DEU NO JORNAL

TARCÍSIO: A IMAGEM DA EFICIÊNCIA DISCRETA

Rodrigo Constantino

Em coluna publicada no jornal O Dia, Aristoteles Drummond encheu de elogios o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, “o fenômeno desta equipe ministerial”, como resumiu. Para o autor, Tarcísio é um “Trabalhador incansável, hábil, simples, percorre o país inteiro visitando e inaugurando obras. Tem a habilidade de se fazer acompanhar dos políticos da região. Tem consciência do grau de sucateamento que os governos do PT relegaram a infraestrutura de transportes e o planejamento do setor, que é fundamental para a retomada do crescimento.”

É também um “Gestor presente e estudioso”. Para Aristoteles, Tarcísio já garantiu seu lugar na história ao lado de outros grandes da área: “Tivemos dois notáveis ocupando a pasta dos transportes no passado recente. Mário Andreazza, um gigante como Ministro de três governos, homem de visão e ação, e seu sucessor e auxiliar, Eliseu Resende. Como esta dupla, o ministro Tarcísio já garantiu seu lugar na história”, diz o texto.

Por fim, o jornalista destaca que tudo isso é conquistado sem alarde, sem panfletagem, sem firulas: “Para completar, seu sucesso não desperta ciúmes, pois o homem é discreto, desprovido de vaidades e ambições. Tem a admiração do Executivo e do homem simples”, escreve Aristoteles. E conclui: “Tanta discrição e simplicidade, com tanta eficiência, pode levá-lo longe.”

Trata-se de um bom resumo, e de elogios merecidos. Justiça seja feita, Tarcísio só é ministro graças ao presidente Bolsonaro, que o apontou para o cargo e lhe concedeu autonomia administrativa. O próprio ministro já reconheceu isso em entrevistas e demonstra gratidão para com o presidente. Não podemos responsabilizar Bolsonaro pelos ministros ruins e retira-lo o mérito frente aos bons ministros. Ou adotamos a premissa de que é ele o chefe de todos, o capitão da equipe, o que serve para o lado negativo e também positivo, ou o encaramos como alguém sem qualquer participação no próprio governo, o que parece absurdo.

Dito isso, não resta dúvida de que o seu governo seria muito melhor se contasse com mais ministros com esse perfil discreto e trabalhador. Alguns, infelizmente, preferem “mitar” nas redes sociais enquanto entregam resultados medíocres em suas pastas. É verdade que, no caso da Educação, parte do objetivo de desfazer as trapalhadas ideológicas da esquerda passa por lançar holofotes nessa questão da guerra cultural. Mas há formas e formas de se buscar a mesma meta, convenhamos.Por mais ministros como Tarcísio, portanto. O Brasil agradece!

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CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

TRÊS IRMÃOS EM CONFLITO

Tipo de armazém de secos e molhados da época, a semelhança do Seu Cirilo

Seu Cirilo era um comerciante mulherengo. Em cada bairro onde tinha um armazém de secos e molhados, possuía um rabo de saia para “furar o couro” a cada dia da semana.

De todas as mulheres com quem teve “um caso”, só Dona Dóris teve três filhos dele, um macho e duas fêmeas. Até hoje não se sabe por que as outras não embucharam dele…

Seu Cirilo não era agiota, mas desenvolveu um método infalível de se apossar das casas dos devedores do seu armazém: quando percebia que o devedor estava com a caderneta de débito a perigo, intimava-o a trazer “a escritura da casa” como garantia do débito e, quando este chegava a determinado patamar, pagava a diferença do valor do imóvel previamente combinado e expulsava o devedor. Por causa desse modo de pressão infalível, Seu Cirilo conseguiu angariar um patrimônio que dava inveja a qualquer comerciante da redondeza.

Antes de falecer, Seu Cirilo havia deixado dois imóveis “apalavrados” para cada filho. Três para a esposa, fora os três armazéns de secos e molhados que, um ano depois de sua morte, fecharam as portas porque os filhos não se entendiam na condução gerencial.

Após a falência dos três armazéns por falta de direção, cada filho, de posse de suas casas e apartamentos dados verbalmente pelo pai em vida, tomou seu rumo na estrada, e passaram a se desentender cada vez que um falava para o outro que queria vender um imóvel “doado” pelo pai para tocar a vida. Nenhum assinava em favor do outro qualquer termo de renúncia, mesmo sabendo que isso era condição necessária para dirimir qualquer dúvida e dar segurança jurídica para quem estava comprando.

Interessante é que os filhos de Seu Cirilo viviam socados na igreja todos os sábados e domingos justamente orando às pessoas que estivessem passando por esse tipo de situação. ”Oh! Pai! Antecedei junto a teus filhos para que não haja desavença entre eles!” “Que eles vivam em harmonia! Amém!” – suplicavam ajoelhados!

Enquanto oravam para Deus para mostrar um caminho, Maria procurava João para que assinasse um termo de anuência e esse se negava terminantemente! João procurava Josefa para que assinasse um termo de concordância para ele vender a casa e esta dizia não! Josefa procurava João e Maria para que assinassem um termo de anuência e estes diziam também não! E assim foram levando a vida nessa discussão interminável, com um colocando a culpa no outro por não fechar o negócio. Enquanto isso os três armazéns pertencentes, em vida, a Seu Cirilo, o tempo ruiu. Até que um dia também Dona Dóris encantou-se e tiveram de procurar a Justiça para dividirem os bens. Contrataram um advogado “especialista” e este, autorizado pelos três irmãos, entrou na Justiça para partilhar os bens.

O tempo passou e a Justiça sem dar um ponto final ao processo. A espera foi tanta que morreram João e Maria. Josefa caminhava para o paletó de madeira por causa do sério diabetes. “Vai chegar o dia em que, quando a Justiça disser ‘de quem é de quem na partilha’ até os netos terão viajado para a cidade de pés juntos!” – Sentenciou um vizinho gaiato que trabalhava no Tribunal.

Bem feito para os três conflitantes que não chegaram a um consenso arbitral antes de procurar a Justiça, que no Brasil só não é lenta para quem é ladrão, assassino, criminoso, latrocida, estuprador, pedófilo e corrupto, porque tem proteção constitucional.

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ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

ALGUNS POEMAS BREVES

SAUDADE

Saudade quando chega
Promove melancolia
Um caos nas emoções
Sensação de agonia
Pra encontrar a cura
Vencer toda agrura
Basta fazer poesia.

POESIA DIFERENTE

Goste ou não de poesia
A minha é singular
Economia de tempo
Sentir prazer em rimar
Captar o universo
Lendo um simples verso
Pra o mundo decifrar.

O PAPA PODE ERRAR

O papa se irritou
Com quem puxou seu braço
Achar que ele não erra
É um grande atraso
Líder religioso
Mesmo sendo bondoso
Pecou pelo cansaço.

ZONA DE CONFORTO

Na zona de conforto
Sente-se amparado
Mas ao levar um choque
Pega despreparado
Só sai dessa cilada
Quem está motivado.

CONVIVÊNCIA

Conviver é uma arte
De tratar com carinho
Quem vem lhe atrapalhar
No meio do caminho
Pois só colhe uma rosa
Se tocar em espinho.

O HERDEIRO DOS ASTROS

Foi João Paraibano
Quem sempre plantou poesia
Nos irrigou com versos
Da divina sintonia
Hoje, colhe o apreço
Daqueles que o aplaudia.

DEU NO JORNAL

SUPREMA LERDEZA

Balanço da força-tarefa do Ministério Público Federal, a Lava Jato no Supremo Tribunal Federal anda sem pressa: são 71 inquéritos, 45 denúncias contra 126 investigados.

Um dia serão julgados.

* * *

Isso mesmo.

Um dia serão todos julgados.

Julgados por Gilmar, Tofinho, Lewan, Marco Aurélio…

Como dizia Millôr Fernandes, “a justiça farda mas não talha”.

Boca-de-Buceta tirando um cochilo entre a soltura de um corrupto e outro

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ESQUELETOS NO ARMÁRIO

Semana passada, em uma roda de amigos, mais uma vez voltou-se à tona a discussão sobre o período que foi de 1964 a 1985 – ficou conhecido como Revolução de 64, Ditadura Militar, Golpe, Contrarrevolução, Regime Militar – os nomes variam de acordo com o gosto do freguês. Mas, o que mais me chamou a atenção é que, apesar de todos terem alguma opinião sobre o período, nenhum de nós o viveu em sua plenitude. Eu, o mais velho da turma, nasci em 1971, ou seja, durante o governo Médici. Passei pelos governos Geisel e Figueiredo e, “Zé Fini!”… acabou-se governos dos generais.

Em 1979 foi aprovada a Lei de Anistia que foi recepcionada na Emenda Constitucional que convocou uma Assembleia nacional Constituinte que criou a dita “Constituição Cidadã”… uma Carta tão magna, mas tão magna que trinta anos depois, ela ainda não chegou até o povão, mas deixa isso para lá. A anistia foi um processo necessário de pacificação, mas acabou parindo monstrengos que custam caro ao dito cidadão para qual a dita constituição foi feita. E bota caro nisso. E entre esses monstrengos estão a Bolsa Ditadura – aquela compensação paga pelos otários pagadores de impostos a pessoas que foram perseguidas e prejudicadas, ou que se dizem perseguidos e prejudicados durante aquele período -, além de uma aberração parida no pior governo da história republicana do Brasil, o de Dilma Rousseff, a malfadada Comissão da Verdade, ou mais apropriada, Comissão da Verdade Estatal.

Anistia significa perdão, mas não esquecimento. Ora, como dá para perdoar algo que não é completamente sabido? Como esquecer algo que possui zonas cinzentas e sem nenhuma luz, em uma história cheia de lacunas e buracos? O presidente Bolsonaro foi eleito com o mote cristão “E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará!”. Está na hora, presidente, de tirar todos os esqueletos desse período do armário e jogá-los em praça pública. Eles vão escandalizar, chocar, provocar náuseas por alguns dias, meses, mas será um processo de cura necessário para que o país se reconcilie com o seu passado e liberte-se dele.

Até agora, vivemos refém de duas visões opostas. De um lado, aqueles que estavam no comando estatal se negam a encarar a verdade, a tirar esses esqueletos do armário. De outro lado, aqueles que estavam lutando para implantar a ditadura do proletariado querem essa abertura com o intuito de se vingar pela derrota sofrida. Não. O Brasil não precisa disso. Precisa sim, se reconciliar com seu passado, mas perdoar. Perdoar, tanto aqueles que usaram o poder do Estado para torturar, matar e destruir, quanto aqueles que intentavam solapar o poder para implantar as suas ideias de governo baseada em uma tirania sanguinária.

Nessa guerra de narrativas – olha a palavra maldita aí – a única conclusão que se pode tirar é que não há e não houve inocentes nessa luta. Os militares e civis do governo cometeram crime? Sim. Os que lutavam pela implantação de um regime totalitário no Brasil, no período cometeram crime? Sim. Porém, nesse embate devemos partir de uma premissa básica. A lei da anistia perdoou aos dois lados, mas não mandou a sociedade esquecer esse período. Só que esse perdão está difícil de ser concretizado, justamente porque há muitos esqueletos trancados em armários, tanto de um lado, quanto de outro. É necessário que esses cadáveres insepultos sejam arrancados de lá. Jogados em frente à casa de cada um dos brasileiros, com sua história, suas vidas e suas mortes. Como disse, eles vão nos escandalizar, nos causar ânsia de vômito, mas será libertador conhecer as suas histórias, as suas agruras e suas trajetórias.

Perdão significa perdão. Infelizmente ainda há tarados morais que querem não conhecer e perdoar, mas vingar, buscar revanche, ou mesmo acalentar uma falsa sensação de vitória pela punição dos seus adversários. Esse tipo de comportamento deve ser repudiado pela sociedade, porque um fato é notório: ninguém que lutou naquele período defendia um Estado Democrático e de Direito.

Joguem esses esqueletos fora, limpem esses armários. Conheçamos toda a verdade daquele período para que essa verdade nos liberte desse passado e nos mostre o caminho do futuro. Esses esqueletos escondidos são fonte para espertalhões arrancarem dinheiro do cidadão, que, em sua maioria não viveram aquele período, mas são obrigados a pagar o investimento feito pelos ditos guerrilheiros naquele período. Abram-se os armários e joguem-se esses esqueletos em plena luz do dia. As torneiras do dinheiro fácil e das ditas indenizações serão fechadas no mesmo instante, o país poderá conhecer o seu passado, reconciliar-se com ele e caminhar para frente finalmente.

Conhecer esse passado irá nos fazer enojarmos de nós mesmo, por um tempo, porém jamais poderemos negar ele. Enquanto esses esqueletos estiverem escondidos nós nos envergonharemos de nossa história. Vamos trazer à luz esses cadáveres e buscar cumprir a promessa do presidente Bolsonaro a respeito da verdade, mas com o intuito exclusivo da reconciliação e não da revanche, ou da vingança? Quem sabe não está aí a chave para o nosso futuro?

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MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

REESCREVENDO O PASSADO

Uma das palavras que definem nosso século é “pós-verdade”. Houve um tempo em que estar conectado com a realidade era indispensável. Quem acreditasse que as árvores dão flores no outono e frutas no inverno passaria fome. Mas o mundo se tornou tão complexo que o cidadão comum não tem a mais vaga idéia de como as coisas são produzidas. Isso permite que muitos optem por viver em uma “realidade alternativa”, já que não é necessário entender o mundo para viver nele. Como parte da criação desta “realidade alternativa”, pessoas e instituições se dedicam a substituir os fatos (a verdade) por teorias (pós-verdade) mais convenientes aos seus interesses.

Como exemplo, temos dois momentos importantes da história, conhecidas como “a crise de 1929” e “a crise de 2008”. Ensina-se nas escolas que são dois casos em que o capitalismo falhou e foi salvo pelos governos, o que prova que políticos são sempre sábios, bondosos e indispensáveis para nos proteger dos perigos da “falta de regulamentações”. O que há de verdade nisso? NADA. Que fatos são apresentados para justificar afirmações tão sérias? NENHUM.

Vamos dar uma olhada nos anos 1920 e tentar entender o que aconteceu. (2008 fica para a próxima coluna)

Começando do começo: até 1914, todas as moedas importantes do mundo eram fixadas ao ouro, e não se alteravam entre si. Por exemplo: a libra era definida como 1/4 de onça de ouro, e o dólar, como 1/20 de onça. Consequentemente, uma libra valia cinco dólares. Nesse sistema, governos não podem gerar inflação imprimindo dinheiro. Mas aí veio a 1ª guerra mundial, e o padrão-ouro foi para o lixo; era preciso imprimir dinheiro para pagar as despesas da guerra.

Os EUA entraram tarde na guerra e seus prejuízos foram bem menores que os países da Europa. Mas o governo seguiu o exemplo europeu e girou com gosto a maquininha de fazer dinheiro. A consequência foi que todo mundo parecia ter ficado rico num passe de mágica. Mas era apenas ilusão, criada pelo crédito fácil e pela expansão monetária, ou seja, uma bolha. Quando a economia “cresce” à base de crédito, acaba caindo em uma armadilha: é preciso cada vez mais crédito para manter a ilusão, mas não se pode aumentar o crédito infinitamente. Uma hora a expansão acaba e sobram as contas para pagar.

Observação: o seu professor de história contou que as bolhas são culpa do capitalismo, da ganância dos empresários malvados, da falta de regulação dos governos. Meu conselho é que você simplesmente o ignore: isso não se baseia na lógica nem na realidade, mas em um pensamento do tipo “eu queria tanto que fosse verdade”.

Voltando aos EUA, entre 1914 e 1919 a oferta monetária mais que dobrou. No fim de 1919, o governo americano percebeu que o ritmo era insustentável e começou a diminuir a fabricação de dinheiro, acabando com o crédito fácil e barato. Em 1920 o desemprego começou a aumentar, empresas começaram a falir, e a bolsa obviamente despencou. Por sorte, o presidente Warren Harding não acreditava que governos podem consertar a economia. Pelo contrário, Harding fez o governo atrapalhar o mínimo possível: reduziu os impostos e os gastos do governo (6.3 bilhões em 1920, 5 bilhões em 1921, 3.3 bilhões em 1922; neste período a dívida federal diminuiu 33%).

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