ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

FRASES ANÔNIMAS BEM-HUMORADAS

“Quando eu entro numa briga, meu lema é: ou mato ou morro. Se der pra fugir pelo mato eu vou, se não der… vou pelo morro.”

“A covid-19 fez o que nenhuma mulher conseguiu fazer. Fechar os bares, acabar com o futebol na TV, e manter o marido em casa ajudando nos serviços.”

“Sempre quando estou triste eu canto, porque aí eu percebo que a minha voz é bem pior que meus problemas.”

“Tem gente que tem problemas, tem gente que cria problemas e tem gente que é o próprio problema.”

” Claustrofobia: medo de lugares fechados. Exemplo: quando eu estou indo para o bar e sinto medo dele estar fechado.”

“Existem por aí mentirosos tão bons, mas tão bons, que no fim conseguem convencer os outros de que as vítimas são eles.”

“O povo diz que quem tem boca vai à Roma, pois o fogão lá da minha casa tem seis bocas e nunca saiu da cozinha.”

“Os estrangeiros dizem que o povo brasileiro é sorridente. Mal sabem eles, que a gente ri muito, mas é de desespero.”

“Existem dias que estou tão analfabeto, que não sei como o Aurélio não sai do dicionário pra me bater.”

“Eu só queria saber se a ciência que os gestores públicos estão se guiando, é aquela que afirma que o ovo faz bem pra saúde, ou a que diz que faz mal?”

“Acho que a vacina do coronavírus já chegou na minha cidade, e eu não estou sabendo. Porque está todo mundo fazendo festas e saindo para passear.”

“Eu olho para os dois lados da rua, mesmo antes de atravessar uma rua de mão única. Isso representa a quantidade de fé que eu tenho na humanidade.”

“Tem quase 6 anos que inseriram o 9 na frente dos números de celular, e ainda fazemos aquela pausa dramática antes de falar o resto do número.”

“A partir dos 25 anos, não é mais necessário ativar o despertador. As preocupações da vida já te fazem acordar, automaticamente.”

“Quando nasci, não me lembro de ter assinado nenhum contrato dizendo que era obrigado a agradar alguém.”

“Uma sensação estranha de não querer estar mexendo na internet, mas continuar mexendo, porque é a única coisa que se pode fazer.”

“Tenho meu orgulho, mas sei pedir desculpas quando a culpa é minha. Acontece que ela nunca é minha, porque estou sempre certo.”

“Amizade moderna para mim, são duas pessoas com o psicológico emocional abalado, rindo da própria desgraça e trocando receitas de remédios controlados.”

“Amor não é aquilo que quando chega você torce para que nunca acabe. O nome disso é feriado.”

“Sabe aquela roupa branca que você usou no Réveillon para atrair paz e prosperidade em 2020? Pode tacar fogo nela.”

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ESCREVER É CORTAR PALAVRAS

O homem chega à feira e lá encontra seu compadre arrumando os peixes num imenso tabuleiro de madeira. Cumprimentam-se. O feirante está contente com o sucesso do seu modesto comércio. Entrou no negócio há poucos meses e já pode até comprar um quadro-negro para divulgar seu produto.

Na lousa, exposta atrás do balcão, o comerciante escreveu a seguinte mensagem em letras caprichadas: HOJE VENDO PEIXE FRESCO. Em seguida, perguntou ao amigo e compadre:

– Você acrescentaria mais alguma coisa?

O compadre releu o anúncio e, discretamente, elogiou a caligrafia. Entretanto, devido a insistência do cuidadoso e responsável comerciante de peixe, reforçando a indagação, resolveu questioná-lo:

– Você já notou que todo dia é sempre hoje? Acho dispensável a palavra hoje. Ela está sobrando…

O feirante aceitou a ponderação: apagou o advérbio. O anúncio ficou mais enxuto. VENDO PEIXE FRESCO.

– Se o amigo me permite, tornou o visitante, gostaria de saber se aqui nessa feira existe alguém dando peixe de graça. Que eu saiba estamos numa feira. E feira é sinônimo de venda. Acho desnecessário colocar o verbo vender. Se a banca fosse minha, sinceramente, eu o apagaria. O anúncio encurtou mais ainda: PEIXE FRESCO.

– Diga-me uma coisa: Por que apregoar que o peixe é fresco? O que traz o freguês a uma feira, no cais do porto, é a certeza de que todo peixe, aqui, é fresco. Não há no mundo uma feira livre que venda peixe congelado…

E lá se foi também o adjetivo. Ficou o anúncio reduzido a uma singela palavra: PEIXE.

Mas, por pouco tempo. O compadre pondera que não deixa de ser menosprezo à inteligência da clientela anunciar, em letras grandes e legíveis, que o produto ali exposto é peixe. Afinal, está na cara. Até mesmo um cego percebe, pelo cheiro, que o assunto, aqui, é pescado…

O substantivo foi apagado.O anúncio sumiu. O quandro-negro também. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: escrever é cortar palavras.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pelo bom humor do assunto resolvi publicá-lo no JBF.

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TROVAS DE GERALDO AMÂNCIO

Uma magia sagrada
O dom do verso me deu,
Da substância do nada
Construo um mundo só meu.

Num egoísmo profundo
Penso, ao receber teus mimos,
Que Deus só fez esse mundo
Porque nós dois existimos.

Eu não quero monumento
Para mim, nem quero busto,
Homem de ferro e cimento
Sempre que vejo me assusto.

Lembrança a noite trazia
Do meu grande amor ausente,
E os pingos da chuva fria
Lavavam meu pranto quente.

No mar da cumplicidade
Navega o meu coração,
Armazenando saudade,
Destilando solidão.

Preso ao teu sorriso grácil
Separei-me sem saber,
Que te deixar era fácil,
Difícil era te esquecer.

Num coral de passarinhos
A aurora apareceu,
Amanhecemos juntinhos:
A chuva, a saudade e eu.

As preces mais comovidas
Dos romeiros, de mãos postas,
São perguntas repetidas
Esperando por respostas.

* * *

Geraldo Amâncio Pereira é poeta, repentista, trovador, cordelista e contador de causos. Nascido no sítio Malhada da Areia, município do Cedro, Ceará, em 29 de abril de 1946. Cursou faculdade de História em Fortaleza. Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor das três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pereira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao Som da Viola”, na TV Diário em Fortaleza.

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O MAU HUMOR DA SEGUNDA-FEIRA

É frequente comentar-se sobre o mau humor da segunda-feira, entretanto os cientistas vieram agora dizer que o humor desse dia se estende até quinta-feira. O que se verifica é um incremento de bem estar à sexta-feira por chegar o fim de semana.

Pesquisadores americanos fizeram uma enquete com 340 mil pessoas e descobriram que o humor delas não é pior na segunda-feira do que qualquer outro dia da semana, exceto sexta-feira. A pesquisa revelou entrevistados mais felizes no dia que antecede o fim de semana. O que fortalece a ideia de que existe um mito cultural enfatizando o padrão de humor de um único dia da semana.

Os cientistas teriam economizado dinheiro e tempo se conhecesse a admirável arte do improviso cantado. O repentista Agostinho Lopes dos Santos (1906-1972) descreve, em duas sextilhas, as alterações de humor com muita sabedoria:

O homem é como o barco
Quando no alto mar cai
Empurrado pelas ondas
Não sabe até onde vai
Tem vezes que vai ao fundo
Vezes que na praia sai.

Tem horas que o homem é calmo
Horas que ele é furioso
Tem horas que ele é desleixado
Tem horas que é caprichoso
Tem horas que ele é esperto
E horas que é preguiçoso.

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FRASES ANÔNIMAS INTELIGENTES

“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre.”

“Nenhum de nós é responsável por todas as coisas que acontecem conosco, mas nós somos responsáveis pela maneira como agimos quando acontecem.”

“O maior presente que você pode dar para alguém é o seu tempo. Porque dando o seu tempo, você está dando uma parte de sua vida, que nunca mais vai voltar.”

“É mais fácil acreditar em uma mentira que se tem ouvido mil vezes do que acreditar num fato que ninguém tenha ouvido antes.”

“Seu pior inimigo não é quem te causou mal, mas você mesmo que revive esse mal mentalmente, inúmeras vezes.”

“Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoa-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.”

“Se exagerássemos em nossas alegrias como fazemos em nossas perdas, nossos problemas perderiam toda sua importância.”

“A felicidade não é um prêmio, e sim uma consequência, a solidão não é um castigo e sim um resultado. O que você é se encontra no reino imensurável que chamamos pensamentos.”

“Tive muitas portas fechadas em minha vida, mas o tempo me mostrou que elas só estavam me protegendo dos lugares que eu nunca deveria entrar.”

“Eu não sei se é cansaço, maturidade, aprendizado ou só idade mesmo, mas tem certas coisas que eu já nem me importo mais.”

“A maior de todas as artes é aquela que nos leva a realizar a felicidade no espírito, pois essa felicidade dá força e intensidade a toda nossa vida, tem o dom de propagar-se aos que amamos e iluminar aos que caminham ao nosso lado…”

“É preciso fazer pausas. A vida requer intervalos. Nenhuma árvore dá frutos o ano todo, nenhuma planta floresce em todas as estações. Dê-se um tempo.”

“Cada experiência esconde uma lição, até mesmo a dor vem para ensinar e evoluir. Não se pergunte: por que devo passar por isso? Ma sim: o que posso aprender com isso?.”

“A verdadeira força advém de dominar o seu descontentamento com o outro e compreender que cada um é aquilo que tem capacidade de ser.”

“Quando as coisas não fizerem mais sentido e nada mais prender você, não tenha medo de trocar o roteiro. Você só descobre novos caminhos quando muda a direção.”

“As pessoas precisam ter mais responsabilidade afetiva. Elas não têm noção do estrago emocional que podem causar umas nas outras.”

“A vida é como um bumerangue, tudo que você lançar com intensidade, seja bom ou ruim, vai voltar em sua direção ainda mais forte.”

“Quando estiver sozinho, vigie teus pensamentos. Em família, tua tolerância. Em sociedade, tua língua.”

“Carência é aquela sensação falsa de que você depende de alguém para ser feliz. A maior solidão é não querer a própria companhia.”

“Nada aprisiona você, a não ser seus pensamentos. Nada limita você, a não ser seus medos. Nada controla você, a não ser suas crenças.”

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EMPATIA

Empatia é a capacidade psicológica de tentar compreender sentimentos e emoções alheias. Uma característica forte de quem sente empatia é a competência de se colocar no lugar do outro, principalmente, quando vivencia acontecimentos dificultosos. Ela está intimamente ligada ao altruísmo, amor e interesse pelo próximo, e a vontade de ajudar e agir seguindo princípios morais.

A empatia é diferente da simpatia. A simpatia é comumente confundida com carisma. As pessoas dizem que alguém é simpático quando tem uma aparência agradável, sabe se comunicar e tem um belo sorriso. Ser simpático é uma forma de se relacionar com o próximo. É uma capacidade que está ligada ao encontro, ao primeiro momento, um nível inicial de percebemos os sentimentos de outros indivíduos. Empatia não é uma emoção, por conseguinte, não se pode “sentir empatia” – uma formulação encontrada inadequadamente em vários artigos sobre o assunto. Ela é uma habilidade socioemocional de reconhecer, compreender e reproduzir emoções de outrem.

Encontrei um exemplo de empatia pesquisando o admirável universo do repente. Certa vez, cantavam Valdir Teles (1955-2020) com João Paraibano (1952-2014) quando um cego entrou no recinto da cantoria. Valdir Teles, imediatamente, fez uma criativa sextilha dizendo em versos da capacidade de se colocar no lugar do outro:

Eu não critico nem cego
Que vive a perambular;
Posso perder minha vista
E a dele recuperar;
Eu ir para o lugar dele
E ele vir para o meu lugar.

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ONEOMANIA, A DOENÇA DO CONSUMISMO

A doença do consumismo tem nome e preocupa as autoridades da área de saúde do Brasil: chama-se Oneomania, ou consumo compulsivo. Três em cada dez brasileiros, a maioria mulheres, compram compulsivamente. A pessoa usufrui apenas o momento da compra, mas não o produto em si, que muitas vezes é deixado de lado sem utilidade alguma.

O ato de comprar age no indivíduo como uma droga leve, pois proporciona um prazer similar ao encontrado entre os dependentes químicos. No momento em que adquire o objeto desejado, há uma satisfação imediata. Em seguida esse sentimento é substituído por aflição ou angústia.

Grande parte dos estudos sobre o tema descreve que o consumista age dessa forma movido por distúrbios emocionais e psicológicos. A insatisfação pessoal, sentimento de tédio, baixa autoestima, indiferença social, sentimento de incompetência e também a falta de educação financeira podem fazer com que as pessoas consumam sem controle.

A Oneomania é uma patologia bastante controvertida do ponto de vista médico e psicológico, todavia, tem sido caracterizada como um distúrbio de ansiedade e classificada dentro dos transtornos do impulso. A cura do consumismo é possível. O primeiro passo é se conscientizar do seu problema, o que é muito difícil, pois grande parte não admite ou não tem consciência da sua existência. O consumidor compulsivo necessita de ajuda especializada, compreensão e carinho da família e dos amigos mais próximos. Os tratamentos são comuns em grupos, sessões individuais e intensivas, inclusive com membros da família afetados. Uma medida preventiva é a busca de informação pelos pais visando a educação dos filhos no autocontrole emocional, porque tolerar a frustração &eacut e; essen cial para se tornarem consumidores responsáveis.

Fonte: Este texto foi encontrado na internet com autoria desconhecida. As pessoas começaram a enviar para os e-mails dos amigos, então, pela importância do assunto resolvi publicar no JBF.

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FRASES SÁBIAS DE MILLÔR FERNANDES

“O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão que ensina a desprezar o distante.”

“Pode ser que haja vida inteligente em qualquer outro planeta. Neste, positivamente, só há a mais absurda estupidez.”

“Só teremos um país de verdade no dia em que gastarmos mais com escolas do que com televisão, isto é, no dia que gastarmos mais com educação do que com a falta de educação.”

“Chato é aquele que explica tudo tim-tim por tim-tim… e depois ainda entra em detalhes.”

“A vida consiste de metade de mentiras que a gente é obrigado a dizer, e metade de verdades que a gente é obrigado a calar.”

“A verdade é que a maior parte das pessoas foge de tentações que nem se dão ao trabalho de tentá-las.”

“A maior vantagem da comida macrobiótica é que, por mais que você coma, por mais que encha o estômago, está sempre perfeitamente sub-alimentado.”

“E convém não esquecer que bitributação é quando arrancam seis vezes o dinheiro do cidadão. Pois o normal já é tributação.”

“Você está começando a ficar velho quando, depois de passar uma noite fora, tem que passar dois dias dentro.”

“Natação e Automobilismo: Tenho absoluta incapacidade de admirar um homem apenas porque ele é melhor do que o outro um centésimo de segundo.”

“Você pode evitar descendentes. Mas não há nenhuma pílula para evitar certos antepassados.”

“A sociedade brasileira é das mais curiosas do mundo. Mal tem condições de te dar um emprego de salário mínimo. Mas, se um pobre transgride suas regras, bota-o numa prisão que custa seis salários mínimos.”

“No momento em que aumentam as nossas descobertas arqueológicas fica evidente que o Brasil tem um enorme passado pela frente, ou um enorme futuro por detrás, se preferem.”

“A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.”

“Às vezes a gente faz críticas tão desonestas a respeito de uma pessoa que nunca mais consegue acreditar nela.”

“Por mais violento que seja o argumento contrário, por mais bem formulado, eu tenho sempre uma resposta que fecha a boca de qualquer um: ‘Vocês têm toda razão’.”

“O Brasil já está à beira do abismo. Mas ainda vai ser preciso um grande esforço de todo mundo pra colocarmos ele novamente lá em cima.”

“O amor de homem e mulher: enigmas, mistérios, equívocos traçados numa rede de quebra-cabeça, charadas e adivinhações, sem chaves nem conceituações.”

“Quando disserem que o crime não compensa, você tem de lembrar que isso é porque, quando compensa, não é crime.”

“Nunca soube por que tanta gente teme o futuro.
Nunca vi o futuro matar ninguém,
Nunca vi o futuro roubar ninguém,
Nunca vi nada que tivesse acontecido no futuro.
Terrível é o passado ou, pior, o presente!”

Milton Viola Fernandes (1923 – 2012). Autor e tradutor. Descobriu na adolescência que havia sido registrado erroneamente, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr. De humor singular, humanista e moderno, com visão cética do mundo, Millôr Fernandes foi considerado uma figura de proa do panorama cultural brasileiro: jornalista, escritor, artista plástico, humorista, pensador. Destacou-se em todas essas atividades. No teatro, empreendeu uma transformação no campo da tradução, tal a quantidade e diversidade de peças que traduziu. Escreveu, com Flávio Rangel – Liberdade, Liberdade – uma das peças pioneiras do teatro da resistência à ditadura militar, encenada em 1965. Em seus trabalh os costu mava-se valer de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A FINITUDE DA VIDA

No mundo ocidental a morte, frequentemente, é avaliada como algo imerecido e imprevisível. Existe uma compreensão de que se trata de um ponto final e não de uma etapa de um ciclo, como na cultura oriental. Dessa maneira é fácil compreender que a ideia de morte venha acompanhada de sensações desagradáveis, como angústia, medo, agonia e um efeito de desolação. Por estes motivos a finitude humana, de maneira geral, pode ser encarada como um tabu e, consequentemente, todo assunto a ela associado é afastado da nossa mente.

O filósofo grego Sócrates (469 a.C.- 399 a.C), antes de morrer, condenado a tomar cicuta (um veneno mortal), deixou excelente instigação para uma reflexão sobre a morte: ”Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: Ou a morte não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança da existência e uma migração para a alma, deste lugar para outro”.

O seu pensamento demonstra que as duas maneiras de considerar o problema da morte podem ser satisfatórias. Quem não acredita na continuação da vida, a morte é o nada, a ausência completa de amarguras e desesperos, e significa o fim do sofrimento e desventuras. Para aqueles que creem na continuação da vida, a morte é a passagem dessa existência para outra.

Um assunto com essa complexidade merece ser ilustrado com os sábios versos do poeta pernambucano Manuel Filó (1930 – 2005):

Quando eu parti desse abrigo
Seguir á mansão sagrada,
A morte está perdoada,
Do que quis fazer comigo,
Quis que eu fosse igual ao trigo
Que ao vendaval se esfarela,
Mas eu vou passar por ela
De cabeça levantada
A morte está enganada,
Eu vou viver depois dela.

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AMOR MATERNO

O amor de mãe, para muitos filhos, chega a ser estranho. É um amor para a vida toda, mesmo que você cometa todos os erros do mundo. Sempre que você cair, aquela mão estará estendida esperando você se apoiar.

Um amor que passa noites em claro preocupado, entretanto dorme tranquilo quando está do seu lado. Um amor que sente ciúmes, mas não prende, nem domina, nem manipula. Um amor que briga por quase tudo, porém sempre estará de braços abertos esperando você voltar. É tanto amor, que chega a ser incompreendido.

Uma tristeza e uma saudade infinita ficam depois que dizemos o último adeus a uma mãe querida. O repentista Manuel Xudu (1932-1985) descreveu essa dor com a suavidade dos seus versos quando, certa vez, foi desafiado a glosar o seguinte mote:

Quem não tem mãe, tem razão
De chorar o que perdeu.

Xudu, então, improvisou de forma brilhante com versos que se eternizaram na memória dos que admiram a poesia pura do repente:

Mamãe que me dava papa,
Me dava pão e consolo,
Dava café, dava bolo,
Leite fervido e garapa.
Uma vez, deu-me uma tapa,
Mas depois se arrependeu,
Beijou-me onde bateu,
Desmanchou a inchação,
Quem não tem mãe, tem razão
De chorar o que perdeu.