sol no ocaso e o olhar de minha amada
qual rubro sol distante, a rutilar, morria…
Gemia o seu soluço errando pela estrada
e errando pela estrada eu, mísero, gemia!

Perdia o sol tombando, a clara luz doirada
e o vulto dela, ao longe, aos poucos, se perdia.
Fugia o meu olhar no curso da jornada
e o seu magoado olhar tristíssimo fugia…

O sol tombou no poente em nuvens de oiro e arminha,
e Cleonice, chorando, à curva do meu caminho,
entre as sombras da noite, exânime tombou…

Entanto, o mesmo sol que desmaiara outrora,
vem todas as manhãs ao despontar da aurora,
só ela, nunca mais, oh! nunca mais voltou!

Otacilio Ferreira de Azevedo, Redenção-CE (1892-1978)

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GUSTAVO GAYER

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FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

SIMANCOLIDADE

Certa feita, o escritor Cláudio Aguiar, um dos nossos patrimônios intelectivos, escreveu que “o escritor é, por natureza, um insatisfeito, um profissional do descontentamento, um perturbador de consciências”. E é como profissional do descontentamento que me encontro nauseado com os últimos acontecimentos políticos brasileiros, tamanhas as bandalheiras denunciadas, utilizando-se dos cofres públicos com cinismo, com a certeza plena de que as grades só foram instituídas para os coitadinhos de sempre, pobres e negros.

Percebe-se hoje, sem muito esforço, que a sociedade civil, em sua grande maioria, cambaleia entre uma visão comodista e uma politização impotente, como se as aberrações e as impunidades integrassem com naturalidade o caldo comportamental da nossa gente.

Um trecho de 1935 parece destinado aos nossos dias, quando oportunistas trocam de partido como de cueca, a coisa pública ficando subjugada a interesses moleques: “Nada de menos rígido, de menos sólido, de menos estável, do que o momento social em que vivemos. E daí o grande triunfo do oportunismo, o medo que os homens têm de tomar atitude, de optar por uma solução, de submeter-se a princípios, que o mundo de amanhã poderá deitar por terra.” Um profeta? Não, apenas Alceu Amoroso Lima, um intelectual de muita credibilidade.

Recentes fatos hilários explicitaram a incapacidade dos que não se perceberam ainda como gestores públicos. Sequer desconfiando dos aplausos dos baba-eggs, pouco se lixando para a lição de Plutarco: “Não preciso de quem faça sim quando eu concorde e faça não quando eu discorde. Minha sombra faz isso muito melhor”.

Torço ardentemente pelo sucesso dos prefeitos brasileiros, pois acredito que, no frigir dos ovos, a grande beneficiada será a nossa gente mais sofrida, que anseia por dias menos desumanos e mais participativos. Mas a cidadania consciente não se deve omitir diante das bobajadas cometidas, quer por democratices desapontadoras, quer por asneiras de quem nunca comeu mel, ignorando a sabedoria iídiche: “Para o verme num rabanete , o mundo inteiro é um rabanete”.

Em recente publicação, Tipologia Comportamental do Chinfrinzé Brasileiro, os analistas Bill Kapp Barib e Reynald O. Liveira definiram um chinfrinzé como “um animal quase racional, extremamente similar fisicamente ao homo sapiens, que se comporta em áreas civilizadas com uma mente mixada, coexistindo nela hábitos aparentemente modernos e uma nulificada postura comportamental”. Felizmente, um genérico eficaz já se faz presente nas drogarias. Trata-se do Simancol. Uma drágea, manhã cedo e antes do desjejum, atenua os efeitos perversos da bactéria ríctus bundanus.

Preocupa-me a alienação cívica que anestesia incautos e desconectados, valorizando os esmolismos, os dolorismos, os vitimismos, os fundamentalismos e os outros ismos que conquistam cada vez mais fanáticos, olvidada a advertência do Filho de Deus: ”Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido” (Lc,12,1-2).

Juntemos as migalhas de esperança, todos, sem distinção alguma, desarmadamente. Observando os caminhos percorridos e os que já não mais satisfazem. E verificando quais as forças que nos restam, mormente as que fundeiam a dignidade nacional, para prosseguir numa pós pandemia sem mais humilhação de espécie alguma.

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MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

INSENSATEZ

Um dos problemas do governo tem sido a alta de preços. A inflação beira os 8% ao ano e como estamos no início do quarto trimestre, pode ser que esta taxa seja maior, atingido algo acima de 10%. No “atacado” pode até ser digerido, mas no “varejo” os aumentos individuais dos produtos pensam bastante e dentre eles está o combustível. Tem sido complicado pagar mais de R$ 6,00 por um litro de gasolina, pagar R$ 4,89 por um litro de óleo diesel e R$ 5,19 por um litro de álcool. O interessante é que álcool não tem nenhuma relação com gasolina e por isso não se concebe essa prática por parte da Petrobras.

Recentemente, o governo autorizou a venda de etanol diretamente das usinas para os postos, fato que se ocorresse um litro seria vendido por algo da ordem de R$ 2,00 e considerando lucro e impostos, o preço para o consumidor deveria ficar entre R$ 2,50 e R$ 3,00. Embora exista um decreto autorizando, nenhum posto fez qualquer compra direta. Eu resolvi perguntar nos postos que abasteço e nas estradas por onde ando e o curioso é que recebi a mesma resposta: “O posto tem um contrato com a Petrobras”. Vejam bem: postos diferentes em lugares diferentes, inclusive em rodovias, ter a mesma resposta? Ah!, meu caro, não tenta me fazer de burro não, que eu não suporto!

Por trás dessa sutil resposta deve ter uma forte presença do sindicato, por exemplo, ou de interesses maiores, interesses daquele time do “quanto pior melhor”. Enquanto o preço do combustível perambular na casa dos R$ 6,00 haverá críticas contundentes contra o governo, embora todas essas pessoas que criticam o preço do combustível nesse patamar, simplesmente se calam diante não vigência do decreto de compra direta do álcool das usinas. Para o posto, parece conveniente. Importa se o preço for R$ 5,19 porque a margem de lucro é calculada sobre um valor maior, então, a manutenção dos lucros justifica, tranquilamente fazer vistas grossas.

Em adição vem a questão dos impostos. O ICMS sobre combustível varia entre 25% e 34%. Aqui em Pernambuco é 29%. Pegue um posto que vende, por exemplo, 80 mil litros por mês. A receita desse posto seria R$ 80.000 litros/mês x 5,19/litros= R$ 415.200,00/mês e R$ 120.408,00 representa ICMS. Pegue esse valor é multiplique pelo número de posto em Pernambuco e aí você terá ideia do que estou falando sobre ICMS.

Para se ter uma ideia da dimensão da dimensão de tudo isso, Pernambuco vendeu em 2019 347.993.943 litros de álcool em 2019 (peço desculpas por não ter um dado atual, mas procurei baixar o anuário estatístico de 2020 da ANP, no entanto, não consegui. A página não está disponível. Final de semana parece que os dados públicos entram em recesso. Deveriam contratar Chupicleide que não tem choro nem vela, não sabe o que é feriado, final de semana, etc.). Numa conta simples: 162 postos pesquisados em Pernambuco, o preço médio do etanol hidratado é R$ 5,35 (o valor máximo de R$ 5,75 foi encontrado em Araripina e Arcoverde. O mínimo, R$ 5,30 em Serra Talhada). Agora, pegue 29% de ICMS sobre R$ 5,75, ou seja, R$ 1,67. Multiplique isso pela quantidade de litros vendidos e, com dados de 2019, você vai encontrar R$ 580.279.899,95 só com a venda de etanol.

Tem uma coisa interessante com ICMS. O vendedor não paga, recolhe. Quem paga somos nós. Ontem dando aula sobre sustentabilidade econômica e financeira de uma atividade econômica, falei sobre o ICMS aqui em Pernambuco que é 17%. Então, perguntei: se um vendedor compra um produto por R$ 100,00 e vai acrescentar o ICMS, qual o preço que deveria praticar? A resposta é imediata: R$ 117,00. Acrescenta R$ 17,00 ao custo contábil. Daí, pedi que eles calculassem os 17% sobre esse preço de venda e eles encontraram R$ 19,89. Logo, se o vendedor praticasse esse preço, ao recolher o ICMS ele perderia dinheiro, (117-19,89=97,11). Daí, o preço de venda seria R$ 120,48.

Volto a dizer: o mais estranho em tudo isso é o silêncio da esquerda. Ninguém se prontifica a pensar no consumidor. Na verdade eles estão fazendo uso político disso, jogando a culpa no governo quando cada estado tem uma responsabilidade muito grande. O governador do Rio Grande do Sul reduziu o ICMS sobre combustível em 5 pontos percentuais. Foi criticado pelos demais oposicionistas. É para deixar a situação no pior quadro possível e a população que se dane.