MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

DIA DO NORDESTINO

Que Adão e Eva que nada! A ancestralidade do sertanejo é ZÉ QUALQUER E CHICA BOA! Um cabôco elefantado que sempre foi um matuto rezador devoto de Padim Ciço, mas nunca foi um MATUTO DOENTE DAS PARTES. O cabra é fã de COMICIO EM BECO ESTREITO e do seu DNA surgiu uma casta de gente que faz da fé UMA MERENDA CORRIQUEIRA, como se fosse o CUSCUZ DO DIA-A-DIA, e quanto mais difícil a vida mais pinta com tintas de esperanças a PAISAGEM DO INTERIOR. Não conheço um descendente desse casal que não vá ALÉM DAS PRECES, rezando, no mínimo, umas QUATRO AVE-MARIA BEM CHEIA DE GRAÇA.

Zé Qualquer, que não é um Zé qualquer, faz cada qual se sentir UM TURISTA BRASILEIRO que quando decide embarcar dizendo VOU-ME EMBORA PRO PASSADO, está, de fato, VOLTANDO PRO NORDESTE, essa nação imensa onde uma PAIXÃO PRA SANTINHA é sentimento comum nas mentes apaixonadas e foi-não-foi destrembrelha a quietude do matuto capaz inté de causar PROBLEMA CARDIÚCO.

Vejo Zé Qualquer com UM SONHADOR IMAGINANDO como esse povo sofrido, enganado por tantos políticos cafajestes, corruptos, dentre outros adjetivos, consegue manter viva a esperança e finca-se na terra como raiz adiando ao máximo a TRISTE PARTIDA. A natureza e a garra desses descendentes são COISAS PARA SE DIZER BENZÓ- DEUS!

Então, depois de muito ouvir falar no MR8 – Movimento Revolucionário 8 de outubro, vejo as inúmeras manifestações pelo Dia do Nordestino e não tem como não pensar em ZÉ QUALQUER E CHICA BOA. O MR8 nasceu para homenagear Ernesto “Che” Guevara que foi capturado na Bolívia em 08 de outubro pelas tropas comandadas pelo Capitão Gary Padro Sálmon e no dia 09 de outubro de 1967 foi fuzilado pelo Tenente Mário Téran.

Na outra ponta História, um cearense bom que só a peste, chamado Antônio Gonçalves da Silva e popularmente conhecido como Patativa do Assaré, nascido em 08 de outubro, serviu como base para homenagear o dia dos descendentes de ZÉ QUALQUER E CHICA BOA. Nada mais justo, visto que essa nação faz uma revolução por dia contra a seca, as injustiças sociais, a desigualdade de oportunidades, a miséria industrializada que torna rico os políticos da região, ao longo de duzentos anos já. A BANDEIRA NORDESTINA traz no centro nosso casal de ancestrais, olhando para o futuro. Nove estrelas orbitam em torno do olhar compenetrado. A bandeira é linda? LINDA NÃO, AQUELAS TUIA!

E essa nação, apesar dos problemas e da sacanagem politiqueira, tem uma gente de qualidade que valoriza a esperança como um recurso da fé. Que produziu inúmeros talentos em tantas artes. Que vê a ida dos filhos, mas se habituou em ver a volta tão cantada na Asa Branca, Luiz Gonzaga. Um dia, tudo muda. Um dia o nordestino vai se conscientizar de que devemos nos ocupar como átomos de um elemento puro e não como um aglomerado de íons. Vamos dar um chute na bunda dos políticos corruptos, ao som do forró, xote, baião, forroboxote de Xico Bizerra … E O POVO GRITANDO AMÉM

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Ka, qué, kikiki, momo, ka, qué ….

Tarde,

Chego a estar gaguejando de tanto nervoso e raiva.

Ontem foi o vídeo das fimineiras zisquerdóides, hoje o Roger Rocha Moreira manda a foto da Escola Municipal Padre Elígio Silvestri com o cálculo envolvendo cocaína como base da questão. O nome da professora está apagado (uma pena).

Pergunto eu (e desculpem o palavrão):

Que merda é essa?

Os pais vão ficar calados?

Cacete no diretor, na coordenadora, na professora. Se é com filho meu não sobraria pedra sobre pedra nessa escola. Cambada de imorais irresponsáveis. Vão dizer que faz parte do PCN ?

Um dia conto pra vocês o tamanho do processo que abri contra um Colégio particular (só não coloco o nome por questões óbvias) de renome e católico.

Logo quando “começaram” (anos atrás) a querer implantar orientação sexual que não passava de apelação e imoralidade para crianças de primeiro ano (um era meu filho).

Fui na escola e a coordenação me disse que era LEI. Que fazia parte desse PCN e que seria implantado em todas as escolas. O diretor nem me recebeu.

O promotor da Vara da Infância e da Juventude ficou tão estarrecido que ele mesmo abriu o processo (tinha filha de 6 anos em outro colégio particular). No mesmo dia ele mandou uma liminar mandando a escola PARAR TUDO.

A história é longa e resumindo ganhamos a causa.

Conto isso para que TODOS os pais saibam que as escolas não podem fazer com nossos filhos o que bem entendem. Existem leis que os protegem. Não permitam abusos por parte de professores.

Se alguém quiser e achar que deve falar sobre drogas ou outros assuntos que não fazem parte da carga curricular esse alguém é o pai, a mãe ou ambos.

A função das escolas é apenas ensinar 1 + 1 = 2, ABC.

EDUCAR é com os pais dentro de seus valores e crenças.

Desculpe Berto mas estou realmente “possuída” (pra não dizer outra coisa) com tantos absurdos.

Se ninguém falar ou fizer nada eles irão continuar acontecendo com o aval dos pais e da sociedade.

E tenho dito.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

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J.R. GUZZO

A ESTRATÉGIA É NEGAR O ROUBO

De todos as dificuldades que o ex-presidente Lula vai ter durante a sua campanha eleitoral de 2022 uma das mais complicadas é a corrupção. O ideal, para ele, seria que o assunto fosse esquecido. Corrupção? O que é isso? Os problemas do Brasil são bem outros, gostaria de dizer ele – e, a partir daí, soltar o verbo com aquela discurseira de sempre, onde não se compromete a nada de sério e promete tudo que há de errado, do “controle dos meios de comunicação” à venda das reservas do Brasil em dólares para distribuir ao povão.

Queira ou não queira, entretanto, a corrupção não vai sumir por um ato de vontade de Lula, do PT e do estado maior da sua campanha de 2022. Ele vai dizer o que, então? Segundo informa a jornalista Malu Mader em um artigo em O Globo, a primeira coisa que ocorreu ao partido até o momento foi montar um programa negacionista, e põe negacionista nisso, em relação às acusações de roubalheira extrema na Petrobras – ou seja, o petrolão, possivelmente o surto de ladroagem mais tresloucado de todo o período Lula-Dilma. A ideia, aí, é negar, pura e simplesmente, que houve qualquer roubo na Petrobras.

A estratégia, ao que parece, é dizer ao público que tudo não passou, digamos assim, de um grande mal-entendido, que os inimigos de Lula, maliciosamente, transformaram em denúncia. Não houve, por essa teoria, superfaturamento na Petrobras porque “as auditorias” feitas nos contratos não mostraram a prática de sobrepreço; além disso, argumenta o PT, a Petrobras é “uma empresa de capital aberto” que opera inclusive na “Bolsa de Valores de Nova York” e, pelo que se deve concluir deste fato, os contratos que a sua diretoria fez não poderiam estar incorretos. Empresa de capital aberto não rouba, não é mesmo? Parlamentares petistas deverão fazer um curso intensivo de três horas para entender o plano de defesa e rebater as acusações de corrupção que forem feitas durante a campanha. A gerente operacional do projeto é a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann – ou “presidente”, de novo, para respeitar-se a “linguagem neutra” hoje em promoção na esquerda e na Rede Globo.

Lula deve saber o que está fazendo; ninguém vai querer ensinar política a um personagem descrito pelos analistas, e por ele próprio, como maior gênio político que este país já viu. Mas, vista de hoje, a ideia toda, do começo ao fim, parece muito ruim. Em primeiro lugar, porque faz uma grosseira trapaça de palavras ao dizer que não houve “superfaturamento”. Pode não ter sido utilizada exatamente esta palavra, “superfaturamento”, durante o processo, mas houve roubo, sim – e é só isso o que interessa. A própria Petrobras, e com Dilma na presidência da República, estimou em seu balanço de 2014 que foram de 2,5 bilhões de dólares – sim, de dólares – as perdas da empresa com “valores que a Petrobras pagou adicionalmente” por ativos envolvidos na roubalhança lulo-dilmista. É o quê, isso? Roubo.

O projeto estratégico a ser executado pela deputada, além do mais, tem uma dificuldade mortal: uma penca de altos executivos da Petrobras confessou os crimes de corrupção passiva que cometeu durante o regime de Lula e Dilma. Muito pior que isso: devolveram o dinheiro roubado, ou parte dele. A pergunta é a mais simples do mundo: se não roubaram, por que devolveram? Para fazer uma doação pessoal ao “Estado” brasileiro? A Petrobras recebeu de volta, até hoje, 6 bilhões de reais. Não se sabe como o cursinho da deputada vai orientar os militantes e parlamentares petistas a responderem à pergunta acima.

Não seria melhor o PT se fazer de morto quanto à toda essa história de corrupção e não tocar, simplesmente, no assunto? É claro que os inimigos vão deitar e rolar, mas o que se vai fazer? O que se roubou está roubado; não dá para “desroubar”. Talvez desse mais lucro ficar falando em genocídio, miséria no Nordeste e perseguição aos quilombolas, ou qualquer outra coisa saída do saco de assuntos da esquerda. Mas é Lula quem sabe da sua vida.

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CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

BARRY LYNDON (1975) – UM ÉPICO POUCO LEMBRADO DO MESTRE KUBRICK

Barry Lyndon: cena de batalha externa filmada na Irlanda

BARRY LYNDON é uma das obras-primas do gênio da diversificação, Stanley Kubrick, pouco lembrada, mas memorável, com todo o apuro técnico kubrickiano elevado ao infinito. Uma história dramática e pungente contada com a estética e os planos mais aprimorados que o cinema já conheceu.

Aqui temos talvez o mais belo filme de batalha de todos os tempos, com uma fotografia e uma direção de arte única, levando o telespectador à sensação de estar dentro de tudo aquilo que ocorre num roteiro maravilhoso, de uma história contada em mais de três horas que não cansa, ainda temos um elenco espetacular, com ótimas performances.

Barry Lyndon é a história de um ambicioso irlandês sem futuro, ou a esperança de que ele pretenda alcançar uma alta posição social, tornando-se parte da nobreza inglesa do século XVIII. Para Lyndon (Ryan O ‘Neal), as respostas sobre como alcançar o poder e suas ambições são simples: de qualquer maneira possível. Sua ascensão à riqueza em uma suntuosa revisão realizada por Stanley Kubrick baseado no romance de William Makepeace (1811-1863), As Memórias de Barry Lyndon.

Para a criação desta inteligente sátira, ganhadora de quatro prêmios da Academia em 1975, Kubrick encontrou inspiração nas obras dos pintores da época, colocando em exposição o excelente ambiente cinematográfico que em todos os aspectos alicerçam o filme. Os aspectos técnicos, objetivos, pioneiros de utilização das câmeras foram desenvolvidos e utilizados para fotografar ao ar livre e nos interiores, obtendo um efeito de luz natural. Barry Lyndon permanece como um filme de vanguarda que recupera um período da história como nunca visto na tela grande. Uma obra-prima de um realizador cujos filmes são todos magníficos.

Mas o grande triunfo de Barry Lyndon vai além de sua inebriante história de ascensão e queda. Filmado quase que inteiramente em locação na Irlanda – tanto exteriores quanto interiores – a película é uma viagem fantástica, que realmente faz o espectador mergulhar na ambientação do século XVIII como nenhum outro filme havia feito ou viria a fazer.

Genialmente Stanley Kubrick determinou, para desespero de seu diretor de fotografia John Alcott (que trabalhara com ele em Laranja Mecânica e 2001- Uma Odisseia no Espaço), que, sempre que humanamente possível, a iluminação fosse 100% natural. Assim, na grande maioria das tomadas, a iluminação ou é gerada pelo sol ou por velas. Nas tomadas exteriores, durante o dia, o resultado é belíssimo, de uma naturalidade que é difícil de ver em épicos. As cores saltam aos olhos e as tomadas em plano geral são de uma perfeição técnica e simetria sem par.

Reparem na composição das sequências, com a obsessão de Stanley Kubrick por paralelismos. Normalmente, o lado esquerdo da tela emula o direito e vice-versa, mas aqui o diretor consegue ir mais além ainda, quebrando o paralelismo absoluto com pequenos desvios, pequenos desequilíbrios da encenação.

Mas são as cenas de interiores que realmente tiram Barry Lyndon do lugar comum. Sem luz artificial, Alcott teve que se reinventar com a claridade entrando pela janela, frestas aqui e ali e muita contra luz. E, se tirar uma foto de um ambiente iluminado com velas é um trabalho hercúleo, imagine fazer o mesmo com uma câmera de filmar, para se alcançar um resultado aceitável. E o uso de velas permeia todo o filme e isso funciona não só para envolver o espectador na vida do século XVIII como, também, para criar imagens amareladas irretocáveis, além de sombras fantasmagóricas, talvez um prenúncio do destino dos personagens. Cada sequência parece ser tirada de pinturas clássicas, como as de William Hogarth, tamanha é a precisão do trabalho de Kubrick e Alcott.

O uso do som diegético também é fundamental para esse envolvimento e Kubrick faz questão de nos deixar ouvir passos pisando na grama, cascos de cavalo tocando o solo e o arrulhar de pombos na lenta, mas envolvente cena de ação final dentro de um enorme celeiro. E, em cima disso tudo, Kubrick ainda se esmera na escolha de uma trilha sonora clássica – Bach, Vivaldi, Mozart, Schubert e especialmente Sarabande, de Handel – que acompanha a progressão e regressão da complicada vida do protagonista.

É difícil escolher o melhor filme desse fantástico diretor, mas Barry Lyndon talvez seja o verdadeiro ponto alto de sua carreira. A afirmação é polêmica, especialmente diante de sua curta, mas quase irretocável filmografia. No entanto, se o cinéfilo der uma chance a esse filme, que exige paciência e calma, tenho certeza que, se ele já não está dentre os maiores em sua lista, subirá algumas colocações.

Assistindo a Barry Lyndon, com a sua exuberante e panorâmica fotografia, quase toda realizada em locações externas, principalmente as cenas de batalha, fica difícil de acreditar que o cinema não tenha perdido sua narrativa pungency e seu encanto penetrante, com essas porcarias que são lançadas nos serviços streaming todos os dias, com seus heróis decadentes e babacas.

Barry Lyndon – Official Trailer [1975] HD

BARRY LYNDON (1975) – Crítica