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Meu querido e talentoso conterrâneo Sikêra Jr., um cabra que muito orgulha a nossa Palmares.
Assisto ao Alerta Nacional todos os dias, de segunda a sexta, e acho-o o melhor e mais importante programa daquele horário.
E um dos melhores da televisão brasileira.
Com seu estilo bem peculiar, aberto, irônico, satírico e desbocado, Sikêra é um fenômeno de audiência e deixa pra trás todo a grande mídia escrota desta país.
Ele avacalha com maestria o politicamente correto e esculhamba com brilhantismo os zisquerdóides descerebrados.
Mais sucesso ainda, meu querido amigo! Você merece!
Bote pra arrombar no furico da Globosta!!!
Ufa! Que bom. Estava preocupada, mas fico tranquila que a $iên$ia já tenha comprovado que o vírus só é transmitindo e é letal em escolas, estabelecimentos comerciais, igrejas, templos…vírus esperto, só não gosta de Carnaval e samba com ministros do STF e jornalistas fofos.
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— Ana Paula Henkel (@AnaPaulaVolei) December 21, 2021
Saio cedo todos os dias da semana pra levar o João no colégio, que fica num bairro aqui perto do nosso e o trajeto não demora muito. As aulas começam às 7 da manhã.
Nesse meio tempo, eu abro mão de ligar o rádio e ouvir minhas músicas ou escutar o noticiário do dia.
João, que completou 14 anos em setembro passado, tem um dispositivo próprio que ele mesmo comanda e vai botando seu repertório predileto pra tocar.
Fico na minha, ouvindo calado, investigando e estudando os gostos musicais do meu filho.
Nos últimos dias, na semana anterior ao início de suas férias, ele me apareceu com um repertório novo.
Trata-se do conjunto Mamonas Assassinas, um irreverente e divertido grupo de jovens paulistas que interrompeu tragicamente sua carreira, no auge do sucesso, devido a um acidente aéreo.
Foi em março de 1996 e casou uma grande comoção nacional.
Pois João descobriu as músicas dos Mamonas e, daí pra frente, eu ia todos os dias levá-lo no colégio ouvindo o grupo cantar algumas de suas criações.
Pra começar o expediente deste sábado, vou reproduzir uma dessas composições. Uma que achei particularmente interessante, intitulada Jumento Celestino.
Pedi ao João e ele me mandou o vídeo.
Este que está reproduzida a seguir.
Uma composição tão poética, tocante e comovente, que resolvi também acrescentar a letra completa para deleite dos nossos leitores.
Um excelente final de semana pra toda a comunidade fubânica!!!
De quem é esse jegue?
De quem é esse jegue?
De quem é esse jegue?
Oh, rapaz!
Não é jegue não, é Jumentiu
Tava ruim lá na Bahia
Profissão de bóia-fria
Trabaiando noite e dia
Nera’ isso que eu queria
Eu vim-me embora pra São Paulo
Eu vim no lombo dum jumento
Com pouco conhecimento
E enfrentando chuva e vento
E dando uns peido fedorento (Vish, que bunda!)
Até na bunda fez um calo
Chegando na capital
Uns puta predião legal
As mina pagando um pau
Mas meu jumento tava mal
Precisando reformar
Fiz a pintura, importei quatro ferradura
Troquei até dentadura e pra completar a belezura
Eu instalei um roadstar
Descendo com o jumento na maior vula
Ultrapassei farol vermelho
E dei de frente com uma mula
Saí avoando, parecia um foguete
Só não estourei meu côco pois tava de capacete
Me alevantei, o dono da mula gritando
O povo em volta, tudo olhando, e ninguém pra me socorrer
Fugi mancando e a multidão se amontoando
Em coro, tudo gritando: “Baiano, cê vai morrer!”
Depois desse sofrimento, a maior desilusão
Pra aumentar o meu lamento
Foi-se embora meu jumento
E me deixou cas’ prestação
E hoje eu tô arrependido de ter feito imigração
Volto pra casa fudido, com um monte de apelido
O mais bonito é Cabeção
Papai sempre foi um excelente titulador de apelidos e não raro, logo ao conhecer alguém procurava identificar uma parte do físico que fosse diferente, para rebatizar a “vítima”.
Dos companheiros associados do Atlético Clube de Amadores, clube do bairro dos Afogados, no Recife, havia uma lista de personagens que se tornaram mais conhecidos pelas alcunhas com as quais lhe batizara do que com os próprios nomes oficiais.
Volto aos anos de 1940 para entregar à História alguns desses interessantes apelidos de amigos do meu “velho”.
Clóvis de Albuquerque, funcionário do Banco Nacional do Norte, por andar sempre na ponta dos pés, tomou o apelido de “Clóvis Andorinha”.
Abelardo Correia de Melo, Investigador de Polícia, por viver contando suas agruras no exercício da profissão, pegou a alcunha de “Abelardo Metralhadora”.
Antônio Gesteira, por ser oficial das Forças Armadas, costumava demonstrar poder, estufando o peito, durante as reuniões de diretoria, quando se discutia alguma solução que fosse melhor aproveitada na evolução do Clube. Foi sorteado com a titulação de “General de Fandango”.
Marivaldo Melo, conhecido por entrar em conversas de terceiros para contar seus “causos”, ficou conhecido por “Marivaldo Falabarato”.
Certo dia a moçada comandada por Adelgísio Correia resolveu se vingar carimbando meu velho – que botava os apelidos em todo o mundo – com a alcunha de “Moleque Tutu”.
Nilo Moreira, por ser famoso “Guarda Livros” – que na época era a profissão de Contador – se tornou carinhosamente conhecido como “Contador de Anedotas”.
Paulo Monteiro, bom jogador de futebol, por ter os olhos grandes, se tornou conhecido como “Olho de Garôpa”, peixe cujos olhos são enormes.
Manuel Mendes, porque se tornou conhecido como grande namorador e vivia contando suas peripécias, foi titulado “Mané Fogão”.
Elizeu Madeira, por sua fisionomia austera e se pouca conversa, ganhou a titulação de “Máscara de Ferro”.
Finalmente, quando perguntaram a meu pai se ele já havia pensado num apelido para seu filho, imediatamente ele carimbou:
– Este será “Fulustreco dos Grudes”.