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HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
AO SEU TALENTO
Alceu grande nordestino
Recebeste o dom divino
Num espelho cristalino
A tua alma se reflete.
Pelas ruas de São Bento
Desfilou o seu talento
Obra, arte e sentimento
Tão novo virou manchete.
Valença veia poética
Sua poesia eclética
Ultrapassa a dialética
Que chega a fazer alarde.
O seu talento nos brinda
Uma voz que nunca finda
Nos carnavais de Olinda
Cantou a bela da tarde
A gente pernambucana
Do seu filho de ufana
Seu sucesso tropicana
Conquistou o mundo inteiro.
Sua verve genuína
Embriaga e nos fascina
Numa flor de tangerina
A gente sente o seu cheiro.
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
O FORROZEIRO RAIZ
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
A TINTA DO TEMPO
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
SÓ É MATUTO QUEM FEZ
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
O TREM DA EXISTENCIA
Viajando no trem da existência
A lembrança no peito se aquartela
Cada cena que vejo na janela
Me aproxima da porta de emergência.
Vi o tempo gritando sem clemência
Disparado com tal velocidade
Avisando que a vida é brevidade
E no trono da mesma ele é o rei;
Nas poltronas do tempo eu viajei
Em vagões carregados de saudade.
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
O NOSSO FORRÓ
Já não se vê nos salões
Nosso forró genuíno
Clamo ao povo nordestino
Honrar nossas tradições.
Não aceite imitações
Ouça Petrúcio e Dió
Flávio lá de Bodocó
Gonzagão e Marinez;
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró.
Escute um xote de Pinto
Azulão e mestre Zinho
Santana e Jorge de Altinho,
Não deixe o forro extinto.
Ouça um Côco de Jacinto
Desses que levanta o pó
Escute João Mossoró
Em todo dia do mês;
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró
Na sua festa junina
Se quiser um clima bom
Convide o mestre Marrom
Com zabumba e concertina.
Pelos salões de Campina
Quero ver um ritmo só
E Deda abrindo o gogó
Cantando com altivez.
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró.
Quero um São João genuíno
Sem sertanejo e axé
Tocando Flavio José
Para o povo nordestino.
Na poeira um dançarino
Dançando “qui nem jiló”
E o contratante sem dó
Pagando bem os cachês;
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró.
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
A PACA DE SEU LUIZ
Mote do Cego Aderaldo
A paca no meu país
Virou prato de bacana
Servida com a boa cana
Deixa o sujeito feliz.
Come João, come Luiz
Sem possuir alvará
E o Ibama o que dirá
A quem o bicho consome
“Quem a paca cara come
Paca cara pagará”.
Tem a paca recheada
Servida ao molho madeira
Tem paca na frigideira
Saborosa e temperada.
Paca nova acebolada
Trazida lá do Pará
Mas Greta não saberá
Quem comeu, qual o seu nome
“Quem a paca cara come
Paca cara pagará”
Não vejo ambientalista
Reverberando o protesto
Para abominar o gesto
Se escondeu o ativista.
E o falso moralista
Come feito um carcará
Mas a lei só julgará
Um pobre que mata a fome
“Quem a paca cara come
Paca cara pagará”
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
QUEM ERA CRISTÃO CHORAVA
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
NAS CINZAS DO FIM DO MUNDO
Hoje as nuvens denunciam
Que no céu há explosão
Humanos se digladiam
Nação combate nação.
A estupidez humana
Embrutecida e insana
Do poço chegou ao fundo…
Em meio a tanto estampido
Arde o amor abatido
Nas cinzas do fim do mundo.
Cheiro de morte na esquina
Onde o amor não prospera
Cresce o ódio entre a ruína
O corpo se dilacera.
Irã ataca Israel
Línguas de fogo no céu
Assassinam num segundo…
Morre a paz de uma criança
Queima os restos da esperança
Nas cinzas do fim do mundo.





