JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

BEM ALI!

O silêncio reinante no “bem ali”

– Ei, bora “bem ali”!

– “Bem ali” é aonde?

– “Bem ali” é muito antes do “acolá”, e distante do “lá na frente”!

– O que é que vamos fazer nesse “bem ali”?

– Vamos saborear a natureza. Vamos escutar o cântico da cigarra, quando começar a anoitecer.

– Nesse “bem ali” só tem cigarras cantando?

– Não!!! No “bem ali” tem a profundidade do silêncio, a natureza, o céu límpido e claro.

Mas, o que tem de bom mesmo “bem ali” é o silêncio. “Bem ali” é tão silencioso, que apenas alguns conseguem escutar a conversa entre o vento e a brisa – e, claro, o vento sempre tentando convencer a brisa para um colóquio amoroso.

Mas a brisa sempre reluta, achando que a conversa pode evoluir para “os finalmente”, e dali nascer uma tempestade.

A sonata da chuva que cai “bem ali”

– Indo “bem ali” a gente pode conhecer o desconhecido, descobrir o encoberto. “Bem ali”, tem uma lagoa e a gente pode até banhar juntos. Banhar nus, como a natureza nos criou.

– E…. se alguém nos olhar banhando nus na lagoa desse “bem ali”?

– Na lagoa, banhando nus, estaremos só nós dois. Ninguém sabe onde fica o “bem ali”. Só nos, os despidos da maldade.

– E, depois do banho nessa lagoa do “bem ali”, o que faremos?

– Voltaremos para casa, pois a noite estará se apressando para chegar. Aproveitaremos para escutar o vem-vem e até para espantar as corujas que ficam na estrada. Vamos?

– Tá certo. Vamos. Mas, só vou porque você está dizendo que é “bem ali”!

A caminho do “bem ali” a estrada estará cheia de folhas que o outono derrubou

– Vamos andar um pouco mais rápido! Só assim, o “bem ali” fica mais perto. Bem distante do acolá.

Chegaremos em casa, comeremos alguma coisa e, escutando os vôos rasantes das corujas, sentaremos na ponta da calçada e contaremos estrelas. Separaremos aquelas com brilho muito intenso, das que não brilham tanto. Formaremos, ainda que apenas na imaginação, a nossa constelação estelar.

– E depois que contarmos as estrelas, o que faremos?

– Entraremos. Deitaremos, e faremos o que você quiser. Mas, não faremos tantas vezes pois, com certeza, o amanhecer de um novo dia estará “bem ali”!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OS PÉS DE FULÔ!

O pé de fulô que Das Dores prantou

Faz tempo que usamos a fala popular de lugares, repleta de regionalismo. Ainda que passemos a morar em meio aos conglomerados urbanos, carregamos “a forma de falar” daqueles lugares onde nascemos e vivemos por décadas. Muitos chamam isso de cultura regional. Pode ser. Ninguém duvida.

Mas, isso não fica restrito apenas ao modo de falar. Estende-se, também, aos diferentes e ricos modos de vida. É comum o apego com a poesia do verde e do ter o que fazer todos os dias, ao acordar e levantar. Uma tarefa que ocupa a alma, lubrifica e norteia o ego.

– Diacho, eu prantei um pé de fulô meis passado, e inda num nasceu nadica de nada?

Maria das Dores viera do interior do Ceará, tangida pelas agruras da seca. Ali deixou algumas galinhas que sobraram e resistiram diante da morte de outras tantas, por conta da falta de alimentos. Dona Das Dores não suportava conviver com aquele sofrimento enfrentado pelas aves, e achava estranho ter que abater todas para o consumo. Até porque eram muitas. Também não dava para levar nenhuma daquelas aves para a nova moradia, uma casa num bairro diferente e cheio de pessoas da classe média alta. Ali, ninguém aceitaria dividir o sono do início das manhãs com o cantar de despertar de um galo. Teria que se adaptar a novos hábitos. Mas, outros, nem tanto.

Eis que, na noite daquele mesmo dia o tempo mudou. Nuvens negras apareceram no céu azul, pintando o firmamento de um cinza previsível que, no sertão, o relógio da vida garantia uns bons e generosos dias de chuva. E choveu bastante durante a noite. No dia seguinte, mais chuva, que continuou acontecendo no terceiro dia.

Felizmente, no quarto dia o sol voltou a brilhar, e aquela luz convidou Das Dores à abrir a janela do quarto onde passara a dormir e traquinar sexo com Assis, o marido.

– Deus dos céus, que maravia! O meu pé de fulô nasceu!

Naquela manhã o café foi diferente. A mesa farta com coisas sempre presentes no café da manhã da roça (tapioca, pamonha, batata doce cozida, ovos fritos na manteiga, cuscuz, coalhada e um café que, de tão cheiroso incomodava a vizinhança) era uma forma de dar graças à Deus, e agradecer à Natureza pelo nascimento do pé de fulô.

– Quem pranta, coie!

Das Dores não cabia em si de tanta felicidade. Todos os dias, por três vezes molhava o vaso onde plantara o pé de fulô que trouxera de onde morava. Presente de Deus pelas mãos de Raimundinha.

E todos os dias ela mesma observava que o pé de fulô crescia. Se espraiava tanto quanto as boas coisas.

A danisca da fulô nasceu, cresceu e se espaiou

– Aubrigado Deus, foi aquele pezim de fulô que prantei que tá ficano mais que bonito!

Era, realmente, uma poesia que a Natureza escrevia a partir da mão de Das Dores. Tudo tem uma semente. Até a bondade ou a maldade.

Mas como quase todos sabem, não existe bem que dure para sempre, muito menos mal que nunca acabe. Eis que, Dona Das Dores e Assis foram avisados que invasores do alheio estavam se abancando da roça deles.

O casal nem esperou pelo tempo bom. Arrumou aquela velha mala de madeira e pegou o caminho de volta para a antiga vida, agora renovada pela certeza das coisas boas. Um simples pé de fulô serviu para ensinar Das Dores.

A casa da roça tinha um aspecto de abandono. O trabalho árduo seria cansativo, mas valeria à pena para colocar tudo em ordem. E a primeira providência de Das Dores foi aproveitar um pote velho em desuso e um alguidá. O pote serviu de apoio e o alguidá serviu como vaso para plantar outro pé de fulô. Na verdade, rosas vermelhas, que para Das Dores nunca deixaria de ser mais um pé de fulô.

Ai eu plantei outra fulô dendicasa in riba do pote

Retomando a roça e expulsando aquele aspecto de abandono, Assis e Das Dores, de tão cansados com a labuta da limpeza da moradia, sequer banharam e foram para o catre como se vivessem uma nova lua de mel.

Nas primeiras chuvas, agora com total assistência e trabalho da mão de Das Dores, a frente da casa tomou novo desenho, recebendo um aspecto europeu da Holanda. Flores por todos os cantos da propriedade, a ponto de chamar a atenção de quem por ali passava.

Nim todo lugá nasciam fulôres

Das Dores só tinha motivos para regozijo e se deliciava com tudo que a retina dos olhos alcançava. Até mesmo distante da primavera, o roçado de Das Dores deixava de ser uma simples roça para se transformar um jardim florido – e a qualquer época do ano.

Tudo a partir de uns simples “pés de fulô”!

– Quem pranta tem, e coie”!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A VIAGEM DE PAPEL

Cada livro lido é uma viagem realizada

Nasci pobre. Continuei pobre e ainda sou pobre. As únicas riquezas que consegui amealhar, poupar e quintuplicar, foram os valores humanos e morais “depositados” nos porquinhos da minha vida pelos meus pais. Prosperei e, com certeza, vou deixar um bom saldo para meus filhos.

Por isso, muito provavelmente, nunca consegui viajar para fora do País. Nunca carimbei passaporte. Entretanto, com muita fé e coragem aceitei que, “ler, é viajar”! Cada livro uma viagem, com os conhecimentos, as paradas e rodopios feito um beija-flor.

Assim, sentado numa confortável poltrona sem numeração, viajei. Conheci até outro planeta e ali fiz amizade com uma raposa, com quem me habituei a cada fim de tarde olhar o pôr do sol e contar quantos lampiões o Acendedor acendia. Até aprendi a esperar o amadurecer das uvas, que a raposa teimava em vê-las sempre verdes.

Passei a juventude quase toda em Salvador. Conheci e convivi com quase todos os capitães daquela maravilhosa areia. Fui ao Pelourinho e os recantos mostrados por cada Jorge antes do encantamento.

O conhecimento pelo livro será sempre maior que os carimbos nos passaportes

Viajei no Expresso Oriente, bati longo papo com Hércule Poirot, e até o ajudei a descobrir alguns segredos. Ainda nessa viagem conheci vários quilombos e fiz amizades duradouras com mais de dez negrinhos. Na parte da tarde, dei milho aos pombos.

Nos rotulados anos de chumbo e exceção da década de 60, visitei Itaguaí e juntei todas as memórias do cárcere. Tudo parecia sonho. Mas era uma viagem real a cada página virada e uma nova escala a cada capítulo.

Ler é viajar, sim!

O livro é o único passaporte que a “esteira” não bloqueia

Neste exato momento estou no meu assento preferido. Sempre ao lado da janela, para melhor olhar as belezas que a Terra nos mostra, e que vão ficando para trás, renovando as esperanças que, mais na frente, nossos olhos premiarão nosso coração com o melhor roteiro.

Não suportei viver a arrogância, tampouco as atitudes descabidas dos Onze, cada um escondendo o pudor e o respeito aos semelhantes – como se eles, ao morrer, tivessem pelo menos direito a uma honrosa lápide.

Sentei na cadeira. O ônibus da vida vai partir e, neste exato momento, sigo para me encontrar com uma Pequena Abelha.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

ACÁCIO, O TOLO!

Acácio – a simpatia e delicadeza em pessoa

Chico, ou o Francisco, viveu o quanto Deus permitiu. Nasceu raquítico, viveu raquítico, e faleceu com a gordura que o destino lhe devia. Na verdade, Francisco de Oliveira Ramos, o primogênito de papai e mamãe. Precisou de orações e promessas desde o dia que nasceu. Sufocado pelo líquido amniótico nasceu puxado, em vez do parto natural. E, no dia que nasceu também iniciou o périplo pela salvação.

A promessa inicial partiu da Avó (aquela que muitos de vocês já conhecem pelas minhas quase falas), que “prometeu” a partir dali ao Santo Protetor, São Francisco, que emprestaria seu nome a alguém nascido no dia 24 de junho, dedicado à São João.

Pois, nascido no dia 24 de junho de 1939, Francisco, o Chico, faleceu no dia 13 de setembro de 2004. Casou e teve uma “reca” de filhos. Dois rapazes e quatro moças. Um rapaz, quase Engenheiro Eletrônico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), abandonou o que disse pretender, quando cursava o nono período. O outro rapaz é Engenheiro Militar formado pelo IME (Instituto Militar de Engenharia), sendo ele civil. Chico chegou à Superintendência Estadual do INSS no Maranhão.

Advogado, Radialista e Jornalista, Chico assinava uma coluna semanal no jornal O Estado do Maranhão. Escrevia crônicas sobre a vida e a cidade. Criou um jardim que nunca possuiu, e nele empregou um jardineiro que sequer conheceu, e jamais assinou a carteira profissional ou pagou salários. Chamava-o de “Acácio”.

Por anos, Acácio cultivou margaridas, samambaias choronas, lírios, girassóis e todas as cores de ipês. Por conta da dedicação ao patrão e ao trabalho, Acácio foi premiado no dia do aniversário, 30 de fevereiro, com uma bolsa de estudos para aprender a plantar e cuidar de orquídeas e bonsais.

O primeiro bonsai produzido por Acácio, era um “flamboyant”

Eis que, nesta semana recebi uma mensagem de Acácio, pelo “zap”. Garantiu que, no próximo dia 30 de fevereiro, data em que comemora seu natalício, vai comparecer na minha residência, pois entende que, com o falecimento do Chico, faz tempo eu sou o novo patrão dele.

Prometeu me presentear com um vaso em que cultiva um bonsai: ipê róseo que produz abacaxis mais doces que mel. Prometeu, também, mostrar ao mundo a sua obra-prima em orquídeas: uma orquídea fálica cultivada do cactos.

Obra-prima fálica produzida por Acácio

Sinceramente, eu acho que, além de expert jardineiro, Acácio nunca deixou de ser um verdadeiro tolo. Se vier e tiver a petulância de cobrar alguma coisa, vai ser demitido por justa causa e mandado de volta para Caracas, onde esteve ganhando a vida como jardineiro durante todos os anos que desapareceu.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

MOMENTOS DE LEMBRANÇAS

Nesta última coluna do ano de 2020 que, graças à Deus está terminando, deixando para nós um saldo negativo no que se trata de amigos e familiares, quero aproveitar para renovar a amizade e o respeito que sinto por todos que aqui comparecem, curtindo, comentando, ou postando suas matérias.

Que tenhamos um 2021 diferente. Para melhor. Que sejamos mais sensatos, e que tentemos com o que está ao nosso alcance ajudar na reconstrução desse País – dilapidado e jogado na lama por quase duas décadas.

A Fé reconstrói!

Coloque o seu tijolo nessa obra. Sinta-se participante na correção do que nos usurparam, e sigamos em frente.

Para fechar este ano, volto à infância que foi minha e, com certeza, de outros tantos que foram e continuam peraltas.

* * *

1 – Quando chegar em casa a gente conversa!

A varinha mágica

Que chegar em casa qual nada, mermão. A situação era resolvida era ali mesmo. Fosse onde fosse, e na presença de quem estivesse ali. Afinal, o “filho” era dela, e não do Conselheiro Tutelar uma exceção que o Estado nos impingiu, roubando nossos direitos de partícipes na educação familiar dos nossos filhos!

Era assim que minha Mãe era. Pau é pau, e pedra é pedra, doa à quem doer. Homem é homem, e mulher é mulher. Segundo ela, “baitola” é invenção de quem comeu merda ou barro tirado da parede, e se delicia com melecas tiradas das narinas.

Hoje é que acontecem essas marmotas e um monturo de idiotas fica querendo saber por que as crianças são rebeldes! Çei!

E çei, de novo!

Quer mais um “çei”? Então toma: çei!

Se não ficarem satisfeitos com todos esses “çeis”, mando um arre égua!

* * *

2 – Não quero essa comida!

Item da farofa que matava fome

Pense no prato preparado com o maior dos sacrifícios, às vezes até com a “intera” comprada fiado na bodega da esquina, e nos era servido: um baião de dois, farofa de carne em conserva fiambrada Kitut, uma banana prata madurinha.

Quem se atrevesse a dizer que não queria, a solução era a seguinte: “Tá bom, filhinho. Mamãe vai deixar aqui em cima da mesa, e coberto. Quando você estiver com fome, você vem e come, visse?!

E ó, depois lave os dois pratos, seque e guarde. Tá pensando o que?”

Hoje, a mamãe fica assoberbada, nervosa, caçando moedas e trocados em tudo que é lugar da casa e em todas as bolsas, procura nos dois sutiãs e fica atarentada para satisfazer o gosto do fdp, enquanto ele continua dedilhando o celular!

É, ou não é?

* * *

3 – Vá banhar e sem dar um pio!

A tarde era toda de jogar bola na rua na frente daquela vila, onde os moradores escutavam até o ronco dos outros durante a noite. Nunca a escolha dos times era feita sem confusão. Os “traves”, lembro bem, eram montados com camisas emboladas. Os donos das camisas tinham vagas nos times, caso contrário retiravam as camisas e iam embora – nessa situação a pelada acaba antes do tempo. E o tempo, quem determinava era a escuridão da noite que chegava.

Quando começava escurecer, com a claridade do dia dizendo até amanhã, ainda que o placar do jogo estivesse 5 a 5, tinha chegado a hora de entrar. Resmungar era algo natural. Responder ou discordar, ninguém se atrevia, quando escutava: “Chega de bola. Entra e vai direto pro banheiro, sem dar um pio. Lave bem as orelhas e as costas.”!

Hoje, provavelmente por que não existem mais aquelas peladas, o que alguns talvez escutem é o seguinte: “Stefesson (hoje não existem mais os José, Raimundo, Pedro, Francisco), será que não está na hora de largar esse computador, meu filho?”

E, se por alguma audácia materna, ele escutar aquele antigo “sem dar um pio”, ele, desaforadamente responde que não é pinto e até ameaça denunciá-la ao Conselho Tutelar. Pois sim!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

GÊNERO – MASCULINO OU FEMININO?

A menina no balanço

Presidente, ou Presidenta?

Afinal, o que seria da raça denominada humana, se não fosse a resolutiva interferência da Natureza na designação das coisas que nos cercam, e que estão à nossa disposição?

Por que é prazeroso para a raça humana a “transgressão, o discordar, o contrariar ou até mesmo o querer fazer diferente”?

Depois de alguns anos convivendo com a República, até poucos dias atrás viemos experimentar a “diferença” de estar sentada na cadeira de maior autoridade eleita do país, uma mulher. Nunca isso acontecera antes. Pelo menos de forma direta ou legal (sic).

Pois, entre nós brasileiros, essas aberrações (conceito meu e assumo) linguísticas começaram a acontecer e ganharam terreno entre os seguidores dos métodos paulofreirianos. Criaram, no falar e na gramática, o exuberante “Presidenta”!

Aí eu digo o meu primeiro “arre égua”!

Hoje moro em São Luís. Não há como discutir isso em meio a tanta gente que aprova a mudança. Até por que, quando alguém vai se manifestar em público para uma plateia, inicia da seguinte forma:

– Bom dia para todos e para todas!

E sou obrigado a dizer o meu segundo “arre égua”!

Quer dizer que, quando alguém fala “todos”, está falando apenas com as pessoas do gênero humano masculino?

Não me perguntem por que, pois ainda não aprendi o suficiente, nem tenho lastro para responder, mas aqui em São Luís, quase ninguém fala o “ao invés de”. Fala: “em vez de”. Eu, nesse caso, já me acostumei, e também falo “em vez de”.

E aqui não cabe nenhum “arre égua”!

Aqui faço um registro, e digo que sou leitor e fã do paraibano Ariano Suassuna, usuário contundente das boas e bem faladas palavras, principalmente dos adjetivos. Nada contra quem desdenha e minimiza a importância disso.

Prefiro usar “baitola ou lésbica”, em vez de “gay”. Uma coisa ou outra, dará sempre no mesmo. Não vai mudar a prática apreciada por alguns, que hoje formam um grande contingente nesse país.

E é aqui que coloco que estão querendo nos empurrar goela à baixo, o termo “orientação sexual” para quem faz uma “opção sexual”. Está dito lá no nosso “Aurélio”, o que significa “orientar”, da mesma forma que também está escrito o significado de “optar”. Ambos são completamente diferentes no sentido.

Quem “orienta”, ensina. Quem “opta”, escolhe. Nessa vida pregressa que me permitiu chegar onde estou, nunca tive notícia de que alguém tenha orientado outrem a ceder generosa e prazerosamente o traseiro. Não há escola, tampouco professor(a) para isso. É uma questão de “opção”.

Balança e seus penduricalhos

E por que num bloco acima citei a palavra “Natureza”?

Porque, essa mesma “Natureza” se encarregou de nos mostrar a diferença entre os gêneros, quando nos apresentou o cavalo marinho, um dos poucos ou talvez o único capacitado “para parir filhos”.

Sem pretender entrar no mérito especial do ato sexual entre um homem e uma mulher, há um passeio teórico pela configuração da imagem da Santa Ceia, com Jesus Cristo no “centro”. Esse passeio teórico mostrou no filme (claro, uma obra de ficção!) “Código da Vinci”, que realmente existe um “espaço” mais aberto ao lado direito de Jesus Cristo, simbolicamente em forma de “cálice”. E o cálice, a gente sempre soube, é algo “receptivo”. É algo que recebe, embora também “ofereça” o acesso do visitante.

Na prática do sexo, a mulher “recebe” muito mais do que oferece. E não estamos falando no sentido de oferecer carinho, receptividade, disponibilidade. Estamos falando no sentido de oferecer penetração para o visitante. Trocando em miúdos: dá mais do que recebe. É o sentido simbólico do cálice.

Eis, no meu modo de entender, o sentido do gênero masculino ou feminino. Claro que não sou o dono exclusivo de nenhuma verdade.

Entretanto existem palavras que, “aparentemente” iguais, usadas na configuração masculina tem um sentido e significa realmente outra coisa, enquanto que, usada na configuração feminina identifica algo completamente diferente.

Veja que, impulsionado pelos ventos da saudade, do amor, da inocência infantil ou qualquer outro sentido que o ambiente queira dar, “o balanço” – objeto criado para o lazer prazeroso e poético – tem adjetivação diferente da “a balança” – objeto criado para medição de algo ligado ao comércio, ou, em poucos casos, à cobrança tarifária de impostos.

Ariano Suassuna, o genial, esteve sempre completamente certo. Não há sentido algum em querer mudar a obviedade.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

CANTANDO COM AS BUNDAS

Sábado, com a claridade do dia dizendo até amanhã, era comum muitas das casas daquelas ruas onde moravam o amor e o bom gosto, as radiolas ligadas e sendo a principal mobília da sala. A sala iluminada e exalando aquele perfume inconfundível de limpeza e enceramento com Parquetina, havia até quem preferisse iluminação diferente conferindo a presença do romantismo. Coisa de épocas passadas. Coisa dos anos 50, embora houvesse até quem aumentasse o volume da radiola quando tocava: “Vinha por este mundo sem um teto, dormia as noites num banco tosco de jardim, sem ter a proteção de um afeto, todas as portas estavam fechadas para mim…mas Deus, que tudo vê e nos consola, em seu sagrado templo me acolheu….”

Vicente Celestino se transfigurava numa letra à qual se entrega como se um eterno Ébrio fora e não tivesse jamais encontrado uma Porta Aberta.

Era música, sim. As músicas diziam algo com as letras, sim. Tínhamos cantores, sim. Tínhamos cantoras também, sim.

Para onde foram? O que aconteceu com esses mágicos que nos diziam do amor e da beleza da vida?

E hoje?

Por que as cantoras, em vez de estudar canto, vão para as academias de ginástica para moldar as bundas?

As bundas cantam? As bundas são o que?

Por que se apresentam (principalmente nos programas televisivos) com mais da metade dos seios de fora?

Seios cantam?

Não. Não tenho nada contra bunda e muito menos contra seios. Adora bundas e adoro seios. Gosto de acariciá-los, se femininos.

Dolores Duran

E eis que chegou o tempo da doçura mágica e acalentadora dos fins de tardes ouvindo Dolores Duran. Músicas suaves, letras doces que acalentavam em confirmação do amor que habitava nas pessoas. Que existia em nós.

Assim:

“No ar parado passou um lamento
Riscou a noite e desapareceu
Depois a lua ficou mais sozinha
Foi ficando triste e também se escondeu
Na minha vida uma saudade meiga
Soluçou baixinho
No meu olhar
Um mundo de tristeza veio se aninhar
Minha canção ficou assim sem jeito
Cheia de desejos
E eu fui andando pela rua escura
Pra poder chorar.”

E aí a fila andou. Os tempos mudaram os grandes cantores e cantoras deram o ar da graça. Elizete Cardoso, Marlene, Ângela Maria, Dóris Monteiro, até que o Rio Grande do Sul nos apresentou e o mundo conheceu essa até hoje insubstituível Elis Regina, desafiando o sistema, correndo sobre o fio da navalha e dizendo e cantando o que queria e o que queríamos ouvir: música!

“Quando olhaste bem
Nos olhos meus
E o teu olhar
Era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei me debrucei
Sobre o teu corpo
E duvidei
E me arrastei
E te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito
Teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta…”

Elis a maior entre as maiores em todos os tempos

Essa época de ouro da música brasileira nos trouxe e nos privilegiou com cantores e cantoras da melhor qualidade. Gente que jamais será desbancada por outros. Não há como. Não vamos ficar citando nomes, pois são muitos. Foram muitos.

Louve-se, também, a qualidade dos compositores que vão desde Lupiscínio, Donga, Cartola, Evaldo Gouveia, Jair Amorim que compuseram músicas que consagraram os cantores e cantoras daqueles anos.

E aí chegaria o tempo de conhecermos Maysa, que cantava por que gostava de cantar. Não dependia financeiramente da músicas para viver. Cantava por prazer.

Maysa Matarazzo

“Meu mundo caiu
E me fez ficar assim
Você conseguiu
E agora diz que tem pena de mim

Não sei se me explico bem
Eu nada pedi
Nem a você nem a ninguém
Não fui eu que caí…”

Quem ouviu e conheceu Elis Regina e Maysa Matarazzo, sabe bem como e por que faleceram precocemente. Faleceram em pleno e total reinado da qualidade técnica.

Nada temos com a vida pessoal desses gênios musicais, muito menos com a vida e o comportamento pessoal dos atuais cantores e cantoras. Nosso tema se prende exclusivamente à qualidade vocal e na maioria das vezes à qualidade interpretativa.

Os cantores e cantoras de hoje nada mais fazem que mostram a bunda

O momento atual da música brasileira, principalmente no que tange às apresentações com imagens pelo sistema de televisão é ridículo. Péssimo. Sem qualidade nas letras, sem qualidade interpretativa e com enorme apelo para o sexo.

Nada contra o sexo. Muito pelo contrário. Apenas não concordamos com o que é mostrado na televisão em qualquer horário da programação.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OS FINS DAS TARDES NA JANELA

Dona “Nena” no pastoreio na janela

Cartão postal da Rua da Palma, bairro periférico da cidade histórica São Mateus, uma das poucas onde o progresso demorou chegar. Ali naquele bairro e cidade, quase todas as pessoas se conheciam. Sabiam os nomes, o que faziam e a qual família pertenciam. Era uma comunidade nascida, crescida e envelhecida com quase nenhuma mudança. Apenas alguns jovens tinham motivação para sair da cidade à procura de escolas mais avançadas. Tipo universidade. Mas, nas férias nunca perdiam o vínculo.

– Boa tarde, Dona Nena! Cumprimentava respeitosamente o passante.

– Boa tarde. Deus te abençoe! Respondia Dona Nena, com o braço direito no parapeito da janela e o cotovelo esquerdo segurando um lado da face.

Diferente de outras moradoras, que nos fins de tarde se punham sentadas nas calçadas, fazendo croché e aproveitando para “pastorear” os meninos que brincavam na rua.

Era comum que, mesmo com a noite chegando, as senhoras só entrassem de volta nas suas casas após a chegada dos maridos vindos do cansativo dia de trabalho. Alguns maridos até sentavam também na frente da casa, e só entravam duas ou três horas depois.

Ali, sabiam de tudo que acontecera durante o dia. Era um verdadeiro relatório passado pelas esposas.

Mas, a moradora da casa 22, Dona Nena, era diferente. Esperava na janela por nada. Ficara viúva fazia alguns anos. O que esperava realmente, era a chegada de Emerenciano, “Seu Cecé” para leva-la junto para aquela enorme constelação estelar.

Por alguns problemas de saúde, Dona Nena e Seu Cecé não tiveram filhos. Eles dois eram o fim da frutificação da árvore genealógica.

E toda tarde a rotina se repetia. Pouca louça usada no almoço, o que também significava pouco trabalho na limpeza. Depois, uma boa madorna vespertina, até ter coragem e disposição para preparar o café da tarde para apenas uma pessoa. Ela mesma.

Dona Nena permanecia naquela janela da casa 22 por muito tempo. Às vezes a noite chegava e ela não se dava conta. Na rua, quando as luzes da iluminação pública eram acesas, as mariposas começavam a dar o ar da graça, os maridos de quem permanecia ainda nas calçadas começavam chegar.

Ela, coitada, sofria ainda mais sentindo a ausência e a partida de Seu Cecé.

O corvo que substituiu Dona Nena

Dias e meses se passaram e a rotina continuava. O mesmo movimento das crianças na rua, as donas de casa na calçada, as mariposas se aquecendo no calor da iluminação pública. A nostalgia marcava presença.

Eis que, numa certa tarde de outono, aquela janela da casa 22 da Rua da Palma ficara diferente. A figura taciturna e observadora de Dona Nena, braço direito apoiado no parapeito e esquerdo apoiando a face pensativa, não estava ali.

Mas a janela estava aberta. Sem ninguém. Sem Dona Nena. No seu duradouro lugar de observação da vida pela janela, pousava um corvo.

Anos depois, as mesmas donas de casas que se postavam nas suas cadeiras na calçada, continuaram afirmando que aquele corvo fora enviado por Seu Cecé. Não dava mais para esperar tanto tempo pelo carinho e afagos de Dona Nena. Agora, uma estrela daquela constelação divina.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A COR DA PELE IMPORTA?

Menino beijando a água – o reflexo é escuro sem ser negro

Não sei quem foi o “autor” da foto. Mas, a primeira que vi e guardei na memória, foi a de uma mulher negra alimentando o filho. Era uma foto de uma das primeiras habitantes da Nova Papua, que hoje teve acrescentado o “Guiné”.

Era um livro sobre História ou Geografia que nos encaminhava para a iniciação antropológica de muitos. Claro que “alguém” fez a foto. Se assim não fosse, ela (a foto) não existiria.

Pois, desde então leio e ouço falar dessa questão “raça” como uma das vertentes da História da Humanidade. Também é desde esse tempo que escuto falar na insolúvel e desnecessária tentativa de encontrar uma solução para o rotulado “preconceito racial”.

Há momentos que essa discussão vem à tona. E isso não aconteceu ontem nem hoje. Vem de muito tempo. E, infelizmente, para aqueles que vivem politizando toda e qualquer tentativa de solução adjudicando a solução ao governante do momento, não há como falar em “solução justa” num país como o Brasil, onde a “justiça” é parte maior do “febeapá” de Sérgio Porto.

Como falar em “Justiça” num país onde um Juiz comete um crime, principalmente contra humanos, e é “premiado” com aposentadoria compulsória, quando deveria sentar numa cadeira elétrica?

E por que cadeira elétrica?

Por que um Juiz sabe o que é um crime, como sabe, também, que não deveria cometê-lo! E ele existe para, com a lei dos homens, punir quem comete crimes.

Entendo eu que, “isso não se resolve pela via judicial”. Como dizia minha falecida Avó, que nunca se graduou em Direito nem fez Doutorado em Harvard, isso a gente começa a resolver “dentro de casa”. Nas nossas casas. Nunca nas escolas.

O que as escolas têm ensinado nos dias atuais, além da tentativa de empurrar goela à dentro, os significados das palavras? Querem que aceitemos o termo “orientação sexual”, quando o certo é “opção sexual”. Orientar é algo que nada tem com optar.

Mas, por que estou colocando esse assunto, logo hoje, neste espaço tão nobre e ao mesmo tempo tão esculhambado, e de forma sábia e altaneira criado por esse fantástico Luiz Berto Filho?

Nada relacionado como a morte do rapaz naquele supermercado de Porto Alegre. Aquilo não nasceu ali. Aquilo não me pareceu racismo. Aquilo é violência desmedida que a mídia “alfabetizada” a partir das teorias de Paulo Freire encaminhou para nada.

Racismo?

Não. Aquilo que a televisão mostrou não é racismo.

Aquilo é a depravação do ser humano. É violência humana.

Vejam o vídeo mais uma vez, e expliquem o motivo “racista” que leva um dos agressores a se contentar “apenas” em bater na cara do agredido. Por que “na cara”? O que é que tem o “racismo” com a cara de alguém?

Essa aí é uma “negra linda” ou uma “mulher linda”?

Refresco de maracujá é bom. Acalma. Bebamos um refresco e suavizemos o assunto.

Olhem a fotografia dessa jovem mulher. Poucos dirão: uma mulher negra linda. A maioria dirá: uma mulher linda. E o que tem a cor da pele com a beleza?

Por acaso, uma rosa preta é mais, ou menos bonita, que uma rosa vermelha?

Repito: o combate ao racismo começa “nim casa” cuma dizia Vovó.

“Fio maravilha” se fosse branco seria mais maravilhoso?

Qual é a cor da Geni, que Chico convida para jogar bosta?

Essa fala seria mais contundente se Morgan fosse branco?

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS COISAS BOAS DA VIDA

O que seria a vida se não existisse o sal?

Hoje vamos mais uma vez justificar o título da nossa coluna. Vamos, literalmente, “enxugar gelo” e tentar colocar nossa opinião pessoal discorrendo sobre o que quase todos sabem.

É. Vamos falar de algumas coisas boas da vida. Algumas muito importantes, e outras largadas aos conceitos de cada um.

Claro que, banho, a maioria prefere tomar nu. A não ser naqueles filmes onde as temporariamente ricas (quando morrem, todos ficam iguais) aparecem nas banheiras vestidas com peças que nada cobrem. Nem a vergonha.

Agora, num açude, no rio, numa lagoa ou no mar – tomar banho nu, sem nada, nos parece ser tão prazeroso quanto indescritível.

Sexo feito entre casais (eu sou de outra geração e abomino “esfregação” entre duas pessoas do mesmo sexo – mas, quem quiser dar o que é seu, que dê), será sempre algo que será trocado por enes maçãs e em qualquer lugar. No Éden, na sombra, dentro do carro e até sobre uma bicicleta. Sexo é bom.

Existem, sabemos disso, várias coisas “condenáveis”, que acabam se tornando prazerosas por conta do intempestivo. Soltar um peido fedorento, silencioso, dentro de um elevador lotado e depois ficar olhando para a cara das pessoas, não tem preço. É muita falta de educação. Mas que é gostoso e hilário, isso é.

Comida em mesa farta é uma bênção

Nos dias atuais muita coisa mudou no Ceará, estado onde nasci. Nos anos 50 e 60, o cearense, com sustento garantido pela agricultura, dependia das chuvas. Dependia do bom inverno para semear e colher – alguns até transformavam cômodos das casas em depósitos de sementes alimentares, se prevenindo para a possibilidade de novos períodos sem chuva e, com plantio mas sem colheita. Era a seca. Seca braba, que matava animais e tangia pessoas para longe do convívio.

Quem conhece, teve notícia ou (como eu) viveu essa situação, sabe o significado de uma mesa farta de alimentos. É um bálsamo. É uma verdadeira transfusão de otimismo e a certeza de que Deus existe.

A noite sugere e propõe uma pausa na labuta diária

Na prática, a noite serve para separar um dia do outro. Acreditamos que a noite é metade de um dia que se vai, e metade de outro que começa. É na noite que acontece a reparação e a preparação para o que vem a seguir.

Uma noite de frio, sem cobertor, não é coisa boa. Quem não tem esse cobertor, será sempre como um(a) filho(a) que acabou de perder a mãe. Estará a partir de então, “descoberto”.

É na noite que as cigarras cantam e que os grilos aporrinham. Habitualmente, é na noite que os diversos acasalamentos acontecem e que renascem as possibilidades reprodutivas.

Mas, aprendi ao longo da vida que, a noite é o semear da esperança de um dia sempre melhor. E jamais haverá alguém esperando por algo pior. A noite é a partida para o recomeço.

Ler é um dos prazeres da vida

Entre as muitas coisas boas e prazerosas da vida, considero a leitura uma das mais importantes. Quem lê, viaja.

Já estivemos incontáveis vezes na Inglaterra, sem passaporte, sem dólar e até conhecemos o detetive Hércule Poirot, que nos foi apresentado pela magia de Agatha Christie.

Também, sem que nunca tivéssemos sido condenado ou preso, já convivemos num cárcere através de Graciliano Ramos, e até nos consideramos Mestre e Doutor em nordestinidade, graças ao paraibano Ariano Suassuna.

Ler em qualquer lugar é bom. Ler deitado é melhor ainda, e ler o que é bom, faz a festa de qualquer um.

Nesse “rodar da Terra” um livro escrito cem anos atrás acaba sendo atual. Como “Capitães da areia”, que Jorge Amado descreveu uma infância vivida em Salvador. Algo muito atual nos dias de hoje.

O amor é o melhor de todos os prazeres

Não há, entre todas as coisas boas terrenas, algo que supere o amor. Amor emoldurado pelo respeito, pela admiração e sobretudo pelo prazer de estar junto construindo a vida, a família, superando todos os obstáculos encontrados.

Aqui, não dá para deixar de fora nenhuma espécie de amor. O amor é algo que merece respeito, qualquer que seja ele – embora existam alguns tipos de amor que não podem ser considerados como tal. O amor interesseiro que busca sempre os bens materiais – esse não é amor.

O desmedido amor edipiano, que consegue superar qualquer coisa. O amor materno, preparado, semeado ainda no ventre, será sempre algo que nenhum tipo de tempestade vai destruir.