ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ERA UMA VEZ

Engraçado que sempre uma fábula começa assim. E esta pretende ser uma fábula, não fabulosa, mas não deixa de ter sua moralidade. Então, vamos lá! Era uma vez um pequeno burgo – gosto do som dessa palavra, traz um misto de pão quente e trabalho ao mesmo tempo – perdido entre montanhas e vales. Nesse burgo havia um rapaz chamado Urbano Gentil, mas que todo mundo conhecia como cidadão. Rapaz trabalhador, simples, amigo de todos, brincalhão, cioso de seus deveres. Era uma espécie de faz tudo da região. Sabia fazer trabalhos de agrimensura, alvenaria, carpintaria, marcenaria, eletricidade, encanamento, ajudava nas missas da igreja, cuidava da mãe, dos irmãos, e ainda ajudava a vizinha a carregar as compras para casa.

Cidadão era o que se podia chamar de “homem que se fez a si mesmo”. Apesar da vida simples conseguia dar qualidade de vida para a família, defendia os seus como um tigre. Ganhava o suficiente para manter a despensa de sua casa sempre cheia, a geladeira abastecida, os irmãos sempre arrumados, limpos, estudando, com material escolar suficiente e sempre um lanche na mochila. Em casa, ajudava a mãe, dava uma força à irmã recém-casada e com um filho, tinha o “de seu” para a sua “sagrada cervejinha” no fim de semana – sempre duas latinhas bebericadas na porta de casa – e nada mais. E, até já tinha o suficiente para comprar um carro, usado, mas que ajudaria ele a atender um maior número de clientes, pois o veículo permitiria ele chegar mais rápido ao seu destino de trabalho.

Apesar do trabalho árduo, podia-se dizer que Cidadão era um homem feliz. Curtia um romance com uma linda menina, simples e trabalhadora como ele. Sonhavam juntos em unir forças, montar um negócio para atender aos pedidos de serviço que se avolumavam. Cidadão, mesmo se tivesse oito braços e quatro pernas já estava no seu limite de atendimento. Era preciso contratar gente. E o sonho de abrir o seu negócio, prosperar, ajudar outros que, como ele, também queriam, através do trabalho vencer na vida.

Certo dia, apareceu um desses “grandão”, de bolso forro. Chegou ajudando um, ajudando outro, emprestando um dinheiro aqui, amparando outro ali. E foi crescendo no burgo até se tornar o maioral da região. Todos o ouviam, todos estavam sob seu manto. E esse “grandão” foi ficando maior. Estabeleceu regras no burgo, criou uma série de normas, até ao ponto em que, se o morador do burgo quisesse falar com ele deveria passar por uma série de diretorias, secretarias, protocolos, auxiliares e outras bossas. E esse grandão foi se tornando cada vez mais abstrato, mais uma entidade do que um ser. Mas, havia algo, ou alguém que destoava desse cântico. Cidadão.

Continuando na sua faina, depois de casado conseguiu montar o seu negócio e a prosperar. Podia-se dizer que era o senhor de si mesmo. O “grandão”, vendo essa exuberância não pode suportar. Doeu-lhe na alma ver alguém que não estivesse debaixo de sua asa, de sua proteção, de seus olhos. Tentou de todas as formas convencer Cidadão a se proteger sobre sua sombra, sempre recebendo uma negativa educada, mas firme. Porém, tudo tem limites, inclusive a paciência.

Certa manhã de domingo, “Grandão” chamou seus baba-ovos – hoje são chamados de assessores – e mandou meter fogo nos negócios de Cidadão, dar uma surra nele, de maneira que ele tivesse uma mão decepada e ficasse paraplégico. E assim foi feito. Quase mataram o coitado de tanto bater. Queimaram sua empresa, destruíram sua casa e expulsaram seus irmão da escola onde estudavam. Vendo a situação, “Grandão” aproximou-se de Cidadão e lhe ofereceu uma casa de conjunto habitacional que podia ser paga em suaves prestações, por trinta anos – dessas casas que custam 30 mil, mas depois que você já pagou 250 mil descobre que ainda está devendo uns 330 mil de saldo devedor – Dizem que, o que é um peido para quem está todo cagado? Pois bem, cidadão aceitou a oferta.

“Grandão” ainda matriculou seus irmãos na escola que ele mantinha – um moquifo cheio de morcegos, com goteira quando chovia, um forno quando esquentava e um freezer quando esfriava, com professores semialfabetizados que só sabiam louvar as benesses que “Grandão” trouxe para o burgo, livros obsoletos que mais emburreciam do que ensinavam e uma gororoba servida como comida que, se fosse dada para um gato, ele a cheirava e jogava terra em cima.

Como Cidadão, sua esposa e sua mãe já não podiam trabalhar mais, “Grandão” deu uma cadeira de rodas para o coitado e um cartão onde ele podia todo mês ir no bolicho do burgo e fazer uma comprinha – limitada a determinado valor -, que excluía carnes variadas, laticínios, farinhas especiais, entre outras coisas. Era somente para o básico. Para não morrer de fome, como se diz hoje.

Certa vez, no aniversário do burgo, estavam “Grandão” e seus cúmplices, digo, assessores vendo o desfile das escolas. Estavam também convidados de fora que vieram para paparicar “Grandão”, quando este apontou Cidadão. “Ta vendo aquele cara lá, de cadeira de roda, quase maltrapilho, com cara de quem não come há uns três dias? Pois, é, se não fosse por mim, nem cadeira de rodas ele teria para andar pela cidade, acreditam?

Moral da história: desconfie sempre quando o Estado, ou um político quer te dar algum benefício. Sempre alguém terá a mão decepada e terá que andar em uma cadeira de rodas para que você possa aproveitar esse benefício, que não é benéfico.

Moral da história 2: se você quer deixar de ser tratado como gado, pare de se comportar como gado.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CRÍTICAS E AUTOCRÍTICAS

Essa semana que passou, e até mesmo nesse domingo, o noticiário – principalmente aquele noticiário que tem lado – saturou nossos ouvidos, olhos e paciência, comentando os quarenta anos de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), numa espécie de ritual que, com certeza, estava ligado a um túnel do tempo que ligava 2020 a 1917. Mas, isso tudo são bobagens de minha mente vazia. O que mais se ouviu e se leu nessas reportagens foi a palavra autocrítica, ou seja, a necessidade do partido fazer uma reflexão pública sobre seus “erros” do passado, pedir desculpas à sociedade, caso queira sobreviver ao resto do século.

Vamos por parte nessa história de crítica, autocrítica e erro que a imprensa militante pede, quase que de joelhos, aos pés do dono do PT. Pedem com um látego nas mãos, prometendo autoflagelo se o chefão da sigla assim o fizer. Todavia, obtém, no máximo, um olhar de desdém do chefão. Nada de crítica, nada de autocrítica, nada de reconhecer “erros”.

A palavra crítica vem do vocábulo grego “krinein”, cuja tradução mais aproximada é “julgamento de valor”. Assim, a autocrítica seria um julgamento de valor que a pessoa faz sobre si mesma, ou sobre seus atos, ações e decisões tomadas. E aqui começam as dificuldades para o PT e a sua recusa religiosa em fazer esse ato.

Fazer um julgamento de valor implica em ter consciência e reconhecer um parâmetro ético, moral e de conduta que baliza o momento inicial de uma ação, ato, ou modo de ser de alguém, isto é, implica em reconhecer que o ponto de partida de toda da vida está contida em um parâmetro. Da mesma forma, o caminho, ou jornada, e o ponto de chegada implica em uma fronteira ética, moral e legal que jamais deve ser ultrapassada, não importando o quão custoso isso será. A história do comandante Moscardó na guerra civil espanhola é um emblema e uma lição disso que eu estou falando.

E aqui está o primeiro problema intransponível para o PT fazer sua autocrítica. Se ela parte de um valor moral, ético e de responsabilidade, esses valores não encontram eco na própria estrutura genética do partido. Muitos analistas dizem que a gênese do PT são as diretrizes leninistas do começo do século XX. Não é de todo verdade. Sua forma de ação está mais para os conceitos gramscianos de visão de mundo: a desfaçatez, a mentira, a imoralidade, a violência, a ilegalidade. Tudo em nome de uma utopia que a história já demonstrou que, quando implantada, colhe como fruto apenas cadáveres daqueles cidadãos que escraviza.

O PT jamais fará uma autocrítica, haja vista que para fazer isso ele necessitaria ter como fundamento o respeito por toda a tradição judaico-cristã de moralidade e ética. Para se fazer uma autocrítica é necessário que se aceite o arcabouço civilizacional que o mundo construiu ao longo dos séculos e à custa de milhões de mortos, em incontáveis guerras. Para se fazer a autocrítica necessária, deve-se não somente aceitar o fundamento ético, moral, social e legal que protege o indivíduo em sua unicidade, em sua – e olha a redundância aqui – individualidade, mas também proteger e se tornar bastião desses valores, sob quaisquer circunstância. E esse valor genético o PT não possui, e possivelmente nunca o terá, haja vista ser um fator de gênese, ou seja, deve nascer junto com a ideia e não tem como ser agregada depois.

O segundo ponto que a autocrítica leva é o reconhecimento de erros. Aliás, a autocrítica serve para isso também: o reconhecimento de erros cometidos, dentro do arcabouço civilizatório, e as tentativas de correção desses erros, aceitando as regras da civilização até as suas últimas consequências.

E chega-se à segunda impossibilidade relativa ao PT e à autocrítica necessária. Caso o partido faça autocrítica e reconheça os seus “erros”, toda a cúpula do partido irá parar na cadeia. E por um motivo simples: o que o PT cometeu, ainda que a imprensa partidária chame de erro, na boa e velha língua de Camões, tem outro nome: crime. Isso mesmo… CRIME. O que p PT cometeu durante seus quarenta anos de existência nas esferas em que ele dominou politicamente, seja em prefeituras, em governos estaduais e no governo federal, não foram erros. Foram crimes.

Mensalão, petrolão, o caso Toninho do PT, o caso Celso Daniel, o caso Valdomiro Diniz, o caso do caseiro do Palocci, as vendas de medidas provisórias, o caso dos empréstimos consignados de aposentados, as palestras milionárias, o porto de Mariel, o caso Schahin, o caso da indústria naval brasileira, que construiu um navio, mas que as seguradoras garantiram que se o navio fosse lançado ao mar ele se desmontaria no primeiro contato com a água, demonstram, de forma cabal que, ao contrário do que a imprensa amiga publica, os ditos “erros” do PT, em linguagem mais clara e mais afeita à legalidade possuem outro nome, bem menos glamouroso.

Fazer autocrítica, neste caso, significaria trazer todo esse entulho para a luz do dia. Ainda que a dita “Constituição cidadã” impede que o sujeito produza provas contra si mesmo, a autocrítica que tanto a imprensa amiga pede, exporia, não digo mais podridão, porque o PT não esconde mais a podridão. Ela está exposta e fedendo para quem tem nariz e olhos para ver e cheirar. O que essa autocrítica exporia é o modo como o PT quase conseguiu apodrecer os fundamentos da civilização nas terras brasileiras. Ficariam expostos todos os crimes cometidos pelo partido. Todos os que se possam imaginar, contemplando de A a Z o modo como seguiu-se à risca o mando de Gramsci. Apodreça todos os fundamentos da sociedade. Quando ela cair ficará fácil dominá-la.

Eis o motivo pelo qual o PT jamais fará uma autocrítica. Para fazê-la é necessário dois fundamentos: respeitar e defender o arco civilizatório da sociedade e ter em mente do que se cometeu foram erros. Duas coisas que o PT sabe que não tem e não fez: não tem respeito pelo processo civilizatório humano e não cometeu erro algum. Mas sabe que despreza e quer destruir esse arcabouço civilizacional para implantar a sua barbárie de genocídio e sabe que o que de fato ele cometeu chama-se CRIME. CRIME e não erro.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

A CÉU ABERTO

Eu sei que muita gente vai atirar pedra em mim, vai me criticar por este texto, mas, seguindo a lição do saudoso Vicente Mateus “quem sai na chuva é pra se queimar”, é da profissão e de praxe. Acontece que eu não consigo ficar de boca fechada e nem guardar meus pensamentos para mim mesmo, principalmente quando o assunto é brasilidade.

Conheci Brasília quando tinha vinte e um ano e fiquei encantado com a monumentalidade, com o desenho da cidade, com suas esculturas a céu aberto. Aliás, Brasília é, em si, uma obra de arte. Mas também, é uma prova inconteste de um crime cometido contra a nação e um monumento ao deboche. Uma prova inconteste de um crime que fica a céu aberto para quem quiser ver.

Nessa minha primeira ida a Brasília fiquei hospedado na casa de um amigo. Na noite em que resolvemos comer uma pizza foi uma verdadeira viagem que fizemos para chegar ao local. No caminho quase pedi para voltar e fazer as malas e seguir a viagem. Esse meu amigo morava, e não sei se ainda mora no chamado “Plano Piloto”. Só se for piloto de avião, porque as coisas ficam mais fáceis se pegar um avião para ir de um local a outro naquele deserto de humanidade.

Pensada para ser uma cidade “sem classes distintas”, a Brasília da realidade se distingue pela diferença de cargos e de carros que se usam para ir de um local a outro. Quanto mais nome o cargo tiver, maior e mais luxuoso será o carro utilizado pelo dito cujo. E esse tal olha, com ar de superioridade para qualquer curiboca que ousar andar pelas superquadras do Plano Piloto. Eis ali vai um “argh” cidadão pagador de imposto – na verdade, o otário que sustenta com o suor de seu rosto toda aquela ostentação estéril e improdutiva.

Brasília é um monumento à improdutividade, ao parasitismo e um valhacouto adequado, planejada e construída para que alguns poucos espertalhões tramassem as piores aleivosias contra a nação, sem serem incomodados pelos botocudos que os sustentam, e ao seu estilo de vida nababesco. Houvesse a capital permanecido no Rio de Janeiro garanto que nem vinte por cento das safadezas ali praticadas seriam cometidas.

Não gosto do Rio de janeiro. Acho-a uma cidade que “veve” de uma falsa sensação de superioridade, desde que não se olhe para os morros. Mas, ao menos ali tem vida. Ali as pessoas interagem com pessoas e, ainda que as relações sejam superficiais, ainda se comunica vida. Brasília, ao contrário. É a capital avessa à vida, avessa a companheirismo. Uma das coisas mais imperdoáveis de Brasília é o fato dela não ter esquina. E, sem esquina, não existe boteco. Isso mesmo. Boteco, ou botequim. Aquelas biroscas em que se vende bebidas, refrigerantes e salgados de procedência duvidosa, mas que enchem de vida uma cidade.

Pensada por Juscelino e colocada no meio do nada, a real intenção de Brasília foi tirar o povo de perto das decisões governamentais. Tentem colocar alguns milhões de cidadãos na esplanada dos Ministérios. Quem olhar de vida vai ver um grande vazio. Como se não houvesse ninguém. E isso acalma aqueles que estão lá apenas lutando pelos seus próprios privilégios e interesses. Diferentemente, o Rio de Janeiro, no Palácio do Catete, qualquer manifestação entulha as ruas de povo e bota medo nas inutilidades que trabalham na administração pública.

Brasília é um crime a céu aberto cometido contra o Brasil. Ainda que até hoje se cante a lorota de que foi para desenvolver o oeste do país que a capital foi mudada para o meio do nada. Brasília fica longe de tudo. A capital mais perto está a quatrocentos quilômetros dela. Brasília com seus arcos monumentais com suas esculturas em concreto armado. Com seus prédios de linhas delicadas deveria ser um monumento á criatividade e à genialidade humana e à arte moderna. Todavia, cada vez que eu olho para aquelas ruas deserta de homens, para aquelas praças vazias de vida e de cheia de interesses escusos que tramam e trabalham para o progresso de nossa pobreza, sinto-me cada vez mais convencido de que Brasília é a prova viva e material de um crime cometido a mais de sessenta anos contra o Brasil. Chamada por Aldous Huxley de “Capital da Esperança”, o tempo provou o seu contrário. É só um monumento à morte por inanição de um país que ainda sonha em ser gigante, mas com a prova de um crime atado em seu tornozelo.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ESQUELETOS NO ARMÁRIO

Semana passada, em uma roda de amigos, mais uma vez voltou-se à tona a discussão sobre o período que foi de 1964 a 1985 – ficou conhecido como Revolução de 64, Ditadura Militar, Golpe, Contrarrevolução, Regime Militar – os nomes variam de acordo com o gosto do freguês. Mas, o que mais me chamou a atenção é que, apesar de todos terem alguma opinião sobre o período, nenhum de nós o viveu em sua plenitude. Eu, o mais velho da turma, nasci em 1971, ou seja, durante o governo Médici. Passei pelos governos Geisel e Figueiredo e, “Zé Fini!”… acabou-se governos dos generais.

Em 1979 foi aprovada a Lei de Anistia que foi recepcionada na Emenda Constitucional que convocou uma Assembleia nacional Constituinte que criou a dita “Constituição Cidadã”… uma Carta tão magna, mas tão magna que trinta anos depois, ela ainda não chegou até o povão, mas deixa isso para lá. A anistia foi um processo necessário de pacificação, mas acabou parindo monstrengos que custam caro ao dito cidadão para qual a dita constituição foi feita. E bota caro nisso. E entre esses monstrengos estão a Bolsa Ditadura – aquela compensação paga pelos otários pagadores de impostos a pessoas que foram perseguidas e prejudicadas, ou que se dizem perseguidos e prejudicados durante aquele período -, além de uma aberração parida no pior governo da história republicana do Brasil, o de Dilma Rousseff, a malfadada Comissão da Verdade, ou mais apropriada, Comissão da Verdade Estatal.

Anistia significa perdão, mas não esquecimento. Ora, como dá para perdoar algo que não é completamente sabido? Como esquecer algo que possui zonas cinzentas e sem nenhuma luz, em uma história cheia de lacunas e buracos? O presidente Bolsonaro foi eleito com o mote cristão “E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!”. Está na hora, presidente, de tirar todos os esqueletos desse período do armário e jogá-los em praça pública. Eles vão escandalizar, chocar, provocar náuseas por alguns dias, meses, mas será um processo de cura necessário para que o país se reconcilie com o seu passado e liberte-se dele.

Até agora, vivemos refém de duas visões opostas. De um lado, aqueles que estavam no comando estatal se negam a encarar a verdade, a tirar esses esqueletos do armário. De outro lado, aqueles que estavam lutando para implantar a ditadura do proletariado querem essa abertura com o intuito de se vingar pela derrota sofrida. Não. O Brasil não precisa disso. Precisa sim, se reconciliar com seu passado, mas perdoar. Perdoar, tanto aqueles que usaram o poder do Estado para torturar, matar e destruir, quanto aqueles que intentavam solapar o poder para implantar as suas ideias de governo baseada em uma tirania sanguinária.

Nessa guerra de narrativas – olha a palavra maldita aí – a única conclusão que se pode tirar é que não há e não houve inocentes nessa luta. Os militares e civis do governo cometeram crime? Sim. Os que lutavam pela implantação de um regime totalitário no Brasil, no período cometeram crime? Sim. Porém, nesse embate devemos partir de uma premissa básica. A lei da anistia perdoou aos dois lados, mas não mandou a sociedade esquecer esse período. Só que esse perdão está difícil de ser concretizado, justamente porque há muitos esqueletos trancados em armários, tanto de um lado, quanto de outro. É necessário que esses cadáveres insepultos sejam arrancados de lá. Jogados em frente à casa de cada um dos brasileiros, com sua história, suas vidas e suas mortes. Como disse, eles vão nos escandalizar, nos causar ânsia de vômito, mas será libertador conhecer as suas histórias, as suas agruras e suas trajetórias.

Perdão significa perdão. Infelizmente ainda há tarados morais que querem não conhecer e perdoar, mas vingar, buscar revanche, ou mesmo acalentar uma falsa sensação de vitória pela punição dos seus adversários. Esse tipo de comportamento deve ser repudiado pela sociedade, porque um fato é notório: ninguém que lutou naquele período defendia um Estado Democrático e de Direito.

Joguem esses esqueletos fora, limpem esses armários. Conheçamos toda a verdade daquele período para que essa verdade nos liberte desse passado e nos mostre o caminho do futuro. Esses esqueletos escondidos são fonte para espertalhões arrancarem dinheiro do cidadão, que, em sua maioria não viveram aquele período, mas são obrigados a pagar o investimento feito pelos ditos guerrilheiros naquele período. Abram-se os armários e joguem-se esses esqueletos em plena luz do dia. As torneiras do dinheiro fácil e das ditas indenizações serão fechadas no mesmo instante, o país poderá conhecer o seu passado, reconciliar-se com ele e caminhar para frente finalmente.

Conhecer esse passado irá nos fazer enojarmos de nós mesmo, por um tempo, porém jamais poderemos negar ele. Enquanto esses esqueletos estiverem escondidos nós nos envergonharemos de nossa história. Vamos trazer à luz esses cadáveres e buscar cumprir a promessa do presidente Bolsonaro a respeito da verdade, mas com o intuito exclusivo da reconciliação e não da revanche, ou da vingança? Quem sabe não está aí a chave para o nosso futuro?

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

DE AIATOLÁS A AIATOLINHOS

Este fim de semana me peguei matutando sobre os acontecimentos deste início de ano, principalmente na confusão entre os Estados Unidos e o Irã envolvendo a morte do terrorista Qassen Suleimani – digo terrorista e não general, porque o sujeito poderia ser tudo, menos um general, afinal dedicou sua vida a encontrar formas de matar o maior número possível de inocentes usando o terror e o culto à morte como arma de combate – e as manifestações que ocorreram no ocidente, principalmente no Brasil a respeito desse episódio.

Uma análise superficial já demonstra que os aiatolás que usam o medo, a morte e a execração pública como forma de governo podem ser truculentos, bárbaros, carniceiros mesmo, mas burros eles não são. Os métodos pensados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini e refinado ao “estado de arte” pelo aiatolá Ali Khamenei aprisionaram uma nação ao terror da morte e da humilhação pública. Para isso foram atacar mulheres, minorias e cidadãos “indesejáveis” como forma de exemplo para que a população se mantivesse quieta.

Enforcar gay? Sem problemas, segundo Mahmoud Ahmadinejad não são gente mesmo! Apedrejar mulheres até à morte? Facinho, afinal, qual a diferença entre uma mulher e uma camela? Há sim, a camela pelo menos fornece leite, lã e transporte. Matar centenas de pessoas por uma causa? Qual o problema? É a nossa causa! Se for possível matar bilhões por ela, assim faremos, afinal os demais são infiéis e não merecem viver e respirar o mesmo ar que nós respiramos.

Essa ideologia de culto à morte implantada no Irã e exportada para o Líbano (Hezbollhah), Iraque (Estado Islâmico), Afeganistão (Talibã), e muito em breve na Europa é difícil de ser compreendido pela mente ocidental, mas tem o seu sentido e gênese na história da própria humanidade. E falar sobre isso requer mais reflexão e aprofundamento.

O que me deixa “basbaque” é ver nossos canhotinhas, aqui no Brasil defender justamente facínoras do calibre de Suleimani, e Khamenei. Que nossos esquerdinhas são intelectualmente desonestos, disso eu não tenho dúvida nenhuma, agora que eles fossem moralmente assassinos, aí é dose que nem um rinoceronte aguenta. Vi gente vestida com a camiseta do Che Guevara que aqui, na terra brasilis se diz feminista, apoiando os sádicos que governam o Irã. Vi partidários do movimento baitolístico nacional gritando palavras de ordem contra os Estados Unidos e apoiando o carniceiro de Teerã que em boa hora a América mandou para o colo de satanás.

Fico imaginando esse aiatolinhos daqui indo lã em Teerã. As bruacas – aqui no glorioso Mato Grosso do Sul esse termo faz referência à mulher baranga, do tipo que o PT adora – de peito de fora, suvaco cabeludo gritando apoio ao Khamenei. Com certeza iriam ser apedrejadas com tijolo oito furos. E os frutinhas esquerdistas então? Lá em Teerã seriam enforcados com fio de nylon para que o suplício durasse mais tempo. Mas como estamos em uma terra de liberdade eles fazem o que bem entendem. Suas aiatolices, desde que haja alguma coisa contra a América encontra ressonância na nossa imprensa militante.

Fico até imaginando que, se Adolf Hitler, aquele tarado do bigodinho escroto, estivesse hoje no poder e fizesse uma campanha contra os Estados Unidos, todos os aiatolinhos do Brasil iriam apoiá-lo com graça e alegria, mesmo que depois fossem tangidos como gado para os campos de extermínio, como assim fizeram os aiatolás do Irã, o bigodudo assassino da Geórgia (Josef Stalin), o tarado fedorendo da Argentina (Che Guevara) e o gigolô da fome alheia (Nicolás Maduro) está fazendo com o seu povo.

No arco civilizatório a que o planeta chegou, os aiatolás sádicos que governam o Irã matam o ser humano dentro da civilização. No espectro político e social brasileiro, os aiatolinhos de esquerda matam a civilização dentro do ser humano.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

PÉROLAS INFERNÉTICAS

O Brasil é uma terra meio besta. Ou melhor, o planeta está ficando bestificado com a evolução da tecnologia e da comunicação via rede computadores. E, isso tem gerado efeitos positivos e negativos relacionado à informação e a busca de informações sobre o que acontece “urbis et orbis”, como dizem os papas: “na cidade e no mundo”. “Aliás, há muito tempo, quando busco informações venho no JBF, pois todas as opiniões, informações, ‘causos” e depoimentos são publicados sem filtro, sem viés ideológico, sem censura. E para aproveitar o clima de esculhambação nacional que o Congresso e o STF estão fazendo com a “terra brasilis” resolvi também enfiar a colher de pau dos “Nunes da Cunha” nesses tempos abestalhados e dar minha opinião.

Falo de um fenômeno que está se tornando tão comum quanto pereba em moleque: a síndrome do corno internético. Nos tempos de antanho, daquele tempo em que, quando a mãe ia buscar o relho para uma boa sova e mandava a gente ficar parado em um lugar, a gente ficava parado. E recebia duas lições: a primeira, a sova pela peraltice praticada. A segunda uma aula de soletração da Inculta e Bela. Pois bem, nesse tempo, quando alguém era enfeitado com uma galhada cervídea, bubalina, ou bovina, o assunto era tratado a boca pequena, na moita, escamoteado mesmo.

Todo mundo falava baixo, ria pelas costas do enfeitado. E, quando este descobria, abafava-se o escândalo com uma “separação de corpos” como se dizia, isto é, quando o casal, para não desonrar o resto da família, decidia manter as aparências morando na mesma casa, mas em quartos e horários separados. Só apareciam juntos em situações “sociais”. Ou, um dos cônjuges, preferencialmente o galhudo, inventava um serviço em outro local, outra cidade, e se “azulava”, deixando o boato que ia a serviço, mas mantinha mulher e casa e retornaria em breve.

Hoje, coisa estranha, tudo mudou. Quando um dos cônjuges é corneado, a primeira coisa que o outro faz é gravar a traição e postar no “feicebugre”, no “intubiu” e no “instagrande”. E, não somente publicam, como ainda dão o nome completo dos adúlteros, o endereço onde foram se divertir e se filma, para deixar bem claro que lugar de chifre é na testa. De preferência, em cadeia mundial.

Esses assuntos cornelificantes, diga-se de passagem, esta ficando até chato. Justamente porque tira, de maneira mesquinha, daqueles cidadãos que se dedicam à gozação, matéria prima para o riso e para o deboche. Na atualidade, ser corno tornou-se quase que uma obrigação. Não importa a vergonha que se passa, ou se impõe a alguém. O Importante nesse assunto é ver a quantidade de “likes” que o corno ganha após publicar em rede mundial o ato.

Assuntos chifrísticos à parte, penso que estamos vivendo um tempo em que o “simancol”, o “desconfiômetro” e o senso de ridículo foram deixados de lado. O importante agora é ter seguidores on line e “likes” que passam dos cem mil em função de algo que, a meu ver, deveria permanecer no recesso do lar. Mas, quem sou eu nessa história toda? Nada… apenas um curiboca curioso que vive escarafunchando a “infernet” para ver as pessoas serem humilhadas gratuitamente.

E assim, escrevinho este texto, saudosista, antigão, tacanho mesmo. Espero que possamos continuar assim por um longo tempo. Enquanto isso, vou continuar aqui deitado e “catamilhografando” este e outros textos, afinal….. Ai, que preguiça…. ninguém é de ferro!