PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DE DEVOÇÃO – Vinícius de Moraes

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios.
A única entre todas a quem dei os
Carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez… — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

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A PALAVRA DO EDITOR

AS PLACAS DOS AMIGOS. OU OS AMIGOS DAS PLACAS

Tenho aqui na parede do meu escritório, onde dou expediente todos os dias, uma coleção de placas.

Placas de logradouros públicos, com os nomes de alguns queridos amigos.

Destes aí de cima, três já se encantaram e me fazem uma falta danada: Cyl Gallindo, Orlando Tejo e Natanael.

Os homenageados é que escolhem o que querem ser: Rua, Ladeira, Alameda, Beco, Mercado, Arruado, Viela, Avenida, Esquina, Parque, Travessa, e por aí vai.

Ainda tem vaga pra Aeroporto, Alto, Caminho, Estação, Jardim, Viaduto, Rodovia, Baixada, Escadaria, Passagem, Conjunto…

O homenageado, como já disse, é quem escolhe.

A inauguração destas placas é feita numa solenidade festiva, com direito a discursos, louvações, puxações de saco e lavratura de uma ata, num livro que guardo com muito carinho aqui no meio dos meus papéis e arquivos.

A primeira ata é datada do dia 29 de novembro de 1996, quando eu ainda morava em Brasília, e tem 21 assinaturas.

Já lá se vão mais de duas décadas…

E a ata mais recente foi lavrada há pouco mais de um mês, e tem 37 assinaturas.

É do dia 1º de dezembro de 2019, mês passado, quando oito novas placas foram inauguradas.

Estas que estão na foto abaixo:

Do evento, além de muita conversa e fuxicos, constou um almoço com cardápio nordestinado, tendo ao fundo a excelente música do conjunto de Beto do Bandolim.  

Um dos homenageados, o colunista fubânico Marcos Mairton, que veio de Brasília para a reunião, cantou músicas de sua autoria e abrilhantou mais ainda o encontro.

Neste ano corrente de 2020, no próximo mês de dezembro, novas placas serão inauguradas, dentro do solene e majestoso ritual, copiado diretamente do manual do Palácio de Buckingham.

Amigos pra serem homenageados, de todas as partes do Brasil, é o que não me falta.

Tem gente que só a peste soltando indiretas, se insinuando e forçando a barra pra furar a fila. 

E eu me fazendo de besta e de desentendido…

Nas fotos abaixo, alguns flagrantes da solenidade de inauguração das placas mais recentes, aqui no meu escritório, nos quais aparecem os amigos homenageados.

E, no final de postagem, um rápido vídeo com cenas do encontro.

* * *

A PALAVRA DO EDITOR

ERA SÓ O QUE FALTAVA ELES ROUBAREM

Muita gente me mandou este vídeo pelo zap e em mensagens. 

O vídeo tá circulando intensamente. 

Consulto o nosso especialista em feiqui nius Ceguinho Teimoso:

Isso é verdade ou mentira?

Tão mesmo roubando até energia elétrica???!!!

Num acredito!!

Eu só vou acreditar se Ceguinho fizer a confirmação!!!

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLOS MEDINA – CAMPINA GRANDE-PB

Berto, seu cababom!!!

O Carioca tem dedo podre para votar !!!

Chega faz gosto conferir a lista. Vê só:

Cabral;
Pezão;
Lindberg;
Freixo;
Benedita da Silva;
Eduardo Cunha;
Rodrigo Maia;
Jandira Feghali;
Jean Wyllys;
David Miranda;
Moreira Franco;
Leonel Brizola;
Garotinho;
Rosinha G.;
Romário;
Witzel;
Talíria Petrone;
Glauber Braga !!!

Cuma tu diz: é pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Chega fede.

R. De fato, é uma lista respeitável, caro leitor.

Um time de primeira!

Trata-se de um eleitorado de altíssima conscientização política.

A rataiada eleita pelos nordestinos, e pelas demais regiões do país, chega fica com inveja.

Ainda bem que o fubânico fluminense Votador Consciente num tem nada a ver com isso:  toda vez que acontece uma eleição, ele tá viajando e depois justifica a ausência.

Votador adora fazer turismo: quando num tá em Caracas, tá em Havana.

Como faz todo bom lulo-zisquerdista.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

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A PALAVRA DO EDITOR

BONITO PRA CHOVER

Recentemente ouvi de um repórter de TV numa reportagem sobre o tempo, fazer este comentário: Está bonito pra chover! Lembrei então do quanto escutava tal expressão nas minhas andanças pelos interiores do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Tratava-se da manifestação mais autêntica de esperança brotada do âmago do sertanejo, desejoso de afastar o espectro de mais um ano de seca no seu rincão.

Em vez de dizer O tempo está fechado para chover ou Nuvens indicam que teremos chuva! O nordestino simplifica a frase premonitória e benfazeja dizendo: Bonito pra chover! São nessas ocasiões e com ditos dessa natureza que se constata, no fraseado simples, caipira ou matuto, a beleza do falar do nosso povo.

O Brasil possui duas línguas oficiais: Português e Libras – Língua Brasileira de Sinais. Contudo, o Censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas falando 274 línguas diferentes no país. O linguajar nordestino bem que poderia se enquadrar como dialeto regional, por conta de suas peculiaridades, caso contrário vejamos:

Artigo novo é zerado
Armadilha é arapuca
O doido é abirobado
Invencionice é infuca
O matuto é mucureba
Qualquer ferida é pereba

Falam-se em determinadas regiões do país variados dialetos. Porém, somente o palavreado do nordestino é considerado errado, pobre e até desdenhado, quando, na verdade é apenas diferente e rico.

Briga pequena é arenga
Enganação, esparrela
Toda prostituta é quenga
Rapapé é confusão
De repente é supetão
Insistência é lenga-lenga

Ninguém estranha quando o mineiro diz uai, trem, ocê, procê, barango, bobiça e ansdionte (antes de ontem). O gauchês é tão rico em expressões e gírias que nem todo gaúcho entende, mas que todos preservam como parte da tradição e do folclore de um povo miscigenado por várias etnias.

Quem é ruivo é fogoió
O tristonho é distrenado
Tornozelo é mocotó
Cheio de grana, estribado
Jarra de barro é quartinha
O banheiro é a casinha
Sem saída, “tá pebado”

Precisamos, sim, preservar e divulgar a riqueza cultural da nossa gente e região, como o fez o dramaturgo Ariano Suassuna e como se manifesta a cordelista cearense Josenir Amorim Alves de Lacerda, autora dos versos que intercalam este texto.

Se alguém é desligado é chamado de bocó,
Broco, lerdo e abestado, azuado ou brocoió,
Arigó e Zé Mané, sonso, atruado, bilé,
Pomba lesa e zuruó.

PENINHA - DICA MUSICAL