PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

EU – Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada … a dolorida …

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

CHARGE DO SPONHOLZ

A PALAVRA DO EDITOR

DEU NO JORNAL

PETRA COSTA É CORRESPONSÁVEL PELA VERTIGEM DA DEMOCRACIA

Pedro Menezes

“Recebemos com alegria a notícia de que Democracia em Vertigem está entre os filmes indicados ao Oscar”, tuitou Gleisi Hoffmann, antes de completar com um desejo para o documentário da diretora Petra Costa: “Que venha a estatueta!”.

É sintomático que a presidente do PT use o verbo no plural, dando a entender que o partido como um todo recebeu a notícia com alegria. “A verdade vencerá”, tuitou Lula pouco depois. Em seguida, o site do Partido dos Trabalhadores publicou, com ares de nota oficial, elogios da sua bancada parlamentar ao documentário.

Democracia em Vertigem, para quem não se lembra, é um documentário que tem como grande trunfo o acesso exclusivo a Lula e Dilma nos momentos-chave do impeachment. Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial de Lula há décadas, permitiu o uso do seu acervo por Petra. Tamanho privilégio seria concedido a um documentarista “não-companheiro”? Duvido.

Naqueles momentos divisivos, é improvável que a direção do partido permitisse a aproximação de um cineasta aberto ao pensamento crítico. De antemão, já se sabia que Lula chamaria o resultado final de “a verdade”. Assim, fica fácil entender porque a presidente do PT usou o plural: o documentário é indissociável do partido que Gleisi preside.

A associação com o petismo não é suficiente para entender o documentário, mas é importante. Em termos práticos, é um documentário do PT, cuja realização dependeu da aprovação prévia do conteúdo pelo partido. Não se trata de um detalhe irrelevante.

Escrevi uma crítica ao documentário na Gazeta do Povo, logo quando o filme saiu. Mantenho a opinião de então: Democracia em Vertigem é inútil enquanto fonte de informação. O documentário transmite ao leitor as imagens dos protestos a favor e contra Dilma sem contextualizar o número de manifestantes em cada um. Todos os retratados em protestos são imbecis e autoritários.

OS GRAVES ERROS DO DOCUMENTÁRIO DE PETRA COSTA

O documentário de Petra Costa dispensa comentários sobre a crise econômica brasileira, assunto restrito a duas frases aos 30 minutos de documentário. Petra Costa afirma que a crise começou em 2015, mas a recessão começou em 2014 e a desaceleração do crescimento vem desde 2010. Essa é uma das causas de junho de 2013, mas o espectador termina o filme sem saber disso. Não há qualquer referência à massiva aprovação popular do processo de impeachment, verificada por diversos institutos.

Se fossem erros aleatórios, beneficiando grupos políticos diversos, já seriam imperdoáveis. Não dá para avaliar o que ocorreu no Brasil sem informações básicas. O problema se agrava consideravelmente quando notamos que todos os erros coincidem por absolverem um grupo político.

O objetivo do documentário de Petra Costa não é gerar reflexões, mas promover o avanço de uma tribo. E é por isso que a concessão de imagens exclusivas do PT é relevante para avaliar o documentário: trata-se da evidência operacional da submissão da autora ao partido, que se soma a outras para formar o quadro completo.

Isto posto, cabe perguntar por que a Netflix embarcou na propaganda de um partido brasileiro. Ao menos em parte, parece provável que a empresa não esperava o que ocorreu. Petra Costa já era uma documentarista renomada em seu meio e não tinha histórico de filmes político-partidários.

NÃO É POSSÍVEL ABSOLVER O PT

Por outro lado, o argumento do filme se encaixa num debate importante sobre a erosão das democracias por dentro. Em sintonia com o que ocorre no mundo, o assunto central permitia a comercialização internacional do documentário. E este é o principal problema da obra.

Ninguém duvida que a democracia vem perdendo feio em diversos países, da Venezuela à Hungria. No Brasil, assistimos a uma deterioração institucional nos últimos anos. Mas será que é possível gerar reflexões absolvendo o PT?

Se o leitor é conservador ou liberal, deve concordar que o petismo foi crucial na deterioração da nossa democracia. Se você está à esquerda do espectro político e não tolera o bolsonarismo, deveria compreender que Bolsonaro foi viabilizado pelos 14 anos de governo petista. O PT é o culpado que, através de um documentário, tenta se colocar no papel de juiz.

Enquanto diz que o documentário de Petra representa “a verdade”, Lula também afirma que o PT não precisa fazer qualquer autocrítica. Documentos internos do partido defendem que o grande erro dos seus governos foi indicar não-alinhados para o STF. Logo depois de comemorar a indicação documentário ao Oscar, Gleisi Hoffman publicou um tuíte a favor da ditadura venezuelana.

Ao passar pano para seu partido predileto, a documentarista Petra Costa não contribui para a contenção de danos na nossa democracia. Pelo contrário, ela integra o grupo de responsáveis pela vertigem vigente. Enquanto o PT negar seus erros, nossas instituições continuarão dando pinta de que podem cair a qualquer momento.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

ODEBRECHT, LADROAGEM AFRICANA E PT

A relação de PT e Odebrecht com a queda da mulher mais rica da África

A ascensão e a derrocada de Isabel dos Santos está umbilicalmente ligada aos escândalos de corrupção descobertos no Brasil pela Lava-Jato.

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Isso aí de cima é a chamada de uma matéria publicada pela revista Veja.

Hum…

Quem quiser ler a história completa, basta clicar aqui

CHARGE DO SPONHOLZ

ALEXANDRE GARCIA

MUITO BARULHO

A inflação de 2019 foi de 4,31%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo(IPCA), levantado pelo IBGE. A meta do Conselho Monetário Nacional ficava entre 2,75% no mínimo e 5,75% no máximo. A inflação ficou, portanto, no centro da meta. O centro da meta, rigorosamente, era 4,25%. A diferença de um acerto no centro absoluto do alvo foi de 0,06 – seis centésimos de ponto percentual. Se fosse um concurso de tiro-ao-alvo, a política monetária receberia uma medalha. E a causa de o tiro ficar seis centésimos acima do centro absoluto do alvo é justa: foi a pressão da demanda de dezembro, mostrando um reaquecimento da economia. Quer dizer, só boas notícias.

Por que então fizeram tanto barulho, abrindo manchetes a dizer que o dragão da inflação voltou, que ultrapassou a meta e outros catastrofismos? Suponho que seja pelo princípio do “o que é ruim a gente mostra; o que é bom a gente esconde; se não houver ruim a gente inventa”. Num tempo em que se condenam as fakenews, isso é um risco sério para quem depende de credibilidade para ter leitores e audiência. Mas é a síndrome do escorpião: afunda junto com o sapo que ferrou, mas é da sua natureza. Tentar apagar o otimismo renascente é ato de masoquismo, porque se não houver a força da economia, todos faturam menos, pagam menos e quebram mais.

No mês de dezembro, a inflação de 1,15%, a maior de um mês para o ano, é um termômetro do aquecimento que entra 2020, com meta de inflação fixada em 5,5% no máximo e 2,5% no mínimo, com centro em 4% a.a. Em meus anos de repórter de Economia, lembro-me bem dos efeitos de uma inflação de 84% ao mês e 5.000% ao ano. Hoje, menos de 5% a.a. é uma demonstração do que o Brasil pode fazer. Também poderemos crescer como na década dos anos 70, na média anual de 8,78% ao ano – um crescimento chinês, de novo na base do otimismo e do entusiasmo.

É cheia de consequência políticas e eleitorais a advertência do assessor de Bill Clinton, na campanha vitoriosa de 1992: “É a economia, estúpido”. Quando a economia vai bem, a população vai bem, o país vai bem e o governo recebe os méritos. Identificado esse fator, os opositores precisam reduzir seus efeitos, mesmo com o sacrifício do país, procurando reduzir o otimismo, fazendo o barulho que fizeram, inclusive com manchetes sobre “inflação acima da correção do salário-mínimo” – uma diferença de 4 reais, que está sendo recalculada. Shakespeare, há quase 500 anos, escreveu “Muito Barulho por Nada”. Foi a mais divertida comédia do Bardo. Quando gente, como o escorpião, quer afundar nesta travessia o barco em que todos estamos, fica parecendo mais uma comédia.

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O QUE FAZER COM CORRUPTOS QUE NÃO SE INTIMIDAM E INSISTEM NO CRIME?

DEU NO JORNAL

VAI TRABALHAR, VAGABUNDO

Em dois anos, arrecadação dos sindicatos despenca 96%

A arrecadação dos sindicatos despencou no Brasil em 2019. As entidades já haviam sentido o baque após a reforma trabalhista acabar com a obrigatoriedade do imposto sindical, ainda em 2017.

No ano passado, o governo de Jair Bolsonaro tentou proibir, por medida provisória, o desconto da contribuição sindical da folha de pagamento. E as receitas diminuíram ainda mais.

Dados da Secretaria do Trabalho, ligada ao Ministério da Economia, mostram que, de 2017 para 2019, a arrecadação dos sindicatos caiu 96%, passando de R$ 2 bilhões para R$ 88,2 milhões (resultado parcial de 11 meses)

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A pelegada vai ter que trabalhar, dar duro e arranjar serviço pra comprar a mortadela nossa de cada dia.

Um fato que merece ser comemorado com música.

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