Arquivo diários:1 de maio de 2026
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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
O ASSALTO
Dona Zulmira teve dois filhos, dois Zé: Zé Miguel e Zé Gabriel, para diferençar chamou o menor de Zé Pequeno, o apelido pegou, até hoje os mais íntimos só o chamam de Zé Pequeno, sem cerimônia. Tornou-se um ótimo comerciante, chegado às mulheres, era solteirão convicto até a chegada de Jandira, uma gostosa prima, há muitos anos morando no Rio de Janeiro. Zé Pequeno ficou encantado com aquela vistosa mulher, loura, vestido decotado, divertida, sem meias palavras dizia o que vinha na cabeça, tetas exuberantes, sorriso desavergonhado. Escandalizou a família e o bairro. Era segredo o trabalho daquela jovem no Rio. Entretanto, Zé Pequeno sabia o que queria, sem preconceitos, terminou casando-se com a bela Jandira. Os amigos, os desocupados, previram um belo par de chifres no Zé Pequeno. Com sete meses de casados telefonaram para Zé Pequeno, fuxicando. Sua distinta estava de abraços com um rapaz, um surfista da praia da Jatiúca. Zé pegou-a saindo do motel. Não houve acordo, houve escândalo. Foi a crônica da galha anunciada.
Zé Pequeno passou um tempo se entregando aos cabarés. Certo dia entrou na sua loja de material de construção, Angelita, colega de infância, pouco estrábica, sem muitos predicados da beleza feminina. Logo Zé Pequeno casava novamente, sem medo de levar ponta.
Os anos se passaram, os dois se deram bem, cada qual no seu canto sem se intrometer na seara do outro. Angelita tem butique de moda jovem, ganha para seu sustento. Tiveram dois filhos. Entretanto, tem duas manias incuráveis: ciúme doentio pelo baixinho, seu marido, e neurótica da violência urbana. Ela lê tudo sobre assalto, assassinato, sequestro. É sua conversa predileta. Sabe de todas as histórias contadas no rádio, televisão e jornais. No fundo, ela ama o alarmismo da imprensa, parece que faz bem à sua mente, se alimenta de fatos tenebrosos. Reconta as histórias preferidas.
Numa bela tarde de sábado, Angelita foi a uma palestra sobre violência urbana, não poderia perder. O conferencista expôs sua teoria. A violência existe, entretanto, a maioria dos crimes está na faixa entre 16 e 26 anos, entre os traficantes, eles se matam por pontos de venda e lideranças. De repente perguntou à plateia quantas vezes alguém tinha sido assaltado e quantas pessoas conheciam que foram assaltadas. Apenas duas mulheres se pronunciaram. Angelita pensou, tentou relembrar algum caso com algum amigo, não lembrou. Foi para casa decepcionada, não conhecia um parente, um amigo que foi realmente assaltado, frustrante para sua neura.
Nessa mesma tarde, Zé Pequeno telefonou para uma amiga moradora do Trapiche, cafetina das melhores garotas de programas da cidade. Apanhou a jovem, bonita, alta. Janice, a alcoviteira, sabia o gosto do cliente. Levou-a para um motel. Tarde agradável, alguns uísques, até que na hora do banho ZÉ Pequeno escorregou, caiu de costa, nuca no chão, abriu-lhe a cabeça, o sangue jorrou. Foi ao Pronto Socorro, sutura, alguns pontos na cabeça. Zé começou a pensar o que dizer em casa. Imediatamente dirigiu-se à Delegacia de plantão, deu parte, abriu um Boletim de Ocorrência, tinha sido assaltado, levaram o carro, com ele dentro. Pararam na praia de Ipioca, deram-lhe uma coronhada, desmaiou. Acordou-se depois de algum tempo, levaram carteira, dinheiro, ainda bem que deixaram o carro e ele, vivo.
Ao contar a história do assalto em casa, veio um fluxo de felicidade e alegria de dentro de Angelita, ela não conteve o sorriso de satisfação. Ouviu atentamente a história do marido, logo saiu contando para toda vizinhança como Zé Pequeno foi assaltado. Há mais de um mês é seu único assunto. O assalto ao Zé acabou a frustração de Angelita. Seu grande ídolo agora é o marido.
DEU NO JORNAL
A ESQUERDA TÁ CERTA: TEM QUE CENSURAR A INTERNET!
DEU NO JORNAL
CONGRESSO RESTAURA DOSIMETRIA E LULA PERDE MAIS UMA
Editorial Gazeta do Povo

Parentes de presos do 8 de janeiro acompanham a votação sobre o veto à Lei da Dosimetria nas galerias do Congresso
Dois dias, duas derrotas em assuntos cruciais para Lula e a esquerda. Na quarta-feira, o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias, escolhido pelo presidente da República para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta-feira, em sessão conjunta do Congresso Nacional, o veto de Lula à Lei da Dosimetria foi derrubado com folga: 318 deputados (61 a mais que o necessário) e 49 senadores (oito a mais que o necessário) votaram para restaurar a legislação vetada, o que reduzirá as penas dos condenados do 8 de janeiro e do “processo do golpe”, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Lei da Dosimetria foi aprovada no fim de 2025, e integralmente vetada por Lula, com muita fanfarra, em 8 de janeiro deste ano, no ato esvaziado que recordou o terceiro aniversário da invasão das sedes dos três poderes por manifestantes insatisfeitos com a vitória eleitoral do petista em 2022. Na ocasião, o presidente da República afirmou que os condenados “tiveram amplo direito de defesa, e foram julgados com transparência e imparcialidade (…) ao final do julgamento, [foram] condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou Power Points fajutos”, em uma menção à Operação Lava Jato, que botou o petista na cadeia em 2018.
Era tudo mentira, obviamente. Nem os Power Points eram fajutos, nem os réus do 8 de janeiro foram julgados e condenados com justiça. Os processos nasceram viciados, em desrespeito ao princípio do juiz natural, pois centenas de brasileiros sem prerrogativa de foro foram julgados no STF, e não na primeira instância. Não houve individualização de conduta nem no momento da apresentação da denúncia, nem nos votos pela condenação. O direito à ampla defesa foi abolido em julgamentos virtuais, sem garantia de que os vídeos enviados pelos advogados de defesa fossem sequer assistidos pelos ministros julgadores. E, por fim, no momento da atribuição das penas, o chamado “concurso formal”, instrumento que já está previsto no Código Penal e pelo qual o crime mais grave “absorve” o menos grave, foi ignorado, apesar dos alertas de alguns ministros que acabaram derrotados.
A Lei da Dosimetria repara esta última injustiça – e não deixa de ser surreal que o Congresso tenha precisado aprovar uma lei dizendo que o Código Penal deve ser cumprido, o que demonstra a que ponto o STF trocou o respeito à legislação pelo desejo de vingança e justiçamento. A rigor, o ideal seria a anulação completa de todos os julgamentos, tantos são os seus vícios, e por esse ângulo a dosimetria não passa de um remendo. Mas é o remendo possível neste momento, e fará toda a diferença para centenas de brasileiros cujas penas terão de ser recalculadas e reduzidas pela aplicação do “concurso formal”.
Isso não impede que no futuro, em circunstâncias mais favoráveis, se busque uma solução mais justa e definitiva para quem foi perseguido injustamente. Isso porque, mesmo com a redução das penas, permanece a condenação penal, com todas as suas consequências para os indivíduos que terão esse fato anotado perpetuamente em seu registro criminal. Essa solução definitiva – seja a anistia, seja a anulação dos julgamentos, seja alguma outra – também precisará se estender aos que foram coagidos (e não exageramos ao usar o termo) a assinar acordos de não persecução penal para escapar dos processos pelo 8 de janeiro. E, por fim, todos os que abusaram de sua autoridade para transformar esses brasileiros em troféus de uma ilusória “defesa da democracia” terão de ser responsabilizados pelo que fizeram. Enquanto este dia não chega, entretanto, que a dosimetria possa ao menos reduzir o tamanho do arbítrio a que tanta gente foi submetida ao longo dos últimos três anos.
PENINHA - DICA MUSICAL
