DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

HELENO MEDEIROS – BETIM-MG

Completo absurdo.

Acabou o disfarce.

O presidente do TST acaba de admitir que a Justiça do Trabalho tem lado e cor: o vermelho.

Quem não segue a cartilha ideológica é reduzido a ‘interessado’.

É o ativismo judicial em estado puro, atropelando a lei em nome de uma ‘causa’ que só eles definem.

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O MEU RETRATO – Olegário Mariano

Sou magro, sou comprido, sou bizarro,
Tendo muito de orgulho e de altivez.
Trago a pender dos lábios um cigarro,
Misto de fumo turco e fumo inglês.

Tenho a cara raspada e cor de barro.
Sou talvez meio excêntrico, talvez.
De quando em quando da memória varro
A saudade de alguém que assim me fez.

Amo os cães, amo os pássaros e as flores.
Cultivo a tradição da minha raça
Golpeada de aventuras e de amores.

E assim vivo, desatinado e a esmo.
As poucas sensações da vida escassa
São sensações que nascem de mim mesmo.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)

DEU NO JORNAL

O MAIOR NÍVEL DA HISTÓRIA

A partir desta segunda-feira (4), os pagadores de impostos brasileiros já amargam mais de R$ 1,45 trilhão pagos em impostos, em 2026.

A conta é da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), através da ferramenta “Impostômetro”.

Só no mês de abril, foram tomados da população cerca de R$ 360 bilhões, aumento de 13% em relação a março, que já foi considerado recorde histórico no volume de taxas cobradas para o mês.

Em média, o pagador de impostos bancou R$ 12 bilhões por dia, durante o mês de abril.

É o maior nível da História.

Apenas o estado de São Paulo respondeu por R$ 504 bilhões pagos em impostos, entre 1º de janeiro e 1º de maio, este ano.

A arrecadação dos governos municipais, estaduais e federal cresceu 2,9% em 2026 em comparação com o ano passado, aponta a ACSP.

* * *

A expressão “tomados da população”, usada nessa nota aí de cima, é um resumo perfeito.

Tomados com força!

Pague e não bufe, nobre contribuinte.

E se prepare pro aumento na varredura que é feita no seu bolso.

O tri-tri-tri não para de crescer.

XICO COM X, BIZERRA COM I

JORNAIS DE ONTEM

Esta semana bateu uma saudade danada dos jornais de antigamente. Daqueles que às vezes até sujava as nossas mãos com a mistura de tinta e cola, mas que emanava um odor que agradava meu olfato. Jornal, eu amava pelo cheiro, acho. Como faz falta aquele emaranhado de letras a nos encantar com as notícias do dia anterior, sem a velocidade da internet dos dias de hoje. Era grande o prazer de folhear, uma a uma, as páginas e colunas de um tablóide, isso desde os tempos de O PASQUIM e do OPINIÃO, sem falar da Folha de São Paulo, da qual fui assinante e do JORNAL DOS SPORTS, com suas folhas cor-de-rosa (nunca consegui entender o porquê daquela cor). Hoje, não mais existem jornais de papel.

Teimoso que sou, comprei até um minicomputador exclusivamente para exercitar meu vício diário, minha leitura matutina antes de abandonar a rede rumo ao café da manhã. Não é a mesma coisa, definitivamente. Livros, também, com seus cheiros peculiares, estão por desaparecer. Quem nunca sentiu o cheiro de um livro, que atire a primeira página. Até as livrarias estão sumindo, já não as vemos como antigamente. Em seu lugar, igrejas evangélicas e farmácias, experts em explorar nossas parcas economias. Acho que estou ficando velho com essa saudade besta que sinto dos livros e jornais.

Também sinto saudades dos CDs, das capas, dos seus encartes, das letras ali inseridas, do nome de quem fez as músicas e de quem as tocou. Aliás, para ser sincero, detesto essas tais de plataformas virtuais. Estou ultrapassado, tanto quanto os jornais de antigamente. Espero a manchete estampada na primeira página do jornal que leio no tablete: estarão de volta os jornais impressos, a partir de amanhã. Quando será o amanhã? Quero lê-los ouvindo o último CD do meu cantor preferido.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

A JUSTIÇA PRECISA AGIR COM ISENÇÃO, NÃO COM RAIVA

Nas galerias da Câmara, a derrubata do veto de Lula ao projeto da dosimetria foi celebrada.

Nas galerias da Câmara, a derrubata dos vetos de Lula ao projeto da dosimetria foi celebrada.

Talvez o maior assunto do momento seja como vai ser a adaptação das penas aos condenados do 8 de janeiro que foram presos naquela ação de perfídia. Não dá para a gente esquecer dessas coisas, de pessoas que estão respondendo por fatos que não cometeram. Associação criminosa armada, quando não tinha ninguém armado; ação violenta para derrubar o Estado de Direito, quando foi uma bagunça, uma manifestação. Aqueles que deterioraram e estragaram o patrimônio público têm que pagar: pagar, indenizar e, ao mesmo tempo, receber a punição.

Mas o exagero foi tanto que, num passo para a anistia, fez-se essa lei da dosimetria que foi aprovada pela maioria do Congresso Nacional. Lula vetou e o Congresso derrubou o veto por mais votos ainda. E agora, quem calcula isso? Seria o Alexandre de Moraes, o relator de tudo do inquérito do fim do mundo, ou seria cada juiz de comarca, cada juiz de execuções criminais das comarcas onde estão os condenados? É uma questão a ser considerada.

Infelizmente, tem alguns que foram condenados à morte, como é o caso do Clezão. Clezão precisava de tratamento e não teve. Houve seis ou sete ou mais avisos de sua defesa encaminhados à Procuradoria, que encaminhou ao relator, e a resposta foi a negativa. Ele acabou morrendo sob a custódia do Estado. O Estado é responsável por essa morte e alguém que está no Estado tem que ser responsabilizado.

Essa questão tem que ser resolvida, pois, do contrário, o cálculo demorará dez anos por envolver muita gente. Isso vai estimular a pressa por uma lei de anistia para simplesmente anular tudo o que foi feito. E, depois de anular, restará saber quem indeniza as pessoas que perderam a liberdade, perderam meses e anos de vida, além dos prejuízos às famílias. É muita injustiça a ser corrigida, porque isso foi feito com raiva. A Justiça não tem que ter raiva nenhuma; a Justiça tem que ter isenção, ouvir a acusação e a defesa, tomar uma decisão e aplicar a lei. Mas isso não foi feito porque entraram emoções. E emoções não é algo de juiz. Emoção é coisa de pessoa que não amadureceu o suficiente para manter a cabeça fria no momento em que precisa.

* * *

Celebrações de Primeiro de Maio foram esvaziadas

Falando um pouco sobre o Primeiro de Maio: um feriado esvaziado, com manifestações em que vemos a tentativa de não mostrar o vazio. As fotos oficiais focam apenas em quem está discursando ou em quem está no primeiro plano; não abrem a câmera para não mostrar que há um vazio muito grande. É a falta de capacidade de mobilização da esquerda e também dos sindicatos. Inclusive, há uma grande reivindicação que é trabalhar menos. Trabalhar menos para receber a mesma coisa resultará, obviamente, em vender menos, produzir menos, fabricar menos e ter menos renda. Não tem como ser diferente.

E aqui está o resultado: a dívida pública está em 10 trilhões e 356 bilhões. A gente não sabe nem quanto é 1 bilhão, imagine 10 trilhões. A dívida pública são os papéis que o Estado brasileiro emite para poder pagar suas despesas, porque gasta demais. O último déficit primário foi de 80 bilhões e 700 milhões. Essa dívida pública é o motivo pelo qual você paga um juro muito alto.

Vejam outra coisa: a renda per capita média do mundo é de US$ 26.188; a do Brasil é de US$ 23.380. Tem 111 países que crescem mais que o Brasil e a nossa renda per capita está abaixo da média mundial. De 1980 até o ano passado, a renda cresceu 675% no mundo, enquanto no Brasil cresceu 428%. Perdemos a oportunidade na globalização porque ficamos com medo e fomos contra ela. Perdemos a chance. Somos o país das oportunidades perdidas por despreparo de cérebros e ideologia misturada aos fatos e ao pragmatismo. Tudo isso junto.

DEU NO JORNAL