DEU NO JORNAL

NAZISMO: O FILHO QUE A ESQUERDA NÃO ASSUME

Rodrigo Constantino

Em um duelo ideológico, não sai vencedor aquele que diz a verdade, mas o que tem a capacidade de convencer seu público de que seu argumento é o correto. Efetivamente, portanto, o poder de persuasão define o vencedor do embate. Com isso, as histórias passam a ser contadas de acordo com as narrativas que prevalecem nos embates ideológicos. Uma das narrativas mais mentirosas adotadas e disseminadas pela esquerda no mundo é a de que o nazismo foi um regime de “extrema direita”.”

No entanto, qualquer historiador ou intelectual não ideologizado pela narrativa socialista predominante que analisar os fatos históricos dentro de seu devido contexto e checar documentos chega facilmente à conclusão de que o nazismo era de esquerda. Sérgio Peixoto Silva (2015), por exemplo, definiu o partido como sendo de esquerda, considerando o programa nazista divulgado em 1920, com seus ideais e reivindicações.

Winston Churchill, em Memórias da Segunda Guerra Mundial – que lhe rendeu o Nobel de Literatura em 1953 -, escreveu que fascismo e nazismo são irmãos gêmeos, ambos filhos do comunismo. E aqui estamos falando de alguém que estudou cada átomo de Hitler e de seus capangas nazistas, como Joseph Goebbels (o facínora chefe da proganda nazista), Heinrich Himmler (líder da SS), Hermann Göring, comandante-chefe da Luftwaffe (a força aérea alemã – aquela que levou um laço da RAF, a Força Real Britânica na Batalha da Grã-Bretanha), Rudolf Hess, Martin Bormann, o puxa-saco secretário de Hitler e o açougueiro nazista Reinhard Heydrich – o grande arquiteto do Holocausto…

Além de autores e de figuras importantes, como Churchill, inúmeras características dão embasamento a qualquer pessoa séria para classificar o nazismo como um regime de esquerda. Evidentemente que, não posso deixar de mencionar, Hitler seguiu uma linha de socialismo com o incremento de suas ideias; mas a questão é o fundamento nazista – que era socialista. Esse é o âmago do raciocínio: a essência, a base, a fundamentação e os princípios do nazismo.

Antes de chegarmos nas características do nazismo, é importante esclarecer o que são direita e esquerda. Claro que tudo começa pela revolução da França e as posições no parlamento e na Assembléia, que deram origem aos termos. Todavia, com o passar do tempo, essa definição se tornou defasada e genérica. Para definirmos direita e esquerda, portanto, é necessário observar seus respectivos produtos. O principal produto da direita está em elementos como o livre mercado, o estado pequeno, a liberdade individual e o direito à propriedade privada – o que conhecermos por CAPITALISMO; a esquerda, por sua vez, tem como principal produto o estado grande e absoluto, que impõe controle sobre o mercado, sobre as liberdades e sobre as propriedades, ou seja, estatiza tudo e prioriza o coletivismo – o que conhecemos por SOCIALISMO.

Assim, grosso modo, para sintetizar, entende-se que direita equivale a capitalismo e esquerda equivale a socialismo. Lógico que há variantes, como liberalismo e conservadorismo na direita e progressismo e social-democracia (eufemismos para menchevismo) na esquerda; mas, na essência, funciona como explanei acima. Vamos em frente.

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A MOCHILA E A VOLTA AO INÍCIO DA VIDA

Porteira de acesso à casa da Vovó

Nunca atrasava ou adiantava. O ônibus da empresa Expresso de Luxo, da família Paula Joca fazia a linha intermunicipal entre Pacajus e Fortaleza. Saindo de Fortaleza na “Cidade das Crianças” rigorosamente às 15:30 h, sempre e pontualmente às 16:00 estava parando no Olho d´Água, hoje Horizonte.

E, não havia demora, por que o tráfego pela BR-116, ainda era pequeno, e a estrada de boa qualidade facilitava o percurso de pouco mais de 40 Km.

Desci do ônibus e, como fiz por muitos anos durante as férias, peguei a direção da estrada vicinal, de areia pura e frouxa, que levava à casa da minha Avó. Mochila nas costas, ainda pensei em tirar o tênis e percorrer a distância de uns 6 Km descalço. Mas, logo vi que, ainda que sendo a mesma, a estrada não tinha mais tanta areia. Segui caminho.

O sol começara a esfriar, e logo entendi que não havia necessidade de andar rápido, pois Vovó e Vovô me receberiam bem na hora que eu chegasse.

Andava e andava, tendo sempre a atenção voltada, de repente, para algo que acontecia. A mesma cerca velha feita de toras de sabiá (mimosa caesalpiniaefolia) construída há dezenas de anos. Quase tudo igual.

Longe dali, mas tão perto para a captação dos ouvidos, a rolinha cantava chorosa, fogo-pagooooouuuuu, fogo-pagoooooouuuu, num lamentável cântico que tornava o fim de tarde mais triste ainda. E tome estrada. Aquela mesma que, antes tão distante, agora era percorrida com apenas um “salto” (dizer da Vovó).

Caminhando, sozinho, sequer sentia o peso ou o incômodo da mochila. Não demorou, e cheguei na porteira corrediça da casa da Tia Maria e ainda me atrevi a avisar:

– Ô de casa, tô chegando! Tô passando, mas depois eu volto!

E continuava a caminhada, que tinha o objetivo de atingir e atravessar a mata fechada antes da noite chegar. Precisaria caminhar por mais de meia hora mata à dentro, antes de atingir a porteira do destino. Não era recomendável atravessar, andando no escuro aquele matagal, sempre avisou o meu Avô.

E, poucos metros antes de entrar na mata, o susto veio através do vôo repentino no “inhambu”, despertando um medo que até então não existia. Mas, era seguir em frente, e deixar pra lá as crendices nas assombrações e lobos maus.

Mata atravessada, eis a porteira à frente. Longe, dava para escutar o toque-toque da mão do pilão, pilando fubá de milho torrado, ou café: – toque, toque, toque tão ritmado que mais parecia um ensaio de bateria de escola de samba do Rio de Janeiro!

Anunciada – a prima pilando fubá de milho torrado

Provavelmente, o rangido feito pela dobradiça enferrujada, ao abrir o portão-porteira, despertou o cachorro Bimba, até então em sono profundo, enquanto deitado sobre o forro do cambito encostado na parede da sala. Desesperado e balançando o rabo, veio ao meu encontro. Cheirou. Conferiu o faro, e me deixou entrar sem alarido ou latido.

Subi o batente, abri a porta de baixo, pois a de cima estava sempre aberta. Apesar do silêncio, arrisquei um cumprimento:

– Ô de casa! Tem alguém aí? Vó, a senhora tá em casa?

Resolvi entrar e, como conhecia a casa em todos os cômodos, fui até a cozinha e vi o fogo do fogão aceso e, sobre a bancada, a fumaça do café que estava sendo preparado (provavelmente para a novidade que estava chegando – eu!), ainda fora do bule.

Já demonstrando preocupação, voltei a chamar. Vóóóóó, a senhora está em casa? Tá onde?

Como, provavelmente, ela estaria em casa, pois era a hora de preparar o dicumê para o Vovô, resolvi procurar também no quintal, onde talvez ela tivesse ido pegar uma toras de lenha para atiçar o fogo.

Café ainda no coador esperando a visita

Descendo o batente da porta da cozinha, logo percebi as galinhas ciscando o chão à procura de milho, ou algo para comer. Eram muitas as galinhas criadas no sistema “meeiro” com o dono das terras – e a netaiada, crescida e morando na capital, nem vinha mais aos domingos, suscitando o abate das penosas. A tendência era aumentar o rebanho.

Se eram tantas as galinhas, com certeza em alta postura, dava para imaginar a quantidade de ovos guardados nas cuias da Vovó dentro da camarinha – esperando alguém para levar pros meninos na cidade grande, ou para fazer aquela gemada gostosa, caso alguém precisasse.

Como continuei chamando e não fui atendido, deduzi que não havia ninguém em casa. Coisa lógica.

Galinhas soltas cacarejando no quintal

Continuei passeando pelo quintal, quando avistei, ao lado do antigo girau, aquela mesma porca pintada na cara, comendo babugens ao lado dos dois bacurins – e esses me deram a impressão que continuavam do mesmo tamanho de mais de 50 anos atrás.

A porca e os bacurins procurando “babugens”

Interessante que, um dos bacurins tinha a cara “cagada e cuspida” de Zé Luciano, um primo, que não dispensava nada. Comia até buraco na cerca, ou na parede. Nem me admiro que tenha emprenhado a coitada da porca. Se é que isso seria possível.

Embora já se fizesse escutar, a cantata das cigarras e dos grilos, ainda havia claridade. Como não aparecia ninguém, continuei passeando pelo quintal, matando a saudade da convivência com os bichos criados por Vovó.

Foi quando percebi que, uma pata pastoreava os onze patinhos que acabara de alimentar, e agora os levara à beber água. Um pato, mais afoito, acabou caindo dentro da bacia improvisada de bebedouro. Todos, inclusive a pata, levantaram os olhos para mim, admirados pela presença – depois, descobri que fazia muito tempo não recebiam o incômodo de ninguém.

Pata e patinhos assustados com minha presença

Segui o passeio, e ninguém dava o ar da graça. Comecei me sentir “só”, necessitando entender o por que de, até aquele momento, não ter aparecido ninguém. E a noite começava a dar o ar de sua presença. Pelo menos eu teria que me preparar para enfrentar a noite, sozinho, enquanto Vovó ou Vovô não chegavam de volta para casa.

Galo Messias “galando” mais um ovo para a cuia da Vovó

Ali mesmo onde estava, escutei (ou imaginei ter escutado) um latido de Bimba. Era a senha que eu precisava, para ter a certeza que alguém chegava de volta em casa. Fui até a portas de entrada e, percebi que não era ninguém menos que o jumento Policarpo, querendo entrar – e ele mesmo, com certeza, como se acostumara fazer durante todos aqueles anos, caminhou até encontrar o buraco da cerca por onde entrava para dormir ao lado do chiqueiro das cabras.

Assim, continuei andando, agora, curioso para conhecer as novidades. E, aparentemente não havia muita coisa nova naquela casa com ares de abandonada, embora o fogo do fogão se mantivesse acesso e o coador do café ainda fumegasse.

E, daquela forma, quem havia jogado milho para as galinhas; ou, quem havia servido água da bacia para os patinhos?

Antes de resolver parar para entrar e procurar uma lamparina, percebi o que para mim era uma novidade, sim. A moita de “mufumbo” havia crescido, e dessa feita, os catraios haviam posto muitos ovos – e nenhuma cobra se atreveu a come-los.

Os ovos das “capotas” (catraias) continuaram já eram muitos

Ligeira, a noite chegou e me pegou desprevenido. Como e onde encontrar uma lamparina que iluminasse aquela casa até a chegada da Vovó?

Eis que, enquanto procurava a lamparina, tropecei, e me dei conta que, nas costas, carregava uma mochila. Perguntei para mim mesmo: de onde saiu essa mochila? Eu nunca possui ou usei mochila, quando era criança!

O barulho do carro que faz a coleta do lixo de dois em dois dias, me acordou. Só então consegui perceber que tudo aquilo não passara de um sonho. De um bom e saudoso sonho.

Mas, e o cheirado de Bimba, o cachorro; o fogo aceso no fogão e o café fumegante; o milho para as galinhas; a água para os patinhos, e a chegada da noite? Como explicar tudo isso?

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JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Chica da Silva

Francisca da Silva de Oliveira nasceu em 1732, no Arraial do Tijuco, atual Diamantina, MG. Escrava alforriada transformada em mito devido ao fato de pertencer a nobreza colonial em pleno regime escravista. Sua história ganhou notoriedade 72 anos após sua morte, através do livro “Memórias do Distrito Diamantino”, publicado em 1868, por Joaquim Felício dos Santos. Filha de Antônio Caetano de Sá, português e capitão das ordenanças e Maria da Costa, africana da Costa da Mina (Benim) e escrava.

Aos 22 anos foi comprada pelo contador de diamantes João Fernandes de Oliveira, com quem viveu 15 anos e teve 13 filhos. Todos receberam sobrenome do pai e foram educados nos padrões da elite da época, fato incomum naquela época. Entre 1755 e 1770 a família viveu num belo casarão situado no que hoje é a praça Lobo de Mesquita, nº 6, em Diamantina. Em 1770 ele retornou à Portugal e levou os 4 filhos, que lá tiveram educação superior e tornaram-se nobres da corte portuguesa. Ela ficou junto com as filhas e a posse das propriedades. Assim, a família conseguiu manter um elevado padrão de vida com distinção social e respeito na sociedade escravocrata do século XVIII. Integrou-se às Irmandades de São Francisco e do Carmo, exclusiva de brancos, mas também às irmandades das Mercês, composta por mulatos, e do Rosário, reservada aos negros. Sua riqueza permitiu que parte da riqueza fosse doada às quatro irmandades religiosas.

Como se vê, era uma mulher experiente e sábia na administração dos bens, dividindo-os de forma a contemplar todas as classes. Mantinha a posse de mais de 100 escravos negros e mulatos e vivia basicamente da exploração dessa mão-de-obra, alugada e empregada nas minas, agricultura e pecuária. Não existe evidência documental de que ela tenha concedido alforria a seus escravos, exceto a algumas escravas domésticas com quem convivia. A união consensual entre um branco e uma negra era comum na época. O caso Chica da Silva distinguiu-se por ter sido público, intenso e duradouro, além de envolver um dos ricaços da região. Suas filhas foram educadas semelhante às moças da aristocracia local: enviadas para o Recolhimento de Macaúbas, onde as filhas da elite mineira eram recolhidas. Algumas seguiram a vida monástica e outras só saíram em idade de se casar. Os filhos, já adultos, retornaram ao Brasil e um deles – José Agostinho – recebeu a patente de capitão de milícias no Tijuco; outro – Simão Pires Sardinha – participou do movimento que eclodiu na Inconfidência Mineira e tornou-se nobre, amigo do príncipe regente D. João VI.

Falecida em 15/2/1796, tinha o direito de ser sepultada em qualquer uma das quatro irmandades a que pertencia. Foi escolhida a de São Francisco de Assis, a mais importante. O fato em si revela que ela se manteve na mais alta condição social, mesmo vários anos após a partida do marido para Portugal. Sua história ficou relegada ao esquecimento durante muito tempo até o surgimento do livro de Joaquim Felício dos Santos (1872) e quase tudo que se sabe a respeito de sua vida é baseado neste livro. Desse modo, sua história distancia-se bastante da realidade, caindo na ficção e transformando-a num mito, conforme as intenções de cada escritor. E são muitas as publicações que ensaiaram textos biográficos e históricos sobre o mito Chica da Silva.

A historiadora Júnia Ferreira Furtado, que escreveu sua biografia em 2009, (Chica da Silva e o contratador de diamantes: O outro lado do mito. Editora Companhia das Letras) fez críticas contundentes a esses trabalhos. Segundo ela, a história foi contada sem a devida preocupação com a construção da realidade, distanciando-se da real trajetória de vida e caindo na ficção. Em consequência, o que o grande público conhece dela é um mito no qual realidade e fantasia se misturam. Critica principalmente a telenovela Xica da Silva, exibida pela extinta TV Manchete entre setembro de 1996 e agosto de 1997, responsável pela massificação do mito, asseverando que “os limites do erótico e do mau gosto foram ultrapassados, sem nenhum compromisso com a realidade do século XVIII, que tem sido revelada na sua multiplicidade e complexidade pela pesquisa histórica”. Antes disso, em 1976, Cacá Diegues, havia dirigido um filme com o mesmo título da novela e protagonizado por Zezé Motta, onde o aspecto erótico também foi privilegiado, não obstante o cineasta ter afirmado que “construí meu filme como uma fábula política”.

Cecília Meirelles fez uma premonição em seu Romanceiro da Independência (1953): “Ainda vai chegar o dia de nos virem perguntar: quem foi Chica da Silva que viveu neste lugar?”. Este dia chegou em meados de 2015, quando houve a intenção de se contar sua verdadeira história através de um documentário de longa metragem, produzido por Rosi Young, Tathiana Mourão e Jonas Klabin, com direção de Zezé Motta, intitulado “A Rainha das Américas”. O projeto cinematográfico, de grande envergadura, contou com a exumação de seus restos mortais realizada em 23/11/2015 para saber suas verdadeiras características físicas. O projeto conta também com a reconstrução do seu rosto em 3D, a construção de uma escultura em Diamantina e a criação de um holograma em tamanho real. Esta imagem seria projetada durante o desfile de uma escola de samba em 2018.

Seria se o projeto fosse concluído a tempo. Mas ainda não foi devido a problemas ocorridos na exumação de sua ossada. Tais problemas chegaram a causar um incidente diplomático entre o Brasil e EUA. A exumação envolveu a contratação de dois especialistas norte-americanos, da Arizona State University, responsáveis pela reconstituição do crânio de Chica. A ossada foi levada para os EUA e o trabalho demorava bastante para ser realizado, mesmo sendo cobrado pela produtora Rosi Young. Em seguida ela viu no site na Universidade um vídeo com a manchete: “Professores descobrem escrava brasileira”. Os professores contratados agiram como se eles fossem os autores da pesquisa original. O caso foi noticiado aqui como “o sequestro de Chica da Silva”.

O fato é que o “imbróglio” levou mais de um ano na resolução do problema e devolução da ossada, que só retornou ao Brasil em 5/5/2017, envolvendo o Iphan, a Interpol e o Consulado do Brasil nos EUA. O trabalho científico acabou sendo concluído aqui mesmo e a reconstituição do rosto ficou a cargo do designer Everton da Rosa. A filmagem só poderá iniciar após a conclusão dessa parte e a previsão era que o documentário fosse lançado em 2019. Infelizmente ainda não se deu o tal lançamento, e torçamos para que seja possível ver este importante capítulo da nossa história na telona ou na telinha. A História do Brasil está repleta de bons “causos”, que a indústria cinematográfica brasileira tem ignorado sistematicamente. A preferência dos nossos cineastas têm recaído mais sobre os heróis/bandidos do sertão ou dos morros cariocas.

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ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

TOTALITARISMO

A população brasileira vive hoje sob o tacão de um dos governos mais totalitários que já existiram na história da humanidade. Independentemente de quem seja o Presidente da República, as estruturas de fiscalização e controle da população são tão absolutas que é impossível ao governante de plantão abalar, por minimamente que seja, esta imensa estrutura de espoliação e controle da população. Todo o imenso e caríssimo aparato estatal foi montado, tijolo por tijolo e ao longo de séculos, com a simples missão de defender os privilégios daqueles que se locupletam às custas dos demais. O nível de controle exercido sobre cada um dos cidadãos é absoluto e total. Cada um de nós só vem a ser considerado como existente após ser registrado no aparato estatal. Só pode estudar e se desenvolver em instituições autorizadas pelo “Grande Irmão”, e que sigam rigidamente as determinações dele emanadas. Cada passo dado neste processo de aprendizagem é constantemente monitorado. Só passa a ter existência econômica após ser registrado para ser devidamente tosquiado, dessangrado e abatido pelo aparato fiscal e tributário, tal e qual carneiros. Só pode guiar automóveis se for devidamente autorizado; só pode trabalhar se for registrado como tal e se der ao governo metade de tudo o que ganhar todos os meses. Só pode viajar se “eles” lhe autorizarem; só toma os medicamentos que “Eles” lhes permitem; só come aquilo que “Eles” dão autorização; e por aí vai.

O nível de controle chegou a tal ponto que eles sabem em que você trabalha, quanto ganha, quanto tem no banco, quais os seus bens, quais as viagens que fez, sabem até o que você consome, qual o tipo e a quantidade de cada produto que usa, através do número de prisioneiro do campo de concentração (CPF) que os idiotas colocam nas Notas Fiscais de tudo o que compram a fim de participar de mais uma loteria marombada.

O controle onipresente chega a espasmos verdadeiramente ridículos. Só posso estacionar em uma das vagas para idosos SE, E SOMENTE SE, tiver uma autorização governamental confirmando que eu sou idoso. Seria ótimo se só ficássemos idosos mediante autorização do governo, né? O simples fato de podermos declarar, auto e bom som que somos idosos, NÃO VALE NADA! Apresentar documentos de identificação? Também não vale nada! Tem que ir em alguma maldita repartição pública, mendigar, através de tortuosos e morosos processos burocráticos, por um direito simples e direto. A palavra de um cidadão e merda é a mesma coisa. Só quem pode afirmar qualquer coisa por nós é o famigerado Estado. Somos todos bandidos e retardados mentais até prova em contrário.

A situação chegou ao clímax quando temos de solicitar permissão a algum funcionário para urinar em locais públicos que, agora, estão cobrando pelo uso do banheiro. Como os idosos são isentos do pagamento, estes têm de percorrer todo um processo burocrático (e caro, pois exige uma porrada de funcionários e equipamentos eletrônicos a fim de emitir as fichas de acesso) para que seja autorizado a dar uma simples mijada. Adolf Hitler e sua trupe não fariam melhor, a fim de torturar os velhinhos com incontinência urinária. ahahahahahah

A fúria legiferante tem orgasmos anais múltiplos quando se trata de “disciplinar” o trânsito. A cidade onde eu moro tem uma rua com três indicações de velocidade permitida NO MESMO TRECHO: Uma pintada no chão, outra numa placa do poste e uma terceira num controlador eletrônico. Tem uma avenida em que, a cada trecho de menos de um quilômetro, tem um radar controlador de velocidade. Como a avenida tem uns 6 ou sete quilômetros, a maldita tem bem uns dez radares. O detalhe é que os mesmos exigem velocidades diferentes. Creio que o objetivo seja exatamente este: dar um nó na cabeça dos motoristas. Conheço caso de pessoas que receberam três ou quatro multas na mesma avenida e horário. O volume de orientações idiotas é insano e, normalmente, coadjuvado por estradas e caminhos cuja concepção de engenharia é digna de egressos do Instituto Pestalozzi. Junte a isto a colaboração de administradores públicos demagógicos (olha o pleonasmo) que, por não desejarem irritar os inúmeros eleitores, autorizam ou convivem com hordas de invasores nas faixas de segurança ao lado das vias de transporte. Temos aí as principais razões para as mais de 60.000 mortes anuais no trânsito brasileiro.

Vejam acima um pequeno exemplo de como está o estado de espírito da população para com este sistema.

Ao mesmo tempo em que tenta de todas as formas tornar a vida do cidadão um inferno, o maldito aparato estatal se transforma em uma verdadeira Tchutchuquinha (Segundo a brilhante caracterização do Deputado Zeca Dirceu) quando se trata de combater roubos, assassinatos, estupros e outras coisinhas mais do mesmo jaez. Não é à toa que temos uma verdadeira disenteria de Habeas Corpus no STF, juntamente com entendimentos esdrúxulos da legislação penal que nos tornam o único país do mundo que só prende (se é que prende) após inúmeras e intermináveis instâncias, juntamente com uma miríade de possibilidades apelativas e postergatórias.

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CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

PRODUTIVIDADE

A luta do Brasil para pular o baixo nível de produtividade é eterna e intensa. Até a década de 80, a economia brasileira gozava de saúde. Era saudável, estampava vigor. Não apresentava aquela exuberância das potências mundiais, lógico, mas, dentro das possibilidades, sustentava a barra. Quebrava o galho.

O crescimento dos índices de produtividade, movido por mudanças estruturais, confirma a tenacidade econômica. Mostra a vontade que o país sente para obter nova imagem no cenário internacional. A perseguição é enorme, porém, os resultados são poucos, mesquinhos. Aparecem devagar.

Por ser pobre, desprovido de recursos financeiros, carente de capital, o Brasil nunca foi simpático, muito menos seguro para atrair investimentos estrangeiros. Então, não restava outra alternativa, senão ficar balançando ao vento, sem destino certo, de acordo com a onda reinante no mundo, naquela ocasião.

Ora navegava em boa maré. Noutra, em maré baixa, de acordo com o vento. Por isso, muito governantes afrouxaram. Para não manchar o nome político, preferiram adiar o projeto das reformas estruturantes.

O governo Lula, em vez de fazer a Reforma da Previdência, preferiu aumentar a arrecadação para fechar as contas descontroladas. O resultado não foi o esperado. Não aniquilou os imbróglios. Ao contrário, adiou os problemas estruturais. Empurrou os estragos pros outros.

Por outro lado, especialistas argumentam que com as concessões dos aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Florianópolis, feitas no governo seguinte, com o objetivo de modernizar a precária infraestrutura do setor aeroviário do país, também não obteve o festejado sucesso. Como foi comemorado na época.

Outros gestores, menos frouxos, apesar do Congresso extremamente interesseiro, aprovaram reformas. Mas, de maneira lenta. Tão vagarosa que pouca contribuição deu para iniciar a recuperação econômica. Manter o crescimento do PIB de forma sustentável. Com índice de crescimento acima de 3%.

Aliás, em lugar de crescimento, o que a economia mais enfrentou foi estagnação. Desaquecimento econômico, déficit fiscal nos Estados, ineficiente mercado de trabalho, desemprego, indústria com técnicas de produção super atrasadas, mão de obra desqualificada e outros logros.

Faz 40 anos, a produtividade brasileira não cresce. Parou no tempo e no espaço. Consequência de incertezas, intervenções, péssimos planejamentos. Concessões de aeroportos, fora do esquema e outros bichos.

Essa cultura de governos ceder a pressões de grupos econômicos interesseiros num tá com nada. Afinal, distribuir benefícios para impor barreiras comerciais, política de proteção regional, abertura comercial e concessão de incentivos tributários, sob a alegação da sociedade resistir às reformas, é conversa fiada. É jogo político. Infrutífero.

O exemplo da Grã-Bretanha, anteriormente metida numa encruzilhada, é significativo. Depois que entrou de cara nas reformas, bastaram somente três anos para a ex-primeira ministra Margareth Thatcher colocar o PIB inglês numa onda de crescimento espetacular.

Apesar do excelente feito, a ex-Dama de Ferro inglesa, não fez estardalhaço, Não se julgou a única autoridade capaz de consertar o país da rainha Elizabeth II que sofria deconstantes fases de desarranjos político, social e economico.

Humildemente, após a passagem do cargo, a toda poderosa Thatcher recolheu-se aos seus afazeres particulares. Permanece no maior silêncio. Ciente do dever cumprido. Sem debochar de ninguém. Nem mostrar arrogância. Fez o que podia fazer e passou o bastão para os outros proseeguir na jornada.

Além das reformas, o bonde brasileiro do crescimento não pode parar. Tem de correr atrás dos erros, corrigi-los de imediato. Com o intuito de atualizar os atrasos que ocorrem nos transportes, energia, telecomunicações, saneamento e na degradante burocracia. Dar uma varrida no desequilíbrio fiscal, no protecionismo, nas desigualdades e no setor público, preguiçoso. Eliminar a ineficiência do Estado é a pedida.

O começo da nova jornada, iniciada neste governo, já revela bons resultados. Os juros foram derrubados, a Selic tá lá embaixo. A inflação está controlada. Resta agora, encarar de frente a questão da baixa produtividade que não pode ficar com a cara de incompetência. Faminta e maltrapilha.

Afinal, o Brasil tem capacidade de jogar junto com outros grandes países. Embora, ainda sem a devida competência. Os juros do cheque especial e do cartão de crédito é outro entrave a ser cortado.

Antigamente, os governos, pomposamente, comemoravam pequenos resultados positivos com festanças, regadas a gordas mordomias. Apenas para impressionar a galera. Deixando na reserva, o essencial. A força de trabalho e os meios de produção que pedem recauchutagem. .

Ora, país algum, se pensa em crescimento, joga para segundo plano, o capital humano, o capital físico das empresas e a infraestrutura. Eles são básicos, fundamentalmente essenciais.

A recessão de 2014 e 2016 foi catastrófica. Provocou desemprego, incentivou a informalidade, afastou os investimentos, parou as inovações, não renovou os equipamentos, no parque fabril, nem capacitou o trabalhador.

Daí a queda da produtividade. Então, bastam os sete anos de queda na produção de bens e serviços, na derrubada da competitividade nacional, na contabilização de pequenos lucros e nos vergonhosos salários. No poder público, altíssismos. Na iniciativa privada, baixíssimos. Enfim, a produtividade sustentável é um gerador de riquezas.

E gerar riquezas, para posterior distribuição com o trabalhador e a sociedade aflita, é o que o Brasil mais precisa consertar. No momento.

PENINHA - DICA MUSICAL