HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

ASSIM VIVE O MEU HERÓI

O meu herói não se esconde
Por detrás de um terno caro
Vive calejando as mãos
Com tamanho despreparo
Semeando o pão da vida
Sem direito e sem amparo

O meu herói vive triste
Distante da realeza
Onde a mosca da miséria
Sobrevoa a sua mesa
E o sol da desigualdade
Queima o lombo da pobreza

Esse herói tão invisível
Não está entre os políticos
Sofre pelos hospitais
Dando amor aos paralíticos
Arriscando a própria vida
Cuidando dos sifilíticos

Está na sala de aula
Cuidando da educação
Vive combatendo o crime
Correndo atrás de ladrão
Sendo guardião do povo
Auxiliando a nação

Meu herói vive na estrada
Transportando o alimento
Enfrentando até a morte
Tempestade, sol e vento
Longe dos familiares
Pra tirar o seu sustento

Meu herói acorda cedo
Segue firme pra labuta
Num “busão” abarrotado
De benesse não desfruta
Mesmo com tanto atropelo
Na desanima na luta

Ele não vive escondido
Nas mesas dos tribunais
Condenando os inocentes
Libertando marginais
Vive limpando as sarjetas
Sem ser visto nos jornais

O meu herói verdadeiro
Veste perneira e gibão
Está pelos cemitérios
Em meio a putrefação
Tirando os restos mortais
Entre as flores de um caixão

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

CARDÁPIO DE JUMENTO

Antes da semana santa
Me falaram num sussurro:
Vão botar carne de burro
Nos presídios como janta.
Essa notícia me espanta
Esbravejou um detento;
Não gosto desse alimento
Prefiro comer carniça
Do que morder a linguiça
Do diabo desse jumento.

Já se encontra no mercado
Nos bares de Apodi
Porção de burro grelhado
Jumento a catupiry
Tem lombo na frigideira
Jerico ao molho madeira
Ovo de burro na brasa
Bisteca de jegue preto
Tripa assada no espeto
Como franquia da casa

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

NO TEMPO DA QUARENTENA

No tempo da quarentena
Subiu a cebola roxa,
Peito, sobrecu e coxa
Batata doce e Maizena.
Até água Marilena
Aqui está aumentando
E o preço desembestando
Do arroz e do Bombril;
A linguiça já subiu
E o ovo tá balançando.

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

VIVA OS MESTRES DA POESIA

Neste 14 de março, Dia Nacional da Poesia, uma homenagem a esses grandes mestres da palavra

Venha ver a grandeza do repente
Nas estrofes de louro e de Pompílio
Vila nova, Geraldo e Otacílio
Moacir Laurentino e Zé Vicente
Oliveira com a voz tão eloquente
João Furiba com pinto de Monteiro
Zé viola, Valdir, Silvio Granjeiro
Um poeta tão nobre e alma fina
Venha ver a cultura nordestina
Decantada na voz de um violeiro

Repentista sagaz nunca se enrola
Quando pega no braço do seu pinho
Canta leve que nem um passarinho
Açoitando nas cordas da viola
Sem estudo na vida, sem escola
Mas às vezes inspira o seu parceiro
Não reclama se tem pouco dinheiro
Ou se o pé de parede é numa esquina
Venha ver a cultura nordestina
Decantada na voz de um violeiro

Venha ver nosso mestre Zé Cardoso
Os galopes cantados por mocinha
Zé Ronaldo cantando com Zuzinha
Num martelo cadente e glamoroso
Zé Galdino poeta primoroso
Ninguém ganha jamais em seu terreiro
Grande Helânio poeta catingueiro
Mais um vate de alma campesina
Venha ver a cultura nordestina
Decantada na voz de um violeiro

Caetano faz versos com magia
Dos novatos Felipe um grande nome
Edvaldo Zuzu não tem quem dome
Se estiver inspirado em cantoria
Fabião conquistou sua alforria
Rabecando, cantou pra fazendeiro
João Santana um grande timoneiro
Sempre ativo se a arte se declina
Venha ver a cultura nordestina
Decantada na voz de um violeiro

Abra a alma para ouvir Sebastião
Entoando conselho ao filho adulto
Severino Feitosa mais um vulto
Na história dos grandes do sertão
João Batista Siqueira foi cancão
Tinha a fama de um vate condoreiro
João Lourenço poeta tão ligeiro
Aos gigantes do verso se aglutina
Venha ver a cultura nordestina
Decantada na voz de um violeiro

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

AS VÍTIMAS DAS GUERRAS

Fugindo sem rumo ao som de um torpedo
Sem força, sem chance, sem ter a família…
Somente a saudade restou na mobília
E as marcas na alma do ódio e do medo.
Sequer como alento recebe um brinquedo
Faminto de paz, sem chão pra morar…
O teto do mundo tornou-se o seu lar
Sem ter um afago das mãos de um algoz
As vítimas das guerras precisam de nós
Da luz de um abrigo, de alguém pra ajudar.

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

OS REGIMES COMUNISTAS

No Camboja esse regime
Matou mais de um milhão
Sob a mira de um canhão
Pol pot ordenava o crime.
Não há história que estime
Essas chacinas brutais
Com suas armas letais
Matou mais que os nazistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

Em Cuba Fidel instala
A mais brutal ditadura
Com prisão, morte e tortura
A quem zombar sua fala.
Transformou cuba em senzala
Com discursos radicais
Mandou prender seus rivais
Assassinou os grevistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

Mao Tsé lá pena China
Ditador de grande porte
Criou os campos da morte
Para promover chacina.
Impôs a carnificina
Matou criança com gás
Aniquilou toda a paz
Com seus dotes satanistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

Massacres, perseguições
Na Rússia foi um calvário
Um poder totalitário
Manobrou as multidões.
Stalin com seus canhões
Foi genocida voraz
Um assassino mordaz
Comparsa dos bolchevistas
Os regimes comunistas
Foram atrozes demais

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

ENXADA VELHA

Enxada velha esquecida
Na cabeça de uma estaca
Hoje já no fim da vida
A ferrugem lhe ataca.
Mitigasse a fome alheia
Deixastes barriga cheia
Pra ti eu tiro o chapéu
Chegando ao fim da labuta
Pelo passado de luta
Até parece um troféu