
Prezado Editodos,
conforme comunicado anteriormente, o Cabaré do Berto abrirá suas portas hoje, no horário das 19h30 às 20h30.
Eu usarei o espaço para falar sobre o poeta Carlos Drummond de Andrade.
Convido leitores e colunistas do JBF para participar.
Para entrar, basta clicar aqui.
Paga nada e ainda sai com o bisaco cheio de contentamento.
Obrigado.
R. O recado está dado, nobre gerente cabarezeiro.
Às sete e meia da noite estaremos todos lá, pra participar de mais um agradável encontro semanal da comunidade fubânica.
Abraços e muito sucesso, seu cabra malassombrado!!!
A sexta-feira chegou.
Amanhã começa o final de semana.
O neologismo “sextar” é uma das mais criativas presepadas dos últimos tempos.
Pois hoje Sextou!!!
É dia de Chupicleide encher a cara, junto com o faxineiro Bosticler, assim que chegar o final da tarde.
Graças às doações feitas esta semana pelos leitores Esdras Serrano, Marta de Senna, R.S.P e José Medeiros Lins, a cachaça e o tira-gosto da dupla já estão garantidos.
Gratíssimo a todos vocês que nos ajudam a manter esta gazeta escrota nos ares com suas generosas doações.
Vai voltar tudo em dobro na forma de alegria, paz, saúde, vida longa e muita felicidade!!!
Vamos fechar a postagem ouvindo o genial Sivuca descrever a feira da cidade de Itabaiana, na Paraíba, lá onde mora o Poeta e colunista fubânico Jessier Quirino.
Clara Nunes interpreta a antológica composição “Feira de Mangaio”.
Abraços e um final de semana arretado pra toda a patota fubânica.
Antiga farsa de Gil Vicente (Auto da Lusitânia) relata diferenças entre “um rico conhecido como Todo Mundo” e um “homem vestido como pobre, conhecido como Ninguém”. Primeiro, se apresenta o rico: “Eu hei nome Todo Mundo/ E meu tempo todo inteiro/ Sempre he buscar dinheiro/ E sempre nisto me fundo”. Em seguida, o homem vestido como pobre: “E eu hei nome Ninguém/ E busco a consciência/ Esta he boa esperança/ Dinato, escreve isto bem”. Encerrando-se, as apresentações dos personagens, “Que escreverei companheiro?/ Que Ninguém busca consciência/ E Todo Mundo dinheiro.”
A partir de nossa renda per capita, de um lado estão aqueles a quem sorriu a sorte e o patrimônio; do outro, condenados pela ausência de oportunidade e por um modelo econômico excludente. Complicado é que a convivência instável entre brasileiros desiguais começa a ser ameaçada pelos baixos teores de nossa democracia econômica. A atitude do indeterminado cidadão comum em relação à impunidade, por exemplo, mostra que ela é mais forte à medida em que nos aproximamos da base da pirâmide social. Motoristas de táxi, barbeiros ou feirantes sonegam suas receitas e não acham nada demais; mas querem que os grandes empresários vão para a cadeia, se deixarem de pagar imposto de renda. Revelando que destinatário da ira não é a sonegação, mas o sonegador. Não o que se faz, sobretudo quem faz.
Em relação aos sem terra, outro exemplo, temos o mesmo cenário. Direitos adquiridos, ardorosamente defendidos pelas organizações populares, valem para tudo, menos em relação às terras que invadem. Decisões da justiça são consideradas democráticas apenas quando a favor. Tudo revelando indícios claros de fragmentação que podem ser reproduzidos em muitas outras situações. Mostrando que, no fundo, talvez já estejamos vivendo como que um início de acerto de contas social.
Seja como for, amigo leitor, mantenho minha fé de que ainda veremos um Brasil em que, aproveitando os personagens de Gil Vicente, não falte trabalho a Ninguém, em que Todo Mundo trabalhe. E nada impediria que algum poeta de fim de semana se aventurasse, agora, na continuação dessa trama. Em versos que, por exemplo, dissessem: Pois Ninguém quer fazer força/ Todo Mundo aposentar/ Um tem renda garantida/ Outro o pão para ganhar/ Todo Mundo é boa vida/ Casa, cantiga e comida/ E Ninguém quer trabalhar.
Em um certo lugar, havia um só supermercado. Era a única opção para o povo de lá comprar comida, roupa, utensílios de higiene e tudo o mais. Os preços eram caros, mas o povo aceitava.
O supermercado tinha um costume curioso: a cada quatro anos, os clientes votavam para escolher o gerente geral e os sub-gerentes de cada setor. Antes de cada eleição, era uma festa. Os candidatos se desdobravam em promessas de preços baixos, brindes e mais um monte de coisas. Passada a eleição, os ganhadores esqueciam de tudo o que tinham prometido, e só pensavam em aumentar o preço das mercadorias e os próprios salários. Pior: se algum cliente ousasse reclamar, ouvia que o culpado era ele mesmo, que “não soube votar”.
Vários motivos faziam os preços do mercado serem altos. Um deles é que a quantidade de funcionários não parava nunca de aumentar. Outro, é que os próprios funcionários concediam benefícios a si mesmos: um dia era auxílio-uniforme, outro dia era auxílio-educação, os melhores planos de saúde, até carros com motorista para levá-los ao serviço todo dia. As férias eram longas, e folgas e feriados eram fartos.
Os gerentes do supermercado gostavam de criar regras. Já fazia muito tempo que eles haviam decretado que não poderia haver outros supermercados no lugar, porque isso, nas palavras deles, “seria ruim para o povo”. O povo não entendia direito o porquê, mas obedecia, porque ao criar a regra os gerentes também criaram uma equipe de seguranças armados. O dinheiro, naturalmente, vinha dos preços sempre mais altos das mercadorias. Com os seguranças para ajudar, ficou cada vez mais fácil inventar regras para os clientes cumprirem.
De vez em quando um sujeito na fila do caixa contava histórias que tinha ouvido. Diziam que havia lugares onde havia vários supermercados, e ninguém era obrigado a depender de um só. Diziam que por causa dessa concorrência, os mercados faziam de tudo para baixar os preços, ao invés de subir. Diziam até nesses lugares, ao contrário dali, os supermercados não tinham poder nenhum sobre a vida das pessoas e não podiam inventar regras que só beneficiavam a eles mesmos. Os que estavam em volta escutavam, incrédulos. Seria verdade? Seria possível viver assim, sem uma autoridade cerceando a liberdade de cada um decidir o que fazer com sua vida?
Observação: para quem achou essa historinha meio maluca, experimente trocar a palavra “supermercado” por “governo”. Talvez faça mais sentido.
Ontem eu estava passando numa grande avenida aqui do Recife e um cartaz me chamou a atenção.
O tal cartaz estava na calçada de uma loja de pneus e anunciava a venda de amortecedores com desconto.
A maneira como grafaram a palavra, me chamou logo a atenção.
Aline estava dirigindo e eu peguei o celular e fiz uma foto.
Vejam só o desmantelo:

Vôte!!!
A-MORTE-CEDORES
Me benzi e saí rapidinho dali.
Boto nada um amortecedor desses no meu carro!!!
Manoel, dono da Padaria “Águia de Ouro”, contratou Pedro para ser seu balconista, pelas boas informações que sempre teve dele.
O empregado anterior havia sido dispensado, por desonestidade. Manoel contou essa ocorrência a Pedro, que ouviu tranquilamente, pois era cônscio da sua honestidade. Preferia passar fome, do que lançar mão do dinheiro alheio.
Uma semana depois, o patrão lhe ordenou que fosse à casa de um freguês, receber uma conta no valor de cinquenta reais.
Pedro pegou a conta escrita numa folha de caderno, dirigiu-se ao endereço indicado e recebeu o dinheiro. Quando retornava à padaria, encontrou-se com Zenilton, um conterrâneo e amigo de infância, a quem não via há bastante tempo. Os dois amigos selaram o encontro, entrando num botequim para conversar alguns minutos.
Beberam duas garrafas de cerveja, colocaram alguns assuntos em dia e Pedro apressou-se em dizer que precisava voltar à padaria. Zenilton lhe pediu que pagasse a conta, pois estava liso. Da próxima vez, ele pagaria.
Pedro lembrou-se de que o dinheiro que tinha no bolso era, apenas, a cédula de cinquenta reais, que pertencia ao patrão, da conta que fora receber. Mesmo assim, pegou a nota, pagou as duas cervejas e recebeu o troco.
Vendo a besteira que tinha feito, voltou depressa à padaria, sem saber qual desculpa daria ao patrão, ao lhe entregar o dinheiro incompleto. Na certa, seria despedido.
Entrou na padaria pela porta dos fundos, deparando-se, no quintal, com “Sultão”, o Rottweiler que o patrão criava. Pôs-se a agradá-lo e, de repente, um plano lhe veio à cabeça: Deu um grito de pavor, para chamar a atenção do patrão.
Na mesma hora, ouviu o vozeirão do homem, a perguntar:
– Que grito foi esse? O que aconteceu?
Fingindo estar em pânico, ofegante, e com os olhos esbugalhados, Pedro contou ao patrão:
– Ocorreu uma tragédia, patrão!!! Quando eu vinha entrando aqui, trazendo na mão o dinheiro que o senhor me mandou receber, “Sultão” o abocanhou e engoliu!!!
O dono da padaria franziu a testa, calculou o prejuízo, e, de um salto, estava diante do inocente “Sultão”, empunhando uma garrafa de óleo de rícino. Auxiliado pelo empregado, abriu a boca do animal, empurrou-lhe garganta a dentro todo o conteúdo da garrafa, e, depois de purgá-lo, recomendou ao rapaz:
– Agora, você vai ficar aqui junto do cachorrão, à espera do dinheiro. Logo que ele “descoma”, retire o dinheiro das fezes, trate de limpar e secar.
Duas horas depois, estava o dono da padaria de volta, para saber notícia do resultado do purgante:
– O cachorro já “descomeu” o dinheiro? – perguntou ao empregado.
Pedro, que aguardava, ansioso, por esse momento decisivo em sua vida, abriu a mão e mostrou o dinheiro que havia sobrado das cervejas, dizendo:
– Todo não, senhor. Ele só descomeu este aqui. Mas, tenho certeza que já, já ele vai descomer o que falta.
De cara feia, o patrão recebeu o dinheiro incompleto, que Pedro trazia na mão.