HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

A MORTE

A morte essa cega ingrata
É foice amolando o fio
Tristeza de quem ficou
Ausência de quem partiu
É a dor dizendo em surto
Que a vida é caminho curto
Pra quem um dia existiu

De repente a gente nasce
Abre o coração pra amar
Se perde nas ilusões
Não vê o tempo passar
Nem sabe que a morte oculta
Chega cobrando uma multa
Que ninguém pode pagar

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

A CORAGEM DE CORINA

Com bravura e heroísmo
Enfrentou forças hostis
Pra libertar seu país
Dos horrores do chavismo.
Lutou contra o comunismo
Perante tanta agonia
Enfrentou a tirania
Hoje virou heroína;
A coragem de Corina
Cora o mundo de alegria

Hoje o mundo reconhece
Seu verdadeiro papel
Lhes dando o prêmio Nobel
A quem de fato merece.
Sua luta prevalece
Em meio a selvageria
Defendendo a minoria
Que cansada se amotina;
A coragem de Corina
Cora o mundo de alegria

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

INDEPENDÊNCIA DE QUÊ?

Oh! Brasil terra sem lei
Que tu fazes dos teus filhos?
Pois ate aonde eu sei
Não enxerga aos maltrapilhos.
Tu não ouve os favelados
Que choram crucificados
Sem moradia e sem pão
Onde um inocente é preso
E um ladrão sai ileso
Mesmo com o furto na mão

Porque você vira as costas
Quando um menor assassina?
Sequer inventa propostas
Pra que não haja chacina?
Porque não sai do marasmo
Disfarce esse seu sarcasmo
De zombar dos filhos justos
Que sucumbem de desgosto
Por verem o suor do rosto
Financiando os seus custos

Você não olha as mazelas
Que assolam o nosso povo
Nem diminui as sequelas
Trazendo um projeto novo
Sou a sirene que avisa
Eu sou a mão que agoniza
Nas macas dos hospitais
Sou filho da impunidade
Vivo preso numa grade
Com medo dos marginais

Mostre a esses delinquentes
Quem são de fato os heróis
Que sucumbem descontentes
Vítimas de um sistema algoz
Abra os olhos pra pobreza
Que quando senta na mesa
Pra comer só tem migalha
É duro ver a justiça
Se alimentar da carniça
De um cidadão que trabalha

Quem te chamou de gentil
Vive alheio dos maus tratos,
Dos filhos deste Brasil
Que sofrem seus desacatos.
Nesta terra devoluta
Não sobrevive quem luta
Pois a roubalheira viça
Pátria mãe do desmantelo
Que não escuta o apelo
Dessa gente submissa

Que motivo o povo tem
Pra beijar sua bandeira?
Se o tratam com desdém
Lhes jogando na poeira?
Apropriam-se com espólio
Surrupiando o petróleo
E calado a gente vê
Com tanto roubo e desmando
Eu fico me perguntando
Independência de quê?

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

O CORTE QUE A MULHER TEM

Mote de autor desconhecido:

“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”

Tem um rasgão saboroso
A um palmo do umbigo
Decifra-lo não consigo
Por ser tão apetitoso.
Mesmo não sendo cheiroso
Qualquer um vira refém
A dois dedos do sedém
O danado faz divisa;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”

O cabra estando carente
Vale mais do que safira
Deixa qualquer um na tira
De juiz a presidente.
Amansa cabra valente
O seu poder nos detém
Não considera ninguém
Couro nenhum ele alisa;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”

Sempre nos causa prazer
Sendo liso ou cabeludo
Se tiver lábio carnudo
Qualquer um deseja ter.
Por isso vou lhe dizer
Se esquive, não vá além
Não se apaixone também
Nem venda a sua camisa;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”

Esse corte minha gente
Só sangra de mês em mês
Atrapalhando o freguês
Por não o achar atraente.
Seja macumbeiro ou crente
Quem gosta não se abstém
Vende até um armazém
Sem dó não economiza;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

DOENÇAS DO MEU SERTÃO

Arroto xôco, puxado,
Corpo reimoso, cobreiro,
Pipoca roxa, banzeiro,
Difruço, dor de viado.
Morróida, gôto inflamado,
Panariço e frivião,
Ferida com carnegão,
E as espinhelas caídas;
São doenças conhecidas
Pelo povo do sertão

Bucho quebrado, bicheira,
Entojo e carne triada,
Turica, landra inflamada,
Moleira mole, frieira.
Penço de banda, papeira,
Sete couro, comichão,
Vexame no coração,
As juntas enfraquecidas;
São doenças conhecidas
Pelo povo do sertão

Tiriça, gôgo, boqueira,
Caduquice, passamento,
Lundu, empanzinamento,
Nó nas tripas, sovaqueira.
Bicho de pé, caganeira,
Quebranto e constipação,
Dor nas cruz, cavilação,
As ventas estalecidas;
São doenças conhecidas
Pelo povo do sertão

Macacôa, mal olhado,
Pano branco, farnezim,
Má de rusaro, pantim,
Cabrum, coxó, ariado.
Gastura, bucho empachado,
Capiongo, congestão,
Três sol, tisga, e esporão,
Moquice, mãos dismintidas;
São doenças conhecidas
Pelo povo do sertão

Estopor, xanha, unheiro,
Curuba, fastio, grenguena,
Tá de boi, gota serena,
Sapinho, gagá, algueiro.
Cú de calango, biqueiro,
Lêndea, pereba, cesão,
Sapiranga, machucão,
As gurduveias doídas;
São doenças conhecidas
Pelo povo do sertão

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

NERUDIANDO NA ESQUINA

Hoje estive pessoando
Onde o verso se recria
Andei luas de Cecília
Mergulhei no mar de Mia.
Bebi na fonte de Lêdo
Sentindo a paz de um Aedo
Na mais perfeita harmonia.

Gullar degustei com gula
Nos becos de Coralina
Na rebeldia de Lorca
Nerudiei na esquina.
Bem no meio do caminho
Drummond falava sozinho
Gregoriando a rotina.