SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

O DEMÔNIO DE HELL’S KITCHEN

Nada de esto es real, pero todo es verdad, asegura Sancho, un loco de piedra… Domingo, a tarde caindo e o cara, cheio de “boas” intenções, dá uma olhada para as pernocas da “apetitosa” amante. Ela o convida para fazerem algo juntinhos… Conhece você, caríssimo leitor “una montaña rusa”? Pois o assanhado e intencionado Sancho se sentiu em uma, quando ela começou o convite, sendo que tal viagem terminou rapidinho ao término da frase, dizendo, a bela, o motivo do convite… Ele, vendo suas intenções românticas irem pelo ralo da pia, resignado diz:

– ¿Quieres que lavemos platos todo el domingo por la tarde?; – Oh, sí me encantaría lavar…los platos. E foram, juntinhos lavar pratos.

Sancho, após “hora cheia” lavando pratos, recordó el escritor francés Gerard de Cortanze, autor del libro “Los amantes de Coyoacán”, que aborda el romance entre León y Frida (a pintora comunista Frida Kahlo e o líder soviético Leon Trótski). Será que Trótski era convidado por Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón para lavar pratos e que durante tal ato cantavam “a Internacional”?. Deixemos essa Madalena de lado e vamos atrás de outra…O primeiro filósofo, Tales de Mileto, deixou escrito que tudo estava cheio de deuses.

“Sou ateu, graças a Deus” é da lavra de Luis Buñuel Portolés (ironia e maiêutica em tão curta frase). Fechado no apartamento, o pobre diabo se lascou (se phoddeu, diria Gonzaga). Quase morto de fome, algo nada incomum nestes tempos coronavíricos (os 600 reais do Bolsonaro nunca chegaram). Falando nisso, Sancho deseja pronto restabelecimento ao mandatário do país (grande abraço, Jair, meu Capitão. Que se restabeleça logo, pois temos um país para conduzir a porto seguro). Quase finou-se sem querer finar-se, nosso Sancho. Esperou pacientemente que uma santa qualquer o salvasse. Surgiu Maria Madalena (Ticiano Vecellio (1490-1576) a pintou Penitente; Giampetrino concebeu uma Maria da Magdala sedutora e a Madalena de Pietro Perugino (1448-1523) é a imagem santificada. Mas (santíssimo mas), a imagem de Madá ( na voz de Elis Regina: Madalena / O meu peito percebeu / Que o mar é uma gota / Comparado ao pranto meu) surgiu provocadora demais na imaginação do pobre sujeito. Resolveu apelar a qualquer outro.

Orou pelo de sua devoção. Sancho orou fervorosamente para ser ouvido por São Berto das Causas Perdidas. Foi atendido… O desengonçado Santo, com uma calcinha de rapariga enfiado na cabeça (ops, acionei o santo em momento inoportuno, quando, com certeza, estava mostrando a salvação a alguma moçoila). Via-se a cara contrariada do Santo, mas expediente de santo é de 24 horas por dia, 365 dias por ano, conforme regra do sindicato, ou melhor, “sanctiscato”. O generoso ser celestial, querendo se livrar de Sancho para retornar a afazeres mais aprazíveis, falou: Fiat Lux! As portas do paraíso se abriram, mas (instantâneo mas), rapidamente fecharam, antes que Sancho sequer esboçasse gesto de transpô-la. O santo escafedera-se rapidinho para cair em braços pecadores. Voltei a cantar Madalena, imitando a voz de Elis.

Olhei estupidamente para a agora trancada porta do paraíso e vi que uma seta, nela fixada, me encaminhava para uma pequena porta, num cantinho iluminado por uma vela. Temeroso, bati na porta. A voz de Arthur gritou lá de dentro: não temos vaga, caralho!. Outra voz, bem mais grossa entoou: “Entra, fela da puta! Senti imediatamente que era o Maurino. Senti a vida correndo por minhas veias, sorri (obrigado Elis, música da Pimentinha faz milagres). Corri, tropecei e caí por cima de Xolinha, que rosnou e queria me morder. Passei a mão na bunda da Chupicleide e levei um sopapo de Berto (para de saliência com as funcionárias, cabra). Tudo voltara ao normal. O mundo voltou a existir para mim, continuando a girar, agora comigo de retorno às galés fubânicas. Do que estou falando mesmo? Ah, sim, lembrei… Estou no Louvre olhando o quadro Madalena Arrependida (pintura do artista barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio)… Madalena, putas, imaginação. Ficou Sancho imaginando corpos lindos que por módica quantia (há que se ganhar o pão) belíssimas mulheres ceifam a solidão do peito dos velhos. Foi até a casa de Madalena, a mais bela entre as que conhecia (grandes olhos nostálgicos e de vasta cabeleira escorrendo, feito cascata em costas nuas, como onda escura de cobre – poético, não!?). Madá estava estranha, puxou Sancho pelo braço, para a perfumada alcova e falou, esbaforida:

– Sancho, por nossa amizade, pelo carinho que tenho por você, tenho que fazer uma revelação, que há muito me sufoca.

– Desembucha, mulher. Assim você me deixa preocupado.

– Sou Madalena, ou melhor Magdalena, a Maria Magdalena, de Magdala (Migdol Nunaya), que é uma aldeia de pescadores, na beira ocidental do lago de Genesaré. Sou a mulher da Bíblia.

– Peraí, Madá, agora você exagerou e…

– Calma Sancho, me deixe explicar.

– Tudo bem. Estou à sua disposição, sou todo ouvidos.

– Sancho, você leu na Bíblia sobre os Cavaleiros do Apocalipse?

– Claro!, e o que tem tais sujeitos com o assunto?

– Tudo, meu caro. Você tem que reunir os deuses do Olimpo, que estão escondidos no JBF para vencê-los.

– Hein!? Deuses do Olimpo no JBF? Na Besta Fubana? Vencer cavaleiros do Apocalipse? Troca a erva que essa tá estragada, mulher. Você está de sacanagem. Só porque há no JBF um sujeito com nome Adônis, que tem na sua coluna foto com a cara de Deus do Velho Testamento, segundo o Nikolai, você vem com esse papo? Não viaja, bela!

– Mas Sancho…

– Quer saber? Já deu, ou melhor não deu e não dá. Fui!!!

Saí batendo a porta. Se tivesse olhado para trás teria visto a casa de Madá sumir como por passe de mágica ante os olhos de uma freira, que se benzeu e saiu correndo.

De regreso a su casa, el autobús fue embestido por un tranvía; Sancho sufrió múltiples fracturas y lesiones. Fue tras el accidente que Sancho se dedicó al estudio de la literatura. Perdera todo o cérebro (su padre era un granjero analfabeto e Sancho retornara ao mesmo patamar). Foi vender livros. Em suas mãos repousava, na hora do acidente, o livro “Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams”. Maldito bonde que foi entrar na frente do ônibus de Sancho. Era melhor ter ficado lavando pratos…

Deuses do Olimpo no JBF? O que dissera Madá ecoava em minha cabeça… Pensei nos deuses e semi-deuses e pensei nos fubânicos…Zeus (certamente seria Berto – rei dos deuses e governante do Monte Olimpo). Esse era fácil; Perseu, filho de Zeus (João, filho do Berto com encaixe perfeito); Hera também é fácil, pois Aline se encaixa perfeitamente no perfil rainha dos deuses; Netuno com certeza é Maurino, deus dos mares, dos terramotos e dos cavalos; Deméter, deusa da agricultura, da natureza e das estações do ano cai bem em Sonia Regina; Hades, deus dos mortos, dos infernos e das riquezas da Terra é a cara do Nikolai Hell; Héstia deusa do lar e da lareira tem todo o jeito de Dalinha; Afrodite, deusa do amor e da beleza fica com nossa Afrodite Silva, apesar de cair como uma luva para outras garotas fubânicas; Apolo é o nosso Adônis, deus do Sol, da cura, das artes; Ares é Altamir, deus da guerra; Artemis é Artemísia, deusa da caça, florestas, vida selvagem, lua e protetora das meninas; Atena, deusa da sabedoria, cabe na fubânica Violante; Dioniso, deus do vinho, das festas e do êxtase (Alô, alô Goiano, é você); Hefesto, ferreiro dos deuses, deus do fogo e da metalurgia é Arthur, tenho certeza; Hermes, mensageiro dos deuses é DuduSantos (Carlos Eduardo Santos), Cícero Tavares, Aristeu Bezerra ou José Ramos; Esculápio, deus da medicina e da saúde é Assuero ou Marcos Pontes; Hécate, deusa da magia, bruxas e feitiços é a Tia do Zap; Hebe, deusa da juventude é Anita Driemeier; Tétis, deusa das águas é Milena Fontenelle; Pã, deus da natureza selvagem, dos pastores e dos animais é Joaquimfrancisco ou Vivaldo Rocha; Mercúrio, mensageiro dos deuses é Deco; Hipnos, deus dos sonos eternos é Roque Nunes (Ai, que preguiça); Morfeu, deus dos sonhos é Jesus Ritinha de Miúdo (poetas e sonhos: tudo a ver); Fobos, deus do medo é D.Matt (que não quer ser colunista fubânico), Péon, médico dos deuses é Rodrigo Buenaventura de León; Hefesto é Tarciso; Tânato, personificação da morte é José Hinácio; Ganímedes, copeiro dos deuses no palácio do Olimpo é João Francisco ou José Domingos Brito; Bóreas é Beni Tavares ou Narcelio, podendo ser também Luiz Carlos; Alfeu, deus do rio é Francisco Sobreira ou Rômulo Simões Angélica; Noto é Marcos Mairton; Zéfiro é Carlos Ivan; Poseidon, deus supremo do mar, é Severino Souto; Cratos, a personificação do poder cai bem em Pedro Malta, Carlito, Bertoluci, Bernardo e J P Cavalcanti. Juro que não consegui saber qual deles é Cratos.

Agora, a pergunta que não quer calar: ACERTEI? Que se manifestem nossas “divindades” fubânicas.

PS1: Para fãs de super-heróis, como Sancho: este ano a Comic Con de San Diego, que comemora 50 anos, será virtual (primeira vez que o evento não será presencial, pelos motivos que todos sabem). Aproveitando o gigantesco evento, grupo de fãs do Demolidor (Daredevil) resolveram aproveitar a repercussão midiática de tal evento para dar impulso ao movimento #SaveDaredevil. Lançará o grupo convenção paralela com o nome #SaveDaredevilCon entre os dias 23 e 26 de julho de 2020. Durante os quatro dias da San Diego Comic Con, a #SaveDaredevilCon lanzará entrevistas, organizará paneles, mesas redondas con varios miembros del elenco y celebrarán varias reuniones virtuales en vivo, que permitirán disfrutar de la típica experiencia de convención uniendo a los seguidores desde sus hogares en todo el mundo“, asegura la nota de prensa lanzada por el grupo fan de Daredevil.

PS2: Dijo Sancho: ¡Únete a nosotros on line del 23 al 26 de julio para #SaveDaredevilCon, un evento virtual realizado por fans, para los fans!

PS3: Grande dica para os fubânicos que residem em Madrid: La Copa del Mundo, en la Plaza de Colón – Hace 10 años (11 de julio de 2010) que la selección española de fútbol ganó su copa de campeona de mundo en Sudáfrica. Para conmemorar, la Real Federación Española de Fútbol va a exponer la Copa del Mundo conquistada el 11 de julio de 2020 en la Plaza de Colón de Madrid coincidiendo con el día exacto en el que España se proclamó campeona.

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

¿DE DÓNDE NACEN LAS PASIONES?

E Shakespeare continuava pensativo. Depois do ser ou não ser, estava às voltas com abichar ou não abichar proposto por Agostini… “Pois então” chegara a hora da “vantagem ou recompensa” através do vil metal. Una vez mi madre (Catharina, te amo!!!!!) leía un cuento sobre un mercader árabe que dio a un mendigo dos monedas de oro. Cuando lo vio otra vez, le preguntó qué había hecho con las monedas. El hombrecito le contestó: “Con una moneda compré una panadería para tener con qué vivir. Con la otra compré un JBF para tener para qué vivir”.

Malditas moedas! Judas teria se vendido por 30. Ele, por muito mais. Era famoso, bisneto de um dos homens que acompanharam Lampião por aventuras grandiosas sertão adentro e afora. Herdara a pontaria certeira e o sangue frio. Tinha fama de matador implacável e estava com as fotos nas mãos. Conhecia “os cabras” marcados para morrer. Consultou a conta bancária e viu que os quinhentos mil €uros foram depositados. Cem por Sancho, cem por Goiano, cem por Altamir, cem por Adônis e cem por Cavalcanti. Olhou novamente as fotos de cada um. Todos os dias acessava o JBF e dava boas risadas com tais cabras que tinha que eliminar da face da terra. Um deles era padre. Matar padre era sinal de mau agouro, aprendera com seu pai, também matador.

Usava o Jornal da Besta Fubana para diversão, informação e aprendizado. Gostava, de verdade de cada um deles, mas era profissional, era o melhor no que fazia, tinha uma reputação a zelar. Olhou o poster gigantesco de sua esposa, que cobria toda a parede do quarto, montada em um alazão de crina castanho-avermelhada (good horse is never a bad colour) ao lado de suas outras três irmãs, todas louras, lindas… quadrigêmeas. Mandou um beijo para as belas e saiu para cumprir sua missão.

Naquele exato instante, bem longe dali, Artemísia ajeitava o belo corpo ao terreno. Estava em uma elevação, com vista privilegiada para o hotel. De onde estava observava um quarto, visualizava o interior, pois suas janelas estavam escancaradas; oito pessoas estavam em uma bela suruba. Eram jovens, belos e desinibidos. Ajeitou o equipamento, deu zoom e reconheceu suas vítimas. Pensou em desistir, mas era profissional, era a melhor no que fazia, tinha uma reputação a zelar e o dinheiro já estava na conta (malditas moedas). Serviço feito, começou a levantar-se quando sentiu o cano de uma arma encostar-se em sua cabecinha linda. O GSI a pegara. Estava diante do furioso “braço direito”, homem de confiança do general Helênio, o simpático velhinho que trabalhava com Desengonçonaro.

Material apreendido, interrogatório regulamentar, onde disse que era fotógrafa amadora, que estava fotografando a natureza e que, quando vira a suruba de gente tão bonita, resolvera fotografar corpos tão belos. Acreditando ou não, após checarem sua ficha limpíssima, tiveram que dispensá-la, pois bisbilhotice e fotografias da natureza nunca deram cadeia para ninguém. Os prejudicados que a processassem, se fosse o caso. Não devolveram o equipamento, pois seria periciado.

A noite caiu e depois de fazer o reconhecimento do terreno, de planejar cuidadosamente a invasão da sede do JBF, para executar o serviço, Genézio Mata Dez retornou ao hotel e dormiu o sono dos justos.

Em Santos, perto da vila famosa (grande abraço para o fubânico Edson Arantes do Nascimento – nenhum outro foi tão genial), Sonia Regina esperava. A noite prometia ser longa. Rezar era preciso. Tinha a impressão que a prece a acalmava e fazia as horas passarem. Intermináveis horas e a hipnótica e lenta marcha dos ponteiros de seu relógio.

Mata Dez acordou cedinho, colocou cinco munições no tambor (em 1899 Smith & Wesson introduziu seu revólver mais amplamente utilizado, o .38). Cinco “balas” para cinco marcados para morrer; não precisaria de mais. Garantia cinco olhos perfurados, cinco lápides. Era muito religioso e rezou pelas almas encomendadas. Gostava muito do Adônis, mas (profissional mas), tinha que fazer jus à fama de nunca recusar serviço, pois não faz bem à reputação. Chegara o dia. Desceu para a padaria nosso metódico homem para seu rotineiro desjejum no local de sempre. Precisava alimentar-se bem para executar o serviço e empreender rápida fuga do local. Quando foi pagar a conta, a simpática moça do caixa entregou a Genézio um envelope, dizendo que recebera orientação de só entregar quando pagasse a conta. Abriu o envelope, olhou atentamente as fotos, uma a uma. Impassível, enfiou o envelope no bolso, pagou a conta, com moedas de prata e saiu palitando os dentes; tinha uma missão a cumprir.

Às 16 horas daquele fatídico dia, cinco tiros foram ouvidos, cinco globos oculares foram espatifados, cinco corpos ensanguentados perderam a vida. Genézio nunca falhava. O pior tinha acontecido. Às 17:00 o Jornal da Besta Fubana entrou no ar, em edição extraordinária. O jornalista Maurício Assuero, com seu belo vozeirão (morra de inveja, Bonner!!!), olhou para a câmera e informou ao Brasil: – As famosas atrizes quadrigêmeas Sophia Lorin, Brigitta Barrot, Marilyn Monrróidas e Liz Tafú foram assassinadas por Genézio Mata Dez, esposo de uma delas, que em seguida tirou a própria vida. No bolso do morto foram encontradas moedas de prata e fotos, onde as jovens brutalmente assassinadas mantinham relações sexuais com Zerum, ZeroDois, ZeroTrês e ZeroQuatro, famosos filhos de Jayr Desengonçonaro, mas o porteiro (sempre o porteiro) disse que não viu nenhum integrante de tal família no local.

Na sala ao lado Berto, o editor-chefe, ouviu seu competente jornalista dar a notícia e sorriu. Suas meninas cumpriram, como sempre, a missão. Recordou o telefonema de Sonia Regina. Explicara Regina que recebera, conforme acordado, o precioso e-mail e lá estavam as fotos que Artemísia, antes de ser surpreendida pelos agentes secretos do general Helênio enviara e que seguiria com o plano. Baitas profissionais Soninha e Artê. Deu um sorriso e exclamou contente: – Boas garotas, salvaram o JBF. Com seu plano perfeito, Berto salvara seus “meninos” usando suas “meninas”.

Em um buteco de quinta, Artemísia e Sonia Regina, em vestidos Doce & Barangana, ostentando belos “decotelliss”, sorrisão nos belos rostos, chamaram o garçom: – Bat Materson, traz logo a garrafa de “cachaça com jambu”, que hoje é dia de comemorar.

– Após o jantar, o sacristão trouxe ao padre a notícia. Este suspirou aliviado. Restava agradecer a Deus por ainda estar vivo e rezar pelas almas perdidas. Lembrou o clérigo do que dissera a Sancho: “ les fruits passeront la promesse des fleurs”.

Em Garanhuns, uma televisão, que passava o filme Un dollaro bucato (O Dólar Furado), foi espatifada por um sujeito de maus bofes, que gritava alucinado: – Ser salvo indiretamente pelos filhos do Jayr Bunda Suja é a pior coisa que poderia ter me acontecido. Malditos!!!!!!

– Nos Champs-Élysées, Goianô levantou a taça de champanhe e, com um sorriso nos lábios, deixou escapar: – C’est La Vie.

Deixou uma moeda de ouro sobre a mesa, para pagar o champanhe e saiu assoviando: Ne me quitte pas / Il faut oublier / Tout peut s’oublier / Qui s’enfuit déjà / Oublier le temps / Des malentendus…

PS1: Este texto é uma homenagem ao gigante fubânico e homem de muita fé José Paulo Cavalcanti, às maiores atrizes que o cinema já conheceu (as estonteantes Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor e Sophia Loren), a um sambista de primeira, irmão do nosso MMairton e a um sujeito dos infernos, que veio de Hell’s Kitchen para infernizar nossa vida, já deixando a marca besta na Besta Fubana : ₢.

PS2: Outro homenageado por este texto é um homem de notável saber jurídico e reputação ilibada, o señor Luis Fux, eleito no dia 25/6 para o cargo de presidente da Suprema Corte (passará a comandar o STF) no dia 10 de setembro. O Jornal da Besta Fubana tem se caracterizado por ter em seu plantel, grande número de bestas, como Sancho, que muito admiram nossos heróis que vestem preto.

PS3: Ontem vi o filme P.S. I Love You com Hilary Clinton e Gerard Butler.

PS4: Hell, continuarei com meus “gastos” PS.

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

O DIA EM QUE UM “TIBURÓN” COMEDOR DE GAFANHOTOS FOI AO UROLOGISTA

No ano da graça de 2018 los científicos identificaron un tiburón de Groenlandia (Somniosus microcephalus) que hoy tendría 515 años y que lleva surcando el océano Ártico y el Atlántico Norte desde 1505. Deixo os tubarões de lado e vou conversar com meu amigo leitor, alertando para que tire as crianças deste texto. O texto a seguir é repleto de palavrões. Sugerimos aos adultos mais sensíveis não lerem e que não permitam acesso de menores a tal crônica. Tudo devidamente esclarecido, sigamos.

¿Dónde estoy? Sancho, o que acredita em sonhos, e que até hoje espera não ser mentira ou brincadeira o bilhete que recebeu, prometendo casar-se com este escriba a estonteante Viviane Araújo, na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Sim, “é verdade esse bilete (bilhete)”. Sim, Sancho sonhou com a Vivi, com a lua-de-mel, com todas as sacanagens que rolam na lua mais propícia para o plantio de mandioca (se é que a Dilma me entende…) e o padre nunca chegou, muito menos a noiva. Quem chegou, muito sacana, foi o ministro da Saúde do governo Bolsonaro, o señor Galeocerdo Cuvier, que disse: – O médico do Jair vai te phodder.

Que porra de recado foi esse!? – perguntará o único leitor das crônicas de Sancho. Bom, hora de tirar a pulga atrás da orelha de meu fiel leitor e encarar o presidente.

Partimos para Brasília, e lá chegando, Sancho recebeu de uma loirinha linda um panfleto onde se lia: “Não deu em 2022, mas agora não tem jeito: em 2026 Lula – Presidente e Moro – Vice. O Brasil vai ser feliz de novo”. Agradeci, dei um beijo na boca da bela e deixei o Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek rumando para o Palácio do Planalto, onde Jair me recebeu com um sorrisinho sacana no rosto (engraçadinho esse fulano, não gostei da cara dele) e me apresentou Jacintho Dedus Orríveis, que fitou-me com aquele olhar sádico, que todos nós da turma acima de 60 achamos que tal categoria profissional possui (passei a detestar o atual presidente depois de tal episódio).

Disse-me o tarado: – Caro Sancho, a campanha JULHO AMARELO já está sendo divulgada e terminamos hoje a filmagem da campanha anual OUTUBRO ROSA 2025, que irá ao ar em primeiro de outubro. Estamos preparando a campanha NOVEMBRO AZUL 2025, a cargo do publicitário Carcharhinus Leucas. Precisávamos de um nome famoso para a campanha e o Berto, um homem da imprensa (o presidente sempre manteve cordial relação com jornais, revistas e emissoras de televisão), amigão e eleitor do Jair, foi convidado para ser garoto propaganda neste ano da graça de 2025.

Continuou, com um sorriso nos lábios, o pervertido: – E ia tudo às mil maravilhas, tudo muito bom, tudo muito bem, pois começamos pelo tocante à polpuda verba, mas (rompedor pregal mas), quando soube dos sórdidos detalhes, o homem soltou um grito assustador dentro do gabinete presidencial e foi parar no pronto socorro. Está até agora trancado lá, com uma peixeira na mão, dizendo que quem tocar na porta será capado e que Jair enfie a verba no rabo.

Sancho ficara sério, encostou a bunda na parede, em instintivo movimento, olhou para o médico e disse, com voz trêmula:

– Continue, por favor. Onde eu entro nesta história?

– Señor Sancho, com muita paciência e cuidado conseguimos convencer o sujeito a, pelo menos, indicar um nome do famoso jornal que comanda, para ser o nome, o rosto e o rabo da campanha 2025. Faremos algo “mais explícito” este ano.

– Cuméquié!? Por Santo Inocêncio Inácio, que merda é essa!?

– Calma, senhor Pança, o Berto indicou um Nikolai Hell (com dois L), mas como o presidente é muito religioso, achou que o inferno não cairia bem na campanha. O segundo nome da lista era um tal Adônis, que enfiou porrada no mensageiro assim que soube do que se tratava; depois um tal Jesus, que se benzeu e disse que rogaria todas as pragas do Egito sobre nós; Carlos Ivan, “O Terrível” nos recebeu com uma espingarda de sal grosso (rock salt shotshell) nas mãos e deu “tiro de sal no traseiro” do urologista que bateu à porta. Dois fulanos chamados José Hinacio e Goiano se ofereceram, mas como são simpáticos à causa de um tal Lula, foram descartados. Os três mosqueteiros fubânicos, os trigêmeos Tavares (Beni, Cícero e Arthur) não quiseram nem “papo”. De León disse que não seria uma BUENAVENTURA e pulou fora. Bom, meu caro, 40 nomes depois e 40 nãos, o seu é o último na querência de Berto; só sobrou você. O Jair disse que, se não topares, vai cassar a concessão de funcionamento do JBF. É dedar ou largar.

Se debatia Sancho entre “la locura” y el “ser normal”. Era só uma “dedadinha de nada” . Maldito e enorme dedo… Olhei para os céus e pensei no velho Nelson, amado pai de Sancho, que morreu do coração quando minha irmã Leninha propôs tal consulta ao portuga. Recordei meu sogrão, o Chiquito, que continua invicto, aos 120 anos (Um beijão Chiquito, meu ídolo!) que sempre diz para Gustinha: – Atrás não entra nada, minha velha. Manda o Sancho fazer o exame por mim.

Decisão difícil, tempos difíceis e o doutor de dedos imensos estava facinho, facinho, faceiro, faceiro, se é que vocês me entendem… Em um fio de voz consegui balbuciar uma súplica: – Meu Deus, me acode! – O desespero tomando conta e a sensação de que jamais voltaria a ser o mesmo sujeito depois de tal encontro desvirginatório (All my life I’ve been good, but now. Ah, I’m thinking “what the hell”). Que dedo grande da porra! Valha-me meu Jisuis Cristim. Pedi tempo para pensar, enquanto continuava a rezar. Pensei de mim para comigo: “Porra Berto, agradeço a deferência; no dos outros sempre é refresco”. Meu nome era sempre o último da lista na hora de alguém se dar bem nesta gazeta escrota. Foi algo reconfortante saber que na hora de “tomar no fiofó” eu também estava na “rabeira”.

Alguma coisa eu teria que fazer: atravessei a ponte que liga Brasília ao Recife (na literatura sempre é fácil ir de um lugar a outro), mergulhei no mar, nadei para além dos arrecifes, vi uma nuvem de gafanhotos, deixei a parte segura e me entreguei aos tubarões.

O Jornal da Besta Fubana, em edição especial, aproveita o triste episódio para lembrar que ataques de tubarão não se repetem unicamente na costa de Pernambuco, onde mais de 60 pessoas foram atacadas, mas são raríssimos em outros lugares. Placas sobre o perigo estão espalhadas pela orla marítima da região metropolitana e alertam sobre a ocorrência de acidentes com tubarão nas praias metropolitanas do Recife faz tempo, muito tempo. As principais espécies responsáveis pelos ataques são o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o cabeça-chata (Carcharhinus leucas). Nenhum dos outros 16 estados costeiros brasileiros registram números expressivos.

Por que os tubarões ‘decidiram atacar’ após 1992, pois antes eram raríssimos registros de tais ocorrências? Seria a construção do Porto de Suape (Complexo Industrial Portuário de Suape) uma das causas, agravada pelas modificações ambientais provocadas pelo crescimento desordenado das cidades, a supressão de manguezal, a poluição, e a realização de grandes obras na zona costeira? Com a palavra os ambientalistas e “especialistas”.

PS: O segundo semestre CHEGANDO e Sancho lembra a homens e mulheres que exames preventivos salvam vidas.

PS1 – Julho Amarelo. Julho foi adotado pelo Ministério da Saúde e pelo Comitê Estadual de Hepatites Virais como o mês de luta e prevenção das hepatites virais. De acordo com o Ministério da Saúde, três milhões de brasileiros estão infectados pela hepatite C, mas não sabem que têm o vírus (sexo sem proteção é phodda, apesar de não ser a principal causa de transmissão). Estima-se que cerca de 3% da população mundial, seja portadora de hepatite C crônica.

PS2 – Outubro Rosa (campanha anual do ministério da Saúde, em parceria com o Jornal da Besta Fubana desde 2021, com a intenção de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama já se aproxima. A campanha visa disseminar dados preventivos e ressalta a importância de olhar com atenção para a saúde, além de divulgar direitos, como o atendimento médico e o suporte emocional, garantindo um tratamento de qualidade).

PS3 – Novembro Azul – Vai uma dedada aí!? (campanha anual do Ministério da Saúde, em parceria com o Jornal da Besta Fubana, desde 2021, ALERTA que a cada dia quarenta e dois homens morrem em decorrência do câncer de próstata e aproximadamente 3 milhões vivem com a doença, sendo essa, a segunda maior causa de morte por câncer em homens no Brasil. É importante esclarecer que, além do câncer, a próstata pode apresentar outros problemas, como seu crescimento benigno, que atinge cerca de 50% dos homens acima de 50 anos, gerando dificuldade de micção, e a prostatite, que é a inflamação da glândula.) Vai uma dedada aí!?

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

QUEM NÃO TEM “ARMAS” ACABA BATIZADO NO “ATACAMA”

As ondas fustigando furiosamente os rochedos, cujas águas, por séculos, proveram as mesas com pescados que lhe fizeram a fama. Por ali chegaram também, dizia Gerttrude Feindy Von Schreck, os restos do apóstolo Tiago, fato que o colocaria no mapa de milhares de peregrinos, entre eles os famosos “pops stars” fubânicos Carlos Ivan, Beni Tavares, Rodrigo de León e Cícero Tavares. Todos os caminhos levam a Roma? Alguns nos levam à España e outros bem mais além.

Não há só um caminho até Santiago de Compostela. O mais famoso é o francês, mas outros, muito percorridos são o Caminho Português (que vem de Braga – saudade da Sônia Braga – que Gabriela cor de canela inesquecível!), o Caminho Sudeste-de la Plata (que passa por Ourense, a Capital Termal), o Caminho de Fisterra-Muxía e o Caminho Inglês (vindo do porto de Coruña). Ultreia! Ultreia!” (que significa no idioma galego “imos máis alá!”). Sim, vamos mais longe, vamos congelar nos Andes – Chi chi chi Le le le (Viva Chile!!!!). Nas ruas de Santiago de Chile, Michel Eyquem de Montaigne, há 400 anos, disse que o estilo tem três virtudes. A primeira: clareza; a segunda: clareza; e a terceira: clareza.

Já que está tudo bem esclarecido, Sancho e não Montaigne, retorna a Santiago. Como é bom trafegar com a majestosa cordilheira a meus pés e a coisa mais incrível, vou encontrar meu hermano Joaquimfrancisco. Só Sancho e sua bola de cristal o sabem. Nada é obra do acaso.

O velho Pixote Véi di Guerra resfolega (cê tá véi manu véi). “Cê tamém” responderia ele, se falasse. Voilâ, daqui a meia hora o encontro na Plaza de Armas (deixo aqui um beijo na boca de Ana de Armas, a Ana Celia de Armas Caso. Em meus sonhos ela sempre retribui. Êita cubana linda!). Cuba deu a Sancho três maravilhas: Fidel para eu criticar, Ana para eu amar e Jose Raúl Capablanca y Graupera, que ensinou a Sancho a clássica variante criada por tal gênio, o Xadrez Ortodoxo .

Ele, o Juquimchico (um abraço, Quinzinhochiquito!) está aqui, na bela capital chilena por conta do filme no qual está trabalhando (ele é aquele que cuida da maquiagem dos atores). Daqui ele vai, se não me engano, para Cuba, onde cuidará da maquiagem da Ana, em um filme que fará com o tal James Bond (um desses bundões que se acham o máximo, como um certo inglês – brincadeirinha “sir” Alexander Boris de Pfeffel Johnson). Meu único intuito nesta viagem é dar uma grana para meu irmãozinho (manja um subornozinho, um pixuleco, uma propina, um agrado!?) para que eu o substitua na equipe de maquiagem. Quero botar o batom naquela boquinha com minha mão e tirar com meus lábios. Se vou em cana por tal ousadia? Sei lá, acho que não, pois ontem sonhei que ela, a bela, me pedia todos os beijos que meus lábios conseguem ofertar (sou bom nisso!!!! Crê neu, papudos!!!).

Por São Fidel, protetor dos Sanchos apaixonados, vamos bien! Está um calor dos diabos (daqueles que fritam ovos no asfalto) na fria Santiago (cadê o inverno!?). Minha espevitada amiga francesa de Villefranche-de-Conflent (Les Plus Beaux Villages de France), sim estou acompanhado, pois o caminhão não está muito bom das pernas, digo, das rodas e foi necessário uma profissional graxeira e entendida em bolas, pois de mecânica não entendo chongas e de bolas muito menos (vai que a bola de cristal dá problema), desfila com um foulard rose em torno do pescoço, quanto mais calor melhor para a francesinha (falando sobre francesinha, que tal, quando for ao Porto experimentar iguaria sem igual servida em solo português? É um verdadeiro manjar para aqueles que adoram uma explosão de sabores na boca. Oh céus!

Voltemos à francesinha, o belo exemplar feminino. Caçamos Juquim por Valparaíso, Vina del Mar, Los Andes e região. Nem sombra. Violette queria porque queria ir para o norte que, eu acredito, é maravilhoso, mas se fôssemos eu perderia Juquim e Ana. A francesa fez biquinho, me chamou de “mon chéri” e venceu (o que não fazemos por um rabo de saia!?)… Pura do barril, assim não encontro o maquiador.

Ainda tentei refutar… Mais de 15 horas de ônibus para um “Veni vidi vici”. Non non et non. Eu disse que ela podia ir só, eu a esperaria em Santiago – onde está você, meu bom Juquim? – , gritava minh’alma. A prima da Bardot gritava que não queria ir sem mim, ou estamos juntos ou não estamos. Oh là là ! Trocamos o depauperado busão por equinos (não, não havia nenhum ungulado artiodáctilo – bichinhos simpáticos e nativos de áreas secas e desérticas da Ásia – disponível).

Arre égua!!!! Cavalgar na região de Los Andes é phodda nesta época do ano, mas (afrescalhado e friorento, mas), Violette se divertia, parava para observar, tirar fotos, comer uma graminha verdolenga aqui, outra acolá….”Sanchô, seu cavalo já está parecendo com você”. Não, caríssima não sou vegano e minhas paradas são para o inigualável cafezinho com croissants.

Última parada (a bola não errava nunca): Deserto do Atacama e suas dunas avermelhadas, o mais alto e seco do mundo. Empaquei como “mula véia”. Violette “querrrrria” sentir a “força do deserto” e a tal bola era a bússula a seguir. A louca da terra do Manel Micron falou que ou a acompanhava ou não pagava minhas diárias. Pensei no bolso (eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior -Desengano, lembram-se!?). Mas (abençoado, mas e benedicta bola de cristal), lá estava ele (Aleluia!!!!! – Encontrara meu amigo de fé, meu irmão camarada), em pleno deserto feito um joão, mas não um qualquer, um João Baptista. Corri até ele já usando, alto e em bom som o cumprimento de sempre (Ei corno véi!). Meu amigo, que estava de costas, com o céu escaldante batendo em seu quengo, virou-se. A claridade do local e meu vozeirão o confundiram e ele disse: “É você, Mestre!?”

Por todos os baráleos!!! Não era Joaquimfrancisco. O homem, que segura nas mãos uma “Adenium obesum” era João, filho de Zacarias, Havia passado muitos anos no deserto, afastado do convívio dos homens. Caí prostrado diante do homem santo, que me perguntou o que me afligia. Falei da necessidade de encontrar o amigo, omitindo a parte que incluía a beldade, pois não ficaria bem falar das “coisas da carne” com um cara que comia gafanhotos.

Papo vai, papo vem… Joãozinho (faço amigos muito rápido) ria de minhas piadas, olhava sem interesse algum para as pernas de minha amiga francesa, que se derretia pelo bom homem. Ele não perderia mais uma vez a cabeça (Herodíade, Salomé, Herodes Antipas….lembram-se!?).

De repente, não mais que de repente, João—no latim “Iōhannēs”—no grego “Iōánnēs” (Ἰωάννης)—no aramaico “Jochanan” (ܝܘܚܢܢ)—no hebraico “yōḥānān” (יוחנן) que por sua vez é o diminutivo de Yəhôḥānān (חנן + יהוה= YHWH mais o verbo Hanan) significando Yhwh Misericordioso—este nome aparece no Antigo Testamento, em especial na figura do Sumo Sacerdote do Segundo Templo, Johanan (Iorranã) em Jeremias 42:8—por volta de 400 a.C., FICOU sério, olhou em meus olhos e falou solene: “Seu amigo está neste exato instante em um dos diversos McDonald´s de Havana (Habana) segurando às mãos uma COCA-COLA e beijando a boca da bela Ana, que não é a famosa, mas uma tal Hanna e já combinaram nadar pelados nas águas paradisíacas da capital cubana (em Cuba, como a população tem “alguma dificuldade” para comprar roupas, dizem as más línguas, que a ditabranda resolveu a parada baixando decreto onde todas as praias passaram a ser de nudismo. Olho para minha saliente barriga e acho bom não ficar pelado em tais praias).

Disse-me, ainda, Baptista: – Vou distribuir a você, gratuitamente, dois conselhos: Primeiro que você não desperdice tempo e dinheiro indo para a “Ilha Paraíso” atrapalhar o romance (famoso empata phodda); e segundo, refestele-se na suite master aqui em Santiago e dê um pouco de alegria a essa francesa gulosa e carente. Inclusive, se disser ao gerente Assuero que é amigo de João, primo de Jesus de Ritinha de Miúdo, vai ter um desconto no vinho chileno.

Olhei aparvalhado para Batista—étimo grego “βάπτισμα” (baptismo= Batisma) o sufixo (ma) enfatiza que ocorreu a imersão (imergiu), “βαπτίζειν” (baptizein) para imergir; do verbo “βαπτίζω” (baptizó) imergir—”Ele imerge” (“ele batiza”) e pensei de mim para comigo após olhar para as depiladas pernas da francesinha: como posso não obedecer ao sábio homem?

Antes de despedir-me ia perguntar os números da megasena da virada, do motivo de ter dado ruim apenas para o tal Queiroz (tantos outros fizeram o mesmo) e se Lula seria presidente em 2022, mas (respeitoso mas), o bondoso sorriso de Joãozinho (êita intimidade e cara de pau) me fez crer que ele não me daria tais respostas. Ao deixar João, que era a cara do Adônis (tão feio quanto), decidi desvencilhar-me da tal bola de cristal e de que era “HORA DE RACHADINHA”, de jogar-me com a bela imitação de Brigitte Bardot na suíte master do Sheraton Santiago Hotel & Convention Center (Ô Sofrência!).

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

E BERTO FOI PARAR NA KOLMÉIA DO NORTE

Nossa aventura começa com Adônis, vermelho como um petista, furioso como um Jair (aquele mesmo que você está pensando), gritando apoplético: “Goiano, eu vou te matar!”

Um médico cubano, sem REVALIDA (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira), procedia a consulta, literalmente trepado sobre Adônis e falando com o dono da zorra toda em portunõl: – Señor Berto, sin duda, Adônis aún vive. Precisamos tirar essa roupa que o gajo está usando. É isso que o está matando, vá a morir. Llama a King, el lider supremo. Ele habla portunõl.

Não havia outro jeito, outra solução à vista. Berto pegou o famoso “telefone vermelho”, com o qual se comunicava com todos os líderes mundiais. Teclou nervosamente o número do mais complicado de todos (não, não é o Jair) e, para fazê-lo desistir, caprichou no idioma de Cervantes: – Voy a llamar a King João Um, se va a enterar,…ring… ring…ring….oigaaa,.. ¿está João?, que se ponga,…¿King João Um?, mira es que…sí, sí, si,…. pero,… sí, si, sí,….. es que,… sí, lo que tú digas,.. sí, sí,.. siempre a tus órdenes,…A ligação acabara, as esperanças também. Era o fim de Adônis? Era o fim da gazeta mais famosa da Galáxia? Aguarde o próximo telefonema. Trinta segundos após o primeiro, eis que o “telefone vermelho” volta a ser acionado. Dessa feita foi Dalinha, que acertou com Maria da Graça Mene Ghel o horário do “ensaio geral”.

Em um canto Polodoro, o único intelectual da trupe, pensava de si para consigo: o que tá acontecendo neste hospício? Olho para um lado e vejo o Goiano todo alegre e saltitante dentro da fantasia; olho para o outro canto e vejo a Violante, a Xolinha, a Chupicleide e a Dalinha encantadoras e, com o perdão da palavra, uns verdadeiros pitéis, já devidamente paramentadas. O que dizer dos demais fubânicos ostentando caras de velório, se negando a vestir o belo uniforme? E a cara de preocupação de Berto? Por Santa Aline das causas perdidas, o que está acontecendo?

Coube a Sancho, relutante em vestir o traje, apesar de ter gente que dirá que ele adorooooooou sua “roupitcha”, informar nosso fiel leitor, o que ocasionou tal pandemônio na esfuziante redação Besta Fubânica, aqui no Recife.

Tudo começou com um vídeo, onde Goiano Praga Torta aparece cantando em um karaokê no Cabaré da Catifunga Treis Oitão, com sua irmã (oh Glória!!!). O tal vídeo fez um sucesso estrondoso, foi parar no horário nobre, no JR, onde os maiores jornalistas da estratosfera, os maravilhosos, esplendorosos e bolsonaristas (tem gosto pra tudo) apresentadores trouxeram à luz o talento da dupla, que começou criança, cantando na horta da família.

A fama repentina e a coisa toda indo às mil maravilhas, os anunciantes querendo mais e mais nossa gazeta, mas (ditatorial mas), alegria de pobre dura pouco; a (des)inteligência Norte-Kolmeiana ficou sabendo do vídeo e, por dever de ofício, entregaram ao Líder Supremo, Primeiro Secretário do Partido dos Trabalhadores da Kolméia, presidente da Comissão Militar Central, Presidente da Comissão de Defesa Nacional, Comandante Supremo do Exército Popular da Kolméia e membro do Presidium do Politburo, o mais alto órgão de decisão da Kolméia, com um único homem no poder, mais recheado de títulos do que o Real Madrid, sendo frequentemente chamado de Marechal King João Um, “o Marechal”.

Temeroso da reação do tal dono de tudo na Norte-Kolméia, famoso por, segundo seus caluniadores, ameaçar jogar bomba nos desafetos, Berto falou reservadamente com Kim YôYô-Joang, a irmã de João Um sobre seu medo de que o JBF voasse pelos ares, sendo que a simpática maninha apavorou de vez a Berto, dizendo que os dias do JBF estavam contados (tic, tac, tic, tac, tic, tac).

Tudo estava em segredo, mas (furíssimo mas), o jornal JooongAngg Ilbooo Kolméia deu o furo: o líder adorara o vídeo e queria a dupla imediatamente cantando ao vivo em seu palácio (Palácio da Chuva de Kumsusyn). Os espiões, tentando dissuadir Um, disseram que seria difícil tal empreitada, pois eram jornalistas de um tal JBF, que tinham liberdade de expressão. O AMADO LÍDER riu da tal “liberdade de expressão” e disse que não via problema algum e, que se fosse o caso, que viessem todos. E melhor, agora tomara a decisão final, exigia TODO o time da gazeta devidamente paramentado com uniforme de PAQUITAS, desfilando junto à tropa, na solenidade cívico-militar em memória de seu avô, o cruel King Bolso Zero Naro e com obrigatório show musical de todos os fubânicos dançando e cantando o repertório inteiro da “rainha dos baixinhos”. Senão, BUM! Estouro, faísca e muita fumaça.

O jato norte-kolmeiano levantou vôo do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes Gilberto Freyre, levando, além da tripulação, as seguintes figuras: Berto, com cara de poucos amigos e fantasia de Xuxa; Adônis, sim, ele sobreviveu, mas embarcou vestindo camisa de força e fantasiado de Xiquita Sorvetão; Violante (Pituxa); Arthur Tavares (Catuxa); Joaquimfrancisco (Xiquitita Surfista); Dalinha (Catuxita Top Model); Jesus de Ritinha de Miúdo (Paquitita Loura); José Ramos (Paquita Thatá); Marcos Mairton (Paquita Teté); Goiano (Pituxita Bonequinha); Severino Souto (Pituxa Pastel); Maurino (Miúxa Bruxa); Altamir Pinheiro (Catuxa Jujuba); Anderson Braga Horta (Xiquita Bibi); Newton Silva (Paquita Lê); Aristeu Bezerra (Paquitita Pluft); Carlito Lima (Paquita Dezza); Carlos Aires (Paquita Chaveirinho); Sancho Pança (Paquita Miss Queimados); Roque Nunes (Paquita Jô); Carlos Ivan (Paquita Grazy Modelão); Cícero Tavares (Paquita Flashdance); Bernardo (Paquita Babunitona); Fernando A Gonçalves (Paquita Lady Di); José Paulo Cavalcanti ( Paquita Docinho); Marcelo Bertoluci (Paquita Perua); Mauricio Assuero (Paquita Cabritinha); Rodrigo Buenaventura de León (Paquita Pastelzinho). Era isso ou, BUM! Estouro, faísca e muita fumaça. Ou show ou BUM! Estouro, faísca e muita, muita fumaça.

Post scriptum: o texto acima representa duas singelas homenagens de Sancho; a primeira, a todos os fubânicos acima citados, que aprendi a amar desde minha primeira acessada a este blog, no final de 2013. A segunda é que fui tão fã da trupe da señora Meneghel, que aproveito este espaço, repleto de artistas, chamado JBF, para justa e oportuna lembrança de todas as maravilhosas mulheres que, ao vestirem o imortal manto de PAQUITA, encantaram baixinhos do mundo todo com beleza, encanto, talento e competência. Infelizmente só os diamantes são eternos, mas (benedicto mas), a arte tem o dom de nos transformar em imortais. Vai-se a carne, fica a obra.

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

QUE SAUDADES DA PROFESSORINHA QUE ME ENSINOU O BÊABÁ

O acesso à Ilhafeia, microrregião de San Sebastian, feito exclusivamente por meio de balsa para pedestres, automóveis e ônibus, está parado. Sancho está parado. A vida está parada. Quatro semanas ou 672 horas, ou 967680 minutos é o tempo em que o caminhoneiro está ali, esperando autorização para passar.

Enquanto esperava o passar do tempo, seus pés bateram na terra dura e prenderam em uma raiz. Soltou um grito: “O horror, o horror!”. Essas palavras finais resumem essa pandemia e Apocalypse Now (que filmaço!!!!), de Francis Ford Coppola. Por que gritara? Gritara ao notar que a tal raiz tinha origem em seu pododáctilo direito. Sancho estava a criar raizes. Outros gritos se fizeram ouvir, em forma de palavrões.

Lembrou-se de sua professora, a saudosa Dona Francisoreia, de belas pernas e andar de tigresa.

Os palavrões na língua portuguesa são palavras de calão usadas em países ou regiões onde se fala a “inculta e bela” (que Bilac nos proteja e que Camões não nos desampare jamais). O termo “baixo calão”, popularmente conhecido para designar os palavrões, é um pleonasmo, pois “calão” já indica um palavrão, conforme ensinou ao jovem Pança, a dedicada Fran em sua Desengano querida.

Visivelmente alterado pela espera, virei-me para o homem de farda, um fiel cumpridor de seu dever, com cara e músculos de rottweiler, que bloqueava meu direito de ir e vir e estava furioso com meus gritos.

Resolvi esgotar o estoque e proferi todos os calões que recentemente aprendi com o presidente da República, um expert no assunto e um cão sem dentes, conforme elogio publicado em jornal da capital PAULISTA. Após esgotar o estoque, atirei-me ao mar, pois o sentinela fardado certamente me levaria em cana e eu dormiria no xilindró.

Dez minutos e muitas braçadas depois, avistei Sverige, pois havia passado, sem perceber de um país para outro, do mar para o rio mais importante daquele país, localizado na península Escandinava, o Rio Tietê (Quantos prometeram te despoluir? Quantos, ainda, irão te aviltar, valente rio, que jaz morto e marginal aos pés da MARGINAL?). Entristecido, cantarolei a música que todos vocês conhecem (Rio Tietê, em frágeis caíques, 2 bravos caciques batiam-se ali).

O importante rio cobre territorialmente todo o Reino da Suécia, de leste a oeste, além de marcar a geografia urbana da maior cidade do país, a capital San Pablo (Stockholm em sueco). O nome “Tietê” foi registrado pela primeira vez no ano de 1748 no mapa Danvile, por Heimdall. O hidrônimo é de origem tupi e significa “água verdadeira”, com a junção dos termos ti (“água”) e etê (“verdadeiro), onde pratica-se a tradicional pesca da traíra, um peixe que só nada nos rios daquele país nórdico e exuberante, onde todas as mulheres são loiras, lindas e se chamam Greta.

Assim me ensinou minha dedicada professorinha, a sempre bela Francisoreia Dorotheia da Silva e Silva, como vocês já estão cansados de saber. Prometo não falar mais em minha professorinha querida, a senhora Francisoreia Dorotheia da Silva e Silva. Falemos de Greta.

Falando em Greta, lembrei de Francisoreia, mas (maledetto mas), como prometi não falar mais de Francisoreia, em uma fração de minutos e algumas braçadas mais, este anti-herói estava nadando entre belos corpos nús, cercado por belas Gretas. Greta Bacalhaurgströmer nadava entre bacalhaus. Greta Dilmolulössen brincava com o vento, como se quisesse estocá-lo e Greta Garbo ria de cada gracinha que eu fazia.

Greta Thunferg (avó da Greta Thunferg, que penteia macaco na Amazônia) me perguntou se eu conhecia o maravilhoso Lula. Respondi Hidronevrukusticadiafragamkontravibrationer (tradução: o povo adora comer lula à doré, um prato típico de Caetés) e ela, não entendendo meu sueco arcaico, acabou acreditando que eu dissera “Lula é o cara”.

A única mulher que não se chama Greta aqui na Suécia é Anita Hekberg, mas Anita não é mulher, é uma funkeira maravilhosa, uma divindade feminina, esculpida a três mãos, por Odin, Thor e Loki. Hekberg, que também estava banhando-se no Tietê entre Gretas, me dirigia longos olhares de deusa nórdica no cio. Vocês já viram uma deusa no cio? Pensei de mim para comigo: vai lá Sancho, seu zerda! Vai acasalar com a bela e fazer lindos vikinzinhos.

Vou ou não? Bom ou não, perguntaria a Bárbara, que não é loira, não se chama Greta, não estava nadando nuazinha entre nós, mas (benedicto mas), igualmente é um espetáculo.

Decidi “atacar”, já que “o não está garantido”… Vai que cola o xaveco…

Fui interrompido (maldita interrupção, Batman!) por uma microfonia estridente de um megafone, voz gritada em um sueco de estranho sotaque, que mandou que saíssemos todos da água, com as mãos para o alto, conforme traduziu Greta Tradutoraksen, a tradutora que, para minha surpresa nadava entre tantas outras Gretas e estava deslumbrantemente nua e disposta a me auxiliar nas coisas da língua nórdica antiga (dǫnsk tunga).

Pensa em um cara revoltado. Malditos “empata phodda”, pensei de mim para comigo. Resolvi “apelar para a ignorância” e, como os suecos não entendem porra nenhuma de español, despejei, com um sorriso nos lábios, para eles não perceberem, todos os impropérios conhecidos na língua pátria de “minha madre”.

Maldita hora escolhida para bancar o engraçadinho! A Polismyndigheten, em fluente espanhol, me chamou aos berros: “Muérete, enfermo hijo de perra!”, “Escúchame, viscoso hijo de perra, aunque mi duela, aunque me duela el alma, te mataré”.

Percebendo a confusão, o chefe do policiamento veio correndo, todo vesgo, ao tentar ver ao mesmo tempo detalhes da confusão e da anatomia estonteante das moças. Ouviu de seu subordinado: “Ese hijo de perra intentó hacernos una jugarreta.”

Foi aí que consegui ler no sutache dos militares, os nomes dos pouco amigáveis policiais: Comandante Fidel, Sargento Cienfuegos, Cabo Maradonna e Soldado Guevara. O susto foi imenso. Senti que estava mais do que phoddiddo; temi parar no paredón.

Aproveitei que a patrulha cufana mantinha-se embasbacada vendo emergirem das águas, uma por uma, as 20 ninfas nórdicas, completamente nuas (19 Gretas esculpidas pelos deuses, desejadas pelos homens). Os truculentos filhotes da “ditamole cufana” esqueceram da vida, da missão e de Sancho Pança, que agarrou a mão da única não Greta, a bela Anita e correu pelas ruas de Estocolmo até pararem, ofegantes, para tomar fôlego.

Aí fiz assustada pergunta: – Que porra foi aquilo!?

As línguas lapônicas, iídiche, romani e meänkieli são oficiais em algumas regiões do país e ela, a bela, poderia descarregar sua raiva em qualquer desses idiomas, mas (estranho mas), fitou-me com aqueles olhos de jade, sorriu e disse em português bolsonarístico, que aprendiam universitários suecos nas aulas de filosofia: “Caráleo Sancho, seu filho da puta! Porra! Você é um merda de um desinformado! Você não acompanha o noticiário da pandemia de dengue, zika e chikungunya que assolou o mundo, provocado por um musquitim muito do phela da putta!? O governador sueco João Glória e seu prefeito Bruto Cova decretaram quarentena absoluta aqui em San Pablo e importou médicos cufanos, que, por não terem o que fazer aqui na capital, pois temos QUASE zero casos de infectados, estão patrulhando em caminhões “cata velho”. Nosso governo usa o conhecimento bélico adquirido por esses brucutus em Cufa e na Fefezuela, e os emprega em todos os serviços de segurança de nosso país.”

Contabilizei o número de “elogios” que me endereçou. Ao todo, a belíssima desbocada, assim como Bolsonaro, o fizera em famosa reunião, falou 5 merda, 7 bosta, 8 porra, 2 foder, 4 putaria, 2 puta que o pariu, 2 filho da puta e 1 cacete.

Certo de que, se me pegassem, eu sofreria “impeachment” e iria para “el paredón”, apenas pelos palavrões proferidos, afinal, morrer não custa nada e, a esta altura do texto, tem muita gente interessada em meu fim, resolvi orar, deprecar, rezar.

Por São Luiz Berto, padroeiro dos Sanchos desempregados, o que fazer? Olhei para os peitos de sueca, larguei as súplicas ao padroeiro e resolvi colocar em prática uma velha frase: faça amor, não faça guerra.

As revoluções são a locomotiva da história. Chegara a hora de fazer a minha revolução. Cantei mentalmente “A Internacional (L’Internationale)”, de punhos erguidos e olhando nos olhos lindos da loira, com uma convicção própria dos revolucionários, disse: Déjeme decirle Hekberg, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor. (tradução culta: Anita Hekberg vamos fazer amor e afrontar a guerra. E na tradução povão: Anita quero afogar o ganso, passar a rola, descabelar o palhaço, molhar o biscoito, gratinar o canelone).

A irresistível companheira de Sancho sorriu e perguntou: “¿Tenemos tiempo de follar antes de que lleguen?”

Procurei o melhor motel e consequentemente, mais caro; pedi 10 garrafas de Moët & Chandon Dom Perignon Charles & Diana 1961, afinal quem pagaria a conta seriam os sequazes amigos de Díaz-Kamel, pois não tardaria a ser capturado e só possuía o progressista, vanguardista, renovador Sancho uma opção: aproveitar seus últimos dias tomando champagne e fazendo lindos vikinzinhos de olhos verdes.

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

NENHUM CERVANTES ME PARIU!

Creio que, antes de dar o pontapé inicial em Las Bienaventuranzas de Sancho Panza, seguindo os trâmites da fina educação que recebi de minha professora de costumes, a fidalga señora Violante Adônica Maurina Joaquimfrancisca Praga Torta de León e do meu tutor de artes marciais João Francisco Arthur Tavares de Ritinha de Miúdo, cabe APRESENTAR-ME aos infiéis leitores desta gazeta escrota.

Sou Sancho Panza (nome derivado da parte convexa y abultada de algunas vasijas y otros objetos), que algum distraído tradutor mudou para Pança, esquecendo-se que não é de bom tom traduzir ao pé da letra nomes próprios, pois volumosa barriga não possuo.

A aventura de meu nascimento tem início com minha mãe adotiva, Catharina Panza, uma iniciante e jovem parteira, em desabalada carreira, feito maratonista queniana disputando a São Sivestre (santo do último dia do ano do Calendário Gregoriano), seguindo o guia, um escritor chorrochoense, um baiano de nome Paulo Caolho, pela empoeirada e mística Santiago de Compostela até um estábulo conhecido por Três Reis Magos, onde, entre animais, uma jovem, de nome Miguelita de Cervantes Labareda ostentava assustadora e gigantesca barriga e nove meses de prenhez. Mas (bendito mas), o cenário dantesco, o local inapropriado, a inexperiência da futura mãe e da jovem parteira, ou seja, a tempestade perfeita que se avizinhava, milagrosamente NÃO DESABOU, coisa que apenas a fé pode explicar. Ao contrário do que seria natural, uma destemida Catharina executou, pela primeira vez e com maestria de veterana, seu ofício. Exatamente às 11 horas, 11 minutos e 11 segundos do dia 11 do mês 11 do ano de 1111, a barriga foi esvaziada, vindo à luz do esplendoroso dia, os sêxtuplos e feiosos Alonso Queijando, Sancho Panza (o mais feio), ldonza Lourenço, Ginés de Pasaquatro, Roque Guinada e Antônio Quase Moreno.

Catharina Panza, ao anoitecer do mesmo dia foi vista novamente em desabalada carreira pelo empoeirado caminho de Compostela, desta feita como se mil demônios a perseguissem, carregando nos braços o jovencito Sancho, que ela iria criar com muito amor e carinho, se sobrevivesse à empreitada.

A correria da jovem só teve fim quando foi tomada pela exaustão. Com certeza estava exaurida de forças a jovem responsável pelo surgimento de uma lenda.

Muitos anos depois (e bota muitos anos nisso!), recobrada da exaustão, acordou a fugitiva nos braços do engenheiro Sayão, a quem explicou sua jornada. A destemida jovem, segundo próprio relato, atravessou, em sua destrambelhada carreira, carregando colado ao corpo um recém-nascido, boa parte da Península Ibérica, conseguindo cruzar, possivelmente a nado, o Atlântico, do cais da cidade do Porto até a costa brasileira, chegando viva, sabe-se lá como, com a proteção e o testemunho único do próprio Criador.

Onde estava ao despertar nossa jovem aventureira? Estava no coração do cerrado brasileiro e diante do homem responsável pela construção de uma gigantesca estrada que ligaria, pela primeira vez, o extremo norte ao restante do país, Belém a Brasília, a Amazônia ao cerrado, o caboclo ao sertanejo, a borda ao coração da NAÇÃO.

O dono do estábulo em Compostela, um tal señor Luiz Berto, um sujeito de bons bofes, grande coração, com inequívoca vocação para a literatura e o jornalismo, cruzaria novamente o caminho de Panza 70 anos depois da fuga de Catharina, mas (bendito mas), aí já é outra história.