Morria o sol no ocaso e o olhar de minha amada
qual rubro sol distante, a rutilar, morria…
Gemia o seu soluço errando pela estrada
e errando pela estrada eu, mísero, gemia!
Perdia o sol tombando, a clara luz doirada
e o vulto dela, ao longe, aos poucos, se perdia.
Fugia o meu olhar no curso da jornada
e o seu magoado olhar tristíssimo fugia…
O sol tombou no poente em nuvens de oiro e arminha,
e Cleonice, chorando, à curva do meu caminho,
entre as sombras da noite, exânime tombou…
Entanto, o mesmo sol que desmaiara outrora,
vem todas as manhãs ao despontar da aurora,
só ela, nunca mais, oh! nunca mais voltou!

Otacilio Ferreira de Azevedo, Redenção-CE (1892-1978)
Beleza !.