ALEXANDRE GARCIA

CONTAS NO AZUL

Sede do Banco Central, em Brasília

Sede do Banco Central, em Brasília|

As contas federais estão fechando o ano no azul pela primeira vez em oito anos. Vai sobrar aí uns R$ 25 bilhões. R$ 5 bilhões da diferença dos gastos e da arrecadação e mais R$ 20 bilhões que os ministérios deixaram de gastar. Isso que a gente está vendo aí coisas absurdas. O governo federal tem 1.296 imóveis funcionais, tem só 706 ocupados, e para os outros está pagando auxílio moradia. É uma coisa que tem que corrigir. Mas, enfim: as contas somadas do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência estão com o resultado positivo de R$ 5 bi, que podem ser somados aos R$ 20 bi que os ministérios deixaram de gastar.

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Verbas para a educação

Enquanto isso, atenção para o ensino no ano que vem: o fundo de financiamento estudantil, o FIES, vai ter 111 mil vagas no ano que vem. 66 mil no primeiro semestre, 44 mil no segundo semestre. E tem R$ 0,5 bilhão para financiar os estudantes. São estudantes pobres, que estão matriculados em faculdades privadas, cuja família tenha uma renda não maior do que três salários mínimos per capita, que tenham já feito o exame do ENEM, e que tenham tido notas razoáveis.

Uma medida provisória também que o presidente assinou lá em São Francisco do Sul está reservando R$ 3,5 bilhões para pagar a conexão e para comprar computadores para professores e alunos da rede pública.

Mais uma: houve o despacho do ministro da Educação aprovando um parecer da sua consultoria jurídica dizendo: só lei federal, e essa lei não existe, pode impedir que um aluno de estabelecimento federal entre na aula por causa de não ter certificado de vacina, por não ter vacina. Não pode impedir, a menos que o Congresso, no ano que vem, venha a fazer uma lei federal, o que vai ser muito difícil.

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Petrobras em recuperação

Eu falei dos bons resultados do governo, e a Petrobras, que é uma sociedade de economia mista de capital aberto, que eu falei outro dia que conseguiu reaver R$ 6,170 bilhões que foram desviados, roubados dela, pena que a prisão não trouxe de volta os que roubaram. Mas além disso, a dívida da Petrobras despencou de US$ 160 bilhões para US$ 59 bilhões. Isso que ela perdeu – porque Lula deu de presente para o Evo Morales – as instalações da Bolívia, depois comprou aquela refinaria enferrujada lá em Pasadena, fez aquele péssimo negócio com o Hugo Chávez da refinaria Abreu e Lima… a administração Silva e Luna está recuperando a nossa principal empresa estatal, e uma das maiores empresas deste país.

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Turismo

Eu falei em certificado de vacina, e eu gostaria de registrar que aqueles dois navios de cruzeiro que estão com brasileiros, que ficaram diante de Camboriú, estavam indo para Ilhabela, estavam com 32 casos de Covid, e agora estão com 146. E todo mundo, para entrar no navio, tem que estar com certificado de vacina. Pois é.

Agora, em Camboriú o prefeito baixou um decreto proibindo caixas de som nos lugares públicos, em nome do sossego público. Vai virar praia americana. Porque os EUA é assim, pelo menos na Califórnia. Eu vi isso. Quem quiser escutar música na praia vai ter que usar fone de ouvido. Porque é proibido obrigar o vizinho de praia a ouvir a sua música. Fico lembrando de algumas praias aqui no Brasil que são um inferno de barulho…

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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

OS VELHINHOS ESTÃO VOLTANDO

O Palmeira Futebol Clube foi fundado no início dos anos 1950 por jovens moradores do bairro nobre do Farol, deram-lhe esse nome devido a maioria Da meninada morar na Rua Comendador Palmeira. Esse Clube tem história no futebol alagoano, chegou a ser campeão alagoano juvenil em 1958.

Naquela época havia entrosamento, facilidade em enturmar os jovens. Frequentávamos as mesmas escolas, os mesmos clubes, as mesmas praias, as torcidas no campo de CRB ou CSA, os mesmos cabarés. Ocupávamos a cidade de Maceió com nossas bicicletas em buscas de namoradas e aventuras. Em cada bairro havia um time de futebol, que jogava contra os outros dos bairros vizinhos e em torneios organizados por nós mesmo. Éramos amigos, uma briga aqui outra acolá, nada desse sentimento de gang dos filmes americanos que assistíamos em cinco cinemas de bairros da cidade.

Esse ambiente amistoso e fraterno nos deu um sentimento de amizade duradouro pelo resto da vida. Cinquenta anos depois de nossa adolescência lá pelo ano 2005 a turma do Palmeira liderada pelo Cláudio Oiticica (Cáu) resolveu realizar uma confraternização de Natal, convidou os amigos da época. Escolheu um amplo restaurante à beira da Lagoa Mundaú. Foi um sucesso. A alegria daqueles sessentões encontrando-se numa salutar reunião de amigos dispersados na vida. Com muitas lembranças, muitas histórias divertidas, gargalhadas soltas no ar passamos uma tarde inesquecível. A partir do ano seguinte a Confraternização do Palmeira consolidou-se. Todos os anos o Cáu organizava a festa com carinho para os amigos. Aparecia gente de todo o Brasil, Ministros de Brasília, ex governadores, ex prefeitos, ex jogadores de futebol, empresários, comerciantes, pecuarista do Rio de Janeiro, Brasília, do Recife. Virou tradição. Quando chegava o mês de dezembro os acertos da confraternização já eram divulgados.

O tempo é inexorável, morreram alguns amigos, mas a vida continuou. Como também a confraternização. Até que chegou a Pandemia, não dava para organizar festa alguma. Nós tentando sobreviver na clausura, sem sair de casa, como ainda estamos. Perdemos parentes e amigos para o vírus. Até que com certos receios, tomando os cuidados necessários, Murilo Marinho liderou um encontro ontem numa Barraca de Praia. Cerca de vinte velhinhos resolvemos nos encontrar. Uma tarde agradável cheia de alegria e lembranças. Depois de dois anos aconteceu a tradicional confraternização de fim de ano do Palmeira Futebol Clube. Iniciou às 11:00 horas da manhã terminou ao entardecer, Foram tantas histórias contadas, tantas gargalhadas que chamou a atenção às mesas vizinhas, que deveriam perguntar: De que sorriem esses senhores com tanta alegria?

Em cada um daqueles jovens octogenários existe uma parte da cidade de Maceió. Uma cidade não é formada apenas pelos prédios, praças, praias e ruas. Uma cidade é feita principalmente pelos seus moradores. E ali naquela reunião onde o uísque rolou estavam alguns construtores dessa bela cidade de Maceió. Pessoas alegres porque tiveram uma juventude livre, leve e solta pelas ruas da cidade. Onde durante o carnaval nos divertíamos na Rua do Comércio Nos blocos de rua. Não fomos santinhos, fizemos presepadas e eram delas que passamos a tarde às gargalhadas.

Foram esses velhinhos que criaram uma associação atípica no mundo a UCPM (União dos Conquistadores de Peniqueiras de Maceió). Éramos terrivelmente incorretos. Graças a Deus. Chamar as jovens empregadas domésticas de peniqueiras, hoje dá cadeia. Havia uma hierarquia entre os membros da UCPM. Entrava como soldado, à medida que o associado contava suas aventuras de conquistas das cheirosas empregadas domésticas, subia de posto. Um amigo chegou a Marechal. Esse orgulho da UCPM muitos anos depois tornou-se Ministro do Tribunal em Brasília. Essas e outras histórias foram recordadas com muita alegria na confraternização de ontem. Ao terminar, retornamos ao lar e nos trancamos novamente, o bicho ainda está solto.

Um bom ano novo a todos.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

MANOEL XUDU, UM GÊNIO DA POESIA NORDESTINA DE IMPROVISO

O grande poeta paraibano Manoel Lourenço da Silva, o Manoel Xudu (1932-1985)

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Dia 13 de março terça-feira
Ano mil novecentos trinta e dois
Pouco tempo depois que o sol se pôs
Mamãe dava gemidos na esteira
Numa casa de barro e de madeira
Muito humilde coberta de capim
Eu nasci pra viver sofrendo assim
Minha dor vem dos tempos de menino
Vivo triste por causa do destino
E a saudade correndo atrás de mim.

* * *

O mar se orgulha por ser vigoroso,
Forte, gigantesco que nada lhe imita
Se ergue, se abaixa, se move, se agita,
Parece um dragão feroz e raivoso.
É verde, azulado, sereno, espumoso;
Se espalha na terra, quer subir pro ar,
Se sacode todo, querendo voar,
Retumba, ribomba, peneira, balança,
Nem sangra, nem seca, nem para, nem cansa,
São esses fenômenos da beira do mar.

* * *

Analise o caju e a castanha,
São os dois pendurados num só cacho,
Bem unidos, um em cima, outro embaixo,
Porém tendo um do outro a forma estranha,
Dela, extrai o azeite, o sumo, a banha,
Dele, o suco pro vinho e o licor,
Quando ambos maduros mudam a cor
Ele fica amarelo e ela escura,
Mas o gosto dos dois não se mistura,
Quanto é grande o poder do Criador.

* * *

Não há tempestades e nem furacões,
Chuvada de pedra no bosque esquisito
Quedas de coriscos e meteorito
Tiros de granadas, obuses, canhões,
Juntando os ribombos de muitos trovões
Que tem pipocado na massa do ar
Cascata rugindo, serra a desabar,
Estrondo, ribombos, rumores de guerra,
Nuvens mareantes, tremores de terra
Que imitem a zoada na beira do mar.

* * *

Voei célere aos campos da certeza
E com os fluidos da paz banhei a mente
Pra falar do Senhor Onipotente
Criador da Suprema Natureza
Fez do céu reino vasto, onde a beleza
Edifica seu magno pedestal
Infinita mansão celestial
Onde Deus empunhou saber profundo
Pra sabermos nas curvas deste mundo
Que ele impera no trono divinal.

* * *

Os astros louros do céu encantador
Quando um nasce brilhando, outro se some
E cada astro brilhante tem um nome
Um tamanho, uma forma, brilho e cor
Lacrimosos vertendo resplendor
Como corpos de pérolas enfeitados
Entre tronos de plumas bem sentados
Vigiando as fortunas majestosas
Que Deus guarda nas torres luminosas
Que flutuam nos paramos azulados.

* * *

Quando eu segurei a tua mão
Foi achando que ela estava fria
Ela tava tão quente e tão macia
Igualmente um capucho de algodão
Vou mandar repartir meu coração
Pra fazer-te presente da metade
Pra gente ficar de igualdade
Tu me dá teu retrato eu dou o meu
O retrato me serve de museu
Pra eu guardar meu romance de saudade.

* * *

O nome da minha amada
Escrevi com emoção
Na palma da minha mão,
No cabo da minha enxada
No batente da calçada
E no fundo da bacia
Na casca de melancia
Mais grossa do meu roçado
Pode ir lá que tá gravado
O nome Ana Maria.

* * *

Eu admiro um caixão
Comprido como um navio
Em cima uma cruz de prata
No meio um defunto frio
E um cordão de São Francisco
Torcido como um pavio.

* * *

O homem que bem pensar
Não tira a vida de um grilo
A mata fica calada
O bosque fica intranquilo
A lua fica chorosa
Por não poder mais ouvi-lo.

* * *

Sou igualmente a pião
saindo de uma ponteira
que quando bate no chão
chega levanta a poeira
com tanta velocidade
que muda a cor da madeira.

* * *

Tristeza é a do peruzinho
Beliscando essa maniva
Correndo atrás da galinha
A sua mãe adotiva
Como quem está dizendo
Ah se mamãe fosse viva !

* * *

A mulher que eu casei
Além de linda é brejeira
Daquelas que vai à missa
No domingo e terça-feira
Das que faz uma sombrinha
Com um pé de carrapateira.

* * *

Estou como um penitente
Que não possui um barraco,
Dorme à-toa pela rua,
Um guabiru fura o saco,
Quando recebe uma esmola
Ela cai pelo buraco.

* * *

Judas pegou uma corda,
Morreu com ela enforcado,
Não estava arrependido,
Estava desesperado,
E o desespero da culpa
Nunca redime o pecado.

* * *

Com você canto apertado
Que só cobra de cipó.
Que, com três dias de fome,
Tenta engolir um mocó,
De tanto forçar a boca,
Finda estourando o gogó.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

QUOUSQUE TANDEM

Acabo de sofrer um choque emocional de intensidade quase que imensurável, com a inesperada coragem da Fo(a)lha de São Paulo publicando em sua edição de 28 deste mês, artigo com o título de “Congresso e STF esvaziaram a Lava-Jato”, de autoria de Felipe Bächtold, onde o autor, “sem papas na língua”, mostra à Nação brasileira aquilo que há muito ela presume e agora vê em letras de forma, sem contestação manifestada, pelo menos até ao presente.

Com disposição para “mamar em onça” ou de abanar o dedo na venta de qualquer dos mais ilustres ministrecos integrantes dessa suprema bandalhice, o autor começa por mostrar que Legislativo e Judiciário se mancomunaram para tolher as atividades investigativas e jurisdicionais em curso, levando a operação Lava-Jato e outras assemelhadas a um esvaziamento que caminha para varrer bem para baixo do tapete, o mais grosso disponível, como muitos previram, espelhados, talvez, do que aconteceu na Itália, com a operação Mãos Limpas (Mani Pulite).

Com a palavra, o autor lista e explica, com extrema clareza, os muitos procedimentos que se concretizaram nos nossos meios políticos, visando esvaziar toda a investigação que se desenvolvia, para tornar inócuas as mazelas encontradas, procedimentos que terminaram por parir a chamada “Lei de Abuso de Autoridade”, eivada de excrescências tais que levaram, inclusive, um órgão internacional da maior credibilidade, como a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), “a advertir o Brasil em relação a ‘ameaças à independência e à capacidade das autoridades públicas para combater a corrupção”.

Segue-se na sequência dessa crítica, as incongruências da chamada “Lei de Improbidade Administrativa”, que joga no caminho dos órgãos investigativos todos os impedimentos que os insignes legisladores conseguiram lembrar como úteis para barrar ou dificultar as investigações ou procedimentos processuais em curso ou por se realizarem, notadamente se concretizada a proposta de alteração do Conselho Nacional do Ministério Público, ampliando substancialmente a possibilidade de influência política nesse órgão, que é a principal instância de fiscalização do trabalho desenvolvido por procuradores e promotores.

E muitas outras propostas em gestação, cada uma das quais das mais estapafúrdias, que, segundo adverte o autor, desembocarão na alteração do Código de Processo Penal, atingindo, dessa forma, quase que mortalmente, o poder investigativo do Ministério Público.

E, somando-se a tudo isto, as muitas diatribes que os ilustres juristas integrantes da Suprema Corte praticam, com inaudita desenvoltura.

Tudo isto e mais algumas outras coisas que decerto virão, somente nos restará posição semelhante à de ‘Pedro Pedreiro’.

Esperando!..

Esperando sempre!..

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

QUE VENHA 2022!

No encerramento de mais um ano, transmito meu abraço fraterno ao nosso editor Luiz Berto e a todos que compõem a comunidade fubânica.

Que venha 2022, com muita saúde, paz e esperança!

A seguir, o vídeo de fim de ano do nosso canal no Youtube.

Todos estão convidados a assistir e se inscrever no canal.

A PALAVRA DO EDITOR

FECHANDO O ANO DE RABO CHEIO

Além de sexta-feira, hoje é também o último dia do ano.

Chupicleide já aproveitou pra fazer um vale e informar que vai romper o ânus e as tripas comendo e tomando cachaça a partir das 7 da noite.

A safada deitou e rolou de alegria com as doações feitas por nossos leitores nesta semana que hoje finda junto com o ano.

E fez um vale extra logo pela manhã.

Vai celebrar a chegada de 2022 enchendo o rabo.

Aproveito para agradecer as doações feitas pelos leitores Vanderlei Zanetti, Rubens Soares, M.R.B, Patrícia Mello, Alexandre José e Marcio M.S.

Doações que ajudam imensamente a manter esta gazeta escrota nos ares e, também, a saciar a fome e a sede de Chupicleide.

Tenham certeza que ano que vem vem vocês vão receber os valores das doações multiplicados por mil.

Me cobrem!

Um beijão pra todos vocês,  generosos amigos fubânicos!!!