CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

FOGO NO RABO

Consultórios médicos, como sabemos, são o inferno em vida de um paciente que reclama os incômodos de hemorroidas. A cirurgia nem é tão infernizante porque a anestesia evita dores. Porém o pós-operatório é lasca.

Certa feita fui acompanhar o amigo Marcelino que estava nervosíssimo diante do “bicho” que se fazia sobre a aplicação de um medicamento conhecido como “Nitrato de Prata”, destinado a limpeza da ferida hemorroidal após as cirurgias.

Tive o cuidado de lhe transmitir certos detalhes, para dar a entender que era coisa parecida com um supositório de glicerina, desses que usamos na infância para resolver prisão de ventre.

Mas, no caso, eu sabia tratar-se de um cauterizante químico que acelera a cicatrização e tenta evitar defeitos nas feridas, possibilitando retardamento na solução da enfermidade.

Quando o boato correu na rua em que ele mora, e ficou sabendo que iria ser medicado com “Nitrato de Prata”, tremeu mais do que vara verde.

Alias, pelo pouco que sabia, enquanto aguardávamos na sala de espera a chamada para o atendimento, lhe informei alguma coisa sobre o medicamento, porque ele teria sido informado que o produto ardia muito.

Disse-lhe que sua composição era simples. Tudo para tranquilizá-lo.

O farmacêutico havia me falado que se preparava a fórmula com certa dose de prata metálica em ácido nítrico concentrado e a medicação já estaria pronta. Mas foi apavorante.

– Ácido? Tô lascado. Vai comer minhas entranhas!

Deixei que ele se acalmasse e puxei conversa com um senhor moreno, corpulento, que estava com os olhos arregalados e ouvidos atentos à nossa conversa. E de seus lábios vieram as perguntas:

– É a primeira vez dele? Dizem que arde um bocado! E quando o ácido entra neguinho estribucha na maca. Fui estivador quase 20 anos, enfrentei sacos de cimento nas costas e nunca senti dor, mas essa tal de hemorroida está sendo meu inferno. Vou ter que enfrentar e mostrar que sou homem, agora.

Para acalmá-lo naquele instante em que parecia que ele também iria para a forca, argumentei:

Arde tanto não! Isso é “bicho de sete cabeças” que fazem de um medicamento simples. É só uma pomadinha, duas ou três vezes introduzida no seu ânus e pronto.

O cidadão seria atendido antes de Marcílio. Notamos sua inquietude, coitado. Tão corpulento e tão frouxo.

A gentil enfermeira, com ar angelical, chamou:

– Seu Severino, venha!

O morenão de repente ficou branco. Notei que ele entrou na sala com palidez cadavérica. Um momento Impressionante.

Algum tempo depois, ao sair da “sala-de-suplício”, indagamos como teria sido a aplicação.

– Aguentei porque sou macho! Mas esse tal de Nitrato de Prata arde que só a peste. Nunca mais voltarei aqui! Deixar que metam ácido nítrico em meu forever, nunca mais! Foi o mesmo que sentir fogo no rabo!…

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

POR TERRAS, CÉUS E MARES

Meu primo Sérgio Dantas de Oliveira, repórter internacional

Por tantos espaços que já percorri nestes quase 90 anos de vida, pisando em terras que não eram somente minhas, mares que nunca tiveram donos e ares que pertencem ao Grande Arquiteto do Universo, muito vi e ouvi.

Fui aproveitando para gravar boas coisas que captei através dos olhos, dos ouvidos e aquelas que minhas mãos tocaram, sob a forma de livros.

Vez por outra surge o desejo de transmitir, como agora, o que está guardado nas gavetas da memória. Coisas sérias, outras engraçadas.

Nos idos de 1980, voltando do Rio de Janeiro, à noite, voando num “Constellation” da Varig, sentei-me ao lado do escritor e etnógrafo Mário Souto Maior. Muita sorte. Prosa de primeira. Dias depois ele escrevia numa crônica que serviria de Prefácio::

– Conheci Carlos Eduardo numa atmosfera de sonhos, em pleno céu de noite estrelada, voando a muitos metros de altura. Falou-me dos seus sonhos e do livro que estava escrevendo sobre o tema, cujo título seria: “Nem Freud explica”.

Jamais me esqueci daquele magnífico preâmbulo.

Outra cena foi no interior da Paraíba, ao fazer uma reportagem. Deram-me um cavalo para atravessar um riacho. Uma gentileza especial para não me molhar. Mas nunca me vi numa situação tão ruim que foi montar pela primeira vez. Um sacolejo dos infernos.

E eu que me iludira por tantos anos ao brincar de caubói supostamente montando tudo quanto era alazão feroz, além de trepar em cabos de vassoura, a fim de parecer estar num daqueles animais. Meras ilusões infantis!

Uma lembrança dos tempos de teatro. Nos bastidores, camarim de D. Diná, estrela maior da peça “Sangue Velho”, que fazia sua estreia no Teatro Santa Isabel, nos idos de 1950, aguardei na porta meu momento, para que me maquiassem, pois seria o “menino, filho do Tio Velho” (Dr. Valdemar de Oliveira).

Depois que ela terminou, surgiram outros artistas. Margarida Cardoso, Celina Araújo e Clóvis. Permaneci à espera, até que fui ao “contra regra”, Alfredo de Oliveira, para indagar quem iria me pintar. Triste resposta:

– Meu filho, você vai entrar em cena assim mesmo, descalço e sem pintura, porque vai aparecer em cena durante uma noite chuvosa, do jeito que está. Portanto, você já está pronto para ser o menino Francisco!

Colecionei pequenas desilusões nesses arruares. Comitiva de 22 pessoas chega ao Grande Hotel Ok, do Rio de Janeiro, na Senador Dantas, todos artistas do Teatro de Amadores de Pernambuco, a fim de se apresentarem no palco do Teatro Regina.

Encantado com o local e entusiasmado após a primeira viagem num “Douglas” da Aerovias Brasil, até ajudei a carregar as malas de Geninha até o apartamento onde ela ficaria com seu marido, Octávio Rosa Borges.

Aos 15 anos, tudo era “primeira vez”. Chegar a um hotel era um alumbramento. Mas logo fui cientificado por Reinaldo que eu deveria esperar meu parente, lá no hall, que me hospedaria em sua casa, no bairro de Vila Isabel, casa dos meus primos Yeda e José Medeiros.

Desencanto total para quem esperava ficar num daqueles maravilhosos cômodos do “Ok”. O primo apareceu e Reinaldo me “despachou”, informando qual dia eu deveria estar no teatro.

Na segunda semana de estada no Rio, tempo em que minha peça seria apresentada, fui transferido para a casa de Tio Érico, em Copacabana, a fim de ficar mais fácil de me transportar para a Cinelândia, mesmo porque teria o primo Sérgio para aproveitar algumas andanças pela Zona Sul..

Chega o dia da estreia. Numa tarde, já metido a sabidão, fui com meu primo – ainda mais novo do que eu – para o teatro, prevendo chegar lá às 18 horas.

Por uma distração pegamos um ônibus Copacabana-Leme e fomos bater no terminal de retorno, chegando à parada junto ao famoso Cassino da Urca. Sofremos um atraso de quase meia hora, a fim de esperar outro transporte que partisse do Leme para a Cinelândia.

Na porta do Teatro Regina, bastante aflito, Alfredo, o “contra regra”. Suava frio, admirado ao ver aqueles dois meninos sozinhos, soltos pela cidade maravilhosa.

Mais tarde, ao terminar o espetáculo, tio Érico fora nos apanhar. Muito fleumático, teve que amargar um bom esculacho, por haver permitido tal feito: permitir que os meninos fossem sozinhos de Copacabana à Cinelândia.

Na sua calma britânica, apenas afirmou sorridente:

– Meu caro, eles já são dois homenzinhos! Garantiram que chegariam na hora e assim o fizeram!

Tia Mariíta e tio Érico

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

INICIAÇÃO POLÍTICA

Sede da Câmara Municipal do Recife

Aos 10 anos comecei a perceber coisas de gente grande. As cortinas da vida estavam começando a se abrir.

Morávamos em Afogados, um dos bairros históricos do Recife, mais exatamente à margem da Estrada dos Remédios, numa das vilas populares projetadas por Agamenon Magalhães: a Vila dos Jornalistas.

Meu pai começou a entender que eu chegara a idade de saber de algumas coisas. Era chegada a “Idade dos Porquês”.

Nas redondezas do mercado municipal, (a parte mais antiga e pobre do bairro), residia um pequeno comerciante de frutas. Um senhor alto, forte, amorenado, muito educado, conhecido como “O Vereador”. Era Arnaldo de Carvalho Paes de Andrade. Um dos primeiros políticos da década 1940, na região.

Era um líder em Afogados e já estava vereando a alguns mandatos. Muito querido por todos. Quando ia trabalhar se apresentava de terno branco, de linho, sapatos de duas cores e gravata com uma pérola. Um personagem respeitável, pois distinto e afável.

Certo dia papai estava comigo no Café Lafayette, no centro da cidade, quando ele apareceu e puxou conversa. Fiquei então sabendo que sua função como vereador era fiscalizar as ações do Prefeito e sugerir melhorias para a cidade.

Não perdi tempo. Como todo menino enxerido, entrei na prosa e apresentei uma reivindicação:

– Por que o senhor não manda calçar nossa rua?

Seu Arnaldo, sem pestanejar, engatilhou resposta um tanto inconveniente para o menino que aproveitava a presença do ilustre representante do povo:

– Eu não consigo nem calçar a minha, meu filho!…

E logo pensei: “Então não adianta ser vereador!”

Dias depois desse encontro, dado às minhas indagações sobre o assunto, recebi explicações detalhadas do meu pai. Entendi um pouco do que se chamava “democracia” e fiquei sabendo de algumas coisas na área de políticas públicas. Sobretudo que a maioria dependia de votos, de prestígio popular e de conchavos.

Em suma, um vereador precisava fazer “arranjos” com outros para aprovar projetos e utilizar as verbas orçamentárias disponíveis. Teria que saber influir nos orçamentos quando chegasse o tempo de serem elaborados, a fim de incluir novos projetos de melhorias para a cidade.

À medida em que a Vila dos Jornalistas foi sendo ocupada a população do bairro foi se ampliando e outro senhor, Antônio Batista de Souza, funcionário do Departamento de Estradas de Rodagem, se candidatou a vereador, levantando como bandeira de luta o calçamento da Vila. Ganhou e cumpriu a promessa. Tornou-se o líder.

Acomodando-se à função de um fiscalizador da gestão pública, seu Arnaldo, embora com eleitores fiéis, bem poderia ter levado a sério a minha reivindicação e talvez continuar ganhando mandatos sucessivos. Mas se descuidou e lhe “passaram perna”. Não se tem conhecimento nem do projeto para calçar a Rua 3 de agosto, onde morava.

Seu Antônio foi mais além apresentando projetos de uma escola para o bairro, u’a maternidade e a pavimentação da Estrada dos Remédios, que deveria ligar o nosso bairro à Madalena. Todos projetos vitoriosos, porque ele soube circular entre os políticos de camadas superiores – os deputados estaduais – dentre eles o então Prefeito Antônio Pereira.

Seu Arnaldo foi ficando no esquecimento e perdendo eleições.

Teriam sido esses fatos – conhecer dois representantes do povo e lhes solicitar melhorias para o bairro – a minha iniciação política.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

ÍNDIO PAPA-CAPIM

Este colunista, aos 10 anos, fantasiado de índio

Os momentos inspiram os cronistas. Nestes dias em que os índios brasileiros saíram de suas malocas para se integrarem aos problemas políticos dos brancos, vieram-me à mente cenas de longínquo passado, vivido há mais de 70 anos. Há meus tempos de infância!

Eu brincava inspirado nos filmes de “Tarzan, o homem-macaco” – protagonizado pelo inesquecível Johnny Weissmuller – personagem que vivia nas selvas africanas e realizava proezas incríveis, sobretudo utilizando os cipós das árvores como veículos para seus deslocamentos aéreos.

Quando menino eu desejava ser um índio tipo Tarzan.

Num dos carnavais daqueles anos, minha mãe imaginou uma fantasia para mim, onde só havia – de índio mesmo – um cocar. Tornei-me um indiozinho de estilo mal engembrado, pois me apresentei de alpercatas sertanejas, meia camisa com bordados por ela mesma criados e uma calça comprida.

Ainda mais: no dia da foto colocaram em minha mão, para identificar que era carnaval, um lança-perfume “Rodouro”. Fui durante três dias um índio estilizado.

Muitos anos depois, durante uma reportagem em Pernambuco, fui conhecer uma aldeia. Queria completar meu desejo de ver um índio de perto, seus modos de vida, sua gente. Mas a decepção foi incrível. Um dos índios era o vereador Aniceto. E para ser fotografado teve que mandar buscar o cocar na casa de um amigo. Além do mais, se submeteu à câmera de paletó e gravata. Foi nos acompanhar à aldeia.

Não havia malocas, mas casas simples iguais às dos “caras-pálidas”. A cacica, D. Hilda, mulher de uns 60 anos, em trajes de u’a pessoa comum, nos recebeu sentada num batente da porta e pés no chão. Nada de índia!

A entrevista foi decepcionante. De suas origens pouco sabia. Não me senti num aldeamento Pankararu. Para completar improvisaram uma dança de roda, formada por crianças fantasiadas. Aquela coisa sem graça. Depois nos mostraram uma bandeja com artesanato para comercializar.

Aquelas cenas me levaram ao completo engano. O desejo de estar numa maloca de fato, com índios guerreiros, vivendo longe da civilização, caçando com arcos e flechas, nem imaginar.

Esperei muitos anos para ver um grupo indígena e me decepcionei com os índios de minha terra.

Porém, que vi há poucos dias em Brasília, com grande tristeza, foi nossos xavantes se arvorando ao direito de serem “homens-brancos”, participarem da política, invadirem propriedades públicas, não respeitarem nossas regras e xingarem autoridades. E como castigo, a gaiola dos “brancos”.

No tempo de criança, em tempos de plena inocência, senti-me um indiozinho ao me vestirem para ser indígena durante três dias de carnaval. E todo pronto para um baile infantil fui a meu pai me apresentar. Muito gaiato ele indicou-me a tribo que eu pertenceria:

– Você vai ser um cacique da tribo Papa-capim!…

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

INFAME FUZUÊ

Rubem Braga, o General das Letras

Na década de 1940 se definia fuzuê, na boca popular, como qualquer confusão, desentendimento coletivo, briga de rua, briga de políticos, etc., embora os dicionários definam de outra forma.

Nesta semana que finaliza o ano de 2022 pode se dizer que nas ruas e no coração de cada brasileiro existe inquietude pelo que pode acontecer a partir de hoje, visto que a Nação está atribulada.

Estes dias me lembram os idos de 1964, quando multidões saíram às ruas para protestar contra o comunismo, e derrubado o sr. João Goulart por um golpe parlamentar, seguiu-se um Regime Militar ferrenho, que por bom tempo arrumou a casa brasileira, embora alguns inocentes hajam sido injustiçados.

Naqueles tempos de censura inclemente os chargistas aproveitaram para “baixar o cacete”, ao seu modo, com críticas mordazes e fatos interessantes que foram registrados nos jornais, no tempo em que a Imprensa era respeitada.

Certo dia o general Meira Matos encontrou o famoso cronista Rubem Braga que fazia sua caminhada pela orla de Copacabana e puxou conversa:

– Por que o senhor não escreve mais?

Rubem:

– O senhor gostaria de ser corrigido por um sargento? Pois eu também sou um General das Letras!

No teatro, onde tudo é ao vivo, qualquer escorrego de um contra-regra podia causar graves dificuldades aos atores, que são obrigados a improvisar.

Os atores e a turma da retaguarda sabiam que ali na primeira fila estava sentado um censor, de forma que não se podia incluir nada que fosse fora do texto, onde geralmente a turma da esquerda aplicava alguma alfinetada nos militares do Governo.

Marco Nanini devia entrar em cena como Lady Lacroféia dizendo: Estamos sendo perseguidos por fantasmas e espíritos.

Mas o ator entrou com um cabide pendurado no vestido, por erro do contrarregra. Então disse naturalmente:

– Estamos sendo perseguidos soldados, fantasmas, espíritos e cabides.

Alguns políticos da época reclamavam, outros não. Da direita à esquerda. Forneciam material para os chargistas. O famoso Chico Caruso, que sempre “baixava a lenha” sem pena, às vezes aproveitava para dar uma aliviada:

– Eu tenho a impressão de que essa politicalha trabalha para mim!

Nos anos 70 surgiram muitos humoristas no Rio Grande do Sul e Luiz Fernando Veríssimo comentou durante uma entrevista:

– Não pretendo ser um dos melhores de minha cidade. Se for o melhor de minha rua já estarei satisfeito.

Adolf Hitler expôs o que pensava a respeito da arte moderna, num congresso do partido nazista em 1933:

– Se cada coisa que deram à luz foi resultado de uma experiência interior, então esses artistas são um perigo público.

Os nazistas estão diante do mais famoso quadro de Picasso, em Paris.

– Foi você quem fez isso – perguntaram;

Picasso:

– Não, foram vocês!

Um garoto de 8 anos durante entrevista ao vivo na Tv:

– A clonagem é a maior invenção que eu já vi. Já pensou duas cópias iguaizinhas a mim? Um dia eu iria à escola, no outro eu iria gazetear.

No final dos anos 50 o programa espacial americano, criado pelo alemão Werner von Braun, perdia terreno para os russos. O presidente Eisenhover, então, pede aos seus assessores que expliquem o porquê. Eis a resposta:

– Os alemães deles são melhores do que os nossos.

E pra evitar um fuzuê sobre Direitos Autorais, devo dizer que captei algumas destas notas do notável pesquisador Mário Goulart, em seu O Livro dos Erros.

E para aliviar as inquietudes de tantos patriotas que estão se manifestando na porta dos quartéis e outros que estão confortavelmente soltando suas flatulências nos sofás de casa, deixo estas notas sabatinas, que nada têm de confusão: só Histórias.

Fuzuê, provavelmente, veremos daqui há mais alguns dias!…

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

O NILO DO NORDESTE

Nilo Pereira, professor, político, jornalista e escritor

Lamento não me lembrar quem apelidou o jornalista Nilo Pereira de “O Nilo do Nordeste”. Isto, porém, foi a forma de se transformar, por instantes, aquele cidadão de semblante austero num personagem com um “meio sorriso” como este aí da foto.

Desejava-se associa-lo ao grande rio da África, um dos mais extensos do mundo, famoso por sua história antiga e pelos sítios arqueológicos que existem nas suas margens.

Nilo Pereira representou em vários tempos de sua prolongada vivência um dos grandes nomes que no Recife aportaram para viver até os finais dos seus dias sob os holofotes e impulsionar nossa cultura em várias áreas.

Nasceu no município de Ceará-mirim, no Rio Grande do Norte e aos 15 anos se iniciou escrevendo para jornais. Depois viveu em Natal, iniciou curso de Direito no Rio de Janeiro concluindo-o na Faculdade de Direito do Recife, cidade onde veio para ficar e aqui constituiu família.

Na “Folha da Manhã”, jornal de Agamenon Magalhães, foi Chefe-de-redação durante muitos anos e somente depois que a chamada “Folhinha” encerrou sua circulação, firmou-se no Jornal do Commercio, de onde foi editorialista durante várias décadas.

Devo-lhe os fundamentos de meu saber nesta arte, quando no Ginásio Pernambucano conseguiu organizar o primeiro curso de jornalismo que funcionou informalmente no Recife, beneficiando os jovens iniciantes lhes oferecendo os melhores caminhos para se tornarem bons profissionais.

Quando em junho de 1986 publiquei “O Banco do Brasil na História de Pernambuco”, solicitei seu prefácio. Foi parte de um depoimento sobre nossa velha amizade. Generoso logo nas primeiras linhas, recordando tempos do jornal em que escrevi, ainda com 15 anos, o que muito me envaideceu:

Conheci Carlos Eduardo na antiga “Folha da Manhã”, da qual fui Redator-chefe. Era o que é hoje: ágil, desembaraçado, dinâmico, com extraordinário faro de repórter.

Este colunista, Nilo Pereira e Amílcar Matos

O lançamento daquele livro correu no hall do velho City Bank, no Recife e ali nos reencontramos, como aliás, sempre ocorria em vários momentos jornalísticos quando a classe se reencontrava, inclusive durante reuniões na Associação da Imprensa de Pernambuco.

Do seu Prefácio transcrevo outra parte interessante:

A História, hoje, não é apenas o documento frio, amarelecido nos arquivos, quase inerme. É o que se está passando aos olhos de toda a gente.

A História oral nos dá o bom exemplo de cada instante na época do povo, nas tradições do tempo, nos violeiros e cantadores de feira, nos testemunhos dos mais velhos, nos álbuns de família.

Não é bem a História de Carlos Eduardo ao tratar, quase amorosamente do Banco do Brasil, onde viveu os tempos em que ele relembra sem pinceladas poéticas, tanto quanto Capiba, sempre exaltando as virtudes do Banco e de seus funcionários.

O Banco aqui evocado pelo memorialista é o estabelecimento que vem desde Napoleão Bonaparte a Camilo Calazans. O estabelecimento fundado por D. João VI, que veio para o Brasil quando da invasão de Portugal pelas tropas de Junot.

Eis uma entidade feliz que tem Carlos Eduardo, Capiba e João Alberto, tanta gente boa a servi-la dando-lhe configuração histórico-social que tem a perenidade entre as melhores tradições do Recife.

Sobre nosso grande Nilo, diria melhor o escritor Orlando Parahym:

Nilo foi em muitos aspectos Nilo é, um pioneiro. Um vidente. Senão providencial, porque esse tipo de homem não existe, mas. pessoa talhada para dirigir, construir, renovar, abrir novas e amplas perspectivas e dar vida e força às esperanças dos mais jovens; ainda mais, encaminhando os novos para a cultura através do jornalismo. Um homem de inexcedível valor moral.

Lembro-me, agora, de sua caneta fazendo os reparos em minhas reportagens para a “Folha da Manhã”, depois, no Ginásio Pernambucano, me ensinando como criar uma legenda. Em anos mais recentes, quando desfrutando de sua amizade familiar, me deliciava com o cafezinho de D. Lila, enquanto o menino Roberto se arrumava para a escola.

Além de memórias sobre Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães, meu inesquecível amigo marcou sua trajetória de vida cultural com a publicação de 35 livros, membro da Academia Pernambucana de Letras, Contador, Bacharel em Direito, Professor universitário e membro da Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais.

Nilo de Oliveira Pereira foi um caudaloso Nilo, dir-se-ia; realmente o “Nilo do Nordeste”.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

ALHOS, BUGALHOS E TROCADALHOS

Lamartine Morais, escritor, poeta e jornalista

Alhos são aquelas plantinhas pertencentes ao grupo dos caules comestíveis, que funcionam como tempero e podem ser usadas de diferentes formas na cozinha: no preparo de carnes, molhos, chás e atuam como anti-inflamatório natural. Bugalhos se entende por qualquer fruto cuja casca se assemelhe à da noz de galha. Trocadalho é o apelido de trocadilho, forma que os intelectuais resolveram definir suas trapalhadas vernaculizares, de forma inteligente.

Papai costumava fazer referências ao poeta e trocadilhista Emílio de Menezes, paranaense de Curitiba, que na década de 1940 era um dos expoentes máximos da “especialidade”. Seguem, aqui, algumas notas.

Certa feita, recém-chegado ao Rio de Janeiro, Emílio desceu do prédio para conhecer as ruas do bairro e se deparou com duas moças, que presumindo que o vizinho era um matuto, lhe interromperam a caminhada para algumas indagações, mas foram empulhadas em todas as perguntas:

– O senhor é do Ceará?

– Não, sou de minha família.

– Sabe qual é a parte mais bonita do corpo de de u’a mulher?

– Seios.

– No Ceará ainda se come muito cuscuz?

– Não, se come com as mãos!

De outra feita um amigo o indagou sobre o acadêmico Rocha Alazão ao que respondeu:

– Rochinha é tão delicado que é incapaz de dizer que 2 mais dois são 4 para não contrariar o 3 mais 1.

Cena ocorrida na Rua da Quitanda, centro do Rio de Janeiro. Emílio se depara com antigo colega de escola, de Fortaleza, que sendo padre deixara a batina e isto, na época era um escândalo:

– Como estás alinhado assim, Padre Marcílio, à paisana! …

Numa casa de lanches, Emílio dirigiu-se à pia para lavar as mãos e notando que a toalha estava molhada falou em alta voz para o gerente:

– Amigo, mande-me trazer uma toalha de banho para enxugar essa toalha de rosto!

Meu velho foi de uma época em que nas escolas havia, como pauta, as declamações e ele se dedicava àquelas em que os poetas primavam pelo pitoresco. E costumava contar várias histórias hilárias sobre fatos do seu tempo.

Estando sem dinheiro, Emílio pediu ao generoso amigo Manuel Lesbrão 30 mil réis emprestados, no que foi atendido. Mas o amigo, também poeta e trocadilhista, inspirou-se para versejar sobre o devedor, imaginando seu epitáfio, que sabemos são frases escritas, geralmente em placas de mármore, e colocadas sobre os túmulos nos cemitérios:

Morreu Emílio em tal quebradeira
Que nem pôde entrar no céu
Pois só levou a cabeleira
Papo, bigode e chapéu.

Nas rodas boêmias, segundo notas de Lamartine Morais (José Lamartine Morais de Albuquerque), em seu livro: “Humor na Literatura”. Emílio de Menezes costumava dizer que:

Beber é uma necessidade; saber beber, uma ciência; embriagar-se, uma infâmia.

Lembro-me de outras passagens, de anos mais recentes, quando Millôr Fernandes, em 1980, assinava matérias inteligentes nas revistas “Pif-paf” e “O Cruzeiro”:

E há também a história
Da moça chamada Lia
Que dizia, quando um rapaz
A convidava para um jantar
Ela já sabia o que ele queria.
Sabia mas ia!…

O mesmo humorista fez o epitáfio de sua própria esposa:

Minha mulher aqui jaz,
Que partiu para o além.
Agora descansa em paz
E eu também!

E vou concluir com notas de Pereira Valente, poeta baiano, que se dedicou à advocacia e ao magistério. Ao surgir a notícia que na Inglaterra e nos Estados Unidos as mulheres estavam iniciando campanha a fim de receberem salários dos maridos, inspirou-se e fez este verso:

Confesso que a ideia é boa
E merece aceitação
Acabamos com a patroa
Sejamos nós o patrão.

Que época de pessoas inteligentes!…

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

“LATRINA LAVADA E NOVA”

Diante do alerta de um leitor a respeito dos conteúdos de minhas crônicas, resolvi aproveitar cenas menos significativas, em termos de história, a fim de motivar sorrisos e alegrar as nossas almas, tão fustigadas nestes dias de incertezas.

Meses antes do tríduo momesco de 1980, resolvi com meus vizinhos, que nos apresentaríamos no carnaval vestidos de mulher, criando uma nova agremiação carnavalesca: “MULHERADA”.

A agremiação seria formada por vários grupos que desfilariam na Avenida Pinheiros, cada qual com indumentária representativa de uma classe profissional: lavadeiras, banhistas, costureiras, e até prostitutas, estas bastante escandalosas nos trejeitos e vestimentas.

Contratamos uma orquestra “meia-boca”, formada por músicos com trombone de vara, tarol, bombo, trompete e pandeiro, para o “abre-alas” e uma cambada de apreciadores da “canipilina” para formar o coro.

Uma das atrações dos grupos seriam as placas “chamativas”, as quais seriam fixadas na frente e nas costas de cada fantasia do personagem, que representasse uma profissão.

O velho Maurino, com seus 70 anos, que não era gente, apresentou-se como porta-bandeira, carregando uma espécie de estandarte, que ostentava os dizeres:

“Quem for corno me acompanhe! ”…

Representou uma senhora muito esculhambada: mal pintada e malvestida, equilibrando-se com dificuldade, pois calçava sapatos de saltos altíssimos. Uma legítima prostituta de zona portuária.

Por onde passava recebia aplausos e havia sorrisos. Mas, ao retornar do desfile, os filhos, já adultos, lhe aconselharam a não repetir a apresentação, no dia seguinte, porque já de “idade avançada” isso lhes parecia um achincalhe; uma falta de respeito.

Não aceitando, na totalidade, o conselho dos filhos, Maurino resolveu trocar apenas a legenda do estandarte e se apresentou de forma a não causar constrangimento aos familiares, equilibrando o mesmo estandarte, só que, com a legenda alterada para:

“O mesmo de ontem!”… (ou seja: “Quem for corno me acompanhe!”)

No planejamento do clube MULHERADA, um dos vizinhos, cuja imaginação se notabilizou, resolveu que desfilaria representando a tenista profissional, campeã mundial theca: Martina Navrátilova

No domingo do desfile Armando foi o primeiro a se apresentar, com a plaqueta:

“Latrina Lavada e Nova”.

Foi um arraso! …

Martina Navratilova a mais premiada jogadora de tênis do mundo

* * *

Martina Navratilova, tenista tcheca, venceu 18 Grand Slams de simples, 31 Grand Slams de duplas (recorde de todos os tempos), no auge de sua carreira, durante os anos 80. A tenista sacava a aproximadamente 180 km/h, velocidade alcançada somente vários anos depois, por jogadoras que se valem de novos métodos de treinamento e de modernas gerações de raquetes. Abandonou oficialmente o circuito em novembro de 1994, aos 38 anos, como a mais vencedora e premiada jogadora de tênis do mundo.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

BRAGUILHA DESABOTOADA

Maristelo de Holanda Melo, de Glória de Goitá, leitor, atento do JBF, me lembra que o título de nossa coluna literalmente perdeu a graça.

E dá justa “marretada”:

Suas histórias, quase todas, têm sido sérias demais. Cadê a graça?

Dantes, eu me deliciava com suas presepadas, suas histórias hilariantes.Agora, na verdade, aprendo alguma coisa ou tomo conhecimento de fatos históricos. Mas, o pitoresco dos seus conteúdos desapareceu.

Gosto de certas “lapadas” dos que me honram com suas leituras; isto porque não escrevo para mim e sim para o público. Tenho o intuito de agradar e se assim não o fizer, estou saindo de um caminho que preciso rever.

De fato, Maristelo tem razões!

Aproveitando, atendo ao leitor com uma história real acontecida num dos gabinetes do Palácio do Planalto.

Na década de 80, quando participei, como Secretário-geral da Campanha de Integração Social da Hanseníase, fui à Brasília, compondo uma Comissão de representantes de instituições beneficentes, de vários estados, a fim de entregar um memorial ao Governo Federal, com reivindicações.

Tínhamos o intuito de evitar que se escrevesse em documentos do serviço público a palavra “lepra”, razões da propagação da simples doença dermatológica hanseníase, (antigo Mal de Hansen) razão de nossa Campanha. Tínhamos a certeza de que se tratava de um “Estigma Cultural”, conforme titulei um dos meus livros dedicados a essa causa.

Outra reivindicação era que os Ministérios promovessem a difusão dos novos métodos de cura,, por todos os meios possíveis, da simples doença dermatológica, para a qual havia medicamentos simples, fornecidos pelos Postos de Saúde de todo o País.

Evitar-se-ia a causa de tantos estragos ao corpo humano, como o fizeram as denominações de “lepra” e “morfeia” o fizeram, mesmo trancafiando os doentes nos antigos leprosários, hoje apenas Hospitais de Dermatologia Sanitária.

D. Maria Izabel de Oliveira Rocha, funcionária do Escritório de Pernambuco na Capital Federal, se encarregou de obter as audiências, dentre elas uma com o Ministro Chefe-de-Gabinete do Presidente João Baptista Figueiredo, Leitão de Abreu.

Éramos 15 pessoas. Não sabíamos se o Gabinete do Ministro seria ou não suficiente para tanta gente. Mas isto não foi nada!

Fomos chegando e nos ajeitando diante da mesa do Ministro, porque só havia dois divãs e três cadeiras. Resultado, ficamos todos de pé. E toca o ilustre a demorar. Mas a Secretária, educadíssima, nos acalmava, oferecendo um cafezinho e informando, por mais de uma vez, que ele estava numa sala contígua e logo viria. Soubemos depois que na verdade a sala contígua era um wc.

Às 11h15 aparece o Ministro, cidadão distinto, de idade já avançada, ainda enfiando, discretamente, o resto do cinturão nas calças, passando o lenço no rosto para tirar o suor e pedindo desculpas.

Imaginei que houvesse saído de um “momento de esforço para defecar”…

Na verdade, deveria ter acabado de “despejar o barro”, por isso, a respiração ligeiramente ofegante. Afirmara, porém, que a razão de sua demora fora ter sido aquele, um dia, de várias audiências.

Eu, como Secretário, apresentei os Representantes da Campanha. O cientista Abrahão Rotberg, Presidente de Honra da Campanha e criador da terminologia “Hanseníase”, iniciou a apresentação para a entrega das reivindicações, palavreados que não demoraram mais de cinco minutos.

Em seguida, o Ministro deixou claro que iria colaborar com a nobre Campanha da Hanseníase. Como bom gaúcho, puxou conversa sobre o tema, a fim de melhor se assenhorar da petição.

Cabe salientar que além de atendimento a todos os pleitos contidos em nosso Memorial, graças à participação posterior do Governador de Pernambuco, Dr. Marco Antônio de Oliveira, Maciel foi criada a Lei 8830/81, que além das medidas profiláticas concedeu uma Pensão Especial para os mutilados pela doença hanseníase. No primeiro lote foram beneficiadas 830 famílias de ex-doentes.

Mas, voltemos ao pitoresco da reunião.

Num instante toca o telefone e a Secretária interrompe a reunião, pedindo licença aos presentes para o Ministro atender ao Presidente da República.

Nesse momento, ouvi certo murmúrio seguido de discretos sorrisos por parte de senhoras que estavam atrás de mim. Foi quando indaguei: 

“Qual é a graça? ”

O Ministro está com a braguilha desabotoada!…

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

COMENDADOR CAPIBA

Pouco se sabe até hoje o porquê de Capiba ser tão louvado!

Compositor famoso, marcou seu tempo musical com vários ritmos que contaram histórias de Pernambuco

Musicou os modos de vida social, personagens, “ditados” de sua gente e os encantos de nossas cidades. Produziu do maracatu às peças clássicas.

Essa produção, que sabemos, ultrapassou os 90 anos de sua vida, marcou não só seus dias de sua intensa vivência social como ainda hoje está aparecendo com frequência em jornais, livros, Tvs e Rádios. Mas isso tem várias causas.

Primeiramente porque Capiba era um ser que sabia agradar as pessoas. Era um show em qualquer momento, porque sempre tinha uma história interessante para contar. Depois, porque fazia as músicas que o povão gosta de cantar.

Todavia, há uma razão mais forte: o bem querer que sua companheirada do Banco do Brasil sempre lhe dedicou.

Ali trabalhou durante 30 anos e foi partícipe de algumas gerações de funcionários. Dessa forma, foi-se renovando em termos de amizades. Depois de aposentado, continuou a frequentar às associações ligadas ao Banco, de forma que não perdeu de vista seus melhores contatos de trabalho.

Agora mesmo, meu amigo, o jornalista e advogado Luiz Felipe de Moraes Moura, está concluindo um livro, interessantíssimo, que terá como ineditismo comentários baseados em seus memoráveis arquivos, registrando o período de vida do compositor a partir dos 90 anos, abrangendo ainda acontecimentos que se tem poucas notícias, ocorridos após seu desaparecimento.

Sendo um dos seus mais próximos amigos, Luiz Felipe vive constantemente promovendo a memória do compositor, inclusive sendo partícipe do Conselho Deliberativo da Associação Cultural Capiba, que desenvolve intenso trabalho da obra do compositor.

Dos fatos pouco conhecidos, por exemplo, pouca gente sabe que Lourenço da Fonseca Barbosa – seu nome oficial – era Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Recife; que foi amigo de juventude de Ariano Suassuna, Fernando Lobo e de Noel Nutels, todos personagens que se projetaram nacionalmente em vários setores das artes, das letras e das ciências, além de Acadêmico Emérito da Academia de Artes e Letras de Pernambuco.

Há outras coisas interessantes que Luiz Felipe cita no seu livro. Capiba gostava de escrever seus poemas e musicá-los, mas também homenageou nomes de projeção, musicando versos de Carlos Pena Filho, Ascenso Ferreira e Manuel Bandeira e Vinícius de Morais.

Luiz Felipe, autor do livro

Um dos fatos notáveis da vida do personagem é que ele foi personificado – em vida – com a denominação de três prédios, uma rua, duas praças e um boneco-gigante, o “Capibão”; além de post-morten, além de homenagem com duas estátuas e uma sociedade que está instalando um museu em sua cidade natal: Surubim e que terá um site facultando aos interessados a obtenção de todas as partituras de suas músicas.

Todavia, o mais significativo, é que em vida, Lourenço da Fonseca Barbosa obteve o maior laurel que Pernambuco concede aos grandes homens: o título de Comendador da Ordem do Guararapes, a mais representativa homenagem do Estado, títuloque lhe foi outorgado pelo governador Marco Antônio de Oliveira Maciel.

Por isso Luiz Felipe deu o título de seu livro: “Comendador Capiba”, homenagem que o compositor recebeu em vida, a outorga do título mais representativo do Estado de Pernambuco ao seu ilustre filho.