J.R. GUZZO

ATO NO RIO COMPROVA: BOLSONARO É O ÚNICO POLÍTICO QUE CONSEGUE REUNIR O POVO

Manifestação Bolsonaro Rio de Janeiro

Em seu discurso, Bolsonaro disse que foi a liberdade que o levou à presidência

Mais uma vez, como já se tornou automático, há um esforço especial na maioria das modalidades da esquerda em apresentar cálculos numéricos sobre o público presente às manifestações de rua contra o governo Lula e o STF – é o mesmo pacote hoje em dia, do tipo “compre um e leve dois”. Insiste-se, em geral, que as contas são fundamentadas em algum tipo de sistema que descrevem como científico. Quando se comparam as cifras divulgadas com as fotografias e os vídeos que registram fisicamente a presença de multidões na rua, esses cálculos parecem funcionar como um redutor de presença.

Não se sabe, até agora, como esse método funcionaria em protestos de rua convocados pelo PT-PSOL-etc. Seria um redutor ou um ampliador? Infelizmente, é uma dúvida para a qual não há esclarecimento disponível, levando-se em conta que a esquerda, muito simplesmente, não consegue levar quase ninguém à rua. Sua última manifestação de massa, para pedir a “prisão de Bolsonaro” em São Paulo, reuniu 1.347 pessoas, tão pouca gente que foi possível contar uma por uma.

O ponto principal de todos esses esforços matemáticos é que eles não servem para nada. Após anos seguidos de manifestações de rua contra o Sistema Lula, os redutores de povo parecem não ter percebido ainda que os seus cálculos não alteram minimamente o mundo das realidades. Basicamente, e por mais científicos que forem, não mudam a única coisa que interessa: o número de pessoas que realmente foi à manifestação.

No último ato contra o STF e pró-Bolsonaro, por exemplo, havia uma multidão na praia de Copacabana, como sempre acontece quando o presidente sai para a praça pública. Era muita gente? Era: não é preciso que nenhuma universidade diga isso, porque dá para ver. Quantos eram? Não tem importância nenhuma. Só teria se houvesse meia dúzia de gatos pingados, como nas manifestações do PT. Como aconteceu o contrário, fica inútil fazer essas contas todas.

O que não muda são os dois fatos essenciais que a presença dessas massas na rua reafirma de maneira indiscutível. O primeiro é que o ex-presidente é o político brasileiro que mais consegue, realmente, reunir o povo ao seu redor hoje em dia. O segundo é que o atual presidente da República vive uma situação dramaticamente oposta: não pode sair na rua nunca, para lugar nenhum, porque tem medo-pânico de ouvir o que grande parte do povo tem a dizer a seu respeito.

Todas as suas aparições em público são em auditórios fechados e dedicados exclusivamente a quem vai bater palmas para ele. Um dia talvez alguém faça outro tipo de conta – e verifique que há em torno de Lula mais seguranças armados do que povo. Resulta disso uma situação realmente prodigiosa. No Brasil de hoje, o homem que é capaz de juntar multidões na rua não pode se candidatar a nada porque a polícia eleitoral do governo declarou que ele é “inelegível”. O homem que está na presidência por causa do STF, como disse em público um dos próprios ministros, vive escondido, nos seus palácios, carros blindados e jatos privativos.

J.R. GUZZO

PRESIDENTES DA CÂMARA E DO SENADO BRASILEIROS SÃO ALIADOS DOS CENSORES

pacheco

O presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG)

É um sinal trágico do fundo de poço para o qual o Brasil de hoje foi empurrado o puro e simples fato que se segue: foi preciso a Câmara de Deputados dos Estados Unidos denunciar a censura no Brasil, porque o Congresso brasileiro, na figura dos presidentes da Câmara e do Senado, não faz nada a respeito. É, realmente, superar os limites no esforço para passar vergonha, agora na frente do mundo inteiro.

Nenhum dos dois, até o momento, se importou a mínima em passar vergonha aqui dentro do Brasil. Foram capazes de não dizer uma única palavra, desde que assumiram seus cargos, diante das centenas de atos explícitos de censura cometidos pelo STF em geral e pelo ministro Alexandre de Moraes em particular. Para quê? Estão preocupadíssimos em colaborar com a “governabilidade”, é claro – ou seja, suas prioridades de 1 a 10 consistem em se dar bem. Resultou nisso aí.

Os brasileiros sabem há muito tempo que o STF pratica censura nas redes sociais; a Câmara americana citou 88 casos, envolvendo 300 perfis, mas são literalmente centenas de violações flagrantes à liberdade de expressão determinada no artigo 5º da Constituição Federal. Mas não podem fazer nada porque a força bruta está do lado do STF. Foi preciso que uma das casas do Congresso americano, enfim informada dos fatos pelo controlador do X, o antigo Twitter, denunciasse o escândalo que a direção do Congresso brasileiro se recusa a denunciar.

A denúncia não vai obrigar os ministros a respeitarem as leis do seu próprio país, pois eles não estão nisso por acaso. A censura das redes, na verdade, é uma peça-chave do seu projeto pessoal de “democracia”, como dizem o tempo todo. Mas a defesa das liberdades e dos direitos civis no Brasil ganhou um novo apoio. Já que a Câmara e o Senado, em Brasília, são aliados dos censores, os brasileiros conseguiram aliados em Washington.

A vergonha, com certeza, não é dos deputados e senadores brasileiros como um todo. Muitos deles, com claro risco pessoal, integridade e coragem, denunciam publicamente a censura. Da mesma forma, a imprensa independente, onde a repressão não chegou até agora – salvo em alguns episódios – tem informado seu público sobre o que está acontecendo.

Mas a máquina do Estado, com o apoio da maior parte da mídia e de quem não aceita o ambiente de tumulto da internet, tem todas as vantagens a seu favor. Os censurados não são informados do que fizeram. Os advogados não têm acesso às decisões da censura. Não há processo legal. Não há recurso à instância superior – na verdade, à instância nenhuma. Como no AI-5 da ditadura militar, não é possível recorrer ao sistema judicial para se defender das determinações ilegais.

É realmente uma aberração, nessas condições, que as mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal não defendam, nem mesmo, os próprios deputados e senadores que são censurados pelo STF. Na verdade, não defendem os parlamentares de nada – nem da prisão, nem da obrigação de depor na polícia, nem da invasão de seus gabinetes, nem da apreensão dos seus celulares e computadores. Se agem assim com os habitantes do seu mundo, por que iriam se preocupar com os direitos do cidadão que os sustenta? É sem dúvida um dos piores momentos na história do Congresso Nacional.

J.R. GUZZO

AGORA O MUNDO INTEIRO SABE SOBRE AS ILEGALIDADES QUE ACONTECEM NO BRASIL

O bilionário americano de origem sul-africana Elon Musk, proprietário do X

O bilionário americano de origem sul-africana Elon Musk, proprietário do X

O Brasil e os brasileiros sabem perfeitamente, há anos, que há censura à liberdade de expressão neste país, e que isso é ilegal – viola diretamente o artigo 5º da Constituição Federal. Não é possível recorrer à Justiça em busca de proteção contra esse desrespeito flagrante à lei e aos direitos constitucionais do cidadão, porque quem executa a censura é a própria Justiça. Mais. É o Supremo Tribunal Federal, nada menos que a instância máxima do sistema judicial brasileiro – de modo que a pessoa não apenas é censurada, mas não tem a quem recorrer.

Aqui dentro, portanto, não há o que fazer a respeito. Mas uma aberração dessas, mais cedo ou mais tarde, teria de vazar para o conhecimento do mundo exterior; o STF não podia esperar que as ilegalidades que pratica continuassem eternamente desconhecidas fora do Brasil. Acabou vazando, é claro.

O primeiro problema estourou na Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, onde o STF em geral, e o ministro Alexandre de Moraes em particular, acabam de ser denunciados como infratores das leis e da Constituição do seu próprio país. Nunca tinha acontecido nada como isso. A lembrança mais parecida é o entrevero em torno do desrespeito aos direitos humanos no Brasil, durante o regime militar.

O governo americano cobrou e a ditadura militar brasileira ficou zangada – não podia admitir, segundo se disse na ocasião, “interferências estrangeiras” em “questões internas” do Brasil. Agora os deputados americanos estão expondo ao mundo a face oculta do regime brasileiro: uma ditadura judicial que persegue adversários políticos com censura, polícia, multas, bloqueio de contas bancárias e prisões.

O detonador disso tudo foi Elon Musk, o controlador do Twitter, com a desavença pública que teve com Moraes a respeito das pressões e decisões ilegais do STF para suprimir perfis e postagens da plataforma. Musk não é um dos perseguidos-padrão do ministro – é Elon Musk, e confrontos com ele não podem, simplesmente, ficar restritos ao Brasil. Não ficaram, é óbvio.

O proprietário do atual X, como o Twitter passou a ser chamado, foi solicitado pela Câmara americana a entregar informações sobre a censura sofrida pela plataforma por parte do STF. O resultado imediato foi a divulgação nos Estados Unidos, e daí para o mundo, de 88 decisões da Justiça superior brasileira ordenando a censura em perfis do X – cerca de 300 contas, incluindo as de deputados em exercício dos seus mandatos.

Nem o ministro Moraes nem o STF, é claro, serão afetados em nada. Contam, por sinal, com o apoio intransigente do governo, da extrema esquerda e de quase toda a imprensa brasileira para continuar fazendo o que fazem. A censura nas redes sociais, na verdade, é hoje uma das grandes causas ideológicas do “campo progressista”: a “democracia”, pregam eles em voz cada vez mais alta, está sendo ameaçada pela liberdade de expressão.

É indispensável, a seu ver, impor a censura ao Brasil – apresentada como “regulamentação” das redes sociais. Ali, segundo dizem, a liberdade estabelecida na Constituição está sendo “usada” para publicar “notícias falsas, desinformação e discursos do ódio”. Ninguém, aí, está interessado na verdade, na precisão e na virtude. O que querem todos eles, governo, STF e a esquerda, é calar as vozes dissidentes. Agora terão de fazer isso cada vez mais, na frente de todo o mundo.

J.R. GUZZO

ITAMARATY NÃO CANSA DE SE MOSTRAR SERVIL À DITADURA DOS AIATOLÁS NO IRÃ

Lideradas por Benjamin Netanyahu, as Forças de Defesa de Israel interceptaram os mais de 300 drones e mísseis lançados pelo Irã.

Lideradas por Benjamin Netanyahu, as Forças de Defesa de Israel interceptaram os mais de 300 drones e mísseis lançados pelo Irã

O Irã lançou mais de 300 mísseis e drones contra Jerusalém e Tel Aviv, as duas maiores cidades de Israel, e conseguiu não acertar em nada – um marco, sem dúvida, nos registros mundiais da falta de pontaria ou da incompetência em operar um sistema de artilharia. Os mísseis foram abatidos no ar pelos israelenses ou caíram em lugares vazios, de maneira que as únicas baixas foram eles próprios, os mísseis. Isso feito, o Irã declarou “vitória” e parou os ataques, fazendo questão de assegurar que não ia bombardear mais ninguém, sobretudo as bases americanas na região.

Como Israel resolveu não responder à agressão, por não ter sofrido perda nenhuma, ficou tudo por isso mesmo, ao menos por enquanto. Seria bom, pensando bem, que todas as guerras fossem assim – ninguém sai machucado, o vilão perde e fica todo mundo contente, inclusive o vilão. É pena que não possa ser desse jeito.

O fracasso do ataque deixou duas avaliações, nenhuma delas favorável ao Irã. A primeira, mais imediata, é que foi a simples ruindade dos militares iranianos. Como em toda a ditadura, as forças armadas do Irã são ótimas para atirar no seu próprio povo, mas na hora de atirar no inimigo externo, que pode responder na mesma moeda, é uma tristeza. Neste caso, fica exposta a inépcia militar dos aiatolás e a sua incapacidade de destruir Israel, como prometem todos os dias que vão fazer.

A alternativa é que não foi realmente intenção do Irã fazer um ataque para valer. Ninguém consegue ser tão ruim assim, comentam os defensores dessa segunda possibilidade – errar todos os alvos não é fácil nem para a “Guarda Revolucionária” do Irã, especialista em matar mulheres e ficar na retaguarda de atos terroristas. O Irã teria querido, no caso, dar uma resposta a Israel pela eliminação de peixes graúdos dessa Guarda, abatidos num bombardeio na Síria – mas sem machucar ninguém, para não correr os riscos de levar um contravapor em regra dos israelenses. Neste caso, mostra a mesma coisa: que não tem, na vida real, condições e nem coragem de enfrentar Israel em combate militar de verdade.

Ou seja: a ditadura dos aiatolás gasta bilhões de dólares com as suas forças armadas, é considerada pela mídia em geral como uma potência de primeiro grau, até com bomba atômica, mas não é capaz de derrotar Israel no campo de batalha. Se faz um ataque só de exibição, por medo de represália, é porque quer ficar xingando o juiz da arquibancada – e parar por aí. Em qualquer hipótese, pode ter certeza do apoio incondicional do governo Lula, como ficou provado mais uma vez nesse episódio.

Na sua paixão tórrida pelo Irã, o Itamaraty que existe hoje classificou o ataque de “envio de mísseis”. Envio? Como assim? Via Fedex? Pela Amazon? Por motoboy? Nem o governo do Irã disse uma estupidez dessas; chamou ataque de ataque. É o que dá quando o sujeito, não satisfeito em ser apenas servil, quer ser completamente servil. Acaba sendo apenas idiota.

J.R. GUZZO

CASO MARIELLE: DESEJO DE ACABAR COM IMPUNIDADE NÃO PODE JUSTIFICAR ILEGALIDADES

O deputado Chiquinho Brazão (RJ) foi preso no domingo (24), acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

O deputado Chiquinho Brazão (RJ) foi preso no domingo (24/março), acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

É certo dizer que os deputados e senadores brasileiros usam o “foro privilegiado” que a Constituição lhes confere para fugirem da Justiça e não pagarem pelos crimes que cometem? É absolutamente certo. Também não pode haver nenhum tipo de dúvida de que encomendar um assassinato e não ser punido por isso é uma desmoralização chocante para o Sistema de Justiça do país e para o Congresso Nacional como um todo. A última coisa que o Brasil precisa, enfim, é mais impunidade para gato gordo da vida pública ou privada.

O Senado Federal, para quem não sabe ou já esqueceu, é talvez o único do mundo em que um senador matou outro senador à bala, em sessão plenária, e não teve de ficar preso nem por cinco minutos, nunca. Para completar, há o show de impunidade diário, deprimente e em escala maciça oferecido pelo STF em benefício dos corruptos politicamente corretos. Nos casos mais escandalosos, anulam multas bilionárias que os próprios ladrões concordaram em pagar para não serem presos.

A decisão do plenário da Câmara dos Deputados que manteve a prisão do deputado Chiquinho Brazão por ordem do ministro Alexandre de Moraes, sob a acusação de ser o mandante do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, em março de 2018, parece, nessas circunstâncias, ser um ato básico de justiça. Infelizmente, a maioria dos políticos brasileiros é especialista em escrever errado por linhas erradas – dizem que estão à procura da decisão certa, mas acabam ficando só com o erro.

Manter o deputado Brazão preso é um manifesto contra a impunidade, com certeza – e, de mais a mais, é duro para qualquer um votar na frente de todo mundo pela sua soltura. O problema é que essa decisão também é contra o que está escrito na lei. Já aconteceu antes? Já. O Supremo dá despachos ilegais? Dá. Mas nem uma coisa nem outra fazem uma decisão ilegal tornar-se legal.

A Constituição Federal determina que um parlamentar não pode ser preso a não ser em flagrante delito, e por crime inafiançável. Pode ser certo ou errado, como tanta outra coisa que está na Constituição, mas é o que a lei manda fazer. O deputado foi preso seis anos depois de o crime ter sido cometido – e embora o mesmo ministro Moraes tenha criado o “flagrante perpétuo” para prender o ex-deputado Daniel Silveira, é impossível achar que haja alguma coisa parecida com a palavra “flagrante” numa prisão feita em 2024 por um crime praticado em 2018.

Há também o problema essencial de que Brazão não foi condenado pela Justiça em função do delito de que é acusado – e para um cidadão ser tido como culpado, é indispensável que ele tenha sido condenado em processo legal. Não é isso o que o bloco dos “garantistas” prega para os réus cuja atuação política é aprovada por eles? O deputado só pode ser punido depois de ser condenado na Justiça – não antes. A Câmara, entretanto, decidiu para todos os efeitos práticos e imediatos que ele praticou o crime de que é acusado pela polícia, e pelo qual está numa prisão preventiva que a Constituição não permite. Vai ser assim, daqui por diante?

J.R. GUZZO

ALGUÉM ACHA QUE PEDIR LIBERDADE DE EXPRESSÃO É UM ATAQUE À DEMOCRACIA BRASILEIRA?

Alguém acha que pedir liberdade de expressão é um ataque à democracia brasileira?

Como em geral acontece no Brasil de hoje, um problema é cultivado como se fosse uma planta preciosa; quanto pior o problema, na verdade, mais esforço é feito para que ele continue vivo e produzindo frutos. O caso do entrevero entre Alexandre de Moraes e o empresário mundial Elon Musk, o controlador da plataforma Twitter-X, é mais um clássico no gênero.

De um lado, o ministro e o STF se imaginam num combate de David e Golias – com eles, naturalmente, no papel de um intrépido David que luta para salvar “a democracia brasileira” do “ataque” imperialista de Golias para impor ao Brasil uma ditadura alienígena, fascista e que só pensa em dinheiro. De outro lado, o governo Lula e o PT atravessam a rua, ou vão até a China, para pisar na casca de banana. Entram na gritaria histérica contra Musk e a favor de Moraes – e se oferecem como alvo para a artilharia que vem do outro lado, sem que Moraes, Musk ou o STF lhes tivessem pedido nada.

A encarregada de dizer as bobagens mais constrangedoras, por instrução do regime ou por decisão própria, foi a presidente do PT. Ela estava na China, para aprofundar mais uma “parceria” com o Partido Comunista local (já tinha feito a mesma coisa com o Partido Comunista de Cuba) e justo ali, numa das ditaduras mais agressivas do planeta, disse o seguinte disparate: Elon Musk quer impor uma ditadura no Brasil. Falar em “ditadura” numa viagem (paga pelo distinto público brasileiro, é claro) para a China? Que tipo de democracia ela acha que existe por lá?

Mas a extrema esquerda nacional é assim: na sua compulsão permanente para ofender o raciocínio lógico, tudo serve, inclusive exibir-se como combatente da democracia no mesmo momento em que “aprofunda” sua “parceria” com o Partido Comunista Chinês. É claro que o seu pronunciamento foi publicado no X que, segundo ela, quer transformar o Brasil numa ditadura subordinada à “direita global”.

Tudo o que Musk fez em relação ao Brasil, neste episódio, foi pedir a aplicação das leis brasileiras e o artigo 5 da Constituição Federal, que garante a liberdade de expressão. É o que mostram os fatos, na sua forma mais elementar. Alguém duvida que usuários do X foram e continuam sendo proibidos por Alexandre de Moraes de se manifestarem em seus espaços na plataforma?

Alguém acha que pedir a liberdade de expressão é uma ameaça ou um ataque à democracia brasileira? Enfim: qual dos dois, em sua opinião sincera, tem violado mais os direitos civis, o conjunto das leis e as liberdades públicas no Brasil – Musk ou Moraes? O PT acha que é Musk.

J.R. GUZZO

ELON MUSK É O MAIS RECENTE “INIMIGO DA PÁTRIA” CRIADO PELO CONSÓRCIO STF-LULA

Tesla CEO Elon Musk visits the Tesla electric car plant in Gruenheide near Berlin, Germany, 13 March 2024.

É um certificado trágico do colapso da moral na vida pública brasileira a reação histérica, rancorosa e violenta do regime e de quase toda a mídia contra o empresário Elon Musk, controlador do Twitter-X – o mais recente “inimigo da pátria” criado pelo consórcio STF-Lula e por seu sistema de apoio. Musk fez o que, em qualquer época e circunstância, é uma indiscutível declaração em favor da liberdade de expressão.

De maneira mais clara, em favor da liberdade de expressão no Brasil, onde vem sendo sistematicamente perseguida por uma junta de governo que nos últimos anos criou um sistema ilegal de censura neste país e tem cometido centenas, ou milhares, de violações à lei sob o disfarce de “decisões judiciais”.

E qual é a reação do governo, dos seus agentes e da maioria dos jornalistas? Ficam todos indignados contra Musk – isso mesmo, contra Musk, e não contra a censura e a agressão aos direitos civis e às liberdades públicas. Chegamos à um ponto de deformação tão extremo que o seu manifesto em favor da liberdade é descrito por todos eles como uma “ameaça” ao país. Como a liberdade poderia “ameaçar” alguém? É um passo a mais rumo à demência.

Elon Musk anunciou, ao longo do fim de semana, que o Twitter-X tinha tomado a decisão de levantar as restrições criadas no Brasil contra contas na plataforma – na prática, a proibição, decretada por Alexandre Moares em afronta aberta à lei, de adversários do regime publicarem o que pensam no Twitter, e serem lidos por outros usuários. Qual o crime de se propor uma medida em favor da liberdade? Não pode, por definição, haver nada de errado com isso, nunca. Mas foi como se Musk tivesse ameaçado jogar uma bomba de hidrogênio em cima de Brasília, usando, talvez, um dos seus foguetes espaciais destinados à rede de comunicações.

Foi acusado, com extremos de indignação, de “interferir nos assuntos internos do Brasil, “desrespeitar” a Justiça brasileira, tratar o país como “uma terra sem lei” – como se houvesse alguma lei no Brasil que não possa ser violada dia e noite pelo STF. Num momento especial de delírio, Musk foi incluído pelo ministro Alexandre Moraes como “investigado” no seu inquérito perpétuo contra as “milicias digitais, por “obstrução da justiça em organização criminosa” e “incitação ao crime”. E agora: vai apreender o passaporte do homem? Vai mandar depor na Polícia Federal? Vai fechar o Twitter no Brasil?

Elon Musk apenas disse, e esperou muito tempo para dizer, o que já diz há anos a mídia independente do Brasil, incluindo a Gazeta do Povo: o STF e o ministro Moraes criou e comanda um esquema de censura nas redes sociais. Como Musk é personalidade mundial, levantou-se esta excitação toda.

A questão, agora, é averiguar o nível de infâmia em que está localizada hoje a consciência dos presidentes da Câmara e do Senado brasileiros, os únicos que podem tentar fazer alguma coisa concreta contra a anarquia legal que o STF criou no país. É uma vergonha, entre tantas outras, que vejam um empresário estrangeiro se levantar contra a ditadura hoje em vigor – quando fazer isso é o dever elementar dos dois. O pior cenário é se juntarem ao linchamento.

J.R. GUZZO

GOVERNO LULA NÃO VAI SOSSEGAR ENQUANTO NÃO CONSEGUIR QUEBRAR A PETROBRAS DE VEZ

O presidente Lula, com macacão da Petrobras, durante cerimônia na Refinaria Abreu e Lima, em janeiro de 2024.

O presidente Lula, com macacão da Petrobras, durante cerimônia na Refinaria Abreu e Lima, em janeiro de 2024

A primeira encarnação do governo Lula, com a parceria ativa do governo Dilma, chegou perto de quebrar a Petrobras. Foi com o assalto descrito pelo Banco Mundial – que nem o PT consegue chamar de “fascista”, ou de “golpista”, ou de “bolsonarista – como o maior escândalo de corrupção da história universal. É tudo tão alucinante que as evidências de ladroagem continuam a estourar até hoje, como minas que ficaram enterradas num campo de batalha fora de uso.

Ainda agora, uma empresa de comodities da Suíça, a Trafigura, acaba de confessar na Justiça dos Estados Unidos que durante onze anos seguidos, de 2003 a 2014, pagou suborno para fechar negócios com a Petrobras. O Brasil, por causa do consórcio Lula-STF, passa a vergonha de ver que a sua estatal número 1 continua sendo exposta nos tribunais internacionais como empresa bandida – enquanto aqui dentro a Justiça decreta que toda a corrupção da Petrobras, confessa e provada, não existiu. Tudo bem: essa não é a primeira humilhação que este governo faz o país passar, e nem será a última. O problema real é que eles estão querendo quebrar a empresa de novo.

O veneno, mais uma vez, está na ideia fixa de Lula em tratar a Petrobras não como empresa pública, e sim como propriedade particular do governo, do PT e das empreiteiras de obras. Com palavrório sempre irado, ignorante e mal-intencionado, ele diz para consumo de suas plateias que a empresa “é do Estado” e, portanto, tem de servir aos desejos do governo. Na prática, o que quer é privatizar a Petrobras em benefício de quem está mandando no país – é o que já fizeram e o que pretendem fazer outra vez. A ladainha, agora, é que a estatal “não é dos acionistas”, e sim “do povo”. O “povo”, segundo Lula, quer que sejam feitos “investimentos” – a Petrobras não pode, por esta alegação, pagar os dividendos que deve aos acionistas, e sim socar dinheiro na Refinaria Abreu e Lima, que já consumiu mais de 20 bilhões de dólares e até hoje não ficou pronta, e outras grandes ideias como essa. É um perfeito disparate.

“O povo”, naturalmente, não quer nada da Petrobras – quer apenas que o governo cumpra a sua obrigação mínima de lhe tornar a vida um pouco mais cômoda, ou pelo menos não atrapalhar tanto. Ele não está vendo nem a cor de nada disso desde 1º de janeiro do ano passado. Além do mais, a Petrobras é, sim, dos seus acionistas – se não é deles, de quem seria? O embuste de Lula e do PT é ignorar que o maior desses acionistas, aí sim, é o povo brasileiro. Por esta razão óbvia, seu interesse é que a empresa dê o melhor resultado possível. Nunca vai ver um tostão furado dos seus dividendos, é verdade, porque o governo prefere a morte a distribuir o lucro aos donos reais da Petrobras.

Mas se esses dividendos fossem pagos, o grosso do dinheiro iria para o Tesouro Nacional – e ali, pelo menos no papel, poderia servir para cumprir alguma das muitas obrigações do serviço público. Mas o governo não quer dinheiro no Tesouro. O que quer é gastar – gastar não só tudo aquilo que arrecada, mas também tudo aquilo que a Petrobras ganha.

A “política de investimentos” da Petrobras, tal como ela é entendida por Lula e pelo seu ecossistema, é torrar os recursos na empresa em negócios como a Abreu e Lima, o ferro velho bilionário da refinaria de Pasadena, o “apoio aos fornecedores nacionais”, uma rede de refinarias obsoletas que há muito tinha de ter sido vendida, e outros micos da mesma grandeza. A estatal deveria estar concentrada naquilo que faz de melhor e que rende mais – a extração de petróleo em alto mar. Está de volta à trilha que a deixou na beira da falência.

J.R. GUZZO

TRE-PR VAI DECIDIR SE SERVE À JUSTIÇA OU ÀS ESQUADRAS DE LINCHAMENTO POLÍTICO

Senador Sérgio Moro

Ex-juiz da Lava Jato e senador Sérgio Moro (União-PR)

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná tem diante de si, nos próximos dias, a oportunidade de mostrar aos brasileiros que ainda é possível encontrar juízes de direito no Brasil – segundo o entendimento universal do que deve ser um juiz de direito. Tem diante de si a votação decisiva no julgamento do senador Sergio Moro, no momento em 1 a 1, e pode escolher aí entre servir à Justiça ou obedecer ao sistema de depravação que está liquidando o processo legal, os direitos civis das pessoas e o valor das eleições.

Se decidir que Moro tem o direito de continuar como senador, o TRE estará respeitando a decisão democrática do povo do Paraná, que lhe deu quase 2 milhões de votos nas últimas eleições. Mais ainda, estará declarando que o respeito à lei não foi totalmente eliminado deste país. Se decidir pela sua cassação, ao contrário, vai se associar às esquadras de linchamento político que tomaram o lugar, as prerrogativas e os deveres do sistema judicial no Brasil destes últimos anos.

O julgamento de Moro não tem nada a ver com legislação eleitoral, ou qualquer coisa parecida com a lei. É pura e simplesmente, desde o começo, uma vingança pessoal do presidente Lula contra um dos juízes (foram nove ao todo) que o condenaram à prisão pela prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Qual a dúvida que pode haver em relação a isso, quando o próprio Lula afirmou com todas as palavras, em vídeo que está gravado: “Só vai estar bem quando eu f* esse Moro”.

É o que o regime hoje em vigor, do consórcio Lula-STF, encomendou ao TRE do Paraná – com o apoio, no caso, do partido do ex-presidente Bolsonaro, que quer a vaga de Moro para si. É uma briga de sarjeta para ninguém botar defeito. Razão legal para cassar o mandato não existe nenhuma: o máximo que puderam inventar foi uma teoria amarrada com barbante segundo a qual Moro não poderia ser candidato a senador porque já tinha sido candidato a presidente e desistido da disputa. As verbas partidárias que gastou então, segundo os acusadores, provocaram um “desequilíbrio” na competição pelo Senado – como se Moro, naquela altura, precisasse de verba do partido para se tornar conhecido dos eleitores.

A cassação do mandato de Sergio Moro, disfarçada pela hipocrisia da “anulação do registro”, seria mais um prego no caixão de uma democracia a caminho do cemitério – e uma declaração pública, por parte do consórcio Lula-STF, que a vontade do povo do Paraná não vale nada. Mesmo que o TRE se decida a aplicar a lei e a fazer justiça, porém, o regime pode continuar com o seu projeto de vingança.

O caso deverá ir para a decisão final do TSE, a polícia eleitoral a serviço de Lula, do ministro Alexandre Moraes e da esquerda em geral – e ali a única lei que vale é aquilo que eles querem. Já cassaram o mandato de outro inimigo político: o deputado Deltan Dallagnol, também do Paraná, que recebeu 350 mil votos e foi o mais votado do estado. Inventou-se que ele não tinha “ficha limpa” para se candidatar, o que não apenas é falso mas um deboche aberto, num país em que o presidente da República foi condenado em três instâncias da Justiça como ladrão. É a democracia do TSE. Pode haver eleição. O que não pode haver é adversário.

J.R. GUZZO

VISITA DE MACRON REFLETE A HIPOCRISIA DA GUERRA EUROPEIA CONTRA O AGRO BRASILEIRO

Lula - Macron - Brasil - França - Mercosul

Ainda há pouco, o presidente da França esteve por aqui fazendo sermões sobre a necessidade urgentíssima de salvar o planeta da destruição que lhe está sendo imposta pelos produtores rurais brasileiros

Relações diplomáticas não são uma atividade recomendada para o exercício da sinceridade, mas chama a atenção o exagero de hipocrisia que se pratica hoje nas chancelarias da Europa em relação à agricultura e à pecuária do Brasil. Ainda há pouco, o presidente da França esteve por aqui fazendo sermões sobre a necessidade urgentíssima de salvar o planeta da destruição que lhe está sendo imposta pelos produtores rurais brasileiros. É a religião oficial da diplomacia, da política e da elite europeias. O Brasil “não acompanha as exigências ambientais” que os agricultores da Europa, do Canadá e de outros paraísos ecológicos são obrigados a obedecer. Ou seja: o agro brasileiro faz “concorrência desleal”, destrói o meio ambiente e envenena as pessoas.

O pensamento único dos governos, grandes empresas e universidades da Europa aumenta, ano após ano, a bateria de restrições aos produtos da atividade rural no Brasil. Para serem exportados, precisam de certidões de inocência a respeito de tudo: não podem vir de áreas que foram “desflorestadas”, ou perturbar a “cultura indígena”, ou envolver “trabalho infantil”, afetar o cerrado ou estressar os bagres do Rio Xingu.

Nada disso tem impedido a produção do campo no Brasil, cada vez mais, de aumentar, melhorar e tornar-se mais competitiva nos mercados mundiais. Também não tem impedido, de outro lado, que a agricultura e a pecuária da Europa continuem no seu longo processo de decadência. O fato, no mundo das realidades, é que a crise do campo nos países europeus tem a ver com a legislação cada vez mais destrutiva que os governos adotam contra os seus produtores rurais – e não com o Brasil.

A verdade é que o Brasil tem uma ficha cada vez mais limpa em relação ao seu comportamento ambiental – enquanto as nações europeias, que destruíram o seu meio ambiente há séculos e praticamente eliminaram ali a vida natural, exigem que o agro brasileiro faça hoje mais do que elas jamais fizeram. Quem sabe, se a agropecuária brasileira se tornar tão cara quanto é na Europa, o setor rural europeu consiga equilibrar a competição?

Uma das demonstrações mais flagrantes da hipocrisia ambiental da Comissão Europeia é a sua decisão de eliminar a exigência de que os agricultores deixem 4% de sua terra reservadas à preservação. Nem 4%? Nem isso. No Brasil, a área que os produtores rurais não podem tocar em suas propriedades é cinco vezes maior, ou 20% da terra. Isso no mínimo: as porcentagens vão subindo de acordo com as caraterísticas da área cultivada, e chegam a 80% na Amazônia, essa mesma que eles dizem que estamos devastando.

É tudo um jogo sujo. O Código Florestal brasileiro, um exemplo mundial de legislação eficaz e inteligente para a preservação da natureza, faz que o Brasil continue, em pleno século XXI, a ter as maiores florestas nativas do mundo. Mas o Código não é reconhecido pela Europa, e o Brasil é sistematicamente acusado de delinquência ecológica pelos países ricos. Não tem nada a ver com o meio ambiente. Tem tudo a ver com a guerra contra o agro brasileiro.