A PALAVRA DO EDITOR

Saio cedo todos os dias da semana pra levar o João no colégio, que fica num bairro aqui perto do nosso e o trajeto não demora muito. As aulas começam às 7 da manhã.

Nesse meio tempo, eu abro mão de ligar o rádio e ouvir minhas músicas ou escutar o noticiário do dia.

João, que completou 14 anos em setembro passado, tem um dispositivo próprio que ele mesmo comanda e vai botando seu repertório predileto pra tocar.

Fico na minha, ouvindo calado, investigando e estudando os gostos musicais do meu filho. 

Nos últimos dias, na semana anterior ao início de suas férias, ele me apareceu com um repertório novo.

Trata-se do conjunto Mamonas Assassinas, um irreverente e divertido grupo de jovens paulistas que interrompeu tragicamente sua carreira, no auge do sucesso, devido a um acidente aéreo.

Foi em março de 1996 e casou uma grande comoção nacional.

Pois João descobriu as músicas dos Mamonas e, daí pra frente, eu ia todos os dias levá-lo no colégio ouvindo o grupo cantar algumas de suas criações.

Pra começar o expediente deste sábado, vou reproduzir uma dessas composições. Uma que achei particularmente interessante, intitulada Jumento Celestino.

Pedi ao João e ele me mandou o vídeo.

Este que está reproduzida a seguir.

Uma composição tão poética, tocante e comovente, que resolvi também acrescentar a letra completa para deleite dos nossos leitores.

Um excelente final de semana pra toda a comunidade fubânica!!!

De quem é esse jegue?
De quem é esse jegue?
De quem é esse jegue?
Oh, rapaz!
Não é jegue não, é Jumentiu

Tava ruim lá na Bahia
Profissão de bóia-fria
Trabaiando noite e dia
Nera’ isso que eu queria

Eu vim-me embora pra São Paulo
Eu vim no lombo dum jumento
Com pouco conhecimento
E enfrentando chuva e vento
E dando uns peido fedorento (Vish, que bunda!)
Até na bunda fez um calo

Chegando na capital
Uns puta predião legal
As mina pagando um pau
Mas meu jumento tava mal

Precisando reformar
Fiz a pintura, importei quatro ferradura
Troquei até dentadura e pra completar a belezura
Eu instalei um roadstar

Descendo com o jumento na maior vula
Ultrapassei farol vermelho
E dei de frente com uma mula
Saí avoando, parecia um foguete
Só não estourei meu côco pois tava de capacete

Me alevantei, o dono da mula gritando
O povo em volta, tudo olhando, e ninguém pra me socorrer
Fugi mancando e a multidão se amontoando
Em coro, tudo gritando: “Baiano, cê vai morrer!”

Depois desse sofrimento, a maior desilusão
Pra aumentar o meu lamento
Foi-se embora meu jumento
E me deixou cas’ prestação

E hoje eu tô arrependido de ter feito imigração
Volto pra casa fudido, com um monte de apelido
O mais bonito é Cabeção

10 pensou em “JUMENTO CELESTINO

  1. Esses deixaram saudade!
    No caso do Jumento Celestino, ainda fazem uma referência, logo no primeiro verso (de quem é esse jegue?) ao também saudoso Genival Lacerda, falecido em janeiro deste ano de 2021.
    João tem bom gosto pra música.

  2. E, Berto, quase 26 anos depois que os Mamonas se foram precocemente, meu xará João, de apenas 14 descobre os meninos, que passaram feito um meteoro.

    Eu viajava muito de carro à época do lançamento das músicas e quando ouvi a Brasília Amarela pela primeira vez lá pelo meio de 95, eu dava risada sozinho no carro na estrada. Queria ouvir mais.

    Depois veio a avalanche, todas as músicas do CD ficaram entre as mais tocadas; era programa do Faustão, Gugu, v. ligava a TV e lá estavam eles.

    O outro conjunto que fazia sucesso à época, o Gerasamba, com o Segura o Tchan, ficou de lado.

    Muitos shows depois, em março de 96, cerca de 8 meses depois de o cometa passar, eles se foram.

    Até hoje, uma festa de verdade não é festa, se não tiver músicas dos Mamonas tocando.

    Um abraço natalino para o meu Xará João, para v. e a Aline.

  3. Até hoje escuto OS MAMONAS, tenho o último CD(?) da banda e meus netos adoram ouvir, cantar e dançar, é uma festa. João Pedro tem bom gosto.

  4. Berto, dos ” polistas” dos Mamonas Assassinas, um era baiano, de Irecê. Dinho o lider do grupo.
    Tem uma praça aqui com o nome dele.
    E vários parente, tanto da mãe, quanto do pai, seu Hidelbrando.

  5. Mamonas Assassinas foram um meteoro feito Chico Science & Nação Zumbi.

    Com suas músicas com guitarras distorcidas, conquistaram o Brasil e o mundo com os CDs Da Lama ao Caos e Afrociberdelia.

    Ambos tiveram a vida ceifadas na estrada da vida, trabalhando e levando inteligência, arte e diversão ao povo.

    A vida nos prega certas surpresas desagradáveis.

  6. Possivelmente o “adolescente” foi atraído pelo belo par de tetas do álbum dos “mamonas”; quem culparia o garoto por tão interessante gosto?

    Que Berto compre logo uma ‘brasília amarela” para o garoto botar “as mina”, porque elas são lindjas, muito mais do que lindjas e já estão a começar a deixar o garoto “doidjão”… kkkk

    Tem bom gosto o garoto….

    Em minha cidade, a esta idade pais e irmãos mais velhos levavam os pimpolhos á zona para ter um tete a tete com tetas e aranhas, para perderem o medo de bichinhos cabeludos…. kkkkk.

  7. Os Mamonas (banda brasileira de rock cômico, formada em Guarulhos em 1989), deixaram uma lacuna imensa no nosso cenário musical.
    Seu som consistia numa mistura de pop rock com influências de gêneros populares, tais como sertanejo, brega, heavy metal, pagode romântico, forró, música mexicana e vira. Eram divertidíssimos!!!
    Ainda hoje, essa banda faz falta… O acidente aéreo que os vitimou precocemente e no auge da promissora carreira, provocou uma comoção nacional
    Acidente lamentável!!!

    João tem muito bom gosto musical!!!

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