ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

TATÃO

Leitores Fubânicos.

O texto abaixo não é de minha lavra, mas do grande escritor fluminense José Cândido de Carvalho sobre o qual fiz meu Mestrado.

E, para gaudio de nossa confraria trago o texto dele abaixo.

* * *

Tatão, O Esquartejador

Era domingo que pita cachimbo e Tatão Chaves aproveitou para pedir Lili Mercedes, mestra de letras, em casamento. A cidadezinha de Monte Alegre, sabedora da novidade, botou a cabeça de fora para presenciar Tatão em cima das botinas de lustro e por baixo das panos engomados. Para avivar a coragem, Tatão bebeu, no Bar da Ponte, meio dedo de licor, coisinha de aligeirar a língua e aromar a boca. Como achasse o licor educado demais, mandou cruzar a bebidinha com cachaça de fundo de garrafa.

E recomendativo:

– Daquele parati mimoso que até parece flor de jardim.

De talagada em talagada Tatão perdeu a mira da cabeça. Embaralhou o pedido de casamento com negócio de disco-voador, imposto de renda e busto de moça. A essa altura, gravata desabada e camisa fora da calça, Tatão preveniu:

– Sou o maior dedilhador dos desabotoados das meninas já aparecido em Monte Alegre. Sou Tatão Chupeta!

Gritava que era monarquista, que era a favor da escravidão e que o prefeito de Monte Alegre não passava de uma perfeita e acabada mula-sem-cabeça. E para arrematar, ganhando a porta do Bar da Ponte, garantiu:

– Só queria que aparecesse neste justo instante um boi cornudo para Tatão esfarinhar o chifre do sem-vergonha a bofetada!

Nisso, um boizinho desgarrado apontou na esquina da Rua do Comércio. Tatão cumprindo a promessa armou o maior soco do mundo. E atrás do soco saiu Tatão, atravessou a Praça 13 de Maio, entrou no Mercado Municipal, desmontou duas barracas, esfarelou um comício de tomates e só parou no Açougue Primavera. E meio adernado sobre um quarto de boi que sangrava em cima do balcão:

– Soco de Tatão é pior que canhão de guerra. Mata e esquarteja!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

TOLOS, TOLINHOS!

Esta semana que está se acabando foi muito agitada na taba caeté. Viu-se de tudo: de pajé encastelado no stf – assim mesmo em minúsculo, em homenagem à estatura moral dos delinquentes constitucionais que lá estão empoleirados -, dizendo que o regime do gigolô da fome alheia, aqui do lado de Pindorama, é um regime de direita, a pajé mandando prender político que falou o que ele não gostou e ficou dodói com as palavras, pajé dizendo que só terá paz na alma quando o maior ladrão da história da humanidade tiver seus direitos políticos resgatados, preferencialmente antes de 2022. Enquanto isso, o rebuliço na oca foi em várias direções, menos naquela menos óbvia, e, com certeza, a mais plausível. E, nessas horas faço como aquela personagem de Chico Anysio, Haroldo, o hétero: tolo, tolinho!

De saída, este caeté que, nesta hora está se deliciando com uma costela assada do Sardinha, tenho a declarar que sou um democrata. Defendo até mesmo o PT conspirar contra o país e planejar outros assaltos. Agora se eles conseguirem o seu intento, aí a culpa não é mais da gangue, mas dos idiotas que se deixaram ludibriar, ou são cúmplices no assalto. Então se o Daniel Silveira, ou o Wadijh Damous falarem abobrinhas, e pedirem até mesmo execução com míssil terra-ar, como faz aquele democrata lá da Coreia do Norte, desde que fiquem longe do poder, têm todo o meu apoio para falarem as bobagens que quiserem.

Mas a raiz do mandiocal nesse episódio da prisão do deputado está mais além do que “sonha nossa vã esperteza”. Digo e repito, caeté existe para devorar e não para ficar pensando em altas filosofanças aristotelísticas, ou mesmo espinozísticas. Quando muito pode “tacar pedra na Geni”, em um arroubo chicobuarlístico. Nesse mandiocal, a rama do aipim é mais embaixo. Afinal até agora ninguém estranhou o “moto” da ação e da reação do covil onde onze crianças mimadas brincam de ser juiz.

Vamos por parte, como diz Jack, o estripador de Whitte Chappel. A ação do deputado Daniel Silveira, apesar de intempestiva, desbocada e mal educada encontra-se no espectro da liberdade de opinião que os “araribóias” da taba dizem haver na nossa Constituição. Se ele falou e alguém não gostou que o processe nas esferas cível, ou penal, dentro do Estado Democrático de Direito – Estado Democrático de Direito é essa piada que os pajés e caciques caetés inventaram para dar um passa moleque no resto da taba -. Todavia, o que me chama a atenção é a confluência de tempo, espaço e ocasião.

O deputado boca suja lançou seu torpedo em um momento que o stf se encontrava “incomodado” com a indicação da deputada Bia Kicis para a CCJ da Câmara e as entrevistas que mesma dava sobre colocar em debate proposta como a Prisão em segunda instância, a revogação da Emenda Constitucional que ficou conhecida como PEC da bengala – aquele instrumento que alongou a permanência de funcionário público na função depois dos 70 anos e permitiu que uma boa ala do funcionalismo, que já deveria estar cuidando de neto e rezando um terço, ainda estão assombrando a nação. Além de outros temas que o Nhonho e o Batoré sentaram com suas bundas gordas em cima e travaram o país. Além disso, a movimentação do Senado em aceitar denúncias pedindo o impedimento de alguns delinquentes do stf.

Nesse cenário, a fala do deputado desbocado se desenha no horizonte como uma tempestade perfeita que poderá, eu digo, poderá ter alguns desdobramentos. E, em todos os cenários desse desdobramento, a taba toda sai perdendo. Em um primeiro cenário, e o menos óbvio o deputado vira moeda de troca: o stf suspende a pantomima feita pelo advogado de facção criminosa, em troca a Câmara entrega a cabeça da Bia Kicis em uma bandeja e elege outro presidente da CCJ que seja, digamos, mais favoráveis ao “pogreçismo” caeté e menos adversário dos delinquentes da corte. Esse é o cenário menos óbvio e o mais ficcional, porém, eu acredito que seja o mais concreto de se realizar.

Em um segundo cenário, ativa-se o sistema de autopreservação: a Câmara manda soltar o deputado, o stf desengaveta os diversos processos, contra as várias folhas corridas que estão lá dentro – mas só contra os que votaram pela liberdade do deputado -. O Senado entra na discussão, engaveta os pedidos de impedimentos dos delinquentes do stf e este esquece o caso Daniel Alvarenga. O terceiro e menos provável é o deputado seguir preso. Nesse caso, ele se cacifa para voos maiores como um “preso político” que lutou pela liberdade de expressão. O stf, nesse cenário, ficaria no “sabão” diante da opinião.

Porém, olhando do outro lado, esse cenário é o que mais importa para o stf. Os delinquentes encastelados naquele covil estão torcendo por isso e usam uma desculpa pra lá de vagabunda: defender a dignidade do tribunal e de seus integrantes. Ora, meu senhor! A história diz que o Supremo Tribunal Federal, assim denominado a partir de 22 de junho de 1890, descontando-se o período colonial, de Reino Unido e de Império possui mais de 120 anos de história. Passou por diversos regimes, desde republicanos como o de Prudente de Morais a tirânicos como o de Getúlio Vargas e Garrastazú Médici, com altivez, honra e decoro. Nunca precisou de bagunceiros para defender a sua honra, pois teve ministros como Néri da Silveira, Sidney Sanchez, Francisco Rezek, Nelson Hungria, Victor Nunes Leal, entre outros que, com sua honradez serviram como escudos contra a degradação da instituição.

Aqui, sentado a beira da fogueira, com a panturrilha do Sardinha espetado em um graveto e lambendo os beiços, eu se me pergunto: Vai ser a ignorância oceânica de um Dias Toffoli, a arrogância ilustrada de um Roberto Barroso, a militância esquerdista de um Fachin, a vocação para a tirania de um Alexandre de Moraes, ou mesmo o absenteísmo apalermado de uma Rosa Weber que vai salvar a instituição? Não meus senhores. A ação dessa turma de delinquentes é o seu exato oposto: degradar o máximo possível a altivez da instituição, fazer o povo odiar e rejeitar a instituição Supremo Tribunal Federal, enxovalhar ao máximo seus séculos de história – contando daí desde o período colonial, até mesmo do tempo do Sardinha -, para, após o seu total descrédito, reabilitar o maior vagabundo e ladrão da história do Brasil.

Outro desdobramento, por esse lado da praça, além do que disse em cima, tem outro mais imediato: manipular as eleições de 2022. Com Lula reabilitado e candidato a presidente, irão fazer, junto com a imprensa e as redes sociais o mesmo que fizeram com o Trump. Fraudar as eleições e colocar o ladrão de volta no poder.

A história nos ensina, com o evoluir das coisas, lições a nunca serem esquecidas. E o livro do Gênesis traz a primeira dela. Eva no paraíso foi tentada pelo diabo, travestido em forma de serpente. Diz a Bíblia que a serpente era um animal astuto, e acima de tido, belo. Deus visitava e ensinava Adão e Eva, todos os dias. Como pai, aconselhava, instruía, dava exemplo. Alguém acredita que o diabo tentou Eva e a fez pecar em um único dia? Não. Foi um trabalho árduo, demorado e convincente. Torcendo verdades, alongando conselhos, até apresentar a mentira.

E assim vem agindo através de seu braço atuante: a esquerda. A esquerda tem origem na mente de satanás. Vejam como ela está hoje: foi se infiltrando: primeiro nas universidades, depois nas revistas e redes de televisão, em seguida nas repartições públicas e órgãos de poder. Depois nas escolas. Seu último alvo é a família. Se alguém duvida que o cenário que apontei no caso Daniel Silveira é só exercício de um caeté que tomou caulim demais, não pague para ver. A conta será salgada demais!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

NÃO SE META

Aquela cidadezinha já se acostumara com aquele bom velhinho. Uns o chamavam de asceta, outros, de santo, outros de filósofo, e outros, aqueles mais gozadores, pouquinha coisa, o chamavam de maganão. Mas isso são fofocas do povo. Eu, particularmente nunca acreditei nessas bobagens, nem quando o autor desta história me contou. Na verdade, quase engoli o charuto que pitava, quando soube o que ocorreu.

Acontece que, aquela cidadezinha, mais xucra que cavalo redomão, mais arrepiado que lobisomem picado por jararaca, tinha as suas turras, as suas manias. Mas, era inegável. Uma bela potência açucareira. Coisa de encher dez composições de trem, e ainda faltar espaço nos armazéns da cidade.

E aquele velhinho… chegara há mais de cinquenta anos… ainda moço, rijo, na força de sua juventude. Um dia desapareceu de casa… quando o viram estava transformado. Deitava sabedoria, conselhos e lições de vida. Era um devoto da verdade, custasse o que custasse. Uns, mais instruídos, viam naquele homem a sabedoria de um Agostinho de Hipona, ou de um Tomás de Aquino. Outros viam um novo Epicuro, ou, quem sabe, até mesmo um Paracelso.

Não tinha vícios, não acumulava nada, não brigava por ter o que quer que fosse. Vivia do que lhe davam e sempre agradecia com um sorriso meigo e benfazejo. Quando lhe perguntavam algo, suspirava profundamente, olhava para o horizonte e dava uma lição de vida ao consulente.

– Vovô, como eu faço para ser feliz? “A felicidade, o que todos nós buscamos, até o último minuto de vida é um dom, mas um dom para quem sabe encontrá-lo. Muitos o buscam em casa, carro, dinheiro, festas, e esquecem que a felicidade não é um ponto de chegada, mas uma caminhada. Não encontramos a felicidade. Andamos com ela. Precisamos vê-la ao nosso lado. É no andar, no caminhar, e no viver que a encontramos. Tentar encontrar a felicidade como um fim em si mesmo é perda de tempo”.

E assim ia, ensinando, instruindo. Até que, em um período de extrema seca, quando até os animais começaram a se mudar, o palheiro das enormes plantações de cana daquela cidade começou a pegar fogo. Uma chama dantesca, incontrolável. Aquela boca vermelha, faminta, tragando tudo, na mesquinharia de tudo abarcar, de tudo consumir, foi devorando, devorando. Enquanto a cidade toda, atônita, mal podia crer no que via.

Nesse momento, Xico Miúdo, também conhecido na cidade como Xicão Rola Bosta – e na me perguntem porquê – viu o velho sábio ir, vagarosamente, entrar no canavial e retirar um jabuti, no meio de todos os demais jabutis que tentavam escapar daquele inferno vermelho e voltar para seu lugar de sempre. Aquilo chamou a atenção do manguaça do Xicão. Parou e tascou.

-Mas, seu sábio – acho que ele não conhecia bem o sábio – de que adianta o senhor salvar um único jabuti, enquanto os outros morrem queimados? O sábio olhou para aquele horizonte avermelhado pelo fogo e lascou:

– Ah…. vá tomar no cu.

Moral da história: Cuide de sua vida e deixa o fogo fazer o serviço dele.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ENTRE PEBAS E TAMANDUÁS

Nesses dias rombudos de pandemia, este velho caeté, chupando o tutano de um úmero do Sardinha, se me peguei pensando sobre nossa classe política, nosso progresso, nosso “pogreço” e como nós, caetés de boa Ôpa, desde a “recramação” da República, investimos com força e vontade no avanço de nossa pobreza. Sempre procuramos ficar do lado equivocado da história, com uma arrogância oceânica acreditando que temos um “destino manifesto” profetizado pela Divina Providência, por isso continuamos sempre “deitados eternamente em berço esplêndido”, aguardando esse futuro que nunca chega.

E, quando nos vemos cercados por outros caetés, com cinco graus de vagabundagem a mais do que os demais da taba, buscamos sempre culpar o outro: o político ladrão, o servidor público preguiçoso – há exceções, com toda certeza -, o governante que só vai às tabas dos caetés mais pobres em ano eleitoral. E, nessas horas, eu sempre digo: peba não vota e tamanduá não tem título de eleitor. Mas vamos por partes, para não assustar os caetés mais novos que, porventura, tiverem a coragem de ler este monte de bobagem.

Desde o nascimento da Botocúndia republicana – eu preferia Estados Soberanos de Caetés, ficaria bem mais ajeitado ao espírito que nos move -, o país vem sendo governado por caciques e pajés que se empenharam o tempo todo pelo progresso de nosso subdesenvolvimento. Nós idolatramos heróis errados, personalidades equivocadas e líderes que não mandavam nem dentro de casa, mas que bagunçaram as nossas vidas. Idolatramos um herói que proclamou a República, mas nos esquecemos de nos perguntar como isso se deu. Nossa república é fruto de um ciúme aliado a um suposto chifre – se naquela época houvesse a “infernet”, eu diria que foi um chifre virtual -, mas foi um chifre putativo, ou seja, foi sem nunca ter sido.

Grande parte do século XX foi marcado pela sombra de um caeté, cuja ligeireza, desfaçatez e oportunismo deixou marcas profundas na nação. Foi chamado de “pai dos Pobres”, e, valha-me Nosso Senhor Jesus Cristo, tido como um ícone desenvolvimentista do país. Analisando o conjunto de sua obra, o tal “pai dos pobres” atrasou o progresso nacional em mais de um século, e até hoje lutamos para nos livrar do lixo autoritário que ele deixou para a aldeia toda. Olha lá… ele pegou o filé mignon do Sardinha…. é de lamber os beiços. E, o tal pai dos pobres, tal como um calangro mimetoso, ora ia para a direita, ora para a esquerda. Até tentou namorar com o facinoroso assassino, com aquele bigodinho que parecia rodapé de tabaca e que quase destruiu o planeta.

Depois veio o “pé de valsa”… ah, tempos maravilhosos, quando a humanidade aperfeiçoava métodos de matar, mas também sonhava em pisar em outros mundos… aquele sorriso aberto, com um olhar meio Xing Ling, em uma ligeireza de assustar até mesmo o batedor de carteira mais experiente, tirou a capital do meio do povo e a colocou no meio do nada. Afinal, até para tramar o sucesso de nosso fracasso é necessário um pouco de paz. Não dá para investir no progresso da pobreza, da ignorância e do amadorismo com o povo berrando no ouvido dos “líderes da nação”. E, por incrível que pareça, esse pé de valsa é tido como um dos ícones heroicos da taba, mesmo deixando uma dívida monstruosa que financiou a construção daquela insanidade chamada “BrasILHA” e que pagamos por ela até hoje.

No século XXI intentou-se reeditar o mito do “Pai dos Pobres”, dessa vez com um espertalhão ignorante, mas muito vivo e que vendeu uma lorota de que, bastava modificar a metodologia de se monitorar os caetés mais pobres da taba que, por um passe de mágica ela acabava. Eu mesmo, ate se me alembro, estava fazendo um cozido com os ossos do pescoço do bispo Sardinha – aqui no glorioso Mato Grosso do Sul esses ossos se chamam pucheiro, e fazer uma pucheirada é fazer um caldo grosso e gordo com esses ossos -, estava aromático de lamber os beiços quando me dei conta que deixei de ser classe média baixa e passei a ser milionário, com a mudança daquela metodologia.

E praticamente o dito “pai dos pobres”, demiurgo do século XXI passou a ser incensado e louvado como um gênio da humanidade, como o “The man” dito por aquele toco de fumo que governava os Zistados Zunidos. Foi a deixa para que esse pai armasse o maior esquema de ladroagem que se tem notícia na história da humanidade. Fico-se-me pensando: Ferdinand Marcos, Mobutu Sese Seko, Sukarno, Idi Amin Dada, Muammar Ghadaffi, Anastácio Somoza, Papa Doc, Adhemar de Barros, Sani Abacha, devem estar no inferno se arrebentando de “reiva” porque eles se tornaram amadores e batedores de carteira mambembe diante do ladroísmo praticado aqui na Caetélandia.

Mas o que mais se me assusta é ver um bando de neguinho pé de toddy defendendo aquilo que, para alguém que consegue somar dois mais dois, noves fora, é indefensável e insano. Chego-se-me a pensar que, tal qual Maurino Junior, toda a taba foi abduzida para algum universo paralelo, por ETs especialistas em fazer exame de próstata com aqueles dedos de mais de metro de cumprimento. Emboramente isso não seja de todo estranho, o ladroísmo está mais do que provado, e sempre que oiço alguém reclamar, se vem se me à cabeça… peba não vota e tamanduá não tem título de eleitor.

E depois veio outro desastre, incensado pelo demiurgo. Um fenômeno psicopatológico que não conseguia juntar duas orações em uma mesma sentença, sem que houvesse alguém que fizesse isso. Teimou em aprovar uma lei para que fosse chamada de ANTA. Bem a calhar, apesar de todo o meu respeito àquele mamífero probóscide. E aí o espetáculo de bizarrices chegou ao grau de arte. Não somente a atitude bucaneira com que os nossos “pogreçistas” pilharam o país, mas também com o grau de deboche com que eles tratavam os demais caetés. Nem a buchada do Sardinha queriam que a malta ignara comesse. Nem as unhas e os cabelos do Sardinha. Era só para sentir o cheiro.

Mas também houve quem pensasse na taba para o futuro – Maurício Assuero que me atire o primeiro tijolo oito furos bem no meio da fuça caeté se eu estiver contando potocada -. Caetés de boa Ôpa que pensaram este país prafrentemente do que temos hoje. Vislumbraram uma nação que cuspiria a carne do Sardinha, se levantariam da beira da fogueira, caçariam o direito de voto dos pebas e anulariam o título de eleitor dos tamanduás. Esses, infelizmente, em todos os tempos da existência caeté foram perseguidos, caluniados e apagados da história nacional.

Então, meu caro, quando alguém reclamar da corrupção política, da nossa vocação para o amadorismo e nossa firme crença no progresso de nosso atraso, na louvação daqueles que mais contribuíram para nossa pobreza, pense e fale bem alto: peba não vota e tamanduá não tem título de eleitor.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

O MELHOR DO BRASIL

Pindorama, ano de 456 d.S. (depois de Sardinha), e ainda vivemos uma doce utopia de que o melhor de nós está em nós mesmos. Parece sina, mas os nossos caetés se iludem com essa falsa ideia de que o brasileiro é o melhor que o Brasil tem. Mas, vamos por parte e por assunto, se não tudo vira uma salada que ninguém entende.

Há um ditado popular que diz que “o melhor do Brasil é o brasileiro”. Mentira mais deslavada e lorota mais sem graça é essa. Se o que estamos vendo é o “melhor”, não quero nem imaginar o que seria o “pior” que o brasileiro tem a mostrar de si para os outros. Desde a famosa “lei de Gerson – levar vantagem em tudo -“, até as pavorosas politizações sobre cadáveres, há muito tempo o Brasil vem demonstrando, não somente um lado medonho, mas também hipócrita. Façamos como Jack, o estripador: vamos por parte.

Em 2011 o mundo assistiu estarrecido o terremoto que atingiu o nordeste do Japão, seguido de ondas gigantes, os famosos tsunamis, que quase arrasaram a cidade de Fukushima. Sabe-se que as cidades vizinhas, e mesmo os comerciantes da região, para ajudar a população vendiam alimentos a preço de custo, arcando com os impostos e encargos, tudo com o intuito de ajudar as vítimas da cidade.

Ouvi dizer, mas não sei se é verdade, que, após a explosão que destruiu o porto de Beirute, taxistas faziam corridas gratuitas e auxiliaram muitos parentes de vítimas daquela explosão. Como disse, não sei se é verdade, ou lorota. O que sei é que a corrente de solidariedade naquele país mostrou o melhor dele.

Agora, voltemos a Pindorama e façamos uma reflexão histórica para ver se o melhor do Brasil é mesmo o brasileiro. Em 2018 vivenciamos uma das maiores paralisações de corporação da nação: a dita greve dos caminhoneiros. Nesse episódio vimos o melhor que o brasileiro tinha a oferecer: donos de postos de combustíveis aumentando em até 1.500% o preço dos combustíveis, supermercados triplicando o valor dos produtos, atacadistas de hortifrutigranjeiros, simplesmente sumindo com hortaliças, frutas, verduras e legumes, a fim de forçar a subida de preço. Passada a greve, os preços voltaram ao seu normal, ninguém foi punido pelo abuso, quem especulou com preços se deu bem. Esse foi o melhor que o brasileiro tinha a demonstrar em 2018.

Em 2020 tivemos a crise da pandemia do coronavírus – e toda vez que vejo jornalistas falando “pandemia global” quase me cago de tanto rir, afinal, se é “pan”, por si só já diz que é global, mas deixa isso para lá -, e essa PANdemia revelou o que o brasileiro tem, de fato.

Governadores brincando de governar, tal criança mimada que, se não forem o capitão do time levam embora a bola para casa. Trancaram sua população e saíram de férias. Tiveram um ano de aprendizado, e como os Médici de Florença não aprenderam nada, mas também não esqueceram nada. Cada governador, cada prefeito de Pindorama resolveu chamar para si a administração da pandemia, isso mesmo, administraram a pandemia e não uma solução para a superação da mesma, ou sua erradicação. Aqueles que assim o quiseram fazer foram impedidos, seja pela justiçam seja por governadores que nada deixaram a dever a Jean Bedel Bokassa, ou mesmo Idi Amim Dada.

O resultado dessa brincadeira foi a mais longa quarentena – palavra cuja raiz é quarenta, ou seja, quarenta dias – da história da humanidade. E, administraram bem a pandemia – mais de 217 mil mortos -. Hoje, temos pessoas morrendo sufocada por falta de ar, simplesmente porque governadores e prefeitos desviaram dinheiro do contribuinte, sumiram com oxigênio, brigaram entre si. Ainda estão se refestelando com uma tíbia do bispo Sardinha.

O, que Deus me perdoe, supremo tribunal federal – assim mesmo em minúsculo, pois reflete o caráter daquele ajuntamento -, arvorou-se, igual o professor Ludovico Von Pato, do gibi do Tio Patinhas, especialista em infectologia, virologia, imunologia, e o diabo a quatro. Alguns ministros suspeitíssimos, a quem eu não confiaria nem com um estilingue, estão, até hoje, fazendo igual àquela dupla de Sobral: dando dois, quatro, máximo de cinco dias para que ministros se expliquem sobre como agirão com a vacina, seringas, agulhas, lata de leite condensado, e goma de nicotina. Aí, quando alguém pergunta como um processo que se iniciou no tempo da monarquia só teve seu desfecho 105 anos após seu início, eu digo… vá no supremo tolete federal e questione lá.

Bilhões de reais do nosso dinheiro foram aplicados na gestão da pandemia. Isso mesmo. Foi aplicado na gestão da pandemia e não na sua solução. De uma hora para outra, o vírus passou a agitar bandeira, falar “cumpanhêro” e a não sair mais da rua. A imprensa amedrontou de tal forma o brasileiro que, aqui na gloriosa Campo Grande eu vejo gente dirigindo carro, apenas ela dentro do auto, com os vidros fechados e usando máscara. Essoutro dia, andando no parque aqui do bairro vi um monte de gente fazendo caminhada sozinha, ao ar livre e… de máscara.

Há duas semanas, jantando com um amigo, mal estávamos saboreando umas costelinhas de porco frita em azeite especial quando o garçom chegou com a conta pedindo para que acabássemos o mais rápido possível porque era a “hora do vírus”, ou seja, das seis da manha até as vinte duas horas o vírus se mantém quieto em seu canto, mas depois das vinte e duas ele sai e faz estrago. Perdi o apetite, apesar daquela costelinha estar saborosa. E, via-se nos olhos do garçom o pavor a respeito do vírus.

E, ao que parece, 2021 vai continuar na mesma toada. O medo se espalhando, a hipocrisia, a safadeza, a ligeireza vai continuar ditando as regras, enquanto gente que deveria estar pensando no Brasil só pensa naquilo: derrubar o presidente da república. Aliás, eu fico pensando… o que isso tem a ver com a cueca??? Derrubar o presidente vai nos livrar do vírus, vais acabar com a pandemia? Para os Bokassa e Idi Amin de Pindorama isso não tem a menor importância. O que importa é colocar alguém lá que vai irrigar os seus bolsos, carteiras e cus, ou cuzes com maços e maços de lobos guarás e garoupas. Enquanto isso, mais brasileiros irão morrer sufocados, dentro de uma atmosfera que é propícia à vida aeróbica.

Essa pandemia se teve algo de bom e pedagógico foi desmontar mitos e mentiras sobre nós, caetés. Aqueles que detêm o poder de fazer algo demonstraram uma incompetência oceânica em agir para evitar a contaminação da população, logo em seguida politizaram o vírus até à beira da irresponsabilidade homicida, jogaram toda a culpa nas costas do chefe do executivo federal e saíram de férias…afinal eles não são nenhum Churchill. Poderiam ser algum tipo de Pierre Laval do século XXI. Mas isso são apenas encrencas de minha parte.

Por outro lado, nós, os demais caetés só nos indignamos no twiter, no facebook, no instagran e no youtube. Aquela centelha cívica, que um dia levou um sinhozinho todo tremido de maleita, com o câncer roendo-lhes as entranhas, que atendia pelo nome de Teotônio Vilela, a percorrer o país e se indignar contra o arbítrio, não existe mais. Trocamos a centelha da indignação cívica pelos likes e número de seguidores que pudermos angariar nas redes sociais. Isso é o melhor do brasileiro. Queira Deus que, com a continuação da pandemia não mostremos o pior do caeté que temos escondido em nossas almas.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

VINHO DE OUTRA PIPA, IRMÃO DE OUTRA OPA!

Hoje, pela manhã, estava “escuintando” um comentário sobre o dito racismo “do bem” – se é que essa excrescência existe – a respeito da prefeita eleita de Bauru, SP. Diziam os ditos “pogreçistas” de plantão: como ela pode ser mulher, negra, e, sumidade dos pecados, daqueles que fazem você ir direto para o lago de fogo e enxofre por toda a eternidade, “evangélica e conservadora”. E, não foi só um comentário, mas sim “trocentos” deles, com a mesma toada de viola, com acorda mestra desafinada, demonstrando que o “pogreçismo” deles é só uma mentira hipócrita e safada. Para essa gente, se você é mulher, preto, gay, traveco, xibungo, e, principalmente pobre, você só pode ser “pogreçista”. Mas, só poderá ser como uma categoria social, nunca como indivíduo, ou “persona” como dizia Salvattore Quasímodo.

Então, se me peguei analisando nossos “pogreçistas socialistas e comunistas” (Desculpem a redundância, apesar do Goiano querer me espinafrar nos comentários depois de ler este arrazoado de um caeté preguiçoso. Dele eu aceito, porque tem estofo argumentativo e suas críticas saem sempre da porção superior da coluna vertebral, que termina em um órgão chamado massa encefálica. O resto, infelizmente acaba pensando com a porção final do intestino grosso. Para esses dou uma banana). Mas, e olha eu me perdendo de novo, e sua sanha igualitarista, a fim de transformar o Bananão em uma pátria socialista e mais justa – detesto esse advérbio de intensidade junto ao adjetivo. Uma sociedade precisa ser justa, só isso. Uma sociedade que busca ser “mais” justa, já é injusta por definição.

Acontece que nossos “pogreçistas” só admitem uma sociedade igualitária, desde que eles fiquem em posição de comando, em um lugar em que possam dar as ordens e se comportarem como as elites vermelhas de Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. “Sejemos” um pouco curiosos e perguntemos se as elites desses países sofrem as mesmas restrições de liberdade, o mesmo racionamento de comida, de saúde e de informação que o resto de sua população?

Um paralelismo histórico se faz necessário para compreendermos essa dicotomia entre os líderes e os liderados na utopia socialista. E não vou pegar a “Revolução dos Bichos” como metáfora para isso. Basta olharmos São Petersburgo no início de 1917 e o Supremo Tribunal Federal do Brasil no fim de 2020 e teremos esse paralelo perfeito. Lá, em São Petersburgo, depois rebatizada como Leningrado, e de volta a São Petersburgo, Nicolau II, sua família, a nobreza e o clero ortodoxo viviam em outro mundo. Enquanto comiam caviar, carnes finas, vinhos de melhores safra, premiados e de origem, o povo mal podia comer um pão que, se tentássemos colocar na boca, com certeza viria ânsia de vômito, dado ao ele continha. Carnes para o povo? Só se fosse de rato, cachorro (faz lembrar alguma nação contemporânea?), ou qualquer ser asqueroso que conseguiam encontrar. No inverno de 1905, quando as tropas czaristas abriram fogo contra o populacho que, pelas ruas chamavam Nicolau II de “paizinho” – tratamento carinhoso com que o povo chamava seu soberano à época – clamavam apenas por um olhar justo, e auxílio contra a miséria extrema. A recepção a bala, naquele dia de 1905 marcou o fim do czarismo e selou o destino de Nicolau e sua família. O mais interessante é que, nenhum líder socialista que conspirava contra o czar morreu, ou mesmo se feriu nesse protesto.

Hoje, no Brasil a confluência daquele 1905 parece se repetir como farsa. Temos um supremo – assim mesmo em letras minúsculas para homenagear a estatura daqueles que estão lá -, Temos 11 czares desligados da realidade nacional que, enquanto comem lagostas e vinhos premiados, estão cegos e surdos para o Brasil que trabalha e paga imposto. Estão na mesma “nau dos insentatos” de Bosch, assim como estiveram Nicolau II e sua família. E, dentro dessa nau, também estão nossos “pogreçistas” tupiniquim. Sempre lutando pela sociedade socialista mais justa, desde que não tirem deles seus baseados, seu uísque de fim de tarde, sua porção de sol da tarde e sua cobertura “no Leblon”.

Nossos “pogreçistas” são vinho de outra pipa e irmão de outra Opa. Falam o português, andam pelo Bananão, lutam por um socialismo à la Cuba, desde que possam manter seus privilégios como os Romanov no Palácio de Inverno de São Petersburgo daquele longínquo início de 1917. Digo isso porque recentemente vi uma postagem da deputada Sâmia Bonfim comemorando “o bebê” de treze semanas que ela carrega no ventre. Parabéns a ela pela futura maternidade. Isso, no entanto, não teve o condão de mudar o seu pensamento. Como uma deputada do Psol – esse tipo esdrúxulo que só cresce aqui em Pindorama. Um partido que consegue aliar os termos “socialista” e “liberdade” merece o prêmio Darwin, e o Nobel de Química, pois conseguem juntar dois conceitos antagônicos num ajuntamento político com a consistência de uma gelatina e transformar tudo em merda -. Pois bem, Sâmia Bonfim é desse partido que defende o “direito” de assassinato de um ser humano com três meses no ventre materno. Ah, mas defende o direito de assassinar para as outras mulheres, pois no ventre alheio não existe um “bebê”, apenas um ajuntamento de células.

E nossos socialistas seguem nessa toada. Aliás, Hélio Gaspari na excelente trilogia sobre o período 1964-1985 traz para os leitores o episódio sobre o assalto ao cofre de Adhemar de Barros. Para os incautos a história é a seguinte: Adhemar de Barros era governador de São Paulo entre 1961 e 1963. Foi a partir dos atos bucaneiros dele que surgiu a expressão “rouba, mas faz”. Conta-se que o Colina – Comando de Libertação Nacional -, da qual aquele “papa-figo” de saias que atende pelo nome de Dilma Rousseff, ex-presidANTA do Brasil participou, “expropriou – apenas uma palavra bonitinha para assalto e roubo – o cofre de Adhemar na casa de uma grã-fina e encontrou cerca de 4,5 milhões de dólares. Esse dinheiro à época faria o sonho de qualquer grupo revolucionário. O que se sabe é que essa grana toda saiu do país. Um pouco voltou para comprar terras no Centro Oeste e na Amazônia para a formação de centro de contrarrevolução. O que se sabe a partir daí é que muitos “companheiros” acabaram virando proprietários rurais e mandaram o sonho revolucionário ao diabo que o carregasse.

Nossos “pogreçistas” de esquerda seguem nessa toada. Querem um país que tenha a malandragem caribenha dos Castros que mantém o povo em uma prisão sem muros, enquanto eles desfrutam, em ilhas privadas, as belezas das sociedades abertas; a truculência assassina dos Kim da Coreia do Norte que mente e mata seu povo na base do lançador de míssel terra-ar, enquanto mandam seus filhos estudarem na suíça; e a safadeza de gigolô de um Nicolás Maduro que explora a fome e a miséria de seu povo, enquanto desfruta das melhores carnes em restaurante chique na Turquia. Esse é o arranjo sonhado por nossos “pogreçistas” desde que eles sejam os comandantes dessa ópera bufa chamada sociedade socialista. Perguntem a qualquer socialista se eles se contentariam com o simples papel de cidadão nessa antitopia, e prontamente responderão com um sonoro não! Querem o socialismo, desde que possam comandar e dar ordens. Qualquer arranjo fora desse esquema e eles correm para “Niviorque”, porque até o paraíso seria torturante se eles não estivessem Deus, apenas como coadjuvante.

Ideia conveniente, ajustada em uma teoria escrita. Mas nossos “pogreçistas”, assim como nossos Romanov do STF esquecem que, quando o poder é empalmado por alguém com dois graus a mais de vigarice e cinco graus a mais de sanha assassina, o sangue deles é o primeiro a empapar a bandeira vermelha que carregam, pois, tal como os vigaristas dos Castros, os tarados assassinos dos Kim e o gigolô da fome alheia do Maduro, essas novas lideranças não aceitam e não admitem a divisão de poder. A história nos ensinou isso com o bigodudo assassino da Georgia chamado Joseph Stalin. Daquela vez foi como drama, agora será como farsa. São mesmo vinho de outra pipa, e irmãos de outra Opa.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

LONGA VIDA A LULA!

De repente, algum desavisado pode ler esse título e pensar que eu pirei na batatinha a respeito do maior embuste da história política recente do Brasil. Mas não. É fato. Sinceramente eu desejo longa vida ao Lula. Não por ele, obviamente, mas eu detesto a ideia de hegemonia política sob qualquer quadrante. Eu não tenho essa tara unicista, nem mesmo que isso leve ao paraíso na Terra. Minha toada é outra e minha viola é afinada Dó Maior.

Este tema vem me incomodando há uns dias e resolvi colocar no papel, a fim de analisar, sob a perspectiva histórica, a dinâmica da esquerda no Brasil, desde o começo do século XX, ou melhor, desde o fim da República do Café com Leite. É fato que o espectro político brasileiro nunca se firmou sobre ideias ou mesmo ideologias políticas que pensassem o país no longo prazo. O maior prazo que a dinâmica política nacional dá para suas ideias é quatro anos, e olhe lá!

Sob essa óptica, tanto a direita, quanto à esquerda sempre se firmaram sobre personalidade: o adhemarismo, o lacerdismo são exemplos desse personalismo. Assim como o carlismo na Bahia. O getulismo não cabe nessa perspectiva por que Vargas foi um camaleão político que ora pendia para a direita e para esquerda, a depender das vantagens que isso adviria. Lula se situa no mesmo patamar, mas à diferença de Vargas que acreditava nesse tipo de construção, Lula não acredita.

A percepção da realidade brasileira, é que, nem direita e nem esquerda, se fiam a um programa, ou um projeto de nação de longo prazo. Um projeto de busca pensar o que o Brasil quer ser daqui a cem anos e o que o resto da América do Sul deve ser para o Brasil nesse mesmo período. Nada disso! Nós vivemos “deitado eternamente” vendo apenas o presente! O hoje! O agora. E o futuro que se dane!

Vendo as escaramuças entre o Partido Democrata e o Partido Republicano dos Zistados Zunidos, pode-se perceber que, apesar das diferenças, eles ainda possuem um programa de longo prazo. Apesar dos Democratas de hoje em nada lembrarem o partido de John F. Kennedy, ou mesmo de Lyndon B. Johnson, eles vão levando a vida. Donald Trump quis recuperar o idealismo do Partido Republicano de Ronald Reagan, mas deu com os burros n’água. Mesmo lá, parece que nivelar pelo gosto mediano e pela mediocridade da massa, é uma tendência a ser levada a sério.

Mas, voltando para Pindorama, uma situação que me deixa incomodado é ver como a esquerda anda, inexoravelmente, rumo à extinção. E não digo apenas o Partido (Deus que me perdoe!) dos Trabalhadores (PT), mas também o PDT, o PSOL, o PCO, o PCdoB, o PSTU e congêneres. Calma! Eu já explico o motivo de eu antever essa extinção com data programada para acontecer. Mas antes quero deixar claro. Apesar de não ser simpatizante com as ideias esquerdistas, menos simpatia tenho por posições hegemônicas e unilaterais. Elas são o caminho mais rápido para o cabresto e a cangalha.

A direita, apesar do personalismo, não ficou dependente, como um viciado, em seus líderes. Não seguiu esse líder até a lápide no campo santo e deitou-se na campa esperando o fim inexorável. Quem hoje se lembra da força do adhemarismo, ou mesmo do lacerdismo? Na minha cidade natal, Corumbá, a cidade branca, houve um político populista que levantava multidões. Cecílio de Jesus Gaeta chamava seus eleitores de “Meu roseiral querido”. E quando ele bradava, milhares o seguiam. Hoje, as novas gerações nem conhecem quem é Gaeta e o que ele representou no cenário político municipal e estadual.

O mesmo está ocorrendo com a esquerda. E toda a esquerda. A direita fragmentada no Brasil teve e tem vários ícones. A esquerda, infelizmente criou e amamentou um totem, um ente sagrado, um deus-sol (l’etat c’est moi!), um sistema planetário em que existe um único ente com vida, rodeado por planetas, cometas, asteroides, luas, anéis de gelo e meteoritos sem vida. Estéreis. Secos. Luiz Inácio Lula da Silva é um ente de razão para essa esquerda, mas também é uma fonte de vida, uma espécie de manancial em que a seiva da vida emana para todos os partidos que orbitam ao redor dele.

Até mesmo no PDT de Leonel Brizola. Morto o caudilho, assumiu o comando um balofo sem expressão, sem carisma, que só é lembrado nos boletins policiais. Esse balofo atou o partido à figura de Lula e não ao petismo. E essa figura foi matando o partido, assim como cipó mata-pau asfixia a árvore que lhe serve de esteio. Hoje o PDT é apenas um braço do lulismo. O que se convenciona chamar de petismo é só um cacoete, um movimento mecânico do lulismo que mobiliza toda aquela penca de gente feia que dói nos cornos, mas que não têm vida. São apenas zumbis, ou bonecos de mamulengo que só se mexem se Lula movimentar as mãos.

Lula cresceu e se tornou maior que o PT. Lula matou o PT lá na década de 1980, quando sufocou o partido e o impediu de criar outras lideranças. No jogo em que Lula está ele é o capitão da equipe, o zagueiro, o centroavante, os laterais, a zaga, o goleiro, o técnico, o massagista e o gandula da equipe. Isso, no longo prazo impediu que possíveis lideranças surgissem para substituir a velha guarda quando essa se aposentasse, ou “cantasse para subir”, quando chegasse a inexorável hora. E é essa hora inexorável que está chegando para Lula e ele ainda não se deu conta disso.

Alguém pode dizer que eu estou agourando o padre de missa negra de Garanhuns. Longe disso. Eu quero que Lula viva para ver as suas condenações se multiplicarem, desde que sejam feitas dentro da lei e com todas as garantias legais. Não sou do tipo “aos amigos tudo, menos a lei; aos inimigos nada, nem a lei”. Disse e repito. Sou um ultrahiperliberal em todos os sentidos. Mas deixo um alerta para todos os brasileiros: em breve veremos um processo de extinção em massa no mundo político. O desaparecimento de Lula levará à extinção da esquerda em Pindorama.

Não há, nestas plagas, partido político, ou mesmo liderança de esquerda com estofo para substituir Lula. E ele sabe disso. Ele levou a esquerda ao suicídio coletivo e à extinção programada. Ao não dar espaço para o surgimento de lideranças substitutas, Lula decretou-lhe a extinção. É ai que mora o perigo! Então, só podemos torcer e clamar: longa vida a Lula!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CLIENTES, OU REFÉNS?

Esta semana estava escrevendo um texto em que analisava o personalismo de nossas vertentes políticas. Interrompi aquele, pois iria participar de uma mesa redonda sobre Leitura, Literatura e Ensino em um simpósio internacional que trazia visões de diferentes países sobre esse tema, principalmente os de Língua Portuguesa.

Na minha fala, apontei como o sistema de ensino brasileiro é arquitetado para o fracasso e como cada parte dessa engenharia contribui, em maior, ou menor grau para esse fracasso. Fui rebatido por um colega que, em vez de argumentar saiu com aquela catilinária de sempre: ah! O sistema brasileiro de ensino é dominado pelas potências ricas que querem o brasileiro analfabeto; ah! O setor de livro didático é dominado pelas editoras que só querem saber de lucro, ah!, o professor é o único que não tem culpa nisso, ah, que a escola está sucateada e o professor tem péssimas condições de trabalho e vive oprimido por baixo salário, e por ai vai. Eu não sou de cortar as asas de ninguém. Deixei o indivíduo falar até que a corda dele acabou.

Eu tenho trinta anos de serviços públicos dedicado à educação – disse eu naquele evento, e repito agora -. E posso dizer que, da época em que entrei na educação pública, até o presente momento, a escola, se não chegou ao paraíso, pelo menos saiu do inferno e está no purgatório. No meu primeiro ano de magistério o que tínhamos era giz branco, quadro negro e garganta. Trabalhava 50 horas/aula semanais de 50 minutos cada, ou 40 horas relógio de 60 minutos. Não havia as famosas horas para planejamento. O planejamento fazíamos aos fins de semana, em casa.

Lembro-me que o salário bruto era de o equivalente a 120 reais pelas quarenta horas. Como o salário mínimo era cerca de 180 reais, recebíamos um “abono” para igualar o salário ao mínimo nacional. Depois disso vinham os descontos e acabávamos recebendo, líquido, cerca de 145, 155 reais, em média

Disse ainda, a esse meu debatedor que as provas eram na base do mimeógrafo a álcool, mesmo assim pedindo que o aluno trouxesse, cada um, 30 folhas de sulfite, e algumas folhas de estêncil para poder fazer as provas. E quando não traziam, esses materiais saíam do nosso bolso, porque a escola também não tinha recursos para adquirir esses materiais. E, quando recebiam, duas vezes ao ano, tinham que pagar os penduras no comércio local, de material de limpeza, material de escritório, reparos elétricos, hidráulicos, e por aí vai.

E disse a ele – que pelo visto fez toda a sua carreira no ensino superior e nunca pisou em uma escola pública de educação básica -, pelo menos aqui no Mato Grosso do Sul é assim… hoje o professor conta com acesso á internet banda larga, sala de professor climatizada, cota para reprografia e para provas, todo o material de registro das atividades é on line, até o planejamento, cabendo ao professor apenas clicar no link que ele é automaticamente preenchido. Ao professor cabe apenas definir as datas de avaliação e o tipo de avaliação.

Atualmente, há quatro repasses financeiros ao ano: dois federais e dois estadual que chegam a somar quase sessenta mil reais, afora o repasse da merenda escolar que, a depender do tamanho da escola pode ser de até cem mil reais anual.

O salário médio de um professor com 40 horas semanais, a depender da titulação e do tempo de serviço pode variar entre onze e treze mil reais, além de que, de cada vinte horas de trabalho, um terço dela é para planejamento, sendo que a somatória desses planejamentos fora de sala de aula, dois podem ser cumpridos na escola, e dois onde o professor bem entender.

O que mais chama atenção nessa evolução da escola é que, apesar dessas melhorias visíveis – agora temos o projeto Educação Conectada que oferece internet grátis para alunos, professores, funcionários e pais de alunos dentro do ambiente escolar, e livre, sem senhas, nem filtros -, a qualidade do ensino público só foi ladeira abaixo. Hoje estamos no mesmo patamar de Botsuana, Ruanda, Somália e Eritreia no ranking de desenvolvimento educacional.

Ao lançar um olhar sobre esse cenário, e ver que à população que não tem condições de buscar melhores condições educacionais para seus filhos eu me pergunto: criamos mesmo um sistema educacional perverso que deixou de ter clientes cativos e passou a ter reféns do sistema?

E não digo do malvado sistema capitalista que só quer explorar mão de obra barata. É justo seu contrário, pois o sistema educacional brasileiro tem mais esquerdistas e comunistas que dentro do Partido Comunista Chinês. Ao contrário daquele ajuntamento de facínoras que usa a ideologia comunista para ganhar dinheiro, nossos comunistas acreditam piamente que só essa ideologia pode salvar o sistema educacional, enquanto isso, vão demolindo a escola.

Certa vez, estava assistindo a uma palestra de uma professora, doutora em educação – e ela se zangou comigo porque eu disse que ela não era especialista em Educação Básica. Podia ser especialista teórica, mas o verdadeiro especialista é aquele que passa 40 horas semanais em sala de aula de educação básica, sofrendo todos os tipos de privações e ameaças possíveis – e ela falando que era preciso superar esse modelo capitalista, que a escola precisava ser revolucionária, libertadora, ensinar as crianças a pensar fora da caixa – sei lá o que isso significa, mas com certeza, toda vez que alguém diz isso, Descartes se vira na tumba -, implantar uma ideologia libertadora do homem na escola. Ao término, pedi a palavra e perguntei a ela se tinha filhos em idade escolar. Diante da resposta positiva dela, questionei que, se tal escola existisse ela os matricularia na mesma. Obtive como resposta um silêncio ensurdecedor.

Assim, nossos ditos pensadores vão pensando a escola, mas uma escola que serve para o filho dos outros. Deles mesmo só servem escolas privadas, e quanto mais conservadoras e tradicionais melhor ainda. Isto porque na escola pública, e é triste dizer isso, 35% dos professores nunca leram um livro, segundo a Fundação Pró-Livro, 43% não cultivam o hábito de frequentar bibliotecas e livrarias, e 76% só leem aquilo que está no livro didático para preparar a sua aula.

E esse tipo de escola é oferecido ao cidadão. O sistema de ensino brasileiro que oferece educação ruim para as famílias pobres. Ruim, alienadora e ideologicamente fracassada, alterou o modelo de relação com a sociedade. Antes esse sistema possuía clientes cativos, mas com alguma chance de se libertar. Hoje esse mesmo sistema possui reféns. Reféns do atraso, do coitadismo, do comodismo, da preguiça intelectual, da venalidade, do afrouxamento moral, das ideologias “pogreçistas” que já debati aqui no JBF e da culpa sempre no outro.

Em trinta anos de serviço público, sempre me debati, seja em sindicato, seja em comissões de educação – participei da construção do Plano Nacional de Educação e da Base Nacional Comum Curricular em todas as esferas – e sempre briguei pela qualificação permanente do docente, pela humildade científica e pela construção de documentos factíveis. Vejam, a Base Nacional possui 678 objetivos a serem alcançados na Educação Básica. É impraticável e inatingível isso. Parece coisa de maluco, mas é a diretriz macro da pedagogia nacional.

E, como essa base também é diretriz para as escolas privadas, os defensores de ideologias torpes como a de gênero – gênero quem tem são palavras. Seres biológicos têm sexo, sempre digo isso -, o marxismo cultural, o esquerdismo rombudo conseguiu o que queria: transformou toda a sociedade em refém de uma educação que só nos levará ao atraso e ao abismo social.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Ç

O C cedilha, ou C cedilhado é uma daquelas coisas que só existem na Língua de Camões. Eu já vi essa grafia na escrita turca, mas a reprodução do som é diferente da que ocorre em Português. Lá soa mais como o nosso CH. Mas, o Ç é uma daquelas construções planejadas pelo sujeito de pata rachada e cheiro de enxofre que só atazanam nossa vida. Tem suas regras específicas de uso, mas, como não estou aqui para dar aula de Língua Portuguesa, deixa pra lá.

Digo isso, porque semana passada, assim, meio como não querendo nada, fui visitar o escritor deste texto e o encontrei esmerilhando o mesmo, para ver se saía alguma coisa que valesse a pena. Sentamos. Bebemos um quartilho de caña – para homenagear meu amigo gaúcho, homem macho de verdade, Rodrigo de Leon -, e alguns a chama de pinga, cachaça, a que matou o guarda, fofa toba, aguardente, birita, bagaceira, engasga-gato, manguaça, cangibrina, branquinha, etc. Mas, não é sobre ela que quero falar.

Como eu dizia, o autor deste texto, depois de brindarmos com dois copitos, ofereceu-me um charuto, e ficamos, alegres, com o fumacero debruçado na varanda do beiço, aí ele veio me falar da história do Ç. E foi me contando das diversas enrascadas que muitos se meteram ao tentar escrever usando o Ç, e criaram mais confusão do que esclarecimento. Eu, nessas situações fico pubo com as histórias deles. Histórias de antigamente, pratrasmente de uns quarenta, ou cinquenta anos. E ele me disse, historias daqueles tempos quando os animais ainda falavam. E eu, para mangar dele, com tudo quanto é dente vindo ver o encabulamento do coitado dizia: Não é tão antiga. Você fala que é do tempo em que os animais ainda falavam. Tá atraso. Hoje, não somente falam, como alguns tipos, com casco inteiriço são eleitos para altos cargos na Res Pública, mas deixa isso pra lá.

Aí ele me contou a história da menina, apaixonada por ele que escreveu o seguinte bilhete: R…. eu te amo, çofro muito porque vosse mim dispreza. Meu corassão fica dolorido quando eu olho vosse paçandu na rua. Axo que to doente. Qui remédio vosse me recomenda? A resposta dele foi lacônica, mas certeira: Consulte um professor de Português que esse faniquito passa!

Mas a história do C cedilha é antiga, data do século XIV, lá na terrinha, sim sinhoire. Aliás, meu amigo escritor contou para mim que, certa vez, no cais de Lisboa, viu a despedida de dois amigos portugueses. Um estava indo de navio para fazer um “tour” pela Itália: Manoel e Joaquim, para variar. O navio desatracou, e o Manuel lembrou-se de dar um recado para o Joaquim e gritou…. Ó Joaquim, na Itália não te esqueças de visitar o Coliseu…. Na balbúrdia o Joaquim mandou de volta… Cu de quem????

Mas, voltando à vaca fria, meu amigo, além de escritor, também é professor igual a mim e se lamuriava… ah meu caro.. o que já vi de aluno escrever açassino, cassarola, miça, e por aí vai, parece que desconhecem a própria língua. Aí lembrei a ele um caso famoso, ocorrido nas bandas do sul do Mato Grosso. Conta-se que certo prefeito de uma cidadezinha às beiras do pantanal, na famosa inundação de 1974, desesperado, pois fora pego despreparado, a municipalidade começou a ter carência de produtos de primeira necessidade. Principalmente sal, para o gado vacum, que estava no entorno da cidade. Chamou o secretário e mandou este oficiar ao governador, solicitando, com urgência o envio de 10 toneladas de sal para atender a demanda, tanto animal quanto humana. Pedido feito, quatro dias depois avisaram ao prefeito que atracou no porto da cidade, uma embarcação com 10 toneladas de cal, a mando do governador. O prefeito sentou-se na cadeira, botou a mão na cabeça e começou a chorar…. puta que pariu…. esqueci de botar o cedilha no pedido.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

NO TRIBUNAL

Ao Bar de Ferreirinha

Dona Babilônia – apesar do nome, não se podia dizer que era uma das sete maravilhas do mundo. Mulher mais vesga e verruguenta estava ali. Mas, deixa pra lá – era testemunha de um caso de sedução em Cajazeiras. Aliás, cidade pequena, sem muito ter para que as pessoas se divirtam, abundam os casos de sedução de moçoilas. Vai que o Segismundo seduziu a Niquita, filha de dona Cornélia, que é parente por parte de pai da mãe do prefeito. Que isso fique bem claro: em cidade pequena, quando se nomina uma pessoa há a necessidade de se dar a genealogia vertical e horizontal do sujeito para que não fiquem dúvidas.

Pois bem, dona Babilônia, a dita testemunha, chamada para afiançar as qualidades e donzelices da Niquita, antes do ocorrido caso de sedução, já aboletada no banco das testemunhas foi inquirida pelo advogado da defesa. Todo bom advogado para manter a pose de isentão, ou mesmo de alheamento das coisas mundanas da vida faz esse tipo de presepada.

– Boa tarde dona Babilônia. A senhora por acaso me conhece?

– Claro que te conheço Carlinhos, desde quando você era moleque – disse a velha em um sorriso de boca de muitos verões passados. Que decepção você não foi para sua mãe! Desde pequeno esse moleque roubava. Era bala na venda de seu Manoel, ovo das galinhas de comadre Sinfrônia. Era e continua sendo mentiroso. Mentia descaradamente para o pai, matava aula. Já adolescente, você se lembra Carlinhos? Você teve que fugir daqui por causa da filha de seu Laurindo. Aquela que você prometeu casar com ela, mas só queria papar a coitada, e seu Laurindo disse que se te pegasse na estrada iria arrancar suas bolas pela garganta. Você era porquera até não poder mais.

O advogado de pardavasco ficou transparente, pigarreou, tossiu e emendou. E o nobre Promotor a senhora conhece?

– O Devair? Mas por demais da conta. Cansei de limpar esse menino que até os doze anos vivia se borrando todo. Agora é cachaceiro, nó cego, mentiroso. Me prometeu uma televisão nova e até hoje nada. Coitada da Laurinha, a mulher dele. Tem mais chifre que maxixe. Aliás, Carlinhos, uma das mulheres com quem ele sai é a sua viu? Ele ainda sai com a mulher do Chico, lá da Farmácia e até já se engraçou com a mulher do Osvaldinho, presidente da Câmara. Eu sempre falava para a comadre Crescência que o Devair não ia dar em nada. Ou ele se transformava em vagabundo, ou em advogado. Olha no que deu. Apesar de bem vestido, continua o mesmo safado de sempre.

O Promotor não sabia onde enfiar a cara e se mexia para todo lado na mesa.

Nisso, o doutor Etevaldo, juiz sério, bate o martelo e chama o advogado de defesa e o promotor.

– Olha só. Já vou deixar bem claro: se qualquer um perguntar a essa velha se ela me conhece, eu mando prender os dois, está claro?