ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

J’ACCUSE

Eu não tenho a pretensão, muito menos a ousadia, de servir de cavalo de terreiro para o espírito de Zola montar em minha carcunda e ser “santo” do dia, mas quero partir da mesma visão que ele teve, ao defender o capitão Dreyfuss diante da injustiça militar ao qual foi submetido. Mas, no caso do capitão, havia em desfavor dele, o fato de ser judeu e alsaciano. Para o brasileiro cumpridor da lei, há, o fato de ser, meramente, cumpridor das leis brasileiras.

Hoje, 29 de junho, dia de São Pedro e São Paulo, eu acuso os membros do supremo tribunal federal – assim mesmo em letras minúsculas, pois aqueles senhores apequenaram aquela casa, envergonharam grandes juristas que ali passaram e cravaram uma faca no coração da decência e da legalidade -, de pisotear a Constituição de 1988, buscando, cada um, ter uma constituição particular que interpreta de acordo com suas conveniências e amizades, violando o fundamento de que “TODOS” são iguais perante a lei, transformando uns em mais iguais do que outros.

Eu acuso o supremo tribunal federal de se arrogar mandos imperiais e ditatoriais, violando o princípio de que ninguém é culpado até prova em contrário, abusando de suas prerrogativas, calcando às leis aos seus egos inflados e lançando vitupério àqueles que, bem, ou mal, em um barraco, ou em uma mansão, buscam cumprir a lei, pois veem nela o primado da civilização.

Eu acuso o supremo tribunal federal de, deliberadamente, provocar uma balbúrdia legal, uma bagunça jurídica e uma farra processual, em que é vítima, investigador, acusador e julgador em um mesmo processo, arrogando, quiçá, o papel de verdugo contra aqueles a quem considera seus inimigos. Nesse convescote circense, além de equilibrista, engolidor de espadas e apresentador, ainda quer ser a bailarina e o homem borracha, deixando à população boquiaberta, o papel de palhaço que os remunera regiamente para que eles solapem o Estado Democrático de Direito.

Eu acuso o supremo tribunal federal a utilizar-se de métodos heterodoxos, truculentos e violentos, e que, qualquer nação com apreço à democracia taxaria de ditatorial, a fim de calar aqueles que não concordam com seus métodos, divergem e criticam os mesmos, exigindo que os chamemos de “excelências”. Meus senhores. Excelência, substantivo, liga-se ao adjetivo excelente, coisa que os senhores não os são, e sabem disso, pois buscam esconder o asco que sentem do povo brasileiro, daqueles mesmos que pagam os altos e nababescos salários, no palavreado de pavão, cheio de citações em línguas estrangeiras e mortas. Os senhores são como as citações que usam: estrangeiros para os brasileiros e mortos em suas próprias arrogâncias.

Eu acuso o supremo tribunal federal de arrogar para si poderes que a Constituição não lhes dá, mas que o conluio com o poder legislativo permite e nutre, na troca de favores e de informações, escoiceando a deusa Dice, que, envergonhada não apenas ficou cega, mas também com suas vergonhas à mostra e sua intimidade rifada na Praça dos Três Poderes. Venderam-se-lhe a balança e penhoraram sua espada, rasgaram a sua roupa e, tais quais aqueles centuriões que lançaram sorte sobre a capa do Salvador, também lançam sorte sobre as vestes daquela dama pudenda, para saber quem irá ficar com o maior butim.

Eu acuso o supremo tribunal federal de ir contra tudo o que esse vetusto prédio representa, contra todos aqueles luminares do direito que por essa casa passaram e defenderam a Constituição. Hoje vocês – isso mesmo, tratá-los por Vossas Excelências é gastar pronome de tratamento belo demais com gente que de excelente nada tem – envergonham nomes como Luís Galloti, José Francisco Rezek, Celio Borja, Nelson Hungria, Sidney Sanchez, Mauricio Correa, Neri da Silveira, entre outros. Arvoram-se o direito de defender a Constituição e, ao arrepio dessa mesma constituição prendem jornalistas, solapam o direito à livre expressão e nos manda calar a boca. Digo e repito: Cala a boca já morreu!.

Eu acuso o supremo tribunal federal de violar a vontade do povo brasileiro, usurpando o direito de serem governados por aquele que foi legitimamente eleito e empossado, dentro da legalidade da civilidade, porém, despojado de seu poder por quem nem um voto teve, a não ser a indicação de alguém cujos interesses estão para serem protegidos naquela corte.

Eu acuso o supremo tribunal federal de julgar segundo o bolso e a conta bancária de quem está sendo julgado, negando ao pobre o mínimo direito de ter proteção do estado e dando a ladrões contumazes e corruptos incorrigíveis a sentença da eterna impunidade. Este fato mais dolorido, pois é do suor daquele que chega, todo o dia em casa, fedendo, faminto e sedento, que sai a maior parte dos impostos que são usados para que vocês se locupletem com lagostas, vinhos caros, jantares nababescos. Daqueles pobres diabos que, muitas vezes, mal conseguem colocar um pedaço de pão seco, com um pouco de café ralo sobre a mesa, para os filhos poderem matar a fome, sai o dinheiro que garante à pequenez de vocês, o carro com motorista, a viagem de primeira classe e a hospedagem em hotel cinco estrelas.

Eu acuso o supremo tribunal federal de ser, na atualidade, o maior risco que a nação brasileira tem para se colocar em pé, orgulhosa de si, de sua criatividade e de seu trabalho. Esta nação que pode muito, porém, é colocada de joelhos, por um supremo que se tornou supremo de si mesmo, encastelando nulidades e delinquentes jurídicos que pouco estão ligando para o país, mas tudo estão fazendo para esculhambar a nação e colocar em prática seu nefasto projeto para 2022: inocentar o corrupto triplamente condenado, para que ele possa disputar as eleições, na vã esperança de que vai ganhá-la.

Eu acuso, e continuarei acusando, sem medo de ir preso, ou de ser processado, pois, quando se tem leis injustas e juízes torpes, só resta ao povo se levantar contra esses juízes e contra essas leis. Eu acuso…. faço a minha parte, e deixo como alerta a esses onze togados que usurparam o poder no Brasil: lembrem-se do 14 de julho. Jamais esqueçam o 14 de julho.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

RESPEITÁVEL

Eu “fico-se-me” cada dia mais apatetado ao ver como a sociedade ocidental está caminhando para um abismo sem fundo, dando gargalhadas e ainda debochando daqueles que estão chamando a atenção dela, para ver se a “besta” para e olha para frente. Essoutro dia estava vendo o debate entre duas celebridades nacional que são expert em P. nenhuma, mas que sempre estão dando opinião sobre tudo. Engraçado é que no Brasil, a maioria acha que celebridade do mundo da música, das artes, do futebol, do cinema e da televisão são intelectuais, e que, podem iluminar o mundo com suas “sabenças”. Nesse, debate, como eu falava, discutiam se o fóssil encontrado em um meteorito que veio de Marte e se chocou com a Terra a 125 mil anos atrás era vida, ou não. O engraçado é que uma dessas celebridades é uma defensora ferrenha do aborto. Moral: para essa celebridade, um fóssil microscópico, que possivelmente morreu há milhares de anos é indício de vida. Já um feto todo formado, com pulsação cardíaca e sentindo estímulos não é. Mundo doido.

Mas deixa isso pra lá… aliás, nem foi essa conversa fiada que eu queria discutir, mas seu tema tem a ver com ela, principalmente ao ver a horda de delinquentes, de todas as matizes gritando, vandalizando, destruindo, saqueando e incendiando propriedades públicas e privadas, em defesa do George Floyd, que morreu em uma operação policial nos Zistados Zunidos. Se os policiais agiram com excesso de violência, ou no estrito cumprimento do dever não me cabe julgar. Para isso eles lá têm leis. Mas, o que me deixou curioso foi ver o cordel de protestos e de “protestadores” que aproveitaram a onda de vandalismo e resolveram tocar horrores por aqui também.

Só para registro: PT (para não variar, quando não está saqueando a nação, está tramando saques), Democratas, PCdoB (não é nenhuma novidade), PSOL (essa incongruência ambulante que tem gente do calibre do invasor de propriedade alheia Guilherme Boulos), Marcha das Vadias (no meu tempo mulher que fosse chamada assim, partia para a porrada, hoje as adeptas desse movimento se orgulham com o insulto), Comunidade LGBT (como sempre os doadores do orifício corrugado, sempre dando as costas para os outros, mas deixa pra lá), PDT (aquela agremiação mesma, que se alguém gritar “pega ladrão”, sai correndo das reuniões de partido) e a tal da Antifas (na verdade eu acho que eles queriam se chamar de Intifada, mas esse nome já tem dono, e pega muito mal copiar nome de terroristas).

E todos eles saem, alegremente destruindo, tocando fogo, quebrando e assaltando lojas, trabalhadores e órgãos públicos, como se não houvesse amanhã, defendendo o tal George Floyd, contra a polícia racista e homicida. Até inventaram uma tal de “vida negra”. E eu, sempre pensando que se tratava de VIDA HUMANA. Caí do cavalo. Agora vamos separar a sociedade em vida branca, vida negra, vida índia. Me lasquei. Sou mestiço. Corre em minhas veias sangue de índios Potiguaras e Aimarás, negro e português das ilhas. Acho que tenho vida “calangro”, assim mesmo, igualzinho aquele calangro que muda de cor…. o tal de camaleão.

Mas, a minha pergunta de fundo é: quem foi George Floyd? Quem foi essa figura que teve o condão de, com sua morte, abalar os fundamentos da civilização ocidental, a ponto de vermos uma horda de bárbaros investir contra a história, contra a lei e contra todos, e as autoridades ficarem inermes em relação a isso? Os informes que passarei abaixo os recebi de um amigo que fez a pesquisa, portanto, estou apenas repassando, mas não negando a autoria do texto
George Floyd

1 – criminoso, traficante e marginal que iniciou sua carreira no mundo do crime em 1990, consta em sua ficha, assalto, trafico de drogas, posse de dinheiro falso;

2 – 1997 – preso, fichado e liberado como réu primário por tráfico de pequena quantidade de cocaína;

3 – 1998 – assalto a pedestre. Condenado a 10 meses de prisão por assalto a mão armada. Assalto a mão armada a um trabalhador – 500 dólares rendeu o assalto;

4 – 2001 – fuga de um ponto de tráfico durante uma batida policial;

5 – 2002 – preso e condenado a 30 dias de prisão por tráfico de pequeno porte de cocaína;

6 – 2003 – condenado e preso por invasão domiciliar e assalto;

7 – 2004 – condenado e preso a 8 meses por tráfico de cocaína;

8 – 2007 – condenado a 7 anos de prisão por periculosidade em primeiro grau. Consta que Floyd e mais cinco disfarçados de trabalhadores da empresa de água invadiram uma residência para assalto. Floyd ficou com uma arma apontada para a barriga de uma mulher grávida enquanto seus comparsas destruíam a casa em busca de droga.

9 – 2014 – Mudou-se para a cidade de Mineapolis, com a desculpa de trabalhar em um restaurante e continuou a sua vida de crimes.

10 – 2020 – drogado, com resultado positivo para a COVID – 19 estava cuspindo nas pessoas, portando drogas e dinheiro falso. A polícia foi chamada e o imobilizaram, tiveram que se esconder atrás do carro da polícia, porque os comparsas de Floyd cercaram os policiais para executá-los e resgatar o comparsa.

Essa foi a ficha corrida do George Floyd, ou “Mano Floyd” como está sendo chamado. Nota-se que era um lídimo cidadão, um luminar para a sociedade e um exemplo a ser seguido. Se os policiais excederam em violência, se agiram intempestivamente, ou mesmo se agiram motivados pelo ódio, é a justiça dos Zistados Zunidos que irá decidir. Agora, depois de ler a folha corrida do Floyd, passei a entender porque quadrilhas de grosso calibre como o PT, o PSOL, o PCdoB, e ajuntamentos de cabeças ocas como LGBT, Vadias e Intifada, digo, Antifas, alegremente se juntaram nessa nau de loucos, e estão tocando horrores na sociedade, enquanto nossas autoridades discutem se “a faca entrou com o corte para baixo, ou para o lado no corpo do defunto”.

Alguém, por favor, chama a atenção do motorista por mim,…. peçam para ele parar o mundo…. eu quero descer….!!!!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

FORMA E CONTEÚDO

Estive desaparecido aqui da nossa gazeta, deixando minha coluna mosquear um pouco por causa do meu calendário. Apesar de estarmos em quarentena e isolamento forçado, aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, as minhas aulas no doutorado que estou fazendo continuaram on line, e, modéstia à parte, tenho professores que são titãs naquilo que ensinam, tudo acabou se acumulando: atividades e apresentações virtuais que tive que puxar o freio de mão na minha coluna. Mas, estamos de volta, em plena pandemia, cujo pico de contaminação só vai apontar para baixo quando o presidente der um murro na mesa e mandar dizer que acabou o dinheiro fácil tirado da bolsa da viúva. Garanto que se ele fizer isso na quinta, na sexta-feira o país terá encontrado a cura do calangovírus, o pico da pandemia terá passado. Enquanto o governo federal estiver liberando verba para que governadores e prefeitos façam compras “sem licitação”, o pico da pandemia sempre estará no mês que vem.

Mas, não é sobre isso que quero falar, e sim sobre o escandaloso escândalo da reunião do presidente com seu ministério que chocou ex-presidentes, blogueiros com pena por aluguel, os “mudernos” influencers, jornalistas militantes, redes de televisão tão isentas quanto um taxi de praça, políticos com folha corrida na polícia maior do que rolo de papel higiênico, presidentes de sindicatos – CUT, Força Sindical, OAB, ABI, et caterva -, membros do MPI –Ministério Público inútil -, lideranças indígenas que conhecem mais as capitais da Europa do que sua própria taba, e para não ficar de fora, aquela moça que gosta de cabular aulas, a tal da Greta Tumberg, que é mais chata que bicho de pé, depois que passa o tempo do comichão.

Todos os citados aí em cima ficaram escandalizados com o escândalo de palavrões que o presidente Bolsonaro proferiu naquela reunião que foi mais uma espinafração, esculhambação mesmo, a ministros preguiçosos, lenientes e com cara de paisagem, do que qualquer outra coisa. A grita está em procurar sensibilizar a sociedade sobre como um presidente, que detém um alto cargo político pode ter uma boca tão suja e ser tão sem pudor, quanto aquele que foi visto na reunião de 22 de abril.

Escândalos escandalosos à parte, eu se me peguei matutando sobre a relação forma e conteúdo, seja em discurso, seja em obra de arte, em romance, em reunião, seja lá o que for. Particularmente eu só reservo palavrão cabeludo, daqueles cuja riqueza de detalhes não deve ser usado assim no barato, para situações especiais. No varejo do dia-a-dia, quando a gente sem querer, dá uma topada com o pinguelo do dedo mindinho na quina de um móvel, o máximo que eu uso é “fidiégua!”.

Se houvesse, nessa gente que eu citei alguém com dois graus a mais de honestidade intelectual, do que o nível de uma vala negra prestaria mais atenção no conteúdo da reunião, do que na forma como se deu. Falou-se sobre a proteção da democracia, das liberdades individuais, do abuso de autoridade cometido por governadores e prefeitos, das reformas necessárias que o país precisa, da defesa da família, e, para coroar, a verbalização que o ministro Abraham Weintraub fez sobre as interferências do STF no Executivo. E ainda mais, me alegrou um pouco quando disse que era preciso acabar com Brasília. De fato. Já escrevi algo assim. Brasília foi construída para que o povo não aporrinhasse a vida de corruptos, de vagabundos que se locupletam com salários nababescos, que só pensam em seus gordos contracheques e mandam o povo ir ao diabo que o carregue. Se o ministro quiser, e me fornecer um lança-chamas, sou capaz de ir à pé até lá e começar o serviço. Mas vamos continuar.

Vi blogueiros, jornalistas e apresentadores de telejornais mais preocupados com o palavrão dito, com o insulto proferido, do que com o conteúdo que estava sendo debatido, posto à mesa e cobrado resultados. Afinal, após 500 dias de governo, algo já era para ser apresentado. Porém as redes de televisão, principalmente aquelas órfãs de verba pública deram grande destaque ao que se falou de ministros do STF. Verdadeiramente, para o que produzem, ganham bem até demais, já que o maior objetivo daqueles senhores, todo momento, é tentar enrolar o cidadão que paga o salário deles, interferirem em outro poder e se sentirem dodóis. Vagabundos até que saiu no barato, dito pelo Waintraub.

Essoutrodia estava lendo a coluna de um blogueiro, useiro e vezeiro da quadrilha e do “capo di tutti i capi” dela. Esse mesmo sujeito, em coluna, dizia que não sabia se dava vontade de vomitar, ou se dava vontade de abandonar o país. Interessante é que quando a quadrilha da qual ele é simpatizante e mesmo filiado assaltava o Brasil, roubava os Correios, usava de pirataria contra a Petrobras, não sentia esse mal estar. Da mesma forma, quando certo ex-presidente, ex-presidiário, triplamente corrupto, disse a uma ministra de Estado que dava vontade de enfiar no dedo naquele lugar e rasgar, silêncio absoluto. Quietude e tranquilidade.

Outro blogueiro, de mesmo naipe, só que com pose de mais isenção, escandalizou-se com o escândalo de 29 palavrões proferidos pelo presidente em uma reunião ministerial. Mas não se escandalizava quando certa presidANTA iniciava uma frase entrando pelo pé do pinto, saindo pelo pé do pato, recomendando estocar vento, agredindo quem não a chamasse de presidANTA, enquanto seus sequazes violavam a lei, continuavam a assaltar a Petrobras e dar uma banana para o povo.

Tempo esquisito esse nosso. Em que a forma como eu digo tem mais valor do que o conteúdo que estou dizendo. Ou é isso, ou estamos vivendo um tempo em que, para certos veículos de comunicação, certos blogueiros, formadores de opinião, as pautas necessárias ao Brasil são dispensáveis. O importante, como dizia certo ex-presidente cuja família se tornou verdadeiro Ascaris lumbricoide de um determinado estado brasileiro, o importante é a “liturgia do cargo”. Estou enjoado de liturgia do cargo, em que as ditas autoridades constituídas usam de um palavreado florido, sereno, mas por trás socam até o nabo no bufante nacional. Estou cansado de autoridades que falam um palavreado rocambolesco em frente a câmeras de televisão, microfone, ou mesmo em audiências, mas quando viram as costas mandam uma banana pro “Zé povinho”.

Se a imprensa, fosse dois graus mais ética do que o nível de uma fossa cheia de excrementos, estaria destrinchando o que o presidente disse, e não como ele disse. Porém, isso é pedir demais, pois demonstraria apoio ao presidente. Digo e repito que os maiores adversários do presidente são os filhos dele. Principalmente aquele vereador do Rio de Janeiro, que não trabalha na Câmara do Rio de Janeiro, mas fica criando confusão Brasil afora para indispor o presidente com qualquer um.

Enfim, gritarias à parte, é reprovável esse comportamento que deseduca, desinforma e chama de maneira contumaz o cidadão de burro, otário e, como se diz aqui no Glorioso Mato Grosso do Sul, “migué”….ou seja, bobo. Enquanto a racionalidade não chega por estas plagas, enquanto o “pico da pandemia” nunca chega, vou continuar catando carrapato na carcunda de meus cachorros.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

DESCOBRIMENTO

Esta semana que passou o Brasil comemorou seus 520 anos de descobrimento. Todos os alfarrábios, pergaminhos e papiros que se puder encontrar vão datar esse feito nesse dia. Até mesmo se sairmos, como Diógenes à busca de um homem, e perguntarmos a qualquer curiboca, respondem sem pestanejar: Foi Pedro “Arves Cabrá” no dia 22 de abril de 1500. Alguns historiadores apontam controvérsias nessa data, dando, inclusive que os primeiros a botar os pés na Terra Brasilis, foram os navegantes fenícios da Corte de Hirão, rei de Tiro, mil anos antes de Cristo.

Eu, particularmente discordo de todas essas versões, e quiçá, num futuro distante, mas bem distante mesmo, os historiadores me darão razão e esta gazeta será o centro das atenções. Mesmo havendo toda uma “história oficial” que imputa a “Arves Cabrá” a honra de ter descoberto o Brasil, não comungo dessa visão. Na verdade, o dia exato do descobrimento do Brasil eu não sei, mas posso dizer que o ano é o Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo, no mês de março de 2020, e explico os motivos, e, coisa incrível, ajudado por um vírus. Isso mesmo, um ser que não se pode dizer que está vivo, ou não, encapsulado em um envelope de proteína e que possui, no máximo, oito moléculas de RNA, o Ácido Ribonucleico.

Essa é a data que, com certeza, o Brasil descobriu o Brasil.

O Brasil que discute se a melhor tecnologia de “infernet 5G” é a japonesa, ou a europeia, ou a norte-americana descobriu que existe um Brasil com mais de 40 milhões de pessoas que sabem o que é um telefone, ou mesmo um CPF, e se calou, pois os seus argumentos foram atropelados por um fato vergonhoso. O de haver quase quatro Bolívia, ou seis Paraguai dentro desta terra que não tem nada daquilo que eles discutem como sendo “o melhor”. E essa discussão fez um silêncio ensurdecedor, pois foi descoberto um Brasil miserável que mora em taperas, verdadeiras “bibocas de bosquímanos”, que “obra de coca” no meio do mato, ou na beira de “corgos” e rios, e depois bebe dessa mesma água, sem filtro, sem tratamento, sem esgoto.

O Brasil que decanta em prosa e verso de possuir o sistema eleitoral e de apuração de votos mais rápido e seguro do mundo descobriu um Brasil em que honra, lealdade, limites, moralidade, ética, altruísmo, solidariedade em política são palavras vazias e que não resistem a dez segundos de ambição por cargos e verbas públicas. Sir Winston Churchill dizia que a missão de todo estadista é trair. E nossos políticos traem, não a partir dessa visão de Churchill, pois faltam a eles um bem maior que justifique a traição e chegar ao posto de estadistas. Não são nem uma coisa, nem outra.

O Brasil descobriu que existe um Brasil encastelado em cargos eletivos que se dividem em correntes ideológicas de diferentes graus e que estão pouco ligando se há pessoas morrendo. O que importa é faturar o mais alto possível com a pandemia. Vê-se político da extrema esquerda, à extrema direita vociferar brados de luta pela patuleia, mas saírem do circo que eles armam e irem comer juntos, rindo e zombando da cara do Brasil que está passando fome. De ex-presidente ex-presidiário, a ex-presidente donatário de estado, a presidente que se comporta como um malabarista com granadas sem pino de segurança nas mãos, a ministros e secretários de Estado que se comportam como bonecos de mamulengo, todos, sem exceção, vivem nesse Brasil que ainda não descobriu aquele outro Brasil que trabalha, paga imposto e está morrendo em hospitais.

O Brasil que frequenta hospitais do tipo Rede D’Or, Sirio-Libanês e Israelita Albert Einstein descobriu que existe um Brasil com um sistema chamado SUS, e que foi louvado nesses trinta anos como fator de equidade na distribuição de saúde, estar ajoelhado por causo do velho amigo “calangovírus”, mesmo tendo baixo índice de contaminação e menor ainda, índice de mortalidade. Estados como Amazonas, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro tem menos gente com a gripe chinesa do que com sarna e tuberculose. Mas, sarna e tuberculose não geram “compras sem licitação”, então não vale a pena falar delas.

O Brasil descobriu que o Brasil que ensina como administrar o que é dos outros viu como governadores, ou postulantes aos cargos de governador, prefeito, deputados, ou vereadores, ou coisa que valha a pena que os mandatários que hoje, têm a caneta têm a competência de um louco de carteirinha, e que aquele discurso de “lutar pelos mais pobres”, “defender os direitos dos oprimidos”, etc, na verdade não passa de engodo, de safadeza para poder chegar aos cobiçados cargos e suas mamatas, e depois esquecer esse palavrório sem sentido.

O Brasil descobriu que existe um Brasil estatal que se importa mais com um pedaço de papel do que com uma criança morrendo sem atendimento médico enquanto suas entranhas são comidas por lombrigas, sua pele é devastada por sarna e seu estômago pela fome. E descobriu que esse mesmo Estado brasileiro que inventa mil lorotas para mais dinheiro tomar, é o mesmo que leva três semanas para avaliar se 600 reais está de bom tamanho para ser devolvido a quem não tem o que colocar na boca de seus filhos.

O Brasil que vota começou a descobrir que ele mesmo, votante, é quem tem sabotado, desde a época que “Arves Cabrá” chegou por aqui, o seu futuro e seu desenvolvimento. E vem descobrindo que tem idolatrado, reverenciado e paparicado aquele tipo de político que mais lutou pelo progresso do subdesenvolvimento e da miséria nacional, tomando o dinheiro dos desdentados e descamisados, que “obra de coca” no mato, para dar para aqueles que só andam de jatinho particular e nunca colocaram os pés nas taperas em que os primeiros vivem.

O Brasil natureba descobriu, finalmente, que leite não cresce em balcão refrigerado de supermercado e nem macarrão nasce nas gôndolas de massas das conveniências e “patissserie” das esquinas chiques dos bairros nobres. O espectro do desabastecimento e da fome, que já grassa nas taperas e choças dos miseráveis da nação começa a bater palmas nos portões de condomínios fechados e bairros nobres. Descobriu que a tal agricultura “orgânica” – como se todo produto que tem carbono em sua molécula não fosse orgânico – é uma farsa grotesca que, se implantada mataria todos os pobres do planeta de fome. E essa fome acabaria com eles mesmos sendo vítimas, já que não sabem a diferença entre um ancinho e um notebook.

O Brasil que gritava “pela liberdade do baseado”, “meu corpo, minhas regras”, “homo, hétero, bi, trans, ou porra nenhuma” tem o mesmo direito descobriu que as relações e perpetuação humana é mais complexa do que a satisfação de seus egos, e deixaram de olhar para o próprio umbigo e passaram a se ver como parte de uma humanidade que não tem fronteira, cor, sexo, nacionalidade, identidade, ou ideologia. Todos estão morrendo da mesma forma, afogados em seus fluidos que enchem os pulmões e os médicos e enfermeiros só podem olhar e se resignar com isso.

Os fieis do Brasil descobriram que existe um Brasil de charlatães, de milagreiros, de apóstolos da mentira e pregadores de falsidades. Cadê os milagreiros que curavam câncer, AIDS, ressuscitavam mortos, solucionavam problemas financeiros, prometiam casas, carrões, mansões, empresas? Estão todos quietos, com medo do “calangovírus”, debaixo de suas camas, pois suas mentiras foram expostas em praça pública. E foram reprovados no teste da fidelidade.

Mas, o Brasil também descobriu um Brasil empresarial que sempre foi acusado de ser ganancioso, sem coração, cruel, fominha, avarento, abrir suas burras empresariais e ajudar aqueles que mais precisam de ajuda, modificando a produção de suas fábricas para fornecer álcool, máscaras e equipamentos de proteção individual, além de construírem hospitais, doar alimentos e tempo para os demais, enquanto a classe política discute se, para devolver o dinheiro que a todo momento o Estado toma, na mão grande, do cidadão, este precisa ter o CPF regular, ou não. Além de ter descoberto também que existe um Brasil solidário, onde aquele que também tem pouco, divide esse pouco com quem nada tem, mesmo que seja um sorriso ele faz essa divisão

Todas essas descobertas trazem um ensinamento pedagógico que pode levar a um aprendizado duradouro e positivo para esta nação. Nação que acaba de ser descoberta, ou melhor, de se autodescobrir e, nessa descoberta quase diária, não está gostando do que está descobrindo. Torço para que esse o primeiro passo para uma mudança profunda e o país possa, finalmente encontrar o seu caminho de desenvolvimento.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

REPROVADOS

O surgimento de lideranças e estadistas, para parafrasear o pensamento de Maquiavel, ainda que com endereços trocados (Maquiavel fala para Lourenzo de Medici, praticamente os donos da Florença medieval; eu falo para as lideranças democráticas da atualidade), se dá em momento de convulsões e crises de proporções pantagruélicas, como a que vivemos agora como o “calangovírus” – troquei o nome dele, desde a última postagem -. Vejamos, para fins de ilustração, dois exemplos disso e que, se formos analisar historicamente, essa lição já se encontrava no pensamento de Sun-Tsu, no Livro do Eclesiaste, no Livros das Crônicas judaica, e por aí vai.

Na Primeira Guerra Mundial, Winston Churchil foi o militar aboletado em um gabinete que planejou o que ficou conhecido como “O desastre de Galipoli”, campanha militar em que os turcos otomanos surraram duas vezes as tropas britânicas em solo turco e desmoralizaram a mítica de força militar invencível. Depois disso, Churchil submergiu apenas como político para se erguer já na Segunda Guerra Mundial, como o gigante que garantiu a derrota do nazifascismo e se transformou em um símbolo de resistência, perseverança e firmeza de propósitos, sem ceder um milímetro de sua moral, ou ética pública. O mesmo pode-se dizer do Marechal Josip Broz Tito na antiga Iugoslávia. Com carreira militar mediana, sem chamar a atenção de ninguém, foi no fogo da guerra que se revelou o brilhante estrategista, a vontade férrea e indomável que conseguiu escorraçar as tropas de Hitler de seu país. Pena que depois disso se tornou um sanguinário comunista da mesma opa do bigodudo tarado da Geórgia.

A partir dessa óptica de construção de lideranças nas crises, pode-se lançar um olhar para o Brasil de 2020 e ver como nossas lideranças, em todas as esferas se portam, agem e se movimentam. Estou em busca de líderes que fazem a diferença, líderes do naipe de um Churchil, ou mesmo de um Tito, e o que encontro é desalentador. Em todos os aspectos, desalentador e que causa uma desesperança, um sentimento de rendição a fatos que teimam em esbofetear a nossa cara, pois são frutos de nossas escolhas, de nosso voto.

Observemos o caso do SUS – Sistema Único de Saúde -. Uma doença que mata menos que pneumonia e febre amarela, teve o condão de escancarar as mazelas desse sistema. Sistema esse que certo presidente que passou uma temporada enjaulado dizia que estava tão próximo à perfeição que dava vontade de ficar doente só para ser atendido por ele. Mas, quando ficou doente de verdade, correu para um hospital privado, onde pobre só entra para tirar o lixo e limpar o chão. Há um caso aqui no glorioso Mato Grosso do Sul em que uma senhora teve que esperar 26 meses para fazer um procedimento cirúrgico pelo SUS. Quando a central de saúde ligou para a filha dela marcando a data da cirurgia essa senhora já havia falecido há mais de três meses provocado pela mesma doença que um procedimento cirúrgico simples teria poupado a sua vida. O SUS data a sua criação de 1990, ou seja, em trinta anos permaneceu a mesma situação caótica, desordenada, usado apenas como moeda política. O cidadão que depender de uma unidade básica de saúde vai sair com um atendimento precário e as mãos cheias de diclofenaco, dipirona e AAS. É a única saída que o médico tem para não deixar o cidadão a ver navios. Receita esses medicamentos de unha encravada até tuberculose, na esperança de que a “fé” cure essas pessoas, pois mais do que isso não podem fazer, já que é a política e não a vida que interessa para quem gerencia o SUS.

Observemos, em um segundo momento o caso do Presidente da República. Jair Bolsonaro caminha célere para se tornar um novo Lula. Não digo no caráter ladroístico e bucaneiro do chefe da quadrilha petista, mas sim no caudilhismo e protagonismo político. O PT fez quarenta anos em 2020, e nesses quarenta anos é um sistema planetário que só tem uma vida no seu sol – Lula -. Morto esse sol, o partido morrerá, pois o chefão impediu que novas lideranças despontassem e pudesse haver a sucessão sem solavancos. Quando o Aliança pelo Brasil estiver pronto, seguirá a mesma toada, a mesma história será confirmada. O Aliança pelo Brasil será um partido dos Bolsonaro. Qualquer um que entrar no partido terá que seguir o que a família decidir como certo. Amém. Isso lembra a obra O 18 Brumário de Marx quando este disse a respeito de Napolãeo III: “A historia se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como comédia”. A tragédia foi o PT, a comédia será o Aliança.

E de onde tiro essa especulação? Do modo como o presidente vem gerenciando a crise do “calangovírus”. Em um momento que ele deveria se elevar acima das mesquinharias eleitoreiras, passa a se comportar como o dono da bola. “Se eu não for o capitão do time, levo a bola embora”. Só que ele se esquece que, como uma jaca, que não se come sozinho, se não estraga; não se joga bola sozinho. Nesse “imbróglio” entre o presidente e o ministro da Saúde, todos gritam com todos, e ninguém tem razão, pois não se está pensando nos 210 milhões de brasileiros hoje, mas sim nos frutos que o protagonismo no combate ao vírus dará nas próximas eleições. E o pobre diabo que vive de catar reciclável para poder botar um pedaço de pão seco na boca dos filhos que vá para o diabo que o carregue.

Essa dicotomia política contaminou os meios de comunicação, as redes sociais. Hoje, falar que o presidente está agindo de maneira temerária é o suficiente para ser taxado de “comunista” e “traidor”. Esquecem esses que fazem esse tipo de algaravia – os mais novos não vão entender esse vocábulo, só os que já cruzaram o Cabo da Boa Esperança, ou o estão cruzando, então sugiro um bom dicionário – que o único lado permitido ao Estado e aos seus agentes, é o lado do cidadão, independente de sua afiliação político ideológica. No entanto, o que se percebe é um ministro cheio de si, crendo em sua própria fantasia, um presidente que acha que a condução de um país é concurso de popularidade. Ninguém de seu “staff” pode ser mais popular do que ele, pois isso seria um complô para as próximas eleições, uma tentativa de minar a autoridade do chefe. Nesse caso, Bolsonaro faz o papel do machão do ensino secundário que, inseguro com a própria masculinidade ameaça o viado da escola, bate nos mais fracos e que traçar todas as menininhas que derem bola a ele.

O seu ministério também não está melhor. São falastrões, empavonados com sua própria visão de mundo e amor ao adjetivo “excelência”. E o brasileiro sem emprego, sem comida e sem a garantia de um leito hospitalar se ficar doente, que vá se tratar como antigamente: com mezinhas, benzedeiras e fumigações com ervas medicinais como ainda fazem algumas tribos indígenas.

O terceiro e último ponto alia o legislativo, o judiciário e os servidores públicos. Até agora essas instâncias têm imposto uma alta carga de compromissos para que a sociedade que trabalha e produz, pague por ela, em um futuro próximo. A todo o momento se vê falar que o congresso quer liberar as burras para que Estados e Municípios gastem por conta, joguem dinheiro sem lastro. Depois a sociedade será chamada a cobrir as despesas. Mas, até agora eu não vi um parlamentar, um ministro do judiciário dizer: vamos cortar metade de nossos ganhos e ajudar nos esforços de combate ao vírus. Ministro que, marotamente tem um salário de trinta e nove mil reais, mas se você ler a sigla “proventos”, que não entram como salário, chegam a receber mais de 150 mil reais por mês, aqui na Botocúndia. O mesmo vale para senadores e deputados. Escondem seus ganhos nas ditas verbas: de gabinete, de representação, de auxílios, de indenizações, e por aí vai. Não se ouviu até agora um único deputado, não importando a matiz política dizer: vamos cortar 70% do fundo partidário e 80% do fundo eleitoral e mandar essa verba para reforçar o orçamento da Saúde. Nada. Silêncio absoluto.

Não se vê também, nenhum movimento em se fazer uma redução nos salários do funcionalismo público em todas as esferas. Não digo do funcionário peba – aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, quando se quer dizer que alguém é de baixíssimo escalão, ou valor, chamamos esse indivíduo de peba – aquele que quando recebe muito, mal chega a dois salários mínimos e que é a maioria do funcionalismo público. Mas sim daqueles de alto escalão, que chegam a receber mais de 30, 40, 50 mil por mês e ainda brigam por receber mais. Para estes, falar em reduzir o salário, ou mesmo congelá-los é anátema. Mas são estes mesmos que dizem que, para preservar os empregos é necessário reduzir os salários dos trabalhadores da iniciativa privada.

O resultado disso tudo é que, no fogo da crise, quando o país pensou que veria o surgimento de uma geração com lideranças fortes, estadistas e inspiradores das futuras gerações, o que estamos vendo é mais do mesmo: populistas, caudilhos, aspirantes a assumir o lugar do general Massul, protoditadores de bloco carnavalesco e todo tipo de esperto que vai com a gula de um lobo faminto nos bolsos do cidadão pagador de impostos. Em uma escola em que essas características seriam a mediana para a aprovação para um estado de civilidade maior todos eles estariam reprovados. Reprovados com louvor!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

RIQUEZAS

Não sei por que cargas d’água sempre gosto de me envolver em questiúnculas sem futuro. Acho que é só para ver meu contendor se exasperar, ou eu mesmo ficar prostituto da vida com a ignorância oceânica que as pessoas têm. Quanto menos elas sabem de um assunto, discutem com mais paixões e mais argumentos. Não estou querendo dizer que eu sou a última bolacha do pacote, ou mesmo O sábio da tribo “caeté” aqui de minha terra. Na verdade, minha ignorância em muitas matérias é algo que me diverte. E, quando não sei de algo, sigo o conselho do presidente Abraham Lincoln. Fico quieto para não dar aos outros a certeza de minha estupidez.

Essa discussão aconteceu “nessoutro” dia, quando me sentei ao chão para catar carrapato na carcunda de meus cachorros. Aliás, eles estão espertos nesse assunto. É só me ver sentado ao chão e eles “azulam”. Mas como eu dizia, estava eu sentado ao chão, quando apareceu um “caeté” que sempre vem aqui e começamos a conversar sobre as riquezas das nações e as potencialidades de riqueza. E lá foi ele destrambelhar aquele discurso fácil de que somos um país rico. Que “Uzamericanos” têm planos sinistros para roubas nossas riquezas – petróleo, ouro, urânio, diamante, grafeno. Que uzamericanos estão em uma guerra sórdida com o bigodudo gigolô da fome venezuelana. Que todas as guerras em que uzamericanos se envolveram foi só para roubar o petróleo e as riquezas dos outros países, principalmente os países mais pobres.

Quando alguém começa com essa retórica eu fico pubo, sem deixar tanta bobagem me contaminar. Mas dessa fez fiquei a refletir sobre o conceito de riqueza. Mas afinal de contas o que vem a ser riqueza, e, na atualidade, qual a maior riqueza de um povo? O conceito de riqueza evoluiu com a história humana. Já foi representado pela posse de terras, posse de escravos, de animais. Passou pela acumulação de metal precioso, chegando à acumulação de cédula monetária até chegar à acumulação de papéis acionários.

Todas essas etapas de acumulação primitiva, em um tempo, ou outro, foi chamado de riqueza. Todavia, isso não era riqueza. Riqueza é uma sucessão de forças que geram bens que atendam as necessidades da sociedade humana, dando a seus membros capacidades e condições de atingirem seus próprios objetivos através de seus esforços e talentos pessoais. Em outras palavras: dê a todos um ponto de partida e condições igualitárias de competição. Onde cada um chegar vai depender do interesse, objetivo e talento.

Na atualidade, o conceito de riqueza expandiu-se e focou mais no ser humano. Riqueza é a capacidade intelectual e a criatividade que um povo tem para transformar os recursos de que dispõe em bens e serviços que atendam as necessidades da humanidade em seus aspectos básicos, fomentando outras oportunidades de afloramento de talentos. Mas, deixemos esses conceitos filosóficos de lado e vamos pelo lado prático.

Alguns exemplos de riqueza que as pessoas cantam em verso e prosa não são mais que matérias-primas. Aliás, veja-se o caso do petróleo. De maneira bem chã, não passa de uma lama negra e fedorenta dentro do solo. Se não houver engenho humano, talento e criatividade para extraí-lo, refiná-lo, continuará sendo uma lama negra e fedorenta dentro da terra. O caso do Brasil é exemplar nesse ponto. Em 1970 o Brasil tinha cerca de 90 milhões de pessoas e importava comida para alimentar essa gente. Em 2020, 50 anos depois o país tem 210 milhões de pessoas e produz comida suficiente para alimentar 3,7 bilhões de pessoas em todo o planeta. O que causou essa revolução? Uma empresa chamada Embrapa. Criada no governo militar, foi dedicada a pesquisar cultivares e introduzir tecnologia no campo. Hoje o Brasil produz mais comida em apenas 13% de seu território e alimenta mais gente do que há 50 anos. E tudo, graças à inteligência, à pesquisa e ao intelecto humano.

Hoje, o agronegócio brasileiro, tão odiado por aqueles que acreditam que um pacote de macarrão cresce em gôndola de supermercado e que um litro de leite é gerado em balcões refrigerados de mercearia, é, senão o mais avançado, um dos mais avançados do mundo. Aquela visão do peão de fazenda com gibão, esporas e arreios ficou apenas na visão romanceada do passado. O agronegócio hoje trabalha com tecnologia, mídias digitais, sensoriamento via satélite, seleção genética, controle sanitário mais avançado que muitos serviços hospitalares top de linha do país. E isso tudo graças à visão de um general que foi, muitas vezes chamado de retrógrado e gorila. O presidente Emílio Garrastazú Médici.

Adiante, vejam estes dois casos – e disse isso ao meu amigo “caeté”, chato de galochas – Cingapura é o maior refinador de petróleo do planeta. Sabem quantos barris de petróleo Cingapura produz? Zero. Nada. Niente. Mas, os cingaleses investiram grande quantidade de seus recursos em formar engenheiros na área petrolífera que, através de pesquisa conseguiram um processo de refinamento a baixo custo. Resultado: 35% de todo o petróleo consumido no leste asiático é refinado em Cingapura. E a Coreia do Sul? É a maior fabricante de plataforma e navios petrolíferos do planeta. E quantos barris de petróleo a Coreia do Sul produz? Nada. Niente. Zero. Porém, o país resolveu investir em criatividade, engenharia, talentos humanos e hoje fornece para, praticamente todos os países, plataformas petrolíferas e navios petroleiros que saem de seus estaleiros.

Ouro, prata, petróleo, gás natural, grafeno, nióbio, diamante, ou seja, lá o que for, serão apenas potencialidades debaixo da terra se não houver um talento humano para extraí-lo, processá-lo e dar-lhe algum valor. É até uma situação bizarra pensar uzamericanos chegarem ao Brasil, colocar o pré-sal em uma sacola e irem embora sem dizer nem “até mais otário”. Quando a sociedade brasileira se convencer dessa verdade, de que a riqueza no século XXI são as pessoas e sua criatividade e inteligência, aí sim, começaremos a deixar de ser atrasados e curibocas. Defender esse discurso tosco que de matérias-primas são riquezas por si só, apenas nos leva à protelação da riqueza e do bem-estar que deveria estar a serviço de todos e não apenas de alguns que, inclusive incentivam essa ideia tosca, com o objetivo de não perder seus privilégios.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

OLHOS ABERTOS

Dizem que Thêmis é a deusa da justiça, simbolizada pela mulher de olhos vendados segurando uma balança em uma das mãos e uma espada em outra. Essa interpretação equivocada levou-me a uma pesquisa mais profunda, já que essa imagem representa a deusa Dice, filha de Thêmis, na mitologia grega e que, na mitologia romana se chamava “Iustitia”. Thêmis, na verdade é a deusa do equilíbrio e que vigia os juramentos dos homens e dos deuses. Criada pelas tias, as Moiras (Cloto, Láquesis e Átropos), sentava-se ao lado de Zeus e com ele teve uma filha chamada Dice, a quem foi dada presidir a correção e a prática da justiça entre os homens e os deuses. Daí porque Dice se apresenta como uma mulher com os olhos vendados, segurando na mão esquerda uma balança, que só satisfaz a deusa quando está em perfeito equilíbrio e na outra mão uma espada, pronta a ser brandida para punir aquele que viola esse equilíbrio.

Mas eu fiz todo esse novelo de maçaroca para desabafar sobre um assunto que ainda não me desceu nos gorgomilhos. É um sapão daqueles bem cabeludos que ainda está entalado na minha garganta. Ano passado, mais especificamente em julho de 2019 procurei a justiça de pequenas causas que, aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, se gaba de ser rápida e eficaz. Na primeira audiência, marcada setenta e cinco dias após a entrada do processo fui à audiência e lá recebi a notícia de que a justiça ainda não conseguira intimar a outra parte. Pensei com meus botões: me ferrei.

Bem, chegamos em 2020 e num belo dia de férias recebo uma carta marcando uma segunda audiência para o dia 30 de janeiro, quase seis meses após eu dar entrada no processo. Fui. Apenas para saber que o conciliador só iria se reunir conosco no mês de maio deste ano. Ali mesmo mandei, tanto a outra parte quanto a justiça irem coçar as virilhas. E isso em um processo cujo valor não passa de dois mil reais. Não tanto pelo valor, mas sim pelo descaso do prestador do serviço que me tomou dinheiro na boa-fé e se mostrou um canalha do mesmo quilate de um Zé Dirceu, de um Palocci da vida.

A oficial de justiça que me atendeu me disse que se eu não fosse, iria ser cobrado pelos serviços e pelos “emolumementos” judiciais – emolumentos judiciais é só um nome parido do cruzamento de cruz-credo com assombração para tomar o nosso dinheiro -. Pois escrevi em bom Português: Não Pago! E também escrevi que perdi a confiança na justiça brasileira e seu linguajar empolado, em suas mamatas e privilégios que não é dado a nenhum cidadão pagador de imposto.

Desde então eu tomei birra de tudo quanto assunto que se refere à justiça brasileira. Ao contrário da deusa Dice, a nossa justiça enxerga bem, e enxerga até demais. Sua espada está cega, sua balança está quebrada, suas vestes estão rasgadas e sua nudez aparecendo. Nossos juízes se enchem de benesses, de auxílios, de recompensas. E eu me pergunto: Para que? Se, quando um cidadão comum bate às suas portas clamando por JUSTIÇA, ela é a primeira a olhar para o cidadão e zombar de sua cara?

Choca ao cidadão honesto, que vive de salário mínimo, ver o salário de um magistrado. Aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, terra de gente brava e corajosa, há desembargadores que recebem, ao final do mês até 250 mil reais entre salários, gratificações e auxílios. Vejam a lista de auxílios: moradia, escola, creche, alimentação, toga, transporte, diárias quando viajam. Além disso ainda há o salário base e as férias. Aliás, nunca vi povo tirar tantas férias como juízes, além de promotores e procuradores. E esses cidadãos ainda têm a cara de pau mais vagabunda em falar que precisam de aumento porque seus vencimentos não fazem frente às suas despesas.

Então eu me pego perguntando: e o trabalhador que “veve” de salário mínimo. E com esse dinheiro ele tem que comer, se vestir, pagar energia, água e esgoto, transporte, remédio, dar assistência aos filhos, esposa, ou esposo, pagar aluguel, quando for o caso, e não tem auxílio, assistência, ou mesmo gratificações a mais. Será que esse cidadão é tapado, ou na nossa dita justiça só tem escroque, pilantra e safado? Exceções à parte, conheço alguns magistrados que são os famosos “pé-de-boi” – aqui no Mato Grosso do Sul esse vocábulo significa o famoso burro de carga, ou aquele que enfrenta qualquer trabalho com rapidez, eficiência e eficácia – mas estes são minorias. E volto a me perguntar. Esses cidadãos querem salário para quê? Porque o salário deles vira troco de cachaça diante dos valores recebidos entre gratificações, auxílios, e indenizações. Se a Carta Magna – olha ela aí de novo – diz que o salário do trabalhador, e até onde eu sei juiz, promotor e procurador, também são trabalhadores, é para ele fazer frente a essas despesas do cotidiano, porque a sociedade mantém uma rede de privilégios que são ofensivos aos cidadãos e não se traduzem em serviços que levam ao equilíbrio das bandejas da balança de Dice.

Há uma música no cancioneiro nacional que diz “a justiça é cega, mas enxerga quando quer”. Na verdade, nossa justiça nunca foi justa. Sempre esteve ao lado de quem oferecesse a ela os privilégios que são pagos pelos desdentados e descamisados, como dizia antigo ex-presidente e que se tornou melhor amigo de ex-presidiário. Depois dessa minha experiência com a justiça brasileira deixei de acreditar nela. Deixei de respeitar as suas atribuições. Sei que posso ser até preso por isso, mas verei essa prisão como a resistência política de um cidadão que se cansou de ser espoliado por um sistema injusto que se enche de privilégios, vira as costas para a sociedade e debocha dos mais simples.

Todavia, há uma luz nesse túnel interminável. Mesmo Dice estando com as vestes rasgadas, a balança quebrada e a espada cega no Brasil, as suas tias (Cloto, Láquesis e Átropos) são as titânides responsáveis por fiar, urdir e cortar o fio da vida do ser humano. É uma lição que serve a todos nós. Dos mais miseráveis trapos humanos que o sistema brasileiro esmaga, tritura e joga fora, até aos mais encastelados ministros, desembargadores, promotores e procuradores que em sua altivez exigem ser chamados de Excelência, e negam ao cidadão o mais simples dos direitos: ter orgulho de suas instituições judiciais.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

FASCISMO 2

Esta segunda semana, depois que sai da preguiça dengosa, cai na quarentena provocada pelo “coronga” vírus, que é mais uma ferramenta política do que propriamente um alarme generalizado, haja vista ele ser menos letal que “espinhela caída”, ou “leiteira virada”, como diziam os antigos. E, para passar o tempo eu me divido entre fazer os serviços da casa – solteirice é bom, mas tem horas pesa -, ler alguns livros, ver poucos e raros filmes antigos. Estava recentemente assistindo aos faroestes do Sergio Leone. Tanto pela narrativa, pela fotografia, como pela trilha sonora do genial Enio Morricone. E nas horas vagas fico catando carrapato da carcunda dos meus cachorros.

Mas isso são elucubrações para eu poder retomar um texto de duas semanas atrás quando falei sobre o fascismo e seu adjetivo, fascista, tão na moda que está mais parecendo pereba em moleque do que conceito político e ideológico. Mas não quero me ater sobre o fascismo do século XX que, como disse é irmão bastardo do socialismo científico de origem marxista, que mata na mesma proporção. Quero voltar ao assunto do “fascio”, no seu conceito histórico.

As legiões romanas, quando iam à guerra, ou iam impor a sua “pax romana”, ou A Paz de Roma, sempre levava em suas legiões estandartes com as letras SQPR – Senatus Populosque Romanum – ou, em uma tradução livre, O Senado e o Povo Romano. Mas o que quero que se note, e uma busca rápida pelo Google imagem demonstra isso, é que esse estandarte ia com uma águia de asas abertas segurando dois ramos de oliveira e duas setas. Os ramos se entrelaçam na base formando um “fascio”, ou feixe que simbolizavam e ainda simbolizam a coerência de valores, a objetividade única, e unidade.

Apesar de se passar mais de dois mil anos desde a Roma Imperial, esse mesmo símbolo pode ser visto em diversas bandeiras e símbolos de diversos países. Mas, aí o gaiato vai me dizer que estou forçando a barra e fazendo interpretações esdrúxulas. Não. Estou apenas demonstrado como aquela ideologia de unidade, de convergência de valores e objetivos comuns organizou e ajudou a construir as nações modernas e permanecem no imaginário coletivo das pessoas.

Note-se o chamado Grande Selo Americano: é formado por uma águia segurando no bico uma faixa com a inscrição E pluribus unus, ou seja, “De Muitos, Um’. Na garra direita segura um ramo de oliveira com 13 folhas e 13 azeitonas (olha o sentido de unidade, de fascio), e na garra esquerda 13 flechas. A interpretação mais aceita é que o ramo de oliveira com 13 folhas e 13 azeitonas, ou olivas significam as 13 colônias originais, e a águia olhar para a oliveira e não para as flechas indicam que o país prefere a paz e não a guerra, mas que, se for precisa, ela vai para a guerra. No entanto, a interpretação subjacente é que, tanto a oliveira, as olivas e as flechas remetem para um mesmo pensamento: unidade, feixe de objetivos comuns que se pode atingir pela paz, mas se for preciso será assegurado pela guerra. O dístico em latim é a quintessência dessa versão. Nada mais condensa a ideia de unidade “fascio”, do que isso.

Mas essa visão se tem também no Brasão da República do Brasil. Um ramo de oliveira que se une em um feixe na base, com um ramo de tabaco ancorado em uma espada sobre uma estrela de 21 pontas com uma faixa com a data de proclamação da república. Se no texto anterior eu falei sobre a essência fascista da Carta brasileira, o Brasão Nacional não poderia deixar mais óbvio o conceito de feixe. Porém, tal qual o símbolo americano, ele remete á ideia de unidade, de concerto de objetivos, de unidade de valor.

E tem mais. A mesma ideia de “fascio” pode ser observada na bandeira mexicana, na bandeira boliviana, na do Equador, da Venezuela, entre outros países. Mas, note-se, nenhum desses países adotou o fascismo como metodologia política. Mesmo porque a criação desses símbolos é anterior ao fascismo ideológico do século XX que nasceu com o mesmo erro hereditário do socialismo: acreditar que para se chegar a uma sociedade igualitária deve-se eliminar aqueles que não concordam com suas taras morais.

O “fascismo” histórico não deixa de ter sua essência baseada na força. Isso ocorre porque, via de regra, ele tendia a condensar e cristalizar a vontade de um povo em um sistema organizado e com desejo de perpetuidade, daí ele estar sempre associado ao ramo da oliveira (paz), quanto à espada, ou flechas (guerra). Nesse sentido, ele busca uma relação de equilíbrio e serenidade entre essas duas dimensões. O fascismo do século XX, por sua vez, ao ser parido pelas mentes doentias que pariram o socialismo esqueceram-lhe de batizar com água benta e sal, e o batizaram com sangue e chicote, tal qual o seu irmão bastardo, o socialismo.

Então, quando eu vejo os canhotinhas de Iphone e os liberais de beira de praia chamando um, ou outro de fascista, eu fico pensando que marca de orégano esse povo anda fumando, pois falam daquilo que não sabem, e até daquilo que sabem eles pervertem o sentido. Enquanto essa dúvida não se evapora de minhas ideias, vou aproveitar a quarentena forçada e continuar catando carrapato da carcunda de meus cachorros.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

IPHONE E PRAIA

Na semana passada comentei sobre os “pseudoliberais de praia” e sua pauta, bem como os canhotinhas de DCE – Diretório Central de Estudantes – das universidades públicas. Apesar do discurso antagônico, essas duas vertentes ideológicas têm mais coisas em comum do que se possa imaginar. E, ainda estou esperando o surgimento de um liberal da envergadura de um Roberto Campos, ou Eugênio Gudin.

Nossos canhotinhas, como sempre, usando camisa Lacoste, Iphone X, tênis Adidas, ou de calibre maior, dirigindo um jeep, land rover, ou Mercedes, com o bolso forro adivindo da mesada do papai, acordando ao meio-dia, grita pelos corredores das universidades que é contra o sistema, contra a opressão do capital, contra a burguesa, mas para os outros. Não para eles.

Já nossos pseudoliberais de praia, ou de clube, por sua vez clamam que querem menor intervenção do Estado nos negócios, na vida privada, nos lucros, mas…, e sempre haverá esse MAS, essa conjunção adversativa que nega a sua essência liberal e mostra que, por traz dessa casca de modernidade está mesmo alguém que não consegue viver sem a tutela do Estado.

Veja o caso de uma famosa montadora de carros no Brasil que há sessenta anos vive com subsídios estatais. E alardeia que sua produtividade é excelente, que seus veículos são top de linha. Quando o governo disse que retiraria os ditos subsídios, a empresa fez beicinho, fechou a montadora e foi embora. De duas uma: se ela era tão excelente como proclamava, após quase sessenta anos não necessitava de subsídios, agora, se após esse mesmo período não conseguia viver sem o subsídio, então não o merecia.

E aí vem as discussões sobre privatização. E todos os liberais de praia estão prontos a dar a sua contribuição ao modelo de empresa privada que se quer. E, de repente, lá está aquele MAS. É preciso privatizar, tirar empresas das mãos do Estado, MAS tem que haver um modelo que atenda a comunidades mais afastadas, e aí o Estado tem que regular, regulamentar, decretar, etc. isto é, o capitalismo brasileiro é um dos melhores do mundo, pois não se toma risco, e sempre que o capital privado está em vias de revés, o cidadão é chamado para cobrir os prejuízos.

Veja-se o caso da indústria cultural, de cinema, teatro e shows. A gritaria é imensa porque o governo de plantão cortou a safadeza de se financiar com milhões de reais filmes, peças e documentários de qualidade duvidosa. Mundo perfeito esse. O artista, o produtor, seja lá quem for, não temiam prejuízo. Não deu bilheteria, sem problemas. O povão, esse mesmo, o desdentado, o que anda de busão em um calor infernal para ir e voltar do trabalho, que ganha um salário mínimo, acorda as quatro da manha e nunca vai dormir antes da meia noite, era convocado para cobrir as despesas e o prejuízo. Mas, o artista, o produtor, o elenco e os diretores saiam no lucro. Assim é fácil defender a indústria da cultura nacional.

Mas, alguém pode dizer que não se tratava de dinheiro público, mas sim de investimento privado. Engano. Os recursos da Lei Roer, né? (Rouanet) são oriundos de renúncia fiscal, isto é, o empresário deixa de pagar o imposto para o Estado. Como o Estado não fabrica dinheiro, ele tem que compensar esse valor a menos em outro lugar. Como ele não diminui despesas, a grana sai do bolso do “Zé Povinho”, que é quem financia esses espetáculos, em sua maioria ruim, de qualidade duvidosa e que não acrescenta nada ao imaginário nacional.

Eu, particularmente sou a favor do liberalismo em sua essência. Por mim, o Estado só ficaria com as atividades de natureza estatal: segurança, diplomacia e moeda. O resto iria tudo para a iniciativa privada e o Estado ficaria proibido de subsidiar, ser sócio, acionista, ou mesmo financiar a atividades. Nosso capitalismo precisa crescer, sair do berço. E o cidadão precisa ser desmamado dessas tetas. Nos acostumamos a ter o Estado que fornece da primeira fralda que o cidadão suja quando nasce, à última pá de terra que lhe cobre o caixão.

Essa dinâmica que se estabeleceu no Brasil fez surgir essa elite política canalha, que chantageia todos os governos de plantão. Fez surgir uma justiça que está voltada para atender a seus próprios interesses e aos dos amigos da corte, ou amicus curiae, como se diz na boa língua de Virgílio e deixa o cidadão que mais precisa de justiça a ver navios.

Nossos pseudoliberais de beira de praia adotam o liberalismo, MAS, o Estado tem que sempre estar com um colchão debaixo deles para que, se caírem, não se machuquem, e seus investimentos não vão para o ralo. Esse tipo de capitalista de bloco carnavalesco eu não respeito. O dono do bolicho na esquina de casa, o vendedor de geladinho que passa todos os dias se esguelando na rua de casa, o vendedor de churros na feira aqui perto. Esses são os verdadeiros capitalistas. Esses têm meu respeito e minha admiração.

Ser capitalista sem tomar risco, sabendo que sempre tem o Estado para garantir o retorno de seu dinheiro não é ser capitalista. É ser gigolô da pobreza alheia e cafetão do subdesenvolvimento. Nesse universo que alia canhotinhas que vivem de mesada do papai e capitalistas que adoram as burras estatais, fico com uma máxima, que agora não me vem à memória quem o disse, mas falou de forma elegante e sublime a respeito do Brasil: “Neste país, a única forma de alguém ser oposição de verdade, é sonegando imposto”.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

FASCISMO

Estas duas últimas semanas estive no estaleiro curtindo, “dengosamente” a picada do mosquito, apesar disso, os noticiários só falaram no coronavírus, que eu chamo de mocorongavírus, mesmo no meu bairro haver mais de mil e setecentos casos de infecção por dengue. Mas, deixa isso para lá. Dengue é doença da preguiça e da falta de higiene, o “mocorongavírus”, é de safadeza mesmo. E, nesses dias curtindo a dor no corpo, a febre e a dor “no bago dos olhos”, como dizia meu tio Vicente, peguei-me refletindo sobre uma palavra em moda, tanto na boca dos canhotinhas, quanto nos pseudoliberais de beira de praia.

Refiro-me ao “fascismo” e seu adjetivo, “fascista”, sendo que a maioria dos que usam essa palavra não sabe o que ela significa. A palavra é de origem latina fascio, ou feixe, era uma alegoria da sociedade romana cujo significado original é unidade, confluência de valores, mas que no século XX assumiu um caráter ideológico de brutalidade e violência. PS: o fascismo moderno é irmão bastardo do socialismo científico. E, nesse pensar, voltei meus olhos para a “Carta Magna”, a dita “Constituição Cidadã” e seu rol de direitos.

Se formos levar em conta que o fascismo ideológico pregava: tudo pelo Estado, no Estado, com o estado e nada fora do Estado, é possível dizer com segurança que nossa Carta é mais fascista que a constituição de Mussolini. Lendo e contando os direitos da Carta, pode-se dividi-los em categorias: Direitos Individuais, Garantias Fundamentais e Direitos Coletivos. São cinquenta e sete direitos individuais, trinta e sete direitos trabalhistas, dezenove garantias individuais e vinte e seis direitos coletivos, no barato, porque me cansei de contá-los. Se alguém tiver os números exatos, por favor, me corrijam-me sem piedade.

E, incrível, todos esses direitos e garantias têm como origem e destino o Estado. Isso mesmo. Todo esse “cambambau” – aqui no Glorioso Mato Grosso do Sul cambambau significa uma quantidade absurda e burra – de direitos só existem se estiverem reconhecidos no e pelo Estado, ou seja, nenhum deles faz referência a uma situação em que o Estado não tenha que enfiar a sua colher de pau na panela, ou no caldeirão.

Ora, voltando ao postulado primeiro sobre o significado moderno de fascismo, quando analisamos a constituição brasileira vemos que a sua essência é fascista, haja vista a essência dessa ideologia é afunilar o individuo e a sociedade para as grandes asas estatais e sufocar o indivíduo e o coletivo, colocando em prática o que George Orwell chamou de Big Brother. Não, não estou falando desse programa xexelento que passa em uma rede de televisão brasileira, em que se coloca um bando de desocupados, com cabecinhas de fossa e vocabulário de uma criança de três anos para arrancar dinheiro de otários. O big brother de Orwell está no livro 1984, uma excelente distopia do que seria um mundo dominado pelo comunismo.

Se formos analisar com mais cuidados, com esse caminhão de direitos que o cidadão possui, ainda que, se for procurar por eles é melhor desistir, em contrapartida só existem sete deveres arrolados – palavrinha que eu tenho uma pinimba…. parece que arrolado, foi alguém que levou rola, nos países baixos – em todo o texto constitucional. Ora, não dá para se falar em cidadania em equilíbrio em um país em que se precisa arranjar um comboio de trem para carregar os direitos e apenas um envelope pequeno para os deveres. É em função desse desequilíbrio, dessa distorção que a dita “Constituição Cidadã”, nunca chegou, de fato, a atender o cidadão. A menos que você tenha os contatos certos nas três esferas de poder.

Essa dinâmica fascista que a nossa constituição impõe aos brasileiros torna a pátria uma madrasta perversa para a maioria das pessoas e uma mãe gentil para poucos, pouquíssimos privilegiados que conseguem fazer os chamados “embargos auriculares” nas autoridades dos três poderes republicanos.

Buscar uma constituição cidadã que se circunscreva – ô palavra atronchada – apenas aos fundamentos da sociedade requer, no caso brasileiro, não uma reforma profunda. Sai mais barato para a sociedade pegar essa constituição – assim mesmo, em letras minúsculas – rasgá-la, jogar o papel na latrina e escrever outra, mais enxuta, mais direta e o menos fascista possível. Dizer que uma carta de princípio não terá nenhum viés fascista, só se voltarmos a nos balangar pela cauda nas árvores, mas redigir uma que mantenha o Estado o mais longe possível da vida e do bolso do cidadão é um sonho que alimento desde que comecei a compreender a dinâmica política de nossa nação.