ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Ç

O C cedilha, ou C cedilhado é uma daquelas coisas que só existem na Língua de Camões. Eu já vi essa grafia na escrita turca, mas a reprodução do som é diferente da que ocorre em Português. Lá soa mais como o nosso CH. Mas, o Ç é uma daquelas construções planejadas pelo sujeito de pata rachada e cheiro de enxofre que só atazanam nossa vida. Tem suas regras específicas de uso, mas, como não estou aqui para dar aula de Língua Portuguesa, deixa pra lá.

Digo isso, porque semana passada, assim, meio como não querendo nada, fui visitar o escritor deste texto e o encontrei esmerilhando o mesmo, para ver se saía alguma coisa que valesse a pena. Sentamos. Bebemos um quartilho de caña – para homenagear meu amigo gaúcho, homem macho de verdade, Rodrigo de Leon -, e alguns a chama de pinga, cachaça, a que matou o guarda, fofa toba, aguardente, birita, bagaceira, engasga-gato, manguaça, cangibrina, branquinha, etc. Mas, não é sobre ela que quero falar.

Como eu dizia, o autor deste texto, depois de brindarmos com dois copitos, ofereceu-me um charuto, e ficamos, alegres, com o fumacero debruçado na varanda do beiço, aí ele veio me falar da história do Ç. E foi me contando das diversas enrascadas que muitos se meteram ao tentar escrever usando o Ç, e criaram mais confusão do que esclarecimento. Eu, nessas situações fico pubo com as histórias deles. Histórias de antigamente, pratrasmente de uns quarenta, ou cinquenta anos. E ele me disse, historias daqueles tempos quando os animais ainda falavam. E eu, para mangar dele, com tudo quanto é dente vindo ver o encabulamento do coitado dizia: Não é tão antiga. Você fala que é do tempo em que os animais ainda falavam. Tá atraso. Hoje, não somente falam, como alguns tipos, com casco inteiriço são eleitos para altos cargos na Res Pública, mas deixa isso pra lá.

Aí ele me contou a história da menina, apaixonada por ele que escreveu o seguinte bilhete: R…. eu te amo, çofro muito porque vosse mim dispreza. Meu corassão fica dolorido quando eu olho vosse paçandu na rua. Axo que to doente. Qui remédio vosse me recomenda? A resposta dele foi lacônica, mas certeira: Consulte um professor de Português que esse faniquito passa!

Mas a história do C cedilha é antiga, data do século XIV, lá na terrinha, sim sinhoire. Aliás, meu amigo escritor contou para mim que, certa vez, no cais de Lisboa, viu a despedida de dois amigos portugueses. Um estava indo de navio para fazer um “tour” pela Itália: Manoel e Joaquim, para variar. O navio desatracou, e o Manuel lembrou-se de dar um recado para o Joaquim e gritou…. Ó Joaquim, na Itália não te esqueças de visitar o Coliseu…. Na balbúrdia o Joaquim mandou de volta… Cu de quem????

Mas, voltando à vaca fria, meu amigo, além de escritor, também é professor igual a mim e se lamuriava… ah meu caro.. o que já vi de aluno escrever açassino, cassarola, miça, e por aí vai, parece que desconhecem a própria língua. Aí lembrei a ele um caso famoso, ocorrido nas bandas do sul do Mato Grosso. Conta-se que certo prefeito de uma cidadezinha às beiras do pantanal, na famosa inundação de 1974, desesperado, pois fora pego despreparado, a municipalidade começou a ter carência de produtos de primeira necessidade. Principalmente sal, para o gado vacum, que estava no entorno da cidade. Chamou o secretário e mandou este oficiar ao governador, solicitando, com urgência o envio de 10 toneladas de sal para atender a demanda, tanto animal quanto humana. Pedido feito, quatro dias depois avisaram ao prefeito que atracou no porto da cidade, uma embarcação com 10 toneladas de cal, a mando do governador. O prefeito sentou-se na cadeira, botou a mão na cabeça e começou a chorar…. puta que pariu…. esqueci de botar o cedilha no pedido.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

NO TRIBUNAL

Ao Bar de Ferreirinha

Dona Babilônia – apesar do nome, não se podia dizer que era uma das sete maravilhas do mundo. Mulher mais vesga e verruguenta estava ali. Mas, deixa pra lá – era testemunha de um caso de sedução em Cajazeiras. Aliás, cidade pequena, sem muito ter para que as pessoas se divirtam, abundam os casos de sedução de moçoilas. Vai que o Segismundo seduziu a Niquita, filha de dona Cornélia, que é parente por parte de pai da mãe do prefeito. Que isso fique bem claro: em cidade pequena, quando se nomina uma pessoa há a necessidade de se dar a genealogia vertical e horizontal do sujeito para que não fiquem dúvidas.

Pois bem, dona Babilônia, a dita testemunha, chamada para afiançar as qualidades e donzelices da Niquita, antes do ocorrido caso de sedução, já aboletada no banco das testemunhas foi inquirida pelo advogado da defesa. Todo bom advogado para manter a pose de isentão, ou mesmo de alheamento das coisas mundanas da vida faz esse tipo de presepada.

– Boa tarde dona Babilônia. A senhora por acaso me conhece?

– Claro que te conheço Carlinhos, desde quando você era moleque – disse a velha em um sorriso de boca de muitos verões passados. Que decepção você não foi para sua mãe! Desde pequeno esse moleque roubava. Era bala na venda de seu Manoel, ovo das galinhas de comadre Sinfrônia. Era e continua sendo mentiroso. Mentia descaradamente para o pai, matava aula. Já adolescente, você se lembra Carlinhos? Você teve que fugir daqui por causa da filha de seu Laurindo. Aquela que você prometeu casar com ela, mas só queria papar a coitada, e seu Laurindo disse que se te pegasse na estrada iria arrancar suas bolas pela garganta. Você era porquera até não poder mais.

O advogado de pardavasco ficou transparente, pigarreou, tossiu e emendou. E o nobre Promotor a senhora conhece?

– O Devair? Mas por demais da conta. Cansei de limpar esse menino que até os doze anos vivia se borrando todo. Agora é cachaceiro, nó cego, mentiroso. Me prometeu uma televisão nova e até hoje nada. Coitada da Laurinha, a mulher dele. Tem mais chifre que maxixe. Aliás, Carlinhos, uma das mulheres com quem ele sai é a sua viu? Ele ainda sai com a mulher do Chico, lá da Farmácia e até já se engraçou com a mulher do Osvaldinho, presidente da Câmara. Eu sempre falava para a comadre Crescência que o Devair não ia dar em nada. Ou ele se transformava em vagabundo, ou em advogado. Olha no que deu. Apesar de bem vestido, continua o mesmo safado de sempre.

O Promotor não sabia onde enfiar a cara e se mexia para todo lado na mesa.

Nisso, o doutor Etevaldo, juiz sério, bate o martelo e chama o advogado de defesa e o promotor.

– Olha só. Já vou deixar bem claro: se qualquer um perguntar a essa velha se ela me conhece, eu mando prender os dois, está claro?

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

MARILUCE

Chamava-se Mariluce e desde pequena fora uma criança feia….muito feia….As más línguas diziam que ela não chorava….miava… mas, deixa isso para lá! Isso são fofocas dos tempos de antigamente que a molecada contava e as fofoqueiras do bairro tratavam de “espaiá”.

Conheci Mariluce na escola… aliás, conheci não! Tomei um susto no primeiro dia do ano, quando a criançada abre o berreiro não querendo ficar em sala de aula, e a “tia”, com a paciência de um faquir tenta colocar a garotada em sala. Aliás, alguém já parou para pensar por que as professoras são chamadas de “tias”? Olha, se alguém souber me avisa, tá?. Santa Cacilda, pensei…. aquilo não era uma menina…. era uma praga rogada em cima de algum desafeto.

Mas, nada que o tempo e a convivência não aplaquem… aliás, essa conversa fiada de inclusão, de tolerância, de politicamente correto é tudo peido…. daquela nossa época de antanho, quando se amarrava cachorro com linguiça, a convivência fazia as pessoas se acostumarem uns com outros. E, até mesmo esse tal de bullying, no nosso tempo chamávamos de “mulação”, todo mundo se divertia e ninguém ficava traumatizado. Trauma hoje é só para essa gente frouxa criada a pão com chá que por qualquer coisa corre para psicólogo. No meu tempo, psicólogo se chamava mertiolate, e daqueles que ardiam…

Aliás, nesse tempo, nas cidades pequenas, meninos e meninas até seus doze, treze anos, tomavam banho nas cacimbas, nas nascentes e nos açudes e ninguém sem se apercebia que uns estavam de cuecas e outras de calcinha… não havia essa maldade nos olhos. Até mesmo em idade mais avançada tiquinho mais, jogar bola, pião, soltar pipa, meninos e meninas faziam juntos. Até mesmo Mariluce. E quando ela perdia em uma disputa, as longarinas do sujeito que a venceu de forma desonesta saiam com sérias avarias, necessitando mesmo de um lanterneiro, com urgência.

Bem, crescemos… e sempre estudando juntos…., na mesma série, na mesma turma lá se foi o Primeiro Grau – assim se chamava – ,o Segundo Grau… e a Mariluce na mesma toada que o resto da turma. Apesar da feiura se acentuar com o tempo, eu até gostava dela, pelo menos era uma companhia que, quando estava por perto, com certeza nossos pensamentos estavam na Jerusalém Celeste – ficou vesga, nariz adunco, monocelha, mancava de uma perna e não era chegada a banho…. A turma não via a hora em que ela seria eleita deputada pelo PT, ou então, ser nomeada chefe de alguma repartição pública, pois a dita cuja tinha espírito de sargento de cavalaria reformado.

E do segundo grau fomos para o cursinho, daí para o vestibular – e, por azar do destino, fomos ensalados no mesmo prédio. Até parecia que, Dice, querendo me dar um passa-moleque resolveu fazer daquele cracajá de pente minha nêmesis, mas, por incrível que pareça eu gostava da companhia dele. Era amiga mesmo. Até a gozação da molecada era divertido para ela. Talvez por isso, nunca nenhum apelido conseguiu ficar atarrachado nos chifres dela – chifres de maneira metafórica, pois nem o “boi zebu” queria algo com ela.

A coisa séria aconteceu foi na faculdade. No primeiro dia de aula. Ela passou bem colocada no vestibular para fazer pedagogia e eu fui estudar Direito. Aliás, fazer pedagogia era uma desculpa, o negócio dela era se alistar mesmo na Infantaria do Exército brasileiro, mas na condução de obus. Pois bem, na faculdade, recepção aos calouros, o famigerado trote, a turma inscrita no sindicato da gozação, ao ver Mariluce lascou…. de primeira, certeira e para sempre: “Espanta Caralho”.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

O ENTORTADOR DO VERNÁCULO

Clarimundo Luciano foi um desses seres abençoados que nasceu para trazer sabedoria para o mundo. Filho de uma família abastada estudou nas melhores escolas, teve os melhores preceptores e uma educação que em nada deixava a dever. Teve contato, desde cedo, com os clássicos: Homero, Virgílio, Petrarca, Dante, Camões, Machado, e por aí vai. Teve, inclusive, aulas com o professor Aldrovando Cantagalo, tornando-se exímio esgrimista da Língua Pátria.

Mas, como todo bom brasileiro, o doutor Clarimundo – seguindo os passos do pai, formou-se em Direito – cedo pegou os cacoetes e vícios de esculhambar a “Inculta e Bela” usando vocábulos eruditos que fariam com que Rui Barbosa corasse e tivesse que correr ao “Aurélio” para saber seu significado. Não usava a palavra carro, ou veículo. Era sempre viatura. Futebol era ludopélio, piquenique convescote. Argumento, arrazoado. Quando, por qualquer motivo se via contrariado, aí benedito…. a coisa desandava:

– Sacripanta sicofanta, calaceiro, trampolineiro, estróina, biltre, valdevino, azêmola.

O alvo dos impropérios ficava na dúvida se era elogio, ou não, o que o doutor Clarimundo estava fazendo. É pra mim agradecer, seu Clarimundo? Aí ele ia ao delírio. Rua, capadócio!!!! E lá ia o sujeito, ainda em dúvida se era para ficar ofendido, ou agradecido.

Casou-se! E, dona Celeste – santa mulher -, vivia mais fora de órbita que satélite brasileiro lançado pela base de Alcântara. Apesar de tudo isso, amava aquele homem esquisito no falar. Afora essa cisma em buscar tornar complexo o que, no dia a dia era simples, Clarimundo era uma pessoa afável e ótima companhia.

Na meia idade aceitou o cargo de Secretário do Interior de um governo do sertão do Brasil. Desses estados em que se colocam os menos capazes e mais incompetentes no cargo de governador, pois lá eles dão menos trabalho e prejudica menos a quem quer trabalhar e produzir. Clarimundo Luciano foi ao delírio. Só não declamou “As armas e os barões assinalados” de orelhada, porque era entortador do vernáculo e não acaciano.

Secretaria assumida, com os elogios de praxe ao governador, à mulher do governador. Só não elogiou o cachorro do governador, porque esse gostava mais de cavalos, e não ficava bem. Até pensou em fazer o elogio, mas o discurso em que pontuava “agradecimento à nobre figura da cavalgadura do governador” pareceu-lhe não cair bem. Então cortou.

Sentado na cadeira da secretaria do estado de… ops…. quase… um Estado qualquer do sertão do Brasil, ficou sabendo que algumas das cidades sob sua gestão sofriam com constantes tremores de terra. Nada a se preocupar, mas achou por bem mandar uma circular aos prefeitos das cidades. Mensagem, sim, pois esta situação se deu lá atrás, no período de antanho.

– Informo vossas excelências a passagem de sismo moderado por vossa urbe. Solicito informações imediatas, tão logo passagem efeméride telúrica.

Ah, Barnabé…. armou-se a confusão. O prefeito de Cristalinho de Mato Dentro do Norte, sim, porque o do Sul estava bem tranquilo, mandou pronta resposta.

“Informo senhor secretário que logo que o Sismo chegou aqui botemo ele na cadeia, desarmemo o mode da urbe, o coroné da puliça já ponhô um IPM nessa feméria e botemo o telúrio pra correr. Só não informemo antes porcausdiquê um puta terremoto quase que acaba com nossa cidade”.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

QUERO SER CUMUNISTA

Hoje eu acordei no veneno. Logo cedo, querendo me aborrecer fui ouvir um tristemunho dessa gente neopentecostal que adora fazer turismo no inferno e visitar o capiroto. Pensei comigo mesmo, enquanto aguardava o guincho que vinha rebocar meu carango para a oficina: essa gente neopentecostal adora comer feijoada à noite, pois se empanturram, têm pesadelos e dizem que foram arrebatados ao inferno. Bom seria se já ficassem lá, no terceiro círculo, que Dante reservou aos mentirosos. E, o horário combinado com o homem do guincho se passou. Liguei para ele. Telefone desligado… e lá veio o mesmo pensamento…. calma, Roque…. caeté não briga com caeté!

Mas isso é apenas desabafo de um Nhambiquara que acordou com os bofes azedo e pronto a riscar o facão marca coqueiro no asfalto quente. O que eu queria mesmo compartilhar com vassuncês é minha vontade de seu “cumunista” como os muitos que se reproduzem na terra brasilis. Aliás, estava, essoutro dia, vendo algumas frases de Tancredo Neves e uma foi bem certeira. Dizia aquele mineirim: ser comunista na juventude é aceitável, mas depois de adulto, depois que entende, aí já é ser mau caráter. Pronto! Nada mais precisa ser dito.

E, como sempre, eu gosto de fazer revisitações históricas. Apesar de ter minha formação em Letras – com especialização em Filologia Românica, isto é Latim Clássico. Sou velho mesmo -, sempre gostei da História, pois ela nos ensina muitas lições que, de outra forma, não seria possível aprender. Principalmente a história de Pindorama do século XX, nos seus últimos 50 anos.

Pindorama sempre esteve à sombra de descambar para adotar essa ideologia, assim, como quem escolhe o sabor de um picolé na esquina de casa, sem se preocupar com as consequências de suas escolhas. Mas também, o comportamento dos cumunistas brasileiros, desde o século passado foi aquilo que Raul Seixas chamava de “Metamorfose ambulante”. Só que, se Raul se via como essa metamorfose, os cumunistas de pindorama sempre temperaram essa visão com alta dose de canalhice e hipocrisia. Vamos recorrer à história?

Veja-se o caso de Jorge Amado. Grande escritor da Literatura Moderna brasileira, prosista de escrita saborosa e apimentada. Estando no Brasil vivia agarrado ao paletó de Toninho Malvadeza – os sábios entenderão -. Quando viajava, mal o avião saia do espaço aéreo brasileiro, ele se travestia de cumunista de raiz e carteirinha. O mais interessante é que, como bom cumunista só ia para Paris, Madri, Roma, Lisboa. Na minha pouca idade, nunca vi Jorge Amado viajando para Havana, Pyongyang, Ulan Bator – essa é difícil, mas é a capital da Mongólia Interior -, Hanói, Pnom Pem.

Dilma Roussef é um caso a parte, porque ela, no tempo da militância não viajava. Dizem que ela era responsável por ensinar marxismo para os militantes da ALN – Aliança Renovadora Nacional -, e do COLINA – Comando de Libertação Nacional -. Marx é uma obra de difícil digestão, não pelo que ele ensina, mas pelos conceitos e escritos mesmo. Fico imaginando Dilma, com seu vocabulário, em que sujeito e predicado não entram em acordo em uma mesma oração. Seu discurso cheio de anacoluto que saem em disparada para diferentes direções quando ela abre a boca, e o pavor que os adjuntos têm quando ela fala de improviso. Talvez esteja aí a resposta pelo fracasso da luta armada no Brasil. Ninguém entendia o que a professora da língua do “P” falava.

Mas, ainda temos outros casos. Miguel Arraes, depois da sova que tomou em 1964 não foi, nem para Moscou, nem para Havana, muito menos para Pequim, mas sim para a Argélia. Não, sem antes passear por seis meses em Paris. Ah Paris! Esse sétimo círculo do inferno de Dante que seduz tudo quanto é tipo de cumunista da América Latina. Deve haver caveira de burro enterrada no Champs Elisè, ou mesmo terra de cemitério espalhada no Quartier Latin.

Aliás, Paris, esse inferno capitalista e opressor atraiu cumunistas como Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque, Gleisi Ventinha, entre outros. Mas também não somente Paris. Os Zistados Zunidos, esse antro de exploração do proletário, esse ranço conservador e autoritário atraiu muitos cumunistas da bananolândia. Para lá foram José Serra, e mesmo Fernando Henrique Cardoso, e, mais atualmente a bonitona da Manuela D’ávila. Foi passar suas férias em “Niviorque” e comprar o enxoval de sua filha. E, à época, eu se me perguntei: por quê ela não foi para Pyongyang fazer essa compra?

O coroné de Sobral, que também se autodenominou de “esquerda” também adora os Zistados Zunidos. Foi estudar em Harvard. Dá até para imaginar ele, com seu inglês de “Ciço Romão” – eterno personagem de Chico Anísio -, tentando se comunicar por lá. Vai ver deu cinco minutos, como adora fazer em Sobral, para que os americanos começassem a falar a língua dele. Mas tudo isso é fofoca de minha parte. Na verdade eu também gostaria de ser cumunistas como esses sujeitos.

Mas, alguém pode me questionar….E Lula? E Zé Dirceu? Bem, Lula não é cumunista. É só um ladrão provado, comprovado e condenado. Zé Dirceu é um caso à parte. Tem a inteligência de um Felix Dzerzinskhy, o calculismo de um Lavrenti Beria, e a sabugice de um Casimiro Lopes. Dirceu nasceu para a grandeza, mas anos e anos de subalternismo a gente menos inteligente do que ele, o tornaram uma sombra de si mesmo. Pelo menos, ao que se saiba, Dirceu não tem nenhum covil em Paris, ou Nova York em que possa descansar da luta pela implantação da ditadura do proletariado aqui em Pindorama. Afinal, ninguém é de ferro.

Eu quero ser cumunistas assim como esse magote de sem vergonhas que se dizem cumunistas. Mas me falta o apartamento em Paris, a casa em Nova York e o dinheiro para só viajar de primeira classe em aviões, comendo lagosta e bebendo Don Perrignon. Assim vale a pena ser cumunista. Ainda não encontrei o meu Engels para eu poder deixar de trabalhar e lutar pela ditadura do proletariado, coçando os bagos e tirando carrapato da carcunda de meus cachorros, aqui em casa.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CORRUPTOS

Este fim de semana eu se me peguei pensando em duas coisas distintas: o caso do senador com chumaços de dinheiros na bunda e no meu velho pai. Tudo bem! Tudo bem! Sei que uma coisa não tem nada a ver com a outra, aparentemente. Mas, se formos olhar lá no fundo, mas no fundo mesmo, e não me estou referindo aos fundos do senador, mas no fundo da razão, as duas coisas se tocam.

Quando eu era criança, a gente comia arroz de terceira. Aquele tipo de arroz mais quebrado que mulher de malandro depois que chega da balada, com os cornos cheios de cachaça. O feijão era do tipo que a gente colocava as seis da manha no fogo, para, ao meio dia ficar mole. O café era aquele que tinha gosto de milho torrado, feijão torrado, cevada torrada, soja torrada, menos o de café. Nas nossas farras de fim de tarde, a brincadeira erra de guerra. Cada grupo com seus bodoques e cachos de semente de mamona a tiracolo. Até hoje, ao passar perto de uma plantação de mamona e ver aqueles cachos de semente, penso logo: olha, munição!

Nossos banhos eram aqueles banhos de moleques, molhava a frente da cabeça e a barriga, mas as costas ficavam aquele caminho de formiga todo encardido. Quando a mãe resolvia dar banho na gente, usando bucha vegetal ela executava três ações: desencardia a molecada, dava banho e, de quebra, dava uma surra. Aquela bucha vegetal molhada fica mais pesada que chinelo feito de aço. Mas, a gente saía com uns três quilos a menos, porque a esfregação e a surra que a mãe dava retirava de nosso couro esse peso em terra e encardume que ficava quando tomávamos banhos sozinhos.

Naquele tempo, se saíssemos de casa e chegássemos com algo diferente, até as coisas ficarem esclarecidas, passávamos por um IPM – Inquérito de Perguntas da Mãe -. Quem te deu? Por que te deu? O que você fez para ganhar isso? Caso ela não se satisfizesse com as perguntas, tínhamos que voltar ao local onde tínhamos ganho o mimo, para que a pessoa que nos deu, explicasse os motivos que geraram esse mimo. Mesmo pagando esses micos, a criação dada só deu bons frutos. Hoje, aqui na gloriosa Campo Grande, até de passar no sinal vermelho altas horas, eu fico-se-me avexado. Isto porque a própria polícia de trânsito havia dado essa instrução em função de muitos assaltos alta horas da noite, quando se parava o carro no sinal vermelho.

Com o pai era diferente. Papai era homem de poucas palavras. Homem duro, de mãos gretadas de calo, aturando chifre de boi no pasto e enterrado igual a mourão na terra alheia. Quando ele ia para cidade, se me alembro bem. Pegava sua viola de doze cordas, ou mesmo sua sanfona e costumava tirar modinhas antigas no degrau da porta de casa. Quando ele se zangava com alguma coisa, chamava o moleque que havia sido pegado em delito e sentenciava: sente aqui e vamos conversar. Essa palavra era nosso terror. O homem nos quebrava só na conversa. Tinha horas que dava vontade de falar: pai, pega a cinta, dá uma surra e esquece a conversa! Mas, o velho era reimoso. Conversa dele doía mais do que uma surra com couro cru.

Mas nisso eu fico me perguntando: onde foi que esse tipo de criação desandou? Onde foi que perdemos o senso de moralidade, ética, respeito, civilidade, urbanidade? Hoje vejo muitas pessoas gritando que tem vergonha da política. Que na política só tem ladrão e corrupto. Que só tem sem-vergonha nos postos chaves deste país. Mas, aí eu me pergunto: e quem foi que colocou esse povo lá? Vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores nada mais são do que espelhos da nossa própria sociedade. Hoje, a criação de nossos filhos é feita na base da corrupção e da venalidade.

Meus pais me deixaram como tesouro uma educação formal clássica. E olha, minha saudosa mãe estudou até o segundo ano do antigo primário e meu pai até o quarto ano. Todavia, eles sabiam o valor da educação e sempre nos diziam que esse era o único legado que poderiam deixar, pois, nem ouro e nem prata e nem cobre tinham a deixar. E nós estudávamos porque, segundo meu pai, caneta não calejava mão e livro não fazia você chegar com os lombos moídos no fim do dia, em casa.

Atualmente, eu vejo pais prometerem ao filho, se ele passar de ano vai ganhar uma viagem para a Disneylândia. Se ele passar no vestibular vai ganhar pum carro. Se tirar boa nota na prova vai ganhar um troco a mais para passear no fim de semana. Isso meus senhores, se chama corrupção. Os pais estão ensinando os filhos a serem corruptos, venais, vendidos e interesseiros. Aquilo que deveria ser fruto de uma consciência: estude porque isso será sua garantia de homem livre em uma sociedade livre, tornou-se parte de um processo de apodrecimento dos pilares da sociedade.

De certa forma, eu não culpo o PT pela corrupção sem limites. Não. Eles não criaram esse modelo de corrupção. Apenas abriram as comportas para uma criação humana que já estava corrompida, mas ainda represada por alguns pilares da civilização. Ao detonarem esses pilares, com a sua venalidade e desfaçatez, o PT mostrou o que era a sociedade brasileira fruto das duas últimas gerações criadas à base da troca interesseira.

Tomo como exemplo um casal conhecido meu alhures neste Brasil. Hoje o filho deste casal está com seus 24, 25 anos. Quando conheci o casal, o moleque tinha entre 5 e 6 anos. Hoje ele não consegue entabular uma conversa, porque não teve convívio humano, foi só videogame e computador. Não se relaciona. Criou um mundo que não vai além da porta do quarto. Tudo que faz para si mesmo foi na base do pai dizer… te dou isso se você fizer isso. Não vejo a hora desse moleque se filiar ao PT e começar uma promissora carreira política.

Quando alguém puxa conversa comigo e reclama do mundo político, eu retruco: formiga não vota e tamanduá não tem título de eleitor. Se há corruptos nos cargos de mando do governo em todos os níveis, foi porque nós, uma sociedade que começa a corromper os filhos no berço, e mimá-los no colo da venalidade, colocamos um representante digno de nosso caráter torto e de nossa moral de puteiro. A geração do meu pai e a minha mesmo, que chegou à casa dos 50 anos se perdeu na caminhada histórica. Hoje ser moral, ético, correto é visto como algo pitoresco, ou mesmo estranho. A normalidade é irmos corrompendo nossos filhos desde a mais tenra idade, pois isso tira de nós a responsabilidade de pais de família, com a obrigação de educar as novas gerações. Mas nós, preferimos corromper a juventude, com presentes, com dinheiros, com promessas, e repassar essa obrigação para os outros. Desse jeito, não há porque reclamar da classe política. Estamos muito bem representados. E nossos filhos serão os substitutos adequados em uma nação que tomou a corrupção como baliza de criação.

Estamos tão corruptos que dinheiro na cueca, ou no toba, dinheiro em banco, em caixa de papelão muqifado em apartamento suspeito, dá no mesmo. O importante é que, se tem pouca farinha, meu pirão primeiro. Estamos tão corruptos! Infelizmente!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

VIVA LA DEMOCRÁCIA!

Estes últimos dias têm feito um calor de tirar o picapau do oco, como se diz aqui na gloriosa Campo Grande. Dias em que o termômetro teima em ficar entre 38, 39 e até 40 graus, com sensação térmica entre 41, 43 e 44, e por aí vai. Mas, como é tempo de eleições, o prefeito da cidade descobriu nosso bairro, Aliás, descobriu o bairro em setembro deste ano. Isto porque nos três anos anteriores, ele nem sabia que o Grande Aero Rancho é o segundo maior bairro da capital, com mais de 50 mil pessoas morando aqui, só perdendo para a Vila Cidade Morena, ou, Moreninhas, como carinhosamente chamamos que já vai quase para 80 mil habitantes.

E, não somente o “prefeite”, mas também os edis, da nossa amada cidade descobriram que os bairros da cidade existem, principalmente os periféricos, onde falta água, esgoto, calçamento, coleta de lixo, os terrenos baldios, apesar de terem donos, vivem supitados de entulhos. É rato, barata, carrapato, mosquito, escorpião.

E, na modorra de sábado, quando às dezenove horas estava fazendo trinta e seis graus fui convidado a participar de uma reunião política desses vereadores que acabaram de descobrir o nosso bairro. Fui! Emputiferado da vida, mas fui. Salivando mais que cachorro com hidrofobia, mas fui.

E não é pelo calor. Mas pela desfaçatez do sem-vergonha que achou que, vindo ao bairro, trazendo um monte de badulaques e pechisbeque para a garotada, como se o povo aqui fosse um bando de botocudo que anda pelado e vive de borduna na mão, aplainara sua fala mole. E, era aquela alegria. Não culpo as crianças, afinal…. “delas é o reino dos céus”…, mas a babação de ovo dos adultos em relação ao edil… isso me deixou mais prostituto ainda!

E lá se foi a catilinária de sempre – E, que Cícero me perdoe! -, “lutar pela saúde, educação e transporte público decente”. Engraçado, ouvir isso pela televisão e rádio provoca determinado sentimento. Ouvir ao vivo dá vontade de encher a cara do sujeito de bolachas. Ora, me respondam como se eu tivesse cinco anos e fosse mongoloide – e que o politicamente correto vá para o sexto círculo do inferno de Dante -, como um sujeito que só anda de carro com ar condicionado, motorista e gasolina à vontade sabe o que é o transporte público urbano?

Campo Grande tem uma das mais caras tarifas de transporte coletivo do país e um dos serviços mais horrorosos que uma empresa pode prestar ao cidadão. Até parece que é um deboche, do tipo: Caeté, usa isso que eu estou te dando e agradeça por não andar a pé! Ora, meu senhor, dando é meu ovo esquerdo. Esse serviço é pago, e muito bem pago. Com uma média de distância rodada de 3,5 quilômetros, o campo-grandense paga uma taxa de R$ 4,85 por pessoa. Quando chove é ônibus com goteira. Quando faz frio, as janelas não fecham, e quando está quente, como agora, não há ventilação dentro dos veículos. Isso sem contar carro que quebra, solta a roda, porta que abre com o veículo em movimento e lotado de caetés, elevador para cadeirante que não funciona, e por aí vai.

Ao ser questionado por um cidadão, pouquinha coisa menos deslumbrado, sobre o transporte público, o vereador veio com aquela conversa de “cerca-lourenço”, era difícil, pois ele era um só entre 29 vereadores, que buscar uma avaliação e uma tomada de posição requereria o apoio da maioria – e olha que o partido dele tem o maior número de vereadores na Câmara -, que o prefeito sempre dava um jeito de esvaziar qualquer tentativa de fiscalização.

Já disse e repito, caeté não briga com caeté, mas tem horas que a paciência chega no limite e os bagolinos ficam por demais inchados. Pedi a palavra e disse que a sem-vergonhice do serviço de transporte coletivo só melhoraria a hora que a sem-vergonhice política parasse de ser hipócrita e todos começassem a usar transporte coletivo. Sugeri ao vereador que ele propusesse um projeto de lei que definisse que prefeito, vice-prefeito, secretários municipais, secretários adjuntos, seus assessores, vereadores e seus assessores só pudessem ir ao trabalho, se deslocar pela cidade e voltar para casa apenas utilizando o transporte coletivo. Sem essa de carro oficial com motorista e ar condicionado. Apenas o transporte coletivo. Ainda fui mais além, caso ele propusesse esse tema como projeto, nós do bairro iríamos mobilizar a sociedade para pressionar a Câmara a apreciar, votar e aprovar a lei.

O resultado dessa pantomima? Fui solenemente escanteado, o vereador saiu à francesa, o dono da casa que me convidou ficou chateado comigo e, certamente ganhei um inimigo, pois o sem-vergonha que veio pedir voto saiu com uma cara de poucos amigos da reunião. Ora, meu senhor, vereador não é entidade sobrenatural. É empregado do povo. Desse mesmo povo que tem que esperar até uma hora e meia para pegar um busão lotado, fedido, correndo o risco de cair no meio do caminho. E será que nós, enquanto povo não podemos cobrar, pelo menos um pouco de coerência?

Ora, vá coçar as virilhas, meu senhor. Falar de transporte público andando de, e aqui vou fazer propaganda “de grátis”, Hunday Tucson é o mesmo que uma puta falar de virgindade dentro de um cabaré. O sujeito que não sabe dizer o nome de uma escola pública, falar que vai lutar pela educação, é no mínimo, estar gozando com a cara do cidadão. Nessas horas eu fico pensando nas formas de justiçamento que o velho oeste americano fazia com safados assim: piche e pena no couro do indivíduo. Pena que não herdamos esse senso de justiça.

E assim entramos em outubro, com um calor infernal. Chuva por aqui só depois do dia 10, segundo a meteorologia, mas circulação de vagabundo pedindo voto, já começou. Que venham…. eu estou fazendo uma borduna de guatambu bem grossa e pesada para descer no lombo desses cabras. E não me venham dizer que isso é violência. Não é não. Essa é a maravilha de viver em uma nação livre.

Viva la Democrácia!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

OKHUNEMPISHKA

Minha área de formação é Estudos literários, da qual tenho o orgulho e faço alarde. Menasmente que isso, eu já fico encorujado, fazendo beiço de sapo cururu. Mas, também, sou do tipo esquelético – aquele tipo de pessoa que tem várias “perferenças”, lendo desde contos da carochinha, até mesmo aquela lei da Relatividade, inventada por aquele velhinho de língua de fora, o Frankstein.

E, pegado pela curiosidade, estava lendo sobre uma antiga doença humana, talvez, uma das mais antigas e que os russos a descreveram com bastante cuidado e lhe deram o nome de Okhunempishka. Pelo que eu entendi do trabalho do pesquisador, essa doença é inerente a todo o ser humano, embora a Organização Mundial da Saúde relute em classificá-la no CID – Código Internacional de Doenças -, mesmo havendo toneladas de provas da existência dela.

Pelo relato da pesquisa, a doença Okhunempishka se parece muito com um mal súbito que acomete a pessoa de situação de alto estresse, principalmente quando se depara com situações que colocam em risco a vida, a integridade física, ou mesmo a idoneidade moral da pessoal. Pelo que eu entendi, essa doença é desencadeada pela inundação do corpo com adrenalina, mas, em doses tão elevadas que os sintomas e a doença aparecem.

A descrição dos sintomas fisiológicos da doença é muito longa e usa muitos termos técnicos, e eu não vou ficar caceteando esta nobre Audiência com termos latinos e nomes complexos da fisiologia humana, pois isso seria impingir um sofrimento demasiado, ainda que este texto tenha a intenção de informar e esclarecer, como aliás, é a filosofia da nobre gazeta da qual faço parte como colunista. Então, vou apenas relatar, de segunda mão, alguns casos coletados pelos pesquisadores russos sobre a sintomatologia – olha eu tentando empurrar termo técnico para a nobre audiência -, os sintomas da doença. Reproduzo aqui, de maneira literal o que li no artigo dessa revista.

Caso 1 – o sujeito foi fazer um safári no Quênia, caçar leões, segundo informa o artigo, mas esqueceu-se de acender fogo durante à noite. Alta madrugada, movido por incontida vontade de verter água, saí da barraca e dá de cara com um puta leão na boquinha da tenda. Os ombros relaxam, as pernas travam, a garganta fica seca, o coração dispara, os olhos esbugalham…. pronto, a doença se manifesta: Okhunempishka!

Caso 2 – Homem casado, seis da tarde, sai, todo feliz do quengário que ele frequenta sempre às quintas-feiras, tropeça e cai em cima da esposa que está voltando de uma novena de Santa Engrácia. Manifestação imediata da doença. O sujeito, com a braguilha ainda aberta, tenta gaguejar alguma desculpa, mas Okhunempishka…. e a confusão em casa está armada.

Caso 3 – o moleque está em casa, trancado no quarto, com um amiguinho e uma amiguinha. Depois de várias batidas na porta, o moleque olha pela janela e vê a mãe com aquele olhar de sargento de cavalaria reformada olhando para ele. As pernas amolecem, a voz some e…. okhunempiskha… a doença se manifesta de imediato.

Esses três casos relatados no artigo que li nessa revista russa – não se preocupem, tem versão dela em português. E, eu, como todos sabem, não sou inventeiro e nem potoqueiro. Só não vou mostrar a cobra morta aqui, porque senão o texto ia ficar pesado demais para ser publicado. Mas, esse texto pode ser lido na “infernet”, basta ir no site de busca e pesquisar sobre essa doença.

Mas, o que mais me chamou atenção é que, para raparigueiros, candongueiros, gente de índole safadosa, essa doença é mais comum. Isto é, segundo a pesquisa que li. Mas também, não quer dizer que ela não afeta outras pessoas. O gatilho que dispara a doença, ainda segundo a pesquisa, não é totalmente conhecido, mas aponta haver uma relação entre a sem-vergonhice mais deslavada e a mentira mais rombuda. Aliás, segundo o chefe da pesquisa, neste ano de 2020 será muito comum a manifestação dessa doença aqui em Pindorama, já que em ano eleitoral vai ter muito “verdinho” – só para ser politicamente correto, uma única vez -, apresentando todos os sintomas e a doença em si, quando sair para pedir voto pelas casas e for confrontado com as mentiras e lorotas.

Mas, eu fico cá, na minha casa, coçando a carcunda dos meus cachorrinhos e torcendo para que a doença Okhunempishka possa ser classificada pela Organização Mundial da Saúde como moléstia que ataca o mundo todo.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

POGREÇISMO

Hoje foi um dia prá lá de quente aqui na gloriosa Campo Grande. Joguei água nos meus cachorros e depois de secos, porque a umidade aqui está mais baixa do que no Atacama, os deixei entrar onde eu estava…. e foi um show de ronco e peido que esses putos deram a tarde toda. Mas, ao mesmo tempo, estava prestando atenção em algumas reportagens sobre o espectro político da nossa sem-vergonhice nacional. E, sempre que apareciam alguns luminares da esquerda, sempre atarrachavam no chifre deles o adjetivo “progressita”.

E, peguei-se-me matutando…. mas afinal, o que vem a ser o progressismo, e mais especialmente o pogreçismo que esse pessoal tanto fala. Apesar de muitas pessoas não gostarem dele, sempre recorro ao Dicionário de Termos Políticos de Norberto Bobbio e lá encontro que o progressismo é uma doutrina social, fundada no Iluminismo que prega a aplicação dos avanços econômicos, científicos e sociais para o bem-estar da sociedade. E, em uma vertente mais moderna, o progressismo é um contraponto ao conservadorismo, principalmente em relação à política, à economia e aos valores, mas mantendo o cerne de sua ideologia, isto é, o benefício amplo da sociedade em todos os campos de desenvolvimento.

Há algo de profundamente errado nesse conceito, ou nas pessoas que o usam como penacho de cacique quando se dizem progressistas. Para mim não são pogreçistas, isso sim. Se formos considerar o cerne do conceito de progresso e progressismo, as sociedades abertas e plurais, onde a livre iniciativa é incentivada, a criatividade estimulada, a liberdade – e digo todas as liberdades – são protegidas, a cultura valorizada, a sociedade vista como uma unidade, com suas diferenças, mas únicas, a educação é estimulada pela competição e pela melhoria constante de seus indicadores de qualidade, esse epíteto cabe nas sociedades de capital aberto.

Eu vejo o pogreçismo das ditas correntes de esquerda, não somente no Brasil, mas também em outras partes do mundo, e se assusto-se-me em perceber como a realidade nega o discurso, e o pogreçismo deles é apenas saliva de feira, que não resite a cinco segundos de escrutínio. Vejamos o caso da nossa gloriosa Pindorama. Tudo bem há muitas injustiças sociais, desigualdades, miséria, exclusão, porém, quando os ditos pogreçistas assumiram o poder fizeram um jogo de dividir para conquistar: e foram fragmentando a sociedade em grupos e guetos, correntes e seitas. E, para cada um desses grupos havia o pogreçista que falava em nome dele, sem nunca conhecer o grupo.

Pratrasmente, de uns quinze anos eu sabia que havia o grupo GLS, como os xibungos se autodenominavam. Gays, Lésbicas e Simpatizantes. Tudo bem. Diz a sabedoria popular que cada um chora por onde sente mais saudades…., mas deixa isso para lá. Hoje, esse grupo está tão fragmentado que virou LGBTQIA+, isso mesmo, assim mesmo, com esse monte de letra. Só faltou o símbolo do infinito logo após esse mais. E tudo para dizer que são pessoas que gostam de doar o fedegoso. E um L não se identifica com um Q, que não se identifica com um T, e por aí vai. O caso daquela professora da Unicamp que se descobriu que não tinha pós-doutorado também foi didático. Uma atriz da rede goebbels recusou-se a interpretá-la no cinema, pois não se achava “preta o suficiente” para isso. Essa até meu ovo esquerdo doeu.

Mas todo pogreçista diz lutar pelas liberdades, pela tolerância, pela igualdade. Até aí eu concordo com eles. Canalhices e hipocrisias deles à parte, eu também luto por isso. Mas acontece que, à diferença deles, eu acredito nisso e não apenas uso isso como ferramenta para saciar a minha tara autoritária. O que me admira é que ainda há um magote de sem vergonhas que acreditam nesses sujeitos. Mas, vamos a alguns exemplos históricos. Quem sabe, beliscando a bunda dessa gente, as bestas não acordam para a realidade.

No início do século XX, Lênin, Stalin e Trotsky eram chamados de progressistas por jornalistas, intelectuais, professores universitários, artistas, no antigo Império Russo. Li, não se me alembro onde que, um dos artistas mais entusiasmados com o pogreçismo dos bolcheviques era Isaac Babel, tido como um dos mais talentosos poetas e tradutores da Rússia. Acabou quebrando pedra na Sibéria, logo após a vitória dos Bolcheviques. Ana Akmatova, além de excelente poetisa, professora de Teoria Literária e ensaísta, acabou acusada de prostituição, de envenenar a mente dos jovens. Seu acusador? Trotsky. Terminou a vida calada, sem permissão para escrever uma linha, sob pena de execução. Viva o pogreçismo soviético. O mesmo ocorreu com Mikhail Bakhtin, quiçá um dos melhores teóricos da língua do século XX, que, para não ser preso, os seus escritos eram publicados em nome de outra pessoa. E tudo isso, porque, em um debate teórico ele provou que as teses de Stalin estavam equivocadas. Viva a defesa da liberdade de expressão dos pogreçistas.

Outro exemplo. Em 1974 o Khmer Vermelho, partido de Pol Pot assumiu o poder no Camboja, com amplo apoio de artistas, músicos, jornalistas e professores. A primeira ação de Pol Pot foi mandar esvaziar as cidades, colocar os cidadãos no campo, onde eles trabalhariam até morrer de exaustão. Mas, reservou um tratamento especial para os artistas, músicos, jornalistas e professores: mandou executar a todos, á base de metralhadora. Alguns conseguiram escapar fugindo para o Vietnã, mas não encontraram coisa melhor lá.

Um último exemplo é de um vizinho nosso: a Venezuela. Os maiores entusiastas do Socialismo do Século XXI, como pregou Hugo Chaves – que o diabo o tenha no canto mais quente do inferno, junto com Fidel Castro -, foram estudantes e professores universitários que fizeram passeata, marchas e atos de apoio ao chavismo. 12 anos depois os professores restantes nas universidades venezuelanas estão calados. Alguns poucos conseguiram fugir para viver de bico no Brasil e em outros países da América do Sul. E os estudantes, bem, esses foram atropelados por blindados a mando do gigolô da fome alheia, o Nicolás Maduro. Viva a liberdade de expressão do pogreçismo.

Agora entendo Roberto Jefferson quando ele dizia que José Dirceu causava-lhe arrepios. De fato, olhar para aqueles olhos pogreçistas que lembram Heimrich Himmler causa mesmo arrepios. É notório o pogreçismo de Dirceu estampado naqueles olhos sombrios que muito esconde. O pogreçismo de Marcia Tiburi – que muitos chamam de filósofa. Ela não é filosofa. Pode até ser doutora em Filosofia como Marilena Chauí, mas filósofas não são, pois em nada contribuíram, de sua verve, para a filosofia mundial -, louvando o cu e defendendo o assalto é coisa de lunático. Viva o pogreçismo de Pindorama. Não falo de Lula, porque Lula não é pogreçista. É só um ladrão mesmo.

Pogreço que leva divisão, miséria, morte, ódio, hipocrisia, destruição, não é progresso. É só uma fantasia que tiranos fantasiados de gente vestem para atingir seus objetivos e escravizar uma nação.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

POLITICAMENTE INCORRETO

Hoje, acordei com o ovo virado, no veneno mesmo, e resolvi tirar o dia para ser “politicamente incorreto”, ou me mostrar no meu natural. Digo isso porque, pratrasmente, de uns quinze anos, esse negócio de politicamente correto não existia, e virou novilíngua dos Txucarramães, da terra de Pindorama. Botocudos, que mal saíram da taba e já querem ditar o que eu devo e como devo falar. Emboramente, o respeito tenha que ser dado e recebido dentro das normas da civilidade, esse politicamente correto, além de encher os ovos, esconde por trás de quem o pratica, uma tentação stalinista de mandar na vida dos outros.

Tenho um irmão, apenas pelo lado materno, que é negão, daqueles crioulos convictos de sua preticidade, e disso eu tenho orgulho e faço alarde. Isto porque eu, na verdade, sou o típico “arroz de forno” – sabem, aquele sujeito de é mistura de todas as etnias (raça quem tem são animais, cujo cruzamento entre eles gera uma descendência estéril, do tipo burro com égua que gera a mula, indivíduo estéril), índios potiguaras do Pernambuco (meu avô dizia ser descendente direto de Felipe Camarão), índios aymarás dos altiplanos da Bolívia, negros cabindas da região de Cunene em Angola e portugueses de Alcáçer do Sal -, e, isso tudo me orgulha.

Mas, o politicamente correto dizia que, de primeiro, eu tinha que chamar meu irmão de “negro”, porque preto era racismo. Depois tinha que chamar de preto, porque “negro” era adjetivo e não definia a raça dele. Hoje o politicamente correto quer que eu chame o meu irmão de “afrodescendente”. Essa última definição é um chute nos colhões do mais paciente faquir. Afrodescendente, por quê? A África possui mais de 37 países, com as mais diferentes etnias e cores. Vejam: Omar Shariff era africano, Charlize Teron é africana, Mia Couto e Paul Simmon também, e ninguém, nunca, chamou algum deles de afrodescendentes.

“Afrodescendente” é um reducionismo preconceituoso, isso sim. Preconceituoso, que não leva em conta que a África, assim como a América é um cadinho de diversas etnias e diversas cores. Chamar alguém de afrodescendente é negar a ele a nacionalidade brasileira, é lançá-lo em um limbo geográfico, já que afrodescendente não significa nada, ao mesmo tempo em que reforça a condição dele, como um coitado. Façamos o seguinte exercício. Peguem um crioulo, desses convictos de sua crioulidade, pobre, desempregado, mas honesto e trabalhador. Valendo o exercício também para o índio, o japonês, o alemão, o havaiano, seja lá o que for. Trocar um vocábulo por outro, mudou a situação socioeconômica dele? A utilização de subterfúgio linguístico alterou o fato de ele estar pobre, desempregado e com fome?

Mas, o que se esconde é a tentativa de separar a humanidade em bonzinhos e malvados. Se é afrodescendente é bonzinho, oprimido, vítima eterna. Ora, a África produziu pessoas da estatura de um Anwar El-Sadat, de um Amilcar Cabral, e até mesmo um Nelson Mandela, apesar de eu ter um pé atrás com ele. Mas também produziu facínoras como Idi Amin Dadá, Sani Abacha, Muammar Kaddafi, Jean-Bedel Bokassa, Mobutu Sese-Seko, Robert Mugabe, José Eduardo dos Santos e por aí vai.

Se a sua resposta for não, então temos um problema e sério com o politicamente correto. A mesma coisa vale para os viados, gays, boiolas e baitolas. Ri, e muito, com uma postagem, até de um sujeito com certa fama, dessas famas criadas na “infernet”. Ele se dizia “heterossexual, não binário e não normativo, com flexibilidade erótica”. Traduzindo isso para o bom português, o sujeito estava dizendo que gostava de dar a bunda, mas que era macho. Ora, para que fazer esse malabarismo linguístico? Se o indivíduo gosta de doar o orifício corrugado da porção ínfero lombar – olha eu, torcendo a “Inculta e Bela” -, o quem eu tenho a ver com isso? E para dizer isso, é necessário espancar a Língua Portuguesa? Mas, para o politicamente correto, não posso dizer “viado”, porque isso magoa e machuca. Porém, até hoje não vi nenhum desses defensores dessa novilíngua formar grupos de apoio para tirar das ruas gays, travestis, prostitutas e prostitutos que, muitas vezes são espancados e mortos, sós pelo fato de serem o que são.

Mas não. Isso não importa. Para essa gente, o importante é não falar viado, puta, traveco, michê, e por aí vai. Usar um palavreado florido não mata a fome e não preenche o desamparo que a maioria desses humanos sente. Aliás, para o politicamente correto não são seres humanos, apenas rótulos que satisfazem suas taras autoritárias e o desejo de monitorar a vida das outras pessoas. Para essa gente, puta é profissional do sexo, viado é homossexual, traveco é transexual, ou que outro nome o valha; preto é afrodescendente, mendigo é pessoa em situação de rua. Usando esses termos, eles se pacificam em sua hipocrisia, mesmo se ao lado da casa deles houver um mendigo pedindo um pouco de comida. Passarão por ele, dirão para si mesmos “esse morador em situação de rua”, mas nada farão para alterar aquela situação, porque isso não importa. O que importa é apenas usar bem sua nova língua preconceituosa.

E, tenho presenciado essa situação aqui na gloriosa Campo Grande/MS. Grupos politicamente correto tentando ensinar aos outros a serem como são, a se comportarem como se comportam. E depois saem em seus carros do ano e vão para um shopping Center comer seus big Mac, beber sua coca-cola com a consciência tranquila que estão ajudando a mudar o mundo. Eu, com a minha tosquice e minha língua viperina continuo a fazer mangação com eles relembrando Salomão,o rei: abyssum abyssus invocat. (Um abismo chama outro abismo).