DEU NO TWITTER

DE FURICO ARREGANHADO PARA A PLATÉIA

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

TODO AMOR É ÚNICO

Ambos haviam saído da adolescência quando começaram a namorar. Num piscar de olhos o amor disse sim e tudo começou como num conto de fadas à moda Marie-Catherine d’Aulnoy, no final do século XVII.

Não havia tempo ruim para os dois. Qualquer incidente bizarro do cotidiano, por desimportante que fosse, era motivo para rirem e mostrar ao mundo que estavam felizes. Coisas da juventude.

Depois de três meses de namoro ambos resolveram noivar. À moda antiga, românticos, os dois passaram de frente a uma loja de vender alianças e ele perguntou-lhe qual a que ela mais se identificava. E ela, feliz da vida, indicou uma da vitrine, simples. Ele comprou e ambos ficaram noivos ali mesmo dentro da Loja Alianças, sob o olhar emocionado da atendente.

Depois do noivado, começaram a organizar a vida. Compraram enxoval e demais utensílios domésticos de uso diário para uma casa de um casal que se preze organizada.

Menos de um ano de noivado, estavam os dois pombinhos à frente do Juiz da Vara de Família e Casamentos dizendo sim à liberdade de escolha; e um mês depois, para a felicidade da família materna, estavam no altar da igreja de frente para o pároco, prometendo estar com a amada na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-a, respeitando-a e sendo-lhe fiel em todos os dias da vida, até que a morte os separe.

Dois anos depois de casados, sem filhos, sem motivos, sem desentendimentos, ambos resolveram separar. Ela foi para um lado em busca não se sabe do quê, e ele também. Depois, ela arrumou um novo companheiro e resolveu com ele ficar, sem se casar. Ele fez o mesmo; porém casou-se.

Vinte e cinco anos depois de separarem, ambos se encontram. O amor e a admiração que um nutria pelo outro não mudou anda. Ela com dois filhos, viúva; e ele com dois filhos, casado. O mesmo sorriso, a mesma admiração, o mesmo prazer da juventude emergiram nos corações de ambos, como a lua após o sol se por. Abraçaram-se, beijaram-se, choraram. Curiosamente, ele a abraça como no passado, as lágrimas correndo dos olhos, pergunta-lhe:

– Amor, se a gente se amava tanto. Gostava tanto a ponto de até hoje o amor continuar vivo, latente, latejante, por que a gente se separou?

E ela, fingindo não lhe dar ouvido, mas aplicando-lhe um beijo demorado, responde:

– Era porque nós dois éramos dos adolescentes irresponsáveis; mas hoje somos maduros e eu estou viúva!

Beijou-lhe mais uma vez e se foi sem olhar para trás.

* * *

Comentários sobre o filme “Cenas de Um Casamento” do genial diretor Sueco Ingmar Bergman

DEU NO TWITTER

PARA AS VÍTIMAS DE ENCHENTES

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

REESCREVENDO O PASSADO – Parte 2

Encerrei a coluna da semana passada em 1945. Fim da guerra, início de um esforço de reconstrução. Vamos continuar daqui, rumo à crise de 2008.

De 1945 para cá, a economia tornou-se algo muito difícil de entender e mais ainda de explicar. Por quê? Porque é exatamente essa a intenção: criar um emaranhado de normas e instituições que ninguém sabe como funcionam. Só o que o povo precisa saber é que o governo é sempre bondoso e necessário e que sem os burocratas e os políticos, o capitalismo malvado exploraria os pobres.

Com as economias européias destruídas pela guerra, criou-se um arranjo em que todas as moedas teriam como referência o dólar, e este teria seu valor lastreado em ouro, à taxa fixa de 35 dólares a onça (aproximadamente 1,25 o grama). Isto colocou os EUA (que em 1945 tinham guardadas vinte mil toneladas de ouro) em uma situação muito confortável. Dono da famosa “maquininha de fabricar dinheiro”, o governo foi fabricando mais e mais dólares, sempre sob a promessa de que 35 dólares tinham o mesmo valor que uma onça de ouro. Era uma equivalência virtual, já que continuava em vigor a proibição de possuir ouro, criada em 1929.

Se o governo dos EUA não era obrigado a trocar dólares por ouro para seus cidadãos, era obrigado a fazê-lo para os bancos centrais de outros países (essa foi a condição para que todos aceitassem o dólar como lastro de suas próprias moedas). E aí começou o problema. É uma lei imutável e irrevogável da economia: se a quantidade de algo aumenta, seu valor diminui (e vice-versa). Como a quantidade de dólares aumentando sem parar, os outros países começaram a achar que era mais negócio ter umas barrinhas de ouro em seus cofres do que ter papéis coloridos que supostamente valeriam a mesma coisa. Em vinte anos, as reservas de ouro dos EUA caíram para menos da metade, e era óbvio que se esta política continuasse, em algum momento elas iriam acabar.

Em agosto de 1971 o presidente Nixon anunciou duas medidas: a primeira, que surpreendeu o mundo, foi declarar que o dólar não estava mais lastreado em ouro. Dali em diante, o valor de uma nota de dólar viria simplesmente da autoridade do governo. A segunda medida, ao contrário da primeira, não deve ter surpreendido ninguém: para combater a inflação, o governo anunciou um congelamento de preços! (spoiler: não funcionou)

Continue lendo

A PALAVRA DO EDITOR

UMA DEFINIÇÃO IRRETORQUÍVEL

O fubânico lulo-petêlho Fanático Furioso, que perpetra comentários zisquerdistas furiosa e incansavelmente o dia todo e todos os dias, acha um absurdo ter um cabra feito Bolsonaro na presidência.

Um cabra que ele chama de louco, de burro, de nulidade, de esculachador de fêmeas, de terror ambulante, de descontrolado, de perseguidor de baitolas, de destrambelhado, de comedor de capim, de fascista… de… de… 

E mais de um monte de coisas.

Mas o mesmo zisquerdista Fanático Furioso acha normalíssimo o fato de termos tido um Lula e uma Dilma na Presidência da República.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!!

Num dá mesmo pra levar esse povo a sério.

De jeito nenhum.

O genial Paulo Guedes, que não erra uma sequer, acertou no alvo de novo com esta frase irretorquível: 

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CICERO JOSÉ DE ARAUJO – ACARI-RN

Olá,

sou Cicero historiador de Acari.

Gostaria de saber se poderia usar seu blog para dIvulgar cronicas históricas do Acary Antigo.

Abraços.

R. Use e abuse, meu caro historiador.

Aqui quem manda é o leitor.

Pode enviar seus textos.

Serão publicados nesta mesma seção.

Disponha sempre.

Abraços e uma excelente semana.

Acari, no interior do Rio Grande do Norte e com uma população de 11.152 habitantes, é conhecida como “a cidade mais limpa do Brasil”

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

ALGUMAS DAS MELHORES FRASES DE MANOEL DE BARROS

“Tenho uma dor de concha extraviada. Uma dor de pedaços que não voltam. Eu sou muitas pessoas destroçadas.”

“No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.”

“Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito.”

“Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia. “

“Gorjeio é mais bonito do que canto porque nele se inclui a sedução. É quando a pássara está namorada que ele gorjeia.”

“Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.”

“No caminho, as crianças me ensinaram mais do que Sócrates. Pois minha imaginação não tem estrada. E eu não gosto mesmo de estrada. Gosto de desvio e de desver.”

“Agora eu penso uma garça branca de brejo ser mais linda que uma nave espacial. Peço desculpas por cometer essa verdade.”

“O tempo não morre, o tempo não nasce, então não devemos ter esse sentimento melancólico pelo tempo que passa.”

“Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há de ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”

“Meditei sobre as borboletas. (…) Vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras, sem magoar as próprias asas.”

“Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidade.”

“A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.”

“É por demais de grande a natureza de Deus. Eu queria fazer para mim uma naturezinha. particular. Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis.”

“Tentei descobrir na alma alguma coisa mais profunda do que não saber nada sobre as coisas profundas. Consegui não descobrir.”

“Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão antes que das coisas celestiais.”

“A natureza é sábia e justa. O vento sacode as árvores, move os galhos, para que todas as folhas tenham seu momento de ver o sol.”

“No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal: Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro.”

“Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas – é de poesia que estão falando.”

“Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios do menino que fomos.”

“Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo.”

Manoel Wenceslau Leite de Barros (1916 – 2014) foi um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à geração 45, porém formalmente ao pós-Modernismo brasileiro, localizando-se mais próximo das vanguardas europeias do início de século, da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswaldo de Andrade. O poeta mato-grossense Manoel de Barros buscava conjugar em sua obra elementos regionais com aflições existenciais e um surrealismo bastante particular. Sua formação era cosmopolita. Graduado em Direito e familiarizado com a modernas poesia francesa, chegou a viver no Rio de Janeiro, mas acabou se recolhendo a uma fazenda no pantanal.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

GUILHERME FIUZA

MORO OFENDE OS GOLPISTAS

A tese era de que Sergio Moro deixar de ser juiz para ir trabalhar no governo seria um absurdo. Apesar das críticas, ele foi. Aí a tese passou a ser que o governo não dá espaço para Sergio Moro trabalhar e isso é um absurdo. Os críticos estão na dúvida se atacam ou defendem o trabalho de Sergio Moro no governo.

Normal. Faz um bom tempo que o noticiário vive uma espécie de amizade colorida com a realidade. Se os fatos cooperam com as teses, são bem tratados; se não andarem na linha, pior pra eles. É sempre um pecado generalizar, mas a dominância das crises artificiais nas manchetes do último ano nos convida a pecar.

Duvida? Então olha isso: no Fórum de Davos de 2019 – portanto um ano atrás – as notícias sobre a presença de Sergio Moro no evento eram quase todas melancólicas. Fotos do recém-empossado ministro da Justiça olhando para baixo eram acompanhadas de sagazes interpretações sobre o seu “visível” desconforto na nova função, sobre o seu constrangimento ao lado de um presidente rude, sobre o seu pouco destaque nos holofotes suíços, etc. Ou seja: a pauta “fora Moro” já mostrava que tinha vindo para ficar e que não ia dar a menor bola para a vida real, essa intrometida.

Durante todo o primeiro semestre de 2019 foi noticiado que Moro estava insatisfeito com o cargo ou que Bolsonaro estava incomodado com a sombra de Moro – de novo uma sutil discrepância entre a tese de que o ministro não tinha importância ou tinha importância demais. Detalhes que qualquer redator razoável ajeita.

O que começou a atrapalhar foi a entrada de Moro no Twitter, em abril. Sem dúvida, um dos maiores baques da história da imprensa marrom.

O ministro da Justiça passou a divulgar diariamente suas ações na rede social – e a opinião pública não entendeu nada. Aquele Moro chateado, isolado, ocioso, indisposto com o governo e com a vida sumiu. Apareceu um servidor abnegado – velho conhecido do público pela epopeia da Lava Jato – atuando criteriosa e obsessivamente para coordenar as forças de segurança do país, montar operações estratégicas nas rodovias, nas fronteiras, nos presídios, enfim, em todo o território para acrescentar inteligência ao enfrentamento do crime.

Tudo detalhado no Twitter. Um inferno.

Assim o público ficou sabendo de ações cruciais como o isolamento das principais lideranças do crime organizado em presídios de segurança máxima – a medida mais eficaz dos últimos tempos contra a violência no país, cuja queda em 2019 incluiu, entre outros indicadores, um número de homicídios cerca de 22% menor que no ano anterior. Claro que a tese dos críticos vitalícios de Sergio Moro passou a ser de que isso não teve nada a ver com o trabalho dele. Se o ex-juiz nem deveria ter aceitado o cargo de ministro e já deveria ter sido demitido dele, como ainda ousava fazer alguma coisa?

Moro vai embora porque Bolsonaro interferiu na Polícia federal. Bolsonaro está fritando Moro porque quer botar um amigo no lugar dele. Foi um ano inteiro assim. E os resultados do ministro sendo expostos no Twitter de forma absolutamente desrespeitosa com os conspiradores. O pacote anticrime não ia ser votado nunca – e aí quando foi aprovado, com avanços importantes como o fim da farra da progressão de regime para condenados perigosos, o foco passou para o que não se conseguiu aprovar, como a prisão após condenação em segunda instância.

O primeiro ano de gestão exitosa de Sergio Moro como ministro da Justiça foi para o noticiário como uma “sucessão de derrotas”. Uma fração da boa vontade que mereceu o ministro da Justiça de Dilma Rousseff – cuja função precípua era blindar um governo corrupto – transformaria Moro num deus. Mas aí não teria graça.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CAMILO – TAUBATÉ-SP

Recebi esta mensagem pelo e-mail e como achei interessante estou lhe enviando.

Vejamos algumas noticias de hoje (25/01/2020):

a) MG registra 37 mortos por chuva, 17 mil estão fora de casa.

Culpa do Bolsonaro que não ajudou o estado à fazer a galeria de drenagem;

b) Sobe para 8 mil o nº de desabrigados ou desalojados no Espírito Santo

Culpa do Bolsonaro que não construiu casas do Minha Casa minha Vida para alojá-los;

c) China alerta que coronavírus pode se espalhar antes de surgirem sintomas

Culpa do Bolsonaro que não colocou redes de proteção nos chineses não contaminados;

d) Brasil vai ganhar mais opções de carros híbridos nos próximos anos

Herança dos governos do Lula e da Dilma que o Bolsonaro não conseguiu evitar;

e) 16 concursos abrem inscrições amanhã para mais de 600 vagas

Herança dos governos do Lula e da Dilma que o Bolsonaro não conseguiu evitar;

f )Por que executivas mulheres se divorciam mais do que homens?

Porque elas seguem os conselhos do Bolsonaro!

g) Falta de chuva regular prejudica produção de uvas do RS

Culpa do Bolsonaro que não ajudou o estado à contrata os xamãs para fazerem a dança da chuva;

h) Chuvas no Espírito Santo impedem agricultores de escoar produção

Culpa do Bolsonaro que não construiu o trem bala no Espirito Santo;

i) “Por enquanto, Moro ainda está forte no governo”, avaliam integrantes da cúpula da PF (Matheus Leitão)

Mais uma pré-anúncio de demissão do ministro Moro (esta é 10ª ou a 20ª demissão?)