Arquivo diários:8 de maio de 2026
DEU NO X
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
CAFUNGANDO !
DEU NO JORNAL
COM DUAS MÃOS
PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS
VERSOS DE OTACÍLIO BATISTA

Poeta cantador pernambucano Otacílio Batista Patriota (1923-2003)
O POETA E O PASSARINHO
O poeta e o passarinho
são ricos de inteligência
simples como a natureza
eternos como a ciência
estrelas da liberdade
peregrinos da inocência.
Herdeiros da providência,
um no chão, outro voando,
um pena com tanta pena,
outro sem pena penando,
um canta cheio de pena,
outro sem pena cantando.
O poeta sofre quando
vê um pobre passarinho
nas grades de uma gaiola
sem ter direito a seu ninho
são iguais no sofrimento
o poeta e o passarinho.
O poeta afina o pinho
no viveiro da garganta
o passarinho poeta
por entre as folhas da planta
sem viola metro e rima
só Deus sabe o que ele canta.
Do poeta a musa é santa
santa musa da poesia
passarinho canta e voa
no espaço rodopia
faz ziguezigue no corpo
brincando com a ventania.
Ao romper de um novo dia
o passarinho gorjeia
canta o poeta a saudade
no clarão da lua cheia
faz da viola um piano
da garganta uma sereia.
O poeta traz na veia
os segredos do além
quando canta de improviso
não pergunta de onde vem
o poeta e o passarinho
não sabem o valor que tem.
O poeta vive sem
ódio, maldade e rancor,
ainda sendo traído
perdoa o seu traidor,
canta alegre o passarinho
sublimes canções de amor.
O poeta e o beija-flor
ambos vivem sem ciúme
um que canta, outro que voa
da planície ao alto cume,
um de versos perfumado
outro colhendo o perfume.
Nas camadas do verdume
o passarinho vegeta
não disse nem a metade
dessa dupla tão completa,
do poeta ser humano
do passarinho poeta.
* * *
NÃO OFENDA A NATUREZA
Não ofenda a natureza,
inocente e sem maldade,
a dona do pão da mesa,
coração da humanidade.
Em nome da consciência,
deixa a natureza em paz,
verde fonte da inocência,
mãe de todos os mortais.
DEU NO X
CARINHAS LINDAS…
Quando a imagem fala mais que mil palavras neh LULA pic.twitter.com/FvbYDIipyl
— Pavão Misterious 🇧🇷 (@misteriouspavao) May 7, 2026
JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO
É A CULTURA!, ESTÚPIDO
Em 1992, na eleição contra o então presidente dos Estados Unidos George H.W. Busch, o estrategista–chefe da campanha de Bill Clinton, James Carvílle, disse frase que acabou famosa “It’s the economy, stupid” (É a economia, estúpido).
Queria referir, para aquela eleição, ser mais relevante a situação da economia do país; que, depois da guerra do Golfo, sofria recessão severa. Daí o vício de alargar seu sentido para dizer que tudo no mundo se resume à economia, foi um pulo.
Nesse artigo, pretendo afirmar algo diferente. Que os países se explicam por uma espécie de caldo de cultura que corre dentro deles. No sangue. No coração. Por dentro da alma. Na linha da definição de Ortega y Gasset (Rebelião das massas), para quem essa cultura seria um “o sistema de ideias vivas que cada época possui”.
Mais amplamente dizia Pessoa (texto sem título e publicado, em 1926, na Revista de Comércio e Contabilidade), ser “uma interpretação artística e filosófica das sociedades, quando os povos atingem seu ápice”. Isso, o “ápice” dos países. Aqui, comparo nosso amado Brasil a dois outros. Vamos juntos.
* * *
1. SUIÇA. Em 05/06/2016 realizou-se referendo, por lá, para que a população definisse uma questão. É algo comum, no país. Entre os últimos referendos, por exemplo, tivemos a definição pelos eleitores dos horários em que hotéis poderiam fechar suas portas, à noite. Ou idade mínima para o serviço militar.
Agora se decidiria sobre uma “Renda Mínima”, que seria garantida a todos os suíços e também aos estrangeiros residentes no país. Trata-se de uma ideia antiga, pela primeira vez lembrada por Thomas Morus no seu livro Utopia. Depois Morus perdeu a cabeça, literalmente, mas essa é outra história.
O que se discutia, no parlamento suíço, era uma desassociação entre o trabalho e a renda, algo que para muitos será inevitável no futuro. A partir da tecnologia que, pouco a pouco, irá substituir a atividade humana, começando pelos países desenvolvidos. Nesse quadro, a Suíça seria o primeiro país a sagrar a tal “Renda Mínima”. Depois, acreditavam, outros a seguiriam.
A proposta era de 2.500 francos suíços (9 mil reais) para cada habitante do país. Crianças, 625 francos (2.300 reais). Argumento contrário é que a medida seria cara demais, exigindo aumento de impostos, desorganizando a economia e desencorajando a população de trabalhar.
Seja como for cada suíço deveria dizer, no tal referendo, se o governo lhe deveria pagar, todo santo mês, quase 10 mil reais. Resultado, 76,9% votaram NÃO à medida. Indicando que recusavam essa dádiva.
Volto ao Brasil e pergunto qual seria o percentual do SIM, por aqui. E já respondo, quase 100%.
* * *
2. JAPÃO. Finda a Segunda Guerra, era um país destroçado. O general Douglas MacArthur, Comandante Supremo das Forças Aliadas entre 1945 e 1951, liderou sua reconstrução. E fez muito. Implantou uma Reforma Agrária avançada (ela e a do México, pouco depois, foram as últimas vistas no mundo; sem contar a do Brasil, mais tarde), definiu novos direitos para as mulheres (incluindo o do voto), desfez os poderosos Zaibatsus locais (conglomerados industriais), legalizou os sindicatos. Mas faltava uma nova Constituição.
Não há registros históricos de quem a redigiu. Conta-se que foi um amigo de MacArthur, professor de Harvard. Quando estudei nessa universidade tentei saber qual seria seu nome, sem sucesso. Não há registros históricos por lá do feito, pois.
Certo é que, em 03/11/1946, acabou aprovada pelo parlamento japonês a tal Constituição trazida, dos Estados Unidos, por MacArhur. Substituindo a antiga Constituição Meigi, de 1889. Entrou em vigor logo depois, em 03/05/1947. Entre seus artigos estranhos o 9º, pelo qual o país renuncia à guerra. Tanto que não pode, até hoje, ter forças armadas, único país do planeta em que isso ocorre.
E esse Japão, um país arruinado pela guerra, é agora uma das 5 maiores potencias do mundo. Mas o que aconteceu à sua Constituição?, eis a questão. Nada, é a resposta. Não foi tocada, nesses 80 anos contados desde sua promulgação.
Nem um artigo solitário. Trata-se da única Constituição, do mundo, que não teve uma só alteração a partir da Segunda Guerra.
Penso no Brasil. E logo imagino líderes populistas, de parte a parte (da direita ou da esquerda), em discursos nacionalistas e inflamados, que já teriam exigido uma nova Constituição. Em defesa da soberania, diriam. E da Democracia. Só que o Japão não precisou disso, para se desenvolver.
* * *
Nos dois casos, subsiste uma razão simples e fundamental. O de haver, dentro desses dois países, o tal caldo de cultura que vai além das regras formais. Um sentimento coletivo do que é, e não é, importante para o país. Do que realmente precisa ser feito. E do que não deve ter mudado. Suíça e Japão sabem. O Brasil, algum dia, saberá?
DEU NO JORNAL
NOTÍCIA TRISTE…
É alta a reprovação de Lula em Santa Catarina.
Pesquisa Futura Apex (BR-01917/2026) mostra que, no Estado, o petista perde para Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
* * *
Coitadinho do Descondenado…
Chega faz pena uma notícia assim.
Dá vontade da gente chorar…
Xiuf, xiuf, snif, snif…
ALEXANDRE GARCIA
PILILI É UM DESASTRE DE COMUNICAÇÃO DE R$ 6 MILHÕES

Na última segunda-feira, o TSE lançou a mascote Pilili. Ao lado, a ministra Cármen Lúcia, a mesma que falou em censura “até as eleições” e criticou “200 milhões de tiranos” nas redes
Não sabia quanto tinha custado aquela criação da Justiça Eleitoral, o Pilili – quer dizer, a Pilili, porque é uma urna. A ministra Cármen Lúcia pode até dizer que não tem gênero, que é neutro, mas neutro não existe na língua portuguesa, que é o idioma oficial do Brasil segundo o artigo 13 da Constituição, que a ministra tem de respeitar. Ou é a Pilili ou é o Pilili, não tem neutro, não temos o “it” do inglês. E ainda assim o inglês chama navio de “she”.
Mas, voltando ao custo, a agência contratada para fazer a publicidade do TSE recebeu R$ 6 milhões. O TSE vende o quê? Vende voto, vende urna, vende eleição? Para quê um contrato de propaganda? Durante décadas e décadas, nunca vi a Justiça Eleitoral ou o governo fazer propaganda de si próprio. Governo não vende sabonete; governo “vende” serviços ou obras. E, quando oferece bons serviços e boas obras, nem precisa fazer propaganda, porque as ações do governo já falam por si, são a melhor propaganda.
Dizem que é a “propaganda da democracia”, mas é o contrário. Se isso é o símbolo da democracia, estão achando que a cidadania é um bando de bebês chorões, de crianças, porque aquilo ali está mais para Zé Gotinha. É algo feito para meninos e meninas de 5 ou 6 anos, que não votam. Cármen Lúcia diz que se dirige aos que vão votar aos 16. Mas todo mundo sabe que quem está no fim da adolescência detesta ser tratado como criança, quer ser adulto.
A Justiça Eleitoral tinha de se preocupar com a baixa confiança nas urnas, 53% em uma pesquisa Quaest de fevereiro. Essa Pilili – parece o Cebolinha dizendo que está com diarreia – é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões, que saíram de onde mesmo? De Taiwan, de Marte? Não: foi do seu trabalho. E às vezes você nem nota, porque pode não pagar tanto imposto direto, mas paga em tudo o que consome. Algo que custaria R$ 50 sai por R$ 70 porque você teve de deixar R$ 20 para o governo. É assim que as coisas funcionam, e na hora de votar você tem de saber escolher uma pessoa que vai gastar bem o seu dinheiro em bons serviços públicos de segurança, saúde, ensino.
* * *
Depois das brigas, Lula e Trump ensaiam aproximação
Lula e Donald Trump estão em uma fase de abertura. Lula fez questão de repetir várias vezes na entrevista que deseja recuperar a parceria histórica e a amizade entre Brasil e Estados Unidos. Somos do mesmo continente, do mesmo mundo ocidental, compartilhamos dos mesmos valores judaico-cristãos. E temos uma história de parceria. Os norte-americanos foram os primeiros a reconhecer os nossos sistemas de governo. Estivemos juntos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial – na Primeira, mandamos um bom contingente de médicos e enfermeiras e alguns poucos oficiais; na Segunda Guerra, enviamos a Força Expedicionária Brasileira e o Grupo de Aviação de Caça, e deixamos quase 500 brasileiros que entregaram a vida pela libertação da Europa do jugo nazifascista.
Neste 8 de maio, comemora-se a vitória aliada na Europa; o último a assinar a rendição pelos alemães foi o marechal-de-campo Wilhelm Keitel — o general Alfred Jodl havia assinado na véspera. O terceiro escalão de brasileiros da FEB, acho que com 1,6 mil combatentes, desfilou em Lisboa (de onde eu falo agora), a pedido de António Salazar e com o aval de Eurico Dutra, ministro brasileiro da Guerra, e depois presidente da República. Nós desfilamos na Avenida da Liberdade, com todo o significado que isso tem. O interessante é que desfilamos diante de um ditador, e no Brasil também havia um ditador semelhante, Getúlio Vargas, que foi derrubado logo depois, muito por causa do que havia ocorrido na Europa: como tínhamos derrotado ditaduras na Europa, não fazia sentido ter uma ditadura no Brasil.
DEU NO X
UMA SEMANA PROS CUMPANHÊROS ESCAPAREM
Lula manda um recadinho para seus filhinhos do PCC e do Comando Vermelho:
“Vocês têm até a semana que vem para escapar.” 😂😂😂😂😂 pic.twitter.com/gnVdeXO1Ck— Iane menezes (@iane_menezes) May 7, 2026
CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
O SEGREDO
Afinal Alexandre é ou não é corno? A história é controversa, afinal sua mulher foi franca, confessou ao marido, estava apaixonada por um colega de trabalho, nada havia consumado, ela deixou a casa. Aparecida desapareceu da vida de Alexandre. O ex marido ficou em depressão, dor-de-corno, a autoestima mergulhou. O Pior é que Alexandre relaxou nos negócios, venda de carros usados. Começou a beber todo dia, estava beirando à sarjeta. O tempo é o senhor da razão, dizia o Presidente, quatro meses depois, Alexandre apagou mais a imagem de Aparecida de sua mente. Continuou vendendo carros usados. O ganho dá para se divertir em algumas noitadas. Atualmente, garotas de programa é seu brinquedo predileto. Não sai mais de três vezes com a mesma garota. Apenas Michelle lhe enfeitiçou, jovem Afrodite, Deusa do amor, nasceu para o serviço.
Passaram-se tempos da separação, Alexandre vivia bem, sem amarração, solteiro. Porém, sua irmã mais velha ficava preocupada, achando que todo ser humano veio à terra para se acasalar, inventava festas convidava moças, coroas disponíveis, Alexandre esnobava, casamento jamais.
Até que um dia se engraçou de Luzia, morena bem conservada, ultrapassando os quarenta, ninguém sabia ao certo sua idade. Amiga da irmã, que conseguiu fazer o namoro. Alexandre afinal gostou de uma companhia, mulher bonita, o tempo não foi tão cruel com Luzia. Começaram a sair, cinema, praia, mãozinhas dadas, um beijo, namoro à antiga, passaram-se dois meses para entrar no corpo a corpo. Alexandre ficou encantado com a sabedoria da nova companheira, a coroa bonita é carinhosa, fez o homem gemer sem sentir dor.
Luzia contou sua vida; casou-se nova, grávida, nasceu a filha, a alegria da casa, todos encantados com aquela menina bela e sabida; hoje uma jovem, Antônia, de 19 anos. Certo dia, o pai foi convidado para um bom emprego no sul, Usina de Açúcar em Minas Gerais, aceitou. Com menos de um ano se enrabichou com uma mineira de Juiz de Fora, nunca mais retornou à casa. Manda uma pensão mixuruca, Luzia teve que trabalhar, economizar bastante para se sustentar. Antônia ainda não se formou, estuda contabilidade à noite, tem seus negócios de venda, Avon, ganha um pouco. Como toda jovem gosta de uma balada noturna. Luzia marcou um jantar num restaurante para Alexandre conhecer a futura enteada. Ele foi o primeiro a chegar, pediu uma dose de uísque, bebericou feliz da vida, estava gostando de Luzia, mulher educada, assim estava pensando quando ouviu a voz da namorada, boa noite, ele se virou, tomou maior susto, não conseguiu esconder a surpresa ao perceber, Antônia, a filha, era uma das garotas de programa, a preferida, Michelle, seu nome de guerra. Ele conseguiu se recuperar da surpresa estendeu a mão, muito prazer. Sentaram-se à mesa, iniciaram a conversa. Luzia ficou animada ao apresentar Antônia. Conversaram bastante. Depois do jantar a filha pediu licença, tinha compromissos.
No outro dia Antônia telefonou, marcou encontro com Alexandre, foi direta.
– Meu querido amigo, que susto nós passamos, minha mãe jamais imagina meus programas, pensa apenas que gosto da boemia. Confesso estava ansiosa para lhe conhecer, sem nunca imaginar ser o Xandão. Minha mãe depois que lhe conheceu mudou completamente, tornou-se alegre, é uma mulher feliz, fala em Alexandre o tempo todo, ela lhe ama, lhe adora. Vocês formam um belo casal, vim lhe implorar, não acabe esse namoro por minha causa, garanto, deixarei os programas, seja qual for o preço, eu não quero atrapalhar a felicidade de minha mãe, de vocês, esqueça o que passamos.
– Antônia, minha enteada, gosto de Luzia, vamos nos juntar, não se preocupe. Quanto à você, a mulher mais lasciva, mais sensual, que encontrei, não dá para esquecer. Será nosso segredo. Vamos nos comportar como pai e filha. Entretanto, fica o aviso, se você der, eu como.


