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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

UMA HISTÓRIA DE AMOR

No longínquo ano de 1963, eu, tenente do Exército Brasileiro servindo na Bahia, passei as férias de verão, como de costume, em Maceió. Certo dia minha irmã Rosita convidou-me para visitar o acampamento das bandeirantes, com mil recomendações para não me enxerir com as moças. Quando olhei aquela galeguinha de 15 aninhos, não pude deixar de cantar uns versos da ciranda no ouvido: “Oh menininha você é tão bonitinha… Engraçadinha… Vou me casar com você…”

Anos depois, já como capitão no 20º BC em Maceió e fazia a Faculdade de Engenharia. Solteiro, com outros amigos, éramos os donos da cidade.

Até que um dia de 1968 encontrei aquela bandeirante bonitinha que havia retornado dos Estados Unidos. Ao me deparar novamente com a galeguinha, me apaixonei e logo cumpri a premonição da ciranda cantada em seu ouvido. No dia 9 de janeiro de 1970 casei-me com Vânia na Catedral Metropolitana de Maceió.

A despedida de solteiro foi no Bar do Miltinho. A noitada foi maravilhosa, o bar se encheu de amigos, colegas da faculdade, empresários, militares, pescadores, políticos, um padre. De repente chega um amigo da Viçosa com um Insquenta Muié, cantando: A minha turma que bebe um pouquinho… no bar do Miltinho… até o sol raiar.

Entrei na Catedral lotada, fardado de capitão pelos braços de Dona Zeca. A Banda de Música do 20º BC tocou belas músicas durante a cerimônia elegante. Depois da cerimônia, no sair da Igreja, os colegas do Exército fizeram a abóbada de aço com as espadas cruzando no ar, uma tradição no casamento militar.

Assim de passaram 50 anos daquele casamento alegre, com muito bom humor dos amigos e dos noivos. É preciso boa dose de amor e de tolerância para se passar 50 anos juntos. Nada é fácil, não houve céu de brigadeiro o tempo todo, algumas turbulências e até rotas de colisão.

Em 50 anos construímos juntos um belo patrimônio: 3 filhos e 3 netos, além de genro e nora.

Nesses anos de convivência tornei-me admirador dessa professora que aos 40 anos resolveu enfrentar um vestibular de Direito, formou-se e montou um escritório de advocacia. Essa advogada que passou quase dois anos sem folga, sem sábado e domingo, estudou e passou no concurso de Promotor de Justiça. Dessa mulher atarefada que arranja tempo para dedicar-se aos filhos crescidos, a levar os netos às aulas de inglês, de tênis, de natação. Dessa mulher que trabalha com amor e alegria e possui uma felicidade intrínseca e encantadora. Dessa mulher forte que não se deixa pisar. Dessa mulher que gosta de bons livros, de bons filmes, teatro, música, show e da cultura popular e me incentiva em minhas loucas invencionices. Dessa mulher animada que faz o passo atrás de um bloco de frevo nos dias de carnaval. Dessa mulher que gosta de viajar perambulando pelo mundo, Cartagena, Praga, Berlim, Nova York, Paraty, Lisboa. Dessa mulher que nunca deixou de ser professora, ensina aos netos, dá palestras nas Igrejas e nas Festas Literárias do Brasil afora. Dessa mulher que move montanhas defendendo seus direitos, como uma loba defende seus filhotes. Dessa alegre mulher que ama as colegas de colégio e infância e conserva o carinho de suas amigas em encontros e almoços, aproveitando essa bonita e última fase madura da vida.

Dessa menina que um dia encontrei em flor de seus 15 anos num acampamento de Bandeirantes, e eu tenente, cantei pra ela em premonição: “Ôh Galeguinha você é tão bonitinha… engraçadinha… vou me casar com você”. Sou um homem privilegiado, a única pessoa no mundo a conhecer profundamente a gentileza, a bondade, a perseverança, a força dessa mulher. Dessa minha mulher-amante, timoneira do barco de nossas vidas. Vânia aprendeu a remar com o tombo do navio, com o balanço do mar. Navegar foi preciso. Essa mulher segurou forte o leme nos poucos maremotos. Hoje navegamos apenas em calmaria, enxergando, ao longe, outros mares ou um porto final além do horizonte.

A inexorabilidade do tempo é fatal, qualquer dia desse eu parto para o além do horizonte. Quando eu não estiver mais a seu lado deixarei lembranças e quero que você sempre saiba que foi a razão do meu viver. Lhe amar foi para mim uma religião. E que nos seus beijos eu encontrava o calor que me brindava no amor e na paixão. Nós somos uma história de um amor como não há outro igual que me faz compreender todo o bem e todo o mal. Você deu luz a minha vida e quando eu não estiver mais aqui, lembre-se de mim com alegria cantando, penando e ainda me amando: “Já não estás mais a meu lado coração…”.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MADRUGADA EM MEU JARDIM – Jansen Filho

Um divino clarão vem do nascente
E sobre o meu jardim calmo resvala!
Na graça deste quadro reluzente,
A aragem fria os meus rosais embala!

Tudo desperta misteriosamente!
E a luz cresce e se expande em doce escala,
Avivando o Lençol resplandecente
Da brancura dos lírios cor de opala!

E o sol, doirando as franjas do horizonte,
Celebra a missa do romper da aurora
Na doce Eucaristia do levante!

Da passarada escuta-se o clarim !
E a madrugada estende-se sonora,
Na aleluia de luz do meu jardim !

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

PRIVILÉGIOS

Nas aulas de história, nos ensinam que o sistema econômico da Idade Média era o Mercantilismo. Um aspecto importante do mercantilismo foi a organização da produção em grupos fechados conhecidos como guildas. As guildas davam aos seus integrantes o monopólio de uma atividade em cada local: tecelões, padeiros, ferreiros, pintores, cervejeiros… Cada profissão era rígidamente controlada pela respectiva associação, que por sua vez era controlada pelos seus integrantes. E como se tornar um membro da guilda? Pagando, é lógico.

Para explicar melhor: o interessado em tornar-se um profissional de determinada área precisava ser aceito como aprendiz por um profissional já estabelecido. O aprendiz trabalhava por um tempo pré-estabelecido (geralmente entre três e sete anos), mas não recebia salário. Ao contrário, pagava pela “aprendizagem”. Concluído este tempo, e com a aprovação do “mestre”, tornava-se um profissional. Caso tivesse o capital necessário, podia montar seu próprio estabelecimento e trabalhar nele. Caso não tivesse, podia trabalhar como empregado.

Oficialmente, os objetivos eram nobres. As guildas declaravam “proteger o público”, “garantir a qualidade dos produtos”, “regular o mercado”. Na prática, é claro que serviam para limitar a concorrência e garantir o controle do mercado e dos preços. Em muitos lugares a existência dos aprendizes era apenas teórica, já que pouquíssimos podiam se dar ao luxo de pagar para trabalhar por vários anos; na prática os privilégios passavam de pai para filho.

Como exemplo, vejamos algumas regras do estatuto da Associação dos Curtidores de Couro de Londres, de 1346:

“…nenhum estrangeiro trabalhará no dito ofício se não for aprendiz ou admitido à cidadania do lugar.”

“…ninguém tomará o aprendiz de outro […] a menos que seja com a permissão do seu mestre.”

“…se qualquer aprendiz se comportar impropriamente com seu mestre, ou agir de forma rebelde com ele, ninguém do ofício lhe dará trabalho…”

“…ninguém que não tenha sido aprendiz e concluído seu tempo de aprendizado do ofício poderá exercer o mesmo.”

Protecionismo explícito, e garantido pelo governo, óbvio, que é quem dava legitimidade e poder legal às guildas. É curioso como desde aqueles tempos, as pessoas tendem a acreditar que governos “protegem” o povo mesmo quando as evidências mostrando o contrário são escandalosamente óbvias.

Outros exemplos: Em 1498, uma igreja na Alemanha pagou 16 marcos à associação dos padeiros para poder fabricar seu próprio pão. Em cidades como Frankfurt e Basiléia havia guildas de mendigos, e era proibido mendigar sem ser membro da respectiva guilda. E vejam esta lei da República de Veneza, de 1454, que mostra que governo e guildas atuavam juntos no protecionismo: “Se um trabalhador levar para outro país arte ou ofício em prejuízo da República, receberá ordem de voltar; se desobedecer, seus parentes próximos serão presos, a fim de que a solidariedade familiar o convença; se persistir na desobediência, serão tomadas medidas para matá-lo, onde quer que esteja.”

Mais de cinco séculos se passaram, mas nosso país continua seguindo os mesmos princípios. Os nomes mudaram: as guildas agora se chamam Conselhos de Classe. A formação do aprendiz foi separada da atividade profissional e entregue às universidades, mas o princípio é o mesmo: pagar em troca do privilégio de exercer uma profissão. Pode-se dizer que houve uma piora: Antes, o mestre que ensinava também atuava no mercado, o que de alguma forma cobrava competência. No sistema atual, essa relação se perdeu. O mestre tem o privilégio de conceder o “privilégio de exercer o ofício” – hoje chamado de diploma – sem que se exija nada além de seu próprio diploma. É perfeitamente normal um estudante de engenharia ser “ensinado” por alguém que nunca construiu uma obra sequer. É corriqueiro que um aluno passe anos em uma faculdade de administração recebendo aulas de pessoas que nunca administraram nada na vida (exceto suas próprias carreiras acadêmicas).

Albert Einstein, se estivesse vivo, não poderia ensinar matemática ou física em uma universidade brasileira; ele não tinha o diploma necessário. Machado de Assis também não seria professor em uma faculdade de letras.

Frank Lloyd Wright e Mies van der Rohe, dois dos mais famosos arquitetos do mundo, não eram formados em arquitetura. No Brasil, suas obras seriam embargadas pelo CREA e CAU, a menos que eles pagassem alguém para assinar seus projetos (prática corriqueira por aqui).

Bill Gates largou a faculdade para fundar a Microsoft. No Brasil, seria proibido de dar aulas de Word ou Excel em um colégio de 1º grau. Provavelmente também não conseguiria ser chefe de seção em alguma repartição pública, por não ter curso superior.

Platão, Voltaire e Nietzsche não seriam considerados filósofos se morassem no Brasil, por não ter um diploma acadêmico de filosofia. Mas a Academia Brasileira de Filosofia, reconhecida como autoridade na área pelo governo, considera “doutores honoris causa” Michel Temer e João Havelange (aquele da FIFA).

Herbert Vianna, vocalista da famosa banda Paralamas do Sucesso, mesmo tendo gravado vários discos de enorme sucesso, não tinha a licença da Ordem dos Músicos. Herbert não sabia ler partituras, e não conseguia “passar” no teste da Ordem. Como nos anos 80 e 90 era proibido trabalhar como músico sem a carteirinha da Ordem, Herbert tinha que submeter-se à humilhação de renovar anualmente uma carteira provisória de “aprendiz”, emitida e carimbada por alguém que certamente nunca compôs uma música de sucesso ou recebeu um disco de ouro, ao contrário de Herbert.

Nelson Piquet, tri-campeão mundial de Formula 1, não pode ensinar alguém a dirigir. Ele precisaria ter aulas com alguém que tenha um “privilégio” concedido pelo Detran, para conseguir um papel carimbado que lhe daria o mesmo “privilégio”.

Provavelmente existem exemplos ainda mais absurdos desta realidade bizarra: é absolutamente irrelevante se uma pessoa sabe ou não fazer determinada coisa, mas ela é proibida de fazer se não submeter-se aos rituais impostos pelo governo e pelas guildas/conselhos, que se preocupam muito com a manutenção e ampliação dos privilégios de seus membros e pouco, pouquíssimo, com as consequências para a sociedade. Na verdade, a tendência destas corporações é agir CONTRA a sociedade, protegendo e garantindo impunidade a seus membros, usando seu prestígio e seus recursos financeiros e burocráticos.

Resumo da história: como quem sabe fazer não pode e quem pode fazer não sabe, não fazemos nada: compramos pronto da China.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LUIZ CARIOCA – RIO DE JANEIRO-RJ

Caro Berto,

Boa noite.

É possível publicar?

Abraço,

R. Aqui é possível publicar tudo que vocês leitores mandam.

Eu só faço obedecer.

A matéria está transcrita abaixo.

E os leitores poliglotas que quiserem ler o original da matéria em francês, com vídeo e tudo, basta clicar no título abaixo:

Le retour à Cuba de milliers de médecins expatriés, un coup dur pour l’économie de l’île

Quem não souber Francês, peça ajuda ao colunista Goiano, grande admirador do regime cubano. Ele é doutor no idioma do poeta Baudelaire.

* * *

*Milhares de médicos expatriados retornam a Cuba, um golpe na economia da ilha*

Em um ano, 9.000 médicos cubanos empregados no exterior tiveram que voltar para casa após o cancelamento de seus contratos. Um déficit considerável para Havana, que depende dessas divisas. Os Estados Unidos, por sua vez, denunciam um sistema escravagista e politizado.

Eles estão de volta à casa, coagidos e forçados. Após as mudanças políticas no Brasil, Equador ou Bolívia, milhares de médicos expatriados cubanos foram expulsos após o cancelamento de seus contratos. Em um ano, cerca de 9.000 médicos cubanos empregados no exterior tiveram que voltar para casa. É perda financeira considerável para Cuba, a exportação desses profissionais representa a principal entrada de divisas da ilha.

Para Havana, o culpado óbvio são os Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, também parabenizou os países envolvidos por *”terem se recusado a permitir que o regime cubano se beneficie do tráfico de médicos”*, dos quais *”75% do salário”* é retido pelas autoridades cubanas, de acordo com o subsecretário Michael Kozak.

*”Explorando o trabalho escravo”*

Os Estados Unidos acusam o governo socialista de *”explorar uma força de trabalho escrava”* e de às vezes usar esses médicos como militantes políticos em seu país de missão. O presidente brasileiro de extrema-direita Jair Bolsonaro, alega que oficiais de inteligência se infiltraram nas fileiras dos médicos.

O envio de médicos ao exterior *”continua sendo a principal fonte de receita externa para a economia, e é difícil realocar esses contratos porque dependem de acordos com governos, muito sensíveis aos ciclos políticos”*, observa o Economista cubano Pavel Vidal, da Universidade Javeriana, na Colômbia.

A fatura para essas devoluções forçadas? Ela ainda não aparece nas estatísticas oficiais, que registraram receita de US $ 6,398 bilhões em 2018. Esse valor permite financiar o sistema de saúde local gratuito.

Os cubanos não pretendem parar por aí. Diante das ameaças de Washington, Havana se adiantou, redirecionando seu contingente para China, Arábia Saudita, Kuwait, Vietnã e África do Sul.

DEU NO JORNAL

FILHO SOLIDÁRIO SEGUE O EXEMPLO DO PAI

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos de Lula, parece seguir os passos do pai, a caminho de uma condenação por corrupção em 2020.

A PF e o MPF investigam suas ligações com o Petrolão há anos, mas a Operação Mapa da Mina o colocou muito perto de uma cela onde o ex-presidente ficou 580 dias.

Está se comprovando que o apartamento luxuoso, de 335 m2, que Lulinha “alugou” nos Jardins — e que no papel pertenceria a Jonas Suassuna, seu sócio em vários negócios —, na verdade seria mesmo do filho do ex-presidente. Suassuna é também o dono do Sítio de Atibaia, usado pelo ex-presidente, razão pela qual foi condenado a 17 anos de prisão em segunda instância recentemente. Afinal, a prisão em segunda instância poderá voltar a valer em 2020, por meio de decisão do Congresso.

Em 2006, quando Lula era presidente, Lulinha ficou sócio na Gamecorp de Suassuna, dono oficial do Sítio de Atibaia e do apartamento no Edifício Hemisphere, nos Jardins. A Gamecorp, empresa de jogos eletrônicos, recebeu R$ 132 milhões da Oi. A gigante de telefonia era da empreiteira Andrade Gutierrez, que desviou bilhões da Petrobras.

O sítio usado por Lula e o apto de Lulinha foram comprados na mesma época (2009 e 2010) e reformados por valores milionários.

No apto de Lulinha, que custou R$ 3 milhões, foram gastos R$ 130 mil em móveis caros. Por isso, é investigado por lavagem de dinheiro como o pai, que foi para a cadeia graças ao tríplex no Guarujá — presente da OAS.

* * *

É tudo mentira, calúnia, difamação.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal são dois órgãos fascistas, reacionários, direitistas, empenhados, sem sucesso, em manchar a honra e a glória do homem mais honesto que já nasceu neste país.

Esta tal Operação Mapa da Mina não passa, na verdade, de um mapa que conduz à mentira, à invencionice e à perseguição de figuras honestas e impolutas.

Vocês aguardem que, com meia dúzia de links e mais 13 frases, nosso estimado colunista Goiano vai desmentir tudo que tá escrito aí em cima.

O Deus Menino Lulinha, filho do Deus Pai Lulão, jamais cometeu qualquer trambicagem.

Ele nunca valeu-se do cargo do papai pra se locupletar.

Num é verdade, Terta???

A PALAVRA DO EDITOR

O FORTE DOS REIS MAGOS

O Dia de Reis, segundo a tradição cristã, seria aquele em que Jesus Cristo, recém-nascido, recebera a visita de três reis magos do oriente – Melchior, Gaspar e Baltazar – na noite do dia 5 de janeiro e madrugada do dia 6, a qual ficou conhecida como “Noite de Reis”.

A data marca, para os católicos, o dia para veneração aos Reis Magos, obedecendo tradição surgida no século XVIII. Nessa data encerram-se os festejos natalícios, e dita o momento para desarmar presépios e retirar enfeites atinentes à época.

Até 53 atrás o Dia de Reis era feriado nacional no Brasil, compondo com o Natal e o Ano Novo os três estágios das festas natalinas. Em 1967, nova legislação nacional suspendeu inúmeros feriados e facultativos, abrangendo o Dia de Reis e outros cinco dias santos.

Fortaleza dos Reis Magos

Em Natal, a data permaneceu como feriado municipal, coincidindo com o início da construção da histórica fortaleza militar, em 6 de janeiro de 1598, que ficou conhecida por Forte dos Reis Magos, quase dois anos antes da inauguração da cidade de Natal, em 25 de dezembro de 1599.

A fortaleza é um primor de edificação tombada como patrimônio histórico e artístico nacional. A planta do forte lembra uma estrela irregular erguida em alvenaria de pedra e cal. Suas paredes sólidas foram construídas para suportar impactos de artilharia de canhões, de naus invasoras do nosso território.

As muralhas abrigavam em dois pavimentos, quartéis, depósitos, alojamentos de oficiais e subalternos, casa de comando, casa de pólvora, calabouços, vigias nas pontas da estrela, espaços estratégicos para posicionamento dos canhões e, no centro da edificação, uma capela inexplicavelmente demolida na década de 1920.

O Marco de Touros/RN

Trata-se de um dos mais formosos e bem preservados exemplares das muitas fortalezas construídas ao longo do litoral brasileiro por nossos colonizadores. O forte é o marco da capital e cartão-postal da cidade que foi fundada no mesmo dia e batizada com o nome dado à data do nascimento de Jesus Cristo: Natal.

A edificação abriga exemplares de peças da época, como canhões, plantas e fotografias históricas e guarda o marco de Touros – um dos marcos-padrão de posse colonial da terra brasileira por Portugal, datado de 7 de agosto de 1501, que para muitos historiadores representa o registro de nascimento do Brasil.

Administrado pela Fundação José Augusto, instituição ligada ao Governo do Rio Grande do Norte, o Forte dos Reis Magos está fechado ao público há mais de um ano por conta da burocracia decorrente de uma licitação.

Durante o transcorrer do período natalino turistas brasileiros e de outros países vieram conhecer o forte, porém, neca de pitibiriba. A insensibilidade do poder público não permitiu o acesso ao nosso principal monumento histórico.

Da fortaleza tem-se uma visão privilegiada da entrada da barra, na desembocadura do Rio Potengi, tal como foi avistada pelos colonizadores. Certamente, durante toda a alta estação o Forte dos Reis Magos continuará com as portas cerradas para sedentos por conhecimento e aos amantes da história do Brasil. É uma pena!