
Meu pai faria 100 anos em 2/2/2022. Para celebrar, segue coluna só com histórias dele, em livro que estou escrevendo (título da coluna).
* * *
1. A brincadeira se repetiu, pelo menos, umas 15 vezes. Na mesa dr. José Paulo, como se fizesse discurso,
– Uma mulher inteligente tem o cérebro de uma galinha. Mas, quando é muito inteligente, o cérebro é de duas galinhas.
E calava. Ficávamos esperando, até que dona Maria Lia
– Lá vem você, de novo, com essa idiotice.
– Calma, Babaia. Calma. O seu cérebro é de três galinhas.
E os filhos ficavam ouvindo suas reclamações, por meia hora, todos rindo.
* * *
2. Concorrência, no BNDES, para modelar a privatização da Rede Ferroviária Nacional. Ganhou o consórcio que integrávamos, liderado pelas maiores ferrovias do mundo – uma do Canadá, outra da Austrália. Era preciso dois currículos de nosso escritório, para o julgamento. Pedi que preparasse o dele. Na hora de enviar, fui conferir. Escreveu
– José Paulo Cavalcanti, advogado no Recife.
– Pai, é uma concorrência, por favor diga mais.
– Meu filho, profissão e destino. É tudo.
E não acrescentou nada. Acrescentei, sem que soubesse, os 34 trabalhos jurídicos que escreveu. E juntei o meu, então com 77 páginas, hoje com apenas 6 linhas. Prova de que ainda não estou no ponto.
* * *
3. Professor de Direito Civil, na Universidade Católica, foi Paraninfo da turma de 1964 (o ano da Redentora). E pronunciou forte discurso, no Teatro Santa Isabel (11/12/1964), em defesa da Liberdade. Ensinar era, para ele, missão. Só que, no ano seguinte, informou à Universidade que não mais. Perguntei
– Mas pai, você gosta de dar aulas, e vai parar?
– Porque, meu filho, não faz sentido ensinar Direito em uma Ditadura. E assim se deu.
* * *
4. Quando fui ministro da Justiça, insisti fosse passar alguns dias conosco. Desejava que conhecesse rotina para ele nova. Assistir as reuniões que fazíamos. Se fosse o caso, iria comigo aos encontros com o presidente da República. E nunca aceitou. Então pedi
– Venha, nem que seja para conhecer Brasilia. É uma bela cidade.
– Vou.
– Quando?
– Quando você não for mais nada, por aí.
* * *
5. Duas frases que vivia repetindo:
– A mão aberta é um tapa, a mão fechada é um murro, e é a mesma mão.
– O homem é barro trágico, rareado de estrelas.
* * *
P.S. Agora os leitores vão descansar, que o mar me espera. Até depois do Carnaval, se Deus quiser.
Mestre Berto,
Desejo a você e a todos os Amigos desta Gazeta Natalina muita saúde, felicidades e realizações.
Aqui segue a “Receita de Ano Novo” segundo Carlos Drummond de Andrade.
E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui.
Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima.

O primeiro dia de cada ano é uma peça de pano pronta pra ser costurada, já dizíamos, eu e Maciel Melo, na canção PANO DO DIA UM. Lembro do ano que termina com um misto de saudade e tristeza, não me perguntem por qual motivo. Não saberia responder. Esse período me faz refletir exatamente sobre a passagem dos dias, das prateleiras dos sonhos, dos retalhos mal cerzidos, das fantasias rasgadas, das roupas de domingo e do calção velho desbotado que a gente veste para dormir. E assim os meses vão passando, remendando fio por fio, enquanto a nossa vida também passa feito um algodãozinho sem cor e sem graça que vai se desgastando a cada dia que se vai. O ideal seria transformar todos os tecidos puídos e sem cores em chitas alegres e festivas que fizessem viver a alegria da vida, esse festival inesgotável de coisas boas, de tristezas, de surpresas e de decepções. Brindemos o ano novo que bate à nossa porta, doido pra chegar. Que ele venha com sonhos fáceis de realizar. E se não os forem, que tenhamos força e fé para que assim se tornem. Que chegue com uma roupa alegre e bela a vestir nossos dias desta época nova que está só começando. O calendário que passou, já não está na minha mão. Farrapos e fiapos do que não vale a pena, ao lixo joguei-os. Que fiquem lá. Que surjam Felizes Tempos Novos.
Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@forroboxote.com.br. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais. Visite nosso site: www.forroboxote.com.br
Após a desastrosa propaganda criada pelos militantes da agência publicitária do Bradesco, apostando na publicidade “politicamente correta”, uma novidade surgiu.
Quem aproveitou essa trapalhada publicitária para ganhar espaço na mídia foi o Banco do Brasil.
A instituição financeira estampou na capa do jornal Valor Econômico desta quinta-feira, 30, uma imagem em defesa da agropecuária.
Além disso, o Banco do Brasil publicou em seu canal no YouTube um vídeo em que valoriza a atividade agropecuária.
“É tempo de valorizar quem faz do Brasil referência mundial: produtores rurais, homens e mulheres”, diz o texto.
* * *
A editoria desta gazeta escrota está reproduzindo logo a seguir o vídeo que o Banco do Brasil publicou em seu canal no YouTube.
E, em seguida, reproduzimos também a publicidade que saiu na capa da revista Valor Econômico.
Estamos fazendo isto com uma grande esperança:
A esperança de que o Banco do Brasil se compadeça das nossas combalidas finanças e compre um espaço aqui do JBF pra fazer sua publicidade.
Aviso logo que é baratinho, baratinho.
Ia ser um Ano Novo de arrombar se a instituição topasse!!!
Vou mandar esta postagem ainda hoje pra presidência do Banco do Brasil, enquanto os nossos leitores ficam na torcida.
