SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

“NACHALO” E “KONETS”

“Acuérdate de que mi vida es un soplo, mis ojos no volverán a ver más la felicidad.” Job, 7:7

Tem gente que quer ver o Mickey e outros, mais modestos, contentam-se com a Disneylândia Bolsonarista (créditos para o C.Eduardo), pois o dólar está proibitivo para bolsos médios e os Estados Unidos nunca foi fã dos pobres brasucas.

E como é no JBF que se desenrolam as “atrações” da Disneylândia Bolsonarista, eis Sancho a “passear” pelos parques temáticos desta escrota gazeta da bixiga lixa onde o fubânico tem o mérito e o privilégio de ir beber à melhor das fontes (fringe benefit).

Hoje é um daqueles dias em que planejo fazer algo que vai mudar o mundo (cuando termino de pronunciar futuro la primera sílaba ya está en el pasado”, escribió Wislawa Szymborska. La frase alude al paso del tiempo, pero también describe la fragilidad de nuestros proyectos y de nuestra vida.)… Ops, hoje tenho crônica no JBF. Então deixarei para amanhã o feito que vai mudar o mundo. Sim, melhor amanhã. Sim, é isso, amanhã. Prepare-se mundo… ¡Tú estás loco, Sancho!” No, estoy coco!

Falando em mudar o mundo…Fui até a casa da sogrona e a velhota, ao me ver estacionando o Quixote Véi di Guerra, correu e pregou na porta dois cartazes, onde se lia: “visita é igual peixe; no terceiro dia começa a feder.” Benjamin Franklin e “Visitantes sempre dão prazer. Senão quando chegam, pelo menos quando partem” Provérbio Português. Fingi não notar a “indireta” e o “amor” da velha por mim. Mas a estadia era rápida… Fui até o covil da bruxa para “furtar” sua vassoura, pois estou querendo participar do mega-evento Pró-Bolsonaro, o alienígena. Aproveitei para dar uma abraço apertado, de filho, no sogrão Chiquito, um cabra pra lá de especial.

Ah, você não está sabendo? Primeiro foram as passeatas em verde-amarelo, seguido das carreatas, motociatas e agora o fubânico amigo está convidado para o DISCOCIATA VOADORA, que partirá de Curitiba (segundo a Gazeta do Povo, arquivos da Aeronáutica -preenchem os militares formulário padrão de ocorrência de “Tráfego Hotel” – expressão utilizada pelas Forças Armadas para se referir a Objetos Voadores Não Identificados- “elegem” Curitiba como a capital dos discos voadores). Da cidade mais bela do Brasil (você não conhece Curitiba? Não sabe o que está perdendo) iremos até Varginha-MG, de onde rumaremos até a Estação Espacial Internacional (no pain no gain).

Como não tenho grana para grandes projetos, usarei a vassoura da sogrona, onde acoplarei duas parabólicas, com uma invertida sobre a outra, formando o disco, que será propulsado pela potente magia da vassoura de bruxa. Tal evento está planejado para o primeiro trimestre de 2022. Prepare-se, leitor amigo…

Falemos desta senhora que tanto me ama…Por escrito, que palavras leva-as o vento. Toda a bronca de minha sogra com este que vos escreve decorre de fato pretérito, onde Quesliandra, minha esposa, a hospedou em nossa residência e a curiosa e detetivesca velha, sem nada a fazer, resolveu dar uma de Miss Marple (ela é fã de Agatha Christie) e descobriu a desventuras sanchianas no putanhal (às vezes dá-me jeito inventar palavras)…

Se tal cópia de Miss Marple perguntasse a ele o que buscava em outros corpos, sendo a esposa uma formosura de mulher, diria que era vício, que desde o final da adolescência mãos invisíveis o arrastavam aos bordéis da vida (son fuertes los latidos del corazón).

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¿E ISSO LÁ É NOME?

Estou a bebericar uma cerveja enquanto espero dar a hora de buscar meu marido no salão de beleza (sim, os homens agora frequentam tais lugares).

Estou em um bar próximo ao salão, lendo Francesca Ferlaino (Professor at the Institute for Experimental Physics of the University of Innsbruck), uma das autoras da investigação sobre um novo estado da matéria em outra dimensão.

Assegura a cientista que, em recente estudo da NATURE, observou estados supersólidos apresentarem simultâneamente propriedades típicamente associadas com um sólido e com um superfluído. Devido aos efeitos quânticos, um gás de átomos muito frio pode desenvolver espontaneamente tanto uma ordem de um cristal sólido quanto um fluxo de partículas como um líquido quântico superfluido, ou seja, um fluido capaz de fluir sem qualquer atrito (me veio à mente Peter Parker, Ômiraña, lançando teias pelos arranha-céus de NYC).

Deixo de lado a explicação da bela doutora Francesca Ferlaino (Prêmio Lieben de 2015), pois no espelho que reflete minha beleza, vislumbro um interessante homem. Da minha mesa de fundo da qual observo todos os “entrantes” para a beberagem, vejo-o aprumado, digno, barbudo, ainda bonito.

Foi em “tempos idos” um homem “lindo de morrer” e muitas matariam por ele, segundo me contou o bartender que pintou os cabelos com as cores do arco-íris.

“Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de anjo… Sim, ele poderá convencer os outros de sua angelitude – mas que trabalheira!”Mário Quintana. Voltemos ao belo…Já perdeu o viço, mas ainda conserva o porte de quem fazia sorrir moçoilas na flor da idade.

Chama-se Luiz Carlos Sancho de Panza, mas os amigos trocaram o “z” pelo “ç”, cortando o Luiz Carlos da história e acabou virando, pela boca de todos, mesmo sem grande pança, o Sancho Pança, fiel escudeiro de putas, caminhoneiro de muita estrada e poeira, sorriso fácil, granjeador de amigos, bom de copo, frete e garfo. Dizem que se mete a escritor lá pelas bandas de Pernambuco, na capital, em um tal Jornal da Besta Fubana. E isso lá é nome de jornal de respeito?

Fala alto o cabra. Fico sabendo em seu papo com os camaradas, que ajusta o celular para o informar diariamente às 02:00, para a ida madrugal aos cocos e que a mensagem é com a voz rouca da Scarlett Johansson a dizer: «Que Vossa Senhoria ligue o Quixote Véi di Guerra, pois tem grandes coisas a fazer, meu gostoso».

Pensei na bela Scarlett a dizer «meu gostoso» ao velho Sancho. Não contive o riso. Aguço os ouvidos e fico sabendo que há anos (desde 2013) que uma das grandes coisas que faz o caminhoneiro é ler todos os dias, de fio a pavio, o JBF e frequentar, sempre que possível o Cabaré do Assuero, onde sempre procura a quenga Mercedita e bebe goró com Neto Feitosa, Maurino, Berto e Violante. Como diria Georg Wilhelm Friedrich Hegel, o filósofo, “é parte da sua diária oração matinal”.

Neste “diário e repetitivo entrar” diz se informar sobre a “guerra entre lulistas vs bolsonaristas” e conclui que nenhum dos lados está certo ou errado, uma vez que ambos lutam por aquilo em que acreditam. Filosofa o gajo: “A vida é aquilo que passa enquanto tú estas ocupado com a campanha eleitoral de 2022”. «From the bottom of the pool, fixed stars / Govern a life», escreveu Sylvia Plath.

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QUE TAL? POR QUE NÃO?

Filosofa Chupicleide: “No meio da zorra fubânica sempre pescamos pérolas, dobrados españóis, sapatos velhos y otras cositas mas… Um Ford Thunderbird verde, Susan Sarandon e Geena Davis… O filme Thelma and Louise fez 30 anos neste 2021… Como o tempo voa sobre o abismo da vida, não é mesmo, Bosti? “

Sim, Bosticler está, por ordem de Berto, sempre ao lado da amiga, como fiel escudeiro disposto a defender a “pureza” da Cleidinha e afastar os “gaviões” e os Pedros Caroços que sempre estão de olho na “butique dela”, como cantaria Genival Lacerda.

Segue em suas reminiscências, a eficiente secretária do JBF: “13 anos de JBF… Quanto “ralamos” e como nos divertimos “bagarai” e à “beça” a cada jornada nesta escrota gazeta. Mas que é ralado, é. Taí Berto e Aline, que não me deixam mentir.”

Prossegue: “Estou muito “chapada, borrasca, facinha e com um bafo de pinga “didadó”, Bosticler. Perco-me nas recordações de tudo que passei nesta gazeta escrota, quantas cantadas sem graça de colunistas e comentaristas, quantos que por aqui passam se achando no direito de serem “engraçadinhos” e quantas e tantas vezes fui chamada “carinhosamente” de cachaceira pelo “amado chefinho”, enquanto carrego nas costas todo o expediente pesado desta gazeta escrota, sem reclamação alguma, sem receber as horas extras previstas pela legislação trabalhista, enquanto cabe a Berto ajustar a temperatura ideal do ar condicionado, beber escondido de Dona Aline o uisque 12 anos e fumar o charuto cubano que mandam direto da ilha paraíso”.

Levanta o braço e acena: “Quer saber? Garçom, traga mais uma garrafa de pinga, que hoje eu quero é me embebedar e fazer história, pois acabei de ter uma excelente ideia”.

Bosticler se mostra interessado, pois inteligente a loira é. “Conta logo, Cleidinha; que ideia foi essa?”

” Calma, meu amigo, segura a ansiedade. E quer saber o pior, Bosti? Aposto que dirá Berto quando eu contar a ideia, que Chupicleide, após encher o rabo de cachaça no Bar da Tripa, bairro do Totó, em Jaboatão dos Guararapes, para comemorar os 13 anos de existência desta gazeta escrota neste ano da graça de 2021, chega à redação e decreta que é hora de atingir o “coração da besta”. Todo 7 de agosto iremos comemorar o Dia do Fubânico”.

Abrem-se os parênteses, para se fecharem adiante: (Dia do Fubânico, um Besta Day)… “Uma ideia é só um ponto de partida.” Pablo Picasso.

Bosticler sorriu, aprovando a ideia e, sendo o amigão de sempre: “Não chora, Cleidinha. Argumente que está agendado para 18 de setembro o “Dia do Batman e se até o morceguito que brinca de esconde-esconde com o Robin tem seu dia, o Batman Day 2021, nada mais justo termos o Besta Day 2022… Darás seu melhor sorriso e dirás: “Que tal, chefinho querido?”

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O COMBINADO NÃO SAI CARO

Miltinho de “Seu” Milton venceu distâncias e chegou esbaforido à casa sanchiana. Sem muitos salamaleques foi logo dizendo:

– Seu Adamastô está morrendo e quer te ver (“Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio.” Maquiavel).

Fiz cara de interrogação. O que queria comigo o velho Manel Odophridu Ishytorte Maximilliânus Adhamastô Sylva y Silva, que já era velho quando jovem eu era. Que morresse junto aos seus, que com ele eu nada tinha a ver. Que adiantasse o motivo.

– Sei não; herança pra ti é que não é, pois até ontem ele te esculhambava, te chamava de “Doogie” dos infernos e rogava praga por você ter comido a amante virgem dele, a manca Sônia Maria (incapaz de esquecer as palavras, os rostos, as ocasiões e os desafetos. A vingança sempre fora seu prato preferido. Assim definia-se Adamastorzinho, nas palavras de sua mãe).

Entre outros males, estava a decrépita figura a sofrer de solistência, termo da lavra de Guimarães Rosa para definir a solidão da existência de tudo que vive.

– Pede pra ir ligeiro, pois a morte está à porta. Disse que paga seu dia de trabalho para atender o chamado e já adiantou dois mil contos, que aqui estão.

Quixote Véi di Guerra na estrada, Rodoanel Mario Covas pela frente, Via Dutra muito tempo depois e Rodovia Lúcio Meira até Vassouras, com estradinha até Desengano, sempre repleta de reminiscências.

Caminhão na porta, tantas recordações do dia em que a virgindade de Sônia Maria, a amante virgem do velho, na cabeça da pica para sempre perdida, o flagra, a arma apontada para minha cabeça, os tiros, que, graças ao tremor da mão pela raiva incontida, a Sancho não acertaram.

Hora de acertar velhas contas? Tinha o velho saído da farda e, para surpresa de todos, virado ferrenho comunista; para encerrar discussões, dizia: “Ressalte-se e registre-se que o regime comunista chinês nunca aventou que se ia transformar num regime democrático, muito pelo contrário. O regime vermelho da foice e martelo sempre disse, e demonstrou, pela força quando necessário, nunca pelo amor, que entendia continuar a ser o que sempre fora e que jamais deixará de ser…”.

O filho Cesinha me recebeu e conduziu ao leito do velho, dono da porra toda, de mil fazendas e da vida de tantos que por ali nasceram, viveram e morreram.

Quando me viram seus olhos ganharam viço (amor e ódio, irmãos siameses no mundo dos sentimentos), esboçou um sorriso. Dobra-se o ancião de ignorada idade, pois quem sabia calava e quem não sabia não ousaria perguntar.

A enfermeira ruivinha de olhos verdes com covinhas lindas nas bochechas auxilia o corpo emperrado se ajeitar. Apoia suas costas na cabeceira da cama. Tosse, pigarro, catarro e cuspida certeira no sapato de Sancho.

– Cabra, quero te pedir um favor.

– Manda ver, “Seu” Adamastô, o que o general quer?

O veterano da Caserna não se fez de rogado.

– Você me deve uma virgem, lembra-se?

Como esquecer a deliciosa e quase fatal manca? Consenti com a cabeça.

– E é um cabaço maduro, que vais me dar, seu filho de quenga; tem que ser maior de idade, pois não quero encrenca com menores.

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ONCE UPON A TIME

“Ríe cuando estés triste, llorar es demasiado fácil.” Marilyn Monroe

A passos muitos da descida da “avenida da liberdade” encontra um distraído leitor ao Quixote Véi di Guerra parado no semáforo da Rua Palestra Itália e duas belas jovens, ostentando camisa do Palmeiras, passam na faixa de pedestres, apontam e riem alegremente da feiúra de Sancho; infelizmente em alguns lugares deste planeta as mulheres não podem sorrir dos ou para os feios, muito menos torcer para um time de futebol.

A beleza das jovens me faz lembrar que Quesliandra mandou eu passar na farmácia e levar a tintura de cabelo preto asa de graúna; infelizmente nos mesmos lugares onde rir não podem, as mulheres também não se dão ao luxo de andar com os cabelos soltos ao vento. Pintar nem em sonhos, pois sonhar não podem. O sinal pôs-se verde e eu arranquei…

Chegando à farmácia pertinho da Allianz Arena, a balconista de radiante sorriso me atende; infelizmente há lugares onde, trabalhar ou darem radiantes sorrisos a um desconhecido, não podem as fêmeas humanas.

Da farmácia vou à veterinária para comprar o remédio para gases da Quesli e a figura da doutora Francine, sempre tão cortêz e competente, me faz lembrar, com imensa tristeza, que há lugares onde a menina Francine jamais poderia ser doutora, pois estudar não podem as filhas de Eva.

Mulheres sonhadoras, puras, trabalhadoras, estudiosas, algumas putas ou santas, todas maravilhosas, “inexistem” em um mundo perdido e de cor cinza onde as jogaram, apegadas ao ontem, indiferentes ao amanhã, presas a um hoje que infinitamente se repete, e em monotonia se assemelha ao nada, que as jogam, “totalmente apagadas” em lugar nenhum.

Urge cerzir a esgarçada liberdade, pois algo de errado não está nada certo. Indo ou vindo, por aquelas terras é igual o desarranjo, o sentimento de ameaça que paira sobre as cabeças femininas, que possuem por direito o único direito de não ter direitos (“Um anjo no Inferno voa na sua própria pequena nuvem de Paraíso” Eckhart de Hochheim).

Sobre a liberdade, não conhecendo, a gente se satisfaz; conhecendo, a gente sempre quer mais. A elas foi negado o direito ao espelho para retocar os lábios, corrigir as pestanas, compor o penteado, ajeitar o chapéu, perfumar e admirar o corpo. (“Toda a vida me deitou vinagre: estou bem marinada. Como posso agora ser só mel?” Conta-me uma adivinha, de Tillie Olsen).

Por que para alguns, tais “liliths” são tão perigosas a ponto de ser necessário “apagá-las”, tirar delas qualquer possibilidade de poder que não seja o de obedecer? Recorro a Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo: «Dai às paixões todo o ardor que puderdes, aos prazeres mil vezes mais intensidade, aos sentidos a máxima energia e convertei o mundo em paraíso, mas tirai dele a mulher, e o mundo será um ermo melancólico, os deleites serão apenas o prelúdio do tédio.» Alexandre Herculano, Eurico, o Presbítero [1844], 40.ª ed., Lisboa, Livraria Bertrand, Pp. IV-V.

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HOMENS DURÕES E COCO CHANEL

Como minha querida Ana Paula Henkel nos “disse que disse” o psiquiatra Jordan Peterson, um dos melhores pensadores da atualidade, “se você acha que homens durões são perigosos, espere até ver do que são capazes os homens fracos”.

Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça.” Leonardo da Vinci… Por estas e outras trabalhamos (nós, homens durões) tão bem aqui no JBF. Você vai de colunista a colunista e se delicia com textos maravilhosos, crônicas espetaluclares, poesias de fazer sonhar, cordelistas fantásticos, fotos de encher os olhos, vídeos maravilhosos, comentaristas sapientíssimos e agora temos até (pasmem os senhores) membro da Academia Pernambucana de Letras entre nós… Ou você acha que a ABL perderá a oportunidade de ter em seus quadros o jurista, escritor (especialista em Fernando Pessoa), José Paulo Cavalcanti Filho? Eis o que escreveu o Papa sobre o assunto: “(…)quero ressaltar é que um colunista do Jornal da Besta Fubana VAI SER ELEITO e vestir o fardão da ABL.” Papa Berto. Quem não concordar que reclame com o PAPA, ora pois…

A verdade já existe, a mentira precisa ser inventada a cada abrir de boca… Ça va sans dire. De certezinha (se o faz, faz bem). “Não desistas dos teus sonhos!! Continua a dormir e a roncar!” Parece-me, salvo melhor juízo, que algo importante está a nascer aqui. A ver vamos. Toda a torcida de Sancho pelo magnífico José Paulo Cavalcanti Filho.

Tenha fé Sancho, fé! Dia 7 Sancho estará mais uma vez em verde-amarelo na PAULISTA, sempre junto ao MASP… JBF? Sim, este é o JBF de todos nós… “Cada palavra tem o seu peso, sua cor, seu destino. Exposta, sua face é escolhida. Ela fica onde se prega, carrega a ilusão, o pensamento, a ideia. É sempre incerta, incompleta. Os poetas conseguem ver sua imensidão, o seu vapor colorido. Quem as lê, as liberta, interpreta a face que lhe completa.” Elisa Bartlett.

Ontem foi dia de Gabrielle Bonheur Chanel (Saumur, 19 de agosto de 1883)… Cocos who changed the world…Gabrielle virou Coco não por ter se enamorado do vendedor de cocos chamado Sancho (San Cho Coco Loco)…Seu apelido, Coco, surgiu em razão de uma canção, “Qui qu’a vu Coco dans l’Trocadéro”, que ela interpretava.

Khatia Buniatishvili … À 57 ans je suis tombé amoureux de cette femme dont la beauté n’a d’égal que l’émoi qu’elle produit avec sa musique, ce qui n’est pas peu dire. Quem não caiu na rede de Sancho foi Khatia Buniatishvili (thank you, Khatia, you make my mornings so beautiful)… Mas (inquieto mas), por que cairia?

Hans Küng, assim como Sancho, acreditava:”Não tenho provas, mas tenho bons motivos para acreditar que a minha vida não irá desembocar no nada, do mesmo modo que o cosmos não pode ter nascido do nada. Acredito que morrerei para dentro de uma realidade inicial e última, a que chamamos Deus.” Sim, Sancho é um homem de fé…

Tom (Antônio Carlos Sylva y Silva) era bonito, cantava bem, encantava as moçoilas (muitas caíam facilmente em sua rede), não pagava para ter mulher em puteiro (elas faziam de graça) e é amigo de Sancho. O tempo passou para ambos. Encontrei-o recententemente na Praça da Sé. Feio, velho, careca, barrigudo (já não atiça nenhuma fêmea)…E continua amigo de Sancho, a única coisa que não se alterou… Só eu continuo belo (perdoar-me-ão os invejosos?). Realmente alguns “tons” jamais chegam a Jobim.

José Veríssimo Dias de Matos, em sua magnífica História da Literatura Brasileira (1916), põe a nu alguns de nossos queridos autores: “Na literatura brasileira dá-se freqüentemente o caso estranho de iniciarem-se os escritores com as suas melhores obras e estacionarem nelas, se delas não retrogradam. O fato passou-se com Alencar com seu “o Guarani”, com Macedo com “a Moreninha”, com Taunay com “a Inocência”, com Raul Pompéia com “o Ateneu”, com Bilac com as suas “primeiras Poesias”, e se está acaso passando com Graça Aranha com o seu Canaã”. Reflito sobre tais escritores e suas obras e concluo que provado está: nem todos são Luiz Berto Filho, de múltiplas obras, cada uma mais genial que a outra e simpatia sem igual.

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A PUTA DO PATO DONALD

«A letra de Deus nem sempre é decifrável e ninguém conhece a língua em que escreveu a alma humana.» António Alçada Baptista, O Riso de Deus.

João Francisco Carioca era menino do Leblon (só mais adiantado na idade que iria parar em Ribeirão Preto) e como “bom menino do Rio”, estava sempre a percorrer praias de nudismo em busca de “um bronze total”, enquanto seu amigo Sancho, que nas horas vagas dizem ser charlatão e curandeiro, está sempre a suar entre cocos em busca do “ouro” ou, no mínimo, de “la plata” (ganhar o pão é preciso, viver como “bon vivant”, não).

Terminadas as competições olímpicas, onde, para desespero de certos defensores do politicamente correto (definição do “politicamente correto” dada pelo escritor belga Wim van Rooij: “Pega-se no cagalhão pela ponta mais fina e enaltece-se o seu fino aroma.”), dos mimizentos de plantão, de certos defensores de cotas, APENAS existe o mérito, pois o melhor, o mais preparado, o mais capacitado, o que mais suou e deu de si durante os treinos (nem sempre nas melhores condições), quase sempre GANHA o ouro ou “la plata”, voltemos nossos olhos para as provas diárias que cada brasileiro, que não pode se dar ao luxo do “bronze” nas areias das praias, enfrenta (há que se defrontar com e vencer um leão ao dia, nos nada olímpicos jogos do cotidiano de cada um).

Não, não está nada fácil para QUASE ninguém neste momento da história, onde boa parcela da polulação necessita de auxílio emergencial e bolsa família, ops, Auxílio Brasil. As pessoas são como livros comprados sem referência: boa parte nos enganam por causa da vistosa, colorida e bela capa; muito poucos nos surpreendem por causa do conteúdo (escrevo isso em virtude dos milhões de desavergonhados e criminosos fraudadores dos programas sociais). E Deus vai traçando linhas e embelezando o mundo…

Não, a beleza não surge do nada… Sancho é muito belo, como pode ser constatado por uma olhada na foto existente no topo da coluna em que é titular. Pela falta que me fará, suplico para que não morras de rir com tal afirmação pós olhadela, caríssimo, belo e único leitor.

Peço a Berto, nesta missiva, que contrate urgentemente um segundo leitor para minha coluna, pois vai que o único existente, já de idade avançada, venha a morrer («A morte não tem segredos. Não abre portas. É o fim de uma pessoa. O que sobrevive é o que ela ou ele deram às outras pessoas, o que permanece nas memórias alheias.» Norbert Elias, A Solidão dos Moribundos, pg. 77.), ficarei totalmente entregue ao zero leitoral sextafeiral.

Estou a considerar seriamente em pedir a meus amigos Marcelo Bertoluci (Dando Pitacos), Maurício Assuero (Pare, olhe e escute), Cícero Tavares (Crônica e Comentários) e Marcão, lá do Dado&Traçado, figuras de proa entre os maiores deste JBF, um empréstimo de algum leitor menos fiel, que à troca de alguma “pequena propina”, comece a frequentar a área de comentários de minha coluna.

A beleza sanchiana vai de encontro e casa perfeitamente ao que definiu Elisabeth: “Las personas más bellas con las que me he encontrado son aquellas que han conocido la derrota, conocido el sufrimiento, conocido la lucha, conocido la pérdida, y han encontrado su forma de salir de las profundidades. Estas personas tienen una apreciación, una sensibilidad y una comprensión de la vida que los llena de compasión, humildad y una profunda inquietud amorosa. La gente bella no surge de la nada” Elisabeth Kubler-Ross.

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OS IMENSOS DA LITERATURA

Estamos a confundir a obra-prima de mestre com a prima do mestre-de-obras? Um recado para Adônis: ando um tanto quanto a deixar de lado “meu” Ludwig e o “seu” Wolfgang para ouvir Georg Friedrich Händel. Indico ao amigo “A chegada da rainha de Sheba”.

A vida continua, sempre. Celebremo-la, com todo o seu mistério e toda a sua beleza. Fará amanhã 100 anos. Chama-se Luiz Berto Filho e não precisa de apresentações (O ômi é coisa muntcha!!!). Estamos no ano de 2046. Tem-nos dado, ao longo de quase toda a sua vida, muitos e inestimáveis presentes: seus livros, seus “causos, seu JBF, sua Palmares e a oportunidade única de ser apresentado a pessoas maravilhosas como Rômulo Simões Angélica, um cabra pra lá de ótimo, nascido em Nossa Senhora de Belém do Grão Pará e que estudou na Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg, tendo saído da Alemanha apenas e tão somente porque queriam que ele fosse chanceler, mas, cavaleiro como nenhum outro, deixou o comando com Angela Dorothea Merkel, a Doró Teteia.

Bom, deixemos o “alemão” para outra hora e mergulhemos em Palmares, a “Atenas Pernambucana”, “Capital da Mata Sul” e “Terra dos Poetas”, por ser o berço de ilustres e renomados poetas, romancistas, teatrólogos e um largo etcétera…

(…) Nós os meninos dos Palmares.

Corro até minha desbotada, amassada, ressecada, rasgada certidão de nascimento na esperança de ter nascido em Palmares. Leio o nome: Luiz Carlos de Sancho Panza. Sim, sou eu. Leio o local de nascimento naquele alvissareiro dia 11 de novembro de mil novecentos e antigamente. Não, não nasci em Palmares. Não, eu não sou guardião do vento, vigia do barulho das águas, apontador de estrelas. Eles sim, eles, os donos da felicidade, eles, os meninos que nasceram em Palmares.

Onde encontro uma máquina do tempo onde eu possa entrar e, retornando ao passado, conduzir minha prenha mãe a uma estalagem, com uma simples manjedoura em Palmares? Quem falou em três reis magos? Nada disso! Quero apenas pertencer ao seleto grupo dos guardiães do vento, vigias do barulho das águas, apontadores de estrelas.

Hi ha poques vegades que un gran escriptor i un gran cor coincideixen en una sola persona. Não, esse não é Sancho, é Berto… Hablemos de Luiz Berto Filho, filho de Luiz Berto e da bela Quiterinha.

Falemos deste varão nascido palmarense, em um matinho qualquer, pois não havia manjedoura disponível, na região sul do Estado de Pernambuco, no ano da graça de 1946, mais precisamente às vinte e três horas, vinte e três minutos e vinte e três segundos (23:23:23) de um dia como amanhã, um 7 de agosto, em Palmares (lembram-se da rebelião dos escravos africanos em terras brasileiras?).

Berto, como a maioria dos fubânicos, é de “aquellos tiempos en los que las cartas eran el principal medio de comunicación entre las personas”.

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ENSABOADOR DE DEUSAS

‘O amanhecer é um pássaro ligeiro. Leva nas asas a escuridão da noite’. Frase do livro ‘Asas’, de Jaime Vieira.

“Pitágoras de dia era um grego muito sábio, agora, de noite, era “Pipi’, uma grega muito louca!” Orlando Drumond, o “Seu Peru” (beijão de Sancho ao gigante Orlando Scooby-Doo Drumond, eterno enquanto houver amanhãs)…

“Estou porrrr aqui!” «Não aguento mais as palavras crise, pandemia, máscara, lockdown, especialistas, politicamente correto e desejaria mandar tudo à PQP, mas (destrambelhado mas), não posso, porque tenho o luxo das quadrigêmeas amantes tailandesas a sustentar e uma empresa de distribuição de cocos a faturar e, por isso, terei de andar pelas estradas da vida na máxima de uns cocos aqui e outros acolá. Este é um desabafo que não serve a ninguém, que não seja o Sancho. É terapia. Desculpem cá e lá.» Sancho Pança.

“Euzinho” que sonhei com o cruzar de pernas da Catherine Tramell num “Basic Instinct” enquanto segurava a cintura de Rose DeWitt Bukater na proa do “Titanic”, onde viajava para chegar “Meia Noite em Paris”, para Woody Allen me apresentar a Scott Fitzgerald, Zelda Fitzgerald, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Man Ray, Ernest Hemingway, Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin, Cole Porter, Josephine Baker e T. S. Eliot. Sonho é uma coisa realmente muito esquisita…(“You are innocent when you dream.” Tom Waits). ¿Qué ves cuando cierras los ojos?

Vejo ninfas e deusas…Ontem sonhei que eu era um sabonete mágico (perfuma, ensaboa, hidrata sem ficar gasto) de um harém habitado pelas deusas Rita Cadillac, Gretchen, Monica Mattos, Júlia Paes, Marcia Imperator, Cinthia Santos, Fernandinha Fernandez, Pâmela Butt, Bruna Ferraz, Ju Pantera, Carol Miranda, Anne Midori e Vivi Fernandez (“O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo; por isso quer a mulher, o jogo mais perigoso.” Friedrich Nietzsche), afinal, sonhar não custa nadica de nada e ainda possui isenção de impostos.

Ah, os sonhadores… Espertamente, na saboneteira que me acondicionava, escrevi em letra de forma, para evitar problemas: só permitido o uso por mulheres, pois uso indevido causa impotência e pode ocasionar queda de pênis.

Fui acordado por Quesliandra das Dores de Pança, minha digníssima esposa, começando seus preparativos para apoiar Bolsonaro no dia 1 de agosto na Avenida Paulista, que pediu grana para comprar roupa para tal evento (Mulheres: 69 vestidos, 69 bolsas, 69 pares de sapatos e uma única frase: “Não tenho nada pra vestir”).

Sancho e o Quixote Véi di Guerra acordam antes ainda de se começarem a espreguiçar as saúvas, as abelhas operárias e os passaralhos. E vão aos cocos, que ganhar o frete necessário se faz, pois os vestidos de Quesli não são nem um pouco baratos (“Um dos primeiros efeitos da beleza feminina sobre um homem é o de tirar-lhe a avareza.” Italo Svevo).

Olhei para minha coleção de boletos a pagar (empequeñeciendo nuestras vidas) e fui à luta… O Quixote arrisca o pneu fora da garagem, ainda é madrugada. Está um fresco demasiado, um frio de congelar combustível, mas avança na estrada nua, deserta, convidativa à velocidade, a percorrer distâncias em frações de segundos.

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E BETÃO USAVA BATOM

“Es fácil ser comunista en un país libre, lo difícil es ser libre en un país comunista.”  – Agustín Etchebarne

Uma estranha tradução: “É fácil Betão usar batom em um país livre; difícil é poder Betão usar livremente batom em um país comunista.” Sancho

Ah, a liberdade… Acordei tarde, com o sol na casa do meio-dia, depois de saciar, até tarde da noite, a fome de sexo das quadrigêmas amantes tailandesas, que acordaram cedinho, foram para a academia malhar e chegaram reclamando.

Disse Kamlai: – Odiamos quando estamos desfilando na rua e os cachorros começam a latir; nestas horas a gente não queria ser tão gata.

Diria minha esposa Quesliandra das Dores de Pança sobre Sancho saciar, até tarde, a fome de sexo das quadrigêmas amantes tailandesas: – Esse Sancho mente que nem sente.

Inicio ao acaso a crônica que se abre ao mero especular. Vô batê pá tú pá tú podê dizê que a semana deveria ter 8 dias, para que tirássemos todo este oitavo amanhecer a mandar à merda, durante suas 24 horas, todos que estão a merecê-lo.

Ultimamente, dei por mim a verificar o quanto anda difícil no mundo atual ser homem, conservador, heterossexual, bem dotado, branco, classe média, liberal e de direita.

Ou seja, fubânico raiz. Não está nada fácil de o ser nestes estranhos tempos, onde os jovens do agora pouco ou nada possuem dos jovens que fomos. Quando normal é promover o que não é normal (são tantos os novos normais), começo a ficar normalmente fora do normal, chegando à conclusão, segundo eles, que sou um cabra anormal ou anormalizado.

Poder-se-á assim dizer-se-lhe, fubânico amigo, que agora é moda ser tudo aquilo que não éramos? O que será, por exemplo, destes assumidos velhotes héteros aqui do JBF, totalmente avessos a tais novidades progressistas e que, ainda hoje são enfeitiçados pelas “coisas mais lindas”, como poetizou e cantou Jobim: “Olha que coisa mais linda. Mais cheia de graça … É ela menina. Que vem e que passa. Num doce balanço. A caminho do mar. Moça do corpo dourado. Do sol de Ipanema, O seu balançado é mais que um poema. É a coisa mais linda que eu já vi passar”?

Temeroso (e bota medo nisso) de que daqui a algum tempo, os que não querem, sejam obrigados a dar o braço a vacinas e a frequentar padarias onde os padeiros insistem que queimar roscas será serventia da casa.

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