DEU NO X

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Papa Berto,

Impressionante!

O Cacá Lopes é um poeta e compositor inspirado e trouxe aqui um trecho de um Trava-Língua que eu “dô duvida” que alguém acerte dizer de primeira!

Além disso, ele tocou violão apenas com 3 Dedos!

Um fenômeno!

Veja no vídeo ao final.

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui.

Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima.

COMENTÁRIO DO LEITOR

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

B. RUSSEL – BRASÍLIA-DF

Acabo de depositar minha contribuição para esta Gazeta.

Gazeta que é um hino ao que seria o jornalismo.

Não essa coisa catingueira que se vê hoje.

R. Êita peste!!!

Fiquei foi muito ancho com essa sua apreciação sobre nossa gazeta escrota, meu caro leitor.

Ganhei o dia!

Gratíssimo pela generosidade de sua apreciação.

E também muito grato pela sua doação, que já está na conta do JBF.

Aproveito a oportunidade para também agradecer as doações do colunista Severino Souto e dos leitores Hélio Fontes e E.S.W.

Vocês são a força que sustenta este jornaleco nos ares!!!

Chupicleide e Polodoro estão aqui com os dentes arreganhados, relinchando de alegria e com o coração cheio de agradecimentos a todos vocês!!!

Abraços e um excelente final de seman.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

PROEMINÊNCIAS JURÍDICAS

Quando ainda Contínio Inicial do Banco do Brasil, em meados da década de 1950, fui certa feita levar um documento à Inspetoria da Agência Centro, e lá me deparei com cidadão de cara fechada, charutão pendurado nos lábios, face bem avermelhada; um gauchão daqueles da fronteira…. Gente de pouca conversa.

Trabalhava geralmente no expediente da manhã e sozinho, embora tivesse outros dois birôs em sua pequena sala, no 4º andar do Edf. São Paulo, alugado pelo Banco, em frente à Praça Ascenso Ferreira, no bairro do Recife, enquanto era construído o atual Edf. Capiba.

No expediente da tarde, era dono da outra mesa – uma daquelas que se abria por cima, e da tampa saia u’a máquina de escrever, aparafusada – onde tomava acento todas as tardes para lhe prestar assistência jurídica, uma Secretária e outra onde trabalhava Dr. Sátiro Ivo da Silva Jr.

Dr. Ivo era um tipo incomum. Gordo, baixo, cútis avermelhada que só um camarão, advogado, jornalista, professor de Direito, diplomado em Filosofia e com várias premiações como escritor.

Tive a felicidade de publicar uma crônica sobre ele. O fato é que, mesmo dotado de muitos méritos, só que não aprendera a arte de datilografar e escrevia tudo à mão. Sua assinatura chamava a atenção pelos traços bem alinhados. Era mais conhecido como “Dr. Ivo”.

O gaúchão chefe do setor era o Inspetor Rôxo, de quem eu, num certo dia, deveria trazer um documento contendo a imagem de um carimbo, assinatura e data, num daqueles papéis amarelinhos finíssimos, o chamado papel-manteiga”, tipo “par avion”, que usávamos para cópias a carbono.

O cidadão mandou-me esperar e leu o texto, linha por linha, acompanhando-as com um lápis, até que comprimiu o carimbo na almofada de tinta, carimbou a cópia do documento, assinou e datou.

Ao colocar o papel assinado na ponta da mesa, afastando-o com certo desdém, pensei que já estivesse minha missão ali resolvida. Mas aguardei a ordem de liberação. Permaneci de pé, como se um soldado fosse.

Ele nem me olhou e retornou à busca de algum documento com o qual trabalhava atentamente antes de minha chegada. De repente olhou-me, tirou o charuto da boca e indagou:

– Falta alguma coisa pra me entregar?

– Não senhor!

– E está esperando o que?

– A liberação do senhor. Posso ir-me?

Deu uma risada e abanou a mão como quem diz: “Já vai tarde…” Mas, sem dizer coisa alguma. Foi quando pela primeira vez entendi que o homem era “virado”

Procurando saber de quem se tratava fui informado que era o sr. Arthur Augusto Rôxo Pereira, mais conhecido como “Seu Rôxo”, Contador efetivo da Agência do Banco, mas investido no cargo de Inspetor, era uma espécie de Assistente Jurídico. Nunca soube se ele era advogado por jamais ter ouvido alguma referência como “Dr. Rôxo Pereira” e sim apenas “Seu Rôxo”.

Aliás, sabia-se que ele só aceitara a função de Inspetor (uma espécie de Chefe Geral do Contencioso) desde que a Direção Geral lhe garantisse o cargo de Contador Efetivo da Agência Centro do Recife. Uma situação que para muitos era esdrúxula.

Por conta dessa incongruência Cirilo Maia Mousinho, trabalhou até a aposentadoria, assinando os documentos e carimbando embaixo de sua assinatura: “Contador Interino”. Era quase uma humilhação.

“Seu Rôxo” foi um personagem que merece notas mais amplas. Era, me parece, um matutão dos pampas, meio esporrento, mas ao mesmo tempo, brincalhão, querido e respeitado por todos. Estava em fim de carreira.

Certo dia, quando chegou ao prédio e notou que a fila do elevador estava grande, se dirigiu até o colega que estava em primeiro lugar e intimou-o a lhe ceder a vez, de forma pouco usual:

– “Tão” te procurando lá atrás, rapaz! Passa!…

O hábito se tornou engraçado e quando ele apontava no hall do elevador, a fila toda recuava, pois se aproximava o “Engole Fila”.

Meio atônito, certa feita, o “Precário” Manuel Bernardes, que acabara de chegar transferido de Caruaru, reagiu:

– “Oxente” colega!… O lugar é meu, cheguei primeiro, você que vá pro fim da fila!

Foi quando Seu Rôxo pipocou:

– Ora que “pôra” esta, rapaz. Sou o dono da fila!

E o resto da cambada caiu na gargalhada.

Seu Rôxo e sua esposa tiveram um filho que lhe deu muita satisfação: Arthur César Ferreira Pereira, que apelidamos de “Rôxinho”. Um rapaz brilhante, formou-se em Direito, foi Professor Universitário, passou no concurso do Banco e foi trabalhar na Assistência Jurídica, anos mais tarde.

Até 1981 funcionou no BB um sistema de serviços jurídicos ligados administrativamente à agência-sede sob a denominação de ASJUR – Assistência Jurídica, da qual até pouco tempo fora chefiada por Dr. Sátiro Ivo da Silva Jr.

Há personagens que ficam na História – uns por sua inteligência e capacidade de trabalho – outros por suas excentricidades.

Dr. Ivo, por exemplo, ficou como o “Imbatível” porque não sabia “bater” à máquina, palavra que significava a técnica de datilografar. O incrível é que costumava dizer que ao ser contratado pelo Banco nunca houve a exigência de ser datilógrafo. Já seu Rôxo, foi agraciado com o apelido de “Engole Fila”, porque sempre à força tomava o primeiro lugar nas filas do elevador e todos riam quando ele se aproximava da fila.

Manuel Pontual, Dirceu Rabelo, Nílton Maia de Farias e José Humberto derivaram para a literatura em paralelo aos trabalhos no Banco; Fernando Bivar recuperou o Memorial do Sport e todos estes publicaram livros.

Outros membros da ASJUR ficaram apenas na lembrança, inclusive um novato que exercia a advocacia particular e se vangloriava de seus feitos, os quais lia para a gente apreciar.

Numa de suas extravagantes defesas, onde sua cliente era certa dama de fino trato, numa causa de Família, fez constar nos autos que o cidadão da parte contrária era chegado às “falcatruas sexuais”.

Tornou-se famoso por essa “proeminência jurídica”.

A PALAVRA DO EDITOR

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

CARTA AO RONALD

Meu querido amigo, meu irmão.

Hoje é sábado, nove horas da noite, sentei-me em minha vistosa varanda, sozinho, abri a garrafa de John Walker Blue, levantei o copo em direção à lua deslumbrante iluminando o mar e a praia da Jatiúca, antes do primeiro gole fiz um brinda a você, meu querido Ronald. Nesse momento minha mão trêmula de 81 anos tenta escrever-lhe uma carta em forma de garranchos. Amanhã passo ao computador, o brinquedo preferido na senilidade. Hoje cedo uma força estranha exortou-me à sua lembrança, são muitas e consigo transformar as saudades em boas recordações. Pela manhã fui resolver um problema em Bebedouro. Deu-me uma dor no coração ao ver o bairro que você nasceu e tanto amou. Está arrasado. Parece que um furacão passou destruindo os telhados ou que alguma bomba desviada da Síria explodiu o belo e histórico bairro. Bebedouro em ruínas é de fazer chorar. Em outras eras foi o bairro mais chique da cidade; imponente, com casarões, colégios e prédios de elegante arquitetura. Foi-se uma parte da história viva de nossa cidade. Você, Ronald, foi o bebedourense mais apaixonado pelo bairro, junto ao Major Bonifácio. Ano passado em uma palestra na Festa Literária de Fernão Velho você emocionado, orgulhoso, olhos mareados contou sua infância livre e solta no amado bairro belo e nobre. No entanto uma bomba subterrânea em forma de mineração irresponsável penetrou no subsolo da região. Ganância da fábrica química Braskem em busca da Salgema fez ceder o solo, acabando com seu bairro de Bebedouro, tão rico de cultura e história que tanto envaidecia seu sentimento de pertencimento. É de fazer chorar, meu amigo, Ronald.

Antes do almoço parti para o Acarajé do Alagoinha, esperando amigos contumazes sentei-me à mesa. Ao tomar a primeira cerveja, olhando ao redor da praça, veio-me a sua imagem. Que papos maravilhosos e inteligentes junto com Carlinhos Méro, desde literatura, política, sacanagem ou nossa Academia Alagoana de Letras e assistir ao desfile de bonitas mulheres passando, que não somos de ferro. O Caiubi me trouxe acarajé, outra cervejinha e recordou o Dr. Ronald que ele queria tanto bem. Você nem imagina quantas pessoas se encontram comigo, sabendo de nossa amizade, comentam pesarosos sua ida. Dr, Ronald querido da comunidade de Maceió, fazia parte da estrutura viva da cidade. Sem falar nos seus alunos, seus pacientes que lhe idolatravam. Você será, por muitos anos, reconhecido e amado pelo tratamento humano aos enfermos de todas as classes sociais.

Sinto falta não só da presença do amigo predileto, sinto falta de seus escritos inteligentes, sua verve sutil, crônicas graciosa, elegantemente debochadas, às vezes ferinas, satíricas. Ah! Como eu me deliciava com suas crônicas. Com mais uma cerveja e acarajé veio-me detalhes de sua eleição na Academia Alagoana de Letras, campanha divertida. Eu você e a Nadja em seu apartamento telefonando para os acadêmicos pedindo votos. Foi uma linda e merecida vitória, você venceu disparado. Logo se tornou uma liderança dentro de nossa Academia. Sua cultura, sua inteligência, sua medicina estão fazendo falta às Alagoas. Será difícil um substituto à sua altura.

Aqui da varanda, em noite clara vejo alguns coqueiros balançando, como balança minha cabeça ao encarar mais outra dose desse uísque fantástico que não dá ressaca. Na verdade ainda não digeri sua partida, é difícil Ronald. Meu consolo foi ter privado de sua amizade, de sua inteligência, sua força em horas cruéis junto com Nadja. Resta pouco tempo para nos encontramos. Eu seguirei em forma de cinzas jogadas ao mar da Avenida quando chegar a hora. A inexorabilidade do tempo é a única certeza. Vânia está aqui perto, manda-lhe um abraço. Pedi, ela entrou no Youtube, o som alastrou-se com a divina música, La Vie em Rose. Parece que estou lhe vendo com um microfone cantando sua música predileta: “Quand il me prend dans ses bras.. Qu’il me parle tout bas.. Je vois la vie en rose…Il me dit des mots d’amour… Des mots de tous les jours..Et ça me fait quelque chose….”

Outro uísque, as lembranças me emocionam, faz bem deixar as lágrimas rolarem, ouvindo músicas que enlevam a alma. Minhas letras já não são mais garranchos, será tarefa difícil traduzi-las no computador. Vou ficando por aqui, me despeço recitando um poema de John Donne, meu poeta inglês preferido, que diz mais ou menos assim: “Nenhum homem é uma ilha, cada homem é uma partícula do continente, uma parte da Terra. Se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída. A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

Os sinos dobram por mim, por Nadja, filho, nora, neto, Claiton, Socorrinho, dobram por seus amigos. Até mais ver meu querido amigo. Não se esqueça! Reconheça-me. Eu chegarei em cinzas molhadas no mar da Avenida da Paz. Ainda entorno outra dose antes de dormir. Beijo.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL