Oh! Brasil terra sem lei
Que tu fazes dos teus filhos?
Pois ate aonde eu sei
Não enxerga aos maltrapilhos.
Tu não ouve os favelados
Que choram crucificados
Sem moradia e sem pão
Onde um inocente é preso
E um ladrão sai ileso
Mesmo com o furto na mão
Porque você vira as costas
Quando um menor assassina?
Sequer inventa propostas
Pra que não haja chacina?
Porque não sai do marasmo
Disfarce esse seu sarcasmo
De zombar dos filhos justos
Que sucumbem de desgosto
Por verem o suor do rosto
Financiando os seus custos
Você não olha as mazelas
Que assolam o nosso povo
Nem diminui as sequelas
Trazendo um projeto novo
Sou a sirene que avisa
Eu sou a mão que agoniza
Nas macas dos hospitais
Sou filho da impunidade
Vivo preso numa grade
Com medo dos marginais
Mostre a esses delinquentes
Quem são de fato os heróis
Que sucumbem descontentes
Vítimas de um sistema algoz
Abra os olhos pra pobreza
Que quando senta na mesa
Pra comer só tem migalha
É duro ver a justiça
Se alimentar da carniça
De um cidadão que trabalha
Quem te chamou de gentil
Vive alheio dos maus tratos,
Dos filhos deste Brasil
Que sofrem seus desacatos.
Nesta terra devoluta
Não sobrevive quem luta
Pois a roubalheira viça
Pátria mãe do desmantelo
Que não escuta o apelo
Dessa gente submissa
Que motivo o povo tem
Pra beijar sua bandeira?
Se o tratam com desdém
Lhes jogando na poeira?
Apropriam-se com espólio
Surrupiando o petróleo
E calado a gente vê
Com tanto roubo e desmando
Eu fico me perguntando
Independência de quê?