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BOSTIFERAÇÃO DOS DESCEREBRADOS

Comentário sobre a postagem PAPARICOS DOS IDIOTAS

José Silva:

O episódio da derrubada do avião no Irã causou duas tragédias: a morte de passageiros e tripulantes, acarretando dores a parentes, familiares e amigos, e a bostiferação da esquerda descerebrada (pleonasmo), tentando defender o Irã nos primeiros momentos e acusando os Estados Unidos pela “queda”.

A tragédia só não foi maior devido ao recesso do parlamento brasileiro.

Imagine só as vozes dos parlamentares do PT e de seus puxadinhos, logo nos primeiros momentos, vociferando a plenos pulmões a culpa do Trump.

Este pacífico jornal dará uma relevante contribuição convocando seus abnegados adeptos a contribuírem com matérias jornalísticas que foram divulgadas logo após a “queda”, tentando justificar o injustificável.

É preciso desmascarar esse tipo de comportamento divulgando o mau caratismo de militantes e supostos “especialistas”, que não deram as caras após o Irã admitir num lacônico comunicado:

Derrubei, mesmo. E daí?

Numa pequena contribuição, aí vão alguns endereços para indignação da banda decente desse jornal. (Clique para ler)

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A PALAVRA DO EDITOR

OS ZÓI AZUL

Mané Cabôco era preto nagô, neto de quilombolas do Cinzento da Bahia. Homem íntegro, muito trabalhador e temente a Deus. Era casado com a angolana Isidora, mulher muito bonita, faceira, dos olhos de mel, cheia dos balangandãs. Ela vivia sempre na igreja da matriz, ajudando no que fosse preciso. Muito devota de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, só não virou freira mesmo porque se abufelou com o Mané Cabôco numa dessas festas da Padroeira, atrás da igreja. E deu no que deu.

Qualquer um diria que era um casal feliz, até o dia em que nasceu o filho deles.

Quando Mané Cabôco soube que a mulher tinha parido, tava no roçado trinchando a terra para o plantio. Vieram avisar que ela tava com dor de menino, quase já nos finalmentes. Ele soltou as coisas e desatou a correr pra chegar a tempo de ver o filho nascer, pois era bom o marido estar presente nessas horas de dor da esposa.

Chegando a casa, viu um monte de gente estancada na entrada. Quando viram Mané Cabôco chegar esbaforido, seguraram ele antes de entrar. Mas não deixaram ele entrar de jeito maneira! Ele esperneou, quis brigar, mas os amigos levaram ele pra detrás da casa. E o pobre ainda sem entender nada. A todo custo queria ver o filho que acabara de nascer e precisava estar com a mulher naquela hora.

– Antes de mais nada, Mané, fique tronquilo e num se meta a besta, não.

– O que foi que houve, pessoal? O menino nasceu morto? A minha Isidora morreu no parto? – perguntou ele tentando entrar na casa.

– Nada disso, homem! Deus nos livre! Bota essa boca pra lá! – falou um dos amigos mais chegados dele. – Vá conhecer o seu filho, mas num se meta a besta não!

Mané Cabôco emburacou porta a dentro, doido pra ver o recém-nascido, o primeiro de uma penca de filhos, conforme tinha prometido pra Isidora. Quando chegou no quarto, percebeu que a mulher estava com o bruguelo todo enrolado, como se fosse um casulo de borboleta. A parteira fez menção de empurrá-lo pra fora do quarto. Ele que já tava meio desconfiando de que alguma coisa estava errada, tomou a criança das mãos da mulher que desatava no choro.

Muito nervoso, o homem jogou o pacote em cima da cama e o desembrulhou, puxando o cobertor pelas pontas, fazendo a criança rolar por sobre o colchão. Mané Cabôco deu um pulo pra trás, caindo em cima de um tamborete, ainda segurando o cobertor. Aprumou a vista e abriu a janela do quarto, deixando entrar a claridade da manhã. Em cima da cama, o bebê soltou um chorinho e se aquietou. Mané Cabôco se aproximou, pegou a pequena criaturinha com uma das mãos, trazendo-a mais para a luz. Olhou para a esposa encolhida a um canto do quarto.

– Ele é branco, Isidora. O diacho do pestinha num puxou a nós, não. É branco! – pegou a mulher pelo braço delicadamente, como se quisesse que ela também visse o que estava vendo.

– E tem os zói azul! O azul mais bonito como eu nunca tinha visto! Até parece o céu! – declarou ele, felicíssimo, abraçando forte a esposa que atônita, desfazia-se em choro, inconsolável.

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

O INVERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

Com a chuva que desceu
O sertão tem outro brilho
Quem vê de longe a ‘boneca’
Nos braços de um pé de milho
Pensa que é uma mãe
Dando de mamar um filho.

Raimundo Nonato

Depois que a chuva caiu,
Ficou verde o arrebol,
A babugem cobre o chão;
Parece um verde lençol,
Cicatrizando as feridas
Das queimaduras do sol.

Sebastião Dias

O Nordeste está mais lindo
No final da estiagem
O gado dormindo em cima
Do sobejo da pastagem
E um pincel de tinta verde
Mudando a cor da paisagem.

João Paraibano (1952 – 2014)

A chuva voltou molhando
Os punhos da minha rede
O tambor de doze latas
Sangrou no pé da parede
E as lágrimas da natureza
Cegaram os olhos da sede.

Adelmo Aguiar

No ano bom do inverno
Deus benze a agricultura,
O sertanejo gargalha
Olhando a roça segura;
Sai do inferno da fome;
Entra no céu da fartura..

Francisco Sobrinho

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CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

NUKUCHU, O HOMEM TRABALHO

Modelo de caminhão da época do capotamento

Nukuchu era um imigrante japonês baixinho, perna fina, cabelo preto, mão de vaca, desse que dá um peido e cheira a catinga toda. Veio morar no distrito de Lagoa do Carro (PE) no início do Século XX, fugindo do horror nazista.

Sem eira nem beira, procurou guarida no sítio de Zuzuku, parente distante também fugido do nazismo, que logo lhe providenciou “umas terras” para cultivar e o enganchou com a sobrinha de sua esposa, Maria Peitão, apelidada pelos peões de Zacumida, por ser completamente despudorada.

Nos primeiros dias de contato com a terra, Nukuchu já provara a que veio. Procurou saber das necessidades do povo de Lagoa do Carro, comprou todo tipo de bugigangas e começou a vender de sítio em sítio.

Apôs vender suas mercadorias a prestação na vizinhança, Nukuchu voltava para cultivar o sítio dele, plantando tomate, melancia, pepino, coentro, alfaces, cenoura, cebola, para vender a grosso e vareja nas feiras de Carpina e Lagoa do Carro, no sábado.

Logo Nukuchu foi ficando endinheirado. Comprou à vista as terras cedidas por Zuzuku e cresceu os olhos em outras de proprietários que não queriam plantar, preferindo migrarem para o Sul em busca de trabalho na construção.

Nukuchu comprou mais terras e os compromissos foram aumentando ao ponto de não ter tempo para ele nem para Zacumida. Aliás, diziam os peões de Zuzuku que ele não tinha tempo para “visitar” a patroa, pois esta vivia se queixando, dizendo que ele “só pensava em dinheiro, deixando-a seca.”

Quando comprou o terceiro sítio para cultivar produtos variados, Nukuchu pediu a mulher, Zacumida, que contratasse dois peões para trabalhar a lavoura, deixando bem claro que só pagaria a metade do salário mínimo e que tudo que o empregado consumisse do sítio seria descontado.

Zacumida contratou um primo distante, malandro, que há muito tinha os olhos nele, para trabalhar com ela. Comprou um caminhão Mercedes Benz L 312 – 1957 para carregar os mangalhos para a feira dia de sábado. Nukuchu se encarregava ele mesmo de por os produtos no caminhão. Anotava tudo numa caderneta e despachava a mulher e Adamastor, o malandro, levar para as feiras os produtos e entregá-los aos feirantes já contratados.

Trabalhando muito e se alimentado pouco, Nukuchu teve um piripaque no meio do canavial e, dias depois, bateu as botas, deixando os três sítios prontos para Zacumida e o malandro Adamastor usufruírem das benesses.

Como não teve filhos, toda a fortuna deixada por Nukuchu ficou para Zacumida, cuja alegria era-lhe visível no brilho dos olhos. Enfim só, para alguém acender a boca do fogão que o de cujus nunca riscou o fósforo.

Mas, a alegria de Adamastor e Zacumida durou pouco. Um dia, após o fim de uma feira de sábado, depois de entregar todas as mercadorias e vender o resto no banco de feira, encheu o caminhão de mantimentos para os animais dos sítios, chamou os feirantes de Lagoa do Carro que negociavam na feira de Carpina para ir no caminhão, e partiram em desabalada carreira. 80 km por horas. Quando chegou na ladeira do Juá, marco divisório entre Carpina e Lagoa do Carro, o caminhão faltou freio e, na curva da morte, capotou por três vezes, vindo a falecerem todos, acabando o sonho de Adamastor e Zacumida de desfrutarem da riqueza deixada pelo de cujus.

Triste fim que pôs fim a um sonho que se acabou antes de começar. A vida tem dessas coisas que não se explica.

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MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Uma decisão do Toffoli, suspendendo a censura a um vídeo determinada por um juiz de primeira instância, tem sido uma das polêmicas da semana. Não gosto nem um pouco do Toffoli e na verdade acho que a extinção sumária do STF faria mais bem do que mal ao país, mas nesse caso específico eu acho que o Toffoli acertou. Sim, ele e outros do STF já foram a favor da censura em outros casos, mas um erro não justifica outro, e não é porque se cometeu um erro antes que se deve continuar errando, em nome da “coerência” (claro que não errar nunca seria melhor ainda).

Sou a favor da liberdade de expressão, e como já foi dito por gente mais sábia que eu, a liberdade de expressão que vale é a das pessoas que eu não gosto. Liberdade de expressão para os meus amigos e para os que concordam comigo não significa nada. Sobre a questão de “ofender”, lembro-me de uma expressão comum na minha infância: “entra por um ouvido e sai por outro”. Sou de uma geração que tinha remédios simples para o problema de “ouvir coisas que nos ofendem”: não ouça, vá embora, mude de canal, feche o livro. E cuide de sua vida, não da vida dos outros.

Nos dias de hoje, nossa sociedade está valorizando o “sentir-se ofendido” como uma fonte de poder. Quem se declara ofendido se sente no direito de calar, censurar, condenar e até agredir o suposto ofensor. Este sistema agrada aos fanáticos, que são os que mais facilmente se ofendem. Aliás, se ofendem até se chamados de fanáticos, porque fanáticos são sempre os outros.

Existe um conceito filosófico chamado “Princípio da não-agressão”. Pode ser resumido em “Não pode matar, não pode agredir, não pode roubar”. O fundamento é que qualquer obrigação imposta a alguém é uma violação de sua liberdade; portanto, a única obrigação legítima é abster-se de violar a liberdade alheia. No popular, costuma-se (ou costumava-se) dizer “o seu direito acaba onde começa o direito dos outros”. Neste conceito, não se admitem alegações como “palavras machucam” ou “a honra e a dignidade são invioláveis”, pela simples razão que não há como ter um árbitro supremo que decida quando e porque a “honra” de A justifica cercear a liberdade de expressão de B. Atenção: não estamos falando em agressões físicas, mas em palavras. Quem acredita que palavras ou idéias agridem e devem ser reguladas e controladas, defende o fim da liberdade, mesmo que não queira admitir. Meia liberdade é como meia virgindade: não existe.

A questão do Toffoli envolve religião, o que torna as coisas muito mais complicadas. Discussões sobre religião transformam-se com muita facilidade em conflitos.

A fé é algo inexplicável (não pode ser explicada) e irracional (transcende a razão); vários teólogos já afirmaram que fé é acreditar sem provas, ou mesmo contra as provas. É óbvio que discutir fé não faz sentido algum. Mas é bom lembrar que igreja e fé são coisas diferentes. Fé é algo íntimo, interno, pessoal. Igreja tem patrimônio, tem CNPJ, tem endereço, tem funcionários na folha de pagamento, tem receita, despesa e contabilidade, e tem suas próprias regras. A diferença entre uma igreja para outras empresas é que uma igreja afirma ter o monopólio da verdade, que supostamente foi estabelecida por uma entidade superior. Com base nisso, cada igreja estabelece suas normas: “carne de porco não pode”, “cortar o cabelo não pode”, “mulher de mini-saia não pode”, “casamento gay não pode”. Sendo a filiação a uma igreja algo livre e voluntário, nenhum problema. O problema começa quando os fiéis de uma igreja decidem impôr suas regras aos outros, alegando que desrespeitar estas regras “ofende”.

Vamos tentar um exemplo meio maluco: segundo a Bíblia, em Jerusalém havia mercadores nos templos. Os responsáveis pelos templos estavam de acordo e não viam problema, mas Jesus usou de violência para expulsá-los. Os cristãos acreditam que ele estava com a razão. Bem, eu já estive em inúmeras igrejas que abrigavam mercadores em seu interior, vendendo livros, imagens, lembranças, souvenirs, etc. Teria eu o direito de expulsá-los, em nome dos princípios “corretos”? Eu pessoalmente acho esta idéia ridícula, mas na cabeça de um fanático isso faz perfeito sentido.

Um exemplo mais prático: lembram do pastor que “chutou a santa” na TV Record anos atrás? Foi uma confusão no país inteiro (que como de costume deu em nada). Os que não gostaram ficaram ofendidos porque o pastor desrespeitou um símbolo religioso e atacou a fé de outras pessoas. O problema é que para os partidários da fé do tal pastor, os ofendidos eram eles, porque a existência da imagem vai contra a sua fé e a sua interpretação dos ensinamentos divinos (“Não farás para ti imagem de escultura”, Êxodo 20:4; “Nem levantarás imagem, a qual o Senhor teu Deus odeia” Deut. 16:22; “E destruirei do meio de ti as tuas imagens de escultura e as tuas estátuas”, Miquéias 5:13)

Permitir que fanáticos imponham suas idéias sempre dá problema. Em Israel, fundamentalistas agridem mulheres alegando que suas roupas eram “inapropriadas” e os ofendiam. Em alguns países muçulmanos, não usar burka dá cadeia. Em algumas regiões da Índia, pode-se ser preso por incomodar uma vaca. No Brasil, grupos de cristãos já agrediram praticantes de candomblé e depredaram seus lugares de culto. Por todo o mundo, fanáticos de todas as igrejas já agrediram e até mataram para responder a supostas “ofensas”. Por outro lado, ofender alguém, não importa com que palavras, nunca matou ninguém.

Solução? TOLERÂNCIA. Cada um fica com suas idéias, suas crenças, suas proibições, mas não tentam impô-las aos outros. Em troca, os outros fazem o mesmo, e todos vivem bem. Todos se abstêm de praticar violência contra os outros, então ninguém se agride. Mas para isso, é preciso acreditar que idéias não agridem. É preciso aceitar que nada do que A disser, por mais absurdo, rude e grosseiro que seja, fará cair um único fio de cabelo de B, assim como aquilo que B disser também não afetará A. É preciso entender que se A acha as palavras ou as idéias de B ofensivas e intoleráveis, é possível que B ache exatamente o mesmo das palavras e idéias de A, e a solução é cada um continuar com suas palavras e idéias sem tentar censurar os outros.