Boa noite, querido Luiz Berto:
Segue para você, este poema, “A Conceição de Murilo”, que minha saudosa mãe adorava e declamava de cor.
Grande abraço.
* * *
A CONCEIÇÃO DE MURILO – Dom Augusto Álvares da Silva
I
Já não era criança.
Um maranhal de fios
Grisalhava-lhe a fronte
Cismadora e rude,
Onde uns olhos profundos,
Tépidos, sombrios,
Punham tom de mistérios,
Indícios de virtude!
II
Desde muito era visto
Andar pelas esquinas,
A olhar curiosamente
A turba circunstante,
E, até fazer parar
Moças e meninas
Pra mirar-lhes de perto
As linhas do semblante!
III
Teria enlouquecido?
O rei crente e piedoso
Ordenara-lhe um dia
Desse execução
Ao seu desejo ardente.
Um quadro primoroso
A cópia mais fiel
Da Imaculada Conceição!
IV
Por isso é que ele andava
Inquieto, apreensivo,
Fitando a todo o mundo,
Olhando a toda gente,
Pra ver se achava enfim
Caracterizado e vivo
Modelo ideal
Que brinca-lhe na mente!






