Muitos @monicabergamo. Mais do que vc imagina. Vou citar um aqui p/ vc: o Sen. Rand Paul, tbem médico, dando uma enquadrada no Secretário de Saúde, um burocrata. Aliás veja que o nível do debate no Senado americano é bem melhor. pic.twitter.com/e3JYVwRIWh
Morria o sol no ocaso e o olhar de minha amada qual rubro sol distante, a rutilar, morria… Gemia o seu soluço errando pela estrada e errando pela estrada eu, mísero, gemia!
Perdia o sol tombando, a clara luz doirada e o vulto dela, ao longe, aos poucos, se perdia. Fugia o meu olhar no curso da jornada e o seu magoado olhar tristíssimo fugia…
O sol tombou no poente em nuvens de oiro e arminha, e Cleonice, chorando, à curva do meu caminho, entre as sombras da noite, exânime tombou…
Entanto, o mesmo sol que desmaiara outrora, vem todas as manhãs ao despontar da aurora, só ela, nunca mais, oh! nunca mais voltou!
Otacilio Ferreira de Azevedo, Redenção-CE (1892-1978)
Certa feita, o escritor Cláudio Aguiar, um dos nossos patrimônios intelectivos, escreveu que “o escritor é, por natureza, um insatisfeito, um profissional do descontentamento, um perturbador de consciências”. E é como profissional do descontentamento que me encontro nauseado com os últimos acontecimentos políticos brasileiros, tamanhas as bandalheiras denunciadas, utilizando-se dos cofres públicos com cinismo, com a certeza plena de que as grades só foram instituídas para os coitadinhos de sempre, pobres e negros.
Percebe-se hoje, sem muito esforço, que a sociedade civil, em sua grande maioria, cambaleia entre uma visão comodista e uma politização impotente, como se as aberrações e as impunidades integrassem com naturalidade o caldo comportamental da nossa gente.
Um trecho de 1935 parece destinado aos nossos dias, quando oportunistas trocam de partido como de cueca, a coisa pública ficando subjugada a interesses moleques: “Nada de menos rígido, de menos sólido, de menos estável, do que o momento social em que vivemos. E daí o grande triunfo do oportunismo, o medo que os homens têm de tomar atitude, de optar por uma solução, de submeter-se a princípios, que o mundo de amanhã poderá deitar por terra.” Um profeta? Não, apenas Alceu Amoroso Lima, um intelectual de muita credibilidade.
Recentes fatos hilários explicitaram a incapacidade dos que não se perceberam ainda como gestores públicos. Sequer desconfiando dos aplausos dos baba-eggs, pouco se lixando para a lição de Plutarco: “Não preciso de quem faça sim quando eu concorde e faça não quando eu discorde. Minha sombra faz isso muito melhor”.
Torço ardentemente pelo sucesso dos prefeitos brasileiros, pois acredito que, no frigir dos ovos, a grande beneficiada será a nossa gente mais sofrida, que anseia por dias menos desumanos e mais participativos. Mas a cidadania consciente não se deve omitir diante das bobajadas cometidas, quer por democratices desapontadoras, quer por asneiras de quem nunca comeu mel, ignorando a sabedoria iídiche: “Para o verme num rabanete , o mundo inteiro é um rabanete”.
Em recente publicação, Tipologia Comportamental do Chinfrinzé Brasileiro, os analistas Bill Kapp Barib e Reynald O. Liveira definiram um chinfrinzé como “um animal quase racional, extremamente similar fisicamente ao homo sapiens, que se comporta em áreas civilizadas com uma mente mixada, coexistindo nela hábitos aparentemente modernos e uma nulificada postura comportamental”. Felizmente, um genérico eficaz já se faz presente nas drogarias. Trata-se do Simancol. Uma drágea, manhã cedo e antes do desjejum, atenua os efeitos perversos da bactéria ríctus bundanus.
Preocupa-me a alienação cívica que anestesia incautos e desconectados, valorizando os esmolismos, os dolorismos, os vitimismos, os fundamentalismos e os outros ismos que conquistam cada vez mais fanáticos, olvidada a advertência do Filho de Deus: ”Tomem cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido” (Lc,12,1-2).
Juntemos as migalhas de esperança, todos, sem distinção alguma, desarmadamente. Observando os caminhos percorridos e os que já não mais satisfazem. E verificando quais as forças que nos restam, mormente as que fundeiam a dignidade nacional, para prosseguir numa pós pandemia sem mais humilhação de espécie alguma.
Um dos problemas do governo tem sido a alta de preços. A inflação beira os 8% ao ano e como estamos no início do quarto trimestre, pode ser que esta taxa seja maior, atingido algo acima de 10%. No “atacado” pode até ser digerido, mas no “varejo” os aumentos individuais dos produtos pensam bastante e dentre eles está o combustível. Tem sido complicado pagar mais de R$ 6,00 por um litro de gasolina, pagar R$ 4,89 por um litro de óleo diesel e R$ 5,19 por um litro de álcool. O interessante é que álcool não tem nenhuma relação com gasolina e por isso não se concebe essa prática por parte da Petrobras.
Recentemente, o governo autorizou a venda de etanol diretamente das usinas para os postos, fato que se ocorresse um litro seria vendido por algo da ordem de R$ 2,00 e considerando lucro e impostos, o preço para o consumidor deveria ficar entre R$ 2,50 e R$ 3,00. Embora exista um decreto autorizando, nenhum posto fez qualquer compra direta. Eu resolvi perguntar nos postos que abasteço e nas estradas por onde ando e o curioso é que recebi a mesma resposta: “O posto tem um contrato com a Petrobras”. Vejam bem: postos diferentes em lugares diferentes, inclusive em rodovias, ter a mesma resposta? Ah!, meu caro, não tenta me fazer de burro não, que eu não suporto!
Por trás dessa sutil resposta deve ter uma forte presença do sindicato, por exemplo, ou de interesses maiores, interesses daquele time do “quanto pior melhor”. Enquanto o preço do combustível perambular na casa dos R$ 6,00 haverá críticas contundentes contra o governo, embora todas essas pessoas que criticam o preço do combustível nesse patamar, simplesmente se calam diante não vigência do decreto de compra direta do álcool das usinas. Para o posto, parece conveniente. Importa se o preço for R$ 5,19 porque a margem de lucro é calculada sobre um valor maior, então, a manutenção dos lucros justifica, tranquilamente fazer vistas grossas.
Em adição vem a questão dos impostos. O ICMS sobre combustível varia entre 25% e 34%. Aqui em Pernambuco é 29%. Pegue um posto que vende, por exemplo, 80 mil litros por mês. A receita desse posto seria R$ 80.000 litros/mês x 5,19/litros= R$ 415.200,00/mês e R$ 120.408,00 representa ICMS. Pegue esse valor é multiplique pelo número de posto em Pernambuco e aí você terá ideia do que estou falando sobre ICMS.
Para se ter uma ideia da dimensão da dimensão de tudo isso, Pernambuco vendeu em 2019 347.993.943 litros de álcool em 2019 (peço desculpas por não ter um dado atual, mas procurei baixar o anuário estatístico de 2020 da ANP, no entanto, não consegui. A página não está disponível. Final de semana parece que os dados públicos entram em recesso. Deveriam contratar Chupicleide que não tem choro nem vela, não sabe o que é feriado, final de semana, etc.). Numa conta simples: 162 postos pesquisados em Pernambuco, o preço médio do etanol hidratado é R$ 5,35 (o valor máximo de R$ 5,75 foi encontrado em Araripina e Arcoverde. O mínimo, R$ 5,30 em Serra Talhada). Agora, pegue 29% de ICMS sobre R$ 5,75, ou seja, R$ 1,67. Multiplique isso pela quantidade de litros vendidos e, com dados de 2019, você vai encontrar R$ 580.279.899,95 só com a venda de etanol.
Tem uma coisa interessante com ICMS. O vendedor não paga, recolhe. Quem paga somos nós. Ontem dando aula sobre sustentabilidade econômica e financeira de uma atividade econômica, falei sobre o ICMS aqui em Pernambuco que é 17%. Então, perguntei: se um vendedor compra um produto por R$ 100,00 e vai acrescentar o ICMS, qual o preço que deveria praticar? A resposta é imediata: R$ 117,00. Acrescenta R$ 17,00 ao custo contábil. Daí, pedi que eles calculassem os 17% sobre esse preço de venda e eles encontraram R$ 19,89. Logo, se o vendedor praticasse esse preço, ao recolher o ICMS ele perderia dinheiro, (117-19,89=97,11). Daí, o preço de venda seria R$ 120,48.
Volto a dizer: o mais estranho em tudo isso é o silêncio da esquerda. Ninguém se prontifica a pensar no consumidor. Na verdade eles estão fazendo uso político disso, jogando a culpa no governo quando cada estado tem uma responsabilidade muito grande. O governador do Rio Grande do Sul reduziu o ICMS sobre combustível em 5 pontos percentuais. Foi criticado pelos demais oposicionistas. É para deixar a situação no pior quadro possível e a população que se dane.
“Síndrome da Inquietação Anal” é um dos efeitos colaterais da Covid-19.
O problema faz com que a pessoa sinta necessidade de se manter ativa
Alguns dos efeitos colaterais associados à covid-19 já são conhecidos, porém, o mais bizarro deles foi descoberto e publicado no periódico científico BMC Infectious Diseases.
* * *
Pois é.
A expressão é esta mesmo que vocês leram: “Sindrome da Inquietação Anal”.
Desconfio que isto seja uma mórbida coceira que mantém o sujeito esperto e sempre se mexendo.
Quem quiser ler a matéria completa, basta clicar aqui .
Flagrante de uma jovem se mantendo ativa coçando o furico
Vovó, mãe da minha mãe, era uma negra de descendência indígena que nasceu em Pacajus, interior do Ceará, onde, por muitos anos viveram os índios paiacus. Pele negra, que ficou mais negra ainda pela constante e obrigatória convivência sob o sol e o calor abrasador – sem que uma coisa implique a outra.
Vovó era filha de Nanahme – quinta geração dos índios paiacus – e teve duas filhas por conta do convívio com os negros vindos da África. Assim, em nada nos diminui ou ofende o termo “afrodescendente”. Realmente o somos. Somos legítimos descendentes de negros africanos e de índios.
A necessidade de “sair de baixo da saia rodada da mãe” fez com que Vovó procurasse um rumo na vida. Aprendeu a fazer tudo que era necessário para viver onde vivia. Cozinhava, lavava roupa, matava galinhas, fazia fogueiras, torrava café, fazia farinhada, tangia animais, criava galinhas e tinha extrema habilidade com a foice, o machado ou com a vassoura. Aparou netos e bisnetos. Era uma parteira leiga – daquelas do lençol grosso e encardido mas sempre limpo.
O marido só vivia para ela e para o trabalho. Os dois fumavam no mesmo cachimbo. Era minha Avó quem cuidava das tarefas “domésticas” – enquanto a parte que exigia mais esforço físico ficava com o Avô.
Foi a Avó quem construiu no final da casa, e onde ficava a cozinha, um girau onde lavava as panelas de alumínio, as panelas de barro, os alguidás e os pratos, também de barro. Ali, debaixo do girau, quando caía algum resto de comida dos pratos que estavam sendo lavados, os pintos comiam. Caroços de feijão cozidos, sementes de melancia, de maxixe, de tomate, de quiabo – ao serem molhados pela água que caía da lavagem dos pratos e panelas, nasciam. Antes de frutificar, floresciam.
Do que florava, quando as galinhas não comiam, alguns pássaros se regozijavam. Faziam a festa, num ambiente totalmente doméstico. Entre esses pássaros, começou a aparecer um beija-flor.
Vovó, nesse tempo, não tinha idade tão avançada. Assim, pensar que ela estava caducando ao ouvi-la “conversar” com o beija-flor, nunca nos pareceu justo. Mas ela conversava, sim. E até insinuava que o beija-flor respondia:
– Quer mais um pôquim d´água bixim?! Quer meu fii?
E entendia que respondia e atendia ao pedido da minúscula ave. Aquele beija-flor, sem documento cartorial, sem qualquer papel, passou a ser “filho” da Vovó e, portanto, meu tio. Exigente, matriarcal e dominadora por excelência, minha Avó até fazia questão que os netos – sem exceção – pedissem a bênção diária ao “tio” voador. E não ganharia o naco diário de rapadura o neto que não pedisse a bênção ao bixim.
A noite chegava e algumas horas depois, o novo dia. Louça do café para lavar, feijão para limpar retirando os gorgulhos, lavar e botar no fogo. Uma rápida passada pelo girau e Vovó não viu o beija-flor. Pegou a vassourinha e foi tentar enganar a si própria, fingindo que limpava o quintal. Nova vassourada e nova olhadela para debaixo do girau. Agora uma olhada mais demorada. Não viu o beija-flor. Olhou, olhou e procurou mais demoradamente. Não viu nada.
– Meu Deus dos céus, por onde andará o meu bixim?!
Cuidando da montaria para seguir para a labuta na roça, meu Avô, sem saber muito do que se tratava, ralhou:
– Tá falando sozinha, véia?
– Que nada hômi, é meu bixim que num tô veno!
– Véia, derna de quando, um passarim que veve avuando, soltim nas capoeiras, é teu?
– É meu sim. Eu dô água, dô de cumê, dô meus óios espiando pra ele, admirano, banhano, entãosse é meu, sim! É mais um fii que crio!
O Avô amuntousse no animal e foi trabaiá. A Vovó continuou resmungando e, quando o sol começou a esquentar, de foice na mão foi pegar uma caminhada de lenha prumode fazê o dicumê. Tinha muita lenha na latada, que o Avô nunca deixava faltar. O que a Avó queria mesmo, era um motivo para sair para procurar o beija-flor.
Saiu, procurou e nada encontrou. Almoçou com o Avô, deitou rapidinho para uma madorna, mas o barulho dos chocalhos nas cabras e bodes no chiqueiro acabou acordando a Avó. Pegou a foice de novo e foi apanhar mais lenha – mas ela mesma assumira que era apenas um pretexto para procurar o beija-flor.
Entre entristecida e ansiosa, Vovó pisava em tocos, gravetos, touceiras de ortiga e em quem mais aparecesse pelo caminho. O barulho da corrida de um teiú sobre as folhas secas assustou Vovó, como se estivesse num pesadelo. Aquilo lhe chamou a atenção, e ela voltou a observar os galhos com mais interesse. Via besouros mangangás, calangos das costas verdes, chapéus de marimbondos e até cobras verdes. Mas não conseguia ver o que procurava: o “seu” beija-flor.
Por não ser primavera, não havia flores. Esperava encontrar o “seu” beija-flor pousado num galho qualquer, voando, rodopiando e fazendo aqueles voos tão rápidos que só os experientes conseguem vê-los.
O ninho e os ovos do beija-flor da Vovó
Assim, como que uma ação divina, o vento soprou mais forte. Galhos balançaram, folhas se afastaram e Vovó teve a atenção chamada por um ninho minúsculo. Num galho muito fino (que dificultava o acesso de cobras), lá estava um ninho que Vovó conhecia. Um ninho de beija-flor.
Usando a foice, Vovó procurou um galho ainda maior e o cortou, deixando nele um gancho. Teve a feliz ideia de abaixar o galho para conferir se era realmente o ninho do “seu” beija-flor.
Difícil saber, mas para ela, era o ninho do “seu” beija-flor e aquela era a única justificativa possível para o desaparecimento momentâneo dele da floração dos tomateiros nascidos debaixo do girau. Alegre, e mansamente foi soltando o galho puxado com o gancho, até ter certeza de que o “seu” beija-flor não perceberia que alguém se aproximara da sua futura cria.
Chegando à casa de volta, Vovó jogou caroços de milho no quintal e acabou pegando uma das maiores galinhas do terreiro. Colocou vinagre numa tigela, aparou sangue e mergulhou a galinha abatida na água quente para a devida limpeza. Preparou uma galinha à cabidela para comer com o véio, que não demorou chegar e foi logo se abancando na mesa posta também na cozinha.
– O que tem prumode cumê, véia?
Um sorriso largo, escondendo as lágrimas derramadas na tristeza com o repentino desaparecimento do “seu” beija-flor, chamou a atenção do Avô.
Galinha à cabidela da roça
– Galinha? Galinha à cabidela? Hoje é niversário de quem, muié?
– Véio, num é niversário de ninguém. É que tô avuando de alegria cuma um beija-flor, apois encontrei o meu bixim. O danisco vai sê papai e eu vô sê Avó de novo e tu, meu véio, vai ser Vovô de novo!
– Amém véia! Eu já tavo atarantadim catua tristeza, teu chôro dento de casa, se entristeceno pelos cantos, sem nem querê dá uma cachimbada cum teu véio!
– Véio, ante de cumê vamo rezá. A gente tá precisano de agradecê a Deus pela graça alcançada!
– A graça de tê comida na nossa mesa, né véia?!
– Não véio, por causa de que eu encontrei o meu bixim. Tomara que os meus netim nasça tudo direitim, cagraça de Deus!