Já deixei de acreditar
Nesse velho barba feia
Pois ele só presenteia
A quem já pode comprar.
Aqui nunca quis deixar
Um carrinho de presente
Nem um abraço somente
Nem um retalho de chita;
Papai Noel não visita
Calçada de Penitente.
No meu tempo de criança
Não possuía um sapato
E naquele velho ingrato
Depositava esperança.
Porém na minha lembrança
Sempre foi indiferente
Nunca foi no meu batente
Nem me deu uma marmita;
Papai Noel não visita
Calçada de penitente.
Sem condições de comprar
De ganhar perdi a fé
Se aqui não tem chaminé
Como poderei ganhar.
Aqui nunca vai passar
Esse barbudo demente
Se piedade não sente
E gente pobre ele evita;
Papai Noel não visita
Calçada de penitente.
Só vejo esse mercenário
Bajulando gente nobre
Não dar cabimento a pobre
Nem a ele é solidário.
O filho de um proletário
Não enxerga em sua frente
Não vê criança carente
Nunca entra em palafita;
Papai Noel não visita
Calçada de penitente.