DEU NO JORNAL

A JORNADA PARA O FIM DO BRASIL

Luís Ernesto Lacombe

escala 6x1 jornada de trabalho

Deputados comemoram aprovação de PEC que acaba com escala 6×1 e reduz jornada de trabalho semanal

E lá vai o Brasil para o buraco de vez… É doído observar os absurdos que são implementados única e exclusivamente para a conquista de votos. Se nos afundamos sempre, em ano eleitoral invariavelmente aceleramos o passo para a consolidação da desgraça absoluta. E o Congresso caminha para aprovar a mudança na jornada e escala de trabalho, tentando ignorar as graves consequências disso para o país, de olho em benefícios imediatos para os políticos, para os candidatos mesquinhos, irresponsáveis e inconsequentes. As vantagens eleitorais obtidas agora por essa gente da politicagem vão certamente provocar um quadro de quebradeira de empresas – principalmente as pequenas e médias –, achatamento da renda, aumento do desemprego, da inflação, queda nas exportações e redução do PIB.

Precisamos trabalhar mais, e não menos. E não é a mudança na escala de trabalho que vai resolver o problema da baixa qualificação da mão de obra, da baixa produtividade, dos ganhos médios reduzidos dos trabalhadores. Tampouco teremos solução para a judicialização excessiva das relações trabalhistas. Seguimos amarrados à CLT, engendrada por Getúlio Vargas supostamente para “proteger os trabalhadores”, com inspiração na Carta del Lavoro, do fascista Mussolini. Rever as leis trabalhistas, com amplo debate, levando em conta as experiências já vividas, o mundo tecnológico em que estamos, isso não daria voto… Está decidido que fingir é melhor. Os politiqueiros juram que o Estado é o grande protetor dos trabalhadores, sempre tão indefesos, contra empresários diabólicos, exploradores da mão de obra, quase senhores de escravos.

Enquanto demonizar os empreendedores, o Brasil não terá a menor chance de dar certo. Sobre eles já recai uma burocracia gigantesca – licenças, normas, alvarás, portarias –, sobre eles recai um sistema tributário complexo e ganancioso. Ao empregador cada trabalhador custa bem mais do que ele paga de salário. E é o Estado que decide o que será feito do dinheiro tomado dos empresários com a suposta intenção de “amparar” os trabalhadores. E se grande parte disso fosse, de alguma forma, incorporada aos salários? E se, em vez de perder uma fração do pagamento, forçado a fazer uma poupança ruim como o FGTS, por exemplo, cada um pudesse decidir de que forma investir seu próprio dinheiro? Não, o Estado não permite. Ele acha mesmo que precisa atuar como tutor de uma massa de trabalhadores desprovidos de discernimento e conhecimento.

A Gazeta do Povo já apresentou alguns números assustadores sobre a mudança na jornada e escala de trabalho… No varejo, há previsão de retração de 12,2% na riqueza gerada pelo setor. A manutenção dos salários, com uma jornada menor, vai gerar um aumento de custo em torno de 22%. Em vez de aumentar a oferta de emprego, há um cálculo de que haverá, de cara, um corte de 640 mil postos com carteira assinada… Os empregados mais antigos e caros devem ser substituídos pelos mais jovens e dispostos a ganhar menos. No turismo, que tem demanda concentrada em fins de semana e feriados, os custos operacionais também aumentarão muito. Haverá pressão inflacionária sobre diárias de hotéis, pacotes turísticos, passagens aéreas, restaurantes… E o Brasil, que recebe bem menos turistas do que poderia e deveria, continuará perdendo para outros destinos internacionais. No setor de transporte de carga, a folha de pagamento ficará 18% mais cara, mas ninguém atrás de voto quer olhar para o mundo real.

Não sou especialista no assunto, mas tenho o mínimo de informação para saber que mais desastre está por vir. Se Paulo Guedes tentou dar ao Brasil a liberdade econômica de que o país tanto precisa, caímos outra vez na historinha de que estão garantindo “qualidade de vida” aos trabalhadores, quando, na verdade, o que se celebra de novo é o atraso. Os votos que virão com medida tão populista e devastadora serão mais um empurrão para a desgraça total, a perpetuação de um modelo que não se sustenta. É nítido que a quantidade de gente que acredita num Estado protetor, tutor, educador não nos permitirá tão cedo a redenção. Cabe a cada um de nós, mesmo que com pouco alcance, nas nossas esferas particulares, alertar incansavelmente que o Estado não é a solução dos problemas do país, muito pelo contrário. É, sim, o Leviatã que provoca o surgimento da maior parte deles.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

CRIME ORGANIZADO SERÁ O TEMA CENTRAL DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Madeleine Lacsko

CNI aciona STF contra o fim da taxa das blusinhas anunciada por Lula

O governo do presidente Lula (PT) é contra a designação das facções PCC e CV como terroristas pelos EUA

Talvez você sinta uma desesperança e um desapontamento quando fala de política. Nós, brasileiros, passamos do desinteresse total a uma vontade de tomar as rédeas da situação nos últimos anos. As pessoas falam de política e tentam se informar como nunca. Exatamente porque sabem mais se sentem mais enganadas, têm a comprovação do que antes era intuição.

Dá a impressão de que, toda vez que o povo consegue mexer em algo nas estruturas, as velhas raposas da política se reorganizam. Ocorre o expurgo de quem incomoda o poder estabelecido, o absurdo se normaliza, as coisas seguem iguais. Os políticos são hábeis em criar discussões artificiais para distrair do que realmente interessa, o fato de que não resolvem os problemas do povo e não enfrentam as consequências disso.

As pessoas ávidas por informação política e ter alguma mudança acabam enredadas. Não por culpa delas, mas porque o sistema é injusto. Os políticos conhecem a política, vivem disso, são profissionais em moldar e conduzir debates. O cidadão precisa encaixar sua participação política nos afazeres diários, tendo uma vida cada vez mais difícil.

Nesse cenário é fácil ceder a paixões e soluções simplistas. Acreditar que há anjo que nos salve ou demônio invencível. A salvação é que a realidade se impõe. Não é se, é quando. Parece que esse tempo chegou.

Fôssemos listar os problemas a resolver e injustiças a corrigir no Brasil, jamais acabaríamos. Mas tem algo que já explodiu porque toca a vida cotidiana de todos os cidadãos brasileiros: a criminalidade organizada.

Neste século, as organizações criminosas saíram dos presídios e ganharam o país. Se diz que controlam mais de ¼ do território brasileiro. A estética e a cultura do crime são naturalizadas pela mídia e por influencers. Mas os efeitos na vida do cidadão comum são impossíveis de naturalizar.

Segundo pesquisa Ipsos de março deste ano, a criminalidade é a principal preocupação de metade dos brasileiros. Não é pouco. Pense no tanto de problemas que temos. O peso do crime está sobre a vida de todas as famílias. Até agora, essa era uma discussão tangencial nas eleições. Um detalhe apenas. Sinalização de virtude, moralidade e demonização estavam no centro. Corrupção, como sempre, faz parte da pauta.

A ação da campanha de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump pode ter mudado a janela de discussão definitivamente. Os EUA declararam PCC e CV como organizações terroristas. A questão é que Lula reagiu imediatamente contra. Alega questões de soberania, incorpora o vocabulário de direita para tentar falar que os outros são traidores da pátria. Não vai colar. São conceitos abstratos e as pessoas querem respostas para medos diários e reais.

Estamos falando de um povo que não pode sair com celular na rua, da prática familiar de verificar o tempo todo onde cada um está com medo da ação dos criminosos. Isso sem falar nos verdadeiros absurdos violentos e de domínio de território que martirizam diariamente milhões de cidadãos.

Qual a resposta para isso?

A direita diz agora que é a ajuda de Trump e uma postura linha dura, como aquela contra terroristas, para enfrentar esses criminosos. Lula diz que essa não é a solução mas também não aponta qual seria.

Quando o PT chegou ao poder, as organizações criminosas já existiam, mas eram marginais, muito ligadas ao universo carcerário. Cinco governos petistas depois, são potências mundiais, presentes em vários países, parasitando nossas instituições e com um poder que parece impossível de deter.

O que Lula prometerá fazer? O mesmo que o PT fez em 5 governos? O governo alega que combate o crime organizado, que fez novas leis, que tem forças-tarefa. No entanto, o crime só cresceu durante o século petista no poder.

Outro ponto é a postura ideológica da esquerda, que tende a tratar criminoso como vítima da sociedade. O presidente Lula já chegou a dizer textualmente que os traficantes são vítimas dos usuários. Fala frequentemente sobre roubo de celular, algo que atormenta o cidadão, como se fosse uma brincadeira.

Não sabemos ainda quais serão os efeitos reais da atitude de Trump. Quais as consequências práticas de declarar PCC e CV terroristas? Quanto tempo levará para que o Brasil sinta as consequências disso no dia-a-dia? Só o tempo dirá.

O que sabemos é que a mudança no debate chegou. Não há problema maior em um país que o sequestro de todo o Estado por bandidos. E todos os candidatos têm o dever de dar respostas concretas. Ao longo da campanha veremos quem realmente tem interesse nisso.

DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

FIM DE MÊS

Hoje tá terminando a semana e também o mês.

Esta gazeta escrota chega a este 31 maio com tudo pago, em ordem e em dia.

O competente Bartolomeu Silva, que nos dá assistência técnica, já recebeu seu pagamento.

E Chupicleide, secretária de redação, está relinchando de alegria com o salário depositado em sua conta. 

Isso graças às doações dos nosso leitores, uma patota generosa que mantém essa gazeta escrota avuando pelos ares, atualizada diariamente e publicando tudo quanto é tipo de fuxico e de coisas que acontecem nesta nossa republiqueta banânica. 

Um xêro carinhoso pra todos vocês!!!

Um excelente domingo para esta maravilhosa comunidade fubânica!!!

E para embelezar o nosso dia, vamos fechar a postagem com a valsa Contos dos Bosques de Viena, uma comovente homenagem de Johann Strauss II à sua belíssima cidade natal.

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VERSOS A UM CÃO – Augusto dos Anjos

Que força pôde adstrita e embriões informes,
Tua garganta estúpida arrancar
Do segredo da célula ovular
Para latir nas solidões enormes?!

Esta obnóxia inconsciência, em que tu dormes,
Suficientíssima é, para provar
A incógnita alma, avoenga e elementar,
Dos teus antepassados vermiformes.

Cão! — Alma de inferior rapsodo errante!
Resigna-a, ampara-a, arrima-a, afaga-a, acode-a
A escala dos latidos ancestrais…

E irás assim, pelos séculos, adiante,
Latindo a esquisitíssima prosódia
Da angústia hereditária dos seus pais!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo, Paraíba (1884-1914)

DEU NO JORNAL

SONHO

Com estatais apresentando rombos atrás de rombos sob a gestão petista, Lula diz que sonha em fazer com que Eletrobras volte a ser estatal.

E ainda criticou a privatização da BR Distribuidora.

* * *

Normal, normal.

Tudo dentro dos conformes.

Os sonhos do descondenado são sempre contra o que é bom pro país.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA