CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

SINISTROS CARECAS

Arnaldo Jabor

Aproveitei alguns pensamentos “alfinetantes” do saudoso Arnaldo Jabor para ilustrar nossa redação, com o desejo de despertar o orgulho dos brasileiros de bem, que ainda podem reagir para tirar o Brasil do buraco em que está metido.

Há 20 anos, aquele famoso escritor, cineasta e apresentador de tv, deixou frases que poderíamos considerá-las brocados clássicos do nosso tempo; ou seja, marcas emblemáticas das formas de procedimento.

Foram conceitos que profetizaram épocas e, ao mesmo tempo, servem de comparação com fatos da atualidade, porque há semelhanças entre elas e eles, os que se entranham na política-partidária, mesmo sem votos.

Algumas afirmações do cineasta descrevem parte de histórias análogas àqueles personagens que se encontram com as rédeas da Nação, em nossos dias.

Desta vez escrevemos uma crônica diferente. Fizemos um arranjo, adaptando algumas coisas bem ditas por Jabor, que como Nelson Rodrigues, “alfinetava”, sem pena, essa cambada que usufrui do Poder para se locupletar.

Vejamos as semelhanças com frases de Arnaldo Jabor:

Sou hoje parte dos detritos da nação!
O Brasil já assumiu a própria miséria.
Os marxistas de galinheiro estão infiltrados no Poder.
O serviço público está em aparelhamento crescente.
Não há um plano de governo, nem sabem governar.
Parecem macacos disputando minhocas num buraco.
Todos querem meter as mãos nas cumbucas do Estado.
Um dia, Zé Dirceu encontrou Lula e foi uma festa!
O grevista virou robô do Zé, seu manobreiro nas sombras.
Na porta das fábricas, ambos eram “símbolos de santidade.”
E unidos na luta, criaram um partido que seria sério, se não fosse enganoso.

O pedaço entristecedor de tudo isso é que eles visavam transformar, a partir daquela época, num prazo de 30 anos, o partido numa república sindicalista. Mas, essa evidência, logo despertou os intelectuais co-fundadores, que eram pessoas idôneas e capazes de apresentar planos.

E diante dessas conclusões bem amadurecidas, caíram fora do partido que congregaria trabalhadores de vários níveis: Heloísa Helena, Hélio Bicudo, Sérgio Buarque de Holanda, Dom Paulo Evaristo Arns, Cristovam Buarque, Ruy Fausto, Paulo Arantes, Antônio Cândido e vários outros, empobrecendo a legenda e desviando-a dos seus princípios basilares.

Deu no que deu!

As críticas e a revolta salientaram a “esquerdalhação” dos princípios éticos originais; a guinada para a centro-esquerda e o papel submisso que a intelectualidade passou a ter nos governos, envolvendo a substituição de figuras históricas por burocratas de meia tigela, alterando a base de apoio intelectual do partido.

E aí foram aparecendo os “ptralhas” e os políticos canalhas. A agremiação passou a agregar tudo quanto não prestava em termos de gente aproveitadora. Até que perderam o controle total das maracutaias que foram proliferando sem estribeira.

Hoje o que se vê, o Brasil é um país anarquizado, com milhares de pessoas dependentes de uma CPI, onde o “Careca do INSS”, culpado por considerável desfalque nos contracheques dos velhinhos, perambula nas vozes da mídia falada e escrita.

Mas há um outro careca, que se apresenta vestido de preto, arquiteto provisionado das manobras jurídicas mais escusas, que tanto infernizam os homens de bem.

Mas – vejam bem – não devemos incluir aqueles que, calvos por natureza, são políticos dignos e aplaudidos, como o senador Esperidião Amin, honra e glória da nação brasileira.

Esperidião Amin

Sabemos que na História atual, alguns descabelados, desejam ser líderes, sem votos, nas cenas de uma cambaleante democracia.

E como diria Arnaldo Jabor, se vivo fosse: “Os dois tipos aqui assinalados, são, na verdade: sinistros carecas”.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

EU QUERO É ROSETAR

Jorge Veiga, o caricaturista do samba

Quem quiser que se dane! Posso até ficar “antigo”; com o espinhaço fora de forma e a lataria danificada, mas não envelhecerei. A partir de agora eu quero é rosetar!

O poema “Deixem-me Envelhecer”, que se tem atribuído a Mário Quintana, é uma das criações de Concita Weber, maranhense, que mora atualmente na Alemanha.

Trata, a notável peça, do desejo de aceitar a velhice com naturalidade. Sobremodo porque essa fase não aparece como um raio. Vai chegando devagarinho: uma dorzinha aqui, outra ali, u’a preguinha no papo, um pé inchado, a dentadura frouxa…

No meu caso, tenho resistido. Quero ficar com meu chinelo velho, guardar meus “trecos” em lugares de sempre, contar minhas histórias quase infantis, escrever meu besteirol, assobiar músicas antigas e puxar conversas até com quem não conheço.

Em suma, ter independência para viver a vida bem ao meu gosto. Eu quero é rosetar!

Vale lembrar que o verbo rosetar representa certo brasileirismo, pois segundo o “Aurélião”, significa divertir-se, folgar e aproveitar a vida.

E o que os “antigos” mais gostam? De recordar! Assim, vale lembrar a composição de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, gravada por Jorge Veiga, grande sucesso no carnaval do Rio, em 1950.

Para completar, devo informar que “Eu quero é rosetar” se tornou filme, no qual, faziam muitas trapalhadas os saudosos atores: Oscarito e Grande Otelo. Um clássico da chanchada brasileira, produzido pela Atlântida Cinematográfica Ltda.

Aliás, o gênero de comédia musical foi muito popular nas décadas de 1940 e 1950, produzidos por Watson Macedo e Carlos Manga, para a Atlântida, a produtora mais influente do cinema brasileiro, chegando a produzir 66 filmes.

E pra conferir mando para os amigos antigos um aperitivo para rosetar, ouvindo as deliciosas marchinhas cariocas:

Pois é nessa pisada em que estou engrenando a 3a. marcha, porque, a partir de junho, não me importa que a mula manque, eu só quero é rosetar.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

CARA A CARA

Marília Gabriela “Cara a Cara” com Jô Soares (07/06/1988)

Entrevistar não é coisa fácil. Por isso, admiro os profissionais que sabem fazê-lo com graça e boa qualidade.

Marília Gabriela, na TV, tornou-se campeã de audiência durante entrevistas, por saber mergulhar na intimidade de cada personagem, sem cair nas indiscrições ou mesmices.

Outro dia, na TV, revi Jô Soares, no “Cara a Cara com Gabi”, na Bandeirantes. Foram momentos para registro na História do Teatro, do Rádio e da TV, mostrando a atividade profissional do artista.

Daquela entrevista selecionei partes para embasar esta crônica, sobressaindo-se algumas respostas dele.

Jô Soares

O humorista tem que ser múltiplo. Deve escrever, representar, saber contar piadas; e ao mesmo tempo, quando no palco ou fora dele, também causar risos.

Todo gordo já é engraçado; e se for gordo nem precisa ser humorista. Fiz do meu tipo físico u’a marca emblemática, inclusive para dar títulos aos meus espetáculos.

Gosto de me apresentar no Teatro porque a resposta do trabalho é imediata: a satisfação pelos aplausos. No teatro, escrevi e apresentei: “O Gordo ao vivo”, espetáculo que no Rio e São Paulo, ficou em cartaz durante um ano.

Considero-me um “produtor artístico”, além de humorista e escritor. E aproveitando, devo dizer que conheci o Boni na cama! Ele estava doente.

Sobre minha “quilografia”, atesto que já cheguei a pesar 160 quilos. Fiz dieta e fiquei com 80.

Finalizando devo dizer que, quanto mais famoso for o personagem, mais difícil fica de se entrevistar.

Jô Soares foi um artista completo e um dos maiores ícones da televisão brasileira. Atuou como humorista, entrevistador, escritor, diretor e ator por mais de 60 anos. Consagrou-se no humor com personagens marcantes e revolucionou as madrugadas com os programas de entrevistas que apresentou, primeiro no SBT e depois na Globo, além de escrever best-sellers, dentre eles, “O Xangô de Baker Street”.

Entre as décadas de 1960 e 2000 – o auge da fama – criou e representou vários personagens de grande sucesso, nos programas televisivos Jô Show, Família Trapo, Satiricom, Planeta dos Homens e Viva o Gordo, além dos programas de entrevistas já mencionados: Jô Soares Onze e Meia e o Programa do Jô, nos quais apresentou dezenas e dezenas de convidados, dentre personagens ou celebridades, nacionais e internacionais.

Precisando realizar um programa do seu jeito, sem interferências e em época de muitos programas de humor na Globo, depois de 17 anos naquela equipe transferiu-se para apresentar um espetáculo de humorismo e entrevistas no SBT, tornando-se o precursor da modalidade conhecida como talk-show, no Brasil.

E em abril de 2000 retornou, após um “acordão” entre Sílvio Santos e Roberto Marinho, depois de 12 anos no SBT, para apresentar o “Jô Soares Onze e Meia, que ficou no ar até dezembro de 2016.

Jô soube introduzir nos programas de entrevistas, boas doses do seu incomparável humor, além de dar sua contribuição para a História do Rádio, do Teatro e da Televisão brasileira.

O que lamento é nunca haver estado com Jô Soares, para uma prosa tipo “Cara a Cara”.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

REVOLTA SILENCIOSA

Francisco Anysio

Gosto muito de ver e ouvir entrevistas inteligentes.

Em dias recentes revivi momentos pouco conhecidos sobre algumas opiniões de Chico Anysio, saudoso humorista, entrevistado por Roberto d’Avila.

Numa delas, ele faz referências à sua revolta quanto ao aprendizado escolar, na fase infanto-juvenil, pelo excesso de matérias.

Entrevista ao Roberto D’Ávila

Aos 6 anos comecei a frequentar a escola, mas já havia aprendido com minha mãe a ler, escrever e contar.

Lia com certa desenvoltura, escrevia com razoável primor, mas me atrapalhava nas contas. Números nunca foram o meu forte!

O currículo do Curso Ginasial era “pesado”: Leitura e Interpretação, Francês, Inglês, Física, Geografia, História, Educação Moral e Cívica, Português, Matemática, Latim, Organização Social e Política do Brasil e Desenho.

Coisa de louco! Muitas vezes, passei pelo “paudo canto”.

Sempre me revoltei com as aulas que eram estafantes, cujas matérias me pareciam sem valor prático.

A tal da Raiz Quadrada, por exemplo, era o próprio “Satanás de rabo”, pois eram números misturados por símbolos. E dar resultados com números, letras e símbolos era u’a mistureba do cacete.

Países desenvolvidos (frequentemente chamados de “primeiro mundo”), como Finlândia, Singapura, Suíça e nações escandinavas tratam a descoberta de aptidões não como uma “seleção precoce”, mas como um desenvolvimento holístico e personalizado. A abordagem foca em identificar os interesses e talentos naturais da criança desde a primeira infância (até 6 anos) para criar um ambiente que estimule a autonomia e a criatividade.

Ferramentas de avaliação precoce focam em medir habilidades como linguagem, raciocínio matemático e habilidades socioemocionais, não apenas conhecimento técnico.

Segundo o que consegui pesquisar à respeito, qualquer criança que mostre dificuldades ou talentos específicos recebe suporte extra (apoio pedagógico ou programas de extensão) para maximizar seu potencial, tratando a educação como um direito do desenvolvimento individualizado.

E ouvindo o humorista – que era homem muito inteligente – observei que minhas ideias são semelhantes às dele.

A inutilidade de um ensino tão “puxado” não levava a nada; tanto que findávamos as Séries sabendo muito pouco.

Guardo na lembrança até hoje essa revolta silenciosa.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

O BANCO DE MINHA MÃE

O Banco improvisado de minha mãe

A história é interessante e instrutiva.

No início da década de 1950, quando eu tinha 14 anos, meu velho era Representante de produtos farmacêuticos, sendo funcionário da Cia. Química Merck Brasil S. A. Ganhava bem mas viajava muito.

Tal missão lhe obrigava a permanecer durante 25 dias de cada mês, fora do convívio da família, viajando de trem, de ônibus e até na boléia de caminhões, por quatro estados nordestinos.

Era um tempo em que apenas a Caixa Econômica Federal de Pernambuco poderia ser considerada “o Banco do povão”. Mesmo assim, concentrando atividades para Pessoas Físicas apenas na carteira de “Depósitos para Poupança”. Daí, talvez, inspirando a atual denominação nacional: “Caderneta de Poupança”.

Nessa época nem se falava em pessoa modesta ser titular de conta em Bancos. Só possuíam talões de cheques, as grandes empresas ou donos de firmas.

Fui da mesma época – 1956 – em que, até funcionários do Banco do Brasil recebiam seus ordenados em envelopes. Não tinham direito a ter uma Conta Corrente a não ser que fossem clientes da Casa Bancária Magalhães Franco Ltda.

Arthur Guaraciaba Lins dos Santos, meu dito cujo pai, recebia seu suado dinheirinho em espécie, levava pra casa, selecionava os pagamentos do mês, colocava os valores devidos em pequenos envelopes, passando para mim a responsabilidade de efetuar os pagamentos. Tudo organizadinho.

Aproveitando as ausências de meu pai, mamãe se dedicava, com mais afinco, às costuras, geralmente de roupas infantis, da vizinhança. Havia um conchavo com meu velho para evitar roupas de adultos, incluindo, naturalmente, homens.

Mas é aí que a “porca torce o rabo”! Aliás, vale explicar o verbete de “Aurélio”: A expressão significa que se trata do momento decisivo, uma situação se complica e exige firmeza para ser resolvida, originando-se no meio rural, onde apartar brigas de porcos puxando-os pelo rabo era uma tarefa desafiadora.

Houve um tempo em que mamãe “se ajeitou” com a vizinha, que era esposa de um Sargento do Exército, o maestro Jair Pimentel.

D. Neuza, mãe de quatro filhos, portanto, sem muito tempo, para costurar encomendas de fardamentos para soldados do 14º Regimento de Infantaria, propôs dividir o trabalho.

Na maior moita minha velha topou e isso permitiu às duas, ganho maior. E para papai não entender que se tratava de costura de roupas masculinas, ela, por precaução, escondia os tecidos, já cortados para costurar, embaixo da cama do casal, perto do penico.

Mas era preciso ocultar o dinheiro auferido por essas tarefas. Quando recebeu a primeira “dinheirama”, decidiu guardar as cédulas nos livros de meu pai, numa estante envidraçada, que vivia fechada.

Certo dia, ao procurar uma cédula, não se lembrava em qual livro havia guardado os 50 Cruzeiros, que era significativo valor para a época e ficou muito preocupada porque teria que utilizar, doravante, novo esconderijo e não, simplesmente, a gavetinha da máquina Singer.

Requisitou-me para ajudá-la a desarrumar tudo e verificar em qual volume havia guardado a bufunfa.

Nunca imaginei que os livros do meu velho tivessem locais específicos, selecionados por assuntos. Cada qual o seu lugar. Mas, durante a procura, houve a mistura. Mas, felizmente, a cédula apareceu.

Dias depois, teve que anunciar ao “dono da biblioteca”, que havia cutucado seus livros, explicando que o dinheiro era de suas economias, sem falar nas roupas dos soldados, que era o ônus da prova de “infidelidade contratual”.

Não houve bronca, mas aproveitei para lhe dar um conselho:

“Mamãe, abra uma Caderneta de Poupança na Caixa para depositar suas economias, porque livro não é Banco pra se guardar dinheiro!”

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

MEIAS VERDADES

Pantaleão na cadeira de balanço

É mentira, Terta?!

A mentira é o mais perigoso meio utilizado pelos humanos para destruir pensamentos, alterar comportamentos humanos e obter vantagens em tempos de guerra ou de paz.

Nos conflitos armados, manifesta-se através da “guerra de informações” públicas, com o fito de iludir adversários, levando-os às decisões erradas.

Na paz, a mentira é disseminada por meio das conversas de rua ou reservadamente praticadas. Mas, em termos de administração pública, sua força está no uso do voto como mercadoria. No caso, a mentira corre solta e veloz, mas nem sempre deixa rastro.

Não aparece como armamento e atua como uma grande força de convencimento, capaz de derrubar pessoas, organizações e agremiações partidárias.

A mentira é a arma para se iludir.

Desde cedo, na casa paterna, há muitos anos, se aprendia que a mentira provocava castigos. Papai dizia que expressar a verdade era uma obrigação, jamais mérito.

Passaram-se os anos e nessa esteira de aprendizados filosóficos ocorreram mudanças e reorganização de comportamentos, notando-se que hoje proliferam nos discursos políticos, nas entrevistas, no comércio e na própria sociedade, as meias-verdades.

Segundo os professores, meias-verdades são declarações que ocultam, no todo ou em parte, os fatos ou informações. Pode-se assim definir como “meias mentiras”, por manipularem a realidade.

Segundo Louis Blanche Bordeaux, elas são perigosas porque utilizam uma base verdadeira para tornar aceitável uma parte falsa, enganando o receptor.

Muitas vezes, são usadas para manipulação ou para evitar a responsabilização completa, sendo piores do que uma mentira absoluta.

Tem mais, não há mentira relativa!

Em nosso país é voz corrente a utilização da “mentirinha carioca”; ou seja, aquela que não ofende, mas salva algumas situações embaraçosas. Porém, algumas vezes, necessita de um elemento de prova, para se consolidar: ou seja aquele que confirma ser a mentira uma realidade.

Vem-me a forte lembrança do saudoso Pantaleão Pereira Peixoto, personagem de Chico Anysio, que conversava com o amigo, interpretado pelo ator e colega Luiz Delfino, criava mentiras do arco-da-velha, recorrendo à esposa, Terta, (Suely May) que funcionava como elemento de prova, não faltando o inimitável Pedro Bó, (José Lester) sempre interrompendo as conversas com perguntas idiotas.

– É mentira, Terta?!

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

APARELHAMENTO VENENOSO

Aparelhamento político

Entende-se por aparelhar: equipar um escritório, um veículo de transportes, introduzir pessoas com capacidade para a execução de determinadas tarefas ou organizar estruturas amplas, a fim de se cumprir a execução de determinado planejamento, sem tempo estipulado.

Nos dias atuais se define como a contratação de pessoas no Serviço Público Federal – notadamente – sem a devida prestação de concursos de provas, criando cargos de assessoramento temporários e que acabam se tornando definitivos.

Via de regra se tornou o aparelhamento de pessoas nos serviço público – nas três esferas de poder – venenosa norma para dar suporte “ideais partidários”, a fim de perpetuar políticos em determinados cargos e ampliar sua hierarquia, transferindo poderes a filhos e netos.

E, como prova incontestável, sem mácula, temos o exemplo de um ilustre Senador pela Bahia: Antônio Carlos Magalhães, que elegeu o filho: Luiz Eduardo Magalhães, Deputado Federal e um neto, Antônio Carlos Magalhães Neto, que se iniciou como Prefeito da Capital.

É bem verdade que o caso representa a força do voto, o valor das pessoas e as realidades do momento. Nada contra!

Todavia, qualquer Presidente da República que for assumir o cargo em nossos dias, pode estar certo de que a sua tarefa mais difícil será o desaparelhamento partidário, porque é um vírus venenoso que está entranhado na administração pública brasileira.

Ou seja, vivemos na eterna luta contra a praga incrustada há várias décadas: o aparelhamento venenoso.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

ERMÄCHTIGUNGSGESETZ

Estamos todos nós – brasileiros do bem – a cada dia mais pressionados pelas leis vigentes, pois são discutidas, alteradas, emendadas e reinventadas com a maior desfaçatez.

Muitas deixaram de, efetivamente, ter seus termos respeitados por certas “otoridades” da República.

Temos que dar uma pincelada irônica, naqueles que, sendo magistrados da corte superior ou eleitos pelo povo, repetidas vezes ultrapassam os limites de cada parágrafo, capítulo, inciso e artigos, como se fosse natural “emendar as emendas”.

Quase tudo ao sabor de seus próprios interesses, geralmente escusos.

Meu avô paterno, Pacífico dos Santos, (que tem seu nome em placa de rua no bairro do Paissandu), tendo sido jornalista e magistrado, disse a meu pai, certa feita, que a lei foi instituída para proteger o cidadão e que, enquanto ele obedecesse os seus termos, estaria protegido.

Mas, em nossos dias, as angústias se ampliam porque vemos, escancaradamente, as leis serem ultrajadas, o que representa ofensa muito grave à honra da população, afetando, impiedosamente, todo o povo.

Ninguém escapa!

Mas – há de se perguntar – se tanto vemos mutilados os termos das leis e regulamentos, porque não declaramos logo que vivemos sob a tutela da conhecida “Lei de Plenos Poderes”, que levou Hitler à ditadura: a Ermächtigungsgesetz?

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A CACHORRA FROUXA

A cadela espantada com o catita

A leitora Elba Freire, solidária com a pequena tragédia de D. Jumira, comentada na crônica anterior, nos ofereceu este episódio de cunho pessoal.

Tudo começou após um “evento ratazanístico” digno de investigação científica: simplesmente choveu. E quando chove, tais roedores entendem que são merecedores de abrigo digno.

Logo se reúnem, pintam cartazes, queimam pneus nas esquinas, adotando táticas do MRST – Movimento dos Ratos Sem Teto.

Quando a chuva desce, os “Mickey Mouse” urbanos entram em “modo sobrevivência”. Procuram abrigo nas residências próximas. E parte de sua “freguezia” é a residência onde moram Elba, Dudu, Vitinho e Clarinha.

Os roedores já saem de suas malocas “armados”; ou seja, de bexiga cheia, fazendo ameaças a todos.

Em seus gatilhos só há “balas líquidas”, cujos pingos mortais” são produzidas por urina dosada, de fábrica, com a temida bactéria: leptospira e flatulências violentíssimas, compostas por “nitrato de pó de peido”.

Não há quem aguente!

Saem os anarquistas do desconforto dos bueiros das ruas. Um batalhão deles: roedores: ratazanas e catitas.

E assim, em nossa história, mais uma vez, os ratos escolheram justamente a residência de nossa leitora Elba, para servir como hotel cinco estrelas.

No Condomínio Sol Nascente o acesso aos aptos superiores é facultado através de escada de alvenaria, com três lances.

E mesmo assim, os roedores sobem com uma habilidade e velocidade que faria qualquer personal trainer se admirar. São praticamente astros olímpicos das invasões domiciliares.

Na residência, reside também, Nerda Kosovsky, a cachorra importada, até então respeitada, com nome e sobrenome eslavo, que poderia ser a heroína dessa saga. Poderia. Mas não foi!

Ao pressentir qualquer ruído na sua “Zona de Segurança”, ela reage. Nos latidos é fera!

Outro dia, sentiu um odor diferente. Armou os dentes, correu à cozinha, avaliou a situação, deu um “latido de advertência”, para intimidar o invasor, e quando o rato mostrou os dentes, ela correu apavorada, com o rabicho entre as pernas.

Depois do episódio a família resolveu procurar um Mickey Mouse pernambucano para alegrar Maria Clara e encher o saco da cachorra frouxa.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

CATITAS E GABIRUS

Mickey, o ratinho cheio de graça

Desta vez me refiro a episódios sobre a captura dessas indesejáveis criaturas que invadem nossos lares, com certa frequência e incrível desfaçatez: os ratos.

São várias as denominações: catitas, gabirus, ratazanas, roedores, políticos, etc. Surgem até em reportagens ao vivo, o que aqui se comprova clicando aqui.

Lembro-me da historieta de uma senhora, professora, que vivia infernizada com um rato velho, já buchudo; que que transitava por sua cozinha, lépido e fagueiro, quase todas as noites, desafiando D. Jumira.

O bicho dominava o “pedaço”.

D. Criméia, uma vizinha, sugeriu a compra de uma ratoeira, artefato simples mas infalível, encontrado nas feiras do interior. No entanto, não explicou que o funcionamento dependia de um pedaço de queijo, para atrair o roedor.

Ratoeira

Vivendo sozinha, D. Jumira chegou do trabalho e logo foi preparar a armadilha. Não sabendo como armar o artefacto, consultou a vizinha, mas, ao saber que seria necessário usar um pedacinho de queijo – e em sua dispensa e não tendo tal produto – não se deu por vencida.

Pra não deixar de usar a “arma” na mesma noite, no lugar do queijo, inventou uma espécie de engenhoca. Escreveu num pedaço de papel:

“Vale um queijo”.

E armou o “canhão”. Quando já estava nos braços de Morfeu, ouviu o “tá”… Levantou-se, com a rapidez de um buscapé, e pensou, toda risonha:

“Peguei o bicho!”

Mas, como dizem que os ratos são muito astutos, correu pra ver e encontrou outro bilhete no lugar do queijo:

“Vale um rato!”

Imagine-se no meio dessa cambada toda de políticos, novos e antigos, que sangram o povo brasileiro, quantos podem ser considerados catitas e gabirus!…