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CANCELAMENTO DE CPF CELEBRADO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Caro editor Luiz Berto:

Todo canalha tem medo da Justiça quando passa a valer a máxima para qualquer bandido de que “todos são iguais perante a lei”, segundo está instituído na nossa constituição cidadã, mas que na prática a teoria é diferente.

Veja o que disse o presidente da OAB Felipe Santa Cruz, essa figura abjeta, execrável, desqualificada, inimigo figadal do Ministro da Justiça e Segurança Sergio Moro, sobre a Lei de Abuso de Autoridade, elaborada pelo quadrilheiro travestido de senador Renan Calheiros e relatada pelo também senador bandidão Roberto Requião.

E em seguida assista o comentário do apresentador SikêraJr do programa ALERTA AMAZONAS sobre essa excrescência aprovada pelo Congresso Nacional em 2019, esconderijo onde se aloja a maior quantidade de bandidos por metro quadrado para assaltar a Nação.

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

TORTURADORES DE PEIXES

Comentário sobre a postagem FASCISTA CRUEL É FLAGRADO TORTURANDO PEIXE

Chatonildo:

A idiotice de algumas pessoas chega a ser grotesca.

Segundo essa pessoas o peixe sofreu e aí eu pergunto: comes carne?

De gado, de galinha?

Se comes não achas que és torturador?

E só para cutucar alguém que o idolatra:

A PALAVRA DO EDITOR

A CIDADE DESERTA

Uma vez voltei ao lugar antigo da minha infância antiga. Era um lugar de céu aberto, ensolarado, de manhãs de azuis intermináveis, onde árvores verdes deitavam suas sombras nas calçadas anchas pela tarde inteira.

Onde outrora era campo aberto, encontrei concreto. Andei à esmo, em busca do passado, para ver se via se ainda os lugares tinham permanecido intactos. Achava que poderia ainda sentir algum aroma antigo, tangerina, abacaxi, bolo de baunilha.

As ruas tinham mudado até de sentido. O que eu pensei que estava ali, estava noutro lado, opostamente colocado contra as lembranças. Não havia mais ninguém. A cidade vazia não me esperava.

Onde está o Zé Maria da banca de revistas? Não soube? Morreu. Infarto fulminante numa bela manhã de sábado.

O Germano, meio índio, que consertava todo tipo de eletrodoméstico sem nunca ter feito sequer um curso, também tinha morrido bem jovem.

Aquele campo enorme, descampado, onde à noite avistávamos as constelações, onde está? Hoje está ocupada por um prédio de apartamentos, mal a encontro.

Aquela nossa professora, quem nem mais o nome lembro? Ainda mora aqui? – Sumiu um dia. Dizem que foi por aí, embarcada numa dramática desilusão amorosa. Enlouqueceu, perdeu o prumo. Nunca mais se soube dela o paradeiro.

Mas o professor Epaminondas, que era militar do Exército, que nos obrigava a cantar o Hino Nacional, ainda mora aqui, não mora? – Que nada! Foi transferido daqui. Mora agora nos confins de algum desses lugares distantes do norte do País.

E o colégio onde estudávamos? Como está agora? – Fechou. Não existe mais.

Então não sobrou ninguém para que possamos conversar, relembrar os tempos de nossa meninice, um lugar onde possamos tomar um café? – Na verdade, não.

Foi então que percebi que eu não pertencia mais àquele lugar. Outras pessoas ocupavam as ruas que eram nossas, as calçadas sombreadas onde brincávamos nas tardes ensolaradas de verão, e as estrelas, ora, as estrelas eram outras. Uma a uma as coisas vão sumindo.

Foi então que eu percebi que eu mesmo me tinha ido embora.

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A FAZENDA AURORA – SUAS LAGARTAS E BORBOLETAS

Fazenda Aurora e seu campo de girassóis

Tudo, acreditem, aconteceu na Fazenda Aurora, uma das maiores propriedades de Ricaço, sujeito caladão, que só se preocupava em ficar cada dia mais rico com a plantação, colheita, e venda de girassóis.

Numa manhã chuvosa de domingo, na casa de Dona Lurdinha, os moradores só perceberam alguns estragos feitos pela chuvarada, depois que o dia clareou.

Aquele cheiro gostoso e inconfundível de terra molhada, ajudava abrir o apetite para o farto café da manhã para quem ainda estivesse sonolento, mas já preparado para a pequena caminhada que levaria até à Santa Missa de domingo, celebrada pelo Padre Elói.

Antes mesmo que todos saíssem de casa, o sol deu o ar da graça, desenhando pelas frestas das telhas, reais obras de arte. E esse mesmo sol começou a agir, esquentando o solo, fazendo com que todos esquecessem que, horas antes havia caído quase que uma tromba d´água.

E, aproveitando que todos saíram de casa a caminho da Igreja, Mimosa, uma horrível mas colorida lagarta, resolveu sair do esconderijo por debaixo de umas folhas grandes, e iniciou seu trabalho de devastação do verde que, de tão bonito, fazia tremer a vista de quem olhasse procurando a linha do horizonte.

A feia lagarta Mimosa

E destruía, ao mesmo tempo que comia, enquanto caminhava aos pulos na direção da enorme plantação de girassóis. E caminhava aos saltos, ao tempo que se dobrava e desdobrava. Sabida, procurava a sombra das folhas verdes que não lhe interessavam. Ela queria mesmo era os talos e os botões dos girassóis.

À medida que o tempo passava, mais ela comia e destruía. Uma brisa leve lhe trouxe o aroma dos girassóis, fazendo-a compreender que a plantação não estava perto. Continuou comento. Continuou destruindo, até que, anestesiada, quase dormindo, sequer se deu conta que havia chegado na plantação. Adormeceu.

Casulo de lagarta para borboleta

A alta temperatura lhe trouxe um esconderijo. Uma sombra escura de várias folhas muito verdes. Foi coberta por um casulo. Veio a tarde, e veio a noite, e, no dia seguinte veio o amanhecer, o entardecer, e um novo anoitecer.

Um dia, dois dias, vários dias, um mês. Mais um mês e mais outro. Aquele casulo tomava forma diferente, querendo dizer que não era mais uma horrível lagarta chamada Mimosa, por ironia.

A bela transformação da Natureza

Eis que, belo dia – por coincidência, também domingo! – a Primavera chegava, trazendo aquele mar amarelo de centenas de milhares de girassóis. O casulo, se abria, enfim! E um vento forte açoitou a Natureza e deu asas a uma bela e pintada borboleta, que, ao lado das abelhas, parecia pousar em cada girassol, para agradecer-lhes a beleza da transformação da vida.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Brites de Albuquerque

Brites de Albuquerque nasceu em Portugal, em 1517. Colonizadora, donatária da Capitania de Pernambuco e esposa do primeiro donatário Duarte Coelho, é reconhecida como a primeira governante das Américas. Integrante da família dos Albuquerque, incluídos entre os “barões assinalados”, no poema Os Lusíadas, de Camões. Uma das poucas mulheres que sabiam ler e escrever naquela época. Desembarcou no Brasil em 1535, junto com o marido, o irmão Jerônimo de Albuquerque e extensa comitiva para colonizar o Brasil. “Dama do Paço Real” em Lisboa, passou a viver numa choupana em terras brasileiras. 

Foram morar no “Sítio dos Macacos”, próximo de Igarassu, numa fortaleza improvisada para se proteger de alguns índios e dos franceses na espreita para explorar aquelas terras. Pouco depois encontraram um lugar mais seguro, em Olinda, no local onde hoje se encontra a Igreja da Sé. Em 1553 Duarte Coelho retornou à Portugal – junto com os filhos Duarte e Jorge, que foram estudar em Lisboa – para prestar contas junto a Coroa. Dona Brites, junto com a filha Inês de Albuquerque, assumiu interinamente o governo da capitania, tendo como assistente seu irmão, que viria a ser conhecido como o “Adão Pernambucano”, dado a vastíssima descendência que deixou no Nordeste.

Em 1554 Duarte Coelho faleceu em Portugal e ela passou a ocupar o cargo de “capitoa”. Governou a capitania de Pernambuco até 1560, quando Duarte Coelho Filho atingiu a maioridade e retornou ao Brasil para assumir o governo sob sua supervisão. Em 1572, os filhos Duarte e Jorge são chamados pela coroa portuguesa e incorporados a armada do rei Dom Sebastião, que avançava sobre a África. Ambos são feridos e mortos na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Dona Brites voltou a comandar a capitania até 1584, quando veio a falecer em Olinda. Sob seu comando Pernambuco tornou-se a mais próspera capitania, onde o poder politico é exercido em sua plenitude.

A história registra que no seu governo, manteve a ordem e a paz; legislou e controlou os assuntos dos colonos; construiu e urbanizou núcleos; viu surgir o Recife e acompanhou o lento progresso de Igarassu; promoveu a expansão verde dos canaviais e o florescimento dos primeiros coqueiros introduzidos no Brasil pelo marido e que deram nova fisionomia às praias pernambucanas. Foi ela quem mais distribuiu terras no sistema de sesmaria, que normatizava a distribuição de terras destinadas à produção agrícola. Dessa forma, distribuiu o poder e manteve a estabilidade politica e econômica na região. Em resumo, alentou com a sensibilidade de mulher o progresso da capitania que mais prosperou no Brasil. “Dona Brites” ficou conhecida como a “mãe dos pernambucanos”, segundo o historiador Frei Vicente do Salvador.

Consta que foi uma excelente administradora e que nutria uma relação de afeto com os filhos dos principais chefes indígenas. Dona Brites viveu 50 anos de sua vida em Pernambuco. Passou 30 anos governando a capitania desde os primeiros anos atribulados da colonização, mas pouco se ouve falar dela. Seu marido governou a capitania por 18 anos e é o único lembrado quando se fala das origens de Pernambuco. Não obstante todo esse tempo no comando da capitania, ela continua sendo uma ilustre desconhecida, não havendo sequer um retrato ou imagem de sua feição.

O desconhecimento não é apenas de seu rosto. Para ela não restou nem a lembrança de seu nome numa rua, praça ou qualquer logradouro para mitigar o esquecimento. Apenas em Olinda consta seu nome numa pequena escola publica e numa maternidade, mas ninguém sabe de quem se trata. Sua dimensão histórica tem sido negligenciada até hoje e foi inteiramente ofuscada por uma estrutura patriarcal que apaga as mulheres da nossa memória política. Hoje, quando tanto se fala em resgate da memória e “empoderamento” da mulher, os pernambucanos bem poderiam clarear mais a história e pleitear sua presença no panteão dos fundadores da pátria.