ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

OLHOS ABERTOS

Dizem que Thêmis é a deusa da justiça, simbolizada pela mulher de olhos vendados segurando uma balança em uma das mãos e uma espada em outra. Essa interpretação equivocada levou-me a uma pesquisa mais profunda, já que essa imagem representa a deusa Dice, filha de Thêmis, na mitologia grega e que, na mitologia romana se chamava “Iustitia”. Thêmis, na verdade é a deusa do equilíbrio e que vigia os juramentos dos homens e dos deuses. Criada pelas tias, as Moiras (Cloto, Láquesis e Átropos), sentava-se ao lado de Zeus e com ele teve uma filha chamada Dice, a quem foi dada presidir a correção e a prática da justiça entre os homens e os deuses. Daí porque Dice se apresenta como uma mulher com os olhos vendados, segurando na mão esquerda uma balança, que só satisfaz a deusa quando está em perfeito equilíbrio e na outra mão uma espada, pronta a ser brandida para punir aquele que viola esse equilíbrio.

Mas eu fiz todo esse novelo de maçaroca para desabafar sobre um assunto que ainda não me desceu nos gorgomilhos. É um sapão daqueles bem cabeludos que ainda está entalado na minha garganta. Ano passado, mais especificamente em julho de 2019 procurei a justiça de pequenas causas que, aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, se gaba de ser rápida e eficaz. Na primeira audiência, marcada setenta e cinco dias após a entrada do processo fui à audiência e lá recebi a notícia de que a justiça ainda não conseguira intimar a outra parte. Pensei com meus botões: me ferrei.

Bem, chegamos em 2020 e num belo dia de férias recebo uma carta marcando uma segunda audiência para o dia 30 de janeiro, quase seis meses após eu dar entrada no processo. Fui. Apenas para saber que o conciliador só iria se reunir conosco no mês de maio deste ano. Ali mesmo mandei, tanto a outra parte quanto a justiça irem coçar as virilhas. E isso em um processo cujo valor não passa de dois mil reais. Não tanto pelo valor, mas sim pelo descaso do prestador do serviço que me tomou dinheiro na boa-fé e se mostrou um canalha do mesmo quilate de um Zé Dirceu, de um Palocci da vida.

A oficial de justiça que me atendeu me disse que se eu não fosse, iria ser cobrado pelos serviços e pelos “emolumementos” judiciais – emolumentos judiciais é só um nome parido do cruzamento de cruz-credo com assombração para tomar o nosso dinheiro -. Pois escrevi em bom Português: Não Pago! E também escrevi que perdi a confiança na justiça brasileira e seu linguajar empolado, em suas mamatas e privilégios que não é dado a nenhum cidadão pagador de imposto.

Desde então eu tomei birra de tudo quanto assunto que se refere à justiça brasileira. Ao contrário da deusa Dice, a nossa justiça enxerga bem, e enxerga até demais. Sua espada está cega, sua balança está quebrada, suas vestes estão rasgadas e sua nudez aparecendo. Nossos juízes se enchem de benesses, de auxílios, de recompensas. E eu me pergunto: Para que? Se, quando um cidadão comum bate às suas portas clamando por JUSTIÇA, ela é a primeira a olhar para o cidadão e zombar de sua cara?

Choca ao cidadão honesto, que vive de salário mínimo, ver o salário de um magistrado. Aqui no glorioso Mato Grosso do Sul, terra de gente brava e corajosa, há desembargadores que recebem, ao final do mês até 250 mil reais entre salários, gratificações e auxílios. Vejam a lista de auxílios: moradia, escola, creche, alimentação, toga, transporte, diárias quando viajam. Além disso ainda há o salário base e as férias. Aliás, nunca vi povo tirar tantas férias como juízes, além de promotores e procuradores. E esses cidadãos ainda têm a cara de pau mais vagabunda em falar que precisam de aumento porque seus vencimentos não fazem frente às suas despesas.

Então eu me pego perguntando: e o trabalhador que “veve” de salário mínimo. E com esse dinheiro ele tem que comer, se vestir, pagar energia, água e esgoto, transporte, remédio, dar assistência aos filhos, esposa, ou esposo, pagar aluguel, quando for o caso, e não tem auxílio, assistência, ou mesmo gratificações a mais. Será que esse cidadão é tapado, ou na nossa dita justiça só tem escroque, pilantra e safado? Exceções à parte, conheço alguns magistrados que são os famosos “pé-de-boi” – aqui no Mato Grosso do Sul esse vocábulo significa o famoso burro de carga, ou aquele que enfrenta qualquer trabalho com rapidez, eficiência e eficácia – mas estes são minorias. E volto a me perguntar. Esses cidadãos querem salário para quê? Porque o salário deles vira troco de cachaça diante dos valores recebidos entre gratificações, auxílios, e indenizações. Se a Carta Magna – olha ela aí de novo – diz que o salário do trabalhador, e até onde eu sei juiz, promotor e procurador, também são trabalhadores, é para ele fazer frente a essas despesas do cotidiano, porque a sociedade mantém uma rede de privilégios que são ofensivos aos cidadãos e não se traduzem em serviços que levam ao equilíbrio das bandejas da balança de Dice.

Há uma música no cancioneiro nacional que diz “a justiça é cega, mas enxerga quando quer”. Na verdade, nossa justiça nunca foi justa. Sempre esteve ao lado de quem oferecesse a ela os privilégios que são pagos pelos desdentados e descamisados, como dizia antigo ex-presidente e que se tornou melhor amigo de ex-presidiário. Depois dessa minha experiência com a justiça brasileira deixei de acreditar nela. Deixei de respeitar as suas atribuições. Sei que posso ser até preso por isso, mas verei essa prisão como a resistência política de um cidadão que se cansou de ser espoliado por um sistema injusto que se enche de privilégios, vira as costas para a sociedade e debocha dos mais simples.

Todavia, há uma luz nesse túnel interminável. Mesmo Dice estando com as vestes rasgadas, a balança quebrada e a espada cega no Brasil, as suas tias (Cloto, Láquesis e Átropos) são as titânides responsáveis por fiar, urdir e cortar o fio da vida do ser humano. É uma lição que serve a todos nós. Dos mais miseráveis trapos humanos que o sistema brasileiro esmaga, tritura e joga fora, até aos mais encastelados ministros, desembargadores, promotores e procuradores que em sua altivez exigem ser chamados de Excelência, e negam ao cidadão o mais simples dos direitos: ter orgulho de suas instituições judiciais.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

FASCISMO 2

Esta segunda semana, depois que sai da preguiça dengosa, cai na quarentena provocada pelo “coronga” vírus, que é mais uma ferramenta política do que propriamente um alarme generalizado, haja vista ele ser menos letal que “espinhela caída”, ou “leiteira virada”, como diziam os antigos. E, para passar o tempo eu me divido entre fazer os serviços da casa – solteirice é bom, mas tem horas pesa -, ler alguns livros, ver poucos e raros filmes antigos. Estava recentemente assistindo aos faroestes do Sergio Leone. Tanto pela narrativa, pela fotografia, como pela trilha sonora do genial Enio Morricone. E nas horas vagas fico catando carrapato da carcunda dos meus cachorros.

Mas isso são elucubrações para eu poder retomar um texto de duas semanas atrás quando falei sobre o fascismo e seu adjetivo, fascista, tão na moda que está mais parecendo pereba em moleque do que conceito político e ideológico. Mas não quero me ater sobre o fascismo do século XX que, como disse é irmão bastardo do socialismo científico de origem marxista, que mata na mesma proporção. Quero voltar ao assunto do “fascio”, no seu conceito histórico.

As legiões romanas, quando iam à guerra, ou iam impor a sua “pax romana”, ou A Paz de Roma, sempre levava em suas legiões estandartes com as letras SQPR – Senatus Populosque Romanum – ou, em uma tradução livre, O Senado e o Povo Romano. Mas o que quero que se note, e uma busca rápida pelo Google imagem demonstra isso, é que esse estandarte ia com uma águia de asas abertas segurando dois ramos de oliveira e duas setas. Os ramos se entrelaçam na base formando um “fascio”, ou feixe que simbolizavam e ainda simbolizam a coerência de valores, a objetividade única, e unidade.

Apesar de se passar mais de dois mil anos desde a Roma Imperial, esse mesmo símbolo pode ser visto em diversas bandeiras e símbolos de diversos países. Mas, aí o gaiato vai me dizer que estou forçando a barra e fazendo interpretações esdrúxulas. Não. Estou apenas demonstrado como aquela ideologia de unidade, de convergência de valores e objetivos comuns organizou e ajudou a construir as nações modernas e permanecem no imaginário coletivo das pessoas.

Note-se o chamado Grande Selo Americano: é formado por uma águia segurando no bico uma faixa com a inscrição E pluribus unus, ou seja, “De Muitos, Um’. Na garra direita segura um ramo de oliveira com 13 folhas e 13 azeitonas (olha o sentido de unidade, de fascio), e na garra esquerda 13 flechas. A interpretação mais aceita é que o ramo de oliveira com 13 folhas e 13 azeitonas, ou olivas significam as 13 colônias originais, e a águia olhar para a oliveira e não para as flechas indicam que o país prefere a paz e não a guerra, mas que, se for precisa, ela vai para a guerra. No entanto, a interpretação subjacente é que, tanto a oliveira, as olivas e as flechas remetem para um mesmo pensamento: unidade, feixe de objetivos comuns que se pode atingir pela paz, mas se for preciso será assegurado pela guerra. O dístico em latim é a quintessência dessa versão. Nada mais condensa a ideia de unidade “fascio”, do que isso.

Mas essa visão se tem também no Brasão da República do Brasil. Um ramo de oliveira que se une em um feixe na base, com um ramo de tabaco ancorado em uma espada sobre uma estrela de 21 pontas com uma faixa com a data de proclamação da república. Se no texto anterior eu falei sobre a essência fascista da Carta brasileira, o Brasão Nacional não poderia deixar mais óbvio o conceito de feixe. Porém, tal qual o símbolo americano, ele remete á ideia de unidade, de concerto de objetivos, de unidade de valor.

E tem mais. A mesma ideia de “fascio” pode ser observada na bandeira mexicana, na bandeira boliviana, na do Equador, da Venezuela, entre outros países. Mas, note-se, nenhum desses países adotou o fascismo como metodologia política. Mesmo porque a criação desses símbolos é anterior ao fascismo ideológico do século XX que nasceu com o mesmo erro hereditário do socialismo: acreditar que para se chegar a uma sociedade igualitária deve-se eliminar aqueles que não concordam com suas taras morais.

O “fascismo” histórico não deixa de ter sua essência baseada na força. Isso ocorre porque, via de regra, ele tendia a condensar e cristalizar a vontade de um povo em um sistema organizado e com desejo de perpetuidade, daí ele estar sempre associado ao ramo da oliveira (paz), quanto à espada, ou flechas (guerra). Nesse sentido, ele busca uma relação de equilíbrio e serenidade entre essas duas dimensões. O fascismo do século XX, por sua vez, ao ser parido pelas mentes doentias que pariram o socialismo esqueceram-lhe de batizar com água benta e sal, e o batizaram com sangue e chicote, tal qual o seu irmão bastardo, o socialismo.

Então, quando eu vejo os canhotinhas de Iphone e os liberais de beira de praia chamando um, ou outro de fascista, eu fico pensando que marca de orégano esse povo anda fumando, pois falam daquilo que não sabem, e até daquilo que sabem eles pervertem o sentido. Enquanto essa dúvida não se evapora de minhas ideias, vou aproveitar a quarentena forçada e continuar catando carrapato da carcunda de meus cachorros.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

IPHONE E PRAIA

Na semana passada comentei sobre os “pseudoliberais de praia” e sua pauta, bem como os canhotinhas de DCE – Diretório Central de Estudantes – das universidades públicas. Apesar do discurso antagônico, essas duas vertentes ideológicas têm mais coisas em comum do que se possa imaginar. E, ainda estou esperando o surgimento de um liberal da envergadura de um Roberto Campos, ou Eugênio Gudin.

Nossos canhotinhas, como sempre, usando camisa Lacoste, Iphone X, tênis Adidas, ou de calibre maior, dirigindo um jeep, land rover, ou Mercedes, com o bolso forro adivindo da mesada do papai, acordando ao meio-dia, grita pelos corredores das universidades que é contra o sistema, contra a opressão do capital, contra a burguesa, mas para os outros. Não para eles.

Já nossos pseudoliberais de praia, ou de clube, por sua vez clamam que querem menor intervenção do Estado nos negócios, na vida privada, nos lucros, mas…, e sempre haverá esse MAS, essa conjunção adversativa que nega a sua essência liberal e mostra que, por traz dessa casca de modernidade está mesmo alguém que não consegue viver sem a tutela do Estado.

Veja o caso de uma famosa montadora de carros no Brasil que há sessenta anos vive com subsídios estatais. E alardeia que sua produtividade é excelente, que seus veículos são top de linha. Quando o governo disse que retiraria os ditos subsídios, a empresa fez beicinho, fechou a montadora e foi embora. De duas uma: se ela era tão excelente como proclamava, após quase sessenta anos não necessitava de subsídios, agora, se após esse mesmo período não conseguia viver sem o subsídio, então não o merecia.

E aí vem as discussões sobre privatização. E todos os liberais de praia estão prontos a dar a sua contribuição ao modelo de empresa privada que se quer. E, de repente, lá está aquele MAS. É preciso privatizar, tirar empresas das mãos do Estado, MAS tem que haver um modelo que atenda a comunidades mais afastadas, e aí o Estado tem que regular, regulamentar, decretar, etc. isto é, o capitalismo brasileiro é um dos melhores do mundo, pois não se toma risco, e sempre que o capital privado está em vias de revés, o cidadão é chamado para cobrir os prejuízos.

Veja-se o caso da indústria cultural, de cinema, teatro e shows. A gritaria é imensa porque o governo de plantão cortou a safadeza de se financiar com milhões de reais filmes, peças e documentários de qualidade duvidosa. Mundo perfeito esse. O artista, o produtor, seja lá quem for, não temiam prejuízo. Não deu bilheteria, sem problemas. O povão, esse mesmo, o desdentado, o que anda de busão em um calor infernal para ir e voltar do trabalho, que ganha um salário mínimo, acorda as quatro da manha e nunca vai dormir antes da meia noite, era convocado para cobrir as despesas e o prejuízo. Mas, o artista, o produtor, o elenco e os diretores saiam no lucro. Assim é fácil defender a indústria da cultura nacional.

Mas, alguém pode dizer que não se tratava de dinheiro público, mas sim de investimento privado. Engano. Os recursos da Lei Roer, né? (Rouanet) são oriundos de renúncia fiscal, isto é, o empresário deixa de pagar o imposto para o Estado. Como o Estado não fabrica dinheiro, ele tem que compensar esse valor a menos em outro lugar. Como ele não diminui despesas, a grana sai do bolso do “Zé Povinho”, que é quem financia esses espetáculos, em sua maioria ruim, de qualidade duvidosa e que não acrescenta nada ao imaginário nacional.

Eu, particularmente sou a favor do liberalismo em sua essência. Por mim, o Estado só ficaria com as atividades de natureza estatal: segurança, diplomacia e moeda. O resto iria tudo para a iniciativa privada e o Estado ficaria proibido de subsidiar, ser sócio, acionista, ou mesmo financiar a atividades. Nosso capitalismo precisa crescer, sair do berço. E o cidadão precisa ser desmamado dessas tetas. Nos acostumamos a ter o Estado que fornece da primeira fralda que o cidadão suja quando nasce, à última pá de terra que lhe cobre o caixão.

Essa dinâmica que se estabeleceu no Brasil fez surgir essa elite política canalha, que chantageia todos os governos de plantão. Fez surgir uma justiça que está voltada para atender a seus próprios interesses e aos dos amigos da corte, ou amicus curiae, como se diz na boa língua de Virgílio e deixa o cidadão que mais precisa de justiça a ver navios.

Nossos pseudoliberais de beira de praia adotam o liberalismo, MAS, o Estado tem que sempre estar com um colchão debaixo deles para que, se caírem, não se machuquem, e seus investimentos não vão para o ralo. Esse tipo de capitalista de bloco carnavalesco eu não respeito. O dono do bolicho na esquina de casa, o vendedor de geladinho que passa todos os dias se esguelando na rua de casa, o vendedor de churros na feira aqui perto. Esses são os verdadeiros capitalistas. Esses têm meu respeito e minha admiração.

Ser capitalista sem tomar risco, sabendo que sempre tem o Estado para garantir o retorno de seu dinheiro não é ser capitalista. É ser gigolô da pobreza alheia e cafetão do subdesenvolvimento. Nesse universo que alia canhotinhas que vivem de mesada do papai e capitalistas que adoram as burras estatais, fico com uma máxima, que agora não me vem à memória quem o disse, mas falou de forma elegante e sublime a respeito do Brasil: “Neste país, a única forma de alguém ser oposição de verdade, é sonegando imposto”.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

FASCISMO

Estas duas últimas semanas estive no estaleiro curtindo, “dengosamente” a picada do mosquito, apesar disso, os noticiários só falaram no coronavírus, que eu chamo de mocorongavírus, mesmo no meu bairro haver mais de mil e setecentos casos de infecção por dengue. Mas, deixa isso para lá. Dengue é doença da preguiça e da falta de higiene, o “mocorongavírus”, é de safadeza mesmo. E, nesses dias curtindo a dor no corpo, a febre e a dor “no bago dos olhos”, como dizia meu tio Vicente, peguei-me refletindo sobre uma palavra em moda, tanto na boca dos canhotinhas, quanto nos pseudoliberais de beira de praia.

Refiro-me ao “fascismo” e seu adjetivo, “fascista”, sendo que a maioria dos que usam essa palavra não sabe o que ela significa. A palavra é de origem latina fascio, ou feixe, era uma alegoria da sociedade romana cujo significado original é unidade, confluência de valores, mas que no século XX assumiu um caráter ideológico de brutalidade e violência. PS: o fascismo moderno é irmão bastardo do socialismo científico. E, nesse pensar, voltei meus olhos para a “Carta Magna”, a dita “Constituição Cidadã” e seu rol de direitos.

Se formos levar em conta que o fascismo ideológico pregava: tudo pelo Estado, no Estado, com o estado e nada fora do Estado, é possível dizer com segurança que nossa Carta é mais fascista que a constituição de Mussolini. Lendo e contando os direitos da Carta, pode-se dividi-los em categorias: Direitos Individuais, Garantias Fundamentais e Direitos Coletivos. São cinquenta e sete direitos individuais, trinta e sete direitos trabalhistas, dezenove garantias individuais e vinte e seis direitos coletivos, no barato, porque me cansei de contá-los. Se alguém tiver os números exatos, por favor, me corrijam-me sem piedade.

E, incrível, todos esses direitos e garantias têm como origem e destino o Estado. Isso mesmo. Todo esse “cambambau” – aqui no Glorioso Mato Grosso do Sul cambambau significa uma quantidade absurda e burra – de direitos só existem se estiverem reconhecidos no e pelo Estado, ou seja, nenhum deles faz referência a uma situação em que o Estado não tenha que enfiar a sua colher de pau na panela, ou no caldeirão.

Ora, voltando ao postulado primeiro sobre o significado moderno de fascismo, quando analisamos a constituição brasileira vemos que a sua essência é fascista, haja vista a essência dessa ideologia é afunilar o individuo e a sociedade para as grandes asas estatais e sufocar o indivíduo e o coletivo, colocando em prática o que George Orwell chamou de Big Brother. Não, não estou falando desse programa xexelento que passa em uma rede de televisão brasileira, em que se coloca um bando de desocupados, com cabecinhas de fossa e vocabulário de uma criança de três anos para arrancar dinheiro de otários. O big brother de Orwell está no livro 1984, uma excelente distopia do que seria um mundo dominado pelo comunismo.

Se formos analisar com mais cuidados, com esse caminhão de direitos que o cidadão possui, ainda que, se for procurar por eles é melhor desistir, em contrapartida só existem sete deveres arrolados – palavrinha que eu tenho uma pinimba…. parece que arrolado, foi alguém que levou rola, nos países baixos – em todo o texto constitucional. Ora, não dá para se falar em cidadania em equilíbrio em um país em que se precisa arranjar um comboio de trem para carregar os direitos e apenas um envelope pequeno para os deveres. É em função desse desequilíbrio, dessa distorção que a dita “Constituição Cidadã”, nunca chegou, de fato, a atender o cidadão. A menos que você tenha os contatos certos nas três esferas de poder.

Essa dinâmica fascista que a nossa constituição impõe aos brasileiros torna a pátria uma madrasta perversa para a maioria das pessoas e uma mãe gentil para poucos, pouquíssimos privilegiados que conseguem fazer os chamados “embargos auriculares” nas autoridades dos três poderes republicanos.

Buscar uma constituição cidadã que se circunscreva – ô palavra atronchada – apenas aos fundamentos da sociedade requer, no caso brasileiro, não uma reforma profunda. Sai mais barato para a sociedade pegar essa constituição – assim mesmo, em letras minúsculas – rasgá-la, jogar o papel na latrina e escrever outra, mais enxuta, mais direta e o menos fascista possível. Dizer que uma carta de princípio não terá nenhum viés fascista, só se voltarmos a nos balangar pela cauda nas árvores, mas redigir uma que mantenha o Estado o mais longe possível da vida e do bolso do cidadão é um sonho que alimento desde que comecei a compreender a dinâmica política de nossa nação.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ERA UMA VEZ

Engraçado que sempre uma fábula começa assim. E esta pretende ser uma fábula, não fabulosa, mas não deixa de ter sua moralidade. Então, vamos lá! Era uma vez um pequeno burgo – gosto do som dessa palavra, traz um misto de pão quente e trabalho ao mesmo tempo – perdido entre montanhas e vales. Nesse burgo havia um rapaz chamado Urbano Gentil, mas que todo mundo conhecia como cidadão. Rapaz trabalhador, simples, amigo de todos, brincalhão, cioso de seus deveres. Era uma espécie de faz tudo da região. Sabia fazer trabalhos de agrimensura, alvenaria, carpintaria, marcenaria, eletricidade, encanamento, ajudava nas missas da igreja, cuidava da mãe, dos irmãos, e ainda ajudava a vizinha a carregar as compras para casa.

Cidadão era o que se podia chamar de “homem que se fez a si mesmo”. Apesar da vida simples conseguia dar qualidade de vida para a família, defendia os seus como um tigre. Ganhava o suficiente para manter a despensa de sua casa sempre cheia, a geladeira abastecida, os irmãos sempre arrumados, limpos, estudando, com material escolar suficiente e sempre um lanche na mochila. Em casa, ajudava a mãe, dava uma força à irmã recém-casada e com um filho, tinha o “de seu” para a sua “sagrada cervejinha” no fim de semana – sempre duas latinhas bebericadas na porta de casa – e nada mais. E, até já tinha o suficiente para comprar um carro, usado, mas que ajudaria ele a atender um maior número de clientes, pois o veículo permitiria ele chegar mais rápido ao seu destino de trabalho.

Apesar do trabalho árduo, podia-se dizer que Cidadão era um homem feliz. Curtia um romance com uma linda menina, simples e trabalhadora como ele. Sonhavam juntos em unir forças, montar um negócio para atender aos pedidos de serviço que se avolumavam. Cidadão, mesmo se tivesse oito braços e quatro pernas já estava no seu limite de atendimento. Era preciso contratar gente. E o sonho de abrir o seu negócio, prosperar, ajudar outros que, como ele, também queriam, através do trabalho vencer na vida.

Certo dia, apareceu um desses “grandão”, de bolso forro. Chegou ajudando um, ajudando outro, emprestando um dinheiro aqui, amparando outro ali. E foi crescendo no burgo até se tornar o maioral da região. Todos o ouviam, todos estavam sob seu manto. E esse “grandão” foi ficando maior. Estabeleceu regras no burgo, criou uma série de normas, até ao ponto em que, se o morador do burgo quisesse falar com ele deveria passar por uma série de diretorias, secretarias, protocolos, auxiliares e outras bossas. E esse grandão foi se tornando cada vez mais abstrato, mais uma entidade do que um ser. Mas, havia algo, ou alguém que destoava desse cântico. Cidadão.

Continuando na sua faina, depois de casado conseguiu montar o seu negócio e a prosperar. Podia-se dizer que era o senhor de si mesmo. O “grandão”, vendo essa exuberância não pode suportar. Doeu-lhe na alma ver alguém que não estivesse debaixo de sua asa, de sua proteção, de seus olhos. Tentou de todas as formas convencer Cidadão a se proteger sobre sua sombra, sempre recebendo uma negativa educada, mas firme. Porém, tudo tem limites, inclusive a paciência.

Certa manhã de domingo, “Grandão” chamou seus baba-ovos – hoje são chamados de assessores – e mandou meter fogo nos negócios de Cidadão, dar uma surra nele, de maneira que ele tivesse uma mão decepada e ficasse paraplégico. E assim foi feito. Quase mataram o coitado de tanto bater. Queimaram sua empresa, destruíram sua casa e expulsaram seus irmão da escola onde estudavam. Vendo a situação, “Grandão” aproximou-se de Cidadão e lhe ofereceu uma casa de conjunto habitacional que podia ser paga em suaves prestações, por trinta anos – dessas casas que custam 30 mil, mas depois que você já pagou 250 mil descobre que ainda está devendo uns 330 mil de saldo devedor – Dizem que, o que é um peido para quem está todo cagado? Pois bem, cidadão aceitou a oferta.

“Grandão” ainda matriculou seus irmãos na escola que ele mantinha – um moquifo cheio de morcegos, com goteira quando chovia, um forno quando esquentava e um freezer quando esfriava, com professores semialfabetizados que só sabiam louvar as benesses que “Grandão” trouxe para o burgo, livros obsoletos que mais emburreciam do que ensinavam e uma gororoba servida como comida que, se fosse dada para um gato, ele a cheirava e jogava terra em cima.

Como Cidadão, sua esposa e sua mãe já não podiam trabalhar mais, “Grandão” deu uma cadeira de rodas para o coitado e um cartão onde ele podia todo mês ir no bolicho do burgo e fazer uma comprinha – limitada a determinado valor -, que excluía carnes variadas, laticínios, farinhas especiais, entre outras coisas. Era somente para o básico. Para não morrer de fome, como se diz hoje.

Certa vez, no aniversário do burgo, estavam “Grandão” e seus cúmplices, digo, assessores vendo o desfile das escolas. Estavam também convidados de fora que vieram para paparicar “Grandão”, quando este apontou Cidadão. “Ta vendo aquele cara lá, de cadeira de roda, quase maltrapilho, com cara de quem não come há uns três dias? Pois, é, se não fosse por mim, nem cadeira de rodas ele teria para andar pela cidade, acreditam?

Moral da história: desconfie sempre quando o Estado, ou um político quer te dar algum benefício. Sempre alguém terá a mão decepada e terá que andar em uma cadeira de rodas para que você possa aproveitar esse benefício, que não é benéfico.

Moral da história 2: se você quer deixar de ser tratado como gado, pare de se comportar como gado.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CRÍTICAS E AUTOCRÍTICAS

Essa semana que passou, e até mesmo nesse domingo, o noticiário – principalmente aquele noticiário que tem lado – saturou nossos ouvidos, olhos e paciência, comentando os quarenta anos de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), numa espécie de ritual que, com certeza, estava ligado a um túnel do tempo que ligava 2020 a 1917. Mas, isso tudo são bobagens de minha mente vazia. O que mais se ouviu e se leu nessas reportagens foi a palavra autocrítica, ou seja, a necessidade do partido fazer uma reflexão pública sobre seus “erros” do passado, pedir desculpas à sociedade, caso queira sobreviver ao resto do século.

Vamos por parte nessa história de crítica, autocrítica e erro que a imprensa militante pede, quase que de joelhos, aos pés do dono do PT. Pedem com um látego nas mãos, prometendo autoflagelo se o chefão da sigla assim o fizer. Todavia, obtém, no máximo, um olhar de desdém do chefão. Nada de crítica, nada de autocrítica, nada de reconhecer “erros”.

A palavra crítica vem do vocábulo grego “krinein”, cuja tradução mais aproximada é “julgamento de valor”. Assim, a autocrítica seria um julgamento de valor que a pessoa faz sobre si mesma, ou sobre seus atos, ações e decisões tomadas. E aqui começam as dificuldades para o PT e a sua recusa religiosa em fazer esse ato.

Fazer um julgamento de valor implica em ter consciência e reconhecer um parâmetro ético, moral e de conduta que baliza o momento inicial de uma ação, ato, ou modo de ser de alguém, isto é, implica em reconhecer que o ponto de partida de toda da vida está contida em um parâmetro. Da mesma forma, o caminho, ou jornada, e o ponto de chegada implica em uma fronteira ética, moral e legal que jamais deve ser ultrapassada, não importando o quão custoso isso será. A história do comandante Moscardó na guerra civil espanhola é um emblema e uma lição disso que eu estou falando.

E aqui está o primeiro problema intransponível para o PT fazer sua autocrítica. Se ela parte de um valor moral, ético e de responsabilidade, esses valores não encontram eco na própria estrutura genética do partido. Muitos analistas dizem que a gênese do PT são as diretrizes leninistas do começo do século XX. Não é de todo verdade. Sua forma de ação está mais para os conceitos gramscianos de visão de mundo: a desfaçatez, a mentira, a imoralidade, a violência, a ilegalidade. Tudo em nome de uma utopia que a história já demonstrou que, quando implantada, colhe como fruto apenas cadáveres daqueles cidadãos que escraviza.

O PT jamais fará uma autocrítica, haja vista que para fazer isso ele necessitaria ter como fundamento o respeito por toda a tradição judaico-cristã de moralidade e ética. Para se fazer uma autocrítica é necessário que se aceite o arcabouço civilizacional que o mundo construiu ao longo dos séculos e à custa de milhões de mortos, em incontáveis guerras. Para se fazer a autocrítica necessária, deve-se não somente aceitar o fundamento ético, moral, social e legal que protege o indivíduo em sua unicidade, em sua – e olha a redundância aqui – individualidade, mas também proteger e se tornar bastião desses valores, sob quaisquer circunstância. E esse valor genético o PT não possui, e possivelmente nunca o terá, haja vista ser um fator de gênese, ou seja, deve nascer junto com a ideia e não tem como ser agregada depois.

O segundo ponto que a autocrítica leva é o reconhecimento de erros. Aliás, a autocrítica serve para isso também: o reconhecimento de erros cometidos, dentro do arcabouço civilizatório, e as tentativas de correção desses erros, aceitando as regras da civilização até as suas últimas consequências.

E chega-se à segunda impossibilidade relativa ao PT e à autocrítica necessária. Caso o partido faça autocrítica e reconheça os seus “erros”, toda a cúpula do partido irá parar na cadeia. E por um motivo simples: o que o PT cometeu, ainda que a imprensa partidária chame de erro, na boa e velha língua de Camões, tem outro nome: crime. Isso mesmo… CRIME. O que p PT cometeu durante seus quarenta anos de existência nas esferas em que ele dominou politicamente, seja em prefeituras, em governos estaduais e no governo federal, não foram erros. Foram crimes.

Mensalão, petrolão, o caso Toninho do PT, o caso Celso Daniel, o caso Valdomiro Diniz, o caso do caseiro do Palocci, as vendas de medidas provisórias, o caso dos empréstimos consignados de aposentados, as palestras milionárias, o porto de Mariel, o caso Schahin, o caso da indústria naval brasileira, que construiu um navio, mas que as seguradoras garantiram que se o navio fosse lançado ao mar ele se desmontaria no primeiro contato com a água, demonstram, de forma cabal que, ao contrário do que a imprensa amiga publica, os ditos “erros” do PT, em linguagem mais clara e mais afeita à legalidade possuem outro nome, bem menos glamouroso.

Fazer autocrítica, neste caso, significaria trazer todo esse entulho para a luz do dia. Ainda que a dita “Constituição cidadã” impede que o sujeito produza provas contra si mesmo, a autocrítica que tanto a imprensa amiga pede, exporia, não digo mais podridão, porque o PT não esconde mais a podridão. Ela está exposta e fedendo para quem tem nariz e olhos para ver e cheirar. O que essa autocrítica exporia é o modo como o PT quase conseguiu apodrecer os fundamentos da civilização nas terras brasileiras. Ficariam expostos todos os crimes cometidos pelo partido. Todos os que se possam imaginar, contemplando de A a Z o modo como seguiu-se à risca o mando de Gramsci. Apodreça todos os fundamentos da sociedade. Quando ela cair ficará fácil dominá-la.

Eis o motivo pelo qual o PT jamais fará uma autocrítica. Para fazê-la é necessário dois fundamentos: respeitar e defender o arco civilizatório da sociedade e ter em mente do que se cometeu foram erros. Duas coisas que o PT sabe que não tem e não fez: não tem respeito pelo processo civilizatório humano e não cometeu erro algum. Mas sabe que despreza e quer destruir esse arcabouço civilizacional para implantar a sua barbárie de genocídio e sabe que o que de fato ele cometeu chama-se CRIME. CRIME e não erro.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

A CÉU ABERTO

Eu sei que muita gente vai atirar pedra em mim, vai me criticar por este texto, mas, seguindo a lição do saudoso Vicente Mateus “quem sai na chuva é pra se queimar”, é da profissão e de praxe. Acontece que eu não consigo ficar de boca fechada e nem guardar meus pensamentos para mim mesmo, principalmente quando o assunto é brasilidade.

Conheci Brasília quando tinha vinte e um ano e fiquei encantado com a monumentalidade, com o desenho da cidade, com suas esculturas a céu aberto. Aliás, Brasília é, em si, uma obra de arte. Mas também, é uma prova inconteste de um crime cometido contra a nação e um monumento ao deboche. Uma prova inconteste de um crime que fica a céu aberto para quem quiser ver.

Nessa minha primeira ida a Brasília fiquei hospedado na casa de um amigo. Na noite em que resolvemos comer uma pizza foi uma verdadeira viagem que fizemos para chegar ao local. No caminho quase pedi para voltar e fazer as malas e seguir a viagem. Esse meu amigo morava, e não sei se ainda mora no chamado “Plano Piloto”. Só se for piloto de avião, porque as coisas ficam mais fáceis se pegar um avião para ir de um local a outro naquele deserto de humanidade.

Pensada para ser uma cidade “sem classes distintas”, a Brasília da realidade se distingue pela diferença de cargos e de carros que se usam para ir de um local a outro. Quanto mais nome o cargo tiver, maior e mais luxuoso será o carro utilizado pelo dito cujo. E esse tal olha, com ar de superioridade para qualquer curiboca que ousar andar pelas superquadras do Plano Piloto. Eis ali vai um “argh” cidadão pagador de imposto – na verdade, o otário que sustenta com o suor de seu rosto toda aquela ostentação estéril e improdutiva.

Brasília é um monumento à improdutividade, ao parasitismo e um valhacouto adequado, planejada e construída para que alguns poucos espertalhões tramassem as piores aleivosias contra a nação, sem serem incomodados pelos botocudos que os sustentam, e ao seu estilo de vida nababesco. Houvesse a capital permanecido no Rio de Janeiro garanto que nem vinte por cento das safadezas ali praticadas seriam cometidas.

Não gosto do Rio de janeiro. Acho-a uma cidade que “veve” de uma falsa sensação de superioridade, desde que não se olhe para os morros. Mas, ao menos ali tem vida. Ali as pessoas interagem com pessoas e, ainda que as relações sejam superficiais, ainda se comunica vida. Brasília, ao contrário. É a capital avessa à vida, avessa a companheirismo. Uma das coisas mais imperdoáveis de Brasília é o fato dela não ter esquina. E, sem esquina, não existe boteco. Isso mesmo. Boteco, ou botequim. Aquelas biroscas em que se vende bebidas, refrigerantes e salgados de procedência duvidosa, mas que enchem de vida uma cidade.

Pensada por Juscelino e colocada no meio do nada, a real intenção de Brasília foi tirar o povo de perto das decisões governamentais. Tentem colocar alguns milhões de cidadãos na esplanada dos Ministérios. Quem olhar de vida vai ver um grande vazio. Como se não houvesse ninguém. E isso acalma aqueles que estão lá apenas lutando pelos seus próprios privilégios e interesses. Diferentemente, o Rio de Janeiro, no Palácio do Catete, qualquer manifestação entulha as ruas de povo e bota medo nas inutilidades que trabalham na administração pública.

Brasília é um crime a céu aberto cometido contra o Brasil. Ainda que até hoje se cante a lorota de que foi para desenvolver o oeste do país que a capital foi mudada para o meio do nada. Brasília fica longe de tudo. A capital mais perto está a quatrocentos quilômetros dela. Brasília com seus arcos monumentais com suas esculturas em concreto armado. Com seus prédios de linhas delicadas deveria ser um monumento á criatividade e à genialidade humana e à arte moderna. Todavia, cada vez que eu olho para aquelas ruas deserta de homens, para aquelas praças vazias de vida e de cheia de interesses escusos que tramam e trabalham para o progresso de nossa pobreza, sinto-me cada vez mais convencido de que Brasília é a prova viva e material de um crime cometido a mais de sessenta anos contra o Brasil. Chamada por Aldous Huxley de “Capital da Esperança”, o tempo provou o seu contrário. É só um monumento à morte por inanição de um país que ainda sonha em ser gigante, mas com a prova de um crime atado em seu tornozelo.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ESQUELETOS NO ARMÁRIO

Semana passada, em uma roda de amigos, mais uma vez voltou-se à tona a discussão sobre o período que foi de 1964 a 1985 – ficou conhecido como Revolução de 64, Ditadura Militar, Golpe, Contrarrevolução, Regime Militar – os nomes variam de acordo com o gosto do freguês. Mas, o que mais me chamou a atenção é que, apesar de todos terem alguma opinião sobre o período, nenhum de nós o viveu em sua plenitude. Eu, o mais velho da turma, nasci em 1971, ou seja, durante o governo Médici. Passei pelos governos Geisel e Figueiredo e, “Zé Fini!”… acabou-se governos dos generais.

Em 1979 foi aprovada a Lei de Anistia que foi recepcionada na Emenda Constitucional que convocou uma Assembleia nacional Constituinte que criou a dita “Constituição Cidadã”… uma Carta tão magna, mas tão magna que trinta anos depois, ela ainda não chegou até o povão, mas deixa isso para lá. A anistia foi um processo necessário de pacificação, mas acabou parindo monstrengos que custam caro ao dito cidadão para qual a dita constituição foi feita. E bota caro nisso. E entre esses monstrengos estão a Bolsa Ditadura – aquela compensação paga pelos otários pagadores de impostos a pessoas que foram perseguidas e prejudicadas, ou que se dizem perseguidos e prejudicados durante aquele período -, além de uma aberração parida no pior governo da história republicana do Brasil, o de Dilma Rousseff, a malfadada Comissão da Verdade, ou mais apropriada, Comissão da Verdade Estatal.

Anistia significa perdão, mas não esquecimento. Ora, como dá para perdoar algo que não é completamente sabido? Como esquecer algo que possui zonas cinzentas e sem nenhuma luz, em uma história cheia de lacunas e buracos? O presidente Bolsonaro foi eleito com o mote cristão “E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!”. Está na hora, presidente, de tirar todos os esqueletos desse período do armário e jogá-los em praça pública. Eles vão escandalizar, chocar, provocar náuseas por alguns dias, meses, mas será um processo de cura necessário para que o país se reconcilie com o seu passado e liberte-se dele.

Até agora, vivemos refém de duas visões opostas. De um lado, aqueles que estavam no comando estatal se negam a encarar a verdade, a tirar esses esqueletos do armário. De outro lado, aqueles que estavam lutando para implantar a ditadura do proletariado querem essa abertura com o intuito de se vingar pela derrota sofrida. Não. O Brasil não precisa disso. Precisa sim, se reconciliar com seu passado, mas perdoar. Perdoar, tanto aqueles que usaram o poder do Estado para torturar, matar e destruir, quanto aqueles que intentavam solapar o poder para implantar as suas ideias de governo baseada em uma tirania sanguinária.

Nessa guerra de narrativas – olha a palavra maldita aí – a única conclusão que se pode tirar é que não há e não houve inocentes nessa luta. Os militares e civis do governo cometeram crime? Sim. Os que lutavam pela implantação de um regime totalitário no Brasil, no período cometeram crime? Sim. Porém, nesse embate devemos partir de uma premissa básica. A lei da anistia perdoou aos dois lados, mas não mandou a sociedade esquecer esse período. Só que esse perdão está difícil de ser concretizado, justamente porque há muitos esqueletos trancados em armários, tanto de um lado, quanto de outro. É necessário que esses cadáveres insepultos sejam arrancados de lá. Jogados em frente à casa de cada um dos brasileiros, com sua história, suas vidas e suas mortes. Como disse, eles vão nos escandalizar, nos causar ânsia de vômito, mas será libertador conhecer as suas histórias, as suas agruras e suas trajetórias.

Perdão significa perdão. Infelizmente ainda há tarados morais que querem não conhecer e perdoar, mas vingar, buscar revanche, ou mesmo acalentar uma falsa sensação de vitória pela punição dos seus adversários. Esse tipo de comportamento deve ser repudiado pela sociedade, porque um fato é notório: ninguém que lutou naquele período defendia um Estado Democrático e de Direito.

Joguem esses esqueletos fora, limpem esses armários. Conheçamos toda a verdade daquele período para que essa verdade nos liberte desse passado e nos mostre o caminho do futuro. Esses esqueletos escondidos são fonte para espertalhões arrancarem dinheiro do cidadão, que, em sua maioria não viveram aquele período, mas são obrigados a pagar o investimento feito pelos ditos guerrilheiros naquele período. Abram-se os armários e joguem-se esses esqueletos em plena luz do dia. As torneiras do dinheiro fácil e das ditas indenizações serão fechadas no mesmo instante, o país poderá conhecer o seu passado, reconciliar-se com ele e caminhar para frente finalmente.

Conhecer esse passado irá nos fazer enojarmos de nós mesmo, por um tempo, porém jamais poderemos negar ele. Enquanto esses esqueletos estiverem escondidos nós nos envergonharemos de nossa história. Vamos trazer à luz esses cadáveres e buscar cumprir a promessa do presidente Bolsonaro a respeito da verdade, mas com o intuito exclusivo da reconciliação e não da revanche, ou da vingança? Quem sabe não está aí a chave para o nosso futuro?

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

DE AIATOLÁS A AIATOLINHOS

Este fim de semana me peguei matutando sobre os acontecimentos deste início de ano, principalmente na confusão entre os Estados Unidos e o Irã envolvendo a morte do terrorista Qassen Suleimani – digo terrorista e não general, porque o sujeito poderia ser tudo, menos um general, afinal dedicou sua vida a encontrar formas de matar o maior número possível de inocentes usando o terror e o culto à morte como arma de combate – e as manifestações que ocorreram no ocidente, principalmente no Brasil a respeito desse episódio.

Uma análise superficial já demonstra que os aiatolás que usam o medo, a morte e a execração pública como forma de governo podem ser truculentos, bárbaros, carniceiros mesmo, mas burros eles não são. Os métodos pensados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini e refinado ao “estado de arte” pelo aiatolá Ali Khamenei aprisionaram uma nação ao terror da morte e da humilhação pública. Para isso foram atacar mulheres, minorias e cidadãos “indesejáveis” como forma de exemplo para que a população se mantivesse quieta.

Enforcar gay? Sem problemas, segundo Mahmoud Ahmadinejad não são gente mesmo! Apedrejar mulheres até à morte? Facinho, afinal, qual a diferença entre uma mulher e uma camela? Há sim, a camela pelo menos fornece leite, lã e transporte. Matar centenas de pessoas por uma causa? Qual o problema? É a nossa causa! Se for possível matar bilhões por ela, assim faremos, afinal os demais são infiéis e não merecem viver e respirar o mesmo ar que nós respiramos.

Essa ideologia de culto à morte implantada no Irã e exportada para o Líbano (Hezbollhah), Iraque (Estado Islâmico), Afeganistão (Talibã), e muito em breve na Europa é difícil de ser compreendido pela mente ocidental, mas tem o seu sentido e gênese na história da própria humanidade. E falar sobre isso requer mais reflexão e aprofundamento.

O que me deixa “basbaque” é ver nossos canhotinhas, aqui no Brasil defender justamente facínoras do calibre de Suleimani, e Khamenei. Que nossos esquerdinhas são intelectualmente desonestos, disso eu não tenho dúvida nenhuma, agora que eles fossem moralmente assassinos, aí é dose que nem um rinoceronte aguenta. Vi gente vestida com a camiseta do Che Guevara que aqui, na terra brasilis se diz feminista, apoiando os sádicos que governam o Irã. Vi partidários do movimento baitolístico nacional gritando palavras de ordem contra os Estados Unidos e apoiando o carniceiro de Teerã que em boa hora a América mandou para o colo de satanás.

Fico imaginando esse aiatolinhos daqui indo lã em Teerã. As bruacas – aqui no glorioso Mato Grosso do Sul esse termo faz referência à mulher baranga, do tipo que o PT adora – de peito de fora, suvaco cabeludo gritando apoio ao Khamenei. Com certeza iriam ser apedrejadas com tijolo oito furos. E os frutinhas esquerdistas então? Lá em Teerã seriam enforcados com fio de nylon para que o suplício durasse mais tempo. Mas como estamos em uma terra de liberdade eles fazem o que bem entendem. Suas aiatolices, desde que haja alguma coisa contra a América encontra ressonância na nossa imprensa militante.

Fico até imaginando que, se Adolf Hitler, aquele tarado do bigodinho escroto, estivesse hoje no poder e fizesse uma campanha contra os Estados Unidos, todos os aiatolinhos do Brasil iriam apoiá-lo com graça e alegria, mesmo que depois fossem tangidos como gado para os campos de extermínio, como assim fizeram os aiatolás do Irã, o bigodudo assassino da Geórgia (Josef Stalin), o tarado fedorendo da Argentina (Che Guevara) e o gigolô da fome alheia (Nicolás Maduro) está fazendo com o seu povo.

No arco civilizatório a que o planeta chegou, os aiatolás sádicos que governam o Irã matam o ser humano dentro da civilização. No espectro político e social brasileiro, os aiatolinhos de esquerda matam a civilização dentro do ser humano.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

PÉROLAS INFERNÉTICAS

O Brasil é uma terra meio besta. Ou melhor, o planeta está ficando bestificado com a evolução da tecnologia e da comunicação via rede computadores. E, isso tem gerado efeitos positivos e negativos relacionado à informação e a busca de informações sobre o que acontece “urbis et orbis”, como dizem os papas: “na cidade e no mundo”. “Aliás, há muito tempo, quando busco informações venho no JBF, pois todas as opiniões, informações, ‘causos” e depoimentos são publicados sem filtro, sem viés ideológico, sem censura. E para aproveitar o clima de esculhambação nacional que o Congresso e o STF estão fazendo com a “terra brasilis” resolvi também enfiar a colher de pau dos “Nunes da Cunha” nesses tempos abestalhados e dar minha opinião.

Falo de um fenômeno que está se tornando tão comum quanto pereba em moleque: a síndrome do corno internético. Nos tempos de antanho, daquele tempo em que, quando a mãe ia buscar o relho para uma boa sova e mandava a gente ficar parado em um lugar, a gente ficava parado. E recebia duas lições: a primeira, a sova pela peraltice praticada. A segunda uma aula de soletração da Inculta e Bela. Pois bem, nesse tempo, quando alguém era enfeitado com uma galhada cervídea, bubalina, ou bovina, o assunto era tratado a boca pequena, na moita, escamoteado mesmo.

Todo mundo falava baixo, ria pelas costas do enfeitado. E, quando este descobria, abafava-se o escândalo com uma “separação de corpos” como se dizia, isto é, quando o casal, para não desonrar o resto da família, decidia manter as aparências morando na mesma casa, mas em quartos e horários separados. Só apareciam juntos em situações “sociais”. Ou, um dos cônjuges, preferencialmente o galhudo, inventava um serviço em outro local, outra cidade, e se “azulava”, deixando o boato que ia a serviço, mas mantinha mulher e casa e retornaria em breve.

Hoje, coisa estranha, tudo mudou. Quando um dos cônjuges é corneado, a primeira coisa que o outro faz é gravar a traição e postar no “feicebugre”, no “intubiu” e no “instagrande”. E, não somente publicam, como ainda dão o nome completo dos adúlteros, o endereço onde foram se divertir e se filma, para deixar bem claro que lugar de chifre é na testa. De preferência, em cadeia mundial.

Esses assuntos cornelificantes, diga-se de passagem, esta ficando até chato. Justamente porque tira, de maneira mesquinha, daqueles cidadãos que se dedicam à gozação, matéria prima para o riso e para o deboche. Na atualidade, ser corno tornou-se quase que uma obrigação. Não importa a vergonha que se passa, ou se impõe a alguém. O Importante nesse assunto é ver a quantidade de “likes” que o corno ganha após publicar em rede mundial o ato.

Assuntos chifrísticos à parte, penso que estamos vivendo um tempo em que o “simancol”, o “desconfiômetro” e o senso de ridículo foram deixados de lado. O importante agora é ter seguidores on line e “likes” que passam dos cem mil em função de algo que, a meu ver, deveria permanecer no recesso do lar. Mas, quem sou eu nessa história toda? Nada… apenas um curiboca curioso que vive escarafunchando a “infernet” para ver as pessoas serem humilhadas gratuitamente.

E assim, escrevinho este texto, saudosista, antigão, tacanho mesmo. Espero que possamos continuar assim por um longo tempo. Enquanto isso, vou continuar aqui deitado e “catamilhografando” este e outros textos, afinal….. Ai, que preguiça…. ninguém é de ferro!