J.R.GUZZO

QUEM SÃO AS FORÇAS POLÍTICAS QUE TORCEM PARA O BRASIL DAR ERRADO

Há, na política brasileira de hoje, duas forças com interesses diferentes e um objetivo comum trabalhando contra o governo. A primeira é a oposição direta – o PT, seus partidos-satélites da esquerda e os “movimentos sociais”. A segunda é a extensa coleção de pessoas, grupos e organizações que sob várias denominações, e com apoios que vão da universidade à CNBB, das “classes cultas” à maior parte da mídia, se opõe ao presidente Jair Bolsonaro com o mesmo empenho e quase o mesmo palavreado da esquerda.

Seus interesses se chocam porque ambos querem ir para o poder, e não há lugar para todos. Seu objetivo comum é fazer o Brasil dar muito errado nos próximos três anos – pois se der razoavelmente certo, não mais do que isso, nenhum dos dois tem qualquer futuro.

As duas forças dizem que não é assim, claro. No seu discurso, garantem que são apenas contra o governo, não contra o país, e que torcem para tudo melhorar. Mas é só conversa. Sabem perfeitamente que só poderão ir para o governo nas eleições presidenciais de 2022 se houver um desastre na economia e em tudo o mais que importa de verdade para a população.

É esse o grande problema de quem, por qualquer razão que seja, se coloca como inimigo do governo de Bolsonaro. Os oposicionistas não têm um programa de ação, ou propostas concretas do que pretendem fazer se chegarem lá em cima, ou ideias coerentes para apresentar ao eleitorado. Tudo o que têm é o intenso desejo de derrubar os atuais ocupantes do Palácio do Planalto – nas próximas eleições, ou de preferência antes disso, através de um impeachment do presidente.

Mas para acontecer qualquer das duas coisas é indispensável que nada dê certo – no crescimento, no emprego, nos investimentos, no combate ao crime, na infraestrutura, nas contas públicas, nas reformas indispensáveis à salvação do país e por aí afora. O problema, no caso, é que o bloco todo que se opõe ao governo não tem, realmente, o controle sobre essas variáveis; não depende dele se o Brasil vai melhorar ou piorar nos próximos anos. Podem tentar atrapalhar ao máximo, e vão fazer isso. Mas sua ação, em si, não é capaz de garantir o fracasso do qual tanto precisam.

Entre as duas forças que lutam para derrubar o governo Bolsonaro existem, é óbvio, os que não são nada – querem apenas levar vantagens para si e passam o tempo todo armando esquemas para tirar proveito das necessidades que o governo tem, junto ao Congresso e ao mundo político, para executar os seus programas. Sempre que não são atendidos, jogam o jogo da oposição. Sempre que são atendidos, voltam no dia seguinte querendo mais.

No geral, trabalham contra o país – mas assim como acontece com o conjunto dos adversários do governo, não têm força para conseguir, por si mesmos, que a taxa de juros volte a subir, a inflação vá aos 20% ou que o desemprego dispare outra vez. Atrasam tudo, claro – mas não podem construir sozinhos uma recessão à la Dilma. Não podem, também, impedir que estradas sejam asfaltadas, que a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa tenham os maiores lucros em décadas ou que o agronegócio continue quebrando os seus próprios recordes.

Ninguém precisa dizer que o governo tem problemas sérios pela gente. Mas os da oposição talvez sejam piores.

J.R.GUZZO

QUE VÍRUS CONTAGIOSO É ESSE QUE INFECTA OS MINISTROS DE BOLSONARO

Deve haver nos palácios de governo espalhados por este mundo afora uma doença chamada “palacite”. Ela vem de um vírus agressivo, altamente contagioso e imune, até agora, a qualquer vacina ou antídoto conhecido pela ciência humana. Seu efeito é desligar uma parte dos circuitos mentais das pessoas que vivem nesses habitats – aqueles que bloqueiam, naturalmente, que se diga em público coisas que só podem ser ditas no íntimo de cada um, ou só com a certeza absoluta de que não serão ouvidas por ninguém.

O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, está contaminado há muito tempo; passa grande parte do seu horário de trabalho, aliás, dizendo o que não deve. Não importa se o que pensa está certo ou está errado – ele pode pensar o quanto quiser, só não pode sair dizendo por aí. O ministro Paulo Guedes, ainda outro dia, teve dois surtos seguidos dessa mesma “gripe”.

O vírus parece ter pego, de uns tempos para cá, um outro habitante graduado – e põe graduado nisso – do Palácio do Planalto: o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, coisa que a imensa maioria dos brasileiros não sabe o que é, mas que todo mundo que entende de politica garante ser importantíssimo.

Pois esse general Heleno, homem tido como inteligente, razoável e altamente preparado para o exercício da função pública, foi afetado, ele também, pela “palacite”. Justo numa hora dessas, em que todo mundo acha essencial um esforço extra do governo para buscar a paz com quem está fora dele, o general se sai com um destampatório no qual diz que o Congresso tem reivindicações “insaciáveis” e que não se pode aceitar os senhores parlamentares “chantagearem a gente o tempo todo”.

É tudo o que os inimigos do governo pedem ao céu que aconteça – é mais água turva para a sua pescaria, uma dessas “crises” que se amontoam umas em cima das outras e abastecem de graça a oposição, mais todos os que torcem contra, com argumentos para dizerem que tudo vai mal no Brasil. O general Heleno não fez um discurso fazendo as acusações mencionadas acima, é claro; não se chegou a esse ponto. Mas disse aquilo tudo numa conversa com os ministros Paulo Guedes e Luiz Eduardo Ramos, no Palácio da Alvorada, e um áudio do que disse foi interceptado. Dá na mesma.

Não adianta nada, agora, o ministro reclamar que suas conversas pessoais foram violadas – é péssimo que seja assim, mas não estamos aqui num jogo entre cavalheiros. Ninguém precisa ensinar a um oficial-general do Exército que zelar pela segurança das suas comunicações é uma obrigação básica para alguém no cargo que ele ocupa. O ministro Heleno não quer que as palavras ditas em particular por ele sejam repetidas em público? Pois então que tome providências práticas para que isso não aconteça – ou não diga, simplesmente, aquilo que não quer que ninguém ouça. Não é que seja um problema insolúvel.

Se o governo Bolsonaro enfiar na própria cabeça, de uma vez por todas, que basta entregar resultados, na economia e na ação administrativa, para liquidar já a sua parada com a oposição, a vida política muda de cara no Brasil. Os adversários estão morrendo, literalmente, por falta de matéria prima para combater o governo. Mas a “palacite” descontrolada está dando a eles, a cada dia, a munição que não têm e não vão ter no futuro visível. Seus maiores colaboradores, hoje, estão dentro e nas vizinhanças do Palácio do Planalto.

J.R.GUZZO

RAIVA DO GOVERNO? NÃO DÁ PARA FAZER OPOSIÇÃO ASSIM

Uma das questões mais curiosas do chamado “quadro político” do Brasil de hoje é a existência de um dos governos mais intensamente odiados por seus adversários, que jamais pôs os pés em Brasília. É o diabo, porque esse governo não está aí pela força: foi eleito democraticamente, em eleições livres e limpas, por quase 58 milhões de cidadãos, a maioria absoluta do eleitorado que foi votar nas eleições presidenciais de 2018.

Fazer o que? Democracia tem mesmo esses problemas; você é obrigado a fazer eleições, e nas eleições o outro lado pode ganhar. Dá para odiar, é claro – mas, além de odiar, o que precisamente pode fazer de útil quem está contra o governo Jair Bolsonaro, seu ministério e seus generais? A resposta clássica é: fazer oposição consistente, de um lado, e apresentar um ou mais nomes realmente viáveis para ganhar as próximas eleições, de outro.

Do contrário, fica essa coisa para lá de esquisita que temos hoje: raiva sem limites do governo e, ao mesmo tempo, na vida real, céu de brigadeiro (ou mar de almirante) para esse governo ir tocando muitíssimo à vontade a sua vida.

Grita-se muito alto, assina-se muito “manifesto” de artista, a mídia vive praticamente em transe contra o que considera o pior governo que o Brasil já teve e as crises, cada vez mais fatais e cada vez mais curtas, não param nunca – só que não acontece nada.

A origem dessa anomalia está na falta, justamente, de uma oposição coerente e de alguma liderança que possa ser levada a sério dentro dela, como mencionado acima. Oposição é algo muito mais fácil de exibir em público do que praticar de verdade.

Para agir com eficácia, qualquer força de oposição tem de fazer nexo – e no Brasil de hoje isso não existe. É preciso ter um programa com propostas alternativas ao que o governo está fazendo; é preciso dizer o que está errado e o que você vai fazer, concretamente, para consertar isso. Você precisa ter condições, em suma, de prometer que fará o contrário do que está sendo feito. Ninguém na oposição clássica – PT e seus ajudantes, mais o que se chama de “esquerda” – está fazendo esse trabalho. Quanto à liderança, tudo que se tem é um grande zero.

É difícil. O que a oposição poderia propor de contrário ao que o governo está fazendo? Juros mais altos? Aumento nos índices de desemprego? Mais inflação? Mais mulheres no ministério? Retomada no número de homicídios, que caíram mais de 20% em um ano? Entregar o país de volta às empreiteiras de obras públicas?

No terreno dos nomes para liderar a oposição a coisa fica ainda mais opaca. Um nome desses, para ter força real, precisa em primeiro lugar mostrar que é um candidato com chance de ganhar de Bolsonaro na eleição de 2022. Onde está ele? Um outro problema sério para os adversários do governo em geral, e para a esquerda em particular, é a recusa de enfrentar Bolsonaro no seu campo e em seus termos. Querem ganhar do presidente, estranhamente, acusando-o de agir como os seus eleitores esperam que ele aja; não pode dar certo.

A questão é tirar eleitores de Bolsonaro e trazê-los para o seu lado; ao invés disso, a oposição passa o tempo todo dizendo que esses eleitores são “fascistas”. Fica complicado atrair apoio desse jeito. Situação ruim no governo? Está pior fora dele.

J.R.GUZZO

ATAQUE DIRETO À DEMOCRACIA COM CALÚNIAS E INJÚRIAS

Está certo um deputado federal usar o seu lugar e a sua imunidade penal para praticar abertamente crime de injúria contra alguém, autoridade ou não, que vai depor na Câmara? É claro que está errado. Ninguém tem o direito de substituir a discordância de pontos de vista pelo insulto.

Mas é um tipo de conduta que vai se tornando, cada vez mais, o modo de operação natural dos partidos de esquerda no debate político. Só que isso não é debate político. É atividade criminosa. É a negação da livre troca de ideias. É a sabotagem contra a diversidade legítima de opiniões. É um ataque direto à democracia.

Pouco tempo atrás, um deputado ofendeu o ministro Paulo Guedes numa comissão da Câmara, dizendo que ele era um “tchutchuca” de milionário. (Ouviu, de volta, que “tchutchuca é a mãe”).

Ainda outro dia, um deputado do PSol disse que era preciso “destruir” o governo brasileiro – governo que só está aí porque foi livremente eleito, da forma mais democrática possível, pela maioria do eleitorado.

Agora, um deputado desse mesmo PSol, durante os trabalhos da comissão que estuda o projeto de cumprimento das penas após a condenação em segunda instância, insultou diretamente o ministro Sergio Moro, na sua presença, chamando-o de “covarde” e de “capanga de milícia”.

Adicionou calúnia à injuria, por sinal, atribuindo a Moro o crime de usar a Polícia Federal para proteger criminosos.

É uma atuação sistemática contra as instituições, a liberdade política e o Estado de Direito. Dizem que o governo “ameaça” a democracia brasileira. Mas são eles, e ninguém mais, que estão fazendo as ameaças.

J.R.GUZZO

NINGUÉM CONCENTRA MAIS RENDA NESSE PAÍS DO QUE A NOBRE CASTA DOS “PARASITAS”

Em poucos países do mundo se faz tanto barulho e se fala com tanta indignação contra a concentração de renda como no Brasil. Ao mesmo tempo não existe, possivelmente, nenhum outro onde os concentradores de renda sejam tão protegidos como aqui. Mais que isso: são considerados vítimas, e estão sempre no primeiro lugar da fila dos que vivem pedindo dinheiro ao Tesouro Nacional.

Não são os ricos propriamente ditos – uma parte desses concentra renda até dormindo, pois as suas atividades não podem ser exercidas, nem que eles queiram, sem sugar os recursos da maioria. Ponha aí a turma que vive dos juros da dívida pública, os fornecedores do governo, os operadores de monopólios e cartéis.

Os concentradores de renda de que se trata aqui são os que ficam com a maior parte dos recursos do Estado por força das leis que fazem aprovar em seu favor. Descrevem a si próprios como “povo”. Acusam as “elites”. Mas na hora de dividir a riqueza nacional ficam com quase tudo para si próprios.

Os mais falados, no momento, são os 12 milhões de funcionários públicos federais, estaduais e municipais – um número que não tem nenhum nexo para um país com os níveis de pobreza do Brasil. Pois bem: eles estão entre os que mais exigem da sociedade – mais aumentos salariais, mais benefícios, mais aposentadorias – e são os que têm mais defensores no mundo político.

Mas são justamente esses que consomem, acredite se quiser, 90% de tudo o que a população paga de impostos – pelo menos é o que disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, no dia em que comparou servidores a “parasitas”. Ficamos assim, então: de um lado, 12 milhões de funcionários que levam 9 em cada 10 reais arrecadados pelo fisco, e de outro 200 milhões que pagam tudo e ficam com aquele 1 real que sobrou dos 10. Se isso não é concentração de renda direto na veia, o que seria?

O pior da história é que a imensa maioria paga muito; cada real que sai do seu bolso, e vai para o bolso do funcionalismo, é um real a menos no seu patrimônio e no orçamento que tem para viver. Até o presente momento, e não chegamos nem na metade do mês de fevereiro, a população já tinha pago R$ 350 bilhões em impostos para os três níveis da administração. Nessa toada, estima-se que o total arrecadado em 2020 vai superar, de longe, os R$ 3 trilhões. Está bom assim – ou é preciso ainda mais dinheiro para dar ao funcionalismo, principalmente para as suas castas mais ricas, mais influentes e mais poderosas para arrancar dinheiro do cofre público?

O Bolsa Família, que atende 13,5 milhões de famílias no Brasil inteiro, vai receber, em 2020, um total de R$ 30 bilhões. Todo o orçamento federal para a educação, este ano, está em R$ 100 bilhões. O da saúde não passará muito dos R$ 130 bi. Faça as contas e veja, aí, quem é que está concentrando renda nesse país.

J.R.GUZZO

ESQUERDA QUER “DESTRUIR” O GOVERNO. ISSO É IRRESPONSÁVEL E ANTIDEMOCRÁTICO

Comportamento da esquerda na festa de 40 anos do PT é atentado contra a democracia

Um deputado de um dos partidos de oposição acaba de fazer uma declaração de guerra à democracia no Brasil – aberta, direta e em público. Nem adianta tomar o tempo do leitor dizendo quem é o deputado e qual é o partido; hoje, no Brasil, a maioria dos políticos do arco PT-PSOL-PCdoB e seus clones são uma pasta só, e o que um deles diz ou faz poderia ser dito ou feito por qualquer outro, de modo que tornou-se inútil o esforço para tentar achar diferenças entre eles.

O deputado em questão, na festa dos 40 anos de fundação do PT, afirmou que é preciso “destruir” o atual governo brasileiro. Para não deixar possíveis dúvidas, esclareceu que não basta mais apenas “resistir”, ou “fazer oposição” – é preciso “destruir”, repetiu ele.

Que diabo quer dizer uma coisa dessas? O que, precisamente, o homem está querendo que se faça? “Destruir”, como ele recomenda, significa o que, na prática? Se trabalhar legalmente contra o governo, exercendo as funções de oposição previstas em lei, não é suficiente, o que, então, ele sugere que os opositores de Jair Bolsonaro comecem a fazer?

Destruir, segundo está no dicionário, significa destruir – ou seja, não é nenhuma dessas palavras com meia dúzia de sentidos diferentes. Então: qual é a proposta concreta de mais esse líder da nossa esquerda? Nenhum jornalista vai fazer essas perguntas a ele, é claro, porque fazer essas perguntas seria um comportamento “fascista”. Mas mesmo que aparecesse alguém para lhe perguntar, o deputado ia correr para se esconder debaixo de alguma mesa. Iria dizer que disse, mas não disse o que acham que ele teria dito, e que estamos sob uma ditadura, e que os militares governam o Brasil, e que as prisões estão cheias de opositores – enfim, iria despejar uma mentirada em cima do interlocutor para fugir à responsabilidade de responder pelo que disse.

O Brasil tem um governo legal, eleito em 2018 por 58 milhões de brasileiros, a maioria absoluta do eleitorado que foi votar, em eleições absolutamente livres e cuja apuração não foi contestada em nenhum momento. O presidente Bolsonaro não contou na campanha com nenhuma ajuda do governo – nem um único centavo. Teve menos de 1 minuto de tempo diário no programa eleitoral na televisão e rádio. Não teve jatinhos, nem as verbas de partidos, nem o apoio de milionários, banqueiros, empreiteiras de obras, grandes empresas brasileiras ou multinacionais. Um ex-militante do PSOL tentou assassiná-lo com uma facada no estômago no final da campanha. Bolsonaro foi eleito, simplesmente, porque teve mais votos que o seu oponente. Foi eleito porque essa foi a decisão do povo brasileiro.

Ir contra isso tudo – “é preciso destruir esse governo” – é ir contra o resultado das eleições. É ir contra a democracia, diretamente. É admitir, em público, o problema insolúvel da esquerda brasileira, ou de qualquer outro país: o grande problema da democracia são as eleições, porque numa eleição o outro lado pode ganhar. Para a esquerda, só vale quando ela ganha; quando perde é uma “farsa” que tem de ser “destruída”.

Não há nenhuma justificativa possível para palavras como essa. Elas apenas mostram que a esquerda é abertamente a favor da ditadura no Brasil – a sua ditadura.

J.R.GUZZO

DERROTADO, DEMOCRACIA EM VERTIGEM NÃO DEIXARÁ TRAÇO DE EXISTÊNCIA

Brasil se livrou rapidamente, por sorte, ajuda da graça divina e colaboração decisiva dos autores, de um problema que ameaçou se formar, durante umas poucas semanas, e já desapareceu. O filme-documentário Democracia em Vertigem, uma nulidade do ponto de vista cinematográfico e um desastre do ponto de vista moral, por apresentar um dos maiores pacotes de mentiras factuais já reunidas numa produção de cinema, foi derrotado em sua tentativa de ganhar o Oscar na noite desse domingo (09/02/2020).

Possivelmente, não vai deixar traço de sua existência — e com isso o público será poupado de continuar lendo, vendo e ouvindo as toneladas de materiais que lhe foram jogadas em cima, no decorrer do “período de “candidatura”, pelo maciço e milionário lobby empenhado em sua promoção.

O documentário não é um documentário, pois não documenta nada — ao contrário, falsifica fatos, na maior parte das vezes grosseiramente, para inventar uma história que nunca existiu. Resume-se, apenas, a ser uma peça de propaganda da empreiteira Andrade Gutierrez, uma das campeãs da corrupção nos governos do PT, e uma tentativa impossível de salvar as biografias dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

De Lula, tentam dizer que ele é um “perseguido político”, e não um condenado na Justiça, já duas vezes, por corrupção e lavagem de dinheiro. De Dilma, tentam dizer que foi derrubada por “um golpe”, e não pela prática de fraude contábil.

A credibilidade de tudo isso é zero, perante qualquer crítico sério e a maioria do público. Para o júri do Oscar, apesar de toda a pressão exercida, foi apenas uma demonstração de incompetência dos autores.

A resposta para isso é implacável: coisa ruim não ganha nada, nem medalha de lata, e some para sempre.

J.R.GUZZO

FAÇA AS CONTAS: SINDICATO SÓ SERVIA PARA EXTORQUIR O SEU DINHEIRO

Nada como um pouco de aritmética, dessa mais simples, para melhorar o entendimento de uma porção de coisas na vida, especialmente no Brasil. É uma pena, realmente, que o hábito de fazer conta seja tão impopular neste país – isso ainda vai acabar com a gente, porque você pode escapar da saúva, que afinal das contas não acabou com o Brasil, mas não escapa da tabuada.

Jornalista não gosta de aritmética. Economista não gosta de aritmética. Político, então, tem horror de aritmética, o que explica, em boa parte, porque estão sempre fazendo leis para distribuir as riquezas nacionais, mas jamais se lembram de pensar se essas riquezas existem ou não. Quem se importa se existem ou não? Se não existirem, não é problema nosso: é problema do “governo”, que vai tirar dos impostos tudo aquilo que nós decidimos dar de presente.

O fato é que o Brasil fala, fala, fala – e não conta. Se contasse um pouco mais, veria a diferença para o país que algumas somas simples, ensinadas no curso primário, acabam fazendo. Muitas vezes elas explicam com perfeição, mais que cinco anos de discurso no Congresso Nacional, como o Brasil pode melhorar dramaticamente quando certos cálculos são alterados.

Você tem ouvido falar, ultimamente, de CUT, Força Sindical, UGT e outras organizações de parasitas chamadas de “centrais sindicais?” Não? Claro que não – e essa é uma das notícias mais animadoras que a população poderia ter. Não há mais a chantagem de sindicatos que ameaçam greves, nem a “mobilização” para extorquir isso ou aquilo da sociedade. Não há diretores sindicais vivendo sem trabalhar. Não há nada disso porque as “centrais sindicais estão acabando. E as centrais estão acabando porque, muito simplesmente, ficaram sem dinheiro.

Todas elas, como se sabe, viviam de uma infâmia chamada “imposto sindical”, que todo trabalhador brasileiro (e as empresas) tinham de pagar uma vez por ano – fossem ou não sindicalizados, quisessem ou não ser representados pela CUT ou pela “Força”.

O governo Michel Temer, no que talvez tenha sido o seu melhor momento, conseguiu aprovar a abolição desse imposto – e as centrais, junto com os sindicatos, começaram a valer apenas o que valem, ou seja, a ter a força que deveriam ter por causa da fidelidade financeira dos associados. Mas, como se vê, não havia fidelidade nenhuma. Assim que o trabalhador ganhou o direito de não pagar, a maioria dos sindicatos não viu mais um tostão furado. Viraram o que são agora.

O portal eletrônico “Poder 360” divulgou há pouco alguns números bem simples. Em 2017, durante a vigência do imposto, a CUT, por exemplo, recebeu pouco mais de R$ 62 milhões extorquidos dos trabalhadores. Em 2019 recebeu um pouquinho acima de R$ 440 mil, ou 140 vezes menos – uma verdadeira miséria. A Força Sindical, que falava tão grosso na política brasileira, levou R$ 51 milhões em 2017 – e em 2019 ficou com menos de R$ 1 milhão. A UGT despencou de R$ 46 milhões para também R$ 1 milhão. Fim da linha.

Quantos tratados de ciência política é preciso ler para descobrir porque a CUT existia e porque não existe mais – não como alguma coisa que tenha um mínimo de relevância? Em vez disso, é muito mais eficaz fazer as contas acima.

J.R.GUZZO

IMPEACHMENT DE TRUMP É A MAIOR “NÃO NOTÍCIA” DA HISTÓRIA RECENTE

Pois aí está: terminou miseravelmente, como não poderia ser de outra maneira, o “impeachment do presidente Donald Trump”, fantasia a respeito da qual encheram a sua paciência no noticiário durante um ano inteiro.

Você já fez uma conta, bem por cima, de quanto tempo perdeu lendo sobre o assunto, ou ouvindo os programas de rádio e televisão falarem a respeito? Nem faça; vai se aborrecer à toa.

O fato é o seguinte, para resumir a opera toda: esse “impeachment” de Trump concorre com grandes chances de vitória a ser a notícia não existente mais publicada pelos meios de comunicação em sua história moderna.

Nunca houve, desde o primeiro minuto, a mais remota chance real de Trump perder seu mandato num processo desse tipo. No entanto, não apenas a notícia foi socada em cima da opinião pública como se fosse algo real e iminente, mas como perfeitamente possível – ou até provável. Donald Trump nunca poderia ser deposto por uma manobra que, desde o início, foi absolutamente partidária, e não baseada num processo legal com um mínimo de consistência.

As lideranças do Partido Democrata, sabendo que vão perder as próximas eleições e que Trump vai ser reeleito, quiseram derrubar o homem no tapetão. Mas, o mais interessante da história é que suas chances de ganhar no tapetão, matematicamente, eram iguais a três vezes zero. Para dar só um detalhe: o Senado americano, com 100 senadores, precisa aprovar todo e qualquer passo de um processo de impeachment, e dar a decisão final por uma maioria de dois terços dos votos.

O Partido Republicano, de Trump, tem 67 senadores. Fim de linha, antes do começo da viagem – mas só agora, com a decisão final de que o Senado sequer iria examinar o assunto, a tese do “impeachment”, enfim, reconheceu a sua própria não existência. Deu PT, ou perda total – de tempo.

J.R.GUZZO

QUEREM CASSAR OS DIREITOS DE REGINA DUARTE. É MUITO MAIS QUE ÓDIO

Para além de toda a gritaria indignada de uma parte da classe artística brasileira, à beira de um ataque histérico com a nomeação de Regina Duarte para a Secretaria Especial de Cultura, há um fato indiscutível e chocante: os colegas de profissão da atriz estão negando a ela o exercício livre de seus direitos civis. É algo realmente extraordinário.

Mais de 60 anos após as lutas de Martin Luther King, que mudaram os Estados Unidos para sempre ao provar para a sociedade americana e para o resto do mundo que todos os cidadãos de um país têm direitos naturais que não podem ser negados por ninguém e por nenhum motivo, estamos de volta, no Brasil de 2020, ao Alabama de 1960.

A “classe artística brasileira”, ou mais exatamente os que fazem barulho na mídia, está dizendo que Regina Duarte não pode exercer o seu direito constitucional de aceitar um convite para o ministério do governo Jair Bolsonaro.

Assim como um negro americano não podia ocupar cargos públicos pelo fato de ser negro, Regina Duarte não pode ser ministra pelo fato de ser atriz – e atrizes, na visão das nossas classes “intelectuais”, não podem trabalhar  num governo de direita, porque não têm o direito, garantido por lei, de ser de direita. Regina é de direita? Muito bem: e o que resto do mundo tem a ver com isso? A Constituição do Brasil diz que ela tem o direito de pensar o que lhe der na telha.

Nenhum dos indignados com a nomeação de Regina Duarte se lembrou de levar em conta que o governo de Jair Bolsonaro é legal, legítimo e constitucional. Foi eleito democraticamente, dentro de todas as regras em vigor, em eleições livres, por quase 58 milhões de votos – a maioria absoluta, de longe, dos que votaram na eleição presidencial de 2018.

O que há de errado em aceitar um convite para trabalhar nesse governo? Se você é contra o governo, vá adiante e seja contra; mas você não pode negar ao cidadão que está ao seu lado o direito de ser a favor. Ao agir como agiu no caso de Regina Duarte, a “categoria artística” mostrou que não aceita, simplesmente, as regras de uma democracia. Não há remédio conhecido para isso: quem não aceita as regras da democracia é a favor de ditaduras. O resto é argumentação hipócrita e falsificada.

Se Regina Duarte vai ou não dar certo como secretária da Cultura já são outros quinhentos. A impressão, pelos fatos disponíveis hoje, é que isso é uma missão impossível. Talvez possa se demostrar que não, que a missão seja possível – mas, nesse caso, será preciso fazer a demonstração concreta.

É, mais ou menos, como nomear um cidadão para o Ministério dos Discos Voadores – que raios um filho de Deus (uma filha, no caso), pode fazer de útil num cargo desses? O Brasil não precisa de uma Secretaria, de um Ministério da Cultura. Precisa de cultura – que não apenas é outra coisa, mas é algo que a intervenção do governo ativamente atrapalha.

O Brasil precisa de um serviço capaz de tapar goteiras, instalar ar condicionado e evitar incêndios em seus museus, bibliotecas e milhares de instalações dedicadas à cultura e entregues ao mais miserável abandono. Precisa impedir que suas construções históricas venham abaixo. Precisa salvar as estátuas expostas em praça pública. Precisa de todas essas coisas que você sabe tão bem quais são – e nenhuma delas tem nada a ver com a Secretaria Especial de Cultura.

Mas não é isso que se discute. O que se quer é cassar, em público, os direitos de uma cidadã brasileira livre. É muito mais que ódio, apenas.