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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

UM ANO NOVO PAI D’ÉGUA! – Merlânio Maia

Desejo um ano porreta
Deus lhe dê tudo o que quer
Peleja, trabalho, treta,
Os carim duma mulher
Desarrede o negativo
Abufele o positivo
Tenha o horizonte por régua
Num tenha medo da vida
Tenha o céu como medida
E um sucesso pai d’égua!

Macho véi, felicidade,
É pra se pegar de unha
Num aceite a falsidade
Que é onde a maldade acunha
Num se agonie no camim
Nem permita o farnizim
Num esmoreça seje macho
Corra o mundo, ande légua
E até na baixa da égua
Que o buraco é mais embaixo

Vá anotano os seus querê
Tudo o que você deseje
Dipendure onde se vê
Leia pra que num fraqueje!
Seja um cão chupano manga
Teja de terno ou de tanga
Nunca espere vá buscar
Persistência atrai sucesso
Que vai fazer seu progresso
Quando menos se esperar

No amor num se arrelie
Nem só fique arrodiano
Num bata fofo, se avie
Se avexe e faça um bom plano
Mas fique limpo na nota
Num pegue qualquer marmota
Nem viva de fulerage
Cachorro é quem pega peba
Num viva de mistureba
Nas grota da vadiage

Amor é uma corralinda
Mas num seje um farofêro
Num peça pinico ainda
Seja o galo do terrêro
Pastore que a hora chega
Gato gosta é de mantêga
Dê seu bote devagar
Mas dêxe as unhas de fora
Que o seu cabresto tóra
Antes do ovo gorar

Comece esse novo ano
Sem os erros do passado
Chô mundiça! É o novo plano
Chame a sorte pro seu lado
Muche as orêia e rebole
No mato tudo que é mole
Grite do alto do nordeste
– Eu sou herdeiro de Deus
E os mundos também são meus
Oxente, cabra da peste!

Agora qui tás mais forte
Seje feliz dicumforça
Nosso Sinhô sendo o norte
Brinque, dance, grite e torça
Nada há de lhe derrubar
Comece logo a sonhar
Com a Paz e nunca dê trégua
O poeta ainda lhe diz
CABRA VÉI, SEJE FELIZ,
E UM ANO NOVO PAI D’ÉGUA!

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

Devorando o Sardinha

Agora em 2020 vão fazer 464 anos que o bispo Pero Fernandes Sardinha foi devorado pelos Caetés na Costa de Alagoas. Inimigo de Álvaro da Costa – filho do governador-geral, Duarte da Costa – que passava a pajaraca nas índias aqui da terra brasilis, e Sardinha ficava emputiferado da vida com isso, o sacerdote resolveu ir a Portugal dar queixa diretamente a El-Rei D. João III. Deu azar, o navio fi a pique apenas a 24 km da costa e, azar duplo, caiu nas mãos dos Caetés que o jantaram.

Oswald de Andrade, no começo do século XX, mais especificamente na década de 1920 publicou o Manifesto Antropofágico, saudando a deglutição do Sardinha como uma forma de criação da brasilidade, pelo ato de comer, metaforicamente, por certo, a cultura européia e Graciliano Ramos, na década de 1930, ao publicar o romance Caetés traz essa nostalgia antropofágica também.

Mas isso é tudo fuxico. O que eu quero mesmo debater é o fato de que, desde o churrasquinho do Sardinha, ainda permanecemos ao redor da fogueira lambendo os beiços e saboreando o bispo. Um aqui do lado se delicia com o mocotó do bispo. Outro ali, prefere uma carne mais nobre e ataca o coxão duro do sacerdote, isto é, a carne da bunda. Uma caeté velha, desdentada ao meu lado prefere chupar o tutano do fêmur do religioso, e por aí vai. Lá adiante dois caetés de colo brincam com os ossos da mão esquerda do bispo.

Mario de Andrade, em Macunaíma revelou o caráter da brasilidade a partir de uma palavra chave dita pelo herói sem caráter de seu romance: “Ai, que preguiça”. Tem sentido de ser, levando em conta nosso amadorismo, aversão aos estudos, falta de capricho quando fazemos as coisas e ligeireza em buscar uma sombra para nos “escarrapacharmos”, enquanto outros trabalham. Basta ver aquilo que é feito em matéria de obras e serviços. Uma estrada construída no Brasil já apresenta buracos antes mesmo dela ser entregue. Um carro começa a dar defeito ainda no primeiro ano de compra. Mandar fazer uma reforma em casa? Esquece. É melhor deixar a coisa como está e dizer aos demais caetés que é “vintage”.

“Essoutro dia” estava levando uma amiga para o serviço dela. Na volta, atrás de uma picape, dessas bem grandona, uma lata de cerveja voa da janela dela e passa triscando meu carro. Tive vontade de sair e chamar para a briga. Parei e pensei: lembre-se Roque… caeté não briga com caeté. E nesse 2019 vi muita gente na rua, em roda de amigos, fazendo comício que queria um país sem corrupção, que respeitasse as leis, que fosse ordeiro e honesto, que queria uma classe política sem ladrões e safados. Mas, também vi essas mesmas pessoas furando o sinal vermelho em pleno meio dia, tentando enganar o garçom na hora de pagar a conta da cervejada, tentando dar um passa-moleque em idosos, e bajulando aqueles mesmos safados que eles dizem combater.

Vi gente jogando casca de fruta, papel de bala, palito de pirulito, fralda suja, cadáver de cachorro nos “corgos” aqui da gloriosa Campo Grande que formam o rio Anhanduí. Tudo bem…. aqui no perímetro ele não é bonito, é raso e estreito, mas uns 100 km abaixo se torna um rio lindo, tributário do rio Dourados que deságua no poderoso rio Paraná. E esse lixo todo vai para lá, quando também não entope bocas de lobo, galeria de águas pluviais e acaba por inundar as casas daqueles mesmos que jogaram o lixo em local inapropriado.

464 anos após a morte do Sardinha, ainda continuamos jantando o coitado, em um processo anti-civilizatório, anti-social, anti-humano. Basicamente, cotidianamente nós teimamos em apresentar a faceta mais selvagem dos caetés, sob o manto de uma hipocrisia bem vagabunda. Falamos alto, somos inconvenientes, não respeitamos os brancos cabelos de um senhor, ou senhora já curvados pelo tempo. Sempre estamos buscando a melhor parte do Sardinha para devorar com cupidez e pressa.

Aí, quando ouço alguém falar que precisamos chegar ao primeiro mundo, rio para não chorar. Não dá para chegar ao primeiro mundo com um pedaço do fígado do Sardinha nos dentes. Não dá para ser uma nação civilizada se não nos levantarmos de perto dessa fogueira, cuspir a carne do Sardinha, apagar o fogo antropofágico e começar a tirar a essência caeté de dentro de nós. Conta a história que os portugueses, ao dizimar os caeté conseguiram tirar o Brasil dos Caetés. O que nos falta é tirar os caetés de dentro do Brasil.

Ei, moleque…. larga essa tíbia do Sardinha…. estou assando ela para a janta!

CHARGE DO SPONHOLZ

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NÃO TEM COMO NEGAR: É ARGENTINO MESMO!

* * *

Argentino não deixa de ser argentino nem quando vira Papa.

Agride até uma fiel em público.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Em compensação, tem outro tipo de gente que ele trata bem que só a porra.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALTAMIR PINHEIRO – GARANHUNS-PE

Prezado Luiz Berto,

Escrevo-lhe no intuito de informar que entre o mês de março/abril de 2020 estarei lançando um livro intitulado NO ESCURINHO DO CINEMA, sendo seu tema exclusivamente sobre os grandes astros e estrelas de filmes faroestes (Far West).

Portanto, dirijo-me a sua pessoa para que venha fazer parte do livro e que seja o portador legítimo de sua devida APRESENTAÇÃO, haja vista que o seu blog é testemunha ocular das publicações a respeito do assunto na coluna SEGUNDA SEM LEI.

Outrossim, para seu conhecimento, gostaria de informar que o seu assíduo leitor residente na cidade Balneário de Camboriú(SC), d.matt, foi convidado para ser o autor do PREFÁCIO e aceitou o desafio, como também estenderei o convite ao colunista do JBF, Cícero Tavares, para fazer a introdução do livro.

De antemão, ficaria muito grato que você usasse de sua intelectualidade para fazer parte dessa modesta obra que será lançada em breve.

Caso seja aceito o convite eu ficarei com a responsabilidade de, paulatinamente, enviar-lhe as devidas informações a partir de janeiro de 2020 para você ficar subsidiado ou abastecido das devidas informações para concluir a APRESENTAÇÃO dos seus escritos.

Adianto ainda que o livro será totalmente em preto e branco (inclusive as fotografias) e aproveitando a deixa, antecipadamente, estou lhe enviando a capa e contra capa da minha simplória obra.

Saudações cinematográficas,

R. É como eu sempre digo e repito: aqui no JBF só tem cabra malassombrado!!!

Meu caro colunista fubânico, doutor em filmes e cinema, fico muito satisfeito com o convite.

Saiba que será um prazer enorme participar do seu livro.

Use e abuse do espaço desta gazeta escrota para divulgar a sua obra.

Os fubânicos apreciadores da chamada Sétima Arte irão prestigiar muito o seu trabalho. Pode ter certeza.

Abraços e muito sucesso!!!

CHARGE DO SPONHOLZ

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