A morte essa cega ingrata É foice amolando o fio Tristeza de quem ficou Ausência de quem partiu É a dor dizendo em surto Que a vida é caminho curto Pra quem um dia existiu
De repente a gente nasce Abre o coração pra amar Se perde nas ilusões Não vê o tempo passar Nem sabe que a morte oculta Chega cobrando uma multa Que ninguém pode pagar
Com bravura e heroísmo Enfrentou forças hostis Pra libertar seu país Dos horrores do chavismo. Lutou contra o comunismo Perante tanta agonia Enfrentou a tirania Hoje virou heroína; A coragem de Corina Cora o mundo de alegria
Hoje o mundo reconhece Seu verdadeiro papel Lhes dando o prêmio Nobel A quem de fato merece. Sua luta prevalece Em meio a selvageria Defendendo a minoria Que cansada se amotina; A coragem de Corina Cora o mundo de alegria
Oh! Brasil terra sem lei Que tu fazes dos teus filhos? Pois ate aonde eu sei Não enxerga aos maltrapilhos. Tu não ouve os favelados Que choram crucificados Sem moradia e sem pão Onde um inocente é preso E um ladrão sai ileso Mesmo com o furto na mão
Porque você vira as costas Quando um menor assassina? Sequer inventa propostas Pra que não haja chacina? Porque não sai do marasmo Disfarce esse seu sarcasmo De zombar dos filhos justos Que sucumbem de desgosto Por verem o suor do rosto Financiando os seus custos
Você não olha as mazelas Que assolam o nosso povo Nem diminui as sequelas Trazendo um projeto novo Sou a sirene que avisa Eu sou a mão que agoniza Nas macas dos hospitais Sou filho da impunidade Vivo preso numa grade Com medo dos marginais
Mostre a esses delinquentes Quem são de fato os heróis Que sucumbem descontentes Vítimas de um sistema algoz Abra os olhos pra pobreza Que quando senta na mesa Pra comer só tem migalha É duro ver a justiça Se alimentar da carniça De um cidadão que trabalha
Quem te chamou de gentil Vive alheio dos maus tratos, Dos filhos deste Brasil Que sofrem seus desacatos. Nesta terra devoluta Não sobrevive quem luta Pois a roubalheira viça Pátria mãe do desmantelo Que não escuta o apelo Dessa gente submissa
Que motivo o povo tem Pra beijar sua bandeira? Se o tratam com desdém Lhes jogando na poeira? Apropriam-se com espólio Surrupiando o petróleo E calado a gente vê Com tanto roubo e desmando Eu fico me perguntando Independência de quê?
“Quero ver quem cicatriza O corte que a mulher tem”
Tem um rasgão saboroso A um palmo do umbigo Decifra-lo não consigo Por ser tão apetitoso. Mesmo não sendo cheiroso Qualquer um vira refém A dois dedos do sedém O danado faz divisa; “Quero ver quem cicatriza O corte que a mulher tem”
O cabra estando carente Vale mais do que safira Deixa qualquer um na tira De juiz a presidente. Amansa cabra valente O seu poder nos detém Não considera ninguém Couro nenhum ele alisa; “Quero ver quem cicatriza O corte que a mulher tem”
Sempre nos causa prazer Sendo liso ou cabeludo Se tiver lábio carnudo Qualquer um deseja ter. Por isso vou lhe dizer Se esquive, não vá além Não se apaixone também Nem venda a sua camisa; “Quero ver quem cicatriza O corte que a mulher tem”
Esse corte minha gente Só sangra de mês em mês Atrapalhando o freguês Por não o achar atraente. Seja macumbeiro ou crente Quem gosta não se abstém Vende até um armazém Sem dó não economiza; “Quero ver quem cicatriza O corte que a mulher tem”
Arroto xôco, puxado, Corpo reimoso, cobreiro, Pipoca roxa, banzeiro, Difruço, dor de viado. Morróida, gôto inflamado, Panariço e frivião, Ferida com carnegão, E as espinhelas caídas; São doenças conhecidas Pelo povo do sertão
Bucho quebrado, bicheira, Entojo e carne triada, Turica, landra inflamada, Moleira mole, frieira. Penço de banda, papeira, Sete couro, comichão, Vexame no coração, As juntas enfraquecidas; São doenças conhecidas Pelo povo do sertão
Tiriça, gôgo, boqueira, Caduquice, passamento, Lundu, empanzinamento, Nó nas tripas, sovaqueira. Bicho de pé, caganeira, Quebranto e constipação, Dor nas cruz, cavilação, As ventas estalecidas; São doenças conhecidas Pelo povo do sertão
Macacôa, mal olhado, Pano branco, farnezim, Má de rusaro, pantim, Cabrum, coxó, ariado. Gastura, bucho empachado, Capiongo, congestão, Três sol, tisga, e esporão, Moquice, mãos dismintidas; São doenças conhecidas Pelo povo do sertão
Estopor, xanha, unheiro, Curuba, fastio, grenguena, Tá de boi, gota serena, Sapinho, gagá, algueiro. Cú de calango, biqueiro, Lêndea, pereba, cesão, Sapiranga, machucão, As gurduveias doídas; São doenças conhecidas Pelo povo do sertão
Hoje estive pessoando Onde o verso se recria Andei luas de Cecília Mergulhei no mar de Mia. Bebi na fonte de Lêdo Sentindo a paz de um Aedo Na mais perfeita harmonia.
Gullar degustei com gula Nos becos de Coralina Na rebeldia de Lorca Nerudiei na esquina. Bem no meio do caminho Drummond falava sozinho Gregoriando a rotina.