JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

AS TERRAS DO MEU AVÔ

Inspirado em foto de Jácio Mamede:

Meu avô me deu caminho,
Bom sangue, bom coração,
O amor por este chão,
De caatinga e tanto espinho.
Vai longe o meu carinho
Por esse céu azulado,
Esse pago, chão rachado,
Por esse meu pé-de-serra
E por esta boa terra,
Onde vovô foi criado.

Aqui eu também nasci,
Aqui também fui criado.

De vovô, abençoado,
Herdei fé, herdei coragem,
Por isso em sua homenagem,
Cavalgo o sertão amado.
Às vezes fico calado
Dentro da vegetação
Ouvindo um tal coração
Como se vovô vivo estivesse
Pedindo a Deus, numa prece,
Chuva para o seu sertão.

“Pai nosso que estás nos céus…”
Mande chuva ao meu sertão.

Uma sublime oração
Eu ouço sem ver ninguém
Seguindo e dizendo amém
Quero chuva em meu torrão.
Me invade a emoção
Na serra, sobre o platô,
Sol baixando, céu bordô,
E eu feliz cavalgando
Enquanto sigo amando
As terras do meu avô.

Natal-RN, na primeira Lua Cheia de 2015

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CLÓVIS GOMES – TERESINA-PI

Estimado Editor Berto,

Acunhe, acunhe, que o negócio é sério!!!!!!!

Precisamos que você continue sua luta neste novo ano que está começando.

Este jornal é o que existe de melhor na imprensa brasileira.

Paz, prosperidade, perseverança, paciência.

R. Meu caro, promover uma merda feito essa gazeta à condição de “imprensa” é uma coisa que me deixou ancho que só a peste.

Mas, pensando bem, será que, ao invés de elogiar, tu quis mesmo foi xingar???

Hein???

Pelo nível em que anda a “imprensa” deste país, ser chamado por este nome pode não ser boa coisa.

Agora, caro leitor, voltando à sua cartinha:

Este último termo que você escreveu na mensagem, a palavra “paciência”, é a qualidade que eu mais uso e abuso no serviço de editoração desta gazeta escrota.

E explico a razão:

É preciso ter uma paciência incomum para resistir, sem sucumbir, ao tsunami esquerdoral do colunista Goiano.

Um dilúvio, uma chuva incontrolável, uma cascata volumosa de lularismo petelhal zisquerdêlho.

Veja bem: eu não estou reclamando. Na verdade, eu acho ótimo.

Resistir a tudo isto, a esta fúria goiânica, com resignação e paciência, é um exercício de purificação do espírito e um caminho seguro pra salvação.

No ano recém findo de 2019, nosso incansável colunista, além das 63 colunas que publicou, repletas de zisquerdismo xiita, bateu um recorde impressionante, perpetrando 1.713 comentários lulo-disparatais, conforme estatística do nossa sistema de editoração.

Uma número jamais obtido por qualquer outro leitor ou colunista, por mais assíduo e participante que seja.

A tara do colunista Goiano pra fazer comentários esquerdorais é tanta, que ele futuca até publicações antigas, de muitos dias, pra exercer o seu incansável ofício de postador de comentários.

Hoje, por exemplos, ele botou um comentário numa postagem publicada há exatos 3 meses, no dia 7 de outubro passado. Confira clicando aqui.

Só eu é que vou saber que ele se manifestou por lá, porque o sistema me manda uma mensagem automática quando se coloca qualquer comentário.

Nenhum leitor vai tomar conhecimento, pois os fubânicos normais do juízo entram aqui pra ler somente as notícias do dia. Ou do dia anterior. Quando muito, da semana passada.

Coisa comum numa página que é atualizada diariamente, todos os dias da semana.

Preste atenção nesta que vou dizer e veja só o furor:

Na última coluna do Goiano, publicada semana passada, lá estavam listados 42 itens, com números, afirmações, pabulagens, citações, fanfarronices, revelações e um monte de coisas misteriosas e surreais que só mesmo um petista seria capaz de cascavilhar nos monturos, alinhavar tudo e oferecer pra gente ler.

Vou repetir: uma única coluna com 42 ITENS!!!!

E, além disto, com a cara mais lisa do mundo, ele abriu o texto com a expressão “Dados para argumentação“.

Teve muita gente que caiu na armadilha e foi lá argumentar…

Faço questão de ressaltar: sou eu que monto e edito tudo que ele manda, do jeitinho que chega aqui, textos e ilustrações.

Pergunto: sou ou não sou paciente???

E, depois de um ano de governo que chegou ao poder aniquilando o poste Haddad, um governo conservador, sem putaria e sem uma única notícia de escândalo de corrupção, se prepare que o furor vai aumentar mais ainda.

Ao invés do “acunhe, acunhe” com que você abriu sua mensagem,  meu caro leitor, eu rebato com um “não ria, não ria, não ria, que o negócio é serio.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

SEU MANOEL, O TEIMOSO

Para o Mestre Goiano, com o carinho do Seu Manoel Teimoso

Começou a chover forte no território do teimoso.

Seu Manoel morava com a esposa e dois vira-latas numa casa construída à beira do rio, onde todas as vezes que chovia a residência era inundada a ponto de a água subir a três palmos do piso.

Um dia começou a chover forte. Chuva que não acabava mais. E a previsão meteorológica era de que iria chover mais forte do que os anos anteriores. Seu Manoel foi alertado pelas autoridades a abandonar a casa com a família assim que a água começasse a subir.

Como Seu Manoel era um homem extremamente religioso, devoto cego, acreditava que Deus o protegia de qualquer risco, por isso teimava em ficar na casa, mesmo com os alertas das autoridades de que, em permanecendo, poderia ser arrastado pela enchente.

Nesse dia choveu muito. Os moradores que moravam junto a Seu Manoel começaram a abandonar suas casas quando a água começou a subir. Cada família que passava em seus botes chamava Seu Manoel para que lhe acompanhasse, pois o alerta era de que haveria muita chuva. Tudo no entorno do rio seria inundado e destruído.

Seu Manoel, teimoso, preferiu ficar na casa sozinho. Mandou levar a esposa e os cachorros. Quanto a ele, acreditava piamente que Deus o protegia. Que nada lhe ia acontecer de grave.

“Deus está no comando!” “Ele me salva!” – murmurou ao umbigo!

Aumentou o volume das chuvas e, em conseqüência, a casa inundou acima da metade da parede por causa do volume de água, e Seu Manoel teve de ir para o primeiro andar.

Percebendo que Seu Manoel corria risco de ser tragado pela enchente, os vizinhos chamaram o Corpo de Bombeiros para salvá-lo. A guarnição chegou, implorou para Seu Manoel deixar a casa, mostrando o perigo iminente, com o alerta de que ia chover mais ainda. Seu Manoel não cedeu aos apelos desesperados da equipe do Corpo de Bombeiro, e esta se foi antes de ser tragada pela enchente.

Súbito aumentou a correnteza, com a água chegando à cumeeira da casa de Seu Manoel. Os vizinhos telefonaram para a emergência, e esta veio por meio de um helicóptero que ficou em cima da casa de Seu Manoel, com o piloto implorando ao gramofone para que ele deixasse a casa com urgência pôs logo-logo ela iria ser tragada pela enchente. Mais uma vez Seu Manoel relutou e não cedeu aos apelos do piloto do helicóptero, preferindo seguir suas convicções religiosas.

“Deus é fiel! Não vai me deixar só!” – disse para si mesmo, convicto.

Mal o helicóptero bateu em retirada a casa de Seu Manoel desabou e ele foi engolido pelas águas e seu corpo nunca foi encontrado.

Ao chegar ao céu, Seu Manoel foi inquirido por Deus que lhe perguntou por que não atendeu aos apelos dos homens para que fugisse da cheia. Ao que Seu Manoel, teimoso, retrucou:

– Mas, Senhor, eu lhe esperei a ajuda. O Senhor não é onipotente, onipresente e onisciente? Pai e protetor dos pobres?

– Sim, meu filho, Eu sou! Mas eu lhe mandei ajudas. Você é que as ignorou, preferindo acreditar em milagres. Mandei o barco, o corpo de bombeiro e, em seguida, o helicóptero, e você disse não a todos! Como castigo por sua teimosia, vou mandá-lo para a profundeza do quinto dos infernos onde está preste a chegar um sujeito que se diz ser a alma mais honesta do mundo! E tem gente que acredita nele! Você e ele vão fazer uma pareia da porra! Um teimoso como uma mula e o outro que se diz “uma viva alma mais honesta do que Eu!”

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DEU NA FOLHA, CLARO

* * *

Como já tem mais de um ano que não invade propriedades alheias (num sei mesmo porque…), o MST está planejando plantar estas árvores no furico dos seus militantes.

Vai ser um reflorestamento cuzístico de arrebentar!

Arrebentar milhares de pregas.

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ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

POEMINHAS DO GRANDE MILLÔR FERNANDES

POEMINHA SOBRE O TRABALHO

Chego sempre à hora certa,
contam comigo, não falho,
pois adoro o meu emprego:
o que detesto é o trabalho.

POEMINHA SOBRE O TEMPO

O despertador desperta,
acorda com sono e medo;
por que a noite é tão curta
e fica tarde tão cedo?

POEMINHA DE HOMENAGEM À PREGUIÇA UNIVERSAL

Que nada é impossível
não é verdade;
todo mundo faz nada
com facilidade.

POEMINHA SOBRE AS REAÇÕES PARADOXAIS NUMA SOCIEDADE

Na conversa sofisticada
a debutante, nervosa,
tem um problema bem seu:
fingir que entende tudo
ou fingir que não entendeu.

POEMINHA NUPCIAL

A linda noivinha
no altar se casará
com o rapaz que fez tudo
pra não ir até lá.

POEMINHA TENTANDO JUSTIFICAR MINHA INCULTURA

Ler na cama
É uma difícil operação
Me viro e reviro
E não encontro posição
Mas se, afinal,
Consigo um cômodo abandono,
Pego no sono.

Milton Viola Fernandes (1923 – 2012). Autor e tradutor. Descobriu na adolescência que havia sido registrado erroneamente, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr. De humor singular, humanista e moderno, com visão cética do mundo, Millôr Fernandes foi considerado uma figura de proa do panorama cultural brasileiro: jornalista, escritor, artista plástico, humorista, pensador. Destacou-se em todas essas atividades. No teatro, empreendeu uma transformação no campo da tradução, tal a quantidade e diversidade de peças que traduziu. Escreveu, com Flávio Rangel – Liberdade, Liberdade – uma das peças pioneiras do teatro da resistência à ditadura militar, encenada em 1965. Em seus trabalhos costumava-se valer de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.

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